PROVA BICAL: Entre Dão e Bairrada

Como acontece com tantas outras castas portuguesas, esta variedade viveu durante muito tempo misturada nas vinhas, onde ajudava ao field blend das vindimas feitas a eito. Por essa razão, é muito difícil procurar vinhos varietais nas duas regiões em que está mais presente. No Dão, por exemplo, encontrar vinhos brancos varietais é uma dificuldade generalizada, […]
Como acontece com tantas outras castas portuguesas, esta variedade viveu durante muito tempo misturada nas vinhas, onde ajudava ao field blend das vindimas feitas a eito. Por essa razão, é muito difícil procurar vinhos varietais nas duas regiões em que está mais presente. No Dão, por exemplo, encontrar vinhos brancos varietais é uma dificuldade generalizada, a que também não escapa a Encruzado, a tal variedade que só despertou da letargia nos anos 90 do século XX.
A Bical será filha da Malvasia Fina e de pai desconhecido. Esta é a linhagem que se conhece e é admitida como mais válida actualmente. Vem o tema a propósito porque, numa pesquisa no Google, somos informados que o “pai desconhecido” afinal seria a casta Esgana Cão (Sercial). Esta existe em Bucelas e na Madeira, segundo António Graça, investigador e cientista ligado à genética, nada nos conhecimentos actuais nos pode levar a pensar que Esgana Cão seja “pai” da Bical, variedade que encontrou na Bairrada um local excelente para se desenvolver, devido ao facto de ser uma casta precoce (e, por consequência, vindimada mais cedo do que outras) permite aos produtores colhê-la antes da chuva do equinócio, o verdadeiro trauma das gentes bairradinas.
O facto de ser precoce, só por si, não era, outrora, garantia segura. Do ponto de vista vitícola, era uma casta mal-amada na Bairrada, uma vez que era muito atreita ao desavinho e ao oídio, produzia mal e pouco (Ver As Castas do Vinho, João Afonso, 2023). Esta combinação de factores, que poderemos apelidar de “trágica”, só se alterou pela selecção clonal, controle das doenças da vinha e melhorias da viticultura. Foi assim que passou de mal-amada a uma variedade que Luís Lopes, enólogo do Dão (Domínio do Açor, Quinta das Marias) e na Bairrada, não hesitou em considerar “uma das melhores castas portuguesas”.
O que é que a Bical tem?
Dou aqui a palavra aos enólogos com quem debati este assunto. Luís Lopes reconhece-lhe a facilidade de cultivo, porém exigente no tipo de solo onde está implantada, porque “em solos secos perde muita acidez”. Terá sido este factor que levou os enólogos da Quinta dos Carvalhais, localizada no Dão, a optarem pelo arranque das vinhas de Bical. Manuel Vieira, em tempos enólogo nesta propriedade vitivinícola, explica: “só fizemos uma colheita com Bical, mas, em virtude da falta de acidez, tivemos de lhe juntar Loureiro, casta dos [Vinhos]Verdes que, no Dão, produzia muito. Saiu assim unicamente uma edição de Bical/Loureiro na colheita de 2000. Depois decidimo-nos pelo arranque”.
Do ponto de vista produtivo e na adega é casta que requer muita atenção do enólogo, pois “tão depressa fica o vinho reduzido, como pode oxidar rapidamente”, lembra Luís Lopes, que enaltece diferenças na variedade conforme a região: mais salinidade no Dão e mais notas de talco, que derivam do calcário, na Bairrada. Já Francisco Antunes, enólogo do Grupo Bacalhôa, que estudou a casta Bical no seu trabalho de fim de curso de enologia, elogia a casta, embora reconheça o quão é trabalhosa na vinha: “requer muita atenção e tratamentos adequados, mas, nas vinhas velhas, apesar da baixa produção, origina vinhos espectaculares. Parece pouco exuberante nos aromas, mas é casta que cresce imenso em garrafa e, por isso, pode considerar-se geradora de um vinho de guarda. As Caves Aliança tiveram uma colecção de vinhos debaixo do “chapéu” Galeria (a partir de 1989), que eram vinhos varietais e já, então, existia um branco de Bical”, recorda.
A fermentação, ainda segundo Francisco Antunes, pode decorrer em barrica. Contudo, a bâtonnage tem de ser muito moderada, para não resultar num branco muito pesado. Assim, no Bacalhôa 1931 faz-se a fermentação em quatro momentos: inox, barrica nova, barrica de um ano e barrica de dois anos; depois faz-se o lote nas percentagens determinadas pela prova. Normalmente, fica ainda um ano em garrafa antes da comercialização. É, portanto, uma casta que requer tempo e paciência. Ainda assim, como nos recordou, “tempo não se compra em enologia”. Luís Lopes, que trabalha a variedade nas duas regiões, recorda: “no Açor, temos solos com muito limo, que nos conservam bem a acidez do mosto e, na Bairrada, o calcário e a frescura do clima ajudam também à manutenção do ambiente de vivacidade no vinho”. Já Jorge Moreira, enólogo e um dos três fundadores do projecto M.O.B., acredita que é da combinação e proporção ajustada entre a Bical e a Encruzado que se conseguem os melhores resultados. Na empresa, o branco topo-de-gama é o Gauvé que, precisamente, é feito de 70% de Bical com 30% de Encruzado. Na zona onde estão as suas vinhas (Serra da Estrela), consegue-se excelente acidez. No entanto, “é preciso muito cuidado para não perder a estrutura de boca e a densidade que lhe são próprias”, adverte.
Da prova que fizemos, há algumas notas gerais que merecem destaque: olhando os 15 vinhos como um todo, verifica-se que há claramente uma preocupação com a diminuição da graduação, com nove amostras abaixo dos 13% de álcool e apenas uma com 13,5%. Apesar da maioria apresentar rolhas técnicas, houve, ainda assim, problema de rolha numa das referências.
O leque dos preços é variado, todavia isso também indica ao consumidor que muitos destes vinhos são abordáveis, sobretudo se adquiridos fora da restauração. Ficou igualmente claro que, tal como referimos no texto, o vinho ganha com o tempo em garrafa – nenhuma amostra de 2025 e duas de 2024, enquanto as restantes eram anteriores e mostraram que o tempo lhes fez bem. E mesmo ao Quinta dos Roques, já com 11 anos de idade, o tempo moldou-o, mas não o toldou.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Adega de Penalva
Branco - 2023 -

