ENOTURISMO: QUINTA DE CYPRIANO – WINE & NATURE

Quinta de Cypriano

Na região dos Vinhos Verdes, o vinho não nasce apenas da técnica, nem da vinha. Surge de uma aliança profunda entre território, clima, memória e cultura. No Alto Minho, tamanha cultura secular pertence a esta geografia sensível, em que a terra oferece matéria-prima e, ao mesmo tempo, uma linguagem própria. Demarcado oficialmente em 1908, a […]

Na região dos Vinhos Verdes, o vinho não nasce apenas da técnica, nem da vinha. Surge de uma aliança profunda entre território, clima, memória e cultura. No Alto Minho, tamanha cultura secular pertence a esta geografia sensível, em que a terra oferece matéria-prima e, ao mesmo tempo, uma linguagem própria. Demarcado oficialmente em 1908, a este território foi construindo uma identidade singular no panorama vitivinícola europeu, a de vinhos marcados pela frescura, pela vitalidade aromática, pela acidez vibrante e por uma íntima correspondência com o clima atlântico que os molda.

A verdadeira riqueza desta região encontra-se nas diferenças de relevo, de exposição, de humidade, de solo e de tradição humana, as quais tornam cada sub-região uma pequena pátria enológica. Entre todas, o Vale do Lima, inserido na sub-região do Lima, ergue-se como uma das expressões mais delicadas e reveladoras do espírito dos Vinhos Verdes. Aberto à influência do Atlântico, sem barreiras significativas que travem a entrada dos ventos marítimos, o Vale do Lima beneficia de um regime climático onde a humidade, a chuva frequente e a amenidade térmica consistem nos elementos estruturantes da identidade da vinha. É um território onde o excesso raramente domina, o calor não violenta, a maturação não corre. A frescura permanece como uma disciplina natural.

É precisamente neste cenário que Ponte da Barca se afirma como um dos lugares mais expressivos e promissores da viticultura minhota. Os solos, em muitos pontos arenosos e permeáveis, associados à presença marcante do granito, desenham uma base geológica de enorme relevância vitivinícola. O granito drena, regula, obriga a videira a procurar profundidade, o relevo cria exposições diversas, a altitude e a circulação de ar moderam os excessos.

Eis o resultado de uma identidade vitícola que vai muito além da circunstância administrativa de pertencer ao Vale do Lima. Ponte da Barca é um lugar onde a tradição cooperativa, a continuidade do trabalho agrícola e o investimento recente na valorização das castas autóctones revelam um território herdeiro de um passado a preservar, mas também a ser autor do seu futuro. E é precisamente nessa convergência entre memória e modernidade que se joga hoje a relevância de Ponte da Barca no mapa dos Vinhos Verdes.

Quinta de Cypriano

Loureiro e Vinhão

Se há casta que traduz a dimensão mais luminosa e aromática desta paisagem, ela é, sem dúvida, a Loureiro. No Vale do Lima, esta variedade branca encontra uma das suas expressões mais altas e, em Ponte da Barca, adquire, com frequência, uma pureza modelo. Nos melhores exemplares, revela notas citrinas de lima e limão, apontamentos florais delicados, uma vibração fresca e uma limpidez aromática que impressiona. Mas vamos mais além, pois os grandes vinhos feitos a partir da Loureiro são igualmente estruturados, tensos, persistentes. Têm nervo, profundidade, capacidade de envelhecimento. Provam que a delicadeza é uma forma superior de precisão. Em Ponte da Barca, essa expressão ganha, muitas vezes, um recorte muito próprio, menos exuberância gratuita, mais rigor e nitidez. A frescura que ali se encontra vem do vale, da pedra, da luz, da humidade e do tempo.

Mas a narrativa vitivinícola de Ponte da Barca tem ainda um lado mais telúrico, mais visceral presente na casta tinta Vinhão. Apresenta uma enorme intensidade cromática, um perfil aromático vincado, de boca cheia, acidez firme e tanino robusto; e tem vindo a recuperar estatuto como vinho de terroir. Em zonas mais interiores, onde o território ganha resguardo e densidade térmica, como sucede em partes de Ponte da Barca, esta variedade tinta encontra uma gramática própria. Mantém a rusticidade nobre e a vocação gastronómica, e revela uma personalidade que ultrapassa o mero hábito regional.

 

Mesa é território

Há terras que se deixam compreender pela paisagem. Outras, pela história. Ponte da Barca, porém, revela-se de modo mais inteiro quando nos sentamos à mesa. É aí, entre o rumor do rio, a densidade da montanha e a memória transmitida de geração em geração, que o território se torna verdadeiramente legível. Porque esta vila romântica também vive dessa arte maior que é transformar alimento em identidade, que é manter esta herança sustentada pela abundância do rio, pela força da pecuária, pela sagacidade das cozinhas familiares, nobres, e pela persistência de manter sagrado o receituário minhoto que permanece atual.

À mesa, desfilam especialidades, formas de pertença, como a posta Barrosã, robusta e afirmativa, o cabrito da Serra Amarela, impregnado de fogo lento, o sarrabulho, espesso de memória, a lampreia, o sável e a truta, que o rio converte em alimento e liturgia, e, mais recentemente elevado nos roteiros promocionais do concelho, o arroz de cabidela, como expressão de autenticidade e continuidade. Na doçaria, persistem sabores que por mérito resistem ao tempo: o bolo e as rabanadas de mel, as queijadas de laranja, o leite-creme queimado. São doces que não cedem à frivolidade da moda porque pertencem à memória afetiva da cozinha, como arquivo emocional.

É precisamente neste universo que os vinhos encontram a sua razão mais plena e, em Ponte da Barca, harmonizar é reconhecer uma afinidade antiga.

 

O misterioso vale

Cheguei ao Vale do Lima com a sensação rara de entrar num território que se oferece à observação e à escuta. Mais do que uma deslocação geográfica, a viagem impôs-se como uma travessia interior, como se a paisagem, em vez de se mostrar, me chamasse. Num tempo dominado pela pressa, há lugares que conservam o ensinamento da serenidade. O Vale do Lima é um desses lugares. E o rio, além de atributo natural da paisagem, apresenta-se ainda como uma presença serena, majestosa e silenciosamente antiga. Corre como se transportasse no seu leito a memória dos séculos, os segredos das margens, o rumor das lendas e essa misteriosa fidelidade que as comunidades mantêm como segredo. As colinas desenham-se com suavidade. As vinhas estendem-se sobre o território como uma escrita verde e ritmada. Os campos respiram com a serenidade de quem conhece o ciclo do tempo. Os caminhos de pedra devolvem ao viajante a consciência de que antes dele já muitos outros ali procuraram sentido. Pelo meio, surgem solares, muros antigos, jardins resguardados, árvores que parecem guardar segredos.

