Há um novo Wine Terraza na Comporta

Wine Terraza

A Garcias abriu oficialmente a Wine Terraza by Garcias Wines & Spirits na Boutique Garcias Comporta, localizada na Estrada nacional 253, na Herdade da Comporta, para receber o verão. Trata-se de um novo espaço para, entre vinhos, um copo de gin ou um porto tónico, brindar ao estilo de vida da Comporta. Para acompanhar, há […]

A Garcias abriu oficialmente a Wine Terraza by Garcias Wines & Spirits na Boutique Garcias Comporta, localizada na Estrada nacional 253, na Herdade da Comporta, para receber o verão. Trata-se de um novo espaço para, entre vinhos, um copo de gin ou um porto tónico, brindar ao estilo de vida da Comporta. Para acompanhar, há petiscos com produtos da região.

“Queremos que a Wine Terraza seja um prolongamento natural da Boutique Garcias Comporta, um espaço onde se descobre, se prova e se vive o universo Garcias de forma descontraída, próxima e memorável”, afirma Filipa Garcias, CEO da Garcias, em comunicado.

Já a Boutique Garcias Comporta continua a ter uma ampla selecção premium, quer de vinhos, quer de espirituosos, além de outros produtos, num formato que alia retalho ao lifestyle, experiência consolidada com o Wine Terraza by Garcias Wines & Spirits, que convida a ficar o tempo que se quiser. Afinal, o horário de funcionamento é diário, das 10h00 às 20h00, durante a época de estio.

 Wine Terraza

Corticeira Amorim recebe distinção internacional

Corticeira Amorim

A Corticeira Amorim arrecada os prémios de Melhor Empresa na Redução de Carbono na Indústria de Produtos Vínicos 2025 e Empresa Mais Sustentável na Indústria de Produtos Vínicos 2026 atribuídos. Ambas as distinções são atribuídas pela revista internacional World Finance e estão associadas à forma como as empresas implementam os critérios ESG (Environmental, Social and […]

A Corticeira Amorim arrecada os prémios de Melhor Empresa na Redução de Carbono na Indústria de Produtos Vínicos 2025 e Empresa Mais Sustentável na Indústria de Produtos Vínicos 2026 atribuídos. Ambas as distinções são atribuídas pela revista internacional World Finance e estão associadas à forma como as empresas implementam os critérios ESG (Environmental, Social and Governance) nos modelos de negócio, em particular no que diz respeito à acção climática, à inovação e ao impacto das operações.

No que toca ao primeiro galardão, está em evidência o facto de, em 2025, a Corticeira Amorim se ter destacado “pelo compromisso de longo prazo com a acção climática”, nomeadamente através da aposta na electrificação de processos produtivos, no investimento efectuado em energias renováveis e na opção por soluções logísticas com menor intensidade carbónica no âmbito da transformação da cortiça.

Corticeira Amorim

Segundo o comunicado, a segunda distinção, recebida de forma consecutiva desde 2019, está associada ao reconhecimento da posição da empresa “na valorização da cortiça enquanto material renovável e com características de circularidade e na preservação dos ecossistemas de sobreiro”, bem como à mitigação da pegada ambiental por meio de iniciativas que reforçam a biodiversidade e, ao mesmo tempo, prolongam e optimizam o ciclo de vida dos seus produtos.

António Rios de Amorim, Presidente e CEO da Corticeira Amorim, enaltece, em comunicado, o seguinte: “a renovação destas distinções atribuídas pela World Finance reforça o reconhecimento do nosso compromisso estratégico de longo prazo com a sustentabilidade, assente na valorização da cortiça enquanto material de excelência ambiental e na inovação contínua dos nossos processos e soluções. Continuaremos a investir em iniciativas que reforcem a descarbonização da nossa atividade e contribuam para um futuro mais sustentável para toda a cadeia de valor do sector vinícola.”

 

 

QUINTA DO CARMO: Mudam os tempos, fica o lugar

Quinta do Carmo

A Quinta do Carmo, cujas origens remontam ao século XVIII, situa-se no concelho de Estremoz, na localidade de nome Glória. Cerca de 1000 hectares distribuem-se por montado, olival, pastagens e, aproximadamente, 120 hectares de vinha, estendendo-se por uma paisagem de grande diversidade, entre o planalto de Estremoz, a Nordeste, e os relevos ondulados da Serra […]

A Quinta do Carmo, cujas origens remontam ao século XVIII, situa-se no concelho de Estremoz, na localidade de nome Glória. Cerca de 1000 hectares distribuem-se por montado, olival, pastagens e, aproximadamente, 120 hectares de vinha, estendendo-se por uma paisagem de grande diversidade, entre o planalto de Estremoz, a Nordeste, e os relevos ondulados da Serra de Ossa, a Sudoeste.

A entrada principesca da Quinta do Carmo impressiona pela geometria das vinhas, na horizontal, e das palmeiras, na vertical, que formam uma longa alameda até ao imponente portal de entrada. As primeiras 12 palmeiras-das-Canárias foram plantadas durante a gestão dos franceses; mais tarde, juntaram-se outras de espécies diferentes, que constituem uma assinatura da Bacalhôa.

A produção da Quinta do Carmo representa 6% do total do grupo. A maior parte dos vinhos é vendida no mercado nacional, sendo apenas 17% destinada à exportação. Os principais mercados externos são Angola, Brasil, França, Reino Unido, Suíça e Hong Kong.

As castas brancas foram plantadas pelos franceses muito antes do boom dos vinhos brancos

 

História

No caminho para a Quinta do Carmo, Vasco Penha Garcia, que durante muitos anos foi responsável pela enologia da Bacalhôa e que, actualmente, desempenha funções de Director do Departamento de Relações Institucionais, contou a história da propriedade.

