Lynch-Bages e Xisto 20 anos de união

xisto união

O justamente famoso Rei dos Leitões, na Mealhada, serviu de palco para um “confronto” amigável de dois grandes vinhos – Château Lynch-Bages de Bordeaux e Xisto da Roquette & Cazes do Douro – onde os vencedores foram todos os presentes neste jantar memorável organizado pelo Club Direct Wine. Texto: Valéria Zeferino   Foto de abertura: Anabela […]

O justamente famoso Rei dos Leitões, na Mealhada, serviu de palco para um “confronto” amigável de dois grandes vinhos – Château Lynch-Bages de Bordeaux e Xisto da Roquette & Cazes do Douro – onde os vencedores foram todos os presentes neste jantar memorável organizado pelo Club Direct Wine.

Texto: Valéria Zeferino   Foto de abertura: Anabela Trindade

Já não é a primeira vez que o Raul Riba D’Ave organiza eventos de grande nível e interesse didáctico destinados aos enófilos, como o “Barca Velha 2011 contra Vega Sicilia 2011” ou “Mini Julgamento de Paris”, onde se comparou numa prova cega 3 vinhos franceses e 3 vinhos da California. O objectivo destes eventos é abrir os horizontes, provando e desfrutando o melhor do que se faz por cá e no mundo.

Esta noite dedicada a duas grandes regiões, Bordeaux e Douro, e onde o único intruso foi o espumante de boas-vindas Sílica Super Reserva, abriu com o vinho branco orgânico Michel Lynch 2021 (90% de Sauvignon Blanc e 10% de Semillon) a acompanhar na perfeição as vieiras com salicórnia e vinagreta de maçã. Com o bacalhau com trufa e cogumelos em manteiga de alho negro alinhou o Roquette & Cazes 2019 com 18 meses em barrica de carvalho francês de 2º e 3º ano.

Mas as duas estrelas da noite, uma bordalesa e outra duriense, eram o Château Lynch Bages e o Xisto, ambos de 2018. Há muito que os une – os seus criadores, a ambição associada, o profissionalismo de quem os faz e, consequentemente, o nível de qualidade mundial. Também são evidentes os factores que diferenciam estes grandes vinhos – a região, as castas, as condições em que são feitos. Pauillac com o seu clima marítimo, solos de argila e areia misturadas com cascalho, onde se procura uma boa drenagem e o Douro Superior com clima mediterrânico continental e solos de xisto, onde a capacidade de retenção ganha importância pela falta de água, não têm mesmo nada em comum.

Raul Riba D’Ave apresentou o Château Lynch Bages que pertence à família Cazes desde o final da 2ª Guerra Mundial. A propriedade faz parte da mundialmente conhecida Classificação de Bordeaux de 1855, elaborada com base nos preços dos vinhos na altura. Os châteaux ficaram arrumados em 5 níveis, de Premières Crus com vinhos mais reputados e caros até Cinquièmes Crus no último nível do ranking. Os Grand Crus Classé correspondem apenas a 2% do vinho produzido em Bordeaux, mas fazem-lhe o nome.

O Château Lynch Bages em 1855 integrou no Cinquièmes Crus. Desde então, a Classificação mantém-se inalterada (com apenas duas modificações). É ponto assente entre profissionais e apreciadores que a hierarquia de antigamente está completamente desajustada do mercado actual e não reflecte a realidade de hoje, na qualidade e no preço.  Assim, existem châteaux no 5º nível que praticam (e o mercado aceita) os preços bem acima do seu patamar e, como é o caso do Lynch Bages ou Pontet Canet, acima de muitos Deuxièmes Crus, porque a sua qualidade e reputação supera largamente a classificação oficial.

O 2018 foi um ano bom em Bordeaux, onde o bom significa um ano quente. O lote é tipicamente bordalês da margem esquerda, com 72% Cabernet Sauvignon, 19% Merlot, 6% Cabernet Franc, 3% Petit Verdot. Depois da habitual longa maceração, estagiou em barricas de carvalho francês (75% novas) durante 18 meses.

O Château Lynch Bages 2018 é concentrado e sólido no aroma, com sugestões de mirtilo, chocolate negro e pimenta preta, deixando transparecer algumas bagas vermelhas e ervas aromáticas. Tanino magistral, corpo monolítico, muito íntegro, com textura em camadas e imensa frescura. No sabor revela nuances de eucalipto, belíssima fruta fresca, café verde um toque savory. Persiste no acompanhamento de prato, elevando-o.

