Six Senses Douro Valley distinguido pelo Gallivanter’s Guide

O Gallivanter’s Guide, prestigiado guia mensal britânico, para aficionados da hotelaria de alto nível, incluiu, nos seus prémios de excelência de 2019, o Six Senses Douro Valley como melhor hotel resort europeu. Este hotel, localizado em Samodães, Lamego, no vale do rio Douro, está inserido numa renovada quinta do século XIX com oito hectares. Tem […]

O Gallivanter’s Guide, prestigiado guia mensal britânico, para aficionados da hotelaria de alto nível, incluiu, nos seus prémios de excelência de 2019, o Six Senses Douro Valley como melhor hotel resort europeu.
Este hotel, localizado em Samodães, Lamego, no vale do rio Douro, está inserido numa renovada quinta do século XIX com oito hectares. Tem 57 quartos, suites e villas e três restaurantes onde predomina o produto local. Mas o ex-libris do Six Senses Douro Valley é o seu Spa, que tem 10 salas de tratamento, piscina interior e exterior, e ginásio. Em Junho de 2019, o Six Senses contará com mais 10 salas e suites.

Dirk Niepoort: “Gosto de vinhos que mostrem de onde vieram”

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Dirk Niepoort é uma das mais mediáticas personalidades do vinho português e a sua figura, com os desgrenhados caracóis, o colete sem mangas, os “crocs”, é conhecida de quase todos os enófilos. No entanto, Dirk é muito […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Dirk Niepoort é uma das mais mediáticas personalidades do vinho português e a sua figura, com os desgrenhados caracóis, o colete sem mangas, os “crocs”, é conhecida de quase todos os enófilos. No entanto, Dirk é muito mais do que a sua imagem de marca. É alguém que revolucionou uma empresa familiar, antecipou modas e tendências, acolheu e impulsionou dezenas de pequenos produtores, ajudou a transformar uma região. Mas o que pensa realmente Dirk Niepoort, sobre a vinha, o vinho, o Douro, Portugal? Fomos perguntar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]TEXTO: Luís Lopes
FOTOS: Anabela Trindade[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]Aos 54 anos, Dirk Niepoort já fez muita coisa, mas continua um espírito inquieto. Numa entrevista em que passa em revista o passado, analisa o presente e perspectiva o futuro, deixemos que seja ele a definir o seu estilo, a confrontar as suas opções e a explicar as suas ambições: “A minha forma de aprender é fazer. Quanto mais vinhos fizer mais aprendo.”[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Foi recentemente notícia, junto dos profissionais e dos enófilos mais atentos, a tua aquisição de todas as participações familiares da Niepoort. O que significou para ti este passo?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]A Niepoort vivia uma situação complicada, mas semelhante à que ocorre em muitas empresas familiares: duas pessoas (no caso eu e a minha irmã Verena) com igual peso e responsabilidade ao nível da gestão, mas formas muito diferentes de ver o negócio e as estratégias e caminhos a seguir. Até podemos ambos ter razão, mas não eramos compatíveis e a situação não era saudável para a empresa. Um de nós teria de sair para deixar o outro seguir o seu caminho. Assim, negociámos, chegámos a um entendimento e acabei por seu eu a comprar a empresa. [/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29357″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Foram momentos difíceis…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]É verdade. Ao longo da minha vida, a minha prioridade sempre foi a Niepoort. Trabalhar na e para a Niepoort era tudo, esquecendo muitas vezes a minha família, apenas pela satisfação pessoal de estar aqui. A dada altura, porém, fiz um reset, e comecei a dar a prioridade à família, à minha mulher e aos meus filhos, e ao futuro deles e com eles. E percebi que a empresa não era tudo e que, se não me entendia (em termos de gestão empresarial) com a minha irmã, seria pouco provável que os meus filhos e os seus primos se entendessem. Não podia deixar aos meus filhos um foco de problemas. Podia ter sido a minha irmã a comprar e eu iria fazer outras coisas, mas a separação era inevitável. Afinal fui eu que comprei as participações dos meus pais e da minha irmã e agora estou livre para fazer o que quero, quando quero e como quero. E com o apoio da óptima equipa que temos na Niepoort, posso consolidar a empresa para a entregar saudável às próximas gerações.