Fladgate Family Wines declara 2024 um ano Vintage

No alinhamento da tradição da Fladgate Family Wines, hoje, Dia de São Jorge, a divisão de vinhos do grupo The Fladgate Partnership anuncia o lançamento de Vintage 2024 da Taylor’s (com duas edições, uma das quais o Taylor’s Sentinels Vintage Port), Croft e Fonseca. Trata-se da primeira declaração conjunta das três centenárias casas desde 2017. […]
No alinhamento da tradição da Fladgate Family Wines, hoje, Dia de São Jorge, a divisão de vinhos do grupo The Fladgate Partnership anuncia o lançamento de Vintage 2024 da Taylor’s (com duas edições, uma das quais o Taylor’s Sentinels Vintage Port), Croft e Fonseca. Trata-se da primeira declaração conjunta das três centenárias casas desde 2017. De acordo com o comunicado, este acto representa “um momento histórico, não apenas pela convergência entre Taylor’s, Croft e Fonseca, mas sobretudo porque representa a mais limitada declaração de sempre destas casas”.
Adrian Bridge, Director-Geral da Fladgate Family Wines, sublinha a “qualidade excecional” e a “incrível profundidade e complexidade” do quarteto de vinhos do Porto Vintage, cujos números representam menos quantidade. Mas a “qualidade compensa a matemática”, assegura, em comunicado, David Guimaraens, director de enologia da Fladgate Family Wines, até porque “declarar um ano clássico é uma enorme responsabilidade”.
Como é do conhecimento dos entendidos nesta matéria, cada casa se afirma através de uma expressão muito própria do seu terroir duriense. Em comunicado, no Taylor’s Vintage 2024, lote produzido a partir das uvas das vinhas da Quinta de Vargellas, da Quinta da Terra Feita e da Quinta de Junco, “os taninos firmes e musculados são equilibrados, com sabores de fruta vivos e delicadas notas herbais, resultando num vinho vibrante e complexo, com a elegância e a precisão típicas”. Já o Taylor’s Sentinels Vintage Port 2024, elaborado a partir das uvas das propriedades históricas no Douro, revela um “perfil mais direto e generoso”. O Croft Vintage 2024, cujas base é feita com uvas da Quinta da Roêda, denota “equilíbrio entre opulência e contenção”, enquanto o Fonseca Vintage 2024, lote de uvas vindimadas na Quinta do Panascal, “revela a sua habitual profundidade, intensidade e generosidade de fruta, conjugada com uma mineralidade muito apelativa e um final fresco”.
Os Vintage 2024 da Taylor’s, Croft e Fonseca vão para o mercado em setembro de 2026, com distribuição exclusiva da Heritage Wines.
O Prémio de Viticultura do ano é….Lusovini

O projeto desenvolvido pela Lusovini em torno do estudo e recuperação de castas autóctones do Dão é um bom exemplo da ligação profunda entre viticultura, conhecimento adquirido e visão estratégica. Esta iniciativa nasce de uma inquietação antiga de Casimiro Gomes, fundador da Lusovini, e da constatação de que muitas castas históricas da região existiam apenas […]
O projeto desenvolvido pela Lusovini em torno do estudo e recuperação de castas autóctones do Dão é um bom exemplo da ligação profunda entre viticultura, conhecimento adquirido e visão estratégica. Esta iniciativa nasce de uma inquietação antiga de Casimiro Gomes, fundador da Lusovini, e da constatação de que muitas castas históricas da região existiam apenas na memória dos viticultores, sem caracterização agronómica consistente nem expressão enológica que permitisse avaliar o seu real potencial. Desde os anos 1980, quando fundou a empresa no Dão, ouviu falar repetidamente dessas variedades quase desaparecidas. Em vez de esperar por estudos oficiais, decidiu avançar e criar as condições para as conhecer no terreno.
A oportunidade surgiu em 2015, com a aquisição da Vinha da Fidalga, em Carregal do Sal, uma propriedade com origem no século XVIII. Instalou-se ali uma vinha experimental de cerca de 3,5 hectares dedicada a castas minoritárias e em risco de extinção, tendo envolvido, inicialmente, 22 castas, com aproximadamente mil plantas de cada uma. Ao longo dos anos, o acompanhamento rigoroso em vinha permitiu observar o ciclo vegetativo, a resistência a doenças, a adaptação ao solo e ao clima e definir práticas de condução adequadas, num contexto em que praticamente não existia informação técnica disponível.
Deste trabalho resultaram 12 castas mantidas em estudo, entre as quais Barcelo, Uva Cão, Douradinha, Luzidio, Malvasia Preta, Monvedro, entre outras pouco conhecidas. Entre 2020 e 2023 realizaram-se microvinificações, com uma abordagem enológica deliberadamente neutra, pensada para revelar as uvas no seu estado mais direto. O objetivo foi gerar conhecimento: compreender perfis sensoriais, níveis de acidez, equilíbrio e potencial de evolução. Nos últimos dois anos foram apresentados alguns dos vinhos, já na vertente comercial, mas em edições muito limitadas.
Este investimento excede a dimensão patrimonial. Ao criar conhecimento vitícola consistente, a Lusovini contribui para o seu próprio futuro e para o futuro da região, assegurando que estas castas deixam de ser apenas memória, para voltarem a ter um papel ativo na viticultura de amanhã. V.Z.
O Prémio Viticultura do ano é patrocinado por: Vieirinox
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Costa Boal reforça estratégia de sustentabilidade na viticultura

No âmbito do Dia da Terra, celebrado hoje, dia 22 de Abril, a Costa Boal Family Estates enfatiza o compromisso com uma viticultura sustentável traduzida em práticas agrícolas consistentes e conscientes no que ao meio ambiente diz respeito. “Na Costa Boal, acreditamos que o futuro da viticultura passa por uma relação mais inteligente com os […]
No âmbito do Dia da Terra, celebrado hoje, dia 22 de Abril, a Costa Boal Family Estates enfatiza o compromisso com uma viticultura sustentável traduzida em práticas agrícolas consistentes e conscientes no que ao meio ambiente diz respeito. “Na Costa Boal, acreditamos que o futuro da viticultura passa por uma relação mais inteligente com os recursos disponíveis. Valorizar o que já existe na vinha é uma forma concreta de reduzir impacto, aumentar eficiência e reforçar a autenticidade dos nossos vinhos”, declara, em comunicado, António Boal, produtor e CEO da empresa.