Foi neste contexto que encontrei a Quinta de Cypriano. À chegada, percebi de imediato que estava diante de uma casa habitada pela espessura do tempo, por tradições sedimentadas, por usos e costumes que não se perderam na voragem do contemporâneo. Mas havia ali algo solene, como se a casa guardasse mais do que paredes, jardins ou memória agrícola. O próprio nome, Cypriano, impôs-se como um enigma. Tinha sonoridade de herança, peso de biografia, ressonância de história antiga. Foi precisamente aí que a minha viagem adquiriu uma nova densidade. Porque diante de certas casas não basta olhar, é preciso interrogar. Quem foi Cypriano? Que vida, que gesto, que memória justificaram a permanência deste nome? Que relação existe entre a casa, o território e a identidade que nela se conserva?

Uma história [à] antiga

Cypriano Joseph da Rocha, ilustre barquense de Ponte da Barca, nascido no Minho e ligado ao lugar de Barral, foi um dos raros servidores da coroa que levaram para o Brasil, não apenas um título, mas uma forma de ordenar o mundo. Em 26 de maio de 1728, embarcou de Lisboa rumo ao Brasil, acompanhado por dois filhos, um com 15 anos, outro com 11, para assumir, inicialmente o cargo de juiz dos órfãos na capitania da Bahia, por mercê de Sua Majestade el-rei D. João V, “O Magnânimo”. Anos mais tarde, exerceu funções em Sergipe d’El-Rei e na capitania de Minas Gerais, o de ouvidor da comarca de Rio das Mortes, esse extenso território que era maior do que o reino que o nosso protagonista deixava. Ultrapassada a fase de adaptação ao clima, à alimentação, aos costumes e à vida social de um território em desenvolvimento e também em expansão territorial, vivendo as mutações económicas, sociais e políticas resultantes do novo ciclo do ouro, Cypriano Joseph da Rocha integra-se a esse novo mundo exposto nas cartas que foi escrevendo, com regularidade, a sua mulher, Maria Luisa.

É em Minas, porém, que o seu nome ganha espessura histórica. Em 1737, já como ouvidor sediado em São João del-Rei, comandou uma expedição de reconhecimento e ocupação para sul, rica em ouro. A sua missão era militar, administrativa, cartográfica, política e civilizadora no sentido setecentista do termo. Reconhecer caminhos, afirmar jurisdição, localizar riquezas, organizar o povoamento e transformar sertão em território governável, era a gramática do poder colonial, e o nosso protagonista desta história soube escrevê-la com mão firme.

O feito mais emblemático dessa ação ocorreu em 2 de outubro de 1737, quando chegou ao local que receberia o nome de São Cipriano e que, com o passar do tempo, se tornaria freguesia, vila e finalmente a cidade de Campanha, que o reconhece como o agente da sua origem e apresenta-se como o lugar “onde nasceu o Sul de Minas”.

O seu impacto, contudo, não se mede apenas por uma cidade, mas pelo efeito em cadeia da sua presença administrativa. As primeiras notícias documentadas sobre a área do atual município de Três Corações remontam precisamente a 1737, quando Cypriano Joseph da Rocha, em trânsito e inspeção pela região, registou a existência de roças e catas de mineração na aplicação do Rio Verde. Esse registo mostra que o nosso protagonista não criou sozinho todas as cidades que, mais tarde, surgiriam no sul de Minas, mas teve um papel matricial na revelação oficial, na legitimação política e na incorporação administrativa de lugares que, depois, se tornariam vilas e municípios.

Em suma, Minas Gerais está fortemente associada a Cypriano Joseph da Rocha não só por causa do cargo que ocupou, mas porque nele se encontra uma das figuras fundamentais do sul mineiro. A sua grande obra não foi um monumento de pedra, mas um desenho de território.

A dignidade do passado

Situada em Quintela de Baixo, Vila Nova de Muía, no concelho de Ponte da Barca, nas margens do rio Lima e com o Parque Nacional da Peneda-Gerês no horizonte, a Quinta de Cypriano ergue-se no coração do Vale do Lima. A propriedade não se limita a ocupar um lugar no mapa, inscreve-se numa paisagem quase íntima, onde a natureza, a memória e o vinho estabelecem entre si uma aliança antiga.

Com a aproximação à Quinta de Cypriano o verde adensa-se, o horizonte abre-se com uma espécie de tranquilidade mineral e a arquitetura da casa parece nascer da própria terra. A propriedade guarda em si a dignidade de um passado rural nobre. Há verdade na presença firme do granito, na forma como os espaços dialogam com a envolvente. O conjunto arquitetónico exibe a sobriedade que atravessa os séculos, com elegância que lhe confere uma beleza mais duradoura. Cada pedra, cada recanto, cada marca do tempo parece carregar consigo uma narrativa capaz de dialogar com o presente e de convocar o futuro.

A Quinta de Cypriano renasce, assim, como projeto de enoturismo da família Andresen Guimarães, concretizado por António e Margarida Andresen Guimarães, a par com os seus quatro filhos Mafalda, Leonor, Pedro e António, numa espécie de pacto entre gerações. Juntos reanimaram o legado traduzido em hospitalidade, onde o vínculo à terra se transforma em vinho e a memória familiar se converte numa forma de acolhimento.

O recorte da casa constrói-se na convivência entre a nobreza rural minhota e a sobriedade dos materiais que envelhecem com dignidade. A inscrição de 1696, à entrada, funciona como uma espécie de pórtico simbólico, a capela secular e o espigueiro antigo aprofundam o sentido de permanência, e as adegas velhas e os lagares de granito devolvem ao visitante a evidência de uma cultura do vinho enraizada em práticas seculares.

A vinha, de 6,5 hectares, ocupa o centro desse universo. A casta Loureiro surge como promessa de elegância, perfume e nitidez. No contexto desta variedade, a Quinta de Cypriano apresenta um Grande Escolha 100% Loureiro e um vinho de curtimenta. Já a Vinhão surge como expressão de profundidade, rusticidade nobre e memória regional, diferente e impactante. São a síntese de território, trabalho, tradição e sensibilidade.

Quem reinventou a propriedade?

Há lugares que se herdam e há lugares que, mais do que herdados, são recriados por quem lhes devolve fôlego e destino. A Quinta de Cypriano é um desses raros casos em que a memória familiar encontrou uma nova linguagem, e essa linguagem tem o rosto, a visão e a energia de Leonor Andresen Guimarães.

A personalidade invulgarmente determinada é já uma marca no percurso de Leonor Andresen Guimarães, que se iniciou no universo das artes e antiguidades, seguindo-se o mundo da restauração, no qual descobriu a dimensão mais profunda daquilo que viria a definir o seu caminho, a arte de receber. Ainda muito jovem, partiu para São Paulo, onde trabalhou em vários restaurantes, entre os quais no célebre D.O.M. do chef Alex Atala. Essa vivência ampliou-lhe horizontes, deu-lhe disciplina e consolidou uma intuição rara para a hospitalidade.

