Grande Prova: Tintos 2016, uma década depois

Este texto está a ser escrito quando quase todo o país está debaixo de água, com rios a um nível altíssimo e acidentes em diferentes zonas. Há já muitos anos que não se viam cheias com esta amplitude, como que a relembrar que o clima manda em nós e não o contrário. A ligação, vá […]
Este texto está a ser escrito quando quase todo o país está debaixo de água, com rios a um nível altíssimo e acidentes em diferentes zonas. Há já muitos anos que não se viam cheias com esta amplitude, como que a relembrar que o clima manda em nós e não o contrário. A ligação, vá lá, ténue, com 2016 é que o Inverno de 2015/16 foi especialmente chuvoso, com muito mais água do que era habitual. Regiões, como o Douro, chegaram mesmo a ter cheias ainda na Primavera. Tudo como está a acontecer agora, ainda que com mais moderação. O excesso de chuva, ao prolongar-se, já se sabe o que traz consigo: doenças da vinha, com o míldio e o oídio a exigir intervenção constante e muitos tratamentos. Por arrasto, os pequenos produtores, sem folga financeira, dimensão ou conhecimento, são quem mais sofre as consequências com elevada perda de produção das vinhas.
O ano de 2016 correspondeu exactamente à ideia de “vindima desafiante”, frase usada vezes sem conta pelos enólogos, para caracterizar uma colheita árdua. Esta foi mesmo difícil e ainda que, com tratamentos feitos a tempo e horas, o ano foi diverso de qualidade. Porque é que este painel não espelha isso? Porque os produtores que aqui estão, representam, de certa forma, a nata da produção nacional (ou parte da nata…), gente que é profissional e não se preocupa com a “muita intervenção” em vez da “pouca”, apregoada por quem não consegue tratar as uvas. Trabalhar bem, e a tempo, ajuda na qualidade da vindima. Já Charles Symington, enólogo responsável do grupo Symington, indicava, no relatório de vindima de 2016, o seguinte: “O tempo ao longo da vindima esteve excepcionalmente bom, o que possibilitou o desenrolar perfeito das maturações. Pudemos decidir os momentos de vindimar sem nos preocuparmos com alterações no estado do tempo e, assim, escolher o melhor momento para vindimar em cada propriedade de acordo com o estado de maturação de cada.” E mais adiante, “Touriga Franca poderá ter produzido os melhores vinhos desta vindima”. A consequência deste final de vindima tranquilo e sem pressas foi que a apanha da uva só terminou em meados de Outubro. Raro e cada vez menos visto.
Elegância acima de tudo
O Palácio da Bacalhôa, com origem na região de Setúbal, foi uma das surpresas da prova. É um tinto que mudou de perfil nos últimos anos: passou de um estilo muito extraído (moda Robert Parker, dizemos nós) dos inícios deste milénio, para um vinho que, com redobrados cuidados de enologia, ficou mais franco e aberto, no qual os 5% de Petit Verdot ajudam, aliados aos 70% de Cabernet Sauvignon e aos 25% de Merlot. Menos extracção e mais elegância deram este resultado, o que se aplaude vivamente. E Vasco Penha Garcia, enólogo da empresa, reforça a ideia que, quando se trabalha com profissionalismo na vinha, as diferenças entre as várias colheitas se diluem, porque a enologia acaba por compor o que houver a compor.
No caso do Alentejo, o ciclo vegetativo foi mais favorável do que no Norte do país, com menos problemas sanitários. A Fundação Eugénio de Almeida, no seu registo de vindima, assinala: “no que respeita ao potencial produtivo, foi um ano com fertilidade geral média a baixa, tendo a maturação ocorrido um pouco mais tarde que nos últimos anos, mas em excelentes condições (…) para as tintas que atingiram uma adequada maturação fenólica”.
Os anos, como o 2016, sobretudo quando têm um final de Verão quente e sem chuva, geram sempre a dúvida habitual na região do Douro e entre os produtores de Vinho do Porto: será ano de Porto Vintage? Se sim, será do agrado de todos ou os “ingleses” irão avançar com as declarações de Vintage Single Quinta? Para muitos consumidores isto é “assunto de lana caprina”, mas para o sector do Porto não é, porque as declarações consideradas clássicas são momentos importantes no negócio, uma alavanca sempre bem-vinda em termos comerciais. O ano de 2016 foi ainda complicado porque algumas casas não tinham declarado o 2015 e ficaram à espera de declarar o 2016. Aconteceu, então, que a declaração de 2016 foi clássica (cerca de 100 vinhos declarados) e muito poucos produtores terem resolvido ficar de fora, como a Ramos Pinto, que declarou o 2015. A situação pode repetir-se este ano: tudo estava encaminhado para a declaração clássica do Vintage 2024 e eis que, de repente, a qualidade do 2025 veio baralhar tudo. Aguardemos os próximos capítulos. Este assunto interessa-nos na qualificação do 2016 porque há uma regra no Douro que é quase matemática: os anos melhores para Vintage não são os melhores para DOC Douro. E o 2016 poderá confirmar isso: grandes tintos, mas…vintages gloriosos.
Qualidade e grande potencial
Uma ideia que podemos registar desta prova é que os vinhos muito bons se distribuíram geograficamente e, quer o Alentejo, quer a região de Setúbal, ainda que com presença em número normalmente inferior (ou mesmo muito inferior) ao Douro, revelaram vinhos de grande qualidade e com enorme potencial. Para vários provadores do painel isso foi especialmente evidente no tinto da Bacalhôa, um tinto de perfil bordalês que, passados 10 anos, está num patamar incrível, ainda em crescimento. Quase apetece dizer que, se se fizesse uma prova de tintos com 20 anos, talvez este Bacalhôa já estivesse no ponto de excelência e perfeição, algo que ainda não está.
Como é de esperar, a evolução dos vinhos é desigual e alguns mostraram que, estando bons, já não têm argumentos para longas vidas em cave. No caso de um dos vencedores, foi a segunda garrafa que salvou a prova, porque a primeira estava em estado duvidoso. Com isso também aprendemos que as conclusões, com apenas uma garrafa aberta, são sempre precipitadas. No painel, seguimos isso à risca e três vinhos foram retirados de prova.
A qualidade dos 2016 mostrou-se muito boa, talvez até melhor do que se poderia esperar. Quase todos os vinhos estão em grande momento de prova e é bom que não se tirem “conclusões hierárquicas” precipitadas. Os vinhos que integram o último grupo dão muito boa prova agora, são verdadeiros tintos prazenteiros que já chegaram ao melhor momento, grandes companheiros da refeição; apenas perderam para outros que ainda estão em crescendo e que o painel valorizou. E, num painel alargado como este, a classificação mais baixa ser 17 valores dá clara indicação que estamos perante um conjunto notável de tintos.
