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A excelência num copo: os 30 melhores vinhos de 2019

By 14 Fevereiro, 2020 Sem comentários

Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: Dirceu Vianna Junior, João Afonso, João Paulo Martins, Luís Lopes, Mariana Lopes, Nuno de Oliveira Garcia e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, avaliou tantos vinhos e tão diversos quanto esta equipa que conjuga experiência e juventude, irreverência e sensatez, e tem como denominador comum o rigor, a isenção e o sentido de responsabilidade.
Quase 5.000 notas de prova, individuais e colectivas, foram sendo compiladas ao longo do ano, resultando na conclusão já esperada: os vinhos portugueses mostram uma qualidade média elevada, vincado carácter regional e, em muitos casos, aliam notável expressão de terroir à excelência qualitativa.
Identificar e premiar os vinhos que mais se destacaram em cada região ou categoria não foi por isso tarefa fácil; e, de entre estes, seleccionar o nosso Top 30, foi mais árduo ainda. Para levar a cabo esta missão de forma rigorosa e, tanto quanto possível, justa, estabelecemos critérios. Desde logo, não considerámos vinhos já premiados em anos anteriores. Depois, deixámos de fora os vinhos produzidos em quantidade inferior a 1000 garrafas. E, adicionalmente, para ser elegível para o exclusivo “clube” Top 30, o vinho em questão deverá ter sido provado e aprovado como merecedor por, pelo menos, três dos sete provadores.
Este ano fomos mais longe e optámos por escolher ainda o melhor entre os seus pares, nas categorias espumante, branco, tinto e fortificado É este o vinho que vem em primeiro lugar, a abrir a categoria, sendo que os restantes entram por ordem alfabética.
As páginas que se seguem reflectem a nossa escolha. São todos eles vinhos de primeira grandeza, vinhos de sonho que espelham o Melhor de Portugal.

(nota: os textos estão assinados no final com as iniciais dos nomes dos autores. Aqui vai a descodificação: J.A: João Afonso; J.P.M: João Paulo Martins; M.L: Mariana Lopes; N.O.G: Nuno de Oliveira Garcia; V.Z: Valéria Zeferino)

selo melhor do ano 2019 - espumanteMurganheira Esprit de la Maison Távora-Varosa Espumante branco 2011
Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa

Murganheira Esprit de la Maison Távora-Varosa Espumante branco 2011Nada neste vinho é normal ou corrente, e tudo foi pensado ao pormenor. Afinal de contas, referimo-nos ao novo espumante de topo da Murganheira, produtor com larga experiência e que já nos habituou a várias cuvées especiais. Desde logo, é unicamente comercializado na loja da empresa, e num formato Magnum (1,5 litros), o que lhe confere imediatamente uma aura de elitismo, a somar-se ao rótulo distinto e luxuoso que exibe. Depois, degorjaram-se apenas 1.000 garrafas, o que o torna uma preciosidade rara. Quanto ao vinho propriamente dito, trata-se de uma ‘assemblage’ apenas de Pinot – Noir, Blanc e Meunier – da colheita de 2011, um ano excelente para tintos, brancos e, já agora, para espumantes também. O perfil é de enorme requinte, com pressão média e bolha finíssima que se desfaz numa prova de boca cremosa. É apenas em Magnum e não é barato, mas é absolutamente fabuloso. N.O.G.

É o novo espumante de topo da Murganheira, que procura simbolizar toda a filosofia da casa e é unicamente comercializado na loja da empresa. Feito de uma “assemblage” de Pinot (Noir, Blanc e Meunier) revela profundidade e complexidade aromática impressionantes, com biscoito, brioche, citrinos, especiarias, entrelaçados num conjunto de enorme requinte. A fruta tem notável qualidade, a bolha finíssima desfaz-se na boca cremosa, o vinho brilha intensamente em frescura, sofisticação, classe. Degorjaram-se apenas 1.000 garrafas magnum desta preciosidade. (13%)

Vértice Douro Espumante Pinot Noir branco 2010
Caves Transmontanas

Vértice Douro Espumante Pinot Noir branco 2010Uma das duas mais requisitadas variedades da região francesa Champagne, Pinot Noir (sendo a outra o Chardonnay), serve de ferramenta às Caves Transmontanas para fazer um dos melhores espumantes portugueses, fácil de se bater com o que de melhor se faz lá fora a nível de bolhinhas. A Celso Pereira tira-se o chapéu, por se estar a tornar num dos maiores mestres nacionais de espumante, mostrando que esta é uma arte que, para atingir a grandiosidade, requer uma alta especialização e um talento que talvez não assista a todos. Isso e terroir, claro. Este Pinot Noir tem origem em solos graníticos de transição, a cerca de 550 metros de altitude, e estagia em garrafa durante mais do que 96 meses. M.L.

