QUEVEDO WINES: Friendology forever e o Legado de 1986

Durante mais de cinco gerações, os antepassados de Óscar e Cláudia Quevedo – representantes da quinta geração e que estão, hoje, à frente do projeto –, dedicaram-se ao cultivo da vinha. As primeiras terão sido plantadas em 1889, em Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, onde se encontra a sede e a […]
Durante mais de cinco gerações, os antepassados de Óscar e Cláudia Quevedo – representantes da quinta geração e que estão, hoje, à frente do projeto –, dedicaram-se ao cultivo da vinha. As primeiras terão sido plantadas em 1889, em Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, onde se encontra a sede e a adega desta empresa familiar. Até meados da década de 80 do século passado, produziam uva e vinho a granel, que posteriormente era vendido às grandes companhias exportadoras sediadas em Vila Nova de Gaia. Sobretudo Vinho do Porto.
Ao longo dos anos, a família cultivou 100 hectares de vinha e 25 hectares de olival biológico, legado preservado amiúde. Só em 1993 é que a marca Quevedo foi oficialmente fundada, marcando uma nova era para a família, que começou a engarrafar vinhos do Porto com o próprio rótulo, graças à entrada do país, em 1986, na então Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia). “É a União Europeia [UE] que obriga Portugal a alterar a legislação. Uma lei que vem da demarcação da região instituída pelo Marquês de Pombal, em 1776! Portanto, quando Portugal adere à UE, tudo se altera. Aparece um grande grupo de pequenos produtores – nós inclusive –, que muda para sempre a região e está, hoje, a produzir em nome próprio, e a levar o nome do Douro e a marca Vinho do Porto por este mundo fora” afirma Óscar Quevedo.
De facto, este marco histórico traz consigo uma enorme mudança legislativa para a região: o fim do “Entreposto de Gaia”. Até então, qualquer Vinho do Porto destinado à exportação tinha de ser obrigatoriamente armazenado e expedido a partir de Vila Nova de Gaia. Com a nova legislação, os produtores do Douro passaram a poder engarrafar e exportar os vinhos com identidade própria, dando início a toda uma nova fase de independência para muitas casas familiares.
A quinta geração
Foi este sopro de autonomia que impulsionou Óscar e Beatriz Quevedo (pais de Óscar Jr. e Cláudia Quevedo) a fundarem a marca com o próprio nome. Em 1991, a empresa foi constituída e, em 1993, os primeiros vinhos com o rótulo Quevedo chegaram ao mercado, assinalando o princípio de uma nova era de orgulho familiar.
Por conseguinte, atualmente, a empresa é conduzida pela quinta geração da família: Cláudia Quevedo é enóloga e responsável pela produção dos vinhos, enquanto Óscar Quevedo lidera o desenvolvimento internacional da marca. Há cerca de um ano juntou-se, à equipa, Cristina Azevedo, para desenvolver o mercado nacional. “A partir de 2009, comigo a 100% na empresa, continuamos muito esta linha de exportação que, de certa forma, vinha do passado. Com a vinda da Cristina quisemos [re]conquistar o mercado nacional”, refere Óscar Quevedo.
A Quevedo gere, no presente, um património vitícola de cerca de 114 hectares distribuídos por cinco quintas com características geológicas e climáticas distintas. Esta diversidade é a “caixa de ferramentas” da enologia da casa. Quinta Senhora do Rosário, a mais antiga das propriedades da Quevedo e onde se localiza a adega; Quinta Vale D’ Agodinho, excelente para os melhores Portos; Quinta da Trovisca, o campo experimental das novas variedades ou processos de viticultura; Quinta da Valeira, com vinhas a uma altitude de cerca de 500 metros; Quinta da Alegria, com vinha e pomar, e uma frente ribeirinha com mais de 700 metros de comprimento. Sobre esta última, acresce o facto de estar dividida pelo caminho-de-ferro que liga o Porto ao Pocinho.
Produção própria e viticultores selecionados
O portefólio vínico é extenso, sobretudo no que diz respeito aos vinhos do Porto, génese da empresa, com colheitas de praticamente todos os anos e de variadíssimos estilos – Tawny, Ruby, Crusted, LBV, Colheita, Vintage –, graças a um enorme espólio de inegável qualidade. Os vinhos DOC Douro, embora sejam uma aposta mais recente, apresentam uma imagem renovada e um perfil moderno, como Óscar Quevedo passa a explicar: “os vinhos que produzimos são todos de produção própria ou de viticultores selecionados da zona de São João da Pesqueira. Queremos produzir vinhos mais frescos, com menos extração, menos álcool e tanino”. Vinhos que se enquadram na filosofia friendology forever, e que a empresa defende: “é, basicamente, um estado de espírito. Achamos que o convívio, a amizade, as portas abertas são uma forma de estar. E o vinho sabe muito melhor com companhia. E com partilha!”
A gama DOC douro está distribuída pelas referências Truques, nas versões branco, tinto e rosé, são vinhos frescos e não são submetidos a barrica; Alegra, em branco e tinto, traduzidos nos reserva da casa, com barrica, mas num perfil de grande equilíbrio e frescura; a gama Q.Lab, que consiste em vinhos mais experimentais, como o extraordinário branco 100% Folgazão, um curtimenta feito a partir da casta Gouveio ou um inusitado e delicioso clarete 100% Tinta Amarela e, finalmente, os Grande Reserva Q, um branco e um tinto com um perfil duriense mais clássico.
A empresa foi constituída em 1991 e, em 1993, chegaram ao mercado os primeiros vinhos com o rótulo Quevedo
A joia da coroa
Todos os DOC Douro estiveram disponíveis ao longo do almoço servido na Quevedo Lodge, espaço da Quevedo Wines instalado numa antiga tanoaria convertida em centro de visitas e eventos, localizado em Vila Nova de Gaia, onde é possível provar todos os vinhos, mergulhar em degustações e harmonizações, e participar em workshops. A refeição preparada com produtos locais pelo restaurante Toca da Raposa, de São João da Pesqueira, onde a comida tradicional prima pela excelência, foi irrepreensível. Tratou-se de um almoço que serviu de mote para o lançamento de um vinho muito especial, o Quevedo White Colheita 1986, produzido no referido ano que tanta simbologia trouxe à região do Douro; evoluiu lentamente em casco de castanho, ganhando concentração, complexidade aromática e uma textura envolvente.
Cláudia Quevedo foi quem acompanhou esta “joia da coroa” de perto, com o propósito de assegurar a sua estabilidade e preservar o equilíbrio entre frescura e maturidade. Com o conhecimento de quem o viu evoluir ao longo do tempo, a enóloga indicou o momento certo para o revelar. “Este vinho é muito especial para mim: tinha 10 anos quando foi feito e acompanhá-lo ao longo do tempo deu-lhe ainda mais significado. Impressiona pela riqueza aromática, pelo volume que preenche a boca e, sobretudo, pela forma como permanece – longo, persistente – muito depois de ser provado. É um vinho que pede tempo, para ser apreciado com calma”, explica Cláudia Quevedo, com evidente comoção. Um vinho que é uma homenagem ao ano da “independência” da família, além de que preserva e enobrece o legado de séculos de um produtor familiar.
(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)
O Douro vai receber o Concours Mondial de Bruxelles (CMB) 2027

