Messias e Ana Urbano: Celebrar duas décadas com Porto branco

Se é na Bairrada que as Caves Messias nascem há quase um século (completam 100 anos em 2026), aí fixando a sua sede, certo foi que, bem cedo, estenderam os seus domínios ao Douro e aos vinhos do Porto. Em 1929, Messias Baptista, o fundador das Caves, já era um dos maiores fornecedores de aguardente […]
Se é na Bairrada que as Caves Messias nascem há quase um século (completam 100 anos em 2026), aí fixando a sua sede, certo foi que, bem cedo, estenderam os seus domínios ao Douro e aos vinhos do Porto. Em 1929, Messias Baptista, o fundador das Caves, já era um dos maiores fornecedores de aguardente vínica ao comércio e lavoura duriense para benefício do vinho do Porto. Na década de 30 do século passado, as operações negociais estendiam-se ao Douro e, sobretudo, a Gaia, onde já possuía diversos armazéns onde envelhecia largas centenas de pipas de vinho do Porto. A 5 de Fevereiro de 1943, o Grémio de Exportadores de Vinho do Porto revela, numa publicação, os 84 sócios que o compõem, e Messias Baptista faz parte dessa lista de ilustres comerciantes de vinho do Porto, tendo uma posição que se destaca no Brasil desde 1944, mercado que, para a empresa, sempre foi referencial e, ainda hoje, é um dos mais importantes destinos das suas marcas.
A produção própria de vinho do Porto começa a ser desenhada em 1958, com a aquisição da Quinta do Cachão, em Vale Figueira, São João da Pesqueira, aos herdeiros de Afonso do Vale Coelho Pereira Cabral, entre os quais figuravam nomes como Van Zeller, Olazabal e Sarsfield Cabral. No verão do mesmo ano, a Gonzalez Byass & Companhia compromete-se a vender a Quinta do Rei e, aos cerca de 100 hectares de vinhas do Cachão, a empresa alia as propriedades onde podem ser hoje encontradas a adega e as casas das Caves Messias na Ferradosa.
Casa clássica, onde reinam maioritariamente o Porto Colheita e com indicação de idade, as Caves Messias lançam agora mão do seu espólio de brancos e, de uma só assentada, apresentam cinco referências Porto Messias Branco, respetivamente, 10, 20, 30, 40 e, a categoria mais recentemente aprovada pelo IVDP, o 50 anos. Um espólio que sempre fez parte do seu vasto património de Portos envelhecidos e que, se nalgum momento deixaram de ser enquadrados em estratégias comerciais, passaram a ser guardados até surgir a oportunidade certa para serem dados a conhecer. A intenção aqui, para além da tendência de mercado de uma maior procura dos brancos, foi a valorização estratégica de vinho do Porto, mostrando a sua versatilidade e riqueza intrínseca, associada ao nobre envelhecimento que sofre nos armazéns de Gaia e da Ferradosa.
20 anos de enologia
Ana Urbano, natural de Sangalhos, Bairrada, chega às Caves Messias em 2004. Recém-licenciada em Engenharia Agrícola, pela UTAD, e com uma pós-graduação em enologia, na Universidade Católica, inicia o seu percurso profissional com estágio de vindima nas Caves Borlido e, logo em 2003, acompanha a primeira vindima da Messias na Bairrada, com a supervisão do enólogo sénior António Dias Cardoso. Em fevereiro de 2004 dá-se a sua estreia, sendo contratada pela empresa para os vinhos do Porto, onde chega sem qualquer experiência nesta tipologia de vinhos, o que lhe causa natural ansiedade e insegurança. Era todo um mundo novo com que se deparava e, sobretudo, uma enorme responsabilidade face ao vasto património de vinhos existentes, nas caves de Gaia e nos armazéns da Ferradosa. Como mentora, à data, teve Elizete Beirão, responsável por todo o sector de enologia dos vinhos do Porto da casa, que lhe transmitiu os ensinamentos na definição de perfis, elaboração de lotes e procedimentos específicos de vinificação tendo em conta o estilo da casa. Com ela tinha também Carlos Soeiro, técnico de prova com formação à antiga, ele que tinha desempenhado essas mesmas funções no IVDP. Ali era um pouco o guardador dos segredos e dos tesouros, personificados nos milhões de litros de Porto envelhecidos em casco.
Ana Urbano é, também, e logo desde 2004, a principal coordenadora das vindimas no Douro, sempre em estreita colaboração com João Soares, o responsável por toda a produção e enologia dos vinhos tranquilos da empresa familiar.
O desafio constante e o receio de errar são as forças motrizes da sua permanente busca de formação e conhecimento, que a levam a dedicar-se à investigação sobre vinhos do Porto, não obstante a escassez de bibliografia científica, necessitando de recorrer às investigações e inovações técnicas nos vinhos tranquilos, que depois adapta aos Portos, sua única e intensa devoção.
Num sector tão clássico, entende que há sempre margem para melhorar, sobretudo quando se inicia todo o processo de elaboração a montante, através da escolha da melhor uva, das vinhas mais aptas à produção de uva de qualidade para vinho do Porto. O equilíbrio, traduzido num perfil que se define na frescura e num teor alcoólico não demasiado elevado, é o parâmetro que define a qualidade e singularidade dos Porto Messias. Para obter este resultado, Ana Urbano vai articulando a tradição com as mais inovadoras técnicas que foi desenvolvendo ao longo das últimas duas décadas. Depois, é toda uma arte de alquimia para alcançar a profundidade e complexidade.
O portefólio de Portos brancos resulta também de uma mudança nos hábitos de consumo e da necessidade de cativar novas gerações
O advento do Porto branco
O surgimento e alargamento do portefólio de Portos brancos resulta também de uma mudança nos hábitos de consumo e da necessidade de cativar novas gerações para um vinho fino distinto e nobre que, sem mudar a sua essência, adapta-se aos novos tempos. Sente-se uma maior procura pelos brancos, sobretudo com mais idade e evolução. E mesmo essa busca por vinhos mais complexos, reflecte a existência de um consumidor mais experimentado e cada vez mais jovem, desmistificando o conceito de que o Porto era apenas um vinho de elites. O Porto Rosé e a tendência Porto Tónico são o exemplo manifesto da democratização do consumo.
O lançamento dos Porto Messias Branco, em cinco referências resulta de uma interpretação do mercado e das suas novas necessidades. Da busca de uma experiência única, de prova de vinhos que envelhecem em casco durante dezenas de anos, criando singularidades de prova inéditas, vinhos que resultam de um enorme poder de previsão do futuro, daquilo em que o vinho se transformará no fim de todo o processo de envelhecimento. Nesta seleção dos melhores lotes, a enóloga olha para o vinho como um todo, procurando captar todas as suas virtudes e fragilidades. O perfeccionismo latente ao modo como encara a arte de lotear, leva-a a uma constante busca pela excelência, que é sempre uma utopia inalcançável, sendo assombrada pela constante dúvida de saber se o apreciador compreenderá o que pretende transmitir com cada vinho. Neste lançamento conjunto, realça a revolução tranquila que se opera com as novas categorias 50 anos e Very Very Old (VVO), esta para vinhos cuja idade média é igual ou superior a 80 anos.
O prestígio internacional do vinho do Porto passa pela qualidade expressa nas diversas categorias, mas com especial ênfase nas categorias especiais, pois serão elas que definirão o vinho do Porto como produto único no mundo.
Ana Urbano assume a enorme responsabilidade que lhe é confiada há 20 anos. Ser a guardiã de um espólio que conta com cinco milhões de litros, cabendo-lhe, não apenas a sua elaboração, mas, igualmente, a sua preservação para que as gerações de enólogos que lhe seguirão possam dar continuidade a este trabalho nas quase centenárias Caves Messias.
(Artigo publicado na edição de Abril de 2024)
Adega de Redondo: Aqui nasceu o Porta da Ravessa

