O Produtor do ano é….. Quinta da Rede

Num Douro que nasceu para o Vinho do Porto, as suas zonas limítrofes foram quase sempre encaradas como de “terceira categoria”. Quando os vinhos não fortificados se começaram a impor no mercado, esse preconceito atenuou-se, mas não desapareceu. Porém, na última década, vindimas quentes associadas à crescente procura por vinhos mais leves e frescos, vão […]
Num Douro que nasceu para o Vinho do Porto, as suas zonas limítrofes foram quase sempre encaradas como de “terceira categoria”. Quando os vinhos não fortificados se começaram a impor no mercado, esse preconceito atenuou-se, mas não desapareceu. Porém, na última década, vindimas quentes associadas à crescente procura por vinhos mais leves e frescos, vão mudando a percepção. E a Quinta da Rede tem vindo a ganhar com isso.
O verão tórrido e seco de 2022, que em tantas zonas do Douro, sobretudo as mais próximas do rio, nos mostrou videiras sofridas, amareladas, ansiando por uma gota de água, revelou, aos olhos mais atentos, o carácter diferenciador daquele local e daquela propriedade, designada por Quinta da Rede desde antes da demarcação pombalina. Ali, à beira da região dos Vinhos Verdes, as vinhas preservavam o aspecto viçoso e saudável, mesmo no pico do calor. E nas outras parcelas da quinta, que se estendem pelas encostas do Marão até aos 500 metros de altitude, a diferença era (e é) ainda mais sensível.
José Alves comprou a propriedade em 1995 e ali foi residir com sua família. Nascido e criado em Mesão Frio, desde sempre trabalhou no mundo do vinho, ligado à produção e comércio a granel. Após adquirir a quinta que conhecia desde menino, foi ganhando “fôlego”, para cumprir o objectivo principal: produzir um vinho desde a videira até à garrafa e colocá-lo no mercado com a sua marca. Recuperou a vinha, mantendo as parcelas mais antigas, construiu adega, com lagares mecânicos e sala de barricas climatizada, e fez a primeira vindima em 2007. Hoje, José Alves trabalha as uvas provenientes dos 19 hectares de vinha, com o apoio de Jorge Cardoso, enólogo residente, e Paulo Nunes, enólogo consultor.
Não por acaso, os brancos da Quinta da Rede ganharam fama muito mais rapidamente do que os tintos. Mas também estes, num perfil onde a estrutura ácida é evidente, vão cada vez mais ao encontro do mercado que busca a diferença. O portefólio tem o primeiro degrau na referência Rede, brancos, rosés e tintos com assinalável relação qualidade/preço. Mas é na marca Quinta da Rede que as coisas se tornam ainda mais sérias. Em 2025 provámos, entre outros, os brancos Reserva 2023, Vinha do Pinheiro 2020 (a tal parcela do Marão), Grande Reserva 2020 e Reserva da Família 2019; o Reserva rosé 2024; e os tintos Sousão 2023 e Reserva da Família 2019. São vinhos marcantes, que aliam qualidade e personalidade a sentido de lugar. E que colocam a Quinta da Rede e este Douro de fronteira, mais vibrante e fresco, sob a atenção da crítica e dos apreciadores.
O Prémio Produtor do ano foi patrocinado por Copidata
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
AMORIM CORK E CAVES SÃO JOÃO: Recorking, a garantia de um legado vínico

Já não é novidade que as Caves São João, centenária empresa vitivinícola da Bairrada, possui um impressionante espólio de vinhos antigos, religiosamente guardados nas caves subterrâneas. São cerca de 400 mil vinhos divididos entre as referências Caves São João, Frei João, Porta dos Cavaleiros e Quinta do Poço do Lobo. Sabe-se, também, que o elo […]
Já não é novidade que as Caves São João, centenária empresa vitivinícola da Bairrada, possui um impressionante espólio de vinhos antigos, religiosamente guardados nas caves subterrâneas. São cerca de 400 mil vinhos divididos entre as referências Caves São João, Frei João, Porta dos Cavaleiros e Quinta do Poço do Lobo. Sabe-se, também, que o elo mais fraco destes vinhos únicos é o vedante, a rolha natural que, nalguns casos, preserva aquelas colheitas há mais de 50 anos. No entanto, a rolha de cortiça natural NDtech possui um limitado tempo de vida, isto é, a partir dos 30 anos, vai perdendo a elasticidade.
