Dão Summer Edition e os vencedores do Dão Primores 2026

Dão Summer Edition

A estreia do Dão Summer Edition, iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), teve lugar nos dias 27 e 28 de junho, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, e contou com mais de 1.300 pessoas, entre uma vintena de produtores dos vinhos do Dão e de Lafões, especialistas e consumidores. […]

A estreia do Dão Summer Edition, iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), teve lugar nos dias 27 e 28 de junho, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, e contou com mais de 1.300 pessoas, entre uma vintena de produtores dos vinhos do Dão e de Lafões, especialistas e consumidores. Ao longo dos dois dias, os visitantes descobriram mais de 200 referências, participaram em provas comentadas, conversas temáticas e desfrutaram de música ao vivo, DJ, gastronomia e actividades destinadas aos mais novos.

Segundo o comunicado, Manuel Pinheiro, Presidente da CVR Dão, sublinha “o entusiasmo dos visitantes e o empenho dos produtores ultrapassaram largamente as expectativas, o que nos deixa orgulhosos e muito motivados para começar a trabalhar, desde já, na próxima edição”.

Paralelamente, foram divulgados, em cerimónia reservada, os galardoados do concurso Dão Primores 2026.

 

Lista dos premiados

Ouro • Grande Vinho do Dão

Branco: Água d’Assobio (Encruzado)

Tinto: Adega Coop. de Penalva do Castelo (Alfrocheiro)

 

Ouro • Vinho Varietal

Água d’Assobio (Encruzado)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Malvasia-fina)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Encruzado)

João Cabral Almeida Vinhos (Encruzado)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Touriga Nacional)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Tinta Roriz)

Casa Agr. St. Amaro de Passarela (Alfrocheiro)

João Cabral Almeida Vinhos (Touriga Nacional)

 

Ouro • Vinho Tinto de Lote

Adega Coop. de Mangualde

João Manuel Reis Caseiro Alves Pereira

Paço de Santar Vinhos do Dão

Adega Coop. de Mangualde

Água d’Assobio

Spagre – Sociedade Agrícola

 

Ouro • Vinho Branco de Lote

Adega Coop. de Mangualde

Adega Coop. de Penalva do Castelo

Empreendimentos Turísticos Montebelo – Soc. de Turismo e Recreio

Paço de Santar Vinhos do Dão

 

Prata • Vinho Tinto de Lote

Adega Coop. de Silgueiros

Adega Coop. de Silgueiros

Adega Coop. de Silgueiros

Sociedade Agr. de Santar

Altano e Graham’s no Millennium Estoril Open

Estoril Open

Entre 18 e 26 de Julho de 2026, a Symington Family Estates volta a marcar presença no Millennium Estoril Open, a ter lugar no Clube de Ténis do Estoril, com as marcas Graham’s e Altano. Para o efeito, haverá o Graham’s Cocktail Bar, onde o serviço contempla uma seleção de cocktails preparados com Graham’s Blend […]

Entre 18 e 26 de Julho de 2026, a Symington Family Estates volta a marcar presença no Millennium Estoril Open, a ter lugar no Clube de Ténis do Estoril, com as marcas Graham’s e Altano. Para o efeito, haverá o Graham’s Cocktail Bar, onde o serviço contempla uma seleção de cocktails preparados com Graham’s Blend Series – Porto Branco Blend Nº5 e Porto Ruby Blend Nº12. Com um carácter igualmente privado, o Wine Bar do evento contará com uma seleção alargada de vinhos da Symington Family Estates, incluindo vinhos do Porto e vinhos DOC Douro e Alentejo.

Já a Altano estará em duas zonas acessíveis ao público em geral: uma área dedicada a passatempos e jogos para todas as idades, com o intuito de desafiar os visitantes a pôr à prova as aptidões desportivas; e o Altano Cup, nome atribuído ao lounge, que convida degustar a oferta vínica da marca num ambiente descontraído.

