ADEGA D’ARROCHA: Vital, a nobre casta

ADEGA D’ARROCHA

Esta história tem origem numa herança cultural com mais de 100 anos. Consta na cronologia das famílias Rato e Carlotas, da Lourinhã, isto é, está ligada, respectivamente, “ao avô João Rato, pai do meu sogro, José Paulo Rato” e “ao pai da minha sogra, Helena Alexandre”, começa por explicar Ricardo Oliveira Guimarães, CEO e responsável […]

Esta história tem origem numa herança cultural com mais de 100 anos. Consta na cronologia das famílias Rato e Carlotas, da Lourinhã, isto é, está ligada, respectivamente, “ao avô João Rato, pai do meu sogro, José Paulo Rato” e “ao pai da minha sogra, Helena Alexandre”, começa por explicar Ricardo Oliveira Guimarães, CEO e responsável pela enologia da Adega d’Arrocha, nome criado em 2019, ano da constituição da empresa e marco do início da atividade e comercialização dos vinhos. Mas já lá iremos, até porque existe o registo de um hiato no tempo, durante o qual a dificuldade agravada pela escassez de mão de obra para a execução dos trabalhos de campo e a vinificação das uvas, determina a substituição das vinhas pela plantação de hortícolas e árvores de fruto. Paralelamente, João Rato e José Paulo Rato optam por ingressar na atividade piscatória.

Mais tarde, já após a incursão mundial a bordo de grandes embarcações, José Paulo Rato decide regressar à terra natal. Em 2010, na sequência da “necessidade de recriar a ligação à viticultura, planta cerca de 1,5 hectares de vinha”, conta Ricardo Oliveira Guimarães. A Castelão é a casta eleita, a par com outra igualmente itinerante quanto o sogro, a Cabernet Sauvignon. Com a produção dos primeiros vinhos, surge a vontade de renovar a aposta na cultura da vinha e do vinho, ação que acicata a vontade de mudar de vida por parte de Ricardo Oliveira Guimarães e da mulher, Vera Alexandre Rato, filha de José Paulo Rato.

Em 2017, isto é, depois de uma década dedicada à profissão de psicólogo, ambos regressam à Lourinhã “com a vontade de criar um projeto na nossa região”. Trata-se, portanto, da Adega d’Arrocha. É uma homenagem ao Vale da Rocha, “zona onde foi plantada a primeira vinha na família. Localmente, as pessoas dizem que vão ‘Á’rrocha e não ao Vale da Arrocha”, esclarece, daí o nome.

O desejo de voltar às raízes tem uma explicação: “a família tem a capacidade de mudar muita coisa.” E o facto de ambos poderem contar com os sogros – José Paulo Rato e Helena Alexandre – também contribuiu para esta mudança. Mas, “o meu conhecimento não era suficiente para desenvolver o projeto que tinha idealizado”. Para colmatar este hiato, estudou engenharia de viticultura e enologia no Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa.

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Vinhos de uvas próprias

A Adega d’Arrocha tem Helena Alexandre e os filhos, Vera e Ricardo Rato na gerência da empresa. José Paulo Rato é o responsável pela viticultura e tem uma equipa de trabalho, enquanto Ricardo Oliveira Guimarães está inteiramente dedicado à enologia. “Estou envolvido em toda a estrutura, que vai desde o acompanhamento da área comercial ao enoturismo, passando pela certificação de vinhos, rotulagem… Acabo por estar por trás de tudo isso. É uma vida relativamente complicada em termos de tempo e disponibilidade, pois também vou para o trabalho de pai de quatro filhos, tarefa extremamente desafiante.”

Quanto à vinha, no princípio com 23 hectares, regista, atualmente, 40, dos quais se destaca a de 1970. A área total combina a aquisição de propriedades com a plantação decorrida entre 2017 e 2024. “Hoje temos cerca de 40 hectares de vinha própria, todos em produção”. Porém “todos os vinhos que não interessam para o perfil dos nossos vinhos, são vendidos a granel”, assegura.

Paralelamente, é feita uma alteração na seleção de castas. A lista de variedades brancas é constituída por Vital, Fernão Pires, Arinto, Seara Nova e Viosinho, bem como a Chardonnay, sendo, esta última uma opção em resposta ao desafio apresentado ao enólogo da Adega d’Arrocha por parte de um professor do ISA, Carlos Lopes. Castelão, Tinta Roriz, Syrah Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet representam as castas tintas.

“Quando comecei o projeto, toda a família estava ainda muito ligada ao passado, com o tinto a predominar e a casta branca a ser considerada um subproduto. Tendo em conta que estamos na melhor, senão numa das melhores regiões de Portugal para produzir vinhos brancos devido à fantástica influência atlântica, que características tão especiais atribui aos nossos vinhos”, a aposta sai reforçada a favor das variedades brancas, com uma forte tendência para as tintas perderem terreno.