19
Chryseia
Douro tinto 2016
Prats & Symington
Excelente evolução, ganhou em polimento e harmonia, com fruta madura muito bem integrada, taninos de luxo, tudo com balanço perfeito. No palato mostra-se envolvente, cheio, maduro, mas aqui nada há de excessivo, a fruta negra é muito agradável e saborosa. Dá muito prazer a beber, rico e sério. (14%)
19
Mouchão
Alentejo tinto 2016
Vinhos da Cavaca Dourada
Duas garrafas provadas, a primeira muito evoluída. A segunda está muito bem, com aquele foco na fruta madura, mas com o lado mais mentolado, mais mineral, mais químico, que sempre se reconhece no Mouchão. Clássico na boca, com muita elegância de taninos, excelente perfil e a mostrar muita personalidade. (15%)
19
Palácio da Bacalhôa
Reg. Pen. Setúbal tinto 2016
Bacalhôa Vinhos
Muito escuro na cor, ainda em fase ascendente, muito complexo, cheio de fruta negra, groselha preta e amoras, leves apimentados; intensa presença na boca, com taninos finos e um perfil bordalês clássico, muito bem desenhado e surpreendentemente jovem e atraente. Numa versão robusta, embora com boa frescura de boca. É um grande tinto. (14%)
19
Pintas
Douro tinto 2016
Wine & Soul
Aroma de luxo, com a dispersão de aromas comum nas vinhas velhas, polimento geral de grande nível, fruta bonita e barrica bem inserida, a mostrar uma saúde incrível num ano menos fácil. Prazer enorme na boca, com uma elegância arrebatadora. Cativante, com imenso para dar; um grande tinto que faz jus à marca. (14%)
19
Quinta da Touriga Chã
Douro tinto 2016
Jorge Rosas
Em muito boa forma, cheio de fruta especiada, polido e elegante, com madeira no ponto, tudo em muito bom equilíbrio, perfeito balanço de taninos e fruta. Este tinto é sempre muito seguro na enorme qualidade que apresenta, muito apetecível e com muito sabor. Uma grande aposta. (14,5%)
18,5
Gauvé
Dão tinto 2016
Moreira, Olazabal & Borges
Tem origem em vinhas velhas com castas misturadas. Muito elegante no aroma, leve nota floral que lembra Touriga Nacional, com delicadeza de fruta, erva seca e madeira no ponto. Grande harmonia de boca, um toque mineral bem atractivo e um polimento de grande nível. (13%)
18,5
Monte Branco
Reg. Alentejano tinto 2016
Luís Louro
O lote inclui Alicante Bouschet e Aragonez. Concentrado na cor, a sugerir um tinto hermético. Porém, mostra grande finura, com fruta negra em destaque, madeira bem ligada e, no conjunto, resulta com elegância. Taninos filigrânicos, mas presentes, o conjunto mostra-se muito bem, polido e apetecível. (14%)
18,5
Poeira 42 barricas
Douro tinto 2016
Jorge Nobre Moreira
Feito em lagar. Fruta vermelha no aroma, vivo e com muita frescura que resulta atractiva, madeira superiormente inserida no conjunto, notas terrosas, muito bem proporcionado. Arredonda na boca, macio, seco, fruta vermelha, cereja preta e amoras. Este tinto nunca desilude, mesmo num ano menos conseguido. (14%)
18,5
Quinta da Leda
Douro tinto 2016
Sogrape Vinhos
Muito bem na cor, vivo e complexo no aroma, com muita fruta madura e as primeiras notas licoradas a surgirem. Grande polimento no palato, ainda com taninos presentes, embora muito finos; um tinto robusto, mas muito bem equilibrado e desenhado. (13,5%)
18,5
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa
Douro tinto 2016
Quinta do Crasto
O que mais se destaca no aroma é a fruta madura, em camadas, especialmente bem casada com a madeira de luxo, a verdadeira marca da casa. Excelente complexidade, especiarias de pimenta e cardamomo; fresco na boca, polido e muito envolvente, todo ele em grande forma. Dá muito prazer a beber. (14,5%)
18,5
Quinta do Vale Meão
Douro tinto 2016
Olazabal & Filhos
Temos, nesta edição, um Meão de maceração moderada e daí resulta um aroma fino, sempre num registo de bom equilíbrio com a madeira ainda presente, mas apenas a amparar o conjunto. No palato, mostra-se muito bem, bem mais elegante que noutras edições, resultando num tinto que pode dar todo o prazer de consumo desde já. (14%)
18,5
Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca
Douro tinto 2016
Quinta Vale D. Maria
Aroma clássico dos tintos do Douro, com madeira de luxo bem trabalhada, notas apimentadas e fruta negra, ainda em ascensão, leve nota floral, muito boa complexidade. Muita especiaria e notas de grafite, muito tanino no palato; um tinto com garra e boa rugosidade. (14%)
18,5
Terrenus Vinhas Velhas
Alentejo Portalegre Reserva tinto 2016
Rui Reguinga
Média concentração de cor, típica de vinhas velhas. Aroma complexo e difuso onde a fruta se espraia com elegância, com boa definição da barrica aqui bem inserida. Muito fino na boca, taninos presentes, mas delicados. Dá muito prazer a beber. Teve 18 meses em barrica e 24 em garrafa, o que gerou um tinto muito equilibrado. (14%)
18,5
Villa Oliveira Vinha das Pedras Altas
Dão tinto 2016
O Abrigo da Passarella
Muito boa concentração na cor, polimento aromático conseguido com o estágio em madeira usada, com boa definição de fruta na boca, perfil fino e com muito para dar, agora e no futuro. Leve e agradável nota mentolada, taninos presentes, excelente acidez. Tudo a garantir um bom futuro. (14%)
18
Casa de Saima
Bairrada Baga Garrafeira tinto 2016
Graça Miranda
Este é um clássico tinto da Bairrada, com imensa fidelidade à casta Baga que aqui surge com as notas de ginja, ambiente balsâmico, sempre num registo mais elegante do que assente em potência; polido no copo, fruta em calda no aroma. Muito prazer a beber. (14%)
18
Esporão Private Selection
Alentejo tinto 2016
Esporão
O lote inclui Aragonez, Touriga Francesa e Alicante Bouschet. Concentrado na cor, fruta negra e levemente compotado, é um tinto que pende para o lado robusto das castas com que é feito; taninos muito presentes, envolvente, cheio, algo complicado, que só o tempo poderá ajudar a descomplicar os vários elementos. (14,5%)
18
Giz Vinhas Velhas
Bairrada tinto 2016
Luís Manuel Gomes
Elaborado com a casta Baga, feito em lagar na melhor tradição bairradina, estágio em carvalho francês. Fiel à casta, com um estilo polido na fruta, taninos macios e bom equilíbrio de conjunto, pronto a beber. Os 20 meses em barrica ajudaram a que tudo se harmonizasse e está, agora, no seu melhor. (13%)
18
Herdade do Rocim Clay Aged
Alentejo Reserva tinto 2016
Rocim