Degorjado em Maio de 2019. Cor ligeiramente salmonada, bolha finíssima. Aroma requintado com brioche, tosta, pastelaria e nuances de fruta vermelha. Harmonia e plenitude, cremosidade de mousse incrível, frescura profunda que persiste no elegante e saboroso final de boca com toque de framboesa. (13%)

selo melhor do ano 2019 - brancoParcela Única Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2017
Anselmo Mendes Vinhos

Parcela Única Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2017A presença recorrente do “Doutor Alvarinho” neste Top 30 não é por acaso. A cada ano que passa, Anselmo Mendes deixa um vinho (no mínimo) no topo das milhares de provas feitas na Grandes Escolhas. Os mais de 20 anos de estudo e experimentação com a casta, fizeram dele o maior conhecedor dela e o mentor que todos os jovens enólogos de Monção e Melgaço, e não só, querem ter. De uma só parcela, com cerca de dois hectares, surge este Alvarinho que prima pela elegância e precisão, cujas uvas são prensadas, inteiras e desengaçadas, muito suavemente. Depois, fermenta em barricas de carvalho francês e estagia nas mesmas durante sensivelmente nove meses, com bâtonnage, sobre borras totais. Uma ode ao Alvarinho desta sub-região. M.L.

As notas minerais invadem o aroma, amparadas por levíssimos fumados, fruta de enorme qualidade, toranja e tangerina em camadas. A boca revela um vinho ainda extremamente jovem, sem querer mostrar tudo, com sublime delicadeza e contenção. Textura cremosa cortada por acidez crocante, sólido e super-elegante ao mesmo tempo. No final, interminável, voltam as notas de pedra molhada, num registo pleno de brilho e distinção. Um branco perfeito, contido, que é quase crime beber agora. Vale o sacrifício de esperar mais três ou quatro anos por ele. (13%)

Grande Druida Homenagem João Corrêa Dão Encruzado branco 2017
C2O

Grande Druida Homenagem João Correa Dão branco 2017Nuno do Ó tem deixado a sua marca enológica em várias regiões. Foi em Bucelas que, na quinta da Romeira, trabalhou com João Corrêa, o enólogo entretanto falecido e agora muito justamente homenageado com este vinho. Depois disso encontramos o seu nome associado a vinhos de várias regiões, de norte a sul. O gosto pelo Dão levou-o também até às terras beirãs e, com a marca Druida, têm saído para o mercado vinhos cheios de carácter e alma, algo que, estamos certos, muito agradaria a João Corrêa. Aqui, Nuno expressa o terroir específico do Dão, trazendo-nos um branco notável que nos recorda que esta é uma das melhores zonas do país vinhateiro para fazer vinhos brancos que podem durar anos em cave. J.P.M.

Absolutamente primoroso no aroma, muitas notas de sílex, citrinos frescos, vegetal seco, tudo com grande pureza e presença. Na boca revela imenso carácter, com grande cremosidade cortada por vibrante acidez, notas de casca, toranja, suave especiaria, sugestão de fumo. Tenso, longo, distinto, é um branco de enorme sofisticação, feito para crescer ao longo de muitos anos. (12,5%)

Quinta do Regueiro Jurássico Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco
Quinta do Regueiro

Quinta do Regueiro Jurássico Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho brancoNeste projecto não há pressa em nada, o tempo é que faz o seu trabalho. A primeira vinha de Alvarinho foi plantada em 1988 e o primeiro vinho lançado no mercado 10 anos mais tarde, em 1999. Tudo começou com 2 hectares de vinha, hoje já existem 6 hectares plantados e mais 6 através de contratos de longa duração.
Este vinho, absolutamente invulgar, quer na forma de ser feito, quer nas suas características organolépticas. Resulta de um lote de vinhos das colheitas de 2007, 2008, 2009 e 2010, estagiados apenas em inox para mostrar o potencial da região e a capacidade de evolução da casta, mesmo sem estágio em barrica. Foi lançado no ano passado, em que a marca comemora os seus 20 anos. V.Z.

Resulta de um lote de vinhos das colheitas de 2007, 2008, 2009 e 2010, conservados em inox. É um vinho tremendo, desde logo pela complexidade aromática, misturando sugestões de casca de laranja, tangerina, gengibre, resinas, iodo, um leve toque apetrolado. Muito rico e profundo, servido por acidez generosa e crocante, com final elegante e interminável, um verdadeiro hino à casta e à região. (13%)

Série Ímpar Bairrada Sercialinho branco 2017
Sogrape Vinhos

Série Ímpar Bairrada Sercialinho branco 2017Este é o primeiro vinho de uma linha muito especial. Tudo começou quando Fernando da Cunha Guedes, presidente da Sogrape, desafiou os seus enólogos a criar vinhos diferenciadores, que aliassem criatividade a elevada qualidade, sem qualquer constrangimento comercial ou financeiro. Surgiu assim a Série Ímpar, ideia abraçada com muita vontade pelos profissionais da empresa, a laborar em várias regiões do país. Este branco Bairrada, nascido da Quinta de Pedralvites, é a criação do enólogo António Braga com o apoio de Paulo Prior, o residente na adega desta região. Em 2.5 hectares de solo argilo-calcário, cresce o Sercialinho que fermentou em barricas usadas, para se tornar num branco que encaixa perfeitamente no “pedido do patrão”: único e brilhante. M.L.

