AEVP contra o uso de aguardente duriense no Vinho do Porto

Segundo a Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP), o projecto-lei do deputado do partido Juntos Pelo Povo aprovado, no passado dia 30 de Janeiro, em Assembleia da República, “põe seriamente em causa a continuidade da Denominação de Origem Douro (DOC Douro)” e irá ter repercussões negativas “na credibilidade, imagem, reputação e competitividade internacional” […]
Segundo a Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP), o projecto-lei do deputado do partido Juntos Pelo Povo aprovado, no passado dia 30 de Janeiro, em Assembleia da República, “põe seriamente em causa a continuidade da Denominação de Origem Douro (DOC Douro)” e irá ter repercussões negativas “na credibilidade, imagem, reputação e competitividade internacional” de um negócio centenário e reconhecido além-fronteiras, o do Vinho do Porto”. A decisão recai na obrigatoriedade do uso exclusivo de aguardente vínica da Região Demarcada do Douro na produção do Vinho do Porto.
No sentido de sustentar este argumento, a AEVP remete para o resultado de um estudo efectuado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), a pedido do Governo, em 2024, segundo o qual esta imposição “é tecnicamente inviável, economicamente insustentável e estrategicamente arriscada”. De acordo com a conclusão dos técnicos do IVDP, além do excedente de vinho DOC Douro não ser suficiente para a produção de aguardente, o que implicaria o aumento de preço desta última, o número de destilarias da região não iria assegurar a quantidade necessária deste produto.
Face a este cenário, a AEVP “reafirma a sua oposição firme a esta medida, que reputamos de perigosa, irresponsável, demagógica e populista, subscrevendo as conclusões do estudo levado a cabo pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto”. Acresce ainda que o uso da aguardente duriense se estende à produção de Moscatel do Douro.
Serras, o novo terroir dos Vinhos do Tejo

São 375 hectares dispersos pelas zonas serranas dos concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal e Mação, dentro da região dos Vinhos do Tejo. As vinhas, plantadas nas encostas e nos planaltos, são muito antigas, sendo 1978 o ano médio de plantação das mesmas. Nas castas, há o registo […]
São 375 hectares dispersos pelas zonas serranas dos concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal e Mação, dentro da região dos Vinhos do Tejo. As vinhas, plantadas nas encostas e nos planaltos, são muito antigas, sendo 1978 o ano médio de plantação das mesmas. Nas castas, há o registo da mistura de variedades ou field blend, com a forte presença da Fernão Pires, nas brancas, e da Castelão, nas tintas. Os solos são muito pedregosos, com o xisto e o granito a predominar, característica indicadora da existência de videiras “com raízes mais profundas”, nas palavras de João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Tejo. O clima é fresco e húmido, e a precipitação ocorre acima dos 800 milímetros, podendo atingir os 2000. Este conjunto de características atribuídas ao terroir Serras tem impacto na maturação das uvas, que resulta mais lenta, e as “produções são mais moderadas”, segundo o Director-Geral da CVR do Tejo.
O terroir Serras envolve 11 produtores de vinho – Casal das Freiras, Solar dos Loendros, Herdade dos Templários, Adega Casal Martins, Pedro Sereno, Santos & Seixo, Quinta da Alba, Quinta da Anunciada, Adega da Gaveta, Quinta do Vale do Armo e Quinta do Côro – e “representa apenas 3% de toda a região [do Tejo]”, afirma João Silvestre. O Director-Geral da CVR do Tejo adiantou ainda à Revista Grandes Escolhas o trabalho efectuado, em simultâneo, por duas empresas, que, com base no estudo dos solos, a par com a informação fornecida sobre as vinhas pelo Instituto da Vinha e do Vinho e com dados climáticos obtidos a partir das estações meteorológicas da região, conseguiram chegar às características específicas deste novo terroir. Esta investigação começou na pós-pandemia. “Havia essa necessidade, porque os vinhos revelavam características diferentes”, remata.
