Adega23: A visão de Manuela

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O trocadilho é quase irresistível, uma vez que a proprietária da Adega23 é médica oftalmologista. Mas resume bem o que aconteceu em Sarnadas do Ródão, região da Beira Interior: Manuela Carmona teve uma visão e concretizou-a. Com […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O trocadilho é quase irresistível, uma vez que a proprietária da Adega23 é médica oftalmologista. Mas resume bem o que aconteceu em Sarnadas do Ródão, região da Beira Interior: Manuela Carmona teve uma visão e concretizou-a. Com enologia de Rui Reguinga, os vinhos estão prestes a sair para o mercado. E a adega capta os olhares de quem circula na A23.
TEXTO Luís Francisco
FOTOS Ricardo Palma Veiga
É verdade que do sonho nasce a obra, mas há casos em que a obra supera o próprio sonho. Que o diga Manuela Carmona, médica oftalmologista, que um dia sonhou ter uma vinha e fazer vinho na terra dos seus avós, Sarnadas de Ródão, concelho de Vila Velha de Ródão. “A minha ideia inicial era uma coisa pequena, um hectare ou assim…”, confessa, na sua novíssima adega forrada a cortiça e pairando sobre quase 12 hectares de vinha nova, mesmo à beira da A23. Que inspirou o nome deste projecto: Adega23. Os primeiros vinhos estão agora a sair para o mercado.
Estamos nos limites meridionais da região vitivinícola da Beira Interior, bem mais perto das primeiras vinhas do Alentejo – ali ao lado, na serra de São Mamede – do que de qualquer outro projecto beirão… “Somos o único produtor entre o Tejo e a Gardunha. As pessoas estão muito curiosas e a população local entusiasmada! E isso deixa-me muito feliz. Porque o principal objectivo é fazer o melhor vinho possível, mas também trazer algo de bom à terra.”
Manuela, 56 anos, nasceu em Castelo Branco, a sua família é de Sarnadas e esta filha da terra a boa casa tornou. Bom, por enquanto em part-time, que a medicina continua a tomar-lhe a maior fatia do seu tempo. Ainda assim, adivinha-se a altura em que a balança penderá para os vinhos… Pelo brilho nos seus olhos, mas também pela qualidade e dimensão da infra-estrutura criada, uma adega que vai abrir-se ao enoturismo e de onde sairão, nesta fase, 30.000 garrafas por ano.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”flickity_style” images=”27638,27646,27639″ flickity_controls=”pagination” flickity_desktop_columns=”1″ flickity_small_desktop_columns=”1″ flickity_tablet_columns=”1″ flickity_box_shadow=”none” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”O dedo do enólogo” title_align=”separator_align_left” align=”align_left”][vc_column_text]A enologia está a cargo de Rui Reguinga, um enólogo com projectos na Beira mais setentrional e na serra de S. Mamede, que daqui se avista tão bem (já agora, do alto da adega também a Serra da Estrela é visível…). A matéria-prima provém de vinhas plantadas entre 2014 e 2015 em solos pedregosos (xisto), nalgumas parcelas com alguma argila, a meia-encosta e com exposição dominante Sul-Poente. Sob a sua orientação, foram escolhidas nove castas, quatro de uvas brancas e cinco de tintas. Entre as brancas, contam-se Arinto, Síria, Verdelho e Viognier; nas tintas há Alicante Bouschet, Aragonez, Touriga Nacional, Rufete e Syrah. Resumindo: castas que se dão bem no norte do Alentejo, e duas com raízes beirãs (Síria e Rufete), que dão “o carácter local”, assume o enólogo.
A ideia é fazer lotes – o branco (quatro castas) e o rosé (Aragonez e Rufete), que agora vão ser lançados, são o resultado dessa filosofia, bem como o tinto que sairá dentro de alguns meses. “Mas não descartamos a hipótese dos monocastas, se der para isso”, esclarece Reguinga, que idealizou a adega de forma a poder trabalhar em pequenas vinificações. Há depósitos em inox de 1.500 e 2.500 litros para os brancos; lagares, troncocónicas, cubas em inox e (em breve) balseiros em madeira para os tintos. “Os primeiros dois anos são vindimas de experiências, até porque eu tenho muitos anos disto, mas não nesta zona. Com estas instalações podemos vinificar separadamente as castas e até as parcelas, para ficarmos com uma ideia mais definida do que cada uma dá.”