O Concours Mondial de Bruxelles (CMB) anunciou, no passado sábado, que a sua Sessão de Vinhos Tintos e Brancos de 2027, bem como a Sessão de Vinhos Doces e Fortificados, terão lugar em Portugal, no Vale do Douro. As duas sessões decorrerão entre os dias 14 e 16 de maio de 2027. O CMB é […]
O Concours Mondial de Bruxelles (CMB) anunciou, no passado sábado, que a sua Sessão de Vinhos Tintos e Brancos de 2027, bem como a Sessão de Vinhos Doces e Fortificados, terão lugar em Portugal, no Vale do Douro. As duas sessões decorrerão entre os dias 14 e 16 de maio de 2027.
O CMB é um prestigiado concurso internacional de vinhos que recebe mais de 15 mil participações anuais nas suas diferentes sessões e competições. Fundado em 1994, o concurso saiu, em 2006, da Bélgica tendo sido Lisboa a primeira cidade a acolher o evento fora do seu país de origem. Desde então, o CMB já passou por vários países e continentes, cumprindo a sua missão de promover e valorizar grandes terroirs vitivinícolas de todo o mundo, tanto clássicos como emergentes.
Em 2012, o concurso realizou-se em Guimarães e, agora, regressa a Portugal. Organizado em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), este evento de relevância internacional reunirá várias centenas de compradores, sommeliers e jornalistas especializados no coração de uma das regiões vitivinícolas mais emblemáticas do mundo.
Para João Gonçalves, Presidente da CIM Douro, “Receber o Concours Mondial de Bruxelles é uma oportunidade extraordinária para projetar o Douro junto de decisores, especialistas, compradores, jornalistas e líderes de opinião de todo o mundo. Queremos que quem venha ao Douro descubra muito mais do que uma região vinícola: descubra um território vivo, acolhedor, inovador e preparado para construir futuro.”
Sobre a Aguardente do Douro no Vinho do Porto

A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) define como “inviável” e “ilegal” a obrigatoriedade e exclusividade de aguardente produzida a partir de uvas da região do Douro para o vinho do Porto descrita na Proposta de Lei, que, segundo o comunicado “ameaça o estatuto do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO […]
A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) define como “inviável” e “ilegal” a obrigatoriedade e exclusividade de aguardente produzida a partir de uvas da região do Douro para o vinho do Porto descrita na Proposta de Lei, que, segundo o comunicado “ameaça o estatuto do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO e a sobrevivência do ecossistema vitivinícola da região”. No mesmo documento, “a associação classifica a medida como uma ilusão perigosa que, sob o pretexto de resolver o problema dos excedentes de vinho DOC Douro, esconde uma total inviabilidade jurídica, operacional e económica que ameaça colapsar a viticultura regional duriense”.
A justificação para esta contestação prende-se, segundo a AEVP, com o facto de os vinhos excedentários do Douro não apresentarem “o perfil nem a qualidade exigida para a destilação de aguardente de beneficiação”. Por outro lado, alerta para a eventualidade de Bruxelas fazer uma revisão dos cadernos de encargos inerente ao Vinho do Porto, interferindo nas bases da produção deste, “como o sistema de Benefício, a Lei do Terço e até o engarrafamento na origem”.
Segundo a AEVP, esta Proposta de Lei vai originar “uma subida de 40% no preço dos vinhos standard”, colocando “em risco direto 198 milhões de euros em vendas anuais”. No âmbito do impacto social, a AEVP receia “uma contração do negócio em 50%”, que poderá ter consequências na região, como o despedimento de 3.000 pessoas e a consequente inoperância de centros de vinificação, armazéns e linhas de engarrafamento, a interrupção de compra de uvas na vindima e a “perda de valor fundiário e venda de propriedades por falta de viabilidade “. A associação adverte ainda para o “risco de perda de reputação da Região Demarcada do Douro” e o comprometimento da venda de mais de 260 milhões de litros de Vinho do Porto.
Face a este cenário, a AEVP propõe um plano assente em três medidas: ajuste de oferta, com a ativação da vindima em verde; a implementação de projectos-piloto de créditos de carbono e de natureza, e valorização dos serviços de ecossistema; e destilação voluntária de uvas do Douro e subvencionada pelo Estado.
QUINTA DOS LOIVOS: A promessa de uma nova estrela no Douro