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Porquê a Vital?

De todas as castas, a Vital é a bandeira da Adega d’Arrocha. Ricardo Oliveira Guimarães explica que a origem histórica desta variedade “está associada à região da Lourinhã” e à produção de aguardente da Lourinhã. Porém, os mais antigos advertem o enólogo da Adega d’Arrocha para a forte apetência para a oxidação por parte desta casta. Solução? “Temos de proteger as uvas desde o momento em que cortamos o cacho e o colocamos nas caixas até à altura em que entravam na adega. Durante o processo fermentativo e o processo de estágio estamos insistentemente em cima da casta, para que não haja oxidação.”

Cumpridos estes requisitos, Ricardo Oliveira Guimarães garante que o resultado se traduz em “vinhos excecionais”, graças à plasticidade da Vital, que “nos permite fazer vinhos em inox, em madeira, coisas mais diferentes em barricas da Lourinhã ou em estágios no fundo do mar”. Um dos exemplos é o Vital Reserva Especial, vinho estagiado em duas barricas de 250 litros – uma de castanheiro e uma de carvalho nacional – utilizadas em estágio de aguardente durante mais de 20 anos. “Colocamos o mosto de Vital a fermentar dentro dessas barricas, retiramos, lavamos e tornamos a colocar o vinho”. A duração do estágio foi de nove meses. “Toda a complexidade, toda a parte aromática das madeiras, do aguardentado neste vinho, deram uma nuance incrível que o torna um dos vinhos mais diferenciadores na nossa adega”, realça.

 

Rótulos, boas novas e mercados

Carlotas é o rótulo que estreia o portefólio vínico da d’Arrocha. Já a gama premium é designada por Adega d’Arrocha. É aqui que entram os monovarietais: Vital Reserva, Vital Grande Escolha, feito a partir da “seleção das melhores uvas, mas sem contacto com barrica, para mostrar toda a expressão da casta”; Chardonnay Reserva, Viosinho Reserva, Arinto Reserva e Fernão Pires Reserva. Todos estes vinhos Reserva são submetidos a seis meses de carvalho francês e carvalho americano. Acresce o Adega d’Arrocha Maré Arinto Vital Reserva 2021 ou o Adega d´Arrocha O Vale Grande Reserva 2021, com dois anos de estágio em barricas de carvalho francês. “Temos, neste momento, mais três vinhos tintos além deste: Carlotas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2020 sem estágio em barrica (apenas inox), Carlotas Reserva tinto 2020 e um vinho de entrada de gama Carlotas Tinto IG Lisboa 2022”. Já o Adega d´Arrocha Vestido Rosa rosé vai na segunda edição. Todos os vinhos do portefólio são elaborados “sempre e só com uvas próprias”, frisa.

A lista de referências cresce este mês de maio, com um trio de boas novas: o primeiro Grande Reserva branco do projeto – Adega d´Arrocha Maré Grande Reserva branco 2024, feito a partir das castas Viosinho, Chardonnay, Vital e Arinto, e submetido a 15 meses de estágio em barricas de carvalho francês e carvalho americano; e os primeiros monovarietais – Adega d´Arrocha Castelão Reserva tinto 2024 e Adega d´Arrocha Touriga Nacional Reserva tinto 2024. Estes dois últimos permanecem por 12 meses em barricas de carvalho francês.

Para breve, está previsto o lançamento “do primeiro espumante com duas castas, talvez não tão usuais na produção dos mesmos. Mas não vou revelar já”, avança Ricardo Oliveira Guimarães. A ligação à Adega Cooperativa da Lourinhã é, por sua vez, pretexto para o eventual desenvolvimento, “a curto-médio prazo”, da primeira aguardente.

Relativamente à exportação, desafio iniciado em 2024, a percentagem ronda os 10%. “Contudo, já temos os nossos vinhos em França, Luxemburgo, Holanda e estamos a tentar ultimar, ainda este ano, com os EUA e Brasil.”

ADEGA D’ARROCHA

Enoturismo: proximidade e detalhe

O ano de 2022 é marcado pela construção da adega, em Casais de Fonte de Lima, no concelho de Lourinhã, para a vindima. O edifício é concluído em 2023 e, no ano seguinte, abrem-se as portas da loja, seguindo-se a atividade de enoturismo.

Para Ricardo Oliveira Guimarães, trata-se de uma atividade de proximidade e de detalhe. Passear pelas vinhas e almoçar na Casa da Vinha, “inicialmente criada apenas para a família”, é o ponto alto das experiências desenhadas para os visitantes, que, deste modo, têm a oportunidade de contactar com a natureza, o qual se estende ao piquenique na vinha e à vindima com a família.