Nesta primeira vindima, a de 2017 (toda feita entre as 6h e as 10h da manhã, com mão-de-obra voluntária da região), o enólogo destaca os bons resultados da Rufete e da Síria, bem como da Syrah, embora esta sem surpresa, uma vez que “se dá bem em todo o lado”. As vinhas tintas ficam situadas nos declives mais acentuados, as brancas em zonas mais planas – para quem segue para norte na A23, as brancas ficam à direita, as tintas à esquerda, junto ao edifício da adega.
Esta destaca-se bem na paisagem e está a transformar-se num dos ícones da região. O projecto, do atelier Rua, assenta numa planta rectangular (aproveitando a área antes ocupada por um pavilhão agrícola) e destaca-se pelo revestimento em cortiça e pela cinta metálica do anel exterior, que brilha sobre a paisagem com o sol da tarde em tons de dourado e com iluminação artificial à noite. É impossível passar na A23 e não dar com o edifício. E dar com ele é meio caminho andado para o visitar, porque a saída da auto-estrada é mesmo ali ao lado… Manuela Carmona quis que a adega dispusesse de espaços sociais generosos e está a decorá-los com gosto, apostando claramente no enoturismo. Na região, repete-se, não há mais nada assim.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”flickity_style” images=”27640,27645,27647″ flickity_controls=”pagination” flickity_desktop_columns=”1″ flickity_small_desktop_columns=”1″ flickity_tablet_columns=”1″ flickity_box_shadow=”none” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”A vinha do avô” title_align=”separator_align_left” align=”align_left”][vc_column_text]Vinhas sempre houve, e continua a haver. Pequenas, quase sempre limitadas à bordadura dos terrenos, porque as regras impostas pelo regime do Estado Novo colocaram esta região fora do mapa vínico. Na sua família, Manuela sempre teve gente que cultivava videiras e fazia vinho, mas em pequenas quantidades e apenas como ocupação de fim-de-semana. Quando, em 2010, na “ressaca” da sua passagem pela presidência da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, sentiu a necessidade de respirar fundo e “mudar de ares”, quis voltar a fazer vinho na velha vinha do avô.
Mas os estragos provocados pelos veados e javalis já eram irreversíveis e os planos adaptaram-se a essa nova realidade. Procurou uma propriedade onde fosse mais difícil a vida selvagem vir a causar problemas – e encontrou-o nas margens da A23. A seguir percebeu que só valia a pena apostar numa adega bem equipada e com padrões ambiciosos de qualidade se a operação tivesse alguma dimensão. Finalmente, deixou-se seduzir pelo mais arrojado dos três projectos arquitectónicos que lhe foram apresentados para a adega.
O resultado aqui está: quase 12 hectares de vinha e um edifício “muito importante para a auto-estima desta região do interior”. Manuela frisa este ponto com mal disfarçado orgulho: “Veio mostrar que aqui se podem fazer projectos de qualidade.” Pessoalmente, isto é também o reflexo da sua filosofia de vida, assente na ideia de que “é preciso ter objectivos e enfrentar os desafios”. A missão não está cumprida e há novos episódios prometidos para breve, como a abertura ao enoturismo a tempo inteiro ou a plantação de mais três hectares de vinha, nos terrenos ainda disponíveis. Mas, por agora, chegou a altura de o vinho falar por si.
A primeira edição do branco (13.500 garrafas) e do rosé (2.500) vai ser apresentada nas próximas semanas, o tinto (outras 13.500 garrafas) verá a luz do dia mais lá para o Outono. O engarrafamento recente levou Rui Reguinga a adiar uma prova formal, mas pelo que já se pôde saborear (à refeição), os vinhos são ambiciosos e têm carácter. E de outra maneira não poderia ser, dada a faixa de preço (acima dos 10 euros) onde se querem inserir. Para já, produtora e enólogo destacam a grande curiosidade que os vinhos Adega23 estão a despertar. “Fiz as primeiras vendas há mais de um ano, ainda nem havia vinho…”, confessa Manuela.