Se a isso juntarmos a ambição de ali, em Casal dos Loivos, erguer-se, em breve, uma adega e, a partir de Abril, um restaurante de referência com assinatura de um chefe com pergaminhos, de nome Vitor Adão, a que se seguirá, mais tarde, um hotel de charme, ficamos com a ideia que vontade e ambição […]
Se a isso juntarmos a ambição de ali, em Casal dos Loivos, erguer-se, em breve, uma adega e, a partir de Abril, um restaurante de referência com assinatura de um chefe com pergaminhos, de nome Vitor Adão, a que se seguirá, mais tarde, um hotel de charme, ficamos com a ideia que vontade e ambição não faltarão para ali estar, a breve prazo, um dos spots mais mediáticos do Douro. Esta é afinal uma pequena jóia com capitais brasileiros, por um lado, e a criatividade portuguesa, por outro, alicerçada numa meia dúzia de profissionais com provas dadas na região, tornaram possível concretizar em relativamente pouco tempo – foi há poucos meses que comecei a ouvir a experiente Ana Mota falar, com um entusiasmo de menina, sobre o novo projecto em que mergulhou de corpo inteiro.
Hoje, como directora de operações e responsável pela viticultura da Quinta dos Loivos, de 12 hectares, dos quais sete são vinha, sente-se no brilho dos seus olhos o quanto esta tarefa a entusiasma: “É um desafio apaixonante, um investimento de enorme qualidade, único e cativante.” Não está sozinha. Jorge Alves, enólogo consultor, volta a trabalhar na mesma equipa e partilha do entusiasmo: “A Quinta dos Loivos é um projecto emblemático. A altitude, o xisto, o microclima, tudo se junta para criar vinhos únicos.” Jorge Alves conta com o apoio de Adriana Covas, na função de enóloga residente. Por trás, tiveram a vasta experiência no Douro de Bruno Simões, como Business Developer, que concebeu o projecto e resumiu num parágrafo aquilo que o cativou: “A paisagem da Quinta dos Loivos é inigualável – uma visão circular sobre o Douro, onde o rio se revela em três direcções. Do ponto mais alto, junto a um antigo marco militar, vemos seis ou sete concelhos e sentimos o Douro em toda a sua dimensão.”
Produções limitadas
Na mente dos responsáveis, conforme foi insistentemente referido, esteve sempre a preocupação na conservação do riquíssimo património natural que a propriedade usufrui. Neste sentido, uma das grandes mais-valias da Quinta dos Loivos são as vinhas velhas, algumas delas centenárias, plantadas em solos de xisto muito duro e com grande inclinação, que obrigaram a um paciente e demorado trabalho de identificação das castas, operação que contou com a colaboração do viticultor António Magalhães. O resultado desta pesquisa foi surpreendente, na medida em que foram identificadas 74 variedades, o que dá bem a ideia do potencial que a propriedade encerra.
Os vinhos que foram dados a provar à imprensa especializada nesta primeira apresentação, decorrida no restaurante Plano, em Lisboa, dão algumas pistas sobre o que se pode esperar no futuro. Ainda com produções muito limitadas e com recurso a uvas compradas à produção, no caso dos vinhos de entrada de gama, nota-se o fio condutor que norteia o projecto. A marca Venera, constituída por seis vinhos com as gamas Colheita, Reserva e Grande Reserva compreendem as versões branco, rosé e tinto, e chegam ao mercado com uma tipologia de preços bem definida: cerca de 13€ para os Colheita, 30€ para os Reserva, e 40€ para os Grande Reserva.
Já os três vinhos apresentados com a chancela Quinta dos Loivos são produzidos exclusivamente a partir de vinhas próprias, em quantidades muito limitadas (na ordem das centenas de garrafas) e obedecem a um critério curioso e pouco frequente: são lotes feitos, não tanto a partir das suas castas – quase sempre vinhas velhas com variedades misturadas –, mas a partir da orientação solar das várias parcelas da quinta. Assim temos o Loivos Nascente, elaborado com uvas vindimadas nas vinhas voltadas para Leste; o Loivos Poente, de uvas colhidas nas vinhas viradas a Oeste; e o Loivos Sul, onde as vinhas acabam por ter o maior tempo de exposição solar. Esta opção reflecte-se necessariamente no perfil dos vinhos, embora o padrão qualitativo, muito alto, diga-se, não registe alterações significativas.
A expectativa criada é grande e será, por certo, interessante verificar até que ponto, no futuro, com a produção dos vinhos a entrar em modo standard, a qualidade agora apresentada se manterá quando as quantidades produzidas forem substancialmente aumentadas. Arrojo, competência e recursos não faltam para atingir esse desiderato.
Os três vinhos com a chancela Quinta dos Loivos são produzidos exclusivamente a partir de vinhas próprias e em quantidades muito limitadas
(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)
QUINTA DO PESSEGUEIRO: O Douro gracioso