Feito com Alicante Bouschet, Petit Verdot, Trincadeira e Tannat. Nota-se uma cor mais aberta, leve nota de barro, muito ligeiro mentolado. As castas usadas conferem aqui um lado austero na boca, com taninos finos e ambiente bem curioso. Ainda jovem, apesar de se sentir já alguma evolução. (14,5%)
18
Malhadinha
Reg. Alentejano tinto 2016
Herd da Malhadinha Nova
Feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Aragonez; lagares com pisa, 15 meses em barrica nova. Notas de azeitona, fruta madura, aroma complexo resultante de múltiplas castas, de onde não há protagonismos. Com perfil fino, um tinto da planície, tudo muito bem conseguido, macio, bem desenhado. (15%)
18
Marquesa do Cadaval
DoTejo tinto 2016
Casa Cadaval
Feito com Touriga Nacional, Trincadeira e Alicante Bouschet, com um ano de estágio em barrica. Detecta-se uma boa ligação entre as três castas, ambiente especiado, elegante, directo e com bom perfil. Clássico pelo equilíbrio que mostra na boca, notas de noz moscada e fruta madura, taninos finos, leves licorados. Tudo no ponto. (13,5%)
18
Quinta do Carmo
Reg. Alentejano Reserva tinto 2016
Soc. Agr. Quinta do Carmo
Lote de Alicante Bouschet e Aragonez, 18 meses de estágio em barrica. O primeiro impacto é muito atraente, com uma combinação entre fruta e madeira em perfeito diálogo, taninos muito polidos, fácil na boca, perfeito na acidez. Absolutamente consensual. Este tinto já chegou ao seu melhor momento. (14,5%)
18
Quinta do Monte d’Oiro Parcela 24
Reg. Lisboa tinto 2016
José Bento dos Santos
Deste produtor chega-nos, com frequência, uma versão muito original desta casta. Este mostra-se muito elegante no aroma, fruta fina e boas notas vegetais, alguma mineralidade, muito polimento, terra húmida. Muito delicado no palato, com elegância de corpo. É um Syrah muito fiel à origem francesa. (14%)
18
Quinta do Noval
Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Noval
Aroma com boa vibração, tenso, cheio e ainda algo fechado, fruta madura, mas elegante com leves florais e mato seco, ou seja, muito duriense. Muito bem na boca, a mostrar ainda enorme juventude, sendo seguro que não haverá pressa em consumi-lo, tem ainda muito para dar no futuro. (13,5%)
18
Quinta do Vesúvio
Douro tinto 2016
Symington Family Estates
Este tinto é sempre fiel aos calores do Douro Superior, mostra fruta densa, notas terrosas, mato seco, leve pimento vermelho, madeira no ponto que aqui, claramente, envolve e amacia o conjunto. Muito bem definido na boca, redondo, gastronómico, muito bom para consumir agora ou no futuro. Mudou de estilo desde as primeiras edições, cremos que para melhor. (14%)
18
Quinta Nova Referência
Douro Grande Reserva tinto 2016
Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo
Cerca de metade do lote é Tinta Roriz e o resto vinha velha, com castas misturadas e uma produtividade baixíssima. Muito carregado na cor, cremos que por maceração intensa, apresenta notas de azeitona, leves químicos, amoras e ameixas pretas. Todo ele denso, com peso; um estilo maduro, mas que resulta macio. (14%)
18
Vallado
Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Vallado
Neste tinto procurou-se uma maceração e extracção moderadas, o que vem sendo habitual nas últimas edições. Aqui, o peso da barrica é sem excessos, apesar dos 16 meses de estágio. Resulta polido, fácil, bem organizado e sempre muito capaz para prova imediata. Muito agradável na boca, macio e a revelar muita qualidade de conjunto. (14,5%)
17,5
Envelope
Dão tinto 2016
Magnum Carlos Lucas
O aroma aposta, sobretudo, no lado mais elegante e, assim, as notas mentoladas que surgem conferem-lhe esse lado mais fino, aliado a fruta vermelha; mostra alguma evolução de conjunto, mas está muito bem. Correcto e de boa definição na boca, acidez marcante, taninos secos no final. (13,5%)
17,5
Guarita da Chocapalha
Reg. Lisboa tinto 2016
Casa Agr. das Mimosas
Muito carregado na cor, aroma fechado, fruta negra e notas de azeitona, sério, enigmático. Tudo aqui nos diz que os primeiros 10 anos de vida foram apenas a introdução para o longo estágio que poderá ter em cave. Boa complexidade na boca, cheio, taninos rijos. Precisa de tempo. (14,5%)
17,5
Herdade dos Grous
Reg. Alentejano Reserva tinto 2016
Monte do Trevo
Elaborado com Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Touriga Nacional, feito em lagares e com 16 meses de estágio em barrica. Aromas vegetais secos, madeira presente, média concentração, boa evolução, leve especiaria. Boa prova de boca, está já num patamar de onde não crescerá mais, ainda com bons taninos. Neste momento está a dar uma prova de grande valia. (14%)
17,5
Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo
Douro tinto 2016
Domingos Alves de Sousa
Menos concentrado na cor do que em anteriores edições, a mostrar alguma evolução, agora com aroma de fruta madura, maceração evidente, notas leves de bacon e mentol. Um tinto macio, envolvente, de tonalidades doces, conjunto complexo, mas já muito exposto. (14,5%)
17,5
Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas
Douro tinto 2016
Real Companhia Velha
Muita pureza de fruta, nascida em vinhas de castas misturadas, com o lado enigmático que daí deriva, com barrica a envolver; tudo muito bem composto, com alguma barrica em evidência, mas está bem no conjunto. O tinto mostra todas as condições para ser apreciado agora, sem mais delongas. Primeira garrafa com rolha. Tira-se? (13,5%)
17,5
Quinta do Bronze Vinha do Plagão
Douro tinto 2016
Lua-Cheia Saven
Aroma muito maduro, denso na cor, notas de chocolate, cacau fresco, fruta preta madura, algo sobreextraído. Gordo no palato, cheio, com toque muito denso e algo pesado. É também um certo tipo de tinto que a região permite, apontando para um perfil mais Novo Mundo. (14,5%)
17,5
Scala Coeli
Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2016
Fundação Eugénio de Almeida
Muito concentrado na cor, capitoso, com evidência do álcool, notas de azeitonas e casca de árvore, madeira presente, tudo em camadas, tudo denso, tudo complexo. Muito macerado, resulta num perfil pesado e escuro, ainda longe do seu melhor. 6500 garrafas produzidas. (15%)
17
Adega Mãe Terroir
Reg. Lisboa tinto 2016
Adega Mãe
Notas de fruta madura, algum couro, sem espessura aromática, mas com boa prova de boca, num perfil maduro, sem perder alguma elegância de conjunto. A leve secura final não acrescenta nada ao vinho, mas não chega a perturbar a boa prova. (14%)