De regresso a Portugal, passou pela restauração e pela organização de eventos, mas percebeu que o verdadeiro projeto de vida teria de unir beleza, autenticidade, mesa, terra e relação humana. Foi essa convicção que pesou, em 2015, na troca de Lisboa por Ponte da Barca, determinada a ajudar o pai a erguer um novo ciclo económico para a Quinta de Cypriano, decisão que mudou o rumo da propriedade.

Com o apoio da família, tomou nas mãos a exploração da propriedade e começou a desenhar aquilo que viria a afirmar-se como um projeto singular de enoturismo. Sem formação inicial em viticultura, Leonor Andresen Guimarães aprendeu, no terreno, o que se faz pela terra, entre talhões, estações e rotinas agrícolas, acompanhando de perto a reestruturação da exploração e introduzindo novas práticas de gestão. Da vinha passou para o vinho, no âmbito do qual frequentou o curso de Expertise Wine Management, no Instituto Superior de Administração e Gestão, no Porto.

Ao mesmo tempo que o projeto de alojamento ganhava forma, a nossa anfitriã desafiou a família a criar uma marca de vinhos própria, inspirada em Cypriano, que já no século XVIII, fazia vinho nos mesmos lagares de granito que permanecem sob a memória da casa. Em 2020, estreia-se a produção vínica executada com base nos métodos tradicionais, com pisa a pé em lagares seculares e a participação entusiasta de familiares e amigos. O resultado traduziu-se em referências que chamaram a atenção pela originalidade e caráter, entre as quais um Loureiro de curtimenta e um Vinhão de grande qualidade. Depois da maternidade, em 2023, surgiram novos vinhos e novas experiências vividas com alma minhota.

 

Refúgio idílico

Foi em 2024 que nasceu a Quinta de Cypriano – Wine & Nature, projeto que traduz a assinatura de da nossa anfitriã em cada detalhe, a forma como se habita o espaço, como se acolhe quem chega, como se conta a quinta, como se serve o vinho, como se transforma uma estadia numa experiência memorável.

A visita organiza-se como um percurso de aproximação ao espírito do lugar. Caminhar entre as vinhas, escutar a explicação sobre o ciclo da planta, participar nas vindimas e em atividades de campo, assistir ou fazer parte na pisa a pé em lagares de granito, compreender as escolhas, aprofundar a leitura dos vinhos em workshops. Tudo isso cria, no visitante, uma relação mais profunda com o que prova. Em vez de consumo apressado, há descoberta, em vez de superficialidade, há imersão.

O alojamento prolonga essa harmonia. Dormir na Quinta de Cypriano – Wine & Nature significa aceitar o convite de uma pausa verdadeira, a estender-se na piscina infinita. Os seis quartos integrados, com discrição, no corpo da propriedade e pensados para oferecer conforto sem romper com o carácter do lugar, proporcionam uma sensação de acolhimento rara. A casa propõe uma experiência de serenidade e intimidade, seja para escapadas românticas, viagens em família ou estadias entre amigos, com quartos comunicantes para grupos.

O conforto contemporâneo, como a instalação de kitchenette nas unidades, por exemplo, anunciam uma hospitalidade superlativa. As janelas e varandas voltadas para a paisagem funcionam como molduras de um quadro vivo, onde a vinha, o rio e as montanhas conquistam o olhar.

Numa época em que o luxo é tantas vezes confundido com excesso, a Quinta de Cypriano – Wine & Nature recorda que o verdadeiro privilégio pode estar na simplicidade bem estruturada e, ao mesmo tempo, na decoração incrivelmente envolvente, que nos impele a regressar. Como se o lugar, discretamente, se tornasse casa, é possível experienciar, a pedido, a gastronomia local e regional. A paixão que Leonor Andresen Guimarães encontra na cozinha, outra expressão do seu mundo, remete para o prolongamento do território à mesa – converter ingredientes em narrativa e dar ao quotidiano uma dimensão de celebração.

É por tudo isto que Leonor Andresen Guimarães se destaca hoje como uma das figuras femininas mais fascinantes do universo vínico contemporâneo. Há, na nossa anfitriã, uma enorme presença inspiradora que marcou, noutros tempos, mulheres decisivas na construção simbólica e humana das grandes casas vitivinícolas. Visitar a Quinta de Cypriano e por lá ficar é perceber que há lugares onde o enoturismo ainda é encontro. Bravo, Leonor!

CADERNO DE VISITA

Comodidades e serviços

Línguas faladas: Português, Espanhol, Inglês, Francês

Loja de vinhos: Sim

Sala de provas: Capacidade máxima para 16 pessoas

Diferentes atividades e refeições (sob consulta): Almoços ou jantares vínicos com marcação prévia, picnic na vinha

Parque para automóveis ligeiros: Capacidade para 12 viaturas

Parque para autocarros: Junto à quinta, há um espaço com capacidade para dois autocarros

Provas comentadas: Ver programas

Wifi gratuito disponível: Sim

Visita às vinhas: Sim

Visita à adega: Sim

Outras atividades/facilidades: Programas combinados, com passeios no Gerês de 4×4 ou trekkings guiados e atividades náuticas no rio Lima ou canyoning no rio Carcerelha. (serviços prestados por parceiros)

 

Eventos

Eventos corporativos: Atividades com empresas

Atividades team building: Combinação de atividades de enoturismo com turismo de natureza

 

Programas e experiências:

Visitas e Provas de Vinho

Prova Loureiro

Visita guiada + prova de 3 vinhos brancos

Duração: 60 min

Mínimo: 2 pax

Preço: €25

 

Prova do Vinhão

Visita guiada + prova de 3 vinhos tintos

Duração: 60 min

Mínimo: 2 pax

Preço: €25

 

Prova Tradicional

Visita guiada + prova de 4 vinhos

Duração: 60 min

Mínimo: 4 pax

Preço: €25

 

Prova Especial           

Visita guiada + prova de 6 vinhos

Duração: 90 min

Mínimo: 4 pax

Preço: €35

 

Prova Premium

Visita guiada + prova de 8 vinhos

Duração: 100 min

Mínimo: 2 pax

Preço: €45

 

Notas: marcação obrigatória e sujeita a disponibilidade; grupos com mais de 12 pessoas sob consulta (IVA incluído).

