Enoturismo: Romana Vini

Romana Vini

Na Região Vitivinícola de Lisboa, entre o Atlântico e os seus murmúrios constantes e a memória calcária dos solos, a Denominação de Origem Controlada (DOC) Óbidos ergue-se como um testemunho enológico da relação íntima entre o homem, a natureza e o vinho. A sua paisagem não se impõe mas insinua-se, subtil, quase tímida. O relevo […]

Na Região Vitivinícola de Lisboa, entre o Atlântico e os seus murmúrios constantes e a memória calcária dos solos, a Denominação de Origem Controlada (DOC) Óbidos ergue-se como um testemunho enológico da relação íntima entre o homem, a natureza e o vinho.

A sua paisagem não se impõe mas insinua-se, subtil, quase tímida. O relevo é marcado por suaves colinas e encostas irregulares, espraiando-se entre os 50 e os 200 metros de altitude, e desempenha um papel decisivo na proteção natural das vinhas e na distribuição das parcelas, num mosaico agrícola que responde, com sensibilidade, à orografia do território.

Entre o vento e a vinha

O clima é atlântico por vocação e identidade. Aqui, a proximidade do oceano não é apenas geográfica, é uma presença constante que sopra de Oeste, moderando temperaturas, prolongando a maturação das uvas e mantendo a humidade elevada. Esta influência oceânica confere aos vinhos de Óbidos uma frescura vibrante, uma acidez natural e um perfil aromático tenso, elegante, muitas vezes mineral.

A pluviosidade, abundante e bem distribuída ao longo do ano, alimenta o solo e desafia o viticultor. O desafio, porém, não é obstáculo, mas condição. A videira, nesse cenário húmido, exige atenção e saber. E os solos, predominantemente argilo-calcários, com boa capacidade de retenção de água e drenagem eficaz, proporcionam um equilíbrio vital entre vigor e restrição, permitindo que a vinha se expresse com autenticidade. Na sua condução predominam os sistemas em cordão bilateral e Guyot, adaptando-se à orografia e às exigências da sanidade num clima de elevada humidade relativa. A gestão do coberto vegetal e a orientação das linhas seguem uma lógica quase filosófica: proteger sem sufocar, expor sem queimar, guiar sem domesticar.

Quanto às castas, Óbidos guarda em si uma paleta de contrastes. Nas tintas, impera a Touriga Nacional com a sua alma floral e vigorosa, acompanhada da Aragonez, da Castelão e da Trincadeira, castas tradicionais que, no contexto climático local, encontram expressão em vinhos de corpo médio, boa acidez e capacidade de envelhecimento discreta, mas promissora.

Nas brancas reina a frescura. A casta Arinto, com sua acidez cortante e longevidade, é a espinha dorsal da produção, ao lado da Fernão Pires, da Vital e da Rabo de Ovelha. Nos últimos anos, novas interpretações da Chardonnay e da Sauvignon Blanc também têm marcado presença, muitas vezes com fermentação em barrica ou estágio sobre borras, revelando o potencial da sub-região para brancos complexos e estruturados.

Mas mais do que um conjunto de dados técnicos, na Denominação de Origem Óbidos é um lugar de encruzilhadas. Aqui, a tradição e a inovação caminham lado a lado, o passado agrícola e o futuro enoturístico dialogam, o rigor técnico e a intuição do viticultor entrelaçam-se. É uma sub-região que, embora discreta perante o brilho de outras denominações nacionais, se afirma com carácter, autenticidade e uma serenidade que só a maturidade da terra pode oferecer. E, ainda assim, cada vindima é uma promessa nova, uma pergunta lançada à natureza e ao saber humano: que vinho será este ano o espelho da terra?

No fundo, a DOC Óbidos não é apenas uma denominação de origem. É uma forma de estar no mundo entre o vento e a vinha, o calcário e o mar, o que foi e o que está por vir. É filosofia líquida embalada em garrafas, memória do Atlântico vertida em cada copo.

Num deambular pela Região de Lisboa, os ventos atlânticos sussurram-me aos ouvidos uma expressão que me deixou curioso – “Romana Vini”.

Em Alguber, no concelho do Cadaval, entre colinas suaves e o “uivo” constante do Atlântico, repousa a Quinta do Porto Nogueira. Integrada na sub-região DOC Óbidos, em plena Região Vitivinícola de Lisboa, esta quinta secular é mais do que um espaço agrícola, é um lugar onde a terra e o pensamento se encontram, onde a vinha se faz expressão de uma filosofia paciente e de um saber transmitido entre gerações.

Onde a terra se serve à mesa

No Concelho de Cadaval, a gastronomia é mais do que sustento. É expressão viva de um território onde o tempo ainda respeita os ciclos da terra e os saberes antigos resistem ao esquecimento. Esta região, aninhada entre vales férteis e a majestade tranquila da Serra de Montejunto, oferece uma riqueza culinária que nasce do diálogo íntimo entre o homem e a natureza.

A Pera Rocha do Oeste DOP, símbolo maior da fruticultura local, é aqui mais do que um produto agrícola, é orgulho coletivo, fruto de gerações que moldaram, com paciência e técnica, um dos sabores mais delicados do país. Cadaval é reconhecida como a “capital” desta pera, cuja textura fina e doçura equilibrada falam tanto do solo que a alimenta como das mãos que a colhem.

Nas mesas cadavalenses, os pratos tradicionais revelam a alma rural do concelho — sabores robustos, enraizados na terra e na partilha. Do cabrito assado no forno de lenha, com aromas de alecrim e alho bravo, à suculência dos enchidos artesanais, ao coelho à aldeia, passando pelas sopas rústicas de feijão e couve, tudo respira autenticidade. O bacalhau à lagareiro e os grelhados ao carvão são mais do que receitas, são narrativas familiares transmitidas de geração em geração, muitas vezes cozinhadas em lume brando e degustadas com tempo e conversa.

A doçaria é outro capítulo de afeto. O pão-de-ló artesanal da Ti Piedade, com a sua textura húmida e alma conventual, é já um ícone local, enquanto o bolo doce de Figueiros traz, à memória, os domingos antigos e os cheiros de forno que atravessavam os quintais.

E da Serra do Montejunto, onde o silêncio é cortado apenas pelo zumbido das abelhas e pelo sopro do vento, chega um mel de características únicas, âmbar e intenso, destilado da flora bravia que cobre os caminhos serranos. É a natureza no seu estado mais puro, transformada em doçura lenta.