A serra está sempre presente no horizonte, mas aqui, ao contrário de outras serras de outras zonas do Alentejo, quase não existem vinhas nas suas encostas. Há, de qualquer forma, uma influência evidente em termos de clima e a explicação é-nos dada por Mariana Cavaca, a enóloga da adega, que há vários anos assumiu a […]
A serra está sempre presente no horizonte, mas aqui, ao contrário de outras serras de outras zonas do Alentejo, quase não existem vinhas nas suas encostas. Há, de qualquer forma, uma influência evidente em termos de clima e a explicação é-nos dada por Mariana Cavaca, a enóloga da adega, que há vários anos assumiu a direcção de enologia. Diz-nos que ali conseguem “ter vinhos com mais frescura, mais elegância do que noutras zonas, onde os vinhos tendem a ser mais encorpados e estruturados, porque aqui temos noites mais frescas e isso faz a diferença”. Estamos, apesar desta frescura, em terras de clima quente e isso tem vantagens (menos pressão das doenças da vinha), mas também desvantagens – falta de água e baixa produção por hectare. A adega também recebe uvas de Cuba e de Caia (integradas em marcas de Vinho Regional), mas Mariana confessa que são substancialmente diferentes das que aqui se produzem. A falta de água reflecte-se depois nas produções que se conseguem, muito abaixo do que seria expectável em castas que produzem bem, como a Alicante Bouschet e a Arinto.
Tem-se verificado um aumento exponencial da produção do rosé, que hoje atinge as 300.000 garrafas. É sobretudo devido ao rosé que se tem mantido a casta Castelão.
Uma marca a apoiar o desporto
A marca Porta da Ravessa foi, durante anos e anos, um nome obrigatório no Alentejo, tendo atingido produções que chegaram a sete milhões de garrafas e o ciclismo foi uma das modalidades que mais apoio teve. Hoje ainda representa cerca de três milhões de garrafas e a diferença explica-se pela concorrência que, entretanto, se desenvolveu. Foi, no entanto, decidido manter a marca e alargar o leque de vinhos que usam o nome emblemático. Foram esses, essencialmente, que foram objecto da nossa prova.
Um dos vinhos provados tem o epíteto de Vinhas Velhas, mas a enóloga lembra-nos que “temos poucas vinhas velhas por aqui, porque quase tudo foi reestruturado e, por isso, só ocasionalmente é possível fazer esse vinho”. Fica-nos a dúvida: quais as castas que melhor podem representar o perfil dos vinhos do Redondo? A resposta não foi de rajada, mas veio: nos brancos o Antão Vaz, Rabo de Ovelha, Verdelho e Fernão Pires; outrora com mais presença, mas a perder fôlego temos Roupeiro, Rabo de Ovelha e a tinta Moreto Já no que respeita ao melhor lote para brancos, a resposta é imediata: Antão Vaz e Arinto, resposta esta que, cremos, poderá também ser dada noutras regiões do vasto Alentejo.
As castas da moda também aqui marcam presença, com crescimento da Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah e Alicante Bouschet. Quanto a estilos de vinho, tem-se verificado um aumento exponencial da produção do rosé, que hoje atinge as 300.000 garrafas. É sobretudo devido ao rosé, confirma a enóloga, que se tem mantido a casta Castelão mas, logo adianta, “a Castelão dá para fazer tudo!”
A adega tem vinhos nas grandes superfícies a €1,80. Isso faz-nos logo pensar na rentabilidade de um negócio deste tipo e Nuno P. Almeida confessa: “só se consegue com uma rentabilização do pessoal, uma organização minuciosa que tire partido das 55 pessoas que aqui trabalham e um planeamento também ele minucioso dos trabalhos de adega, sobretudo na vindima, quando chegam a entrar 600 toneladas de uva por dia”. Neste capítulo, Mariana acrescenta que, “quando marcamos o dia para entrada de uvas Verdelho, por exemplo, eu tenho sempre uma prensa pronta e destinada apenas a receber Verdelho e isso, tal como com outras castas, obriga a uma calendarização das tarefas. Mas a verdade é que não há um litro de vinho nesta adega que seja movimentado, seja para filtrar seja para engarrafar ou outro que não tenha a minha aprovação”.
A vindima obriga a um planeamento minucioso dos trabalhos da adega, porque chegam a entrar 600 toneladas de uva por dia.
Sustentabilidade e história vínica
Visitámos a adega em Março, num dos momentos-chave para os associados. É agora que se paga a terceira tranche da vindima de 2022; a de 2023, também em três fases, será paga até Março do ano que vem. As uvas pagam-se por grau/quilo, por serem DOC ou IG, e um reforço por casta. Tudo somado estamos a falar de um preço médio a rondar os 39 cêntimos/quilo, sendo certo que as uvas com direito a DOC são mais bem pagas que outras.
Por aqui, desde 2019 caminha-se no sentido do selo da sustentabilidade mas, dizem-nos, não é fácil porque é preciso garantir que 60% dos viticultores cumprem os requisitos e “a burocracia que envolve é desanimadora. Mas temos de conseguir, porque até para concorrer a alguns tenders (Concursos que ocorrem sobretudo nos países nórdicos, em que os potenciais candidatos são convidados a oferecerem propostas de venda dos seus produtos) é preciso o selo”.
Tínhamos alguma curiosidade em provar alguns vinhos velhos da adega. Ficámos a saber que foi um sarilho para encontrar algumas garrafas. Nada de estranhar, porque a regra do “vender tudo até à última garrafa” é norma em muitas casas de produtores e empresas deste país. Também por aqui (Alentejo) não há tradição de se partilharem garrafas entre as adegas cooperativas. Dar o conhecer os melhores vinhos e dialogar com outros só pode trazer benefícios mas… Isso ainda vai ter de esperar, dizemos nós. Ainda assim, duas boas notícias: a promessa que irão passar a deixar de lado uma quantidade mínima de garrafas das marcas mais emblemáticas (digamos, 10 dúzias…!) e a prova de um vinho que não tinha rótulo, mas que era um Garrafeira de 2001. Resultado? Um tinto notável e cheio de saúde, que nos ajudou na reclamação que fizemos por não haver cuidado com os velhotes…
(Artigo publicado na edição de Abril de 2024)
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Porta da Ravessa Special Edition
Branco - 2023 -