Com o intuito de garantir as boas condições deste acervo histórico para o futuro, as Caves São João iniciaram um processo longo e minucioso de rearrolhamento dos vinhos, firmando uma parceria com a Amorim Cork, a maior e, provavelmente, mais inovadora empresa de rolhas naturais no mundo. Para Célia Alves, gerente das caves bairradinas, esta é uma das mais importantes operações levadas a cabo pela empresa nos últimos anos e terá como missão, face à fragilidade dos vedantes naturais para além de três décadas, conservar e qualificar aqueles vinhos para o porvir, num processo de valorização de um património vínico, histórico e cultural único no âmbito dos vinhos tranquilos portugueses. Esta operação teve o simbolismo de ser iniciada com um vinho absolutamente notável, o Frei João Reserva tinto, da colheita de mítica de 1963, em versão magnum.
Pela integridade dos vinhos
Joaquim Sá, representante da Amorim Cork na África do Sul, deu-nos conta, na qualidade de especialista de recorking, como surgiu este processo que, ao longo dos anos, gerou conhecimento e técnica, de modo a assegurar a precisão no rearrolhamento, bem como a redução do risco a favor da integridade dos vinhos. O desafio inicial chegou-lhe através do mais reputado produtor sul-africano, Danie de Wet (De Wetshof Wine Estate), que pretendia fazer o recorking de uma garrafa de Grand Constance, de 1821. Um desafio temível perante um vinho tão antigo! Joaquim Sá aceitou o desafio, mas não sem antes analisar os processos de rearrolhamento bastante desenvolvidos que a Graham’s realiza, de 15 em 15 anos, nos seus Vintage e que a José Maria da Fonseca aplica nos vinhos centenários. A vertente prática acabou por ser realizada a convite da leiloeira sul-africana Niederberg, que pretendia evitar problemas de integridade dos vinhos antes de os levar a leilão.
No decurso do recorking de 100 simbólicas garrafas nas caves da Caves São João, verificámos a meticulosa operação por trás do processo, que começa com uma prévia avaliação dos vinhos, no sentido de aferir a sua real qualidade, integridade e, sobretudo, o potencial de valorização futura. Posteriormente, segue-se a medição do gargalo interno da garrafa e o desenvolvimento da rolha natural adequada. No dia anterior ao recorking, as garrafas são colocadas na vertical, para provocar o assentamento de eventual depósito, iniciando-se a operação pela limpeza da garrafa e o desarrolhamento manual com o máximo cuidado.
Uma vez aberta a garrafa, há que se proceder à imediata proteção através de gás Argon (o mesmo que é utilizado nos dispositivos do género Coravin), à limpeza do interior do gargalo, sendo a integridade e a qualidade do vinho atestadas apenas pelo chefe de cave, segue-se o atesto, feito com o mesmo vinho, até ao nível correto, adicionando-se um pouco de sulfuroso, para reforçar a preservação. Por fim, coloca-se a nova rolha definitiva. É neste final do processo que entra a mais recente tecnologia da Amorim Cork: a rolha Mdtech de elevada performance sujeita a controlo individual, através de cromatografia gasosa, de modo a despistar qualquer presença de TCA (Tricloroanisol), na qual é colocado o chip “Corkified”. Este é dotado de um código individual referente a cada garrafa, permitindo uma total rastreabilidade e atualização, inclusive remoto, dos dados constantes do chip.