Graciosidade talvez seja a palavra que melhor define a Quinta do Pessegueiro no seu conjunto, aqui englobando vinhos, arquitectura, imagem, forma de estar e receber. Localizada em Ervedosa do Douro, concelho de São João da Pesqueira, a propriedade foi adquirida, em 1991, por Roger Zannier, empresário francês que criou um gigante têxtil orientado para a […]
Graciosidade talvez seja a palavra que melhor define a Quinta do Pessegueiro no seu conjunto, aqui englobando vinhos, arquitectura, imagem, forma de estar e receber. Localizada em Ervedosa do Douro, concelho de São João da Pesqueira, a propriedade foi adquirida, em 1991, por Roger Zannier, empresário francês que criou um gigante têxtil orientado para a moda infantil e que acabou por conhecer o Douro no âmbito das suas visitas profissionais a Portugal, ali decidindo deixar a sua “marca”. Em 2003, com o apoio do genro Marc Monrose, borgonhês de gema, ligado à terra e ao vinho, Zannier deu início à reconversão das vinhas existentes e à plantação de novas áreas, com sucessivas intervenções em 2007, 2008, 2011 e, mais recentemente, em 2021. A construção da adega, localizada numa zona mais alta da propriedade, arrancou em 2008, ficando terminada em 2010, ano da primeira colheita. Trata-se de um projecto arquitectónico arrojado da autoria de Artur Miranda e Jacques Bec, com a área de vinificação e armazenagem a estender-se por cinco pisos, de forma a aproveitar ao máximo a gravidade e a excluir a bombagem de massas e líquidos, contando, para tal, com a ajuda de uma cuba elevatória.
A casa principal é também um alojamento de charme, aberto ao turismo, integrando-se na rede de unidades Zannier Private Estates e Hotels
Em 2012 terminou a reconstrução do edifício principal da quinta, localizado a três quilómetros da adega. Esta bela casa integra-se perfeitamente na paisagem, num estilo que une a tradição duriense com um design mais moderno, acima de tudo ao nível de interiores. Além de apoiar a estrutura de trabalho da propriedade, o edifício é também um alojamento de charme, aberto ao turismo, integrando-se na rede de unidades Zannier Private Estates e Hotels, espalhadas por França, Espanha, Namíbia, Maurícias, Cambodja e Vietname.
No dia-a-dia da Quinta do Pessegueiro, sobretudo a partir de 2008, e com impacto decisivo no que toca à estratégia, da arquitectura, da imagem e, claro, dos vinhos, têm estado envolvidas três outras pessoas: Célia Varela, Directora-Geral, que acompanhou o nascimento e desenvolvimento do projecto; João Nicolau de Almeida, enólogo responsável pelos vinhos da casa desde a primeira hora; e Hugo Helena, Director de Viticultura e Enologia que, desde 2010, trabalha em estreita colaboração com o enólogo.
Três parcelas
As vinhas da Quinta do Pessegueiro abrangem 28 hectares em produção, distribuídos por três propriedades distintas. A Teixeira é a maior e mais próxima da adega, com 18 hectares, exposta a noroeste, com uma altitude que varia entre 75 e 418 metros. Parte das vinhas foram plantadas no início dos anos 80 do século XXI e, desde 2011, decorreram novas replantações com inúmeras castas. Ali foram igualmente recuperados socalcos pré-filoxera e plantado meio hectare com mais de 30 castas, que deverá originar, no futuro, um field blend muito especial. A seguir vem a vinha do Pessegueiro, propriamente dita, de nove hectares de vinhedos em encostas íngremes viradas a oeste, entre os 197 e os 355 metros de altitude. Vinhas velhas com mais de 110 anos (1,5 hectares) e vinhas plantadas há mais de 40 anos compõem esta área, onde as uvas amadurecem mais tarde. Finalmente, a Afurada tem apenas um hectare, acima dos 500 metros de altitude e com exposição sul.
Em termos de encepamento, predomina, nos tintos, a Touriga Nacional, seguindo-se Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão e Tinto Cão. Numa fase mais recente, plantaram-se outras tintas tradicionais mais raras (Tinta da Barca, Tinta Amarela, Rufete, Alicante Bouschet) e apostou-se decididamente nas uvas brancas, com destaque para Rabigato, pouco comum nesta zona do Cima Corgo, mas que os dois enólogos apreciam particularmente pela vivacidade e frescura, e Folgasão. Todas as plantações foram feitas a partir de seleção massal própria, não foi utilizada seleção clonal.
As três propriedades possuem também, como é habitual no Douro, velhas oliveiras, com as variedades Madural, Cobrançosa, Verdeal, Picual e Carrasquenha. Da apanha manual com extração a frio, a quinta produz um azeite de superior qualidade. E na Teixeira, algumas colmeias permitem, igualmente, uma pequena produção de mel, reforçando, assim, a biodiversidade do terroir, contribuindo, ao mesmo tempo, para o equilíbrio do ecossistema.
Pureza e elegância
A abordagem vitícola e enológica de João Nicolau de Almeida, aqui totalmente apoiada por Hugo Helena, é bem conhecida: vinha velha sempre que seja boa, agricultura biológica, vinificação clássica. Assim se tem feito na Quinta do Pessegueiro, onde, por exemplo, herbicidas não entram nas vinhas, um desafio acrescido face aos diferentes modelos de plantação existentes, que vão dos patamares de um bardo à vinha ao alto, passando por parcelas não mecanizadas com muros tradicionais.
Tradicional é também a vinificação, com a fermentação a decorrer com leveduras indígenas, privilegiando-se lagares de granito com pisa a pé, balseiros de madeira para os tintos e cubas inox e pipos de 600 litros para os brancos. Na adega, os vinhos são separados por parcelas, permitindo exaltar cada uma das suas singularidades, depois conservadas em cubas de pequena dimensão. A ausência total de bombagem (a cuba elevatória é preciosa) permite manter a fruta no seu estado mais puro.
A pureza da fruta é precisamente aquilo que mais marca, e impressiona, os vinhos da Quinta do Pessegueiro. Numa produção relativamente pequena – cerca de 100 mil garrafas, entre Douro e Porto –, esta expressão de fruta é transversal às várias referências, acompanhada de evidente frescura, leveza, equilíbrio e elegância. Estes vinhos, brancos ou tintos, não se destacam pela grande estrutura ou potência, antes pela notável finura e pela absoluta proporção. Parece estar tudo no sítio certo. É esta precisão, esta graciosidade, que define a forma de ser e estar da Quinta do Pessegueiro. Num mercado onde a oferta é gigante e onde não é fácil conjugar qualidade e diferença, isto tem de valer alguma coisa.
(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)
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Quinta do Pessegueiro
Fortificado/ Licoroso - 2021 -