Estreia nos Países Baixos e outros investimento além-fronteiras

Os Vinhos de Setúbal estreiam-se, entre final de Março e início de Abril, no mercado dos Países Baixos, com uma prova de vinhos em Amesterdão, na qual vão participar 10 produtores. De acordo com o Plano de Promoção Internacional 2026, está previsto o regresso a Angola, com a realização de dois encontros com profissionais do […]
Os Vinhos de Setúbal estreiam-se, entre final de Março e início de Abril, no mercado dos Países Baixos, com uma prova de vinhos em Amesterdão, na qual vão participar 10 produtores. De acordo com o Plano de Promoção Internacional 2026, está previsto o regresso a Angola, com a realização de dois encontros com profissionais do sector, a ter lugar em Luanda, em data próxima ao Festival de Vinhos de Portugal em Angola, evento da ViniPortugal marcado para 18 de Junho. No mercado brasileiro, mantêm a participação na Prowine São Paulo, agendada entre os dias 6 a 8 de Outubro, e prevêem um encontro com jornalistas, em São Paulo, e uma prova, no Rio de Janeiro.
Entretanto, de 9 a 11 de Fevereiro, os Vinhos de Setúbal estarão presentes na Wine Paris 2026, onde reúnem sete produtores: Adega Camolas, Brejinho da Costa, Filipe Palhoça Vinhos, Herdade Canal Caveira, Herdade do Portocarro, Quinta de Catralvos e Quinta do Piloto.
“O Plano de Promoção Internacional de 2026 representa um reforço estratégico da afirmação dos Vinhos de Setúbal nos mercados externos. A consolidação da nossa presença no Brasil, o regresso a Angola e a estreia nos Países Baixos reflectem uma aposta em mercados com elevado potencial para a valorização dos nossos vinhos, o reforço da notoriedade da região e criação de novas oportunidades para os nossos produtores”, enaltece Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal.
José Maria Vieira S.A. com distribuição exclusiva

A partir de 1 de Janeiro de 2026, a José Maria Vieira S.A. (JMV) passa a distribuir, a nível nacional e em exclusivo, os vinhos Cabo da Roca, do produtor e enólogo Hélder Cunha. A gama é constituída pelas referências vínicas Cabo da Roca branco, rosé e tinto, Cabo da Roca Reserva Arinto branco, Cabo […]
A partir de 1 de Janeiro de 2026, a José Maria Vieira S.A. (JMV) passa a distribuir, a nível nacional e em exclusivo, os vinhos Cabo da Roca, do produtor e enólogo Hélder Cunha. A gama é constituída pelas referências vínicas Cabo da Roca branco, rosé e tinto, Cabo da Roca Reserva Arinto branco, Cabo da Roca Reserva Syrah tinto e Cabo da Roca Reserva Touriga Nacional tinto, com preços de venda ao público que variam entre os €6 e os €14, valores indicativos de uma proposta acessível e transversal ao consumo.
O projecto Cabo da Roca reflecte uma forte componente regional e, acima de tudo, a influência do Atlântico, já que os vinhos são feitos a partir de uvas vindimadas em vinhas com localização próxima da orla marítima, a qual está integrada na Região dos Vinhos de Lisboa. Somam-se a valorização das castas adaptadas a este terroir e as práticas associadas à sustentabilidade, dois aspectos em destaque neste trabalho de Hélder Cunha, que evidencia ainda a preocupação com o futuro da viticultura costeira.
Por sua vez, com esta parceria, a José Maria Vieira S.A. reforça o portefólio de distribuição nacional e consolida a aposta em vinhos portugueses.
Conservas, a arte de preservar

E se reunisse 19 diferentes conservas numa só refeição? Sem qualquer dificuldade, diríamos, até porque existem 36 espécies de pescado e marisco em lata, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Industriais das Conservas de Peixe (ANICP), trabalhadas por 20 empresas ativas em Portugal, e mais de 800 referências, tendo em conta a […]
E se reunisse 19 diferentes conservas numa só refeição? Sem qualquer dificuldade, diríamos, até porque existem 36 espécies de pescado e marisco em lata, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Industriais das Conservas de Peixe (ANICP), trabalhadas por 20 empresas ativas em Portugal, e mais de 800 referências, tendo em conta a diversidade de molhos e coberturas. Mas o Chef transmontano Vítor Adão foi além do que se estava à espera, no restaurante Plano, em Lisboa, com as quase 20 variedades. Objetivo? Mostrar quão versáteis são os enlatados e quão criativa se pode tornar uma refeição.
