Produtores no Douro Superior: A eclética sub-região duriense

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  O Douro Superior é a sub-região duriense mais oriental, localizada entre o Cachão da Valeira e a fronteira com Espanha, e reúne a maior extensão de terra, cerca de 110 000 hectares, de acordo com os dados do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. É considerado o território vinhateiro mais quente, quando comparado […]

 

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O Douro Superior é a sub-região duriense mais oriental, localizada entre o Cachão da Valeira e a fronteira com Espanha, e reúne a maior extensão de terra, cerca de 110 000 hectares, de acordo com os dados do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. É considerado o território vinhateiro mais quente, quando comparado com o Cima Corgo e o Baixo Corgo. Do rio ao topo da montanha, o desnível é acentuado, chegando aos 700 metros de altitude. O clima denuncia verões muito quentes e secos, sendo a pluviosidade, que decresce à medida que se aproxima a zona raiana, um dos fatores que mais contribui para este cenário de extremos.

No entanto, os guardiões do Douro Superior mantêm a atividade de produção de uva nos mais de 10 000 hectares de vinha plantada nesta sub-região. E os produtores de vinho integram uma lista eclética, desde quem preserva um legado secular aos investidores mais recentes, passando pelas adegas cooperativas, onde os agricultores desempenham um papel fundamental. Eis precisamente três exemplos de visita efetuada por ocasião da edição de 2026 do Festival dos Vinhos do Douro Superior, iniciativa organizada pelo Município de Vila Nova de Foz Côa e produzida pela Revista Grandes Escolhas

“A Quinta da Silveira é uma das quintas mais antigas do Douro Superior”, declara Manuel Maria Martinho

 

Em busca de terras livres

“A Quinta da Silveira é uma das quintas mais antigas do Douro Superior.” A apresentação é iniciada por Manuel Maria Martinho, médico da especialidade de cirurgia plástica reconstrutiva e estética, em Lisboa, anfitrião, produtor de vinho e enólogo. Segue a explicação: “O Douro Superior nasceu da necessidade dos produtores do Baixo Corgo e Cima Corgo deslocarem as suas vinhas quando houve a filoxera, da procura por terras que estivessem livres e que estivessem mais longe do ataque da filoxera, ou seja, onde não houvesse vinhas.” No entanto, António Caetano d’Oliveira, o trisavô de Manuel Maria Martinho, não era proveniente de nenhuma das duas sub-regiões do Douro acima referidas. “Era de Moncorvo.” Portanto, nascera no Douro Superior.

Quando, em tempos idos, surgiu a oportunidade de plantar vinha nesta sub-região, António Caetano d’Oliveira decidiu adquirir terrenos no Vale da Vilariça, no concelho de Torre de Moncorvo, e criou a Quinta da Silveira, com o rio Sabor a um quilómetro de distância. A propriedade, com localização perpendicular ao rio Douro, que dista seis quilómetros dali, é do século XIX e está na família desde 1851. Em 1871, são erigidos os armazéns e a adega em granito. A primeira estrutura da casa também é iniciada nesse ano.

Aquando do falecimento da avó do nosso anfitrião, os descendentes herdaram a quinta e, posteriormente, os netos: Ana Maria Martinho, mais conhecida pelo público, sobretudo pelos leitores de palmo e meio, por Ana Maria Magalhães, Tozé Martinho, ator e argumentista da ficção televisiva nacional (atualmente representado pelos filhos) e Manuel Maria Martinho. Perante tamanho desafio, Manuel Maria Martinho decidiu complementar o conhecimento inerente à medicina com as formações na Escola Profissional Agrícola D. Dinis e na Faculté D’Oenologie, da Universidade de Bordéus, em França, e o mestrado em viticultura e enologia no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.

 

Solos, exposições e vindima

Atualmente, a área total de vinha é de 65 hectares, dos quais 25 hectares estão na Quinta do Tourão, a outra propriedade da família, localizada a seis quilómetros dali, também no Vale da Vilariça. Contando com a Quinta da Silveira, a produção incide nos Douro DOC e no Vinho do Porto. Numa era em que o mercado se afirma na competição, Manuel Maria Martinho faz questão de enaltecer os atributos da Quinta da Silveira. “É que nestes 65 hectares de vinha, temos montanha, temos a terra mais fértil do país, que é a parte baixa do Vale da Vilariça, considerada, juntamente com os Barros de Beja e a Veiga de Chaves, uma das três partes mais férteis do país. E isso, não tem uma grande vantagem aparente para as vinhas, porque as vinhas querem terreno com muita pedra”, descreve.

Junto à Ribeira da Vilariça, as vinhas estão a 100 metros de altitude; até ao muro da propriedade, estão até aos 150 metros de altitude; atrás do casario, estão em socalcos e vão até aos 300 metros de altitude. No caso da Quinta do Tourão, onde o xisto predomina nos solos, as vinhas, em patamares, vão dos 100 aos 200 metros de altitude. Por conseguinte, todas as videiras deste produtor estão contempladas com várias exposições, além de que as temperaturas variam desde a cota mais baixa à mais alta. Os vinhos brancos, por exemplo, são feitos a partir de uvas vindimadas nas vinhas situadas a 100 metros de altitude.

As vinhas mais velhas têm 45 anos, ou seja, não remontam ao tempo em que a Quinta da Silveira foi fundada, e as castas estão separadas, e não misturadas em campo, tal como se fazia outrora. O vinho é produzido apenas a partir das uvas das duas propriedades e a colheita ocorre quando a matéria-prima atinge o ponto de maturação “que nós queremos. Isso só acontece quando temos as castas separadas”. Viosinho, Gouveio, Arinto, Rabigato, Códega de Larinho e Malvasia Fina estão contempladas na lista das variedades brancas, enquanto, nas tintas, constam Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Sousão e Tinta Amarela. “São estas que usamos mais”, acrescenta Manuel Maria Martinho.

 

Lagares em granito

Os edifícios originais da propriedade permanecem de pé e “o vinho continua a ser feito onde sempre foi”, afirma o nosso anfitrião, embora a parte técnica tenha sido melhorada à medida que as exigências com a produção foram evoluindo. No interior da adega, estão sete lagares, cada um com 20 metros quadrados. “Todos em granito”, reforça Manuel Maria Martinho, onde as uvas são esmagadas a pé, no primeiro dia. “Depois trabalha-se com as remontas de bomba”. O mosto é retirado para a lagareta (pequena pia em granito instalada na parte exterior dos lagares) e, posteriormente, “remontado para cima ou por baixo, dependendo se queremos ou não baixar a manta”, elucida.

