DUORUM: Tributo à “família” de vinhos

Foi com a vindima de 2025 que se inaugurou a nova adega da empresa, situada em Foz Côa. Até então, as uvas eram vinificadas em adega alugada, em Ervedosa. São muitas as vantagens: maior proximidade em relação à Quinta de Castelo Melhor, o epicentro do projeto, mais disponibilidade de mão-de-obra, que não está sujeita a […]
Foi com a vindima de 2025 que se inaugurou a nova adega da empresa, situada em Foz Côa. Até então, as uvas eram vinificadas em adega alugada, em Ervedosa. São muitas as vantagens: maior proximidade em relação à Quinta de Castelo Melhor, o epicentro do projeto, mais disponibilidade de mão-de-obra, que não está sujeita a deslocações, com a poupança que daí advém, e painéis solares e ETAR de última geração, com a reciclagem monitorizada por TV. Nesta adega recebem ainda as uvas que compram para a marca Tons de Duorum.
Com espaço para crescer se necessário e com boas vias de acesso, a adega é funcional, cumprindo todos os requisitos, à excepção do engarrafamento, assunto sempre melindroso para João Portugal Ramos, que não entende a proibição de se fazer os engarrafamentos em Estremoz, onde a empresa tem todas as condições para efectuar esta tarefa. São as regras da Denominação de Origem. O enoturismo, a desenvolver, será na Quinta de Castelo Melhor, com apiário e onde as preocupações ambientais são uma constante, ou não houvesse o registo de um grande aumento das espécies locais, “mais do dobro do que quando começámos”, relembra João Portugal Ramos. A actividade turística poderá incluir mesmo alguns quartos bem perto do rio Douro, junto à antiga linha de comboio.
Mudanças no perfil
É na marca Duorum Colheita que mais se aposta. Esta já representa cerca de 200 000 garrafas, enquanto a Tons anda pelas 600 000. A finalidade é ir invertendo gradualmente estes números, com o intuito de crescer no Colheita. O tinto Reserva representa cerca de 15 000 garrafas e o topo de gama O. Leucura fica-se pelas 3000. O portefólio inclui igualmente as marcas Altitude, Vinha dos Muros e Vinha das Abelhas. Mas o filho, João Maria Ramos não quer alargar mais, porque “na distribuição é muito complicado estar sempre a inovar, não se consegue criar marca dessa forma”.
Aos comandos da enologia, João Perry Vidal reconhece que muito mudou desde o início do projecto – cresceram em importância algumas castas, como a Alicante Bouschet e a Sousão, e mudou-se um pouco o perfil dos tintos, apontando para vindimas mais antecipadas (alguma já mecânica), mais maceração pré-fermentativa, por forma a obter mais elegância e menos álcool. Reconhece que “nos Reserva e nos vinhos especiais poderá haver mais maceração, para maior extracção de taninos”.
Por outro lado, “ainda não nasceu o nosso grande branco, mas estamos a trabalhar no assunto. Aqui na zona há boas vinhas velhas e muita gente quer nos fornecer uvas”. Entretanto, foi descartado a Viosinho que, por aqui, não dava grande resultado, tal como a Verdelho. As duas variedades são adquiridas agora na sub-região do Cima Corgo. Códega do Larinho? “Também temos”, diz-nos, “mas ainda não nos convenceu totalmente. A aposta é sobretudo em Arinto, Rabigato e Gouveio. Depois há as castas de tempero”, acrescenta.
O tinto O. Leucura é muito atractivo para consumidores brasileiros, que o adquirem na loja do aeroporto
Boas novas no portefólio
Dos vinhos provados de novo e, dos que foram revisitados, há notas a tomar. Nas novidades há que dizer que sobre o Reserva tinto se fizeram 14 666 garrafas. É um tinto que tem origem em uvas de vinhas velhas, algumas com 50 anos; após a fermentação e 18 dias de cuvaison, estagia em barrica (70% nova).