Porta da Ravessa
Tinto - 2018 -

AR
Tinto - 2018 -

AR
Tinto - 2019 -

AR
Tinto - 2021 -

Porta da Ravessa
Tinto - 2020 -

Porta da Ravessa Vinhas Velhas
Tinto - 2020 -

Porta da Ravessa
Tinto - 2021 -

Porta da Ravessa Special Edition
Tinto - 2022 -

Porta da Ravessa
Branco - 2022 -

Porta da Ravessa
Rosé - 2023
Grande Prova: Moscatel até 10 anos Qualidade e prazer a preço imbatível

Quem não ouviu falar de Moscatel? Pois é(!); a referência a Moscatel é bem conhecida de todos os portugueses e, não sendo rigorosamente polissémica, a verdade é que a utilizamos tanto para identificar a uva como fruto, como, genericamente, um tipo de vinho aromático e doce. Com efeito, para o mero apreciador, e independentemente da […]
Quem não ouviu falar de Moscatel? Pois é(!); a referência a Moscatel é bem conhecida de todos os portugueses e, não sendo rigorosamente polissémica, a verdade é que a utilizamos tanto para identificar a uva como fruto, como, genericamente, um tipo de vinho aromático e doce. Com efeito, para o mero apreciador, e independentemente da multiplicidade de castas com o mesmo nome, Moscatel é sinónimo de vinho generoso. Efectivamente, e apesar das variações não-licoradas no final dos anos 80 do século passado num perfil frutado meio-seco (com a marca João Pires à cabeça), é mesmo o perfil doce e untuoso para o qual mais remete a referência a Moscatel. E, note-se, esta dicotomia, ou plasticidade, noutra perspectiva, das várias castas moscatéis, é transversal a todo o mundo vínico mediterrânico (o mesmo acontecendo com outras famílias de castas, caso da Malvasia, por exemplo), onde perfis mais ou menos secos convivem lado a lado com versões assumidamente doces. Do Douro (na variante Moscatel Galego Branco) a Palmela, sem sairmos do nosso país, ou de Málaga em Espanha a Samos na Grécia, sem esquecer os múltiplos terroirs em França e Itália, e até no Novo Mundo, casos do Chile, Austrália e África do Sul. Em todos estes lugares, tão diferentes e longínquos entre si, existe uma significativa implantação de variedades de Moscatel, com declinações mais ou menos secas, mais ou menos doces. Curiosa e paradoxalmente, o Moscatel tem vindo a sentir um menor reconhecimento em quase todas as referidas regiões, sendo que, em vários desses lugares, é actualmente utilizado quase exclusivamente para destilação. Em Portugal não é assim (felizmente!), apesar do reconhecimento da qualidade dos vinhos Moscatéis também não acompanhar a sua significativa implementação no país, nem o agrado generalizado que a maioria dos consumidores tem pelos vinhos.
Setúbal e Roxo
Neste texto, iremos dedicar-nos ao Moscatel de Setúbal, vinho generoso certificado desde 1908, e ao Moscatel Roxo (mutação do Moscatel Galego) igualmente certificada como Setúbal. Sendo vetusta a certificação, na sequência da demarcação da região um ano antes, em 1907, não admira o reconhecimento e apreço da generalidade dos consumidores por estes vinhos. Tanto assim o é que, do centro do país para o sul, falar de Moscatel é falar de Moscatel de Setúbal. Acresce realçar que os últimos 40 anos têm sido responsáveis por uma maior afirmação e dispersão do gosto por Moscatel de Setúbal fora da região, para o qual muito contribuiu o aperfeiçoamento do método de produção (num vinho onde a maceração pós-fermentativa e o estágio são determinantes). A prova disso mesmo é que, enquanto há 30 anos era difícil encontrar um Moscatel de uma só colheita, pois o blend era quase inevitável, dada disparidade de qualidade entre colheitas, actualmente são muitos os vinhos que provêm de um único ano, aspecto para o qual o fenómeno climático de aquecimento também tem contribuído.
Acresce, que a região de Setúbal tem conhecido um renovado interesse dos produtores no Moscatel, depois de décadas em que a casa José Maria da Fonseca não tinha praticamente concorrência no que respeitava a Moscatel comercializado (coisa diferente era o produzido na região para consumo local…). Com efeito, a partir dos anos 80 passou a ter rivalidade com a produção levada a cabo pela então ‘J.P. Vinhos’ (actualmente, ‘Bacalhôa Vinhos de Portugal’). A par destes produtores, e da restante dezena presentes na nossa prova, existem ainda mais cerca de meia dúzia a produzir e comercializar, com certificação, habitualmente este belo generoso em várias (talvez demasiadas) categorias e idades. De resto, os dados da CVR de Setúbal confirmam o crescimento da área de vinha destinada à produção de Moscatel que, entre Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo, já ascende quase a 600 hectares, com claro predomínio para o primeiro, mas notório crescimento recorde do segundo durante a última década, que duplicou em poucos anos (graças sobretudo aos esforços pioneiros da Bacalhôa e, mais tarde, da José Maria da Fonseca), passando de quase extinto aos 50 hectares actuais.
