SYMINGTON FAMILY ESTATES: 2024, a declaração de um clássico

Havia um sereno júbilo no segundo andar do prédio onde fica o Matriarca, o elegante restaurante, bar de vinhos e academia de vinhos pertencente ao grupo Symington, com localização privilegiada na Praça Carlos Alberto, no Porto. A mesa de provas preparada, as garrafas em exposição. Ao fundo, quatro membros da família, Rupert e Charles, da […]
Havia um sereno júbilo no segundo andar do prédio onde fica o Matriarca, o elegante restaurante, bar de vinhos e academia de vinhos pertencente ao grupo Symington, com localização privilegiada na Praça Carlos Alberto, no Porto. A mesa de provas preparada, as garrafas em exposição. Ao fundo, quatro membros da família, Rupert e Charles, da geração actualmente à frente da empresa, ladeados por Harry e Anthony, a geração seguinte, pacatamente a preparar-se para a sua vez. O júbilo resultava da ocasião de apresentar os Portos Vintage de 2024, ano que vai ser de festiva declaração generalizada. Um grande clássico para Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio, bem como o Graham’s The Stone Terraces, o Capela da Quinta do Vesúvio e o Quinta de Roriz. Os Symington vão lançar todas as suas pérolas, desde as marcas clássicas, cujo terroir é o lote, assim se tem descrito, às novas marcas mais focadas no lugar, a definição mais usual de terroir.
O júbilo era ainda reforçado pela raridade da ocasião, já que a última declaração clássica generalizada tinha sido a vindima de 2017. São sete anos de diferença, o que se, por um lado perturba os financeiros da empresa, por outro descansa os clientes e admiradores. Afinal, a família Symington demonstra que não há cedências quando está em jogo o desejo de qualidade irrepreensível face à exigência estabelecida nestes vinhos, que representam o pináculo do vinho português e capturam a admiração dos winelovers do mundo.
Desde 2017, muito quente e de vindima precoce, não havia, no Douro, um ano agrícola tão perfeito para fazer Porto Vintage. Se pensarmos no período de tempo entre 2018 a 2023, encontramos sempre vinhos excepcionais, tintos, brancos e mesmo vinhos do Porto. Mas foram anos com “chuvas inconstantes e ciclos de crescimento desafiantes”, segundo os responsáveis da Symington. Temos de nos lembrar de que um Vintage clássico tem como perspectiva o consumo de muitas décadas. E, por que não, um século? Já lá vamos.
Mudanças e legado
Mesmo assim, e o enólogo principal Charles Symington não deixou de o enfatizar, os vintages mais recentes podem ser apreciados logo desde o lançamento para o mercado. Há boas razões para isso, entre a qualidade das aguardentes, as plantações de novas castas com ciclo vegetativo compatível com as alterações climáticas, o envelhecimento das vinhas, que também se vão adaptando aos sítios, e a enologia, que acumula cada vez mais sabedoria sobre os ingredientes e o processo para fazer um grande vinho, abordável desde o cedo. Um exemplo dos pormenores que contam: até o transporte das uvas melhorou muito. Charles Symington ainda se lembrava dos cestos de 60-70 kg, hoje uma longínqua memória. Também todas as quintas disporem de pequenas adegas ajuda ao processamento imediato das uvas, em vez de longas jornadas em camião. Hoje, “todos os vinhos têm um estilo mais polido”.
Entre os presentes, comentava-se também que a nossa idade já não nos permitirá a todos esperar as décadas que esses grandes vinhos mereceriam. A antiga regra de beber os vinhos comprados pelos nossos pais, enquanto compramos os vinhos para os nossos filhos, nem sempre foi aplicada a tempo. Por isso, bebamos estes jovens infantes, debiquemos os outros que tivemos a lucidez de comprar há uns anos. Contudo, não nos esqueçamos dos nossos filhos, que um grande Vintage na sua idade madura é um prazer raro que temos obrigação de lhes legar.
Para desfrutar ou guardar
Vamos aos 24’s. O ano agrícola teve uma perfeição cintilante. Foi um ano “à moda antiga.” Muita chuva no Inverno, o que é logo um bom começo. A saturação dos solos em Novembro foi a mais precoce já registada e durou até fim de Março, a mais tardia já registada. Todas as fases de desenvolvimento das uvas vieram na altura normal, o que, nos últimos anos, tem sido completamente anormal. Abrolhamento em Março, floração em Maio, tudo normal. Abril seco poupou as vinhas ao míldio, Maio e Junho com chuva média, o que manteve a vinha sem problemas. Julho foi quente, mas sem extremos. Agosto teve máximas nos 31, 32 ºC, mínimas nos 19 ºC, uma boa amplitude térmica que permite a maturação das uvas e boa preservação dos ácidos, essenciais para obter vinhos elegantes, equilibrados, com muita pureza de fruta. Setembro teve máximas inferiores a 30 ºC e mínimas nos 12 ºC, e as vindimas começaram no dia 4, com Sousão, Alicante Bouschet e vinha velha. A Touriga Nacional começou a ser colhida a 16 de Setembro, uma data típica, mas há anos que não se via. Era preciso colher mais cedo. A cereja no topo do bolo, segundo Charles Symington, foi a Touriga Franca, a casta decisiva para definir um grande ano. Uvas de grande qualidade asseguraram, assim, este Vintage que espalha sorrisos entre os provadores. Algumas pingas de água já no fim da vindima não tiveram influência, e as temperaturas foram perfeitas para as fermentações: nunca foi preciso aquecer os lagares no princípio, nem arrefecer no fim. Todos os vinhos foram fermentados em lagares, com o uso da pisa a pé tradicional na Quinta do Vesúvio; nas outras há lagares robóticos.
