Toda a gente tem um hobby ou uma paixão que sai fora do seu âmbito profissional. Desta vez, estou aqui para falar do meu outro prazer: ténis. Não da modalidade desportiva, mas do item de calçado ao qual também há quem chame “sapatilhas”.

 

TEXTO Mariana Lopes

A minha relação com ténis não será, com certeza, entendida por todos mas, tal como num bom vinho, há características que me fascinam e que, num primeiro contacto, aprecio de igual forma, sejam elas a cor, a textura, a consistência, os ele­mentos que os compõem e a qualidade transversal a determinadas marcas, ou que encontramos onde menos esperamos. Agora que penso nisso, até a forma como en­velhecem!

A minha colecção, (já considerável, confesso…), abarca várias marcas clássicas e, de cada uma delas, diversos modelos. Mas há um que é “o tal”, aquele que nunca dispenso, o Air Max One. O ano de 1987 é bombástico por várias razões: os astrónomos da Universidade da Ca­lifórnia viram, pela primeira vez na história, o nascimento de uma galáxia, Kareem Abdul-Jabbar chega aos 36.000 pontos na NBA pelos Lakers, Aretha Franklin entra para o Rock and Roll Hall of Fame, o primeiro episódio de The Simpsons vai para o ar, Michael Jackson edita “Bad” e surge o icónico Air Max One.

A Nike, fundada por Philip Knight em 1962, lançou este modelo com um design inovador e disruptivo numa altura em que a empresa precisava desse impulso. Por um lado, porque o interesse inicial do público já tinha atingido oseu pico, por outro, o “encandeamento” dos anos 80 fez com que os consumidores estivessem entediados com os modelos anteriores.

Tinker Hatfield, arquitecto e designer de alguns dos mais emblemáticos exemplares da história das solas Nike, ins­pirou-se na sua primeira visita ao Centre Georges Pompi­dou, em Paris. Hatfield explicou, numa entrevista: “Olhei para este enorme edifício, quase construído como uma máquina, a ‘deitar as suas entranhas cá para fora’. Via-se tudo do lado de fora. As escadas rolantes, os aparelhos de ar condicionado e os diferentes níveis do museu.” As­sim, de uma forma genial, Tinker Hatfield desenhou estes ténis, os “meus ténis”, com uma caixa de ar translúcida na sola, através da qual se consegue ver o seu interior, e um design moderno e ousado aliado a um conforto que nunca experimentei em qualquer outro par.

Por tudo isto, passar por uma loja de ténis é coisa peri­gosa para mim, há sempre uma vozinha a dizer, “Air Max One, Air Max One…” Como diz a banda de rap portugue­sa Mind da Gap, na música “Tilhas? São Sapatilhas”:

“Gosto de agarrá-las, senti-las minhas ou só fitá-las
Deleitar-me com a visão de cada um dos pares delas
Admirar os pormenores, os traços, as texturas
Imaginar-me com elas em grandes aventuras”

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