Mesmo apenas com 10 anos de idade, todos vinhos revelam enorme complexidade, o resultado sobretudo do estágio prolongado em barrica ou tonel, muitas vezes em sistema de canteiro.
Uma casta antiga
Refere Jancis Robinson, no seu clássico Guide to Wine Grapes, que o Moscatel de Alexandria (Moscatel de Setúbal) é uma casta antiga, também conhecida como Moscatel Romano, o que permite inferir ser uma variedade com origem em territórios do norte de África, que foi dispersa no Mediterrâneo durante os séculos de domínio do Império Romano. Por seu lado, João Afonso, no mais recente livro As Castas do Vinho, segue a doutrina que a casta tem origem provável nos territórios que hoje são a Grécia e o sudeste de Itália, lembrando que se trata de um cruzamento natural da casta Heptakilo T e a mais conhecida e valorizada Muscat à Petit Grain branco.
Independentemente da origem, mais ou menos mediterrânica, é uma uva que prefere climas quentes (sendo sensível a doenças em climas frios) e que, por regra, produz vinhos cuja prova é percepcionada como adocicada, intensa e pouco complexa, ainda que, em certas localizações, proporcione vinhos verdadeiramente intrigantes, desde que se controle a produção abaixo dos 3000 litros por hectare (Note-se que o Moscatel Roxo pode chegar a produzir 15 ton/ha em Portugal se não for controlado). Pois bem, é, como sabemos, o caso da nossa portuguesa Região de Setúbal, uma vez que a casta aqui está perfeitamente adaptada, sendo a complexidade aditivada pela maceração pós-fermentativa e longos estágios em madeira. Tal como sucede com os demais vinhos da região, são diferentes os néctares que provém de vinhas junto à Serra da Arrábida, com solos argilo-calcários – com pH mais baixo e acidez total mais elevada –, daqueles que resultam de fruto provenientes de plantas nas areias de Palmela. No que toca ao nosso tema do Moscatel, os vinhos das areias tendem a ser mais expressivos e melosos, com menos nuances e frescura.
Finalmente, a distinção entre os perfis Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo (uma mutação rosada do Muscat à Petit Grain, ou Moscatel Galego), perfis esses, em parte essencial, determinados pelas próprias diferenças das castas. Para uma explicação rápida, o método comparativo ajuda. Por um lado, ambas as castas são nitidamente florais, com referências a rosa, tília, laranjeira, sardinheira, palmarosa e citronela, com notas a baga e grainha de uva. Porém, enquanto o Moscatel de Setúbal é mais cítrico (lembrando olfactivamente casca de laranja, torta de laranja, laranja desidratada) e com notas de nozes, mel e massapão, já o Moscatel Roxo revela um aroma mais barroco, seco e tostado, com menos frescura (mesmo quando tem menos álcool), com referências a figo, tâmaras, caramelo, e alfazema seca. Os registos antigos de Ferreira da Lapa, a propósito desta casta, revelam que a sua complexidade e fino paladar são há muito admirados. A nosso ver, e com vários anos de provas, essa complexidade e finura são particularmente evidentes em Moscatéis Roxos com mais de 20 ou 30 anos, sendo que, quando novos, podem revelar-se menos elegantes do que os meios-irmãos Moscatéis de Setúbal.
Um fortificado muito especial
De uma forma absolutamente simplista, o Moscatel de Setúbal pode ser abreviado como um vinho generoso, obtido a partir da casta Moscatel plantada na região. Pode existir presença residual de outras castas (era o caso do Fernão Pires com Moscatel e do Castelão com Moscatel Roxo), mas se tiverem a designação às castas terão de ter pelo menos 85% da variedade em questão. Todavia, as fichas técnicas dos vinhos provados comprovam que os produtores da região optam quase sempre por vinhos 100% obtidos a partir de uma só casta. Ainda de forma simplicista, trata-se de um vinho cuja doçura natural é mantida pela paragem da fermentação mediante a adição de álcool vínico, sendo o estágio final do vinho em madeira, outra fase fundamental na medida em que, tal como sucede noutros produtos alcoólicos, proporciona um afinamento do produto. Naturalmente, quanto mais tempo de estágio em madeira, maior é a complexidade e concentração do vinho que será engarrafado (depois do engarrafamento, não tende a beneficiar de estágio, evoluindo pouco e de forma não homogénea, podendo até muitas vezes sofrer alguma turbidez, devendo a garrafa ser guardada ao alto).