Luís Botelho, diretor comercial da Amorim Cork, enaltece o recorking como área especializada da empresa ao longo dos anos, constituindo um recurso muito importante ao serviço dos produtores, no que à preservação e garantia de maior longevidade aos vinhos diz respeito. Como grandes embaixadores da rolha natural, fazia todo o sentido desenvolver a clínica de rearrolhamento. O que executaram nas Caves São João é já o fruto do aprimorado processo de investigação e desenvolvimento de técnicas inovadoras ali aplicado a vinhos antigos, com mais de quatro ou cinco décadas de vida. O segredo é mesmo a soma das diversas tecnologias desenvolvidas e, agora colocadas ao serviço do produtor, reforçando a fiabilidade, a rastreabilidade e a integridade de cada um dos preciosos vinhos objeto de recorking.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Tivoli Avenida Liberdade apresenta 1933 Wine & Spirits Collection by Celler 47

Pequenas produções, colheitas especiais, verticais e horizontais de uma selecção de vinhos portugueses e internacionais, bem como espirituosas de referência, preenchem o novo espaço instalado no 9º piso do hotel Tivoli Avenida Liberdade, em Lisboa. Trata-se do 1933 Wine & Spirits Collection by Celler 47, projecto resultante da parceria com a Cellar 47, conhecida pela eleição […]
Pequenas produções, colheitas especiais, verticais e horizontais de uma selecção de vinhos portugueses e internacionais, bem como espirituosas de referência, preenchem o novo espaço instalado no 9º piso do hotel Tivoli Avenida Liberdade, em Lisboa. Trata-se do 1933 Wine & Spirits Collection by Celler 47, projecto resultante da parceria com a Cellar 47, conhecida pela eleição de vinhos raros procurados coleccionadores.
Inspirado no ano de inauguração deste cinco estrelas (1933) e no decor modernista da época, bem como no ambiente intimista, este espaço oferece um serviço exclusivo executado por uma equipa especializada de escanções, com uma abordagem consultiva e educativa. As experiências englobam provas temáticas, jantares vínicos, masterclasses e ações personalizadas numa mesa preparada com ocupação até 12 participantes.
Encomendas tailor made para ocasiões especiais e serviços de entrega ao domicílio em Portugal e na Europa também estão contemplados no plano de atividades elaborado para o 1933 Wine & Spirits Collection by Cellar 47, que tem como curador Jorge Silva, Director de Vinhos da referida unidade hoteleira.
Lindeborg Wines adquire Adega Moor

O grupo produtor e comercializador de vinho Lindeborg Wines anuncia a aquisição da Adega Moor, localizada em Sobral de Monte Agraço, na região dos Vinhos de Lisboa. A integração deste projecto representa um passo estratégico no mercado nacional “através de uma oferta com excelente relação qualidade-preço, orientada para diferentes perfis de consumo e canais de […]
O grupo produtor e comercializador de vinho Lindeborg Wines anuncia a aquisição da Adega Moor, localizada em Sobral de Monte Agraço, na região dos Vinhos de Lisboa. A integração deste projecto representa um passo estratégico no mercado nacional “através de uma oferta com excelente relação qualidade-preço, orientada para diferentes perfis de consumo e canais de distribuição”, conforme anunciado em comunicado. Face ao cenário além-fronteiras, a inclusão dos vinhos da Adega Moor “reforça a capacidade de resposta a diferentes mercados e posicionamentos, contribuindo para uma presença ainda mais sólida em geografias onde o grupo já dispõe de ligações comerciais e importadores”, como o Brasil e os continentes africano e asiático.
Paralelamente, a Lindeborg Wines está a desenvolver a implementação do Referencial Nacional de Sustentabilidade em todas as propriedades de que é detentora – Quinta da Folgorosa, Vinhos Cortém e Quinta da Barrosa (região de Lisboa), Quinta Vale do Armo (Tejo) e Herdade da Cabeceira (Alentejo). O objectivo consiste em alcançar a certificação num futuro próximo, com a particularidade de, nos Vinhos Cortém, preservar o foco na produção de vinhos biológicos e naturais.
