Conheça todos os vencedores e premiados do Concurso Escolha do Mercado

vencedores

Após a estreia em 2020 e com organização a cargo da Grandes Escolhas, o Concurso Escolha do Mercado, até então direcionado apenas para vinhos brancos nacionais, passou, a partir desta 7ª edição, a abranger também rosés e espumantes. O total de inscrições ultrapassou as 650 referências produzidas em Portugal, uma verdadeira maratona vínica, que obrigou […]

Após a estreia em 2020 e com organização a cargo da Grandes Escolhas, o Concurso Escolha do Mercado, até então direcionado apenas para vinhos brancos nacionais, passou, a partir desta 7ª edição, a abranger também rosés e espumantes. O total de inscrições ultrapassou as 650 referências produzidas em Portugal, uma verdadeira maratona vínica, que obrigou à ampliação do número de jurados face aos anos anteriores.

Todos os vinhos foram escrutinados na manhã do passado dia 18 de Maio, através de prova cega e pontuados exclusivamente por um painel constituído por 74 pessoas, entre profissionais do canal HoReCa, proprietários e gestores de restaurantes, lojas de vinho e wine bars, sommeliers, empresários de distribuição, compradores ou consultores de cadeias de grande retalho e empresas de catering.

As referências vínicas submetidas ao Concurso Escolha do Mercado foram avaliadas por etapas, ou seja, foram distribuídas por três faixas de preço – até €7, entre €7 e €20, e acima de €20 –valores de venda ao público em loja. A esmagadora maioria destes vinhos (mais de 80%) entraram recentemente no mercado ou serão lançados até ao verão.

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Manuel Pinheiro homenageado pelo trabalho desenvolvido nos Vinhos Verdes

Manuel Pinheiro

O actual Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Manuel Pinheiro, foi distinguido, em Valença, com uma Menção de Mérito, na categoria “Marketing, Promoção e Internacionalização”, no âmbito dos Prémios Vinhos do Atlântico 2026. Esta homenagem foi prestada graças ao trabalho desenvolvido entre 2000 e 2022, no que concerne à afirmação os Vinhos Verdes […]

O actual Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Manuel Pinheiro, foi distinguido, em Valença, com uma Menção de Mérito, na categoria “Marketing, Promoção e Internacionalização”, no âmbito dos Prémios Vinhos do Atlântico 2026. Esta homenagem foi prestada graças ao trabalho desenvolvido entre 2000 e 2022, no que concerne à afirmação os Vinhos Verdes nos mercados internacionais, enquanto Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Durante este período, firmou, de acordo com o comunicado, “a consolidação dos Vinhos Verdes como uma das principais regiões exportadoras de vinho de Portugal, liderando uma estratégia de valorização da marca, de abertura de novos mercados e de promoção das castas autóctones como elemento diferenciador da região”.

O percurso de Manuel Pinheiro inclui o exercício de funções como Presidente da Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI), a Vice-Presidência do Comité Europeu das Empresas de Vinhos e como membro do Conselho Consultivo do Instituto da Vinha e do Vinho.

A Vinhos do Atlântico é uma iniciativa de cooperação entre a Galiza e a Região Demarcada dos Vinhos Verdes e tem como objectivo homenagear personalidades, instituições e projectos que contribuíram para o desenvolvimento, valorização e projeção internacional dos vinhos de influência atlântica do Noroeste da Península Ibérica.

Comissão Vitivinícola Regional Alentejana lança a plataforma Data+

Data+

A Data+ trata-se de uma ferramenta de controlo que “permite reforçar a monitorização da produção, a rastreabilidade dos mercados e a recolha e tratamento de informação estratégica para o setor”. De acordo com o comunicado da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), esta plataforma reúne mais de cinco milhões de dados inerentes à fileira vitivinícola da […]

A Data+ trata-se de uma ferramenta de controlo que “permite reforçar a monitorização da produção, a rastreabilidade dos mercados e a recolha e tratamento de informação estratégica para o setor”. De acordo com o comunicado da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), esta plataforma reúne mais de cinco milhões de dados inerentes à fileira vitivinícola da região, no âmbito do qual “utilizamos um apurado sistema informático para gerir todo o processo de certificação e garantia de origem”, afirma Luís Sequeira, Presidente da CVRA, e toda a informação está acessível aos produtores inscritos na CVRA, através do acesso à intranet da mesma instituição.

À Revista Grandes Escolhas, Luís Sequeira explica: “o nosso sistema de controlo é um dos pilares da credibilidade da nossa região e assenta num binómio fundamental: tecnologia de ponta e presença constante no terreno.” Por esse motivo, o trabalho de campo permanece nas mãos das equipas responsáveis pela fiscalização, com o objectivo de “garantir que cada bago cumpre as normas de qualidade e autenticidade”, acrescenta. Para o efeito, mantém-se a colaboração com a Associação dos Técnicos Viticultores do Alentejo (ATEVA), de modo a assegurar a actualização do cadastro vitícola da região. “Durante a vindima, este controlo torna-se ainda mais cirúrgico através de um sistema de rastreabilidade digital que utiliza códigos QR únicos para identificar os recipientes de transporte, permitindo-nos acompanhar o trajeto da uva até à adega com total transparência”, esclarece.