Terras Madre de Água
Branco - 2023 -

Desuso Borrado das Moscas
Branco - 2023 -

Alva Magna
Branco - 2024 -

Quinta dos Roques
Branco - 2015 -

M.O.B.
Branco - 2023 -

Código
Branco - 2024 -

Domínio do Açor Vinha Celta
Branco - 2022 -

Marquês de Marialva
Branco - 2023 -

Quinta dos Abibes
Branco - 2019
QUINTA DO PINTO: O sonho comanda a vida

Foi num dia cinzento, sentados no Defender, no ponto mais alto da mesma, de onde se visualiza a propriedade por inteiro, que Rita Cardoso Pinto desvendou os seus sonhos para a Quinta do Pinto, situada na Merceana, uma aldeia do coração de Alenquer, em plena Região Vitivinícola de Lisboa. Desde (re)colocar os vinhos no mapa […]
Foi num dia cinzento, sentados no Defender, no ponto mais alto da mesma, de onde se visualiza a propriedade por inteiro, que Rita Cardoso Pinto desvendou os seus sonhos para a Quinta do Pinto, situada na Merceana, uma aldeia do coração de Alenquer, em plena Região Vitivinícola de Lisboa. Desde (re)colocar os vinhos no mapa de consumidores, enófilos e restauração, do projecto de enoturismo e de alojamento, já aprovado, dos ‘Jardins d’Hiver’ à Paris – para serem utilizados em eventos, em vez das tradicionais tendas; tudo de enorme bom gosto, diga-se – e da introdução no remanescente da propriedade do cultivo de olival e citrinos.
O sonho comanda a vida…
“Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.”
E que avance é precisamente o que se pretende para a Quinta do Pinto.
A frase aparece no poema “Pedra Filosofal”, escrito por António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho (1906–1997), poeta, professor e divulgador científico português. O poema celebra a força criativa do sonho, afirmando que o mesmo é uma constante da vida, tão concreta quanto os elementos do quotidiano, como as pedras, os rios ou as árvores. O poema foi também musicalizado por Manuel Freire, tornando-se uma canção popular, que ajudou a imortalizar a frase e a difundir a sua mensagem de inspiração e liberdade criativa. “O sonho comanda a vida” rapidamente se tornou um lema motivacional e cultural em Portugal, lembrando que a imaginação e os ideais pessoais têm o poder de moldar a realidade e influenciar o mundo em redor.
A propriedade familiar da Quinta do Pinto estende-se por 120 hectares, circundando um solar do século XVIII geminado com uma adega de alvenaria de traça tradicional. Mais de metade da propriedade acolhe cerca de duas dezenas de castas tintas e brancas, nacionais e internacionais, que servem de base aos cartões-de-visita da casa, os vinhos, divididos pelas múltiplas referências Vinhas do Lasso, Terras do Anjo, Quinta do Pinto e Quinta do Pinto Grande Escolha.
Na verdade, o nome original da propriedade é Quinta do Anjo, mas, por questões de coincidência de marca com a homónima da região dos Queijos de Azeitão DOP, ficou Quinta do Pinto.
E porquê Pinto?
Reza a lenda que o vinho produzido, há três séculos, na propriedade, se destacava de tal forma na região que valia mais vinténs, isto é, mais Pintos, nome da moeda de ouro em circulação no reinado de D. João V. Acresce também a existência de um senhor Pinto, em tempos, um carismático feitor da propriedade, daí que, desde então, na região, a propriedade é referida como Quinta do Pinto. Feliz coincidência, ou destino mesmo, Pinto é igualmente o apelido dos actuais proprietários, os Cardoso Pinto, mais precisamente. Quinta do Pinto tornou-se, assim, o nome deste projecto vitivinícola.
Rita Cardoso Pinto é a front woman da quinta, mas uma palavra prévia será sempre devida ao seu pai, António Cardoso Pinto, o impulsionador do projecto. “É um homem muito intenso a nível familiar. Por ele estávamos todos juntos todos os dias – avós, pais, filhos e netos.” Provavelmente, terá sido essa pulsão que, juntamente com “a paixão de voltar a pôr na terra o que vinha da terra”, que o incitou, em 2003, a procurar um “tecto comum para a família num meio agrícola, mas que fosse próximo de Lisboa”. Encontrou-o precisamente em Alenquer, uma das nove denominações de origem da Região dos Vinhos de Lisboa. “Quando este tecto comum tem uma propriedade agrícola desta dimensão, há que a rentabilizar e dar resposta com o que de melhor esta terra tem para dar. E assim nasce o vinho na Quinta do Pinto”, continua Rita Cardoso Pinto.
“Quando este tecto comum tem uma propriedade agrícola desta dimensão, há que a rentabilizar e dar resposta com o que de melhor esta terra tem para dar. E assim nasce o vinho na Quinta do Pinto”, conta Rita Cardoso Pinto
A vinha e a Tinta Miúda