Da sala dos lagares, o acesso ao espaço onde estão instaladas as barricas do vinho Douro DOC e os tonéis do Vinho do Porto é feito por uma escada. Muito do Vinho do Porto aqui produzido era vendido diretamente às casas exportadoras. Nos anos 90 do século XX, o fortificado passou a ser engarrafado. Os Douro DOC um pouco mais tarde. Na enologia, Manuel Maria Martinho conta com o apoio do enólogo Rodrigo Martins (mentor do projeto Espera Wines e consultor em outras propriedades). “Ajuda a fazer os lotes comigo e provar – prova muito bem”, reforça. A dois passos dali, num vetusto armazém, estão guardadas pipas bem antigas, a respeito das quais Manuel Maria Martinho deixa a garantia que jamais as venderá!

 

Em 2019, João Carvalho comprou a Quinta do Pocinho, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, cujas vinhas ocupam uma área de 23 hectares

 

Antes do Douro

A 13 quilómetros da Quinta da Silveira, rumo a norte, está a Quinta do Pocinho, de João Carvalho, nome indissociável à Quinta dos Termos, na região da Beira Interior. “Foi lá que nasci, foi lá que fui criado e, quando fui para a universidade disse ‘adeus e não me apanhas cá mais’”, afirma o engenheiro têxtil e proprietário da referida propriedade vitivinícola com 60 hectares de vinha localizada em Belmonte, mais concretamente nos termos dos distritos de Castelo Branco e Guarda. Com uma área total de cerca de 200 hectares, e situada entre os 500 e os 550 metros de altitude, abrange dois concelhos e três freguesias, e está na família há mais de 300 anos – foi vendida no final do século XIX e recomprada, em 1945, pelo pai, Alexandre Carvalho. No mesmo território vitivinícola, detém, desde 2015, a Herdade do Lousial, em pleno Campo Albicastrense, também no distrito de Castelo Branco, localizada a aproximadamente 450 metros de altitude e com 53 hectares de vinha, aos quais, em 2027, serão somados 7,5 hectares.

Apesar da multidisciplinaridade da química, amplamente apreendida na época universitária, João Carvalho manifesta-se um defensor do “conceito da terra, conceito da natureza”. Ou seja, “nós somos totalmente avessos a químicos em qualquer uma das quintas”, à exceção dos herbicidas de contacto. Esta ação contribuiu para o facto de a Quinta dos Termos ter sido, no início da década de 2000, “a primeira adega, em Portugal, certificada em sustentabilidade” e a única com este selo durante uma década. Porém, “se recuarmos dez, 12 anos no tempo, não utilizávamos qualquer tipo de herbicida. Mantinha um batalhão de gente, desde princípios de abril a finais de junho. Hoje, já não é possível”.

 

Pelas castas tradicionais

Em 2019, investiu na sub-região do Douro Superior. Destino? A Quinta do Pocinho, na aldeia do Pocinho, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, propriedade certificada com o selo oficial de certificação de sustentabilidade. Quanto ao pocinho, apesar da sentença muitas vezes lida, permanece na propriedade.

A zona mais alta desta quinta regista entre 380 e 400 metros de altitude. As boas práticas estendem-se para esta aquisição recente, cujas vinhas ocupam uma área de 23 hectares – serão plantados mais 3,5 hectares –, mas a rega é nula. “Em desespero, regamos por aspersão, mas temos de retirar as ervas”, para evitar a competição com as videiras. “Limpamos a erva do meio do talude para baixo, do meio do talude para cima e deixamos uma faixa com revestimento, para proteger o ecossistema, e temos várias manchas de mato, que deixámos ficar, para a natureza falar por si”, esclarece João Carvalho. E “quando é necessário, faço monda de cachos”, acrescenta. Sobre as castas, o proprietário mencionou a Rabigato e a Viosoinho, nas brancas; Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Roriz, nas tintas.

No seguimento da recuperação das castas antigas – com a Fonte Cal a ter o primeiro campo de seleção clonal próprio na Quinta dos Termos e um outro mais desenvolvido, na Herdade do Lousial – aqui, esta ação estará centrada na variedade tinta Cornifesto, missão essa a pôr em prática em 2027 ou 2028. À semelhança das duas quintas acima referidas, João Carvalho garante o desvelo com a fauna e a flora local, e mantém o olival, que contabiliza mais de 200 anos, ocupando seis hectares de terra – em Castelo Branco, são 18 hectares. “Está em bom estado”, assegura.

 

Aproveitamento térmico

A nova adega, construída de raiz, está pronta para a vindima deste ano, a qual é feita à mão, tal como acontece nas duas outras propriedades que João Carvalho possui na Beira Interior. Com a forte aposta no enoturismo, o edifício tem loja e sala de provas, com uma varanda imensa virada para o ondulante rio Douro, onde os serpenteantes socalcos cravejados de videiras complementam a paisagem.

Ainda neste andar, há uma janela envidraçada para a sala ocupada pelas cubas, onde, ao fundo, está à vista o núcleo afeto à receção das uvas. Já a cave de barricas, também instalada no piso inferior, está “enterrada” a cinco metros de profundidade. Na sala contígua a esta há uma mina, “que bifurca e tem cerca de 200 metros de profundidade”. Segundo o nosso anfitrião, a água mantém-se entre os 14,5 e os 15,5º C, preservando o ambiente, de todo este espaço, naturalmente fresco.

Sobre os vinhos do Douro, a primeira colheita é de 2019. Os Reserva branco são submetidos a estágio em barrica com grão extrafino, sem tosta. Já os tintos envelhecem em barricas de tosta média. “De uma forma geral, produzimos vinhos com leveduras indígenas”, remata.

Cooperativa em mudança

A cerca de 17, 5 quilómetros de distância está a Cooperativa de Freixo de Numão, originalmente de viticultores e olivicultores, localizada em Vila Nova de Foz Côa. Segundo o presidente, José Ferreira, até há três anos, “esta casa estava fechada ao exterior. Só vendia, praticamente, vinho a granel”. A partir de 2023, ano em que assumiu a referida função, até hoje, o portefólio aumentou para mais de uma dezena de referências vínicas engarrafadas, entre generoso branco e tinto, licor branco e tinto, amuado, vinho de mesa, Reserva, Grande Reserva e DOC Douro. Escorna Bois, nas versões de branco, rosé e tinto, e Castelo Velho, branco e tinto, constituem a dupla de vinhos mais badalados desta casa, e o Numantino, o licor de uva cuja produção incide na paragem antecipada da fermentação com a adição de aguardente vínica, permanece na lista da exclusividade.