Uma das acções em destaque consiste no desenvolvimento de estimulantes e fungicidas biológicos naturais feitos a partir de folhas, lenha recolhida na época da poda e mostos. Estas matérias-primas são ricas em compostos fenólicos, que ajudam a reforçar o equilíbrio das funções orgânicas da vinha, por forma a aumentar a sua capacidade de resposta face às condições climáticas adversas. Paralelamente, contribuem para a diminuição de produtos químicos em prol de um solo mais são.
Eis a estratégia desenvolvida em articulação com o Instituto Politécnico de Bragança, que tem a investigadora Sandrina Heleno como responsável pela coordenação científica dos ensaios: “A valorização de subprodutos vitícolas constitui uma abordagem alinhada com os princípios da economia circular, permitindo a reintegração de biomassa residual em novos ciclos de valor. Esta colaboração evidencia a importância da transferência de conhecimento científico para a indústria, promovendo soluções sustentáveis, tecnicamente validadas e ajustadas às necessidades reais do sector.”
No Dão, às 17h00?

Até Outubro, as tardes de Sábado estão reservadas para uma nova iniciativa conjunta em torno do enoturismo. Chama-se “No Dão às 5h” e tem como objective invadir, de forma ordeira e munida de curiosidade, quintas desta região vitivinícola localizada no Centro do país, para explorar os bastidores e ouvir as histórias de quem faz vinho […]
Até Outubro, as tardes de Sábado estão reservadas para uma nova iniciativa conjunta em torno do enoturismo. Chama-se “No Dão às 5h” e tem como objective invadir, de forma ordeira e munida de curiosidade, quintas desta região vitivinícola localizada no Centro do país, para explorar os bastidores e ouvir as histórias de quem faz vinho neste território, onde a cultura e a paisagem acompanham o tempo, lado a lado.
De portas abertas para esta acção estão os seguinte produtores: Adega de Vila Nova de Tazem (comercial@adegatazem.pt / WhatsApp: 914 588 590), Quinta da Giesta – Boas Quintas (wines@boasquintas.com / WhatsApp: 935 739 898), Paço dos Cunhas (enoturismo.santar@1990.pt / WhatsApp: 915 351 558), Pedra Cancela (pedracancela@gmail.com / WhatsApp: 961 307 232), Soito Wines (winetourism@soitowines.com / WhatsApp: 963 034 140 ou 928 368 234), Taboadella (taboadellawinetourism@amorimfamilyestates.com / WhatsApp: 967 116 877) e Quinta do Gato (geral@quintadogato.pt / WhatsApp: 914 871 646). As visitas são gratuitas, com reserva prévia junto de cada propriedade, começam às 17h00 e têm duração entre 30 a 45 minutos.
Este movimento colectivo foi impulsionado pela Taboadella e assume-se como “uma plataforma aberta e agregadora, pensada para crescer ao longo do tempo e envolver um número crescente de agentes da região”, esclarece Luisa Amorim, CEO da Taboadella. Envolvidas estão ainda entidades institucionais, como a Comissão Vitivinícola Regional do Dão.

ESPECIARIAS: Caril, açafrão e outras orientalidades

Por muitas voltas que demos ao assunto, haverá sempre quem tenha dúvidas acerca do caril, e de praticamente todas as outras especiarias, e o tempo que passou provocou uma total miscigenação. Troca as voltas a todos os aparentes donos da verdade e torna humildes os mais poderosos. Certo é que desde 1498, quando chegámos à […]
Por muitas voltas que demos ao assunto, haverá sempre quem tenha dúvidas acerca do caril, e de praticamente todas as outras especiarias, e o tempo que passou provocou uma total miscigenação. Troca as voltas a todos os aparentes donos da verdade e torna humildes os mais poderosos. Certo é que desde 1498, quando chegámos à Índia, assentámos praça. Por efeito do Tratado de Tordesilhas, o Brasil passou para o lado português, e a intensidade das relações com a gigante península indiana fortaleceu-se enormemente. Na segunda década do séc. XVI, os portugueses dominavam inteiramente a origem de todas as especiarias, sobrepondo-se à rota até então estabelecida. Dispenso-me do rigor estritamente histórico, para dar um salto gigante até Goa, pelo reduto culinário e gastronómico que representa toda a Índia. Jamais se deixou “invadir” pela restante Índia. Levámos o funcho da Madeira, que encontrou acolhimento junto do anis indiano. Também da América do Sul, via Brasil, fizemos chegar tomate, ananás e batatas, entre outros produtos. E Portugal conseguiu o feito notável de interferir na enorme tradição indiana de cozinhar. O pão e as açordas criaram raízes fortes nessa praça distante. E as massalas – leia-se misturas de especiarias em pó – começaram a viajar com força e aceitação total entre o cantinho luso e o magnífico mundo novo e rico que Goa representava. A malagueta só entrou nos nossos costumes no século XIX. Era “coisa do diabo”. Mesmo assim, influenciou fortemente as bases da cozinha alentejana, tal como a conhecemos e praticamos hoje.
O fabuloso mundo das especiarias
Historicamente, é da Índia que vem a mais abundante e rica utilização de ervas aromáticas e especiarias que conhecemos. No domínio das ervas, sobressaem duas: a folha de coentros, que nós, felizardos ocidentais, conhecemos simplesmente como coentros; e a hortelã pimenta. O grosso da coluna provém da prodigiosa oferta de especiarias que a Índia encerra. As especiarias são, ao fim e ao cabo, uma diversidade grande de elementos secos. Sementes, bagos, vagens, cápsulas, cascas, folhas, botões, pétalas, estigmas ou estames, configuram especiarias que podem valer mais do que ouro. Olhemos para os casos mais comuns, exercício que raramente fazemos.
Folha de louro. Nasce de um arbusto e dá-se bem em toda a parte. Funciona em diversas aplicações, mormente em conjunto com azeite e alho, no caso do inefável bife à portuguesa.