 

Experiências

Vindima

Participação na vindima, merenda, visita guiada e prova de vinhos

Duração: 3 horas

Mínimo: 2 pax

Preço: €60

 

Vindima com almoço

Vindima, merenda, visita guiada e almoço campestre harmonizado – 4 h

Duração: 4 horas

Mínimo: 4 pax

Preço: €100

 

Vindima com almoço e pisa a pé

Vindima, merenda, visita guiada, almoço campestre e pisa a pé em lagar de granito

Duração: 6 horas

Mínimo: 4 pax

Preço: €120

 

Piquenique

Cesta com produtos regionais, fruta da quinta e 1 garrafa de vinho

Mínimo: 4 pax

Preço: €50

 

Almoço ou jantar vínico

Refeição tradicional com produtos da quinta harmonizados com os vinhos

Mínimo: 6 pax

(preço sob consulta)

 

Notas: experiências de exterior condicionadas pelas condições climatéricas e pela evolução da maturação da uva; marcação obrigatória; grupos com mais de 12 pessoas e para crianças sob consulta (IVA incluído).

 

Petiscos e néctares da quinta

A quinta convida os visitantes a comprarem vinhos e a desfrutarem do espaço com vista para as vinhas, piscina e rio Lima, harmonizando o momento com tábuas, tostas e petiscos locais (consultar valores no site)

 

Horário de funcionamento

Todos os dias, das 09h30 às 18h30

Horários das visitas: às 11h30, às 14h00 e às 16h30

Reservas

enoturismo@quintadecypriano.com

Tel.: 917 586 077 ou 968 467 506

CONTACTOS

Quinta de Cypriano – Wine & Nature

Rua Quintela de Baixo, 95
Vila Nova de Muía, 4980-830 Ponte da Barca

www.quintadecypriano.com

(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)

 

 

Comissão Vitivinícola do Algarve reforça enoturismo

enoturismo

A 2ª edição da Feira de Enoturismo, decorrida no passado dia 27 de Abril, e a iniciativa Road to Wine 2026, que tiveram lugar a 25 e 26 do mesmo mês, ambas organizadas pela Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), com o apoio do Município de Lagoa, foram determinantes para posicionar o Algarve no centro das […]

A 2ª edição da Feira de Enoturismo, decorrida no passado dia 27 de Abril, e a iniciativa Road to Wine 2026, que tiveram lugar a 25 e 26 do mesmo mês, ambas organizadas pela Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), com o apoio do Município de Lagoa, foram determinantes para posicionar o Algarve no centro das atenções de produtores, operadores turísticos, restauração, hotelaria e público em geral.

Para além das provas vínicas, o certame foi palco de partilha de informação sobre experiências e demais actividades desenhadas no âmbito da oferta turística ligada ao vinho. Já o Road to Wine conduziu profissionais numa viagem pelo território, por forma a dar a conhecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na região no âmbito da cultura da vinha e do vinho, bem como mostrar diferentes projectos de enoturismo.

De acordo com o comunicado da CVA, “a crescente adesão de profissionais e público confirma o dinamismo do sector e o interesse crescente pelo enoturismo, consolidando estas iniciativas como plataforma-chave para a promoção da região e para a criação de novas oportunidades de negócio”.

 

Quinta das Fiandeiras com projeto de olivoturismo em 2027

olivoturismo

O Quinta das Fiandeiras Azeite Virgem Extra Premium, feito a partir das variedades Cobrançosa e Verdeal, assinala a estreia da marca no mercado e abre caminho para a criação de uma unidade turística centrada na cultura do azeite, na propriedade homónima de 54 hectares localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da […]

O Quinta das Fiandeiras Azeite Virgem Extra Premium, feito a partir das variedades Cobrançosa e Verdeal, assinala a estreia da marca no mercado e abre caminho para a criação de uma unidade turística centrada na cultura do azeite, na propriedade homónima de 54 hectares localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira. Segundo o comunicado, o projecto de olivoturismo, com abertura prevista para 2027, irá incluir 13 quartos no edifício principal e outros dois na Cabana do Rio, um restaurante com ementa inspirada na cozinha duriense e uma varanda panorâmica sobre o curso de água que empresta o nome da região. Provas de azeite no antigo lagar, percursos pedestres, passeios de barco, piscina e piqueniques na propriedade constituem a oferta turística. Paralelamente, é assegurada a sustentabilidade através da irrigação gota-a-gota, de práticas inerentes à agricultura biológica, da implementação de painéis solares e de iluminação LED, e utilização de produtos ecológicos.

Quanto ao azeite, segundo o comunicado, este “traduz o resultado de uma herança natural e única, aliada ao cuidado e respeito por cada etapa da produção”, nas palavras de Álvaro Veiga, fundador do projecto Quinta das Fiandeiras, propriedade pertencente à Fábrica Douro, empresa liderada pelo próprio, com o apoio da mulher, Elisabete Veiga.

Sobre a Quinta das Fiandeiras, nome atribuído à propriedade em tributo à tradição secular ligada à fiação e à tecelagem do linho naquele lugar, é constituída por cerca de 10 hectares de vinha e 20 hectares de olival centenário, com mais de 20 variedades de azeitona e onde oliveiras ultrapassam os 300 anos. Nos planos, consta a plantação de mais três hectares de olival, bem como a preservação de parte da vinha velha a par com “um processo de requalificação que valoriza o património agrícola existente”.

Quanta Terra apresenta nova exposição de arte contemporânea no Douro

Quanta Terra

A quinta edição desta iniciativa cultural, a segunda consecutiva com a curadoria da Galeria Contagiarte, reforça o compromisso de Celso Pereira e Jorge Alves, enólogos cofundadores da Quanta Terra: dinamizar e facilitar o acesso à arte e cultura no interior do país. E apenas um ano depois de ter sido criado, em 2023, este projeto […]

A quinta edição desta iniciativa cultural, a segunda consecutiva com a curadoria da Galeria Contagiarte, reforça o compromisso de Celso Pereira e Jorge Alves, enólogos cofundadores da Quanta Terra: dinamizar e facilitar o acesso à arte e cultura no interior do país. E apenas um ano depois de ter sido criado, em 2023, este projeto já valeu à adega o título de “Best of Wine Tourism”, o mais alto reconhecimento a nível mundial. Desde então, mais de 5 mil visitantes já passaram por Favaios, Alijó.

A partir deste mês, e até 31 de Dezembro, o Espaço Quanta Terra volta a transformar-se numa galeria de arte contemporânea, recebendo obras inéditas de quatro artistas portugueses que se distribuem por espaços inesperados da adega, entre salas de barricas, cubas centenárias ou salas de prova. Com algumas das obras concebidas especialmente para estes lugares, procurando uma relação direta com a arquitetura e a atmosfera do espaço, o objetivo é criar uma experiência imersiva, sensorial e um diálogo perfeito entre vinho e arte.

Vanessa Teodoro, Ana + Betânia, Mário Ferreira e Pant. são os artistas convidados para a quinta edição desta iniciativa cultural, numa mostra coletiva intitulada “A Pele da Terra”. Em comum, partilham a abordagem: a exploração da arte enquanto matéria viva, construída em camadas, volumes e gestos tridimensionais. “Tal e qual o Douro”, afirmam Celso Pereira e Jorge Alves, “cuja identidade visual e cultural nasce da sobreposição de socalcos, texturas e cores em permanente transformação ao longo das estações”.

