ENOTURISMO: QUINTA DA CÔRTE

Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, […]
Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, em muitos locais, a frescura necessária para que os vinhos não se tornem apenas potentes. O resultado traduz-se numa região de maturações consistentes, mas também de nuances, onde a altitude, as encostas e a exposição solar mudam o carácter da matéria-prima.
A orografia é outro um dos grandes fatores desta sub-região. As vinhas avançam por encostas inclinadas, patamares, socalcos e pequenos vales, que desenham uma paisagem de rara dramaticidade. O homem não encontrou aqui uma terra pronta a ser cultivada. Teve de a construir, pedra sobre pedra, muro sobre muro, transformando a montanha em vinha e a dificuldade em património. A viticultura é também uma forma de arquitetura, uma maneira de organizar o impossível.
Os solos, dominados pelo xisto, dão à videira uma condição quase ascética. São solos pobres, pedregosos, fraturados, com pouca generosidade aparente. No entanto, é precisamente dessa pobreza que nasce parte da grandeza dos vinhos. A raiz é obrigada a procurar fundo, a insinuar-se nas fissuras da rocha, a vencer a secura e a escassez. A videira aprende, assim, uma lição antiga, aquilo que é fácil raramente produz profundidade.
Já o clima do Cima Corgo é marcado por uma transição progressiva. À medida que se avança para o interior do vale duriense, diminui a influência atlântica e aumentam o calor, a secura e as amplitudes térmicas. A chuva, mais moderada que no Baixo Corgo e menos escassa que no Douro Superior, coloca a sub-região do Cima Corgo num ponto intermédio particularmente interessante. Há água suficiente para evitar, em muitos anos, o sofrimento extremo da videira, mas não tanta que dilua a concentração. É uma pluviosidade de medida difícil, quase filosófica, nem excesso, nem ausência; apenas o bastante para manter viva a tensão. É nessa tensão que o Cima Corgo encontra a sua assinatura. Os microclimas multiplicam-se de encosta para encosta, consoante a exposição ao sol – uma vinha virada a sul amadurece de forma diferente de uma vinha voltada a norte. As cotas mais altas podem preservar acidez e elegância, enquanto as zonas mais baixas e quentes podem oferecer corpo, maturação e densidade.
Vinhas velhas, arquivos vivos
As castas tintas encontram aqui um dos seus palcos naturais. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e Sousão fazem parte do vocabulário essencial da região. Cada uma contribui com a sua voz. Umas trazem perfume, outras estrutura, umas dão cor, outras frescura, umas oferecem fruta madura, outras firmeza tânica. As castas brancas – Rabigato, Viosinho, Gouveio, Códega do Larinho e Malvasia Fina – ajudam a desenhar vinhos de maior tensão, sobretudo quando plantadas em altitude ou em exposições menos castigadas pelo sol.
Mas a verdadeira alma do Cima Corgo está, muitas vezes, nas vinhas velhas, onde várias castas partilham a mesma parcela como uma comunidade antiga. São arquivos vivos que guardam decisões tomadas por gerações anteriores, adaptadas ao relevo, ao clima e à experiência. Ali, a complexidade advém de uma sabedoria rural, que, muito antes da teoria, percebeu que a diversidade é uma forma de equilíbrio.
Os vinhos tintos do Cima Corgo costumam revelar uma combinação rara entre concentração e elegância, têm cor profunda, fruta madura, notas florais, especiarias, esteva, taninos firmes e uma capacidade natural para evoluir em garrafa. A sua força está na proporção. Têm músculo, mas também nervo, têm densidade, mas também ritmo, têm presença.
Nos brancos, a sub-região mostra uma faceta menos óbvia, mas cada vez mais valorizada. As vinhas de altitude, os solos de xisto e as exposições menos soalheiras e, por conseguinte, mais frescas, permitem criar vinhos com acidez firme, textura mineral e grande vocação gastronómica. São brancos que não se limitam à leveza aromática. Trazem pedra, citrino, ervas secas, fruta contida e persistência.
O Cima Corgo é igualmente território fundamental para os grandes Vinhos do Porto. A maturação das uvas, a concentração fenólica e a riqueza estrutural das castas tintas fazem desta sub-região uma origem privilegiada para vinhos intensos, profundos e longevos. Aqui, Porto e Douro DOC são duas expressões da mesma matriz.
Memórias regionais à mesa
O acervo gastronómico duriense é uma herança de gestos, de lume brando, de mãos calejadas, de panelas que guardam o tempo. À mesa sente-se o perfume da terra. O azeite contém a memória das oliveiras antigas. O pão conserva o calor do forno comunitário. Os enchidos, os presuntos, as carnes fumadas e curadas são o reflexo de invernos longos, de matanças partilhadas, de famílias reunidas em torno de um ritual onde nada se desperdiçava. A cozinha era baseada, antes de tudo, na ética de aproveitar, respeitar, prolongar.
Cabrito assado, arroz de forno, feijoada à transmontana, rancho, posta, bola de carne e peixes do rio, quando o rio ainda se dava com generosidade, transpõem uma verdade sem artifício. São sabores telúricos, comida de casa, de festa e de trabalho. Comida que sacia e reconcilia o corpo com a origem.
A doçaria, por sua vez, revela o lado íntimo deste património, com os doces de ovos, as cavacas, os folares, a aletria, o arroz-doce, as compotas de fruta madura, a amêndoa e o mel. Tudo parece nascer de uma delicadeza doméstica, de uma sabedoria feminina muitas vezes anónima, transmitida sem tratados, mas com precisão. Cada doce guarda uma festa, uma promessa, uma romaria, um domingo.
Falar do acervo gastronómico desta parte do Douro é, portanto, falar de uma biblioteca sem estantes, mas sim de salgadeiras, tachos, fornos, adegas, lagares e toalhas de linho. As páginas escrevem-se com aromas de alho, louro, vinho, fumo, azeite e canela. Os leitores somos nós, sempre que nos sentamos à mesa com disponibilidade para provar e sermos felizes.
Num tempo em que a globalização tende a uniformizar o gosto, esta cozinha permanece como ato de resistência e de partilha. O futuro gastronómico do Douro depende dessa capacidade de honrar a tradição sem a cristalizar e inovar sem romper o fio invisível que liga cada prato à paisagem humana. Porque a gastronomia, quando é verdadeira, pertence ao passado, mas é igualmente memória em movimento.
A decoração introduz uma vibração inesperada, com peças de artesãos locais e obras de arte distribuídas por vários recantos
Visão atual do vinho
Voltar ao Douro é aceitar que a paisagem nunca se repete. Há qualquer coisa de inaugural em cada chegada. Foi esse impulso, quase inevitável, que me levou à Quinta da Côrte, localizada em Valença do Douro, no concelho de Tabuaço. Integrada no portefólio do grupo Vignobles Austruy, que reúne cinco produtores em França, Portugal e Itália, esta propriedade duriense simboliza o encontro entre a visão contemporânea do vinho e uma herança profundamente enraizada na história. À frente deste projeto está Philippe Austruy, empresário francês ligado à indústria médica, mas movido por uma paixão antiga e crescente pelo universo vitivinícola.
Entre encostas austeras e luminosas, a propriedade testemunha uma história nobre marcada pelo primeiro registo de plantação de vinha em 1814. Do ponto de vista vitícola, a Quinta da Côrte apresenta uma matriz profundamente duriense, sendo ocupada por cerca de 26 hectares de vinha classificada com a Letra A, com exposição a norte, densidade média de plantação entre 3500 e 4000 pés por hectare e idade média de 40 anos. Parte significativa do património vitícola é constituída por vinhas com idades entre os 90 e os 110 anos, instaladas em socalcos tradicionais. Esta idade avançada das videiras contribui para baixos rendimentos naturais, maior profundidade radicular, maior equilíbrio vegetativo e uvas de elevada concentração, aspetos essenciais quer para vinhos tranquilos DOC Douro, quer para categorias especiais de Vinho do Porto.
Tradicionalmente ligada à produção de Vinho do Porto, a Quinta da Côrte iniciou, em 2013, uma nova etapa com a produção e engarrafamento de vinhos DOC Douro e Porto sob marca própria, após a integração no universo de Philippe Austruy. Não se tratou apenas de acrescentar um nome a um rótulo, mas de afirmar uma visão, preservar a alma da propriedade, valorizar o passado e projetá-la para o futuro, com rigor, elegância e autenticidade.
Para dar corpo a esse sonho, Philippe Austruy convidou o arquiteto e designer Pierre Yovanovitch a assumir a conceção e decoração dos interiores da casa. Desse encontro nasceu também uma amizade, fundada na sensibilidade estética e na atenção ao detalhe. A prioridade foi clara: preservar a autenticidade da Quinta da Côrte. Numa primeira fase, Pierre Yovanovitch introduziu adaptações técnicas, reabilitou e modernizou a antiga adega de Vinho do Porto, mantendo a estrutura original e o caráter que Philippe Austruy fez questão de salvaguardar. O resultado é um diálogo raro entre tradição e contemporaneidade, onde cada pedra, cada pipa e cada linha arquitetónica parecem recordar que, no Douro, inovar também é saber escutar o passado.
Luxo discreto
Na Quinta da Côrte, a casa renasceu de uma recuperação que não se limitou a devolver vida aos edifícios, reinventou-lhes a presença. Pierre Yovanovitch, trouxe ao lugar uma leitura contemporânea. O resultado é um espaço onde o Douro antigo dialoga com uma sensibilidade cosmopolita. A arquitetura preserva a memória, mas a decoração introduz uma vibração inesperada, peças de artesãos locais, obras de arte distribuídas com naturalidade pelos vários ambientes, fotografias, litografias e candeeiros de autor que permanecem acesos como pequenas vigílias de luz. Dispõe de oito quartos, quatro deles reservados a hóspedes, todos trabalhados sob a ideia de um luxo discreto, feito de detalhe e contenção. A roupa de cama em linho bordado, as almofadas e atoalhados com monogramas, as casas de banho revestidas a faiança artesanal portuguesa e a presença constante da arte compõem uma atmosfera onde nada parece excessivo.
Na casa principal, a traça original foi respeitada com uma linguagem atual. A biblioteca, a sala de estar e as lareiras constroem uma ideia de abrigo, de casa vivida, onde o conforto se sente antes de se explicar. Mas é na cozinha que pulsa o verdadeiro coração da Quinta da Côrte. A monumental chaminé revestida a azulejo concentra a atenção. À sua volta, o lume crepita a todas as horas, oferecendo calor, uma espécie de hospitalidade ancestral. Ao centro, a mesa ampla, revestida por uma criação original que reproduz a paisagem do Vale do Douro e a própria Quinta da Côrte, transforma cada refeição num prolongamento do território. Ao almoço e ao jantar, a mesa é palco da cozinha tradicional despretensiosa e profundamente ligada à região. Chegam pratos feitos com produtos locais, o azeite da Quinta da Côrte, a marmelada da casa e os legumes da horta.
Os espaços exteriores prolongam essa sensação de abrigo e serenidade. O alpendre abre-se a almoços demorados e jantares tranquilos nos dias mais quentes, enquanto a piscina, que parece estar suspensa sobre uma vista panorâmica para o vale do Douro, convida ao repouso. Sob a sombra das azinheiras, o tempo abranda e a paisagem impõe o seu próprio ritmo.
Para quem procura uma ligação mais ativa ao território, há trilhos entre vinhas, com diferentes níveis de dificuldade, capazes de desafiar os mais aventureiros e aproximar cada visitante da geografia viva que dá origem aos vinhos. A visita às duas adegas completa a imersão no universo duriense. Entre tradição e modernidade, o visitante descobre os bastidores da produção dos Vinhos do Porto e dos vinhos DOC Douro, compreendendo melhor o rigor, a sensibilidade e o conhecimento que sustentam cada colheita. Esse trabalho nasce da dedicação do responsável pela viticultura, Flávio Rodrigues, e da mestria da enóloga Alexandra Guedes, que desenha vinhos pensados para serem provados e serem sentidos.

