ENOTURISMO: HERDADE DAS SERVAS

Herdade das Servas

O Alentejo apresenta-se como o guardião de mais de 20 000 hectares de vinha e é constituído por oito sub-regiões concentradas no interior da região. Caracterizado pelo clima mediterrâneo, é conhecido pelos verões quentes e secos. As amplitudes térmicas variam, com as sub-regiões de Portalegre e da Vidigueira a registarem noites mais frescas comparativamente às restantes, […]

O Alentejo apresenta-se como o guardião de mais de 20 000 hectares de vinha e é constituído por oito sub-regiões concentradas no interior da região. Caracterizado pelo clima mediterrâneo, é conhecido pelos verões quentes e secos. As amplitudes térmicas variam, com as sub-regiões de Portalegre e da Vidigueira a registarem noites mais frescas comparativamente às restantes, cujos registos vão dos extremos no que ao calor diz respeito, com noites de temperaturas mais altas, nas sub-regiões de Moura e Granja-Amareleja, a moderadas, nas sub-regiões de Évora, Reguengos, Redondo e Borba.

Como complemento, os solos ora são xistosos, como acontece no sul do Alentejo, sobretudo na transição para as zonas ribeirinhas, ora são graníticos, com Portalegre, Évora e Reguengos a ganhar pontos no que toca à especificidade desta matéria. Já as zonas mais planas são tomadas pelos solos argilocalcários, com os mármores a predominar de forma gradual a sub-região de Borba.

É precisamente na sub-região de Borba que está o foco desta peça, mais concretamente em Estremoz, concelho do distrito de Évora, no Alentejo Central, o qual ocupa uma área que ultrapassa os 500 quilómetros quadrados. Está limitado pelos concelhos de Sousel (distrito de Portalegre), a noroeste, de Arraiolos, a oeste, de Évora e Redondo, a sul, de Borba, a nascente, e de Monforte (distrito de Portalegre), a nordeste. É constituído por 13 freguesias. O mar de vinhas estende-se por aproximadamente 2 000 hectares e é tido como o concelho que reúne o maior número de produtores de vinho de toda a região alentejana: 22 adegas.

Herdade das Servas
Lagares em granito

Património alentejano

Antes de chegar à entrada da Herdade das Servas, impera uma revisão geral a respeito do património gastronómico de um Alentejo pleno de sabor e diversidade. Tamanha riqueza se estende por tão grande território, onde o peixe inunda as casas do litoral, ao passo que a carne domina o interior. Sopa de cação, sopa de tomate, sopa de beldroegas, gaspacho, açorda à alentejana, sargalheta, a imensidão de migas, cabeça de xara, carne de porco à alentejana, ensopado de borrego, pezinhos de porco de coentrada, burras assadas no forno e cozida à alentejana são alguns dos exemplares culinários que, a cada palavra nos faz crescer água na boca.

Acresce a época de caça, com a perdiz, a lebre, o coelho e o javali a protagonizar empadas, feijoadas e arrozes caldosos, assim como os enchidos, nomeadamente de porco alentejano, e os queijos. Sem esquecer o pão alentejano, acima de tudo aquele que ainda é feito no forno a lenha, nem as plantas aromáticas, como os coentros, o poejo, os orégãos ou hortelã da ribeira.

Do convento para as casas das famílias, muito se faz à base de ovos, amêndoas e gila. Neste alinhamento, é de destacar o pão de rala, as queijadas de Évora, o pudim de água de Estremoz, o gadanha, a sericaia, a encharcada, o bolo fidalgo, os rebuçados de ovo, a boleima, o porquinho doce ou a enxovalhada.

Paralelamente, o vinho desempenha um papel importante à mesa. Entre a frescura e a complexidade atribuídas comummente às referências vínicas de Portalegre e Vidigueira e o encorpado outorgado a uma grande parte da lista do Alentejo, passando pelos clássicos, há uma enorme diversidade à escolha neste mundo quase sem fim à vista, já que é de incluir, aqui, os vinhos de talha – muito embora não constem no portefólio da casa que se segue. Importa ainda realçar a lista de castas partilhadas pelos vinhos DOP (Denominação de Origem Protegida) Alentejo e IGP (Indicação Geográfica Protegida) Alentejano: Aragonez, Castelão, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Carignan, Grand Noir, Moreto e Tinta Caiada.

Herdade das Servas
Luís Serrano Mira e Renato Neves

Porquê o enoturismo?

Da Estrada Nacional 4, via de comunicação que atravessa longitudinalmente o Alentejo Central, com a cidade de Estremoz ao fundo, os olhos recaem nos vinhedos que tomam conta da paisagem. À medida que avançamos para lá do portão, cedros altos pontilham o caminho empedrado de acesso ao casario da Herdade das Servas, projeto fundado em 2001.

Estamos na freguesia de São Bento do Ameixial. Aqui, “o enoturismo foi implementado logo no início, em 2001”, avança Luís Serrano Mira, proprietário da Herdade das Servas, projeto esse que começou a ser objeto de reflexão em 1997. As idas à loja e as visitas marcam os primeiros passos rumo ao sucesso, o fundamento para a integração, em 2008, de uma pessoa dedicada ao ofício do enoturismo. Volvidos três anos, passa a haver três elementos destinados a receber e guiar visitantes, bem como efetuar provas vínicas e, em 2013, abre o restaurante. A justificação para apostar nesta atividade ligada ao turismo é dada sem hesitar: “nasci no vinho. Por isso, viajava muito com os meus pais para tanto lado.”

Todos estes roteiros permitiram que Luís Serrano Mira conhecesse in loco projetos focados nesta atividade turística e, ao mesmo tempo, experienciar o profissionalismo indissociável a este contexto. Espanha, Itália, França, entre outros países da Europa cabem no roteiro enoturístico descoberto na companhia dos pais. A solo, o nosso anfitrião viajou até aos Estados Unidos, África do Sul, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Brasil… O enoturismo era já uma realidade quando avança com a Herdade das Servas. “Sempre pensei neste projeto com visitas. Aliás, para mim era primordial, porque se não mostrarmos o que fazemos, dificilmente conseguimos uma proposição da nossa marca”, sublinha. Por conseguinte, o enoturismo está aberto todos os dias do ano, com a exceção do 25 de dezembro. A procura é feita substancialmente por visitantes nacionais a somar a brasileiros, norte-americanos, holandeses, alemães e escandinavos.

 

Jardim de vinhas

“Adaptamos o discurso de acordo com a pessoa que está à nossa frente e ao solicitado”, responde o nosso anfitrião, pois é comum receberem produtores ou clubes internacionais que solicitam provas mais técnicas. “Recebe o Renato [Neves, o enólogo] ou, por vezes, recebo eu.” Com efeito, a Herdade das Servas é casa de bem-receber, arte digna de enaltecimento e a preservar, ou não fosse o profissionalismo o reflexo de desvelo e cortesia.

A visita começa na vinha do jardim, implantada entre o edifício e o miradouro da propriedade. É composta por um quarteto de variedades brancas e outro tanto de tintas, respectivamente, Encruzado, Roupeiro Verdelho e Arinto; Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouchet. A diferença entre as folhas serve de registo de diferenciação no que às castas diz respeito, como se de “uma impressão digital” se tratasse, nas palavras de Luís Serrano Mira.

O passeio prossegue para o miradouro, contíguo a esta pequena mostra, para observar uma parte das vinhas da propriedade, já que, na Herdade das Servas, estas ultrapassam os 70 hectares. A agricultura regenerativa (ver caixa) é o tema da atualidade na Herdade das Servas. As perguntas vão surgindo e as respostas são dadas prontamente. Quem manifestar interesse em pôr os pés na vinha, para se inteirar mais sobre este ou outro assunto, é claramente bem-vindo. Afinal, no Alentejo o tempo é tido como um aliado a cada momento que passa.

Os três elementos da equipa de enoturismo partilham a história da família Serrano Mira, cuja ligação ao mundo vitivinícola remonta a 1667. A data está gravada em duas talhas guardadas no interior do edificado. Ambas foram o ponto de partida para uma aprofundada investigação sobre o histórico dos antepassados do proprietário, dando origem ao livro A história da vinha e do vinho no Alentejo – Legado de uma família a produzir desde 1667 e à criação do símbolo adaptado para a identidade da casa. “É importante, para nós, este lado familiar e do legado”, reforça o nosso anfitrião, que nos conduz à adega, cujo desenho inicial foi pensado no sentido de ser visitada “e que houvesse um fluxo de entrada e saída”, ou seja, “não entramos e saímos pelo mesmo sítio”, informa.

Centro interpretativo na adega

Chegados a este espaço, onde o bulício das vindimas já se faz sentir no presente mês de julho, somos incentivados a descobrir detalhes acerca dos 350 hectares de vinha de sequeiro integrada no universo da Herdade das Servas. Para o efeito, há oito pontos interativos correspondentes às vinhas da Herdade das Servas e da Louseira, no concelho de Estremoz, assim como as do Azinhal, da Cardeira Velha (de 1972 e onde estão plantados 13 hectares da casta Carignan, de génese espanhola), da Cardeira Nova, do Clérigo (com uma vinha de 10 hectares datada de 1940) e de Pêro Lobo, em Orada, no concelho de Borba, enquanto o correspondente à Vinha da Judia, em Orada, permanece em atualização, pois esta “está em transformação”. Este esclarecimento imersivo surgiu com “a necessidade de explicar às pessoas as oito vinhas diferentes, porque, ou dispunham de um dia para as visitar ou nós passaríamos a explicá-las aqui”, esclarece o nosso anfitrião, ou não estivesses as vinhas dispersas entre os concelhos de Estremoz e Borba.