João Zilhão, Managing Partner do Millennium Estoril Open, destaca, em comunicado, a importância desta parceria: “a Symington Family Estates é, há vários anos, o fornecedor oficial de vinhos do Millennium Estoril Open e um dos pilares do sucesso do evento. A presença das emblemáticas marcas da família, os famosos cocktails com os Portos da Graham’s, os vinhos de referência servidos durante todas as refeições do VIP Slice Restaurant, bem como o Graham’s Bar, já um dos ex-libris do torneio, contribuem de forma decisiva para elevar a experiência proporcionada a todos os convidados e parceiros.”

Estoril Open

Beira Interior: quais são os melhores vinhos?

Beira Interior

Dos 97 vinhos a concurso, foram distinguidas 33 referências na 19.ª Gala de Prémios da Beira Interior. A cerimónia decorreu no Castelo de Alfaiates, no Sabugal e contou com a presença de Vítor Proença, Presidente do Município do Sabugal, Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal, Francisco Toscano Rico, Presidente do Instituto da […]

Dos 97 vinhos a concurso, foram distinguidas 33 referências na 19.ª Gala de Prémios da Beira Interior. A cerimónia decorreu no Castelo de Alfaiates, no Sabugal e contou com a presença de Vítor Proença, Presidente do Município do Sabugal, Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal, Francisco Toscano Rico, Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, e por Rodolfo Queirós, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, entidade que promoveu esta iniciativa dinamizada por um painel de treze jurados constituído por 13 elementos e presidido pelo crítico da especialidade Aníbal Coutinho.

De acordo com o resultado, foram atribuídas 29 Medalhas de Ouro, para além dos galardões distribuídos nas categorias de Melhor Vinho da Beira Interior, Melhor Vinho no Feminino, Melhor Imagem e Melhor Imagem no Feminino.

Sgundo o comunicado, Rodolfo Queirós parabenizou os produtores “pelo trabalho sério e consistente que têm desenvolvido, ano após ano, para elevar o reconhecimento da nossa região. O concurso e as distinções atribuídas são mais uma ferramenta ao serviço dessa missão; ajudam a divulgar os vinhos da Beira Interior além-fronteiras e a reforçar a notoriedade da região, dentro e fora de Portugal”.

Beira Interior

Gala Grandes Prémios

Melhor Vinho da Beira Interior

Quinta do Cardo Homenagem a Maria Luiza Grande Reserva tinto 2022

Melhor Vinho no Feminino

Quinta dos Currais Reserva Síria 2023

Melhor Imagem

ETHOS Vinho de Parcela tinto 2023

Melhor Imagem no Feminino

Pombo Bravo Espumante Bruto branco 2020

Medalhas de Ouro

Aforista DOC Beira Interior Reserva branco 2023

Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas tinto 2023

Quinta da Biaia DOC Beira Interior Reserva branco 2020 (Produção Biológica)

Quinta do Cardo Homenagem a Maria Luiza DOC Beira Interior Grande Reserva tinto 2022 (Produção Biológica)

Souvall DOC Beira Interior branco 2024

Almeida Garrett DOC Beira Interior Reserva tinto 2018

Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva Síria branco 2023

Quinta da Paróla DOC Beira Interior tinto 2020

Pombo Bravo DOC Beira Interior Reserva Síria branco 2022

Cosmos DOC Beira Interior Reserva tinto 2020

Rubus DOC Beira Interior branco 2025

Pinhel Bodas de Diamante Edição Comemorativa 75 Anos DOC Beira Interior Velha Reserva tinto 2019

Óptima Pergunta DOC Beira Interior Private Selection tinto 2022

Folhas Caídas DOC Beira Interior Chardonnay branco 2025

D’Alcaria DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Quinta da Biaia 750 DOC Beira Interior Síria branco 2023 (Produção Biológica)

Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Boa Pergunta DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2024

Quinta dos Termos Vinha das Colmeias DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Adega 23 IG Terras da Beira Viognier branco 2022

Manuel I DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Aforista DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2023

Convento de Marialva DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas branco 2024

Vale de Ladroens DOC Beira Interior Garrafeira tinto 2022

Vilar Torpim DOC Beira Interior rosé 2023 (Produção Biológica)

Boa Pergunta DOC Beira Interior Colheita Selecionada tinto 2022

Exilado DOC Beira Interior Espumante Grande Reserva Bruto Natural branco 2017

Quinta dos Termos Talhão da Serra DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Concurso Escolha da Imprensa 2026 – Abertas as inscrições

Concurso escolha da imprensa

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características: – Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia. – Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS […]

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características:

– Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia.
– Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS | VINHOS & SABORES, a decorrer na FIL, Parque das Nações, de 17 a 19 de Outubro, com atribuição dos respectivos Diplomas aos vencedores
– Divulgação pública dos resultados no site, na revista Grandes Escolhas e nas redes sociais.

