Estive lá: Brasão das Antas, muito para além da francesinha

Brasão das Antas

E na verdade não deveria porque o conceito é inovador. Somam-se já cinco casas com o mesmo nome, espalhadas pela cidade, e a linhagem é respeitável, ou não fosse o grupo Prumo o proprietário, o mesmo do restaurante Paparico de boa memória, agora que este está momentaneamente encerrado e com promessas de ressurreição a prazo, […]

E na verdade não deveria porque o conceito é inovador. Somam-se já cinco casas com o mesmo nome, espalhadas pela cidade, e a linhagem é respeitável, ou não fosse o grupo Prumo o proprietário, o mesmo do restaurante Paparico de boa memória, agora que este está momentaneamente encerrado e com promessas de ressurreição a prazo, com nova localização a revelar.

Pois a minha primeira Brasão foi a última, aberta no final de 2022 na zona das Antas, mesmo em frente à Praça Velazquez. A localização é excelente e dificilmente passa despercebida pelo impacto da fachada exterior, que convida a espreitar, e interiormente cria um ambiente ao mesmo tempo descontraído, urbano e diferenciador, com os seus três pisos, o último dos quais uma esplanada que promete ser um “must”, quando o tempo o permitir. Mas foram as suas propostas gastronómicas que mais me entusiasmaram. Conversando com Rui Martins, director gastronómico do grupo, percebe-se que há uma linha e elementos comuns às outras cervejarias, mas que se procura destacar alguns pratos emblemáticos que ajudam a marcar a diferença. No caso da Brasão das Antas, a estrela de cartaz é aquilo a que chamaram “francesinha à antiga”, porque recupera a primeira versão daquele clássico, que teria sido feita com carne assada, enchidos, queijo e o inevitável e incontornável molho feito à base de tomate e cerveja. Note-se que esta versão convive pacificamente com a “normal”, para descanso dos puristas. A mim, confesso, encantaram-me mais as outras propostas, que saem da oferta habitual das cervejarias convencionais. Acho que é aqui que a Brasão mostra que está noutra dimensão. Falo de entradas como chips de arroz com picante, no couvert, bife tártaro e rissóis (negros) de carne, cogumelos e trufa, e na coroa de cebola; nas versões de bacalhau primorosamente apresentadas; nos pratos vegetarianos que piscam o olho a uma clientela exigente e nas sobremesas que são uma tentação para os gulosos, como a tarte merengada ou as natas do céu, entre outras. Como boa cervejaria que se preza, a Brasão das Antas aposta em cervejas diferenciadas, como uma gama alargada de IPA, e não esquece os vinhos, onde os espumantes da Bairrada assumem um protagonismo surpreendente.

Morada
Av. de Fernão de Magalhães 1530, 4350-157 Porto

Contactos

913 807 372 / reservas@brasao.pt

Horário

Seg. a Sex.: 12h – 15h e 19h – 00h; Sáb. e Dom.: 12h – 15h30 e 19h – 00h

O Belcanto de José Avillez subiu de posição na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, ocupando agora o 25º lugar, e é o único restaurante português na lista do The World’s 50 Best Restaurants. O anúncio foi feito ontem, em Valência, durante a cerimónia de atribuição dos prémios “The World’s 50 Best Restaurants” 2023.

«É um orgulho e uma alegria subir mais de vinte posições na lista dos melhores restaurantes do mundo e ocupar agora o 25º lugar. É um reconhecimento muito importante para nós, equipa do Belcanto, e também para Lisboa e para Portugal: Esta distinção contribui para a promoção da cozinha portuguesa no mundo e reforça o valor do nosso país enquanto destino gastronómico e turístico.”
– José Avillez

avillez belcanto

O Belcanto por José Avillez abriu em 2012 e, nesse mesmo ano, foi distinguido com uma estrela Michelin. Em 2014, recebeu a segunda estrela Michelin. Em 2019, e como parte da sua evolução, o Belcanto mudou-se para um novo espaço, mais amplo, contíguo ao inicial, mantendo a proximidade com o Largo de São Carlos em Lisboa.