Em cima de cada um destes postos, está disposto um recipiente em vidro com uma mostra dos respectivos solos. Entre as características mais comuns, constam os tons vermelhos e amarelos, derivados do xisto. Todos estão dispostos numa espécie de corredor, do qual visualizamos os lagares em granito, onde a pisa a pé é igualmente posta em prática por visitantes que queiram experienciar este momento. Mas já lá vamos.

Segue-se a explicação inerente ao processo de vinificação das uvas na adega e os equipamentos disponíveis para o efeito. Rotulagem a engarrafamento também fazem parte dos procedimentos. Quanto ao volume, a produção vínica oscila muito. Luís Serrano Mira justifica esta diferença com o facto de 80% das vinhas estar em sequeiro. Portanto, “depende do ano, se é mais chuvoso ou menos chuvoso”. Durante a visita, são visíveis equipamentos muito antigos, outrora utilizados na vinificação das uvas.

 

Biblioteca vínica

Já na cave, de tetos arqueados, colunas grossas e chão de pedra escura, a luz ténue torna este espaço subterrâneo ainda mais intimista. Todos os vinhos que repousam em barricas são provados com o rigor de um mestre, tarefa à qual se junta Luís Serrano Mira. O mesmo sucede com os vinhos elaborados nas cubas de inox. No mesmo piso, mas mais à frente, está aquela que o proprietário da Herdade das Serras chama de biblioteca.

“Aqui estão os livros que fomos escrevendo e vamos lendo os capítulos daquilo que é a obra, e percebendo se ela está ajustada no tempo. Para mim, é muito importante que os vinhos transponham o tempo. É uma forma que tenho de ver o vinho. Gosto que sejam bons no momento em que são lançados, mas também gosto que sejam bons daí a uns anos. Para isso, é importante perceber o que fizemos e o potencial que tiveram no tempo”, declara o nosso anfitrião, para descrever a enoteca da propriedade. Dentro deste espaço, estão expostas peças associados à cultura da vinha e do vinho, como tesouras de poda, serrotes, um saca-rolhas com mais de 200 anos, saca-rolhas de bancada. A colheita mais antiga é de 1999.

 

Alentejo à prova… e não só

O término da visita acontece na sala de prova e loja, onde é dado início à experiência dotada pelo olfato e pelo paladar. Pão alentejano, paio e painho de porco alentejano, queijo regional, tosta de pão alentejano enchidos e compota vão à mesa a pedido. Tantos os enchidos como o queijo são selecionados por Luís Serrano Mira, um entusiasta dos produtos do Alentejo.

Iguarias à parte, faça-se à “Prova cega” ou entre “De corpo e alma” na Herdade das Servas, para conhecer melhor cinco referências deste universo alentejano. A condução de ambas é acompanhada pela explicação. Nada de novo, diria, mas se o visitante revelar interesse em comprar vinho para lá do provado, logo se abre a oportunidade de experimentar um ou outro, para dissipar a decisão. Para quem prefere um reportório mais alargado e mais profundo, a escolha recai na “Seleção do enólogo”. Para um momento mais demorado, é de eleger a “Winegrowing Legacy com harmonização”, a realizar, de preferência, na esplanada. A seleção dos vinhos baseia-se na produção da casa – seja na Herdade das Servas, seja na Casa da Tapada, propriedade vitivinícola da Serrano Mira situada no concelho de Amares, em território dos Vinhos Verdes – e está associada a vários patamares de valores, com o propósito de abranger vários públicos.

Nas vindimas, a pisa pé permanece na lista de atividades da Herdade das Servas. Ao contrário do que acontecia anteriormente, em que os visitantes vestiam um fato-macaco e calçavam botas, para realizar esta tarefa, hoje essa indumentária é substituída pela t-shirt e os calções, por forma a simplificar a logística. Mas “são devidamente higienizados”, avança o nosso anfitrião.

Memória de sabores

Ter o tempo como um aliado é mais do que uma virtude nesta região onde o vagar é atributos, pois vale a pena esquecer o compasso dos ponteiros do relógio, para entrar no Legacy Winery Restaurant, ali mesmo ao lado. Outrora amplamente primado pela gastronomia tradicional alentejana, quis o proprietário fechar as portas deste espaço, para o submeter a obras de fundo, desde a cozinha à reformulação da sala.

A reabertura acontece em 2022, sob o nome Legacy Winery Restaurant. “Antigamente, tínhamos mesas de dez pessoas, hoje temos mesas para duas pessoas”, informa. Atualmente, a ocupação da sala é de 52 lugares acrescidos pelos 24 disponíveis na esplanada. A cozinha é de cariz alentejano, “mas com uma aproximação ao fine dining” sem purismos, mas com muito sabor, pois “insistimos no lado regional”, declara.

Nas carnes, predomina o porco de raça alentejana e a carne bovina Alentejana. Os pratos de caça é outra das sugestões mais recomendadas do restaurante, com os croquetes de javali e o escabeche de perdiz a conquistar o olhar atento – e, depois, o estômago – dos apreciadores de boa comida. A proeza tem um nome, Ricardo Gonçalves, que, com saber, seleciona a matéria-prima, implementa a confeção e envolve texturas em cada prato, com o intuito de elevar os sabores da cozinha alentejana. Não se perde tempo, para saborear o arroz cremoso de javali, as bochechas de novilho estufadas e as plumas de porco alentejano. Entretanto, há quem deite os olhos na desconstrução de bacalhau à Brás, sugestão a ir à mesa numa próxima viagem.

Claramente que a ementa vai para além destas propostas de inspiração alentejana, a qual se estende às sobremesas. É o caso do célebre pudim de água de Estremoz, confecionado a preceito e que merece a atenção dos nossos sentidos, e da boleima de maçã, típica do Alto Alentejo. Fora de horas, está disponível a ementa de petiscos a comer na companhia de vinho a copo, por exemplo, da Herdade das Servas ou da Casa da Tapada. Há, portanto, boas razões para regressar.

 

 

Pela regeneração e pelo biológico

A vontade de implementar a agricultura regenerativa resulta de uma vontade partilhada por Luís Serrano Mira e Renato Neves. Segundo o enólogo, que faz parte da equipa da Herdade das Servas desde 2022, a agricultura regenerativa é tomada como uma espécie de “cuidado paliativo” em prol da restituição da vida dos solos. Para o efeito, estes têm de permanecer cobertos a maior parte do tempo, de modo a que fiquem protegidos da erosão causada pelo sol e pelo vento. “Neste momento, o coberto vegetal já está a mudar. Já estão a aparecer plantas mais espontâneas, mais locais”. Estas espécies cresceram, ativaram os solos e começaram a gerar biomassa. Objetivo? Contribuir para o aparecimento da matéria orgânica. Em simultâneo, a água passou a ficar retida e há a constante necessidade de equilibrar os níveis de carbono e azoto nos solos. “Quando há necessidade de mais carbono, compramos melaço de cana-de-açúcar e pulverizamos juntamente com micróbios” e “quando os cortes são em seco, pulverizamos com aminoácidos – extrato de algas, extrato de lã”, para compensar os níveis de azoto. “Simulamos como se estivesse a ser pastoreado e a regeneração é natural.”

Entretanto, já depois da supressão total dos fitofármacos, em 2024, deu-se o início ao período de conversão para modo de produção biológico dos 350 hectares de vinha do universo da Herdade das Servas. A partir da vindima de 2027, o vinho desta adega passa a biológico.

No entanto, estas alterações interfiram com o marcador epigenético das plantas. Renato Neves explica: “os nossos genes não mudam, mas podem ser silenciados. É como o botão do volume, com o qual podemos aumentar ou diminuir o volume.” Ou seja, “quando se aplica constantemente pesticida nas plantas, os genes que estão associados ao sistema imunitário vão sendo silenciados. Por isso, nos anos de transição, as plantas não sabem o que hão de fazer”. Face a este cenário, há uma quebra na produção de uva, tal como aconteceu em 2024, ano em que “a transição foi mais brusca”.

Com a passagem do tempo, e face ao “desmame” de tratamentos fitossanitários, as plantas começam a ativar as próprias defesas. Para acelerar essa atuação, é aplicado um tratamento com levedura saccharomyces ainda viva. O propósito é despertar o sistema imunitário da planta, como se de uma vacina se tratasse. “A planta vai sentir um ataque e produz metabolismos secundários para lutar contra algo. No fundo, queremos que a vinha se mantenha alerta”, sublinha.