No Concelho de Cadaval, comer é um gesto ancestral de gratidão. Cada produto, cada prato, cada doce, carrega consigo a marca da identidade e a beleza de um lugar onde o essencial ainda tem valor. É uma cozinha que não se limita a alimentar. Convida a pertencer.

 

Regresso às raízes com olhar no futuro

Há histórias que fermentam lentamente, como os grandes vinhos. Crescem em silêncio, de geração em geração, amadurecendo no coração das famílias que sabem escutar a terra. Assim é a história da Casa Romana Vini, projeto familiar nascido de um legado rural profundo e de um reencontro com a vocação que o tempo, por momentos, apenas adormeceu.

Na família Mendes Barreira o amor pela vinha não se aprendeu nos livros, mas no campo, ao lado dos que sabiam ler o ciclo das estações. O avô Manuel Gerardo Barreira foi um desses guardiões da sabedoria rural. Cuidava, com mãos sábias e humildes, pequenas vinhas em terrenos que hoje integram a Quinta do Porto Nogueira, no concelho do Cadaval. Foi ele quem transmitiu ao filho, José Pereira Barreira, não apenas o saber técnico, mas a reverência pela terra. E foi entre os serões da aldeia, ao calor da lareira, que o neto,  António Mendes Barreira, escutou — mais do que histórias — uma herança silenciosa, feita de paciência, trabalho e encantamento. Passadas algumas décadas, já depois de percursos empresariais noutros domínios, António Mendes Barreira e esposa, Maria Isabel Policarpo, sentiram renascer esse chamamento.

O campo voltou a falar-lhes com a linguagem que nunca esqueceram. Decidiram, então, investir nos terrenos que herdaram e adquiriram, divididos entre a histórica Quinta do Porto Nogueira, datada do século XVIII, na Região Vitivinícola de Lisboa, e a Quinta da Escusa, na região dos vinhos do Tejo. Plantaram a vinha em 2010, não como quem planta apenas um cultivo, mas como quem semeia um propósito. O objetivo era claro – produzir vinhos de qualidade premium, nos melhores terroirs, a partir de castas nacionais e internacionais, vinificadas com rigor em adega própria.

Assim nasceu a Casa Romana Vini, cuja primeira colheita, 2015, logo deu frutos, dois vinhos galardoados com Grande Ouro no Concurso de Vinhos de Portugal de 2017. Desde então, os prémios sucedem-se, mas é a coerência da filosofia, e não o brilho das medalhas, que continua a orientar o projeto.

Na Romana Vini, o trabalho do enólogo António Ventura é mais do que uma prática técnica, é um exercício de escuta profunda. Escuta da terra, do tempo, da vinha e do silêncio que antecede cada vindima. Reconhecido como um dos nomes maiores da enologia em Portugal, Ventura não impõe estilo, antes interpreta o carácter de cada parcela com a precisão de um artesão e a humildade de um filósofo do vinho.

Este produtor possui 28 referências, somando os vinhos das duas Quintas. Nelas estão cultivadas várias castas brancas, com destaque para o Arinto, Alvarinho, Encruzado, Sauvignon Blanc, Chardonnay e Sémillon e, nas tintas, para o Pinot Noir, Touriga Nacional e Syrah.

Desde 2019, cultivam não apenas a terra, mas também o ideal da agricultura 100% biológica, assumindo um pacto com o tempo e a natureza e recusando as imposições químicas da produtividade desenfreada.

Romana Vini

 

Cada vinho é apresentado como uma narrativa — com corpo, alma e contexto. E cada gole é um convite ao pensamento, à pausa, à escuta do que o vinho tem para dizer

 

Harmonia com o ecossistema

Mas esta história começou bem antes da certificação. Há muitos anos, abriram mão dos herbicidas e fertilizantes químicos, escolhas que, embora discretas, revelam uma filosofia profunda: a de que a terra só devolve plenitude quando é tratada com respeito.

Hoje, vão mais longe — rejeitam também pesticidas e quaisquer substâncias sintéticas. Não por capricho, mas por convicção. Protegem a biodiversidade não como quem segue uma moda verde, mas como quem escuta o silêncio das raízes e reconhece, na harmonia do ecossistema, uma sabedoria ancestral que não cabe nos frascos da indústria. Num mundo em que a velocidade e o lucro ditam as regras, escolher o caminho da biologia pura é um ato de resistência. E, talvez, de esperança.

Na casa Mendes Barreira, António Ventura encontrou um terreno fértil, não apenas em solos, mas em visão partilhada. Trabalha lado a lado com a natureza, respeitando os ritmos biológicos e buscando sempre a pureza da expressão varietal. Cada vinho da Romana Vini leva, assim, a marca discreta, mas firme da sua mão: equilíbrio, elegância e autenticidade.

Mais do que criar vinhos premiados, António Ventura cultiva narrativas líquidas, onde cada garrafa é um lugar, um ano e uma memória. Porque, para ele, a enologia não é só ciência, é também contemplação, diálogo e arte.

Na visão da família, o enoturismo não é um apêndice do vinho, mas uma extensão natural do seu espírito. Por isso, em 2022, a Quinta do Porto Nogueira passou a acolher o Wine Hotel, unidade que se funde com a paisagem e convida à imersão. Não se trata apenas de oferecer alojamento, mas de criar experiências sensoriais alinhadas com o vinho, o bem-estar e a contemplação do essencial.

Hoje, com o envolvimento dos filhos, Pedro e João Barreira, a Casa Romana Vini e o Wine Hotel assumem-se como duas faces do mesmo projeto de vida. Produzir grandes vinhos e proporcionar experiências autênticas, junto à vinha, no compasso do campo, mantendo sempre o fio condutor: a exigência, a simplicidade e o cuidado. Tudo isto num ambiente onde o luxo não é ostentação, mas a beleza subtil de se estar próximo da terra e, por isso mesmo, mais próximo de si próprio.

É esse o espírito que perdura desde os tempos do avô Manuel. Não se trata apenas de fazer vinho. Trata-se de honrar a terra, a memória e o futuro, com o mesmo respeito silencioso que, geração após geração, sussurra entre as videiras.

Num vale onde o silêncio das vinhas se mistura ao rumor antigo das pedras, ergue-se a Adega Romana Vini, que não é apenas um produtor de vinho, mas um altar onde o tempo é colhido em cachos. A sua existência é mais do que uma resposta ao mercado, é um manifesto. Romana Vini vive como um pensamento sólido vertido em líquido, onde cada garrafa é uma tese embebida de história, um ensaio sobre a terra, o homem e o divino labor da fermentação.

