A excelência num copo: os 30 melhores vinhos de 2019

Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: Dirceu Vianna Junior, João Afonso, João Paulo Martins, Luís Lopes, Mariana Lopes, Nuno de Oliveira Garcia e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, avaliou tantos vinhos e tão diversos quanto esta […]
Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: Dirceu Vianna Junior, João Afonso, João Paulo Martins, Luís Lopes, Mariana Lopes, Nuno de Oliveira Garcia e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, avaliou tantos vinhos e tão diversos quanto esta equipa que conjuga experiência e juventude, irreverência e sensatez, e tem como denominador comum o rigor, a isenção e o sentido de responsabilidade.
Quase 5.000 notas de prova, individuais e colectivas, foram sendo compiladas ao longo do ano, resultando na conclusão já esperada: os vinhos portugueses mostram uma qualidade média elevada, vincado carácter regional e, em muitos casos, aliam notável expressão de terroir à excelência qualitativa.
Identificar e premiar os vinhos que mais se destacaram em cada região ou categoria não foi por isso tarefa fácil; e, de entre estes, seleccionar o nosso Top 30, foi mais árduo ainda. Para levar a cabo esta missão de forma rigorosa e, tanto quanto possível, justa, estabelecemos critérios. Desde logo, não considerámos vinhos já premiados em anos anteriores. Depois, deixámos de fora os vinhos produzidos em quantidade inferior a 1000 garrafas. E, adicionalmente, para ser elegível para o exclusivo “clube” Top 30, o vinho em questão deverá ter sido provado e aprovado como merecedor por, pelo menos, três dos sete provadores.
Este ano fomos mais longe e optámos por escolher ainda o melhor entre os seus pares, nas categorias espumante, branco, tinto e fortificado. É este o vinho que vem em primeiro lugar, a abrir a categoria, sendo que os restantes entram por ordem alfabética.
São todos eles vinhos de primeira grandeza, vinhos de sonho que espelham o Melhor de Portugal.
(nota: os textos estão assinados no final com as iniciais dos nomes dos autores. A descodificação: J.A: João Afonso; J.P.M: João Paulo Martins; M.L: Mariana Lopes; N.O.G: Nuno de Oliveira Garcia; V.Z: Valéria Zeferino)
Murganheira Esprit de la Maison Távora-Varosa Espumante branco 2011
Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Nada neste vinho é normal ou corrente, e tudo foi pensado ao pormenor. Afinal de contas, referimo-nos ao novo espumante de topo da Murganheira, produtor com larga experiência e que já nos habituou a várias cuvées especiais. Desde logo, é unicamente comercializado na loja da empresa, e num formato Magnum (1,5 litros), o que lhe confere imediatamente uma aura de elitismo, a somar-se ao rótulo distinto e luxuoso que exibe. Depois, degorjaram-se apenas 1.000 garrafas, o que o torna uma preciosidade rara. Quanto ao vinho propriamente dito, trata-se de uma ‘assemblage’ apenas de Pinot – Noir, Blanc e Meunier – da colheita de 2011, um ano excelente para tintos, brancos e, já agora, para espumantes também. O perfil é de enorme requinte, com pressão média e bolha finíssima que se desfaz numa prova de boca cremosa. É apenas em Magnum e não é barato, mas é absolutamente fabuloso. N.O.G.
É o novo espumante de topo da Murganheira, que procura simbolizar toda a filosofia da casa e é unicamente comercializado na loja da empresa. Feito de uma “assemblage” de Pinot (Noir, Blanc e Meunier) revela profundidade e complexidade aromática impressionantes, com biscoito, brioche, citrinos, especiarias, entrelaçados num conjunto de enorme requinte. A fruta tem notável qualidade, a bolha finíssima desfaz-se na boca cremosa, o vinho brilha intensamente em frescura, sofisticação, classe. Degorjaram-se apenas 1.000 garrafas magnum desta preciosidade. (13%)
Vértice Douro Espumante Pinot Noir branco 2010
Caves Transmontanas
Uma das duas mais requisitadas variedades da região francesa Champagne, Pinot Noir (sendo a outra o Chardonnay), serve de ferramenta às Caves Transmontanas para fazer um dos melhores espumantes portugueses, fácil de se bater com o que de melhor se faz lá fora a nível de bolhinhas. A Celso Pereira tira-se o chapéu, por se estar a tornar num dos maiores mestres nacionais de espumante, mostrando que esta é uma arte que, para atingir a grandiosidade, requer uma alta especialização e um talento que talvez não assista a todos. Isso e terroir, claro. Este Pinot Noir tem origem em solos graníticos de transição, a cerca de 550 metros de altitude, e estagia em garrafa durante mais do que 96 meses. M.L.
Degorjado em Maio de 2019. Cor ligeiramente salmonada, bolha finíssima. Aroma requintado com brioche, tosta, pastelaria e nuances de fruta vermelha. Harmonia e plenitude, cremosidade de mousse incrível, frescura profunda que persiste no elegante e saboroso final de boca com toque de framboesa. (13%)
Parcela Única Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2017
Anselmo Mendes Vinhos
A presença recorrente do “Doutor Alvarinho” neste Top 30 não é por acaso. A cada ano que passa, Anselmo Mendes deixa um vinho (no mínimo) no topo das milhares de provas feitas na Grandes Escolhas. Os mais de 20 anos de estudo e experimentação com a casta, fizeram dele o maior conhecedor dela e o mentor que todos os jovens enólogos de Monção e Melgaço, e não só, querem ter. De uma só parcela, com cerca de dois hectares, surge este Alvarinho que prima pela elegância e precisão, cujas uvas são prensadas, inteiras e desengaçadas, muito suavemente. Depois, fermenta em barricas de carvalho francês e estagia nas mesmas durante sensivelmente nove meses, com bâtonnage, sobre borras totais. Uma ode ao Alvarinho desta sub-região. M.L.
As notas minerais invadem o aroma, amparadas por levíssimos fumados, fruta de enorme qualidade, toranja e tangerina em camadas. A boca revela um vinho ainda extremamente jovem, sem querer mostrar tudo, com sublime delicadeza e contenção. Textura cremosa cortada por acidez crocante, sólido e super-elegante ao mesmo tempo. No final, interminável, voltam as notas de pedra molhada, num registo pleno de brilho e distinção. Um branco perfeito, contido, que é quase crime beber agora. Vale o sacrifício de esperar mais três ou quatro anos por ele. (13%)
Grande Druida Homenagem João Corrêa Dão Encruzado branco 2017
C2O
Nuno do Ó tem deixado a sua marca enológica em várias regiões. Foi em Bucelas que, na quinta da Romeira, trabalhou com João Corrêa, o enólogo entretanto falecido e agora muito justamente homenageado com este vinho. Depois disso encontramos o seu nome associado a vinhos de várias regiões, de norte a sul. O gosto pelo Dão levou-o também até às terras beirãs e, com a marca Druida, têm saído para o mercado vinhos cheios de carácter e alma, algo que, estamos certos, muito agradaria a João Corrêa. Aqui, Nuno expressa o terroir específico do Dão, trazendo-nos um branco notável que nos recorda que esta é uma das melhores zonas do país vinhateiro para fazer vinhos brancos que podem durar anos em cave. J.P.M.
Absolutamente primoroso no aroma, muitas notas de sílex, citrinos frescos, vegetal seco, tudo com grande pureza e presença. Na boca revela imenso carácter, com grande cremosidade cortada por vibrante acidez, notas de casca, toranja, suave especiaria, sugestão de fumo. Tenso, longo, distinto, é um branco de enorme sofisticação, feito para crescer ao longo de muitos anos. (12,5%)
Quinta do Regueiro Jurássico Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco
Quinta do Regueiro
Neste projecto não há pressa em nada, o tempo é que faz o seu trabalho. A primeira vinha de Alvarinho foi plantada em 1988 e o primeiro vinho lançado no mercado 10 anos mais tarde, em 1999. Tudo começou com 2 hectares de vinha, hoje já existem 6 hectares plantados e mais 6 através de contratos de longa duração.
Este vinho, absolutamente invulgar, quer na forma de ser feito, quer nas suas características organolépticas. Resulta de um lote de vinhos das colheitas de 2007, 2008, 2009 e 2010, estagiados apenas em inox para mostrar o potencial da região e a capacidade de evolução da casta, mesmo sem estágio em barrica. Foi lançado no ano passado, em que a marca comemora os seus 20 anos. V.Z.
Resulta de um lote de vinhos das colheitas de 2007, 2008, 2009 e 2010, conservados em inox. É um vinho tremendo, desde logo pela complexidade aromática, misturando sugestões de casca de laranja, tangerina, gengibre, resinas, iodo, um leve toque apetrolado. Muito rico e profundo, servido por acidez generosa e crocante, com final elegante e interminável, um verdadeiro hino à casta e à região. (13%)
Série Ímpar Bairrada Sercialinho branco 2017
Sogrape Vinhos
Este é o primeiro vinho de uma linha muito especial. Tudo começou quando Fernando da Cunha Guedes, presidente da Sogrape, desafiou os seus enólogos a criar vinhos diferenciadores, que aliassem criatividade a elevada qualidade, sem qualquer constrangimento comercial ou financeiro. Surgiu assim a Série Ímpar, ideia abraçada com muita vontade pelos profissionais da empresa, a laborar em várias regiões do país. Este branco Bairrada, nascido da Quinta de Pedralvites, é a criação do enólogo António Braga com o apoio de Paulo Prior, o residente na adega desta região. Em 2.5 hectares de solo argilo-calcário, cresce o Sercialinho que fermentou em barricas usadas, para se tornar num branco que encaixa perfeitamente no “pedido do patrão”: único e brilhante. M.L.
A pele das uvas Sercialinho é quase laranja e origina por isso um vinho de cor limão maduro. O aroma é intenso, complexo e elegante, muito centrado nas notas citrinas, frutos secos, erva caril. A presença de boca é brilhante, com corpo cheio e untuoso cortado por crocante acidez limonada. Enorme equilíbrio e firmeza, imenso sabor, longuíssimo final. (12,5%)
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Douro tinto 2016
Quinta do Crasto
A vinha Maria Teresa é um tesouro centenário de 4.7 hectares, plantado em socalcos e com exposição nascente, na Quinta do Crasto. Naturalmente, podem encontrar-se nela 49 variedades misturadas. A baixa altitude e com raízes que atingem dezenas de metros de profundidade, a vinha Maria Teresa tem uma média de produção, por videira, de 300g de uvas, uma baixíssima produtividade que gera um nível de concentração muito rico e uvas de grande qualidade. Em anos excepcionais, essas uvas originam este magnificente vinho homónimo, que na colheita de 2016 estagiou em barricas de carvalho novas (90% de carvalho francês 10% carvalho americano) durante 20 meses. O lote final resulta, ainda, de uma selecção primorosa dessas barricas. Um estrondo de vinho tinto, o arquétipo da elegância. M.L.
Impressiona desde logo pela excelente profundidade aromática, com enorme complexidade e qualidade, fruto silvestre, arbusto, esteva, muita especiaria, um leve floral superelegante. O vinho revela uma grande estrutura tânica de taninos maduros, com leves amargos, fantástica textura e cremosidade combinada com bastante frescura, numa mistura de equilíbrio, classe e personalidade que roça a perfeição. Um Douro grandioso, brilhante. (14,5%)
Aeternus Douro tinto 2017
Quinta Nova N. Senhora do Carmo
O nome diz tudo, Aeternus… Inspirado na vida e no legado do empresário Américo Amorim, e fruto da colheita do ano que o viu falecer, é a homenagem ao patriarca e a comemoração dos 20 anos da família Amorim no negócio do vinho. São apenas 3.566 de um vinho verdadeiramente topo de gama num projeto que já constava com outros grandes tintos (Mirabilis e dois Grande Reserva), o que diz muito da sua qualidade. Provém da Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo, de uma vinha centenária com 2.5 há. virada a sul, na margem direita do Douro entre a Régua e o Pinhão. O lote é composto por várias castas típicas da região, incluindo preciosidades quase históricas como Tinta Carvalha, Rufete e Alicante Bouschet. Dado o seu carácter mais aberto e delicado, optou-se por um estágio com grande percentagem em barrica usada. Temos aqui um tinto muito afinado, fruto do desejo de Luísa Amorim, do labor da equipa de viticultura liderada pela Ana Mota e da competência entusiasmada do enólogo Jorge Alves. N.O.G.
Oriundo de uma vinha centenária, impressiona desde logo pela fantástica qualidade da fruta, bagas silvestres, amoras, framboesas, desdobrando-se em camadas, acompanhadas de notas de esteva, menta, cacau amargo, flores campestres. A textura e cremosidade de boca são fantásticas, com taninos maduros de enorme polimento, apesar da óbvia juventude. Equilíbrio ácido perfeito, muita classe e sofisticação. (14,5%)
Carlos Lucas & Carlos Rodrigues Dão tinto 2015
Magnum-Carlos Lucas Vinhos