Cardamomo. É uma semente que é indissociável do sabor indiano autêntico. Dá-se bem no sul da Índia, em Ceilão, Tailândia e Guatemala, e confere um sabor forte e ligeiramente balsâmico a todas as aplicações. Produz um óleo viscoso de sabor intenso, um cineol flexível em termos de aplicação. Esta semente tem uma de duas configurações possíveis: cardamomo negro, componente nuclear da massala garam, e cardamomo verde, também conhecida como a rainha das especiarias. Esta última é uma das mais caras e aromáticas especiarias do mundo. É muito utilizado em doçaria.
Cássia e canela. A cássia e a canela são, por assim dizer, as cascas das respetivas árvores. Infelizmente, o consumidor é frequentemente levando a consumir uma e outra indistintamente, mas não pode haver maior logro. A cássia provém da China, enquanto a canela é originária do Ceilão. Claro que há muitas semelhanças e, claro, que uma e outra especiarias podem vir de outras partes do globo. No entanto, atentando à forma mais pura e valiosa, o sistema é este. Ilhas Seycheles, Brasil e Indonésia produzem excelente canela, mas o ideal é mesmo conseguir chegar ao nível máximo.
Malagueta. Da família capsicum, provém originalmente da América do Sul e viajou para toda a parte, ganhando forma e função entre os diferentes povos. Oscila entre veneração e condenação, e é estruturante na cozinha indiana. Na Tailândia também é muito importante. Utilizado como intensificador de sabor, é mais saudável do que o sal. E entre outras virtudes, permite uma certa profilaxia geral em relação a algumas doenças. Nos piripiris que faço, jamais retiro as sementes; elas fazem parte.
Cravinho. Provém de uma árvore, toda ela muito aromática. Consumimos o cravinho seco e o nome que lhe damos decorre da configuração de prego. É fundamental utilizar com moderação nos cozinhados, pois tende a dominar todo o sabor. Um dente de cravinho é suficiente para um tacho médio de ensopado de borrego, por exemplo.
Sementes de coentros. É a especiaria mais abundante da Índia, da qual o país exporta mais de 80 mil toneladas por ano. Secas e passadas pelo almofariz, exala impressões cítricas impressionantes. É, por isso, um excecional intensificador de sabor. Utilizo juntamente com um pouco de cardamomo, para produzir um substituto doméstico do sal. Passadas pelo forno quente, ganham uma dimensão exótica muito saborosa.
Cominhos. Utilizamo-los na produção de vários enchidos tradicionais, em particular de morcelas e chouriços de sangue. São especiarias muito antigas. Há mais de 4.500 anos que a Síria e o Egito a produzem com abundância e proveito. É duradoura: há relatos de sementes presentes nos túmulos dos faraós que estavam ainda em boas condições de consumo. São excelentes como componentes de marinadas diversas.
Folha de caril. Em termos aromáticos, a semelhança com o pó de caril é muito grande e, como pasta, chega a fazer as vezes. Funciona muito bem com peixe fresco; gosto particularmente de utilizar com ovas grelhadas ou cozidas. Fresca, a folha de caril pode utilizar-se até com manteiga. É impressionante a sua flexibilidade.
Funcho. Especiaria de raiz eminentemente europeia. É doce e fortemente aromática. Além disso, é hiperabundante, encontramo-la pelas bordas dos caminhos de campo. Temos rebuçados e mezinhas diversas à base de funcho. Quando seco, integra muito bem misturas de especiarias como o caril. Tem de ser utilizado em pequenas proporções.
Feno-grego. Utilizada com abundância no norte da Índia, é uma especiaria de que se aproveita tanto as sementes, como as folhas. Nas províncias do Gujarate e Punjab, tem diversas aplicações na saúde e é considerada como fundamental em estufados longos de carne. Rogan Josh, por exemplo, não vive sem esta especiaria.
Levístico. Provém de uma planta de flores vermelhas e perfume intenso, semelhante ao tomilho. Não convivemos muito com a planta, mas seguramente já lhe sentimos o cheiro em marinadas, molhos e pratos cozinhados.
Noz moscada. Está presente em todas as configurações de caril e damos-lhe uso muito frequente em purés e massas. Na doçaria nacional, também tem as suas utilizações usuais.
Sementes de mostarda. Também se chama grãos de mostarda e é, nas variantes amarela e branca, utilizada para produzir o condimento de mostarda. Pode ser mais ou menos pungente, consoante os acrescentos que lhe damos.
Pimenta. É a especiaria das especiarias na cozinha indiana. O mundo inteiro utiliza a pimenta a par com o sal nas suas cozinhas domésticas. Ombreia com a malagueta na popularidade e ainda é fonte importante de rendimento para a Índia. Há diversos sucedâneos e todos eles fazem parte dos ingredientes fundamentais das nossas casas.
Açafrão. Ingrediente chave e nobre nas melhores misturas de especiarias. Obtém-se em quantidades muito reduzidas a partir dos filamentos da flor crocus sativus. Para ter a noção da raridade, são precisas 70 mil flores para obter meio quilo de açafrão. É mais cara e mais exótica do que a trufa branca, por exemplo. Custa oito euros por grama. Apesar de tradicional na culinária portuguesa, espanhola, italiana e indiana, caiu em desuso, optando-se pela curcuma. Mas, claro, que não é a mesma coisa.
Sementes de sésamo. Utiliza-se muito em óleo, farinha e diretamente. Na utilização direta, vale a pena aquecê-la no forno ou numa sertã seca. Tem um poder aromático forte.
Vamos ao caril?
Posto que entendemos que um caril é feito a partir de massalas ou misturas de especiarias, podemos passar a algumas configurações frequentes. Percorremos, numa primeira instância, as formas mais frequentes de caril indiano. O tikka masala é um dos mais populares e consiste de pedaços grelhados de frango, com um molho cremoso e suave. Tem um sabor cítrico e não é normalmente picante. Um branco de Fernão Pires do Tejo pode resolver bem a contenda.
Já o vindaloo é um prato goês, feito com vinagre, malagueta e alho. O nome decorre de uma corruptela de vinha de alhos, uma preparação bem portuguesa, que pode ser picante. Aqui pode ser instrumental um Castelão da Península de Setúbal. A questão do picante leva-nos a ter algumas precauções quanto à harmonização vínica. Mas, basicamente, quando intensificamos o picante, devemos também aumentar o grau alcoólico do vinho, isto porque a perceção do picante na boca resulta em micro-feridas e o álcool vai permitir sará-las de imediato. A água nada resolve e até pode ser contraproducente.