 

Herdade das Servas

 

CADERNO DE VISITA

Comodidades e Serviços

Línguas faladas:  Português, Inglês e Espanhol

Loja de vinhos: 12 lugares

Restaurante: 32 lugares

Esplanada de rua: 24 lugares

Sala de prova: 12 lugares

Sala de Reuniões: 10 lugares

Provas comentadas: Por marcação

Wifi gratuito disponível: Sim

Visita às vinhas: Sim

Visita à adega: Sim

 

Eventos

Eventos corporativos: Sim (min 12 pax/ max 50pax)

Atividades team building: sim ou não e nº de pessoas (mínimo e máximo) – Sim (min 12 pax/ max 50pax)

 

Programas e experiências

Visita Simples

À vinha do jardim, adega e cave sem prova de vinhos

Preço: €6

 

De corpo e alma

Visita à vinha do jardim, adega e cave, com prova de cinco vinhos: Capela da Tapada, Monte Servas branco, Herdade Servas branco, Monte Servas tinto e Herdade Servas tinto

Preço: €18

 

Prova cega

Visita à vinha do jardim, adega e cave, com prova cega de quatro vinhos.

Mínimo: 2 pax

Preço: €25

 

Seleção do enólogo

Visita à vinha do jardim, adega e cave, com prova de seis vinhos: Casa da Tapada Superior, HS Sangiovese rosé, HS Reserva branco, HS Sem Barrica tinto, HS Reserva tinto e HS Vinhas Velhas tinto

Preço: €30

 

Winegrowing Legacy (com harmonização)

Visita à vinha do jardim, adega e cave, com prova de seis vinhos: HS Sangiovese rosé, HS Reserve branco, HS Vinhas Velhas branco, HS Reserve tinto, HS Parcela C tinto e HS Parcela V

Mínimo: 2 pax

Preço: €65

 

Harmonização

(disponível para todas as provas)

Paio e painho de porco alentejano, um queijo regional, tostas de pão alentejano

Preço: €16

 

Programas Especiais

Pisa a Pé

(disponível apenas na época das vindimas)

Visita à vinha do jardim, adega e cave, pisa a pé em lagares de mármore, prova de vinhos com harmonização, oferta de uma garrafa de vinho

Mínimo: 2 pax

Preço sob consulta

 

Um dia na Herdade das Servas

Passeio a cavalo pela Herdade das Servas, visita à vinha do jardim, adega, cave e lagares de mármore, prova de vinhos com harmonização, almoço ou jantar com menu de degustação

Mínimo: 2 pax

Preço sob consulta

 

Horários de visita disponíveis

10h30 e 12h00 (manhã)

15h30 e 17h00 (tarde)

 

Notas e recomendações

Recomenda-se a marcação prévia;

As visitas em exclusivo e programas personalizados, estão disponíveis mediante consulta;

Caso haja rutura de stock de algum dos vinhos, o mesmo será substituído por um equivalente.

 

Legacy Winery Restaurant

Inverno e verão das 12h30 às 15h00 e das 19h30 às 22h00

(encerra à quarta e à quinta-feira, e domingos à noite)

 

Reservas

Enoturismo

Horário: de segunda-feira a domingo, das 10h00 às 19h00

E-mail: enoturismo@serranomira.pt

Tel.: 268 322 9490

 

Legacy Winery Restaurante

E-mail: legacy@serranomira.pt

Tel.: 268 098 080

Contactos:

Herdade das Servas

EN 4 KM 136,4, 7100-600 S. Bento do Ameixial, Estremoz

www.herdadedasservas.com

pr@serranomira.pt

Tel.: 268 322 949

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

ENOTURISMO: QUINTA DA CÔRTE

Quinta da Côrte

Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, […]

Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, em muitos locais, a frescura necessária para que os vinhos não se tornem apenas potentes. O resultado traduz-se numa região de maturações consistentes, mas também de nuances, onde a altitude, as encostas e a exposição solar mudam o carácter da matéria-prima.

A orografia é outro um dos grandes fatores desta sub-região. As vinhas avançam por encostas inclinadas, patamares, socalcos e pequenos vales, que desenham uma paisagem de rara dramaticidade. O homem não encontrou aqui uma terra pronta a ser cultivada. Teve de a construir, pedra sobre pedra, muro sobre muro, transformando a montanha em vinha e a dificuldade em património. A viticultura é também uma forma de arquitetura, uma maneira de organizar o impossível.

Os solos, dominados pelo xisto, dão à videira uma condição quase ascética. São solos pobres, pedregosos, fraturados, com pouca generosidade aparente. No entanto, é precisamente dessa pobreza que nasce parte da grandeza dos vinhos. A raiz é obrigada a procurar fundo, a insinuar-se nas fissuras da rocha, a vencer a secura e a escassez. A videira aprende, assim, uma lição antiga, aquilo que é fácil raramente produz profundidade.

Já o clima do Cima Corgo é marcado por uma transição progressiva. À medida que se avança para o interior do vale duriense, diminui a influência atlântica e aumentam o calor, a secura e as amplitudes térmicas. A chuva, mais moderada que no Baixo Corgo e menos escassa que no Douro Superior, coloca a sub-região do Cima Corgo num ponto intermédio particularmente interessante. Há água suficiente para evitar, em muitos anos, o sofrimento extremo da videira, mas não tanta que dilua a concentração. É uma pluviosidade de medida difícil, quase filosófica, nem excesso, nem ausência; apenas o bastante para manter viva a tensão. É nessa tensão que o Cima Corgo encontra a sua assinatura. Os microclimas multiplicam-se de encosta para encosta, consoante a exposição ao sol – uma vinha virada a sul amadurece de forma diferente de uma vinha voltada a norte. As cotas mais altas podem preservar acidez e elegância, enquanto as zonas mais baixas e quentes podem oferecer corpo, maturação e densidade.

Quinta da côrte

Vinhas velhas, arquivos vivos

As castas tintas encontram aqui um dos seus palcos naturais. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e Sousão fazem parte do vocabulário essencial da região. Cada uma contribui com a sua voz. Umas trazem perfume, outras estrutura, umas dão cor, outras frescura, umas oferecem fruta madura, outras firmeza tânica. As castas brancas – Rabigato, Viosinho, Gouveio, Códega do Larinho e Malvasia Fina – ajudam a desenhar vinhos de maior tensão, sobretudo quando plantadas em altitude ou em exposições menos castigadas pelo sol.

Mas a verdadeira alma do Cima Corgo está, muitas vezes, nas vinhas velhas, onde várias castas partilham a mesma parcela como uma comunidade antiga. São arquivos vivos que guardam decisões tomadas por gerações anteriores, adaptadas ao relevo, ao clima e à experiência. Ali, a complexidade advém de uma sabedoria rural, que, muito antes da teoria, percebeu que a diversidade é uma forma de equilíbrio.

Os vinhos tintos do Cima Corgo costumam revelar uma combinação rara entre concentração e elegância, têm cor profunda, fruta madura, notas florais, especiarias, esteva, taninos firmes e uma capacidade natural para evoluir em garrafa. A sua força está na proporção. Têm músculo, mas também nervo, têm densidade, mas também ritmo, têm presença.

Nos brancos, a sub-região mostra uma faceta menos óbvia, mas cada vez mais valorizada. As vinhas de altitude, os solos de xisto e as exposições menos soalheiras e, por conseguinte, mais frescas, permitem criar vinhos com acidez firme, textura mineral e grande vocação gastronómica. São brancos que não se limitam à leveza aromática. Trazem pedra, citrino, ervas secas, fruta contida e persistência.

O Cima Corgo é igualmente território fundamental para os grandes Vinhos do Porto. A maturação das uvas, a concentração fenólica e a riqueza estrutural das castas tintas fazem desta sub-região uma origem privilegiada para vinhos intensos, profundos e longevos. Aqui, Porto e Douro DOC são duas expressões da mesma matriz.

Memórias regionais à mesa

O acervo gastronómico duriense é uma herança de gestos, de lume brando, de mãos calejadas, de panelas que guardam o tempo. À mesa sente-se o perfume da terra. O azeite contém a memória das oliveiras antigas. O pão conserva o calor do forno comunitário. Os enchidos, os presuntos, as carnes fumadas e curadas são o reflexo de invernos longos, de matanças partilhadas, de famílias reunidas em torno de um ritual onde nada se desperdiçava. A cozinha era baseada, antes de tudo, na ética de aproveitar, respeitar, prolongar.

Cabrito assado, arroz de forno, feijoada à transmontana, rancho, posta, bola de carne e peixes do rio, quando o rio ainda se dava com generosidade, transpõem uma verdade sem artifício. São sabores telúricos, comida de casa, de festa e de trabalho. Comida que sacia e reconcilia o corpo com a origem.

A doçaria, por sua vez, revela o lado íntimo deste património, com os doces de ovos, as cavacas, os folares, a aletria, o arroz-doce, as compotas de fruta madura, a amêndoa e o mel. Tudo parece nascer de uma delicadeza doméstica, de uma sabedoria feminina muitas vezes anónima, transmitida sem tratados, mas com precisão. Cada doce guarda uma festa, uma promessa, uma romaria, um domingo.

Falar do acervo gastronómico desta parte do Douro é, portanto, falar de uma biblioteca sem estantes, mas sim de salgadeiras, tachos, fornos, adegas, lagares e toalhas de linho. As páginas escrevem-se com aromas de alho, louro, vinho, fumo, azeite e canela. Os leitores somos nós, sempre que nos sentamos à mesa com disponibilidade para provar e sermos felizes.