A casa está apta para provas e refeições para até 12 pessoas. Somem-se os almoços e jantares vínicos na adega. Arroz de tamboril e gambas, arroz de polvo, caldeirada e arroz de lagosta são as sugestões apresentadas e todas têm uma ligação ao mar, em homenagem ao passado da família Rato. São confecionados “com produtos frescos e locais”. Em última instância, recorrem ao comércio local, com a garantia de se tratarem de produtos “de altíssima qualidade”, enfatiza.

Já a sala de provas tem capacidade para 16 pessoas, por forma de Ana Germano, responsável pelo enoturismo, poder contar com a participação de todos os presentes. Há provas de três e seis vinhos, com ou sem tábuas de queijos e enchidos, e o desafio de lotear vinhos na adega.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

Editorial: O culto de acidez

Editorial

Editorial da edição nrº 110 (Junho de 2026) Com a aproximação do verão, procuram-se vinhos mais leves: brancos, rosés, espumantes e tintos delicados. A frescura torna-se a palavra do dia, assim como tudo o que lhe está associado – vivacidade, tensão, suculência, acidez. E talvez nunca se tenha falado tanto de acidez como hoje. Uma […]

Editorial da edição nrº 110 (Junho de 2026)

Com a aproximação do verão, procuram-se vinhos mais leves: brancos, rosés, espumantes e tintos delicados. A frescura torna-se a palavra do dia, assim como tudo o que lhe está associado – vivacidade, tensão, suculência, acidez. E talvez nunca se tenha falado tanto de acidez como hoje.

Uma vez, numa feira de vinhos num país estrangeiro, troquei ideias com um sommelier que estava a provar ao meu lado. Questionada sobre o que achei de um monovarietal de Vermentino, respondi-lhe que tinha gostado, encontrando-o bastante equilibrado em termos de aroma, corpo e frescura. Seguiu-se um comentário “é porque tu não gostas de acidez tanto como eu”. Não é, porém, uma questão de gosto. A acidez não existe isoladamente, mas sim, como parte integrante e fundamental na matriz de um vinho. Será que vale a pena elevá-la ao culto?

Tal como na moda, as tendências no mundo do vinho funcionam como um pêndulo que oscila entre extremos. As calças skinny e as silhuetas justas são substituídas por modelos largos e oversize. No vinho, o movimento é semelhante: o que esteve em voga torna-se démodé, e vice-versa, desvaloriza-se aquilo que antes era o padrão a seguir.

Durante décadas, o prestígio no vinho esteve frequentemente associado à maturidade da fruta, ao volume de boca e à riqueza aromática e gustativa. Nos anos 90 e início dos anos 2000, muitas das referências mais reconhecidas internacionalmente procuravam concentração, extração, álcool elevado, textura densa e forte presença de barrica. Ainda há poucos anos, a acidez não tinha o protagonismo que hoje lhe é atribuído. Numa conversa recente, um produtor contou-me que, quando lançou os seus primeiros vinhos no Alentejo, em 2013, foi apelidado de “água com ácido” por apresentar vinhos menos frutados e com acidez elevada.

Hoje, o paradigma alterou-se. As vindimas anteciparam-se; a amplitude térmica, a altitude e a influência marítima passaram a dominar o discurso do vinho. É aqui que a acidez, lida como frescura, subiu ao palco, proclamando autenticidade, precisão e qualidade. O vocabulário vínico ganhou descritores como “nervo”, “tensão”, “energia” e “verticalidade”. E esta mudança não é apenas enológica, mas também psicológica, amplificada por críticos e sommeliers, o que, por si só, não é um problema.

A acidez é, de facto, um componente estruturante do vinho, sobretudo nos brancos. Para além de conferir frescura e de facilitar a harmonização gastronómica, uma acidez mais elevada, associada a um pH mais baixo, contribui para uma boa evolução em garrafa. Quem participou em provas verticais de Loureiros ou Alvarinhos, ou provou brancos e tintos antigos de Colares, do Dão ou da Bairrada, percebe do que estou a falar.

Mas quando a busca pela frescura se torna uma obsessão e as uvas submaduras são colocadas no altar da acidez, surgem vinhos magros, acídulos, com notas verdes e uma tensão que lembra fios descarnados. Costumo dizer que a acidez é uma grande virtude do vinho, mas quando é a única, este torna-se monocórdico, demasiado vertical, frio e metálico – como um varão sem dançarina à volta; falta-lhe corpo, dimensão estética e complexidade emocional.

Por isso, e voltando à questão inicial, reforço que gosto da acidez, mas não quando fica sozinha em palco. V.Z.