A vinha está plantada em suaves encostas de solos argilocalcários do período Jurássico, a ocupar metade da área da propriedade, com exposição a Sul e protegida pela Serra de Montejunto, que forma uma barreira face aos ventos proveniente do lado Norte. Beneficia da influência da costa atlântica, pois está a 25 quilómetros em linha recta em direcção ao mar, e usufrui de condições de excelência na região para as características diferenciadoras visadas pelo projecto. A folha contínua de vinha é palco de 27 variedades de castas, brancas e tintas, com primazia natural para as regionais de Lisboa e Alenquer, que se combinam com outras variedades nacionais e algumas internacionais – especialmente da região do Rhône, um gosto confesso e assumido por António Cardoso Pinto –, de forma singular e harmoniosa com o objectivo de dar origem a vinhos que espelham o projecto. Arinto, Fernão Pires, Viosinho, Alvarinho, Marsanne, Roussanne, Viognier, Chardonnay, Tinta Miúda, Touriga Nacional, Aragonez, Syrah, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Merlot são algumas das muitas variedades plantadas.
“Os vinhos portugueses são muito ricos e são, tradicionalmente, muito feitos à base de lotes. É um bocadinho como a música. Temos um solista que tem de ser um Pavarotti nesta vida. Depois temos uma onda mais acústica. E depois temos uma orquestra. O lote é um bocadinho como uma orquestra, em que há vários instrumentos e todos tocam em harmonia”, exemplifica Rita Cardoso Pinto. E prossegue: “são vinhos feitos com muito amor e carinho. São ricos em aroma, estruturados e cheios de boca; têm uma frescura e uma acidez natural, que é expressão desta proximidade atlântica; e têm o cunho, um estilo muito típico da Quinta do Pinto. É um estilo muito próprio e que é elevado, sustentado, por estar nesta região. São vinhos com carácter, com alma. Este é o segredo.”
De todas as castas plantadas, a nossa anfitriã revela o carinho mantido “por um vinho monocasta feito de Tinta Miúda, que é uma casta antiga da região de Lisboa”. É vindimada numa vinha com cerca de 50 anos. “Fazia parte do ADN da casa quando comprámos esta propriedade e nunca a abandonámos.” Esta decisão comprova a preservação feita por parte da família Cardoso Pinto em relação ao que é local, “que é daqui”, daí que seja “um vinho que nos é muito querido. É um vinho com personalidade difícil. Precisa de tempo de garrafa”. Esta acção é, para Rita Cardoso Pinto, um exemplo de que “há coisas pelas quais nós temos de esperar. E a Tinta Miúda exige-nos essa espera. Portanto, é um vinho que nos desafia. Na sua acidez, na sua prova e depois no seu desenvolvimento. É um vinho que interage e que nos impacta”.
No dia que visitei a Quinta do Pinto tiveram a gentileza de abrir comigo um exemplar deste Tinta Miúda do ano de 2004 e, nem vos digo nem vos conto, o bom que estava. É esta magia do vinho, esta generosidade e autenticidade de quem produz vinho que nos move, a emoção visível entre os poucos que estávamos à mesa quando o vinho começou a abrir e desenrolar. Que maravilha! E que boas eram as favas cozinhadas pela avó Cardoso Pinto. E as duas coisas juntas? Divinais! Um verdadeiro momento de portugalidade.
A Quinta do Pinto estende-se por 120 hectares, que circundam um solar do século XVIII geminado com uma adega de alvenaria de traça tradicional
Viticultura sustentável e de precisão
Desde o início do projecto que a família tem seguido os princípios da intervenção mínima, por forma a obter o máximo do potencial das uvas vindimadas naquele terroir, minimizando qualquer outra intervenção e seguindo a filosofia de vinificação tradicional: “o vinho faz-se na vinha”. Com a consciência de uma agricultura sustentável, a Quinta do Pinto está certificada como Produção Integrada e há o espírito de partilha de conhecimento e experiências com entidades, como o Instituto Superior de Agronomia (ISA), de Lisboa, o Institut des Hautes Études de la Vigne et du Vin (IHEV), de Montpellier, com o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) e com o CoLAB Vines & Wines. O objectivo consiste em garantir espaço para investigações científicas em prol do desenvolvimento vitivinícola.
No contexto da viticultura sustentável, é de evidenciar a relação com a viticultura de precisão, que consiste em analisar e actuar de forma diferenciada em cada parcela. Esta acção permite a redução de recursos gastos para o mesmo número de intervenções a efectuar. Com a passagem do tempo, e com base em campos de ensaio, optimizam-se ensaios de desfolha, aprimoram-se técnicas de poda, sistemas de monda, formas de fertilização orgânica, enrelvamentos e seleccionam-se clones e porta-enxertos mais resistentes às alterações climáticas.