A pele das uvas Sercialinho é quase laranja e origina por isso um vinho de cor limão maduro. O aroma é intenso, complexo e elegante, muito centrado nas notas citrinas, frutos secos, erva caril. A presença de boca é brilhante, com corpo cheio e untuoso cortado por crocante acidez limonada. Enorme equilíbrio e firmeza, imenso sabor, longuíssimo final. (12,5%)

selo melhor do ano 2019 - tintoQuinta do Crasto Vinha Maria Teresa Douro tinto 2016
Quinta do Crasto

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Douro tinto 2016A vinha Maria Teresa é um tesouro centenário de 4.7 hectares, plantado em socalcos e com exposição nascente, na Quinta do Crasto. Naturalmente, podem encontrar-se nela 49 variedades misturadas. A baixa altitude e com raízes que atingem dezenas de metros de profundidade, a vinha Maria Teresa tem uma média de produção, por videira, de 300g de uvas, uma baixíssima produtividade que gera um nível de concentração muito rico e uvas de grande qualidade. Em anos excepcionais, essas uvas originam este magnificente vinho homónimo, que na colheita de 2016 estagiou em barricas de carvalho novas (90% de carvalho francês 10% carvalho americano) durante 20 meses. O lote final resulta, ainda, de uma selecção primorosa dessas barricas. Um estrondo de vinho tinto, o arquétipo da elegância. M.L.

Impressiona desde logo pela excelente profundidade aromática, com enorme complexidade e qualidade, fruto silvestre, arbusto, esteva, muita especiaria, um leve floral superelegante. O vinho revela uma grande estrutura tânica de taninos maduros, com leves amargos, fantástica textura e cremosidade combinada com bastante frescura, numa mistura de equilíbrio, classe e personalidade que roça a perfeição. Um Douro grandioso, brilhante. (14,5%)

Aeternus Douro tinto 2017
Quinta Nova N. Senhora do Carmo

Aeternus Douro tinto 2017O nome diz tudo, Aeternus… Inspirado na vida e no legado do empresário Américo Amorim, e fruto da colheita do ano que o viu falecer, é a homenagem ao patriarca e a comemoração dos 20 anos da família Amorim no negócio do vinho. São apenas 3.566 de um vinho verdadeiramente topo de gama num projeto que já constava com outros grandes tintos (Mirabilis e dois Grande Reserva), o que diz muito da sua qualidade. Provém da Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo, de uma vinha centenária com 2.5 há. virada a sul, na margem direita do Douro entre a Régua e o Pinhão. O lote é composto por várias castas típicas da região, incluindo preciosidades quase históricas como Tinta Carvalha, Rufete e Alicante Bouschet. Dado o seu carácter mais aberto e delicado, optou-se por um estágio com grande percentagem em barrica usada. Temos aqui um tinto muito afinado, fruto do desejo de Luísa Amorim, do labor da equipa de viticultura liderada pela Ana Mota e da competência entusiasmada do enólogo Jorge Alves. N.O.G.

Oriundo de uma vinha centenária, impressiona desde logo pela fantástica qualidade da fruta, bagas silvestres, amoras, framboesas, desdobrando-se em camadas, acompanhadas de notas de esteva, menta, cacau amargo, flores campestres. A textura e cremosidade de boca são fantásticas, com taninos maduros de enorme polimento, apesar da óbvia juventude. Equilíbrio ácido perfeito, muita classe e sofisticação. (14,5%)

Carlos Lucas & Carlos Rodrigues Dão tinto 2015
Magnum-Carlos Lucas Vinhos

Carlos Lucas-Carlos Rodrigues Dão tinto 2015Os dois enólogos que dão nome ao vinho têm já muitos anos de profissão, tendo acompanhado a renovação da enologia que se operou em Portugal nos anos 90. Essa mudança, que se estendeu a várias regiões, apanhou Carlos Rodrigues na Bairrada e Carlos Lucas no Dão, regiões vizinhas que, apesar da proximidade, fazem vinhos diferentes. A vizinhança levou-os, no entanto, a interessarem-se por outros vinhos e esta colaboração é disso um bom exemplo. Carlos Lucas está agora mais centrado na região de origem, com um portfólio alargado de vinhos do Dão, região que nos traz os melhores exemplares de algumas das mais conceituadas castas nacionais, quer em brancos quer em tintos. As parcerias querem-se assim. J.P.M

Surpreendentemente jovem na cor e no aroma, com fruta silvestre de elevada qualidade, suaves fumados e especiarias, leve floral, um toque de cassis, caruma. A textura de boca é um espanto, muita cremosidade envolvendo taninos sólidos, mas maduros, com imprevista acidez a dar muita vibração, frescura e persistência. Grande vinho. (14%)

Cortes de Cima Reg. Alentejano Reserva tinto 2014
Cortes de Cima

Cortes de Cima Reg. Alentejano Reserva tinto 2014Um dos grandes clássicos do Alentejo, produzido apenas em anos de excelência. Hans e Carrie Jorgensen chegaram a Portugal em 1988 e descobriram “Cortes de Cima” na zona de Vidigueira no Alentejo, terras, onde resolveram criar a sua segunda casa. Plantaram as castas tintas, onde se plantava habitualmente, brancas, porque acreditaram no seu projecto.
Lote de cinco castas: Aragonez, Syrah (e foram eles a introduzir esta casta no Alentejo), Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Touriga Franca. Antes da fermentação ocorre uma longa maceração pelicular. Segue o estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês e 10% de carvalho americano. V.Z.