CARM: De Almendra para o mundo

CARM

A sub-região do Douro Superior é uma terra de extremos. Conhecido pela sua aridez e pelo calor intenso, onde o rio Douro se torna fronteira e se prepara para entrar em Portugal, tem o xisto mais duro e a paisagem mais indomável da região demarcada com o mesmo nome. É na aldeia de Almendra, rodeada […]

A sub-região do Douro Superior é uma terra de extremos. Conhecido pela sua aridez e pelo calor intenso, onde o rio Douro se torna fronteira e se prepara para entrar em Portugal, tem o xisto mais duro e a paisagem mais indomável da região demarcada com o mesmo nome. É na aldeia de Almendra, rodeada pela reserva arqueológica do Vale do Côa, que a CARM – Casa Agrícola Roboredo Madeira S.A. se afirma como um dos produtores mais consistentes e respeitados do país.

Com uma história familiar documentada desde meados do século XVII, a CARM, enquanto marca, reflete um compromisso inabalável com a qualidade e com o território. É um projeto no âmbito do qual o trabalho incide estritamente na utilização dos frutos das suas próprias terras. “Nós só trabalhamos com castas portuguesas. Desde o início. Sou totalmente apologista da defesa de Portugal e as nossas raízes”, afirma com orgulho Filipe Roboredo Madeira, proprietário da CARM, que nos conduziu pela história da empresa familiar.

Desde o início, o objetivo da família Roboredo Madeira foi claro: produzir azeites e vinhos de excelência, utilizando apenas uvas e azeitonas provenientes das suas próprias quintas. Esta filosofia de produtor-engarrafador garante o controlo total da qualidade da matéria-prima, desde a vinha até ao produto final. A empresa gere atualmente cerca de 200 hectares de vinha, 220 hectares de olival e 60 hectares de amendoal. “Esta diversificação agrícola ajuda a manter o equilíbrio ecológico e a resiliência das culturas, bem como fixar gente à terra [Almendra], que, assim, tem trabalho durante todo o ano”, sublinha António Ribeiro, enólogo residente desde 2002 e responsável pelas áreas de produção e viticultura da CARM.

CARM

O “ouro verde” de Almendra

Embora a CARM, tal como a conhecemos hoje, tenha ganho projeção nas últimas décadas, as raízes da família Roboredo Madeira mergulham no século XVII. Originários da zona de Almendra, em Vila Nova de Foz Côa, os antepassados sempre foram lavradores. Durante gerações, a atividade centrou-se na policultura mediterrânica: a vinha, o olival e o amendoal. ​Durante grande parte do século XX, a produção seguia o modelo tradicional do Douro Superior: as uvas de alta qualidade eram vendidas às grandes casas de Vinho do Porto e o azeite era entregue a cooperativas locais. Foi precisamente com o azeite que tudo mudou.

Filipe Roboredo Madeira estudou medicina em Itália. Aluno brilhante, acabou por nunca exercer a profissão de médico. Graças a um grupo de amigos de elite, apostou na moda e nos investimentos, vivendo uma vida de estilo e exclusividade, que o fez conhecer personalidades famosas. Um percurso que lhe deu a disciplina do bom gosto – adepto dos grandes prazeres da vida, conheceu os melhores restaurantes gourmet e, claro, os melhores vinhos. E azeites.

Quando estudava em Itália, Filipe Roboredo Madeira levava, claro está, Vinho do Porto, mas também “um azeite que cá fazíamos e que nem sequer era comercializado, a um amigo italiano. Até que um dia, esse amigo disse-nos para nunca mais o fazermos, porque o azeite era mau, uma porcaria! Não queríamos acreditar, mas de facto havia uma diferença enorme entre os azeites portugueses e os italianos. Até que o meu pai foi ter com o guru mundial dos azeites, o professor [Giuseppe] Fontanazza. Levou-lhe algumas azeitonas e perguntou-lhe o que daí poderia sair. Ele disse-lhe que poderia ser um ótimo azeite, se fosse feito como deve ser. Depois, comprámos todas as máquinas novíssimas para o lagar e arriscámos”, conta.

A dada altura, quase sem querer, o nosso anfitrião viu-se sozinho, num lagar ultra tecnológico, a comandar a primeira produção por telefone. “Foi surreal. Não havia ninguém para fazer funcionar o lagar. O técnico italiano já lá não estava e eu tinha de colocar aquelas máquinas a funcionar. Entram as azeitonas e eu a telefonar para os técnicos italianos, que, à distância, davam indicações.” Assim foi feito o primeiro azeite CARM, em 2004 e, com ele, nasceu o logotipo da marca, constituído por azeitonas e folhas de oliveira, a origem do projeto.

CARM
Celso Madeira

Celso Madeira reconverteu, em 1995, a exploração agrícola para o modo de produção biológico

 

O legado de Celso Madeira

A família Roboredo Madeira sempre esteve ligada à terra, à agricultura, tendo em Celso Madeira (pai de Filipe Roboredo Madeira) o grande impulsionador. Irrequieto, fez crescer o património. Às vinhas centenárias que a família possuía, o patriarca somou mais terras e mais vinha. A título de curiosidade, em 1995, procedeu à reconversão da exploração agrícola para o modo de produção biológico. A partir de então, continuou a plantar e a aprimorar a seleção de clones de castas tradicionais.