Data+

 

Esta plataforma disponibiliza dados por sub-região, casta, país de exportação, entre outros dados informativos sobre a evolução desta actividade no Alentejo ao longo de mais de 15 anos. “Para construir este repositório de mais de cinco milhões de dados, cruzámos a nossa própria base interna — que inclui o cadastro e os indicadores de vanguarda do Programa de Sustentabilidade (PSVA) — com informações oficiais e rigorosas do IVV e do INE. Recorremos também a inquéritos diretos aos nossos agentes económicos para caracterizar com precisão o valor real da produção e das vendas. Com isto, permitimos que o produtor deixe de decidir por intuição e passe a ter uma visão clara das tendências por sub-região, casta ou mercado de destino”, declara Luís Sequeira. Para complementar esta informação, o Presidente da CVRA reforça o seguinte: “o Alentejo tem a vantagem competitiva única de ser a única região vitivinícola nacional a concentrar um histórico de dados detalhados que remonta a 1989.”

O lançamento da plataforma Data+ foi acompanhado pela apresentação dos resultados de um estudo socioeconómico desenvolvido pela Universidade Nova SBE, os quais revelam que os vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros para a economia nacional.  No panorama vitivinícola nacional, este território vitivinícola representa cerca de 16,4% da produção nacional de vinho, 16,8% da produção nacional de vinho DOP e 19% da produção nacional de vinho IGP.

LAMINA: Do focinho à cauda

Lamina

No mesmo espaço onde funcionou a Lota d’Avila, o Lamina (sem acento, um anagrama de animal), o novo desafio do Chef Vasco Coelho Santos (Euskalduna, no Porto), que conta com a companhia da jovem Chef Executiva Inês Azevedo, propõe uma abordagem culinária assente no conceito nose to tail (do focinho à cauda). A ideia defende […]

No mesmo espaço onde funcionou a Lota d’Avila, o Lamina (sem acento, um anagrama de animal), o novo desafio do Chef Vasco Coelho Santos (Euskalduna, no Porto), que conta com a companhia da jovem Chef Executiva Inês Azevedo, propõe uma abordagem culinária assente no conceito nose to tail (do focinho à cauda). A ideia defende o aproveitamento integral do animal sem desperdiçar absolutamente nada. Esta prática, baseada em princípios éticos e ambientais – se sacrificamos o animal para a nossa alimentação, devemos respeitá-lo e consumi-lo integralmente – não é, afinal, estranha à tradição gastronómica portuguesa. Veja-se o aproveitamento que fazemos do porco e pense-se num prato icónico, como o cozido à portuguesa. Talvez por isso, a cozinha do Lamina nos cative ao primeiro contacto e nos pareça tão familiar.

O aproveitamento, tanto dos cortes mais nobres, como daqueles que já não vemos muito na nossa restauração, fazem despertar memórias que julgávamos esquecidas. Do porco, por exemplo, utiliza-se a orelha (em modo crocante, cortada na mesa à tesoura!), a barriga, a costela, fazem-se torresmos; da vaca, a língua (fumada, em fatias finíssimas), as bochechas, enquanto os ossos e aparas são usados para molhos e fundos. Em que outro lugar podemos comer uma espetada de coraçõezinhos com molho verde ou batata nas cinzas com ovas de bacalhau e molho tara?

Embora, no Lamina, haja um evidente convite para a partilha destes e de outros acepipes, os pratos mais substanciais também são ponto forte, como os arrozes caldosos, tanto de peixe como de carne (provámos um fabuloso de rabo de boi!), os peixes e carnes grelhados, num evidente domínio da técnica do fogo um dos eixos do restaurante. Destaque ainda para as sobremesas, onde Vasco Coelho Santos não resistiu a trazer do seu Euskalduna portuense a famosa rabanada, aqui com outra companhia de respeito, uma vistosa tarte Tatin, pesadelo para qualquer tentativa de dieta.

O Lamina é um espaço acolhedor, de decoração luminosa, embora pareça muito mais reduzido do que em anteriores versões, porque houve a opção de o dividir em duas salas. A primeira, com entrada direta a partir da rua, com 30 lugares e cozinha à vista, a que se juntará, em breve, uma generosa esplanada, é a que está disponível par o serviço diário; na outra, interior, com 36 lugares, há uma estufa e será palco de várias iniciativas, como workshops temáticos ou demonstrações gastronómicas. É importante sublinhar que o Lamina faz os próprios fumados que, além de consumidos no restaurante, tem como objectivo serem comprados na pequena mercearia integrada neste espaço.

Merece destaque, nos tempos que correm, os preços moderados das propostas da ementa: os petiscos entre €4 e €14, os pratos de tacho a €38, para duas pessoas, e as sobremesas a €7. Infelizmente, o mesmo já não podemos dizer dos vinhos que seguem a tendência habitual, embora aqui atenuada pelas várias opções que existem a copo.

 

LaminaLamina

Av. Duque d’Avila, 42 B, Lisboa

Tel.: 963 323 869

Horário: de Segunda a Sexta-feira, das 12h30 às 15h30 e das 19h00 às 23h00

Preço médio: 30€

REFLEXÕES: As 12 profecias do wine guru Robert ‘Nostradamus’ Parker

previsões

Andava eu a revisitar escritos antigos quando me deparei com um trabalho que publiquei em 2004 sobre algo que deu muito que falar na época: um conjunto de 12 previsões, anunciadas com estrondo pelo então mais influente wine writer do mundo, sua sumidade Robert Parker. Mais de duas décadas depois, resulta um exercício muito interessante […]

Andava eu a revisitar escritos antigos quando me deparei com um trabalho que publiquei em 2004 sobre algo que deu muito que falar na época: um conjunto de 12 previsões, anunciadas com estrondo pelo então mais influente wine writer do mundo, sua sumidade Robert Parker. Mais de duas décadas depois, resulta um exercício muito interessante avaliar quais as que se concretizaram e as que falharam o alvo.

