Editorial Junho: Barrel Haters

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Editorial da edição nrº 86 (Junho 2024) Peço desculpa pelo título em inglês, mas é o que melhor retrata aqueles a que me refiro: os que odeiam, desprezam, criticam vinhos com aromas e/ou sabores provenientes da barrica de madeira. O vinho, como tudo na vida, não está imune a modas e tendências que determinam comportamentos. […]

Editorial da edição nrº 86 (Junho 2024)

Peço desculpa pelo título em inglês, mas é o que melhor retrata aqueles a que me refiro: os que odeiam, desprezam, criticam vinhos com aromas e/ou sabores provenientes da barrica de madeira. O vinho, como tudo na vida, não está imune a modas e tendências que determinam comportamentos. É assim na arquitectura, na cultura, na indústria automóvel, no vestuário, na música, até na medicina.

A ligação entre o vinho e a madeira é multisecular, primeiro como vasilha para o transportar e guardar, mais tarde como processo de afinamento. A primeira vez que o enófilo nacional contactou, de forma generalizada, com o efeito da barrica nova de carvalho terá sido com os vinhos da antiga JP Vinhos (hoje Bacalhôa), em tintos como Quinta da Bacalhôa, Má Partilha, Meia Pipa ou o branco Catarina. Na altura, final dos anos 80, era a escola australiana que ditava as regras e lembro-me bem do enorme frenesim que toda aquela baunilha e tosta causou junto de apreciadores ávidos de coisas novas. Rapidamente, a barrica tornou-se símbolo de estatuto, luxo, sinal exterior de riqueza. E ainda hoje, queiramos ou não, mantém esses atributos. Em Portugal ou no mundo, raro é o vinho com ambição que não passa por barrica nova, no todo ou em parte. De tal forma o poder aspiracional da barrica foi abraçado pelo consumidor que o “efeito madeira” se estendeu aos vinhos mais humildes, que não gerando valor que permita ter a coisa verdadeira, utilizam eficazmente os seus sucedâneos. Quem compra um Reserva tinto por €3,49 também tem direito a saborear a baunilha, pois então! Como bem sabemos, quando muita gente gosta da mesma coisa, surgem os ódios de estimação, com o único objectivo de vincar uma diferença e uma suposta superioridade. Quantas vezes assisti, em sessões de prova, ao arrasar de um vinho com o singular argumento de que se “sente a madeira”…

A barrica de madeira é uma ferramenta enológica como qualquer outra, como o lagar, como o ovo de cimento (hoje na moda, mas o ódio virá um dia), como a ânfora de barro. E como toda a ferramenta, é preciso saber usá-la. A diversidade (e qualidade!) das barricas disponíveis no mercado é gigante. Uma barrica de inferior qualidade, de tipo não adequado ao fim em causa (origem, tosta, grão) ou mal empregue, origina um vinho desequilibrado, onde a ferramenta usada se sobrepõe ao produto criado. Como pode acontecer com um lagar ou uma ânfora de barro.

Curiosamente, quem diaboliza a mais leve sugestão de fumado ou especiaria da barrica, é capaz de acolher embevecido e lacrimejante de prazer o aroma a pez da talha ou o sabor taninoso do engaço verde no lagar. Mais espantoso ainda: esses “haters” inchados de conhecimento, para quem qualquer reminiscência de barrica num vinho português é sinal de vulgaridade, são precisamente os mesmos que idolatram os Gran Reserva clássicos de Rioja, como Murrieta Castillo Ygay, Viña Ardanza, Viña Tondonia, Muga Prado, Contino ou Cvne Imperial. Vinhos que passaram três, quatro ou mais anos em barricas novas de carvalho. E carvalho americano, sobretudo!

No que a vinhos respeita, gosto de ser eclético. Aprecio tudo o que cheira e sabe bem. Se tiver forte personalidade, melhor ainda. Ygay ou Quinta do Crasto, por exemplo, usam a barrica nova para exprimir a sua identidade. Outros fazem-no através do lagar de granito, da talha pesgada, do tonel centenário, do ovo de cimento ou até (sim!), do inox. Quem nunca provou Encruzado ou Alvarinho largos anos estagiados em inox não sabe o que é bom.

Há tanta intolerância e imbecilidade no mundo. Deixem lá a madeira em paz.

Depois de 23 anos dedicada à Lavradores de Feitoria, empresa produtora de vinhos do Douro, Olga Martins decidiu deixar a empresa de vinhos que viu nascer,  para assumir, a 100%, o seu projecto familiar de vinhos, o Poeira.

Há muito que o marido, o enólogo Jorge Moreira, a desafiava a assumir a gestão e promoção dos vinhos Poeira. Mas a decisão de deixar a Lavradores de Feitoria não foi fácil. A um ano de celebrar meio século de vida e com a empresa em velocidade de cruzeiro, Olga Martins sentiu que era chegada de hora mudar, apesar de a sua ligação à Lavradores de Feitoria se manter como accionista da empresa. “O meu lema de vida é dar sempre o meu melhor em tudo o que faço, respeitando todos os que se cruzam no meu caminho”, conta a gestora, acrescentando que “foi assim durante estes anos na Lavradores de Feitoria, em que aprendi muito sobretudo com o Fernando Albuquerque e o Dirk Niepoort, a quem estarei sempre grata”. Agora, sentiu que estava na hora de encerrar este ciclo e, por isso, não aceitou o convite para continuar, nas últimas eleições da empresa.