Aragonez, Syrah, Touriga Nacional, Petit Verdot. Fruto vermelho de enorme qualidade, balsâmicos, toque vegetal seco, terra húmida, musgo, cogumelos shitake. Equilíbrio perfeito entre taninos, corpo, acidez, enorme frescura de boca, sofisticado, com classe, todo ele integrado e elegante. (14%)

Estremus Reg. Alentejano tinto 2015
J. Portugal Ramos Vinhos

Estremus Reg. Alentejano tinto 2015Este é, sem dúvida, um vinho muito especial desde a origem. É certo que João Ramos dispensa apresentações, sendo um dos responsáveis pela revolução dos vinhos em Portugal sentida nos anos ’80 e ’90 do século passado. Mas, na verdade, este tinto provém de uma vinha única, plantada na encosta do castelo de Estremoz e com uma beleza extrema e enorme fotogenia (uma das mais belas do país). Tem 25 há. e data de 2001, tendo sido escolhido para este tinto apenas a parcela – somente 1,5 há – na zona mais alta da encosta onde mais mármore se encontra à superfície. Com as tradicionais Trincadeira e Alicante Bouschet, em iguais proporções, fermentação em lagares feitos de mármore tal como o solo onde nasceu, João Ramos decidiu produzir um tinto único, naturalmente assente numa pequena produção (4 toneladas por ha). São 3.288 garrafas preciosas e raras, onde a fruta se destaca pela beleza e os taninos pela sofisticação. N.O.G.

Com Trincadeira e Alicante Bouschet, duas uvas clássicas do Alentejo, pisado e fermentado em lagares de mármore. A fruta é de enorme qualidade, assente em notas de groselhas pretas e amoras, ligada por muito discretos fumados e especiarias da barrica. Os taninos de seda estão perfeitamente envolvidos pelo corpo cheio, a que a fina e vibrante acidez do Alicante empresta leveza e frescura. As típicas notas de vegetal seco da Trincadeira conferem-lhe evidente carácter alentejano, sem sombra de rusticidade, antes um notável equilíbrio e elegância que perduram no muito longo final. Com tudo no sítio certo, um tinto de puro prazer. (14%)

Ganita Reg. Lisboa tinto 2015
Quinta do Gradil

Ganita Reg. Lisboa tinto 2015A região de Lisboa é extensa e tem sido o cadinho de múltiplas experiências vínicas. A quinta do Gradil é um dos grandes operadores da região e os seus vinhos reflectem exactamente esse ambiente de experiência e vontade de inovar. Este tinto surge um pouco nessa linha, optando, num trio de castas, por uma pouco vulgar entre nós, a Tannat que, embora francesa, foi no Novo Mundo (Uruguai) que brilhou. Difícil a solo, é casta que, no entanto, é uma boa parceira em conjunto com outras. A região permite quase tudo, jogando com orientação solar, diferenciação de solos, formas de condução e técnicas enológicas diferentes. Tudo com o mar bem perto, o que lhe confere o seu traço dominante, a frescura. J.P.M.

Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tannat, constituem uma pouco vulgar mistura de castas, mas que resulta maravilhosamente neste tinto que combina a fruta madura e a nuance floral das variedades portuguesas com a textura e músculo da francesa, tudo isto envolvido pela frescura atlântica deste terroir. Apesar do tempo de estágio, está extremamente jovem ainda, escuro e concentrado, vigoroso e opulento, com menta e pimenta no final muito longo e refrescante. Um grande tinto, que não liga a modas, e que continuará connosco ao longo das próximas décadas. (14,5%)

Gene Bairrada tinto 2007
Kompassus Vinhos

Gene Bairrada tinto 2007Já não é a primeira vez que o produtor João Póvoa tira “coelhos da cartola” (se me permitem a expressão!?). O primeiro foi o Quinta de Baixo Garrafeira 1991 (re)lançado em 2016 e que nos espantou pela robustez e juventude, esgotando pouco tempo depois de ser posto à venda. Este ano é o Gene que comprova a capacidade do legado genético deste produtor para fazer vinhos admiráveis que nos continuam a surpreender muitos anos depois de serem engarrafados. Este tinto, que em 2007 João Póvoa acreditava que seria o último da sua carreira, deu origem, 12 anos depois, a um lançamento único com uma apresentação inovadora e com um conteúdo absolutamente extraordinário. Um tinto inesquecível, uma autêntica e irrepetível raridade. J.A.

Muito escuro de cor. No aroma a dupla barrica desapareceu por completo, obliterada pelo vinho. Extremamente complexo, carnudo e profundo. Caixa de charuto, cravinho, pimenta, amoras silvestres, levíssima nota de cacau. Na boca é gordo, mas imensamente fresco, taninos fantásticos, muita especiaria, excelente acidez e frescura, longuíssimo e clássico final. Sublime. (14%)

Gloria Reynolds Cathedral Reg. Alentejano tinto 2004
Reynolds Wine Growers

Gloria Reynolds Cathedral 2014A aposta de Julian Reynolds, e do seu enólogo Nelson Martins, em entregar os vinhos ao mercado com muitos anos de estágio, origina tintos como este Gloria Reynolds Cathedral, um autêntico monumento em forma de garrafa. Julian sabe bem o quer, desde muito cedo, e isso transparece nos vinhos criados à sua imagem e à dos seus antepassados. De Alicante Bouschet em maior parte (a uva porta-estandarte da Reynolds) e Trincadeira, o Cathedral é um dos lotes do vinho Gloria Reynolds (nome da sua mãe) que Julian manteve na adega para um lançamento tardio, 12 anos depois. E se valeu a pena… Evoluído de forma perfeita, mas ainda com muito para dar, é um autêntico portento, um tinto super-complexo, apaixonante. M.L.

