MENIN: A arqueologia vínica do Douro

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Os vinhos velhos da categoria Tawny conhecem, actualmente, um momento de renascimento, tema que tem interessado a cada vez mais empresas e produtores. Tradicionalmente produzidos, sobretudo, na sub-região duriense do Baixo Corgo, os vinhos muito velhos foram, durante décadas, usados para compor os lotes dos tawnies de 30 e 40 anos, que eram as únicas […]

Os vinhos velhos da categoria Tawny conhecem, actualmente, um momento de renascimento, tema que tem interessado a cada vez mais empresas e produtores. Tradicionalmente produzidos, sobretudo, na sub-região duriense do Baixo Corgo, os vinhos muito velhos foram, durante décadas, usados para compor os lotes dos tawnies de 30 e 40 anos, que eram as únicas categorias onde poderiam ser utilizados. Não havia outra e todas as casas do sector guardavam religiosamente os seus stocks para esse fim. Tudo mudou quando, em 2010, se começaram a comercializar vinhos muito velhos que saíam fora das classificações oficiais existentes.

Foi assim que nomes, como a Taylor’s, a Quinta do Vallado, a Quinta do Crasto, a Wine & Soul, a Real Companhia Velha, a Symington, só para citar alguns, resolveram colocar no mercado, a preços que ninguém esperava, vinhos que, ou eram de lotes próprios (caso da Symington), ou tinham sido adquiridos a pequenos lavradores na região, sempre em quantidades muito limitadas. Levamos então cerca de 15 anos de busca e muitas foram as empresas que se interessaram por estes vinhos muito velhos, verdadeiras relíquias que perderiam todo o seu valor intrínseco ao serem usados apenas como parte integrante dos lotes dos tawnies com indicação de idade. O sector e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) responderam a este movimento, criando novas categorias – 50 anos, 80 anos e VV Old –, sendo vinhos fora de qualquer data e que foram aprovados pelo IVDP, integrando, agora, o núcleo “arqueológico” do Vinho do Porto.

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Rubens Menin e D. Beatriz

Um Porto da era pré-filoxérica

A empresa Menin, já no mercado com vinhos DOC Douro e vinhos do Porto de categorias especiais, resolveu apresentar a sua relíquia, um Porto da era pré-filoxérica, quando as cepas eram plantadas em pé-franco, numa época em que eram outras as castas, bem diferentes das que, no presente, são conhecidas de todos os consumidores quando se fala do Douro. Estes são vinhos de celebração, daqueles que o senso comum aconselha a que sejam bebidos “a dedal”, em momentos solenes, de exaltação desta região mítica e cada vez mais referenciada no mundo, como sendo a terra dos tesouros, onde arqueólogos feitos enólogos, calcorreiam as adegas dos pequenos produtores à procura dos segredos mais bem guardados.

São vinhos de família, que passaram de geração em geração e, agora, apesar do preço elevado, estão à disposição dos apreciadores. Não chega descobrir cada um. É preciso moldar, afinar, polir, refrescar e fazer lotes, de modo a deixá-los expressar o original sem o alterar. E este trabalho de minúcia pode originar perfis diferentes, algo bem patente nos vários vinhos muito velhos já disponíveis no mercado.

Rubens Menin, que esteve presente no evento, é um empresário de sucesso no Brasil e não olhou a despesas para criar, na sub-região do Cima Corgo, o centro da sua operação. Para o efeito, adquiriu, em Gouvinhas, uma quinta com 42 hectares, a que se juntou a empresa Horta Osório e a Quinta Foz Ceira, que pertencia à empresa Bulas Cruz. Criou assim um património que se aproxima dos 200 hectares. Não compram nem vendem uvas, foi-nos dito, e só os vinhos muito velhos são objecto de aquisição na região. A propriedade da empresa Horta Osório situa-se no Baixo Corgo e tomou-se a opção de manter no mercado os vinhos H.O, em virtude da boa aceitação que já tinham adquirido.