Para firmar esta mudança, Alexandre Chéu, enólogo da Cooperativa de Freixo de Numão, em consonância com José Ferreira, implementou a regra de que quem entregasse uvas em mau estado seria penalizado em 50%. O regulamento foi cumprido. O resultado traduz-se em €450 por pipa, valor correspondente ao pagamento efetuado a alguns sócios, cujo total, respeitante ao setor do vinho, se traduz em aproximadamente cinco centenas.

Em 2027, haverá o lançamento de um Grande Reserva chamado ‘Colheita dos Sócios’ a distribuir, primeiramente, pelos sócios por ocasião do 70º aniversário da Cooperativa de Freixo de Numão. Na lista das boas novas consta a venda de Vinho do Porto, nas categorias Tawny e Ruby, aqui produzidas, assim como o ensaio realizado com a casta Alicante Bouschet, apresentado no Festival do Vinho do Douro Superior. Esta variedade tinta foi submetida a um estágio de oito meses ocorrido em barricas diferentes. “As madeiras foram escolhidas em prova cega”, conta Anastácia Morais, enóloga da Cooperativa de Freixo de Numão e braço direito de Alexandre Chéu, das quais foram selecionadas cinco. Destas, três dividem-se em carvalho francês, americano e nacional, às quais se somaram as de acácia e de cerejeira. O objetivo deste desafio consistiu, desde o início, em mostrar as características que diferem relativamente a cada tipo de madeira que aporta no vinho, bem como dar a conhecer uma Alicante Bouschet sem madeira. O resultado? Seis monovarietais

 

As uvas entregues da Cooperativa de Freixo Numão são provenientes de 1000 hectares de vinha espalhada pela sub-região do Douro Superior

 

1000 hectares de vinha

Do passado, permanecem de pé as cubas em betão, outrora usadas na fermentação. Hoje, há duas salas reservadas a esta fase do processo. No entanto, a fermentação não pode exceder muito para lá de uma dezena de dias, uma vez que, durante a vindima, a receção de uva é uma ação constante. “Todas as uvas são selecionadas à entrada”, assegura Alexandre Chéu e todas são provenientes de 1000 hectares de vinha espalhada pela sub-região do Douro Superior. As principais castas são a Touriga Nacional, a Touriga Francesa e a Sousão, para além da Tinta Roriz e da Tinta Barroca, nas tintas, que, no total, ocupam 60% da área de vinha; a Rabigato, a Viosinho, a Arinto e a Malvasia Fina, nas brancas.

De acordo com o nosso cicerone, o ano de 2025 registou uma produção de cinco milhões de litros de vinho, a qual foi totalmente vendida; em 2026, foram produzidos três milhões e meio. Em maio, tinham apenas 60 000 litros de vinho. Alexandre Chéu destacou ainda a reformulação das marcas e o melhoramento da imagem como fórmula de firmar o novo caminho traçado por quem lidera e faz parte da equipa da Cooperativa de Freixo de Numão. “Estamos a crescer e é isso que queremos.”

 

200 mil litros de azeite

Alexandre Chéu afirma que, no âmbito do azeite DOP Trás-os-Montes, a Cooperativa de Freixo de Numão é “o maior lagar do Douro Superior”. Cobrançosa, Verdeal, Picoal, Galega e a Negrita, esta última “com uma percentagem muito reduzida”, são as variedades de azeitona colhidas em olivais centenários e entregues nesta casa por cerca de centena e meia de associados. A campanha inicia em novembro. A produção deste líquido dourado resulta em 200 mil litros por ano. Chama-se Casa Grande. “É todo extra virgem e fazemos algum biológico.”

Para obter a qualidade superior da matéria-prima, o enólogo sublinha que o lagar funciona 24 horas por dia e todos os dias da semana, asseverando o alto padrão de higiene do lagar. “Toda a azeitona é controlada, é feita a desinfeção, tudo é lavado quando mudamos de um biológico para outro azeite e ali só entram os funcionários”, acrescenta. Terminada a extração, a 22º C, o azeite é transferido para a cuba, onde, à temperatura de 15º C, é feita a decantação por três, quatro meses. Findo este período, “é engarrafado e não leva qualquer tipo de aditivo”. Ou seja, “o azeite que sai da azeitona é o que vai para a garrafa”, afirma.

Este ano, o investimento está a ser feito igualmente neste produto, “com um preço apelativo”. A finalidade é fazer frente ao valor médio estipulado por litro. Em maio, “as nossas vendas de azeite já chegaram aos €15 000, o que é muito bom”, declara o enólogo. A respeito do consumidor, Alexandre Chéu enaltece o mercado além-fronteiras, com a Noruega e a Dinamarca no topo da lista, quão grandes apreciadores do azeite Casa Grande.

(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)

13º Festival do Vinho do Douro Superior de 22 a 24 de Maio

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Entre 22 e 24 de Maio, Vila Nova de Foz Côa celebra o Douro Superior de copo na mão ou não fosse o grande destaque do 13º Festival do Vinho do Douro Superior, a ter lugar no pavilhão Expocôa, o 13º Concurso de Vinhos do Douro Superior. Este momento, realizado sob a direcção técnica de […]

Entre 22 e 24 de Maio, Vila Nova de Foz Côa celebra o Douro Superior de copo na mão ou não fosse o grande destaque do 13º Festival do Vinho do Douro Superior, a ter lugar no pavilhão Expocôa, o 13º Concurso de Vinhos do Douro Superior.

Este momento, realizado sob a direcção técnica de Luís Lopes, crítico de vinhos e coordenador de provas da Revista Grandes Escolhas, junta especialistas nacionais e internacionais, compradores, escanções, críticos, jornalistas e representantes de garrafeiras e wine bares. Alinhadas com esta matriz estão as três provas comentadas por dois críticos de vinhos da referida publicação. A primeira acontece logo na sexta-feira, após a inauguração da 13ª edição do Festival do Vinho do Douro Superior, por Pedro Duarte, Presidente do Município. Tem como tema “Grandes Tintos do Douro Superior” e está nas mãos de Paulo Pimenta, o mesmo interlocutor da prova de Domingo, intitulada “Vinho do Porto”. Entretanto, no Sábado, é a vez dos “Grandes Brancos do Douro Superior” serem esmiuçados por Rui Caroço dos Santos.