Da amizade e parceria entre a família Roquette, já há muito ligada ao Douro através da Quinta do Crasto, e a família Cazes, proprietária do Château Lynch Bages em Pauillac, nasceu o projecto Roquette & Cazes em 2002. Este ano faz 20 anos. O responsável de enologia do lado português é Manuel Lobo, que também é o enólogo da Quinta do Crasto, e do lado francês, Daniel Llose, o enólogo do Lynch Bages. A ambição de produzir um grande vinho no Douro não perseguiu a ideia de fazer uma réplica de Bordeaux, mas sim, explorar o potencial do Douro Superior.

Manuel Lobo apresentou o Xisto 2018, explicando que só é feito em anos verdadeiramente excepcionais. No Douro há colheitas mais difíceis onde não é possível atingir a qualidade para um vinho de topo.

O lote é típico duriense com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz – todas vinificadas em separado em cubas troncocónicas para promover a extração mais homogénea em todas as partes da manta quando fazem a délestage. Procuram concentração e complexidade com elegância. O estágio decorreu em barricas de 225 litros do fornecedor do Château Lynch Bages durante 20 meses.

Tudo isto resultou num vinho com aroma profundo de amora madura, eucalipto, esteva, notas terrosas, algum couro e leve cogumelo. Refinado de sabor e corpo possante com polimento magistral, fruta pura e madeira perfeitamente integrada. Com este gabarito todo, não peca por falta de frescura a acompanhar a refeição, termina expressivo e muito longo.

Ambos os vinhos se fizeram grandes aliados ao prato principal de saboroso cordeiro com queijo de cabra e pimentos. Finalizámos com um belíssimo Sauternes de Château Siduiraut 2010, feito também por Daniel Llose, a acompanhar a sobremesa – créme brulée com alperce e merengue.

Dedicada à distribuição de vinhos internacionais e portugueses, com um grande portefolio a contar com referências das regiões mais emblemáticas do Velho e do Novo Mundo, a Direct Wine também atua na área de formação WSET até ao nível 3. Já o Club Direct Wine idealizado por Raul Riba D’Ave reúne os entusiastas do vinho em torno de novas experiências. A diferença de preço entre as duas estrelas da prova reflecte, sobretudo, a notoriedade internacional de cada marca e região: o Château Lynch Bages anda entre €180 e €200€ e o Xisto custa cerca de €80, um valor já bem acima da média dos vinhos de topo em Portugal.

(Artigo publicado na edição de Outubro 2022)

GRANDES ESCOLHAS VINHOS & SABORES adiado para 2021

GRANDES ESCOLHAS VINHOS & SABORES adiado para 2021 Mantém-se o Concurso Escolha da Imprensa em Outubro 2020 Face aos últimos desenvolvimentos da pandemia em Portugal e particularmente na região da Grande Lisboa, a Grandes Escolhas tomou a decisão de não realizar este ano o maior evento de vinhos do país que deveria ocorrer na FIL, Parque […]

GRANDES ESCOLHAS VINHOS & SABORES adiado para 2021

Mantém-se o Concurso Escolha da Imprensa em Outubro 2020

Face aos últimos desenvolvimentos da pandemia em Portugal e particularmente na região da Grande Lisboa, a Grandes Escolhas tomou a decisão de não realizar este ano o maior evento de vinhos do país que deveria ocorrer na FIL, Parque das Nações, entre os dias 23 e 26 de Outubro próximos.

Em finais de Março último, precisamente quando rebentou a crise do COVID-19, tínhamos tudo preparado para anunciar o Grandes Escolhas Vinhos & Sabores 2020 e iniciar a comercialização dos espaços junto dos agentes económicos.  Numa atitude prudente e responsável e de sobretudo de grande respeito para com todos os produtores de vinho, nossos clientes, também atingidos com as consequências económicas avassaladoras da pandemia, recusámos iniciar a venda da feira quando ainda ninguém podia prever a extensão da crise sanitária e o alcance e duração das medidas de confinamento decretadas para a conter. Não nos pareceu eticamente correcto, nem minimamente honesto, vender um serviço que, à partida, ninguém poderia garantir que estávamos em condições de poder concretizar.

Tínhamos todos bem presente na memória o que aconteceu com a Prowein 2020, adiada em cima da hora, com grandes prejuízos financeiros para muitos expositores, nomeadamente os portugueses. Não quisemos repetir a improvisação de um cancelamento nem sujeitar os nossos expositores a mais um sacrifício escusado. Não essa a nossa forma de trabalhar.

Por isso, nestes últimos meses, fomos ainda mantendo a porta entreaberta à possibilidade de realizar a feira em final de Outubro, esperando, por um lado, que a situação melhorasse e que a retoma da actividade económica pudesse trazer alguma normalidade; mas por outro recusando assumir e impor a outros compromissos financeiros que seriam difíceis de ressarcir.