Os dois enólogos que dão nome ao vinho têm já muitos anos de profissão, tendo acompanhado a renovação da enologia que se operou em Portugal nos anos 90. Essa mudança, que se estendeu a várias regiões, apanhou Carlos Rodrigues na Bairrada e Carlos Lucas no Dão, regiões vizinhas que, apesar da proximidade, fazem vinhos diferentes. A vizinhança levou-os, no entanto, a interessarem-se por outros vinhos e esta colaboração é disso um bom exemplo. Carlos Lucas está agora mais centrado na região de origem, com um portfólio alargado de vinhos do Dão, região que nos traz os melhores exemplares de algumas das mais conceituadas castas nacionais, quer em brancos quer em tintos. As parcerias querem-se assim. J.P.M
Surpreendentemente jovem na cor e no aroma, com fruta silvestre de elevada qualidade, suaves fumados e especiarias, leve floral, um toque de cassis, caruma. A textura de boca é um espanto, muita cremosidade envolvendo taninos sólidos, mas maduros, com imprevista acidez a dar muita vibração, frescura e persistência. Grande vinho. (14%)
Cortes de Cima Reg. Alentejano Reserva tinto 2014
Cortes de Cima
Um dos grandes clássicos do Alentejo, produzido apenas em anos de excelência. Hans e Carrie Jorgensen chegaram a Portugal em 1988 e descobriram “Cortes de Cima” na zona de Vidigueira no Alentejo, terras, onde resolveram criar a sua segunda casa. Plantaram as castas tintas, onde se plantava habitualmente, brancas, porque acreditaram no seu projecto.
Lote de cinco castas: Aragonez, Syrah (e foram eles a introduzir esta casta no Alentejo), Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Touriga Franca. Antes da fermentação ocorre uma longa maceração pelicular. Segue o estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês e 10% de carvalho americano. V.Z.
Aragonez, Syrah, Touriga Nacional, Petit Verdot. Fruto vermelho de enorme qualidade, balsâmicos, toque vegetal seco, terra húmida, musgo, cogumelos shitake. Equilíbrio perfeito entre taninos, corpo, acidez, enorme frescura de boca, sofisticado, com classe, todo ele integrado e elegante. (14%)
Estremus Reg. Alentejano tinto 2015
J. Portugal Ramos Vinhos
Este é, sem dúvida, um vinho muito especial desde a origem. É certo que João Ramos dispensa apresentações, sendo um dos responsáveis pela revolução dos vinhos em Portugal sentida nos anos ’80 e ’90 do século passado. Mas, na verdade, este tinto provém de uma vinha única, plantada na encosta do castelo de Estremoz e com uma beleza extrema e enorme fotogenia (uma das mais belas do país). Tem 25 há. e data de 2001, tendo sido escolhido para este tinto apenas a parcela – somente 1,5 há – na zona mais alta da encosta onde mais mármore se encontra à superfície. Com as tradicionais Trincadeira e Alicante Bouschet, em iguais proporções, fermentação em lagares feitos de mármore tal como o solo onde nasceu, João Ramos decidiu produzir um tinto único, naturalmente assente numa pequena produção (4 toneladas por ha). São 3.288 garrafas preciosas e raras, onde a fruta se destaca pela beleza e os taninos pela sofisticação. N.O.G.
Com Trincadeira e Alicante Bouschet, duas uvas clássicas do Alentejo, pisado e fermentado em lagares de mármore. A fruta é de enorme qualidade, assente em notas de groselhas pretas e amoras, ligada por muito discretos fumados e especiarias da barrica. Os taninos de seda estão perfeitamente envolvidos pelo corpo cheio, a que a fina e vibrante acidez do Alicante empresta leveza e frescura. As típicas notas de vegetal seco da Trincadeira conferem-lhe evidente carácter alentejano, sem sombra de rusticidade, antes um notável equilíbrio e elegância que perduram no muito longo final. Com tudo no sítio certo, um tinto de puro prazer. (14%)
Ganita Reg. Lisboa tinto 2015
Quinta do Gradil
A região de Lisboa é extensa e tem sido o cadinho de múltiplas experiências vínicas. A quinta do Gradil é um dos grandes operadores da região e os seus vinhos reflectem exactamente esse ambiente de experiência e vontade de inovar. Este tinto surge um pouco nessa linha, optando, num trio de castas, por uma pouco vulgar entre nós, a Tannat que, embora francesa, foi no Novo Mundo (Uruguai) que brilhou. Difícil a solo, é casta que, no entanto, é uma boa parceira em conjunto com outras. A região permite quase tudo, jogando com orientação solar, diferenciação de solos, formas de condução e técnicas enológicas diferentes. Tudo com o mar bem perto, o que lhe confere o seu traço dominante, a frescura. J.P.M.
Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tannat, constituem uma pouco vulgar mistura de castas, mas que resulta maravilhosamente neste tinto que combina a fruta madura e a nuance floral das variedades portuguesas com a textura e músculo da francesa, tudo isto envolvido pela frescura atlântica deste terroir. Apesar do tempo de estágio, está extremamente jovem ainda, escuro e concentrado, vigoroso e opulento, com menta e pimenta no final muito longo e refrescante. Um grande tinto, que não liga a modas, e que continuará connosco ao longo das próximas décadas. (14,5%)
Gene Bairrada tinto 2007
Kompassus Vinhos
Já não é a primeira vez que o produtor João Póvoa tira “coelhos da cartola” (se me permitem a expressão!?). O primeiro foi o Quinta de Baixo Garrafeira 1991 (re)lançado em 2016 e que nos espantou pela robustez e juventude, esgotando pouco tempo depois de ser posto à venda. Este ano é o Gene que comprova a capacidade do legado genético deste produtor para fazer vinhos admiráveis que nos continuam a surpreender muitos anos depois de serem engarrafados. Este tinto, que em 2007 João Póvoa acreditava que seria o último da sua carreira, deu origem, 12 anos depois, a um lançamento único com uma apresentação inovadora e com um conteúdo absolutamente extraordinário. Um tinto inesquecível, uma autêntica e irrepetível raridade. J.A.
Muito escuro de cor. No aroma a dupla barrica desapareceu por completo, obliterada pelo vinho. Extremamente complexo, carnudo e profundo. Caixa de charuto, cravinho, pimenta, amoras silvestres, levíssima nota de cacau. Na boca é gordo, mas imensamente fresco, taninos fantásticos, muita especiaria, excelente acidez e frescura, longuíssimo e clássico final. Sublime. (14%)
Gloria Reynolds Cathedral Reg. Alentejano tinto 2004
Reynolds Wine Growers
A aposta de Julian Reynolds, e do seu enólogo Nelson Martins, em entregar os vinhos ao mercado com muitos anos de estágio, origina tintos como este Gloria Reynolds Cathedral, um autêntico monumento em forma de garrafa. Julian sabe bem o quer, desde muito cedo, e isso transparece nos vinhos criados à sua imagem e à dos seus antepassados. De Alicante Bouschet em maior parte (a uva porta-estandarte da Reynolds) e Trincadeira, o Cathedral é um dos lotes do vinho Gloria Reynolds (nome da sua mãe) que Julian manteve na adega para um lançamento tardio, 12 anos depois. E se valeu a pena… Evoluído de forma perfeita, mas ainda com muito para dar, é um autêntico portento, um tinto super-complexo, apaixonante. M.L.
Aroma quase jovem, com leves notas de mogno, frutos compotados e também secos. Muito fresco e bem vivo, está ainda nervoso com acidez para durar, chega a todos os cantos do palato e por lá fica. Um grande vinho, pleno de qualidade, sabor e finesse, potente. Excelente no estilo clássico. (13,5%)
Lavradores de Feitoria Três Bagos Douro Grande Escolha tinto 2015
Lavradores de Feitoria
A Lavradores de Feitoria, apesar dos seus 20 anos, mantém-se um projeto único, resultante da união de 15 produtores, proprietários de 18 quintas distribuídas pelas três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior). Ano após ano, vários vinhos da Lavradores de Feitoria merecem destaque da crítica. A par do Meruge (branco e tinto) e clássico Sauvignon Blanc (quase um precursor na região), tem sido o topo de gama tinto Grande Escolha o vinho que, desde a sua estreia em 2000, tem merecido mais elogios. Com origem em vinhas velhas, todas com mais de 60 anos provenientes das quintas da Costa, Mata e Estrada, o enólogo Paulo Ruão (que é o responsável por este tinto desde 2004) criou um vinho assente em mineralidade e profundidade na prova de boca. Num ano de grande qualidade para o Douro, e após uma afinação longa em barrica nova e em garrafa, este Grande Escolha é um dos vinhos mais irresistíveis do Douro! N.O.G.
Tem origem em vinhas velhas. Mostra tremenda complexidade aromática, onde a mineralidade é sentida, onde a fruta é madura, com bagas negras e algumas notas balsâmicas, sempre com distinta elegância. O ambiente na boca é de enorme harmonia e profundidade. Conjunto notável, de absoluto polimento, repleto de sabor. (14,50%)
Palácio dos Távoras Gold Edition Trás-os-Montes Grande Reserva tinto 2016
Costa Boal Family Estates
O projecto da Costa Boal Family Estates abrange as duas regiões – Douro e Trás-os-Montes e consiste em recuperação de vinhas da família. A responsabilidade enológica recai sobre o já conceituado enólogo Paulo Nunes.
Este vinho resulta de uma parcela específica de uma vinha velha com 50-60 anos perto de Mirandela, onde, para além de Alicante Bouschet, encontra-se uma grande percentagem de Baga, o que não é muito comum nas vinhas em Trás-os-Montes. Na adega repararam que a uva desta parcela tinha características analíticas diferentes (pH mais baixo). Fermentou em lagares com algum engaço e estagiou 16 meses em barrica nova. A edição é limitada a 1.145 garrafas e mais 115 magnum. V.Z.
Oriundo de pequena parcela de vinha velha. Aroma refinado e complexo que merece uma prova atenta. Revela amora madura, pasta de azeitona preta, tomilho, cominho e pimenta preta, alguma noz moscada e notas de terra. Entra em grande, com potência e afirmação de estrutura e tanino, deixando acidez e elegância a brilhar no fim. Fruta fresca e especiaria persistem no sabor com muita personalidade. (14,5%)
Pintas Douro tinto 2017
Wine & Soul
Com sede e centro de operações em Vale de Mendiz, a Wine & Soul tem vindo, paulatinamente a alargar o seu portefólio e agora a consolidá-lo. O primeiro vinho foi o Pintas, da colheita de 2001, depois surgiram outros tintos, brancos e Portos. Apesar de todas as vinhas para os tintos se encontrarem exclusivamente no Vale de Mendiz, não muito distante da Vila do Pinhão, mas com maior altitude, as várias referências apresentam características diferentes. A vinha que origina o Pintas permite sempre maturações muito intensas, graças à sua exposição e idade vetusta. Depois de mais de 15 edições, e na edição de 2017 (bem diferente da de 2016, com maior concentração no centro de boca e final mais pujante) todos os vinhos do produtor voltaram a brilhar, mas o Pintas mais uma vez destacou-se pela profundidade da prova de boca e complexidade aromática. Cada vez mais fino e quase inalcançável no perfil polido e generoso, o Pintas 2017 mantém-se um dos melhores de Portugal. N.O.G.
Aroma muito complexo, com alguma opulência de fruta vermelha e negra com a barrica especialmente bem inserida. Impressiona enormemente os sentidos, mas sem ser impositivo, o que é muito bom. Tem perfeita elegância de boca, taninos muito finos, mas ainda bem presentes, deixando um final acetinado, longo e com frescura. Notável. (14,5%)
Quinta da Pellada “Mata” e “Casa” Dão tinto 2015
Quinta da Pellada
Há 30 anos que Álvaro Castro nos vem mostrando o que de melhor a região do Dão tem para oferecer. Isto é válido quer para brancos quer tintos e Álvaro tira partido de pequenas parcelas onde muitas vezes com inúmeras castas diferentes misturadas na vinha, consegue obter vinhos de grande complexidade, muito originais e que nos relembram que do lote de muitas castas também se conseguem obter vinhos ricos e singulares. Álvaro Castro tem desenvolvido um grande esforço de preservação das vinhas velhas e também de reprodução, a partir de velhas cepas, de variedades que fizeram história no Dão, mas que hoje estão quase esquecidas. A região e os consumidores só têm a beneficiar com isso. J.P.M.
Vinho oriundo de duas parcelas de vinha com 69 anos, 48 castas identificadas. Excelente complexidade aromática, fruto bonito e muito puro, mato, cogumelos, flores do bosque, num registo ainda bem jovem. Perfeito polimento de taninos, enorme subtileza, mas ao mesmo tempo bastante sabor, cheio de delicadeza e classe. (13%)
Quinta das Bágeiras Pai Abel Bairrada tinto 2013
Mário Sérgio Alves Nuno
De uma vinha de 0.6 hectares em solo argilo-calcário, a vinha Costeira, nasce este Pai Abel de Baga e Touriga Nacional, castas que estão misturadas na parcela, num rácio de 80% para 20%. A produção é limitada a três cachos por videira, para replicar o comportamento de uma vinha centenária e as estas uvas fermentam com engaço durante uma semana em lagar aberto, e durante esse tempo são feitas remontagens com maços compridos de madeira, várias vezes ao dia. O vinho estagia em barricas usadas de Borgonha, passando depois para um tonel de madeira antes de ser engarrafado. O pai de Mário Sérgio, Abel, pode ser visto a equilibrar-se em cima destes mesmos lagares a fazer a remontagem, e isso é só mais um motivo para que lhe seja dedicado este tinto de classe mundial. M.L.