Atualmente, a família totaliza cinco propriedades. Quinta do Bispado, situada no sopé do monte Calabre, com um total de cerca de 45 hectares, apresenta solos xistosos, expostos a sul e a nascente, divididos por sete hectares de vinhas datadas de meados da década de 80 do século XX, 27 hectares de olival e 3 hectares de amendoal. A Quinta da Calabria, de 49 hectares e predominada por solos xistosos, detém 14 hectares de vinha plantados em meados da década de 80 do século passado, com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz; os olivais e os amendoais, de variedades autóctones (Madural os primeiros e Casanova os segundos), têm áreas de 10 e 21 hectares, respectivamente. Embora dê frutos que resultam nos melhores vinhos e azeites da CARM, a Quinta das Marvalhas, com uma área de 70 hectares, tem cerca de 28 hectares de olival e 23 hectares de amendoal, foi a eleita para a instalação do lagar de azeite e da nova adega de vinificação. A Quinta das Verdelhas, de 45 hectares, tem 14 hectares de vinha, onde estão plantadas as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, 17 hectares de olival centenário e cerca de 10 hectares de amendoal autóctone. A Quinta da Urze, sede da exploração agrícola que integra propriedades próximas, com um total de 190 hectares e onde as vinhas atingem, em alguns pontos, os 600 metros, possui a maioria das variedades brancas tais como Rabigato, Códega do Larinho, Arinto ou Gouveio, plantadas em solos maioritariamente de xisto, mas também de transição para granito e quartzo, as quais resultam em brancos de eleição. Ainda sobre esta última propriedade, as diferentes exposições solares, altitudes, castas e transição de solos contribuem para a criação de vinhos com perfis distintos e diferenciadores. Trata-se de uma quinta lindíssima, a qual tivemos o prazer de percorrer, lado a lado com um casal de perdizes selvagens. A título de curiosidade, sairá muito em breve o vinho “Carm Granito” precisamente para mostrar a expressão de uma parcela muito especial, uma vinha velha com castas misturadas plantada em solo de granito da Quinta da Urze. A provar em breve.

CARM
Quinta do Bispado e Quinta da Calabria

Respeito pela terra

Inspirado pelo sucesso da produção de azeite, Filipe Roboredo Madeira percebe que, nas terras do Douro Superior, esse legado de vinhas velhas e esse terroir de eleição a explorar era um tesouro impossível de ignorar. Assim, no começo do século XXI, e à boleia do sucesso obtido com a produção do “ouro verde”, a família decide apostar também na produção de vinho em nome próprio. ​Filipe Roboredo Madeira, cuja trajetória de vida o levou a regressar às origens (já tinhas descrito anteriormente que estudou medicina e teve uma vida folgada), para liderar este projeto com uma sensibilidade cosmopolita e, simultaneamente, um respeito religioso pela terra.

No início, as uvas eram vinificadas numa adega alugada. A enologia estava a cargo de João Silva e Sousa e o irmão de Filipe, Rui Roboredo Madeira.

O ano de 2004 marca um ponto de viragem fundamental, com a construção da adega moderna em Almendra. Mas é precisamente nessa altura da construção da adega que se dá a rutura entre Rui Roboredo Madeira e o pai. E o enólogo deixa a CARM. Seguiu-se António Braga, que acaba por sair para a Sogrape, deixando, mais uma vez, Filipe Roboredo Madeira sozinho, que tem novamente de “arregaçar as mangas” para aguentar o barco. Eis que, em 2008, surge António Magalhães Ribeiro, assumindo o papel de enólogo residente, função desempenhada até hoje. “Vivi muito tempo lá fora e não gostava de vinhos portugueses. Eram muito rústicos. Por isso, disse ao António ‘nós temos de fazer vinhos muito mais limpos, com mais acidez. Algo totalmente diferente’”, revela Filipe Roboredo Madeira.

Paralelamente, e apesar de a produção de vinhos de excelência se manter, a nova infraestrutura permitiu aliar a tecnologia de ponta ao respeito pelos métodos ancestrais, como a pisa em lagares de pedra. Destaque para a impressionante linha de frio ajustada a todas as cubas de vinificação: “esta linha de frio é fundamental para garantir o rigoroso controlo total da temperatura durante a vinificação e estágio, de modo a preservar a qualidade, consistência e estabilidade do vinho até chegar à garrafa”, explica o enólogo. António Magalhães Ribeiro também trouxe um olhar profissional no tocante à viticultura, respeito pelo terroir e o cuidado com a matéria-prima de excelência que tem ao dispor desde há aproximadamente duas décadas.