Cada vinho tem origem em quintas específicas tradicionalmente usadas para cada marca. São todas pertencentes ao grupo ou propriedade pessoal de membros da família. As combinações de origens e castas usadas em cada vinho também são específicas, além de que procuram preservar o estilo histórico e identidade própria.
A qualidade geral dos vintages de 2024 é fantástica, é realmente um ano fabuloso, para desfrutar já em jovem ou para guardar e envelhecer muitos anos. Justifica-se comprar caixas e acompanhar a evolução destas pérolas. É também incrível a distinção e variedade dos oito vinhos provados. Cada apreciador terá o seu favorito. Vale muito a pena procurar provar todos e escolher por si próprio. Dentro da minha experiência com cada uma destas marcas, em jovem e ao longo do tempo, vejo nuances que são específicas deste ano de 2024, que vai certamente ficar para fazer história.
O almoço não terminaria sem uma mousse de chocolate exemplar, que serviu de pista de aterragem para um mimo, o Dow’s Porto Vintage de 1924, jóia trazida das caves históricas da família. Termino com a sua descrição: cor âmbar translúcida. Nariz com a fruta muito escondida, notas minerais e vegetais; tudo é encantamento e sedução, num foco tawny-não-tawny. Fumo, caramelo, especiarias, chá, tabaco. A boca complementa a perfeição. Cognac, suave calor da madeira, taninos muito resolvidos, doçura suave e cintilante, acidez a dar frescura, final infinito e cheio de nuances. Um vinho inesquecível, sem nota. É para momentos como este que compramos Porto Vintage.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
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Capela da Quinta do Vesúvio
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta do Vesúvio
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Cockburn’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta de Roriz
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Graham’s The Stone Terraces
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Graham’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Dow’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Warre’s
Fortificado/ Licoroso - 2024
Oito expressões Vintage da Symington Family Estates

Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito […]
Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito limitada, bem como uma restrita selecção da Quinta de Roriz (este conjuntamente com a família Prats).
“Eis o marco que simboliza o regresso a uma vindima clássica no Douro após um intervalo excecionalmente longo de sete anos”, de acordo com o comunicado. Segundo manda a cartilha, são referências que expressam uma qualidade excepcional e respeitam o compromisso com padrões elevados no que à qualidade diz respeito.
Trata-se, portanto, de uma decisão que “não obedece a calendários”, mas antes à virtude de aguardar pelo momento certo, tendo as castas tintas Touriga Nacional e Touriga Franca como “barómetros essenciais de um ano Vintage”. Quanto à produção, esta cinge-se a edições limitadas.
“Um hiato de sete anos entre declarações coloca este Vintage num território de raridade histórica. Mas, mais do que isso, é uma afirmação de princípio: num mundo de urgência, acreditamos no valor da espera, porque os grandes Portos Vintage só acontecem quando a natureza dita o momento certo”, resume Charles Symington, representante da quarta geração, enólogo-chefe e Director de Produção.
Nova identidade visual da Quinta do Ataíde

Ilustrações inspiradas na flora autóctone, logótipo orgânico “A” e elementos gráficos evocativos da adega da Quinta do Ataíde, da Symington Family Estates, distinguida com certificação LEED Gold, fazem, agora, parte da nova imagem da referência homónima, um lote constituído pelas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Alicante Bouschet, e da Vinha do Arco, o monovarietal […]
Ilustrações inspiradas na flora autóctone, logótipo orgânico “A” e elementos gráficos evocativos da adega da Quinta do Ataíde, da Symington Family Estates, distinguida com certificação LEED Gold, fazem, agora, parte da nova imagem da referência homónima, um lote constituído pelas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Alicante Bouschet, e da Vinha do Arco, o monovarietal de Touriga Nacional. Localizada no Vale da Vilariça, esta propriedade duriense “destaca-se por integrar a maior área contínua de vinha certificada em modo biológico no norte do país, consolidando a sua liderança em práticas agrícolas responsáveis”, de acordo com o comunicado.
“Estamos entusiasmados por revelar a nova imagem da Quinta do Ataíde, que representa muito mais do que uma actualização visual. É uma expressão clara do nosso compromisso com a sustentabilidade, a inovação e a autenticidade, pilares que definem não apenas a marca, mas toda a nossa visão para o futuro. Mais do que lançar uma imagem, queremos partilhar uma narrativa genuína de herança e sustentabilidade com os consumidores conscientes e exigentes. A Quinta do Ataíde reflecte o que a Symington Family Estates acredita ser essencial: excelência, confiança e respeito pelo meio ambiente.” Refere, em comunicado, Alexandre Mariz, Brand Manager na Symington Family Estates.