Fazer previsões a longo prazo num sector tão dinâmico quanto o do vinho pode ser um acto de coragem (pelo estrago no ego se falharem) ou uma acção de marketing de belo efeito e sem risco algum (porque dez anos depois ninguém se vai lembrar delas). Naquele ano de 2004, porém, o americano Robert Parker estava no zénite da sua carreira, com um poder e influência tremendos e tudo o que dissesse ficava gravado na pedra. Recordemo-nos que, mais do que um wine writer, era um verdeiro “Deus do Vinho”, objecto de veneração e vassalagem por parte de inúmeros produtores. A sua opinião era lei, condicionando o mercado durante duas décadas, desde o início dos anos 80 até ao princípio dos anos 2000. Como escrevi na altura: “É verdade que as previsões valem o que valem. Mas as previsões de Robert Parker valem certamente mais do que as dos outros. Até porque, depois de conhecidas, muitos, por esse mundo fora, se irão empenhar em torná-las realidade.”

Recordemos então, de forma abreviada e adaptada, as 12 “profecias Parker” anunciadas em 2004 com concretização prevista, o mais tardar, para 2015. Uma curiosidade: Portugal não é mencionado em nenhuma delas…

1 –A distribuição irá sofrer uma revolução. Prevejo o total colapso do complexo sistema de distribuição ‘three-tiered’ nos USA. Acredito que, em 2015, um grande château de Bordéus, uma pequena propriedade no Piemonte ou uma adega artesanal da Califórnia poderá vender 100% da sua produção directamente a restaurantes, retalhistas e consumidores.”

Para quem não conhece, o sistema ‘three-tiered’ implica que, quem quer exportar para os USA, tem de ter um importador, que por sua vez vende a um armazenista, que por sua vez vende a um retalhista. O sistema vigora até hoje, sem alterações de maior. Previsão: errada.

2 – A internet do vinho será dominante. Em dez anos, a Internet dominará o espaço de informação e divulgação de vinhos. Uma mais democrática gama de especialistas, consultores e até obcecados de vinho [‘nerds’] irão assumir o papel das actuais publicações especializadas.”

Em 2004, não seria difícil prever o avanço tremendo da internet neste sector. Mas, na verdade, seria impossível a Robert Parker antever duas coisas: primeiro, o papel que as redes sociais, na altura incipientes, viriam a ter; segundo, a aposta das publicações especializadas nestas e noutras ferramentas “internéticas”. Conjugando conhecimento, credibilidade e tecnologia, as publicações especializadas, a nível mundial, mantém ainda hoje a sua posição de mais fortes influenciadores. Ainda que, cada vez mais, em formato digital…  Previsão: parcialmente certa.

3 – Os vinhos de topo serão objecto de uma guerra de preços. A quantidade disponível dos grandes vinhos é finita e a sua procura vai aumentar dez vezes; por muito caros que nos pareçam agora, isso representa apenas uma fracção do que irão custar daqui a uma década. O crescente interesse pelos vinhos finos na Ásia, América do Sul, Europa de Leste e Rússia vai tornar tudo pior. O preço de uma caixa de um Bordeaux Premier Cru de um grande ano vai ultrapassar os $10.000”.

Na verdade, nos anos que se seguiram, os preços dos topos de Bordéus dispararam, e assim se mantiveram até 2011, quando atingiram o auge, ultrapassando mesmo os 10.000 dólares previstos. De então para cá, porém, a queda tem sido acentuada, ficando ao nível dos preços de 2004, o ano da previsão. Uma caixa de Château Margaux 2022 anda entre os 4000 e 4.200 dólares e o Haut-Brion do mesmo ano entre os 2.700 e os 3.100 dólares. E a tendência não é para aumentar.  Previsão: parcialmente certa.

4 – A França vai sentir um aperto. A produção local vai ser cada vez mais estratificada. Os 5% de topo vão oferecer os vinhos mais aliciantes e receber cada vez mais por eles. No entanto, a obsessão francesa pela tradição e pela manutenção do ‘status quo’ vai resultar no colapso de inúmeros produtores que não reconhecem a natureza competitiva do mercado global”.

Aqui, Robert Parker parece ter acertado em cheio. Mesmo em regiões de grande notoriedade, como Bordeaux, Bourgogne ou Sauternes, as falências são inúmeras. E nem os 5% de topo têm a vida tão facilitada como ele imaginava.  Previsão: certa.

5 – As rolhas vão saltar fora. Acredito que os vinhos vedados com rolhas de cortiça estarão em minoria em 2015. A indústria da cortiça não investiu em técnicas que previnam os problemas de vinhos contaminados com TCA. A consequência desta atitude ‘deixa andar’ serão dramáticas. Stelvin, a cápsula de rosca de eleição, será o standard para a maioria dos vinhos do mundo.”

Mais uma vez, Robert Parker não podia antever o tremendo avanço tecnológico das rolhas de micro-aglomerado de cortiça. Ou seja, a cortiça não foi substituída pela cápsula de rosca e mantém-se como o vedante de eleição para vinho. O que aconteceu foi que, a pouco a pouco, a rolha feita de micro-aglomerado de cortiça tem vindo a ganhar espaço à rolha de cortiça natural.  Previsão: errada.

6 – Espanha será a estrela. Espanha vai dar que falar. Hoje emerge como líder em qualidade e criatividade, combinando o melhor da tradição com uma filosofia de vinificação moderna. As adegas espanholas perceberam o potencial das vinhas velhas, mas não estão agarradas ao passado como tantos produtores franceses. Em 2015, as regiões mais clássicas, como Ribera del Duero e Rioja, estarão em segunda posição, atrás de regiões como Toro, Jumilla ou Priorat.”

