VENÂNCIO DA COSTA LIMA: 112 anos de uma história viva

“Esta adega foi fundada em 1914 pelo Senhor Venâncio da Costa Lima. Na altura, tinha 22 anos. Com essa idade, iniciou-se na área de comércio de vinho, cereais e azeite. Uns anos depois, deixou o negócio do azeite e dos cereais, e dedicou-se só à produção e comercialização de vinhos.” A introdução é feita por […]
“Esta adega foi fundada em 1914 pelo Senhor Venâncio da Costa Lima. Na altura, tinha 22 anos. Com essa idade, iniciou-se na área de comércio de vinho, cereais e azeite. Uns anos depois, deixou o negócio do azeite e dos cereais, e dedicou-se só à produção e comercialização de vinhos.” A introdução é feita por Elsa Sousa, responsável pelo enoturismo da Venâncio da Costa Lima, empresa familiar situada na Quinta do Anjo, lugar pertencente ao concelho de Palmela e à região da Península de Setúbal. Homem de negócios empreendedor e visionário, Venâncio da Costa Lima adquiriu espaços comerciais – as tabernas, de então – no referido território vitivinícola, os quais eram dados à exploração. Objetivo? Vender o vinho produzido na adega homónima. “Atualmente, seria um franchising”, afirma a nossa cicerone em tom de brincadeira.
O sucesso estava garantido: “entre os anos 30 e 50 do século passado, éramos a segunda maior adega da região.” Elsa Sousa contextualiza o cenário socioeconómico desses tempos firmados na cultura da vinha e do vinho: “só aqui, na Quinta do Anjo, havia entre 10 a 15 adegas a funcionar. Neste momento, a produzir e a comercializar só há uma, a nossa.”
Quando Venâncio da Costa Lima morre, não havia descendência direta. Por conseguinte, deixou o legado a seis sobrinhos. Quatro gerações mais tarde, são os primos Joana Vida e João Vida, gerentes, e Carlota Lima, que faz parte da equipa de enoturismo, os representantes da quarta geração da centenária empresa familiar, com 35 funcionários permanentes. “E ainda temos cá um elemento da terceira geração, o pai da Carlota, que é Filipe Matos”, evidencia João Vida, referindo-se ao responsável pela área comercial.

Uva de 10 produtores locais
Em consequência das partilhas e com a passagem do tempo, a Venâncio da Costa Lima deixou de ter vinha na sua posse. Quanto à área total inerente à plantação de videiras detidas pelo então fundador da empresa, “teria de ser uma área razoavelmente grande, dado que foi o segundo maior produtor [de vinho] daquela altura”, afirma João Vida. A compra da uva entrava, em simultâneo, na equação deste negócio familiar. Paralelamente, o número de produtores de uva tem vindo a diminuir.
Hoje, “temos viticultores com os quais estabelecemos uma ligação desde há muito tempo”, revela Joana Vida, que conta com 10 produtores de uva locais, o que perfaz uma área de vinha total de aproximadamente 100 hectares, com especificidades de solos e orientações distintas. A vinha plantada há mais tempo tem mais de 50 anos e é de Castelão. Em relação à quantidade de matéria-prima reunida na adega, aquela “varia muito de ano para ano”, continua João Vida.
No enquadramento da localização atual das vinhas, a área maior está concentrada no Lau, localidade situada no concelho de Palmela. Os solos são arenosos, uma mais-valia para a casta Castelão, que, na região da Península de Setúbal, ocupa 2.935 hectares, representando 58% do encepamento de castas tintas, segundo dados fornecidos pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. Porém, as temperaturas altas registadas, durante o verão, neste território vitivinícola, põem em alerta permanente os responsáveis da Venâncio da Costa Lima. Joana Vida explica que o calor causado pelo sol nos solos arenosos reflete na planta, provocando escaldões na vinha. “A altura crítica é antes da passagem para a fase do pintor [quando as uvas mudam de cor e dá-se início à maturação]”.
Em contrapartida, “não há uma amplitude tão grande, o que permite uma boa maturação da Castelão”, salvaguarda Eduardo Silva, enólogo da empresa desde 2024. Embora na legislação da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal impere que 2/3 desta casta faça parte do lote de um tinto DO Palmela, no portefólio vínico desta adega a Castelão é usada a 100% nos seguintes vinhos tintos: Venâncio Costa Lima, Venâncio Costa Lima Reserva, Pioneiro e Rubrica Reserva.
De volta aos solos, o caso muda de figura nas vinhas da Serra do Louro, parte integrante do Parque Nacional da Serra da Arrábida, “porque os solos são argilocalcários”, justifica a gerente.