Conheça o regulamento e faça a sua inscrição  AQUI

Última hora: Trafaria (Com) Prova

trafaria

AVISO: a realização do evento “Trafaria (Com) Prova 2026” foi suspensa na sequência do decretamento, pela Presidente da Câmara Municipal de Almada, da situação de alerta no município motivada pela falta de abastecimento de água no concelho.   ******** Trafaria (com) Prova está de regresso para três dias de festa com degustação de vinhos e […]

AVISO: a realização do evento “Trafaria (Com) Prova 2026” foi suspensa na sequência do decretamento, pela Presidente da Câmara Municipal de Almada, da situação de alerta no município motivada pela falta de abastecimento de água no concelho.

 

********

Trafaria (com) Prova está de regresso para três dias de festa com degustação de vinhos e petiscos, provas de vinho comentadas, visitas guiadas ao centro histórico e animação de rua no passeio ribeirinho da Trafaria.

10,11 e 12 de Julho – Entrada livre com opção de compra de copo de degustação por 5€

Exposição e degustação de vinhos | degustação de tapas e petiscos | espaço cultural e exposições | animação de rua | DJ

Com a presença de empresas produtoras de vinhos representativas do melhor da produção nacional e de restaurantes locais, com oferta de pequenos pratos de petiscos, de acordo com o receituário habitual da casa.

Provas comentadas e gratuitas (mediante inscrição) por críticos da revista Grandes Escolhas.

Em memória de Jim Reader

Jim Reader

Jim era uma figura muito querida no sector do vinho do Porto, consensual e respeitada, quer no Douro, quer em Vila Nova de Gaia, pela sua afabilidade e paixão que nutria pelo país adoptivo e os seus vinhos. Nascido em 1951, Jim cresceu em North Yorkshire, Reino Unido. Formou-se na University of East Anglia, onde […]

Jim era uma figura muito querida no sector do vinho do Porto, consensual e respeitada, quer no Douro, quer em Vila Nova de Gaia, pela sua afabilidade e paixão que nutria pelo país adoptivo e os seus vinhos.

Nascido em 1951, Jim cresceu em North Yorkshire, Reino Unido. Formou-se na University of East Anglia, onde cursou microbiologia e, mais tarde, obteve o doutoramento na Strathclyde University. Chegou a Portugal em 1980 pela mão da Allied Breweries, então proprietários da Casa Cockburn’s – líder de mercado no Reino Unido. Começou como responsável de Controlo de Qualidade, ascendendo ao cargo de Director de Produção e depois ao cargo de Director Geral da Cockburn’s, até à compra desta pela família Symington em 2006, altura em que se reformou.

Jim foi consultor do produtor de vinho do Porto, C. da Silva, além de continuar na influente Câmara de Provadores do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto que assegura os padrões de qualidade de todos os vinhos do Porto. Integrava também a Chancelaria da Confraria do Vinho do Porto, sendo igualmente membro activo da Feitoria Inglesa onde mais recentemente tinha a função de auditor independente. Em Julho de 2025, foi uma das 40 personalidades e organizações homenageadas pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, em reconhecimento do contributo prestado a esta importante instituição de ensino ao longo de quatro décadas.

Conhecido pelo seu sentido de humor apurado, consta que em certa ocasião, enquanto discutia com outro produtor uma possível declaração de Porto Vintage, tomando conhecimento que outras casas iriam declarar, terá dito após uma curta pausa: “sinto que os nossos vinhos melhoram à medida que a nossa conversa avança”!