ESTIVE LÁ: ADEGA DA LAMPEIRA

É gente de vistas largas e de forte determinação, ou não tivessem abandonado antigas e bem remuneradas profissões ligadas às tecnologias, para abraçar esta bem sucedida, mas sempre difícil, aventura da restauração. Que nos traz de novo a Adega da Lampeira? Aos almoços, durante a semana, a casa funciona, sobretudo, num sistema curioso de menus, […]
É gente de vistas largas e de forte determinação, ou não tivessem abandonado antigas e bem remuneradas profissões ligadas às tecnologias, para abraçar esta bem sucedida, mas sempre difícil, aventura da restauração. Que nos traz de novo a Adega da Lampeira? Aos almoços, durante a semana, a casa funciona, sobretudo, num sistema curioso de menus, embora a opção à carta também esteja sempre disponível. Em vez do vulgar e rígido menu executivo que se vê amiúde por aí, a Adega da Lampeira oferece, nada menos, que cinco diferentes menus, cada um deles com três ou quatro opções à escolha e com preços que variam entre os 14€ e os 20€. As diferenças de preço explicam-se pelos ingredientes que compõem cada prato do menu, como o bacalhau espiritual, uma das opções do menu mais em conta, e a tiborna de polvo, no mais caro. O meu espanto foi maior quando percebi que qualquer dos menus inclui o habitual couvert, aqui bastante rico e composto de um pãozinho quente com chouriço, azeitonas caseiras temperadas e manteiga aromatizada, além de uma bebida e das sobremesas, com uma dúzia de possibilidades a eleger de um carrinho com amostras e que passeia entre as mesas, para comodidade do comensal. Sim, tudo incluído no preço do menu! Difícil ser mais tentador.
Mas é aos jantares ou às sempre concorridas refeições de fins de semana que o Chefe Gonçalo Elias, a esposa Lígia Elias e a sua equipa revelam o carácter muito singular deste restaurante. Procurando respeitar as tradições locais de uma cozinha saloia e até o legado histórico daquele espaço, conseguem oferecer um ambiente acolhedor que se desdobra pelas várias salas para onde o restaurante se foi expandindo, incluindo um muito agradável jardim interior. Além dos espaços mais abertos, também dispõe de salas mais pequenas para grupos ou famílias numerosas. Em todos eles, a decoração consegue uma feliz simbiose entre as memórias das antigas tascas e o conforto à mesa proporcionada por um toque de modernidade.
A cozinha segue esse mesmo registo assente nas impressionantes tábuas de carnes de vários cortes e ponto rigoroso, pensadas para a partilha, do fresco peixe grelhado (afinal o mar está ali a meia dúzia de quilómetros) e a cozinha de tacho e de forno, como são, entre outros, as diferentes variações de bacalhau, polvo, chocos ou pratos fixos do fim de semana, no caso, o cozido, ao sábado, e o cabrito assado, ao domingo. O cuidado com os detalhes vê-se, por exemplo, nos acompanhamentos que, não negando as batatas e arroz a quem deles não prescinde, fogem ao habitual, com legumes estufados ou saladas criativas sempre com um curioso toque cítrico. Para o cliente atento e exigente não é despiciendo a boa carta de vinhos, com preços que não escaldam e especial atenção para os vinhos da região, e a grande simpatia e cordialidade da vasta equipa de mesa. Vai bonita e lampeira esta Adega, que nos conquista à primeira visita e a que depois não conseguimos resistir em voltar.