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Manuel Saldanha, enólogo residente, e Tiago Alves de Sousa, enólogo consultor

Vinhos de vinha centenária

O momento de convívio foi também aproveitado para apresentar dois tintos topos de gama, Maria Fernanda e D. Beatriz, produzidos em homenagem, respectivamente, à filha e à mulher de Rubens Menin. São dois vinhos feitos a partir das uvas colhidas numa extensa parcela de vinha centenária, com mais de 50 castas (onde se inclui uma percentagem de uvas brancas) e dividida em sete blocos, em função da orientação solar e altitude. Cada parcela destas é vinificada separadamente, cabendo, depois, à equipa de enologia – Tiago Alves de Sousa (consultor) e Manuel Saldanha (enólogo residente) – a tarefa de elaborarem os lotes diferenciados.

Por norma, os vinhos tintos elaborados com uvas destas vinhas centenárias têm um carácter muito próprio: muitas das castas tintas usadas tinham pouca cor e o aroma que delas emana afasta-se muito do carácter de fruta viva e vermelha que hoje se consegue obter. Assim, provar estes vinhos obriga a uma atenção redobrada para se entender o carácter e o estilo que outrora – a palavra aqui deverá ser interpretada como “há mais de 100 anos” – fez as delícias dos nossos antepassados. Importa, por conseguinte, perceber muito mais do que comparar a actualidade com o passado.

Os stocks de vinhos do Porto vão dos 10 aos 50 anos. Por isso, vamos ter mais vinhos Menin no futuro. E também num futuro, que se pretende próximo, haverá uma aposta forte no enoturismo.

(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)

 

MENIN: Legado do tempo em prova

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Há cerca de um ano, a Menin Douro Estates lançou 10 vinhos do Porto em simultâneo: cinco brancos e cinco tawnies, com entre os 10 e os 50 anos de envelhecimento. Um feito difícil, que parecia impossível de superar. “Sentimos que tínhamos de dar seguimento a esses vinhos de excelência”, começa por dizer Tiago Alves […]

Há cerca de um ano, a Menin Douro Estates lançou 10 vinhos do Porto em simultâneo: cinco brancos e cinco tawnies, com entre os 10 e os 50 anos de envelhecimento. Um feito difícil, que parecia impossível de superar. “Sentimos que tínhamos de dar seguimento a esses vinhos de excelência”, começa por dizer Tiago Alves de Sousa, enólogo consultor desta casam, “dando um passo ainda maior em frente com o lançamento de dois Portos de 80 anos, um branco e um Tawny”.

São de facto dois vinhos monumentais, com precisão, equilíbrio e uma complexidade notáveis, que foram servidos antes da refeição servida no DOP, restaurante localizado no centro da cidade do Porto. O objetivo deste desafio conjugou-se com a atenção e o destaque merecidos, já que nos foi permitido que ambos permanecessem nos copos durante toda a refeição, para irmos apreciando os aromas inebriantes e as sucessivas nuances que foram apresentando com a passagem do tempo.

No final do almoço, foi fantástico constatar que, mesmo com a temperatura mais elevada, os dois vinhos do Porto são realmente de outra dimensão, pois mantiveram totalmente intacta a singularidade e equilíbrio de cada um. Notável! E que perfume permaneceu na sala. “Estes dois vinhos do Porto 80 anos que agora lançamos são um pedaço de história do Douro, um tesouro, uma peça de ‘relojoaria’, para ser admirada com a reverência que merece”, sublinha Tiago Alves de Sousa.

 

“Estes dois vinhos do Porto 80 anos que agora lançamos são um pedaço de história do Douro, um tesouro, uma peça de ‘relojoaria’”, afirma o enólogo Tiago Alves de Sousa

 

Em busca da excelência no Douro

A Menin nasceu de um sonho: produzir grandes vinhos do Douro e colocá-los no mundo. Este sonho passou a tornar-se realidade em 2018, pelas mãos de Rubens Menin, um dos maiores empresários brasileiros, com uma diversidade de negócios que vai desde a CNN Brasil à banca, passando pela detenção da maior construtora do continente americano. “Tive oportunidade de conhecer todas as regiões vinícolas do mundo e a mais bonita é o Douro”. Beleza que alia a “uma qualidade super especial nos vinhos de mesa, que, no Douro, são relativamente novos e de elevado potencial”, destaca.