Em meados do século XIX existiam duas vinhas muito especiais no Alentejo – uma na Quinta do Carmo e outra na Herdade do Mouchão – exploradas pela união de duas famílias incontornáveis na região do Alentejo, ligadas pelo casamento entre John Reynolds e Isabel d’Andrade Bastos. Para além das castas tipicamente alentejanas, o denominador comum era a variedade francesa Alicante Bouschet, introduzida em Portugal após a praga da filoxera. Hoje, é a casta mais presente no Alentejo, representando cerca de 18% das plantações, mas, na época, era exclusiva destas duas propriedades.

A partir dos anos 80 do século passado, com a enologia de João Portugal Ramos, os vinhos da Quinta do Carmo começaram a ganhar a devida projecção. Os enófilos dessa época suspiravam pelas colheitas de 1985, 1986 e 1987. A fama era tal que despertou o interesse dos proprietários da Lafite Rothschild e, em 1992, o grupo entrou com 50% de capital no negócio, em parceria com Júlio Bastos, então proprietário da Quinta do Carmo. Segundo o acordo estabelecido, Júlio Bastos cedeu as vinhas e a marca, enquanto os Rothschild construíram uma nova adega state of the art à data. O palácio do século XVIII não foi incluído neste negócio, nem a bonita capela de Nossa Senhora do Carmo, que deu nome à quinta.

Nesta parceria surgiram várias divergências de visão estratégica e, em 2000, Júlio Bastos vendeu a sua parte à Bacalhôa, que mais tarde, em 2008, acabou também por comprar a participação do Domaine Baron de Rothschild (Lafite).

Mais de uma década de gestão francesa trouxe várias mudanças na propriedade, de acordo com a sua visão. Nem todas as decisões foram acertadas, como, por exemplo, a substituição de Alicante Bouschet por Cabernet Sauvignon, mas também deixou um conjunto de contributos relevantes. Para além do aumento da área de vinha, havia a ambição de produzir um grande branco do Alentejo, pelo que foram plantadas castas brancas numa altura em que este tipo de vinho ainda não estava em ascensão – estamos a falar da viragem do século. Apostaram na variedade Roupeiro, que se revelou muito boa naquela zona, Arinto e Antão Vaz, bem como nas castas francesas Viognier e Marsanne, que permanecem nas vinhas em quantidades residuais.

Roupeiro e Alicante Bouschet são as castas de eleição na Quinta do Carmo

 

Vinha e o anticlinal de Estremoz

A vinha da Quinta do Carmo apresenta uma particularidade, como explicou Vasco Penha Garcia: situa-se no anticlinal de Estremoz. Trata-se de uma dobra das camadas rochosas, formada por movimentos tectónicos, semelhante a um tapete comprimido lateralmente, que acaba por se elevar ao centro, formando um arco. Neste processo, as camadas mais antigas ficam expostas. O anticlinal de Estremoz é um dos exemplos mais notáveis deste tipo de estrutura em Portugal, não apenas pela sua dimensão, mas sobretudo pela natureza das rochas que revela. Faz parte do famoso “triângulo do mármore” localizado entre Estremoz, Borba e Vila Viçosa, dois outros concelhos do Alentejo.

O terreno da Quinta do Carmo estende-se perpendicularmente ao alinhamento das principais unidades geológicas, o que lhe confere uma grande heterogeneidade de solos. Na zona Nordeste da propriedade predominam mármores cobertos por barros vermelhos. No extremo oposto, já na proximidade da Serra de Ossa, surgem solos de natureza xistosa. Existem ainda solos de transição, como na vinha do Seixo, de onde provêm uvas para os Quinta do Carmo Reserva branco e tinto.

Ao percorrer a vinha, observa-se claramente toda esta diversidade: desde os solos claros e pedregosos, passando por zonas com maior presença de argila vermelha e afloramentos de quartzo, até à transição para xisto (na vinha da Cabeça Alta).

A maior parte destes solos tem uma fertilidade moderada e oferece boa drenagem, mas a capacidade de retenção de água é limitada. Por isso, em períodos de calor intenso e seca, as vinhas entram facilmente em stress hídrico, necessitando de rega. Nas zonas de vale, os solos são naturalmente mais profundos, com melhor retenção de água e maior fertilidade.

As vinhas mais antigas datam da década de 1990 e do início dos anos 2000. Após a aquisição, a Bacalhôa aumentou a área de vinha branca e de Alicante Bouschet, reduzindo as plantações de Syrah e Cabernet Sauvignon. Mais tarde, a partir de 2018, voltaram a plantar-se Alicante Bouschet, Roupeiro, Arinto e um pouco de Fernão Pires. Também existe Trincadeira, que “é extraordinária, mas pouco consistente” pela experiência do enólogo residente e responsável de viticultura, João Chamorro.

Está previsto o aumento da área de vinha em cerca de 20 hectares, dependente do esperado reforço dos recursos hídricos. No entanto, existe uma pequena barragem localizada na zona central da propriedade. Mesmo assim, a água que retém é insuficiente para assegurar novos projectos. Por esse motivo, aguardam a sua ampliação, para fazer face aos anos de escassez hídrica no contexto das alterações climáticas. Como referiu João Chamorro, a nova barreira fluvial irá chamar-se Barragem da Mesquita e deverá, não só funcionar como reserva estratégica de água, mas também criar uma albufeira, contribuindo, assim, para a biodiversidade da área.

Outro benefício é a possibilidade de desenvolver ecoturismo em torno da barragem e actividades, como a observação de animais.

 

Adega, a herança dos franceses melhorada

A adega da Quinta do Carmo foi construída pelos Rothschild, perto da vinha, tal como na região francesa de Bordeaux, para facilitar a logística e minimizar o tempo de transporte das uvas durante a vindima. Estava muito bem equipada à época, com os depósitos de cimento de 20 toneladas e uma zona especificamente dedicada aos vinhos brancos.