A grande novidade deste ano é o 1º Concurso de Azeites. Está agendado para a manhã de Sábado e a direcção técnica é assumida por Francisco Pavão, Presidente da APPITAD – Associação de Agricultores de Portugal. Mas este assunto não fica por aqui, até porque, à tarde, conduz a prova comentada “Azeites do Douro Superior e Trás-os-Montes. Já o anúncio dos resultados dos dois desafios está marcado para a tarde de Domingo.

Para além dos vinhos e do azeite, os três dias contam com a presença de produtos regionais. No contexto musical, na sexta-feira e no Sábado o cartaz é preenchido, respectivamente, pelo músico e compositor brasileiro Maninho e pelo músico portuense Pedro Abrunhosa. As atuações sonoras em palco são complementadas pelo DJ Milheiro e pelo DJ Edgar Marquez.

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VINEADOURO: Vinhas antigas, a herança da terra

VINEADOURO

O local escolhido para o lançamento não é comum entre os produtores de vinho, mas fazia todo o sentido no contexto da Vineadouro. A apresentação teve lugar numa sala do Laboratory for Sustainable Land Use and Ecosystem Services (TERRA), do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Trata-se de um laboratório associado dedicado à produção de conhecimento científico e evidência socioecológica aplicada à gestão […]

O local escolhido para o lançamento não é comum entre os produtores de vinho, mas fazia todo o sentido no contexto da Vineadouro. A apresentação teve lugar numa sala do Laboratory for Sustainable Land Use and Ecosystem Services (TERRA), do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Trata-se de um laboratório associado dedicado à produção de conhecimento científico e evidência socioecológica aplicada à gestão sustentável do território.

A Quinta da Vineadouro localiza-se em Numão, uma pequena povoação com cerca de 200 habitantes, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. A paisagem envolvente é marcada por vinhas e olivais, áreas de mato e pelo Castelo de Numão, implantado no topo de uma longa crista xistosa que, durante séculos, funcionou como ponto de controlo visual do território. Vista à distância, essa crista ondulante, rodeada por uma muralha, faz lembrar a silhueta de um dragão adormecido.

A presença da família Moutinho de Gouveia em Numão remonta ao século XVIII, estando documentada a produção de vinho na quinta desde o final do século XIX, com a conclusão da adega datada em 1890. O edifício funcionava como solar, com a família a residir no piso superior e a adega instalada no piso térreo, sendo as uvas da propriedade destinadas à produção de Vinho do Porto. Actualmente, é a sétima geração da família que explora os 140 hectares da propriedade e que, a partir de 2014, assumiu a recuperação do património edificado e das vinhas. A escala vitícola mantém-se reduzida: pouco mais de quatro hectares, distribuídos por quatro parcelas, onde a vinha mais jovem tem cerca de 50 anos e a mais velha é centenária.

Em 2019, nasceu a marca Vineadouro. O nome deriva da junção de duas palavras em latim: vinea, que significa “vinha”, e douro, que remete a algo precioso. Em 2020, foram lançados os primeiros vinhos: um tinto de 2017 e um branco de 2019. A enologia está a cargo de Manuel Malfeito Ferreira e Virgílio Loureiro, nomes com longa ligação ao ensino e à investigação vitivinícola e microbiológica, o que explica a abordagem técnica rigorosa. A consciência de sustentabilidade leva a aplicarem práticas ambientais sempre que possível, incluindo a implementação da gestão cuidadosa de água, energia e resíduos, promovendo a biodiversidade. Em setembro de 2024, abriram um pequeno hotel vínico, as Casas da Vinha, o primeiro EchoTech Resort sustentável dedicado ao enoturismo.

A família é representada pelo casal Teresa e Carlos Correia de Lacerda e as três filhas-gémeas. Apesar de todos terem outras profissões, estão profundamente envolvidos no projecto. Por este motivo, o lançamento do Vineadouro Grande Reserva é um acontecimento de grande importância para a família, reforçando a herança em prol da continuidade.

O vinho nasceu na parcela chamada Vinha da Coitadinha, plantada em socalcos tradicionais, a cerca de 450 metros de altitude. Trata-se de uma vinha centenária, constituída por castas misturadas, com presença de Rufete, Touriga Franca, Casculho, Tinta Amarela, Bastardo e Tinta Roriz, num conjunto mais vasto de variedades, difícil de quantificar com precisão. A fermentação decorreu em lagares de granito com leveduras indígenas; seguiu-se maceração prolongada e estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês de tosta média. Foram produzidas cerca de 3.000 garrafas. Ao mesmo tempo foi apresentada a nova colheita do branco Vineadouro Vinhas Antigas, da mesma vinha, o qual inclui Síria, Folgazão, Gouveio, Trincadeira Branca, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Rabigato e Carrega Branco. Vinificado só em inox para realçar a delicadeza das vinhas velhas.

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

 

Arranca hoje o 11º Festival do Vinho do Douro Superior

O Festival do Vinho do Douro Superior regressa ao EXPOCÔA – Centro de Exposições de Vila Nova de Foz Côa, nos dias 24, 25 e 26 de Maio e conta, este ano, com cerca de 100 expositores. O programa da 11ª edição do evento inclui, para além do reconhecido Concurso de Vinhos do Douro Superior, […]

O Festival do Vinho do Douro Superior regressa ao EXPOCÔA – Centro de Exposições de Vila Nova de Foz Côa, nos dias 24, 25 e 26 de Maio e conta, este ano, com cerca de 100 expositores. O programa da 11ª edição do evento inclui, para além do reconhecido Concurso de Vinhos do Douro Superior, provas comentadas de vinhos e azeites, um colóquio e mostras de produtos regionais do Douro, Trás os Montes e Beira Interior.

A abertura do Festival do Vinho do Douro Superior está marcada para as 18h00 de dia 24 de Maio, sexta-feira, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Foz Côa, João Paulo Sousa. Neste primeiro dia, os visitantes poderão assistir à prova comentada dos “Grandes brancos do Douro Superior”, por Luís Lopes, crítico e editor da revista Grandes Escolhas, e ainda ao espetáculo da fadista Sara Correia (22h00).