Acompanhamento planeado
Para minimizar os contratempos na vinha, a Venâncio da Costa Lima arranca com o acompanhamento aos 10 viticultores na fase do pintor, com o controlo da maturação, a verificação da acidez e avaliação da produção. Esta missão é partilhada por João Vida, Eduardo Silva e Carlos Dias, enólogo que presta apoio à empresa no âmbito da viticultura. O passo seguinte baseia-se na elaboração de um plano que incide no controlo de maturação. Os enólogos fazem a recolha por casta e efetuam a análise de laboratório. A finalidade consiste em traçar um calendário inerente à entrega da matéria-prima na adega, o qual é comunicado a posteriori a cada viticultor.
Independentemente desta tarefa assegurada pela empresa, “todos os viticultores são acompanhados por técnicos da AVIPE [Associação de Viticultores do Concelho de Palmela]. São engenheiros agrónomos, que aconselham e ajudam os viticultores a garantir um protocolo de produção integrada, ou seja, só tratam a vinha quando é necessário e com as substâncias ativas permitidas”, elucida João Vida. Os produtos fitofarmacêuticos adicionados à vinha são controlados pela referida entidade através de uma conta corrente, informação essa que é passada à empresa, por forma a conduzir os trabalhos em concordância.
Ao contrário do que acontecia há duas décadas, a vindima tem vindo a começar entre 10 e 15 de agosto, porque se a maturação da Moscatel Roxo e a acidez estão no ponto, impera a apanha. Esta casta é a primeira a dar entrada na adega Venâncio da Costa Lima, para dar corpo aos vinhos generosos, seguindo-se as outras variedades brancas (Fernão Pires, Verdelho e Arinto) e, posteriormente, as tintas (Castelão, Touriga Nacional, Aragonez e Syrah). O ciclo fecha com a colheita da Moscatel de Setúbal igualmente utilizada na produção de generosos.
João Vida relembra que a Moscatel Roxo esteve em vias de extinção, porque amadurece muito cedo, enquanto a Castelão entra na fase de maturação mais tarde, tendo em conta que ambas as variedades estavam misturadas na vinha. “Por isso, a vinificação era feita com todas as castas, mas a Moscatel Roxo já estava comida pelas abelhas e pelos pássaros.” A recuperação da casta beneficiou com a plantação a solo, para que passasse a ser vindimada em separado e, de seguida, facilitar a vinificação. Hoje, os vinhos Moscatel Roxo de Setúbal são os ex-libris da região, onde, atualmente, ocupa uma área de vinha de 66 hectares, num universo de 7.500 hectares, de acordo com a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. “Na adega, também representa 10%”, comunica João Vida.
Produto de excelência
Quer no Moscatel de Setúbal, quer no Moscatel Roxo de Setúbal, a vinificação das respectivas uvas é igual, ou seja, depois de esmagada e desengaçada, é colocada dentro do depósito, onde faz uma ligeira fermentação durante 24 horas. Findo este período, abafa-se com “aguardente selecionada pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal em conjunto com outras adegas. É álcool vínico, porque tem de ser o mais neutra possível”, esclarece Eduardo Silva. Após este procedimento, o processo de maceração pelicular, dentro do depósito, decorre até abril do ano seguinte. Este método “é muito importante pois, através de extração alcoólica, todos os aromas e sabores vão passar da uva para o líquido. Na primavera, abrem-se finalmente os depósitos de Moscatel e vai para prensa”, explica Joana Vida.
A experiência determina se a opção é apostar num Moscatel jovem ou se o resultado denota potencial para fazer um estágio mais prolongado. No caso dos moscatéis de Setúbal, o líquido obtido permanece em depósito de inox e sem estágio em madeira, para que o resultado revele “os aromas primários da casta: os aromas de flor de laranjeira, o do mel e a frescura, os descritores mais usuais neste caso. É quase como um perfume”, descreve a gerente. No âmbito do Moscatel Roxo de Setúbal, este “fica mais tempo a ganhar aromas, para ser um produto excelência”, declara enólogo, em barricas de carvalho francês de 225 e 250 litros, anteriormente usadas em vinho tinto, “porque não nos interessa que a madeira marque muito; é mais para potenciar a micro-oxigenação”, explana João Vida. O objetivo é evidenciar a elegância e a complexidade aliada aos aromas terciários.
À mesa, e segundo a nossa anfitriã, os moscatéis jovens são recomendados para aperitivo ou na companhia de uma “sobremesa com mais acidez ou com o ananás, ou abacaxi, por exemplo, ou queijos curados, salgados e gordurosos”. Já o Moscatel Roxo combina melhor com bolos de nozes ou chocolate; os mais velhos são para apreciar com calma e à temperatura ambiente, no inverno; no verão, o frigorífico é um bom aliado.
Para lá da fronteira de Portugal, é de recordar que esta empresa familiar já conquistou, por cinco vezes, o lugar cimeiro na competição Muscat du Monde. Esta estreia teve lugar em 2011, com o Moscatel de Setúbal Reserva 2006. “Este concurso alavancou a Venâncio da Costa Lima e alavancou a região e o produto, que passou a figurar com maior firmeza nos fortificados de Portugal”, realça Joana Vida. A proeza repetiu-se em 2017, com o Moscatel Roxo 2013, em 2020, com o Moscatel Roxo Reserva da Família 2016, em 2022, com o Moscatel Roxo Reserva da Família 2018, e em 2023, com o Moscatel de Setúbal 2019. Fora os moscatéis da empresa distinguidos no Top 10 e com medalhas de ouro deste concurso mundial.
Desafios de uma empresa centenária
“O facto de sermos uma empresa familiar antiga e com muita gente acarreta alguns desafios”, avança Joana Vida. Por outro lado, este cariz familiar aporta “confiança ao nosso consumidor, quer ao nosso cliente, quer ao nosso importador, quer ao mercado. É uma empresa que vai celebrar 112 anos”, sublinha. Em cima da mesa, está em destaque as alterações do mercado, com as quais o sector do vinho tem vindo a deparar amiúde. De acordo com a gerente, esta mudança ocorreu há 10, 15 anos, quando a Venâncio da Costa Lima começou a deparar-se com pedidos de “vinhos mais frescos”. Portanto, maior frescura e grau alcoólico mais baixo são duas variáveis alinhadas com a antecipação das vindimas. Neste contexto, controlo de maturação é o factor mais relevante, por forma a se conseguir um grau alcoólico mais baixo e maior frescura no vinho. “É nesta fase do controlo na vinha que entra o Carlos Dias”, acrescenta.