Adega da Lampeira
Av. Padre Dr. Raul Sarreira, 35, Ponte de Rol, Torres Vedras
Tel.: 965 254 315
Horário: de Terça-feira a Sábado, das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00; Domingo, das 12h00 às 15h00 (encerra à Segunda-feira)
Preço médio por pessoa: 20€
BARBEITO: O luxo de sempre

O concerto de Ano Novo realizado pela Orquestra Filarmónica de Viena, todas as manhãs do dia 1 de Janeiro, tem lugar no cenário incomparável da Sala Dourada do Wiener Musikverein. Assistir pessoalmente deverá ser, certamente, uma experiência tão inesquecível, quanto difícil para lá poder chegar. Não é um processo simples, pois grande parte dos lugares […]
O concerto de Ano Novo realizado pela Orquestra Filarmónica de Viena, todas as manhãs do dia 1 de Janeiro, tem lugar no cenário incomparável da Sala Dourada do Wiener Musikverein. Assistir pessoalmente deverá ser, certamente, uma experiência tão inesquecível, quanto difícil para lá poder chegar. Não é um processo simples, pois grande parte dos lugares estão reservados à realeza, à aristocracia e às elites europeias, passando de geração em geração, por sucessão dinástica e apenas uma parte está destinada ao público. O problema é que os bilhetes não se podem comprar na bilheteira ou na Internet ou, pelo menos, não directamente. É preciso ter sorte e ser um dos escolhidos pelo sorteio especialmente realizado para o efeito em Março, para o qual uma pessoa tem de se inscrever previamente, para poder assistir ao concerto ao vivo.
Perdoe-me o leitor a comparação ousada, mas assim é, também, salvas as devidas distâncias e proporções, com o Madeira Wine Experience, que já teve edições no Palácio de Seteais ou na histórica Casa dos Penedos, sempre na lindíssima Vila de Sintra.
Generosa exclusividade
O Madeira Wine Experience (MWE) é uma prova exclusivamente dedicada ao Vinho Madeira, criada por Paulo Cruz, também ele mentor do Porto Extravaganza – para muitos, a grande escola de Vinho do Porto em Portugal –, e pelo seu sócio e amigo, Paulo Henrique Bento. A ideia nasceu no Bar do Binho, localizado na Praça da República, em pleno Centro Histórico de Sintra, do qual Paulo Cruz é proprietário. Foi fundado pelo bisavô e tem permanecido na família desde 1927. Conta com uma colecção imensa de vinhos generosos, desde alguns do século XVIII até outros mais recentes. É lá que Mr. Cruz se dedica, diariamente, a educar, ensinar e dar a provar os melhores vinhos fortificados do mundo.
À semelhança do Extravaganza, o MWE é um evento muito exclusivo, intimista e dedicado. Os habitués são já uma espécie de família dos vinhos. Registam as datas no calendário de um ano para o outro, não falham uma edição e ficam sempre pasmados a cada nova revelação. Assim foi com a edição de 2025. O leitor sente-se, por favor.
Na primeira parte da prova tivemos Ricardo Diogo, da Vinhos Barbeito, e o precioso ajudante, Sérgio Marques, a ensinarem-nos a fazer o blend do estratosférico Vinho Madeira, com o rótulo Barbeito O Americano Malvasia 50 Anos. Ensinar como?! Perguntarão. Tínhamos seis provetas de vidro à nossa frente, cada uma com cada um dos vinhos utilizados para compor o lote final do Barbeito O Americano, a saber: Malvasia de 2005 (casco 58, meio doce, 25% do lote), Malvasia de 2009 (casco 303, meio seco, 12% do lote), Malvasia 40+ Anos (tanque 99ª MEF, 18% do lote), Malvasia 30+ Anos (garrafão 92 FV/RR, 22% do lote), Malvasia 100+ Anos (garrafão 6 LV/Reitor, 17% do lote – “o vinho-chave do lote”, segundo Ricardo Diogo), Malvasia 2012 (casco 158, 6% do lote).
À medida que fomos provando, fomos ouvindo a(s) história(s) de cada um dos vinhos, para sentirmos os diferentes níveis de aromas, as texturas, a acidez, os açúcares, a intensidade e a concentração, e colocando, na exacta medida, a percentagem indicada de cada um dentro duma nova proveta de vidro até completarmos os 100% do lote.