No coração da sua filosofia está uma arqueologia da alma vitivinícola. O nome não é apenas um aceno ao império que civilizou a vinha, mas um compromisso com a memória. A Romana Vini retoma os métodos, o espírito e a solenidade dos romanos, para quem o vinho era mais do que bebida — era linguagem, contrato e culto. Não por acaso, cada estágio de produção ecoa esse espírito: pisa a pé, envelhecimento em ânforas, diálogo entre a tradição e a tecnologia sem que uma suplante a outra.

O enoturismo… um circuito de experiências

Há lugares onde o tempo desacelera, não por inércia, mas por respeito. Na Romana Vini cada passo do visitante é um convite ao reencontro com o essencial: a terra, o silêncio, o gesto lento da vinha, o saber do vinho. O circuito de visitação enoturística criado pela família Mendes Barreira não é apenas uma proposta de lazer, é um itinerário sensorial e filosófico, onde o vinho deixa de ser um produto e se torna linguagem.

Implantado na Quinta do Porto Nogueira, em Alguber, o projeto da Romana Vini alicerça-se em duas ideias fundadoras: autenticidade e cuidado. É a partir destas premissas que nasce um percurso de visita que vai muito além da clássica prova de vinhos. Aqui, cada etapa do circuito da vinha à adega, da cave ao copo, da mesa ao horizonte, é uma celebração do tempo certo das coisas.

A visita começa, como deve ser, na vinha, onde o visitante é convidado a caminhar entre os alinhamentos de Arinto, Alvarinho, Touriga Nacional ou Pinot Noir, sentindo no rosto a brisa atlântica que molda os vinhos da casa. É uma imersão no terroir, uma aproximação física àquilo que normalmente só se saboreia em silêncio num cálice. O guia não é apenas um informador técnico, mas um mediador entre o visitante e o espírito da paisagem. Fala-se de solos argilosos, de conduções em cordão bilateral, de viticultura biológica, mas fala-se sobretudo da relação entre o homem e a terra, entre o fazer e o esperar.

Segue-se a passagem pela adega, moderna, mas discreta, onde a tecnologia respeita a natureza e a intervenção é mínima. Aqui, o enólogo é visto como um tradutor da vinha, e não como um criador absoluto. A cave, com os seus barris silenciosos e o cheiro ancestral de madeira e mosto, conduz inevitavelmente à contemplação. Há uma ética do tempo em cada estágio, uma filosofia da lentidão que nos interpela num mundo apressado.

A prova de vinhos, longe de ser um ritual apressado, é conduzida com a mesma atenção ao detalhe. Em salas envidraçadas com vista para as vinhas, ou em recantos ao ar livre rodeados de oliveiras e silêncio, os visitantes experimentam vinhos que trazem consigo a memória do lugar. A acidez vibrante de uma Arinto, a mineralidade de um Encruzado, a estrutura austera de uma Touriga. Cada vinho é apresentado como uma narrativa — com corpo, alma e contexto. E cada gole é um convite ao pensamento, à pausa, à escuta do que o vinho tem para dizer.

Mas a experiência vai além do vinho. Na Quinta do Porto Nogueira Wine Hotel o visitante pode prolongar o encontro com a terra. O alojamento, discreto e acolhedor, funde-se com a natureza. Há trilhos, piqueniques entre vinhas, jantares vínicos, sessões de meditação ao entardecer, provas horizontais e verticais, experiências sensoriais alinhadas com o ciclo da vinha e com o ciclo interior de cada pessoa.

É um enoturismo que se propõe como caminho — no sentido mais pleno da palavra. Um caminho de regresso ao natural, ao simples, ao que tem substância. Em vez de espetacularidade, há silêncio. Em vez de pressa, há cuidado. Em vez de consumo, há encontro.

Não há excessos nem ostentação, apenas uma elegância silenciosa que se revela em cada detalhe: na decoração sóbria e requintada, nos tecidos que respiram conforto, nas linhas clássicas que acolhem com modernidade contida

 

Um momento de encontro…

Na Romana Vini, cada visita é desenhada como um momento de encontro com o vinho, o lugar e a história silenciosa que atravessa cada cacho. Quem visita, escolha ou não pernoitar no sereno refúgio do Wine Hotel, é sempre convidado a mergulhar numa experiência vínica que começa muito antes do primeiro gole.

A visita pode é realizada por profissionais com sólida formação. Quando o pedido exige um toque mais íntimo e exclusivo, é feito pelos proprietários da casa. Não são raros os visitantes que desejam escutar a história da Romana Vini da voz de quem a sonhou e aqui, a hospitalidade é tão artesanal quanto os vinhos.

Concluído o passeio, o destino é o Tasting Room, onde o tempo parece abrandar para que os sentidos possam enfim despertar. A prova de vinhos pode incluir entre três e seis referências, consoante a escolha do visitante, numa curadoria que privilegia a diversidade de castas, estilos e terroirs. Mais do que uma degustação técnica, trata-se de uma vivência sensorial e meditativa: cada vinho é apresentado como um capítulo de um livro que se escreve com a terra, o clima e a mão humana.

Na Romana Vini, provar vinho não é apenas apreciar aromas e sabores, é escutar a paisagem que o gerou, sentir o gesto que o cuidou e compreender o tempo que o moldou. Por isso, a experiência, seja qual for o formato escolhido, nunca é genérica. É sempre pessoal. É sempre reveladora.

E talvez seja isso que distingue este lugar. A consciência de que o vinho, quando verdadeiramente vivido, não se limita a ser bebido. É partilhado e  compreendido.

A Romana Vini não oferece apenas um circuito de visita. Oferece um modo de estar. E, nesse gesto, recorda-nos algo fundamental, que o vinho é terra transformada, é tempo engarrafado, é cultura líquida. Mas, acima de tudo, é uma ponte entre o que somos e o que podemos ainda vir a ser, se tivermos a coragem de escutar a terra.

Dormir nas nuvens… viver no paraíso

Na serenidade da paisagem de Alguber, no concelho do Cadaval, ergue-se a Quinta do Porto Nogueira – Wine & Charming Countryhouse, um lugar onde o tempo abranda e a beleza encontra o seu lugar natural. Aqui, tudo parece estar, subtil e intencionalmente, no sítio certo. Não há excessos nem ostentação, apenas uma elegância silenciosa que se revela em cada detalhe: na decoração sóbria e requintada, nos tecidos que respiram conforto, nas linhas clássicas que acolhem com modernidade contida.