Num tempo em que a globalização tende a uniformizar o gosto, esta cozinha permanece como ato de resistência e de partilha. O futuro gastronómico do Douro depende dessa capacidade de honrar a tradição sem a cristalizar e inovar sem romper o fio invisível que liga cada prato à paisagem humana. Porque a gastronomia, quando é verdadeira, pertence ao passado, mas é igualmente memória em movimento.

A decoração introduz uma vibração inesperada, com peças de artesãos locais e obras de arte distribuídas por vários recantos

 

Visão atual do vinho

Voltar ao Douro é aceitar que a paisagem nunca se repete. Há qualquer coisa de inaugural em cada chegada. Foi esse impulso, quase inevitável, que me levou à Quinta da Côrte, localizada em Valença do Douro, no concelho de Tabuaço. Integrada no portefólio do grupo Vignobles Austruy, que reúne cinco produtores em França, Portugal e Itália, esta propriedade duriense simboliza o encontro entre a visão contemporânea do vinho e uma herança profundamente enraizada na história. À frente deste projeto está Philippe Austruy, empresário francês ligado à indústria médica, mas movido por uma paixão antiga e crescente pelo universo vitivinícola.

Entre encostas austeras e luminosas, a propriedade testemunha uma história nobre marcada pelo primeiro registo de plantação de vinha em 1814. Do ponto de vista vitícola, a Quinta da Côrte apresenta uma matriz profundamente duriense, sendo ocupada por cerca de 26 hectares de vinha classificada com a Letra A, com exposição a norte, densidade média de plantação entre 3500 e 4000 pés por hectare e idade média de 40 anos. Parte significativa do património vitícola é constituída por vinhas com idades entre os 90 e os 110 anos, instaladas em socalcos tradicionais. Esta idade avançada das videiras contribui para baixos rendimentos naturais, maior profundidade radicular, maior equilíbrio vegetativo e uvas de elevada concentração, aspetos essenciais quer para vinhos tranquilos DOC Douro, quer para categorias especiais de Vinho do Porto.

Tradicionalmente ligada à produção de Vinho do Porto, a Quinta da Côrte iniciou, em 2013, uma nova etapa com a produção e engarrafamento de vinhos DOC Douro e Porto sob marca própria, após a integração no universo de Philippe Austruy. Não se tratou apenas de acrescentar um nome a um rótulo, mas de afirmar uma visão, preservar a alma da propriedade, valorizar o passado e projetá-la para o futuro, com rigor, elegância e autenticidade.

Para dar corpo a esse sonho, Philippe Austruy convidou o arquiteto e designer Pierre Yovanovitch a assumir a conceção e decoração dos interiores da casa. Desse encontro nasceu também uma amizade, fundada na sensibilidade estética e na atenção ao detalhe. A prioridade foi clara: preservar a autenticidade da Quinta da Côrte. Numa primeira fase, Pierre Yovanovitch introduziu adaptações técnicas, reabilitou e modernizou a antiga adega de Vinho do Porto, mantendo a estrutura original e o caráter que Philippe Austruy fez questão de salvaguardar. O resultado é um diálogo raro entre tradição e contemporaneidade, onde cada pedra, cada pipa e cada linha arquitetónica parecem recordar que, no Douro, inovar também é saber escutar o passado.

 

Luxo discreto

Na Quinta da Côrte, a casa renasceu de uma recuperação que não se limitou a devolver vida aos edifícios, reinventou-lhes a presença. Pierre Yovanovitch, trouxe ao lugar uma leitura contemporânea. O resultado é um espaço onde o Douro antigo dialoga com uma sensibilidade cosmopolita. A arquitetura preserva a memória, mas a decoração introduz uma vibração inesperada, peças de artesãos locais, obras de arte distribuídas com naturalidade pelos vários ambientes, fotografias, litografias e candeeiros de autor que permanecem acesos como pequenas vigílias de luz. Dispõe de oito quartos, quatro deles reservados a hóspedes, todos trabalhados sob a ideia de um luxo discreto, feito de detalhe e contenção. A roupa de cama em linho bordado, as almofadas e atoalhados com monogramas, as casas de banho revestidas a faiança artesanal portuguesa e a presença constante da arte compõem uma atmosfera onde nada parece excessivo.

Na casa principal, a traça original foi respeitada com uma linguagem atual. A biblioteca, a sala de estar e as lareiras constroem uma ideia de abrigo, de casa vivida, onde o conforto se sente antes de se explicar. Mas é na cozinha que pulsa o verdadeiro coração da Quinta da Côrte. A monumental chaminé revestida a azulejo concentra a atenção. À sua volta, o lume crepita a todas as horas, oferecendo calor, uma espécie de hospitalidade ancestral. Ao centro, a mesa ampla, revestida por uma criação original que reproduz a paisagem do Vale do Douro e a própria Quinta da Côrte, transforma cada refeição num prolongamento do território. Ao almoço e ao jantar, a mesa é palco da cozinha tradicional despretensiosa e profundamente ligada à região. Chegam pratos feitos com produtos locais, o azeite da Quinta da Côrte, a marmelada da casa e os legumes da horta.

Os espaços exteriores prolongam essa sensação de abrigo e serenidade. O alpendre abre-se a almoços demorados e jantares tranquilos nos dias mais quentes, enquanto a piscina, que parece estar suspensa sobre uma vista panorâmica para o vale do Douro, convida ao repouso. Sob a sombra das azinheiras, o tempo abranda e a paisagem impõe o seu próprio ritmo.

Para quem procura uma ligação mais ativa ao território, há trilhos entre vinhas, com diferentes níveis de dificuldade, capazes de desafiar os mais aventureiros e aproximar cada visitante da geografia viva que dá origem aos vinhos. A visita às duas adegas completa a imersão no universo duriense. Entre tradição e modernidade, o visitante descobre os bastidores da produção dos Vinhos do Porto e dos vinhos DOC Douro, compreendendo melhor o rigor, a sensibilidade e o conhecimento que sustentam cada colheita. Esse trabalho nasce da dedicação do responsável pela viticultura, Flávio Rodrigues, e da mestria da enóloga Alexandra Guedes, que desenha vinhos pensados para serem provados e serem sentidos.

Quinta da Côrte
Cátia Moura, diretora de enoturismo da Quinta da Côrte

Receber com alma

O enoturismo não se resume a uma visita, a uma prova ou a um percurso entre vinhas e memórias. Ganha rosto, presença e sensibilidade através de Cátia Moura, diretora de enoturismo, uma profissional de exceção que transforma cada encontro numa experiência de autenticidade e zelo.

Cátia Moura possui uma dessas qualidades raras que distinguem quem trabalha não apenas por competência, mas por verdadeira paixão. A sua dedicação sente-se na forma como acolhe, na atenção que dedica a cada visitante e na elegância discreta com que conduz cada momento. Há nela uma entrega serena, uma capacidade natural de fazer com que quem chega se sinta esperado, respeitado e envolvido pela identidade profunda da Quinta da Côrte.

Profissional rigorosa, simpática e profundamente comprometida com aquilo que faz, Cátia Moura representa o enoturismo no seu sentido mais nobre: a arte de contar um território através do vinho, da paisagem, da história e das pessoas. O seu conhecimento alia-se a uma sensibilidade humana rara, criando uma ponte harmoniosa entre a excelência da casa e a emoção de quem a visita. A Cátia Moura é, por conseguinte, guardiã de experiências, intérprete de um lugar e embaixadora de uma forma de receber onde o vinho se encontra com a alma.

Neste quadro de sentimento e de valor, a Quinta da Côrte é, por isso, mais do que uma propriedade duriense. É uma casa aberta sobre o vale, um lugar onde a viagem desacelera e ganha profundidade. Um território onde o enoturismo encontra o refúgio onde a natureza, a vinha e a hospitalidade se unem para recordar ao visitante que há geografias que não cabem nos mapas, porque continuam a crescer dentro de nós muito depois da partida.

A Quinta da Côrte não foi apenas um destino, foi uma pausa com sentido. Aqui fui feliz!

 

CADERNO DE VISITA

Comodidades e serviços

Línguas faladas: português, espanhol, inglês, francês

Loja de vinhos

Sala de prova: capacidade para 16 pessoas ou sala para entre 4 a 8 pessoas

Diferentes atividades e refeições: almoços ou jantares vínicos com marcação prévia e piquenique na vinha

Parque para automóveis ligeiros: capacidade para 12 carros

Parque para autocarros: junto à quinta, com capacidade para 2 autocarros

Provas comentadas (ver programas)

Wifi gratuito disponível

Visita às vinhas e à adega

Outras atividades/facilidades: Programas combinados com passeios de 4×4 ou trekkings guiados (serviços prestados por parceiros)

Eventos

Eventos corporativos: atividades com e para empresas.