A preparação korma é suave, cremosa e aromática, e utiliza iogurte, natas ou nozes na sua base. Regressamos, por isso, ao vinho branco, para chegar à harmonização feliz. Deve ter estágio em madeira e, de preferência, ser jovem. Um Arinto de Bucelas fermentado em barrica pode ser uma excelente ideia. Importante é que espevite a selva aromática que está no prato.
O caril de Madras é vermelho e é feito com malagueta, cominhos e sementes de coentros. Pode ser muito picante, e cabe ao vinho debelar esse capital avassalador. Sugiro um Cabernet Sauvignon de Lisboa, as experiências que tenho feito com os vinhos da Quinta do Sanguinhal têm resultado. Denotam, além disso, um perfil balsâmico que tem muito a ver com a cozinha indiana. O caril goês de frango é feito com leite de coco, pode ser ou não picante e é delicioso. É, de resto, o que se faz nos lares portugueses com mais frequência. A solução vínica que melhor funciona é um Touriga Nacional jovem do Dão. Frescura e de novo a selva aromática de que precisamos.
O Rogan Josh, que já referi, é um prato complexo e profundo da região de Caxemira. É feito com borrego e tem a particularidade de incluir feno-grego na composição. Aprendi com um grande mestre indiano, que produziu a mistura à minha frente, e depois cozinhou-o na perfeição. É normalmente picante, dependendo da tolerância dos comensais. Aconselho um tinto do Douro com madeira, com alguma idade. A ligação é garantida. O caril Saag é quase vegan e tem por base folhas verdes de espinafres, pelo que aconselho vivamente um vinho branco da casta Fonte Cal. Alguns produtores da Beira Interior estão a fazer vinhos que parecem ter sido concebidos para este caril. O caril Dhamsala, de forte influência peruana, é outro grande prato e é feito com lentilhas e vegetais. Este sim, é inteiramente vegano e curiosamente gosta de vinho tinto. Um Jaen novo do Dão faz uma excelente harmonização.
Um pulo até à Tailândia
Na grande e estreita língua de território que é a Tailândia, o caril é um caso muito sério. Aliás, todo o país é um caso muito sério. Leite de coco e erva-príncipe estão na base de quase todos, o que, do ponto de vista da harmonização, é um tremendo desafio. O caril verde é o mais rico em especiarias e é feito com malaguetas verdes, manjericão e sementes de coentros. Não é demasiado picante, mas temos de estar preparados para o caso – quase sempre – de isso acontecer. Dado o património aromático contido no caril verde, optamos por um Sauvignon Blanc de Colares. Complexidade e exotismo garantidos e, além disso, o toque salino, que é sempre bem vindo.
Um caril tailandês é altamente calórico. O caril vermelho é o mais picante de todos e, na base, encontramos malaguetas vermelhas fortes, erva-príncipe e gengibre. Precisa, por isso, de um tinto bem copioso, pelo que o Alentejo é a opção correta. A casta Alicante Bouschet pode ser um bom caminho. O segredo é, como sempre, provar e medir forças com a solução encontrada. Boas experiências!
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Enólogo de vinhos generosos do ano é…. Francisco Albuquerque

Francisco Albuquerque nasceu em 1964 numa família ligada ao Vinho Madeira, com vinhas e produção de vinho. O avô explorava a Quinta do Arco, localizada no concelho de Santana, no norte da ilha da Madeira. As uvas eram fornecidas à H.M. Borges, empresa de outros familiares. Essa imersão no mundo do vinho levou-o à Escola […]
Francisco Albuquerque nasceu em 1964 numa família ligada ao Vinho Madeira, com vinhas e produção de vinho. O avô explorava a Quinta do Arco, localizada no concelho de Santana, no norte da ilha da Madeira. As uvas eram fornecidas à H.M. Borges, empresa de outros familiares. Essa imersão no mundo do vinho levou-o à Escola Agrária de Santarém, mas a escolha recaiu na produção animal, para complementar os conhecimentos sobre o universo vitivinícola trazidos do berço. Segundo o enólogo, foi um “conceito romântico sobre os agrónomos, uma ideia que vinha da Quinta da Anita.” O romantismo não o afastou do vinho. Pelo contrário, Francisco Albuquerque concluiu vários cursos na Estação Vitivinícola Nacional em Dois Portos, localizado em Torres Vedras, e uma pós-graduação em Agricultura Biológica e Enologia. Em 1990, fez um estágio de vindima iniciado no Douro e terminado na Madeira, durante o qual absorveu toda a experiência que a equipa da família Symington trouxe para o Vinho Madeira. A partir de 1993, teve carta branca para liderar a enologia na Madeira Wine Company, aliando o saber empírico dos madeirenses, tanto na vinificação como no envelhecimento, com os estudos científicos, nos quais colaborou com a Universidade da Madeira, em especial a partir de 1996.
Muitos conhecimentos estavam pouco sistematizados. Por isso, os processos que Francisco Albuquerque e os colegas foram desenvolvendo destinavam-se a perceber melhor o processo de envelhecimento, em particular através do isolamento dos factores e catalisadores. Com 16 armazéns de envelhecimento distribuídos entre o Funchal e o Caniçal, na ilha da Madeira, são inúmeros os parâmetros a estudar, para decifrar o puzzle dos grandes e imortais vinhos Madeira. Exemplo das descobertas: os mais secos envelhecem melhor no Funchal e os mais doces preferem o Caniçal. Contudo, os secos com mais de cinco anos são mais compatíveis com as condições climáticas do Caniçal, já que, no Funchal, ficam mais concentrados e balsâmicos, mas menos complexos. Francisco Albuquerque também tem grandes contributos na defesa da viticultura e na melhoria da vinificação. Há um paradoxo aparente: o vinho deve ser vinificado com todo o cuidado, para evitar a oxidação e a acidez volátil, por forma a preservar os factores que desencadeiam um bom envelhecimento oxidativo.
Ao fim de 37 anos na Madeira Wine Company, Francisco Albuquerque é um dos grandes responsáveis pela preservação de tradições centenárias, agora iluminadas pelo rigor do conhecimento científico. E, ano após ano, é o autor de algumas das mais preciosas pérolas do universo Vinho Madeira. L.A.