Como sempre acontece no mundo dos vinhos, mais a mais quando estamos perante tradições e castas antigas, cada produtor tem a sua maneira própria de vinificar e estagiar. Mais detalhadamente, o processo, em todo o caso, é muito semelhante de casa para casa: inicia-se a fermentação lentamente com as películas, que será, contudo, muito curta (pode atingir os ¾ de fermentação em três dias), pois é parada (beneficiada, como também se diz) com adição de aguardente vínica selecionada. No que a esta fase diz respeito, existe alguma variação, com preponderância para aguardentes neutras, em tudo idênticas às utilizadas para o vinho do Porto e um teor de álcool compreendido entre os 52% e 86%, algumas de origem portuguesa, outras não (não existem restrições quanto à origem), sendo disso bom exemplo o recurso a aguardentes adquiridas quer na zona de Cognac, quer na de Armagnac, com bons resultados diga-se. Ocorre, depois, uma maceração pós-fermentativa durante o Inverno, que decorre entre cinco e seis meses dependendo, mais uma vez, da regra e do gosto de cada casa. Por exemplo, a José Maria da Fonseca e a Horácio Simões optam por uma maceração em películas de cinco meses, com final em fevereiro/março. Já António Saramago prolonga um mês mais. Esta maceração pós-fermentativa já com a aguardente adicionada é, portanto, feita com as películas das uvas, naturalmente ricas em aromas e sabores, o que também explica a tonalidade de topázio, cobre ou âmbar dos moscatéis mesmo em novos. Segue-se a trasfega e as massas são prensadas, sendo quase sempre utilizado esse vinho da prensa para ser loteado com o que resultou da sangra.
Apesar do registo naturalmente doce, vários foram os vinhos com percepção de frescura e muita vivacidade, o que os torna relativamente versáteis à mesa.
Estilos muito diversos
Igualmente relevante é o tipo de estágio, com a generalidade dos produtores a utilizar pequenas barricas (que podem chegar a apenas 100 litros), para assim contribuir com uma evolução mais acentuada. São quase sempre barricas antigas, mas varia o tipo de madeira (de Castanho a Carvalho Americano, passando pelo Carvalho Francês) e a anterior utilização e serviço. Entre outras situações, casos há de barricas com prévia utilização em vinho do Porto, outras servidas a Whisky. Várias casas não hesitam em colocar esses barris em armazéns “quentes”, com condições para provocarem concentração e intensidade, seguindo a técnica de canteiro (como sucede também no vinho da Madeira), aspecto bem evidente na prova de alguns vinhos que ficam, efectivamente, marcados por um estilo particularmente intenso e prazeroso, mesmo com apenas 10 anos. No espectro oposto, encontramos também produtores a optar por tonéis de 5000 a 6000 litros. Com estas variações, e como podemos comprovar na presente prova, o nível alcoólico dos vinhos provados varia entre os 17% e os 20,5% (sendo os limites legais 16% e 22%), e o açúcar residual desde os 105 g/l do mais seco João Pires 10 anos (José Maria da Fonseca), aos 240 g/l do mais doce Moscatel de Setúbal da Quinta do Piloto, passando pelos 140 g/l do Encostas da Arrábida (Adega Coop. Santo Isidro de Pegões) e pelos 171 g/l do Bacalhôa Moscatel de Setúbal Superior, entre outros. A título de comparação, veja-se que, nos vinhos mais velhos (com 20 ou mais anos) a doçura pode chegar aos 340 g/l (mas, para vinhos com menos de 20 anos, o limite é mesmo 280g/l.).
Como se constata, as diferenças são significativas, mas, verdade seja dita, todas essas diferenças não são particularmente notórias na prova organoléptica, sobretudo quando os vinhos são provados (e assim devem ser bebidos) frescos, por vezes mesmo frios (abaixo dos 10ºC). Naturalmente, provados a temperatura mais elevada, as nuances foram mais evidentes, apesar de em todos termos sentido o carácter e personalidade da casta – exuberante, floral e cítrica (laranja), perfil sacarino e afectuoso.
Quanto à referência à categoria 10 anos (e, bem assim, às demais 15, 20, 25, 30, 35 e 40) no Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo importa lembrar que, ao contrário de outros generosos, não se refere tanto a um estilo resultante de um lote de vinhos com uma idade média. Ao invés, na legislação de Setúbal, é obrigatório que os vinhos mais novos em cada lote tenham, no mínimo, a idade identificada.
Terminada a prova, (com)provámos a enorme qualidade destes vinhos, e demos algumas das notas mais elevadas registadas na nossa revista para este tipo de vinho. Tivemos vinhos que passaram cinco anos em barricas e outros quase 15, mas a qualidade esteve sempre presente. Se os mais leves e jovens devem ser servidos frios – não acima dos 8ºC – ao início de uma refeição, ou até em cocktails, os mais antigos e complexos podem acompanhar sobremesas e devem ser servidos a 10ºC. Nos destaques individuais, não podemos deixar de realçar a elegância do António Saramago Moscatel de Setúbal e a precisão do DSF Colecção Privada Moscatel Roxo, sem esquecer a concentração do Bacalhôa Moscatel de Setúbal e o equilíbrio do SVP Moscatel Roxo!
(Artigo publicado na edição de Abril de 2024)
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Encostas da Arrábida
Fortificado/ Licoroso - -