O ex-libris da empresa, O. Leucura, apenas foi editado em anos especiais – 2008, 2011, 2012, 2015 e agora 2017. Segundo o produtor, há três colheitas em cave à espera de decisão, sendo que há a vontade de repetir este intervalo de espera entre a colheita e o lançamento, tal como se fez nesta edição. Comparando com as anteriores, percebe-se que o objectivo é fazer um tinto com uvas colhidas mais cedo, menos macerado na fermentação, mais elegante e fino, seguindo as tendências do gosto. Curiosamente é um tinto bem aceite, sobretudo no mercado interno e por consumidores brasileiros, que o adquirem na loja do aeroporto.
No próximo ano, em jeito de comemoração dos 20 anos do projecto, tenciona lançar um Porto Colheita 2007, entrando, deste modo, no “universo tawny” de que estavam arredados até agora.
Já ao almoço revisitaram-se vários vinhos: Duorum 2012 em magnum, Vinho dos Muros brancos 2023 e 2024. No final, o Porto Vintage 2011 (para mim um dos grandes vintages dessa declaração clássica) foi servido em magnum e mostrou-se perfeito na concentração e no perfil denso, muito especiado, com anos e anos pela frente.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
Duorum: a primeira vindima na nova adega

Construída de raiz em Vila Nova de Foz Côa, na sub-região do Douro Superior, sob o pilar da sustentabilidade, a nova adega pertencente ao Grupo João Portugal Ramos Vinhos, está pronta para abrir as portas às uvas vindimadas este ano, na Quinta de Castelo Melhor. De acordo com os parâmetros estabelecidos no âmbito da eficiência […]
Construída de raiz em Vila Nova de Foz Côa, na sub-região do Douro Superior, sob o pilar da sustentabilidade, a nova adega pertencente ao Grupo João Portugal Ramos Vinhos, está pronta para abrir as portas às uvas vindimadas este ano, na Quinta de Castelo Melhor.
De acordo com os parâmetros estabelecidos no âmbito da eficiência energética, contexto extensível à selecção de materiais de construção, foram instalados painéis fotovoltaicos na cobertura desta nova unidade de produção dos vinhos da Duorum, com o propósito de fomentar a produção de grande parte da energia consumida. A cave para estágio do vinho em barricas está semi-enterrada, de modo a ficar protegida da luz solar e, simultaneamente, manter os níveis de temperatura e de humidade apropriados. A cobertura, em betão armado pré-fabricado, será ajardinada, por forma a contribuir para o controlo da temperatura do edifício. A nova adega será dotada ainda de uma ETAR monitorizada, que permitirá o tratamento das águas a serem reutilizadas na lavagem do pavimento e na rega.
Duorum: Dos varietais aos vinhos de vinha

Passaram décadas de percurso profissional desde 1980, quando João Portugal Ramos iniciou a sua carreira no Alentejo como enólogo, e desde que plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, em 1995, quando arrancou com o projecto próprio. A expansão para norte começou com a entrada na Quinta da Foz de Arouce, fundada pelo […]
Passaram décadas de percurso profissional desde 1980, quando João Portugal Ramos iniciou a sua carreira no Alentejo como enólogo, e desde que plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, em 1995, quando arrancou com o projecto próprio. A expansão para norte começou com a entrada na Quinta da Foz de Arouce, fundada pelo seu sogro, na Beira Baixa, em 2005. Em 2007 a dupla João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco deu largas à sua ambição de fazer algo marcante no Douro Superior. E assim nasceu o Duorum, “de dois”, em latim. Soares Franco deixou há algum tempo o projecto, mas este continua fiel à sua matriz inicial.
Duorum é um projecto pensado e feito de raíz. Para compor com vinha a quinta de Castelo Melhor, em Foz Côa, foram precisas 92 escrituras. As vinhas estão localizadas no Douro Superior e hoje também no Cima Corgo, em diferentes altitudes, desde a cota do rio com 150 m até 550 m. Incluem 60 ha de vinha própria, mais 50 ha de vinha arrendada e a Duorum ainda compra uva de mais cerca de 10 ha.
“O Douro é uma região muito difícil, com muita concorrência, mas acreditámos no projecto e está para durar” – afirmou João Portugal Ramos no lançamento das últimas novidades.