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”A empresa e o sector mudaram muito desde 1990. Na altura, a Niepoort era Vinho do Porto e alguma aguardente. Desde então, o Douro DOC entrou em quase todas as empresas de Porto, mas na Niepoort de forma particularmente radical. Hoje em dia o Porto representa apenas 30% do negócio da firma. O que te levou a trilhar esse caminho? ” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Eu gosto de sonhar e pensar não a dois meses ou dois anos, mas a vinte anos. Mas não sou um visionário, isto foi algo que aconteceu naturalmente. E há uma estória curiosa por trás disso. Em 1987, quando estava a completar a aprendizagem na Califórnia e a voltar para Portugal, uma pessoa amiga perguntou-me se eu ia fazer vinho no Douro. E eu disse que não, o meu objectivo era fazer Vinho do Porto. “Mas vais fazer vinho tinto?”, insistiu. Não sei se dá, posso experimentar, respondi. “E que estilo de vinho vais fazer?” Bom, o meu primeiro vinho vai ser um monstro. Mas, se calhar, daqui a vinte anos farei vinhos elegantes. “E porque não fazes desde logo vinhos elegantes?” Porque a minha escola é a californiana e eu gosto de vinhos pesados, poderosos, com extração e barrica evidente. Mas ouço dizer que há vinhos franceses muito bonitos e elegantes, tenho de conhecê-los, ver se gosto e, se for o caso, aprender a fazer vinhos assim. E foi isto que aconteceu. Quando cheguei a Portugal era uma folha em branco, não sabia de vinho de mesa nem de Vinho do Porto. Precisei de aprender.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Mas já tinhas bem enraizada uma cultura de Vinho do Porto…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]É verdade, mas nós eramos negociantes, não produtores. Eu não tinha acesso directo à vinha, somente à sala de provas, onde aprendi muito com o Zezé Nogueira, nosso grande provador. No entanto, sempre tive um grande fascínio pelo Douro região, pelo Douro vinha, e quando voltei, em 1987, o meu pai, Rolf, comprou a Quinta de Nápoles. Um ano depois, comprámos a Quinta do Carril. O foco continuava a ser o Vinho do Porto, claro. Curiosamente, não fiquei nada contente, no início, com a compra da Quinta de Nápoles, porque achava que não era o ideal para Porto. Contrariado, fiz lá duas vezes Vinho do Porto, com maus resultados, até nos convencermos todos que a quinta não dava para o pretendido. E, desta forma, fui quase “obrigado” a fazer vinho Douro das uvas de Nápoles. E ainda bem! Foi assim que tudo começou, como que por acaso. Não sei se isto é uma “aldrabice mental” que conto para mim próprio…[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Acho que é…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text](risos) A verdade é que a partir daí comecei a inventar com o que tinha à mão. Na altura, a Niepoort era uma pequena empresa que não tinha dívidas, mas também não tinha dinheiro, não havia grandes lucros. Eu entrei numa empresa que tinha um bom nome na praça junto dos especialistas, mas eramos uns ilustres desconhecidos para o consumidor. A pouco e pouco fui fazendo experiências com o vinho não fortificado e as coisas começaram naturalmente a crescer e a ganhar peso.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29373″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”O que é que na altura te atraía para o vinho do Douro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]No Vinho do Porto não é preciso fazer revoluções, é mais uma questão de evolução. No Porto, a gente “sabe” quais são as vinhas ideais, a gente “sabe” como se faz o vinho, existe um conhecimento transmitido de geração para geração, as mudanças que podemos fazer são detalhes, nada mais. O vinho de mesa do Douro implicava começar do zero, uma revolução total, e esse desafio fascinava-me. Por exemplo, procurava as vinhas altas, mas não sabia porquê. Apenas em 2004, quando fiz o meu primeiro vinho na Áustria, percebi que as vinhas altas faziam sentido. Depois fui descobrindo as vinhas viradas a norte e muitas outras coisas que eram determinantes naquilo que eu queria fazer.