Na verdade, Espanha continua a ser um forte país exportador, mas mais de metade é vinho vendido a granel e o preço médio é muito baixo. No que respeita a engarrafados, e ao contrário do que Parker previa, as clássicas Rioja e Ribera del Duero mantém-se no topo em valor (tal como a Catalunha, com os Cava), com Rueda e Rias Baixas a crescer (Parker não anteviu o fenómeno dos vinhos brancos…).  Previsão: errada.

7 – Malbec vai ser grande. Pelo ano 2015, a grandeza dos vinhos argentinos feitos de Malbec (uma casta que falhou no seu terroir de origem, Bordéus) será um dado adquirido. Tanto os deliciosos Malbec de baixo preço, como os mais profundos e complexos oriundos das vinhas de altitude, vão colocar esta uva, durante tanto tempo ignorada, no panteão dos vinhos mais nobres.”

Sim, Malbec é hoje uma uva conhecida no mundo inteiro, mas dentro das “castas diferentes” não se tornou mais proeminente do que a Carmenère do Chile, a Nero d’Avola da Sicília, ou a própria Grüner Veltliner da Áustria, que tanto furor fez junto dos sommeliers norte-americanos.  Previsão: parcialmente certa.

8 – A Califórnia Central Coast vai dominar a América. Os vinhos da Central Coast vão tomar o seu lugar ao lado dos famosos néctares dos vales de Napa e Sonoma. Nenhuma outra região da América demonstrou tanto progresso e potencial de grandeza quanto a Central Coast, com os seus Syrah e Grenache na zona quente e os varietais de Pinot Noir e Chardonnay na mais fresca Santa Barbara.”

Com efeito, a notoriedade de Central Coast (sobretudo Paso Robles e Santa Barbara) é hoje bem mais evidente. Mas ainda assim, continua uns bons furos abaixo do luxo de Napa Valley ou da autenticidade de Sonoma. Com menos pressão turística, a Central Coast destaca-se, sobretudo, pela “boa” relação qualidade-preço. Coloco entre aspas, porque bom preço, em vinho da California, é coisa que não existe… Previsão: errada.

9 – A Itália do Sul vai crescer imenso. Enquanto poucos consumidores poderão pagar os profundos Barolo e Barbaresco de Piemonte (que serão objecto de procura fanática em todo o mundo), áreas como Umbria, Campania, Basilicata e as ilhas de Sicília e Sardenha, serão nomes comuns nas nossas mesas.”

Sim, é absolutamente verdade, existe uma cada vez maior procura pela Itália “descohecida”. Mas é preciso diferenciar volume de valor. Em volume, é impossível esquecer a região de Veneto, com o incontornável Prosecco, a que se juntam os Amarone de Valpolicella. Em notoriedade e preço, claramente Piemonte (Barolo e Barbaresco), mas também os chamados “supertoscanos”, vinhos que fogem às regras mais rígidas de Chianti e Brunello di Montalcino (incluem Cabernet, Merlot, por exemplo…) e que continuam a representar a maioria dos italianos de topo. Com maior crescimento em anos recentes, a Puglia e a Sicília destacam-se.  Previsão: certa.

10 –O vinho sem madeira vai ter uma audiência alargada. Com a crescente diversificação de estilos de comida e infindável paleta de sabores nos nossos pratos, haverá cada vez mais vinhos que oferecem a pureza da fruta sem a marca da madeira. Brancos crocantes e frutados, e tintos saborosos e sensuais, serão muito mais procurados em 2015 do que em 2004. A madeira manterá importância nos grandes varietais e nos vinhos de guarda, mas esses vinhos representarão uma minúscula parte do mercado”.

Se Robert Parker se referia aos vinhos de segmento médio e alto, não podia estar mais certo. A tendência é para que a barrica esteja cada vez menos presente, quando não ausente de todo. No entanto, nos vinhos brancos e tintos “de supermercado” não é bem assim, com as aparas e aduelas a fornecerem aquele saborzinho doce e abaunilhado que o cliente exige. Mas não seriam esses vinhos que lhe ocupavam a mente.  Previsão: certa.

11 –A relação qualidade/preço será valorizada. Apesar da minha previsão sobre os preços proibitivos dos grandes vinhos, vai haver mais vinhos de qualidade elevada e baixo preço do que nunca. Esta tendência será liderada pelos países europeus, ainda que a Austrália continue a ter um papel importante. No entanto, demasiados vinhos australianos são simples, frutados e sem alma. A Austrália terá de criar vinhos acessíveis e com mais carácter e interesse se quiser competir no mercado mundial daqui a dez anos”.

Das 12 “profecias Parker”, esta será, provavelmente, a que acertou mais no centro do alvo. Tudo o que foi dito se cumpriu. Os países europeus lideram na relação qualidade-preço (seguidos de Chile, Argentina ou África do Sul), e a Austrália caiu no mercado norte-americano (e não só), só agora começando a recuperar, com maior aposta no segmento superior.  Previsão: certa.

12 –Diversidade será a palavra-chave. Em 2015, o mundo do vinho será ainda mais diverso. Vamos ver vinhos de qualidade de países inesperados, como Bulgária, Roménia, Rússia, México, China, Japão, Líbano, Turquia e, quem sabe, da Índia. Mas acredito que mesmo com todos estes novos produtores, o ponto de saturação não será atingido, dado que uma parte cada vez maior da população mundial vai eleger o vinho como a sua bebida alcoólica de referência”.