O projecto de vinhos Poeira nasceu, no Douro, em 2001. Nesse ano, Jorge Moreira decidiu fazer um interregno na sua carreira como enólogo da Real Companhia Velha, para criar vinhos com o seu cunho pessoal. Olga Martins esteve sempre ligada ao projecto, de forma mais discreta, tendo mesmo um vinho da sua autoria: o She by Poeira

Raposeira: A celebração de cada dia

Caves Raposeira

Durante o passeio pelas vinhas perto das Caves da Raposeira e pelos corredores infinitos subterrâneos, cheios de garrafas em repouso, Marta Lourenço, a enóloga responsável pela produção nesta casa e na Murganheira, partilhou a história da empresa, contada pelo seu sogro, um profundo conhecedor e especialista nesta categoria de vinhos e uma figura incontornável no […]

Durante o passeio pelas vinhas perto das Caves da Raposeira e pelos corredores infinitos subterrâneos, cheios de garrafas em repouso, Marta Lourenço, a enóloga responsável pela produção nesta casa e na Murganheira, partilhou a história da empresa, contada pelo seu sogro, um profundo conhecedor e especialista nesta categoria de vinhos e uma figura incontornável no que toca aos espumantes nacionais – Orlando Lourenço.
Lamego foi uma das primeiras regiões em Portugal onde se começou a estudar os processos de espumantização. As Caves da Raposeira tiveram o seu início no seio familiar de Adelino Pereira do Vale, com o seu filho e genros, um dos quais, José Teixeira Rebelo Junior, com residência permanente em Lamego, desempenhou um papel importante como administrador. Segundo as informações da empresa, as primeiras tentativas de criar bolhinhas começaram ainda em meados do século XIX e, a partir de 1898, já produziam e comercializavam os “vinhos espumantes tipo Champagne” na cidade de Lamego.
Nos anos 30 do século passado, a Caves Raposeira tornou-se numa empresa de grande prestígio, visitada pelas figuras do Estado Português e Brasileiro, onde a marca era bem apreciada. Nos anos 50-60, os espumantes da Raposeira eram vinhos de luxo, custando uma garrafa de 35 a 90 escudos (preço para retalhistas), numa altura em que a minha sogra se lembra que um garrafão de vinho de 5 litros custava 4,5-5 escudos. O salário dela, em Lisboa, era pouco mais de 2000 escudos e um espumante com estes preços “era nem pensar”. Tratava-se claramente de um produto para “quem pode”.

Mas não há bem que sempre dure… Quando, em 1980, faleceu o administrador da empresa, apaixonado pelas bolhinhas e dinâmico Eugénio Vale Teixeira, a Raposeira foi vendida à multinacional canadiana Seagram. As duas décadas seguintes revelaram-se um período mais desconcertante na história da empresa, que enfraqueceu a força da marca. A abordagem visava a rotatividade rápida do produto, vender barato e ganhar pela escala, descartando a importância da matéria prima e dos processos que asseguram a qualidade. Desfizeram-se das quintas (tinham quatro) e dos fornecedores de uva habituais, passando a importar vinho de mesa barato a granel. Diluíam-no, espumantizavam e vendiam barato. “Não vinificaram 1 kg de uva própria”, conta Marta Lourenço. Devido a este período negro, a Raposeira é, hoje em dia, vista como um parente pobre da Murganheira que, fundada mais tarde, não passou por estes ciclos comprometedores.

A viragem do século trouxe outro gigante multinacional a assumir a gestão das caves em Lamego. Em 2000, duas das maiores empresas mundiais do sector das bebidas alcoólicas, a britânica Diageo e a francesa Pernod Ricard fizeram uma joint-venture para adquirir a divisão de bebidas da Seagram, onde se incluía a Raposeira. No entanto, a marca não integrou o seu portfólio por muito tempo. Como a Pernod Ricard já representava duas marcas de Champagne, Moët & Chandon e Dom Perignon, em Portugal, rapidamente se desfez de um activo que não era estratégico. O melhor que aconteceu à Raposeira foi a sua aquisição pela Murganheira em 2002 e a entrada de Orlando Lourenço como administrador. É difícil de imaginar outra pessoa para quem a Raposeira representasse um valor sentimental tão grande, uma vez que já tinha ligação forte à empresa desde a infância: a sua mãe trabalhou como operária na Raposeira e o seu pai produzia vinho base para espumante destinado a esta casa. Por isto, quando entrou, o objectivo não era o lucro imediato, mas sim a recuperação da antiga fama da marca. Fez uma revolução qualitativa. Voltou a apostar na matéria prima (agora contam com uvas de mais de 400 viticultores) e introduziu novos processos de trabalho na adega, já aplicados na Murganheira.