O propósito de todo este trabalho incide na finalidade de potenciar a qualidade das uvas, adoptando uma postura de minimização da pegada ecológica, somada a uma viticultura livre de herbicidas, ou seja, feita com base numa fertilização 100% orgânica, o que tem vindo a contribuir para a implementação do conceito de “vinha viva”, no âmbito do qual existe o respeito máximo pelo ecossistema. A produção de uvas também não inclui rega. Já a enologia tem como regra a preservação total das caraterísticas das uvas, de modo a que cada vinho espelhe todo o terroir.
As cubas de cimento
António Cardoso Pinto confidencia-nos que, algures no início do projecto, chegou a ter um negócio praticamente fechado para instalação de modernas cubas de inox, mas a visita do famoso enólogo do Rhône, Michel Chapoutier, aquando de uma das suas vindas à Quinta do Monte d’Oiro (produtor localizado no concelho de Alenquer) tudo fez abortar essa ideia. Ao invés disso, recuperaram-se as dezenas de cubas de cimento centenárias, que, ainda hoje, existem e estão a funcionar.
Na verdade, em 2001, o enólogo Michel Chapoutier, projectou com a ajuda da empresa francesa Nomblot, um tanque de cimento inovador em forma de ovo – no fundo, o ovo não é mais do que uma evolução da ânfora romana e outros recipientes antigos, sendo o seu formato oblongo e curvo, com uma superfície interna lisa e sem cantos – dentro dos princípios da termodinâmica, a responsável pela criação de um vórtice dentro do fermentador, permitindo que o vinho se mova livremente e as borras fiquem suspensas, promovendo uma bâtonnage natural. Mas mais importante do que isso, até porque não há ovos de cimento na Quinta do Pinto, o principal ajuste feito pelo enólogo francês no tanque foi a troca de argila por cimento, um material neutro que não confere sabores extra. Nombolt usa cimento feito de areia do Rio Loire, enquanto o produtor argentino Zuccardi, por exemplo, usa pedras e argila de rios próximos, pretendendo com isso acrescentar um elemento extra de lugar e terroir aos seus vinhos.
Embora seja composta por cubas de cimento centenárias, a Quinta do Pinto também está equipada com a mais moderna tecnologia enológica, para garantir que as uvas seleccionadas sejam vinificadas com o objectivo de potenciar ao máximo a qualidade com que entram na adega. Na base, constam fermentações com leveduras indígenas, ajustes de acidez por loteamento e práticas o menos intrusivas possíveis, dando origem a vinhos de carácter o mais autêntico possível e com sentido de lugar.
Por conseguinte, as cubas de cimento são a peça-chave no processo; são porosas e, consequentemente, possibilitam a entrada de mais oxigénio, que permanece em contacto com o mosto durante o processo de fermentação. Esta característica facilita uma fermentação mais gradual e, por consequência, uma expressão mais autêntica do vinho, preservando os sabores e os aromas originais. As paredes grossas destas cubas centenárias também viabilizam o controlo e a mitigação das variações de temperatura.
Podemos afirmar que o cuidado com a vinha, as castas e as cubas de cimento constituem o ADN da Quinta do Pinto, sendo certo que também são utilizados recipientes de inox e barricas de madeira, mas sempre como complemento – nunca essencial e identitário. E, na minha opinião, os vinhos reflectem isso claramente.
Na etapa final do processo de produção, a preservação do meio ambiente não é esquecida. A prova está na alteração gradual de hábitos na adega, com a crescente aposta em garrafas mais leves e rolhas de cortiça natural e biodegradável, bem como na redução de lavagens com produtos químicos. A substituição das cápsulas de estanho por lacre, nos vinhos topo de gama, e a utilização de caixas de cartão reciclado, mais leves e com menos tinta, são outros dos requisitos postos em prática na Quinta do Pinto. Por fim, é de sublinhar a preocupação face à responsabilidade social, assumida como uma forma inequívoca de viabilizar economicamente quem ali vive, permitindo assegurar a sustentabilidade actual e garantir a das gerações futuras.
Quanto à concretização dos sonhos, o alojamento, o olival e os citrinos estão a ser pensados e planeados de forma sustentada, através da criação de parcerias com operadores de reconhecida experiência nas respectivas áreas. No entanto, sabemos que estas coisas também demoram o seu tempo. O importante é, entretanto, consolidar e fidelizar os consumidores através do vinho, e, quanto a isso, creio que estão no bom caminho. A prova está nos vinhos que provámos – muitos e bons.
A vinha está plantada em suaves encostas de solos argilocalcários do período Jurássico e é palco de 27 variedades de castas
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Quinta do Pinto Grande Escolha
Tinto - 2019 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Tinto - 2020 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Tinto - 2017 -