Mas uma vez que os moscatéis são a referência desta adega centenária, nem sempre é fácil fomentar a compra por parte do consumidor. Por esse motivo, enoturismo tem vindo a ser desenvolvido neste sentido, apesar de não ser a única solução. Esta prática é complementada pela venda em grandes superfícies e pela exportação que se resume a 5%. Os principais mercados são os Estados Unidos, o Brasil e a Europa, nomeadamente Países Baixos, Reino Unido e França. “Tanto o Moscatel de Setúbal como o Moscatel Roxo são vinhos de nicho, são difíceis de exportar”, razão pela qual “no Reino Unido vendemos para um importador que vende uísques e conhaques”, argumenta Joana Vida. A respeito do moscatel em Portugal, está “mais estável do que o vinho, porém difícil”. Já o grande volume é destinado para a restauração.
Em suma, “o sector do vinho atravessa grandes desafios, nomeadamente em relação às questões legais, de saúde, do álcool. Portanto, é preciso que estejamos sempre atualizados.”
Enoturismo desde 2015
A adega original da Venâncio da Costa Lima mantém-se à beira da estrada, com amplas janelas, através das quais, em tempos idos, os viticultores descarregavam a uva com o auxílio de uma forquilha. As paredes grossas protegem os lagares em pedra, a destilaria, bem como o desengaçador, a máquina pasteurizadora e a bomba manual antigas, as ânforas argelinas, os tonéis e os depósitos em cimento. “Era aqui que se faziam, estagiavam, loteavam e engarrafavam os vinhos. Hoje em dia, serve para o enoturismo e o armazenamento de moscatel. Dos melhores vinhos”, revela Joana Vida. Agora, é a guardiã dos moscatéis com 40 e mais anos e está destinado a experiências vínicas.
Das experiências descritas no site da empresa, destacam-se duas: “Da queijaria à adega” e “Das grutas ao vinho”. A primeira inicia-se com uma visita à vizinha queijaria Fernando & Simões, seguindo-se a harmonização de quatro referências vínicas da casa com três queijos de curas distintas, a par com uma tábua bem composta por doces locais, frutos secos e especiarias. A segunda iniciativa incita a um passeio pedestre até aos sepulcros neolíticos existentes no Parque Natural de Arrábida, durante o qual se atravessa a aldeia. Julho é o mês ideal para esta caminhada, já que permite observar a flor do cardo.
Joana Vida revela que Elsa Sousa é uma cozinheira de mão cheia. Quem conhece, sabe quão saborosas são as batatas de molho toucinho servidas em taças de barro, pelas 11h00, na vinha, no âmbito da atividade associada às vindimas, a qual está disponível na devida época do ano. Quem se inscreve, sabe que esta iniciativa é para levar a sério, daí a necessidade de se retemperar forças já depois das boas-vindas das 08h00. “Fazemos tudo o mais genuinamente possível”, assevera a gerente da empresa, que reforça a junção da gastronomia local (pão, queijos, enchidos, sopas tradicionais) com os vinhos da Venâncio da Costa Lima. “As harmonizações que fazemos não é só porque gostamos de bola podre ou de queijo de Azeitão. Há todo um estudo por trás e uma tentativa de ligar sempre a algo que diz respeito à região”, salienta.
O número médio de visitas tem vindo aumentar, graças à proximidade com a capital do país, que permite uma viagem com duração entre 30 a 40 minutos. “Temos estado a absorver o excesso de turismo de Lisboa e Sintra, e temos muitas agências que nos estão a ver como uma alternativa de confiança”, adianta a nossa anfitriã. Sem esquecer o facto de todos os espaços serem acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, pois a visita à adega faz parte de cada ação realizada no contexto do enoturismo.
Visita guiada à adega
A ampliação da adega ocorreu em três fases ao longo das gerações seguintes, para dar resposta às necessidades da empresa. Pelo meio, foi criada a zona da vinificação e a de receção das uvas. Por fim, foi edificada a nave principal, onde estão instalados o armazém, o laboratório, a zona de loteamento e a de expedição. Acrescem as secções de enchimento, com duas linhas para garrafas, barril de inox e de madeira, e de embalagens, bem como as que estão reservadas à rotulagem. Na Venâncio da Costa Lima movimentam-se três milhões de litros de vinho por ano, já que, além da uva vinificada, é comprado vinho previamente selecionado e posteriormente loteado. Trata-se de “um produto de consumo rápido”, para o qual “não se pretende grandes variações de perfil”, informa João Vida, ao contrário do que acontece com o vinho engarrafado.
À medida que nos aproximamos da adega mais antiga, chegamos ao espaço onde estão instaladas enormes cubas de inox, que, em 2009, vieram substituir os depósitos de cimento subterrâneos. São “os pulmões” da Venâncio da Costa Lima. Armazenam o vinho produzido, o comprado e o que está a estagiar. “Manter esses volumes todos é um dos maiores desafios financeiros da empresa”, justifica Joana Vida. Há ainda outro espaço de armazenamento sob a linha de enchimento. No piso inferior ao da loja, a temperatura baixa e a humidade, favoráveis à estabilidade do vinho, propiciam o repouso de tranquilos e fortificados em barris.
Pelo meio, a visita é feita a outro espaço de memórias desta centenária empresa familiar, tal como acontece com a oficina de tanoaria, espaço desativado em 2019, já depois de o octogenário Fernando Rubino ter cessado a função de tanoeiro. O futuro reserva, aqui, um núcleo museológico dedicado a esta profissão, com uma mostra constituída pelo buraco do fogacho (fogueira), os utensílios associados a este ofício – o balde de parafina e o funil, o enxó, o martelo de pena ou os ferros de marcar os barris, entre outros – e as cartolas (vasilha de madeira de pequenas dimensões) de castanho.
As memórias de tempos idos reavivam-se uma vez mais quando é dada a conhecer uma das relíquias do fundador da empresa. Trata-se da viatura da norte-americana DeSoto, produzida pela Chrysler, com o registo do ano de 1948. A cor azul em nada teria passado despercebida cada vez que Venâncio da Costa Lima percorria as ruas da Quinta do Anjo. “O meu pai lembra-se de ir a Fátima, neste carro, com Venâncio da Costa Lima, sentado num banquinho, que punham aqui atrás”, recorda Joana Vida.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
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Venâncio Costa Lima Edição Especial do Centenário
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima
Fortificado/ Licoroso - 2016 -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - 2019 -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima Rúbrica
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima
Tinto - 2022 -