Com 15 quartos e uma villa privada, todos superiormente decorados com a mestria de Maria Isabel Policarpo, proprietária e anfitriã, a quinta oferece um refúgio onde o luxo se expressa pela harmonia entre o espaço, a luz e o silêncio. Esta tudo no sítio certo. A piscina convida à contemplação mais do que ao movimento, inserida numa envolvência de vinhas e colinas suaves, onde o olhar se perde em verdes compassados.

Mas esta não é apenas uma casa para dormir — é um lugar para viver com intensidade serena. A experiência gastronómica privilegia os sabores da terra e da região, produtos locais, frescos, tratados com respeito e criatividade. Nas provas de vinhos, guiadas com saber e paixão, descobre-se o que a vinha tem para dizer, em cada casta, em cada ano, em cada copo.

A natureza não é apenas cenário, é protagonista. Os hóspedes são convidados a caminhar pelos trilhos, a visitar as vinhas, a respirar fundo. E ao final do dia, quando o sol se despede em tons de ouro e cobre, há um momento que se repete com a delicadeza dos rituais verdadeiros, conversas demoradas ao pôr do sol, com um copo de vinho na mão — ou, para os que celebram a leveza efervescente da vida, um excelente espumante a marcar o compasso do entardecer.

Aos que amam o vinho como quem ama a vida — com vagar, com intensidade e com reverência ao tempo — a Quinta do Porto Nogueira – Wine & Charming Countryhouse oferece mais do que uma estadia, propõe um reencontro. Aqui, onde a vinha respira com a cadência das estações e a mesa celebra os sabores da terra, cada momento é uma oportunidade para habitar o presente com todos os sentidos. É um convite para os apaixonados pelo enoturismo, pela gastronomia e pelo vinho a mergulharem numa experiência imersiva, onde o luxo está na autenticidade, e a beleza nasce do equilíbrio entre o silêncio da paisagem e o tilintar de um copo erguido ao pôr do sol.

Caderno de visita

 COMODIDADES

 – Línguas faladas: português, inglês, francês, alemão, italiano

– Loja de vinhos: Sim

– Restaurante apenas para hóspedes (20 lugares no inverno e 30 no verão)

– Bar com capacidade para 20 pessoas

– Sala de eventos para 30 pessoas

– Sala de reuniões para 30 pessoas

– Parque para automóveis ligeiros com 30 lugares

– Espaço para parqueamento de três autocarros

– Posto de carregamento de carros elétricos: Sim

– Provas comentadas (ver programas);

Wifi gratuito disponível: sim

– Visita às vinhas: sim

– Visita à Adega: sim

EVENTOS

Eventos corporativos até 30/40 pessoas

Atividades team building à medida dos interesses do cliente

PROGRAMAS

(Para duas a 30 pessoas)

Visita à Quinta do Porto Nogueira + Prova de três vinhos – 42€/pessoa

Inclui visita às Vinhas, Adega e Sala de Barricas e termina na sala de provas com a visualização de um filme. Segue-se a degustação de três vinhos (colheita, monovarietal e reserva) na companhia de pão, queijos e enchidos.

Duração: 1h30 aprox.

Visita à Quinta do Porto Nogueira + Prova de cinco vinhos – 57€/pessoa

Inclui visita às Vinhas, Adega e Sala de Barricas e termina na sala de provas com a visualização de um filme. Segue-se a degustação de cinco vinhos na companhia de pão, queijos e enchidos.

Duração: 1h30/2h aprox.

Visita à Quinta do Porto Nogueira + Prova de seis vinhos – 70€/pessoa

Inclui visita às Vinhas, Adega e Sala de Barricas e termina na sala de provas com a visualização de um filme. Segue-se a degustação de seis vinhos na companhia de pão, queijos e enchidos, um doce e um café.

Duração: 2h aprox.

Visita à Quinta do Porto Nogueira + Almoço + Prova de cinco vinhos – 95€/pessoa

Inclui visita às Vinhas, Adega e Sala de Barricas e termina na sala de provas com a visualização de um filme. Segue-se uma prova de cinco vinhos e um almoços composto por couvert, prato principal, sobremesa e café.

Duração: 2h30 aprox.

Prova de cinco vinhos com um membro da família – 105€/pessoa

Inclui visita às Vinhas, Adega e Sala de Barricas e termina na sala de provas com a visualização de um filme. Segue-se uma degustação de cinco vinhos na companhia de pão, queijos e enchidos, um doce e um café.

Duração: 2h aprox.

Contactos

Romana Vini

Quinta do Porto Nogueira,

2550-012 Alguber

Cadaval – Portugal

Site: www.romanavini.pt

Email : geral@romanavini.pt

Tel.: (+351) 918 659 092

 

(Artigo publicado na edição de Junho de 2025)

 

Sustentabilidade da Corticeira Amorim duplamente premiada

amorim

A revista internacional World Finance distinguiu a empresa portuguesa nas categorias de “Melhor Empresa na Redução de Carbono na Indústria de Produtos Vínicos” e “Empresa Mais Sustentável na Indústria dos Produtos Vínicos”, respectivamente, nos World Finance Carbon Awards 2024 e nos World Finance Sustainability Awards 2025. Este duplo reconhecimento provém do alinhamento da consolidação da […]

A revista internacional World Finance distinguiu a empresa portuguesa nas categorias de “Melhor Empresa na Redução de Carbono na Indústria de Produtos Vínicos” e “Empresa Mais Sustentável na Indústria dos Produtos Vínicos”, respectivamente, nos World Finance Carbon Awards 2024 e nos World Finance Sustainability Awards 2025.

Este duplo reconhecimento provém do alinhamento da consolidação da posição da Corticeira Amorim no âmbito da sustentabilidade em todas as suas operações, gerando um impacto real nos domínios ambiental, social e económico. De acordo com a revista World Finance, no primeiro caso, a empresa nacional lidera as tendências de descarbonização, graças à redução do impacto nas pessoas e no planeta, realidade alicerçada na introdução de tecnologias inovadoras e avançadas, que permitem o combate às emissões de CO2, capturando-as, armazenando-as, removendo-as e evitando-as.

Em relação ao segundo prémio, que tem vindo a conquistar desde 2019, a Corticeira Amorim destaca-se no contexto do cumprimento das exigências regulatórias, através da implementação de novos padrões em matéria de responsabilidade climática, equidade social e inovação sustentável.