Receber com alma
O enoturismo não se resume a uma visita, a uma prova ou a um percurso entre vinhas e memórias. Ganha rosto, presença e sensibilidade através de Cátia Moura, diretora de enoturismo, uma profissional de exceção que transforma cada encontro numa experiência de autenticidade e zelo.
Cátia Moura possui uma dessas qualidades raras que distinguem quem trabalha não apenas por competência, mas por verdadeira paixão. A sua dedicação sente-se na forma como acolhe, na atenção que dedica a cada visitante e na elegância discreta com que conduz cada momento. Há nela uma entrega serena, uma capacidade natural de fazer com que quem chega se sinta esperado, respeitado e envolvido pela identidade profunda da Quinta da Côrte.
Profissional rigorosa, simpática e profundamente comprometida com aquilo que faz, Cátia Moura representa o enoturismo no seu sentido mais nobre: a arte de contar um território através do vinho, da paisagem, da história e das pessoas. O seu conhecimento alia-se a uma sensibilidade humana rara, criando uma ponte harmoniosa entre a excelência da casa e a emoção de quem a visita. A Cátia Moura é, por conseguinte, guardiã de experiências, intérprete de um lugar e embaixadora de uma forma de receber onde o vinho se encontra com a alma.
Neste quadro de sentimento e de valor, a Quinta da Côrte é, por isso, mais do que uma propriedade duriense. É uma casa aberta sobre o vale, um lugar onde a viagem desacelera e ganha profundidade. Um território onde o enoturismo encontra o refúgio onde a natureza, a vinha e a hospitalidade se unem para recordar ao visitante que há geografias que não cabem nos mapas, porque continuam a crescer dentro de nós muito depois da partida.
A Quinta da Côrte não foi apenas um destino, foi uma pausa com sentido. Aqui fui feliz!
CADERNO DE VISITA
Comodidades e serviços
Línguas faladas: português, espanhol, inglês, francês
Loja de vinhos
Sala de prova: capacidade para 16 pessoas ou sala para entre 4 a 8 pessoas
Diferentes atividades e refeições: almoços ou jantares vínicos com marcação prévia e piquenique na vinha
Parque para automóveis ligeiros: capacidade para 12 carros
Parque para autocarros: junto à quinta, com capacidade para 2 autocarros
Provas comentadas (ver programas)
Wifi gratuito disponível
Visita às vinhas e à adega
Outras atividades/facilidades: Programas combinados com passeios de 4×4 ou trekkings guiados (serviços prestados por parceiros)
Eventos
Eventos corporativos: atividades com e para empresas.
Atividades team-building: atividades de enoturismo são combinadas com turismo da natureza
Programas e experiências
Visitas e Provas de Vinho
Découverte
Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019 e Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018
Preço: €34
Créative
Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte DOC Douro Grande Reserva tinto 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 10 Anos
Preço: €46
Expert
Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 20 Anos
Preço: €62
Premium
Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Vinho do Porto Vintage 2017 e Quinta da Côrte Vinho do Porto Colheita 2015
Mínimo: 4 pax
Preço: €68
Vintage
Quinta da Côrte Porto Vintage 2015, Quinta da Côrte Porto Vintage 2017, Quinta da Côrte Porto Vintage 2020 e Quinta da Côrte Porto Vintage 2021
Mínimo: 4 pax
Preço: €92
Notas e horários
Horários de visita disponíveis
11h00, 15h00 e 17h00 (verão)
11h00, 14h00 e 16h00 (inverno)
Experiências
Passeios pelas vinhas centenárias
Passeios de barco
Vindimas, pisa a pé em lagares de granito e lagaradas tradicionais
Piquenique nas vinhas ou a bordo de um veleiro
Experiência disponível entre maio e outubro, das 12h30 às 14h30, para duas pessoas. O piquenique pode ser realizado junto às vinhas ou, em opção exclusiva, a bordo de um veleiro, com transferes incluídos. O serviço inclui um cesto tradicional, com produtos regionais: vinho DOC Douro branco ou tinto, fumeiros, salada com requeijão e vinagrete, covilhetes, fruta, água, sumo natural ou refrigerante e sandes de pão de caco com rosbife e rúcula. Reserva obrigatória com 24 a 48 horas de antecedência. Alergias ou pedidos especiais devem ser comunicados no ato da reserva.
Preço: €50
Nota: as experiências estão sujeitas à época do ano, nomeadamente à vindima e ao ciclo da vinha.
Refeições
A Quinta da Côrte disponibiliza refeições leves, com base numa lista constituída por sugestões de snacks, em vários espaços da propriedade, com produtos regionais, ingredientes da horta e pomares da quinta, e a cultura vínica à mesa. Os jantares incluem um menu diário composto entrada, prato principal, com opção de peixe ou carne, e sobremesa. Impera a reserva prévia até às 17h30 do próprio dia.
Horário: das 19h30 às 20h30
Preço: €47
Nota: caso o hóspede opte por vinho a copo, é aplicada uma taxa adicional de €28 ou €34 por pessoa, incluindo 3 copos de vinho.
Privatização da casa
Pode ser privatizada para celebrações, eventos íntimos ou reuniões privadas, com uma equipa dedicada à disposição. Tudo é feito mediante consulta prévia
Reservas:
enoturismo.reservas@quintadacorte.com
Contactos:
Quinta da Côrte
5120-491 Valença do Douro
www.quintadacorte.com
Tel.: +351 964 536 200
PROVAM: Três décadas de história de Monção e Melgaço