Já na era da Bacalhôa, a adega beneficiou de uma ampliação e foi munida com equipamentos e depósitos mais variados, incluindo os de 10 toneladas para a elaboração de lotes mais precisos da gama Quinta do Carmo, lagares com pisa robótica e controlo de temperatura, onde fermentam os Reserva tinto, bem como depósitos de maiores dimensões destinados à produção de lotes mais volumosos. Fizeram ainda uma segunda recepção perfeitamente equipada (para além de outra “francesa” que já existiu). Desta forma conseguem processar uvas brancas e tintas ao mesmo tempo. “É uma adega com uma enorme flexibilidade”, conclui Vasco Penha Garcia. As barricas são fornecidas pela tanoaria Seguin Moreau, sendo produzidas de acordo com os requisitos da quinta.

Quinta do Carmo
João Chamorro, enólogo residente e responsável pela viticultura, Vasco Penha Garcia, Director do Departamento de Relações Institucionais, e Francisco Antunes, Director de Enologia do Grupo Bacalhôa

As castas protagonistas

A Quinta do Carmo produz cerca de um milhão de garrafas, das quais dois terços são de vinho tinto e um terço de branco. As três gamas principais, todas nas versões branco e tinto, incluem a marca Dom Martinho, que representa quase metade da produção, a Quinta do Carmo e a Quinta do Carmo Reserva, com 35% e 15% da produção, respectivamente.

Nos vinhos brancos, a Roupeiro tem um papel importante e representa cerca de 30% das variedades brancas. É algo raro no Alentejo e no país. Embora esteja presente de Norte a Sul, sendo a quarta casta branca mais plantada e correspondendo a 2% de plantações de vinha em Portugal, “sempre foi o patinho feio”, como a apelidou Vasco Penha Garcia, por não suscitar grande admiração por parte dos consumidores, nem dos produtores.

Conhecida por várias sinonímias, das quais três são oficiais – Roupeiro, no Sul, Síria, na Beira Interior, e Códega, no Norte –, é uma casta bastante produtiva e de maturação tardia. Pode sofrer com as chuvas de Setembro e, se não for colhida no momento certo, sobretudo em zonas quentes, perde acidez de forma acentuada e “queima” os aromas, que são algo delicados. Na Quinta do Carmo, situada regionalmente numa zona elevada, a cerca de 400 metros de altitude e com solos de fertilidade média, a casta revela um comportamento acima da média, mantendo acidez suficiente, para originar vinhos equilibrados, com pH entre 3,0 e 3,2.

No Dom Martinho, a Roupeiro atinge 70% do lote, com auxílio da Arinto, variando entre 50% e 60% no Quinta do Carmo. A Antão Vaz e, por vezes, a Fernão Pires também podem entrar no lote em percentagens menores. O Dom Martinho e o Quinta do Carmo branco não passam por madeira, mas este último beneficia de um estágio prolongado sobre as borras, que lhe confere mais estrutura e complexidade. Já o Reserva fermenta e evolui em barricas de carvalho francês, novas e usadas.

Nos tintos, o estágio em madeira começa a partir do Quinta do Carmo. “O conceito é fazer um vinho não exuberante, com boa estrutura, e domar o Alicante Bouschet, que é uma casta de grande rusticidade”, explicam o Director de Enologia Francisco Antunes e Vasco Penha Garcia.

A Alicante Bouschet tem vindo a ganhar protagonismo no lote, atingindo 60%. Foram inclusivamente realizados ensaios com a casta em extreme. Ao contrário da Roupeiro, a Alicante Bouschet goza de uma popularidade indiscutível no Alentejo. Praticamente desprezada em França, em Portugal já é a quarta casta mais plantada e, no Alentejo lidera mesmo as plantações. Bem domada, confere aos vinhos uma cor opaca, sendo uma casta tintureira (com polpa corada), grande concentração, volume de boca, estrutura e longevidade.

Os outros componentes do lote variam consoante o ano. Mais do que as castas em si, procura-se um estilo definido de elegância. Por exemplo, no Quinta do Carmo 2019, o lote, para além do Alicante Bouschet, incluiu Aragonez e Trincadeira; já o 2022 (em prova) conta com Cabernet Sauvignon e Syrah a acompanhar a Alicante Bouschet. Entretanto, na vindima de 2025, a Cabernet Sauvignon não atingiu a maturação desejada, pelo que a solução para esta colheita será diferente.

Cada talhão e cada casta são fermentados em separado. À semelhança do método bordalês, realiza-se uma maceração pré e pós-fermentativa, naturalmente controlada através de provas diárias, para separar o mosto das massas e o transferir para barricas de carvalho francês de 225 litros. A madeira nova representa entre 15% a 20%, sendo o restante de segundo uso. O lote final é definido após um estágio de 12 meses.

O Quinta do Carmo Reserva é uma herança da passagem dos franceses, foi “inventado” em 2000. Na altura tinha Cabernet Sauvignon em maioria no lote, pois não confiavam muito na Alicante Bouschet, baseando na sua experiência em França, onde a casta, de facto, não se expressa da mesma forma. Actualmente, o estilo é diferente, tendo a Alicante Bouschet proveniente da vinha do Seixo, com solos mais argilosos à superfície sobre mármore, como figura central, deixando, para as restantes castas, o papel secundário. Em 2017, esse papel coube à Aragonez da vinha da Cabeça Alta, com solo xistoso. Fermenta em lagares e permanece em maceração com massas durante mais 15 dias para extrair a estrutura que aguenta o estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês de 225 litros, seguido de anos em garrafa.