17
Marquês de Borba Vinhas Velhas
Alentejo tinto 2016
Portugal Ramos
Média concentração de cor, fruta madura no aroma, sempre num registo em que se pretende privilegiar a elegância e a boa integração da barrica onde estagiou um ano. Prova de boca com excelente polimento, resulta assim especialmente agradável, para consumir agora. (14,5%)
17
Pedra Cancela Amplitude
Dão tinto 2016
Lusovini
O vinho sugere estar em fase de transição, a perder algum fulgor juvenil, apesar de manter ainda alguma redução no nariz. No aroma destacam-se muitas notas da madeira, notas doces e de caramelo salgado. Leve floral na boca ajuda à prova. Poderá não ter argumentos para mais estágio em cave. (13%)
17
Quinta da Giesta
Dão Grande Reserva tinto 2016
Soc. Agr. Boas Quintas
Feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alicante Bouschet. Fruta madura no aroma, leve nota de rebuçado, alguma especiaria, notas florais combinadas com algum vegetal seco e azeitonas. É um clássico tinto do Dão, mais apostado no bom diálogo das castas e na elegância de conjunto. Poderá estar já no seu melhor momento. (13,5%)
17
Quinta de Lemos
Dão Touriga Nacional tinto 2016
Quinta de Lemos
Sente-se a casta, mas aqui com algum peso notório da fruta e da madeira, escondendo o lado mais floral que lhe é reconhecido. Sugere muita maceração, embora melhore muito na boca, com estilo polido e sem arestas, por isso muito capaz de dar boa prova desde já, assim se encontre o pairing perfeito. (14%)
17
Quinta de Ventozelo Essência
Douro tinto 2016
Quinta de Ventozelo
O aroma traz-nos uma fruta madura, algumas notas de eucalipto que lhe dão boa frescura, mas não faz esconder alguma evolução evidente. Tonalidade doce na fruta que se percebe na boca, mostra-se envolvente, leve balsâmico; tudo indicando que poderá já estar no seu melhor momento de prova. (14%)
17
Quinta do Perdigão
Dão Touriga Nacional tinto 2016
Quinta do Perdigão
Média concentração de cor, leve redução aromática, que faz esconder um pouco a casta. Na boca, temos um tinto elegante e fino (o que é a marca da casa), está bem, ainda que carecendo de mais complexidade. Seguramente, mostra-se muito gastronómico e dará prazer a beber agora, sem mais esperas. (13%)
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Prémio Enólogo/a do ano é….. Marta Lourenço

A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser […]
A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser muito rápida ou demorar mais de uma década. Recordo-me de ter provado espumantes que saiam para o mercado em Dezembro/Janeiro, feitos a partir de uvas colhidas três meses antes, mas também me recordo de provar vinhos que estiveram dez e mais anos em cave, à espera que o tempo fizesse o seu papel, para, então, serem colocados no mercado.
Na Murganheira (e na Raposeira) o método clássico é levado muito a sério e todos os vinhos seguem esta técnica. Isso obriga a longos períodos de estágio em cave e são muitos milhões as garrafas que nas adegas descansam à espera que lhes seja dada “guia de marcha”, para poderem ser consumidas. Ainda que usando algumas castas portuguesas e locais, é com as clássicas champanhesas – Pinot Noir e Chardonnay – que os topos de gama se fazem, porque são as variedades que melhores resultados mostram.
Marta Lourenço entrou para a Murganheira como estagiária em 2006. Dois anos depois, passou a responsável da enologia e da viticultura, quer da Murganheira, quer da Raposeira. Confessa que a primeira aprendizagem a sério nos espumantes foi feita com os Cava da casa Gramona, mas todos os anos ruma a Champagne onde, com os contactos que tem, vai actualizando o saber e as técnicas. Beneficia da relação privilegiada com a Station Oenotechnique de Champagne (herdada do Professor Lourenço) e uma ligação pessoal forte com a equipa técnica da Möet & Chandon. Apesar do portefólio já muito completo, Marta reconhece que há vinhos que lhe dão muito mais trabalho que outros, como é o caso do Czar, um rosé especialmente exigente na fase do acompanhamento da prensagem, porque o clima e as castas da região não são propícios àquele tipo de espumante. Está a trabalhar em espumantes bio e também em espumantes feitos pelo método ancestral. Responsável pela enologia e viticultura de duas empresas tão grandes não é um desafio excessivo? “É, mas eu gosto”, diz-nos Marta! J.P.M.
O Prémio Enóloga do ano é patrocinado por: Cosvalinox
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Prémio Singularidade do Ano é…. Materramenta

A par com mais duas ou três regiões no continente, dúvidas não existem de que os Açores, com destaque para o Pico e para a Terceira, produzem alguns dos mais excitantes vinhos brancos portugueses. Aliás, nunca como agora os vinhos daquele arquipélago foram tão frescos e definidos, conseguindo-se néctares cuja salinidade e frescura não se […]
A par com mais duas ou três regiões no continente, dúvidas não existem de que os Açores, com destaque para o Pico e para a Terceira, produzem alguns dos mais excitantes vinhos brancos portugueses. Aliás, nunca como agora os vinhos daquele arquipélago foram tão frescos e definidos, conseguindo-se néctares cuja salinidade e frescura não se encontravam no perfil tradicional e antigo das ilhas, por regra licoroso e com alguma uva atacada por podridão.
Pois bem, nestes últimos 15 anos muito trabalho foi feito e esse perfil clássico ficou confinado aos licorosos, cuja qualidade também tem melhorado muito. Durante este período, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico teve um labor resiliente e modernizou-se. O experiente enólogo e produtor Paulo Machado consolidou marcas e apresentou referências memoráveis. No meio desta concorrência feroz, um outro nome tem-se imposto lentamente na última década, estabelecendo-se como um dos melhores produtores (senão o melhor…) da ilha Terceira, graças ao seu magnífico DO Biscoitos, apresentando, ainda, um portefólio de vinhos da Graciosa e do Pico. O nome? Materramenta. E antes que o leitor conclua ser uma designação arrevesada, quero lembrar-lhe que Materramenta foi o primeiro proprietário das terras dos Biscoitos, na ilha Terceira, tendo vendido essas terras a Pero Anes do Canto, Provedor das Armadas e Naus da Índia em todo o arquipélago.