QUINTA DA FONTE SOUTO: A descoberta dos brancos

A viagem da Symington Family Estates – profundamente enraizada no Douro – para o Alentejo levou 135 anos, e não foi em vão. Numa estratégia de diversificação regional, a zona de Portalegre não foi escolhida por acaso. É aquele Alentejo que, contrariando o nosso imaginário colectivo, fica a norte de Lisboa. Está bem mais perto […]
A viagem da Symington Family Estates – profundamente enraizada no Douro – para o Alentejo levou 135 anos, e não foi em vão. Numa estratégia de diversificação regional, a zona de Portalegre não foi escolhida por acaso. É aquele Alentejo que, contrariando o nosso imaginário colectivo, fica a norte de Lisboa. Está bem mais perto de Espanha do que da costa, onde a continentalidade do clima aliada à altitude, entre os 490 e os 550 metros, providenciam uma frescura natural e maior amplitude térmica, mas sem ondas de calor superior a 45° C. As noites bem frescas, mesmo no verão, promovem uma maturação mais lenta e homogénea. “Isto permite esperar pelas uvas e, logo na vinha, fazer uma selecção através de várias passagens”, explica Ricardo Constantino, o enólogo residente da propriedade.
A Symington Family Estates adquiriu a propriedade a João Lourenço (outrora Altas Quintas), em 2017. O negócio incidiu apenas sobre a quinta e a vinha, sem marca nem stock de vinhos. À data da aquisição, dos cerca de 200 hectares da propriedade, 41 eram ocupados por vinha, maioritariamente com castas tintas, sendo apenas 2,5 hectares dedicados a variedades brancas (6% de plantação). “Comprámos esta quinta para [vinhos] tintos. Os brancos foram uma descoberta”, conta Rupert Symington, Presidente da empresa. Assim, os vinhos brancos deixaram de ser vistos apenas como um complemento do portefólio e, hoje, assumem um papel imprescindível na identidade da marca. Logicamente, tornou-se essencial aumentar a presença de castas brancas no encepamento. Entre novas plantações e sobreenxertia, a área dedicada a estas variedades atingiu os 15 hectares, correspondendo a 28% da vinha, composta por Verdelho, Arinto, Gouveio, Alvarinho e Bical, a par com duas internacionais: Viognier e Chardonnay. Nas castas tintas, contam com Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Aragonez, Touriga Nacional, Grand Noir, Castelão, uma pequena área de 0,75 hectares com mistura de castas e ainda um pouco de Pinot Noir e de Monvedre. Esta última é uma casta do Dão, mas, em Portalegre, é conhecida como Tinta de Olho Branco, porque na altura de rebentação tem escamas brancas. “É muito ácida, tânica e rústica”, nota Ricardo Constantino.
Vindimam manualmente, uma vez que em Portalegre ainda é possível arranjar mão de obra. Praticam, desde o verão passado, a vindima noturna, o que permite que a uva chegue fresca à adega, dispensando o recurso à refrigeração e reduzindo o consumo energético. Por sua vez, a adega exigiu uma intervenção profunda. O telhado teve que ser reparado, pois “chovia dentro como se fosse na rua”, recorda Charles Symington, Director de Produção da empresa. Sem grande confiança no histórico dos balseiros existentes, optou-se pela sua substituição por cubas de inox. A zona de receção foi ampliada, no sentido de favorecer uma gestão mais cuidada da vindima. Foi recuperada a antiga adega com talhas. Contudo, para já, funciona apenas como um pequeno museu em homenagem à história da quinta e da região. Como refere o enólogo residente, na zona de Marvão ainda subsiste a tradição de se fazer vinho de talha, acção localmente conhecida como “fazer vinho em pote”.
As dificuldades e “surpresas” iniciais estão a ser ultrapassadas ao mesmo ritmo que se comprova o potencial do lugar e a qualidade dos vinhos. Para a Symington, a Quinta da Fonte Souto representa o investimento a longo prazo, um compromisso estratégico inscrito numa visão de futuro. “Não viemos cá para uns anos. Viemos para ficar muitos anos”, afirma Charles.
Mini-vertical
O Quinta da Fonte Souto branco resulta sempre de uma aliança entre Arinto, que representa cerca de 75% do lote, e Verdelho. Uma pequena prova vertical demostrou dois aspectos: a variação natural de cada colheita, própria de vinhos que procuram expressar o ano vitícola, e o processo de aprendizagem sobre as castas, as condições da Serra de São Mamede e da consequente adaptação da abordagem enológica. Na vindima inaugural de 2017, usou-se naturalmente mais barrica nova de 500 litros; em 2018 já houve barricas de segundo uso; e, em 2019 e 2023, utilizaram-se barricas de segundo e terceiro ano, com 10% e 15% do vinho, respectivamente, a estagiar em inox para preservar a frescura varietal. Também ficou claro que, no caso da casta Verdelho, determinados níveis de tosta não funcionam.