O Prémio Enólogo de vinhos generosos é patrocinado por: Casa Ermelinda Freitas
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Grande Prova: Tintos 2016, uma década depois

Este texto está a ser escrito quando quase todo o país está debaixo de água, com rios a um nível altíssimo e acidentes em diferentes zonas. Há já muitos anos que não se viam cheias com esta amplitude, como que a relembrar que o clima manda em nós e não o contrário. A ligação, vá […]
Este texto está a ser escrito quando quase todo o país está debaixo de água, com rios a um nível altíssimo e acidentes em diferentes zonas. Há já muitos anos que não se viam cheias com esta amplitude, como que a relembrar que o clima manda em nós e não o contrário. A ligação, vá lá, ténue, com 2016 é que o Inverno de 2015/16 foi especialmente chuvoso, com muito mais água do que era habitual. Regiões, como o Douro, chegaram mesmo a ter cheias ainda na Primavera. Tudo como está a acontecer agora, ainda que com mais moderação. O excesso de chuva, ao prolongar-se, já se sabe o que traz consigo: doenças da vinha, com o míldio e o oídio a exigir intervenção constante e muitos tratamentos. Por arrasto, os pequenos produtores, sem folga financeira, dimensão ou conhecimento, são quem mais sofre as consequências com elevada perda de produção das vinhas.
O ano de 2016 correspondeu exactamente à ideia de “vindima desafiante”, frase usada vezes sem conta pelos enólogos, para caracterizar uma colheita árdua. Esta foi mesmo difícil e ainda que, com tratamentos feitos a tempo e horas, o ano foi diverso de qualidade. Porque é que este painel não espelha isso? Porque os produtores que aqui estão, representam, de certa forma, a nata da produção nacional (ou parte da nata…), gente que é profissional e não se preocupa com a “muita intervenção” em vez da “pouca”, apregoada por quem não consegue tratar as uvas. Trabalhar bem, e a tempo, ajuda na qualidade da vindima. Já Charles Symington, enólogo responsável do grupo Symington, indicava, no relatório de vindima de 2016, o seguinte: “O tempo ao longo da vindima esteve excepcionalmente bom, o que possibilitou o desenrolar perfeito das maturações. Pudemos decidir os momentos de vindimar sem nos preocuparmos com alterações no estado do tempo e, assim, escolher o melhor momento para vindimar em cada propriedade de acordo com o estado de maturação de cada.” E mais adiante, “Touriga Franca poderá ter produzido os melhores vinhos desta vindima”. A consequência deste final de vindima tranquilo e sem pressas foi que a apanha da uva só terminou em meados de Outubro. Raro e cada vez menos visto.
Elegância acima de tudo
O Palácio da Bacalhôa, com origem na região de Setúbal, foi uma das surpresas da prova. É um tinto que mudou de perfil nos últimos anos: passou de um estilo muito extraído (moda Robert Parker, dizemos nós) dos inícios deste milénio, para um vinho que, com redobrados cuidados de enologia, ficou mais franco e aberto, no qual os 5% de Petit Verdot ajudam, aliados aos 70% de Cabernet Sauvignon e aos 25% de Merlot. Menos extracção e mais elegância deram este resultado, o que se aplaude vivamente. E Vasco Penha Garcia, enólogo da empresa, reforça a ideia que, quando se trabalha com profissionalismo na vinha, as diferenças entre as várias colheitas se diluem, porque a enologia acaba por compor o que houver a compor.
No caso do Alentejo, o ciclo vegetativo foi mais favorável do que no Norte do país, com menos problemas sanitários. A Fundação Eugénio de Almeida, no seu registo de vindima, assinala: “no que respeita ao potencial produtivo, foi um ano com fertilidade geral média a baixa, tendo a maturação ocorrido um pouco mais tarde que nos últimos anos, mas em excelentes condições (…) para as tintas que atingiram uma adequada maturação fenólica”.
Os anos, como o 2016, sobretudo quando têm um final de Verão quente e sem chuva, geram sempre a dúvida habitual na região do Douro e entre os produtores de Vinho do Porto: será ano de Porto Vintage? Se sim, será do agrado de todos ou os “ingleses” irão avançar com as declarações de Vintage Single Quinta? Para muitos consumidores isto é “assunto de lana caprina”, mas para o sector do Porto não é, porque as declarações consideradas clássicas são momentos importantes no negócio, uma alavanca sempre bem-vinda em termos comerciais. O ano de 2016 foi ainda complicado porque algumas casas não tinham declarado o 2015 e ficaram à espera de declarar o 2016. Aconteceu, então, que a declaração de 2016 foi clássica (cerca de 100 vinhos declarados) e muito poucos produtores terem resolvido ficar de fora, como a Ramos Pinto, que declarou o 2015. A situação pode repetir-se este ano: tudo estava encaminhado para a declaração clássica do Vintage 2024 e eis que, de repente, a qualidade do 2025 veio baralhar tudo. Aguardemos os próximos capítulos. Este assunto interessa-nos na qualificação do 2016 porque há uma regra no Douro que é quase matemática: os anos melhores para Vintage não são os melhores para DOC Douro. E o 2016 poderá confirmar isso: grandes tintos, mas…vintages gloriosos.
Qualidade e grande potencial
Uma ideia que podemos registar desta prova é que os vinhos muito bons se distribuíram geograficamente e, quer o Alentejo, quer a região de Setúbal, ainda que com presença em número normalmente inferior (ou mesmo muito inferior) ao Douro, revelaram vinhos de grande qualidade e com enorme potencial. Para vários provadores do painel isso foi especialmente evidente no tinto da Bacalhôa, um tinto de perfil bordalês que, passados 10 anos, está num patamar incrível, ainda em crescimento. Quase apetece dizer que, se se fizesse uma prova de tintos com 20 anos, talvez este Bacalhôa já estivesse no ponto de excelência e perfeição, algo que ainda não está.
Como é de esperar, a evolução dos vinhos é desigual e alguns mostraram que, estando bons, já não têm argumentos para longas vidas em cave. No caso de um dos vencedores, foi a segunda garrafa que salvou a prova, porque a primeira estava em estado duvidoso. Com isso também aprendemos que as conclusões, com apenas uma garrafa aberta, são sempre precipitadas. No painel, seguimos isso à risca e três vinhos foram retirados de prova.