Moscatel Roxo de Setúbal
Fortificado/ Licoroso - 2010 -

Casa Ermelinda Freitas
Fortificado/ Licoroso - 2009 -

Adega de Palmela
Fortificado/ Licoroso - -

Rubrica
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Piloto
Fortificado/ Licoroso - -

Moscatel de Setúbal
Fortificado/ Licoroso - 2016
Editorial Maio: Bolhas

Editorial da edição nrº 85 (Maio 2024) A capa desta edição da Grandes Escolhas é dedicada à Raposeira, notável casa de espumantes. Para quem cresceu nos anos 80, espumante era Raposeira. Na época, os vinhos nem seriam grande coisa, (a compra pela Seagram levou ao desinvestimento no produto e foco na distribuição, ciclo negativo que […]
Editorial da edição nrº 85 (Maio 2024)
A capa desta edição da Grandes Escolhas é dedicada à Raposeira, notável casa de espumantes. Para quem cresceu nos anos 80, espumante era Raposeira. Na época, os vinhos nem seriam grande coisa, (a compra pela Seagram levou ao desinvestimento no produto e foco na distribuição, ciclo negativo que durou duas décadas, até à entrada da Murganheira) mas estavam em todo o lado. Eu que o diga, já que, na adolescência, cabia-me ir à pastelaria buscar o bolo e a garrafa de Raposeira meio-seco para comemorar aniversários e festividades familiares.
O espumante, no Portugal urbano nas décadas de 80 e 90, era isto. Doce e meio-seco, bebido a acompanhar sobremesas (a Bairrada e o leitão eram caso à parte) e reservado para eventos e momentos especiais. Esses tempos já lá vão, felizmente. Hoje, nos principais mercados vínicos do mundo, o espumante é a categoria que mais cresce. E apesar desse crescimento ser feito, sobretudo, à conta de Champagne, Prosecco e Cava, outras regiões e países produtores surfam velozes a onda das bolhinhas. Portugal não é excepção. A tendência não passa despercebida aos produtores nacionais e sinal disso é encontrarmos espumante no portefólio de tantas marcas, mesmo em regiões onde nunca houve tradição desta bebida.
A “democratização” da produção de espumante, evidentemente positiva, esconde uma vertente menos boa. É que, para muitos produtores, produzir espumante parece ser coisa fácil. Ainda mais facilitada, nos dias de hoje, pelas leveduras encapsuladas, que simplificam (não oferecendo, embora, os mesmos resultados que as leveduras livres) o moroso trabalho de removimento das garrafas. Mas se produzir um bom vinho com gás é algo aparentemente simples, criar um grande espumante não está ao alcance de todos.
Acontece que o espumante é a bebida vínica mais especializada que existe. Produzir um espumante de nível superior requer não apenas um profundo conhecimento (feito de experiência e ciência) como também condições e equipamentos muito específicos, que vão desde a prensagem da uva para o vinho base até ao degorgement da garrafa espumantizada. Não é certamente por acaso que a quase totalidade das mais famosas marcas de espumante do mundo têm origem em casas totalmente focadas neste tipo de vinho.
Poderia dar muitos exemplos, mas um bastará para percebermos o que quero dizer. Absolutamente crucial na definição da qualidade e complexidade de um espumante é a fermentação na garrafa e o estágio em cave a uma temperatura constante (idealmente 13/14ºC) ao longo de todo o ano. O tempo passado nesse ambiente faz toda a diferença. Sabendo isso, os empresários portugueses que, nas primeiras décadas do século XX, se dedicaram à produção de espumante, construíram laboriosamente túneis debaixo do chão, para ali colocar as preciosas garrafas. Apropriadamente, chamamos Caves a estas empresas.
Como é então possível que, quase 100 anos depois, e quando temos ao dispor tecnologia de climatização que os antigos nem sonhavam, tantos produtores nacionais acreditem que é possível fazer um espumante de qualidade superior deixando as garrafas empilhadas em locais que atingem 7ºC no inverno e 35ºC no verão?
É por isso que os vinhos elaborados pela Raposeira (e pelos produtores que, em diversas regiões, encaram o espumante como produto principal) têm algo de diferente. Quem quiser fazer tão bem quanto eles, só tem um caminho a seguir: pensar o espumante não como um simples complemento de gama, mas como um vinho de topo, digno da máxima atenção e de particulares cuidados. O espumante e os seus apreciadores merecem.
Estive lá: Ostras e mexilhão de fim de semana