Baga (80%) e Touriga Nacional (20%) de mãos dadas num perfil sumamente elegante. Fruta de enormíssima qualidade, pimenta, especiaria, erva seca, musgo. Os taninos são perfeitos, fortes, mas polidos com esmero, a acidez vibra e potencia todo o conjunto com brilhante frescura quase salina. Um Pai Abel de imprevista sofisticação, mas que nunca perde o carácter da terra nem o tom austero e clássico da marca. Um tinto absolutamente notável. (13,5%)
Quinta do Noval Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Noval
É um nome icónico no Douro e no horizonte de vinhos de Portugal. O Quinta do Noval Reserva é o ex-libris dos vinhos tranquilos da casa.
O 2016 foi um ano de extremos. Após uma Primavera chuvosa, o Verão apresentou-se muito quente e seco, com alguns picos extremos de calor em Agosto e Setembro. Em meados de Setembro caiu chuva necessária para a maturação prosseguir em condições ideais. A vindima decorreu com tempo seco e muito sol.
A Touriga Nacional é responsável pelos 60% do lote, acompanhada pelos 25% de Touriga Franca e 3% de Tinto Cão. O estágio decorreu em barricas de carvalho francês durante 10 meses, das quais 40 % eram barricas novas. V.Z.
Concentrado e rico, num registo menos denso e escuro do que em anteriores edições, está aqui muito bem trabalhada a fruta com a madeira, com fantástica frescura de fruta negra e erva seca. Muito bem esculpido na boca, com grande polimento de taninos, mas sem perder a garra e carácter. Um tinto cheio de futuro, mas já com muito presente. (13,5%)
Quinta do Vale Meão Douro tinto 2017
F. Olazabal & Filhos
No ano passado a Quinta do Vale Meão comemorou os 20 anos da marca. No lote deste vinho predominam Touriga Nacional (55%) e Touriga Franca (40%), acompanhadas por Tinta Barroca e Tinta Roriz, vinificadas separadamente. É pisado a pé em lagares durante apenas 4 horas e depois transferido para cubas de pequena capacidade para fermentar com adição de 10% de engaço. Estágio ocorre em barricas de carvalho francês de 225 litros, das quais 60% são novas e 40% de segundo ano.
O ano foi extremamente quente e seco, com valores muito baixos de água nos solos, originando uma antecipação de cerca de três semanas no ciclo. A vindima foi antecipada, mas deu resultados bastante interessantes do ponto de vista enológico. V.Z.
Muito fino no aroma, a fruta está muito presente, com a madeira superiormente inserida no conjunto, polido e delicado, mas sem perder concentração. Esta é uma característica recorrente neste vinho. Sedutor na prova de boca, com textura macia, mas nervosa, em virtude de taninos bem delicados. Um enorme Douro. (14%)
Quinta do Vallado Field Blend Douro Reserva tinto 2017
Quinta do Vallado
De todos os tintos da vaga moderna duriense este Quinta do Vallado Reserva mantém, desde o início, uma enorme identidade regional, aliada a uma frescura e profundidade pouco habitual entre os grandes tintos do Douro. Em prova cega este é um tinto que rapidamente nos fala das características da região que o faz nascer. Nunca são vinhos de estilo ‘fashionable’, antes sim vinhos com uma solidez de carácter admirável.
Vem de uma vinha velha com cerca de 34 diferentes castas onde predominam Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca e Tinta Barroca. Estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (60% usadas) e encheu 41.500 garrafas de 075L e 800 de 1,5L. Uma boa maquia de um grande vinho tinto. J.A.
Concentrado na cor, mas não opaco, excelente nota vegetal e resina ao lado de fruta viva de enorme qualidade, com ameixas vermelhas e cerejas negras. Super elegante e sofisticado na boca, com textura e taninos finos, belíssima frescura, predomina a elegância sobre a potência num conjunto de excelência. (14,5%)
Scala Coeli Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2016
Fundação Eugénio de Almeida
Produzido pela primeira vez em 2008, o vinho Scala Coeli, nome original do mosteiro que é hoje conhecido como Mosteiro da Cartuxa, resulta daquilo que a equipa enológica da Fundação Eugénio de Almeida, liderada por Pedro Baptista, considera como as melhores vinificações de cada ano. Em 2016, isso verificou-se com este Alicante Bouschet de grande categoria, em solos de granito, que foi vindimado a 11 de Outubro, sofreu maceração pré-fermentativa e estagiou dezasseis meses em barricas novas de carvalho francês, que estão genialmente integradas no vigor e profundidade deste tinto fenomenal. Pegar numa casta que tem uma rusticidade natural e conferir-lhe este perfil equilibrado e elegante, não é para todos. M.L.
Nariz de pendor levemente vegetal e também com pimento, cacau, num aroma profundo que adivinha também profundidade de boca. Excelente textura, vigoroso, mas muito fresco, mineral e quase citrino. Uma versão da casta que nada tem de rusticidade, mas tudo de poder, com grande vibração e equilíbrio. Um vinho quase interminável, ainda extremamente jovem. (15%)
Tapada de Coelheiros Reg. Alentejano Garrafeira tinto 2012
Herdade de Coelheiros
Nome incontornável dos vinhos alentejanos nos anos 90, a herdade de Coelheiros sempre incluiu nos encepamentos algumas castas francesas entre as quais se contam a Chardonnay e a tinta Cabernet Sauvignon. Esta variedade bordalesa tem o grande mérito de ser perfeita em climas e solos variados, podendo originar vinhos que se tornam referência. Foi o caso dos Coelheiros onde ligada, com é este o caso, com Aragonez, gera um tinto de grande riqueza e concentração, daqueles que têm tudo para viver em cave. O clima quente, a maturação lenta e a grande resistência às maleitas da vinha, fazem da Cabernet a casta que todos querem. Gera vinhos bons e, ocasionalmente, está na base de tintos notáveis. É o caso. J.P.M.
Cabernet Sauvignon e Aragonez de vinha plantada em 1981. A cor intensa revela que o tempo mal passou por ele, o aroma mostra uma evolução perfeita, com enorme profundidade e complexidade, muita pimenta e noz moscada, bagas maceradas, musgo e vegetais secos. Na boca sente-se um vinho austero e muito sério, com taninos vigorosos, mas perfeitamente domados pelo tempo e pela sólida estrutura. Rico e requintado, com leves amargos a dar garra e muita frescura no final interminável. (14,5%)
Taylor’s Vargellas Vinha Velha Porto Vintage 2017
Taylor Fladgate & Yeatman
Vem de uma das quintas mais famosas de todo o vale do Douro. A sua impressionante arquitectura de terraços e a grande área de vinha velha neles plantada, fazem dela uma autêntica “jóia da coroa” do sector Vinho do Porto. Para a feitura deste Porto inexcedível são seleccionadas as uvas das 4 parcelas de vinha com maior estatuto de qualidade da Quinta: Polverinho, Renova do Depósito, Renova do Armazém e Gricha. No total somam apenas 2% da produção total. Este vinho Vargellas Vinha Velha (feito, na minha perspectiva, numa filosofia do mais puro hedonismo) representa a selecção da selecção. As uvas desta Quinta são a base do famoso Vintage Taylor’s e este Taylor’s Vargellas Vinha Velha é o seu, não menos magnífico, alter ego. J.A.
O aroma apresenta um forte lado vegetal, abundantes notas de esteva, de urze, leve menta e muita pimenta. A fruta está guardada, mas surge na boca fruta negra de amoras e ameixas e uma sensação química a revelar a austeridade do vinho. Enorme concentração de sabor, um vinho que se mastiga, e onde taninos vigorosos lhe asseguram longa vida. Absolutamente notável. (20%)
Alambre Moscatel de Setúbal 20 anos
José Maria da Fonseca
A José Maria de Fonseca é uma empresa incontornável na Península de Setúbal. Continua a ser de cariz familiar, nas mãos da 6ª e 7ª geração da família.
Este Moscatel de Setúbal demonstra uma enorme harmonia, proveniente de vários factores, a começar pela casta Moscatel de Setúbal com grandes propriedades aromáticas, enfatizadas pelos 5 meses de maceração pelicular depois de adição de aguardente ao mosto. O estágio oxidativo em madeira usada confere complexidade, mantendo, ao mesmo tempo, uma frescura aromática. O profundo equilíbrio vai da arte de fazer blend. Este vinho é um lote de 6 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga data de 1911. V.Z.
Engarrafamento de 2019. Muitos tons esverdeados quando se agita o vinho no copo, enorme riqueza aromática, com farripa de laranja, frutos secos, compotas e mel, mas sem que se perca a frescura e elegância. Muito bom volume de boca, com uma acidez muito refrescante, um moscatel acetinado, gordo e macio que deixa um rasto citrino que se prolonga muito no final. Um grande exemplo da casta e da região. (18%)
Bacalhôa Setúbal Moscatel Roxo Superior 20 anos 1998
Bacalhôa Vinhos
A casa Bacalhôa tem vindo a habituar os seus consumidores a moscatéis com um perfil muito rico e exuberante, sempre generosos na entrega e no prazer. Nesse campeonato, o Moscatel Roxo reina muito alto, proporcionando sempre néctares de incrível complexidade e magnifica cor âmbar. Existem no produtor lotes com classificação de Superior e indicação do ano lançados mais novos com grande qualidade, mas têm sido, sobretudo, os lotes de 20 anos da casa, também com ano de colheita, a revelar-se sempre ao melhor nível da região. Este 1998 vem na sequência das quatro edições anteriores, 1997, 1996, 1995 e 1983. Está pronto a beber, mas grande mal não lhe virá se só o abrir daqui a algum tempo. A melhor notícia é que continuam em estágio barricas com a mesma colheita de 1998 que poderão originar futuros engarrafamentos, quem sabe um 30 e/ou 40 anos. N.O.G.
Enorme profundidade e complexidade aromática, casca de laranja cristalizada, flor de laranjeira, passa de Corinto, anis estrelado. Perfumado, combina de forma majestosa uma grande untuosidade e textura de boca com uma finíssima acidez citrina. Muito rico, vibrante, concentrado e leve ao mesmo tempo, de extrema harmonia no final intenso e interminável. Sublime. (20,5%)
Barbeito Madeira Frasqueira Sercial 1993
Vinhos Barbeito
A casta Sercial (Esgana Cão de Bucelas) é uma das castas mais atraentes na ampelografia nacional. Na Madeira, a sua dimensão nos vinhos que produz dilata-se de forma quase incompreensível originando nos melhores casos, vinhos de uma concentração, impacto e intensidade de prova tão inesperados quanto admiráveis. Este Frasqueira Sercial 1993 é um destes exóticos e insondáveis vinhos. Vem da costa Norte, de vinhas muito próximas da povoação do Seixal, propriedades da descendência de Manuel Eugénio, partidista que fornece uvas e vinhos das castas Sercial e Verdelho à Barbeito desde a sua fundação. A paisagem onde se enquadram esta vinhas únicas transmite uma força impressionante a quem dela desfruta. O vinho corresponde na integra ao que vemos e sentimos. J.A.
Potente e com grande impacto aromático. Frutos secos, cravinho, caixa de charuto, leve vinagrinho, resina, verniz. Muito seco e cortante na boca, secura angulosa e salivante, muito profundo, salino e iodado, longuíssimo e largo final. Um Sercial de barba rija. (20%)
Graham’s The Stone Terraces Porto Vintage 2017
Symington Family Estates Vinhos
Verdadeira “essência” de vinho do Porto Vintage é, no final de contas, o bilhete de identidade deste Porto. Acontece em 2011, 2015, 2016 e 2017. Vem de duas pequenas parcelas de vinha em socalco junto à casa da Quinta de Malvedos: Parcela 43 (antiga Port Arthur), voltada a nascente (1,2 ha) e vinha dos Cardanhos, voltada a Norte (0,6 ha). Socalcos altos, construídos à força de braço no século XVIII, quase todos apenas com um bardo de vinha, produzem a uva desta quintessência. São parcelas protegidas do Sol poente, mais agressivo, com produções reduzidas e extremamente equilibradas. E não há segredos; para se fazer grandes vinhos temos de ter sempre grandes uvas. E é esta a grande proeza destes Stones Terraces. J.A.
Extremamente concentrado, mas sem perder elegância. Figo, leve noz, resina de cedro, esteva, chocolate, citrino e alguma salvia. Extremamente aromático e complexo. Na boca é largo, cheio e profundo, com taninos vigorosos, extremamente sedosos. Muito complexo, muito longo e espantosamente sedutor. (20%)
Vista Alegre Porto Colheita 1969
Vallegre Vinhos do Porto
Um Porto Colheita com 50 anos é sempre um vinho do qual esperamos muito. O tempo de casco, os cuidados que lhe são prestados e a atenção ao pormenor, fazem destes vinhos um perfeito companheiro do serão. Se por um lado o ano de origem do vinho já não é perceptível em virtude da oxidação a que foi sujeito, por outro este é o verdadeiro representante do Porto de outrora, do Porto que qualquer lavrador gostaria de ter na sua cave e que guardaria religiosamente. Engarrafado anualmente em pequenas quantidades, o Colheita é um vinho-bandeira para uma empresa e a Vallegre não foge à regra. Complexidade, enorme riqueza, textura de veludo, tudo aqui temos em dose perfeita. Um Colheita de sonho. J.P.M.
Muito rico, intenso e complexo de aroma, com toque de volátil, aromas concentrados de frutos secos, licores de ervas, tofa. Impressiona muito no nariz, sugerindo ser bem mais velho. Excelente presença de boca, profundo e aveludado na textura, untuoso e envolvente, de sabor interminável, um Colheita de enorme categoria, qualquer que seja o ângulo de apreciação. (21,5%)
Magos Irrigation Systems inaugura novas instalações em Beja