Quinta do Pessegueiro
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Pessegueiro
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Pessegueiro
Tinto - 2021 -

Quinta do Pessegueiro
Tinto - 2022 -

Quinta do Pessegueiro
Tinto - 2023 -

Quinta do Pessegueiro
Tinto - 2019 -

Pessegueiro
Tinto - 2022 -

Pessegueiro Aluzé
Tinto - 2020 -

Quinta do Pessegueiro
Branco - 2024 -

Quinta do Pessegueiro
Branco - 2024 -

Pessegueiro
Branco - 2024 -

Pessegueiro
Branco - 2024
MENIN: Legado do tempo em prova

Há cerca de um ano, a Menin Douro Estates lançou 10 vinhos do Porto em simultâneo: cinco brancos e cinco tawnies, com entre os 10 e os 50 anos de envelhecimento. Um feito difícil, que parecia impossível de superar. “Sentimos que tínhamos de dar seguimento a esses vinhos de excelência”, começa por dizer Tiago Alves […]
Há cerca de um ano, a Menin Douro Estates lançou 10 vinhos do Porto em simultâneo: cinco brancos e cinco tawnies, com entre os 10 e os 50 anos de envelhecimento. Um feito difícil, que parecia impossível de superar. “Sentimos que tínhamos de dar seguimento a esses vinhos de excelência”, começa por dizer Tiago Alves de Sousa, enólogo consultor desta casam, “dando um passo ainda maior em frente com o lançamento de dois Portos de 80 anos, um branco e um Tawny”.
São de facto dois vinhos monumentais, com precisão, equilíbrio e uma complexidade notáveis, que foram servidos antes da refeição servida no DOP, restaurante localizado no centro da cidade do Porto. O objetivo deste desafio conjugou-se com a atenção e o destaque merecidos, já que nos foi permitido que ambos permanecessem nos copos durante toda a refeição, para irmos apreciando os aromas inebriantes e as sucessivas nuances que foram apresentando com a passagem do tempo.
No final do almoço, foi fantástico constatar que, mesmo com a temperatura mais elevada, os dois vinhos do Porto são realmente de outra dimensão, pois mantiveram totalmente intacta a singularidade e equilíbrio de cada um. Notável! E que perfume permaneceu na sala. “Estes dois vinhos do Porto 80 anos que agora lançamos são um pedaço de história do Douro, um tesouro, uma peça de ‘relojoaria’, para ser admirada com a reverência que merece”, sublinha Tiago Alves de Sousa.
“Estes dois vinhos do Porto 80 anos que agora lançamos são um pedaço de história do Douro, um tesouro, uma peça de ‘relojoaria’”, afirma o enólogo Tiago Alves de Sousa
Em busca da excelência no Douro
A Menin nasceu de um sonho: produzir grandes vinhos do Douro e colocá-los no mundo. Este sonho passou a tornar-se realidade em 2018, pelas mãos de Rubens Menin, um dos maiores empresários brasileiros, com uma diversidade de negócios que vai desde a CNN Brasil à banca, passando pela detenção da maior construtora do continente americano. “Tive oportunidade de conhecer todas as regiões vinícolas do mundo e a mais bonita é o Douro”. Beleza que alia a “uma qualidade super especial nos vinhos de mesa, que, no Douro, são relativamente novos e de elevado potencial”, destaca.
Na Menin Douro Estates, com vinhos produzidos em Gouvinhas, na Quinta da Costa de Cima e Quinta do Sol, e na H.O Horta Osório, cujos vinhos são feitos a partir das uvas vindimadas na região do Baixo Corgo, em Santa Marta de Penaguião, a filosofia é a mesma, isto é, totalmente reforçada pela visão de Fásia Braga. Para a diretora-geral da empresa, para quem é crucial produzir vinhos de gama alta, que espelhem o terroir duriense, privilegiando a qualidade ao invés da quantidade. “Estes dois vinhos com 80 anos não são apenas a continuação de um trabalho especial.
São uma afirmação clara do nosso compromisso com a excelência e com o legado duriense. Representam um passo em frente, e ao mesmo tempo, um regresso à origem, à memória, à tradição, à essência do Vinho do Porto”, salienta Fásia Braga.
Foram engarrafadas apenas 200 garrafas de meio litro de cada variedade vendidas em caixa de madeira, com o branco ‘vestido’ de prata e o Tawny de ouro
Dois hinos à região
Com total carta branca por parte da empresa, e o acesso a lotes muito especiais, a equipa de enologia da Menin Douro Estates, constituída por Tiago Alves de Sousa e Manuel Saldanha, no papel de enólogo residente, lançou-se num trabalho de composição, tendo como base vinhos identificados e adquiridos a pequenos viticultores, para perpetuarem o estágio e, posteriormente, serem trabalhados para o lote final.
A idade mínima de todos os vinhos que compõem os lotes é de 80 anos, traduzindo-se numa complexidade rara, que encerra na riqueza das notas caracterizadas pelas diferentes fases pelas quais o Douro passou no último século. “São dois vinhos que têm a idade a aproximá-los, mas, depois, têm, efetivamente, muitas outras dimensões que, naturalmente, os separam, conferindo a cada um uma identidade muito especial, muito própria”, descreve Tiago Alves de Sousa. O Porto Tawny 80 anos é de facto impressionante. Denota uma complexidade incrível, com notas de caramelo salgado, especiarias exóticas, noz-moscada e laranja confitada. Na boca, é pura harmonia – acidez vibrante, textura sedosa, final interminável. O Vinho do Porto branco não lhe fica atrás. Ainda mais raro, transporta toda a frescura do Baixo Corgo, de onde provém a maior parte dos lotes. Com uma elegância desconcertante, apresenta notas de casca de citrino, flores secas e um toque iodado.
É um vinho com um final interminável. Em suma, ambos são tão complexos, que as notas de prova não lhes fazem provavelmente jus.
Foram engarrafadas apenas 200 garrafas de meio litro de cada variedade vendidas em caixa de madeira, com o branco ‘vestido’ de prata e o Tawny de ouro, honrando, assim, a sua preciosidade e raridade. Durante o almoço foram também servidos três (belíssimos) vinhos Douro DOC, de que daremos nota de prova nesta peça.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
GRANDE PROVA: TINTOS DO DOURO