Venâncio Costa Lima
Tinto - 2023
Oito expressões Vintage da Symington Family Estates

Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito […]
Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito limitada, bem como uma restrita selecção da Quinta de Roriz (este conjuntamente com a família Prats).
“Eis o marco que simboliza o regresso a uma vindima clássica no Douro após um intervalo excecionalmente longo de sete anos”, de acordo com o comunicado. Segundo manda a cartilha, são referências que expressam uma qualidade excepcional e respeitam o compromisso com padrões elevados no que à qualidade diz respeito.
Trata-se, portanto, de uma decisão que “não obedece a calendários”, mas antes à virtude de aguardar pelo momento certo, tendo as castas tintas Touriga Nacional e Touriga Franca como “barómetros essenciais de um ano Vintage”. Quanto à produção, esta cinge-se a edições limitadas.
“Um hiato de sete anos entre declarações coloca este Vintage num território de raridade histórica. Mas, mais do que isso, é uma afirmação de princípio: num mundo de urgência, acreditamos no valor da espera, porque os grandes Portos Vintage só acontecem quando a natureza dita o momento certo”, resume Charles Symington, representante da quarta geração, enólogo-chefe e Director de Produção.
O Senhor do Vinho é…. António Ventura

Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura […]
Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura e Enologia. Procurando sempre novas experiências e fontes de conhecimento, obteve, na Charles Sturt University (Austrália), o diploma Applied Science (Winemaking), finalizando o percurso académico com uma pós-graduação em viticultura e enologia na Universidade Católica do Porto. Nessa altura, tinha já vasta experiência de enologia em diversas casas, o que o levou, em 2000, a constituir a Provintage, empresa de consultoria enológica e estratégica. Ele próprio agricultor e viticultor, possui cerca de 100 hectares na região de Lisboa, 50 dos quais são vinha e os restantes dedicados à floresta.
António Ventura sempre apreciou trabalhar em equipas. Para além dos profissionais que consigo colaboram nas múltiplas adegas e a quem transmite diariamente os seus conhecimentos, foi presidente da Associação Portuguesa de Enologia em dois mandatos, sendo também membro efectivo, desde 1995, da Australian Society of Viticulture and Oenology.
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões vitivinícolas de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal. Na sua actual “carteira de clientes”, estão nomes tão distintos na dimensão, objectivos e perfis de vinho como Adega de S. Mamede da Ventosa, Adega da Batalha, Quinta do Gradil, Casa das Gaeiras, Paço das Cortes e Casa Romana Vini (Lisboa); Adega de Almeirim, Quinta da Atela, Quinta do Côro, Quinta dos Pegões, Quinta da Badula e Quinta de Vale de Fornos (Tejo); Adega de Cantanhede (Bairrada); Adega Camolas (Península de Setúbal); Altas Quintas, Sovibor e Herdade do Monte Branco (Alentejo). No grupo Abegoaria é consultor para as regiões de Lisboa (Vidigal Wines, com o best seller Porta 6), Tejo, Douro e Beiras.
O facto de ser, muito provavelmente, o enólogo português com mais litros de vinho sob sua directa responsabilidade não lhe tira o sono. Metódico, dotado de prodigiosa memória e sentido de organização, acompanha cada produtor como se fosse o único. E ainda arranja tempo para dar uma ajuda numa prova ou concurso onde o nome dos vinhos de Portugal possa sair valorizado. Sempre espalhando gentileza e sabedoria, a forma de estar no mundo deste grande Senhor do Vinho. L.L.
O Prémio Senhor do Vinho é patrocinado por Cork Supply.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
A Empresa de Vinhos Generosos do ano é… Real Companhia Velha