Se há coisas que gosto sempre de fazer quando de vou de fim de semana até à aldeia de Assentiz, a dos meus sogros, de fim de semana, é um passeio matinal a pé desde a zona das piscinas municipais de Rio Maior até às suas salinas. A pista que costumo percorrer é mais feita […]
Se há coisas que gosto sempre de fazer quando de vou de fim de semana até à aldeia de Assentiz, a dos meus sogros, de fim de semana, é um passeio matinal a pé desde a zona das piscinas municipais de Rio Maior até às suas salinas. A pista que costumo percorrer é mais feita para isso e para quem gosta de correr do que para os amantes de ciclismo.
No percurso passo sempre pelos mesmos campos, a maior parte semeados de courgettes no verão, mas também com alguns pinheiros e oliveiras, ou apenas a natureza liberta. E também pela mesma empresa que vende materiais de construção, a mesma casa de campo murada de alguém e, quase no fim, o mesmo riacho, antes de voltar para o caminho que contorna as salinas por cima, para apreciar, uma e outra vez, a mesma vista de canteiros, aqui e ali, também no tempo quente, com um monte de sal bem branco posto sobre tábuas por mão experientes e com algum sentido estético. Tiro sempre mais umas fotos, porque a vista não me cansa e de vez em quando compro mais um pacote de sal, ou de flor de sal, para juntar aos outros, de outras origens que gosto de ter em casa.
Outra coisa que gosto de fazer, e que faço quase sempre, é ir até à vila da Marmeleira, onde o político e comentador José Pacheco Pereira iniciou a sua vasta biblioteca, com mais de 200 mil obras, que pode ser visitada na Ephemera – Associação Cultural, instalada numa antiga escola primária convertida e adaptada para o efeito. Fica na aldeia ao lado de Assentiz e faz parte da mesma freguesia, e vou lá para petiscar na Tasquinha do Lagar. Inicialmente ia porque as imperiais são bem tiradas e havia sempre tremoços para companhia, para além de outras coisas. Mais recentemente vou também porque oferece dos melhores mexilhões à belga que se podem comer no país. A receita foi trazida pelo seu atual proprietário, Paulo Tomaz, e é uma verdadeira gulodice, na companhia de batata bem frita, que fica muito bem com o Fernão Pirão de 2021 da Quinta da Lapa, a sua companhia mais recente. Mas também porque ele sabe escolher, e abrir, muito bem as ostras que serve, que nunca deixo de pedir, e repetir.
Há, também, outros mariscos, e sempre a oferta de um prato do dia, porque a pequena cozinha não dá para mais, que tanto pode ser Dobrada como Alcatra com fricassé de cogumelos ou Tamboril com molho de açafrão e esparregado, e uma oferta alargada de outros petiscos e bifes inspirados, que vale sempre a pena provar. Um pão da região, sempre saboroso, mais umas azeitonas que como sempre até ao fim, são coisas que vêm sempre para a mesa e são sempre apreciadas. Com todo o tempo do mundo, porque estamos na aldeia.
Tasquinha do Lagar
Morada: Rua Zeferino Simões Ferreira, nº 1 – Vila da Marmeleira
Tel.: 937 716 124
E-mail: tijuca.marmeleira@gmail.com
Salinas de Rio Maior
Morada: Estrada das Salinas 47, 2040-133 Rio Maior
Tel.: 243 991 121
CONCURSO A ESCOLHA DO MERCADO 2024

De características inéditas, este é um concurso totalmente focado no mercado e para o mercado. E por isso os jurados desta prova são seleccionados entre os compradores profissionais: restaurantes, sommeliers, lojas de vinhos, wine bars, compradores de grandes e médias superfícies e outros responsáveis de compras. O concurso visa apenas os vinhos brancos tranquilos e […]
De características inéditas, este é um concurso totalmente focado no mercado e para o mercado. E por isso os jurados desta prova são seleccionados entre os compradores profissionais: restaurantes, sommeliers, lojas de vinhos, wine bars, compradores de grandes e médias superfícies e outros responsáveis de compras.
O concurso visa apenas os vinhos brancos tranquilos e não fortificados.
Para mais facilmente enquadrar os vinhos concorrentes nos vários segmentos do mercado a que eles se destinam, os brancos em avaliação são divididos em três categorias no qual o preço de venda ao público é o factor distintivo. Assim os vinhos brancos são agrupados em:
– Categoria P.V.P. até 7€
– Categoria P.V.P. superior a 7€ e até 15€
– Categoria P.V.P. superior a 15€
Em cada uma destas três categorias serão atribuídos os Prémios Escolha do Mercado aos vinhos mais pontuados e o Grande Prémio Escolha do Mercado aos 3 vinhos com maior classificação na sua categoria. Todos os vinhos distinguidos serão comunicados a 29 de Maio e divulgados no site, nas redes sociais e na revista Grandes Escolhas.
Conheça AQUI o painel de provadores que vão avaliar os vinhos inscritos. É o maior painel de jurados que houve neste concurso.
Pedro Lemos é o restaurante do ano