Corria o ano de 1992 quando dez viticultores das freguesias de Barbeita e Messegães, em Monção, (Fernando Ferreira, Fernando Costa, Manuel Gil Batista, José Silva, Américo Barbosa, José Manuel Costa, Cândido Costa, Sofia Rodrigues, Cândido Rodrigues e João Sousa), tomaram uma decisão que mudaria para sempre o destino da Alvarinho nesta sub-região. Não era uma […]
Corria o ano de 1992 quando dez viticultores das freguesias de Barbeita e Messegães, em Monção, (Fernando Ferreira, Fernando Costa, Manuel Gil Batista, José Silva, Américo Barbosa, José Manuel Costa, Cândido Costa, Sofia Rodrigues, Cândido Rodrigues e João Sousa), tomaram uma decisão que mudaria para sempre o destino da Alvarinho nesta sub-região. Não era uma decisão fácil. O minifúndio sempre foi a marca da paisagem minhota, parcelas de meio hectare, vinhas de família, uma tradição de autossuficiência que tanto preservava a identidade, como limitava a ambição. Mas aqueles dez homens e mulheres viram mais longe. Quiseram juntar o que tinham de melhor: terra, conhecimento e vontade coletiva. Assim nasceu a PROVAM – Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção.
A escolha do local não foi acidental. Barbeita ocupa uma posição privilegiada num microclima único, protegido por um anfiteatro de montanhas que mitiga a influência atlântica e cria as condições necessárias para que a uva Alvarinho atinja uma maturação lenta, aromática e com uma acidez que a distingue de qualquer outra casta portuguesa. Os verões são mais quentes e secos do que no restante território dos Vinhos Verdes, os solos são graníticos, pobres e bem drenados e as raízes das videiras descem fundo à procura de água e minerais. É desta integração que nasce a complexidade inconfundível dos vinhos desta casa.
A fundação oficial de 1992 foi apenas o primeiro passo. Em 1993, sob a orientação técnica dos enólogos Anselmo Mendes e Luís Euclides, foi o ano da primeira vindima da PROVAM, lançando as bases do Portal do Fidalgo, um nome que rapidamente se tornaria sinónimo do que de melhor se fazia na região. A designação não era uma afetação, mas uma declaração de intenções: tratar esta casta como se de um fidalgo se tratasse.
Desde o início, a equipa estabeleceu uma prática que seria determinante para o prestígio futuro da casa: guardar stock de cada colheita do Portal do Fidalgo. Este arquivo líquido, como alguns o chamam, permitiu estudar a evolução da Alvarinho ao longo das décadas seguintes, provando de forma inequívoca que esta casta, ao contrário do que o senso comum afirmava, tem um potencial de envelhecimento extraordinário, colocando-a ao lado dos grandes brancos do mundo.
Uma rede de 200 guardiões
Trinta e três anos depois, a PROVAM não é apenas a história dos seus fundadores. É o sustento e a razão de ser de aproximadamente 200 viticultores da sub-região de Monção e Melgaço, que, juntos, cultivam cerca de 160 hectares de vinha. Os dez sócios originais representam, hoje, cerca de um quarto da produção total, o restante provém de uma rede de micro-produtores e, muitos deles, fornecem a adega há mais de 20 anos.
Esta estrutura é, ao mesmo tempo, a maior força e o maior desafio da empresa. Por um lado, garante uma diversidade impossível de replicar numa exploração de propriedade única: parcelas em diferentes exposições, diferentes altitudes, diferentes idades de vinha. Por outro lado, exige uma logística e uma disciplina enológica rigorosas, para garantir que toda essa diversidade se converta em consistência de qualidade nas marcas comercializadas. Produzir cerca de meio milhão de garrafas por ano a partir de centenas de parcelas diferentes, mantendo o caráter e a identidade de cada linha, é um exercício que poucos conseguem dominar.
E domina-o a PROVAM, porque investiu, ao longo dos anos, tanto em infraestrutura, como em relações humanas.
A adega em Barbeita foi crescendo à medida que a ambição crescia. De instalações modestas passou a uma unidade moderna com capacidade para 830 mil litros, linha de engarrafamento capaz de processar 12 000 garrafas por dia, adegas climatizadas para espumantes e uma cave de barricas dedicada ao envelhecimento dos vinhos de grande qualidade. Só entre 2023 e 2025, sob a direção de Élio Lara, o mais recente enólogo da casa, foram investidos cerca de 300 mil euros em melhorias técnicas e de capacidade produtiva.
A relação com os viticultores vai além do contrato de fornecimento. A PROVAM paga habitualmente um preço superior à média regional pela uva Alvarinho, num mercado que movimenta 25 milhões de euros anuais e investe no acompanhamento técnico das vinhas. Esta política não é apenas ética, mas estratégica. Vinhas bem tratadas, com viticultores motivados e economicamente sustentados, produzem melhores uvas. E o envelhecimento progressivo de muitas dessas vinhas, algumas já com mais de 30 anos, está a transformar-se numa vantagem competitiva crescente.
A madeira e as rolhas
Há casas que constroem a sua reputação na continuidade, a PROVAM construiu a sua também na ousadia calculada. Em 1995, quando a adega tinha pouco mais de dois anos de vida, os seus enólogos iniciaram os primeiros ensaios de estágio da Alvarinho em barricas de carvalho francês. Era uma ideia heterodoxa para a época. A Alvarinho de Monção e Melgaço dava origem a vinhos de expressão fresca, aromática e de consumo jovem, nos quais a madeira, argumentavam os mais conservadores, mataria precisamente o que o tornava especial.
A PROVAM não aceitou esse argumento. Em 1996, lançou o Vinha Antiga, tornando-se uma das primeiras casas da sub-região a explorar a fermentação e o estágio em barrica para a Alvarinho. O objetivo não era sobrepor a madeira à casta, mas antes dar-lhe uma estrutura e uma untuosidade adicionais que permitissem ao vinho envelhecer com graça durante anos ou décadas. Os resultados deram-lhes razão. O Vinha Antiga tornou-se uma referência de culto entre os apreciadores mais sérios da Alvarinho e abriu portas a uma conversa mais ampla sobre o potencial de guarda desta casta. Uma conversa que hoje, 30 anos depois, é aceite como um dado adquirido.
O mesmo espírito pioneiro guiou a decisão, em 2000, de investir na espumantização da Alvarinho. Quando a PROVAM lançou o Côto de Mamoelas, o primeiro espumante de Alvarinho pelo método clássico da casa, o mercado ainda olhava com ceticismo para a ideia. Bolhas num Alvarinho? A acidez natural da casta, que tantos vinhos brancos estáticos tornava frescos e vibrantes, era precisamente o ativo mais valioso para a segunda fermentação em garrafa. A PROVAM reconheceu-o antes da maioria.
Hoje, o espumante não é apenas uma linha de produto, mas sim uma convicção estratégica. A cave de espumantes em Barbeita, construída em 2002 e progressivamente ampliada, tem capacidade para acolher volumes significativos. Na adega, foi criada uma sala intimista dedicada a provas exclusivas. Em 2026, após décadas de paciência e investimento, a PROVAM pode afirmar com plena confiança que foi uma das fundadoras de uma categoria que, hoje, é símbolo de distinção: o espumante de Alvarinho de Monção e Melgaço.
De Anselmo Mendes e Élio Lara
Uma casa com 33 anos de história também é uma história de pessoas. A PROVAM foi moldada por uma sucessão de enólogos que, cada um à sua maneira, deixaram marca na identidade dos seus vinhos. Anselmo Mendes, que acompanhou os primeiros anos da empresa juntamente com Luís Euclides, estabeleceu os alicerces técnicos e a ambição qualitativa que definiria os anos subsequentes. A passagem de José Domingues, entre 2003 e 2013, correspondeu a um período de consolidação e refinamento. Abel Codesso marcou uma fase de experimentação e aprofundamento da linguagem da madeira, até 2024.
A chegada de Élio Lara ao leme enológico, em 2025, coincide com o momento de maior investimento e renovação da história da casa. Sob a sua direção técnica, a PROVAM expandiu a capacidade produtiva de 600 para 830 mil litros, modernizou a linha de engarrafamento e introduziu novas abordagens na receção da uva e na vinificação em inox, que visam preservar, ao máximo, a frescura e os aromas primários que são a assinatura da região. É uma filosofia de intervenção mínima: deixar que a uva e o território falem sem interferências desnecessárias.
O portefólio que Élio Lara herda e continua a desenvolver é, simultaneamente, uma tradição e um laboratório. O Contradição, um dos vinhos mais intrigantes da casa, é uma reflexão sobre o que acontece quando se desafia a leitura convencional da Alvarinho. A linha Exemplar representa o padrão de qualidade que a adega pretende para os seus vinhos de topo. Em 2025, o vinho Exemplar foi distinguido com o Prémio de Design na categoria de Vinho de Curtimenta na segunda edição dos “Mutante Awards”, uma validação que vai além da qualidade intrínseca do vinho e reconhece a coerência entre produto, identidade e comunicação.
A adega como centro de experiências