A exposição “A Pele da Terra”, que inclui uma visita à adega, a todas as obras da exposição (temporária e permanente) e uma prova de vinhos, pode ser visitada de quarta a domingo, entre as 9h30 e as 18h00, e nos restantes dias sob pedido. Para mais informações ou reservas, por favor usar este link: https://quantaterradouro.com/formulario-reservas/

Quanta Terra

 

O Enoturismo do ano é…. Associação Rota da Bairrada

enoturismo

Num território pequeno em escala, mas extremamente generoso em paisagens, pessoas e propostas direcionadas para o setor do vinho, da gastronomia e do património, nasce, em 2006, a Associação Rota da Bairrada. Objetivo? Desenvolver um dinamismo integrado, assumindo responsabilidades pela promoção e valorização do território vitivinícola da região, com o foco na sua herança patrimonial […]

Num território pequeno em escala, mas extremamente generoso em paisagens, pessoas e propostas direcionadas para o setor do vinho, da gastronomia e do património, nasce, em 2006, a Associação Rota da Bairrada. Objetivo? Desenvolver um dinamismo integrado, assumindo responsabilidades pela promoção e valorização do território vitivinícola da região, com o foco na sua herança patrimonial e nos produtos turísticos e culturais plenos de autenticidade. Nestas duas décadas de existência integrou produtores, unidades de enoturismo, restaurantes, alojamentos, empresas de animação turística, assadores de leitão e parceiros locais, articulando, a nível regional e nacional, com instituições públicas e privadas ligadas ao vinho e ao território a promoção, dinamização e comercialização da Bairrada enquanto destino de excelência.

Fundamental para a solidez e abrangência do projeto foi a adesão dos oito municípios que integram o território da Bairrada – Anadia, Mealhada, Oliveira do Bairro, Cantanhede, Vagos, Águeda, Aveiro e Coimbra. Todos partilham uma identidade vitivinícola, gastronómica e cultural comum.

As portas de entrada e descoberta deste território situam-se nos dois espaços físicos da Rota da Bairrada, localizados na Curia e em Oliveira do Bairro. No verão, ergue-se, na praia da Vagueira uma loja pop-up, que se mantém aberta durante todo a época de estio.  Ali, os visitantes podem aprofundar o conhecimento sobre a região, a identidade vitivinícola, gastronómica e cultural, com o apoio de uma equipa especializada em enoturismo, capacitada para a criação de experiências personalizadas. Os Espaços Bairrada funcionam ainda como locais de ativação do território, promovendo o contacto direto com o vinho, através da compra de referências dos mais de 45 produtores ali representados, da participação em provas e degustações temáticas, da realização de dinâmicas sensoriais, como jogos de aromas e atividades de iniciação à prova, somando-se serviços de reservas de visitas a museus, caves e adegas ou de refeições nos restaurantes associados.

A abrangência da atividade estreita fronteiras e a Rota da Bairrada tem levado o nome da região mais longe, com a participação em feiras e eventos ligados a turismo, gastronomia e vinho em território nacional e fora de portas, colaborando em ações de promoção de carácter institucional, desenvolvendo conteúdos de promoção, aos quais alia a conceção e realização de eventos próprios ou em parceria com produtores, municípios e demais parceiros. M.F.

O Prémio Enoturismo do ano é patrocinado por: Turismo de Cascais

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

No Dão, às 17h00?

Dão

Até Outubro, as tardes de Sábado estão reservadas para uma nova iniciativa conjunta em torno do enoturismo. Chama-se “No Dão às 5h” e tem como objective invadir, de forma ordeira e munida de curiosidade, quintas desta região vitivinícola localizada no Centro do país, para explorar os bastidores e ouvir as histórias de quem faz vinho […]

Até Outubro, as tardes de Sábado estão reservadas para uma nova iniciativa conjunta em torno do enoturismo. Chama-se “No Dão às 5h” e tem como objective invadir, de forma ordeira e munida de curiosidade, quintas desta região vitivinícola localizada no Centro do país, para explorar os bastidores e ouvir as histórias de quem faz vinho neste território, onde a cultura e a paisagem acompanham o tempo, lado a lado.

De portas abertas para esta acção estão os seguinte produtores: Adega de Vila Nova de Tazem (comercial@adegatazem.pt / WhatsApp: 914 588 590), Quinta da Giesta – Boas Quintas (wines@boasquintas.com / WhatsApp: 935 739 898), Paço dos Cunhas (enoturismo.santar@1990.pt / WhatsApp: 915 351 558), Pedra Cancela (pedracancela@gmail.com / WhatsApp: 961 307 232), Soito Wines (winetourism@soitowines.com / WhatsApp: 963 034 140 ou 928 368 234), Taboadella (taboadellawinetourism@amorimfamilyestates.com / WhatsApp: 967 116 877) e Quinta do Gato (geral@quintadogato.pt / WhatsApp: 914 871 646). As visitas são gratuitas, com reserva prévia junto de cada propriedade, começam às 17h00 e têm duração entre 30 a 45 minutos.

Este movimento colectivo foi impulsionado pela Taboadella e assume-se como “uma plataforma aberta e agregadora, pensada para crescer ao longo do tempo e envolver um número crescente de agentes da região”, esclarece Luisa Amorim, CEO da Taboadella. Envolvidas estão ainda entidades institucionais, como a Comissão Vitivinícola Regional do Dão.

Dão
Quinta do Gato

PARQUE TERRA NOSTRA: O princípio do belo

TERRA NOSTRA

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à […]

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à ponte, logo após a entrada. Sabia que se trata de uma planta altamente resistente aos fungos? Do lado oposto, os tanques contíguos de água férreas ficam mais bonitos no estio, época em que os nenúfares preenchem de cor este curso hídrico.

Sem mais delongas, eis o momento de contemplação do tanque de água termal, pois a visita a este jardim centenário ficou refém do cronómetro. Caso contrário, teria ido a banhos em dia de chuva intermitente, proeza justificada pela temperatura da água, que oscila entre os 37 e 40º C. Avancemos! Pedro André Silva, o guia, chama a atenção para as majestosas araucárias, árvores que conferem o misticismo bucólico a este cenário, a par com o carvalho-roble plantado na década de 1780, além dos tulipeiros, com a floração a dar o ar da sua graça entre maio e julho. Ao fundo, está o Botania Hall, o alojamento complementar do Terra Nostra Garden Hotel, originalmente chamada de Yankee Hall e, mais tarde, de Casa do Parque.