À frente do projeto Materramenta está Luís Vasco Cunha, empresário cuidadoso e experiente, cujo currículo e maneira de ser atestam profissionalismo e rigor. Prova disso é a adega e sala de provas, de dimensões contidas e ajustadas a produções e visitantes, resultantes de uma recuperação zelosa de um edifício do século XIX, junto às vinhas de Biscoitos. Prova disso é também a escolha dos enólogos, com Constantino Ramos a capitanear, sendo os vinhos fora da Terceira feitos por Paulo Machado. Acresce ainda o alojamento para o número crescente de turistas que visitam a região.
Após várias provas de todos os vinhos produtores açorianos, grande parte dos quais provados lado a lado, ficamos com a certeza que os vinhos Materramenta estão entre os melhores da região e são os mais interessantes da DO Biscoitos. O perfil é esteticamente depurado e autêntico, com tensão e salinidade, sem perder em elegância e equilíbrio. Numa palavra, são singulares! N.O.G.
O Prémio Singularidade do Ano é patrocinado por: Casa Havaneza
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Kopke Group anuncia duplo lançamento de Vintage 2024

Das casas Burmester e Kopke resultam as duas declarações Vintage de 2024 da Kopke Group. De acordo com o comunicado, o inverno e a primavera amenos e chuvosos, e o verão quente e seco, equilibrado por noites frescas e temperaturas mais moderadas durante a vindima, contribuíram para “maturações completas, com excelente sanidade, e um notável […]
Das casas Burmester e Kopke resultam as duas declarações Vintage de 2024 da Kopke Group. De acordo com o comunicado, o inverno e a primavera amenos e chuvosos, e o verão quente e seco, equilibrado por noites frescas e temperaturas mais moderadas durante a vindima, contribuíram para “maturações completas, com excelente sanidade, e um notável equilíbrio entre concentração, frescura e estrutura”.
Tanto o Burmester Vintage 2024, como o Kopke Vintage 2024 são assinados por Carlos Alves, Master Blender do Kopke Group, e cada um expressa o perfil da respectiva casa. De uma maneira geral, “são vinhos que expressam, de forma muito clara, o carácter do Douro e aquilo que procuramos enquanto enólogos: autenticidade, precisão e longevidade”, reforça. O primeiro é “marcado pela elegância e pela expressividade aromática”, enquanto na boca enaltece-se “um estilo mais refinado e acessível, sem comprometer a sua capacidade de envelhecimento”. A respeito do segundo, “revela uma profundidade aromática marcada por notas de fruta ácida, nuances cítricas, apontamentos de especiaria e cacau, bem como subtis notas mentoladas. Na boca, evidencia volume, estrutura e taninos firmes, sustentados por uma acidez vibrante que lhe confere tensão e capacidade de evolução”.
O Burmester Vintage 2024 está limitado a 9 964 garrafas de 0,75 litros e 300 de 1,5 litros; e o Kopke Vintage 2024 está disponível em 11 984 garrafas de 0,75 litros e 600 de 1,5 litros.
VENÂNCIO DA COSTA LIMA: 112 anos de uma história viva

“Esta adega foi fundada em 1914 pelo Senhor Venâncio da Costa Lima. Na altura, tinha 22 anos. Com essa idade, iniciou-se na área de comércio de vinho, cereais e azeite. Uns anos depois, deixou o negócio do azeite e dos cereais, e dedicou-se só à produção e comercialização de vinhos.” A introdução é feita por […]
“Esta adega foi fundada em 1914 pelo Senhor Venâncio da Costa Lima. Na altura, tinha 22 anos. Com essa idade, iniciou-se na área de comércio de vinho, cereais e azeite. Uns anos depois, deixou o negócio do azeite e dos cereais, e dedicou-se só à produção e comercialização de vinhos.” A introdução é feita por Elsa Sousa, responsável pelo enoturismo da Venâncio da Costa Lima, empresa familiar situada na Quinta do Anjo, lugar pertencente ao concelho de Palmela e à região da Península de Setúbal. Homem de negócios empreendedor e visionário, Venâncio da Costa Lima adquiriu espaços comerciais – as tabernas, de então – no referido território vitivinícola, os quais eram dados à exploração. Objetivo? Vender o vinho produzido na adega homónima. “Atualmente, seria um franchising”, afirma a nossa cicerone em tom de brincadeira.
O sucesso estava garantido: “entre os anos 30 e 50 do século passado, éramos a segunda maior adega da região.” Elsa Sousa contextualiza o cenário socioeconómico desses tempos firmados na cultura da vinha e do vinho: “só aqui, na Quinta do Anjo, havia entre 10 a 15 adegas a funcionar. Neste momento, a produzir e a comercializar só há uma, a nossa.”
Quando Venâncio da Costa Lima morre, não havia descendência direta. Por conseguinte, deixou o legado a seis sobrinhos. Quatro gerações mais tarde, são os primos Joana Vida e João Vida, gerentes, e Carlota Lima, que faz parte da equipa de enoturismo, os representantes da quarta geração da centenária empresa familiar, com 35 funcionários permanentes. “E ainda temos cá um elemento da terceira geração, o pai da Carlota, que é Filipe Matos”, evidencia João Vida, referindo-se ao responsável pela área comercial.

Uva de 10 produtores locais
Em consequência das partilhas e com a passagem do tempo, a Venâncio da Costa Lima deixou de ter vinha na sua posse. Quanto à área total inerente à plantação de videiras detidas pelo então fundador da empresa, “teria de ser uma área razoavelmente grande, dado que foi o segundo maior produtor [de vinho] daquela altura”, afirma João Vida. A compra da uva entrava, em simultâneo, na equação deste negócio familiar. Paralelamente, o número de produtores de uva tem vindo a diminuir.
Hoje, “temos viticultores com os quais estabelecemos uma ligação desde há muito tempo”, revela Joana Vida, que conta com 10 produtores de uva locais, o que perfaz uma área de vinha total de aproximadamente 100 hectares, com especificidades de solos e orientações distintas. A vinha plantada há mais tempo tem mais de 50 anos e é de Castelão. Em relação à quantidade de matéria-prima reunida na adega, aquela “varia muito de ano para ano”, continua João Vida.