Atividades team-building: atividades de enoturismo são combinadas com turismo da natureza

 

Programas e experiências

Visitas e Provas de Vinho

Découverte

Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019 e Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018

Preço: €34

Créative

Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte DOC Douro Grande Reserva tinto 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 10 Anos

Preço: €46

Expert

Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 20 Anos

Preço: €62

Premium

Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Vinho do Porto Vintage 2017 e Quinta da Côrte Vinho do Porto Colheita 2015
Mínimo: 4 pax

Preço: €68

Vintage

Quinta da Côrte Porto Vintage 2015, Quinta da Côrte Porto Vintage 2017, Quinta da Côrte Porto Vintage 2020 e Quinta da Côrte Porto Vintage 2021
Mínimo: 4 pax

Preço: €92

 

Notas e horários

Horários de visita disponíveis

11h00, 15h00 e 17h00 (verão)

11h00, 14h00 e 16h00 (inverno)

Experiências

Passeios pelas vinhas centenárias

Passeios de barco

Vindimas, pisa a pé em lagares de granito e lagaradas tradicionais

 

Piquenique nas vinhas ou a bordo de um veleiro

Experiência disponível entre maio e outubro, das 12h30 às 14h30, para duas pessoas. O piquenique pode ser realizado junto às vinhas ou, em opção exclusiva, a bordo de um veleiro, com transferes incluídos. O serviço inclui um cesto tradicional, com produtos regionais: vinho DOC Douro branco ou tinto, fumeiros, salada com requeijão e vinagrete, covilhetes, fruta, água, sumo natural ou refrigerante e sandes de pão de caco com rosbife e rúcula. Reserva obrigatória com 24 a 48 horas de antecedência. Alergias ou pedidos especiais devem ser comunicados no ato da reserva.

Preço: €50

Nota: as experiências estão sujeitas à época do ano, nomeadamente à vindima e ao ciclo da vinha.

 

Refeições

A Quinta da Côrte disponibiliza refeições leves, com base numa lista constituída por sugestões de snacks, em vários espaços da propriedade, com produtos regionais, ingredientes da horta e pomares da quinta, e a cultura vínica à mesa. Os jantares incluem um menu diário composto entrada, prato principal, com opção de peixe ou carne, e sobremesa. Impera a reserva prévia até às 17h30 do próprio dia.

Horário: das 19h30 às 20h30

Preço: €47

Nota: caso o hóspede opte por vinho a copo, é aplicada uma taxa adicional de €28 ou €34 por pessoa, incluindo 3 copos de vinho.

 

Privatização da casa

Pode ser privatizada para celebrações, eventos íntimos ou reuniões privadas, com uma equipa dedicada à disposição. Tudo é feito mediante consulta prévia

Reservas:

enoturismo.reservas@quintadacorte.com

Contactos:

Quinta da Côrte

5120-491 Valença do Douro

www.quintadacorte.com

Tel.: +351 964 536 200

ENOTURISMO: QUINTA DE CYPRIANO – WINE & NATURE

Quinta de Cypriano

Na região dos Vinhos Verdes, o vinho não nasce apenas da técnica, nem da vinha. Surge de uma aliança profunda entre território, clima, memória e cultura. No Alto Minho, tamanha cultura secular pertence a esta geografia sensível, em que a terra oferece matéria-prima e, ao mesmo tempo, uma linguagem própria. Demarcado oficialmente em 1908, a […]

Na região dos Vinhos Verdes, o vinho não nasce apenas da técnica, nem da vinha. Surge de uma aliança profunda entre território, clima, memória e cultura. No Alto Minho, tamanha cultura secular pertence a esta geografia sensível, em que a terra oferece matéria-prima e, ao mesmo tempo, uma linguagem própria. Demarcado oficialmente em 1908, a este território foi construindo uma identidade singular no panorama vitivinícola europeu, a de vinhos marcados pela frescura, pela vitalidade aromática, pela acidez vibrante e por uma íntima correspondência com o clima atlântico que os molda.

A verdadeira riqueza desta região encontra-se nas diferenças de relevo, de exposição, de humidade, de solo e de tradição humana, as quais tornam cada sub-região uma pequena pátria enológica. Entre todas, o Vale do Lima, inserido na sub-região do Lima, ergue-se como uma das expressões mais delicadas e reveladoras do espírito dos Vinhos Verdes. Aberto à influência do Atlântico, sem barreiras significativas que travem a entrada dos ventos marítimos, o Vale do Lima beneficia de um regime climático onde a humidade, a chuva frequente e a amenidade térmica consistem nos elementos estruturantes da identidade da vinha. É um território onde o excesso raramente domina, o calor não violenta, a maturação não corre. A frescura permanece como uma disciplina natural.

É precisamente neste cenário que Ponte da Barca se afirma como um dos lugares mais expressivos e promissores da viticultura minhota. Os solos, em muitos pontos arenosos e permeáveis, associados à presença marcante do granito, desenham uma base geológica de enorme relevância vitivinícola. O granito drena, regula, obriga a videira a procurar profundidade, o relevo cria exposições diversas, a altitude e a circulação de ar moderam os excessos.

Eis o resultado de uma identidade vitícola que vai muito além da circunstância administrativa de pertencer ao Vale do Lima. Ponte da Barca é um lugar onde a tradição cooperativa, a continuidade do trabalho agrícola e o investimento recente na valorização das castas autóctones revelam um território herdeiro de um passado a preservar, mas também a ser autor do seu futuro. E é precisamente nessa convergência entre memória e modernidade que se joga hoje a relevância de Ponte da Barca no mapa dos Vinhos Verdes.

Quinta de Cypriano

Loureiro e Vinhão

Se há casta que traduz a dimensão mais luminosa e aromática desta paisagem, ela é, sem dúvida, a Loureiro. No Vale do Lima, esta variedade branca encontra uma das suas expressões mais altas e, em Ponte da Barca, adquire, com frequência, uma pureza modelo. Nos melhores exemplares, revela notas citrinas de lima e limão, apontamentos florais delicados, uma vibração fresca e uma limpidez aromática que impressiona. Mas vamos mais além, pois os grandes vinhos feitos a partir da Loureiro são igualmente estruturados, tensos, persistentes. Têm nervo, profundidade, capacidade de envelhecimento. Provam que a delicadeza é uma forma superior de precisão. Em Ponte da Barca, essa expressão ganha, muitas vezes, um recorte muito próprio, menos exuberância gratuita, mais rigor e nitidez. A frescura que ali se encontra vem do vale, da pedra, da luz, da humidade e do tempo.

Mas a narrativa vitivinícola de Ponte da Barca tem ainda um lado mais telúrico, mais visceral presente na casta tinta Vinhão. Apresenta uma enorme intensidade cromática, um perfil aromático vincado, de boca cheia, acidez firme e tanino robusto; e tem vindo a recuperar estatuto como vinho de terroir. Em zonas mais interiores, onde o território ganha resguardo e densidade térmica, como sucede em partes de Ponte da Barca, esta variedade tinta encontra uma gramática própria. Mantém a rusticidade nobre e a vocação gastronómica, e revela uma personalidade que ultrapassa o mero hábito regional.

 

Mesa é território

Há terras que se deixam compreender pela paisagem. Outras, pela história. Ponte da Barca, porém, revela-se de modo mais inteiro quando nos sentamos à mesa. É aí, entre o rumor do rio, a densidade da montanha e a memória transmitida de geração em geração, que o território se torna verdadeiramente legível. Porque esta vila romântica também vive dessa arte maior que é transformar alimento em identidade, que é manter esta herança sustentada pela abundância do rio, pela força da pecuária, pela sagacidade das cozinhas familiares, nobres, e pela persistência de manter sagrado o receituário minhoto que permanece atual.

À mesa, desfilam especialidades, formas de pertença, como a posta Barrosã, robusta e afirmativa, o cabrito da Serra Amarela, impregnado de fogo lento, o sarrabulho, espesso de memória, a lampreia, o sável e a truta, que o rio converte em alimento e liturgia, e, mais recentemente elevado nos roteiros promocionais do concelho, o arroz de cabidela, como expressão de autenticidade e continuidade. Na doçaria, persistem sabores que por mérito resistem ao tempo: o bolo e as rabanadas de mel, as queijadas de laranja, o leite-creme queimado. São doces que não cedem à frivolidade da moda porque pertencem à memória afetiva da cozinha, como arquivo emocional.

É precisamente neste universo que os vinhos encontram a sua razão mais plena e, em Ponte da Barca, harmonizar é reconhecer uma afinidade antiga.

 

O misterioso vale

Cheguei ao Vale do Lima com a sensação rara de entrar num território que se oferece à observação e à escuta. Mais do que uma deslocação geográfica, a viagem impôs-se como uma travessia interior, como se a paisagem, em vez de se mostrar, me chamasse. Num tempo dominado pela pressa, há lugares que conservam o ensinamento da serenidade. O Vale do Lima é um desses lugares. E o rio, além de atributo natural da paisagem, apresenta-se ainda como uma presença serena, majestosa e silenciosamente antiga. Corre como se transportasse no seu leito a memória dos séculos, os segredos das margens, o rumor das lendas e essa misteriosa fidelidade que as comunidades mantêm como segredo. As colinas desenham-se com suavidade. As vinhas estendem-se sobre o território como uma escrita verde e ritmada. Os campos respiram com a serenidade de quem conhece o ciclo do tempo. Os caminhos de pedra devolvem ao viajante a consciência de que antes dele já muitos outros ali procuraram sentido. Pelo meio, surgem solares, muros antigos, jardins resguardados, árvores que parecem guardar segredos.