Entre o Douro e Távora-Varosa
A Raposeira é a única empresa em Portugal que pode certificar os seus vinhos com duas denominações de origem – Távora-Varosa ou Douro. A fronteira passa precisamente pela vinha junto à adega. Entretanto, como as uvas são misturadas no vinho final, este fica “desclassificado” para vinho de mesa. Internamente estão a ponderar a possibilidade de certificação, mas não é urgente, pois a marca sobrepõe-se à associação a qualquer DO.
A maior parte das uvas (70%) vem do Douro, sobretudo do Baixo Corgo, mas do Cima Corgo e de algumas partes do Douro Superior também. Os descendentes dos fundadores, por exemplo, são os maiores produtores de uvas (na sub-região de Baixo Corgo e na fronteira com Távora-Varosa). Marta nota uma grande diferença no perfil das uvas que amadurecem em condições diferentes. O Douro é xisto, Távora-Varosa granito. As amplitudes térmicas em Távora-Varosa são bem mais pronunciadas. “As pessoas estão habituadas a usar um casaco polar por cima de uma t-shirt”, conta a enóloga. Os mostos de Távora-Varosa apresentam pH 2,7-3, enquanto no Douro 2,9-3,4 e isto faz diferença no produto final.
Do Douro vêm sobretudo a Malvasia Fina e Viosinho e as castas tintas – Touriga Nacional, Touriga Franca (ficam muito bem no espumante) e Tinta Roriz; de Távora-Varosa acresce o Pinot Blanc. A produção não é muito alta, contam com 4-8 toneladas de uva por hectare.
A mesma casta também se comporta de forma diferente. A Malvasia Fina do Douro é mais fácil, mais floral, em Távora-Varosa, mais exigente, com maior acidez e mineralidade.
Quando a enóloga Marta Lourenço entrou, em 2005, as mudanças na empresa já estavam em andamento. Para além dos espumantes doces e semi-secos, introduziram os brutos e criaram uma linha “Gourmet”, a incluir Super Reserva Blanc de Noirs Bruto, Super Reserva Blanc de Blancs Bruto, Super Reserva Rosé Bruto, Super Reserva Peerless Bruto e Super Reserva Tinto Bruto.
O processo produtivo é praticamente igual na Murganheira e na Raposeira. Existe uma única diferença na recepção de uva. Na Murganheira, a uva inteira e intacta vai directamente para a prensa, na Raposeira ainda usam o tegão e a bomba que resulta sempre em algum rompimento de bago. Para evitar isto, nos espumantes especiais usam um pequeno tapete transportador para colocar uvas na prensa. Já existe um projecto para fazer obras destinadas à melhoria na recepção de uvas. E é para breve.
O fraccionamento de prensas, as leveduras livres e o estágio prolongado são três pilares de qualidade do espumante que não se abdicam na Raposeira, tal como na Murganheira.
O mosto é separado em quatro frações: première pièce – os primeiros 400-500 litros resultantes da “lavagem” das uvas com o próprio mosto, que é descartado em anos maus e por vezes pode ser aproveitado para os espumantes meio-secos e doces; cuvée – a melhor parte do mosto destinada à produção dos espumantes brutos; taille – resultante do início da prensagem – também utilizada para espumantes meio-secos e doces; e finalmente rebêche, a última parte da prensa que é sempre descartada.
Tal como na Murganheira, na Raposeira trabalham exclusivamente com leveduras livres. É mais trabalhoso, mas qualitativamente fazem espumantes mais ricos e complexos, sobretudo com o tempo de estágio prolongado. Têm uma sala com cubas destinadas à multiplicação das leveduras, para as adaptar às condições pouco confortáveis (teor de etanol produzido na primeira fermentação e presença de gás carbónico) em que ocorre a segunda fermentação. Começam com 80% de água e 20% de vinho e depois vão aumentando a percentagem de vinho, num processo que demora sete dias e exige um controlo quase constante.
E aqui chegamos ao terceiro ponto importante – tempo de estágio. Na Raposeira os espumantes brutos estagiam com borras antes de dégorgement no mínimo quatro anos, meio-secos três anos e os doces no mínimo dois anos.
Para além dos pontos fulcrais, existem ainda muitos detalhes durante todo o processo produtivo que podem fazer a diferença. O controlo rigoroso em cada etapa é a parte menos romântica, mas vital. Na empresa não abdicam de inovação e investimentos se estes trazem benefícios na qualidade do espumante. Por exemplo, em alguns espaços usam iluminação LED específica, com espectro muito estreito, calibrado para não interagir com riboflavina (vitamina 2 presente no vinho) e não provocar alterações sensoriais chamados “gosto de luz”. Estas lâmpadas (caríssimas) produzem uma luz âmbar monocromática, que permite visibilidade suficiente para trabalhar, por exemplo na sala de giropaletes ou caves, evitando deterioração do vinho.

Raposeira

 

A Raposeira é hoje o maior produtor de espumantes em Portugal. Anualmente saem 2,5 milhões de garrafas efervescentes, das quais cerca de um milhão são espumantes meio-doces e doces e o resto – brutos, dos quais cerca de 120 000 garrafas da linha especial.

Nos longos corredores subterrâneos permanecem, em estágio, 12 milhões de garrafas, mais do que a população do nosso país. Dava uma garrafa para cada português e ainda sobrava! E 80% da produção é comercializada no mercado nacional.

 