No enquadramento da localização atual das vinhas, a área maior está concentrada no Lau, localidade situada no concelho de Palmela. Os solos são arenosos, uma mais-valia para a casta Castelão, que, na região da Península de Setúbal, ocupa 2.935 hectares, representando 58% do encepamento de castas tintas, segundo dados fornecidos pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. Porém, as temperaturas altas registadas, durante o verão, neste território vitivinícola, põem em alerta permanente os responsáveis da Venâncio da Costa Lima. Joana Vida explica que o calor causado pelo sol nos solos arenosos reflete na planta, provocando escaldões na vinha. “A altura crítica é antes da passagem para a fase do pintor [quando as uvas mudam de cor e dá-se início à maturação]”.
Em contrapartida, “não há uma amplitude tão grande, o que permite uma boa maturação da Castelão”, salvaguarda Eduardo Silva, enólogo da empresa desde 2024. Embora na legislação da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal impere que 2/3 desta casta faça parte do lote de um tinto DO Palmela, no portefólio vínico desta adega a Castelão é usada a 100% nos seguintes vinhos tintos: Venâncio Costa Lima, Venâncio Costa Lima Reserva, Pioneiro e Rubrica Reserva.
De volta aos solos, o caso muda de figura nas vinhas da Serra do Louro, parte integrante do Parque Nacional da Serra da Arrábida, “porque os solos são argilocalcários”, justifica a gerente.

Acompanhamento planeado
Para minimizar os contratempos na vinha, a Venâncio da Costa Lima arranca com o acompanhamento aos 10 viticultores na fase do pintor, com o controlo da maturação, a verificação da acidez e avaliação da produção. Esta missão é partilhada por João Vida, Eduardo Silva e Carlos Dias, enólogo que presta apoio à empresa no âmbito da viticultura. O passo seguinte baseia-se na elaboração de um plano que incide no controlo de maturação. Os enólogos fazem a recolha por casta e efetuam a análise de laboratório. A finalidade consiste em traçar um calendário inerente à entrega da matéria-prima na adega, o qual é comunicado a posteriori a cada viticultor.
Independentemente desta tarefa assegurada pela empresa, “todos os viticultores são acompanhados por técnicos da AVIPE [Associação de Viticultores do Concelho de Palmela]. São engenheiros agrónomos, que aconselham e ajudam os viticultores a garantir um protocolo de produção integrada, ou seja, só tratam a vinha quando é necessário e com as substâncias ativas permitidas”, elucida João Vida. Os produtos fitofarmacêuticos adicionados à vinha são controlados pela referida entidade através de uma conta corrente, informação essa que é passada à empresa, por forma a conduzir os trabalhos em concordância.
Ao contrário do que acontecia há duas décadas, a vindima tem vindo a começar entre 10 e 15 de agosto, porque se a maturação da Moscatel Roxo e a acidez estão no ponto, impera a apanha. Esta casta é a primeira a dar entrada na adega Venâncio da Costa Lima, para dar corpo aos vinhos generosos, seguindo-se as outras variedades brancas (Fernão Pires, Verdelho e Arinto) e, posteriormente, as tintas (Castelão, Touriga Nacional, Aragonez e Syrah). O ciclo fecha com a colheita da Moscatel de Setúbal igualmente utilizada na produção de generosos.
João Vida relembra que a Moscatel Roxo esteve em vias de extinção, porque amadurece muito cedo, enquanto a Castelão entra na fase de maturação mais tarde, tendo em conta que ambas as variedades estavam misturadas na vinha. “Por isso, a vinificação era feita com todas as castas, mas a Moscatel Roxo já estava comida pelas abelhas e pelos pássaros.” A recuperação da casta beneficiou com a plantação a solo, para que passasse a ser vindimada em separado e, de seguida, facilitar a vinificação. Hoje, os vinhos Moscatel Roxo de Setúbal são os ex-libris da região, onde, atualmente, ocupa uma área de vinha de 66 hectares, num universo de 7.500 hectares, de acordo com a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. “Na adega, também representa 10%”, comunica João Vida.
Produto de excelência
Quer no Moscatel de Setúbal, quer no Moscatel Roxo de Setúbal, a vinificação das respectivas uvas é igual, ou seja, depois de esmagada e desengaçada, é colocada dentro do depósito, onde faz uma ligeira fermentação durante 24 horas. Findo este período, abafa-se com “aguardente selecionada pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal em conjunto com outras adegas. É álcool vínico, porque tem de ser o mais neutra possível”, esclarece Eduardo Silva. Após este procedimento, o processo de maceração pelicular, dentro do depósito, decorre até abril do ano seguinte. Este método “é muito importante pois, através de extração alcoólica, todos os aromas e sabores vão passar da uva para o líquido. Na primavera, abrem-se finalmente os depósitos de Moscatel e vai para prensa”, explica Joana Vida.
A experiência determina se a opção é apostar num Moscatel jovem ou se o resultado denota potencial para fazer um estágio mais prolongado. No caso dos moscatéis de Setúbal, o líquido obtido permanece em depósito de inox e sem estágio em madeira, para que o resultado revele “os aromas primários da casta: os aromas de flor de laranjeira, o do mel e a frescura, os descritores mais usuais neste caso. É quase como um perfume”, descreve a gerente. No âmbito do Moscatel Roxo de Setúbal, este “fica mais tempo a ganhar aromas, para ser um produto excelência”, declara enólogo, em barricas de carvalho francês de 225 e 250 litros, anteriormente usadas em vinho tinto, “porque não nos interessa que a madeira marque muito; é mais para potenciar a micro-oxigenação”, explana João Vida. O objetivo é evidenciar a elegância e a complexidade aliada aos aromas terciários.
À mesa, e segundo a nossa anfitriã, os moscatéis jovens são recomendados para aperitivo ou na companhia de uma “sobremesa com mais acidez ou com o ananás, ou abacaxi, por exemplo, ou queijos curados, salgados e gordurosos”. Já o Moscatel Roxo combina melhor com bolos de nozes ou chocolate; os mais velhos são para apreciar com calma e à temperatura ambiente, no inverno; no verão, o frigorífico é um bom aliado.
Para lá da fronteira de Portugal, é de recordar que esta empresa familiar já conquistou, por cinco vezes, o lugar cimeiro na competição Muscat du Monde. Esta estreia teve lugar em 2011, com o Moscatel de Setúbal Reserva 2006. “Este concurso alavancou a Venâncio da Costa Lima e alavancou a região e o produto, que passou a figurar com maior firmeza nos fortificados de Portugal”, realça Joana Vida. A proeza repetiu-se em 2017, com o Moscatel Roxo 2013, em 2020, com o Moscatel Roxo Reserva da Família 2016, em 2022, com o Moscatel Roxo Reserva da Família 2018, e em 2023, com o Moscatel de Setúbal 2019. Fora os moscatéis da empresa distinguidos no Top 10 e com medalhas de ouro deste concurso mundial.