De um modo geral, a Corticeira Amorim é enaltecida pelo avanço significativo no combate à redução das emissões de carbono e pelo papel ativo na preservação e no desenvolvimento sustentável dos montados, preservando, a longo prazo, o ecossistema e a biodiversidade. Este compromisso reflete o aumento da utilização de energia renovável controlada, que atingiu 68,3%, a par com o investimento no reforço de fontes de energia limpa e a contínua aposta em operações que reduzam as emissões de CO2.

Há uma forte aliada nas degustações vínicas

Água Monfortinho

A Água Monfortinho engarrafada é a mais recente novidade em matéria de águas minerais naturais de Portugal e considerada uma mais-valia para os provadores de vinho exigentes. Proveniente da serra de Penha Garcia, fornece, desde 1907, as águas medicinais das Termas de Monfortinho, localizadas no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. Agora, está disponível […]

A Água Monfortinho engarrafada é a mais recente novidade em matéria de águas minerais naturais de Portugal e considerada uma mais-valia para os provadores de vinho exigentes.

Proveniente da serra de Penha Garcia, fornece, desde 1907, as águas medicinais das Termas de Monfortinho, localizadas no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. Agora, está disponível em garrafa, em contexto premium, e é apresentada como uma forte aliada à fidelidade sensorial durante provas de vinho.

Na lista de vantagens, merecem destaque o equilíbrio mineral, que proporciona a neutralidade precisa, a concentração de sílica (53%), responsável pela regeneração das papilas gustativas, e as propriedades hídricas, perfeitas para refrescar, hidratar e reabilitar as mucosas, o que proporciona a revitalização dos sensores gustativos. Ou seja, graças à composição leve desta água (com um pH de 5,8), a avaliação de cada prova vínica torna-se mais fiel em relação à avaliação do perfil de cada vinho, desde o aroma delicado à textura mais complexa.

Mas as propriedades desta água não ficam por aqui. No campo da saúde e da beleza, é ideal para quem tem problemas dermatológicas, renais, respiratórios, hipertensão, entre outras. Contribui, ainda, para a elasticidade dos vasos sanguíneos e redução do risco de aterosclerose, a formação de colagénio, mineralização óssea e redução do risco de osteoporose, o apoio na absorção do cálcio, magnésio e potássio, e a proteção das células contra os danos causados por radicais livres.

Acresce o compromisso com a redução da pegada ecológica e os benefícios para o planeta. Afinal, a Água Monfortinho, que está disponível para venda no El Corte Inglés, é engarrafada em embalagens de alumínio totalmente recicláveis a bem do meio-ambiente.

Um Menin muito especial

menin

Foi preciso pouco tempo para o produtor Menin Wine Company se tornar um nome de peso no que ao Douro diz respeito. A empresa tornou-se realidade em 2018, quando o empresário brasileiro Rubens Menin decidiu investir seriamente na região no Douro. Como começámos por escrever, em pouco tempo passou a ser nome conhecido, quer pelas […]

Foi preciso pouco tempo para o produtor Menin Wine Company se tornar um nome de peso no que ao Douro diz respeito. A empresa tornou-se realidade em 2018, quando o empresário brasileiro Rubens Menin decidiu investir seriamente na região no Douro. Como começámos por escrever, em pouco tempo passou a ser nome conhecido, quer pelas aquisições de vinhas quer pela adega imponente que decidiu construir, inaugurada recentemente. Em 2021, a Menin Wine Company adquire a Horta Osório Wines, conjugando atualmente essa tradicional casa de Santa Marta de Penaguião (Baixo Corgo) com a Quinta da Costa de Cima, Quinta do Sol e Quinta do Caleiro, todas em redor de Gouvinhas (Cima Corgo), onde também fica a referida adega. No total, só destas últimas três propriedades falamos em praticamente 65 hectares. O destaque vai para a magnífica Quinta da Costa de Cima, com os seus 11 hectares de vinhas plantadas há mais de 100 anos, com mais de 50 castas identificadas, sendo considerada a maior área contígua de vinhas velhas na região.

Trabalho de detalhe

Se os investimentos falam por si, a ambição é também expressa nas palavras da diretora geral da empresa, Fásia Braga. O objetivo, segundo Fásia, é produzir vinhos de gama alta, que reflitam o terroir duriense, privilegiando a qualidade em vez da quantidade. A equipa de enologia é formada por Tiago Alves de Sousa e Manuel Saldanha (este o enólogo residente) e ainda por João Rosa Alves, diretor de produção. Em conversa recente com Tiago e Manuel, estes não disfarçaram a alegria da prorrogativa de puderem trabalhar com vinhas centenárias e destacaram a versatilidade e modernidade da adega que lhes permite fazer um trabalho tanto de absoluto detalhe, como experimental e ensaísta. Segundo Tiago, “a enorme responsabilidade que nos foi depositada em fazer vinho nestas vinhas e nesta adega apenas se equipara ao privilégio que é trabalhar nessas vinhas e adega”.

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O objetivo desta empresa é produzir vinhos de gama alta, que reflitam o terroir duriense, privilegiando a qualidade em vez da quantidade

 

Essa conversa teve lugar no restaurante Nunes Marisqueira (Lisboa), aquando do lançamento do vinho Maria Fernanda, um néctar dedicado por Rubens Menin à sua filha, um tinto assente, precisamente, nas vinhas velhas das encostas ingremes da Quinta da Costa. As uvas para este tinto foram selecionadas a partir de duas micro-parcelas voltadas a Nascente, onde a luz da manhã, e a sombra da tarde, permitiram um perfil mais em frescura e elegância, comparativamente com outros tintos do mesmo produtor. Aqui, no Maria Fernanda, encontramos essencialmente precisão e um perfil de concentração moderado, o que muito nos agradou. Segundo os enólogos, este perfil do vinho é marcado essencialmente pelo field blend que o compõe e pela altitude da vinha, mas acreditamos que a recente inclinação do mercado para vinhos menos concentrados também possa ter alguma influência. Seja como for, as vinhas velhas de onde provém as uvas para este vinho têm uma média de idade de 130 anos e contam com mais de 50 castas, que se harmonizam num field blend único onde, a par da Touriga Nacional e da Tinta Amarela, se encontra muita Tinta Barroca. Casta que, curiosamente, neste terroir contribui para uma fruta bonita e definida, longe do perfil de sobrematuração e doçura que aporta na maioria dos terroirs durienses, sobretudo à beira-rio.