Neste momento, a empresa produz em média 1,2 milhões de garrafas, das gamas Carm Colheita (branco, tinto e rosé), Carm Reserva e Grande Reserva (ambas nas versões branco e tinto), para além dos monovarietais Rabigato, Códega do Larinho, Touriga Nacional e Gouveio e os topos de gama, Maria de Lourdes (branco e tinto), produzida em homenagem à mãe de Filipe Roboredo Madeira, e CARM CM (branco e tinto), numa ode ao patriarca Celso Madeira. Do total da produção, 70% vai para o mercado nacional, enquanto o restante é para exportação.

Tivemos oportunidade de provar estes vinhos, resultando precisos, elegantes e que mostram o terroir de onde provêm. À mesa, desfilou ainda a linha de produtos gourmet disponível no site da empresa, como os pimentos com atum, pimentos com queijo, corações de alcachofra, azeitonas em salmoura ou as pastas de azeitona e de tomate seco, entre outros petiscos que merecem igual destaque. Todos brilharam ao lado de vinhos de um Douro Superior repleto de identidade, moderno, sem perder a sua tipicidade.

CARM
Quinta das Verdelhas

(Artigo publicado na edição de maio de 2026)

 

“Feira dos Vinhos & Sabores dos Altos” de regresso a Alijó já no próximo dia 19 de Junho

O evento regressa a Alijó com uma edição renovada que aposta em novas experiências vínicas, animação permanente e uma programação cultural de grande dimensão. Entre as principais novidades da edição de 2026 destacam-se a estreia do “Wine Bar Experience”, um espaço inovador dedicado a cocktails vínicos e experiências de bar premium, e o “Buyers Lounge”, […]

O evento regressa a Alijó com uma edição renovada que aposta em novas experiências vínicas, animação permanente e uma programação cultural de grande dimensão. Entre as principais novidades da edição de 2026 destacam-se a estreia do “Wine Bar Experience”, um espaço inovador dedicado a cocktails vínicos e experiências de bar premium, e o “Buyers Lounge”, pensado para potenciar encontros estratégicos de negócio entre os produtores presentes e importadores nacionais e internacionais.

A edição de 2026 reunirá cerca de 50 produtores de vinho, de diferentes dimensões, num verdadeiro retrato da diversidade e qualidade da região. A estes juntam-se expositores de alguns dos produtos mais emblemáticos da gastronomia local, como o azeite, o pão, o bolo de carne, mel e frutos secos. Com entrada livre, o certame mantém o seu espírito de proximidade, oferecendo provas de vinho e degustações, promovendo uma ligação autêntica entre produtores e visitantes e proporcionando uma descoberta genuína dos sabores do território. Com a aquisição do copo oficial do evento, os visitantes podem desfrutar de provas de centenas de vinhos apresentados pelos expositores presentes.

Entre provas comentadas de vinhos e azeites com especialistas, degustação de produtos locais e contacto com produtores, os visitantes terão oportunidade de mergulhar na essência de um território onde tradição e inovação caminham lado a lado. O novo “Wine Bar Experience” vem acrescentar uma dimensão contemporânea ao evento, com cocktails criativos à base de vinhos licorosos e espumantes. Já o “Buyers Lounge” reforça a vertente profissional da feira, disponibilizando um espaço dedicado a reuniões de negócio entre expositores e importadores nacionais e internacionais.

A edição de 2026 reunirá cerca de 50 produtores de vinho, de diferentes dimensões, num verdadeiro retrato da diversidade e qualidade da região. A estes juntam-se expositores de alguns dos produtos mais emblemáticos da gastronomia local, como o azeite, o pão, o bolo de carne, mel e frutos secos. Com entrada livre, o certame mantém o seu espírito de proximidade, oferecendo provas de vinho e degustações, promovendo uma ligação autêntica entre produtores e visitantes e proporcionando uma descoberta genuína dos sabores do território. Com a aquisição do copo oficial do evento (3,5€) os visitantes podem desfrutar de provas de centenas de vinhos apresentados pelos expositores presentes.

alijó

Conheça os vencedores e premiados do Concurso Escolha do Mercado

vencedores

Após a estreia em 2020 e com organização a cargo da Grandes Escolhas, o Concurso Escolha do Mercado, até então direcionado apenas para vinhos brancos nacionais, passou, a partir desta 7ª edição, a abranger também rosés e espumantes. O total de inscrições ultrapassou as 650 referências produzidas em Portugal, uma verdadeira maratona vínica, que obrigou […]

Após a estreia em 2020 e com organização a cargo da Grandes Escolhas, o Concurso Escolha do Mercado, até então direcionado apenas para vinhos brancos nacionais, passou, a partir desta 7ª edição, a abranger também rosés e espumantes. O total de inscrições ultrapassou as 650 referências produzidas em Portugal, uma verdadeira maratona vínica, que obrigou à ampliação do número de jurados face aos anos anteriores.