O Quinta da Fonte Souto 2017 resultou de um ano quente. “As maturações evoluíram rapidamente. Tivemos de fazer o jogo de cintura e tivemos muito menor área de brancos, na altura. Porém, mesmo assim, o resultado agradou muito e mostrou o potencial: volume, textura e frescura”, garante Charles Symington. O vinho revelou nariz com complexidade de evolução, repleto de laranja doce, tosta, especiaria, ervas aromáticas e mel; revela-se suculento, cremoso, com volume, frescura natural e leve amargo. (17)
A vindima de 2018 começou tardíssimo, devido a uma vaga de calor que atrasou o processo de maturação. “Só começámos vindimar a 12 de Setembro e terminámos em 19 de Outubro”, conta Pedro Correia, o enólogo da empresa. Dourado na cor, com aroma mais fresco, a lembrar ananás, laranja, leve flor de laranjeira, hortelã e gengíbre. Um pouco menos complexo na boca, madeira mais discreta, textura amanteigada e final salivante. (17)
Já o Quinta da Fonte Souto 2019 foi o fruto do ano ameno, com elevadas amplitudes térmicas durante os meses mais quentes e produções relativamente baixas. Uma particularidade: o vinho apresenta mais de 14% de teor alcoólico o que, na prova, não comprometeu a frescura. Novamente, sente-se a influência do ano: a videira fotossintetiza permanentemente durante o dia, mas, com noites frias, a acidez não cai tão depressa e a uva acaba por acumular bastante açúcar. Madeira menos evidente, notável complexidade com destaque para os citrinos, como laranja e tangerina, alperce e ananás; tudo muito afinado na boca. (17,5)
Segundo o enólogo residente, no ano 2023 a vindima foi muito precoce e longa. Decorreu de 7 de Agosto a 13 de Outubro. Tiveram uma semana de paragem devido à chuva e registaram um mês de diferença na maturação entre as parcelas de Arinto. Neste ano, entrou mais Verdelho no lote (35%). Ainda é muito jovem em comparação com os vinhos anteriores. Mostra-se citrino e mais vegetal, com folhas verdes, especiaria e cominhos; denso, com acidez presente e novamente a confirmar o componente vegetal, bem integrado no perfil. (17,5)
A produção do Quinta da Fonte Souto branco triplicou desde a primeira vindima em 2017, com cerca de 8.000 garrafas para aproximadamente 24.000 garrafas.
“Comprámos esta quinta para tintos. Os brancos foram uma descoberta”, afirma Rupert Symington
Ensaios de tintos
Provámos expressões monovarietais de duas castas, ambas de carácter vincado, embora manifestem comportamentos diametralmente opostos. Se o Alicante Bouschet é consistente e fiável na entrega de qualidade, o Alfrocheiro revela-se mais exigente e sensível, não tolerando bem a chuva. Como observa Pedro Correia, “nem sempre as condições se reúnem, mas quando isso acontece, dá um grande vinho”, como ficou demonstrado na prova a seguir.
Do Quinta da Fonte Souto Alicante Bouschet 2018 foram produzidas 6.267 garrafas e o vinho ainda se encontra disponível no mercado, com um PVP de €30. É uma expressão do ano mais tardio, quando era preciso esperar pelas maturações. Estágio em barricas de segundo ano, para preservar aromas varietais, escuro e opaco, groselha preta esmagada e macerada, casca de árvore fresca e vegetal doce. Cheio, denso, musculado e um pouco amargo no final a lembrar azeitona preta. (17,5)
Do Quinta da Fonte Souto Alfrocheiro 2019 foram produzidas 6.211 garrafas e esta referência está completamente esgotada (resta esperar quando as condições se reúnem novamente). Fragrante, atraente, intrigante; nuance floral bonita, cereja e ameixa, aneto e eucalipto, louro, mentol e caruma; suculento e envolvente, com fruta pura, mas também com complexidade, sedoso e sedutor. (18).
Fizeram também um Field Blend em 2020 e um monovarietal de Syrah em 2021, que ainda não se encontram em comercialização. Fica o teaser.
Taifa 2022
Esta é a terceira edição. A primeira foi um monovarietal de Arinto, vinificado 100% em barrica nova. Este lote de 2022 combina 70% de Arinto com 30% de Verdelho, demonstrando uma notável sinergia entre as castas. Fruto de uma vindima minuciosa, realizada em várias passagens pelas mesmas parcelas, o vinho fermentou em barrica, com uma menor proporção de madeira nova (70%), de modo a realçar a fruta e conferir maior equilíbrio. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e húngaro e dois anos em garrafa, o que explica a sua óptima integração no momento do lançamento. Foram produzidas 3.215 garrafas e 15 em Magnum.