Desafios de uma empresa centenária
“O facto de sermos uma empresa familiar antiga e com muita gente acarreta alguns desafios”, avança Joana Vida. Por outro lado, este cariz familiar aporta “confiança ao nosso consumidor, quer ao nosso cliente, quer ao nosso importador, quer ao mercado. É uma empresa que vai celebrar 112 anos”, sublinha. Em cima da mesa, está em destaque as alterações do mercado, com as quais o sector do vinho tem vindo a deparar amiúde. De acordo com a gerente, esta mudança ocorreu há 10, 15 anos, quando a Venâncio da Costa Lima começou a deparar-se com pedidos de “vinhos mais frescos”. Portanto, maior frescura e grau alcoólico mais baixo são duas variáveis alinhadas com a antecipação das vindimas. Neste contexto, controlo de maturação é o factor mais relevante, por forma a se conseguir um grau alcoólico mais baixo e maior frescura no vinho. “É nesta fase do controlo na vinha que entra o Carlos Dias”, acrescenta.
Mas uma vez que os moscatéis são a referência desta adega centenária, nem sempre é fácil fomentar a compra por parte do consumidor. Por esse motivo, enoturismo tem vindo a ser desenvolvido neste sentido, apesar de não ser a única solução. Esta prática é complementada pela venda em grandes superfícies e pela exportação que se resume a 5%. Os principais mercados são os Estados Unidos, o Brasil e a Europa, nomeadamente Países Baixos, Reino Unido e França. “Tanto o Moscatel de Setúbal como o Moscatel Roxo são vinhos de nicho, são difíceis de exportar”, razão pela qual “no Reino Unido vendemos para um importador que vende uísques e conhaques”, argumenta Joana Vida. A respeito do moscatel em Portugal, está “mais estável do que o vinho, porém difícil”. Já o grande volume é destinado para a restauração.
Em suma, “o sector do vinho atravessa grandes desafios, nomeadamente em relação às questões legais, de saúde, do álcool. Portanto, é preciso que estejamos sempre atualizados.”
Enoturismo desde 2015
A adega original da Venâncio da Costa Lima mantém-se à beira da estrada, com amplas janelas, através das quais, em tempos idos, os viticultores descarregavam a uva com o auxílio de uma forquilha. As paredes grossas protegem os lagares em pedra, a destilaria, bem como o desengaçador, a máquina pasteurizadora e a bomba manual antigas, as ânforas argelinas, os tonéis e os depósitos em cimento. “Era aqui que se faziam, estagiavam, loteavam e engarrafavam os vinhos. Hoje em dia, serve para o enoturismo e o armazenamento de moscatel. Dos melhores vinhos”, revela Joana Vida. Agora, é a guardiã dos moscatéis com 40 e mais anos e está destinado a experiências vínicas.
Das experiências descritas no site da empresa, destacam-se duas: “Da queijaria à adega” e “Das grutas ao vinho”. A primeira inicia-se com uma visita à vizinha queijaria Fernando & Simões, seguindo-se a harmonização de quatro referências vínicas da casa com três queijos de curas distintas, a par com uma tábua bem composta por doces locais, frutos secos e especiarias. A segunda iniciativa incita a um passeio pedestre até aos sepulcros neolíticos existentes no Parque Natural de Arrábida, durante o qual se atravessa a aldeia. Julho é o mês ideal para esta caminhada, já que permite observar a flor do cardo.
Joana Vida revela que Elsa Sousa é uma cozinheira de mão cheia. Quem conhece, sabe quão saborosas são as batatas de molho toucinho servidas em taças de barro, pelas 11h00, na vinha, no âmbito da atividade associada às vindimas, a qual está disponível na devida época do ano. Quem se inscreve, sabe que esta iniciativa é para levar a sério, daí a necessidade de se retemperar forças já depois das boas-vindas das 08h00. “Fazemos tudo o mais genuinamente possível”, assevera a gerente da empresa, que reforça a junção da gastronomia local (pão, queijos, enchidos, sopas tradicionais) com os vinhos da Venâncio da Costa Lima. “As harmonizações que fazemos não é só porque gostamos de bola podre ou de queijo de Azeitão. Há todo um estudo por trás e uma tentativa de ligar sempre a algo que diz respeito à região”, salienta.
O número médio de visitas tem vindo aumentar, graças à proximidade com a capital do país, que permite uma viagem com duração entre 30 a 40 minutos. “Temos estado a absorver o excesso de turismo de Lisboa e Sintra, e temos muitas agências que nos estão a ver como uma alternativa de confiança”, adianta a nossa anfitriã. Sem esquecer o facto de todos os espaços serem acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, pois a visita à adega faz parte de cada ação realizada no contexto do enoturismo.
Visita guiada à adega
A ampliação da adega ocorreu em três fases ao longo das gerações seguintes, para dar resposta às necessidades da empresa. Pelo meio, foi criada a zona da vinificação e a de receção das uvas. Por fim, foi edificada a nave principal, onde estão instalados o armazém, o laboratório, a zona de loteamento e a de expedição. Acrescem as secções de enchimento, com duas linhas para garrafas, barril de inox e de madeira, e de embalagens, bem como as que estão reservadas à rotulagem. Na Venâncio da Costa Lima movimentam-se três milhões de litros de vinho por ano, já que, além da uva vinificada, é comprado vinho previamente selecionado e posteriormente loteado. Trata-se de “um produto de consumo rápido”, para o qual “não se pretende grandes variações de perfil”, informa João Vida, ao contrário do que acontece com o vinho engarrafado.
À medida que nos aproximamos da adega mais antiga, chegamos ao espaço onde estão instaladas enormes cubas de inox, que, em 2009, vieram substituir os depósitos de cimento subterrâneos. São “os pulmões” da Venâncio da Costa Lima. Armazenam o vinho produzido, o comprado e o que está a estagiar. “Manter esses volumes todos é um dos maiores desafios financeiros da empresa”, justifica Joana Vida. Há ainda outro espaço de armazenamento sob a linha de enchimento. No piso inferior ao da loja, a temperatura baixa e a humidade, favoráveis à estabilidade do vinho, propiciam o repouso de tranquilos e fortificados em barris.
Pelo meio, a visita é feita a outro espaço de memórias desta centenária empresa familiar, tal como acontece com a oficina de tanoaria, espaço desativado em 2019, já depois de o octogenário Fernando Rubino ter cessado a função de tanoeiro. O futuro reserva, aqui, um núcleo museológico dedicado a esta profissão, com uma mostra constituída pelo buraco do fogacho (fogueira), os utensílios associados a este ofício – o balde de parafina e o funil, o enxó, o martelo de pena ou os ferros de marcar os barris, entre outros – e as cartolas (vasilha de madeira de pequenas dimensões) de castanho.