Na Menin Douro Estates, com vinhos produzidos em Gouvinhas, na Quinta da Costa de Cima e Quinta do Sol, e na H.O Horta Osório, cujos vinhos são feitos a partir das uvas vindimadas na região do Baixo Corgo, em Santa Marta de Penaguião, a filosofia é a mesma, isto é, totalmente reforçada pela visão de Fásia Braga. Para a diretora-geral da empresa, para quem é crucial produzir vinhos de gama alta, que espelhem o terroir duriense, privilegiando a qualidade ao invés da quantidade. “Estes dois vinhos com 80 anos não são apenas a continuação de um trabalho especial.

São uma afirmação clara do nosso compromisso com a excelência e com o legado duriense. Representam um passo em frente, e ao mesmo tempo, um regresso à origem, à memória, à tradição, à essência do Vinho do Porto”, salienta Fásia Braga.

 

Foram engarrafadas apenas 200 garrafas de meio litro de cada variedade vendidas em caixa de madeira, com o branco ‘vestido’ de prata e o Tawny de ouro

 

Dois hinos à região

Com total carta branca por parte da empresa, e o acesso a lotes muito especiais, a equipa de enologia da Menin Douro Estates, constituída por Tiago Alves de Sousa e Manuel Saldanha, no papel de enólogo residente, lançou-se num trabalho de composição, tendo como base vinhos identificados e adquiridos a pequenos viticultores, para perpetuarem o estágio e, posteriormente, serem trabalhados para o lote final.

A idade mínima de todos os vinhos que compõem os lotes é de 80 anos, traduzindo-se numa complexidade rara, que encerra na riqueza das notas caracterizadas pelas diferentes fases pelas quais o Douro passou no último século. “São dois vinhos que têm a idade a aproximá-los, mas, depois, têm, efetivamente, muitas outras dimensões que, naturalmente, os separam, conferindo a cada um uma identidade muito especial, muito própria”, descreve Tiago Alves de Sousa. O Porto Tawny 80 anos é de facto impressionante. Denota uma complexidade incrível, com notas de caramelo salgado, especiarias exóticas, noz-moscada e laranja confitada. Na boca, é pura harmonia – acidez vibrante, textura sedosa, final interminável. O Vinho do Porto branco não lhe fica atrás. Ainda mais raro, transporta toda a frescura do Baixo Corgo, de onde provém a maior parte dos lotes. Com uma elegância desconcertante, apresenta notas de casca de citrino, flores secas e um toque iodado.

É um vinho com um final interminável. Em suma, ambos são tão complexos, que as notas de prova não lhes fazem provavelmente jus.
Foram engarrafadas apenas 200 garrafas de meio litro de cada variedade vendidas em caixa de madeira, com o branco ‘vestido’ de prata e o Tawny de ouro, honrando, assim, a sua preciosidade e raridade. Durante o almoço foram também servidos três (belíssimos) vinhos Douro DOC, de que daremos nota de prova nesta peça.

(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)

Menin Douro Estates inaugura adega

Desenhada por um coletivo de arquitetos portugueses e brasileiros, é um edifício de estilo industrial, construído de forma a integrar-se totalmente na paisagem do Douro vinhateiro.

A Menin Douro Estates, empresa produtora de vinhos do Douro e do Porto, inaugurou recentemente a sua adega, que é também sala de visitas para quem quer conhecer melhor os vinhos da empresa. Desenhada por um colectivo de arquitectos portugueses e brasileiros, é um edifício de estilo industrial, construído de forma a integrar-se totalmente na […]

A Menin Douro Estates, empresa produtora de vinhos do Douro e do Porto, inaugurou recentemente a sua adega, que é também sala de visitas para quem quer conhecer melhor os vinhos da empresa.