A recente evolução da situação, confirmou infelizmente os nossos receios e tornaram claro que não haverá em 2020 o mínimo de condições para organizar um evento com a presença de milhares de pessoas deslocando-se com um copo na mão num recinto fechado, provando vinhos sem máscara de protecção, utilizando cuspideiras, no ambiente habitual das feiras de vinhos. Por isso, é com muita tristeza, mas com um forte sentido de responsabilidade, que tomamos a decisão de assumir e anunciar publicamente que não haverá Grandes Escolhas Vinhos & Sabores em Outubro de 2020.

Mas como o mundo, os negócios, e a vida em geral não podem parar, pensamos que a impossibilidade de realizar a feira não pode impedir que lancemos diversas outras iniciativas adequadas à situação que vivemos, de forma a corresponder às necessidades tanto dos produtores portugueses como dos consumidores.

Assim é com prazer que anunciamos que no mesmo mês de Outubro em que a feira V&S estava programada, vamos manter a realização do já consagrado CONCURSO ESCOLHA DA IMPRENSA, aberto a todos os produtores portugueses e organizado com todas as medidas de segurança que a situação impõe. Numa altura em que muitas empresas estarão a lançar novas colheitas e a preparar as vendas do final do ano, o Concurso Escolha da Imprensa pelo alcance e repercussão que já granjeou, ganha este ano ainda mais relevância e preenche uma necessidade imperiosa de comunicação e divulgação dos vinhos que por certos os nossos produtores não desperdiçarão.

Brevemente anunciaremos as condições e regulamento do concurso Escolha da Imprensa 2020, bem como outras iniciativas que estamos a preparar para o último trimestre do ano.

Mantenha-se atento.

Prova e colóquio “Os tintos do futuro na região dos Vinhos Verdes”

Será na Casa do Vinho Verde, no dia 1 de Abril, que acontecerá a prova e o colóquio organizados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes em parceria com a Grandes Escolhas. Sob o tema “Os tintos do futuro na região dos Vinhos Verdes”, Luís Lopes, director da revista Grandes Escolhas, orientará uma […]

Será na Casa do Vinho Verde, no dia 1 de Abril, que acontecerá a prova e o colóquio organizados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes em parceria com a Grandes Escolhas. Sob o tema “Os tintos do futuro na região dos Vinhos Verdes”, Luís Lopes, director da revista Grandes Escolhas, orientará uma prova de trinta vinhos desta região e de outras, como Rias Baixas, Ribeiro e Ribeira Sacra . De seguida, no colóquio em mesa redonda, Luís Lopes e os enólogos Frederico Falcão, Anselmo Mendes e António Ventura – que apoiarão o crítico também na prova – discutirão, com a contribuição dos participantes, assuntos como as castas, perfis de vinho, quais devem ser os tintos do futuro na região, e outros.

Programa

09:00 – Recepção dos participantes
09:30 – Dos tintos que produzimos para os tintos que queremos – Manuel Pinheiro (Presidente CVRVV)
10:15 – Prova comentada de vinhos. Mesa redonda com Luís Lopes, Frederico Falcão, Anselmo Mendes e António Ventura
13:30 – Almoço

Duração: 4h

Inscrições aqui.

Valor e modo de pagamento: €50 (inclui o almoço e a prova dos 30 vinhos). A inscrição é aceite após o pagamento para o NIB PT50 0007 0410 00611980005 21.

Bilhete para o Algarve Trade Experience é 100% solidário

O evento Algarve Trade Experience, que este ano acontece nos dias 6 e 7 e Março, na Fábrica do Inglês, representa uma importante mostra do sector de bebidas, a nível nacional. Mas nesta edição representa, também, uma oportunidade de ajudar: o bilhete diário (€25) e o de dois dias (€40) revertem na sua totalidade para […]

O evento Algarve Trade Experience, que este ano acontece nos dias 6 e 7 e Março, na Fábrica do Inglês, representa uma importante mostra do sector de bebidas, a nível nacional. Mas nesta edição representa, também, uma oportunidade de ajudar: o bilhete diário (€25) e o de dois dias (€40) revertem na sua totalidade para a emergência infantil do Algarve, uma das mais importantes instituições desta região, o Refúgio Aboim Ascenção.

No ano que passou, o bilhete de um dos dias já retribuía para esta causa, mas a Garrafeira Soares, organizadora do evento, decidiu abrir os dois dias para este fim, de forma a maximizar o valor solidário.

Entre as 17h00 e as 20h00, o Algarve Trade Experience estará aberto a todos os que quiserem provar alguns dos melhores vinhos e cocktails feitos por profissionais de referência, na actualidade.

Os bilhetes estão à venda aqui, na Ticketline.