Do início ao fim, o Chef Vítor Adão juntou três ingredientes conservados em cada momento. O primeiro reuniu uma manteiga sem sal de salmão, cavala e anchovas, as duas últimas servidas sem qualquer intervenção. Para acompanhar, foram dispostos, na mesa, pão de trigo e pão de centeio, o azeite biológico de Valpaços e as azeitonas, que fazem parte dos menus de degustação deste espaço de bem comer, onde os fermentados, os preservados e as conservas caseiros são uma constante.
A delicadeza de cada criação foi revelada ao longo do almoço. O piso de espinafres selvagens e amêndoa a acompanhar a raia, o lingueirão e o berbigão, encimados por um pickle de pêra, testemunhou a arte conjugar sabores e texturas. A subtileza do detalhe foi comprovada igualmente pelo mil folhas de sardinha e batata, constituído por três variedades deste tubérculo: Kennebec, Désirée e outra de Aljezur. “Os camarões foram aquecidos directamente na lata”, aos quais o Chef Vítor Adão juntou “uma salada, para realçar o sabor”. A tartelete de mexilhões de escabeche complementou este prato.
O mais arrojado prato foi o das ovas de bacalhau e búzios, inusitadamente conjugados com coco e batata doce. Os citrinos mão-de-buda e limão galego, usados com parcimónia, conferiram a acidez necessária, a par com os amendoins ligeiramente caramelizados. No fundo, comprovou, uma vez mais, que uma simples conservas é a base de uma criatividade infinita, aprimorada pela pelo trio composta por pescada, polvo e enguia. A estes, o Chef Vítor Adão juntou choco, halófita, batata Atlântica, de Boticas, no distrito de Vila Real, e acrescentou beurre blanc, bem como espuma da pescada.
Para finalizar o almoço, inteiramente harmonizado com vinhos da Quinta de Cypriano, localizada em Ponte de Lima, na região dos Vinhos Verdes, o Chef transmontano preparou um lingote de chocolate e lemon curd, cuja acidez cítrica se conjugou na perfeição, com o granizado de Queijo Terrincho, sendo este feito a partir de leite de ovelha Churra, existente na Terra Quente de Trás-os-Montes. Este último fez a ligação com as raspas deste produto, que Vítor Adão coloca generosamente por cima do pão-de-ló, a clássica sobremesa do Plano.
De volta às conservas, arte ancestral de preservar sabores e de promover a sustentabilidade alimentar, é de salientar que cerca de 80 por cento da produção é destinada à exportação, segundo as palavras de Marta Azevedo, Directora de Marca e Comunicação da ANICP, fundada em 1977. Além da diversidade, a nossa cicerone salienta a praticidade deste produto, que facilmente ganha protagonismo numa refeição intensamente saborosa e claramente criativa. Para o ano, ficou no ar a ideia de se fazer um almoço em que os presentes iriam “pôr a mão na massa”.
Enquanto esse dia não chega, nada melhor do que assinalar este Dia Nacional das Conservas de Peixe, que se comemora hoje, 15 de Novembro, com uma visita (2,50€ estudantes, professores e reformados/5€ público geral) à exposição “O Milagre da Sardinha – Memórias e Mistérios de um Ícone Nacional”, patente no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, até 30 de Dezembro. A mostra convida a viajar pelas variadas fases inerentes à conserva, desde a pesca à preservação de uma espécie de peixe que é símbolo de Portugal, e é complementada com uma conversa partilhada entre António Marques, do Centro de Arqueologia de Lisboa, e Ana Ferreira Fernandes, autora da transcrição sobre o regulamento de venda das sardinhas, no próximo dia 23 de Novembro, sob o título “O Milagre da Sardinha”.