(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)
SYMINGTON: Entre o Douro e o Minho

A estratégia de diversificação da Symington Family Estates tem sido uma aposta cirúrgica em regiões e propriedades com história e potencial comprovado. Há apenas uma década, o Altano era o único vinho branco que a Symington apresentava no mercado. Hoje, o portefólio cresceu com propostas como o Taifa, de Portalegre, e agora o Casa de […]
A estratégia de diversificação da Symington Family Estates tem sido uma aposta cirúrgica em regiões e propriedades com história e potencial comprovado. Há apenas uma década, o Altano era o único vinho branco que a Symington apresentava no mercado. Hoje, o portefólio cresceu com propostas como o Taifa, de Portalegre, e agora o Casa de Rodas, de Monção e Melgaço. É o primeiro lançamento depois da aquisição da histórica propriedade em Monção, concretizada em 2022. Desconhecida pelos consumidores de hoje, esta foi a primeira marca comercial de Alvarinho. O vinho começou a ser engarrafado pela Casa de Rodas nos anos 1920, em colaboração com Amândio Galhano, o incontornável agrónomo da região dos Vinhos Verdes, ao qual se deve a descoberta das virtudes da casta.
Novo capítulo
A propriedade em si é ainda mais antiga. Foi construída em 1655 e representa um típico solar minhoto daquela época. Guarda a memória das famílias nobres que por ali passaram, destacando-se pela sua arquitetura, jardins centenários e uma capela do século XVIII. A marca não chegou aos nossos tempos, mas os 27,5 hectares de vinha da propriedade são dedicados exclusivamente à casta Alvarinho, dos quais 1,5 hectares são de uma vinha muito velha, de baixa produção. Ao pertencer agora ao universo Symington, abre-se um novo capítulo na história da casa e da marca.
O Casa de Rodas Alvarinho 2023 é vinificado por Anselmo Mendes na sua adega. Resulta de uma colheita manual e de uma prensagem suave. A fermentação decorre com temperatura controlada a acompanhar a sua dinâmica e prolonga-se por três semanas, seguida de um estágio sobre borras finas durante seis meses. Foram produzidas 13.555 garrafas.
A nova colheita da Quinta do Vesúvio surge num contexto vitícola desafiante. Rupert e Charles Symington relembram que 2022 foi um dos anos mais quentes e secos de que há memória. Em dez meses, caíram apenas 170 mm de chuva. Em julho, os termómetros no Pinhão atingiram os 47˚C e, durante dez dias consecutivos, as temperaturas mínimas não desceram abaixo dos 20˚C.
A vindima começou incrivelmente cedo, a 24 de agosto, mas as primeiras uvas mostraram sinais de maturação incompleta. No início de Setembro, o furacão Daniel irrompeu com chuva intensa e inesperada, forçando uma interrupção sem precedentes nas vindimas. No entanto, a chuva revelou-se benéfica: as temperaturas desceram, permitindo que as videiras completassem a maturação em condições equilibradas. Assim, a vindima pôde ser retomada com calma e óptimo resultado. A Touriga Nacional foi colhida entre 20 e 21 de setembro nas cotas mais altas da Quinta do Vesúvio (a cerca de 450 metros de altitude), enquanto a Touriga Franca foi apanhada entre 27 e 30 de setembro no Vale da Teja. Estas duas castas são os pilares do lote do Quinta do Vesúvio, onde Touriga Nacional está em maioria, com 65%, e Touriga Franca entra com 30%. A Tinta Amarela, também do Vale da Teja, compõe os restantes 5%.
O vinho estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês (80% novas, 20% usadas), com capacidades de 225 e 400 litros. Foram engarrafadas 13.100 unidades, além de 350 magnum e 100 double magnum.
O Casa de Rodas Alvarinho 2023 é vinificado por Anselmo Mendes na sua adega. Resulta de uma colheita manual e de uma prensagem suave
A nova colheita da Quinta do Vesúvio surge num contexto vitícola desafiante, pois 2022 foi um dos anos mais quentes e secos de que há memória
Lançamentos simultâneos
Num conceito inovador, inspirado na tradição do Vinho do Porto Vintage, onde uma parte do stock é reservada para lançamentos futuros, foi apresentada uma nova edição do Quinta do Vesuvio 2015, com indicação Cellar Release. Esta prática prevê o lançamento simultâneo de novas colheitas e relançamento das colheitas mais antigas, com pelo menos dez anos de guarda.
“Estamos no sector da paciência”, explicou Rupert Symington, actual CEO da empresa. “Fazemos o trabalho pelos restaurantes e clientes: guardamos o vinho e disponibilizamos quando está mais próximo do ponto ideal de consumo.” Com esta abordagem, torna-se possível apreciar a evolução dos vinhos em diferentes fases da sua evolução, desde a vivacidade da juventude até à sofisticação adquirida com a maturidade.