Parabéns a toda a equipa!

ViniPortugal certifica Symington pelo Referencial Nacional de Sustentabilidade

ViniPortugal sustentabilidade

A ViniPortugal anunciou a Symington Family Estates como a primeira empresa a obter certificação pelo Referencial Nacional de Sustentabilidade do Sector Vitivinícola. A família Symington é uma das maiores proprietárias de vinha no Douro, e esta certificação permitirá que a empresa utilize o selo correspondente na sua comunicação e em todos os seus produtos, incluindo […]

A ViniPortugal anunciou a Symington Family Estates como a primeira empresa a obter certificação pelo Referencial Nacional de Sustentabilidade do Sector Vitivinícola. A família Symington é uma das maiores proprietárias de vinha no Douro, e esta certificação permitirá que a empresa utilize o selo correspondente na sua comunicação e em todos os seus produtos, incluindo os rótulos.

A certificação foi concedida após a avaliação da Symington Family Estates em relação à sustentabilidade das suas actividades, em todas as regiões vitivinícolas portuguesas onde opera, de acordo com o Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade, criado recentemente pela ViniPortugal. Segundo a mesma, este processo de certificação é transparente e independente, e envolve auditorias realizadas por organismos de certificação credenciados.

Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, destaca a importância da resposta proactiva do sector às crescentes exigências dos mercados internacionais em relação à sustentabilidade, e enfatiza que a criação deste referencial proporcionou um caminho acessível a todas as empresas do sector vitivinícola português, encorajando a responsabilidade e o foco neste tema. “Importa olhar para a sustentabilidade e, em particular, para esta Certificação, como uma forma de criar valor económico, social e ambiental. Estamos convictos de que a Symington Family Estates é a primeira de muitas empresas a receber este selo”, conclui Frederico Falcão.

Saiba mais sobre o Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade em winesofportugal.com.

Quinta Dona Sancha aposta em nova dupla de enólogos

Filipe Oliveira e Diogo Seabra e Santos juntam-se agora ao enólogo consultor Paulo Nunes, reforçando assim a equipa de enologia e viticultura da Quinta Dona Sancha, empresa de Silgueiros, no Dão. Diogo Seabra e Santos é formado em Engenharia Química e Engenharia Agronómica. Exerceu funções enquanto técnico de laboratório na Sogrape Vinhos, como enólogo júnior […]

Filipe Oliveira e Diogo Seabra e Santos juntam-se agora ao enólogo consultor Paulo Nunes, reforçando assim a equipa de enologia e viticultura da Quinta Dona Sancha, empresa de Silgueiros, no Dão.

Diogo Seabra e Santos é formado em Engenharia Química e Engenharia Agronómica. Exerceu funções enquanto técnico de laboratório na Sogrape Vinhos, como enólogo júnior na Lusovini e enólogo residente na Global Wines. Já Filipe Oliveira é mestre em Viticultura e Enologia, tendo sido técnico de viticultura e enologia na Quinta da Taboadella, adegueiro na Vidigal Wines e na Cortes de Cima, e enólogo residente na Quinta Madre de Água.

“Através da experiência curricular da equipa, que complementa as áreas de viticultura e enologia, alargamos o conhecimento dentro da estrutura e, simultaneamente, desenhamos o futuro de uma forma sólida, robusta e ambiciosa”, declara Rui Parente, proprietário da Quinta Dona Sancha.

Dow’s abre concurso de fotografia em parceria com a Leica

A Dow’s, casa de vinho do Porto da Symington Family Estates, lança a segunda edição da “Black & White Photography Competition”, um concurso de fotografia a preto e branco, em parceria com a Leica. O grande vencedor desta competição receberá um voucher Leica de 2 mil euros, bem como uma garrafa de Dow’s Porto Vintage de […]

A Dow’s, casa de vinho do Porto da Symington Family Estates, lança a segunda edição da “Black & White Photography Competition”, um concurso de fotografia a preto e branco, em parceria com a Leica. O grande vencedor desta competição receberá um voucher Leica de 2 mil euros, bem como uma garrafa de Dow’s Porto Vintage de 1983.