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”E, a pouco e pouco, foram nascendo muitas marcas…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]As pessoas dizem que eu faço vinhos a mais, e não tenho dúvida de que é verdade. Mas há que perceber que na Niepoort existem alguns vinhos (Redoma, Batuta, Charme, e o Porto, claro) que são a base de tudo, o coração da empresa. Os outros vejo-os como satélites, que são fundamentais para experimentar, para aprender, para melhorar, para acertar detalhes. O Diálogo, por exemplo, foi um vinho que começou como um “satélite” e depois se tornou algo de muito importante.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em resumo, e para responder à tua questão inicial, a Niepoort de hoje nada tem a ver com a Niepoort de há 30 anos, mas isso não se ficou a dever a uma estratégia pensada e executada. Foi a paixão pelo vinho e pelo Douro que fez com que eu seguisse esse rumo.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Douro e Porto são dois produtos com origem da mesma região, diferentes, mas complementares. Como achas que deveria ser o caminho de um e de outro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Um dos problemas do sector do Vinho do Porto são as casas quererem “democratizar” este vinho como forma de desenvolver o negócio. Democratizar é importante em tudo, mas aqui a democratização transforma-se em banalização. Eu gostava mais de ver o Porto como um produto “snob” e antiquado, elitista se quisermos, mas não banalizado, do que aquilo em que se está a tornar, quando se inventam formas para tentar levar as pessoas a beber um Porto barato em qualquer momento.
O futuro do Vinho do Porto é indissociável do futuro do Douro vinho e do Douro região. A meu ver, deveríamos reduzir a quantidade de Vinho do Porto, deixar a excessiva dependência que temos de Porto barato para supermercados, apostar mais nas categorias superiores (como é o caso dos Colheita), aumentar a qualidade geral e, consequentemente, o preço dos vinhos. O Porto deveria ser encarado como algo de especial, raro, desejável, que não é para todos nem para todos os dias.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”E que papel estaria reservado para os vinhos Douro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Um papel essencial. Porto e Douro são duas faces da mesma região. Se produzirmos menos Porto, mas melhor e mais caro, podemos focar-nos em criar marcas fortes de brancos e tintos durienses. O Douro região precisa de diversas marcas de 300 ou 400 mil garrafas, de vinhos com personalidade e carácter regional, que possam ser vendidos em qualquer parte do mundo. Até em supermercados, claro, mas sem ser baratinhos, até porque os custos de produção na região não o permitem! Vendendo melhor estes vinhos, pode-se pagar melhor ao lavrador e compensá-lo do que irá perder ao vender menos uvas para Porto.
Paralelamente, a região deveria apostar em “vinhos de garagem” para mostrar ao mundo que conseguimos fazer no Douro vinhos tão bons como em Bordéus, Borgonha ou qualquer outra região de topo.
Se fizermos tudo isto e, ao mesmo tempo, implementarmos e generalizarmos no Douro um turismo de qualidade, o futuro da região, das empresas e dos lavradores está garantido. Agora, se continuarmos a baixar preço no Vinho do Porto, o negócio deixará de ser sustentável e toda a região fica a perder. É por isso que acho um disparate dizer-se que o Porto está a subsidiar o vinho do Douro. Se o sector não arrepiar caminho na forma como encara o Vinho do Porto, vai ser o vinho do Douro a ter de subsidiar o Porto para assegurar a sua sobrevivência.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”O Douro Superior tem vindo a assumir uma importância crescente, tanto para os vinhos Douro como para os vinhos do Porto. Mas há 30 anos, falava-se com algum desdém do Baixo Corgo e do Douro Superior, apontando-se o centro do vale, o Cima Corgo, como a zona de eleição. Como encaras as três sub-regiões e o seu potencial para Porto e Douro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]O Cima Corgo, para mim, continua a ser a zona de eleição. Quanto ao Douro Superior… Sei que alguns produtores vão ficar chateados com o que eu vou dizer mas, a meu ver, se o objectivo for fazer vinhos excepcionais (fortificados ou não) o Douro Superior não faz sentido. Haverá uma ou outra excepção, uma ou outra vinha velha nas zonas altas da Mêda, ou o Vale da Teja, por exemplo. Mas, globalmente, o Douro Superior poderá ser bom para fazer grandes volumes, com vinhas modernas de produções acima da média, mas não grandes vinhos.