Aroma quase jovem, com leves notas de mogno, frutos compotados e também secos. Muito fresco e bem vivo, está ainda nervoso com acidez para durar, chega a todos os cantos do palato e por lá fica. Um grande vinho, pleno de qualidade, sabor e finesse, potente. Excelente no estilo clássico. (13,5%)

Lavradores de Feitoria Três Bagos Douro Grande Escolha tinto 2015
Lavradores de Feitoria

Três Bagos Grande Escolha 2015A Lavradores de Feitoria, apesar dos seus 20 anos, mantém-se um projeto único, resultante da união de 15 produtores, proprietários de 18 quintas distribuídas pelas três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior). Ano após ano, vários vinhos da Lavradores de Feitoria merecem destaque da crítica. A par do Meruge (branco e tinto) e clássico Sauvignon Blanc (quase um precursor na região), tem sido o topo de gama tinto Grande Escolha o vinho que, desde a sua estreia em 2000, tem merecido mais elogios. Com origem em vinhas velhas, todas com mais de 60 anos provenientes das quintas da Costa, Mata e Estrada, o enólogo Paulo Ruão (que é o responsável por este tinto desde 2004) criou um vinho assente em mineralidade e profundidade na prova de boca. Num ano de grande qualidade para o Douro, e após uma afinação longa em barrica nova e em garrafa, este Grande Escolha é um dos vinhos mais irresistíveis do Douro! N.O.G.

Tem origem em vinhas velhas. Mostra tremenda complexidade aromática, onde a mineralidade é sentida, onde a fruta é madura, com bagas negras e algumas notas balsâmicas, sempre com distinta elegância. O ambiente na boca é de enorme harmonia e profundidade. Conjunto notável, de absoluto polimento, repleto de sabor. (14,50%)

Palácio dos Távoras Gold Edition Trás-os-Montes Grande Reserva tinto 2016
Costa Boal Family Estates

Palácio dos Távoras Gold Edition Trás-os-Montes Grande Reserva tinto 2016O projecto da Costa Boal Family Estates abrange as duas regiões – Douro e Trás-os-Montes e consiste em recuperação de vinhas da família. A responsabilidade enológica recai sobre o já conceituado enólogo Paulo Nunes.
Este vinho resulta de uma parcela específica de uma vinha velha com 50-60 anos perto de Mirandela, onde, para além de Alicante Bouschet, encontra-se uma grande percentagem de Baga, o que não é muito comum nas vinhas em Trás-os-Montes. Na adega repararam que a uva desta parcela tinha características analíticas diferentes (pH mais baixo). Fermentou em lagares com algum engaço e estagiou 16 meses em barrica nova. A edição é limitada a 1.145 garrafas e mais 115 magnum. V.Z.

Oriundo de pequena parcela de vinha velha. Aroma refinado e complexo que merece uma prova atenta. Revela amora madura, pasta de azeitona preta, tomilho, cominho e pimenta preta, alguma noz moscada e notas de terra. Entra em grande, com potência e afirmação de estrutura e tanino, deixando acidez e elegância a brilhar no fim. Fruta fresca e especiaria persistem no sabor com muita personalidade. (14,5%)

Pintas Douro tinto 2017
Wine & Soul

Pintas Douro tinto 2017Com sede e centro de operações em Vale de Mendiz, a Wine & Soul tem vindo, paulatinamente a alargar o seu portefólio e agora a consolidá-lo. O primeiro vinho foi o Pintas, da colheita de 2001, depois surgiram outros tintos, brancos e Portos. Apesar de todas as vinhas para os tintos se encontrarem exclusivamente no Vale de Mendiz, não muito distante da Vila do Pinhão, mas com maior altitude, as várias referências apresentam características diferentes. A vinha que origina o Pintas permite sempre maturações muito intensas, graças à sua exposição e idade vetusta. Depois de mais de 15 edições, e na edição de 2017 (bem diferente da de 2016, com maior concentração no centro de boca e final mais pujante) todos os vinhos do produtor voltaram a brilhar, mas o Pintas mais uma vez destacou-se pela profundidade da prova de boca e complexidade aromática. Cada vez mais fino e quase inalcançável no perfil polido e generoso, o Pintas 2017 mantém-se um dos melhores de Portugal. N.O.G.

Aroma muito complexo, com alguma opulência de fruta vermelha e negra com a barrica especialmente bem inserida. Impressiona enormemente os sentidos, mas sem ser impositivo, o que é muito bom. Tem perfeita elegância de boca, taninos muito finos, mas ainda bem presentes, deixando um final acetinado, longo e com frescura. Notável. (14,5%)

Quinta da Pellada “Mata” e “Casa” Dão tinto 2015
Quinta da Pellada

Quinta da Pellada Lote Mata e Casa Dão tinto 2015Há 30 anos que Álvaro Castro nos vem mostrando o que de melhor a região do Dão tem para oferecer. Isto é válido quer para brancos quer tintos e Álvaro tira partido de pequenas parcelas onde muitas vezes com inúmeras castas diferentes misturadas na vinha, consegue obter vinhos de grande complexidade, muito originais e que nos relembram que do lote de muitas castas também se conseguem obter vinhos ricos e singulares. Álvaro Castro tem desenvolvido um grande esforço de preservação das vinhas velhas e também de reprodução, a partir de velhas cepas, de variedades que fizeram história no Dão, mas que hoje estão quase esquecidas. A região e os consumidores só têm a beneficiar com isso. J.P.M.