A equipa da Grandes Escolhas deixa as condolências a toda a família. Até sempre Jim Reader…

ETHOS WINES: De Homero, de Aristóteles, de Heidegger e da Beira Interior

Ethos Wines

Sendo eu Jurista de formação, as Humanidades e a Filosofia sempre fizeram parte do meu currículo e aprendizagem. Para escrever sobre o Ethos fui matar saudades e rever os meus velhos livros de liceu e de curso, e, só por isso, já valeu a pena escrever este artigo. Encontrada pela primeira vez em Homero (928 […]

Sendo eu Jurista de formação, as Humanidades e a Filosofia sempre fizeram parte do meu currículo e aprendizagem. Para escrever sobre o Ethos fui matar saudades e rever os meus velhos livros de liceu e de curso, e, só por isso, já valeu a pena escrever este artigo. Encontrada pela primeira vez em Homero (928 – 898 a.C.), a palavra do grego ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. Séculos mais tarde Martin Heidegger (1958) recupera e aprofunda os ensinamentos de Homero, defendendo que o ethos é o campo aberto da morada do homem, onde o Dasein (o ser humano) se relaciona com o Ser.

A célebre frase de Heidegger “a linguagem é a casa do Ser” completa o sentido de ethos. O homem mora habitando essa casa através do pensamento e da poesia… e não houve alguém que disse um dia que “um bom vinho é poesia engarrafada”?

Muito resumidamente, no pensamento de Heidegger, o ethos é a dimensão existencial e poética em que o ser humano habita e protege o Ser, situando-se autenticamente no mundo. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído.

Para os filósofos gregos, especialmente Aristóteles, o ethos está diretamente relacionado ao nosso modo de ser, enquanto na cultura romana, a ideia de moral vem de moralis, que significa costume. Desta maneira, ethos é o nosso carácter e moral é um conjunto de normas de convivência que regulam o nosso comportamento. A partir da ideia de ethos estabelece-se a base da ideia de ética, ou seja, a reflexão sobre o nosso modo de vida. Enquanto a moral tem uma dimensão normativa e se baseia num conjunto de regras concretas, a ética é uma avaliação ou reflexão sobre as questões morais.

Na cultura grega, o ethos individual pode ser forjado com disciplina, já que vamos formando um ethos com os nossos hábitos. Em compensação, a ideia de phatos refere-se à paixão e à emoção; por outro lado, o termo logos faz referência à ideia de razão e linguagem.

Para Aristóteles, os três elementos intervêm na comunicação, a célebre retórica aristotélica, concebida como aperfeiçoamento da tese platónica de que a simples exposição ao conhecimento seria suficiente para conquistar uma audiência. Em discordância com o seu mentor Platão, Aristóteles acreditava que a retórica seria fundamental para conquistar o público.

É, pois, deste modo, que surgem o ethos, o pathos e o logos como meios de potenciar a capacidade de persuasão de um público. O primeiro refere-se à capacidade de o atingir, com base na ética, integridade e credibilidade do orador; o segundo alude à capacidade de apelar às emoções e à criação de empatia entre o orador e a audiência; e o terceiro sugere a utilização de argumentos racionais, de evidências e do raciocínio lógico.

Assim, muito resumidamente, transmitimos ideias com o nosso modo de ser, enquanto através do pathos individual expressamos emoções, e tudo está articulado pela razão e pela linguagem.

Família e herança

Da mesma forma, numa obra de arte, podemos encontrar um ethos, um pathos e um logos, isto é, uma personalidade, uma emoção e uma linguagem. É precisamente o que encontramos nos vinhos Ethos, da Beira Interior. A Ethos Wines é sobre vinho, mas também é sobre família, herança e sobrevivência nesta região selvagem e remota do centro de Portugal. Desde 2018, que Tiago Mendonça cultiva 12 hectares de vinha no concelho da Guarda, pertencente à região vitivinícola da Beira Interior.