No sábado, dia 25, o destaque vai para o Concurso de Vinhos do Douro Superior, que reúne, durante a manhã, alguns dos críticos e outros profissionais mundo vínico mais importantes do país e, este ano, pela primeira vez, importadores de Itália, Reino Unido, Dinamarca e Suécia. Todos os anos participam, nesta competição, vinhos de grande qualidade, de grandes, médios e, sobretudo, pequenos produtores, que, de outra forma, poderiam passar despercebidos.

Em simultâneo será discutido o impacto do enoturismo na região, com o colóquio “Enoturismo – uma aposta para o desenvolvimento sustentado do Douro Superior”, que inclui a participação de António Pé-Curto, doutorado pelo ISCTE, Rui Dias, Catedrático da Universidade de Évora e José Reverendo da Conceição, enólogo e diretor geral da Quinta Vale de Aldeia e Hotel Rural de Longroiva.

A feira abre portas para a população em geral pelas 15h00, estando reservadas, para este dia, duas provas comentadas, uma de “Azeites do Douro Superior e Trás-os-Montes”, por Francisco Pavão, Presidente da Associação dos Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro (APPITAD), e outra dedicada aos “Grandes tintos do Douro Superior”, pelo crítico Fernando Melo. António Zambujo fecha a noite, com um concerto às 22h00.

No último dia do evento será possível assistir ao anúncio dos resultados do 11º Concurso de Vinhos do Douro Superior e à última prova comentada, desta vez sobre “Vinho do Porto”, por Valéria Zeferino. A complementar o programa de atividades, os visitantes do festival poderão provar e comprar os diversos vinhos e produtos locais na zona dos expositores, onde também se encontram tasquinhas com diferentes opções gastronómicas.
O Festival do Vinho do Douro Superior é organizado pela Câmara Municipal de Foz Côa e pela revista Grandes Escolhas, com o objectivo apoiar os produtores e mostrar o trabalho desenvolvido na região.

Douro Superior: Uma viagem por três produtores

Douro Superior

O que leva alguém no seu perfeito juízo a investir as suas poupanças numa região de agricultura muito pobre e, pior ainda, de clima quase a roçar o “desértico”? Na verdade, a terra de onde somos originários é – e continua a ser – um factor importante. Mas tem de haver muito mais, porque senão […]

O que leva alguém no seu perfeito juízo a investir as suas poupanças numa região de agricultura muito pobre e, pior ainda, de clima quase a roçar o “desértico”? Na verdade, a terra de onde somos originários é – e continua a ser – um factor importante. Mas tem de haver muito mais, porque senão teríamos as vilas e aldeias da sub-região cheias de vitalidade. Na verdade, estão a diminuir de população todos os anos, como acontece, aliás, com praticamente todo o interior. Um factor igualmente importante é a qualidade das uvas que daqui saem. E, claro, do vinho que com elas é feito. Não se estranha assim que a actividade vitivinícola seja das mais importantes nos concelhos pertencentes à sub-região do Douro Superior e em especial em Vila Nova de Foz Côa.

Quinta da Vineadouro

A história desta casa de Numão tem mais de 250 anos. O seu actual proprietário, Carlos Lacerda, pertence à sétima geração e quase foi por causa dele que se teria interrompido o ciclo familiar. De facto, a vida de executivo de topo levou-o a abraçar cargos muito exigentes em Portugal e, mais recentemente, na Malásia. Ou seja, não tinha de todo tempo para explorar o património familiar, composto por floresta, olival e vinha, num total de 140 hectares. Triste, mas pragmático, decide vender.

Numa das últimas visitas — já com agência imobiliária e tudo — a mulher, Teresa, convence-o a não vender. “Eu aligeiro a minha carga horária [Teresa é professora universitária de Gestão] e consigo gerir a propriedade”. Carlos aceita e começa em 2015 o nascimento de um dos mais promissores projectos da região. Aconselham-se com quem sabe, lêem muito, e decidem duas coisas: instalar fibra óptica e começar a recuperar a vinha, parte dela com mais de 120 anos. Mas, ao invés de arrancarem, reenxertam com as mesmas castas que lá existiam antes, planta a planta.

Douro Superior

O património inclui as típicas “actuais” do Douro (brancas e tintas) mas também outras como Casculho, Bastardo, Rufete ou Marufo. Há ainda vinha nova, já com rega, apenas para ajudar as plantas jovens. Todas as plantas estão georreferenciadas, pelo que a vindima por castas é tarefa muito facilitada. Uma parte das uvas vai para a cooperativa local, mas o restante passou a ser vinificada em casa. Enquanto a adega da quinta não é recuperada, os vinhos são feitos numa adega vizinha, com o auxílio de dois nomes grandes do ensino da enologia: Manuel Malfeito Ferreira e Virgílio Loureiro. A filosofia de base é, diz-nos Teresa, minimalista, “para deixar falar o lugar”.

Todos os vinhos são da marca Vineadouro, neste momento com referências de brancos, tintos e um Clarete, este numa homenagem aos métodos antigos, onde todas as uvas eram vinificadas em conjunto. Dois dos vinhos são exclusivamente feitos das uvas das parcelas com mais de um século, e ambos têm a designação “Vinhas Velhas”. Na calha está um Marufo (de 2021) e um vinho do Porto, um Tawny 20 Anos. Todos os vinhos estão à venda no site da empresa (vineadouro.com) e Carlos garante que faz entregar em menos de 24 horas.
O casal Lacerda não vai ficar por aqui. A fibra óptica não está aqui por mero capricho de Carlos ou Teresa. Na quinta está a nascer um wine hotel, que Carlos afirma ser “o primeiro EcoTech Resort sustentável do Douro”. Será constituído por pequenas casas, num registo de decoração moderna e muito confortável. Uma das casas já está pronta e, pelo que vimos, o resultado é fenomenal.

Este será, sem dúvida, um dos projectos nacionais a seguir atentamente nos próximos anos. Os vinhos actuais mostram já uma seriedade impressionante, mas apostamos que muita e boas coisas estão ainda por acontecer aqui.

Quinta do Gravançal

Chegar às vinhas deste produtor não é tarefa rápida. Se vier de Foz Côa, tem que atravessar a parede da barragem do Pocinho, sobre o Douro, e virar imediatamente à direita. Depois é seguir uma estrada estreita e muito sinuosa, montanha acima. Nada de novo no Douro, e menos mal que o trânsito é residual. A meio de nada, esperam-nos dois irmãos, Armindo e João Rodrigues. São eles os proprietários das vinhas em encosta que vemos do outro lado do vale, por onde corre o ribeiro do Arroio, um pequeno afluente do Douro. Ao fundo, Vila Nova de Foz Côa.