Todos os vinhos foram escrutinados na manhã do passado dia 18 de Maio, através de prova cega e pontuados exclusivamente por um painel constituído por 74 pessoas, entre profissionais do canal HoReCa, proprietários e gestores de restaurantes, lojas de vinho e wine bars, sommeliers, empresários de distribuição, compradores ou consultores de cadeias de grande retalho e empresas de catering.

As referências vínicas submetidas ao Concurso Escolha do Mercado foram avaliadas por etapas, ou seja, foram distribuídas por três faixas de preço – até €7, entre €7 e €20, e acima de €20 –valores de venda ao público em loja. A esmagadora maioria destes vinhos (mais de 80%) entraram recentemente no mercado ou serão lançados até ao verão.

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Manuel Pinheiro homenageado pelo trabalho desenvolvido nos Vinhos Verdes

Manuel Pinheiro

O actual Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Manuel Pinheiro, foi distinguido, em Valença, com uma Menção de Mérito, na categoria “Marketing, Promoção e Internacionalização”, no âmbito dos Prémios Vinhos do Atlântico 2026. Esta homenagem foi prestada graças ao trabalho desenvolvido entre 2000 e 2022, no que concerne à afirmação os Vinhos Verdes […]

O actual Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Manuel Pinheiro, foi distinguido, em Valença, com uma Menção de Mérito, na categoria “Marketing, Promoção e Internacionalização”, no âmbito dos Prémios Vinhos do Atlântico 2026. Esta homenagem foi prestada graças ao trabalho desenvolvido entre 2000 e 2022, no que concerne à afirmação os Vinhos Verdes nos mercados internacionais, enquanto Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. Durante este período, firmou, de acordo com o comunicado, “a consolidação dos Vinhos Verdes como uma das principais regiões exportadoras de vinho de Portugal, liderando uma estratégia de valorização da marca, de abertura de novos mercados e de promoção das castas autóctones como elemento diferenciador da região”.

O percurso de Manuel Pinheiro inclui o exercício de funções como Presidente da Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI), a Vice-Presidência do Comité Europeu das Empresas de Vinhos e como membro do Conselho Consultivo do Instituto da Vinha e do Vinho.

A Vinhos do Atlântico é uma iniciativa de cooperação entre a Galiza e a Região Demarcada dos Vinhos Verdes e tem como objectivo homenagear personalidades, instituições e projectos que contribuíram para o desenvolvimento, valorização e projeção internacional dos vinhos de influência atlântica do Noroeste da Península Ibérica.

Comissão Vitivinícola Regional Alentejana lança a plataforma Data+

Data+

A Data+ trata-se de uma ferramenta de controlo que “permite reforçar a monitorização da produção, a rastreabilidade dos mercados e a recolha e tratamento de informação estratégica para o setor”. De acordo com o comunicado da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), esta plataforma reúne mais de cinco milhões de dados inerentes à fileira vitivinícola da […]

A Data+ trata-se de uma ferramenta de controlo que “permite reforçar a monitorização da produção, a rastreabilidade dos mercados e a recolha e tratamento de informação estratégica para o setor”. De acordo com o comunicado da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), esta plataforma reúne mais de cinco milhões de dados inerentes à fileira vitivinícola da região, no âmbito do qual “utilizamos um apurado sistema informático para gerir todo o processo de certificação e garantia de origem”, afirma Luís Sequeira, Presidente da CVRA, e toda a informação está acessível aos produtores inscritos na CVRA, através do acesso à intranet da mesma instituição.

À Revista Grandes Escolhas, Luís Sequeira explica: “o nosso sistema de controlo é um dos pilares da credibilidade da nossa região e assenta num binómio fundamental: tecnologia de ponta e presença constante no terreno.” Por esse motivo, o trabalho de campo permanece nas mãos das equipas responsáveis pela fiscalização, com o objectivo de “garantir que cada bago cumpre as normas de qualidade e autenticidade”, acrescenta. Para o efeito, mantém-se a colaboração com a Associação dos Técnicos Viticultores do Alentejo (ATEVA), de modo a assegurar a actualização do cadastro vitícola da região. “Durante a vindima, este controlo torna-se ainda mais cirúrgico através de um sistema de rastreabilidade digital que utiliza códigos QR únicos para identificar os recipientes de transporte, permitindo-nos acompanhar o trajeto da uva até à adega com total transparência”, esclarece.