O salão alternativo mais cool do país está quase aí

O primeiro, e até agora único, salão alternativo português de vinhos, petiscos, arte e música, volta nos dias 21 e 22 de Fevereiro, no Cais Novo, no Porto. A oitava edição do “simplesmente… Vinho” conta com 100 + 1 produtores muito genuínos: de Portugal, Espanha, França e mais um convidado especial dos EUA. Também haverá […]

O primeiro, e até agora único, salão alternativo português de vinhos, petiscos, arte e música, volta nos dias 21 e 22 de Fevereiro, no Cais Novo, no Porto. A oitava edição do “simplesmente… Vinho” conta com 100 + 1 produtores muito genuínos: de Portugal, Espanha, França e mais um convidado especial dos EUA. Também haverá obras de arte de cinco autores, a música de dois projectos portugueses e os petiscos de três restaurantes.

Nas últimas décadas, como contraponto à globalização e industrialização do vinho, grupos de produtores têm vindo a organizar mostras de vinhos alternativas às grandes feiras do vinho (Vinexpo em Bordeaux, Vinitaly em Verona, Prowein em Dusseldorf, entre outras). Essas mostras alternativas, chamadas vulgarmente de salão off, giram em torno de uma ideia comum que pode ser, por exemplo, uma região, um modo de trabalhar (biológico, biodinâmico, etc), um tipo de vinho (espumantes, vinhos doces, etc). No caso do “simplesmente… Vinho” o traço comum é a ligação à terra, às castas locais, a uma enologia competente mas com raízes na tradição e, como tão bem diz a produtora Filipa Pato, “sem maquilhagem”. O produtor está presente e dá a cara pelo que faz, partilhando a emoção que sentimos cada vez que bebemos os seus vinhos. Este tipo de salão proporciona aos visitantes o contacto com sabores diferentes e uma outra forma e atitude de estar no mundo do vinho.

Nesta edição de 2020, os Estados Unidos serão o convidado especial. E porquê? A organização do “simplesmente… Vinho”, encabeçada por João Roseira, explica: “No final de 2019, a administração Trump começou a atacar o vinho europeu com aumentos de taxas alfandegárias: França, Alemanha, Espanha e Reino Unido já têm uma sobretaxa de 25%. E há ainda a ameaça de 100% para todo o vinho da UE! Supostamente, todas estas medidas são uma retaliação à concorrência da Boeing / Airbus, tributação no espaço da UE de companhias como Google, Amazon, etc. Então, que ano melhor para mostrar o nosso apreço pelas pessoas nos EUA que são exactamente o oposto dessa postura beligerante e fazer dos EUA simplesmente… o convidado especial de 2020? E quem melhor que Joe Swick poderia mostrar esses EUA tão diferentes no salão off do Porto? Joe é um fã de Portugal há anos, tendo passado tempo em diferentes áreas do país. Para os vinhos Swick, são usadas uvas cultivadas organicamente de climas de alta elevação / frio no Oregon e Washington State. Joe usa uma ampla variedade de uvas (incluindo Touriga Nacional, Verdelho e Tinta Miúda) para seus vinhos misteriosamente nomeados: Miúda, Only Zuul, Foryer Za, Bring It, Un Oeuf e Woo Red. Joe é o nosso American Friend”.

Nuno Pinto Leite, da galeria Ela Vai Nua, será o curador da exposição de arte, com obras de cinco artistas: Diogo Muñoz, Karl Own, Maria Cristina Valente, Rosarinho Cruz e Tim Madeira. Cada um dos dois dias termina com um concerto: sexta são os Thee Magnets, o top do garage rock do Porto e, no sábado, o final do “simplesmente… Vinho” é um tributo à tão americana “Jam Session”: The VineRoots Jam Session junta uma selecção única de guest stars para “funkar” e “rock’n’rollar” o Cais Novo como nunca antes.

Para além do vinho, arte e música, três restaurantes juntam-se à festa: Delicatum (Braga), Carvão (Marina da Afurada) e Oficina dos Rissóis (Porto) servem petiscos a partir das 17h. Na zona de restauração, repete-se o bar de vinhos, onde Os Goliardos serão os taberneiros de serviço.

Estes e outros momentos muito autênticos, acontecerão no Cais Novo – Rua de Monchique, 120 (por cima do antigo Museu do Vinho do Porto), no Porto, sexta-feira 21 e sábado 22 de Fevereiro, das 16h às 21:30h.

Evento “Aveiro, Sabores Com Tradição” começa dia 6 de Janeiro

A partir da próxima segunda-feira, dia 6 de Janeiro, Aveiro celebra as iguarias da região com o festival gastronómico “Aveiro, Sabores com Tradição”. Durante uma semana, 29 restaurantes da cidade promovem o melhor da gastronomia tradicional aveirense, homenageando a diversidade de produtos endógenos oriundos do mar, da Ria e da terra, através de menus que […]

A partir da próxima segunda-feira, dia 6 de Janeiro, Aveiro celebra as iguarias da região com o festival gastronómico “Aveiro, Sabores com Tradição”. Durante uma semana, 29 restaurantes da cidade promovem o melhor da gastronomia tradicional aveirense, homenageando a diversidade de produtos endógenos oriundos do mar, da Ria e da terra, através de menus que variam entre os 10 e os 30 euros.