Este é mais do que um projecto para Tiago Mendonça. É um verdadeiro trabalho de paixão e tradição. Tem raízes familiares profundas que o ligam a esta terra, pois os pais eram naturais da região. As férias de infância eram passadas com a família materna, na Quinta de São Lourenço, inserida no magnífico Vale do Mondego, dentro do Parque Natural da Serra da Estrela, na região da Guarda. Hoje, é frequentemente acompanhado pelo seu filho mais novo, Francisco Mendonça, que tem um gosto especial por trabalhar ao lado do pai.

As vinhas da Ethos Wines estão plantadas numa encosta voltada a nascente, com solos graníticos pobres, a uma altitude entre os 480 e os 520 metros. A vida das videiras aqui é exigente, com grandes amplitudes térmicas diurnas e níveis elevados de precipitação. Mais de 70% das vinhas têm mais de 60 anos, tendo algumas sido replantadas em 2012; e cerca de 50% está em co-plantação de castas tradicionais, a par com o decurso do trabalho de identificação das várias variedades presentes.

As castas são as tradicionais da região. Nos brancos encontramos Síria, Arinto, Tamarez, Malvasia Fina, Gouveio, Cerceal e Ferral. Nos tintos destacam-se a Rufete, a Mourisco, a Jaen, a Baga, a Trincadeira, entre outras. A viticultura está nas mãos do agrónomo Carlos Veiga, enquanto na adega, a enologia é acompanhada pela enóloga Mariana Salvador, cuja missão é interpretar as uvas de forma a reflectirem verdadeiramente a identidade da Beira Interior. A função de Mariana Salvador consiste em equilibrar o acompanhamento rigoroso da vinificação e do estágio. As leveduras são indígenas e os níveis de sulfuroso são mantidos no mínimo indispensável.

As vinhas estão certificadas em modo biológico desde 2020. A certificação biológica dos vinhos está prevista a partir da colheita de 2025. O trabalho na vinha e na adega é o que dá origem aos brancos minerais intensos e frescos, bem como aos tintos elegantes, gastronómicos e com excelente capacidade de envelhecimento.

Mas Ethos não é só vinho, também é azeite. Há mais de 20 anos que a família é proprietária de um lagar onde são produzidos alguns dos melhores azeites não só da região, mas do mundo, tal como comprovam os múltiplos e variadíssimos prémios obtidos. As azeitonas são colhidas de oliveiras com idades até 100 anos, incluindo variedades locais.

Ethos Wines

As vinhas estão plantadas numa encosta voltada a nascente, com solos graníticos pobres e mais de 70% ultrapassam os 60 anos

 

Acima de tudo, o projeto Ethos assenta num profundo respeito pela tradição e pelo terroir. A equipa demonstra-o e disso mesmo nos deu conta – uma determinação firme em revelar o potencial da Beira Interior, uma pequena região emergente que tem vindo a conquistar cada vez mais reconhecimento através da produção de vinhos distintivos e de azeite de classe mundial.

E Ethos é igualmente arte… por fora. O rótulo do Ethos Rufete tinto 2023 e do Ethos Vinho de Parcela tinto 2023 comprova este preâmbulo, através da assinatura de Ana Malta, artista plástica com formação académica em pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e um mestrado em Gestão de Indústrias Criativas pela Universidade Católica do Porto. Ambos os rótulos denotam a prática artística associada à estética, onde as cores e os padrões se cruzam com contrastes e a inquietante expressão visual da artista. Personalidade, emoção, linguagem. Ethos, pathos, logos. Beira Interior, Tiago Mendonça, Ethos Wines.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

RESTAURANTE TOUTA: Do Líbano, com amor

Touta

Aberto no princípio de 2024, o Touta trouxe a Lisboa uma cozinha de inspiração libanesa, trabalhada com técnicas francesas e com vasta utilização de ingredientes locais. São os sabores da cozinha mediterrânica num mosaico colorido, leve e bastante criativo. Fundado pela Chef Cynthia Bitar e por Rita Abou Ghazale, responsável pela sala, o conceito afasta-se […]