É verdade que se faz vinho em muitos locais insuspeitos (Parker esqueceu o mais evidente e bem-sucedido, Inglaterra), ainda que com presença residual no mercado mundial. Mas onde a previsão falha mais estrondosamente é quando aponta o crescimento contínuo e imparável do mercado. Infelizmente para todos os países produtores, Portugal incluído, cada vez se bebe menos vinho. Previsão: errada.

Luís Lopes

 

Favas, lampreia e outras perplexidades

Favas

A história da alimentação humana está cheia de casos particulares, em que da abundância se passa à míngua, e da míngua à excentricidade. Estamos em época de favas e a leguminosa não tarda está ao rubro. Mas no tocante à ligação feliz com vinhos, deixa muito a desejar, ou simplesmente se deixa cair, mediante as […]

A história da alimentação humana está cheia de casos particulares, em que da abundância se passa à míngua, e da míngua à excentricidade. Estamos em época de favas e a leguminosa não tarda está ao rubro. Mas no tocante à ligação feliz com vinhos, deixa muito a desejar, ou simplesmente se deixa cair, mediante as dificuldades do processo. Porém, como sempre, há muitas voltas positivas a dar. Igualmente dececionante é a lampreia, cuja época está agora a chegar ao fim e que nunca foi consensual. Importa refletir e provar, para criar soluções favoráveis.

Favas

Vamos à fava?

A maioria das experiências de harmonização vínica de pratos de favas é mal sucedida. Leguminosa da família fabaceae, a fava – vicia faba – é rica em fibras. Ferro, magnésio e potássio tornam-na numa das mais eficazes fontes de nutrição. À semelhança das ervilhas e de outras leguminosas, cresce em vagens verdes e é verde que deve ser consumida. Se é jovem, a fava coze melhor e mais depressa nessa fase inicial da gestação. Mais crescida, contudo, devemos descamisá-la, porque a segunda casca contém um grupo de amargos forte e é, além disso, de muito difícil digestão. Já quando é jovem, come-se crua em saladas frias e pode cozer-se inteira; a digestibilidade é perfeita. Cozida, no entanto, é sempre melhor para o nosso aparelho digestivo do que crua.

Em termos gerais de nutrição, é a segunda leguminosa mais forte. Só perde para o grão de bico. Mas sozinha é, no mínimo, desafiante, quando se trata de ligar com vinho. Se fizer a experiência em cru, vai reparar que o vinho – seja qual for – não interage sequer com a fava verde. Passa pelo processo como se ignorasse a presença de um alimento que a desafiasse.

A forma de a cozinhar faz toda a diferença, e consegue-se obter pratos de grande equilíbrio e digestibilidade. Os pormenores da idade e criação da nossa amiga fava variam muito, de caso para caso. Certo é que sozinha, apenas cozida e comida isoladamente, pouco prazer dá. Há qualquer coisa de instintivo que nos pede um pouco mais, para se distinguir como iguaria autónoma. Precisa, em particular, de acidez e gordura, para preencher os mínimos de umami. Chegando à fórmula certa, a viagem é interminável. Tudo fica certo e no lugar certo. Deve, por isso, repousar num estrugido de cebola ou alho, a forma mais canónica de pronunciar a acidez numa leguminosa.

Já sobre a gordura utilizada, as opções variam e estão relacionadas com o fim a que se destina o nosso cozinhado. Não consigo, nesta batalha específica, dispensar a banha de porco. Tenho sempre no frigorífico alguns boiões desta maravilha de origem animal, que produzo eu próprio a partir de redenho da matança, quando viso produzir torresmos. A manteiga clarificada, ou ghee, é delícia equivalente, de charme e sabor mais que apropriados. Temos também o azeite, que validamos sempre, mas introduz sabor, o que nem sempre é conveniente. Conversa longa com um budista oficiante na cozinha levou-me a fazer experiências diversas com a manteiga clarificada, mas em matéria de favas, quem me tira a banha, tira-me tudo. Mesmo o azeite virgem extra não me leva ao patamar de sabor de que preciso para casar as favas com proteína animal que seja inteiramente satisfatória.

Favas

Favas com chouriço. Se dispomos de um bom chouriço, os ventos são outros. Nessa altura, o que devemos fazer é sacrificar o enchido em finas rodelas, para dele extrair primeiro a gordura nele contida por força da sã fabricação. Aí, tudo muda de figura e ouvimos as favas a festejar entre si, com música e aromas que nos viciam para sempre. Temos água ao lado e vamos hidratando a festa, chegamos-lhe salsa finamente picada e até os anjos se debruçam no fogão, para ver o que se passa. Aprimoramos com um pouco de vinho branco, corrigimos de sal e está feito o banquete. Vêm-me à memória as invetivas de Batista Bastos, de “vamos aí a umas favas” e é disto que me lembro. Com um copo do mesmo vinho branco utilizado, está o assunto encerrado. Coisas da vida bela. Tem, contudo, de ser o mesmo vinho. Se, por acaso, optamos por um tinto, a ligação é grosseira e infeliz.

Arroz de favas. Regressamos ao ponto do estrugido e, com uma cebola picada em cubinhos, rapidamente temos material para pensar num arroz de favas. Estas devem ser de tamanho médio, descamisadas e têm de estar cozidas até ao ponto em que perdem a cor viçosa. Leve-as a manteiga clarificada – ou ghee – e deixe-as conviver com a cebola no sofrimento frito em caçarola, mexendo sempre. Assim garante que não caramelizam prematuramente. Chegado o momento de juntar a água na devida proporção, pique coentros finamente e envolva bem. Coloque o lume no mínimo, para garantir que a hidratação e a cozedura são ambas lentas. Genericamente, gosto de pensar num Sauvignon Blanc para o casamento feliz.