A história recente do Douro, no que a vinhos DOC diz respeito, é conhecida, mas não só merece que a ela voltemos, como serve de explicação para a nossa principal conclusão. Já lá iremos. É um Douro moderno, que começou, timidamente, nos anos 90 do século XX, ou seja, há pouco mais de três décadas, […]
A história recente do Douro, no que a vinhos DOC diz respeito, é conhecida, mas não só merece que a ela voltemos, como serve de explicação para a nossa principal conclusão. Já lá iremos. É um Douro moderno, que começou, timidamente, nos anos 90 do século XX, ou seja, há pouco mais de três décadas, com o aparecimento de produtores e marcas a aproveitar parte das uvas, anteriormente destinadas ao Vinho do Porto, para elaborarem vinhos tintos singulares.
Sim, existia um punhado de marcas anteriores, das quais sempre resultou a ideia de que esta região poderia vir a fazer mais e melhores tintos tranquilos – Reserva Ferreirinha, Quinta do Côtto, Quinta do Confradeiro, Quinta da Pacheca –, mas referências, hoje clássicas, como Duas Quintas, Redoma, Quinta da Leda, Quinta da Gaivosa e Quinta do Crasto, surgiram apenas na primeira metade dessa década de noventa. Pouco depois, seguiu-se a estreia de outras marcas que se tornaram igualmente emblemáticas, como Quinta do Vallado, Quinta de Roriz e Quinta Vale D. Maria, entre outros.
Foi a chegada do novo milénio e a primeira década de 2000, que serviram de contexto para a explosão do DOC Douro, sempre com ênfase em tintos, por regra, robustos e concentrados. Tratou-se de uma época de grande crescimento económico, alimentada por uma nova moeda, fundos europeus e uma crescente abertura ao exterior, durante a qual muitos, no Douro, passaram a optar por vindimar uva para produzir vinhos tranquilos. A tendência que já se verificava em relação ao decréscimo do consumo e venda de Vinho do Porto (tirando um ou outro fenómeno comercial alicerçado numa grande colheita, como a de 2000 ou 2003) acelerou a transição no vale do rio que empresta o nome a este território vitivinícola, onde a vinha era praticamente uma monocultura.
Se a tudo isto juntarmos mais do que uma fornada de enólogos talentosos, quase todos residentes (nem que seja por alguns anos) na região, algo pouco habitual nas anteriores gerações, a descoberta recente dos vinhos brancos em altitude, e a confirmação de um enoturismo de gama alta, temos todos os ingredientes que nos conduziram à situação atual.
E que situação é essa? Uma imensidão de vinha – alguma a ser arrancada por estes dias, tamanha é a abundância –, centenas de marcas, milhares de produtores e muitas dezenas de enoturismos de qualidade superior. Atualmente, contabilizam-se mais de 60 milhões de garrafas DOC, vinhos esses responsáveis pelo processamento de mais de metade da matéria-prima produzida na região. O colapso das vendas do Vinho do Porto, com o registo de descida de 34% desde 2000, e a ausência de medidas, como o ‘benefício’ (goste-se ou não do ‘benefício’), para o DOC Douro, fez com que houvesse, no presente, um excesso sistémico de uvas no Douro, sendo o preço pago aos agricultores quase sempre abaixo do custo de produção (calculado entre €0,95 e €1,50), custo este justificado pela viticultura de montanha e baixa produção das vinhas.
No entanto, aquilo que é um pesadelo ao nível de modelo económico e social faz com que não faltem bons vinhos DOC no Douro. Aliás, estamos certos de que nunca houve um período com tão bons DOC do Douro e Vinhos do Porto como neste em que vivemos.
Qualidade inquestionável
Nesta prova, reunimos mais de 50 referências vínicas. Grande parte são verdadeiros topos das respetivas gamas, provenientes das três sub-regiões do Douro (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior). Como temos vindo a escrever, com tanta uva, e tanta uva boa, não admira a qualidade com a qual nos confrontámos. Aliás, a par de Bordéus e Rioja, o Douro é, hoje, uma das regiões do mundo com maior número de produtores de excelência e de vinhos verdadeiramente brilhantes. Muitas regiões existem, é certo, com vinhos únicos, e algumas regiões produzirão os melhores do mundo, mas no Douro atual são várias as dezenas de referências, cuja qualidade é inquestionável sob qualquer padrão.
A confirmá-lo, tivemos no nosso painel cerca de 40 vinhos com pontuações acima de 18 e não faltou muito para termos quase uma dezena com 19 e 19,5 de pontuação. Em suma, os números falam por si e há poucas regiões como esta!
Porém, ainda existem grandes desafios. Por um lado, salvar os agricultores e reerguer um novo modelo económico, por outro, consolidar as boas marcas existentes, aumentar o seu valor e ampliar a projeção junto dos mercados internacionais. Sobre esta matéria, foi importante analisarmos, mais uma vez, perfis diferentes, de vinhos e de produtores, apesar da consistência da qualidade. Quase sempre com base em vinhedos com bastante idade, encontrámos evidentes nuances nos vinhos provados, mesmo considerando as diferentes colheitas em prova.
Mantém-se aqueles em que a personalidade das vinhas, anteriormente para Vinho do Porto (importa não esquecer), vinga quase sem maestro num produto intenso, profundo e de tanino vigoroso e saboroso. De um lado, há vinhos de absoluto pormenor, feitos a partir de uva vindimada em parcelas inferiores a um hectare e esculpidos pela enologia até ao último detalhe. E vislumbramos outros também, mais experimentais, aqui e ali, com alguma casta esquecida (ou até estrangeira), elaborados com fermentação das uvas em cachos intactos, à procura por menor extração ou maior frescura.
Tudo isto é Douro, desde que, em todos os seus matizes, cheirem e saibam a Douro. Cheirem e saibam a fruta madura condimentada com urze e esteva, a chá earl-grey da Touriga Nacional, a rosas da Touriga Franca, a fruta abundante da Tinta Roriz, sem esquecer a magia caleidoscópica dos lotes com dezenas de castas misturadas.
Que o Douro é, presentemente, uma das regiões favoritas dos consumidores nacionais, ninguém tem dúvidas. Que os seus vinhos estão entre os mais valorizados no país, também. Contudo, é preciso caucionar que o necessário arranque de vinhas não faça desaparecer patrimónios vitícolas únicos, que as populações sejam recompensadas pelo legado das vinhas velhas, cuja presença no território tem garantido, e que sejam ainda mais – e não menos – os vinhos verdadeiramente excecionais desta excecional região. No que a nós diz respeito, foi um privilégio prová-los a todos.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
*Nota: a ordem das garrafas é aleatória
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Pala Pinta
Tinto - 2020 -