A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com […]
A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com base no espólio adquirido.
A Real Companhia Velha (RCV) é um caso paradigmático de empresa, que resulta da união de várias companhias e conserva, hoje, um carácter familiar. Os Silva Reis compraram a empresa Miguel de Souza Guedes em 1953 (e com ela a Quinta das Carvalhas) e, em 1960, a RCV. Com a aquisição da Real Vinícola, em 1963, a empresa tornou-se um gigante, mas não deixou de ser familiar. Actualmente, já há uma nova geração de Silva Reis empenhada na continuação deste legado. E o legado inclui muitos e extraordinários vinhos velhos que pudemos apreciar em 2025, tawnies que desafiam o tempo e revelam toda a apetência que o Vinho do Porto tem pelo “sono em cave”.
Pedro Silva Reis, CEO da empresa, ainda que nunca escondendo o seu gosto pelo Vinho do Porto e pela arte do blend, tem mostrado total abertura a novos rumos, nomeadamente nos DOC Douro, deixando, à nova geração, o poder de decisão sobre novos produtos e novas experiências, com base em uvas das várias quintas, sempre “abençoadas” pela mão segura de Álvaro Lopes e o “nariz” apurado do enólogo Jorge Moreira.
O portefólio dos vinhos velhos é muito completo, de que são bom exemplo os tawnies 50 e 80 anos provados, bem como os Very Old Tawny que não nos saem da memória. A conservação destes vinhos muito velhos reveste-se de grande dificuldade e um provador tem de ser formado ao longo de muitos anos. Não é assunto que se aprenda na Faculdade. E é esse saber antigo que as actuais empresas do sector têm de ser capazes de assegurar para as gerações futuras. A RCV já está a trabalhar nesse assunto. Pedro Silva Reis tem mostrado uma disponibilidade e uma abertura ao diálogo com a imprensa que é de registar: abre as portas, abre os livros, mostra os “segredos” e a conversa flui. Assim deveria ser sempre e na Real já é! J.P.M.
O Prémio Empresa de Vinhos Generosos do ano foi patrocinado por: BA Glass
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
PINHAL DA TORRE VINHOS: A identidade de um terroir do Tejo

A Pinhal da Torres Vinhos fica em terras planas, de lezíria, bem próximas do Rio Tejo e de Alpiarça, terra da Casa dos Patudos, a casa de José Relvas transformada em museu, que vale a pena visitar, e a Reserva Natural do Cavalo do Sorraia, onde se podem ver alguns exemplares daquele que era o […]
A Pinhal da Torres Vinhos fica em terras planas, de lezíria, bem próximas do Rio Tejo e de Alpiarça, terra da Casa dos Patudos, a casa de José Relvas transformada em museu, que vale a pena visitar, e a Reserva Natural do Cavalo do Sorraia, onde se podem ver alguns exemplares daquele que era o cavalo primitivo e autóctone do sul da Península Ibérica, segundo os escritos desta entidade. Paulo Saturnino Cunha, gestor do Pinhal da Torre, conta que a família produzia vinhos, na zona, há muitos anos. Lembra-se mesmo que os bisavôs que conheceu, três ao todo, tinham cada um uma adega, numa terra onde houve sempre produção de vinho a granel, como se fazia em quase todo o Portugal de outros tempos.

Volume e algumas coisas boas
O Ribatejo, hoje região vitivinícola do Tejo, era conhecido por produzir enormes quantidades de vinho, que abasteciam, principalmente, os restaurantes e as tabernas de Lisboa e as ex-colónias de África. As vinhas desenvolviam-se nos solos mais férteis e tinham produções elevadas, e as grandes casas agrícolas pretendiam obter o máximo rendimento, produzindo vinho de pouca qualidade, com o intuito de ser vendido a granel. A família de Paulo Saturnino Cunha chegou a ter 200 hectares de vinha com essa função, mas o pai “engarrafava algumas das coisas boas que produzia, para consumir em casa e dar aos amigos”, conta o nosso anfitrião. Nessa altura, a empresa familiar dedicava-se sobretudo à produção de morangos, para além das culturas de milho, tomate, entre outros produtos. Era o negócio principal. Ocupava 50 hectares de estufas e estufins na lezíria do Tejo, com uma produção média de cerca de 40 toneladas por hectare, parte exportada em fresco, em camiões, com destino a vários países europeus.
“Geadas tardias, que chegavam a dizimar toda a produção de morangos e obrigavam a esperar o nascimento de novos frutos, tornavam a actividade muito complicada”, conta o gestor. Outro problema era a mão de obra, em particular durante a colheita, época do ano em que podiam participar mais de 600 pessoas, que se tornou cada vez mais difícil de angariar na zona. Devido a este cenário, os seus antecessores chegavam a disponibilizar autocarros, para recolher pessoas em Alvaiázere e Pedrógão Grande, de modo a suprir as necessidades do negócio. Até que, em 1995, a casa suprimiu esta produção, por decisão familiar. “Nessa altura também vendíamos muito vinho a granel, e, quando se acabou com a produção de morangos, decidiu-se que iríamos apostar a sério na de vinho”, revela Paulo Saturnino Cunha, que vivia, na época, no Brasil.
Entretanto, o pai tinha tirado um curso na Estação Vitivinícola de Nelas. Influenciado talvez por isso e por ter mantido um relacionamento próximo com docentes, plantou nas suas terras clones do Dão da casta Touriga Nacional, bem como as brancas Cerceal-Branco e Bical, que “não vingaram, porque a qualidade dos vinhos a que deram origem não era muito boa”, declara, acrescentando que o primeiro engarrafamento de vinhos decorreu em 1999. No ano seguinte, foi produzido um “grande Touriga Nacional, que nunca perdeu uma prova às cegas com os melhores vinhos do mundo, incluindo os Mouton, Margaux e outros”, que os seus amigos organizavam enquanto esteve no Brasil.
Reconhecimento e notoriedade
A partir daí, os vinhos da empresa começaram a ganhar algum reconhecimento e notoriedade, sobretudo lá fora, “porque, em Portugal, tínhamos o problema de sermos da região que somos e, quando chegávamos a algum lugar para vender os nossos vinhos, os compradores mostravam-se desinteressados”, comenta Paulo Saturnino Cunha, referindo-se à reputação que a região tinha, o que não acontece hoje. Por isso, os responsáveis do Pinhal da Torre voltaram-se para o mercado externo, para onde chegou a ser vendida 93% da produção, sobretudo países como os Estados Unidos, Brasil, Inglaterra, China, Holanda, Luxemburgo e Suíça.
Foram dois os factores que levaram Paulo Saturnino Cunha a apostar no mercado externo. O primeiro foram as ‘reclamações’ que recebia dos amigos brasileiros, por não encontrarem os seus vinhos à venda, em Portugal, quando visitavam o país. O segundo foi a pandemia de Covid-19, que impediu as suas deslocações aos mercados externos para vender. A solução foi dedicar mais tempo ao nosso país a partir desse período.
“Dar mais atenção ao mercado nacional durante a pandemia, levou-nos a estarmos, hoje, presentes numa percentagem significativa dos melhores restaurantes de Portugal, do Algarve ao Norte, o que contribuiu para que tenhamos, hoje, uma disseminação muito grande no país, para onde vendemos, actualmente, 50% dos nossos vinhos”, conta o responsável pelo Pinhal da Torre, acrescentando que a distribuição é feita através de empresas de implantação regional. No exterior, o principal mercado, hoje, é o Brasil.