Desenhada por um colectivo de arquitectos portugueses e brasileiros, é um edifício de estilo industrial, construído de forma a integrar-se totalmente na paisagem do Douro vinhateiro. A preocupação com o ambiente não se revela apenas na integração na paisagem, mas também no método de reciclagem de água, no uso de painéis fotovoltaicos, que suprem quase todas as necessidades energéticas da adega e o recurso a um tecto verde.

Entre os materiais usados, destacam-se as paredes em xisto, o betão, pintado, no interior, num tom que remete para a cor do vinho, e o inox. Todos os quatro andares estão ligados por uma escada em elipse, um dos elementos arquitectónicos em destaque em todo o espaço.

A sala de visitas da Menin Douro Estates inclui, além de uma sala de provas com vista para a de barricas, uma loja. Este espaço funciona como ponto de partida e chegada dos vários programas de enoturismo disponíveis na propriedade. São quatro packs, que se distinguem entre si pela duração do percurso e pela selecção de vinhos à prova.

Além de um passeio pelas vinhas e pela adega, com explicação do processo de produção, é possível visitar a casa do século XVIII, entretanto totalmente restaurada, e a capela. Fundamental também é a passagem pelo Jardim das Castas, uma espécie de laboratório vivo onde todas as 54 variedades de vinhas velhas encontradas na propriedade foram plantadas e estão a ser estudadas.

Menin Douro Estates compra Horta Osório Wines

Menin Douro Estates

Depois da aquisição da Quinta da Costa e Sol (também no Douro), a Menin Douro Estates — fundada em 2018 e composta pelos empresários Rubens Menin e Cristiano Gomes — compra agora a Horta Osório Wines. Com este passo, o grupo totaliza um investimento de 30 milhões de euros no Douro. “A Menin Douro Estates […]

Depois da aquisição da Quinta da Costa e Sol (também no Douro), a Menin Douro Estates — fundada em 2018 e composta pelos empresários Rubens Menin e Cristiano Gomes — compra agora a Horta Osório Wines.

Com este passo, o grupo totaliza um investimento de 30 milhões de euros no Douro. “A Menin Douro Estates é um projecto que visa a sustentabilidade económica, a criação de postos de trabalho e onde impera uma visão de longo prazo. O amor pelo Douro e o objectivo de produzir vinhos de alta qualidade não tolda o foco na nossa visão económica”, refere a empresa. Até ao momento, foram criados 26 postos de trabalho, um número que prevêem aumentar num futuro próximo.

A aposta forte na exportação, sobretudo para o Brasil, é uma das prioridades da Menin Douro Estates, a par do mercado português, com as marcas Horta Osório e Menin: “Portugal é neste momento o segundo maior exportador de vinhos para o Brasil, concorrendo com o Chile, mesmo quando ao valor inicial da palete são acrescidos 150% em impostos”, dizem os empresários. Assim que estes mercados estejam cimentados, “a ideia é alargar o raio de acção para mercados como a União Europeia, o Reino Unido e os EUA”. Cristiano Gomes, administrador, esclarece: “A nossa chegada não representa concorrência para o Douro, não estamos a tirar o lugar a nenhum dos grandes players existentes. Há um mercado imenso para todos crescermos”.

A Horta Osório Wines, situa-se no Baixo Corgo do Douro e existe desde o século XVIII, albergando um conjunto de propriedades, num total de 55 hectares. Para além da Quinta do Pontão, onde está localizada a família Horta Osório, há ainda uma adega equipada modernamente. A enologia do grupo, por sua vez, está a cargo de Tiago Alves de Sousa, como consultor, e de João Rosa Alves, residente. “Estamos muito felizes por continuar o legado de uma família como a Horta Osório, a quem o Douro tanto deve”, confessa Cristiano Gomes.

O primeiro vinho da Menin Douro Estates, o tinto Douro’s New Legacy Reserva 2018, é uma edição especial, limitada a 3625 garrafas numeradas, que será lançada ainda este ano. Também a nova adega da Quinta da Costa e Sol estará pronta em Julho de 2021, “uma obra arquitectónica e de engenharia que surpreenderá pela grande beleza e funcionalidade”, avança a Menin.