A edição deste ano traz como principal novidade o Menu Prova, uma opção para relaxar ao final do dia que, por 10 euros, propõe a degustação de dois petiscos, harmonizados com copo de vinho ou espumante Bairrada. As propostas para este menu-prova – disponível apenas nos restaurantes À Portuguesa, Cais da Tosca, Quatro Nós e Cais do Pescado – variam entre fritadinha de pastéis de bacalhau, carapauzinhos, ovas de bacalhau, mexilhões em cama de açorda de coentros, gratinados com mozarella ou em vinagrete. Há ainda telha de ovos moles para conquistar os paladares com preferências doces.

Já nos restantes 25 restaurantes, é possível saborear uma experiência gastronómica rica e variada com menus completos entre 15 e 30 euros, com entrada, prato, sobremesa e copo de vinho Bairrada. No final da refeição e para ajudar à digestão, é oferecida a tradicional “Bandeja de Aveiro”, composta por licor de Aveiro, abafado ou aguardente da Bairrada.

Durante uma semana, o festival coloca em destaque algumas das iguarias mais icónicas da identidade gastronómica da região: o bacalhau, que ostenta o estatuto de Especialidade Tradicional Garantida, será um dos mais fiéis amigos à mesa desta incursão gastronómica, seja em caldeirada, assado, com natas, na telha, em bolinhos. Para além da chora de bacalhau, há ainda línguas, bochechas e samos de bacalhau, outrora consideradas desperdícios e hoje elevadas a iguarias. Para além dos produtos do mar, de onde se destacam o linguado, a raia, a petinga, o robalo e a dourada, o festival aposta também em produtos da Ria, onde a enguia, em caldeirada, frita ou de escabeche, se junta às ostras, aos mexilhões e às ameijoas, confeccionadas de acordo com a especialidade de cada restaurante.

As sobremesas têm também assinatura do vasto legado gastronómico doce da cidade, com os ovos-moles a erguerem o baluarte gastronómico da Região. O arroz doce, a aletria, os bilharacos, as castanhas de ovos, o leite-creme, o Pão-de-Ló, as cavacas e o Bolo de Santa Joana são apenas algumas das sobremesas que poderão ser degustadas até 13 de Janeiro.
Para além dos produtos tradicionais, a iniciativa “Aveiro, Sabores com Tradição” abre também portas à inovação, revisitando ou inovando em propostas gastronómicas com produtos que começaram a ser explorados na região, fruto do surgimento de novos nichos de mercado e de novas tendências gastronómicas, como por exemplo a Flor do Sal, a salicórnia, as ostras, as algas e as conservas.

As reservas para o “Aveiro, Sabores com Tradição” podem ser efectuadas junto dos 29 restaurantes aderentes, cuja lista pode ser consultada na página de Facebook do evento, aqui.

Novo espaço ORGANIC no Vinhos & Sabores 2019

O evento Grandes Escolhas | Vinhos & Sabores 2019 vai decorrer entre 25 e 28 de Outubro na FIL, Parque das Nações, em Lisboa. Este é o maior evento do sector em Portugal, com mais de 400 produtores de vinhos presentes e mais de 16 mil visitantes. Produzido pela revista Grandes Escolhas, a publicação de […]

O evento Grandes Escolhas | Vinhos & Sabores 2019 vai decorrer entre 25 e 28 de Outubro na FIL, Parque das Nações, em Lisboa.

Este é o maior evento do sector em Portugal, com mais de 400 produtores de vinhos presentes e mais de 16 mil visitantes.
Produzido pela revista Grandes Escolhas, a publicação de referência no mercado, congrega produtores de todas as regiões do país, que apresentam as suas últimas colheitas e as grandes novidades para o ano de 2020.
Vinhos brancos, tintos, rosés, espumantes e fortificados, como Porto, Madeira e Moscatel, têm uma ampla representação neste acontecimento anual.

A edição 2019 da Grandes Escolhas Vinhos & Sabores apresenta na organização do seu espaço duas grandes novidades.
Uma zona central na planta da feira exclusivamente dedicada ao ENOTURISMO e um outro espaço autónomo dedicado aos vinhos e produtos Bio que chamámos ESPAÇO ORGANIC.

A criação destas duas novas zonas de exposição, dotadas de uma imagem e identidade própria, procuram dar uma resposta apropriada a novas necessidades de comunicação que vínhamos notando entre os nossos expositores.