Tal como no 2022, a composição varietal do Vesúvio 2015 baseia-se na Touriga Nacional (54%) e Touriga Franca (42%), com um toque de Tinta Amarela (4%). Entretanto, as condições do ano foram bastante distintas: o 2015 registou níveis médios de precipitação e temperatura. O início do ano vitícola, em novembro, foi marcado por chuvas generosas, fundamentais para fazer frente à falta de precipitação no inverno, primavera e verão. Alguma chuva que caiu na altura certa, em maio, foi providencial, preparando as videiras para os meses quentes de junho e julho. O mês de agosto foi ameno, com noites frescas, criando as condições ideais para maturações equilibradas e para a preservação da acidez natural das uvas. O Quinta do Vesúvio Cellar Release 2015 está limitado a 2.500 garrafas, numeradas individualmente e apresentadas numa embalagem exclusiva.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2025)
Johnny Symington reforma-se em Fevereiro

Johnny Symington, Presidente do Conselho de Administração da Symington, reforma-se, no final de Fevereiro, após 40 anos na empresa. Os Symington, de ascendência escocesa, inglesa e portuguesa, são produtores de vinho do Porto no norte de Portugal desde 1882. Há cinco gerações que produzem vinhos do Porto e, mais recentemente, vinhos tranquilos, com um forte […]
Johnny Symington, Presidente do Conselho de Administração da Symington, reforma-se, no final de Fevereiro, após 40 anos na empresa.
Os Symington, de ascendência escocesa, inglesa e portuguesa, são produtores de vinho do Porto no norte de Portugal desde 1882. Há cinco gerações que produzem vinhos do Porto e, mais recentemente, vinhos tranquilos, com um forte compromisso com a região e as suas pessoas.
Hoje, nove membros da família trabalham nas casas de vinho do Porto desta empresa familiar – Graham’s, Cockburn’s, Dow’s e Warre’s –, que também produz vinhos do Douro Quinta do Vesúvio, Quinta do Ataíde, Altano e na parceria Prats & Symington (Chryseia). Para além destes, integra os projectos mais recentes da Quinta da Fonte Souto, no Alto Alentejo, e da Casa de Rodas, em Monção e Melgaço (Vinhos Verdes) e está presente na produção dos vinhos espumantes Vértice, das Caves Transmontanas, e Hambledon, no Reino Unido, detendo 50% do capital de cada um destes produtores.
Após a retirada de Johnny Symington, Rupert, da 4.ª geração da família, que ocupava o cargo de CEO, assumiu o lugar de Presidente do Conselho de Administração da Symington Family Estates. O seu primo Charles foi nomeado CEO conjunto e continuará a ser o responsável por toda a área de produção de vinhos da família. Rob Symington, da 5.ª geração, foi nomeado CEO conjunto e terá, a seu cargo, a orientação da área comercial, enoturismo, people and culture e sustentabilidade. Juntam-se-lhes seis outros elementos da 5.ª geração: Charlotte, Harry, Anthony, Vicky, Teresa e Hugh, com responsabilidades nas áreas de marketing, vendas e enoturismo.
“Tenho enorme confiança naqueles que me sucedem e no futuro”, diz Johnny Symington, acrescentando que está convicto que “o legado e reputação de qualidade e confiabilidade” da empresa “irão perdurar” e que esta manterá a sua “capacidade de adaptação a um mundo que muito provavelmente mudará nos próximos 40 anos tanto ou mais que nos últimos 40.”
Quinta do Ataíde: A nova estrela da Vilariça

A Vilariça tem de tudo para nos fazer felizes. Aqui é o vinho, ali o azeite mas também as frutas, os produtos da horta, as amêndoas. Ninguém passa fome e está mesmo autorizado a “embebedar-se” com a paisagem, tranquilizadora e cada vez mais amiga do ambiente, proliferando por aqui as vinhas em modo bio. Para […]
A Vilariça tem de tudo para nos fazer felizes. Aqui é o vinho, ali o azeite mas também as frutas, os produtos da horta, as amêndoas. Ninguém passa fome e está mesmo autorizado a “embebedar-se” com a paisagem, tranquilizadora e cada vez mais amiga do ambiente, proliferando por aqui as vinhas em modo bio.
Para se saber onde fica a Vilariça há várias maneiras. Pode-se, por exemplo, dizer que não é muito longe de Torre de Moncorvo, local mítico de peregrinação gastronómica para os amantes da carne, já que ir à Taberna do Carró é como ir a Fátima: há que ir, dê por onde der! Não come carne? Ali também há bons produtos hortícolas, frutícolas e frutos secos. Ok, então a Vilariça é um vale onde se chega via A4 e IP2, a caminho do Pocinho.
Esta era zona conhecida por ser uma planície em plena zona montanhosa, resultado de uma falha geológica. Tal como acontece com outras zonas muito marcadas por falhas geológicas (como a Alsácia, por exemplo), os solos estão “embrulhados e encavalitados” uns nos outros, originando que, na mesma parcela de vinha, se possam encontrar tipos diferentes e consequente desenvolvimento desigual das cepas, umas a produzir muito bem, ao lado de outras de produção diminuta. Podemos assim falar de micro-terroirs, algo que deixa muitas mentes de winefreaks em estado de excitação máxima.