Há uma transformação discreta, mas profunda a acontecer em Barbeita, e ela vai muito além da adega. A PROVAM tem vindo a afirmar-se como um dos operadores de enoturismo mais inovadores do Minho, transformando a sua unidade de produção num centro de experiências culturais e sensoriais que combina vinho, gastronomia, artesanato e tradição local de formas que poucos esperariam encontrar numa adega de dimensão média.
A oferta estruturada de visitas e provas cobre um espectro amplo de interesses e conhecimentos: desde a Prova Terroir, que introduz o visitante à génese da marca, através do Portal do Fidalgo e do Varanda do Conde, à Prova Fidalga, uma experiência completa com seis vinhos e petiscos regionais pensada para os conhecedores mais exigentes. A cave de espumantes ganhou, nos últimos anos, uma sala dedicada a provas mais íntimas e exclusivas, um espaço onde a segunda fermentação em garrafa é não apenas explicada, mas vivida, num ambiente que faz jus à importância do espumante na identidade da casa.
Mas é no chamado turismo criativo que a PROVAM mais surpreende. A ideia de cruzar vinho com outras expressões culturais e artesanais da região não é apenas uma estratégia de diferenciação: é uma declaração de valores. O workshop “Bordado e Vinho”, onde os participantes aprendem a arte do bordado tradicional minhoto enquanto degustam espumantes da casa, combina duas expressões identitárias do território de uma forma que nenhum catálogo turístico poderia inventar. O workshop “Roscas”, dedicado à doçaria ancestral de Monção harmonizada com os vinhos da casa, é outra proposta onde a gastronomia e o vinho se encontram não como categorias separadas, mas como expressões do mesmo saber local.
Para os próximos meses, a agenda continua a expandir-se com propostas que reforçam esta abordagem de colocar o vinho no centro de uma experiência mais ampla, onde gastronomia, cultura e território se articulam de forma natural e autêntica.
200 viticultores da sub-região de Monção e Melgaço cultivam cerca de 160 hectares de vinha
O mercado e os ventos da geopolítica
A PROVAM opera numa sub-região que vive um dos momentos mais interessantes da história comercial. A Alvarinho de Monção e Melgaço é, atualmente, uma das uvas mais valorizadas de Portugal e o conjunto dos produtores da sub-região movimenta uma faturação anual próxima dos 25 milhões de euros. A exportação representa uma fatia crescente desse valor em mercados, como os Estados Unidos, França, Reino Unido, Polónia e Alemanha, que absorvem parcelas cada vez maiores da produção regional.
Mas o contexto geopolítico dos últimos anos trouxe turbulência. A ameaça de tarifas aduaneiras elevadas por parte dos Estados Unidos, num cenário que chegou a contemplar a possibilidade de sobretaxas que tornariam inviável a exportação para o principal mercado externo dos vinhos verdes, e as complexidades burocráticas resultantes do Brexit obrigaram produtores, como a PROVAM, a repensar a geografia das suas exportações. A resposta tem sido a diversificação. Brasil, Coreia do Sul, Hungria, Austrália são destinos cada vez mais presentes nas estratégias comerciais da casa.
A valorização das certificações de Denominação de Origem e da distinção específica de Monção e Melgaço, que desde 2017 conta com um selo de garantia exclusivo que certifica a origem integral das uvas nesta sub-região, é vista como o principal argumento de resiliência. Num mercado global saturado de vinhos brancos, a especificidade geográfica e a impossibilidade de replicação do “terroir” são os ativos mais sólidos de que uma casa como a PROVAM dispõe. Um consumidor no Porto, em Paris ou em Seul que compra um Portal do Fidalgo não está apenas a comprar um vinho branco, está a comprar um lugar, uma tradição, uma promessa de autenticidade que não tem equivalente.
A sustentabilidade como modo de vida
Para uma empresa que depende de 200 pequenos produtores e de um território com características únicas e frágeis, a sustentabilidade não é uma tendência de marketing: é uma condição de sobrevivência. A PROVAM compreendeu-o desde cedo e a forma como estrutura a sua relação com os viticultores da rede é, em si mesma, um modelo de sustentabilidade social que vai muito além do que qualquer certificação pode certificar.
Garantir um preço justo pela uva, acima da média regional, é a forma mais direta de combater o abandono rural e a litoralização, que ameaça tantas regiões do interior português. As vinhas velhas que a PROVAM tanto valoriza existem, porque há famílias que as cultivaram por gerações e continuarão a existir apenas enquanto essa atividade for economicamente viável para essas famílias. Quando a adega investe no acompanhamento técnico das vinhas dos seus fornecedores, não está apenas a melhorar a qualidade da matéria-prima, mas a transferir conhecimento que perpetua um modo de vida e preserva um sistema agrícola com décadas de adaptação ao território.
Do ponto de vista ambiental, as vinhas velhas apresentam vantagens significativas: o seu sistema radicular profundo torna-as mais resilientes à seca, exige menos intervenções de irrigação e reduz a necessidade de tratamentos fitossanitários. Numa região onde as alterações climáticas estão já a fazer-se sentir em colheitas mais precoces e em verões mais quentes, preservar este capital vivo é uma aposta de longo prazo. A PROVAM afirma um “compromisso contínuo com a sustentabilidade, cuidando do território, das pessoas e do futuro” e os factos da sua operação sustentam essa afirmação.
Quando o copo confirma a promessa
Ao longo de três décadas, os vinhos da PROVAM acumularam um historial crítico que valida, prova a prova, a consistência do projeto. O Portal do Fidalgo é frequentador assíduo dos pódios de competições internacionais. Os diferentes vinhos produzidos pela empresa têm sido bem pontuados nas revistas, nacionais e estrangeiras, especializadas. O que se traduz numa validação particularmente significativa para um espumante de Alvarinho que está a construir a sua própria categoria.
Estes reconhecimentos funcionam como amplificadores da reputação em mercados externos onde a PROVAM ainda está a construir presença. Para um comprador em Nova Iorque, Berlim ou Seul que ainda não conhece a sub-região de Monção e Melgaço, uma medalha num concurso de referência ou uma pontuação elevada numa publicação especializada serve como prova de confiança e garantia de qualidade. É a tradução do terroir para uma linguagem universal.
Mas o prémio que, em 2025, mais revelou a evolução da casa foi talvez o menos esperado: o Prémio de Design na categoria de Vinho de Curtimenta para o Exemplar 2020, distinguido na segunda edição dos Mutante Awards. Num setor onde o design é frequentemente tratado como um exercício decorativo, a PROVAM escolheu encará-lo como o que realmente é: a extensão visual de uma identidade, o primeiro capítulo da história que um vinho conta antes de ser aberto. Este reconhecimento não premiou apenas um rótulo bonito, mas uma coerência entre produto, território e comunicação que a casa tem vindo a construir pacientemente ao longo de 33 anos.
Um futuro por escrever
Em 2026, quando se olha para o percurso da PROVAM desde aquelas primeiras reuniões entre dez amigos de Barbeita e Messegães, o que mais impressiona não é a dimensão do que foi construído – embora 830 mil litros de capacidade, 200 viticultores associados e presença em dezenas de mercados internacionais não seja pouco. O que impressiona é a coerência do percurso.
Esta é uma casa que nunca se esqueceu de onde veio. Que construiu o futuro sem demolir o passado. Que ousou na madeira e nas bolhas quando os outros hesitavam, mas nunca abandonou a mineralidade granítica e a acidez cítrica que são a alma da Alvarinho de Monção e Melgaço. Que renovou a imagem sem trair a essência. Que transformou a adega num centro cultural sem perder o foco na qualidade do que está na garrafa.
Os desafios que se avizinham são reais. O envelhecimento da rede de viticultores e a dificuldade em atrair novas gerações para uma atividade exigente e fisicamente árdua. A volatilidade geopolítica que torna os mercados de exportação cada vez mais imprevisíveis. A pressão crescente das alterações climáticas sobre um território que deve a sua singularidade precisamente ao seu microclima específico. A necessidade de crescer em escala sem perder a identidade que justifica o posicionamento alicerçado na qualidade.
Mas a PROVAM chega a este momento com ativos que poucos concorrentes têm em igual medida: um arquivo de colheitas que documenta 30 anos de evolução do Alvarinho no seu terroir de origem, uma rede de duzentos viticultores com profundo conhecimento das suas parcelas, uma cave de espumantes construída com paciência e convicção quando ninguém apostava nessa categoria, uma nova geração de vinhos, de comunicação e de experiências de enoturismo, que mostram que a capacidade de reinvenção está intacta. O que emerge destas páginas é o retrato de uma empresa “demasiado grande para ser pequena e demasiado pequena para ser grande”. No final, o vinho continua a ser uma forma de contar histórias. E na PROVAM, essas histórias continuam a escrever-se com tempo, com identidade e, sobretudo, com alma.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
PROVA BICAL: Entre Dão e Bairrada