Feito o blend, provamos, lado a lado, com o verdadeiro Barbeito O Americano Malvasia 50 Anos. O momento traduziu-se numa experiência única e fascinante, onde pudemos verificar um vinho acabado de lotear, mas ainda por finalizar, e o mesmo vinho, devidamente finalizado, colado e filtrado, e já com um ano de afinamento em garrafa. As semelhanças eram evidentes, mas, como é óbvio, faltava a perfeição só atingida com o tempo em garrafa.

Uma novidade e um desafio
Um dos momentos altos da tarde-noite, foi o lançamento mundial do Barbeito Pai António Verdelho 50 Anos, o vinho de homenagem de Ricardo Diogo a seu pai, um homem que não gostava de Vinho Madeira, mas, pasme-se, a quem a mulher, mãe de Ricardo, graciosamente, nunca parou de perguntar, ao longo do casamento, se a desejava acompanhar sempre que tomava um Vinho Madeira.
Após o ligeiro coffee break, para conversarmos e darmos algum lastro ao estômago, que neste tipo de provas as cuspideiras ficam sempre vazias, bem como tempo à equipa para substituir copos e preparar tudo para a segunda parte, Ricardo Diogo e o Sérgio Marques sentaram-se, como os demais de nós, para uma prova de 11 vinhos Madeira. Tudo às cegas. A prova foi conduzida por Paulo Henrique Bento, com Mr. Cruz na presidência. A saber: Barbeito Malvasia Lote Especial 30 Anos (engarrafado em 2006), Barbeito Vó Vera Malvasia 30 Anos (engarrafado em 2016), Companhia Vinícola da Madeira Verdelho 1934, Leacock Boal Solera 1851, Justino’s Boal 1934, Blandy´s Bual 1954, Quinta da Consolação Malvasia Roxa 1907, Padre Vale Malvasia Seca 1902, Borges Boal 1875, Barbeito Malvasia 1875 (engarrafado na década de 1970), e Barbeito Malvasia 1875 (engarrafado em 2020). Destaque para o Blandy’s Bual de 1954, um dos melhores anos de sempre na Madeira e destaque maior para o grandioso trio de 1875, monumentais, complexos, profundos, vivos, vibrantes e longos; são vinhos para a eternidade.
A ideia deste artigo não é irritar o leitor ou fazer-lhe pirraça ao falar de vinhos únicos e de uma prova tão exclusiva, mas a própria natureza dos vinhos assim o exige, pois muitas das garrafas provadas eram exemplares únicos e a generalidade dos vinhos provados não está sequer à venda. Aquilo que os leitores interessados podem fazer, se me é permitida a sugestão, é fixar o nome das marcas em prova, porque algumas das casas têm outras colheitas memoráveis, mais recentes. Quanto a poder fazer parte de uma destas edições, é apenas uma questão de fazer uma visita ao Bar do Binho, em Sintra, falar com Paulo Cruz e aguardar em lista de espera. É muito difícil, mas não há outra maneira.
Porém, o verdadeiro mote deste artigo, que tanto gosto me deu a escrever, é divulgar o trabalho único e incomparável que Paulo Cruz e Paulo Henrique Bento fazem há vários anos, no que toca à divulgação e promoção dos vinhos fortificados de Portugal, especialmente numa fase tão difícil como a que os vinhos generosos estão a atravessar, porque, como se diz à boca cheia, no final de cada edição de Extravaganza ou Madeira Wine Experience, “se estes dois gajos não fazem, mais ninguém faz!” Talvez não seja inteiramente assim, mas que anda lá muito perto, disso não tenhamos a menor dúvida.