De todos os vinhos, provei duas colheitas, uma mais recente e outra com mais anos de garrafa. No caso do Reserva tinto, tratou-se de uma mini-vertical, com as colheitas de 2016, 2015 e 2004. As duas primeiras estavam em belíssima forma, cheias de vida, com grande polimento e integração; o último vinho já denotava bastante a idade, mais contido no aroma, com notas de fruta desidratada e compotada, existindo ainda alguma fruta fresca no conjunto.

A sensação que tive ao provar os vinhos da Quinta do Carmo é que, muitas vezes, corremos atrás das novidades, descobertas de produtores, vinhos diferentes e promessas inovadoras, esquecendo, nessa corrida, como é bom provar os clássicos, sentir a sua afinação, alcançada ao longo de sucessivas colheitas.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

36 vinhos vencedores no Concurso da Península de Setúbal

Concurso Vinhos

O antigo Centro de Depuração de Ostras do Tejo, no Gaio-Rosário, freguesia do concelho da Moita, localizada à beira do Estuário do Tejo, recebeu a cerimónia de entrega de prémios da XXIV edição do Concurso de Vinhos da Península de Setúbal. Das 36 referências vínicas vencedoras, 12 arrecadaram medalhas de Ouro e 24 de Prata, […]

O antigo Centro de Depuração de Ostras do Tejo, no Gaio-Rosário, freguesia do concelho da Moita, localizada à beira do Estuário do Tejo, recebeu a cerimónia de entrega de prémios da XXIV edição do Concurso de Vinhos da Península de Setúbal. Das 36 referências vínicas vencedoras, 12 arrecadaram medalhas de Ouro e 24 de Prata, para além das seis distinções especiais atribuídas aos melhores vinhos da referida região vitivinícola.

Sobre este sexteto, a Casa Ermelinda Freitas arrecadou quatro medalhas nas categorias de Melhor Vinho Branco DO Palmela, para o Dona Ermelinda branco 2024, bem como de Melhor Vinho Tinto, Melhor Vinho Branco e Melhor Vinho Rosado Regional Península de Setúbal, para Vinha do Torrão Grande Escolha 2023, Vinha da Valentina Premium tinto 2024 e Túlipa rosé 2025, respectivamente. A Adega Cooperativa de Palmela ganhou na categoria de Melhor Vinho Generoso de Setúbal, com Adega de Palmela Moscatel Roxo de Setúbal Superior 15 Anos DO Palmela, e a distinção de Melhor Vinho Tinto de Palmela ficou nas mãos da adega Fernando Santana Pereira, que se destacou com Quinta do Monte Alegre Homenagem Grande Reserva Castelão 2019.

Por ocasião desta cerimónia, Henrique Soares, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), enalteceu a “inigualável” geografia da região, sublinhou a importância da união dentro do sector agrícola e evidenciou o papel do vinho, não só a respeito de toda “a ciência que está por trás de uma garrafa”, mas também no que concerne à sustentabilidade económica e social que lhe está associada.

Organizada pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), esta competição contou com um júri constituído por técnicos especialistas em análise sensorial das várias regiões vitivinícolas nacionais, académicos, enólogos, escanções, jornalistas e membros do painel de prova da ASAE (Autoridade da Segurança Alimentar e Económica).

Concurso de Vinhos da Península de Setúbal 2026

Categorias Especiais

Melhor Vinho Generoso de Setúbal

Adega de Palmela Moscatel Roxo de Setúbal Superior 15 Anos DO Palmela (Adega Coop. de Palmela)

Melhor Vinho Tinto DO Palmela

Quinta do Monte Alegre Homenagem Grande Reserva Castelão 2019 (Fernando Santana Pereira)

Melhor Vinho Branco DO Palmela

Dona Ermelinda 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Melhor Vinho Tinto Regional Península de Setúbal

Vinha do Torrão Grande Escolha 2023 (Casa Ermelinda Freitas)

Melhor Vinho Branco Regional Península de Setúbal

Vinha da Valentina Premium 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Melhor Vinho Rosado Regional Península de Setúbal

Túlipa 2025 (Casa Ermelinda Freitas)

 

Medalhas de Ouro

Vinho Branco D.O. Palmela

Dona Ermelinda Reserva 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Vinho Tinto D.O. Palmela

Camolas Selection Premium Castelão, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2021 (Camolas & Matos)

Castro de Chibanes Superior 2020 (Camolas & Matos)

Vinho Branco Regional Península de Setúbal

Vinha do Torrão Grande Escolha 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Vinho Tinto Regional Península de Setúbal

Barrosinha Reserva 2022 (Companhia Agrícola da Barrosinha)

Camolas Alicante Bouschet 2023 (Camolas & Matos)

 

Medalhas de Prata

Vinho Generoso DO Setúbal

Adega Camolas Superior 10 Anos (Camolas & Matos)

Vinho Branco DO Palmela

Fontanário de Pegões Vinhas velhas 2021 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Camolas Selection Premium Moscatel Graúdo 2023 (Camolas & Matos)

Camolas Reserva Moscatel Galego Branco, Moscatel Graúdo e Arinto (Camolas & Matos)

Quinta da Mimosa 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Vinho Rosado DO Palmela

Dona Ermelinda 2025 (Casa Ermelinda Freitas)

 

Vinho Branco Regional Península de Setúbal

Vinha da Valentina Chardonnay 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Quinta da Bacalhôa 2024 (Grupo Bacalhôa)

Casa Ermelinda Freitas Sauvignon Blacn e Verdelho 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Vinha do Torrão Reserva 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Catarina 2024 (Grupo Bacalhôa)

Bocage 2024 (Casa Ermelinda Freitas)

Vinho Rosado Regional Península de Setúbal

Bocage 2025 (Casa Ermelinda Freitas)

Vinho Tinto Regional Península de Setúbal

Vale e Touros Reserva Premium Syrah 2023 (Adega Coop. De Palmela)