A qualidade dos 2016 mostrou-se muito boa, talvez até melhor do que se poderia esperar. Quase todos os vinhos estão em grande momento de prova e é bom que não se tirem “conclusões hierárquicas” precipitadas. Os vinhos que integram o último grupo dão muito boa prova agora, são verdadeiros tintos prazenteiros que já chegaram ao melhor momento, grandes companheiros da refeição; apenas perderam para outros que ainda estão em crescendo e que o painel valorizou. E, num painel alargado como este, a classificação mais baixa ser 17 valores dá clara indicação que estamos perante um conjunto notável de tintos.
19
Chryseia
Douro tinto 2016
Prats & Symington
Excelente evolução, ganhou em polimento e harmonia, com fruta madura muito bem integrada, taninos de luxo, tudo com balanço perfeito. No palato mostra-se envolvente, cheio, maduro, mas aqui nada há de excessivo, a fruta negra é muito agradável e saborosa. Dá muito prazer a beber, rico e sério. (14%)
19
Mouchão
Alentejo tinto 2016
Vinhos da Cavaca Dourada
Duas garrafas provadas, a primeira muito evoluída. A segunda está muito bem, com aquele foco na fruta madura, mas com o lado mais mentolado, mais mineral, mais químico, que sempre se reconhece no Mouchão. Clássico na boca, com muita elegância de taninos, excelente perfil e a mostrar muita personalidade. (15%)
19
Palácio da Bacalhôa
Reg. Pen. Setúbal tinto 2016
Bacalhôa Vinhos
Muito escuro na cor, ainda em fase ascendente, muito complexo, cheio de fruta negra, groselha preta e amoras, leves apimentados; intensa presença na boca, com taninos finos e um perfil bordalês clássico, muito bem desenhado e surpreendentemente jovem e atraente. Numa versão robusta, embora com boa frescura de boca. É um grande tinto. (14%)
19
Pintas
Douro tinto 2016
Wine & Soul
Aroma de luxo, com a dispersão de aromas comum nas vinhas velhas, polimento geral de grande nível, fruta bonita e barrica bem inserida, a mostrar uma saúde incrível num ano menos fácil. Prazer enorme na boca, com uma elegância arrebatadora. Cativante, com imenso para dar; um grande tinto que faz jus à marca. (14%)
19
Quinta da Touriga Chã
Douro tinto 2016
Jorge Rosas
Em muito boa forma, cheio de fruta especiada, polido e elegante, com madeira no ponto, tudo em muito bom equilíbrio, perfeito balanço de taninos e fruta. Este tinto é sempre muito seguro na enorme qualidade que apresenta, muito apetecível e com muito sabor. Uma grande aposta. (14,5%)
18,5
Gauvé
Dão tinto 2016
Moreira, Olazabal & Borges
Tem origem em vinhas velhas com castas misturadas. Muito elegante no aroma, leve nota floral que lembra Touriga Nacional, com delicadeza de fruta, erva seca e madeira no ponto. Grande harmonia de boca, um toque mineral bem atractivo e um polimento de grande nível. (13%)
18,5
Monte Branco
Reg. Alentejano tinto 2016
Luís Louro
O lote inclui Alicante Bouschet e Aragonez. Concentrado na cor, a sugerir um tinto hermético. Porém, mostra grande finura, com fruta negra em destaque, madeira bem ligada e, no conjunto, resulta com elegância. Taninos filigrânicos, mas presentes, o conjunto mostra-se muito bem, polido e apetecível. (14%)
18,5
Poeira 42 barricas
Douro tinto 2016
Jorge Nobre Moreira
Feito em lagar. Fruta vermelha no aroma, vivo e com muita frescura que resulta atractiva, madeira superiormente inserida no conjunto, notas terrosas, muito bem proporcionado. Arredonda na boca, macio, seco, fruta vermelha, cereja preta e amoras. Este tinto nunca desilude, mesmo num ano menos conseguido. (14%)
18,5
Quinta da Leda
Douro tinto 2016
Sogrape Vinhos
Muito bem na cor, vivo e complexo no aroma, com muita fruta madura e as primeiras notas licoradas a surgirem. Grande polimento no palato, ainda com taninos presentes, embora muito finos; um tinto robusto, mas muito bem equilibrado e desenhado. (13,5%)
18,5
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa
Douro tinto 2016
Quinta do Crasto
O que mais se destaca no aroma é a fruta madura, em camadas, especialmente bem casada com a madeira de luxo, a verdadeira marca da casa. Excelente complexidade, especiarias de pimenta e cardamomo; fresco na boca, polido e muito envolvente, todo ele em grande forma. Dá muito prazer a beber. (14,5%)
18,5
Quinta do Vale Meão
Douro tinto 2016
Olazabal & Filhos
Temos, nesta edição, um Meão de maceração moderada e daí resulta um aroma fino, sempre num registo de bom equilíbrio com a madeira ainda presente, mas apenas a amparar o conjunto. No palato, mostra-se muito bem, bem mais elegante que noutras edições, resultando num tinto que pode dar todo o prazer de consumo desde já. (14%)
18,5
Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca
Douro tinto 2016
Quinta Vale D. Maria
Aroma clássico dos tintos do Douro, com madeira de luxo bem trabalhada, notas apimentadas e fruta negra, ainda em ascensão, leve nota floral, muito boa complexidade. Muita especiaria e notas de grafite, muito tanino no palato; um tinto com garra e boa rugosidade. (14%)
18,5
Terrenus Vinhas Velhas
Alentejo Portalegre Reserva tinto 2016
Rui Reguinga
Média concentração de cor, típica de vinhas velhas. Aroma complexo e difuso onde a fruta se espraia com elegância, com boa definição da barrica aqui bem inserida. Muito fino na boca, taninos presentes, mas delicados. Dá muito prazer a beber. Teve 18 meses em barrica e 24 em garrafa, o que gerou um tinto muito equilibrado. (14%)
18,5
Villa Oliveira Vinha das Pedras Altas
Dão tinto 2016
O Abrigo da Passarella
Muito boa concentração na cor, polimento aromático conseguido com o estágio em madeira usada, com boa definição de fruta na boca, perfil fino e com muito para dar, agora e no futuro. Leve e agradável nota mentolada, taninos presentes, excelente acidez. Tudo a garantir um bom futuro. (14%)
18
Casa de Saima
Bairrada Baga Garrafeira tinto 2016
Graça Miranda
Este é um clássico tinto da Bairrada, com imensa fidelidade à casta Baga que aqui surge com as notas de ginja, ambiente balsâmico, sempre num registo mais elegante do que assente em potência; polido no copo, fruta em calda no aroma. Muito prazer a beber. (14%)