Negócio a explorar
Nos anos 80 e, sobretudo 90, a Vilariça suscitou muito interesse de vários produtores, que ali reconheceram virtudes para a produção de vinhos Douro. Estávamos na época em que estavam a dar os primeiros passos, o mesmo período que levou várias empresas do vinho do Porto a perceberem que era uma área de negócio por explorar, uma vez que a região do Douro era rica de castas e vinhos que, por falta de benefício (o direito de produzir Porto), tinham um destino incerto. A Vilariça foi também uma das zonas onde a Cockburn’s, que era nos anos 80 um dos gigantes do vinho do Porto, lançou um programa de plantio em larga escala da casta Touriga Nacional. Pode mesmo dizer-se que foi dali que se expandiu, inicialmente para o restante Douro e, depois, para todo o país.
A família Symington adquiriu a Quinta do Ataíde em 2006 e, em 2014, plantou um campo ampelográfico com 53 castas, procurando assim saber o potencial das diferentes variedades face aos novos tempos de alterações climáticas. Aos poucos, algumas das parcelas vizinhas foram sendo adquiridas e incorporadas na Quinta do Ataíde. É também por isso que é difícil a Symington responder à simples pergunta: “quantas quintas têm?” Acontece que no Douro se chama muitas vezes “quinta” a uma parcela, uma vinha, na maior parte das vezes sem casa e/ou adega. Diga-se, como exemplo, que hoje, quando falamos da Quinta do Ataíde, estamos a falar dos 80 ha originais da propriedade, a que depois temos de acrescentar as áreas de vinha das parcelas Assares, Canada, Carrascal e Macieira que perfazem os actuais 112,4 ha de vinha, dos quais 80 em modo biológico. Quanto à pergunta “quantas quintas”, é provável que a resposta ainda se mantenha quando este texto vir a luz do dia, 27, mas onde se contam algumas das parcelas atrás referidas! Quintas de toda a família, algumas da própria empresa e outras que pertencem a membros da família, que entregam as uvas à empresa. Temos vindo a assistir ao crescimento enorme do património da empresa e o consulado de Paul Symington como CEO – entre 2003 e 2018 – foi especialmente prolífico, com a área de vinha a aumentar 482 ha nesse período. Temos, assim, que o “universo” Symington em termos de vinha está como segue: Douro (1,043 ha), Alentejo (41,5 ha), Monção & Melgaço (27,5 ha). A área efectiva de vinha plantada situa-se nos 1,112 hectares.
Uma adega para DOC Douro
Até à construção da adega que iniciou a laboração nesta vindima, a Symington tinha toda a produção dos vinhos DOC Douro na Quinta do Sol. O crescimento da procura dos vinhos Douro obrigou à decisão da construção desta nova adega. Ainda que o Porto continue a ser o responsável pela maior fatia da facturação da empresa, a verdade é que, se em 2009 os vinhos tranquilos apenas representavam 1% da facturação, em 2023 essa percentagem subiu para 14%. E se juntarmos os vinhos Douro com os do Alentejo, o que se verifica é que actualmente se está a produzir 24 vezes mais do que em 2010 e, nos últimos cinco anos, a facturação (Douro e Alentejo) cresceu 50%, situando-se agora nos 13 milhões de euros. No peso global da facturação da Symington, nos anos de declaração clássica de Vintage ou das edições especiais de Porto, podem os valores ter variações significativas, aumentando então o peso do vinho do Porto.
Nesta nova adega são então elaborados os vinhos Quinta do Ataíde e Vinha do Arco (num total de 36.000 garrafas), Quinta do Vesúvio (132.000 garrafas) e Altano Bio. No total falamos de 760.000 garrafas.
No Vesúvio mantêm-se os lagares com pisa a pé para a produção de vinho do Porto. Esses lagares “à antiga”, mandados fazer por Dona Antónia Adelaide Ferreira, são mesmo os únicos que a Symington mantém em funcionamento. E todo o Porto Quinta do Vesúvio é ali feito. Todas as outras quintas que têm vinificação – Cavadinha, Bomfim, Senhora da Ribeira, Malvedos e Quinta do Sol (esta para os Porto “correntes”) usam lagares robóticos. A gama Altano é a que representa maior volume, com 1.754.400 garrafas.
A Touriga Nacional é a rainha da Vilariça, ocupando 38% da área de vinha. Lá longe, em 1995, a Symington teria uns cinco ou seis hectares desta casta. Como nos diz Pedro Correia, enólogo, “eram os tempos em que dominava a Touriga Francesa e a Tinta Barroca nos encepamentos e, mesmo a Alicante Bouschet, que aqui na Vilariça já tem 21 ha, era uma casta que só existia nas vinhas velhas e pouco mais”.
Na visita à adega torna-se óbvio que há uma sensação de orgulho no trabalho feito. Charles Symington, que coordena a equipa de produção, disse, por várias vezes que o que mais lhe agradava era que tudo tinha sido feito “in the house”, como que a dizer “com a prata da casa”.