Rovisco Pais Premium 2022 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Adega de Pegões Alicante Bouschet 2023 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Papo Amarelo (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Encostas da Arrábida Vinhas Velhas 2021 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Sobreiro de Pegões Premium 2023 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Comporta Castelão 2020 (Adega Herdade da Comporta)

Adega de Pegões Merlot 2023 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Vinha do Torrão Reserva 2023 (Casa Ermelinda Freitas)

Encostas da Arrábida Reserva 2023 (Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões)

Casa Ermelinda Freitas Touriga Nacional Reserva 2023 (Casa Ermelinda Freitas)

Kopke quebra o gelo este verão

Kopke

Kopke On Ice é a proposta daquela que é considerada a casa mais antiga de Vinho do Porto, a Kopke. Trata-se de um vinho do Porto branco desenvolvido para ser bebido com gelo, que promete derreter convenções e vem na época certa do ano, “sem nunca perder de vista o seu legado”, de acordo com […]

Kopke On Ice é a proposta daquela que é considerada a casa mais antiga de Vinho do Porto, a Kopke. Trata-se de um vinho do Porto branco desenvolvido para ser bebido com gelo, que promete derreter convenções e vem na época certa do ano, “sem nunca perder de vista o seu legado”, de acordo com o comunicado.

Fresco e descontraído, o Kopke On Ice celebra a mudança e está direccionado para quem aprecia a irreverência no mundo dos vinhos. É, efectivamente, uma bebida concebida para a geração mais nova de consumidores. Mas primeiro há que aprender a prepará-la. Eis a receita: 60 ml de Kopke On Ice, três cubos de gelo e um toque de casca de laranja. Et voilá! Está tudo pronto para quebrar o gelo.

“A facilidade com que este vinho nos conquista é o reflexo do compromisso de toda uma equipa apaixonada pelo que faz. A sua densidade e concentração foi criteriosamente estudada para conferir equilíbrio e harmonia a uma forma diferente de beber vinho do Porto: com gelo”, afirma, em comunicado, Carlos Alves, Master Blender do Kopke Group.

Os Melhores Vinhos do Alentejo

Melhores do Alentejo

As medalhas de Grande Ouro foram atribuídas ao Quinta do Paral branco 2022 (Quinta do Paral), ao monovarietal Casa Relvas Vinha do Monte do Poço branco 2025 (Casa Relvas), ao Cardeira Reserva tinto 2019 (Herdade da Cardeira) e ao monovarietal Rovisco tinto 2019 (Pateo do Morgado). Na lista das medalhas de Ouro, constam 23 vencedores. […]

As medalhas de Grande Ouro foram atribuídas ao Quinta do Paral branco 2022 (Quinta do Paral), ao monovarietal Casa Relvas Vinha do Monte do Poço branco 2025 (Casa Relvas), ao Cardeira Reserva tinto 2019 (Herdade da Cardeira) e ao monovarietal Rovisco tinto 2019 (Pateo do Morgado).

Na lista das medalhas de Ouro, constam 23 vencedores. Na categoria dos brancos, estão as seguintes referências de brancos: Margaça 2023 (Margaça), Régia Colheita 2024 (CARMIM), Herdade das Servas 2022 (Herdade das Servas), Herdade da Candeeira 2021 (Grupo Parras) e Navegante 2024 (Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito); nos monovarietais, estão Paço dos Infantes 2024 (Herdade de Lisboa) e Almudes 2024 (Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito).

Já nos tintos, os distinguidos são: Paço dos Infantes 2020 (Herdade de Lisboa), Pêra-Grave 2022 (Pêra-Grave), Artesano by Helena 2022 (Elite Vinhos), PIRR 2022 (Herdade dos Toucinhos), Santa Vitória Grande Reserva 2019 (Casa Santa Vitória), Poliphonia Signature 2022 (Granacer), Esporão Private Selection 2019 (Esporão), Quinta do Carmo 2017 (Grupo Bacalhôa), Quinta do Carmo 2022 (Grupo Bacalhôa), Encostas de Serpa 2023 (Monge & Filhas – Vinhos de Serpa), Herdade Paço do Conde 2020 (Soc. Agr. Paço do Conde), Herdade de São Miguel 2023 (Casa Relvas) e Herdade da Candeeira 2019 (Grupo Parras). Há, ainda, a medalha de Ouro para o Altas Quintas 2023 (Altas Quintas), na categoria de vinho de talha. As medalhas de Prata foram divididas por dois rosés: Vinha D’Ervideira 2025 (Ervideira) e Rosé Pom Pom 2025 (Casa Relvas).

De acordo com o comunicado, Luís Sequeira, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, destacou a importância da valorização dos vinhos da região e manifestou apoio à Confraria dos Enófilos do Alentejo, que este ano assinala o 35º aniversário, “na sua nobre tarefa de pôr de pé um concurso que dignifica os produtores alentejanos e naturalmente os seus vinhos, que são o resultado de muito trabalho em cada ano. Se os Vinhos do Alentejo são os preferidos pelos portugueses, que essa escolha seja dignificada”.

GRANDE PROVA: ROSÉS A MENOS DE €15

rosés

Após tantos artigos que dedicamos aos rosés e depois de provar centenas de vinhos, chegámos finalmente à explicação a respeito da razão pela qual alguns consumidores ainda não privilegiam este tipo maravilhoso de vinho ou, pelo menos, que o relegam para segundo plano. Não, não é apenas o antigo o imaginário do rosé nacional, que […]

Após tantos artigos que dedicamos aos rosés e depois de provar centenas de vinhos, chegámos finalmente à explicação a respeito da razão pela qual alguns consumidores ainda não privilegiam este tipo maravilhoso de vinho ou, pelo menos, que o relegam para segundo plano. Não, não é apenas o antigo o imaginário do rosé nacional, que se assemelhava a uma sangria de vinho tinto, de acidez corrigida, com 10 gramas de açúcar por litro e gás carbónico. Não, não é pela fama dos rosés evoluírem mal em garrafa, pois são vários os exemplos mundiais – Viña Tondonia desde logo, mas também os clássicos de Bandol, como Domaine Tempier e Château de Pibarnon – e nacionais – Redoma, da Niepoort, Nélita, da Quinta de Lemos, ou o Reserva, da Quinta do Monte de Ouro – em que os vinhos têm uma evolução positiva em complexidade e seriedade.