Como se imagina, para um vinho desta qualidade e exigência, estão guardados todos os cuidados, seja na apanha à mão, no transporte das uvas em pequenas caixas, seja ainda no armazenamento da fruta em arcas refrigeradas de forma a que todo o processo de entrada na adega se inicie apenas quando a uva está a uma temperatura de 7ºC. Por fim, a qualidade do ano vitícola – climatericamente mais moderado do que 2019, 2020 e 2022 – contribuiu ainda mais para que tenhamos no copo um tinto de grande precisão, de tal forma que poucas dúvidas me restam de que foi o melhor tinto que já provei deste produtor.

* O autor deste texto escreve segundo o novo acordo ortográfico.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2025)

Cachaça 51 com nova garrafa ilustrada

Cachaça 51

Distribuída pela Viborel e considerada uma das bebidas mais icónicas do Brasil, a Cachaça 51 apresenta a embalagem sleeve Pirassununga, com ilustrações da autoria da artista plástica brasileira Tereza Perman. As imagens representam os encantos da diversidade paisagística e da cultural brasileira, a descobrir pelos consumidores portugueses e europeus, ao mesmo tempo que são apreciados […]

Distribuída pela Viborel e considerada uma das bebidas mais icónicas do Brasil, a Cachaça 51 apresenta a embalagem sleeve Pirassununga, com ilustrações da autoria da artista plástica brasileira Tereza Perman. As imagens representam os encantos da diversidade paisagística e da cultural brasileira, a descobrir pelos consumidores portugueses e europeus, ao mesmo tempo que são apreciados os sabores típicos daquele país.

Trata-se da quarta edição do sleeve especial da Cachaça 51 Exportação, onde constam a Floresta Amazónica, o Pão de Açúcar, a MASP/Av. Paulista, o Elevador Lacerda, as Cataratas do Iguaçu, Fernando de Noronha e Lençóis Maranhenses, lugares que convidam a viajar pelo Brasil. Cada local foi escolhido para representar diferentes regiões do país e exaltar a diversidade paisagística e cultural brasileira.

Esta versão de 2025 está disponível em garrafas de 700 ml e tem Portugal como um dos principais destinos de exportação. Sem mais delongas, é um bom pretexto para refrescar este verão!

Vinhos Borges, 140 anos depois

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Gil Frias, 50 anos, presidente da Comissão Executiva do grupo José Maria Vieira e administrador responsável pela Borges, entrou no Grupo José Maria Vieira (JMV) em 1998, no ano da compra da Sociedade dos Vinhos Borges. “Na altura era um distribuidor puro e duro, que tinha também produção e distribuição de café com a marca […]

Gil Frias, 50 anos, presidente da Comissão Executiva do grupo José Maria Vieira e administrador responsável pela Borges, entrou no Grupo José Maria Vieira (JMV) em 1998, no ano da compra da Sociedade dos Vinhos Borges. “Na altura era um distribuidor puro e duro, que tinha também produção e distribuição de café com a marca Torrié”, conta o responsável.
Entretanto o grupo cresceu e é hoje constituído por sete empresas ligadas à produção de café e vinho e distribuição. Para além da fábrica Torrié, em Portugal, e de outra em Espanha, que produz café com a marca Torrelsa, a JMV produz também vinho desde que adquiriu a Sociedade dos Vinhos Borges ao grupo BPI. Integra, ainda, quatro empresas de distribuição directa em Portugal, Espanha, Canadá e Estados Unidos. “Quando entrei na JMV o grupo facturava cerca de 25 milhões de euros e, hoje em dia, quase 75 milhões de euros”, conta Gil Frias.

A Sociedade dos Vinhos Borges foi criada em 1884 pelos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do Banco Borges & Irmão, inicialmente para a comercialização de vinho Verde e do Porto em Portugal e para exportação. Mais tarde, no início do século XX, após a entrada de Artur Lello no capital da empresa e na sua gestão, foi impulsionado também o seu negócio produção de vinhos. A partir daí começou um período em que a empresa foi gerida, durante quase todo o século XX, primeiro por Artur Lello e depois por Carlos Lello, o seu filho. Segundo Gil Frias, os anos mais prósperos decorreram desde o final da Segunda Guerra Mundial até ao período da revolução do 25 de Abril de 1974, quando a empresa passou para as mãos do Estado português, em conjunto com o banco Borges & Irmão, quando toda a banca foi nacionalizada. Só voltou para as mãos de privados em 1988, quando este sector voltou a ser privatizado em Portugal, passando a integrar o Grupo BPI.

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Uma oportunidade de negócio

“Nós, José Maria Vieira, eramos distribuidores da Borges desde Coimbra até ao norte do país, isto a partir dos anos 70”, conta Gil Frias, acrescentando que a parceria se manteve até que, nos anos 90 do século passado o Grupo BPI decidiu alienar todos os seus activos não financeiros, incluindo a Sociedade dos Vinhos Borges. “A JMV viu aí uma oportunidade de entrar na produção de vinho, não só para verticalizar o negócio, da vinha quase ao copo do consumidor, mas também para estender o negócio de distribuição a todo o Portugal continental e ilhas, e incorporar a carteira de clientes de exportação que a Borges já tinha na altura, um passo na internacionalização do grupo”, explica o gestor. A seguir, foi feito um “trabalho de reconstrução da empresa da base ao telhado”, que está quase a ser terminado.

Desde logo, foi aumentada a área de vinha, para os 330 hectares actuais em produção, detida ou explorada pela empresa em exclusividade. Na Região dos Vinhos Verdes, para além das Quintas do Ôro, de Simaens e de Vilancete, a empresa tem mais 100 fornecedores de uva. Na Região do Dão o património da Borges inclui a Quinta de São Simão da Aguieira, perto de Nelas, com 74 hectares e 62 de vinha, onde fica a adega, mais a Quinta da Roda, que tem seis hectares e “está vocacionada para a produção de vinhos de topo”. Explora ainda 85 hectares de vinha na Quinta do Loureiro, com base num contrato de longa duração.