Ensombrada pela pandemia, com os materiais a falharem, os prazos a estenderem-se e os orçamentos a terem de ser constantemente refeitos, a adega conseguiu estar totalmente operacional para a vindima de 2023, com todas as valências para se poder considerar uma adega modelo pelos princípios da sustentabilidade. Com as placas fotovoltaicas “o edifício produz mais energia do que consome. Só na vindima é que precisamos de comprar”, revela o arquitecto Luis Loureiro, responsável pelo desenho da obra. Também há utilização intensiva da gravidade, sem recurso a bombas e mangueiras; resíduos tratados e águas residuais usadas para rega de jardins; orientação da adega com muitos dos equipamentos de apoio a serem colocados no exterior, junto às paredes viradas a norte; uma rede de fibra de coco onde trepadeiras irão crescer e “tapar” todos os equipamentos; cobertura vegetal da adega e preocupação com todo o arranjo exterior que, “dentro de três anos, mostrará tudo o que tivemos em mente”, como nos confirmou o arquitecto.
A produção em bio é muito exigente em procedimentos dentro da adega porque todo o equipamento tem de ser alocado apenas para os vinhos bio, desde as caixas de transporte das uvas até às cubas. Charles está consciente que a produção em bio exige muito mais intervenção na vinha (com prejuízos em termos de pegada de carbono) e estão a equacionar o uso de drones para a pulverização, algo que é tema ainda em desenvolvimento, mas que poderá ser uma excelente opção de futuro. Uma coisa é certa: “visitámos muitas adegas lá fora e não temos qualquer dúvida em dizer que aqui incorporámos todo o know how e todos os detalhes que fomos recolhendo das experiências nas nossas adegas; temos o que de melhor a ciência e a prática aconselham em termos de equipamento e funcionamento da adega”. O sorriso na cara da Charles diz tudo…
Por aqui vindima-se à mão e à máquina e há duas câmaras frigoríficas para recepção das uvas. “Com as que chegaram no dia anterior podemos começar bem cedo a vinificar, enquanto as uvas que vão chegando vão enchendo a outra câmara, já que só serão processadas no dia seguinte”, lembra Pedro Correia. Todo este trabalho continua a ter um quê de experimental: barricas de tanoarias diferentes para estágio, tostas diversas, madeiras de florestas distintas, uso de cimentos que facilitam a micro-oxigenação.
À volta da adega é um mar de vinhas quase todas pertencentes à família Symington. A quinta produz dois vinhos: Quinta do Ataíde, um tinto que resulta de um blend de castas e o Quinta do Ataíde Vinha do Arco, um varietal de Touriga Nacional. Foram alguns dos tintos da Vinha do Arco de provámos, todos eles ainda em comercialização pela empresa. A produção varia entre 12 e 18 000 garrafas. Os próximos a serem colocados no mercado, em 2025, serão os tintos de 2018 e 19, já com nova imagem. Concluída a vindima de 2024, ficámos a saber que tudo correu sobre rodas. Melhor ainda, que há vinhos muito bons. Como diria o actor: what else?
(Artigo publicado na edição de Novembro de 2024)
Greenvolt e Symington criam comunidade de energia

A Symington Family Estates e o Grupo Greenvolt celebraram um acordo para a criação de uma Comunidade de Energia em Vila Nova de Gaia, em mais um investimento feito na sustentabilidade ambiental do setor do vinho. A solução, assente na gestão e partilha de energia, irá permitir que as produções fotovoltaicas da Quinta do Marco […]
A Symington Family Estates e o Grupo Greenvolt celebraram um acordo para a criação de uma Comunidade de Energia em Vila Nova de Gaia, em mais um investimento feito na sustentabilidade ambiental do setor do vinho.
A solução, assente na gestão e partilha de energia, irá permitir que as produções fotovoltaicas da Quinta do Marco e da Quinta de Santo António, da Symington, alimentem três outros edifícios da empresa no Centro Histórico de Gaia, evitando a instalação de painéis solares numa zona patrimonialmente sensível e reduzindo os seus custos com o consumo de energia.
Para Rupert Symington, CEO da Symington Family Estates, “a transição energética é essencial” para concretizar a missão da empresa, e a razão pela qual investiu na produção de energia verde para autoconsumo. Segundo este responsável, a parceria com a Greenvolt permite, à Symington, “sem necessidade de investir em qualquer infraestrutura adicional, optimizar a capacidade de produção já instalada e usá-la noutras localizações do grupo”.
O acordo foi estabelecido tendo em conta que “as energias renováveis devem ser implementadas com rigor e alinhadas com os valores e normas ambientais, garantindo eficiência e um impacto sustentável”, explicou João Manso Neto, Ceo do Grupo Greenvolt, no dia do estabelecimento do acordo, acrescentando que “a descentralização é essencial neste processo, especialmente através de Comunidades de Energia que permitem, a empresas como a Symington, optimizar infraestruturas já existentes, tornando-as mais eficientes e gerando benefícios significativos para o ambiente, património e o seu negócio”.





