Foi neste contexto que encontrei a Quinta de Cypriano. À chegada, percebi de imediato que estava diante de uma casa habitada pela espessura do tempo, por tradições sedimentadas, por usos e costumes que não se perderam na voragem do contemporâneo. Mas havia ali algo solene, como se a casa guardasse mais do que paredes, jardins ou memória agrícola. O próprio nome, Cypriano, impôs-se como um enigma. Tinha sonoridade de herança, peso de biografia, ressonância de história antiga. Foi precisamente aí que a minha viagem adquiriu uma nova densidade. Porque diante de certas casas não basta olhar, é preciso interrogar. Quem foi Cypriano? Que vida, que gesto, que memória justificaram a permanência deste nome? Que relação existe entre a casa, o território e a identidade que nela se conserva?

Uma história [à] antiga

Cypriano Joseph da Rocha, ilustre barquense de Ponte da Barca, nascido no Minho e ligado ao lugar de Barral, foi um dos raros servidores da coroa que levaram para o Brasil, não apenas um título, mas uma forma de ordenar o mundo. Em 26 de maio de 1728, embarcou de Lisboa rumo ao Brasil, acompanhado por dois filhos, um com 15 anos, outro com 11, para assumir, inicialmente o cargo de juiz dos órfãos na capitania da Bahia, por mercê de Sua Majestade el-rei D. João V, “O Magnânimo”. Anos mais tarde, exerceu funções em Sergipe d’El-Rei e na capitania de Minas Gerais, o de ouvidor da comarca de Rio das Mortes, esse extenso território que era maior do que o reino que o nosso protagonista deixava. Ultrapassada a fase de adaptação ao clima, à alimentação, aos costumes e à vida social de um território em desenvolvimento e também em expansão territorial, vivendo as mutações económicas, sociais e políticas resultantes do novo ciclo do ouro, Cypriano Joseph da Rocha integra-se a esse novo mundo exposto nas cartas que foi escrevendo, com regularidade, a sua mulher, Maria Luisa.

É em Minas, porém, que o seu nome ganha espessura histórica. Em 1737, já como ouvidor sediado em São João del-Rei, comandou uma expedição de reconhecimento e ocupação para sul, rica em ouro. A sua missão era militar, administrativa, cartográfica, política e civilizadora no sentido setecentista do termo. Reconhecer caminhos, afirmar jurisdição, localizar riquezas, organizar o povoamento e transformar sertão em território governável, era a gramática do poder colonial, e o nosso protagonista desta história soube escrevê-la com mão firme.

O feito mais emblemático dessa ação ocorreu em 2 de outubro de 1737, quando chegou ao local que receberia o nome de São Cipriano e que, com o passar do tempo, se tornaria freguesia, vila e finalmente a cidade de Campanha, que o reconhece como o agente da sua origem e apresenta-se como o lugar “onde nasceu o Sul de Minas”.

O seu impacto, contudo, não se mede apenas por uma cidade, mas pelo efeito em cadeia da sua presença administrativa. As primeiras notícias documentadas sobre a área do atual município de Três Corações remontam precisamente a 1737, quando Cypriano Joseph da Rocha, em trânsito e inspeção pela região, registou a existência de roças e catas de mineração na aplicação do Rio Verde. Esse registo mostra que o nosso protagonista não criou sozinho todas as cidades que, mais tarde, surgiriam no sul de Minas, mas teve um papel matricial na revelação oficial, na legitimação política e na incorporação administrativa de lugares que, depois, se tornariam vilas e municípios.

Em suma, Minas Gerais está fortemente associada a Cypriano Joseph da Rocha não só por causa do cargo que ocupou, mas porque nele se encontra uma das figuras fundamentais do sul mineiro. A sua grande obra não foi um monumento de pedra, mas um desenho de território.

A dignidade do passado

Situada em Quintela de Baixo, Vila Nova de Muía, no concelho de Ponte da Barca, nas margens do rio Lima e com o Parque Nacional da Peneda-Gerês no horizonte, a Quinta de Cypriano ergue-se no coração do Vale do Lima. A propriedade não se limita a ocupar um lugar no mapa, inscreve-se numa paisagem quase íntima, onde a natureza, a memória e o vinho estabelecem entre si uma aliança antiga.

Com a aproximação à Quinta de Cypriano o verde adensa-se, o horizonte abre-se com uma espécie de tranquilidade mineral e a arquitetura da casa parece nascer da própria terra. A propriedade guarda em si a dignidade de um passado rural nobre. Há verdade na presença firme do granito, na forma como os espaços dialogam com a envolvente. O conjunto arquitetónico exibe a sobriedade que atravessa os séculos, com elegância que lhe confere uma beleza mais duradoura. Cada pedra, cada recanto, cada marca do tempo parece carregar consigo uma narrativa capaz de dialogar com o presente e de convocar o futuro.

A Quinta de Cypriano renasce, assim, como projeto de enoturismo da família Andresen Guimarães, concretizado por António e Margarida Andresen Guimarães, a par com os seus quatro filhos Mafalda, Leonor, Pedro e António, numa espécie de pacto entre gerações. Juntos reanimaram o legado traduzido em hospitalidade, onde o vínculo à terra se transforma em vinho e a memória familiar se converte numa forma de acolhimento.

O recorte da casa constrói-se na convivência entre a nobreza rural minhota e a sobriedade dos materiais que envelhecem com dignidade. A inscrição de 1696, à entrada, funciona como uma espécie de pórtico simbólico, a capela secular e o espigueiro antigo aprofundam o sentido de permanência, e as adegas velhas e os lagares de granito devolvem ao visitante a evidência de uma cultura do vinho enraizada em práticas seculares.

A vinha, de 6,5 hectares, ocupa o centro desse universo. A casta Loureiro surge como promessa de elegância, perfume e nitidez. No contexto desta variedade, a Quinta de Cypriano apresenta um Grande Escolha 100% Loureiro e um vinho de curtimenta. Já a Vinhão surge como expressão de profundidade, rusticidade nobre e memória regional, diferente e impactante. São a síntese de território, trabalho, tradição e sensibilidade.

Quem reinventou a propriedade?

Há lugares que se herdam e há lugares que, mais do que herdados, são recriados por quem lhes devolve fôlego e destino. A Quinta de Cypriano é um desses raros casos em que a memória familiar encontrou uma nova linguagem, e essa linguagem tem o rosto, a visão e a energia de Leonor Andresen Guimarães.

A personalidade invulgarmente determinada é já uma marca no percurso de Leonor Andresen Guimarães, que se iniciou no universo das artes e antiguidades, seguindo-se o mundo da restauração, no qual descobriu a dimensão mais profunda daquilo que viria a definir o seu caminho, a arte de receber. Ainda muito jovem, partiu para São Paulo, onde trabalhou em vários restaurantes, entre os quais no célebre D.O.M. do chef Alex Atala. Essa vivência ampliou-lhe horizontes, deu-lhe disciplina e consolidou uma intuição rara para a hospitalidade.

De regresso a Portugal, passou pela restauração e pela organização de eventos, mas percebeu que o verdadeiro projeto de vida teria de unir beleza, autenticidade, mesa, terra e relação humana. Foi essa convicção que pesou, em 2015, na troca de Lisboa por Ponte da Barca, determinada a ajudar o pai a erguer um novo ciclo económico para a Quinta de Cypriano, decisão que mudou o rumo da propriedade.

Com o apoio da família, tomou nas mãos a exploração da propriedade e começou a desenhar aquilo que viria a afirmar-se como um projeto singular de enoturismo. Sem formação inicial em viticultura, Leonor Andresen Guimarães aprendeu, no terreno, o que se faz pela terra, entre talhões, estações e rotinas agrícolas, acompanhando de perto a reestruturação da exploração e introduzindo novas práticas de gestão. Da vinha passou para o vinho, no âmbito do qual frequentou o curso de Expertise Wine Management, no Instituto Superior de Administração e Gestão, no Porto.

Ao mesmo tempo que o projeto de alojamento ganhava forma, a nossa anfitriã desafiou a família a criar uma marca de vinhos própria, inspirada em Cypriano, que já no século XVIII, fazia vinho nos mesmos lagares de granito que permanecem sob a memória da casa. Em 2020, estreia-se a produção vínica executada com base nos métodos tradicionais, com pisa a pé em lagares seculares e a participação entusiasta de familiares e amigos. O resultado traduziu-se em referências que chamaram a atenção pela originalidade e caráter, entre as quais um Loureiro de curtimenta e um Vinhão de grande qualidade. Depois da maternidade, em 2023, surgiram novos vinhos e novas experiências vividas com alma minhota.

 

Refúgio idílico

Foi em 2024 que nasceu a Quinta de Cypriano – Wine & Nature, projeto que traduz a assinatura de da nossa anfitriã em cada detalhe, a forma como se habita o espaço, como se acolhe quem chega, como se conta a quinta, como se serve o vinho, como se transforma uma estadia numa experiência memorável.

A visita organiza-se como um percurso de aproximação ao espírito do lugar. Caminhar entre as vinhas, escutar a explicação sobre o ciclo da planta, participar nas vindimas e em atividades de campo, assistir ou fazer parte na pisa a pé em lagares de granito, compreender as escolhas, aprofundar a leitura dos vinhos em workshops. Tudo isso cria, no visitante, uma relação mais profunda com o que prova. Em vez de consumo apressado, há descoberta, em vez de superficialidade, há imersão.