Academia de vinhos portugueses em terras de Sua Majestade

No próximo dia 3 de Novembro, a ViniPortugal vai organizar a Wines of Portugal Academy for Sommeliers – Nível Intermédio, formação conduzida pela Wine Educator da ViniPortugal Sofia Salvador, no The Caledonian Club, em Londres. Esta ação tem como objectivo reforçar o conhecimento e o prestígio dos vinhos portugueses junto do segmento On Trade Premium. […]
No próximo dia 3 de Novembro, a ViniPortugal vai organizar a Wines of Portugal Academy for Sommeliers – Nível Intermédio, formação conduzida pela Wine Educator da ViniPortugal Sofia Salvador, no The Caledonian Club, em Londres. Esta ação tem como objectivo reforçar o conhecimento e o prestígio dos vinhos portugueses junto do segmento On Trade Premium. O público-alvo abrange profissionais que concluíram a fase anterior, bem como escanções que demonstram um enorme conhecimento sobre os vinhos portugueses e querem aprofundar a especialização.
“O Reino Unido é um mercado estratégico para os vinhos portugueses, em particular no segmento On Trade Premium. A formação de sommeliers é uma aposta essencial para aumentar o reconhecimento e a recomendação dos nossos vinhos nos melhores restaurantes. Esta Wines of Portugal Academy é mais um passo importante para consolidar a imagem de qualidade e diversidade dos Vinhos de Portugal junto de quem influencia directamente o consumidor final”, declara, em comunicado, Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal. A iniciativa confere a continuidade dada ao programa com nível intermédio e, ao mesmo tempo, enfatiza a valorização do vinho português.
175 anos de história

O Periquita foi celebrado na centenária Casa-Museu da José Maria da Fonseca, em Azeitão, ou não fosse aquela referência considerada o vinho tranquilo mais antigo do país. Nas palavras de António Maria Soares Franco, co-CEO da empresa e um dos representantes da sétima geração da família, “é o vinho mais importante da casa, a primeira […]
O Periquita foi celebrado na centenária Casa-Museu da José Maria da Fonseca, em Azeitão, ou não fosse aquela referência considerada o vinho tranquilo mais antigo do país. Nas palavras de António Maria Soares Franco, co-CEO da empresa e um dos representantes da sétima geração da família, “é o vinho mais importante da casa, a primeira marca de vinho tinto em Portugal e o primeiro vinho a ser engarrafado. É, sem dúvida, um símbolo do vinho em Portugal e o embaixador dos vinhos portugueses.”
Para começar esta história é necessário fazer uma viagem até à década de 1480, quando José Maria da Fonseca comprou a Cova da Periquita, em Azeitão, onde plantou varas de Castelão. “A vinha já não existe e a localização está bem perto de Azeitão, a caminho da Arrábida. Primeiro, plantou as vinhas alinhadas, o que não era comum naquela época, também para poder animais no trabalho da vinha e não ser apenas trabalho braçal. Por outro lado, como era matemática, calculou a distância entre as cepas, para maximizar a exposição solar e a produtividade por hectare”, conta o nosso anfitrião. As uvas daqui deram origem à primeira colheita do Periquita, um tinto cujo começo é marcado pela carta enviada por José Maria da Fonseca a um cliente, com a sugestão de provar esta boa nova de então. Depois, importa referir o primeiro registo do nome Periquita, uma carta do ano 1850, na qual José Maria da Fonseca sugere, a um cliente, a prova do vinho.
O reconhecimento do produto valeu-lhe a fama entre os produtores da actual região dos Vinhos de Setúbal, que lhe pediram varas da referida casta tinta, a qual passaram a designar Periquita, devido ao nome da referida propriedade. E foi mais além, com distinções dentro de portas e além mar. Em 1941, foi registada a marca Periquita.