Rumo às bromeliáceas, o percurso leva-nos parque adentro, com passagem próxima dos lagos situados numa cota mais baixa em relação à referida villa. Afinal, as Bromélias são uma das cinco coleções deste jardim secular. Nativas do sul da América, estas plantas estão numa pequena clareira recriada numa pequena elevação de terra, já que a irrigação não se faz através do solo, mas sim por meio das folhas, que retêm o orvalho. Desta mostra, faz parte o ananaseiro, que dá origem a um dos frutos mais famosos do arquipélago. Ao lado, o jardim de flora endémica e nativa dos Açores, que fazem parte da região da Macaronésia, representativo de uma exposição ancestral. Dois passos adiante, está a coleção de cycadales, constituída por 88 espécies exóticas. A origem remonta ao período Jurássico e não há como deixar de conquistar pela dupla de “fósseis vivos”, assim denominados, por não evoluírem há milhões de anos. Memorável é também a coleção de camélias, a qual fundamenta o título “Internactional Camellia Garden of Excellence” atribuído ao Parque Terra Nostra. As flores grandes, que vão do branco ao vermelho, passando por diferentes tons rosa, emprestam cor a este enorme jardim, onde uma ínfima parte do solo da alameda ladeada por 47 ginkgos preserva as folhas douradas destes gigantes da natureza.

O mirante, designado de O Açucareiro, devido à forma que ostenta, é outro dos lugares a constar na viagem. Dali são visíveis as esculturas zoomórficas esculpidas pelas mãos de Fernando Costa, o jardineiro chefe, com a destreza de um mestre. Sem, esquecer as grutas, onde o canal de água serpenteante remete para os passeios de outrora, em pequenas embarcações ao estilo britânico, o Vale dos Fetos, com duas centenas de espécies diferentes, duas das quais endémicas, ou o lago de águas vulcânicas, próximo da reta final da visita.

Muito ficou por explorar nesta viagem pelo Parque Terra Nostra, habitat de mais de 1.800 exemplares botânicos específicos distribuídos por 12,5 hectares, resultante de um trabalho iniciado há mais de 200 anos e firmado na preservação deste que é o mais belo refúgio da ilha de São Miguel, nos Açores.

TERRA NOSTRA

Parque Terra Nostra

Largo Marquês da Praia e Monforte, 9675-061 Furna, São Miguel, Açores

E-mail: terra.nostra@bensaude.pt

Tel.: 296 549 090

Bilhete geral: €17

Nota: Visitas histórias e botânicas são feitas por um valor adicional

 

BEST OF WINE TOURISM: O Roteiro de excelência

Enoturismo

No âmbito da rede internacional Great Wine Capitals, a Câmara Municipal do Porto passou a promover, a nível regional, a distinção dos melhores projectos de enoturismo nas regiões do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Trata-se dos Best Of Wine Tourism, que já vão na 24ª edição, abrangendo áreas como “Alojamento”, “Arquitectura e paisagem”, “Experiências inovadoras”, […]

No âmbito da rede internacional Great Wine Capitals, a Câmara Municipal do Porto passou a promover, a nível regional, a distinção dos melhores projectos de enoturismo nas regiões do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Trata-se dos Best Of Wine Tourism, que já vão na 24ª edição, abrangendo áreas como “Alojamento”, “Arquitectura e paisagem”, “Experiências inovadoras”, “Práticas sustentáveis em Enoturismo”, “Serviços de Enoturismo”, “Arte e cultura” e “Experiências gastronómicas”. Eis o ponto de partida para um roteiro de dois dias pelas duas regiões vitivinícolas acima referidas, para dar palco a cinco dos sete reconhecidos promotores, que se destacam pela capacidade de conciliar tradição e inovação, autenticidade e criatividade, bem como sustentabilidade e qualidade, tanto nas infraestruturas e nos serviços que disponibilizam, como no impacto positivo gerado no território e nas comunidades locais.

Enoturismo
Enoturismo Casa do Santo

 

O projecto de arquitectura da Casa do Santo Wine & Tourism cria diálogo entre a paisagem e a escala humana

 

Arquitectura sublime

A primeira paragem foi a Casa do Santo Wine & Tourism, localizada em Provesende, no concelho de Sabrosa, no Douro, galardoada na categoria “Arquitectura e Paisagem”. Esta distinção é mais do que um prémio, é um sinal dos tempos e, talvez, uma medida do que hoje se exige a quem constrói em territórios com história. Na mais antiga região demarcada do mundo, onde a beleza não foi desenhada num gabinete, mas lavrada pela mão do Homem ao longo de séculos, a arquitectura não pode chegar como quem impõe. É projetada por quem compreende que o lugar não é cenário, é organismo vivo.

Há edifícios que, com o devido respeito e inteligência, revelam a paisagem, funcionando como uma moldura silenciosa e a Casa do Santo Wine & Tourism impõe-se como uma espécie de manifesto que propõe um ensaio concreto sobre como habitar a paisagem sem a ferir. Afinal, um excelente projecto de arquitectura integrado não compete com a vinha, com o xisto, com a linha das encostas. Cria um diálogo harmonioso entre a paisagem e a escala humana, evitando o excesso e, ao mesmo tempo, oferece a panorâmica natural do lugar. No Douro, onde a luz muda a cada curva e o horizonte é sempre uma promessa, essa pertença é ética.

O desenho contemporâneo encontra aqui materiais que parecem ter surgido ali: a pedra confunde-se com muros antigos; a madeira envelhece com dignidade, as grandes superfícies envidraçadas enquadram a paisagem sem pudor. Lá dentro, a decoração é depurada, quase monástica e moderna, obrigando o olhar a deixar-se conquistar pelas vinhas e encostas, pelo horizonte.

Quando a arquitectura se integra, transforma-se em ponte, ligando o visitante ao território. Nesse sentido, a Casa do Santo Wine & Tourism surge como caso de estudo sobre o que o enoturismo pode ser quando assume a responsabilidade de se tornar um vector de requalificação do território. O projecto parece responder a uma pergunta tão simples quanto exigente: é possível construir sem dominar? Aqui, o visitante sente que não está numa “unidade turística”, mas num lugar em que o tempo se traduz num investimento, que nos faz sentir parte desta paisagem. Por isso, esta distinção importa. Porque um projecto bem inserido na paisagem é também um gesto de sustentabilidade, não apenas energética ou material, mas também cultural, pois preserva o património, o sentido do lugar, a identidade. Num tempo em que tantos destinos se parecem uns com os outros, a verdadeira inovação pode ser esta, a de criar sem ferir, acolher sem descaracterizar, modernizar sem apagar.

Em suma, a melhor arquitectura é aquela que perdura no tempo, como se estivesse estado sempre ali, como algo simultaneamente discreto e necessário. E quando isso acontece, não é só um edifício que vence, é o território que se afirma com dignidade e é o futuro que se constrói com memória.