A Magos Irrigation Systems é uma empresa de serviços de projecto, instalação, assistência técnica e venda de sistemas de rega, envolvida em mais de 25.000 hectares/ano de regadio e com vendas anuais de mais 150 milhões de quilómetros de fita de rega. Através de soluções globais de rega que aumentam a rentabilidade dos agricultores, esta […]
A Magos Irrigation Systems é uma empresa de serviços de projecto, instalação, assistência técnica e venda de sistemas de rega, envolvida em mais de 25.000 hectares/ano de regadio e com vendas anuais de mais 150 milhões de quilómetros de fita de rega. Através de soluções globais de rega que aumentam a rentabilidade dos agricultores, esta empresa gera valorização da produção agrícola.
A 20 de Fevereiro, a Magos Irrigation Systems vai inaugurar as suas novas instalações na Zona Industrial de Beja, onde passa a contar com o mais moderno armazém de material de rega do Sul do país e uma equipa local de 20 colaboradores.
A modernização e ampliação das instalações da Magos Irrigation Systems em Beja, com uma área coberta de 1800m² (armazém, loja de venda ao público e escritórios), vem dar resposta à expansão da agricultura de regadio no Alentejo, onde os clientes são cada vez mais exigente quanto aos timings de execução das obras e entrega de materiais de rega.
“Com as novas instalações em Beja reforçamos a capacidade de stock e aceleramos a prontidão das entregas de material. Este investimento acompanha o dinamismo da agricultura de regadio no Alentejo, onde a Magos Irrigation Systems cresceu a um ritmo superior a 20% ao ano em área de rega instalada nos últimos cinco anos”, afirma António Gastão, administrador da empresa.
A Magos Irrigation Systems tem uma equipa multidisciplinar de 20 colaboradores em Beja, nas áreas de Projecto, Obras, Assistência Técnica, Logística e Técnico-Comercial, especialistas em rega de olival, amendoal e vinha. As equipas locais trabalham em estreita articulação com a sede da empresa em Salvaterra de Magos e são reforçadas sempre que necessário. A nível nacional são 92 colaboradores.
“Acreditamos no crescimento sustentável da agricultura no Alentejo e estamos a contribuir para o uso eficiente dos recursos – água e energia – fornecendo tecnologias de rega inovadoras”, acrescenta Miguel Empis, também administrador.
Península de Setúbal cresce em quota de mercado e na produção em 2019