As vinhas começaram a surgir pela mão do pai, Armindo Rodrigues, que as plantou desde o final da década de 80. Antes, aconselhou-se com amigos, procurando por castas e exposições, entre outras coisas. As primeiras vinhas — com castas misturadas — nasceram assim com exposição predominante a Norte, entre as cotas 150 e 300 metros. Aqui há uma mistura de patamares, nas zonas mais escarpadas, com vinha ao alto, instalada em zonas onde há argila, que segura melhor o solo e assim previne erosões. Com o falecimento do pai, os irmãos continuaram o sonho, mas optaram, em novas plantações, pela separação das castas em talhões.

Douro Superior

A restante vinha fica ali próximo e mais acima, em Peredo dos Castelhanos, uma aldeia trasmontana do concelho de Torre de Moncorvo. Aqui há uma mistura de encosta com zonas de planalto, a mais próxima da adega, nascida em 2018. Parte desta área estava, aliás, em preparação do terreno para nova plantação. No total, a exploração tem assim plantas de Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Nas castas brancas predomina Rabigato, Viosinho e Malvasia-Fina. Ao todo são perto de 12 hectares de vinha, cuidados especialmente por João, que habita em Torre de Moncorvo.

Armindo, residente no Porto, passa por aqui com menos frequência, mais ao fim-de-semana. Apesar de pequena, a adega está bem equipada, não lhe faltando o frio, especialmente usado nas uvas brancas. Só uma parte das uvas é aqui vinificada. No total, entre 15 a 20 mil garrafas por ano. “Mas podemos crescer até às 50 mil”, diz-nos Armindo. A casa estava, à data da visita, à procura de um enólogo residente, que irá receber ajuda do consultor Rui Cunha. No entanto, Armindo tem conhecimentos de enologia, graças a uma formação ministrada na Universidade Católica do Porto.

A marca principal da casa chama-se Mimus, que tem duplo significado: é o nome de um pássaro da região (Mimus Polyglottos) e, ao mesmo tempo, pretende retractar o cuidado colocado nas uvas, na altura da vindima. A marca de topo, contudo, é a Quinta do Gravançal, que alberga dois Grande Reserva de 2019 (branco e tinto). Além do retalho, os vinhos são vendidos no site da empresa, em quintadogravancal.com, e os preços oscilam entre os 8 e os 24 euros. O negócio está a crescer e já existe mesmo uma casa anexa, com três quartos e piscina, onde se faz enoturismo. Tudo muito bem arranjado, com muito mimo.

Mapa

Dentro dos 3 projectos aqui abordados, o dos vinhos Mapa será certamente o mais conhecido. Não que tenha muitos anos, nada disso. Mas sobretudo porque desde cedo atingiu boa notoriedade sobretudo pela qualidade e consistência dos seus vinhos.

No início da história está Pedro Garcias, irrequieto jornalista e cronista no jornal Público. Desde sempre se mostrou amante da boa mesa e do bom vinho, paixão que partilha com a mulher, Cristina, e com alguns amigos, enófilos militantes. Já datam de há muito os famosos jantares de prova de vinhos, em que cada participante levava as suas garrafas. Pedro chegou mesmo a ter um restaurante.

Douro Superior

Corria o ano de 1999 e o casal descobria uma quinta à venda junto a Vila Nova de Foz Côa, com cerca de 7 hectares de terra. O preço não era exorbitante e decidiram comprar. Juntaram todos os tostões que possuíam, recorreram a crédito e lançaram-se na aventura. No entanto, os primeiros vinhos só nasceram dez anos depois, em 2009. Os vinhos ganharam o nome Mapa e rapidamente começaram a ter notoriedade. Pedro vai rapidamente ganhando conhecimentos e experiência, especialmente na viticultura. Uma das suas vinhas, uma parcela com cerca de 1 hectare, ao pé de Foz Côa, tem largas décadas de idade. Na parte de cima, uma nova plantação: “Estou a plantar Rabigato no cimo desta vinha… Tinha esta casta noutra vinha, mais alta e virada a Norte, mas o Rabigato, que gosta de calor, tinha dificuldade em amadurecer”.

Já com três filhas, o casal vende a quinta original para adquirir uma nova e maior, em Muxagata. A área de vinha aumentou (e muito), mas a aventura está longe de acabar aqui. Mais recentemente vendeu parte das suas vinhas no Douro Superior e usou o dinheiro para adquirir a Quinta de São Bento, na região de Alijó, de onde Pedro é natural. Com um sorriso nos lábios conta-nos: “Estou a preparar-me para as alterações climáticas”. É aqui que está a sua adega e onde trabalha o seu enólogo, Sérgio Mendes. Pedro não lança novas colheitas para o mercado sem estas passarem, pelo menos, 2 a 3 anos em casa. “Dois Invernos ajudam a estabilizar os vinhos”, garante ele.

A produção de vinho sobe, entretanto, bem acima das 50 mil garrafas, entre branco, tinto, rosé e vinho do Porto. Além dos vinhos, Cristina e Pedro produzem azeite de olivais próprios em modo biológico, em Muxagata. Os vinhos sempre se mostraram sérios, mas os cumes têm sido ocupados pelas edições especiais, com designações como Vinha dos Pais, Vinha Clara ou Vinha dos Altos. Com o alargamento da produção e do portefólio, Cristina e Pedro decidem fazer contracto com um distribuidor. A escolha recaiu na conhecida empresa Garcias, uma feliz coincidência de nomes.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2023)

 

10º Festival do Vinho do Douro Superior

Com início já este fim-de-semana, de 26 a 28 de Maio, decorre mais uma edição do certame que pretende projetar e promover a identidade da sub-região do Douro Superior como produtora de vinhos de qualidade e com identidade e carácter próprios. Organizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa com a produção da […]

Com início já este fim-de-semana, de 26 a 28 de Maio, decorre mais uma edição do certame que pretende projetar e promover a identidade da sub-região do Douro Superior como produtora de vinhos de qualidade e com identidade e carácter próprios.

Organizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa com a produção da Grandes Escolhas, o Festival do Vinho do Douro Superior tem contribuído para a afirmação da identidade do Douro Superior e todos os anos tem registado um aumento significativo de expositores, fruto do crescimento e do interesse de produtores de outras regiões que têm vindo a instalar-se na região.

A abertura oficial do festival está agendada para o dia 26 de Maio, pelas 18:00 horas, com a presença da senhora Ministra da Coesão Territorial Ana Abrunhosa que será recebida pelo Presidente do Município de Foz Côa, João Paulo Sousa.

No âmbito do festival, que pretende ser uma mostra de vinhos e produtos regionais exclusivamente do Douro Superior, o programa conta com um conjunto de iniciativas que enriquecem o evento e que atraem muitos visitantes a Vila Nova de Foz Coa durante o fim de semana do evento.

 

Programa do Festival do Vinho do Douro Superior                                                                                                festival douro superior

Dia 26 Maio, Sexta-feira

17h00: Abertura da Feira

18h00: Abertura Oficial do Festival com a presença do Sr. Presidente do Município de Foz Côa, João Paulo Sousa

19h00/20h30: Prova Comentada: “Grandes brancos do Douro Superior”, por Valeria Zeferino

22h00: Encerramento da Feira

22h00: Concerto – Marisa Liz

 

Dia 27 Maio, Sábado

09h00 / 13h00: Concurso de Vinhos do Douro Superior – Prova

10h00 / 13h00: Colóquio subordinado ao tema: “O vinho e o azeite como fator de revitalização das zonas rurais do Douro Superior”, em colaboração com a APPITAD – Associação de Produtores em Proteção Integrada
o Desafios dos setores do azeite e do vinho em Trás-os-Montes e Alto Douro, Francisco Pavão – APPITAD
o Dificuldades e oportunidades nestes territórios, Aida Carvalho – Fundação Côa Parque
o A importância da gastronomia e do vinho na promoção do turismo rural, Ema Martins – Ramos Pinto

Moderação: João Geirinhas – Grandes Escolhas

 

15h00: Abertura da Feira

16h30/18h00: Prova Comentada de Azeites do Douro Superior e Trás-os-Montes, por Francisco Pavão, Presidente da APPITAD

19h00 / 20h30: Prova Comentada: “Grandes tintos do Douro Superior”, por Luís Antunes

22h00: Encerramento da Feira

22h00: Concerto – Rui Veloso

 

Dia 28 de Maio, Domingo

15h00: Abertura da Feira

16h30: Anúncio dos resultados do 10º Concurso de Vinhos do Douro Superior

18h00/19h30: Prova Comentada: “Vinho do Porto”, por Luís Antunes

20h00: Encerramento da Feira

Increva-se nas provas comentadas através do e-mail: inscricoes@grandesescolhas.com

 

Lista dos expositores presentes no Festival:

ADEGA COOPERATRIVA DO VALE DO TEJA
AGUIAR WINES
AMÁVEL COSTA – PORTO
ARTUR RODRIGUES
ÁVIDOS DOURO
CARA – CASA AGRÍCOLA REBELO AFONSO
CARM
CASA AGRÍCOLA PINTO BARBOSA
CASA AGRÍCOLA QUINTA DOS LAGARES
CASA D’ARROCHELLA
CASA FERREIRINHA & PORTO FERREIRA
CAVES DA QUINTA DO POCINHO
COLINAS DO DOURO
CONCEITO VINHO
COOPERATIVA VIT. OLIV. FREIXO NUMÃO
CORTES DO TUA WINES
DUORUM
DUPLO PR
FONTE CERDEIRA
GERAÇÕES DE XISTO
GRAMBEIRA
H. ABRANTES – FAMILY ESTATES                                QUINTA DANIEL
JOÃO NICOLAU DE ALMEIDA & FILHOS
JORGE ROSA VINHOS
JOSÉ CARLOS CÔRTE REAL / VINHOS VILLARÔCO
LUCINDA TODO BOM
MAPA
MÁRCIO LOPES WINEMAKER
MÁRIO J.P. SALGADO E MARIA DE LURDES P.M. SALGADO
MATEUS & SEQUEIRA VINHOS
MATEUS NICOLAU DE ALMEIDA
MIRANDAVINUM
MJP – QUINTA VILA MAIOR / CASA DA PALMEIRA
MONTES ERMOS
MUXAGAT VINHOS
PALATO DO CÔA
PARDALA + ESTRELA DO PEREDO
QUINTA DA BULFATA & ENSEMBLE
QUINTA DA COITADA
QUINTA DA CUCA
QUINTA DA SEQUEIRA
QUINTA DA SILVEIRA
QUINTA DA TERRINCHA
QUINTA DA VINEADOURO
QUINTA DAS MÓS
QUINTA DO COUQUINHO
QUINTA DO CRASTO
QUINTA DO GRAVANÇAL
QUINTA DO POCINHO
QUINTA DO REGUENGO
QUINTA DO VALE MEÃO
QUINTA DO VALLADO
QUINTA DOS CASTELARES / FRONTEIRA
QUINTA VALE D. MARIA
QUINTA VALE D’ALDEIA
QUINTA VALE DE PIOS
RAMOS PINTO
RECANTOS DO VINHO
RESTRITO
ROQUETTE & CAZES
ROZÈS / GRIFO
RUI ROBOREDO MADEIRA
SEBARIGOS
SEGREDOS DO CÔA
SELORES
SOGEVINUS / BURMESTER
SOTERO FERREIRA – ARRIBAS DO CÔA
SYMINGTON FAMILY ESTATES
TAVFER VINHOS
TERRALOGA
VALE DA VEIGA – DOURO WINES
VALE MARIANES
VALLEY CO
VAN ZELLER FAMILY ESTATES & WINES
VINHOS DONA BERTA
VINHOS MÓOS
VINILOURENÇO
SABORES:
AMÊNDOA COBERTA DE MONCORVO
APIMONA
ÁRVORE DA VIDA
CASA PAINOVA
COPO VELOZ
ESSÊNCIA DOS SABORES
FLORMÊNDOA
NOVAIS SABORES DE EXCELÊNCIA
O LAMBÃO
QUEIJARIA DOMINGUES
QUINTA DO CÔNSUL
TRANSMONTANICES

Quinta Vale D. Maria: O Sabor do Douro Superior

sabor douro superior

A Quinta Vale D. Maria expandiu recentemente o seu portfólio para o Douro Superior, com vinhos oriundos da Quinta Vale do Sabor, junto a Torre de Moncorvo. Um branco e dois tintos, agora no mercado. Texto: Mariana Lopes Antes de adquirir a Quinta Vale D. Maria à família Van Zeller, em 2017, a Aveleda já […]

A Quinta Vale D. Maria expandiu recentemente o seu portfólio para o Douro Superior, com vinhos oriundos da Quinta Vale do Sabor, junto a Torre de Moncorvo. Um branco e dois tintos, agora no mercado.