 

O almoço na Quinta do Bomfim é o argumento exemplar de que a gastronomia está em sintonia com os vinhos

 

Inovação em profundidade

Da contemplação arquitectónica passei para a experiência e a mudança foi como atravessar uma porta dentro da própria região do Douro. A Vesúvio & Bomfim Experience, vencedora na categoria “Experiências Inovadoras em Enoturismo”, confirma uma tendência clara: hoje já não basta visitar, é preciso mergulhar. A distinção diz muito sobre a direcção que o enoturismo está a tomar e sobre o que o Douro pode oferecer quando se decide ir para além do óbvio.

A chegada à Quinta do Bomfim, no Pinhão, é, por si só, um primeiro gesto de imersão. Entra-se numa história longa, onde os socalcos traçam o rio, o rio desenha o tempo e a propriedade se organiza à volta dessa memória sedimentada. Mas criar experiências verdadeiramente inesquecíveis exige curadoria, ritmo, narrativa, detalhe. Exige uma hospitalidade que saiba conduzir sem apressar, explicar sem cansar, surpreender sem distrair.

É precisamente aqui que a Quinta do Bomfim se destaca. A inovação surge na forma como reconstrói a relação do visitante com a história do Vinho do Porto e com a própria ideia de “quinta do Douro”. O percurso pelas caves, pelos lagares e pelos espaços de trabalho é projectado como um relato coerente, em que passado, presente e futuro aparecem como camadas sobrepostas. Ou seja, a modernização tecnológica não apagou a tradição, apenas afinou a sua precisão, e essa perceção devolve origem ao vinho e contextualiza o que está no copo.

Quando uma experiência é verdadeiramente inovadora, consegue-se que o visitante não “consuma” o lugar, mas sinta que pertence a ele por instantes, como se o território, por um momento, o adoptasse. Na Quinta do Bomfim, essa pertença constrói-se de corpo inteiro: o passo na vinha, a textura do xisto, o vento que atravessa a encosta, o silêncio antes da prova, o aroma que chega antes do copo. A inovação manifesta-se na ligação entre cada elemento, através da interpretação do território. E quando o enoturismo interpreta bem, está a ensinar.

O almoço, que em outros contextos poderia ser apenas pausa, aqui é o argumento exemplar de que a gastronomia está em sintonia com os vinhos. Cada prato parece pensado para revelar uma textura, uma acidez, um tanino, como se a mesa fosse um laboratório de harmonias e a conversa fosse parte do terroir. Num tempo em que tantos destinos desafiam e chamam a atenção, o que distingue um lugar não é a quantidade de ofertas, mas a qualidade da experiência, e, acima de tudo, a capacidade de gerar memórias autênticas. Uma experiência imersiva é aquela que nos faz esquecer o relógio, que, dias depois, ainda nos devolve imagens, cheiros e emoções, como se o Douro permanecesse dentro de nós.

No fundo, a Vesúvio & Bomfim Experience simboliza uma viragem no enoturismo enquanto arte de contar histórias verdadeiras, e a distinção reforça a importância da experiência que persiste, como se de um grande vinho de tratasse: revela-se aos poucos, prolonga-se e deixa-nos melhores do que éramos antes de chegar. Adorei!

 

Na Quinta do Ventozelo sustentabilidade é responsabilidade, é a decisão de cuidar a paisagem

 

Sustentabilidade, uma forma de estar

Da emoção para a consciência, o périplo levou-me à Quinta do Ventozelo, localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira, premiada na categoria “Práticas Sustentáveis em Enoturismo”. Esta distinção confirma a ideia de que o Douro não existe futuro para o vinho, nem para o turismo, sem uma relação madura com a terra. Aqui, sustentabilidade é responsabilidade, é a decisão de cuidar a paisagem que confere a identidade deste território e garantir que a experiência de hoje não rouba a beleza de amanhã.

Durante a viagem, a estrada desenha curvas, como se estivesse a escrever à mão um poema sobre o Douro e, quando se entra na propriedade sente-se o acolhimento: um território amplo, mas organizado como um pequeno mundo coerente, onde cada escolha parece responder a uma pergunta: como permanecer sem esgotar? Num tempo em que o viajante procura cada vez mais significado, o enoturismo deixa de ser apenas visita e prova, para se tornar encontro com valores. E é precisamente aí que a Quinta do Ventozelo se afirma: em ancorar a hospitalidade no território, na cultura agrícola, no equilíbrio do ecossistema e no respeito pelas comunidades.

O projecto materializa a sustentabilidade em várias escalas. Há uma dimensão visível e imediata: a recuperação de edificações tradicionais, a forma como cada alojamento se encaixa na paisagem, a atenção aos materiais e à eficiência energética. Mas há também o cuidado com a biodiversidade, a gestão da água, a relação com as comunidades e as práticas agrícolas, que incidem no respeito pelo ritmo da natureza.

Um projecto sustentável não se mede apenas por técnicas e certificações, mede-se pela coerência entre o que se promete e o que se pratica. E, para ser transformadora, a sustentabilidade tem de ir além da eficiência: tem de gerar experiência. É nessa ponte entre ética e encantamento que nasce a evidência de que a paisagem é entendida como um sistema vivo e as práticas sustentáveis estruturam as experiências ao ritmo das estações. O visitante é convidado a entrar numa lógica de lugar, onde o conforto não apaga a origem e a experiência não se constrói à custa do território.

À mesa, os produtos locais ganham centralidade, como afirmação de um ecossistema que envolve vinhas, olivais, pomares e gentes. E à noite, a dimensão sensorial torna-se quase pedagógica, pois dormir na Quinta do Ventozelo “de forma celestial” não é retórica. A noite é verdadeiramente escura, o céu densamente estrelado e o silêncio tem peso. O lugar lembra, com uma simplicidade rara, que sustentabilidade é uma forma de estar.

Afinal, hoje, o luxo verdadeiro é poder estar num lugar que se mantém inteiro é poder viver uma experiência que não termina na partida, mas fica.

Dormir no coração da natureza

Já em plena região dos Vinhos Verdes, entra-se por um verde exuberante, onde as vinhas coexistem com vegetação mais espontânea, dando ao lugar um ar de refúgio, como acontece com a Quinta do Ameal. Vencedora na categoria “Alojamento”, esta propriedade localizada no Vale do Lima, confirma uma evidência do enoturismo contemporâneo: dormir bem é habitar o território. Num destino, onde a paisagem parece sempre recém-lavada pela luz e pela água, o alojamento de excelência transforma a visita num tempo prolongado, onde o vinho se torna uma experiência completa.

É nesse contexto que o alojamento mostra o seu verdadeiro alcance, oferece vista, tempo, cuidado e, com isso, prepara o visitante para uma relação mais profunda com o lugar. E, na Quinta do Ameal, essa proposta faz-se sem ostentação. O alojamento revela uma elegância afinada. Os espaços traduzem recolhimento, com os quartos a abrirem para o verde, salas a convidar à leitura, percursos a ligar o edificado ao campo. O contacto com a natureza é permanente.