Com o tema “A Moment In Time”, o concurso da Dow’s pretende “desafiar os participantes a interpretar esta expressão, demonstrando-a através da fotografia. As imagens devem interpretar um momento que capte a essência de uma história, sendo acompanhadas de uma explicação do seu significado”, explica a Symington Family Estates.

Além dos prémios que serão atribuídos ao primeiro classificado, haverá ainda compensação para o segundo, terceiro e quarto lugar: uma garrafa de Dow’s Porto Vintage de 1994 e o livro “Ninety-Nine Years”, da Leica, para o segundo classificado, e dois livros da Leica — o “Ninety-Nine Years” e o “Anos Leica”, por Alfredo Cunha — para o terceiro e quarto.

Mas para participar na competição não basta tirar uma fotografia a preto e branco com o tema “referido. Os participantes devem seguir os perfis @dows_port e @leica_camera_portugal no Instagram. A imagem a concurso, por sua vez, pode ser submetida de duas formas: ou publicada no Instagram, com identificação da conta @dows_port e utilização da hashtag #dowsblackandwhite, ou enviada para o email dowsblackandwhite@symington.com. O concurso decorre entre 12 de Junho e 15 de Setembro de 2023, e o vencedor será anunciado a 29 de Setembro.

A marca Lagosta, da Enoport Wines, nasceu há 120 anos (1902) na região dos Vinhos Verdes, ainda antes da demarcação da mesma, que viria a acontecer em 1908.

De acordo com a Enoport Wines, são consumidos cerca de 1 milhão de litros por ano, deste que é um Vinho Verde branco de perfil jovem e versátil.

Para assinalar os 120 anos do Lagosta, a empresa lança para o mercado, este mês, 120 mil garrafas de uma edição especial comemorativa, “que se materializa numa homenagem a Portugal e às suas diferentes regiões” através de uma trilogia de rótulos inspirada em símbolos nacionais, para o Norte, o Centro e o Sul.

“A Norte, desde o Alto Minho até ao Porto, com referências ao coração de Viana, ao Galo de Barcelos e à Torre dos Clérigos. Ao Centro, desde Aveiro até Lisboa, com convite a surfar uma onda na Nazaré ou a um passeio junto à Torre de Belém. A Sul, desde o Alentejo até às ilhas da Madeira e dos Açores, onde não são esquecidos os fins de tarde Algarvios, uma visita às Casas de Santana ou ao Moinho do Frade”, explica a Enoport Wines.

Alentejo debate futuro do sector no 12º Simpósio de Vitivinicultura

Simpósio Vitivinicultura Alentejo

O 12º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, que acontecerá nos próximos dias 22 e 23 de Junho, terá foco na sustentabilidade e nas tendências de futuro do vinho e das vinhas. Esta iniciativa, que decorre desde 1988, de três em três anos, terá lugar no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), na Herdade […]

O 12º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, que acontecerá nos próximos dias 22 e 23 de Junho, terá foco na sustentabilidade e nas tendências de futuro do vinho e das vinhas. Esta iniciativa, que decorre desde 1988, de três em três anos, terá lugar no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), na Herdade da Barba Rala, em Évora.

Nos dois dias do evento, os participantes — que se podem inscrever AQUI — terão oportunidade de ouvir e partilhar conhecimentos com cerca de três dezenas de profissionais do sector do vinho, investigadores, enólogos e produtores provenientes de várias regiões vitivinícolas mundiais. Em debate, serão abordados temas como as castas do futuro da região alentejana, as alterações climáticas, o paradigma biológico das vinhas, a comunicação da sustentabilidade, o vinho na cadeia alimentar do futuro, a embalagem, a água ou os solos.