Quinta do Pinto
Tinto - 2024 -

Quinta do Pinto Estate Collection
Tinto - 2021 -

Vinhas do Lasso Garrafeira
Tinto - 2013 -

Vinhas do Lasso Colheita Seleccionada
Tinto - 2019 -

Quinta do Pinto MMXIX Cimento
Branco - 2019 -

Quinta do Pinto Grande Escolha
Branco - 2022 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Branco - 2021 -

Quinta do Pinto Limited Edition
Branco - 2021 -

Quinta do Pinto
Branco - 2024 -

Quinta do Pinto
Branco - 2024 -

Quinta do Pinto Estate Collection
Branco - 2024 -

Vinhas do Lasso Colheita Seleccionada
Branco - 2023
GRANDE PROVA LOUREIRO: Uma casta superstar

Segundo o Instituto do Vinho e da Vinha (IVV), a Loureiro é uma casta indígena do território dos Vinhos Verdes, provavelmente autóctone. É uma casta de maturação precoce, prefere solos profundos e de média fertilidade, e dá-se bem com a humidade do ar. Contudo, precisa de protecção do vento. A casta tem especial expressão na […]
Segundo o Instituto do Vinho e da Vinha (IVV), a Loureiro é uma casta indígena do território dos Vinhos Verdes, provavelmente autóctone. É uma casta de maturação precoce, prefere solos profundos e de média fertilidade, e dá-se bem com a humidade do ar. Contudo, precisa de protecção do vento. A casta tem especial expressão na região de Ponte de Lima. O site do IVV acrescenta, então, que os vinhos devem ser bebidos jovens. Porém, após esta prova, parece-me que vai ser preciso fazer uma actualização.
Os primeiros vinhos estremes de Loureiro que provei há uns 30 e tal anos tinham características muito específicas. Frescos, citrinos, de baixo teor alcoólico, acidez viva e algum gás a equilibrar uma doçura residual significativa. Este estilo jovem e frívolo era, muitas vezes, porta de entrada para os jovens no mundo vínico. Eram realmente vinhos que convinha beber novos e era esse o hábito face a muitos vinhos brancos em Portugal.
A pouco a pouco, o estilo foi mudando. Começaram a aparecer uns mais sérios e ambiciosos. O processo de melhoria global dos vinhos feitos a partir de Loureiro pode chamar-se de uma profecia auto-realizável. Para perceber esta evolução consultei o enólogo Anselmo Mendes, por vezes conhecido por Sr. Alvarinho, mas com igual propriedade se pode chamar Sr. Loureiro.
Para melhores resultados, apanha-se, por vezes, apenas o primeiro cacho da vara atempada, o qual detém maior concentração das componentes essenciais para a produção do vinho
Viticultura ambiciosa e desvelo na adega
Segundo Anselmo Mendes, a grande melhoria dos vinhos e o aumento da sua longevidade tem origem numa viticultura muito mais cuidada. Acrescento eu que a enologia portuguesa também evoluiu muito e os vinhos brancos beneficiaram dos melhores processos dentro da adega. Disse-me ainda que a Loureiro é uma variedade muito produtiva, chegando facilmente às 25 toneladas de uva por hectare.
Para garantir a qualidade, é preciso limitar severamente a produção, no máximo pode chegar-se às 15 toneladas. Para o seu Private, o mais bem pontuado desta prova, a produção da vinha velha é de oito toneladas. Para melhores resultados, a escolha é feita na vinha, apanhando, por vezes, apenas um cacho, o primeiro da vara atempada. Assim, este cacho vai ter uma maior concentração das componentes essenciais para a produção do vinho. Medições do extracto seco em várias amostras demonstram que esta estratégia é vencedora.
Para além do próprio vinho, Anselmo Mendes foi, durante muitos anos, enólogo da Quinta do Ameal, projecto que se tornou icónico na região. Quando foi comprado pelo Esporão, organizou uma prova vertical dos Quinta do Ameal e Quinta do Ameal Escolha, prova essa que mudou completamente a minha visão sobre a longevidade dos vinhos produzidos a partir de Loureiro. Provámos referências vínicas com mais de 20 anos, e a acidez vincada e afiada assegurou que o vinho estava bem vivo, oferecendo uma prova cheia de carácter e prazer.
Foi com projectos como este que a profecia se foi cumprindo. Houve pessoas que acreditavam no potencial da casta, praticavam uma viticultura cada vez mais ambiciosa, os vinhos melhoravam, evoluíam de forma muito positiva, o que justificava mais investimentos e de querer ir mais além. Um vinho que anteriormente se bebia no próprio ano, quase que o mais cedo possível, passou a tornar-se objeto de guarda. Lembro-me bem de os produtores se queixarem de não conseguirem vender o vinho do ano anterior. Tempos já idos.
Um vinho que anteriormente se bebia no próprio ano, quase que o mais cedo possível, passou a tornar-se objeto de guarda
Para todos os gostos
Dos 24 vinhos que vieram a esta prova, apenas seis são de 2025. Há oito de 2024, seis de 2023, três de 2022 e um de 2021. A justificação para a aposta em referências com idades variadas prende-se com o facto dos vinhos elaborados com a casta Loureiro terem sempre um grau alcoólico relativamente baixo e uma acidez precisa e vigorosa, que os torna bons companheiros à mesa. O uso de madeira para os estagiar é bastante raro, e muda um pouco o carácter fresco e divertido do vinho. Os aromas de frutos cítricos, como lima e limão, são frequentes, mas pode aparecer laranja e toranja. É frequente um lado vegetal a folhas de louro, talvez daí o nome da casta. Notas minerais aumentam a complexidade e algum trabalho com as borras pode ajudar a dar alguma textura cremosa ao vinho. Ainda existe o estilo frizante, com algum açúcar, um perfil que ainda encontra apreciadores. Os mais secos podem ter a acidez muito em evidência, e ficam bem com ostras – as ostras agradecem sempre os vinhos secos. Já os mais ‘ambiciosos’, com uma acidez suave bem integrada, podem acompanhar peixes e mariscos, bem como carnes, como pato assado.
O tempo passa e a nossa percepção em relação ao vinho vai mudando. A Loureiro foi levada a sério por pessoas que acreditaram e construíram um produto único, sensacional, com uma leveza e frescura irrepetíveis. À medida que cada vez mais Loureiros ambiciosos forem aparecendo, tenho a certeza de que ainda vamos ter muito boas surpresas com esta casta. Podemos apostar ainda em guardar umas garrafas para desfrutar mais tarde da sua evolução.
Nota: A Grande Prova Loureiro realizou-se em prova cega.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Ameal
Branco - 2024 -

Tojeira Unoaked
Branco - 2023 -

Quinta de S. Salvador da Torre
Branco - 2023 -

Pequenos Rebentos Vinhas Velhas
Branco - 2023 -

Inspir’ar
Branco - 2024 -

Contacto
Branco - 2024 -

Camaleão Barrel Aged
Branco - 2023 -

Borges
Branco - 2024 -

Barão do Hospital
Branco - 2023 -

Parcela do Convento
Branco - 2024 -

Germinar Vinhas Velhas
Branco - 2022
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Terras de Felgueiras
Branco - 2025 -