E não, não é o preconceito de se tratar de vinho leve, posto que uma das principais modas atuais é precisamente tintos mais leves e abertos. E também não é que o seu consumo se deva restringir ao verão, já que o mesmo se poderia dizer dos champagnes e espumantes. A principal razão é, isso sim, o carácter residual para o qual o rosé foi relegado e que pode ser resumido numa frase dita por um amigo (que é, simultaneamente, um grande provador): “não há nada que goste num rosé que um grande branco não consiga entregar ou até superar”. Explico-me, de seguida.

Como é sabido, durante muitos anos, desde a antiguidade até há menos de um século, a cor dos vinhos era fluída e variada. Fosse por as vinhas com uva branca e tinta estarem coassociadas, fosse por fazer-se muito vinho branco com uvas tintas e sem o aperfeiçoamento da técnica aprimorada de bica aberta ou, simplesmente, por se misturar vinho branco e tinto, e tudo o mais. Até ao início do século XX não havia, portanto, nenhum tipo de preconceito quanto a tonalidades, sendo que a maior parte dos vinhos tintos tinham a famosa cor de petroleiro, de acobreados, de tão ligeiros que eram. Por sua vez, grande parte dos brancos nasciam logo carregados na cor, fosse por excesso de oxidação na vinificação, fosse apenas pela curtimenta.

Durante o século passado, com a viticultura moderna e, sobretudo, com a enologia profissional, os brancos ficaram mais claros e brilhantes, enquanto os tintos se tornaram mais concentrados e escuros. Uma das consequências trazida por esta divisão binária foi a de deportar os vinhos rosados, palhetes e claretes para uma categoria residual.

O que o vinho rosé precisa é que façamos com ele um trato, um acordo sagrado. Que nos lembraremos dele sempre que nos sentamos à mesa

 

Diversidade na produção

Sucede que, como já escrevemos noutras peças, a vinificação de um vinho rosé não perde em técnica ou rigor para os restantes tipos de vinho. Pelo contrário. Com efeito, a atenção na adega é permanente, desde a definição do nível ótimo de extração e prensa (de preferência, utilizando apenas o mosto lágrima) à temperatura de fermentação escolhida. Na mesma linha está a opção pela bâtonnage (agitação das borras), podendo-se eleger uma menor influência de oxigénio ou, em contrapartida, permitir alguma oxidação que ajude a proteger o vinho, contribuindo para uma maior longevidade, evitando-se aromas excessivamente frutados. Pode-se misturar parte do mosto de tinto sangrado com outra parte constituída por um rosé de bica aberta ou mosto de tinto sangrado prensado com as películas de vinho branco, sendo fermentado a posteriori, por exemplo numa pipa, com ou sem tampo, sendo que alguns dos melhores rosés nacionais fermentam, parcial ou totalmente, em barrica. Complexidade não falta, como se vê. O mesmo rigor é implementado no que respeita a castas, sendo eleitas uvas de variedades consagradas. É o caso evidente dos rosés do Douro e Dão – e até no Alentejo –, da Baga, na Bairrada, e do Moscatel Roxo, na Península de Setúbal e Palmela.

Em suma, no nosso território produzem-se excelentes rosés com recurso às mais variadas castas. No entanto, em alguns casos, são variedades menos evidentes do que as utilizadas na produção de tintos, essencialmente por serem uvas colhidas, por regra, mais cedo e, muitas vezes, sem que a maturação fenólica esteja completa.

Harmonizações aprimoradas

Mas então, para além da cor, o que mais contribuiu para o referido carácter residual para o qual foi atirado o vinho rosé? A resposta é: a ligação à gastronomia! Efetivamente, muito se escreve sobre a maridagem entre vinhos brancos e peixe, marisco, ostras e saladas. Surgiram enciclopédias que esmiuçam os segredos da harmonização de vinhos tintos com carnes vermelhas assadas, com molhos ou em tártaro. Neste frenesim binário não se evitaram erros crassos identificáveis por um palato sem vícios, como a de sugerir vinho tinto a acompanhar queijos curados ou caril picante.

Enquanto se debatia sobre combinações de sabores entre comida e vinhos, o rosé foi deixado de lado, carecendo de uma motivação ou fundamentação – quase sempre fútil – para ser consumido. A única justificação? Degustar o rosé à beira da piscina, numa festa de jardim ou num piquenique com a invocação da Provence, a famosa região do sul da França. É como se imperasse uma razão para o abrir… O impulso imponderado e, tantas vezes, espontâneo que nos leva a abrir um vinho branco nos dias quentes ou um tinto no inverno, transforma-se em reflexão profunda (quando não numa meditação filosófica) sobre se devemos ou não abrir um rosé e por que o deveremos fazer. Que falta de imaginação e que desperdício!

O que o vinho rosé precisa é que façamos com ele um trato, um acordo sagrado. Que nos lembraremos dele sempre que nos sentamos à mesa, para comer, seja pratos de carne ou peixe, ou à base de outros produtos. É o que faço em casa, onde tenho sempre um frigorífico (que não uma cave de vinhos) exclusivamente cheio de bons vinhos brancos e rosés, dispondo-os enquanto cozinho ou provo um conjunto alargado de comidas.