18
Esporão Private Selection
Alentejo tinto 2016
Esporão
O lote inclui Aragonez, Touriga Francesa e Alicante Bouschet. Concentrado na cor, fruta negra e levemente compotado, é um tinto que pende para o lado robusto das castas com que é feito; taninos muito presentes, envolvente, cheio, algo complicado, que só o tempo poderá ajudar a descomplicar os vários elementos. (14,5%)
18
Giz Vinhas Velhas
Bairrada tinto 2016
Luís Manuel Gomes
Elaborado com a casta Baga, feito em lagar na melhor tradição bairradina, estágio em carvalho francês. Fiel à casta, com um estilo polido na fruta, taninos macios e bom equilíbrio de conjunto, pronto a beber. Os 20 meses em barrica ajudaram a que tudo se harmonizasse e está, agora, no seu melhor. (13%)
18
Herdade do Rocim Clay Aged
Alentejo Reserva tinto 2016
Rocim
Feito com Alicante Bouschet, Petit Verdot, Trincadeira e Tannat. Nota-se uma cor mais aberta, leve nota de barro, muito ligeiro mentolado. As castas usadas conferem aqui um lado austero na boca, com taninos finos e ambiente bem curioso. Ainda jovem, apesar de se sentir já alguma evolução. (14,5%)
18
Malhadinha
Reg. Alentejano tinto 2016
Herd da Malhadinha Nova
Feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Aragonez; lagares com pisa, 15 meses em barrica nova. Notas de azeitona, fruta madura, aroma complexo resultante de múltiplas castas, de onde não há protagonismos. Com perfil fino, um tinto da planície, tudo muito bem conseguido, macio, bem desenhado. (15%)
18
Marquesa do Cadaval
DoTejo tinto 2016
Casa Cadaval
Feito com Touriga Nacional, Trincadeira e Alicante Bouschet, com um ano de estágio em barrica. Detecta-se uma boa ligação entre as três castas, ambiente especiado, elegante, directo e com bom perfil. Clássico pelo equilíbrio que mostra na boca, notas de noz moscada e fruta madura, taninos finos, leves licorados. Tudo no ponto. (13,5%)
18
Quinta do Carmo
Reg. Alentejano Reserva tinto 2016
Soc. Agr. Quinta do Carmo
Lote de Alicante Bouschet e Aragonez, 18 meses de estágio em barrica. O primeiro impacto é muito atraente, com uma combinação entre fruta e madeira em perfeito diálogo, taninos muito polidos, fácil na boca, perfeito na acidez. Absolutamente consensual. Este tinto já chegou ao seu melhor momento. (14,5%)
18
Quinta do Monte d’Oiro Parcela 24
Reg. Lisboa tinto 2016
José Bento dos Santos
Deste produtor chega-nos, com frequência, uma versão muito original desta casta. Este mostra-se muito elegante no aroma, fruta fina e boas notas vegetais, alguma mineralidade, muito polimento, terra húmida. Muito delicado no palato, com elegância de corpo. É um Syrah muito fiel à origem francesa. (14%)
18
Quinta do Noval
Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Noval
Aroma com boa vibração, tenso, cheio e ainda algo fechado, fruta madura, mas elegante com leves florais e mato seco, ou seja, muito duriense. Muito bem na boca, a mostrar ainda enorme juventude, sendo seguro que não haverá pressa em consumi-lo, tem ainda muito para dar no futuro. (13,5%)
18
Quinta do Vesúvio
Douro tinto 2016
Symington Family Estates
Este tinto é sempre fiel aos calores do Douro Superior, mostra fruta densa, notas terrosas, mato seco, leve pimento vermelho, madeira no ponto que aqui, claramente, envolve e amacia o conjunto. Muito bem definido na boca, redondo, gastronómico, muito bom para consumir agora ou no futuro. Mudou de estilo desde as primeiras edições, cremos que para melhor. (14%)
18
Quinta Nova Referência
Douro Grande Reserva tinto 2016
Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo
Cerca de metade do lote é Tinta Roriz e o resto vinha velha, com castas misturadas e uma produtividade baixíssima. Muito carregado na cor, cremos que por maceração intensa, apresenta notas de azeitona, leves químicos, amoras e ameixas pretas. Todo ele denso, com peso; um estilo maduro, mas que resulta macio. (14%)
18
Vallado
Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Vallado
Neste tinto procurou-se uma maceração e extracção moderadas, o que vem sendo habitual nas últimas edições. Aqui, o peso da barrica é sem excessos, apesar dos 16 meses de estágio. Resulta polido, fácil, bem organizado e sempre muito capaz para prova imediata. Muito agradável na boca, macio e a revelar muita qualidade de conjunto. (14,5%)
17,5
Envelope
Dão tinto 2016
Magnum Carlos Lucas
O aroma aposta, sobretudo, no lado mais elegante e, assim, as notas mentoladas que surgem conferem-lhe esse lado mais fino, aliado a fruta vermelha; mostra alguma evolução de conjunto, mas está muito bem. Correcto e de boa definição na boca, acidez marcante, taninos secos no final. (13,5%)
17,5
Guarita da Chocapalha
Reg. Lisboa tinto 2016
Casa Agr. das Mimosas
Muito carregado na cor, aroma fechado, fruta negra e notas de azeitona, sério, enigmático. Tudo aqui nos diz que os primeiros 10 anos de vida foram apenas a introdução para o longo estágio que poderá ter em cave. Boa complexidade na boca, cheio, taninos rijos. Precisa de tempo. (14,5%)
17,5
Herdade dos Grous
Reg. Alentejano Reserva tinto 2016
Monte do Trevo
Elaborado com Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Touriga Nacional, feito em lagares e com 16 meses de estágio em barrica. Aromas vegetais secos, madeira presente, média concentração, boa evolução, leve especiaria. Boa prova de boca, está já num patamar de onde não crescerá mais, ainda com bons taninos. Neste momento está a dar uma prova de grande valia. (14%)
17,5
Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo
Douro tinto 2016
Domingos Alves de Sousa
Menos concentrado na cor do que em anteriores edições, a mostrar alguma evolução, agora com aroma de fruta madura, maceração evidente, notas leves de bacon e mentol. Um tinto macio, envolvente, de tonalidades doces, conjunto complexo, mas já muito exposto. (14,5%)