A primeira propriedade

A Quinta da Soalheira, no Douro, foi a primeira a ser comprada pela empresa, em 1904. Com 340 hectares, dos quais 127 de vinha, estende-se, em altitude, da cota 150 à 650 m. Mais recentemente “foi feito o seu remapeamento, para colocar as melhores castas nas melhores parcelas” e construída uma nova adega na região duriense, em Sabrosa, “melhor equipada tecnologicamente, a nível logístico, na recepção de uva, na forma de trabalhar e na capacidade em inox, mais adequada aos tipos de vinho que queremos fazer, o que nos permitiu ter um salto qualitativo muito grande em termos de vinhos do Douro”, salienta Gil Frias. Até à inauguração da nova unidade, era no Centro de Vinificação da Lixa, da empresa, que eram vinificados e engarrafados todos os vinhos Verdes e do Douro, com excepção dos Porto.

Um dos pilares que sustenta o negócio é, como não poderia deixar de ser, a produção, a viticultura, que está assente numa capacidade produtiva de cerca de 330 hectares e num sector de transformação, estágio e engarrafamento, assente em “adegas equipadas com a melhor tecnologia para produzirmos os nossos vinhos como queremos”, salienta Gil Frias. Outro pilar são os recursos humanos, “pessoas com muita experiência em todas as áreas”. Aqui foi feita uma reestruturação da empresa a partir de Janeiro de 2024, quando Gil Frias passou a administrador, com um director-geral, Miguel Carvalheira, e vários departamentos, incluindo o de enologia e viticultura, liderado pelo enólogo Fábio Maravilha, que trabalha na empresa há quatro anos e inclui, em cada uma das regiões vitivinícolas onde a empresa produz, responsáveis das adegas e de viticultura que o apoiam.

Segundo o enólogo Fábio Maravilha, a forma como se faz viticultura na Borges é definida com base nos vinhos que a empresa quer produzir. “Nós pensamos os vinhos e fazemos a viticultura nesse sentido e com esse objectivo”, explica. É o que acontece, por exemplo, no Douro, onde “cada uma das parcelas é adaptada consoante os vinhos que queremos dentro da empresa”. É um trabalho que não é igual todos os anos, porque depende também da forma como as condições climáticas evoluem, e implica estudo e capacidade de previsão, como aconteceu em 2023, ano em que a equipa da Borges conseguiu antecipar a chegada das primeiras chuvas e “fazer uma boa colheita de uvas” com bons teores alcoólicos nas cotas mais baixas, vindimando as mais altas depois da precipitação. “O ano correu bem, mas é óbvio que nem sempre é possível adaptar a vinha para produzir aquilo que consideramos vinhos óptimos, porque cada ano é um ano e temos de nos adaptar”, conta o enólogo. Uma boa organização, o planeamento adequado e uma equipa profissional, responsável e focada em cada uma das regiões onde a empresa produz faz o resto.

As pequenas jóias

São as melhores condições para produzir os vinhos de um portefólio construído em pirâmide. “Na base estão as gamas de entrada. Lello, na Região do Douro, Gatão, nos Vinhos Verdes, Meia Encosta, no Dão, Fita Azul, nos espumantes e uma gama de entrada nos Porto”, explica Fábio Maravilha. “Com excepção do Gatão rosé, que é vinho de mesa, são todos DOC e estão posicionados entre os quatro e os cinco euros em termos de preço de prateleira, porque o nosso objectivo é que tenham uma relação qualidade/preço imbatível”, conta Gil Frias, acrescentando que, assim, a sua empresa consegue concorrer com os vinhos australianos, chilenos, espanhóis em qualquer mercado e ter um volume de vendas que lhes permite “ter o desafogo para produzirmos coisas diferentes”.

Depois, e a caminho do topo, existe a gama intermédia, com marca e produção 100% de quintas da empresa, como São Simaens, Ôro, Soalheira e São Simão da Aguieira, nas versões de brancos, tintos e rosés, para além de monovarietais. “É uma gama para garrafeiras e restauração, que pretende mostrar o terroir das nossas quintas”, explica o gestor.
Os topos de gama estão todos identificados com a marca Borges e são oriundos das melhores parcelas das quintas, sendo apenas lançados em anos especiais. “Esta gama é constituída por vinhos de lote, com excepção de alguns monovarietais, como o Touriga Nacional do Dão, mas também o Loureiro da Quinta do Ôro, novidade que está a ser lançada agora”, explica Gil Frias.

Para além destes, foram também lançados alguns vinhos de nicho que o gestor considera “ultrapremium”, incluindo um branco do Douro da casta Gouveio, produzido à cota 300, seis mil garrafas por ano com potencial de guarda. “Para além da sua concentração e vigor, estrutura e final de boca, tem uma acidez elevada, que até é estranha nesta quinta”. É claramente um vinho que cresce com o tempo, digo eu depois de ter provado as colheitas de 2024 e 2023, com a primeira ainda a estar bem fechada e, a segunda, a mostrar aromas e sabores que demonstram a sua grande capacidade de dar prazer.
No ano passado foi lançada uma edição comemorativa dos 140 anos da Sociedade dos Vinhos Borges, o TN TN CLX, em garrafa Magnum. “Quisemos fazer um Touriga Nacional, porque é uma casta muito conhecida e das mais acarinhadas pelos portugueses e estrangeiros, e representa um pouco o país.” Foi produzido com base nos melhores vinhos de Touriga Nacional dos últimos cinco anos nas propriedades da Borges no Dão e Douro, para dar origem a um vinho de lote de guarda e de coleccionador. Este ano também vai ser lançado um branco de Touriga Nacional da Quinta da Soalheira neste segmento.

É importante, em qualquer empresa, incluir, no seu portefólio, “pequenas jóias” que a diferenciem da concorrência e perdurem no tempo, na memória das pessoas. Gil Frias defende que a sua empresa está hoje alicerçada para fazer isso. “Queremos mostrar ao mercado que somos uma empresa que produz volume e também referências para os consumidores mais exigentes, porque temos acesso às melhores uvas, às melhores condições tecnológicas para as produzir e às pessoas adequadas para levar o projecto para a frente”, afirma.
No último ano, a empresa vendeu 7,6 milhões de garrafas e facturou 16,7 milhões de euros. “Temos tido uma evolução muito positiva nas vendas, um crescimento superior a 60% nos últimos 10 anos, assente em Portugal, mas também no mercado de exportação”, diz Gil Frias. Para esse resultado tem contribuído a integração da Sociedade dos Vinhos Borges num grupo distribuidor que vende vinhos em 74 mercados, incluindo Portugal. “Eu próprio, como fui director comercial durante 12 anos, gosto de estar próximo dos mercados e conhecer os clientes”, conta Gil Frias. “Conhecer quem compra os nossos vinhos é fundamental”.