Como acontece com tantas outras castas portuguesas, esta variedade viveu durante muito tempo misturada nas vinhas, onde ajudava ao field blend das vindimas feitas a eito. Por essa razão, é muito difícil procurar vinhos varietais nas duas regiões em que está mais presente. No Dão, por exemplo, encontrar vinhos brancos varietais é uma dificuldade generalizada, […]
Como acontece com tantas outras castas portuguesas, esta variedade viveu durante muito tempo misturada nas vinhas, onde ajudava ao field blend das vindimas feitas a eito. Por essa razão, é muito difícil procurar vinhos varietais nas duas regiões em que está mais presente. No Dão, por exemplo, encontrar vinhos brancos varietais é uma dificuldade generalizada, a que também não escapa a Encruzado, a tal variedade que só despertou da letargia nos anos 90 do século XX.
A Bical será filha da Malvasia Fina e de pai desconhecido. Esta é a linhagem que se conhece e é admitida como mais válida actualmente. Vem o tema a propósito porque, numa pesquisa no Google, somos informados que o “pai desconhecido” afinal seria a casta Esgana Cão (Sercial). Esta existe em Bucelas e na Madeira, segundo António Graça, investigador e cientista ligado à genética, nada nos conhecimentos actuais nos pode levar a pensar que Esgana Cão seja “pai” da Bical, variedade que encontrou na Bairrada um local excelente para se desenvolver, devido ao facto de ser uma casta precoce (e, por consequência, vindimada mais cedo do que outras) permite aos produtores colhê-la antes da chuva do equinócio, o verdadeiro trauma das gentes bairradinas.
O facto de ser precoce, só por si, não era, outrora, garantia segura. Do ponto de vista vitícola, era uma casta mal-amada na Bairrada, uma vez que era muito atreita ao desavinho e ao oídio, produzia mal e pouco (Ver As Castas do Vinho, João Afonso, 2023). Esta combinação de factores, que poderemos apelidar de “trágica”, só se alterou pela selecção clonal, controle das doenças da vinha e melhorias da viticultura. Foi assim que passou de mal-amada a uma variedade que Luís Lopes, enólogo do Dão (Domínio do Açor, Quinta das Marias) e na Bairrada, não hesitou em considerar “uma das melhores castas portuguesas”.
O que é que a Bical tem?
Dou aqui a palavra aos enólogos com quem debati este assunto. Luís Lopes reconhece-lhe a facilidade de cultivo, porém exigente no tipo de solo onde está implantada, porque “em solos secos perde muita acidez”. Terá sido este factor que levou os enólogos da Quinta dos Carvalhais, localizada no Dão, a optarem pelo arranque das vinhas de Bical. Manuel Vieira, em tempos enólogo nesta propriedade vitivinícola, explica: “só fizemos uma colheita com Bical, mas, em virtude da falta de acidez, tivemos de lhe juntar Loureiro, casta dos [Vinhos]Verdes que, no Dão, produzia muito. Saiu assim unicamente uma edição de Bical/Loureiro na colheita de 2000. Depois decidimo-nos pelo arranque”.
Do ponto de vista produtivo e na adega é casta que requer muita atenção do enólogo, pois “tão depressa fica o vinho reduzido, como pode oxidar rapidamente”, lembra Luís Lopes, que enaltece diferenças na variedade conforme a região: mais salinidade no Dão e mais notas de talco, que derivam do calcário, na Bairrada. Já Francisco Antunes, enólogo do Grupo Bacalhôa, que estudou a casta Bical no seu trabalho de fim de curso de enologia, elogia a casta, embora reconheça o quão é trabalhosa na vinha: “requer muita atenção e tratamentos adequados, mas, nas vinhas velhas, apesar da baixa produção, origina vinhos espectaculares. Parece pouco exuberante nos aromas, mas é casta que cresce imenso em garrafa e, por isso, pode considerar-se geradora de um vinho de guarda. As Caves Aliança tiveram uma colecção de vinhos debaixo do “chapéu” Galeria (a partir de 1989), que eram vinhos varietais e já, então, existia um branco de Bical”, recorda.
A fermentação, ainda segundo Francisco Antunes, pode decorrer em barrica. Contudo, a bâtonnage tem de ser muito moderada, para não resultar num branco muito pesado. Assim, no Bacalhôa 1931 faz-se a fermentação em quatro momentos: inox, barrica nova, barrica de um ano e barrica de dois anos; depois faz-se o lote nas percentagens determinadas pela prova. Normalmente, fica ainda um ano em garrafa antes da comercialização. É, portanto, uma casta que requer tempo e paciência. Ainda assim, como nos recordou, “tempo não se compra em enologia”. Luís Lopes, que trabalha a variedade nas duas regiões, recorda: “no Açor, temos solos com muito limo, que nos conservam bem a acidez do mosto e, na Bairrada, o calcário e a frescura do clima ajudam também à manutenção do ambiente de vivacidade no vinho”. Já Jorge Moreira, enólogo e um dos três fundadores do projecto M.O.B., acredita que é da combinação e proporção ajustada entre a Bical e a Encruzado que se conseguem os melhores resultados. Na empresa, o branco topo-de-gama é o Gauvé que, precisamente, é feito de 70% de Bical com 30% de Encruzado. Na zona onde estão as suas vinhas (Serra da Estrela), consegue-se excelente acidez. No entanto, “é preciso muito cuidado para não perder a estrutura de boca e a densidade que lhe são próprias”, adverte.
Da prova que fizemos, há algumas notas gerais que merecem destaque: olhando os 15 vinhos como um todo, verifica-se que há claramente uma preocupação com a diminuição da graduação, com nove amostras abaixo dos 13% de álcool e apenas uma com 13,5%. Apesar da maioria apresentar rolhas técnicas, houve, ainda assim, problema de rolha numa das referências.
O leque dos preços é variado, todavia isso também indica ao consumidor que muitos destes vinhos são abordáveis, sobretudo se adquiridos fora da restauração. Ficou igualmente claro que, tal como referimos no texto, o vinho ganha com o tempo em garrafa – nenhuma amostra de 2025 e duas de 2024, enquanto as restantes eram anteriores e mostraram que o tempo lhes fez bem. E mesmo ao Quinta dos Roques, já com 11 anos de idade, o tempo moldou-o, mas não o toldou.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Adega de Penalva
Branco - 2023 -