A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) registou, em 2019, um aumento global de produção de 5% face a 2018, aproximando a produção total da região dos 50 milhões de litros. A nível de consumo no mercado nacional, os Vinhos da Península de Setúbal registaram um aumento de 2% na quota de vinhos […]
A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) registou, em 2019, um aumento global de produção de 5% face a 2018, aproximando a produção total da região dos 50 milhões de litros. A nível de consumo no mercado nacional, os Vinhos da Península de Setúbal registaram um aumento de 2% na quota de vinhos certificados, sendo considerada pela consultora Nielsen a região mais dinâmica neste período homólogo de crescimento, face a 2018.
Para Henrique Soares, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, o ano de 2019 foi “mais um ano de crescimento para a região, quer na quota de mercado, quer ao nível da produção e das exportações”.
A região fechou o ano de 2019 também com um crescimento de 14% no volume de certificação dos vinhos com Denominação de Origem Setúbal (Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo de Setúbal) e Palmela, bem como nos Vinhos Regionais da Península de Setúbal, a que correspondeu a certificação de um volume superior a 55 milhões de garrafas, vendidas no mercado nacional e nos seus muitos mercados de exportação, onde se destacam Brasil, Canadá, E.U.A., China, Angola e vários países da União Europeia.
Os dados são da consultora Nielsen e colocam os Vinhos da Península de Setúbal na terceira posição entre os vinhos certificados mais consumidos no mercado nacional, com uma quota de mercado de 16,5%, em volume, entre os vinhos com Denominação de Origem e/ou Indicação Geográfica das várias regiões portuguesas. Os Vinhos da Península de Setúbal foram os que mais subiram em termos de vendas em volume (1,6%), tendo também o valor aumentado em 2.3%, face ao mesmo período de 2018. O preço médio dos vinhos da região subiu 0.19 euros por litro, tendo ultrapassado os 56 M€ (56 274 134 €) de vendas globais no mercado nacional, nos três primeiros trimestres de 2019.
Sugestão: A festa efervescente