Vinho oriundo de duas parcelas de vinha com 69 anos, 48 castas identificadas. Excelente complexidade aromática, fruto bonito e muito puro, mato, cogumelos, flores do bosque, num registo ainda bem jovem. Perfeito polimento de taninos, enorme subtileza, mas ao mesmo tempo bastante sabor, cheio de delicadeza e classe. (13%)

Quinta das Bágeiras Pai Abel Bairrada tinto 2013
Mário Sérgio Alves Nuno

Quinta das Bágeiras Pai Abel Bairrada tinto 2013De uma vinha de 0.6 hectares em solo argilo-calcário, a vinha Costeira, nasce este Pai Abel de Baga e Touriga Nacional, castas que estão misturadas na parcela, num rácio de 80% para 20%. A produção é limitada a três cachos por videira, para replicar o comportamento de uma vinha centenária e as estas uvas fermentam com engaço durante uma semana em lagar aberto, e durante esse tempo são feitas remontagens com maços compridos de madeira, várias vezes ao dia. O vinho estagia em barricas usadas de Borgonha, passando depois para um tonel de madeira antes de ser engarrafado. O pai de Mário Sérgio, Abel, pode ser visto a equilibrar-se em cima destes mesmos lagares a fazer a remontagem, e isso é só mais um motivo para que lhe seja dedicado este tinto de classe mundial. M.L.

Baga (80%) e Touriga Nacional (20%) de mãos dadas num perfil sumamente elegante. Fruta de enormíssima qualidade, pimenta, especiaria, erva seca, musgo. Os taninos são perfeitos, fortes, mas polidos com esmero, a acidez vibra e potencia todo o conjunto com brilhante frescura quase salina. Um Pai Abel de imprevista sofisticação, mas que nunca perde o carácter da terra nem o tom austero e clássico da marca. Um tinto absolutamente notável. (13,5%)

Quinta do Noval Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Noval

Quinta do Noval Douro Reserva tinto 2016É um nome icónico no Douro e no horizonte de vinhos de Portugal. O Quinta do Noval Reserva é o ex-libris dos vinhos tranquilos da casa.
O 2016 foi um ano de extremos. Após uma Primavera chuvosa, o Verão apresentou-se muito quente e seco, com alguns picos extremos de calor em Agosto e Setembro. Em meados de Setembro caiu chuva necessária para a maturação prosseguir em condições ideais. A vindima decorreu com tempo seco e muito sol.
A Touriga Nacional é responsável pelos 60% do lote, acompanhada pelos 25% de Touriga Franca e 3% de Tinto Cão. O estágio decorreu em barricas de carvalho francês durante 10 meses, das quais 40 % eram barricas novas. V.Z.

Concentrado e rico, num registo menos denso e escuro do que em anteriores edições, está aqui muito bem trabalhada a fruta com a madeira, com fantástica frescura de fruta negra e erva seca. Muito bem esculpido na boca, com grande polimento de taninos, mas sem perder a garra e carácter. Um tinto cheio de futuro, mas já com muito presente. (13,5%)

Quinta do Vale Meão Douro tinto 2017
F. Olazabal & Filhos

Quinta do Vale Meão Douro tinto 2017No ano passado a Quinta do Vale Meão comemorou os 20 anos da marca. No lote deste vinho predominam Touriga Nacional (55%) e Touriga Franca (40%), acompanhadas por Tinta Barroca e Tinta Roriz, vinificadas separadamente. É pisado a pé em lagares durante apenas 4 horas e depois transferido para cubas de pequena capacidade para fermentar com adição de 10% de engaço. Estágio ocorre em barricas de carvalho francês de 225 litros, das quais 60% são novas e 40% de segundo ano.
O ano foi extremamente quente e seco, com valores muito baixos de água nos solos, originando uma antecipação de cerca de três semanas no ciclo. A vindima foi antecipada, mas deu resultados bastante interessantes do ponto de vista enológico. V.Z.

Muito fino no aroma, a fruta está muito presente, com a madeira superiormente inserida no conjunto, polido e delicado, mas sem perder concentração. Esta é uma característica recorrente neste vinho. Sedutor na prova de boca, com textura macia, mas nervosa, em virtude de taninos bem delicados. Um enorme Douro. (14%)

Quinta do Vallado Field Blend Douro Reserva tinto 2017
Quinta do Vallado

Quinta do Vallado Field Blend Douro Reserva tinto 2017De todos os tintos da vaga moderna duriense este Quinta do Vallado Reserva mantém, desde o início, uma enorme identidade regional, aliada a uma frescura e profundidade pouco habitual entre os grandes tintos do Douro. Em prova cega este é um tinto que rapidamente nos fala das características da região que o faz nascer. Nunca são vinhos de estilo ‘fashionable’, antes sim vinhos com uma solidez de carácter admirável.
Vem de uma vinha velha com cerca de 34 diferentes castas onde predominam Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Franca e Tinta Barroca. Estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (60% usadas) e encheu 41.500 garrafas de 075L e 800 de 1,5L. Uma boa maquia de um grande vinho tinto. J.A.