17,5
Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas
Douro tinto 2016
Real Companhia Velha
Muita pureza de fruta, nascida em vinhas de castas misturadas, com o lado enigmático que daí deriva, com barrica a envolver; tudo muito bem composto, com alguma barrica em evidência, mas está bem no conjunto. O tinto mostra todas as condições para ser apreciado agora, sem mais delongas. Primeira garrafa com rolha. Tira-se? (13,5%)
17,5
Quinta do Bronze Vinha do Plagão
Douro tinto 2016
Lua-Cheia Saven
Aroma muito maduro, denso na cor, notas de chocolate, cacau fresco, fruta preta madura, algo sobreextraído. Gordo no palato, cheio, com toque muito denso e algo pesado. É também um certo tipo de tinto que a região permite, apontando para um perfil mais Novo Mundo. (14,5%)
17,5
Scala Coeli
Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2016
Fundação Eugénio de Almeida
Muito concentrado na cor, capitoso, com evidência do álcool, notas de azeitonas e casca de árvore, madeira presente, tudo em camadas, tudo denso, tudo complexo. Muito macerado, resulta num perfil pesado e escuro, ainda longe do seu melhor. 6500 garrafas produzidas. (15%)
17
Adega Mãe Terroir
Reg. Lisboa tinto 2016
Adega Mãe
Notas de fruta madura, algum couro, sem espessura aromática, mas com boa prova de boca, num perfil maduro, sem perder alguma elegância de conjunto. A leve secura final não acrescenta nada ao vinho, mas não chega a perturbar a boa prova. (14%)
17
Marquês de Borba Vinhas Velhas
Alentejo tinto 2016
Portugal Ramos
Média concentração de cor, fruta madura no aroma, sempre num registo em que se pretende privilegiar a elegância e a boa integração da barrica onde estagiou um ano. Prova de boca com excelente polimento, resulta assim especialmente agradável, para consumir agora. (14,5%)
17
Pedra Cancela Amplitude
Dão tinto 2016
Lusovini
O vinho sugere estar em fase de transição, a perder algum fulgor juvenil, apesar de manter ainda alguma redução no nariz. No aroma destacam-se muitas notas da madeira, notas doces e de caramelo salgado. Leve floral na boca ajuda à prova. Poderá não ter argumentos para mais estágio em cave. (13%)
17
Quinta da Giesta
Dão Grande Reserva tinto 2016
Soc. Agr. Boas Quintas
Feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alicante Bouschet. Fruta madura no aroma, leve nota de rebuçado, alguma especiaria, notas florais combinadas com algum vegetal seco e azeitonas. É um clássico tinto do Dão, mais apostado no bom diálogo das castas e na elegância de conjunto. Poderá estar já no seu melhor momento. (13,5%)
17
Quinta de Lemos
Dão Touriga Nacional tinto 2016
Quinta de Lemos
Sente-se a casta, mas aqui com algum peso notório da fruta e da madeira, escondendo o lado mais floral que lhe é reconhecido. Sugere muita maceração, embora melhore muito na boca, com estilo polido e sem arestas, por isso muito capaz de dar boa prova desde já, assim se encontre o pairing perfeito. (14%)
17
Quinta de Ventozelo Essência
Douro tinto 2016
Quinta de Ventozelo
O aroma traz-nos uma fruta madura, algumas notas de eucalipto que lhe dão boa frescura, mas não faz esconder alguma evolução evidente. Tonalidade doce na fruta que se percebe na boca, mostra-se envolvente, leve balsâmico; tudo indicando que poderá já estar no seu melhor momento de prova. (14%)
17
Quinta do Perdigão
Dão Touriga Nacional tinto 2016
Quinta do Perdigão
Média concentração de cor, leve redução aromática, que faz esconder um pouco a casta. Na boca, temos um tinto elegante e fino (o que é a marca da casa), está bem, ainda que carecendo de mais complexidade. Seguramente, mostra-se muito gastronómico e dará prazer a beber agora, sem mais esperas. (13%)
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Prémio Enólogo/a do ano é….. Marta Lourenço

A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser […]
A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser muito rápida ou demorar mais de uma década. Recordo-me de ter provado espumantes que saiam para o mercado em Dezembro/Janeiro, feitos a partir de uvas colhidas três meses antes, mas também me recordo de provar vinhos que estiveram dez e mais anos em cave, à espera que o tempo fizesse o seu papel, para, então, serem colocados no mercado.
Na Murganheira (e na Raposeira) o método clássico é levado muito a sério e todos os vinhos seguem esta técnica. Isso obriga a longos períodos de estágio em cave e são muitos milhões as garrafas que nas adegas descansam à espera que lhes seja dada “guia de marcha”, para poderem ser consumidas. Ainda que usando algumas castas portuguesas e locais, é com as clássicas champanhesas – Pinot Noir e Chardonnay – que os topos de gama se fazem, porque são as variedades que melhores resultados mostram.
Marta Lourenço entrou para a Murganheira como estagiária em 2006. Dois anos depois, passou a responsável da enologia e da viticultura, quer da Murganheira, quer da Raposeira. Confessa que a primeira aprendizagem a sério nos espumantes foi feita com os Cava da casa Gramona, mas todos os anos ruma a Champagne onde, com os contactos que tem, vai actualizando o saber e as técnicas. Beneficia da relação privilegiada com a Station Oenotechnique de Champagne (herdada do Professor Lourenço) e uma ligação pessoal forte com a equipa técnica da Möet & Chandon. Apesar do portefólio já muito completo, Marta reconhece que há vinhos que lhe dão muito mais trabalho que outros, como é o caso do Czar, um rosé especialmente exigente na fase do acompanhamento da prensagem, porque o clima e as castas da região não são propícios àquele tipo de espumante. Está a trabalhar em espumantes bio e também em espumantes feitos pelo método ancestral. Responsável pela enologia e viticultura de duas empresas tão grandes não é um desafio excessivo? “É, mas eu gosto”, diz-nos Marta! J.P.M.
O Prémio Enóloga do ano é patrocinado por: Cosvalinox
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)





