O som da rolha a saltar de uma garrafa de espumante assinala o início de uma festa e Imediatamente se cria o ambiente e o estado de espírito. Embora estejamos longe de considerar um espumante uma bebida exclusivamente festiva, para isso torna -se indispensável. Provámos 14 espumantes para todos momentos da época que se avizinha. […]
O som da rolha a saltar de uma garrafa de espumante assinala o início de uma festa e Imediatamente se cria o ambiente e o estado de espírito. Embora estejamos longe de considerar um espumante uma bebida exclusivamente festiva, para isso torna -se indispensável. Provámos 14 espumantes para todos momentos da época que se avizinha.
TEXTO Valéria Zeferino
Existem muitas formas de criar efervescência no vinho. A ideia é sempre a mesma – captar (ou introduzir no caso de vinhos gaseificados) o dióxido de carbono (CO2) no vinho. Isto pode ser feito em cubas especiais sob pressão como no método Charmat (aka Martinotti ou Autoclave na Itália, Granvas em Espanha entre outros sinónimos), ou como no método Ancestrale numa única fermentação em garrafa. Mas quando estamos a pensar num espumante de qualidade, referimo-nos ao método tradicional, desenvolvido na região de Champagne em França, com mais ou menos sofisticação na sua elaboração e paciência no estágio.
Este método implica duas fermentações. A primeira resulta no vinho base, a segunda é responsável pela criação de bolhas – “prise de mousse”, como dizem os franceses.
Criar bolhas
Há vários detalhes no processo de espumantização que influenciam a qualidade do vinho final. A vindima normalmente ocorre mais cedo, quando as uvas apresentam menos grau provável e preservam a acidez. O melhor é vindimar à mão para apanhar apenas cachos saudáveis e minimizar a possibilidade de extração fenólica das películas e oxidação. Prensam-se cuidadosamente os cachos inteiros, muitas vezes com engaço que ajuda a criar canais de drenagem, evitando desta forma maior contacto de sumo com as películas. Depois segue a primeira fermentação para obter o vinho base. Normalmente é conduzida em cubas de inox, mas em certos casos acontece em barrica, como por exemplo, fazem Bollinger e Krug. A nível nacional, por exemplo, o vinho base para a Cartuxa Reserva fermenta também em barricas.
A fermentação maloláctica é opcional. Alguns produtores preferem bloqueá-la para preservar acidez e frescura e é mais válido para regiões quentes. Outros promovem-na para amaciar a textura e evitar excesso de acidez, sobretudo em regiões frias, como a Champagne.
O estágio do vinho base em barrica também é muito raro. A Bollinger faz isto, tirando o vinho depois da fermentação maloláctica e enchendo novamente as barricas, onde este fica com borras finas durante mais alguns meses. Os exemplos em Portugal são Cartuxa, Soalheiro, Vértice, que estagiam alguns dos vinhos base em barricas; no caso da Companhia das Lezírias este estágio é parcial.
O loteamento de vinhos base é extremamente importante. Em Champagne, onde as condições climáticas adversas não permitem todos os anos uma excelente vindima, por hábito juntam-se os vinhos de várias colheitas guardadas em cave para obter o melhor resultado e manter o estilo de casa. Os Champagnes com a indicação do ano de colheita são feitos apenas nos anos de excelência e, salvo algumas excepções, representam os topos de gama. No novo mundo, sobretudo nas regiões com clima mais estável, onde a variabilidade dos anos não é crítica, a maior parte dos espumantes são datados, independentemente da qualidade. Em Portugal não existia tradição de guardar propositadamente os vinhos das colheitas anteriores para fazer um lote final de espumante. Na Bairrada, por exemplo, esta possibilidade para os espumantes aptos a designação DOC surgiu com as alterações ao Estatuto da Região pela Portaria nº212/2014.
A segunda fermentação no método clássico ocorre em garrafa através de adição de leveduras e açúcar no chamado licor de tiragem. É nesta fase que todo o dióxido de carbono criado como o subproduto da fermentação, não tendo a forma de escapar, fica diluído no vinho.
O tempo de contacto com as borras dentro da garrafa tem um papel crucial na qualidade e no perfil do espumante. As leveduras mortas entram em decomposição (autólise), libertando aminoácidos, polissacários e manoproteinas, entre outras substâncias, que contribuem com textura e complexidade aromática. Isto não acontece de forma imediata, começa passado 4-6 meses depois de segunda fermentação for finalizada, e com o pH baixo e presença de CO2 fica ainda mais lenta.
Por esta razão, quanto mais paciência tiver o produtor, mais aromas autolíticos típicos de panificação, brioche, biscoitos e tosta terá o espumante. Durante o tempo de estágio sobre borras, o vinho é protegido da oxidação pelo ambiente redutor. O Champagne non-vintage tem que ficar sobre borras em garrafa durante pelo menos 12 meses e o millésimé 3 anos. Em Portugal, os estágios exigidos pela regulamentação, são mais curtos. O espumante corrente estagia 9 meses. Com um estágio de 12 meses já é considerado Reserva, com 24, Super-Reserva ou Extra-Reserva, mais de 36 meses, Grande Reserva ou Velha Reserva. A Murganheira, por exemplo, dá-se ao luxo de manter alguns dos seus espumantes em caves de 6 a 12 anos.
Para remover o sedimento das borras, as garrafas tradicionalmente são colocadas em “pupitres” onde são rodadas gradualmente para ficarem com o gargalo para baixo, deixando o depósito deslizar e acumular-se lá. Esta operação demorada (de 4 a 6 semanas) e trabalhosa, pode ser substituída pelo uso de giropaletes, equipamento que efectua a remuage sem prejudicar a qualidade e permite reduzir tempo até uma semana, poupar espaço e mão-de-obra.
Segue-se o dégorgement – o gargalo é congelado e as leveduras são expulsas com a abertura da cápsula. O vinho perdido neste procedimento é atestado com o licor de expedição que também permite ajustar o teor de açúcar, produzindo espumantes Extra-Bruto, Bruto, Meio-Seco e até Doce. Mesmo depois do dégorgement os açúcares de licor de expedição continuam a reagir com proteínas libertas durante a autólise, formando aromas de biscoitos, mel, frutos secos e tosta.
Quando o atesto é feito apenas com o próprio vinho sem ajuste de açúcar, estamos a falar do Bruto Nature com menos de 3 g/l de açúcar. Neste caso o produtor acredita que não mascarando o vinho com açúcar, interpreta melhor a pureza da casta ou do vinho. Assim faz Mário Sérgio da Quinta das Bágeiras – tudo de forma tradicional, manual e sem adição de licor de expedição.
É uma tendência relativamente recente. Antigamente os Champagnes e espumantes queriam-se doces. Basta lembrar que até meados do século XIX o Champagne podia conter cerca de 100 g/l de açúcar (é uma doçura de um vinho licoroso!).
Actualmente também existe opção de uso de leveduras encapsuladas (adotado, por exemplo, pela Soalheiro) e membranas com leveduras colocadas dentro do gargalo de garrafa. Neste caso não é preciso rodar as garrafas e a remoção de leveduras é mais fácil e rápida. Entretanto, como tudo, esta opção tem as suas particularidades que nem todos os produtores apreciam, sobretudo os que seguem mais de perto o método clássico champanhês. Com leveduras presas dentro das cápsulas ou membranas a sua actividade é mais lenta o que torna a fermentação mais demorada, propícia à criação de compostos oxidativos. Além de que, defendem o clássicos, a tal autólise (contacto com as leveduras) durante o estágio é muito mais limitada, originando geralmente vinhos com menos complexidade.
A performance no copo
Depois do dégorgement e opcionalmente algum tempo em garrafa para integrar o licor de espedição, o espumante está pronto a consumir.
O CO2 diluído no líquido encontra-se sob uma pressão de 5-6 atm, igual à pressão de um pneu de um camião. Na abertura de uma garrafa o gás irrompe com força, empurrando a rolha com velocidade de 40-60 km/h para restabelecer o equilíbrio de pressão dentro da garrafa com o ambiente. Os estudos do físico francês Gérard Ligier-Belair mostram que, neste momento, de uma garrafa de 750 ml liberta-se 5 litros de CO2, perdendo-se cerca de 80% de gás que estava na garrafa. Mas os restantes 20% contêm cerca de 20 milhões de bolhas por copo.
Quando se enche o copo, o CO2 continua a escapar o que se pode reduzir inclinando ligeiramente o copo durante o serviço.
Mas não basta o gás estar diluído na garrafa para se observar a dança das bolhas a dirigirem-se para cima. Segundo o mesmo estudo, existem factores necessários para as bolhas se formarem no copo – chamados pontos de nucleação – que podem ser pequenas imperfeições do fundo, microparticulas de pó ou microfíbras invisíveis à vista, deixadas pela toalha com que foi limpo o copo. As casas de Champagne, por exemplo, utilizam para as provas copos fabricados com incisões a laser para garantir constante e elegante perlage. Copos perfeitamente limpos também prejudicam a performance das bolhas e os resíduos de detergente são os maiores inimigos de efervescência.
Subindo, as bolhas formadas no fundo do copo, ganham velocidade e aumentam em tamanho. Isto explica porque os copos à antiga mais largos e rasos quase não têm espaço para as bolhas se desenvolverem e os flutes finos e altos oferecem mais show, mas bolhas mais grossas no fim acabam por ser mais agressivas para a sensibilidade do nosso palato. Por isto nem um nem outro modelo são as melhores opções para apreciar um espumante de nível superior. Escolham os copos mais largos em baixo e afunilados em cima ou simplesmente copos de vinho branco.
As moléculas aromáticas agarradas às bolhas levam aromas à superfície. Paradoxalmente, quando mais intensa é a perlage, mais bonito o copo fica à vista, mas mais depressa se esvazia de aromas e sabores que vão acabar à superfície do copo. Por outro lado, quanto menos bolhas se formarem, mais aromas e sabores retidos no vinho ficam disponíveis ao provador.
Método clássico no mundo e em Portugal
Champagne é Champagne e terá sempre o estatuto especial (como o Vinho do Porto). Mas não é raro de encontrar no mundo, Velho ou Novo, uns bons espumantes feitos pelo método tradicional, a começar pela própria França com crémants de Borgonha, Alsácia e Vale de Loire, só para nomear algumas regiões. Na Itália temos o Franciacorta produzido de Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Blanc; em Espanha – Cava feito de castas autóctones Xarel-lo, Macabeu e Parellada para além de Chardonnay e Pinot Noir; e sem se esquecer o recente sucesso de espumantes ingleses.
Do Novo Mundo vem o espumante da África do Sul, onde o método clássico é conhecido como Cap Classique; Na Austrália as regiões mais promissoras são Yarra Valley e Tasmania. Na Nova Zelândia alguns produtores que apostam na qualidade estabeleceram regras de produção de espumantes a partir de castas clássicas (Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier), chamado Méthode Marlborough. Nos Estados Unidos, as regiões mais frescas como o Anderson Valley em Mendocino County, Carneros e River Valley apostaram seriamente na elaboração de espumantes. Graças ao investimento das casas de Champagne também se nota o progresso na America Latina.
Em Portugal temos duas regiões com mais tradição em vinhos espumantes: Távora-Varosa e Bairrada. No início do século passado foram criadas as primeiras caves de espumante em Lamego e em 1989 à Tavora-Varosa tornou-se a primeira região demarcada de espumantes em Portugal.
Na Bairrada o primeiro espumante surgiu em 1890 por iniciativa do director da Escola Prática de Viticultura e Pomologia da Bairrada (que deu origem à actual Estação Vitivinícola da Bairrada), José Maria Tavares da Silva. Em 1991 foi oficialmente regulamentada a produção de espumantes com denominação de origem na região.
Hoje em dia, espumantes fazem-se em todas as regiões, do Minho ao Algarve, e há muito bons exemplos. Um deles, será as Caves Transmontanas no Douro com a marca Vertice desde 1989 (que mais uma vez presta a homenagem à região que é capaz de produzir grandes vinhos em categorias tão distintas como Vinhos do Porto, vinhos de mesa e espumantes).
Precisamente por isto, não querendo concentrar-nos apenas nas regiões “clássicas”, alargámos esta selecção de espumantes a outras regiões, nomeadamente, Vinho Verde, Douro, Lisboa, Alentejo e Beira Interior, procurando antes de tudo qualidade. Estes vinhos são de gama média-alta, até porque na maioria dos casos o estágio é prolongado que significa a retenção de capital durante vários anos.
Em termos de castas para fazer espumantes de topo, em Portugal do trio clássico de Champagne utilizam-se Chardonnay e Pinot Noir, mas as variedades nacionais também têm muito protagonismo. No Minho produzem-se espumantes bastante aromáticos de Alvarinho. Na Bairrada a Baga é uma das castas principais a assumir, de certa forma, o papel de Pinot Noir. Maria Gomes e Bical também são muito convincentes. A casta Arinto, tendo uma óptima acidez natural, mostra bons resultados na vertente de bolhas (e Cartuxa explora isto de uma forma brilhante). O Ribeiro Santo Blanc de Noir do Dão dá primazia a Touriga Nacional e Tinta Pinheira (Rufete) e a Ravasqueira aposta no Alfrocheiro para fazer o seu espumante.
O espumante, pela sua natureza é extremamente versátil. É claro que podemos entrar em detalhe e escolher os mais leves e nervosos para um aperitivo e mais encorpados e complexos para acompanhar um prato principal. Mas a verdade é que um espumante, melhor do que qualquer outro vinho, é capaz de acompanhar uma refeição de aperitivo até à sobremesa. Sendo assim, na dúvida – beba espumante![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][fancy_box box_style=”default” icon_family=”none” color=”Accent-Color”]
O açúcar no espumante
- Bruto natural < 3 g/l
- Extra bruto 0 – 6 g/l
- Bruto < 12 g/l
- Extra seco 12 – 17 g/l
- Seco 17 – 32 g/l
- Meio seco 32 – 50 g/l
- Doce > 50 g/l
-