Os vinhos e outros produtos alimentares de origem Bio cada vez mais assumem uma importância crescente na procura tanto de consumidores como de profissionais. Pela sua singularidade, pelo facto de despertarem uma atenção muito particular junto de novas camadas de público e pela utilização de uma argumentação muito própria, achamos que deveriam conquistar um espaço exclusivo onde se pudessem expressar. Nasceu assim o ESPAÇO ORGANIC, também organizado em modo “low cost”, permitindo que até os pequenos produtores tenham agora possibilidades de expor e dar à prova os seus vinhos e produtos Bio e sustentáveis.
Acreditamos que os muitos milhares de consumidores que visitam a feira GE Vinhos & Sabores são o público ideal para fazer a divulgação destes projectos e estão na primeira linha de potenciais visitantes a usufruir destas ofertas.

Estes dois novos espaços diferenciados ENOTURISMO e ORGANIC podem acolher novos expositores ou produtores já com stands reservados na zona dos vinhos, usufruindo neste caso de condições muito especiais para sua presença.

Saiba AQUI como expor os seus produtos!

Para mais informações sobre o evento aceda a www.vinhosesabores.com

Mais uma grande noite de Prémios Grandes Escolhas

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No dia 15 de Fevereiro, o velódromo de Sangalhos pareceu pequeno para receber um milhar de pessoas que aclamaram os grandes vencedores da noite. Mas o convívio de todo um sector, como se de uma família se tratasse, acaba por ser uma enorme mais valia dos Prémios Grandes Escolhas.

TEXTO António Falcão FOTOS João Esteves Cutileiro e Ricardo Gomez

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O pavilhão do Centro de Alto Rendimento de Anadia, mais conhecido como Velódromo de Sangalhos, foi o cenário escolhido pela Grandes Escolhas para comemorar a segunda edição dos Prémios Grandes Escolhas. Por lá passaram cerca de um milhar de pessoas, a esmagadora maioria do sector vínico e gastronómico português, entre produtores, enólogos, sommeliers, representantes do comércio e distribuição, entidades oficiais e certificadoras e um bom conjunto de jornalistas especializados. A noite foi gloriosa e até São Pedro ajudou.
Esta cerimónia é de facto invulgar, não só pelas suas dimensões, mas também pela qualidade da refeição e, claro, dos vinhos que a acompanharam. Ou não fossem eles os premiados do ano. O serviço esteve também em grande nível, com mais de uma centena de pessoas envolvidas.
A cerimónia foi mais uma vez conduzida por Luís Lopes e João Geirinhas, respectivamente directores editorial e de negócio da Grandes Escolhas. Começaram a ir ao palco os produtores dos vinhos eleitos para o “top 30” do ano de 2018 e os galardoados com os 21 troféus Grandes Escolhas. No ecrã gigante iam desfilando os 286 vinhos eleitos pelo painel de provadores da revista como Melhores de Portugal, uma galeria de notáveis representando todas as regiões do país.
Esta foi, mais do que prémios, uma noite de afectos, de abraços, beijos e sorrisos. E algumas gargalhadas. De Trás-os-Montes ao Algarve, de Portalegre até ao Funchal ou Pico. Foi, por assim dizer, uma reunião de família.

Veja a galeria de fotos com todos os premiados.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”parallax_image_grid” images=”34744,34760,34761,34762,34763,34766,34764,34745,34765,34746,34747,34750,34748,34749,34759,34758,34757,34756,34755,34754,34752,34751″ display_title_caption=”true”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº23, Março 2019

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Dão Capital: Descobrir vinhos e pessoas

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Durante dois dias, o Dão mostrou-se em Lisboa. Tempo de descoberta para muitos portugueses e estrangeiros, de confirmação para outros. E de bons vinhos para todos. A quinta edição da mostra Dão Capital foi um sucesso a […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Durante dois dias, o Dão mostrou-se em Lisboa. Tempo de descoberta para muitos portugueses e estrangeiros, de confirmação para outros. E de bons vinhos para todos. A quinta edição da mostra Dão Capital foi um sucesso a toda a linha.