Edição Nº14, Junho 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][/vc_column][/vc_row]
CVR Beira Interior tem novo presidente

O nome é Rodolfo Queirós e não é, de todo, desconhecido. A trabalhar na CVR BI desde 1999, Rodolfo foi director técnico da Comissão Vitivinícola e coordenador da câmara de provadores, sendo-lhe reconhecida a grande dedicação à região e o dinamismo que imprimiu na promoção dos vinhos da Beira Interior. Sucede, agora, a João Carvalho, […]
O nome é Rodolfo Queirós e não é, de todo, desconhecido. A trabalhar na CVR BI desde 1999, Rodolfo foi director técnico da Comissão Vitivinícola e coordenador da câmara de provadores, sendo-lhe reconhecida a grande dedicação à região e o dinamismo que imprimiu na promoção dos vinhos da Beira Interior. Sucede, agora, a João Carvalho, que ocupou o lugar desde 2011.
Rodolfo Queirós é licenciado em Engenharia Agrícola pela Escola Superior Agrária de Viseu, com Pós-Graduação em Marketing de Vinhos da Escola Superior Agrária de Ponte de Lima. É também detentor do Nível 3 do Wine & Spirit Education Trust (WSET). Recentemente, tornou-se formador no Curso de Escanção (Atlas do Mundo dos Vinhos) no Turismo de Portugal.
Beira Interior Vinhos & Sabores, a descoberta de uma região de excelência

Texto: Mariana Lopes Fotos: PLIM Produções/CVRBI A Beira Interior não é hoje a região que era há alguns anos. As características únicas que lhe conferem grande potencial e que a distinguem das demais, desempenharam, nas últimas duas décadas, um papel de extrema importância na evolução da qualidade dos vinhos: a altitude, sendo uma das zonas […]
Texto: Mariana Lopes
Fotos: PLIM Produções/CVRBI
A Beira Interior não é hoje a região que era há alguns anos. As características únicas que lhe conferem grande potencial e que a distinguem das demais, desempenharam, nas últimas duas décadas, um papel de extrema importância na evolução da qualidade dos vinhos: a altitude, sendo uma das zonas vitivinícolas de Portugal que mais trabalham em vinhos de cotas altas; as castas tradicionais, das quais se destacam as brancas Síria e Fonte Cal e a tinta Rufete; as vinhas velhas, que têm aqui uma percentagem maior do que nas outras regiões; e o clima continental interior com invernos frios e verões quentes, de grandes amplitudes térmicas, o que favorece não só a agricultura biológica, mas também a obtenção de frescura nos vinhos. Também o lote clássico branco de Síria, Fonte Cal e Arinto origina vinhos muito longevos, com excelente estrutura ácida e algum corpo, cheios de sabor. É a junção destas especificidades que tornam a Beira Interior num diamante em bruto, que está a ser esculpido aos poucos. Uma coisa é certa, a qualidade está lá, só falta ser descoberta.
Foi esse o objectivo da Comissão Vitivinícola da Beira Interior ao organizar, com o Município de Pinhel e pelo quarto ano consecutivo, o evento Beira Interior – Vinhos & Sabores.

De 16 a 18 de Novembro, 53 expositores, 28 de empresas produtoras de vinho e os restantes de outras iguarias gastronómicas regionais, como as cavacas, os frutos silvestres, o azeite, as compotas, os queijos e os enchidos, estiveram à disposição dos visitantes. Foram nomes como 2.5 Belmonte, Adega Cooperativa de Pinhel, Quinta dos Currais, Casca Wines, Quinta dos Termos, Aforista, Rui Roboredo Madeira, Quinta do Cardo, Almeida Garrett Wines, Casas Altas, Adega 23, Quinta do Folgado, e outros mais. Também um “cantinho” de vinhos Kosher fez parte da feira.