Ribeiro Santo Blanc de Noirs
Espumante - 2014 -

Ravasqueira
Espumante - 2013 -

Côto de Mamoelas
Espumante - 2016 -

1836 Companhia das Lezírias
Espumante - 2016 -

Casas Altas
Espumante - 2016 -

Soalheiro Barrica
Espumante - 2014 -

Quinta do Rol
Espumante - 2010 -

Quinta das Bágeiras
Espumante - 2015 -

Kompassus
Espumante - 2014 -

Cartuxa
Espumante - 2012 -

Murganheira Vintage
Espumante - 2009 -

Vértice
Espumante - 2010
Edição n.º32, Dezembro 2019
Ervideira abre 3 lojas: em Fátima, Lisboa e Castelo de Vide

É sem dúvida uma estratégia inovadora a aquela que a Ervideira tem seguido. A empresa de Duarte Leal da Costa e família tem apostado como nenhuma (ou quase) na promoção da marca e venda directa aos enófilos através de lojas físicas. Até agora manteve-se na própria região de origem, na zona centro do Alentejo (Évora, […]
É sem dúvida uma estratégia inovadora a aquela que a Ervideira tem seguido. A empresa de Duarte Leal da Costa e família tem apostado como nenhuma (ou quase) na promoção da marca e venda directa aos enófilos através de lojas físicas. Até agora manteve-se na própria região de origem, na zona centro do Alentejo (Évora, Monsaraz e na própria adega). Chegou agora a vez de Duarte cumprir o que andava a prometer, que era de abrir lojas em Lisboa, Fátima e Castelo de Vide. Três destinos, aliás, onde a presença turística é muito forte.
“Estas não são lojas para a distribuição e nem sequer especialmente dedicadas à comercialização”, disse-nos Duarte Leal da Costa. “O nosso maior intuito é promover a marca e os vinhos da casa”. Ou seja, Enoturismo. E sem conflituar com os preços vigentes em outras lojas de vinho. De facto, nas lojas da Ervideira, os preços não ficam abaixo dos existentes em outras superfícies comerciais, como lojas de retalho generalistas e garrafeiras. Mas, em contrapartida, nestas lojas da Ervideira o cliente tem hipótese de provar os vinhos antes de os comprar e, inclusivamente, fazer provas com vários vinhos, a preços que Duarte considera serem “muito acessíveis”. Ou seja, compra os vinhos de que mais gosta.