Os espumantes antigos da Raposeira
Nem sabia que existiam! Depois da prova da gama actual, uma grande surpresa foi a prova de espumantes antigos. Nem todos se apresentavam em melhores condições, mas permitiu claramente sentir as diferentes épocas na vida da marca.
O Velha Reserva 1995 apresentava uma cor dourada clara, fruta compotada, a lembrar o vinho da Madeira, notas amendoadas e pão seco. O açúcar residual era bem perceptível e quase não tinha gás. O 1996 sentiu-se mais caramelizado no sabor, com notas de leite-creme e alguma ferrugem. O 2000, com limão caramelizado e nuance amendoada, era mais fresco no nariz e com mais tensão na boca, mas leve amargo no final evidenciava o uso do mosto de prensa. A partir de Velha Reserva 2001 nota-se uma mudança na elaboração: com fruta mais limpa, maior presença de gás, final com sabor a pão mas também com frescura, cremoso e com certa untuosidade. O 2005 apresentou tonalidade de limão intenso a caminhar para dourado, nariz muito limpo com notas de casca de limão cristalizada, fruta branca, tisanas, todo tenso e vibrante, cheio de vivacidade e mineralidade. O 2006 com fruta madura a lembrar pêssego em caldo, mel, notas florais, com ligeira doçura frutada no final. O 2010 tem a vida toda pela frente, cheio de fruta, intenso, bem seco e cremoso. O 2011 com sugestões de limão, pêra, tisanas e mel, expressivo e transparece frescura.
O Chardonnay 2010 – no primeiro impacto demonstrou uma ligeira redução. Mas rapidamente se recompôs, alinhou-se todo e, com boa pressão, bolha fina, textura cremosa, limpo e saboroso, finalizou a prova em grande.
Absolutamente inesperada foi a performance do Primor seco feito de Moscatel dos anos 70-80 (não deu para identificar o ano exacto), que apresentava uma cor dourada e aroma extremamente complexo e bonito com pêssego em calda, marmelada, xaropes de farmácia, mel, estragão e notas resinosas, com um enorme equilíbrio do conjunto – uma bela surpresa!
E, por fim, o Velha Reserva Bruto 1979, com uma raposa diferente no rótulo, deu uma grande prova com uma acidez fantástica, nariz doce com canela, mel e alperce em caldo, ainda com gás carbónico a vibrar. Incrível e cheio de vida.

Celebrar a vida com Raposeira
A Raposeira tem muito para contar. Já foi uma marca emblemática que dificilmente tinha concorrência em Portugal, e sofreu com a errada gestão estratégica. Agora, quando só o mais preguiçoso não produz espumante, porque está na moda, afirma-se com nova força e dinamismo, associada a uma imagem sempre impecável. A Raposeira tem um grande legado e muito know-how graças às pessoas dedicadas e profissionais que vivem a marca. O volume de produção permite manter os preços acessíveis com um nível de qualidade ao qual muitos espumantes bem mais caros não conseguem chegar.
Se o Murganheira é posicionado como um espumante para os momentos especiais, o Raposeira é um espumante de dia a dia, para celebrar a vida em qualquer momento.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2024)

Descubra os vinhos distinguidos na 16ª Edição do Concurso de Vinhos do Algarve

Concurso de Vinhos do Algarve

A XVI edição do Concurso de Vinhos do Algarve decorreu no Convento de S. José, em Lagoa, com o apoio do município e a direcção técnica da Comissão Vitivinícola do Algarve. Foram provados 117 Vinhos do Algarve, de 32 produtores, entre brancos, rosés e tintos, dos quais foram distinguidos 38 com 27 medalhas de Prata, […]

A XVI edição do Concurso de Vinhos do Algarve decorreu no Convento de S. José, em Lagoa, com o apoio do município e a direcção técnica da Comissão Vitivinícola do Algarve.

Foram provados 117 Vinhos do Algarve, de 32 produtores, entre brancos, rosés e tintos, dos quais foram distinguidos 38 com 27 medalhas de Prata, 10 medalhas de Ouro e, o grande vencedor, com a Grande Medalha de Ouro.

O grande vencedor do XVI Concurso de Vinhos do Algarve foi o Dialog Tinto 2018, do produtor Quinta dos Vales.

Os resultados do Concurso foram divulgados  em cerimónia que teve lugar no Clubhouse Pestana Vale da Pinta, que juntou vários produtores e entidades.

O Concurso de Vinhos do Algarve tem, por objectivo, promover a produção de vinhos engarrafados e estimular a produção de vinhos de qualidade na região, distinguindo e promovendo os melhores vinhos produzidos na Região do Algarve.

Conheça AQUI a lista dos premiados do concurso.

Real Companhia Velha: São 268 anos, but who’s counting?

Real Companhia Velha

1960: a família Silva Reis assume o controlo da Real Companhia Velha (RCV), com 60% do seu capital. Outros 35% pertencem à Casa do Douro e o resto está disperso. Já há vários anos que a direcção está a cargo de Pedro Silva Reis. Os seus filhos foram entrando pouco a pouco no negócio. Pedro […]

1960: a família Silva Reis assume o controlo da Real Companhia Velha (RCV), com 60% do seu capital. Outros 35% pertencem à Casa do Douro e o resto está disperso. Já há vários anos que a direcção está a cargo de Pedro Silva Reis. Os seus filhos foram entrando pouco a pouco no negócio. Pedro é enólogo e tem responsabilidades nos vinhos de mesa, Tiago é enólogo e blender de vinhos do Porto. Há muitos anos que o enólogo principal da casa é Jorge Moreira, e a viticultura está na mão de Álvaro Martinho Lopes. Hoje banalizou-se chamar paixão a tudo, mas é impossível ouvir Álvaro falar do Douro e não sentir que é essa a única palavra para o descrever.