É o rosé a minha primeira escolha para um cremoso bacalhau à Brás, para um violento chacuti de borrego, mas também para uma elegante casquinha de caranguejo, uma paella reforçada com molejas, para um sofisticado risoto de vieiras ou um sushi exótico. Se for mais carregado na cor e no perfil (podendo até, em parte, resultar de sangria), será o meu predileto para acompanhar uns ovos rotos, um tártaro ou outro cru de boi, uma quiche de carne, uma pizza com salame picante e rúcula, uma salada de cogumelos, entre tantos outros pratos que “pediriam” mais umas quantas linhas nesta peça, com o propósito de firmar o ponto que entendo ser mais relevante.

Temos de os abrir, mais e mais, sobretudo quando Portugal tem, hoje, dezenas de rosés a um nível muito alto e que em nada ficam atrás ao que melhor se faz nos restantes países produtores (não conheço muitos rosés espanhóis ou italianos, australianos, americanos ou argentinos que nos façam frente). Àqueles que gostam de rosés, peço que o assumam junto dos demais à mesa. A quem raramente se lembram deste tipo de vinho, memorizem que, com tantos pratos, como alguns dos mencionados atrás, é mesmo o rosé a melhor, quando não a única combinação possível à mesa!

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

 

ADEGA D’ARROCHA: Vital, a nobre casta

ADEGA D’ARROCHA

Esta história tem origem numa herança cultural com mais de 100 anos. Consta na cronologia das famílias Rato e Carlotas, da Lourinhã, isto é, está ligada, respectivamente, “ao avô João Rato, pai do meu sogro, José Paulo Rato” e “ao pai da minha sogra, Helena Alexandre”, começa por explicar Ricardo Oliveira Guimarães, CEO e responsável […]

Esta história tem origem numa herança cultural com mais de 100 anos. Consta na cronologia das famílias Rato e Carlotas, da Lourinhã, isto é, está ligada, respectivamente, “ao avô João Rato, pai do meu sogro, José Paulo Rato” e “ao pai da minha sogra, Helena Alexandre”, começa por explicar Ricardo Oliveira Guimarães, CEO e responsável pela enologia da Adega d’Arrocha, nome criado em 2019, ano da constituição da empresa e marco do início da atividade e comercialização dos vinhos. Mas já lá iremos, até porque existe o registo de um hiato no tempo, durante o qual a dificuldade agravada pela escassez de mão de obra para a execução dos trabalhos de campo e a vinificação das uvas, determina a substituição das vinhas pela plantação de hortícolas e árvores de fruto. Paralelamente, João Rato e José Paulo Rato optam por ingressar na atividade piscatória.

Mais tarde, já após a incursão mundial a bordo de grandes embarcações, José Paulo Rato decide regressar à terra natal. Em 2010, na sequência da “necessidade de recriar a ligação à viticultura, planta cerca de 1,5 hectares de vinha”, conta Ricardo Oliveira Guimarães. A Castelão é a casta eleita, a par com outra igualmente itinerante quanto o sogro, a Cabernet Sauvignon. Com a produção dos primeiros vinhos, surge a vontade de renovar a aposta na cultura da vinha e do vinho, ação que acicata a vontade de mudar de vida por parte de Ricardo Oliveira Guimarães e da mulher, Vera Alexandre Rato, filha de José Paulo Rato.

Em 2017, isto é, depois de uma década dedicada à profissão de psicólogo, ambos regressam à Lourinhã “com a vontade de criar um projeto na nossa região”. Trata-se, portanto, da Adega d’Arrocha. É uma homenagem ao Vale da Rocha, “zona onde foi plantada a primeira vinha na família. Localmente, as pessoas dizem que vão ‘Á’rrocha e não ao Vale da Arrocha”, esclarece, daí o nome.

O desejo de voltar às raízes tem uma explicação: “a família tem a capacidade de mudar muita coisa.” E o facto de ambos poderem contar com os sogros – José Paulo Rato e Helena Alexandre – também contribuiu para esta mudança. Mas, “o meu conhecimento não era suficiente para desenvolver o projeto que tinha idealizado”. Para colmatar este hiato, estudou engenharia de viticultura e enologia no Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa.

ADEGA D’ARROCHA

Vinhos de uvas próprias

A Adega d’Arrocha tem Helena Alexandre e os filhos, Vera e Ricardo Rato na gerência da empresa. José Paulo Rato é o responsável pela viticultura e tem uma equipa de trabalho, enquanto Ricardo Oliveira Guimarães está inteiramente dedicado à enologia. “Estou envolvido em toda a estrutura, que vai desde o acompanhamento da área comercial ao enoturismo, passando pela certificação de vinhos, rotulagem… Acabo por estar por trás de tudo isso. É uma vida relativamente complicada em termos de tempo e disponibilidade, pois também vou para o trabalho de pai de quatro filhos, tarefa extremamente desafiante.”

Quanto à vinha, no princípio com 23 hectares, regista, atualmente, 40, dos quais se destaca a de 1970. A área total combina a aquisição de propriedades com a plantação decorrida entre 2017 e 2024. “Hoje temos cerca de 40 hectares de vinha própria, todos em produção”. Porém “todos os vinhos que não interessam para o perfil dos nossos vinhos, são vendidos a granel”, assegura.

Paralelamente, é feita uma alteração na seleção de castas. A lista de variedades brancas é constituída por Vital, Fernão Pires, Arinto, Seara Nova e Viosinho, bem como a Chardonnay, sendo, esta última uma opção em resposta ao desafio apresentado ao enólogo da Adega d’Arrocha por parte de um professor do ISA, Carlos Lopes. Castelão, Tinta Roriz, Syrah Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet representam as castas tintas.