Data+

 

Esta plataforma disponibiliza dados por sub-região, casta, país de exportação, entre outros dados informativos sobre a evolução desta actividade no Alentejo ao longo de mais de 15 anos. “Para construir este repositório de mais de cinco milhões de dados, cruzámos a nossa própria base interna — que inclui o cadastro e os indicadores de vanguarda do Programa de Sustentabilidade (PSVA) — com informações oficiais e rigorosas do IVV e do INE. Recorremos também a inquéritos diretos aos nossos agentes económicos para caracterizar com precisão o valor real da produção e das vendas. Com isto, permitimos que o produtor deixe de decidir por intuição e passe a ter uma visão clara das tendências por sub-região, casta ou mercado de destino”, declara Luís Sequeira. Para complementar esta informação, o Presidente da CVRA reforça o seguinte: “o Alentejo tem a vantagem competitiva única de ser a única região vitivinícola nacional a concentrar um histórico de dados detalhados que remonta a 1989.”

O lançamento da plataforma Data+ foi acompanhado pela apresentação dos resultados de um estudo socioeconómico desenvolvido pela Universidade Nova SBE, os quais revelam que os vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros para a economia nacional.  No panorama vitivinícola nacional, este território vitivinícola representa cerca de 16,4% da produção nacional de vinho, 16,8% da produção nacional de vinho DOP e 19% da produção nacional de vinho IGP.

LAMINA: Do focinho à cauda

Lamina

No mesmo espaço onde funcionou a Lota d’Avila, o Lamina (sem acento, um anagrama de animal), o novo desafio do Chef Vasco Coelho Santos (Euskalduna, no Porto), que conta com a companhia da jovem Chef Executiva Inês Azevedo, propõe uma abordagem culinária assente no conceito nose to tail (do focinho à cauda). A ideia defende […]

No mesmo espaço onde funcionou a Lota d’Avila, o Lamina (sem acento, um anagrama de animal), o novo desafio do Chef Vasco Coelho Santos (Euskalduna, no Porto), que conta com a companhia da jovem Chef Executiva Inês Azevedo, propõe uma abordagem culinária assente no conceito nose to tail (do focinho à cauda). A ideia defende o aproveitamento integral do animal sem desperdiçar absolutamente nada. Esta prática, baseada em princípios éticos e ambientais – se sacrificamos o animal para a nossa alimentação, devemos respeitá-lo e consumi-lo integralmente – não é, afinal, estranha à tradição gastronómica portuguesa. Veja-se o aproveitamento que fazemos do porco e pense-se num prato icónico, como o cozido à portuguesa. Talvez por isso, a cozinha do Lamina nos cative ao primeiro contacto e nos pareça tão familiar.

O aproveitamento, tanto dos cortes mais nobres, como daqueles que já não vemos muito na nossa restauração, fazem despertar memórias que julgávamos esquecidas. Do porco, por exemplo, utiliza-se a orelha (em modo crocante, cortada na mesa à tesoura!), a barriga, a costela, fazem-se torresmos; da vaca, a língua (fumada, em fatias finíssimas), as bochechas, enquanto os ossos e aparas são usados para molhos e fundos. Em que outro lugar podemos comer uma espetada de coraçõezinhos com molho verde ou batata nas cinzas com ovas de bacalhau e molho tara?

Embora, no Lamina, haja um evidente convite para a partilha destes e de outros acepipes, os pratos mais substanciais também são ponto forte, como os arrozes caldosos, tanto de peixe como de carne (provámos um fabuloso de rabo de boi!), os peixes e carnes grelhados, num evidente domínio da técnica do fogo um dos eixos do restaurante. Destaque ainda para as sobremesas, onde Vasco Coelho Santos não resistiu a trazer do seu Euskalduna portuense a famosa rabanada, aqui com outra companhia de respeito, uma vistosa tarte Tatin, pesadelo para qualquer tentativa de dieta.

O Lamina é um espaço acolhedor, de decoração luminosa, embora pareça muito mais reduzido do que em anteriores versões, porque houve a opção de o dividir em duas salas. A primeira, com entrada direta a partir da rua, com 30 lugares e cozinha à vista, a que se juntará, em breve, uma generosa esplanada, é a que está disponível par o serviço diário; na outra, interior, com 36 lugares, há uma estufa e será palco de várias iniciativas, como workshops temáticos ou demonstrações gastronómicas. É importante sublinhar que o Lamina faz os próprios fumados que, além de consumidos no restaurante, tem como objectivo serem comprados na pequena mercearia integrada neste espaço.

Merece destaque, nos tempos que correm, os preços moderados das propostas da ementa: os petiscos entre €4 e €14, os pratos de tacho a €38, para duas pessoas, e as sobremesas a €7. Infelizmente, o mesmo já não podemos dizer dos vinhos que seguem a tendência habitual, embora aqui atenuada pelas várias opções que existem a copo.

 

LaminaLamina

Av. Duque d’Avila, 42 B, Lisboa

Tel.: 963 323 869

Horário: de Segunda a Sexta-feira, das 12h30 às 15h30 e das 19h00 às 23h00

Preço médio: 30€