Com a evolução do mercado, no ano seguinte, surgiu o Periquita Reserva tinto e, em 1997, é apresentado o Periquita Clássico, de 1992. A estreia do branco aconteceu em 2004, o do rosé em 2007. O Periquita Reserva branco passou a ser produzido em 2023. Segundo o nosso anfitrião, “faltava um complemento para o Reserva tinto. O perfil é muito elogiado pelos nossos clientes e é feito a partir de um lote constituído por duas castas: a Arinto, para lhe dar frescura e acidez, e a Viognier, para lhe dar mais complexidade e estrutura.” Entretanto, em 2012, chegou a vez do Periquita Superyor, com a colheita de 2008. O nome deste último é explicado por António Maria Soares Franco: “como temos essa tradição de os melhores moscatéis se chamarem Superior, decidimos usar a mesma palavra para designar o topo de gama da família Periquita.”
Parabéns, José Maria da Fonseca!
Guillaume Schaeffer, CEO da SITEVI: “Queremos continuar a promover uma inovação que seja acessível, útil e inclusiva”

De 25 a 27 de Novembro, o SITEVI, evento dirigido aos profissionais dos sectores do vinho, da azeitona e da fruta, terá lugar no Parque de Exposições de Montpellier, no Sul de França. Com o propósito de esmiuçar as temáticas abordadas durante os três dias da edição de 2025 deste certame e conhecer as mais-valias […]
De 25 a 27 de Novembro, o SITEVI, evento dirigido aos profissionais dos sectores do vinho, da azeitona e da fruta, terá lugar no Parque de Exposições de Montpellier, no Sul de França. Com o propósito de esmiuçar as temáticas abordadas durante os três dias da edição de 2025 deste certame e conhecer as mais-valias para os operadores portugueses, a Grandes Escolhas entrevistou o CEO, Guillaume Schaeffer.
Diversificar, inovar e antecipar são as premissas desta edição do SITEVI. Pode explicar as razões que determinaram a selecção destas premissas para o certame de 2025?
Estas três palavras representam as realidades com que se confrontam actualmente os profissionais do sector vitivinícola, oleícola e frutícola. A diversificação, em primeiro lugar, é uma resposta directa à evolução das expectativas do mercado: assistimos ao desenvolvimento de produtos como os vinhos sem álcool, os circuitos curtos de distribuição e o agroturismo. Em segundo lugar, a inovação é uma necessidade no terreno: é o que nos permite melhorar o desempenho e a sustentabilidade, e resistir melhor aos imprevistos. Depois, há a antecipação. Sabemos que os modelos económicos tradicionais são minados pelas alterações climáticas, pela volatilidade dos preços e pela pressão regulamentar. O nosso objectivo com o SITEVI 2025 é proporcionar um fórum onde estas questões possam ser analisadas, discutidas e traduzidas em soluções concretas.
De que forma as soluções digitais são consideradas uma mais-valia para os sectores aqui representados?
A tecnologia digital é, actualmente, uma ferramenta de gestão essencial para os agricultores. Permite-lhes gerir melhor a água e os factores de produção, recolher e analisar dados meteorológicos, antecipar e corrigir. Tornam-se também um verdadeiro suporte para a automatização de certas tarefas ou para o controlo à distância. São tecnologias que nos permitem continuar a ser competitivos, aliviando a nossa carga de trabalho. É igualmente importante sublinhar que estas ferramentas estão a tornar-se cada vez mais acessíveis, mesmo para as pequenas estruturas.
Preços, alterações climáticas e concorrência internacional. Em que medida este certame apoia os profissionais na redefinição dos modelos de negócio?
SITEVI é uma plataforma para a transição. Funciona como uma ponte entre as questões estruturais, como o clima, os preços e a concorrência, e as soluções que os profissionais podem implementar actualmente. No salão, destacaremos as alavancas concretas: robotização, agricultura de precisão, valorização dos subprodutos e abertura de novos mercados. Mas a força do SITEVI reside também na riqueza dos seus conteúdos. As conferências, os ateliers temáticos, os intercâmbios com os centros técnicos e os parceiros institucionais oferecem uma visão estratégica que não deixa de estar enraizada na realidade. É uma abordagem pragmática, concebida para ser útil e imediatamente acionável.