Casa de Vila Verde
Branco - 2025 -

Quinta da Lixa
Branco - 2025 -

Gábia
Branco - 2024 -

Adega Coop. de Ponte de Lima
Branco - 2025 -

Quinta do Tamariz
Branco - 2023 -

Quinta d’Amares Claustrum
Branco - 2022 -

Quinta de Linhares
Branco - 2025 -

Paço de Teixeiró
Branco - 2024 -

Maria Bonita
Branco - 2025 -

Aphros Daphne
Branco - 2022
Concurso Vinhos de Lisboa: Os melhores da região

De acordo com o resultado da XVI edição do Concurso de Vinhos de Lisboa, promovido pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL), foram distinguidos 44 vinhos de produtores deste território. Do total de referências vencedoras, nove arrecadaram as Grandes Medalhas de Ouro, 25 os galardões de Ouro e dez os de Prata. Foram eleitos […]
De acordo com o resultado da XVI edição do Concurso de Vinhos de Lisboa, promovido pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL), foram distinguidos 44 vinhos de produtores deste território. Do total de referências vencedoras, nove arrecadaram as Grandes Medalhas de Ouro, 25 os galardões de Ouro e dez os de Prata. Foram eleitos ainda o Melhor Arinto, o Melhor Vital, o Melhor Branco, o Melhor Tinto e o Melhor Leve. No total, foram aferidas 147 amostras em prova cega por um painel constituído por 32 jurados, distribuídos por dois grupos, entre enólogos, sommeliers, jornalistas e wine educators.
“O concurso é um importante instrumento de valorização dos nossos produtores e da diversidade da região, distinguindo vinhos que representam o melhor que hoje se faz em Lisboa e reforça a notoriedade junto dos consumidores e dos mercados”, declara, em comunicado, Bernardo Gouvêa, Presidente da CVRL.
Lista dos vencedores por categoria
Melhor Tinto AdegaMãe Reserva 2019 (AdegaMãe)
Melhor Branco Casa das Gaeiras Fernão-Pires 2021 (Tapada das Gaeiras)
Melhor Arinto Madame Pió Reserva 2022 (Cas’amaro)
Melhor Vital Casa das Gaeiras Reserva 2024 (Tapada das Gaeiras)
Melhor Leve Azulejo 2025 (Casa Santos Lima)
Grande Ouro
Villa Oeiras Superior, Vinho Licoroso Superior (Município de Oeiras)
Figurativo 627539, Aguardente Vínica Extra Old/XO (Adega Coop. da Lourinhã)
Património Aguardente Vínica (António Francisco Bonifácio & Filhos)
AdegaMãe tinto Reserva 2019 (AdegaMãe)
Madame Pió Reserva branco 2022 (Cas’amaro)
AdegaMãe tinto 2017 (AdegaMãe)
Touriz tinto 2020 (Casa Santos Lima)
Quinta do Gradil Reserva tinto 2022 (Quinta do Gradi)
Guarita da Chocapalha Reserva Tinto 2017 (Casa Agr. das Mimosas)
Ouro
Adega d’Arrocha Arinto Reserva branco 2023 (Arribas & Parcelas)
Casa das Gaeiras Fernão-Pires branco 2021 (Tapada das Gaeiras)
Casa das Gaeiras Vital, Reserva branco 2024 (Tapada das Gaeiras)
Casa Santos Lima Colheita Tardia branco 2024 (Casa Santos Lima)
Carlota a Imperatriz Sauvignon-Blanc branco 2025 (QVBFG – Sociedade de Vinhos da Estremadura)
Carlota a Imperatriz Arinto Reserva branco 2023 (QVBFG – Sociedade de Vinhos da Estremadura)
CH by Chocapalha Arinto Reserva branco 2022 (Casa Agr. das Mimosas)
Confraria Espumante Grande Reserva, Arinto e Chardonnay branco 2017 (Adega Coop. do Cadaval)
Decreto 14676 Arinto branco 2022 (Next Corner)
Galodoro Reserva tinto 2024 (Casa Santos Lima)
Mi Hijo Grande Reserva branco 2024 (Nuno Filipe Galvão Carvalho Duarte)
Peripécia Arinto Grande Reserva branco 2022 (Quinta do Cerrado da Porta)
Pica-Pau Reserva tinto 2021 (Casa Santos Lima)
Quinta do Boição Arinto Reserva branco 2022 (Enoport)
Quinta do Boição Arinto Reserva branco 2024 (Enoport)
Quinta do Espírito Santo Reserva tinto 2022 (Casa Santos Lima)
Quinta de Pancas Grande Reserva tinto 2021 (WineStone Group)
Quinta de S. Francisco Vital branco 2025 (Comp.ª Agr. do Sanguinhal)
Quinta do Sanguinhal Grande Escolha branco 2022 (Comp.ª Agr. do Sanguinhal)
Quinta das Setencostas tinto 2022 (Casa Santos Lima)
Quinta da Vassala Arinto Reserva branco 2023 (Vassala Wines)
Sem Reservas Reserva tinto 2024 (Casa Santos Lima)
Stagiaire Arinto Premium branco 2022 (Casa Agr. Horácio Nicolau)
Vingrand Reserva Especial tinto 2019 (Adega Coop. de Azueira)
Villa Oeiras branco (Município de Oeiras)
Prata
Adega da Murnalha branco 2024 (Frutas Nobres -Soc. de Comércio Agrícola)
Alma de Lisboa Reserva branco 2024 (Adega Coop. de São Mamede da Ventosa)
Adega da Vermelha Reserva Especial tinto 2017 (Adega Coop. de São Mamede da Ventosa)
Casa Santos Lima branco 2025 (Casa Santos Lima)
Correio Mor branco 2024 (Agro Rio)
Encostas de Xira branco 2024 (Município de Vila Franca de Xira)
Influente Espumante rosé Reserva 2023 (Adega Coop. do Cadaval)
Quinta de Pancas Reserva tinto 2022 (WineStone Group)
Reserva D’Amizade Friendship Fado tinto Reserva 2023 (Paço das Cortes)
Valmaduro Premium tinto 2021 (Casa Santos Lima)
RESTAURANTE MAPA: Miguel Laffan, take 2