Texto: Mariana Lopes

Antes de adquirir a Quinta Vale D. Maria à família Van Zeller, em 2017, a Aveleda já tinha, em 2016, comprado um conjunto de várias quintas contíguas no Douro Superior, que formam hoje a Quinta Vale do Sabor. Localizada junto à foz do rio que lhe dá nome — o rio Sabor, em Torre de Moncorvo — esta quinta é a segunda da marca Vale D. Maria. Juntas representam, para António Guedes, administrador da Aveleda e descendente da quinta geração da família fundadora da empresa, “a oportunidade de fazer vinhos premium no Douro, de diferentes perfis”.

A nível orográfico, a Quinta Vale do Sabor é, no mínimo, original, perfazendo, numa perspectiva longitudinal, a forma de um “W”, que seria ainda mais visível se se fizesse um corte na vertical e se pudesse contemplar todo o solo e subsolo. Estendendo-se por 43 hectares de vinha (cerca de 140 mil plantas), esta propriedade comporta uma grande diversidade de exposições e tipos de solo, indo dos 170 aos 300 metros de altitude. A maior parte das vinhas contempla idades a partir dos 10 anos, mas há também doze hectares com videiras que já levam 35 anos. Quem nos contou foi a dupla Manuel Soares, director de enologia do grupo Aveleda, e Pedro Barbosa, director de viticultura, que nos acompanhou numa caminhada de reconhecimento do terreno, juntamente com Cristiano Van Zeller, enólogo e administrador da Quinta Vale D. Maria, e António Guedes. “Numa parte do vale a reenxertia já está concluída, e na outra está em curso”, descortinou Pedro. O encepamento inclui castas como as tintas Touriga Francesa, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alicante Bouschet e Baga; ou as brancas Rabigato, Viosinho, Arinto, entre outras. Parte da Touriga Nacional veio das vinhas da Aveleda na Bairrada e em Nelas: “Achámos interessante complementar a Touriga Nacional que está agora no mercado vitícola com uns clones mais antigos…”, explicou António Guedes. E Pedro Barbosa referiu o porquê da ausência de Sousão: “Não gostamos dele aqui. Por sua vez, o Alicante Bouschet dá-se aqui melhor. Mesmo a Touriga Francesa porta-se melhor do que a Nacional nesta quinta, por causa da severidade do calor”. Adicionalmente, a Baga veio da Bairrada, “para complementar os lotes”. Quanto à água para as vinhas, utilizam a da chuva, que é recuperada para dois reservatórios durante o Inverno, e a rega é feita por gravidade. “O respeito pelo terroir e pela sustentabilidade dizem-nos muito. Todos os projetos que temos vindo a desenvolver são pensados numa ótica de longo prazo”, expõe António Guedes.

sabor douro superior

Já o edifício principal, é uma mistura entre pragmatismo e organização, nas zonas de trabalho enológico, e deslumbre e contemplação, na área dedicada às provas, refeições e lazer, com uma varanda invejável para o vale. A adega tem três lagares, já construídos depois de 2016, vinte e sete cubas de armazenagem e 18 de fermentação, de diferentes dimensões. No centro da zona das cubas está uma praça de barricas para fermentação. A cave de estágio, por sua vez, alberga dezenas de barricas de 250, 300 e 500 litros, e também três balseiros para Touriga Nacional e Francesa. “Estamos a apostar cada vez mais nos balseiros, que conferem muita elegância à Touriga Nacional”, adiantou Manuel Soares.

Os vinhos que agora surgem no mercado revelam todo este cuidado. O tinto Vale D. Maria Douro Superior 2018 tem no lote Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, e outras em quantidade residual. Tendo fermentado em inox, estagiou em barricas de carvalho francês de 2º e 3º ano, durante seis meses, e depois voltou a cubas de inox para estagiar mais 13 meses. O Vale D. Maria Vinhas do Sabor tinto 2018 já é composto por Touriga Francesa, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alicante Bouschet e Baga, que fermentam e são pisadas em lagar de granito. O vinho faz maloláctica e estagia depois vinte e um meses em barricas usadas, sendo depois feita uma selecção das melhores barricas. A colheita de 2017 deste vinho está ainda no mercado, a mostrar o potencial de evolução. Já o Vale D. Maria Vinhas do Sabor branco 2019 é um blend de Rabigato, Viosinho e Arinto, que fermenta e estagia nove meses em barrica.

(Artigo publicado na edição de Novembro 2020)

Quinta da Vineadouro cria Programa de Vindimas

Quinta Vineadouro programa vindimas

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Localizada em Numão, Vila Nova de Foz Côa, no Douro Superior, a Quinta da Vineadouro lançou um Programa de Vindimas, actividade que vem juntar-se à oferta de enoturismo do produtor. Assim, o público terá a oportunidade de, no sábado de 18 de Setembro, passar um dia na quinta, com visita, prova e almoço, numa das alturas mais interessantes e alegres do ano vitícola.

As inscrições no Programa de Vindimas da Quinta da Vineadouro (€40 por pessoa), devem ser submetidas até dia 11 de Setembro, através do e-mail geral@vineadouro.com ou do número 912 007 287. As vagas são limitadas, e o produtor lembra que será respeitada a ordem de chegada das inscrições. 

O programa, em detalhe:

11:00 – Chegada à Quinta da Vineadouro
11:15 – Brinde de boas-vindas
11:30 – Breve Apresentação da Quinta
12:00 – Visita às vinhas
13:30 – Almoço com prova de vinhos

Além desta actividade pontual, a Quinta da Vineadouro tem ainda disponíveis diversas experiências — apenas ao fim-de-semana — como provas de vinhos e almoços vínicos na quinta; visita guiada ao Castelo de Numão, seguida de piquenique com prova de vinhos; ou passeio no Douro em barco Rabelo, com os vinhos e petiscos da região. É também possível solicitar ao produtor a realização de experiências totalmente personalizadas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/3″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

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