A loja de Fátima foi a primeira a ser inaugurada. Localizada muito perto do Santuário, no número 410 da Avenida Beato Nuno. A escolha de Fátima prende-se com o turismo: “só no ano passado mais de 8 milhões de pessoas passaram por aquela localidade”, realça Duarte Leal da Costa. A loja tem um horário que vai das 10 às 18 horas, todos os dias do ano. O horário estende-se às outras lojas, mas Duarte irá avaliar a breve trecho se terá de os estender, pelo menos na loja de Lisboa, localizada no bairro do Restelo, ao lado do estádio com o mesmo nome. Em Lisboa, os horários dos turistas/enófilos estendem-se muitas vezes para lá das 18 horas e a proximidade do espaço a dois pontos turísticos como o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém ajuda a compreender esta necessidade. Esta loja irá abrir este fim-de-semana e a de Castelo de Vide, o primeiro franchising da marca, sê-lo-á brevemente.
Todas as lojas têm o mesmo estilo e decoração, apostando no minimalismo e em tons claros – à semelhança das três lojas já existentes. Nas novas lojas estarão postos à venda todos os vinhos da Ervideira, assim como os vinhos que são exclusivos do Clube Ervideira. O consumidor terá a possibilidade tanto de comprar uma garrafa como de tomar um copo de vinho acompanhado de um petisco alentejano: queijo ou enchidos.
Duarte Leal da Costa divulgou ainda o montante investido nesta tripla iniciativa: cerca de 300.000 euros.
(texto de António Falcão. Fotos cortesia Ervideira)
Rolf Niepoort – partiu um Senhor do vinho

TEXTO João Paulo Martins Conheci Rolf (Eduard Rudolf), o pai do Dirk Niepoort, pouco tempo depois de começar a escrever sobre vinhos, ainda em 1989. Nessa altura, estive várias vezes com ele no Porto e fiquei a conhecer a sua paixão por carros antigos e por muitas outras colecções a que se dedicava com entusiasmo. […]
TEXTO João Paulo Martins
Conheci Rolf (Eduard Rudolf), o pai do Dirk Niepoort, pouco tempo depois de começar a escrever sobre vinhos, ainda em 1989. Nessa altura, estive várias vezes com ele no Porto e fiquei a conhecer a sua paixão por carros antigos e por muitas outras colecções a que se dedicava com entusiasmo. Carros eram quase 30 e, na quinta de Fornelo, lá estavam aqueles modelos americanos que na minha infância apelidávamos de “espada”. Amontoavam-se os livros sobre mecânica e reparação de velhos modelos e, todas as noites, lá vinha o especialista de mecânica para dar mais um avanço naquela que era verdadeiramente uma never ending story. Muito me ri com ele e com as histórias que acumulava com muitos anos de vida no sector do Vinho do Porto. Lembro-me também da palavra que usava quando um Porto já estava caído: este vinho está ché-ché. Sempre bem-disposto, a coisa só azedava à hora de ir para a mesa: não gostava de quase nada, foi talvez a pessoa mais esquisita à mesa que me foi dado conhecer e vi, sentado que estava ao meu lado, substituir a refeição por uma imperial. A única vez que o vi comer um bife com gosto foi quando imaginou a ligação do steak au poivre com Porto LBV, ligação que defendia acaloradamente.
Partiu aos 92 anos. Guardo dele uma óptima memória. Ficou o exemplo de dedicação à empresa de família que dirigiu, durante décadas. Passou também ao filho algumas das manias, como a aversão ao alho, mas… não são mesmo assim as famílias? A Niepoort é hoje uma empresa bem diferente da que era quando Rolf a dirigia, mas, no essencial e no que verdadeiramente importa, o exemplo de Rolf Niepoort permanece.
Na foto (Facebook Niepoort Vinhos): Rolf Niepoort e o filho Dirk.
Kopke personaliza garrafas para o Dia dos Namorados

Com o dia de São Valentim a chegar, a Kopke sugere a personalização de uma das suas garrafas com uma mensagem especial, à escolha. A Casa de vinho do Porto, que pertence ao Grupo Sogevinus, mantém-se fiel ao seu compromisso de colocar os seus vinhos de excelência na garrafa icónica Kopke, com rótulo pintado manualmente, […]
Com o dia de São Valentim a chegar, a Kopke sugere a personalização de uma das suas garrafas com uma mensagem especial, à escolha. A Casa de vinho do Porto, que pertence ao Grupo Sogevinus, mantém-se fiel ao seu compromisso de colocar os seus vinhos de excelência na garrafa icónica Kopke, com rótulo pintado manualmente, uma “Extensão do cuidado singular relativo ao património da marca”, como refere a Kopke em comunicado de imprensa.
Para personalizar a garrafa, há várias vias possíveis: visitar a loja Kopke em Gaia, ir à Flores Wine Shop, ou enviar um e-mail para uma destas com a mensagem que deverá constar no rótulo – até um máximo de 25 caracteres. É possível escolher entre cinco referências de vinho: Tawny 2000, White 2005, Tawny 20 anos, Tawny 30 anos ou Tawny 40 anos.
A Kopke é uma marca que integra o Grupo Sogevinus Fine Wines e foi fundada em 1638, por Nicolau Kopke. Os seus vinhos são produzidos na Quinta São Luiz, situada na sub-região duriense do Cima Corgo, na margem esquerda do rio. A Quinta tem uma área total de 125 hectares, 90 dos quais são plantados com vinhas, algumas com mais de 80 anos.
Quinta do Noval abre loja no cais do Pinhão

A Quinta do Noval anunciou a abertura da sua nova loja no cais do Pinhão, no coração do Douro. A Noval abriu a sua primeira loja em 1995 na margem sul do Douro em Vila Nova de Gaia, no centro histórico do comércio do vinho do Porto. Desde então, tem recebido clientes de todo o […]
A Quinta do Noval anunciou a abertura da sua nova loja no cais do Pinhão, no coração do Douro.
A Noval abriu a sua primeira loja em 1995 na margem sul do Douro em Vila Nova de Gaia, no centro histórico do comércio do vinho do Porto. Desde então, tem recebido clientes de todo o mundo, partilhando com eles a história da Quinta do Noval e dos seus vinhos do Porto. Com a abertura desta nova loja no cais do Pinhão, num antigo armazém de vinho do Porto, a Noval espera adicionar uma nova dimensão à experiência dos que a visitam, desta vez no Douro, mais perto das vinhas que originam a grande qualidade dos seus vinhos, chamando à descoberta do terroir e do carácter único dessas parcelas. Esta nova loja é, assim, um lugar de descoberta, de partilha de informação e, acima de tudo, de prova de vinhos. Uma gama completa de vinhos da Quinta do Noval e de artigos relacionados com o vinho vão estar também à venda na loja.
Christian Seely, Diretor Geral, comentou em comunicado de imprensa: “Um dos muitos desenvolvimentos interessantes nos últimos anos, no Porto e no Douro, foi o aumento importante de visitantes de todo o mundo. Vêm descobrir esta região mágica e provar os seus vinhos. Estamos muito satisfeitos com a expansão da nossa capacidade para os receber nesta nova loja no Douro, e ansiosos por partilhar os nossos vinhos e a nossa paixão pelas vinhas e pela região com todos os que nos visitam”.
A Quinta do Noval Wine Shop situa-se no número 15 da Rua da Praia.
Contacto: Cindy Esteves – +351 933770285 – cindy@quintadonoval.pt
Horário: De Novembro até à Páscoa: 10h30 – 13h00 e 14h00 – 19h30 / Fecha ao domingo e segunda-feira
Da Páscoa até Outubro: 10h30 – 19h30 / Abre todos os dias