TEXTO Luís Francisco
FOTOS Ricardo Palma Veiga

O repórter não define à partida o resultado do seu trabalho. Mas só lhe fica bem partir para o terreno com um mínimo de preparação e uma ideia bem definida do que vai encontrar. Neste caso, na quinta edição da Dão Capital, Mostra de Vinhos e Iguarias, organizada pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão e com produção da Grandes Escolhas, parecia consensual que esta era uma excelente oportunidade para divulgar os vinhos da região junto de lisboetas e turistas menos ligados a estas coisas do copo. O raciocínio estava certo, mas esta Lisboa do século XXI troca as voltas a muito boa gente…
A 23 e 24 de Novembro, o espaço Estúdio Time Out, no Mercado da Ribeira, albergou 33 stands de vinhos (com 34 produtores) e três de sabores, números que dão bem a noção da pujança crescente do sector, numa região que continua a recuperar o prestígio de outrora. O público aderiu em grande número, de tal forma que na tarde de sábado, dia 24, se tornou mesmo necessário restringir as entradas. E entre esse público, havia, como a localização do evento fazia prever, muitos turistas estrangeiros.
O repórter ia preparado. Tinha escolhido um ângulo para abordar a história e avançou sem medos por entre a multidão de gentes, copos e conversas. Justin está por ali, com alguns amigos. É australiano. Os vinhos do Dão são, portanto, uma surpresa… “Não, não são, porque conheço bem a região, gosto muito da elegância e da complexidade dos seus vinhos. Não é uma região tão famosa como o Douro ou o Alentejo, mas eu gosto muito do Dão. Do Dão e da Bairrada, com os seus vinhos poderosos.”
O repórter, surpreendido pelo discurso seguro e conhecedor, faz uma pausa, mas, como qualquer australiano que se preze, Justin continua a conversa. “Os vinhos que estamos a provar são excelentes, 9 em 10 são óptimos.” Por esta altura faz a comparação com outra feira realizada recentemente em Lisboa e não tem dúvidas: “Tinha mais vinhos, mas era preciso provar muitos para encontrar um realmente bom. Aqui são quase todos!”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”image_grid” images=”34157,34158,34159,34160″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mas como é que um australiano domina desta forma o universo dos vinhos portugueses? “Estou a viver em Lisboa vai para um ano.” Pois…
Na outra ponta da sala apinhada, um casal parece mais surpreendido com o que lhes vai surgindo nos copos e a oportunidade é boa de mais para o repórter a deixar fugir. Lars e a sua mulher, suecos, têm todo o ar de turistas maravilhados com a descoberta de produtos locais. E, no entanto… “Vivemos no Seixal há um ano e meio.”
Estará por terra a teoria de que o Dão pode marcar pontos nestes eventos divulgando os seus vinhos junto de potenciais consumidores até aqui alheios ao que por lá se produz? Misericordiosamente para o pobre repórter, nada disso. “Estamos a descobrir o Dão”, assume desde logo Lars – e daqui segue um grande bem-haja para a margem sul do Tejo. O casal já conhece bem os vinhos do Alentejo (Lars é fã dos D. Maria), mas o Dão não estava no seu radar. Agora, provando brancos “bons” e tintos “elegantes”, Lars e a esposa (cujo nome, miseravelmente, se perdeu na confusão das notas escritas pelo meio de cotoveladas e encostos mais ou menos enérgicos de quem vai passando) estão muito felizes. “Os portugueses são muito boa gente e os vinhos portugueses são os melhores do mundo. Pode escrever isso!” Ai não…
Para além dos vinhos e petiscos à prova, o programa da Dão Capital incluiu ainda oito provas comentadas de acesso livre, conduzidas pelos especialistas da Grandes Escolhas João Paulo Martins, Luís Lopes e Valéria Zeferino e realizadas no auditório instalado no recinto da feira. Falou-se de castas emblemáticas da região, de vinhas velhas, da arte do lote e da magia do tempo de estágio. De copo na mão, como convém.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº 21, Janeiro 2019

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A raquete 138: Uma estória de Moscatel e Bastardinho

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Decorreu na Casa Museu de José Maria da Fonseca e, como habitual, gerou entusiasmo e expectativa. O quarto leilão do século XXI, da guardiã-maior de Moscatel de Setúbal, foi um sucesso ao superar as previsões, rendendo um […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Decorreu na Casa Museu de José Maria da Fonseca e, como habitual, gerou entusiasmo e expectativa. O quarto leilão do século XXI, da guardiã-maior de Moscatel de Setúbal, foi um sucesso ao superar as previsões, rendendo um valor total de 67 mil euros.