“Debater o futuro e a sustentabilidade tornou-se indissociável para o sector do vinho, pelo que este evento é de extrema importância para partilhar conhecimento, experiências e melhores práticas com especialistas nacionais e internacionais, olhando para o desenvolvimento e a inovação”, afirma Francisco Mateus, presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, entidade que organiza o 12º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, juntamente com a Associação Técnica de Viticultores do Alentejo (ATEVA), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), a Direção Regional de Agricultura do Alentejo (DRAPAL) e a Universidade de Évora.

O 12º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo tem um custo diário de €85 (por pessoa) e de €170 para os dois dias. Já o jantar oficial do evento, custa €35.

Simplesmente… 2023, por Luís Antunes

tempo dos vinhos

Undécima edição deste festival alternativo, que conseguiu, apesar do Covid, não parar de acontecer desde 2013. Ênfase nos vinhos sinceros, na arte e na música ao vivo, com 100 produtores de vinho, a que chamam “vignerons,” mesmo que alguns não tenham nem cultivem um único pé de vinha. Agrupam-se aqui os vinhos alternativos, naturais, amarelos, […]

Undécima edição deste festival alternativo, que conseguiu, apesar do Covid, não parar de acontecer desde 2013. Ênfase nos vinhos sinceros, na arte e na música ao vivo, com 100 produtores de vinho, a que chamam “vignerons,” mesmo que alguns não tenham nem cultivem um único pé de vinha. Agrupam-se aqui os vinhos alternativos, naturais, amarelos, de pouca intervenção, terroirs clássicos, vinhos que exploram novos caminhos, muitas vezes na sombra dos velhos.

No Simplesmente há sempre música ao vivo e dança para quem se atrever a rodopiar na sala. Em 2023 foi o Paulo (Mal) Amado com os Suma, os Themandus e o grande Kiko com os seus Blues Refugees, aos quais ainda se juntou o enólogo e guitarrista amador Nuno Mira do Ó. Houve café de excelentes origens, torrado com atenção e tirado com perfeição. Houve conversas de mulheres do vinho, e o romance tecno-enológico Viti, Vini, Vici, de Thomaz Vieira da Cruz. Houve restaurantes a fornecer comida para os visitantes e expositores, mas também houve pop-ups de apresentação do evento e seus vinhos que vão rodando por várias zonas do país. Devo dizer que este ano até eu (veja-se lá…) fui convidado a cozinhar, sob a mão chefe do chefe Vítor Claro (um dos vignerons, que deixou os fogões para fazer vinho, mas regressa ao fogo de vez em quando). Foi na manja#marvila (“somos guays”) e a pedido do piscívoro João Roseira adaptei a minha receita de porco com funcho e mel (ideia tirada de um romance do João Aguiar) a uma garoupa de proporções bíblicas, quase 7kg depois de limpa.

João Roseira é um dos criadores do Simplesmente… Vinho, juntamente com João Tavares de Pina e Mateus Nicolau de Almeida. João ficou, mais tarde, sozinho, mas juntaram-se-lhe os filhos Gustavo (of Nauvegar fame) e Sara, e uma equipa bastante estável de jovens e ex-jovens entusiastas, incluindo o Carlão (Karlown), o curador da arte plástica. Em 2023, o Simplesmente (eles põem sempre reticências) decorreu na Alfândega do Porto, que distancia da aconchegada cave ribeirinha da primeira edição.

simplesmente
simplesmente… Vinho 2023

Vamos aos vinhos que mais me marcaram. Nanclares y Prieto fazem vinhos nas Rías Baixas, mas não só de Albariño, que os Loureiros minerais e os tintos leves encantam e seduzem. Ricardo Diogo “Barbeito” Freitas dinamita os palatos com os seus Madeiras lúcidos e luminosos. Desta vez tinha também um Verdelho vinificado em seco, um 2020 das Vinhas do Lanço, que faz jus ao seu gosto impecável. Miguel Louro, para além dos seus vinhos “de linha” Quinta do Mouro e Casa dos Zagalos, tem os “Erros,” nos quais apresenta ao público os seus vinhos não canónicos. O Zaga Luz, vinho clarete que faz para uma comunidade surfista da Figueira da Foz é daqueles que servem para beber e beber mais, com prazer deleitoso. Sugeri-lhe que o engarrafasse em screw-cap, vamos ver se acontece. O Trincadeira ou a Vinha do Malhó estão à altura do que de melhor se faz no Alentejo.