Favas com bacalhau. Coza favas inteiras e crescidas, até sentir o cheiro caraterístico, evocativo de amargos, que nos dizem que as favas estão cozidas. Coza abas de bacalhau noutro recipiente, e aromatize com azeite. Numa sertã, prepare um estrugido com cebola e azeite. Com o lume no mínimo, junte as favas e deixe envolver. Seguidamente, adicione o caldo da cozedura do bacalhau e as abas desfiadas. Apague o lume e deixe descansar por alguns minutos. Sei que esta abordagem não é muito canónica, mas funciona bem. Além disso, é muito amiga do vinho. Experimente com um Viognier de Lisboa com alguns anos. É ligação excelente e é inesquecível. A goma extraída do bacalhau vai ligar de forma genial com as favas e o sabor vai ao encontro da copiosidade do vinho. A combinação é altamente improvável, mas a safisfação é garantida. Há acontecimentos assim, felizes, na aventura do sabor português.

Favas

Favas com entrecosto. Esta é a combinação mais clássica e configura autêntico luxo popular. Eu era capaz de comer todos os dias favas com entrecosto e seguramente não seria o único. Quando o prato do dia de um restaurante é anunciado como favas, é altamente provável que o entrecosto de porco seja a proteína animal principal. À partida, diria que um vinho tinto seria a maridagem ideal, mas francamente acho que não. Precisamos de um vinho adequado para fazer o corte e, ao mesmo tempo, que seja capaz de envolver o conjunto de forma prazerosa. Um Antão Vaz do Baixo Alentejo tem sido a melhor opção para harmonizar com este exigente prato. O grau alcoólico é suficientemente elevado, para fazer devidamente frente a temperos mais arrojados, sobretudo se incluírem piripiri. Assim como se for utilizado vinagre, para temperar o prato de uma forma geral. Também é importante não servir o vinho demasiado frio.

Peixe frito com favas. Com o mapa mental certo, vamos sempre mais longe. Aconteceu, certa vez, harmonizar pescadinhas de rabo na boca com feijão verde e funcionou, mas podia ter funcionado melhor. As pescadinhas fritas ficaram um pouco desamparadas, para dizer a verdade. O feijão verde esmorecia no contacto com a pele frita e, na mastigação, o sabor do peixe perdia-se completamente. Prova igualmente incapaz aconteceu com arroz, que como se esperava adoçou o conjunto. O simples grão de arroz contém muitos mistérios, de facto. Foi então que experimentei harmonizar peixe frito com favas e o sucesso foi total. Para cimentar a nova ligação, experimentei vários vinhos brancos, de norte a sul do país, mas sem qualquer sucesso. Mas quando fiz a experiência de um Alfrocheiro do Dão, o êxito foi total. Temos o privilégio de dispor de um país vitivinícola fantástico. Há sempre o vinho certo para o momento certo. E, em cima da grande novidade, os impressionantes cambiantes de que a fava é capaz.

Favas

Perdiz com puré de favas. Aqui está uma salutar e muito bem-vinda alternativa ao vezeiro puré de batata. Continuo a ser fã e será sempre um dos mais felizes complementos de bons pratos de caça. Todavia, na época delas, que é a que atravessamos nesta altura, abre talvez mais portas à criatividade. Gosto muito de fazer a perdiz em duas cozeduras, o peito assado e as coxas estufadas. Costumo fazer gratin dauphinois para acompanhar, mas tenho-me rendido aos encantos de um puré de favas novas com hortelã. Além de aligeirar, o conjunto deixa marca muito mais profunda no palato. Curioso é que, em matéria vínica, pede vinhos mais elegantes do que no caso da batata. Um Jaen do Dão tem sido parceiro fiel. Confesso que não explorei mais possibilidades, mas claro que as possibilidades são diversas. Isto fez-me experimentar a empada de perdiz também com favas e resultou muito bem. Ainda bem que em casa fazemos o que queremos e como queremos, e nesse sentido ainda bem que tive sempre o bom senso de não enveredar pela cozinha profissional. Seria como matar uma grande paixão.

Cuscos de Vinhais com favas e salpicão. Gosto muito de cuscos de Vinhais e estão sempre na minha gaveta funda da cozinha de todos os dias. Além de grandes amigos do vinho, são também muito nossos amigos. O balanço de granularidade e capacidade de absorção de caldo é único, pelo que permite este ensaio repetidas vezes. O salpicão transmontano é peça nobre do fumeiro nacional e, felizmente, cresci a apreciá-lo desde muito novo. Suado com um pouco de manteiga clarificada, o entrosamento com os cuscos é total e as favas são o elemento vital de ligação. Feitas em cebolada, avivam tudo ainda mais. Funciona muito bem, neste caso, um tinto jovem de Valpaços ou Sonim. Ligeiramente frio, para não dominar demasiado o conjunto. E assim se revela o grande poder e flexibilidade das nossas amigas favas. E assim se amansa o preconceito.