La Rosa
Tinto - 2023 -

Duorum Vinha das Abelhas
Tinto - 2022 -

Proibido Vinha Velha do Pombal
Tinto - 2022 -

Pintas
Tinto - 2023 -

Quanta Terra Manifesto
Tinto - 2018 -

Menin Maria Fernanda
Tinto - 2021 -

Dona Berta Vinhas do Avô
Tinto - 2022 -

Chryseia
Tinto - 2022 -

Vinha da Granja
Tinto - 2021
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Quinta de São Luiz Vinha da Rumilã
Tinto - 2019 -

Plenitude
Tinto - 2023 -

Pai Horácio
Tinto - 2021 -

Oboé Som de Barrica
Tinto - 2021 -

Margem
Tinto - 2023 -

Bela luz
Tinto - 2023 -

Duas Quintas
Tinto - 2023 -

Quinta do Crasto
Tinto - 2018 -

Quinta Nova Vinha Centenária Ref.ª P28/P21
Tinto - 2021 -

Quinta da Leda
Tinto - 2022
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Quinta do Vesúvio
Tinto - 2022 -

Quinta do Portal
Tinto - 2020 -

Quinta do Côtto
Tinto - 2020 -

Quinta do Couquinho Adeodato
Tinto - 2019 -

Quinta do Bronze
Tinto - 2017 -

Quinta de S. José
Tinto - 2020 -

Quinta da Romaneira
Tinto - 2020 -

Quinta da Extrema Edição III
Tinto - 2017 -

Quinta da Gaivosa
Tinto - 2022 -

Potier
Tinto - 2022
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Quinta da Ervedosa
Tinto - 2022 -

Poças Vinha do Cerro
Tinto - 2023 -

Herédias + 130
Tinto - 2021 -

Grau Baumé
Tinto - 2018 -

Costureiro Special Edition X
Tinto - 2020 -

Cerval
Tinto - 2019 -

Vallegre Field Blend Author
Tinto - 2017 -

Três Bagos
Tinto - 2019 -

Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca
Tinto - 2022 -

Quinta dos Frades Comendador Delfim Ferreira
Tinto - 2015
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Quinta de Porrais
Tinto - 2019 -