As memórias de tempos idos reavivam-se uma vez mais quando é dada a conhecer uma das relíquias do fundador da empresa. Trata-se da viatura da norte-americana DeSoto, produzida pela Chrysler, com o registo do ano de 1948. A cor azul em nada teria passado despercebida cada vez que Venâncio da Costa Lima percorria as ruas da Quinta do Anjo. “O meu pai lembra-se de ir a Fátima, neste carro, com Venâncio da Costa Lima, sentado num banquinho, que punham aqui atrás”, recorda Joana Vida.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
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Venâncio Costa Lima Edição Especial do Centenário
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima
Fortificado/ Licoroso - 2016 -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - 2019 -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima Rúbrica
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima
Tinto - 2022 -

Venâncio Costa Lima
Tinto - 2023
Oito expressões Vintage da Symington Family Estates

Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito […]
Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito limitada, bem como uma restrita selecção da Quinta de Roriz (este conjuntamente com a família Prats).
“Eis o marco que simboliza o regresso a uma vindima clássica no Douro após um intervalo excecionalmente longo de sete anos”, de acordo com o comunicado. Segundo manda a cartilha, são referências que expressam uma qualidade excepcional e respeitam o compromisso com padrões elevados no que à qualidade diz respeito.
Trata-se, portanto, de uma decisão que “não obedece a calendários”, mas antes à virtude de aguardar pelo momento certo, tendo as castas tintas Touriga Nacional e Touriga Franca como “barómetros essenciais de um ano Vintage”. Quanto à produção, esta cinge-se a edições limitadas.
“Um hiato de sete anos entre declarações coloca este Vintage num território de raridade histórica. Mas, mais do que isso, é uma afirmação de princípio: num mundo de urgência, acreditamos no valor da espera, porque os grandes Portos Vintage só acontecem quando a natureza dita o momento certo”, resume Charles Symington, representante da quarta geração, enólogo-chefe e Director de Produção.
O Senhor do Vinho é…. António Ventura

Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura […]
Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura e Enologia. Procurando sempre novas experiências e fontes de conhecimento, obteve, na Charles Sturt University (Austrália), o diploma Applied Science (Winemaking), finalizando o percurso académico com uma pós-graduação em viticultura e enologia na Universidade Católica do Porto. Nessa altura, tinha já vasta experiência de enologia em diversas casas, o que o levou, em 2000, a constituir a Provintage, empresa de consultoria enológica e estratégica. Ele próprio agricultor e viticultor, possui cerca de 100 hectares na região de Lisboa, 50 dos quais são vinha e os restantes dedicados à floresta.
António Ventura sempre apreciou trabalhar em equipas. Para além dos profissionais que consigo colaboram nas múltiplas adegas e a quem transmite diariamente os seus conhecimentos, foi presidente da Associação Portuguesa de Enologia em dois mandatos, sendo também membro efectivo, desde 1995, da Australian Society of Viticulture and Oenology.
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões vitivinícolas de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal. Na sua actual “carteira de clientes”, estão nomes tão distintos na dimensão, objectivos e perfis de vinho como Adega de S. Mamede da Ventosa, Adega da Batalha, Quinta do Gradil, Casa das Gaeiras, Paço das Cortes e Casa Romana Vini (Lisboa); Adega de Almeirim, Quinta da Atela, Quinta do Côro, Quinta dos Pegões, Quinta da Badula e Quinta de Vale de Fornos (Tejo); Adega de Cantanhede (Bairrada); Adega Camolas (Península de Setúbal); Altas Quintas, Sovibor e Herdade do Monte Branco (Alentejo). No grupo Abegoaria é consultor para as regiões de Lisboa (Vidigal Wines, com o best seller Porta 6), Tejo, Douro e Beiras.
O facto de ser, muito provavelmente, o enólogo português com mais litros de vinho sob sua directa responsabilidade não lhe tira o sono. Metódico, dotado de prodigiosa memória e sentido de organização, acompanha cada produtor como se fosse o único. E ainda arranja tempo para dar uma ajuda numa prova ou concurso onde o nome dos vinhos de Portugal possa sair valorizado. Sempre espalhando gentileza e sabedoria, a forma de estar no mundo deste grande Senhor do Vinho. L.L.
O Prémio Senhor do Vinho é patrocinado por Cork Supply.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
A Empresa de Vinhos Generosos do ano é… Real Companhia Velha

A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com […]
A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com base no espólio adquirido.
A Real Companhia Velha (RCV) é um caso paradigmático de empresa, que resulta da união de várias companhias e conserva, hoje, um carácter familiar. Os Silva Reis compraram a empresa Miguel de Souza Guedes em 1953 (e com ela a Quinta das Carvalhas) e, em 1960, a RCV. Com a aquisição da Real Vinícola, em 1963, a empresa tornou-se um gigante, mas não deixou de ser familiar. Actualmente, já há uma nova geração de Silva Reis empenhada na continuação deste legado. E o legado inclui muitos e extraordinários vinhos velhos que pudemos apreciar em 2025, tawnies que desafiam o tempo e revelam toda a apetência que o Vinho do Porto tem pelo “sono em cave”.
Pedro Silva Reis, CEO da empresa, ainda que nunca escondendo o seu gosto pelo Vinho do Porto e pela arte do blend, tem mostrado total abertura a novos rumos, nomeadamente nos DOC Douro, deixando, à nova geração, o poder de decisão sobre novos produtos e novas experiências, com base em uvas das várias quintas, sempre “abençoadas” pela mão segura de Álvaro Lopes e o “nariz” apurado do enólogo Jorge Moreira.
O portefólio dos vinhos velhos é muito completo, de que são bom exemplo os tawnies 50 e 80 anos provados, bem como os Very Old Tawny que não nos saem da memória. A conservação destes vinhos muito velhos reveste-se de grande dificuldade e um provador tem de ser formado ao longo de muitos anos. Não é assunto que se aprenda na Faculdade. E é esse saber antigo que as actuais empresas do sector têm de ser capazes de assegurar para as gerações futuras. A RCV já está a trabalhar nesse assunto. Pedro Silva Reis tem mostrado uma disponibilidade e uma abertura ao diálogo com a imprensa que é de registar: abre as portas, abre os livros, mostra os “segredos” e a conversa flui. Assim deveria ser sempre e na Real já é! J.P.M.
O Prémio Empresa de Vinhos Generosos do ano foi patrocinado por: BA Glass
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)