A caprichosa lampreia

É esguia, feia e canibaliza todo o peixe que pode, sugando-lhe o sangue. Nesta altura, já não há mais nas frias e adequadas águas do rio Minho, nos cocurutos do país. Há, contudo, que lhe atribuir os louros da iguaria que mais divide os portugueses. Começo por um louvor a um casal de empreendedores de mão cheia que criaram a Karapau. O que é? É uma empresa que disponibiliza lampreia limpa e marinada, pronta a cozinhar em casa. Fátima Campos e Emanuel Bettencourt criaram muito mais do que uma marca. Tive o privilégio de provar a lampreia da Karapau e, na hora de a levar à mesa, juntar-lhe arroz carolino do bom. Coloquei um pouco mais de vinagre e ficou deliciosa. Maridei com um Sousão – o mesmo é dizer Vinhão – muito especial do Douro e foi o céu. Penso que os mais arredios da lampreia juntam parte forte de emoção negativa ao momento da prova. Ou porque leva sangue, ou talvez porque o peixe – sim, lampreia é peixe – é feio e repelente, limitam-se a dizer “não quero”, sem mais. E sem terem a noção de que estamos perante um autêntico totem da gastronomia nacional. A abordagem da Karapau é notável a todos os títulos, sobretudo dois: por um lado, elimina radicalmente o preconceito em relação à lampreia, por outro lado, democratiza o pobre animal, aproximando-o dos mais arredios e até das crianças.

Favas

 

Bordalesa é como em Bordéus. Já converti muitos à espécie de cobra irrequieta que é a lampreia. Por cá, interpretamos a ‘bordalesa’ como estufado em vinho tinto, o que não está inteiramente errado, mas também não está correto. Temos de ter em conta que a manteiga e o alho francês são a base da técnica bordalesa, e em quantidade copiosa, diga-se. Duas lampreias de metro para cinco talos de alho francês e meio quilo de manteiga, são as proporções aproximadas para a cozedura correta à bordalesa. E, em cima disso, uma garrafa de vinho tinto e muito amor, com o devido e merecido golpe de vinagre a finalizar a cozedura. Meia hora a fervilhar e está pronta a lampreia, que está longe de merecer os maus pensamentos que os detratores desta grande delícia nutrem por ela. Além disso, um bom escabeche de lampreia é manjar de deuses, e muito estável no tempo. Bem embalada em frascos herméticos e sem oxigénio disponível, pode durar meses, o que garante o prazer muito prolongado.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

 

QUEVEDO WINES: Friendology forever e o Legado de 1986

QUEVEDO WINES

Durante mais de cinco gerações, os antepassados de Óscar e Cláudia Quevedo – representantes da quinta geração e que estão, hoje, à frente do projeto –, dedicaram-se ao cultivo da vinha. As primeiras terão sido plantadas em 1889, em Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, onde se encontra a sede e a […]

Durante mais de cinco gerações, os antepassados de Óscar e Cláudia Quevedo – representantes da quinta geração e que estão, hoje, à frente do projeto –, dedicaram-se ao cultivo da vinha. As primeiras terão sido plantadas em 1889, em Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, onde se encontra a sede e a adega desta empresa familiar. Até meados da década de 80 do século passado, produziam uva e vinho a granel, que posteriormente era vendido às grandes companhias exportadoras sediadas em Vila Nova de Gaia. Sobretudo Vinho do Porto.

Ao longo dos anos, a família cultivou 100 hectares de vinha e 25 hectares de olival biológico, legado preservado amiúde. Só em 1993 é que a marca Quevedo foi oficialmente fundada, marcando uma nova era para a família, que começou a engarrafar vinhos do Porto com o próprio rótulo, graças à entrada do país, em 1986, na então Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia). “É a União Europeia [UE] que obriga Portugal a alterar a legislação. Uma lei que vem da demarcação da região instituída pelo Marquês de Pombal, em 1776! Portanto, quando Portugal adere à UE, tudo se altera. Aparece um grande grupo de pequenos produtores – nós inclusive –, que muda para sempre a região e está, hoje, a produzir em nome próprio, e a levar o nome do Douro e a marca Vinho do Porto por este mundo fora” afirma Óscar Quevedo.

QUEVEDO WINES

De facto, este marco histórico traz consigo uma enorme mudança legislativa para a região: o fim do “Entreposto de Gaia”. Até então, qualquer Vinho do Porto destinado à exportação tinha de ser obrigatoriamente armazenado e expedido a partir de Vila Nova de Gaia. Com a nova legislação, os produtores do Douro passaram a poder engarrafar e exportar os vinhos com identidade própria, dando início a toda uma nova fase de independência para muitas casas familiares.

A quinta geração

Foi este sopro de autonomia que impulsionou Óscar e Beatriz Quevedo (pais de Óscar Jr. e Cláudia Quevedo) a fundarem a marca com o próprio nome. Em 1991, a empresa foi constituída e, em 1993, os primeiros vinhos com o rótulo Quevedo chegaram ao mercado, assinalando o princípio de uma nova era de orgulho familiar.

Por conseguinte, atualmente, a empresa é conduzida pela quinta geração da família: Cláudia Quevedo é enóloga e responsável pela produção dos vinhos, enquanto Óscar Quevedo lidera o desenvolvimento internacional da marca. Há cerca de um ano juntou-se, à equipa, Cristina Azevedo, para desenvolver o mercado nacional. “A partir de 2009, comigo a 100% na empresa, continuamos muito esta linha de exportação que, de certa forma, vinha do passado. Com a vinda da Cristina quisemos [re]conquistar o mercado nacional”, refere Óscar Quevedo.