(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)
MALHADINHA: Edições especiais à prova

É sabido que no mundo do vinho são muitos os casos de empresas familiares. E não falamos apenas das linhagens seculares com meia dúzia, ou mais, de gerações dedicadas à vitivinicultura e ao negócio do vinho. Falamos também de projetos relativamente novos em que, passadas uma ou duas décadas, é já inquestionável constatar que grande parte da família se encontra, direta ou indiretamente, ligada ao vinho, da produção […]
É sabido que no mundo do vinho são muitos os casos de empresas familiares. E não falamos apenas das linhagens seculares com meia dúzia, ou mais, de gerações dedicadas à vitivinicultura e ao negócio do vinho. Falamos também de projetos relativamente novos em que, passadas uma ou duas décadas, é já inquestionável constatar que grande parte da família se encontra, direta ou indiretamente, ligada ao vinho, da produção ao comércio, passando pelo enoturismo. Mais ainda, referimo-nos a casos em que os valores familiares são de tal modo manifestos, que se projetam nos próprios produtos, funcionando como um atrativo – se a família é unida em torno do vinho, este só pode ser bom! É o caso da família Soares que, mantendo um bem-sucedido negócio de distribuição e venda de vinho, arrancaram, há um quarto de século, um dos mais sólidos projetos no baixo Alentejo.
Ali, bem próximo de Albernoa, freguesia do concelho de Beja, no início do novo milénio, foi fundada a Herdade da Malhadinha Nova (a compra data de 1998), onde a família Soares começou por edificar e recuperar uma casa e um monte, enquanto plantavam dezenas de hectares de vinha. Pouco tempo depois, ergueram uma adega e um restaurante. Com outras estruturas em construção (é o caso da coudelaria, pois os cavalos de raça Puro Sangue Lusitano são outra paixão da família), desbravou-se caminho, com um enoturismo de grande categoria, que não tem parado de receber melhorias com novos edificados – luxuosas casas e vilas – espalhados por vários espaços dos 750 hectares da propriedade alentejana.
Atualmente, o enoturismo divide-se pelo Monte da Peceguina, hotel de charme constituído por três suítes e sete quartos, pela Casa das Pedras, com quatro suítes e piscinas privativas, pela Casa do Ancoradouro, ótima para grandes famílias, graças às suas sete suítes, e pela Casa da Ribeira, com três suítes. É caso para dizer que tantos são os admiradores dos vinhos deste produtor como aqueles que são fãs incondicionais do enoturismo e das experiências disponíveis durante todo o ano. Não espanta, pois, que a Herdade da Malhadinha Nova ostente a prestigiante insígnia da Relais & Châteaux e que a influente editora Assouline lhe tenha dedicado um lindíssimo livro, cujas fotografias procuram fazer jus, não só às paisagens alentejanas, mas também à arquitetura e decoração de interiores deste fantástico enoturismo. A este respeito ainda, realce para o road show que a família Soares começou em janeiro deste ano, precisamente para dar a conhecer o volume da Assouline a seu respeito, passando por Nova Iorque, Palm Beach, Londres, Paris e, claro, Lisboa entre outras cidades do nosso país.
Percurso consolidado
Mas voltemos aos vinhos! Há muito que a enologia é liderada pelo experiente Luís Duarte, que conhece, como ninguém, o Alentejo (onde trabalha há bem mais de 30 anos) e faz dupla como Nuno Gonzalez, enólogo residente na empresa há quase década e meia. Logo no início nasceu a gama de entrada Monte da Peceguina, cuja primeira edição foi em 2003. Atualmente, mantém-se um sucesso nas versões tinto, branco e rosé. Ao mesmo tempo, foi criada uma gama alta, o Malhadinha, nas versões de tinto e branco, com estágio em barrica, que projetavam o produtor para voos mais altos, agora também em versão rosé. Logo na vindima seguinte, em 2004, nasce o primeiro projeto especial, caso do Pequeno João, um vinho intenso, com base na casta Cabernet Sauvignon. Mais tarde, e mantendo sempre designações intrinsecamente familiares, surgiu o Menino António e o MM (iniciais de Mateus Maria) da Malhadinha, que germinaram, respetivamente, nas colheitas de 2008 e 2013.