O alojamento prolonga essa harmonia. Dormir na Quinta de Cypriano – Wine & Nature significa aceitar o convite de uma pausa verdadeira, a estender-se na piscina infinita. Os seis quartos integrados, com discrição, no corpo da propriedade e pensados para oferecer conforto sem romper com o carácter do lugar, proporcionam uma sensação de acolhimento rara. A casa propõe uma experiência de serenidade e intimidade, seja para escapadas românticas, viagens em família ou estadias entre amigos, com quartos comunicantes para grupos.

O conforto contemporâneo, como a instalação de kitchenette nas unidades, por exemplo, anunciam uma hospitalidade superlativa. As janelas e varandas voltadas para a paisagem funcionam como molduras de um quadro vivo, onde a vinha, o rio e as montanhas conquistam o olhar.

Numa época em que o luxo é tantas vezes confundido com excesso, a Quinta de Cypriano – Wine & Nature recorda que o verdadeiro privilégio pode estar na simplicidade bem estruturada e, ao mesmo tempo, na decoração incrivelmente envolvente, que nos impele a regressar. Como se o lugar, discretamente, se tornasse casa, é possível experienciar, a pedido, a gastronomia local e regional. A paixão que Leonor Andresen Guimarães encontra na cozinha, outra expressão do seu mundo, remete para o prolongamento do território à mesa – converter ingredientes em narrativa e dar ao quotidiano uma dimensão de celebração.

É por tudo isto que Leonor Andresen Guimarães se destaca hoje como uma das figuras femininas mais fascinantes do universo vínico contemporâneo. Há, na nossa anfitriã, uma enorme presença inspiradora que marcou, noutros tempos, mulheres decisivas na construção simbólica e humana das grandes casas vitivinícolas. Visitar a Quinta de Cypriano e por lá ficar é perceber que há lugares onde o enoturismo ainda é encontro. Bravo, Leonor!

CADERNO DE VISITA

Comodidades e serviços

Línguas faladas: Português, Espanhol, Inglês, Francês

Loja de vinhos: Sim

Sala de provas: Capacidade máxima para 16 pessoas

Diferentes atividades e refeições (sob consulta): Almoços ou jantares vínicos com marcação prévia, picnic na vinha

Parque para automóveis ligeiros: Capacidade para 12 viaturas

Parque para autocarros: Junto à quinta, há um espaço com capacidade para dois autocarros

Provas comentadas: Ver programas

Wifi gratuito disponível: Sim

Visita às vinhas: Sim

Visita à adega: Sim

Outras atividades/facilidades: Programas combinados, com passeios no Gerês de 4×4 ou trekkings guiados e atividades náuticas no rio Lima ou canyoning no rio Carcerelha. (serviços prestados por parceiros)

 

Eventos

Eventos corporativos: Atividades com empresas

Atividades team building: Combinação de atividades de enoturismo com turismo de natureza

 

Programas e experiências:

Visitas e Provas de Vinho

Prova Loureiro

Visita guiada + prova de 3 vinhos brancos

Duração: 60 min

Mínimo: 2 pax

Preço: €25

 

Prova do Vinhão

Visita guiada + prova de 3 vinhos tintos

Duração: 60 min

Mínimo: 2 pax

Preço: €25

 

Prova Tradicional

Visita guiada + prova de 4 vinhos

Duração: 60 min

Mínimo: 4 pax

Preço: €25

 

Prova Especial           

Visita guiada + prova de 6 vinhos

Duração: 90 min

Mínimo: 4 pax

Preço: €35

 

Prova Premium

Visita guiada + prova de 8 vinhos

Duração: 100 min

Mínimo: 2 pax

Preço: €45

 

Notas: marcação obrigatória e sujeita a disponibilidade; grupos com mais de 12 pessoas sob consulta (IVA incluído).

 

Experiências

Vindima

Participação na vindima, merenda, visita guiada e prova de vinhos

Duração: 3 horas

Mínimo: 2 pax

Preço: €60

 

Vindima com almoço

Vindima, merenda, visita guiada e almoço campestre harmonizado – 4 h

Duração: 4 horas

Mínimo: 4 pax

Preço: €100

 

Vindima com almoço e pisa a pé

Vindima, merenda, visita guiada, almoço campestre e pisa a pé em lagar de granito

Duração: 6 horas

Mínimo: 4 pax

Preço: €120

 

Piquenique

Cesta com produtos regionais, fruta da quinta e 1 garrafa de vinho

Mínimo: 4 pax

Preço: €50

 

Almoço ou jantar vínico

Refeição tradicional com produtos da quinta harmonizados com os vinhos

Mínimo: 6 pax

(preço sob consulta)

 

Notas: experiências de exterior condicionadas pelas condições climatéricas e pela evolução da maturação da uva; marcação obrigatória; grupos com mais de 12 pessoas e para crianças sob consulta (IVA incluído).

 

Petiscos e néctares da quinta

A quinta convida os visitantes a comprarem vinhos e a desfrutarem do espaço com vista para as vinhas, piscina e rio Lima, harmonizando o momento com tábuas, tostas e petiscos locais (consultar valores no site)

 

Horário de funcionamento

Todos os dias, das 09h30 às 18h30

Horários das visitas: às 11h30, às 14h00 e às 16h30

Reservas

enoturismo@quintadecypriano.com

Tel.: 917 586 077 ou 968 467 506

CONTACTOS

Quinta de Cypriano – Wine & Nature

Rua Quintela de Baixo, 95
Vila Nova de Muía, 4980-830 Ponte da Barca

www.quintadecypriano.com

(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)

 

 

Quinta das Fiandeiras com projeto de olivoturismo em 2027

olivoturismo

O Quinta das Fiandeiras Azeite Virgem Extra Premium, feito a partir das variedades Cobrançosa e Verdeal, assinala a estreia da marca no mercado e abre caminho para a criação de uma unidade turística centrada na cultura do azeite, na propriedade homónima de 54 hectares localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da […]

O Quinta das Fiandeiras Azeite Virgem Extra Premium, feito a partir das variedades Cobrançosa e Verdeal, assinala a estreia da marca no mercado e abre caminho para a criação de uma unidade turística centrada na cultura do azeite, na propriedade homónima de 54 hectares localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira. Segundo o comunicado, o projecto de olivoturismo, com abertura prevista para 2027, irá incluir 13 quartos no edifício principal e outros dois na Cabana do Rio, um restaurante com ementa inspirada na cozinha duriense e uma varanda panorâmica sobre o curso de água que empresta o nome da região. Provas de azeite no antigo lagar, percursos pedestres, passeios de barco, piscina e piqueniques na propriedade constituem a oferta turística. Paralelamente, é assegurada a sustentabilidade através da irrigação gota-a-gota, de práticas inerentes à agricultura biológica, da implementação de painéis solares e de iluminação LED, e utilização de produtos ecológicos.

Quanto ao azeite, segundo o comunicado, este “traduz o resultado de uma herança natural e única, aliada ao cuidado e respeito por cada etapa da produção”, nas palavras de Álvaro Veiga, fundador do projecto Quinta das Fiandeiras, propriedade pertencente à Fábrica Douro, empresa liderada pelo próprio, com o apoio da mulher, Elisabete Veiga.

Sobre a Quinta das Fiandeiras, nome atribuído à propriedade em tributo à tradição secular ligada à fiação e à tecelagem do linho naquele lugar, é constituída por cerca de 10 hectares de vinha e 20 hectares de olival centenário, com mais de 20 variedades de azeitona e onde oliveiras ultrapassam os 300 anos. Nos planos, consta a plantação de mais três hectares de olival, bem como a preservação de parte da vinha velha a par com “um processo de requalificação que valoriza o património agrícola existente”.

Quanta Terra apresenta nova exposição de arte contemporânea no Douro

Quanta Terra

A quinta edição desta iniciativa cultural, a segunda consecutiva com a curadoria da Galeria Contagiarte, reforça o compromisso de Celso Pereira e Jorge Alves, enólogos cofundadores da Quanta Terra: dinamizar e facilitar o acesso à arte e cultura no interior do país. E apenas um ano depois de ter sido criado, em 2023, este projeto […]

A quinta edição desta iniciativa cultural, a segunda consecutiva com a curadoria da Galeria Contagiarte, reforça o compromisso de Celso Pereira e Jorge Alves, enólogos cofundadores da Quanta Terra: dinamizar e facilitar o acesso à arte e cultura no interior do país. E apenas um ano depois de ter sido criado, em 2023, este projeto já valeu à adega o título de “Best of Wine Tourism”, o mais alto reconhecimento a nível mundial. Desde então, mais de 5 mil visitantes já passaram por Favaios, Alijó.

A partir deste mês, e até 31 de Dezembro, o Espaço Quanta Terra volta a transformar-se numa galeria de arte contemporânea, recebendo obras inéditas de quatro artistas portugueses que se distribuem por espaços inesperados da adega, entre salas de barricas, cubas centenárias ou salas de prova. Com algumas das obras concebidas especialmente para estes lugares, procurando uma relação direta com a arquitetura e a atmosfera do espaço, o objetivo é criar uma experiência imersiva, sensorial e um diálogo perfeito entre vinho e arte.