Além de vários workshops de culinária, do seminário “Vinho, elemento de desenvolvimento regional”, e de outras actividades, houve quatro provas comentadas: “As potencialidades dos vinhos da casta Síria”, por Luís Lopes, director da Grandes Escolhas; “Rufetes da Sierra de Salamanca e da Beira Interior”, orientada por Miquel Udina Argilaga, director DOP Sierra de Salamanca, e Rodolfo Queirós, director da CVR B.I.; “Os Tintos da Beira Interior”, por João Afonso, redactor da Grandes Escolhas; e “As Sub-regiões da Beira Interior”, dirigida pela enóloga Patrícia Santos. Paralelamente, foram três as empresas visitadas pela Grandes Escolhas e por outros jornalistas, uma por cada sub-região (Pinhel, Castelo Rodrigo e Cova da Beira), Adega Cooperativa de Pinhel, Rui Roboredo Madeira e Adega23.
Um dos maiores destaques do evento foi o concurso Escolha da Imprensa, no qual um grupo de 8 jornalistas e opinion makers do sector elegeu, numa prova cega, aqueles que considerou serem os seus favoritos da região. Estes foram os vinhos premiados:
BRANCOS
Grande Prémio Escolha da Imprensa
Marquês d’Almeida Beira Interior Grande Reserva 2016Prémio Escolha da Imprensa
Beyra Quartz Beira Interior Reserva 2017
Quinta do Cardo Vinha Lomedo Beira Interior Síria 2015
Adega 23 Primeira Colheita Terras da Beira 2017
Entre Vinhas Beira Interior Reserva 2017
Monte Barbo Terras da Beira Malvasia Fina 2017
Quinta do Ministro Terras da Beira 2017
Almeida Garrett Beira Interior Chardonnay 2017
Monte Cascas Beira Interior Síria e Fonte Cal 2017TINTOS
Grande Prémio Escolha da Imprensa
Pinhel Celebração 65º Beira Interior Reserva 2015Prémio Escolha da Imprensa
Quinta dos Termos Beira Interior Alfrocheiro Reserva 2015
Almeida Garrett Beira Interior Reserva 2015
Rui Roboredo Madeira Beira Interior 2015
Quinta da Caldeirinha Beira Interior Cabernet Sauvignon 2014
Aforista Beira Interior Reserva 2014
Alpedrinha Beira Interior
A Beyra de Rui Madeira

Do Mundo para o Douro, do Douro para a Beira Interior. O percurso de Rui Roboredo Madeira é internacional, tecnológico e inovador. Mas também tem um lado clássico, e esse está na Beyra, com os “Vinhos de Altitude”. TEXTO Mariana Lopes FOTOS Anabela Trindade Desde o estágio na espanhola Codorníu ao título italiano de Provador Profissional […]
Do Mundo para o Douro, do Douro para a Beira Interior. O percurso de Rui Roboredo Madeira é internacional, tecnológico e inovador. Mas também tem um lado clássico, e esse está na Beyra, com os “Vinhos de Altitude”.
TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Anabela Trindade
Desde o estágio na espanhola Codorníu ao título italiano de Provador Profissional de Azeites, passando pela consultadoria enológica da Perdomini na Argentina e na África do Sul e acabando no Douro, com a fundação de uma empresa de inovações na área da enologia (Wine Tech Solutions), pelo meio. Rui Madeira passou de lançar os primeiros vinhos e azeites da quinta da família no Douro Superior, Casa Agrícola Roboredo Madeira (CARM), a criar a sua empresa de projectos pessoais, actualmente com nome Rui Roboredo Madeira – Vinhos do Vale do Douro (vinhos Castello D’Alba e Quinta da Pedra Escrita), e a encetar a aventura Beyra, tudo num período de 12 anos.
Foi em 2011 que começou a reconstruir uma adega na Vermiosa, em Figueira de Castelo Rodrigo, onde em 1987 fez a sua primeira vindima, edifício que deu corpo ao novo empreendimento vitivinícola. É certo que até aí estava exclusivamente focado no Douro, mas o “bichinho”, que sempre teve, dos vinhos de altitude, levou-o a aceitar a oportunidade que surgiu na Beira Interior. Assim, a cerca de 750 metros de altitude, plantou dez hectares de vinha, seis de uvas brancas (Alvarinho, Fonte Cal e Moscatel) e quatro de castas tintas (Jaen e Pinot Noir), e a essas videiras pode chamar suas, enquanto mantém mais cem hectares em regime contratual. Os solos, de natureza granítica e xistosa, têm na sua constituição laivos de quartzo, o que, segundo Rui Madeira, origina “melhor insolação devido à reflexão da luz solar pelo quartzo, o que favorece as maturações”.