A vida do Douro

Em evento recente no Hotel Bairro Alto em Lisboa, Álvaro Martinho Lopes explicou apaixonadamente (lá está) a vida do Douro. A vida das plantas, neste caso, e como elas influenciam e são influenciadas pelo homem. Álvaro é um homem da terra, do Douro, e faz compreender tudo muito bem. Quem já foi ao Douro sabe do que ele está a falar. Embevecido, relembra as suas memórias dessa incrível região de vinho. Quem não foi, fica imediatamente com vontade de ir. Vejamos algumas headlines: “uma vinha com 40 anos é jovem”, “o Douro tem um clima óptimo, mas as plantas têm de lutar, o solo é selectivo”, “O Douro é uma equação grande, com muitas variáveis: altitude, castas, exposição, vinhas velhas, vinhas novas. As Carvalhas são uma quinta igual às outras, o que difere são as pessoas.” Jorge Moreira interveio depois e confirmou isto tudo, enfatizando que, com as variações dentro da própria vinha, e tendo como objectivos os estilos de vinho pretendidos para cada parcela ou cada combinação de parcelas, o factor mais importante, quando chega a hora, é a data de vindima.
Quando Jorge Moreira chegou à RCV, em 2010, as Carvalhas estavam dedicadas ao vinho do Porto. Com 500ha, 150ha são de vinha, dos quais 50 são vinhas tradicionais, e nas outras há várias exposições solares, várias altitudes, várias pendências, inclusive algumas parcelas com caraterísticas que obrigam a trabalho com tracção animal. Jorge Moreira afirmou: “Com esta localização única, a quinta tem de tudo e tudo em grande escala, uma conjugação de factores que permite e obriga a fazer vários tipos de vinho. Há várias gerações que faz vinhos incríveis, e esta diversidade inclui pessoas, gente com sabedoria, com cultura de vinho, entre os quais proprietários apaixonados pelo Douro. E tem o Álvaro. Hoje vamos provar cinco vinhos que demonstram variedade. Mas poderíamos mostrar 10 ou 12.”
Uma outra questão interessante que Jorge Moreira abordou foi o terroir dos vinhos. Parece haver a convicção de que há zonas separadas para tawny, para vintage, para branco. Jorge não acredita muito nisso, e provou-o fazendo um branco da Serra de Galgas, a 450m de altitude e com menos 3ºC de média de temperatura e 1h20m diários de luz, ou melhor, tem luz mas não exposição directa ao Sol. Com exposição Norte, esta parcela de Gouveio tem uma fotossíntese gradual e é sempre a última a ser vindimada. O vinho completa-se com Viosinho da parcela Cruz, por cima da estrada interior da quinta, com altitude mais baixa.

“Há várias gerações que a Real Companhia Velha faz vinhos incríveis, e esta diversidade inclui pessoas, gente com sabedoria, com cultura de vinho, entre os quais proprietários apaixonados pelo Douro” – Jorge Moreira

 

56 castas vinificadas em separado…

A Quinta das Carvalhas presta-se a experimentação com castas, e tem grande sucesso nos seus varietais de castas raras. Talvez tanto sucesso que algumas deixem de ser raras. A Tinta Francisca resiste muito bem ao calor sem água. É uma casta nativa do Douro, logo melhor preparada para fazer o seu percurso fisiológico o mais eficientemente possível. Ou seja, amadurecer as sementes. Eficiente é fazer tudo com pouco. Sem desperdício. Segundo nos contou Álvaro Martinho Lopes, estas experiências nem sempre têm sucesso, e o pior é que demoram anos a ter resultados e representam investimentos significativos. A má experiência com o Donzelinho tinto foi uma boa lição, mas saiu cara. Segundo Pedro Silva Reis (filho), em 2023 fizeram na Real 287 vinificações, incluindo 56 castas separadas.
O Vinha do Eirol é a menina dos olhos de Pedro. Vem de uma parcela de vinhas velhas com a habitual mistura de castas, com exposição Poente, a 380m de altitude. A vinificação pouco interventiva assegurou pouca extracção e um perfil elegante, ligeiro e guloso. Um vinho à moda antiga, mas uma moda que regressa para alegria dos apreciadores de “vins de soif”.
Esta masterclass teve muita adesão da imprensa, influencers (?) e escanções. Uma sala cheia que provou depois uma nova referência, o Quinta das Carvalhas Reserva tinto. Este vinho pretende ocupar um lugar vago na gama das Carvalhas, com um perfil clássico, de Douro tradicional, assegurado por um lote de vinhos provenientes de parcelas com exposição Norte e outras de exposição Sul, e incluindo vinhas velhas, as Tourigas e o Sousão.
Em seguida, a apoteose com o Vinhas Velhas de 2020, um ano muito quente, mas de onde vem este vinho contido, mestria da viticultura e enologia da RCV, e seu conhecimento da quinta. Três parcelas específicas, cada vez mais as mesmas para este vinho, uma das quais teve direito a duas vindimas, uma precoce e outra tardia. Raposeira entra parcialmente para dar volume e maturação, Costa da Barca e Cartola garantem acidez e taninos vigorosos. Parece simples, mas representa muita sabedoria e o resultado é espantoso. Para confirmar que isto não é um acaso da Natureza, provámos um VV 2011, cuja elegância e juventude me impressionaram vivamente. Já com a Tinta Francisca tinha vindo uma testemunha de 2012, que fresco e vibrante mostrou uma suavidade que acrescenta garantias de prazeres futuros a todos estes vinhos.