Em 2012, a Duorum foi a primeira empresa no Douro a aderir à Iniciativa Europeia Business & Biodiversity. O grupo J. Portugal Ramos desenvolveu um modelo de gestão que respeita a biodiversidade, permitindo a preservação e melhoria dos habitats naturais nas suas propriedades e adoptou medidas de desenvolvimento sustentável, incluindo a Produção Integrada e Produção Biológica. Como resultado desta política ambiental, em 2015 a Duorum recebeu o prémio de “Melhor projeto europeu de desenvolvimento rural sustentável, que consegue simultaneamente preservar a paisagem e biodiversidade, promovendo a cultura e economia do espaço rural”. E neste ano de 2024, segundo João Portugal Ramos, as suas propriedades bateram o recorde de novas espécies no local.
As novidades
No Alentejo, João Portugal Ramos produz, com muito sucesso, vários vinhos de vinha. No Douro este é o primeiro. Trata-se de uma parcela de Arinto e Gouveio, situada a 500 m de altitude, limitada pelos muros antigos de xisto que protegiam a vinha, que foram restaurados. O Arinto é mais incisivo na acidez e o Gouveio, mais aromático, dá-se muito bem naquela zona. Já tentaram fazer este vinho vários anos e só em 2023 “atingiram o perfil pretendido”. Depois de maceração a frio por 12 horas, para extrair a parte aromática, seguiu-se a fermentação em inox. O estágio decorreu parcialmente (25%) em barricas de carvalho francês de 2º e 3º ano para conferir complexidade ao vinho. Dá um enorme prazer de beber já e tem tudo para evoluir com tempo. Foram produzidas 3.300 garrafas.
O primeiro contacto que João Portugal Ramos teve com a Touriga Franca foi por influência de José Maria Soares Franco. É hoje a casta mais plantada na quinta, onde representa 30% do encepamento. Não exibe tantos aromas quanto a Touriga Nacional, mas tem volume e estrutura. Vinificada sempre à parte, desta vez valeu a pena engarrafar a Touriga Franca a solo. As uvas desengaçadas vão para um lagar robotizado, onde passam a maceração pré-fermentativa a frio e, quando começa a fermentação alcoólica, o mosto é transferido para cubas de inox onde acaba a fermentação. Estagia nove meses em barricas de carvalho francês de 2º e 3º ano. Um belo exemplo da casta, que nem sempre tem protagonismo na sua terra de origem, e de que fizeram 6.600 garrafas. No conjunto, dois belos vinhos, um branco e um tinto, que marcam a entrada da Duorum nos varietais e nos “vinhos de vinha”.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2024)
José Maria Soares Franco decide reformar-se

João Portugal Ramos (à esquerda na foto) acaba de emitir um comunicado em nome da Gestvinus — empresa que administra — anunciando a decisão de se reformar do enólogo José Maria Soares Franco (à direita na foto): “Após 14 anos de colaboração com a Gestvinus – Investimentos Vitivinícolas e Comerciais, SGPS, SA (Grupo João Portugal […]
João Portugal Ramos (à esquerda na foto) acaba de emitir um comunicado em nome da Gestvinus — empresa que administra — anunciando a decisão de se reformar do enólogo José Maria Soares Franco (à direita na foto):
“Após 14 anos de colaboração com a Gestvinus – Investimentos Vitivinícolas e Comerciais, SGPS, SA (Grupo João Portugal Ramos), nomeadamente no projecto Duorum, o Enólogo José Maria Soares Franco decidiu reformar-se para gozar o merecido “descanso do Guerreiro”. O projecto Duorum continuará a contar com o precioso contributo do Enólogo, agora sob forma de uma consultoria”.
Quando, em Dezembro de 2006, o Grupo João Portugal Ramos decide expandir-se para a região do Douro, José Maria Soares franco junta-se a este com “empenho, paixão, vontade de ir sempre mais longe […], aliados ao seu enorme conhecimento e experiência na região”, pode ler-se no comunicado, que revela ainda que João Perry Vidal será agora enólogo residente no projecto Duorum, na companhia de Alexandra Guedes e sob a orientação de João Portugal Ramos.