A vocação manifestou-se tardiamente, mas de forma clara. A meio da licenciatura em engenharia na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o jovem Pedro Lemos tomou a decisão telúrica de mudar radicalmente o rumo da sua vida, para abraçar a profissão de cozinheiro. Os chefs Miguel Castro e Silva e Hélio Loureiro foram instrumentais […]
A vocação manifestou-se tardiamente, mas de forma clara. A meio da licenciatura em engenharia na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o jovem Pedro Lemos tomou a decisão telúrica de mudar radicalmente o rumo da sua vida, para abraçar a profissão de cozinheiro. Os chefs Miguel Castro e Silva e Hélio Loureiro foram instrumentais na confirmação vocacional e isso levou-o a procurar formação na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, rumando a sul sem olhar para trás. Foi então que travou conhecimento com o chef Aimée Barroyer, vindo a oficiar ao seu lado no Pestana Palace. Ganhou experiência e autonomia junto do genial e sábio cozinheiro, que só deixou para voltar para o Norte, assumindo a instalação do ambicioso projecto duriense da Quinta da Romaneira. A abertura em 2009 do restaurante Pedro Lemos na Foz Velha foi, por isso, o culminar de uma caminhada sustentada no talento e brilho de um criador inexcedível em qualidade e originalidade. Tem desde 2014 uma estrela Michelin e a linha criativa está longe de estar esgotada. A arquitectura da ementa do restaurante Pedro Lemos segue a inconfundível matriz que todos devemos a Barroyer, com declinações culinárias que são inteiramente arte de Pedro Lemos. O racional consiste em apresentar em cada prato o produto/proteína principal seguido de um par de ingredientes ou condimentos que, juntos, montam e explicam o sabor e a intensidade da proposta. Encontramos por exemplo “Lírio, nabos e salsifis”, “Foie Gras de pato, pêra e brioche” ou “Lula, ouriço-do-mar e carbonara”. Simplificar junto do cliente pratos de muitos passos e grande complexidade. A exploração à mesa transforma-se numa aventura de texturas e sabores que não tem par em Portugal e, em simultâneo, é farol e luzeiro para toda a alta cozinha nacional. Um menu de degustação é muito mais do que uma simples sequência de pratos, no Pedro Lemos é uma viagem elegante, profunda e sempre com final feliz de digestibilidade garantida. F.M.
Pedro Lemos (https://www.pedrolemos.net/) 
Rua PadreLuís Cabral, Nº 974 | 4150-459 Porto
Telefone: 220115986 info@pedrolemos.net
Graham’s anuncia lançamento do Porto Tawny 50 Anos

A casa de vinho do Porto Graham’s – propriedade da família Symington, acaba de revelar o novo Porto Tawny 50 Anos, que se junta ao Graham’s 40 Anos como parte da exclusiva Aged Tawny Collection da marca. Cuidadosamente monitorizado por Peter Symington e pelo seu filho, Charles Symington, duas gerações de master blenders, o Graham’s […]
A casa de vinho do Porto Graham’s – propriedade da família Symington, acaba de revelar o novo Porto Tawny 50 Anos, que se junta ao Graham’s 40 Anos como parte da exclusiva Aged Tawny Collection da marca. Cuidadosamente monitorizado por Peter Symington e pelo seu filho, Charles Symington, duas gerações de master blenders, o Graham’s Porto Tawny 50 Anos é o testemunho da dedicação e trabalho artesanal investidos no cuidado dos vinhos que compõem esta mistura – alguns deles, os primeiros produzidos pela Symington depois da aquisição da Graham’s, em 1970.
Charles Symington, enólogo principal da Graham’s, seleccionou os dois componentes primários incorporados no 50 Anos. O primeiro corresponde a um vinho de 1969, colocado de parte por Peter Symington para assinalar o nascimento de Charles e conhecido pelas suas iniciais: “CAS Reserve”. O segundo inclui vinhos de 1970 e 1973, misturados em 1982. A evaporação de mais de 50 por cento destes vinhos desde que foram separados para envelhecimento de longa duração resultou numa concentração notável.
A imagem da Aged Tawny Collection encontra inspiração na idade e singularidade dos Porto Tawny 40 e 50 Anos. As ilustrações, da autoria da ilustradora portuguesa Mariana Rodrigues, reflectem alguns dos elementos mais raros da fauna e flora da paisagem do Vale do Douro – património da UNESCO desde 2001. A caixa de madeira que acompanha cada garrafa é forrada com papel de parede no interior e azulejos na parte de trás, procurando recriar a familiaridade do ambiente caseiro e revisitar as tendências do design de interiores britânico desde o século XVI.
O Graham’s Porto Tawny 50 Anos estará disponível brevemente em garrafeiras especializadas, podendo ser adquiridas garrafas de 0,75 e 4,5 litros, com um P.V.P. recomendado de 500 € e 2700€, respetivamente.





