Terras Madre de Água
Branco - 2023 -

Desuso Borrado das Moscas
Branco - 2023 -

Alva Magna
Branco - 2024 -

Quinta dos Roques
Branco - 2015 -

M.O.B.
Branco - 2023 -

Código
Branco - 2024 -

Domínio do Açor Vinha Celta
Branco - 2022 -

Marquês de Marialva
Branco - 2023 -

Quinta dos Abibes
Branco - 2019
QUINTA DO PINTO: O sonho comanda a vida

Foi num dia cinzento, sentados no Defender, no ponto mais alto da mesma, de onde se visualiza a propriedade por inteiro, que Rita Cardoso Pinto desvendou os seus sonhos para a Quinta do Pinto, situada na Merceana, uma aldeia do coração de Alenquer, em plena Região Vitivinícola de Lisboa. Desde (re)colocar os vinhos no mapa […]
Foi num dia cinzento, sentados no Defender, no ponto mais alto da mesma, de onde se visualiza a propriedade por inteiro, que Rita Cardoso Pinto desvendou os seus sonhos para a Quinta do Pinto, situada na Merceana, uma aldeia do coração de Alenquer, em plena Região Vitivinícola de Lisboa. Desde (re)colocar os vinhos no mapa de consumidores, enófilos e restauração, do projecto de enoturismo e de alojamento, já aprovado, dos ‘Jardins d’Hiver’ à Paris – para serem utilizados em eventos, em vez das tradicionais tendas; tudo de enorme bom gosto, diga-se – e da introdução no remanescente da propriedade do cultivo de olival e citrinos.
O sonho comanda a vida…
“Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.”
E que avance é precisamente o que se pretende para a Quinta do Pinto.
A frase aparece no poema “Pedra Filosofal”, escrito por António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho (1906–1997), poeta, professor e divulgador científico português. O poema celebra a força criativa do sonho, afirmando que o mesmo é uma constante da vida, tão concreta quanto os elementos do quotidiano, como as pedras, os rios ou as árvores. O poema foi também musicalizado por Manuel Freire, tornando-se uma canção popular, que ajudou a imortalizar a frase e a difundir a sua mensagem de inspiração e liberdade criativa. “O sonho comanda a vida” rapidamente se tornou um lema motivacional e cultural em Portugal, lembrando que a imaginação e os ideais pessoais têm o poder de moldar a realidade e influenciar o mundo em redor.
A propriedade familiar da Quinta do Pinto estende-se por 120 hectares, circundando um solar do século XVIII geminado com uma adega de alvenaria de traça tradicional. Mais de metade da propriedade acolhe cerca de duas dezenas de castas tintas e brancas, nacionais e internacionais, que servem de base aos cartões-de-visita da casa, os vinhos, divididos pelas múltiplas referências Vinhas do Lasso, Terras do Anjo, Quinta do Pinto e Quinta do Pinto Grande Escolha.
Na verdade, o nome original da propriedade é Quinta do Anjo, mas, por questões de coincidência de marca com a homónima da região dos Queijos de Azeitão DOP, ficou Quinta do Pinto.
E porquê Pinto?
Reza a lenda que o vinho produzido, há três séculos, na propriedade, se destacava de tal forma na região que valia mais vinténs, isto é, mais Pintos, nome da moeda de ouro em circulação no reinado de D. João V. Acresce também a existência de um senhor Pinto, em tempos, um carismático feitor da propriedade, daí que, desde então, na região, a propriedade é referida como Quinta do Pinto. Feliz coincidência, ou destino mesmo, Pinto é igualmente o apelido dos actuais proprietários, os Cardoso Pinto, mais precisamente. Quinta do Pinto tornou-se, assim, o nome deste projecto vitivinícola.
Rita Cardoso Pinto é a front woman da quinta, mas uma palavra prévia será sempre devida ao seu pai, António Cardoso Pinto, o impulsionador do projecto. “É um homem muito intenso a nível familiar. Por ele estávamos todos juntos todos os dias – avós, pais, filhos e netos.” Provavelmente, terá sido essa pulsão que, juntamente com “a paixão de voltar a pôr na terra o que vinha da terra”, que o incitou, em 2003, a procurar um “tecto comum para a família num meio agrícola, mas que fosse próximo de Lisboa”. Encontrou-o precisamente em Alenquer, uma das nove denominações de origem da Região dos Vinhos de Lisboa. “Quando este tecto comum tem uma propriedade agrícola desta dimensão, há que a rentabilizar e dar resposta com o que de melhor esta terra tem para dar. E assim nasce o vinho na Quinta do Pinto”, continua Rita Cardoso Pinto.
“Quando este tecto comum tem uma propriedade agrícola desta dimensão, há que a rentabilizar e dar resposta com o que de melhor esta terra tem para dar. E assim nasce o vinho na Quinta do Pinto”, conta Rita Cardoso Pinto
A vinha e a Tinta Miúda
A vinha está plantada em suaves encostas de solos argilocalcários do período Jurássico, a ocupar metade da área da propriedade, com exposição a Sul e protegida pela Serra de Montejunto, que forma uma barreira face aos ventos proveniente do lado Norte. Beneficia da influência da costa atlântica, pois está a 25 quilómetros em linha recta em direcção ao mar, e usufrui de condições de excelência na região para as características diferenciadoras visadas pelo projecto. A folha contínua de vinha é palco de 27 variedades de castas, brancas e tintas, com primazia natural para as regionais de Lisboa e Alenquer, que se combinam com outras variedades nacionais e algumas internacionais – especialmente da região do Rhône, um gosto confesso e assumido por António Cardoso Pinto –, de forma singular e harmoniosa com o objectivo de dar origem a vinhos que espelham o projecto. Arinto, Fernão Pires, Viosinho, Alvarinho, Marsanne, Roussanne, Viognier, Chardonnay, Tinta Miúda, Touriga Nacional, Aragonez, Syrah, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Merlot são algumas das muitas variedades plantadas.
“Os vinhos portugueses são muito ricos e são, tradicionalmente, muito feitos à base de lotes. É um bocadinho como a música. Temos um solista que tem de ser um Pavarotti nesta vida. Depois temos uma onda mais acústica. E depois temos uma orquestra. O lote é um bocadinho como uma orquestra, em que há vários instrumentos e todos tocam em harmonia”, exemplifica Rita Cardoso Pinto. E prossegue: “são vinhos feitos com muito amor e carinho. São ricos em aroma, estruturados e cheios de boca; têm uma frescura e uma acidez natural, que é expressão desta proximidade atlântica; e têm o cunho, um estilo muito típico da Quinta do Pinto. É um estilo muito próprio e que é elevado, sustentado, por estar nesta região. São vinhos com carácter, com alma. Este é o segredo.”
De todas as castas plantadas, a nossa anfitriã revela o carinho mantido “por um vinho monocasta feito de Tinta Miúda, que é uma casta antiga da região de Lisboa”. É vindimada numa vinha com cerca de 50 anos. “Fazia parte do ADN da casa quando comprámos esta propriedade e nunca a abandonámos.” Esta decisão comprova a preservação feita por parte da família Cardoso Pinto em relação ao que é local, “que é daqui”, daí que seja “um vinho que nos é muito querido. É um vinho com personalidade difícil. Precisa de tempo de garrafa”. Esta acção é, para Rita Cardoso Pinto, um exemplo de que “há coisas pelas quais nós temos de esperar. E a Tinta Miúda exige-nos essa espera. Portanto, é um vinho que nos desafia. Na sua acidez, na sua prova e depois no seu desenvolvimento. É um vinho que interage e que nos impacta”.
No dia que visitei a Quinta do Pinto tiveram a gentileza de abrir comigo um exemplar deste Tinta Miúda do ano de 2004 e, nem vos digo nem vos conto, o bom que estava. É esta magia do vinho, esta generosidade e autenticidade de quem produz vinho que nos move, a emoção visível entre os poucos que estávamos à mesa quando o vinho começou a abrir e desenrolar. Que maravilha! E que boas eram as favas cozinhadas pela avó Cardoso Pinto. E as duas coisas juntas? Divinais! Um verdadeiro momento de portugalidade.
A Quinta do Pinto estende-se por 120 hectares, que circundam um solar do século XVIII geminado com uma adega de alvenaria de traça tradicional
Viticultura sustentável e de precisão
Desde o início do projecto que a família tem seguido os princípios da intervenção mínima, por forma a obter o máximo do potencial das uvas vindimadas naquele terroir, minimizando qualquer outra intervenção e seguindo a filosofia de vinificação tradicional: “o vinho faz-se na vinha”. Com a consciência de uma agricultura sustentável, a Quinta do Pinto está certificada como Produção Integrada e há o espírito de partilha de conhecimento e experiências com entidades, como o Instituto Superior de Agronomia (ISA), de Lisboa, o Institut des Hautes Études de la Vigne et du Vin (IHEV), de Montpellier, com o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) e com o CoLAB Vines & Wines. O objectivo consiste em garantir espaço para investigações científicas em prol do desenvolvimento vitivinícola.
No contexto da viticultura sustentável, é de evidenciar a relação com a viticultura de precisão, que consiste em analisar e actuar de forma diferenciada em cada parcela. Esta acção permite a redução de recursos gastos para o mesmo número de intervenções a efectuar. Com a passagem do tempo, e com base em campos de ensaio, optimizam-se ensaios de desfolha, aprimoram-se técnicas de poda, sistemas de monda, formas de fertilização orgânica, enrelvamentos e seleccionam-se clones e porta-enxertos mais resistentes às alterações climáticas.
O propósito de todo este trabalho incide na finalidade de potenciar a qualidade das uvas, adoptando uma postura de minimização da pegada ecológica, somada a uma viticultura livre de herbicidas, ou seja, feita com base numa fertilização 100% orgânica, o que tem vindo a contribuir para a implementação do conceito de “vinha viva”, no âmbito do qual existe o respeito máximo pelo ecossistema. A produção de uvas também não inclui rega. Já a enologia tem como regra a preservação total das caraterísticas das uvas, de modo a que cada vinho espelhe todo o terroir.
As cubas de cimento
António Cardoso Pinto confidencia-nos que, algures no início do projecto, chegou a ter um negócio praticamente fechado para instalação de modernas cubas de inox, mas a visita do famoso enólogo do Rhône, Michel Chapoutier, aquando de uma das suas vindas à Quinta do Monte d’Oiro (produtor localizado no concelho de Alenquer) tudo fez abortar essa ideia. Ao invés disso, recuperaram-se as dezenas de cubas de cimento centenárias, que, ainda hoje, existem e estão a funcionar.
Na verdade, em 2001, o enólogo Michel Chapoutier, projectou com a ajuda da empresa francesa Nomblot, um tanque de cimento inovador em forma de ovo – no fundo, o ovo não é mais do que uma evolução da ânfora romana e outros recipientes antigos, sendo o seu formato oblongo e curvo, com uma superfície interna lisa e sem cantos – dentro dos princípios da termodinâmica, a responsável pela criação de um vórtice dentro do fermentador, permitindo que o vinho se mova livremente e as borras fiquem suspensas, promovendo uma bâtonnage natural. Mas mais importante do que isso, até porque não há ovos de cimento na Quinta do Pinto, o principal ajuste feito pelo enólogo francês no tanque foi a troca de argila por cimento, um material neutro que não confere sabores extra. Nombolt usa cimento feito de areia do Rio Loire, enquanto o produtor argentino Zuccardi, por exemplo, usa pedras e argila de rios próximos, pretendendo com isso acrescentar um elemento extra de lugar e terroir aos seus vinhos.
Embora seja composta por cubas de cimento centenárias, a Quinta do Pinto também está equipada com a mais moderna tecnologia enológica, para garantir que as uvas seleccionadas sejam vinificadas com o objectivo de potenciar ao máximo a qualidade com que entram na adega. Na base, constam fermentações com leveduras indígenas, ajustes de acidez por loteamento e práticas o menos intrusivas possíveis, dando origem a vinhos de carácter o mais autêntico possível e com sentido de lugar.
Por conseguinte, as cubas de cimento são a peça-chave no processo; são porosas e, consequentemente, possibilitam a entrada de mais oxigénio, que permanece em contacto com o mosto durante o processo de fermentação. Esta característica facilita uma fermentação mais gradual e, por consequência, uma expressão mais autêntica do vinho, preservando os sabores e os aromas originais. As paredes grossas destas cubas centenárias também viabilizam o controlo e a mitigação das variações de temperatura.
Podemos afirmar que o cuidado com a vinha, as castas e as cubas de cimento constituem o ADN da Quinta do Pinto, sendo certo que também são utilizados recipientes de inox e barricas de madeira, mas sempre como complemento – nunca essencial e identitário. E, na minha opinião, os vinhos reflectem isso claramente.
Na etapa final do processo de produção, a preservação do meio ambiente não é esquecida. A prova está na alteração gradual de hábitos na adega, com a crescente aposta em garrafas mais leves e rolhas de cortiça natural e biodegradável, bem como na redução de lavagens com produtos químicos. A substituição das cápsulas de estanho por lacre, nos vinhos topo de gama, e a utilização de caixas de cartão reciclado, mais leves e com menos tinta, são outros dos requisitos postos em prática na Quinta do Pinto. Por fim, é de sublinhar a preocupação face à responsabilidade social, assumida como uma forma inequívoca de viabilizar economicamente quem ali vive, permitindo assegurar a sustentabilidade actual e garantir a das gerações futuras.
Quanto à concretização dos sonhos, o alojamento, o olival e os citrinos estão a ser pensados e planeados de forma sustentada, através da criação de parcerias com operadores de reconhecida experiência nas respectivas áreas. No entanto, sabemos que estas coisas também demoram o seu tempo. O importante é, entretanto, consolidar e fidelizar os consumidores através do vinho, e, quanto a isso, creio que estão no bom caminho. A prova está nos vinhos que provámos – muitos e bons.
A vinha está plantada em suaves encostas de solos argilocalcários do período Jurássico e é palco de 27 variedades de castas
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Quinta do Pinto Grande Escolha
Tinto - 2019 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Tinto - 2020 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Tinto - 2017 -

Quinta do Pinto
Tinto - 2024 -

Quinta do Pinto Estate Collection
Tinto - 2021 -

Vinhas do Lasso Garrafeira
Tinto - 2013 -

Vinhas do Lasso Colheita Seleccionada
Tinto - 2019 -

Quinta do Pinto MMXIX Cimento
Branco - 2019 -

Quinta do Pinto Grande Escolha
Branco - 2022 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Branco - 2021 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Branco - 2021 -