TEXTO Mariana Lopes

A família Soares Franco estava representada pelas suas sexta e sétima gerações. António e Domingos, da primeira, e António Maria, Francisco e Sofia, da segunda. À Casa Museu, no centro da vila de Azeitão, começavam a chegar os participantes. Era a noite de 25 de Outubro, uma das primeiras mais frescas depois do calor que insistia em não cessar, mas a elegância dos presentes não parecia ter sido afectada por isso. No cocktail que antecedia o evento principal, sentia-se o nervoso miudinho, no burburinho que se ouvia a sair das pequenas tertúlias de copo em riste. Alguns repetentes, outros estreantes, mas todos seguros de não voltar para casa de mãos vazias.
Assim confiantes entravam, mais tarde, na impressionante Adega dos Teares Novos, onde estagiavam os vinhos tintos da empresa, esperando que alguém os resgatasse de um descanso que para eles já parecia eterno. Nesse dia, tinham a companhia de 120 pessoas que jantavam com a alegria ansiosa de quem já não pode esperar mais. Alegre e ansioso estava também António Soares Franco, presidente da José Maria da Fonseca (JMF), que abria as hostilidades, com um discurso breve: “Fazemos este leilão em homenagem aos 100 anos do nosso pai Fernando, que nasceu em 1918. O facto de o Moscatel Roxo ainda existir, deve-se a ele. Na Quinta de Camarate havia uma vinha dessa variedade com menos de um hectare, num solo de calcário branco que parecia quase giz e, nessa altura, ninguém na região queria Moscatel Roxo, porque, como amadurecia muito cedo, as abelhas comiam as uvas todas. Mas o meu pai teimou e disse ‘não vou deixar morrer esta casta que mais ninguém tem, temos uma responsabilidade’. E trouxe varas daquela vinha para plantar noutras. Hoje, numa região que tem cerca de 40 hectares desta variedade, nós e os nossos fornecedores temos 25. É uma honra lembrar assim um homem que se dedicou desta maneira à viticultura.”
Estava explicada a razão do protagonista da noite, um Moscatel Roxo de Setúbal Superior de 1918, materializado em 184 garrafas (para marcar os 184 anos da empresa), das quais 100 se puseram à mercê dos licitantes. Também um Bastardinho de Azeitão com mais de 80 anos estava em jogo naquela noite, uma relíquia de apenas 40 exemplares.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”33277″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A dança das raquetes
Igualmente alegre, mas francamente mais descontraído, estava Domingos Soares Franco, que, com um discurso mais informal que o do irmão, animava o público: “Essa vinha de Moscatel Roxo, de que o meu irmão falou, tem uma inclinação tal que, para a subir, tenho de pôr os pés e as mãos no chão. Uma subida a quatro patas…”, e todos se riam. “Outro vinho que vai ser aqui leiloado é o Apothéose, um Bastardinho. Encontrei um casco que… bem, eu quando vou para a guerra (nunca fui, mas se fosse…)”, e gargalhadas brotavam, “é para ganhar. O casco era de tal maneira espectacular que nem o conseguia descrever. São 20 litros, 40 garrafas Atlantis, com banho de platina, das quais decidimos lançar uma por ano.”
Pouco depois, dava-se início ao leilão. Os 35 lotes, de 126 garrafas, eram apresentados e leiloados pela empresa Palácio do Correio Velho, na voz dos Brito Ribeiro, pai e filho que disso fazem vida pelo país fora. A José Maria da Fonseca, detentora de um património único de Moscatéis de Setúbal, colocava também em praça diversas colheitas antigas deste e de aguardente. O primeiro lote, de uma garrafa de Superior 1918, era fechado por 900 euros, no momento em que todos se apercebiam que a fasquia estava alta.
Continuava a dança de raquetas, num baile em que o leiloeiro era o condutor e os licitantes se deixavam conduzir ao sabor do Moscatel que tinham no copo. “À minha frente, 1400, vendido!”, “1800, vendido à senhora da raquete 182!”, “Tenho dois mil aqui”, “Vendido, por 2600!”, batiam-se palmas em valores semelhantes. Lote 35. “Chamamos a vossa atenção para o Apothéose Bastardinho. Vou por em praça por 2800 euros”, os sussurros eram intensos, “2900, tenho. 3 mil euros. 3 e 200 aqui. 3 e 500 ali. 3 e 800 aqui. 4 mil do meu lado direito. 4 e 500 aqui. 4500 euros. E vai uma. 4500 duas. Vou vender aqui, 4500 euros, raquete 138, parabéns!”, uma salva de palmas rebentava na Adega dos Teares Novos e esgares atravessavam o rosto dos mais incrédulos. Era o fim de uma jornada épica.
Pelo meio de um frenesim de final de festa e de cumprimentos entre “adversários”, havia quem pairasse pela adega com um sorriso matreiro. Era Domingos Soares Franco. Eu aproximava-me enquanto pensava na interpelação ideal. Depois de ouvir a minha pergunta, o anfitrião falou: “Um leilão destes é uma ajuda para o Moscatel de Setúbal, um grande pontapé de saída para chegar com mais frequência a valores como hoje chegou. Também o Bastardinho, ao chegar aos 4500 euros, desempenha o mesmo papel. Fiquei muito contente, foi acima do que ambicionávamos e o Apothéose superou todas as minhas expectativas. Talvez pela minha conversa, quem sabe…”

 

Edição Nº20, Dezembro 2018

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