Estilo leve e vibrante

Começa a faltar-me o espaço, mas não o fôlego. Gostei muito deste evento, onde ouvi falar com conhecimento e paixão dos lugares, terroirs, pessoas, vinhos, provei as novidades e suas testemunhas antigas. Em seguida houve um almoço ligeiro de finger food, onde pude ver o desempenho destes vinhos com comida, não esqueçamos que é esse o seu destino. O Hotel Bairro Alto teve recentemente Nuno Mendes como director criativo, que deixou os traços da sua genialidade na oferta gastronómica. Depois do almoço relaxado, numa sala ao lado podiam-se provar as múltiplas referências da empresa, com o bónus de ter a excelente equipa da Real a explicar cada vinho. Valem muito a pena os velhos vinhos do Porto, que a Real cultiva com um estilo leve e vibrante. Também aprecio muito o seu trabalho com castas minoritárias. É das poucas empresas onde se podem provar vinhos de Rufete ou Cornifesto. Tenho a certeza de que esta aposta vai dar frutos, e que mais vinhas serão plantadas com estas castas, para as salvar e preservar o estilo de vinhos que elas oferecem. A Real Companhia Velha é uma das empresas mais influentes do Douro, e eu agradeço-lhes a teimosia.

(Artigo publicado na edição de Abril de 2024)

Os vencedores do Concurso de vinhos do Douro Superior 2024

douro superior

Foram ontem revelados os resultados do Concurso de Vinhos do Douro Superior, uma iniciativa integrada no Festival do Vinho do Douro Superior sempre aguardada com grande expectativa e que culmina três dias intensos num evento marcante para esta região vinícola. Neste concurso em que participaram mais de 180 vinhos nas categorias de vinhos brancos, tintos […]

Foram ontem revelados os resultados do Concurso de Vinhos do Douro Superior, uma iniciativa integrada no Festival do Vinho do Douro Superior sempre aguardada com grande expectativa e que culmina três dias intensos num evento marcante para esta região vinícola.
Neste concurso em que participaram mais de 180 vinhos nas categorias de vinhos brancos, tintos e vinhos do Porto, o júri internacional de 30 profissionais, entre importadores, garrafeiras, restaurantes, wine bares, e jornalistas teve a difícil tarefa de escolher os melhores entre os melhores. Esta foi uma competição de grande nível que demonstrou a excepcional qualidade dos vinhos do Douro Superior.

Luís Lopes, director da Grandes Escolha e presidente do concurso sublinhou não só a grande qualidade dos vinhos provados, mas sobretudo a revelação de novos projectos que surpreendem em cada nova edição do Festival, alguns dos quais alcançam prémios logo no primeiro ano em que participam.

Festival do Vinho do Douro Superior é um evento organizado pelo Município de Vila Nova de Foz Côa e produzido pela Grandes Escolhas.

Aqui fica a lista dos premiados:

BRANCOS

Melhor Vinho:

Duorum Vinha dos Muros 2023 Duorum Vinhos

Medalha de Ouro:

Conceito 2021 Conceito Vinhos
Cortes do Reguengo 2020 Vinaze – Quinta do Reguengo
Cortes do Tua 2021 Cortes do Tua Wines
Crasto Superior Branco 2022 Quinta do Crasto
EspadaCinta Reserva 2022 EspadaCinta Vinhos
Kaputt Orange 2019 Van Zeller Wine Collection S.A.

Medalha de Prata:

Bardo Reserva 2022 Setebagos Vinhos
Cadão Douro PM Vinhas Velhas 2021 Mateus & Sequeira Vinhos
Ensaios Extremes Rabigato 2020 Colinas do Douro
Fonte Cerdeira 2022 Fonte Cerdeira – João Manuel Damas
Golpe Reserva 2023 Família Carvalho Martins
Pai Horácio Branco Grande Reserva 2021 Vinilourenço
Quinta da Pedra Escrita 2022 Rui Roboredo Madeira Vinhos
Quinta da Terrincha 2023 Quinta da Terrincha
Quinta Vale d’Aldeia Grande Reserva 2020 Quinta Vale d’Aldeia
Souza Dias Moscatel 2006 Caves da Quinta do Pocinho
Terras do Grifo Reserva 2022 Rozès, SA

TINTOS

Melhor Vinho:

Quinta do Vesúvio 2021 Symington Family Estates

Medalha de Ouro:

Alto do Pocinho Reserva 2020 Quinta dos Termos
Bardo Real Grande Reserva 2020 Setebagos Vinhos
Cadão Grande Reserva 2018 Mateus & Sequeira Vinhos
Casa Ferreirinha Quinta da Leda 2020 Sogrape Vinhos
Conceito 2020 Conceito Vinhos
Cortes do Reguengo 2019 Vinaze – Quinta do Reguengo
Ensaios Extremes Touriga Francesa 2020 Colinas do Douro
Perdigota Reserva 2022 Caves da Quinta do Pocinho
Quinta Vale d’Aldeia Grande Reserva 2020 Quinta Vale d’Aldeia
Roquette & Cazes 2020 Roquette & Cazes
Terras do Grifo Grande Reserva 2017 Rozès
Villarôco Reserva 2019 Villarôco

Medalha de Prata:

Casa d’Arrochella Reserva Especial 2020 Sociedade Agrícola Casa d’Arrochella
Crasto Superior 2020 Quinta do Crasto
Duorum Reserva 2020 Duorum Vinhos
Ensaios Extremes Sousão 2019 Colinas do Douro
Fonte Cerdeira Reserva 2019 Fonte Cerdeira – João Manuel Damas
Palato do Côa Reserva 2020 5 Bagos – Sociedade Agrícola
Quinta da Pedra Escrita 2020 Rui Roboredo Madeira Vinhos
Quinta da Terrincha Touriga Nacional 3 Altitudes 2021 Quinta da Terrincha
Quinta das Mós Sousão Grande Reserva 2020 Mikael Monteiro Cabral – Quinta das Mós
Quinta de Canivães 2020 Casa Ermelinda Freitas – Vinhos
Quinta do Arnozelo Grande Reserva 2019 Sogevinus Fine Wines
Quinta dos Quatro Ventos Reserva 2020 Bacalhôa Vinhos de Portugal
Rasga Grande Reserva 2019 Artur Rodrigues
Remisi’us Grande Reserva 2020 Edição Limitada Valley & Co.
Selores Premium 2020 Viniselores
Terras do Malhô Reserva 2022 NR de Oliveira
Vale de Pios 2019 Quinta de Vale de Pios
Vinha dos Gatos 2020 Zero Defeitos – Casa Agr. Pinto Barbosa
ZOM Touriga Nacional Grande Reserva 2020 Van Zeller Wine Collection S.A.

VINHO DO PORTO

Melhor Vinho:

Maynard’s Vintage 2021 Van Zeller Wine Collection S.A

Medalha de Ouro:

Burmester Porto Vintage 2022 Sogevinus Fine Wines
Quinta de Ervamoira Vintage 1994 Adriano Ramos Pinto Vinhos

Medalha de Prata:

Ameztoy & Almeida – Ruby Seco Mateus Nicolau de Almeida
Burmester Tawny 10 Anos Sogevinus Fine Wines
Quinta do Grifo Vintage 2019 Rozès

Muros de Melgaço: 25 anos de sucesso

Muros de Melgaço

António Barreto, cientista social atento às inúmeras mudanças do nosso país, aponta a transição entre as décadas de 80 e 90 do século passado fundamentalmente como um tempo de diversidade: “o aparecimento e afirmação de uma diversidade e de uma pluralidade até aí inexistentes. Ainda há costumes arcaicos na alimentação e no vestir e já […]

António Barreto, cientista social atento às inúmeras mudanças do nosso país, aponta a transição entre as décadas de 80 e 90 do século passado fundamentalmente como um tempo de diversidade: “o aparecimento e afirmação de uma diversidade e de uma pluralidade até aí inexistentes. Ainda há costumes arcaicos na alimentação e no vestir e já há telemóveis, sapatos de marca e garrafas de vinho grande reserva nos rótulos.”.
Como é evidente, as garrafas de vinho com a designação “grande reserva”, a que se referiu António Barreto, também estiveram ligadas a profundas transformações ocorridas neste período, que mudaram radicalmente o panorama vínico nacional.
A entrada oficial de Portugal, na então denominada Comunidade Económica Europeia, em 1986, ocasionou uma enorme torrente de fundos comunitários, que foram usados para revolucionar o sector. Durante a década de 90 assistiu-se a um enorme incremento de um fenómeno que ficaria na história como o tempo dos “vinhos de Quinta” e alastraria pelo país como uma chama imparável. Muitas das marcas nacionais, que são hoje amplamente reconhecidas dentro e fora de portas, foram criadas ou ganharam notoriedade nesta década.
Não podemos esquecer igualmente o facto da consolidação da profissão de enólogo. Muitos fixaram-se num produtor em particular, mas outros, como Anselmo Mendes, preferiram prestar os seus serviços a diversos produtores.

 

Em 1988, Anselmo Mendes teve a visão inovadora de que a casta Alvarinho podia originar vinhos ainda mais nobres e distintos quando fermentados em barricas de carvalho. Mais de 25 anos de colheitas de Muros de Melgaço provam que tinha razão.

 

Experimentalista e inovador

Em 1987, Anselmo Mendes terminou a licenciatura em engenharia agro-industrial no Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e rapidamente ingressou no mercado de trabalho para se embrenhar na diversidade avassaladora de transformações de então. Entre 1987 e 1997 colaborou em inúmeros projectos vínicos no Norte de Portugal, ligados ao despontar do movimento dos “vinhos de quinta”, e que, ainda hoje, apresentam raízes fortemente alicerçadas em conceitos ligados à qualidade e à distinção.
Após uma visita à Borgonha, em 1988, encomendou duas barricas de carvalho francês instalando-as em casa dos pais, em Monção, para realizar algumas experiências de fermentação com a Alvarinho, a casta rainha da região que o viu nascer.
O estudo foi de tal forma aprofundado e persistente, que decorreu durante cerca de 10 anos e envolveu a compra de uma quinta. Na altura, Anselmo Mendes era um jovem produtor de vinhos com duas mil garrafas da colheita de 1998 para vender e, com ela, comprovar uma visão inovadora na região: a casta Alvarinho podia originar vinhos ainda mais nobres e distintos quando fermentados em barricas de carvalho.
O impacto alcançado pelas primeiras colheitas da marca Muros de Melgaço permitiu a continuação e o alargamento do estudo da casta usando diferentes tostas e volumes nas barricas de carvalho francês. Este êxito proporcionou, em 2008, estender a sua actividade em dois espaços distintos: a Quinta da Torre, uma propriedade com 12 hectares e uma nova adega no Parque Industrial de Melgaço. Estes novos espaços permitiram dominar a produção de uva e aprofundar as experiências com a casta alargando-os aos solos, podas e outros temas que a mente inventiva de Anselmo Mendes perscrutou. O resto é uma história de sucesso, aqui representada por nove colheitas de Muros de Melgaço, a marca pioneira, incontornável referência entre os grandes Alvarinho de Monção e Melgaço.