Pelo menos, três anos em cave
Os vinhos são produzidos na Quinta de São João, na Quinta do Alqueve e em Águas Vivas, propriedades que perfazem um total de 40 hectares, dos quais 30 estão ocupados por vinha. A produção média é de cinco toneladas de uva por hectare, em resposta à obsessão de Paulo Saturnino Cunha por produzir vinhos com qualidade. É isso que o leva, e ao enólogo consultor da empresa, Mário Andrade, a guardar os vinhos em cave, pelo menos, três anos antes de os comercializar. É esse o tempo mínimo que as referências Antagonista e Protagonista, as de topo do portefólio da empresa, estão em madeira, nova e/ou usada, “que está presente, sem marcar o vinho, o que também tem a ver com o estilo do Mário Andrade”, informa o gestor.
Quanto a castas, são cerca de 20, com evidência para Verdelho, Arinto, Alvarinho, Fernão Pires e Malvasia Fina, que foi plantada o ano passado, nas brancas. Entre as tintas, refere Tinto Cão, Tinta Francisca, Sousão, Touriga Nacional, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Ramisco e Baga. Ou seja, há uma grande panóplia de variedades para uma área não muito grande de vinha, com o intuito de disponibilizar uma oferta diferenciada.
“Um vinho, como nós o encaramos aqui, no Pinhal da Torre, não é um produto industrial”, defende, a propósito, Mário Andrade, acrescentando que é, sim exemplo de diferenciação, diversidade, “de uma conceptualização estética que implica ‘agarrar’ num solo, num clima, num sítio e interpretar isso de forma a ser reconhecido nos aromas e gostos do vinho que deitamos no copo e, de preferência, proporcionar prazer a quem o bebe”. E salienta que não é preciso fazer muito para isso acontecer.
Produzir uva pensando no vinho
Basta que a instalação da vinha tenha sido bem feita, adequada à produção de vinho e que “a sua nutrição obedeça a critérios enológicos, e não agrícolas”, que “não servem quando o objectivo do maneio da vinha é produzir uvas para vinho”. Para Mário Andrade, é necessário ir ainda mais ao pormenor, quando a finalidade é um vinho branco ou um vinho tinto, ou quando as castas são diferentes. “Se tenho um Aragonês e uma Trincadeira, estamos perante situações completamente diferentes, que implicam nutrir o solo para as condições mais adequadas à produção do vinho que queremos produzir, naquele terroir, a partir de cada uma das castas lá plantadas.” Depois é necessária alguma estratégia durante o ciclo vegetativo, para fornecer ar e luz à vinha e aos cachos. “Isto não significa luz directa nem correntes de ar, mas sim na medida certa conforme o ano”, explica o enólogo, acrescentando que é necessário ir adequando isso a cada ano vitícola.
Na produção de uva, o Pinhal da Torre segue um Plano Anual de Viticultura Biológica e Fertilização Sustentável, sem esquecer que as uvas têm de ser produzidas de forma a originar vinhos. “Para mim o papel da enologia começa no campo e acaba no copo do consumidor”, argumenta Mário Andrade. “Como a perfeição não existe e há contingências, vai-se tentando adaptar o caminho, tentando fazer o melhor possível”, assevera. Para o efeito, é importante que haja um bom planeamento na adega, de modo a “que as uvas sigam o seu processo natural na adega. Apenas é necessário fazer algum acompanhamento, provando os mostos durante a fermentação, para ver se fazemos mais ou menos maceração, de forma mais intensa ou menos, definir a altura de desencubar, juntar mosto de prensa ou separar e seguir isso naturalmente”, esclarece o enólogo.
“Apostarmos na produção de vinhos de qualidade numa região que não é fácil, como a do Tejo, e na criação de uma oferta variada e diferenciada em termos de preço e perfis de vinho, tem sido fundamental para nós e sente-se na forma como as pessoas reagem quando os provam”, diz, por seu turno, Paulo Saturnino Cunha. O gestor defende que ainda mantém o envolvimento, dedicação e esforço no negócio, “para não ser mais um. Quem prova os nossos vinhos, mesmo em provas comparativas, pode verificar isso”, continua o gestor, realçando o desempenho de Mário Andrade, cujo trabalho se afirma numa linha condutora, “uma identidade, que também se deve a usarmos apenas as nossas uvas para produzir os nossos vinhos”. O resultado desta acção traduz-se em, por vezes, em apenas três a quatro mil garrafas. “Apostamos na qualidade e não abrimos mão disso”, remata.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Conheça o TOP 30 dos Prémios Grandes Escolhas

Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: João Paulo Martins, José Miguel Dentinho, Luís Antunes, Luís Lopes, Miguel Ferreira, Nuno de Oliveira Garcia, Paulo Pimenta, Rui Caroço dos Santos, Sérgio Lopes e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, […]
Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: João Paulo Martins, José Miguel Dentinho, Luís Antunes, Luís Lopes, Miguel Ferreira, Nuno de Oliveira Garcia, Paulo Pimenta, Rui Caroço dos Santos, Sérgio Lopes e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, avalia tantos vinhos e tão diversos quanto esta equipa, que conjuga experiência e juventude, irreverência e sensatez, e tem, como denominador comum, o rigor, a isenção e o sentido de responsabilidade.
Quase 5.000 notas de prova, individuais e colectivas, foram sendo compiladas ao longo do ano, e a conclusão foi a esperada: os vinhos portugueses mostram uma qualidade média elevada, vincado carácter regional e, em muitos casos, aliam uma notável expressão de terroir à excelência qualitativa.
Identificar e premiar os vinhos que mais se destacaram em cada região, ou categoria, não foi, por isso, tarefa fácil. E seleccionar o nosso Top 30 foi mais árduo ainda. Para levar a cabo esta missão, de forma rigorosa e, tanto quanto possível, justa, estabelecemos critérios. Desde logo, não considerámos vinhos já premiados em anos anteriores. Depois, deixámos de fora os vinhos produzidos em quantidade inferior a 1.000 garrafas. E, adicionalmente, para ser elegível perante o exclusivo “clube” Top 30, o vinho em questão deverá ter sido provado e aprovado como merecedor por, pelo menos, três dos 10 provadores. Tal como habitualmente, optamos ainda por escolher o melhor entre os seus pares, nas categorias espumante, branco, rosé, tinto e fortificado.
Mas a excelência dos vinhos nacionais não se esgota nestes 30 exemplos. Muitos outros igualmente merecedores poderão ser encontrados nas páginas seguintes, agrupados por região e categoria. São todos eles vinhos de primeira grandeza, vinhos de sonho que espelham o Melhor de Portugal.
Nota: A ordem das imagens é aleatória e nada tem a ver com a pontuação dos vinhos. Consulte a nota de prova de cada referência clicando em cima das imagens das garrafas.
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Casa da Passarella Vindima
Tinto - 2014 -

Urtiga
Tinto - 2019 -

Legado
Tinto - 2020 -

Quadraginta
Tinto - 2017 -

Vinha do Tojal Homenagem a Dona Sophia
Tinto - 2016 -

Anselmo Mendes A Torre
Branco - 2019 -

Casal Santa Maria
Tinto - 2011 -

Herdade do Sobroso Arché
Tinto - 2022 -

Quinta das Bágeiras
Branco - 2021 -

Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal
Tinto - 2015
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António Maçanita Os Paulistas Chão dos Eremitas Vinhas Velhas
Tinto - 2021 -

S. Leonardo
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta da Rede Reserva da Família
Branco - 2019 -

Chryseia
Tinto - 2023 -

Bacalhôa 1931 Vinhas Velhas
Branco - 2022 -

Quinta do Crasto Vinha da Ponte
Tinto - 2019 -

Aeternus
Tinto - 2022 -

QM Patriam Nº2
Branco - -

Quinta do Noval Nacional
Fortificado/ Licoroso - 2023 -

Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo
Branco - 2021
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Guru Vinha da Calçada
Branco - 2022 -

Justino’s
Fortificado/ Licoroso - -

Pêra-Manca
Tinto - 2019 -

Kopke 80 anos
Fortificado/ Licoroso - -

Vallado
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Vale Meão
Tinto - 2022 -

Poeira Ímpar
Tinto - 2019 -

Costa Boal
Tinto - 2017 -

Julian Reynolds
Tinto - 2017 -

Esporão Private Selection
Tinto - 2019
A empresa do ano é…. Sociedade dos Vinhos Borges