Quinta da Folgosa Velha
Tinto - 2017 -

Cortes do Reguengo
Tinto - 2020 -

Quinta das Brolhas
Tinto - 2018 -

Vale Moreira Vinha d’Arte
Tinto - 2018 -

Terras do Grifo Vinhas Velhas
Tinto - 2018 -

Santos da Casa
Tinto - 2022 -

Quinta da Pedra Alta Melhor Tinto
Tinto - 2020 -

Quinta da Sabordela
Tinto - 2020 -

Quinta da Rede
Tinto - 2017
COSTA BOAL: Dar tempo ao tempo. E ao vinho

“São os três melhores vinhos que apresentei até hoje”, afirma António Boal, o rosto da Costa Boal Family Estates, ao revelar três rótulos muito especiais do seu portefólio: a estreia absoluta do Costa Boal Garrafeira branco de 2022 e do tinto de 2017, e o relançamento das últimas 500 garrafas do Homenagem tinto 2011, dedicado […]
“São os três melhores vinhos que apresentei até hoje”, afirma António Boal, o rosto da Costa Boal Family Estates, ao revelar três rótulos muito especiais do seu portefólio: a estreia absoluta do Costa Boal Garrafeira branco de 2022 e do tinto de 2017, e o relançamento das últimas 500 garrafas do Homenagem tinto 2011, dedicado ao pai. “O vinho não é feito de dias, nem de meses; é feito de anos”, reflecte António Boal, o produtor de origem duriense que, desde há mais de vinte anos, vai construindo o seu património constituído por pequenas propriedades.
A Costa Boal Family Estates é relativamente recente, mas a história vitivinícola da família, como é habitual no Douro, remonta a meados do século XIX, quando os antepassados de António Boal produziam vinho para empresas exportadoras. Após o falecimento do pai, em 1999, António Boal assumiu a gestão do legado familiar e, em 2004, fundou a empresa. Desde então, não tem parado de crescer, não apenas em hectares de vinha, mas também em reconhecimento, dentro e fora do país.
Neste momento, a Costa Boal possui propriedades nas regiões do Douro, Trás-os-Montes e Alentejo: Quinta do Vale de Mouro, em Foz Côa, Quinta do Sobredo e Quinta dos Tojais, em Alijó, Quinta da Pia, em Murça, Quinta dos Távoras, em Mirandela, e Herdade dos Cardeais, em Estremoz. As vinhas velhas sempre foram uma grande aposta de António Boal e, para trabalhar esta preciosidade, encontrou o parceiro enológico certo: Paulo Nunes, apaixonado por estas relíquias.
Garrafeira e Homenagem
A menção Garrafeira não é muito comum no Douro, provavelmente porque exige um estágio prolongado: mínimo de 30 meses, dos quais, pelo menos, 12 em garrafa, para os tintos, e 12 meses com, pelo menos, seis em garrafa, para os brancos. “Muitas vezes, transformamos a emoção em racionalidade. Não damos tempo ao vinho para se exprimir”, afirma Paulo Nunes, em tom filosófico. Mas, para além da filosofia, aqui fala a voz da experiência, de quem sabe esperar e conhece os vinhos desde a vindima, acompanhando a sua evolução.
O Costa Boal Garrafeira branco 2022 tem por base as vinhas velhas de Códega de Larinho e Rabigato, com o tempero de Arinto das vinhas mais recentes. “A Arinto dá profundidade e permite pensar na evolução”, explica Paulo Nunes. O solo é maioritariamente granítico e está localizado a uma altitude de 600 metros. O estágio decorreu em barricas usadas de 225 litros. Dois invernos (rigorosos) em barrica, contribuiram para uma estabilização natural. Depois de engarrafado, o vinho estagiou até ao lançamento. Foram produzidas 700 garrafas.
O Costa Boal Garrafeira tinto 2017, para além das vinhas velhas, tem Tinto Cão e Sousão, duas castas que conferem acidez e tensão ao vinho. Ficou três invernos em barricas usadas e novas antes de ser engarrafado. Foram produzidas 960 garrafas. Já o Costa Boal Homenagem Grande Reserva tinto da colheita de 2011 teve vários lançamentos de quantidades limitadas ao longo do tempo. Numa altura, foi refrescado com um pouco de Tinto Cão e Sousão de 2017, mas o que está agora a ir para o mercado, são as últimas 500 garrafas do lote original, que Paulo Nunes desafiou António Boal a guardar. Neste lote, só entram Touriga Nacional e Touriga Franca, sem nenhum refrescamento posterior.
A menção Garrafeira não é muito comum no Douro, provavelmente porque exige um estágio prolongado: mínimo de 30 meses, dos quais, pelo menos, 12 em garrafa, para os tintos, e 12 meses com, pelo menos, seis em garrafa, para os brancos
Novo visual
Conhecendo o perfeccionismo de António Boal, percebe-se que neste lançamento nada foi deixado ao acaso, desde a imagem e packaging até à escolha do local para a apresentação, o Palácio do Marquês de Pombal, espaço nobre e com grande peso histórico. O projecto criativo foi idealizado pela equipa interna da Costa Boal, em colaboração com a MA Creative Agency. “Desde o início, pretendia-se uma imagem que se processasse visualmente sem dificuldade”, explica Luís Marques, responsável pela agência criativa. Optou-se por uma elegância sóbria com detalhes que fazem a diferença. No topo da rolha, está uma pequena peça, que representa a marca Costa Boal. Não precisa de ser removida antes de se abrir a garrafa e permite o uso de qualquer saca-rolhas, mais “pro” ou menos “pro”. No gargalo, uma gargantilha em veludo de cores diferentes distingue os vinhos: verde para o branco e preta para o tinto.
A madeira das matas queimadas em incêndios de 2025, cuidadosamente recuperada e tratada, foi transformada em caixas distintas, para complementar o packaging, seguindo um conceito de reaproveitamento. Duas peças metálicas, uma com o brasão para os Garrafeira e outra com o busto do fundador, no caso do Homenagem, com tratamento “antique”, conferem nobreza ao rótulo e à caixa.
As propostas de harmonização estiveram a cargo de Justa Nobre. O cabrito assado à Transmontana permitiu que ambos os tintos revelassem o seu encanto e carácter. O Costa Boal Garrafeira 2017, focado e austero, disputava a primazia com o prato pela força do sabor, enquanto o Costa Boal Homenagem Grande Reserva 2011, rico e amplo, aconchegava o cabrito sem luta. Este último proporcionou ainda muito prazer ao saboreá-lo depois da refeição, graças às suas notas balsâmicas e resinosas.
(Artigo publicado na edição de Novembro de 2025)













