 

VERTICAL MUROS DE MELGAÇO

16,5 A

Muros de Melgaço Alvarinho branco 1999

Cobre na cor. Aromas e sabores a fruta cozida, mel e mineralidade. A acidez revelada empresta alguma frescura ao conjunto em notório fim de linha, ainda assim importa sublinhar que, apesar dos 25 anos de idade ainda se bebe com prazer. (13%)

18 A

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2002

Coloração acobreada revelando os 22 anos de idade. Notas evidentes a mel, chá, marmelo, funcho e leve fruta cítrica. Numa clara fase descendente, ainda assim fresco e admiravelmente bem preservado para a idade que apresenta. Para beber de joelhos em agradecimento pela forma positiva como evoluiu. (13%)

18,5 A

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2009

Este vinho apresenta uma cor dourada e aromas a favo de mel, chá, folhas secas e leve fruta cítrica envolta em leve manteiga e grande tensão. Esta referência iniciou a sua fase descendente. Ainda assim mostra um surpreendente equilíbrio entre untuosidade e frescura. (13%)

18,5 A

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2012

Fermentado e envelhecido durante seis meses em barricas de carvalho francês usadas.  Aromas a infusão cítrica e sugestão a pedra molhada. De perfil muito fresco e mineral, muito embora mostre alguma evolução em garrafa que o complexifica grandemente. Um hino à região e à casta. (13%)

18,5 B

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2015

De cor dourada. Apontamentos de lima, casca de laranja, pedra molhada e folhas secas. Mostra-se surpreendentemente jovem, muito tenso e fresco. Grande presença de boca, com muito equilíbrio e complexidade. Um grande vinho a mostrar todas as capacidades da casta na região. (12,5%)

18 B

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2016

Apresenta uma coloração amarela fruto da nobre evolução em garrafa. As notas aromáticas remetem para leve chá, folhas secas, fruta cítrica, pedra molhada e leve pimenta branca. No palato, a acidez bem vincada eleva a fruta cítrica, as finíssimas especiarias e alguma evolução. (13%)

17,5 B

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2018

Coloração amarela clara. Esta referência mostra um belíssimo equilíbrio entre os aromas a flores brancas, casca de laranja, toranja, pimenta branca e pedra molhada. Na boca denota boa ligação entre a delicada fruta cítrica e a leve barrica. Boa precisão e complexidade. (13%)

17,5 B

Muros de Melgaço Alvarinho branco 2020

Aromas florais bem marcados, casca de laranja, algum biscoito, leves especiarias e sílex. Na boca mostra fruta cítrica muito fresca e leves especiarias a amparar o conjunto bastante equilibrado, bem definido e tenso. (13%)

 

(Artigo publicado na edição de Abril de 2024)

 

MÁRCIO LOPES COMPRA QUINTA DO MALHÔ A GRUPO FRANCÊS

Márcio Lopes

Invertendo a tendência de aquisição de Quintas no Douro por investidores estrangeiros, o enólogo Márcio Lopes adquiriu a Quinta do Malhô, em Ervedosa do Douro, no Cima Corgo, à Cap Wine Portugal, empresa detida pelo grupo francês Cap Wine International, expandindo a sua posição no Douro e a sua capacidade de vinificação na região para […]

Invertendo a tendência de aquisição de Quintas no Douro por investidores estrangeiros, o enólogo Márcio Lopes adquiriu a Quinta do Malhô, em Ervedosa do Douro, no Cima Corgo, à Cap Wine Portugal, empresa detida pelo grupo francês Cap Wine International, expandindo a sua posição no Douro e a sua capacidade de vinificação na região para meio milhão de litros.

O produtor detinha já a Quinta do Pombal, em Vila Nova de Foz Côa, com cerca de cinco hectares, de onde provêm vinhos como o Proibido Vinha Velha do Pombal e, em Melgaço, na região dos Vinhos Verdes,  o projeto Pequenos Rebentos. Com esta aquisição prevê duplicar, nos próximos cinco anos, a sua capacidade de produção e aumentar em 30% os postos de trabalho.

Para Márcio Lopes, esta Quinta é uma jóia no berço do Douro. O vale onde está inserida é icónico e a sua localização, a par da altitude, são excecionais para a produção de vinhos de altíssimo nível. Esta aquisição é, para nós, um desafio e um grande compromisso com o Douro”. O investimento aumenta a capacidade de vinificação do projeto Proibido e abre portas a um projeto de enoturismo.

O negócio inclui um centro de vinificação, habitações envolventes, lagares e cerca de 20 hectares de vinha, olival e floresta. A maior parte da vinha é muito velha, com cerca de um século, e é constituída apenas por castas tintas. O olival, com cerca de cinco hectares, permitirá, ao produtor, alargar o seu portefólio a uma gama de azeite.  É ainda objetivo a entrada nos Vinhos de Porto de Quinta. São áreas de negócio que já estavam nos planos do produtor e que poderão agora ser desenvolvidas. O processo de aquisição inclui as marcas de vinho Quinta do Malhô, que passarão a integrar o projeto “Proibido”, e stocks de colheitas antigas.

Márcio Lopes, que exporta os seus vinhos para 22 países, foi galardoado, em 2019, pela Grandes Escolhas com o Prémio de Singularidade. Para além disso, o seu Proibido Grande Reserva 2017 foi distinguido, em 2020, como um dos vinhos do top 100 “Melhores descobertas do Mundo” pelo crítico Robert Parker.