A Sociedade dos Vinhos Borges foi criada em 1884 pelos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do Banco Borges & Irmão, para a comercialização de vinho Verde e do Porto em Portugal, e para exportação. Mais tarde, no início do século XX, após a entrada de Artur Lello no capital da empresa e na sua […]
A Sociedade dos Vinhos Borges foi criada em 1884 pelos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do Banco Borges & Irmão, para a comercialização de vinho Verde e do Porto em Portugal, e para exportação. Mais tarde, no início do século XX, após a entrada de Artur Lello no capital da empresa e na sua gestão, também foi impulsionado o negócio de produção de vinhos com a compra da Quinta da Soalheira, no Douro, em 1904. Segundo Gil Frias, Presidente da Comissão Executiva do grupo José Maria Vieira (JMV) e administrador responsável pela Borges, os anos mais prósperos decorreram desde o final da Segunda Guerra Mundial até ao período da revolução do 25 de Abril de 1974, quando a empresa passou para o Estado português, em conjunto com o banco Borges & Irmão, quando toda a banca foi nacionalizada. Só voltou para as mãos de privados em 1988, quando integrou o Grupo BPI.
A José Maria Vieira foi, desde os anos 70 até aos 90 do século XX, distribuidora da Borges de Coimbra para Norte de Portugal, quando o Grupo BPI decidiu alienar os seus activos não financeiros, incluindo a Sociedade dos Vinhos Borges. Constituído por sete empresas ligadas à produção de café e vinho, e distribuição, a “JMV viu aí uma oportunidade de entrar na produção de vinho, para verticalizar o negócio, da vinha quase ao copo do consumidor, estender a distribuição a todo o país e incorporar a carteira de clientes de exportação da Borges”, explica Gil Frias. A seguir, foi feito um “trabalho de reconstrução da empresa, da base ao telhado”.
Um dos pilares que sustenta o negócio é a produção. Inclui uma viticultura assente numa capacidade produtiva de cerca de 330 hectares e um sector de transformação, estágio e engarrafamento baseado em “adegas equipadas com a melhor tecnologia, para produzirmos vinhos como queremos”, salienta Gil Frias. Recentemente foi feito o remapeamento da vinha, com o intuito de colocar as melhores castas nas melhores parcelas e construída uma nova adega em Sabrosa, na região duriense, “melhor equipada tecnologicamente, a nível logístico, na recepção de uva, na forma de trabalhar e na capacidade em inox, mais adequada aos tipos de vinho que queremos fazer, o que nos permitiu ter um salto qualitativo muito grande em termos de vinhos do Douro”, acrescenta Gil Frias. Um investimento já recompensado pela qualidade dos vinhos que vão chegando ao mercado e pelo sucesso junto dos consumidores. J.M.D.
O prémio Empresa do ano é patrocinado por: Domino Portugal
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Editorial: O valor da comunicação

Editorial da edição nrº 108 (Abril de 2026) Num recente podcast com Luís Gradíssimo surgiu uma reflexão que me parece pertinente e oportuna para partilhar: qual é, hoje, o papel de uma revista especializada na comunicação do vinho? Hoje em dia, todo o sector comunica com mais ou menos regularidade, com maior ou menor criatividade […]
Editorial da edição nrº 108 (Abril de 2026)
Num recente podcast com Luís Gradíssimo surgiu uma reflexão que me parece pertinente e oportuna para partilhar: qual é, hoje, o papel de uma revista especializada na comunicação do vinho?
Hoje em dia, todo o sector comunica com mais ou menos regularidade, com maior ou menor criatividade e com diferentes níveis de seriedade. Produtores contam as suas histórias, visão e princípios; agências de comunicação anunciam novas colheitas, mudanças de imagem e outros acontecimentos; garrafeiras apresentam novidades e organizam provas; bloggers e influencers promovem o vinho através do lifestyle. Tudo faz parte do ecossistema e tudo tem o seu alcance, e o seu propósito.
As redes sociais vieram dinamizar a mensagem e trouxeram uma enorme democratização da conversa sobre vinho. Hoje, qualquer pessoa pode partilhar livremente as suas experiências vínicas. Isso é positivo e ajuda o sector: o vinho é, por natureza, uma bebida social e faz todo o sentido que seja falado e apreciado em conjunto, tal como acontece com o cinema ou a música.
Mas, com a abundância de informação também aumenta a necessidade de fontes em que se possa confiar. A fragmentação e a rapidez com que a informação circula nem sempre favorecem a profundidade e a verificação de factos. É precisamente aqui que reside o valor de uma revista especializada: rigor, contexto e continuidade.
O nosso trabalho não se resume à divulgação de notícias (embora também haja espaço para isso no nosso site) nem a arbitragens baseadas em gosto pessoal. Ajuda a filtrar informação, a dar profundidade aos temas e a manter uma narrativa consistente sobre o que está a acontecer no sector. Contudo, não devemos ter a ilusão de que conseguimos convencer alguém que não quer, de todo, consumir vinho, seja porque não gosta do sabor ou porque acredita que uma vida saudável o exclui por completo. Tentar alcançar estas pessoas seria tão inútil como insistir em levar um agnóstico à igreja.
O que podemos fazer é ajudar a compreender o vinho a quem já se interessa por este tema, alimentando a sua vontade de saber mais. Não se trata de ditar o que escolher para beber, mas de encorajar escolhas conscientes, com base na informação e na análise que proporcionamos.
Não pretendemos dizer o que é bom ou mau, mas, sim, mostrar a ligação entre causas e consequências das diferentes abordagens enológicas, desmistificar certas noções e tendências, e fazer crítica comparativa, oferecendo contexto, retrospectiva e perspetiva. Cabe ao leitor tirar as suas próprias conclusões.
Se tivesse que resumir a nossa linha editorial numa pirâmide, diria que, na base, estão valores fundamentais, como conhecimento, credibilidade, rigor, consistência e isenção – aquilo que sustenta a confiança dos nossos leitores. No nível seguinte surge o nosso trabalho editorial: reportagens, análise, contexto e interpretação do que acontece no mundo do vinho. No topo fica a dimensão lifestyle: o prazer, a cultura, a descoberta e a experiência que o vinho proporciona; é a parte que aproxima as pessoas do vinho. Esta dimensão ganha vida nos eventos que a Grandes Escolhas organiza e que promovem o contacto directo com produtores, provas especiais e temáticas, experiências sensoriais e harmonizações gastronómicas.
Por fim, o melhor comunicador é o próprio vinho que está no copo a cada momento, independentemente do storytelling do produtor, da nossa pontuação ou do gosto de qualquer outra pessoa à mesa. V.Z.

