Durante todo este percurso até hoje, não faltaram vinhos monocasta, brancos e tintos, tanto a partir de castas autóctones, como de castas de outras regiões que se adaptaram ao Alentejo. A este respeito, provámos um branco feito a partir de Manteúdo, da colheita de 2023, um vinho em grande forma e a dar boas indicações do que se pode esperar de novos lançamentos. De tal forma assim o é, que o produtor já plantou três hectares desta casta tradicional, recorrendo ao porta-enxerto antigo, de forma a poder criar um vinho especial no futuro.
Já com uma gama consolidada, precisamente a partir da Herdade da Malhadinha Nova, a família Soares compreendeu que enriqueceria com novos terroirs sem sair da região. Foi o que aconteceu em 2016, com a compra da pequena Courela de Vale Travessos, um vinha velha de 80 anos toda em field blend, e, em 2021, com a aquisição de uma propriedade na Serra de São Mamede, localizada a 700 metros em altitude, também ela com uma vinha em parte em field blend. Destes novos terrois, são produzidos, hoje em dia, vinhos diferentes. Os novos topos de gama Marias da Malhadinha provêm de Vale Travessos, enquando a nova gama Teixinha foi criada para enquadrar e divulgar as uvas de Portalegre. A par com os referidos vinhos, e mais recentemente, surgiu ainda um espumante rosé e um Late Harvest. É, em suma, um mosaico de vinhos que vale a pena conhecer e nós tivemos o privilégio de provar alguns dos novos lançamentos.
(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)
Bagos D’Ouro celebra os 10 anos do Take Action

Para assinalar o 10º aniversário do Take Action | Realiza-te no Douro, mais de quatro dezenas os jovens, do terceiro ciclo e do ensino secundário, pertencentes a famílias acompanhadas pela Bagos D’Ouro, vão ter a oportunidade de contactar com mais de 50 empresas da região. Trata-se de um projecto que permite o contacto directo com […]
Para assinalar o 10º aniversário do Take Action | Realiza-te no Douro, mais de quatro dezenas os jovens, do terceiro ciclo e do ensino secundário, pertencentes a famílias acompanhadas pela Bagos D’Ouro, vão ter a oportunidade de contactar com mais de 50 empresas da região. Trata-se de um projecto que permite o contacto directo com diferentes áreas de actividade na região duriense. Da hotelaria à medicina, do jornalismo ao desporto, passando pelo ensino e pela engenharia informática, esta iniciativa traduz-se numa experiência orientadora face à tomada de decisão sobre o futuro académico e profissional, já que facilita a aproximação com o mercado de trabalho.
Estruturado em diferentes etapas, com base no percurso escolar dos participantes, o Take Action | Realiza-te no Douro divide-se em: Take Action Kids, destinado a alunos do 5º e 6º anos, promovendo uma primeira abordagem ao mundo das profissões; Take Action I, para o 8º e 9º anos; o Take Action II, para o ensino secundário, com experiências mais aprofundadas e o contacto direto com empresas; e o Take Action Uni, para jovens do 12º ano, ensino profissional e superior.
Em suma, “há dez anos que o Take Action pretende dar ferramentas aos nossos jovens, para escolherem o seu caminho com mais confiança, mostrando-lhes que o futuro pode estar mais próximo do que imaginam e que a região do Douro pode ser casa para os talentos das novas e futuras gerações”, declara Maria Inês Taveira, Coordenadora Geral da Bagos D’Ouro em comunicado.
O projeto está estruturado em diferentes etapas, acompanhando o percurso escolar dos participantes. O Take Action Kids dirige-se a alunos do 5.º e 6.º ano, promovendo uma primeira aproximação ao mundo das profissões. Seguem-se o Take Action I, para o 8º e 9º ano, o Take Action II, para o ensino secundário, com experiências mais aprofundadas e contacto direto com empresas, e o Take Action Uni, que acompanha jovens do 12º ano, ensino profissional e superior.






