Quinta do Pinto
Branco - 2024 -

Quinta do Pinto
Branco - 2024 -

Quinta do Pinto Estate Collection
Branco - 2024 -

Vinhas do Lasso Colheita Seleccionada
Branco - 2023
GRANDE PROVA LOUREIRO: Uma casta superstar

Segundo o Instituto do Vinho e da Vinha (IVV), a Loureiro é uma casta indígena do território dos Vinhos Verdes, provavelmente autóctone. É uma casta de maturação precoce, prefere solos profundos e de média fertilidade, e dá-se bem com a humidade do ar. Contudo, precisa de protecção do vento. A casta tem especial expressão na […]
Segundo o Instituto do Vinho e da Vinha (IVV), a Loureiro é uma casta indígena do território dos Vinhos Verdes, provavelmente autóctone. É uma casta de maturação precoce, prefere solos profundos e de média fertilidade, e dá-se bem com a humidade do ar. Contudo, precisa de protecção do vento. A casta tem especial expressão na região de Ponte de Lima. O site do IVV acrescenta, então, que os vinhos devem ser bebidos jovens. Porém, após esta prova, parece-me que vai ser preciso fazer uma actualização.
Os primeiros vinhos estremes de Loureiro que provei há uns 30 e tal anos tinham características muito específicas. Frescos, citrinos, de baixo teor alcoólico, acidez viva e algum gás a equilibrar uma doçura residual significativa. Este estilo jovem e frívolo era, muitas vezes, porta de entrada para os jovens no mundo vínico. Eram realmente vinhos que convinha beber novos e era esse o hábito face a muitos vinhos brancos em Portugal.
A pouco a pouco, o estilo foi mudando. Começaram a aparecer uns mais sérios e ambiciosos. O processo de melhoria global dos vinhos feitos a partir de Loureiro pode chamar-se de uma profecia auto-realizável. Para perceber esta evolução consultei o enólogo Anselmo Mendes, por vezes conhecido por Sr. Alvarinho, mas com igual propriedade se pode chamar Sr. Loureiro.
Para melhores resultados, apanha-se, por vezes, apenas o primeiro cacho da vara atempada, o qual detém maior concentração das componentes essenciais para a produção do vinho
Viticultura ambiciosa e desvelo na adega
Segundo Anselmo Mendes, a grande melhoria dos vinhos e o aumento da sua longevidade tem origem numa viticultura muito mais cuidada. Acrescento eu que a enologia portuguesa também evoluiu muito e os vinhos brancos beneficiaram dos melhores processos dentro da adega. Disse-me ainda que a Loureiro é uma variedade muito produtiva, chegando facilmente às 25 toneladas de uva por hectare.
Para garantir a qualidade, é preciso limitar severamente a produção, no máximo pode chegar-se às 15 toneladas. Para o seu Private, o mais bem pontuado desta prova, a produção da vinha velha é de oito toneladas. Para melhores resultados, a escolha é feita na vinha, apanhando, por vezes, apenas um cacho, o primeiro da vara atempada. Assim, este cacho vai ter uma maior concentração das componentes essenciais para a produção do vinho. Medições do extracto seco em várias amostras demonstram que esta estratégia é vencedora.
Para além do próprio vinho, Anselmo Mendes foi, durante muitos anos, enólogo da Quinta do Ameal, projecto que se tornou icónico na região. Quando foi comprado pelo Esporão, organizou uma prova vertical dos Quinta do Ameal e Quinta do Ameal Escolha, prova essa que mudou completamente a minha visão sobre a longevidade dos vinhos produzidos a partir de Loureiro. Provámos referências vínicas com mais de 20 anos, e a acidez vincada e afiada assegurou que o vinho estava bem vivo, oferecendo uma prova cheia de carácter e prazer.
Foi com projectos como este que a profecia se foi cumprindo. Houve pessoas que acreditavam no potencial da casta, praticavam uma viticultura cada vez mais ambiciosa, os vinhos melhoravam, evoluíam de forma muito positiva, o que justificava mais investimentos e de querer ir mais além. Um vinho que anteriormente se bebia no próprio ano, quase que o mais cedo possível, passou a tornar-se objeto de guarda. Lembro-me bem de os produtores se queixarem de não conseguirem vender o vinho do ano anterior. Tempos já idos.
Um vinho que anteriormente se bebia no próprio ano, quase que o mais cedo possível, passou a tornar-se objeto de guarda
Para todos os gostos
Dos 24 vinhos que vieram a esta prova, apenas seis são de 2025. Há oito de 2024, seis de 2023, três de 2022 e um de 2021. A justificação para a aposta em referências com idades variadas prende-se com o facto dos vinhos elaborados com a casta Loureiro terem sempre um grau alcoólico relativamente baixo e uma acidez precisa e vigorosa, que os torna bons companheiros à mesa. O uso de madeira para os estagiar é bastante raro, e muda um pouco o carácter fresco e divertido do vinho. Os aromas de frutos cítricos, como lima e limão, são frequentes, mas pode aparecer laranja e toranja. É frequente um lado vegetal a folhas de louro, talvez daí o nome da casta. Notas minerais aumentam a complexidade e algum trabalho com as borras pode ajudar a dar alguma textura cremosa ao vinho. Ainda existe o estilo frizante, com algum açúcar, um perfil que ainda encontra apreciadores. Os mais secos podem ter a acidez muito em evidência, e ficam bem com ostras – as ostras agradecem sempre os vinhos secos. Já os mais ‘ambiciosos’, com uma acidez suave bem integrada, podem acompanhar peixes e mariscos, bem como carnes, como pato assado.
O tempo passa e a nossa percepção em relação ao vinho vai mudando. A Loureiro foi levada a sério por pessoas que acreditaram e construíram um produto único, sensacional, com uma leveza e frescura irrepetíveis. À medida que cada vez mais Loureiros ambiciosos forem aparecendo, tenho a certeza de que ainda vamos ter muito boas surpresas com esta casta. Podemos apostar ainda em guardar umas garrafas para desfrutar mais tarde da sua evolução.
Nota: A Grande Prova Loureiro realizou-se em prova cega.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Ameal
Branco - 2024 -

Tojeira Unoaked
Branco - 2023 -

Quinta de S. Salvador da Torre
Branco - 2023 -

Pequenos Rebentos Vinhas Velhas
Branco - 2023 -

Inspir’ar
Branco - 2024 -

Contacto
Branco - 2024 -

Camaleão Barrel Aged
Branco - 2023 -

Borges
Branco - 2024 -

Barão do Hospital
Branco - 2023 -

Parcela do Convento
Branco - 2024 -

Germinar Vinhas Velhas
Branco - 2022
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Terras de Felgueiras
Branco - 2025 -