Vanessa Teodoro, Ana + Betânia, Mário Ferreira e Pant. são os artistas convidados para a quinta edição desta iniciativa cultural, numa mostra coletiva intitulada “A Pele da Terra”. Em comum, partilham a abordagem: a exploração da arte enquanto matéria viva, construída em camadas, volumes e gestos tridimensionais. “Tal e qual o Douro”, afirmam Celso Pereira e Jorge Alves, “cuja identidade visual e cultural nasce da sobreposição de socalcos, texturas e cores em permanente transformação ao longo das estações”.

A exposição “A Pele da Terra”, que inclui uma visita à adega, a todas as obras da exposição (temporária e permanente) e uma prova de vinhos, pode ser visitada de quarta a domingo, entre as 9h30 e as 18h00, e nos restantes dias sob pedido. Para mais informações ou reservas, por favor usar este link: https://quantaterradouro.com/formulario-reservas/

Quanta Terra

 

O Enoturismo do ano é…. Associação Rota da Bairrada

enoturismo

Num território pequeno em escala, mas extremamente generoso em paisagens, pessoas e propostas direcionadas para o setor do vinho, da gastronomia e do património, nasce, em 2006, a Associação Rota da Bairrada. Objetivo? Desenvolver um dinamismo integrado, assumindo responsabilidades pela promoção e valorização do território vitivinícola da região, com o foco na sua herança patrimonial […]

Num território pequeno em escala, mas extremamente generoso em paisagens, pessoas e propostas direcionadas para o setor do vinho, da gastronomia e do património, nasce, em 2006, a Associação Rota da Bairrada. Objetivo? Desenvolver um dinamismo integrado, assumindo responsabilidades pela promoção e valorização do território vitivinícola da região, com o foco na sua herança patrimonial e nos produtos turísticos e culturais plenos de autenticidade. Nestas duas décadas de existência integrou produtores, unidades de enoturismo, restaurantes, alojamentos, empresas de animação turística, assadores de leitão e parceiros locais, articulando, a nível regional e nacional, com instituições públicas e privadas ligadas ao vinho e ao território a promoção, dinamização e comercialização da Bairrada enquanto destino de excelência.

Fundamental para a solidez e abrangência do projeto foi a adesão dos oito municípios que integram o território da Bairrada – Anadia, Mealhada, Oliveira do Bairro, Cantanhede, Vagos, Águeda, Aveiro e Coimbra. Todos partilham uma identidade vitivinícola, gastronómica e cultural comum.

As portas de entrada e descoberta deste território situam-se nos dois espaços físicos da Rota da Bairrada, localizados na Curia e em Oliveira do Bairro. No verão, ergue-se, na praia da Vagueira uma loja pop-up, que se mantém aberta durante todo a época de estio.  Ali, os visitantes podem aprofundar o conhecimento sobre a região, a identidade vitivinícola, gastronómica e cultural, com o apoio de uma equipa especializada em enoturismo, capacitada para a criação de experiências personalizadas. Os Espaços Bairrada funcionam ainda como locais de ativação do território, promovendo o contacto direto com o vinho, através da compra de referências dos mais de 45 produtores ali representados, da participação em provas e degustações temáticas, da realização de dinâmicas sensoriais, como jogos de aromas e atividades de iniciação à prova, somando-se serviços de reservas de visitas a museus, caves e adegas ou de refeições nos restaurantes associados.

A abrangência da atividade estreita fronteiras e a Rota da Bairrada tem levado o nome da região mais longe, com a participação em feiras e eventos ligados a turismo, gastronomia e vinho em território nacional e fora de portas, colaborando em ações de promoção de carácter institucional, desenvolvendo conteúdos de promoção, aos quais alia a conceção e realização de eventos próprios ou em parceria com produtores, municípios e demais parceiros. M.F.

O Prémio Enoturismo do ano é patrocinado por: Turismo de Cascais

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

No Dão, às 17h00?

Dão

Até Outubro, as tardes de Sábado estão reservadas para uma nova iniciativa conjunta em torno do enoturismo. Chama-se “No Dão às 5h” e tem como objective invadir, de forma ordeira e munida de curiosidade, quintas desta região vitivinícola localizada no Centro do país, para explorar os bastidores e ouvir as histórias de quem faz vinho […]

Até Outubro, as tardes de Sábado estão reservadas para uma nova iniciativa conjunta em torno do enoturismo. Chama-se “No Dão às 5h” e tem como objective invadir, de forma ordeira e munida de curiosidade, quintas desta região vitivinícola localizada no Centro do país, para explorar os bastidores e ouvir as histórias de quem faz vinho neste território, onde a cultura e a paisagem acompanham o tempo, lado a lado.

De portas abertas para esta acção estão os seguinte produtores: Adega de Vila Nova de Tazem (comercial@adegatazem.pt / WhatsApp: 914 588 590), Quinta da Giesta – Boas Quintas (wines@boasquintas.com / WhatsApp: 935 739 898), Paço dos Cunhas (enoturismo.santar@1990.pt / WhatsApp: 915 351 558), Pedra Cancela (pedracancela@gmail.com / WhatsApp: 961 307 232), Soito Wines (winetourism@soitowines.com / WhatsApp: 963 034 140 ou 928 368 234), Taboadella (taboadellawinetourism@amorimfamilyestates.com / WhatsApp: 967 116 877) e Quinta do Gato (geral@quintadogato.pt / WhatsApp: 914 871 646). As visitas são gratuitas, com reserva prévia junto de cada propriedade, começam às 17h00 e têm duração entre 30 a 45 minutos.

Este movimento colectivo foi impulsionado pela Taboadella e assume-se como “uma plataforma aberta e agregadora, pensada para crescer ao longo do tempo e envolver um número crescente de agentes da região”, esclarece Luisa Amorim, CEO da Taboadella. Envolvidas estão ainda entidades institucionais, como a Comissão Vitivinícola Regional do Dão.

Dão
Quinta do Gato

PARQUE TERRA NOSTRA: O princípio do belo

TERRA NOSTRA

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à […]

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à ponte, logo após a entrada. Sabia que se trata de uma planta altamente resistente aos fungos? Do lado oposto, os tanques contíguos de água férreas ficam mais bonitos no estio, época em que os nenúfares preenchem de cor este curso hídrico.

Sem mais delongas, eis o momento de contemplação do tanque de água termal, pois a visita a este jardim centenário ficou refém do cronómetro. Caso contrário, teria ido a banhos em dia de chuva intermitente, proeza justificada pela temperatura da água, que oscila entre os 37 e 40º C. Avancemos! Pedro André Silva, o guia, chama a atenção para as majestosas araucárias, árvores que conferem o misticismo bucólico a este cenário, a par com o carvalho-roble plantado na década de 1780, além dos tulipeiros, com a floração a dar o ar da sua graça entre maio e julho. Ao fundo, está o Botania Hall, o alojamento complementar do Terra Nostra Garden Hotel, originalmente chamada de Yankee Hall e, mais tarde, de Casa do Parque.

Rumo às bromeliáceas, o percurso leva-nos parque adentro, com passagem próxima dos lagos situados numa cota mais baixa em relação à referida villa. Afinal, as Bromélias são uma das cinco coleções deste jardim secular. Nativas do sul da América, estas plantas estão numa pequena clareira recriada numa pequena elevação de terra, já que a irrigação não se faz através do solo, mas sim por meio das folhas, que retêm o orvalho. Desta mostra, faz parte o ananaseiro, que dá origem a um dos frutos mais famosos do arquipélago. Ao lado, o jardim de flora endémica e nativa dos Açores, que fazem parte da região da Macaronésia, representativo de uma exposição ancestral. Dois passos adiante, está a coleção de cycadales, constituída por 88 espécies exóticas. A origem remonta ao período Jurássico e não há como deixar de conquistar pela dupla de “fósseis vivos”, assim denominados, por não evoluírem há milhões de anos. Memorável é também a coleção de camélias, a qual fundamenta o título “Internactional Camellia Garden of Excellence” atribuído ao Parque Terra Nostra. As flores grandes, que vão do branco ao vermelho, passando por diferentes tons rosa, emprestam cor a este enorme jardim, onde uma ínfima parte do solo da alameda ladeada por 47 ginkgos preserva as folhas douradas destes gigantes da natureza.

O mirante, designado de O Açucareiro, devido à forma que ostenta, é outro dos lugares a constar na viagem. Dali são visíveis as esculturas zoomórficas esculpidas pelas mãos de Fernando Costa, o jardineiro chefe, com a destreza de um mestre. Sem, esquecer as grutas, onde o canal de água serpenteante remete para os passeios de outrora, em pequenas embarcações ao estilo britânico, o Vale dos Fetos, com duas centenas de espécies diferentes, duas das quais endémicas, ou o lago de águas vulcânicas, próximo da reta final da visita.

Muito ficou por explorar nesta viagem pelo Parque Terra Nostra, habitat de mais de 1.800 exemplares botânicos específicos distribuídos por 12,5 hectares, resultante de um trabalho iniciado há mais de 200 anos e firmado na preservação deste que é o mais belo refúgio da ilha de São Miguel, nos Açores.

TERRA NOSTRA

Parque Terra Nostra

Largo Marquês da Praia e Monforte, 9675-061 Furna, São Miguel, Açores

E-mail: terra.nostra@bensaude.pt

Tel.: 296 549 090

Bilhete geral: €17

Nota: Visitas histórias e botânicas são feitas por um valor adicional