Estes não são alternativos, têm alternativa, para usar linguagem tauromáquica. Nuno Mira do Ó não pode deixar o seu day-job para ir tocar guitarra, que os seus vinhos da Bairrada, do Dão, de Bucelas, de Portalegre deixam-me sempre extasiado. Os nomes também são bons, e estão à altura dos vinhos: Druida, Doravante, Outrora, Aliás, Teima, Caminhante. Pedigree. Fiquei fascinado com os vinhos de Henrique Cizeron, Cinética, Invés, Toroa. Várias origens, sempre frescura, leveza. Também adorei revisitar o velho dinossauro Rui Reguinga para perceber que está a fazer vinhos melhores do que nunca. Terrenus de Portalegre e Tributo da sua vinha do Tejo têm super-definição e amplitude. Álvaro de Castro não sabe fazer maus vinhos, e é bom relembrar o falecido cão Tobias, no rótulo do Quinta de Saes, como é bom explorar os topos de gama Pelada “mulher nua” 2018 e Quinta da Pellada “Casa” 2017. Ao Álvaro e quase só a ele perdoa-se esta fragmentação de experiências que torna a totalidade da sua gama difícil (impossível?) de processar. Cada vez melhores, mais profundos, mais pensados, mais longamente estagiados estão os vinhos do Alto da Serra de Luís Soares Duarte e Joana Roque do Vale. Quem os segue no Instagram gosta de ver as imagens dos seus animais da quinta a alegrar os rótulos do Pragmático e do Telúrico.

Também ali se fazem experiências de vinhos únicos, como um enigmático “” que parecia vindo de Jerez. A ver se vem ao público. João Afonso tem uma gama cada vez mais coerente, e consistente com os seus gostos (que conheço bem, de muitas mesas de prova) profundamente ligados à terra e à tradição antiga. Respiro Seda, Clarete e Lagar, Quartzo, Seiva, tudo vinhos de apelo e encanto, com luz e autenticidade. Muito particulares os Portos da Vieira de Sousa, mas os vinhos Douro “a” (Alice) branco e tinto ou o Tinta Francisca dão mais um passo a afirmar esta casa nova e antiga. Também já com mileage em cima, Luís Patrão tem os seus Bairradas Vadio autênticos e polidos, mas o que mais me impressionou foi o seu espumante Vadio Perpetuum, uma solera começada em 2007. Talvez o espumante da Bairrada que mais me fascinou pela entrada de boca, super-cremosa e bem definida. Para terminar, mais uma surpresa, e com esta me calo.

A Quinta de Tourais, de Fernando Coelho, sempre fez vinhos de extracção e concentração. Mas Fernando teve uma mudança de rumo em 2014, após uma visita à Ribeira Sacra. Decidiu “eu quero fazer vinhos assim”. Plantou castas que saberia que lhe roubariam benefício, como o Jaen ou a Baga, fez vinhos de Marufo das vinhas velhas, fez o Miura JABA, de Jaen, Alicante Bouschet e Arinto. Cunhou o slogan: Vinhos de Não Altitude. Situado em Cambres, no Baixo Corgo e a 80m de altitude, demonstra com os seus vinhos que não é preciso estar nos altos para fazer vinhos frescos, leves, bebíveis, luminosos. É este um novo Douro que ainda vem a tempo? Veremos, para o ano, no Simplesmente.