Casa de Vila Verde
Branco - 2025 -

Quinta da Lixa
Branco - 2025 -

Gábia
Branco - 2024 -

Adega Coop. de Ponte de Lima
Branco - 2025 -

Quinta do Tamariz
Branco - 2023 -

Quinta d’Amares Claustrum
Branco - 2022 -

Quinta de Linhares
Branco - 2025 -

Paço de Teixeiró
Branco - 2024 -

Maria Bonita
Branco - 2025 -

Aphros Daphne
Branco - 2022
Concurso Vinhos de Lisboa: Os melhores da região

De acordo com o resultado da XVI edição do Concurso de Vinhos de Lisboa, promovido pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL), foram distinguidos 44 vinhos de produtores deste território. Do total de referências vencedoras, nove arrecadaram as Grandes Medalhas de Ouro, 25 os galardões de Ouro e dez os de Prata. Foram eleitos […]
De acordo com o resultado da XVI edição do Concurso de Vinhos de Lisboa, promovido pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL), foram distinguidos 44 vinhos de produtores deste território. Do total de referências vencedoras, nove arrecadaram as Grandes Medalhas de Ouro, 25 os galardões de Ouro e dez os de Prata. Foram eleitos ainda o Melhor Arinto, o Melhor Vital, o Melhor Branco, o Melhor Tinto e o Melhor Leve. No total, foram aferidas 147 amostras em prova cega por um painel constituído por 32 jurados, distribuídos por dois grupos, entre enólogos, sommeliers, jornalistas e wine educators.
“O concurso é um importante instrumento de valorização dos nossos produtores e da diversidade da região, distinguindo vinhos que representam o melhor que hoje se faz em Lisboa e reforça a notoriedade junto dos consumidores e dos mercados”, declara, em comunicado, Bernardo Gouvêa, Presidente da CVRL.
Lista dos vencedores por categoria
Melhor Tinto AdegaMãe Reserva 2019 (AdegaMãe)
Melhor Branco Casa das Gaeiras Fernão-Pires 2021 (Tapada das Gaeiras)
Melhor Arinto Madame Pió Reserva 2022 (Cas’amaro)
Melhor Vital Casa das Gaeiras Reserva 2024 (Tapada das Gaeiras)
Melhor Leve Azulejo 2025 (Casa Santos Lima)
Grande Ouro
Villa Oeiras Superior, Vinho Licoroso Superior (Município de Oeiras)
Figurativo 627539, Aguardente Vínica Extra Old/XO (Adega Coop. da Lourinhã)
Património Aguardente Vínica (António Francisco Bonifácio & Filhos)
AdegaMãe tinto Reserva 2019 (AdegaMãe)
Madame Pió Reserva branco 2022 (Cas’amaro)
AdegaMãe tinto 2017 (AdegaMãe)
Touriz tinto 2020 (Casa Santos Lima)
Quinta do Gradil Reserva tinto 2022 (Quinta do Gradi)
Guarita da Chocapalha Reserva Tinto 2017 (Casa Agr. das Mimosas)
Ouro
Adega d’Arrocha Arinto Reserva branco 2023 (Arribas & Parcelas)
Casa das Gaeiras Fernão-Pires branco 2021 (Tapada das Gaeiras)
Casa das Gaeiras Vital, Reserva branco 2024 (Tapada das Gaeiras)
Casa Santos Lima Colheita Tardia branco 2024 (Casa Santos Lima)
Carlota a Imperatriz Sauvignon-Blanc branco 2025 (QVBFG – Sociedade de Vinhos da Estremadura)
Carlota a Imperatriz Arinto Reserva branco 2023 (QVBFG – Sociedade de Vinhos da Estremadura)
CH by Chocapalha Arinto Reserva branco 2022 (Casa Agr. das Mimosas)
Confraria Espumante Grande Reserva, Arinto e Chardonnay branco 2017 (Adega Coop. do Cadaval)
Decreto 14676 Arinto branco 2022 (Next Corner)
Galodoro Reserva tinto 2024 (Casa Santos Lima)
Mi Hijo Grande Reserva branco 2024 (Nuno Filipe Galvão Carvalho Duarte)
Peripécia Arinto Grande Reserva branco 2022 (Quinta do Cerrado da Porta)
Pica-Pau Reserva tinto 2021 (Casa Santos Lima)
Quinta do Boição Arinto Reserva branco 2022 (Enoport)
Quinta do Boição Arinto Reserva branco 2024 (Enoport)
Quinta do Espírito Santo Reserva tinto 2022 (Casa Santos Lima)
Quinta de Pancas Grande Reserva tinto 2021 (WineStone Group)
Quinta de S. Francisco Vital branco 2025 (Comp.ª Agr. do Sanguinhal)
Quinta do Sanguinhal Grande Escolha branco 2022 (Comp.ª Agr. do Sanguinhal)
Quinta das Setencostas tinto 2022 (Casa Santos Lima)
Quinta da Vassala Arinto Reserva branco 2023 (Vassala Wines)
Sem Reservas Reserva tinto 2024 (Casa Santos Lima)
Stagiaire Arinto Premium branco 2022 (Casa Agr. Horácio Nicolau)
Vingrand Reserva Especial tinto 2019 (Adega Coop. de Azueira)
Villa Oeiras branco (Município de Oeiras)
Prata
Adega da Murnalha branco 2024 (Frutas Nobres -Soc. de Comércio Agrícola)
Alma de Lisboa Reserva branco 2024 (Adega Coop. de São Mamede da Ventosa)
Adega da Vermelha Reserva Especial tinto 2017 (Adega Coop. de São Mamede da Ventosa)
Casa Santos Lima branco 2025 (Casa Santos Lima)
Correio Mor branco 2024 (Agro Rio)
Encostas de Xira branco 2024 (Município de Vila Franca de Xira)
Influente Espumante rosé Reserva 2023 (Adega Coop. do Cadaval)
Quinta de Pancas Reserva tinto 2022 (WineStone Group)
Reserva D’Amizade Friendship Fado tinto Reserva 2023 (Paço das Cortes)
Valmaduro Premium tinto 2021 (Casa Santos Lima)
RESTAURANTE MAPA: Miguel Laffan, take 2

É um local especial para a memória do Chef Miguel Laffan, porque foi ali que conquistou a sua primeira estrela Michelin e a deixou como herança quando dali saiu, em 2019. Muita água correu debaixo da ponte desde então e o restaurante do L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, passou por várias fases e conheceu outras lideranças, […]
É um local especial para a memória do Chef Miguel Laffan, porque foi ali que conquistou a sua primeira estrela Michelin e a deixou como herança quando dali saiu, em 2019. Muita água correu debaixo da ponte desde então e o restaurante do L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, passou por várias fases e conheceu outras lideranças, embora nem sempre se tenha mantido no zénite. Mas valha a verdade reconhecer que o momento é feliz: estrela dada, estrela devolvida. Pouco antes de voltar a Montemor, viu o Mapa voltar a ostentar a cobiçada distinção, mercê do trabalho de David Jesus, que deixou inesperadamente o restaurante um mês após a sua recuperação.
O ponto de partida é agora, por isso, outro. A ambição não se resume à manutenção do estatuto alcançado, mas, quem sabe, superá-lo. Em entrevista recente ao semanário Expresso, Miguel Laffan não tem pejo em afirmar: “se alguém no Alentejo tem condições para chegar a uma segunda estrela, sou eu.”
Contudo, não será preciso esperar pela segunda estrela para apreciar, desde já, a criatividade do Chef. O que nos é oferecido agora, no Mapa, com os dois menus disponíveis – “Caminhos 9 Momentos” (€175) e “Caminhos 5 Momentos” (€145), a que acrescem as propostas de harmonização (€115 e €90, respectivamente) – é mais que suficiente para apreciar a visão muito pessoal da gastronomia de Miguel Laffan, assente em memórias, viagens, trajectos e experiências vividas de um caminho que já é longo e rico. Para quem teve contactos anteriores com a cozinha do Chef, há elementos que se mantêm, seja a forte influência do Oriente, constante em todo o menu, seja a omnipresença do mar e dos seus produtos, seja ainda a preferência por certos ingredientes, em especial pelas especiarias, que assumem justificado protagonismo, seja, finalmente, pelo suave perfume que exalam as suas composições, sempre servidas por um apurado aprumo estético.
No menu Caminhos, mais alargado, e que tivemos o privilégio de provar, a fusão entre as referências asiáticas, as técnicas clássicas da cozinha francesa e o produto nacional resulta bastante evidente. Que melhor exemplo disso que a composição do lírio dos Açores, em que a delicadeza do peixe combina com as algas marinhas e o perfume do mar nos enche os sentidos? Ou no prato chamado Laksa, essa sopa malaia, que serve de base à “nossa” lula, onde o sabor pungente do ouriço do mar é suavizado pelas notas de bergamota? Ou ainda pela gamba vermelha do Algarve, tingida pelo açafrão, perfumada pela lima, e onde o caviar e o mexilhão dão a melhor sequência ao diálogo? Disruptivo, o pato real (o único prato de carne deste menu), apresentado em duas versões/momentos: primeiro na forma de um bolinho a vapor, com raspas de foie gras e jus, e depois, numa tranche com cogumelos morilles e pak choi.
Cozinha personalizada e fortemente identitária esta. “A minha cozinha é o resultado daquilo que sou. Hoje em dia sei quem sou: sou um criativo e a minha forma de expressar é na cozinha”, proclama Laffan em forma de um statement. Não se espere encontrar aqui, portanto, alguma concessão à chamada “cozinha de território”, em que o peso do lugar assume protagonismo. Apenas num dos snacks servidos no princípio da refeição, em que um pequeno apontamento com cabeça de xara e lagostins evoca a anterior passagem de Laffan por este restaurante.
O Mapa está no Alentejo, mas podia estar em Lisboa, em Paris ou noutro lugar. O Mapa é, hoje, a expressão de uma cozinha criativa, fortemente personalizada e vincadamente afirmativa.
Mapa
L’AND Vineyards; Herdade das Valadas, 4, Montemor-o-Novo
Tel.: 266 242 400
Horário: de Quarta a Domingo das 13h00 às 16h00 e das 19h00 às 23h00
O VINHO PORTUGUÊS CHEGA AO CINEMA NO CURTAS VILA DO CONDE

O vinho português ganha uma nova forma de ser contado através do cinema. Gerações, a primeira curta-metragem portuguesa inteiramente dedicada ao universo do vinho, estreia a 18 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Filmada em Melgaço, a obra leva ao grande ecrã a história das pessoas, do território e […]
O vinho português ganha uma nova forma de ser contado através do cinema. Gerações, a primeira curta-metragem portuguesa inteiramente dedicada ao universo do vinho, estreia a 18 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Filmada em Melgaço, a obra leva ao grande ecrã a história das pessoas, do território e do conhecimento que estão na origem de cada vinho.
Realizada por Manuel Sá, Gerações acompanha, ao longo de um ano, o ciclo de criação de um vinho através do quotidiano dos enólogos Luís e Manuel Cerdeira, pai e filho. Entre a vinha e a adega, a curta revela como o conhecimento é transmitido entre gerações e como tradição e inovação convivem na construção da identidade de um vinho.
A estreia integra a programação da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, reforçando o compromisso do festival com obras que exploram novas perspetivas sobre a realidade e promovem o diálogo entre o cinema e diferentes dimensões da cultura contemporânea. Ao receber Gerações, o festival abre espaço ao vinho enquanto tema cinematográfico, revelando uma dimensão cultural e humana ainda pouco explorada no grande ecrã.
«O Curtas Vila do Conde procura dar visibilidade a filmes que desafiam o olhar do público sobre temas que fazem parte da nossa identidade. Gerações é um exemplo dessa capacidade do cinema para revelar universos que conhecemos, mas raramente vemos desta forma, dando protagonismo às pessoas e às histórias que existem por detrás do vinho português”, afirma Nuno Rodrigues, diretor artístico do festival.
A estreia de Gerações acontece no dia 18 de Julho, às 19h00, no Teatro Municipal de Vila do Conde, integrada na programação da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.









