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(Artigo publicado na edição de Junho de 2025)

 

Matriarca, o novo palco vínico e gastronómico da Symington

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Abriu no coração da Invicta e reúne restaurante, wine bar e loja de vinhos num edifício nobre da cidade, onde a partilha de uma experiência vínica é uma constante aliada à cozinha mais sofisticada. A estreia do bar de cocktails e da academia de vinhos está prevista para os próximos meses. A Symington, reconhecida produtora […]

Abriu no coração da Invicta e reúne restaurante, wine bar e loja de vinhos num edifício nobre da cidade, onde a partilha de uma experiência vínica é uma constante aliada à cozinha mais sofisticada. A estreia do bar de cocktails e da academia de vinhos está prevista para os próximos meses.

A Symington, reconhecida produtora de vinhos do Porto e de vinhos tranquilos premium há cinco gerações, apresenta o Matriarca, no nº 14 da rua Actor João Guedes, no Porto. Trata-se de um espaço eclético desenhado em homenagem a Beatriz Leitão Carvalhosa Atkinson, que, no final do século XIX, se casou com Andrew James Symington – o primeiro da família a estabelecer-se em Portugal e a iniciar a produção de vinho do Porto – e era conhecida pela organização de animados repastos.

O piso térreo é o ponto de partida para reinterpretar estas vivências do passado neste espaço inspirado nos tradicionais clubes privados de vinhos característicos da cidade do Porto. É aqui que estão instalados o The Wine Bar, para partilhar petiscos e degustar novas referências, e o The Cellar Shop, desenhado para fomentar a experiência de compras personalizada entre tranquilos e vinhos do Porto produzidos nesta casa, bem como fazer provas de vinhos sem a necessidade de reservar.

No primeiro andar do Matriarca, está o acolhedor e elegante restaurante The Dining Room. Com uma cozinha de autor, assinada pelo chef portuense Pedro Lencastre Monteiro, promete oferecer o melhor da gastronomia portuguesa e britânica. Nas propostas, constam os menus constituídos por entrada e prato principal (50€) ou por entrada, prato principal e sobremesa (60€). Ambos contemplam couvert e água. Para acicatar a curiosidade, fica o registo de algumas das sugestões, com destaque para o Creme de sapateira ou o Tártaro de novilho, caviar e enguia Fumada, o Pregado ao molho champagne e arroz de amêijoa com espargos brancos ou o Bife Wellington servido com cauliflower cheese (couve-flor gratinada com queijo) e o Crepe soufflé com laranja do Douro.

“Este foi um projeto de vários anos e é com um enorme orgulho que abrimos, finalmente, as portas do Matriarca. Inspirados por Beatriz, quisemos que cada espaço desta casa refletisse um ambiente acolhedor e familiar, com aquele sentimento reconfortante de um lar. Queríamos criar espaços únicos que proporcionassem momentos especiais entre amigos e família, sempre acompanhados por uma gastronomia de excelência e, claro, fantásticos vinhos”, esclarece Vicky Symington, membro da 5ª geração da família e gestora de Marketing de Enoturismo da Symington Family Estates.

Todo o requinte passa ainda pelo clube de enófilos, em que os membros possuem condições especiais de compra e têm acesso a eventos exclusivos. Nos próximos meses, a oferta vai estender-se ao The Attic Bar, especializado em cocktails com vinho do Porto, e à Wine Academy, com cursos, masterclasses exclusivas e workshops criativos.

O Matriarca foi projetado pelos designers londrinos do estúdio Thurstan, liderado por James Thurstan Waterworth, antigo diretor de design europeu da Soho House. Na decoração, feita por artistas e artesãos locais, destacam-se móveis e materiais restaurados, numa ode ao passado e a pensar num futuro mais sustentável.

Horário:

The Wine Bar: de segunda-feira a domingo, das 12h00 às 00h00

The Dining Room: de quarta-feira a domingo, das 19h30 às 22h30

The Cellar Shop: de segunda-feira a domingo, das 10h00 às 20h00

Um brinde aos “Melhores do Ano” da região do Tejo

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No passado dia 28 de Junho, o Imóvel de Valências Variadas, em Almeirim, engalanou-se para receber a Gala dos Vinhos do Tejo, promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo e a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo. Em destaque esteve a entrega de prémios do 15º Concurso de Vinhos do Tejo. De um total de […]

No passado dia 28 de Junho, o Imóvel de Valências Variadas, em Almeirim, engalanou-se para receber a Gala dos Vinhos do Tejo, promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo e a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo. Em destaque esteve a entrega de prémios do 15º Concurso de Vinhos do Tejo. De um total de 200 referências avaliadas em prova cega, foram distinguidas 65 em cinco categorias: Excelência, Melhor Fernão Pires, Melhor Castelão, Grande Ouro e Ouro.

As medalhas de Excelência foram atribuídas aos vinhos Casa da Paciência Grande Reserva Alvarinho Vinhas Velhas branco 2024 (Casa Paciência, em Alpiarça) e ao Quinta da Badula Grande Reserva tinto 2017 (Quinta da Badula, em Rio Maior). No alinhamento dos grandes prémios, foram eleitos o Encosta do Sobral Grande Reserva Fernão Pires Vinhas Velhas branco 2023 (Santos & Seixo, em Tomar) e o Bathoreu Castelão tinto 2023 (Agro-Batoreu, em Aveiras de Cima), respectivamente, para o Melhor Fernão Pires e o Melhor Castelão. Ao palco subiram ainda os representantes das 11 referências selecionadas para a categoria Grande Ouro, bem como das 52 laureadas com Ouro.

Dentro do contexto vitivinícola, o galardão Enólogo do Ano ficou nas mãos de Pedro Pinhão, administrador e diretor da equipa de enologia da Quinta da Lagoalva. O Casal da Coelheira e a Fiuza Wines arrecadaram, respectivamente, os troféus Empresa de Excelência e Empresa Dinamismo. Já nos prémios Tejo Anima by Rota dos Vinhos do Tejo foram distinguidos a Quinta da Lagoalva como Melhor Enoturismo, o Mercado Municipal de Santarém como Património e Oferta Cultural e a aldeia de Dornes, em Ferreira do Zêzere, na vertente Natureza.

Outro dos pontos altos da Gala dos Vinhos do Tejo foi a eleição de Jorge Antunes, presidente da Adega do Cartaxo, e de Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Almeirim, para o Prémio Carreira.