A Quevedo gere, no presente, um património vitícola de cerca de 114 hectares distribuídos por cinco quintas com características geológicas e climáticas distintas. Esta diversidade é a “caixa de ferramentas” da enologia da casa. Quinta Senhora do Rosário, a mais antiga das propriedades da Quevedo e onde se localiza a adega; Quinta Vale D’ Agodinho, excelente para os melhores Portos; Quinta da Trovisca, o campo experimental das novas variedades ou processos de viticultura; Quinta da Valeira, com vinhas a uma altitude de cerca de 500 metros; Quinta da Alegria, com vinha e pomar, e uma frente ribeirinha com mais de 700 metros de comprimento. Sobre esta última, acresce o facto de estar dividida pelo caminho-de-ferro que liga o Porto ao Pocinho.

 

Produção própria e viticultores selecionados

O portefólio vínico é extenso, sobretudo no que diz respeito aos vinhos do Porto, génese da empresa, com colheitas de praticamente todos os anos e de variadíssimos estilos – Tawny, Ruby, Crusted, LBV, Colheita, Vintage –, graças a um enorme espólio de inegável qualidade. Os vinhos DOC Douro, embora sejam uma aposta mais recente, apresentam uma imagem renovada e um perfil moderno, como Óscar Quevedo passa a explicar: “os vinhos que produzimos são todos de produção própria ou de viticultores selecionados da zona de São João da Pesqueira. Queremos produzir vinhos mais frescos, com menos extração, menos álcool e tanino”. Vinhos que se enquadram na filosofia friendology forever, e que a empresa defende: “é, basicamente, um estado de espírito. Achamos que o convívio, a amizade, as portas abertas são uma forma de estar. E o vinho sabe muito melhor com companhia. E com partilha!”

A gama DOC douro está distribuída pelas referências Truques, nas versões branco, tinto e rosé, são vinhos frescos e não são submetidos a barrica; Alegra, em branco e tinto, traduzidos nos reserva da casa, com barrica, mas num perfil de grande equilíbrio e frescura; a gama Q.Lab, que consiste em vinhos mais experimentais, como o  extraordinário branco 100% Folgazão, um curtimenta feito a partir da casta Gouveio ou um inusitado e delicioso clarete 100% Tinta Amarela e, finalmente, os Grande Reserva Q, um branco e um tinto com um perfil duriense mais clássico.

 

A empresa foi constituída em 1991 e, em 1993, chegaram ao mercado os primeiros vinhos com o rótulo Quevedo

A joia da coroa

Todos os DOC Douro estiveram disponíveis ao longo do almoço servido na Quevedo Lodge, espaço da Quevedo Wines instalado numa antiga tanoaria convertida em centro de visitas e eventos, localizado em Vila Nova de Gaia, onde é possível provar todos os vinhos, mergulhar em degustações e harmonizações, e participar em workshops. A refeição preparada com produtos locais pelo restaurante Toca da Raposa, de São João da Pesqueira, onde a comida tradicional prima pela excelência, foi irrepreensível. Tratou-se de um almoço que serviu de mote para o lançamento de um vinho muito especial, o Quevedo White Colheita 1986, produzido no referido ano que tanta simbologia trouxe à região do Douro; evoluiu lentamente em casco de castanho, ganhando concentração, complexidade aromática e uma textura envolvente.

Cláudia Quevedo foi quem acompanhou esta “joia da coroa” de perto, com o propósito de assegurar a sua estabilidade e preservar o equilíbrio entre frescura e maturidade. Com o conhecimento de quem o viu evoluir ao longo do tempo, a enóloga indicou o momento certo para o revelar. “Este vinho é muito especial para mim: tinha 10 anos quando foi feito e acompanhá-lo ao longo do tempo deu-lhe ainda mais significado. Impressiona pela riqueza aromática, pelo volume que preenche a boca e, sobretudo, pela forma como permanece – longo, persistente – muito depois de ser provado. É um vinho que pede tempo, para ser apreciado com calma”, explica Cláudia Quevedo, com evidente comoção. Um vinho que é uma homenagem ao ano da “independência” da família, além de que preserva e enobrece o legado de séculos de um produtor familiar.

(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)

Há um novo wine bar no cais de Gaia

dalva wine

Chama-se Dalva Wine and The City e está no nº 154 da Avenida Diogo Leite. Trata-se de um espaço informal dedicado a novas formas de apreciar o universo da Dalva através do consumo de vinhos do Porto e Douro, com vista para as ribeiras de Gaia e do Porto, no interior ou na esplanada. Disponíveis […]

Chama-se Dalva Wine and The City e está no nº 154 da Avenida Diogo Leite. Trata-se de um espaço informal dedicado a novas formas de apreciar o universo da Dalva através do consumo de vinhos do Porto e Douro, com vista para as ribeiras de Gaia e do Porto, no interior ou na esplanada.

Disponíveis estão 21 referências de Vinho do Porto, desde os Tawny aos Vintage, dos biológicos aos LBV. Junte-se dois cocktails à base de Porto Tónico, as opções de brandy, Colheita Tardia, Moscatel e espumante, bem como os DOC Douro – tinto, branco e rosé. Tudo está disponível a copo e sem o conceito habitual de prova. A dinâmica envolve, isso sim, a equipa de sala com formação especializada, que aconselha consoante o gosto e a curiosidade de cada visitante.

Para acompanhar, o Chef José Guedes elaborou um menu de petiscos dividido em cinco partes. Só para abrir o apetite, há focaccia de presunto com mozarela e molho de cogumelos trufado e bacalhau fumado com azeitona verde e coentros, além de borrego com tempero do Magreb e camarões com pesto vermelho em espetada, entre outras sugestões. Quem vai resistir aos papos de anjo com calda de laranja ou ao brownie de chocolate e molho de caramelo?

O Dalva Wine and The City, em Vila Nova de Gaia, abre de Quarta-feira a Domingo, das 12h30 às 21h00.