Concentrado na cor, mas não opaco, excelente nota vegetal e resina ao lado de fruta viva de enorme qualidade, com ameixas vermelhas e cerejas negras. Super elegante e sofisticado na boca, com textura e taninos finos, belíssima frescura, predomina a elegância sobre a potência num conjunto de excelência. (14,5%)

Scala Coeli Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2016
Fundação Eugénio de Almeida

Scala Coeli Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2016Produzido pela primeira vez em 2008, o vinho Scala Coeli, nome original do mosteiro que é hoje conhecido como Mosteiro da Cartuxa, resulta daquilo que a equipa enológica da Fundação Eugénio de Almeida, liderada por Pedro Baptista, considera como as melhores vinificações de cada ano. Em 2016, isso verificou-se com este Alicante Bouschet de grande categoria, em solos de granito, que foi vindimado a 11 de Outubro, sofreu maceração pré-fermentativa e estagiou dezasseis meses em barricas novas de carvalho francês, que estão genialmente integradas no vigor e profundidade deste tinto fenomenal. Pegar numa casta que tem uma rusticidade natural e conferir-lhe este perfil equilibrado e elegante, não é para todos. M.L.

Nariz de pendor levemente vegetal e também com pimento, cacau, num aroma profundo que adivinha também profundidade de boca. Excelente textura, vigoroso, mas muito fresco, mineral e quase citrino. Uma versão da casta que nada tem de rusticidade, mas tudo de poder, com grande vibração e equilíbrio. Um vinho quase interminável, ainda extremamente jovem. (15%)

Tapada de Coelheiros Reg. Alentejano Garrafeira tinto 2012
Herdade de Coelheiros

Tapada de Coelheiros Reg. Alentejano Garrafeira tinto 2012Nome incontornável dos vinhos alentejanos nos anos 90, a herdade de Coelheiros sempre incluiu nos encepamentos algumas castas francesas entre as quais se contam a Chardonnay e a tinta Cabernet Sauvignon. Esta variedade bordalesa tem o grande mérito de ser perfeita em climas e solos variados, podendo originar vinhos que se tornam referência. Foi o caso dos Coelheiros onde ligada, com é este o caso, com Aragonez, gera um tinto de grande riqueza e concentração, daqueles que têm tudo para viver em cave. O clima quente, a maturação lenta e a grande resistência às maleitas da vinha, fazem da Cabernet a casta que todos querem. Gera vinhos bons e, ocasionalmente, está na base de tintos notáveis. É o caso. J.P.M.

Cabernet Sauvignon e Aragonez de vinha plantada em 1981. A cor intensa revela que o tempo mal passou por ele, o aroma mostra uma evolução perfeita, com enorme profundidade e complexidade, muita pimenta e noz moscada, bagas maceradas, musgo e vegetais secos. Na boca sente-se um vinho austero e muito sério, com taninos vigorosos, mas perfeitamente domados pelo tempo e pela sólida estrutura. Rico e requintado, com leves amargos a dar garra e muita frescura no final interminável. (14,5%)

selo melhor do ano 2019 - fortificadoTaylor’s Vargellas Vinha Velha Porto Vintage 2017
Taylor Fladgate & Yeatman

Taylor’s Vargellas Vinha Velha Porto Vintage 2017Vem de uma das quintas mais famosas de todo o vale do Douro. A sua impressionante arquitectura de terraços e a grande área de vinha velha neles plantada, fazem dela uma autêntica “jóia da coroa” do sector Vinho do Porto. Para a feitura deste Porto inexcedível são seleccionadas as uvas das 4 parcelas de vinha com maior estatuto de qualidade da Quinta: Polverinho, Renova do Depósito, Renova do Armazém e Gricha. No total somam apenas 2% da produção total. Este vinho Vargellas Vinha Velha (feito, na minha perspectiva, numa filosofia do mais puro hedonismo) representa a selecção da selecção. As uvas desta Quinta são a base do famoso Vintage Taylor’s e este Taylor’s Vargellas Vinha Velha é o seu, não menos magnífico, alter ego. J.A.

O aroma apresenta um forte lado vegetal, abundantes notas de esteva, de urze, leve menta e muita pimenta. A fruta está guardada, mas surge na boca fruta negra de amoras e ameixas e uma sensação química a revelar a austeridade do vinho. Enorme concentração de sabor, um vinho que se mastiga, e onde taninos vigorosos lhe asseguram longa vida. Absolutamente notável. (20%)

Alambre Moscatel de Setúbal 20 anos
José Maria da Fonseca

Alambre Moscatel de Setúbal 20 anosA José Maria de Fonseca é uma empresa incontornável na Península de Setúbal. Continua a ser de cariz familiar, nas mãos da 6ª e 7ª geração da família.
Este Moscatel de Setúbal demonstra uma enorme harmonia, proveniente de vários factores, a começar pela casta Moscatel de Setúbal com grandes propriedades aromáticas, enfatizadas pelos 5 meses de maceração pelicular depois de adição de aguardente ao mosto. O estágio oxidativo em madeira usada confere complexidade, mantendo, ao mesmo tempo, uma frescura aromática. O profundo equilíbrio vai da arte de fazer blend. Este vinho é um lote de 6 colheitas em que a colheita mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga data de 1911. V.Z.