Aberto no princípio de 2024, o Touta trouxe a Lisboa uma cozinha de inspiração libanesa, trabalhada com técnicas francesas e com vasta utilização de ingredientes locais. São os sabores da cozinha mediterrânica num mosaico colorido, leve e bastante criativo. Fundado pela Chef Cynthia Bitar e por Rita Abou Ghazale, responsável pela sala, o conceito afasta-se um pouco do registo tradicional do Médio Oriente, para oferecer uma reinterpretação contemporânea que cruza memórias e lugares do percurso da Chef. E não falta currículo a Cyntia Bitar. Primeiro pela herança, já que é filha de uma das mais conhecidas e pioneiras chefs femininas do Líbano, Nazira Bitar, depois pela formação, no prestigiado Instituto Paul Bocuse, em Lyon, e finalmente pelo trajecto acumulado ao longo dos seus 27 anos de experiência profissional. Começou por visitar Portugal como turista e depressa se deixou encantar pelo país e pelo produto português. Daí a ter aberto o Touta (petit nom da chef) entre a Estrela e Campo de Ourique, foi um passo.

O espaço divide-se em duas salas, sendo que a primeira, à entrada, tem cozinha à vista; e a segunda, separada por um pequeno corredor, é mais tranquila. Ao fundo uma pequena mercearia com produtos libaneses ou produzidos no restaurante. A decoração é simples, mas acolhedora e relaxante. A proposta apresentada aos clientes consubstancia-se numa ementa equilibrada pela importação de alguns produtos artesanais libaneses, com o uso de matéria prima local de pequenos produtores portugueses. O resultado é uma experiência gratificante, ainda para mais com a simpática ajuda de Rita Abou Ghazale que, pese embora as dificuldades de comunicação em português, nos conduz com mão segura numa viagem pelo menu (sazonal), que, de outra forma, poderia causar constrangimentos ao ouvido português.

E foi pelas mãos e conselhos de Rita que mergulhámos pela primeira vez nesta gastronomia de inspiração libanesa. Começámos por um croquete de batata com carne de vaca picada, cebola, com cobertura de couve e ketchup de beterraba, de sabor equilibrado e textura fofa e húmida. Seguiu-se uma ostra do Algarve, com gaspacho de fattoush (salada típica libanesa elaborada com diferentes verduras e legumes) e cubos de pão libanês frito. Não podíamos passar sem uma das entradas míticas da casa: o hommos feito a partir de pinhões de Alcácer do Sal, azeite infusionado com sujuk (salsicha curada), ervas aromáticas e pão libanês. Muito bem conseguido, com sabor suave, mas, ao mesmo tempo, profundo e visualmente muito atraente. Nas entradas ainda se provaram espargos brancos fumados com freekeh turfado (tipo couscous de trigo duro). Agradável, mas talvez o menos impactante de tudo o que provámos. Veio depois um tártaro de novilho maturado, kafta, com ervas frescas acompanhado, à parte, por cubos de batata frita em gordura de vaca. Muito bom o contraste entre a frescura ácida do tártaro e a batata crocante. A paixão da Chef Cynthia Bitar pelos produtos portugueses ficou patente pela proposta seguinte, Provençale de seu nome, que nada mais era que uma fresquíssima lula dos Açores grelhada com gnocchi de açorda e emulsão de coentros e limão, num hino à fusão de cozinhas e sabores de inspiração mediterrânicos. Para acabar o desfile dos pratos principais, não podia faltar o borrego, saff, em modo confitado, com bulgur e grão-de-bico, com couve fermentada. Houve ainda espaço para a sobremesa, uma Dacquoise, um creme emulsionado com zaatar (especiaria aromatizante) curd de maracujá, pontuado por limão e morango.

Assinale-se ainda como positivo a carta de vinhos, com várias propostas libanesas e algumas portuguesas de pequenos produtores, com o senão de ser raro encontrar opções por menos de 30€. Apesar da sua extensão, este menu resulta numa combinação leve, mas com sabores intensos onde as especiarias árabes tradicionais assumem um papel de destaque, texturas surpreendentes, tudo isto servido por uma técnica exemplar.

Touta

Rua Domingos Sequeira, 38, Lisboa

Tel.: 960 494 949

Horário: de Terça-feira a Sábado, das 19h30 às 23h00

Preço médio: €45