O seu objectivo com os vinhos Beyra é bastante díspar do trabalho que faz no Douro. Se os seus vinhos durienses são mais modernos, na Beira Interior procura fazer o mais clássico possível: “Tentar reflectir no vinho aquilo que é a região em absoluto”, diz Rui Madeira. “A Fonte Cal é a minha preferida para fazer brancos mais ambiciosos”, contou o enólogo, explicando também que a eleita para os melhores tintos é a Tinta Roriz. Os vinhos tintos, fermentados em betão, estagiam em barricas de carvalho e os brancos, que começaram por incluir madeira no processo, são agora “unoaked”.
Em 2017, a produção total do universo Beyra foi de 350 mil garrafas (no Douro, mais de um milhão e meio) e “o objectivo é chegar a meio milhão”, adiantou Madeira. Desse número, 40% é exportado, com os Estados Unidos a representarem o mercado número um.
Vinhos novos, saberes antigos
As primeiras sete novidades de 2018 já estão no mercado. O Beyra branco 2017, de partes iguais de Síria e Fonte Cal, junta-se ao Beyra tinto 2016, feito maioritariamente de Tinta Roriz e 25% de Jaen, para formar a frente de entrada. Também há rosé, mas à data da prova ainda não estava pronto para ser lançado. Depois, os Beyra Reserva branco e tinto de 2016, sendo que o primeiro tem na sua origem vinhas velhas de Fonte Cal, Síria e Rabo de Ovelha, e o segundo nasce de 80% de Tinta Roriz e Jaen com estágio de oito meses em barricas novas de carvalho francês e americano. Uma atractiva curiosidade é o Beyra Altitude Riesling 2016. São 6300 garrafas de um branco diferente, com leve doçura, que estagia em garrafa cinco meses.
O Beyra Grande Reserva tinto 2015 é coisa séria, de Tinta Roriz e Touriga Nacional, estagiando um terço em barricas novas, outro terço em madeira de dois anos de idade e o resto de três anos, durante doze meses. Nas cubas de betão faz a maceração, é sujeito à “delestage”, técnica clássica que consiste em extrair os componentes fenólicos gentilmente através da oxigenação, para reduzir a concentração de taninos e aumentar a de ésteres, elemento chave para um carácter frutado.
Finalmente, o vinho Rui Roboredo Madeira tinto 2015 que, palavras do enólogo, “é um vinho das melhores colheitas da Beira Interior, em que a altitude em anos quentes permite combinar frescura e acidez com grande concentração”. Tem Tinta Roriz (90%) e Touriga Nacional e estagia durante três anos, dois em barricas francesas e americanas e um em garrafa. Com apenas 3929 garrafas, é um vinho bem ao estilo “Rioja clássico”, em que a madeira nova está bem presente e a elegância ainda mais…
Curso de Escanção na Beira Interior aberto a inscrições

Numa parceria entre a Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre e a CVR da Beira Interior, a Guarda vai receber o primeiro Curso de Escanção desta região, a começar no final de Setembro de 2018, no Solar do Vinho da Beira Interior. Com um alinhamento bastante completo, este curso terá um total de 300 […]
Numa parceria entre a Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre e a CVR da Beira Interior, a Guarda vai receber o primeiro Curso de Escanção desta região, a começar no final de Setembro de 2018, no Solar do Vinho da Beira Interior.
Com um alinhamento bastante completo, este curso terá um total de 300 horas, divididas por 9 módulos, com previsão de finalização em Abril de 2019. As áreas de formação passam por Viticultura e Enologia, Iniciação aos Mecanismos da Prova, Regiões Vinícolas, Serviço de Vinhos, Atlas e Vinhos do Mundo I, Atlas e Vinhos do Mundo II, Serviço de bar, Enogastronomia e Beverage Cost. O grupo de formadores conta com João Afonso, Fernando Melo, Mário Andrade, Rodolfo Queirós e Ricardo Dias para orientar este curso que habilitará os participantes para o exercício da profissão de sommelier, com certificado incluído.
Inscrições e mais informações para os contactos ricardo.dias@escolas.turismodeportugal.pt ou rodolfo@cvrbi.pt.