Engarrafamento de 2019. Muitos tons esverdeados quando se agita o vinho no copo, enorme riqueza aromática, com farripa de laranja, frutos secos, compotas e mel, mas sem que se perca a frescura e elegância. Muito bom volume de boca, com uma acidez muito refrescante, um moscatel acetinado, gordo e macio que deixa um rasto citrino que se prolonga muito no final. Um grande exemplo da casta e da região. (18%)

Bacalhôa Setúbal Moscatel Roxo Superior 20 anos 1998
Bacalhôa Vinhos

Bacalhôa Moscatel Roxo Setúbal Superior 20 Anos 1998A casa Bacalhôa tem vindo a habituar os seus consumidores a moscatéis com um perfil muito rico e exuberante, sempre generosos na entrega e no prazer. Nesse campeonato, o Moscatel Roxo reina muito alto, proporcionando sempre néctares de incrível complexidade e magnifica cor âmbar. Existem no produtor lotes com classificação de Superior e indicação do ano lançados mais novos com grande qualidade, mas têm sido, sobretudo, os lotes de 20 anos da casa, também com ano de colheita, a revelar-se sempre ao melhor nível da região. Este 1998 vem na sequência das quatro edições anteriores, 1997, 1996, 1995 e 1983. Está pronto a beber, mas grande mal não lhe virá se só o abrir daqui a algum tempo. A melhor notícia é que continuam em estágio barricas com a mesma colheita de 1998 que poderão originar futuros engarrafamentos, quem sabe um 30 e/ou 40 anos. N.O.G.

Enorme profundidade e complexidade aromática, casca de laranja cristalizada, flor de laranjeira, passa de Corinto, anis estrelado. Perfumado, combina de forma majestosa uma grande untuosidade e textura de boca com uma finíssima acidez citrina. Muito rico, vibrante, concentrado e leve ao mesmo tempo, de extrema harmonia no final intenso e interminável. Sublime. (20,5%)

Barbeito Madeira Frasqueira Sercial 1993
Vinhos Barbeito

Barbeito Madeira Sercial Frasqueira 1993A casta Sercial (Esgana Cão de Bucelas) é uma das castas mais atraentes na ampelografia nacional. Na Madeira, a sua dimensão nos vinhos que produz dilata-se de forma quase incompreensível originando nos melhores casos, vinhos de uma concentração, impacto e intensidade de prova tão inesperados quanto admiráveis. Este Frasqueira Sercial 1993 é um destes exóticos e insondáveis vinhos. Vem da costa Norte, de vinhas muito próximas da povoação do Seixal, propriedades da descendência de Manuel Eugénio, partidista que fornece uvas e vinhos das castas Sercial e Verdelho à Barbeito desde a sua fundação. A paisagem onde se enquadram esta vinhas únicas transmite uma força impressionante a quem dela desfruta. O vinho corresponde na integra ao que vemos e sentimos. J.A.

Potente e com grande impacto aromático. Frutos secos, cravinho, caixa de charuto, leve vinagrinho, resina, verniz. Muito seco e cortante na boca, secura angulosa e salivante, muito profundo, salino e iodado, longuíssimo e largo final. Um Sercial de barba rija. (20%)

Graham’s The Stone Terraces Porto Vintage 2017
Symington Family Estates Vinhos

Graham’s The Stone Terraces Porto Vintage 2017Verdadeira “essência” de vinho do Porto Vintage é, no final de contas, o bilhete de identidade deste Porto. Acontece em 2011, 2015, 2016 e 2017. Vem de duas pequenas parcelas de vinha em socalco junto à casa da Quinta de Malvedos: Parcela 43 (antiga Port Arthur), voltada a nascente (1,2 ha) e vinha dos Cardanhos, voltada a Norte (0,6 ha). Socalcos altos, construídos à força de braço no século XVIII, quase todos apenas com um bardo de vinha, produzem a uva desta quintessência. São parcelas protegidas do Sol poente, mais agressivo, com produções reduzidas e extremamente equilibradas. E não há segredos; para se fazer grandes vinhos temos de ter sempre grandes uvas. E é esta a grande proeza destes Stones Terraces. J.A.

Extremamente concentrado, mas sem perder elegância. Figo, leve noz, resina de cedro, esteva, chocolate, citrino e alguma salvia. Extremamente aromático e complexo. Na boca é largo, cheio e profundo, com taninos vigorosos, extremamente sedosos. Muito complexo, muito longo e espantosamente sedutor. (20%)

Vista Alegre Porto Colheita 1969
Vallegre Vinhos do Porto

Vista Alegre Porto Colheita 1969Um Porto Colheita com 50 anos é sempre um vinho do qual esperamos muito. O tempo de casco, os cuidados que lhe são prestados e a atenção ao pormenor, fazem destes vinhos um perfeito companheiro do serão. Se por um lado o ano de origem do vinho já não é perceptível em virtude da oxidação a que foi sujeito, por outro este é o verdadeiro representante do Porto de outrora, do Porto que qualquer lavrador gostaria de ter na sua cave e que guardaria religiosamente. Engarrafado anualmente em pequenas quantidades, o Colheita é um vinho-bandeira para uma empresa e a Vallegre não foge à regra. Complexidade, enorme riqueza, textura de veludo, tudo aqui temos em dose perfeita. Um Colheita de sonho. J.P.M.

Muito rico, intenso e complexo de aroma, com toque de volátil, aromas concentrados de frutos secos, licores de ervas, tofa. Impressiona muito no nariz, sugerindo ser bem mais velho. Excelente presença de boca, profundo e aveludado na textura, untuoso e envolvente, de sabor interminável, um Colheita de enorme categoria, qualquer que seja o ângulo de apreciação. (21,5%)

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