É um local especial para a memória do Chef Miguel Laffan, porque foi ali que conquistou a sua primeira estrela Michelin e a deixou como herança quando dali saiu, em 2019. Muita água correu debaixo da ponte desde então e o restaurante do L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, passou por várias fases e conheceu outras lideranças, […]
É um local especial para a memória do Chef Miguel Laffan, porque foi ali que conquistou a sua primeira estrela Michelin e a deixou como herança quando dali saiu, em 2019. Muita água correu debaixo da ponte desde então e o restaurante do L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, passou por várias fases e conheceu outras lideranças, embora nem sempre se tenha mantido no zénite. Mas valha a verdade reconhecer que o momento é feliz: estrela dada, estrela devolvida. Pouco antes de voltar a Montemor, viu o Mapa voltar a ostentar a cobiçada distinção, mercê do trabalho de David Jesus, que deixou inesperadamente o restaurante um mês após a sua recuperação.
O ponto de partida é agora, por isso, outro. A ambição não se resume à manutenção do estatuto alcançado, mas, quem sabe, superá-lo. Em entrevista recente ao semanário Expresso, Miguel Laffan não tem pejo em afirmar: “se alguém no Alentejo tem condições para chegar a uma segunda estrela, sou eu.”
Contudo, não será preciso esperar pela segunda estrela para apreciar, desde já, a criatividade do Chef. O que nos é oferecido agora, no Mapa, com os dois menus disponíveis – “Caminhos 9 Momentos” (€175) e “Caminhos 5 Momentos” (€145), a que acrescem as propostas de harmonização (€115 e €90, respectivamente) – é mais que suficiente para apreciar a visão muito pessoal da gastronomia de Miguel Laffan, assente em memórias, viagens, trajectos e experiências vividas de um caminho que já é longo e rico. Para quem teve contactos anteriores com a cozinha do Chef, há elementos que se mantêm, seja a forte influência do Oriente, constante em todo o menu, seja a omnipresença do mar e dos seus produtos, seja ainda a preferência por certos ingredientes, em especial pelas especiarias, que assumem justificado protagonismo, seja, finalmente, pelo suave perfume que exalam as suas composições, sempre servidas por um apurado aprumo estético.
No menu Caminhos, mais alargado, e que tivemos o privilégio de provar, a fusão entre as referências asiáticas, as técnicas clássicas da cozinha francesa e o produto nacional resulta bastante evidente. Que melhor exemplo disso que a composição do lírio dos Açores, em que a delicadeza do peixe combina com as algas marinhas e o perfume do mar nos enche os sentidos? Ou no prato chamado Laksa, essa sopa malaia, que serve de base à “nossa” lula, onde o sabor pungente do ouriço do mar é suavizado pelas notas de bergamota? Ou ainda pela gamba vermelha do Algarve, tingida pelo açafrão, perfumada pela lima, e onde o caviar e o mexilhão dão a melhor sequência ao diálogo? Disruptivo, o pato real (o único prato de carne deste menu), apresentado em duas versões/momentos: primeiro na forma de um bolinho a vapor, com raspas de foie gras e jus, e depois, numa tranche com cogumelos morilles e pak choi.
Cozinha personalizada e fortemente identitária esta. “A minha cozinha é o resultado daquilo que sou. Hoje em dia sei quem sou: sou um criativo e a minha forma de expressar é na cozinha”, proclama Laffan em forma de um statement. Não se espere encontrar aqui, portanto, alguma concessão à chamada “cozinha de território”, em que o peso do lugar assume protagonismo. Apenas num dos snacks servidos no princípio da refeição, em que um pequeno apontamento com cabeça de xara e lagostins evoca a anterior passagem de Laffan por este restaurante.
O Mapa está no Alentejo, mas podia estar em Lisboa, em Paris ou noutro lugar. O Mapa é, hoje, a expressão de uma cozinha criativa, fortemente personalizada e vincadamente afirmativa.
Mapa
L’AND Vineyards; Herdade das Valadas, 4, Montemor-o-Novo
Tel.: 266 242 400
Horário: de Quarta a Domingo das 13h00 às 16h00 e das 19h00 às 23h00
O VINHO PORTUGUÊS CHEGA AO CINEMA NO CURTAS VILA DO CONDE

O vinho português ganha uma nova forma de ser contado através do cinema. Gerações, a primeira curta-metragem portuguesa inteiramente dedicada ao universo do vinho, estreia a 18 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Filmada em Melgaço, a obra leva ao grande ecrã a história das pessoas, do território e […]
O vinho português ganha uma nova forma de ser contado através do cinema. Gerações, a primeira curta-metragem portuguesa inteiramente dedicada ao universo do vinho, estreia a 18 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Filmada em Melgaço, a obra leva ao grande ecrã a história das pessoas, do território e do conhecimento que estão na origem de cada vinho.
Realizada por Manuel Sá, Gerações acompanha, ao longo de um ano, o ciclo de criação de um vinho através do quotidiano dos enólogos Luís e Manuel Cerdeira, pai e filho. Entre a vinha e a adega, a curta revela como o conhecimento é transmitido entre gerações e como tradição e inovação convivem na construção da identidade de um vinho.
A estreia integra a programação da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, reforçando o compromisso do festival com obras que exploram novas perspetivas sobre a realidade e promovem o diálogo entre o cinema e diferentes dimensões da cultura contemporânea. Ao receber Gerações, o festival abre espaço ao vinho enquanto tema cinematográfico, revelando uma dimensão cultural e humana ainda pouco explorada no grande ecrã.
«O Curtas Vila do Conde procura dar visibilidade a filmes que desafiam o olhar do público sobre temas que fazem parte da nossa identidade. Gerações é um exemplo dessa capacidade do cinema para revelar universos que conhecemos, mas raramente vemos desta forma, dando protagonismo às pessoas e às histórias que existem por detrás do vinho português”, afirma Nuno Rodrigues, diretor artístico do festival.
A estreia de Gerações acontece no dia 18 de Julho, às 19h00, no Teatro Municipal de Vila do Conde, integrada na programação da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.
EDITORIAL: Quando a temperatura sobe…