A combinação de serviços de qualidade permite uma experiência memorável, com o bem-receber sem formalismos, o foco na mediação cultural e vínica, e a capacidade de desenhar percursos, provas e momentos que respeitam o ritmo de quem chega. Ou seja, no enoturismo, a excelência não está apenas no que se oferece, mas na forma como se conduz à descoberta.

 

A Quinta do Ameal prepara o visitante para uma relação mais profunda com o lugar

A Quinta do Ameal distingue-se ainda por fazer do património e da paisagem parte integrante da experiência, com a arquitectura, o jardim, a vinha e o rio a protagonizarem um diálogo, que convida o visitante a entrar na narrativa. A prova de vinhos confirma essa coerência e os vinhos expressam uma ideia muito concreta de lugar, com destaque para frescura, verticalidade, nervo. Não é apenas degustação, é também tradução de um território, que permite o visitante perceber a origem.

Neste contexto, importa sublinhar que, na Quinta do Ameal, se devolve profundidade ao simples através de um passeio entre vinhas, que ensina a ler o solo e o clima, de uma prova feita com tempo e explicação, um momento de mesa que respeita a origem dos produtos, uma conversa que liga o vinho às pessoas e à história. porque o enoturismo mais marcante é aquele que nos faz sentir parte de um lugar, nem que seja por uma noite.

 

Os serviços de enoturismo na Quinta da Torre são desenhados com um rigor quase cirúrgico

 

Hospitalidade em narrativa

O périplo terminou na Quinta da Torre, em Monção, na região dos Vinhos Verdes, vencedora na categoria “Serviços de Enoturismo”, uma distinção que serve de bandeira para um aspecto decisivo, mas tantas vezes

subestimado: o serviço não é um “extra”. É a arquitectura invisível do encontro entre o visitante e o território. Num mundo onde quase tudo é replicável, a excelência no enoturismo passa igualmente pela hospitalidade, definida pela capacidade de construir um produto turístico compósito, integrado, onde visitas, provas, loja, percursos, momentos de interpretação do território e eventuais ligações à gastronomia e à cultura, se organizam como capítulos de uma mesma narrativa. Porque o visitante não procura apenas “coisas para fazer”, procura uma história para viver e um lugar para explorar e compreender.

Na Quinta da Torre, essa narrativa tem uma base natural poderosa, a paisagem vínica. O desenho bucólico é beleza e identidade. É aqui que o serviço de excelência se torna indispensável, porque ensina a observar por meio de palavras apoiadas em cultura, conhecimento e continuidade. Os serviços de enoturismo na Quinta da Torre são desenhados com um rigor quase cirúrgico: percursos claros, informação consistente, uma equipa que combina conhecimento técnico com capacidade de tradução para linguagem acessível. Fala-se de castas, solos, microclimas, vinificação, mas sem o peso académico. Essa é uma forma rara de hospitalidade, sem impressionar com jargão, mas abrindo as portas para a curiosidade.

Por isso, criar experiências inovadoras aqui não significa encher o programa de novidades artificiais. Significa desenhar momentos bem orientados, onde cada etapa – acolhimento, percurso, prova, conversa, despedida – denota intenção e qualidade. Há, ainda, uma dimensão ética nesta excelência: um serviço bem pensado valoriza o trabalho de quem produz, respeita o território e contribui para uma economia local mais justa, criando uma relação equilibrada entre o que se oferece e o que se recebe.

O fecho da visita confirma tudo isto com uma imagem que prevalece, o piquenique entre vinhas, que funciona como síntese poética da experiência sob o céu azul, com a casta Alvarinho no copo, em que o vinho deixa de ser apenas bebida, tornando-se mediação entre o ser humano e o território. Na verdade, a Quinta da Torre lembra-nos que a paisagem, por mais deslumbrante que seja, precisa de uma intervenção favorável para se tornar inesquecível. A vinha pode ser um quadro de prazer, mas o serviço exemplar combina beleza, rigor e hospitalidade, transformando o enoturismo numa vivência, a prova em compreensão, o prazer em pertença.

Enoturismo
Quanta Terra, no Douro

Epílogo: uma reportagem que foi uma aula prática

No papel, estes dois dias poderiam ser descritos como um roteiro por vencedores regionais dos Best Of Wine Tourism. Mas, como visitante, fiquei com a sensação de que cada lugar respondeu a uma pergunta fundamental: como pode o enoturismo honrar a paisagem, valorizar a comunidade e, ao mesmo tempo, tocar quem visita?

A Casa do Santo Wine & Tourism mostra que a arquitectura pode ser um ato de humildade. A Quinta do Bomfim prova que inovar é reinterpretar a memória. A Quinta do Ventozelo ensina que sustentabilidade é ética. A Quinta do Ameal demonstra que o alojamento pode ser um retiro espiritual do quotidiano. A Quinta da Torre confirma que o serviço, quando bem pensado, é hospitalidade intelectual.

No final, ficou a sensação de que esta viagem não foi apenas reportagem, nem tão somente turismo. Foi uma aula prática sobre tempo, cuidado, limite e pertença. E talvez seja essa, no fundo, a maior distinção que um destino enoturístico pode receber.

Enoturismo
Restaurante Pedro Lemos, no Porto

Menções honrosas

Ainda a respeito dos vencedores da 24.ª edição dos Best Of Wine Tourism, ficaram de fora deste registo a Quanta Terra, localizada em Favaios, bem como Pedro Lemos, o restaurante do chef homónimo, situado na cidade do Porto, distinguidos, respectivamente, nas categorias “Arte e cultura” e “Experiências Gastronómicas. Além desta lista, o júri atribuiu menções honrosas a projectos que se evidenciam pela consistência e contributo ao dinamismo do enoturismo regional, destacando a Quinta da Vacaria e a Quinta de São Luiz, na categoria “Alojamento”, a Adega H.O, em “Arquitectura e Paisagem”, a Quinta da Aveleda, em “Arte e Cultura”, a Quinta do Crasto, em “Experiências Gastronómicas”, a Quinta da Casa Amarela e a Marma Slow, em “Experiências Inovadoras em Enoturismo”, a Quinta do Seixo, em “Práticas Sustentáveis em Enoturismo”, e a Quinta de Santa Cristina, em “Serviços de Enoturismo”.

A Câmara Municipal do Porto sublinha que esta iniciativa integra uma estratégia mais ampla de promoção e desenvolvimento do Douro vinhateiro e da região dos Vinhos Verdes, assumindo o enoturismo como um pilar estratégico para a afirmação internacional do destino. Sobre a classificação, a autarquia reforça o posicionamento do Porto, Douro e Vinhos Verdes como destinos de excelência no panorama internacional que elevam a qualidade da oferta e consolidam a ligação entre vinho, território e cultura.

 

(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)