Quão eficaz é esta rede de contactos no âmbito dos sectores da viticultura, da arboricultura e da olivicultura?
Acima de tudo, o SITEVI é um salão reconhecido pela riqueza e qualidade da sua rede. É um dos poucos eventos na Europa capaz de reunir toda a cadeia de valor num só lugar: dos investigadores aos produtores, dos fabricantes de equipamentos aos distribuidores. Com cerca de 1000 expositores, mais de 55 000 visitantes de 73 países e uma dimensão verdadeiramente internacional, criamos encontros direccionados e eficazes, que conduzem a parcerias concretas. O que os profissionais procuram são ligações, poupanças de tempo e soluções partilhadas. O SITEVI dá-lhes a oportunidade de levar os seus projectos para a frente, de se inspirarem uns nos outros e de trabalharem em conjunto, com a finalidade de encontrarem soluções para os desafios que os seus sectores enfrentam atualmente.
O que se pode esperar da edição de 2025 do SITEVI em matéria de sustentabilidade, bem como de inovação?
Este ano, optámos por privilegiar a inovação útil, acessível e sustentável. São expectativas fortes por parte dos profissionais e são também o que nos permite ter um verdadeiro impacto positivo no sector. Isto traduz-se em soluções que respondem a desafios muito reais: reduzir a pegada de carbono, com sistemas de destilação com baixo teor de carbono ou motores alternativos, por exemplo; gerir melhor os recursos, nomeadamente a água, com sistemas de irrigação inteligentes; ou desenvolver a readaptação e a reciclagem, para prolongar a vida útil dos equipamentos. Mas esta dinâmica de inovação não se fica pela tecnologia. Também estamos a promover abordagens sustentáveis que englobam toda a cadeia de valor, desde o cultivo à transformação. E a inovação social terá o seu lugar de destaque, nomeadamente com soluções concebidas para pequenas estruturas, explorações familiares ou projectos de transferência.
Em que sentido o certame deste ano vai acrescentar valor aos operadores portugueses?
Para os operadores portugueses, o SITEVI é, antes de mais, um fórum de troca de ideias com outros operadores europeus, num ambiente que favorece o diálogo profissional e os contactos direcionados. É uma oportunidade para conhecer melhor a evolução do mercado, antecipar as tendências técnicas e económicas e comparar as estratégias implementadas pelos diferentes sectores. O SITEVI permite ainda às empresas portuguesas, sejam elas fornecedoras, cooperativas ou produtores, posicionarem-se num certame de elevado valor acrescentado. Isto pode passar pela observação de tecnologias, mas também pela participação em conferências, masterclasses e intercâmbios com potenciais parceiros. Sabemos que os profissionais portugueses estão muito atentos às alterações regulamentares e às novas práticas, e o salão oferece-lhes um quadro concreto para as decifrar e planear a sua adaptação. Por fim, o SITEVI é também um factor de visibilidade para os expositores portugueses que pretendem chegar a um público internacional. Atrai um público altamente qualificado e redes profissionais poderosas, nomeadamente nos domínios das máquinas, do equipamento das adegas e da consultoria agronómica. É um terreno fértil para estabelecer pontes entre França, Portugal e, mais amplamente, os mercados do Sul da Europa.
Que visão de futuro tem o SITEVI e qual será o panorama dos referidos sectores nos próximos tempos?
Queremos apoiar as transições que estão a ocorrer nos sectores atuais, mantendo-nos o mais próximo possível do terreno. Acima de tudo, queremos oferecer soluções concretas e práticas que se dirijam tanto às grandes como às pequenas explorações agrícolas. Queremos continuar a promover uma inovação que seja acessível, útil e inclusiva. A vocação do SITEVI é ser um catalisador, um momento-chave, em que os profissionais podem encontrar-se, trocar ideias e construir o futuro do seu sector. Esperamos vê-lo em Montpellier, de 25 a 27 de Novembro de 2025, para uma edição excepcional do SITEVI, sob o signo da inovação, da sustentabilidade e das grandes transições nos sectores do vinho, da azeitona e da fruta!