Editorial da edição nrº 111 (Julho de 2026) … o vinho desmaia. E, com ele, toda a experiência sensorial fica inevitavelmente comprometida. Parece óbvio, mas é espantoso como esta questão continua actual e como, tantas vezes, mesmo nas apresentações, os vinhos são servidos à temperatura que calha e não à que deviam servir. E o […]
Editorial da edição nrº 111 (Julho de 2026)
… o vinho desmaia. E, com ele, toda a experiência sensorial fica inevitavelmente comprometida.
Parece óbvio, mas é espantoso como esta questão continua actual e como, tantas vezes, mesmo nas apresentações, os vinhos são servidos à temperatura que calha e não à que deviam servir. E o vinho tinto costuma sofrer mais. Com os brancos, rosés ou espumantes isto não acontece tanto, pois é de senso comum que estes devem ser servidos mais frescos. Agora, os tintos… Eu já nem falo no hábito de “chambrear um vinho” ou no conceito desactualizado de “temperatura ambiente”, refiro-me ao desleixo no simples cuidado de fazer chegar o vinho tinto à mesa a 16–18° C, ou até mais fresco, porque, dependendo da temperatura da sala, pode aquecer mais ou menos depressa.
Nas tascas, costumo pedir vinhos brancos por defeito, porque sei que estes vêm do frio e que, com um tinto, posso não ter essa sorte. E nem os eventos vínicos dirigidos por profissionais escapam a este inconveniente. E quanto maiores forem, pior, uma vez que as organizações simplesmente não conseguem arranjar frigoríficos para uma grande quantidade de garrafas.
Há pouco tempo estive num jantar comemorativo de considerável dimensão, onde foram servidos muitos vinhos. Os brancos estavam dentro de frappés com gelo, enquanto os tintos permaneciam simplesmente em cima das mesas. Não acredito que estivesse pelo menos uma pessoa naquela sala que não soubesse a temperatura de serviço do vinho tinto. 16–18° C? Certo, mas foi servido à temperatura ambiente, que naquela noite marcava 26° C.
Podemos criar muito glamour à volta dos copos, aplaudir as apresentações de Maximilian Riedel, apurar os formatos que melhor realçam as virtudes dos diferentes tipos de vinho, explicar porque um Chardonnay não deve ser bebido no copo de um Sauvignon Blanc, mas, se falharmos numa coisa tão básica como a temperatura de serviço, podemos arruinar toda a experiência. Afinal, se um vinho tinto for servido à temperatura de uma sopa morna, não há copo, por muito perfeito que seja, que redima a situação, nem há virtude que resista.
A temperatura funciona no vinho como um equalizador. O frio faz sobressair a acidez e a estrutura tânica, deixando os aromas e a doçura em segundo plano. O calor, por sua vez, amplifica a expressão da fruta, mas, com ela, faz emergir também o álcool, que facilmente passa a dominar o conjunto. Vários estudos de análise sensorial demonstram que o contexto térmico em que o vinho é provado altera significativamente a forma como ele é percebido. O aumento da temperatura intensifica a volatilidade dos compostos aromáticos: moléculas mais leves evaporam primeiro, o que faz com que o vinho possa parecer mais intenso no início, mas menos complexo pouco tempo depois. Em paralelo, o etanol, que também é volátil, torna-se mais presente na fase gasosa, mascarando aromas mais delicados.
Em palavras menos técnicas: bastam alguns graus a mais para comprometer uma prova. Não há temperatura capaz de transformar um vinho mediano num grande vinho. Mas há temperaturas erradas capazes de impedir um grande vinho de se mostrar. E isso é particularmente frustrante, uma vez que, entre todos os factores que influenciam a experiência, este é talvez o mais simples – e o menos dispendioso – de controlar. V.Z.
Projecto 260g recebeu o Red Dot: Best of the Best 2026

O projecto 260g, responsável pelo desenvolvimento da garrafa de vinho mais leve do mundo, foi distinguido com o Red Dot: Best of the Best 2026 na categoria Sustainable Design, graças à capacidade de conciliar inovação, sustentabilidade e excelência em design. Ou seja, o resultado traduziu-se numa garrafa de vinho de 75 centilitros com apenas 260 […]
O projecto 260g, responsável pelo desenvolvimento da garrafa de vinho mais leve do mundo, foi distinguido com o Red Dot: Best of the Best 2026 na categoria Sustainable Design, graças à capacidade de conciliar inovação, sustentabilidade e excelência em design. Ou seja, o resultado traduziu-se numa garrafa de vinho de 75 centilitros com apenas 260 gramas, a qual foi feita a partir de 80% de vidro reciclado, já com o objectivo de “reduzir substancialmente o consumo de matérias-primas, aumentar a eficiência do transporte, permitindo transportar mais 115 garrafas por palete, e diminuir a pegada carbónica ao longo de toda a cadeia de valor”, de acordo com o comunicado. Com esta garrafa é possível “reduzir em cerca de 40% as emissões de dióxido de carbono associadas à embalagem”, sem desvirtuar os padrões de qualidade, a resistência do produto final e o desempenho definido pela indústria.

Quanto ao prémio maior atribuído pelo Red Dot Design Award, neste caso, premiou a ideia materializada pelo LiDA – Laboratório de Investigação em Design e Artes, da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR) da nova Universidade de Leiria e Oeste (Politécnico de Leiria), em colaboração com a Vidrala – Santos Barosa.
“Este reconhecimento demonstra o potencial transformador da investigação em design quando desenvolvida em estreita colaboração com a indústria. O projecto 260g evidencia que os desafios da sustentabilidade exigem conhecimento interdisciplinar, experimentação e confiança entre parceiros, permitindo desenvolver soluções que conciliam excelência técnica, inovação e impacto ambiental positivo”, declara Renato Bispo, Director do LiDA, por comunicado.






