“Quando comecei o projeto, toda a família estava ainda muito ligada ao passado, com o tinto a predominar e a casta branca a ser considerada um subproduto. Tendo em conta que estamos na melhor, senão numa das melhores regiões de Portugal para produzir vinhos brancos devido à fantástica influência atlântica, que características tão especiais atribui aos nossos vinhos”, a aposta sai reforçada a favor das variedades brancas, com uma forte tendência para as tintas perderem terreno.

ADEGA D’ARROCHA

Porquê a Vital?

De todas as castas, a Vital é a bandeira da Adega d’Arrocha. Ricardo Oliveira Guimarães explica que a origem histórica desta variedade “está associada à região da Lourinhã” e à produção de aguardente da Lourinhã. Porém, os mais antigos advertem o enólogo da Adega d’Arrocha para a forte apetência para a oxidação por parte desta casta. Solução? “Temos de proteger as uvas desde o momento em que cortamos o cacho e o colocamos nas caixas até à altura em que entravam na adega. Durante o processo fermentativo e o processo de estágio estamos insistentemente em cima da casta, para que não haja oxidação.”

Cumpridos estes requisitos, Ricardo Oliveira Guimarães garante que o resultado se traduz em “vinhos excecionais”, graças à plasticidade da Vital, que “nos permite fazer vinhos em inox, em madeira, coisas mais diferentes em barricas da Lourinhã ou em estágios no fundo do mar”. Um dos exemplos é o Vital Reserva Especial, vinho estagiado em duas barricas de 250 litros – uma de castanheiro e uma de carvalho nacional – utilizadas em estágio de aguardente durante mais de 20 anos. “Colocamos o mosto de Vital a fermentar dentro dessas barricas, retiramos, lavamos e tornamos a colocar o vinho”. A duração do estágio foi de nove meses. “Toda a complexidade, toda a parte aromática das madeiras, do aguardentado neste vinho, deram uma nuance incrível que o torna um dos vinhos mais diferenciadores na nossa adega”, realça.

 

Rótulos, boas novas e mercados

Carlotas é o rótulo que estreia o portefólio vínico da d’Arrocha. Já a gama premium é designada por Adega d’Arrocha. É aqui que entram os monovarietais: Vital Reserva, Vital Grande Escolha, feito a partir da “seleção das melhores uvas, mas sem contacto com barrica, para mostrar toda a expressão da casta”; Chardonnay Reserva, Viosinho Reserva, Arinto Reserva e Fernão Pires Reserva. Todos estes vinhos Reserva são submetidos a seis meses de carvalho francês e carvalho americano. Acresce o Adega d’Arrocha Maré Arinto Vital Reserva 2021 ou o Adega d´Arrocha O Vale Grande Reserva 2021, com dois anos de estágio em barricas de carvalho francês. “Temos, neste momento, mais três vinhos tintos além deste: Carlotas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2020 sem estágio em barrica (apenas inox), Carlotas Reserva tinto 2020 e um vinho de entrada de gama Carlotas Tinto IG Lisboa 2022”. Já o Adega d´Arrocha Vestido Rosa rosé vai na segunda edição. Todos os vinhos do portefólio são elaborados “sempre e só com uvas próprias”, frisa.

A lista de referências cresce este mês de maio, com um trio de boas novas: o primeiro Grande Reserva branco do projeto – Adega d´Arrocha Maré Grande Reserva branco 2024, feito a partir das castas Viosinho, Chardonnay, Vital e Arinto, e submetido a 15 meses de estágio em barricas de carvalho francês e carvalho americano; e os primeiros monovarietais – Adega d´Arrocha Castelão Reserva tinto 2024 e Adega d´Arrocha Touriga Nacional Reserva tinto 2024. Estes dois últimos permanecem por 12 meses em barricas de carvalho francês.

Para breve, está previsto o lançamento “do primeiro espumante com duas castas, talvez não tão usuais na produção dos mesmos. Mas não vou revelar já”, avança Ricardo Oliveira Guimarães. A ligação à Adega Cooperativa da Lourinhã é, por sua vez, pretexto para o eventual desenvolvimento, “a curto-médio prazo”, da primeira aguardente.

Relativamente à exportação, desafio iniciado em 2024, a percentagem ronda os 10%. “Contudo, já temos os nossos vinhos em França, Luxemburgo, Holanda e estamos a tentar ultimar, ainda este ano, com os EUA e Brasil.”

ADEGA D’ARROCHA

Enoturismo: proximidade e detalhe

O ano de 2022 é marcado pela construção da adega, em Casais de Fonte de Lima, no concelho de Lourinhã, para a vindima. O edifício é concluído em 2023 e, no ano seguinte, abrem-se as portas da loja, seguindo-se a atividade de enoturismo.

Para Ricardo Oliveira Guimarães, trata-se de uma atividade de proximidade e de detalhe. Passear pelas vinhas e almoçar na Casa da Vinha, “inicialmente criada apenas para a família”, é o ponto alto das experiências desenhadas para os visitantes, que, deste modo, têm a oportunidade de contactar com a natureza, o qual se estende ao piquenique na vinha e à vindima com a família.

A casa está apta para provas e refeições para até 12 pessoas. Somem-se os almoços e jantares vínicos na adega. Arroz de tamboril e gambas, arroz de polvo, caldeirada e arroz de lagosta são as sugestões apresentadas e todas têm uma ligação ao mar, em homenagem ao passado da família Rato. São confecionados “com produtos frescos e locais”. Em última instância, recorrem ao comércio local, com a garantia de se tratarem de produtos “de altíssima qualidade”, enfatiza.

Já a sala de provas tem capacidade para 16 pessoas, por forma de Ana Germano, responsável pelo enoturismo, poder contar com a participação de todos os presentes. Há provas de três e seis vinhos, com ou sem tábuas de queijos e enchidos, e o desafio de lotear vinhos na adega.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)