Já o Baixo Corgo tem um potencial enormíssimo para vinhos Douro, potencial que não está ser devidamente aproveitado pelos produtores. Devia haver muito mais grandes vinhos oriundos do Baixo Corgo, porque o terroir para isso está todo lá. No entanto, não acredito no Baixo Corgo para vinhos do Porto de excelência. Não quer dizer que não exista uma vinha ou outra capaz de originar um grande Porto, mas, regra geral, a sub-região não atinge a complexidade e o equilíbrio que encontramos no Cima Corgo.
No entanto, nós não temos um Douro, temos 40 Douros, com diferenças de altitude e exposição solar, enorme riqueza de castas, é a região mais complexa do mundo. As generalizações podem ser injustas. O Douro tem o melhor fortificado do mundo, já faz grandes tintos e hoje estou convencido que tem um potencial enorme para vinhos brancos. Não há muitas regiões no mundo com três tipos de vinho fantásticos.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Começaste no Vinho do Porto, depois vieram os vinhos do Douro, mais recentemente os investimentos na Bairrada e no Dão. O que procuras fora do universo duriense?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Eu gosto muito do nosso país. Portugal, por diversas razões, políticas e geográficas, ficou parado no tempo em determinada altura. O que é uma desvantagem em muitos aspectos mas pode significar também que preservámos coisas que outros mudaram ou perderam. É um país pequeno, mas com uma diversidade louca. Só no norte do país temos quatro ou cinco importantes regiões de vinho que são vizinhas mas nada têm a ver umas com as outras.
Sempre que fiz qualquer coisa fora do Douro aprendi a conhecer melhor o Douro. A Bairrada aconteceu porque tinha mesmo de acontecer. Sempre gostei muito da Bairrada. Enquanto distribuidor de vinhos vendi vinhos da Bairrada, enquanto produtor fiz diversas experiências na região a partir de vinhas e adegas de produtores amigos. Um dia, a Filipa Pato pediu-me conselho na produção de um vinho fortificado dela e quando a visitei e vi a vinha fiquei maravilhado e pedi-lhe que me deixasse fazer um vinho tinto. As coisas começaram assim e depois apareceu a oportunidade de comprar a Quinta de Baixo, onde eu posso realizar os meus sonhos de fazer vinhos diferentes num terroir diferente.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29375″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Quando te ouço caracterizar um vinho de que gostas quase sempre usas a palavra “finura”. O que é para ti um bom vinho?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Finura, é verdade. E o Nick Delaforce usa uma palavra também muito expressiva que é “drinkability”, vinhos que apetece beber. Outras palavras importantes para mim são “equilíbrio” ou “harmonia”. Eu gosto de vinhos que tenham um perfil que revele a sua origem. Não gosto de vinhos frutados mas gosto de frescura (são duas coisas diferentes), o que implica uma boa acidez natural. Para mim, é também muito importante que sejam vinhos que envelheçam bem, que mostrem a sua idade.
No fundo, gosto de vinhos que respeitem o terroir. Acho que o ser humano, o enólogo, é muito importante, mas acho que deve intervir menos, deve aceitar mais a Natureza e o que a uva lhe dá.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Os vinhos que concebes apontam para um perfil definido. Existe um estilo Dirk Niepoort, independentemente da região, da casta, do terroir?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Sinceramente, acho que sim. Muitas pessoas me têm confirmado isso, frequentemente, sem saberem que vinhos estão a provar. Mas percebem o fio condutor, percebem o perfil na ligação que existe entre vinhos diferentes de regiões ou países diferentes. [/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Como definirias esse estilo?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Uma vez alguém me disse que eu marcava muito os vinhos com meu estilo. Fiquei um bocado irritado, confesso, e respondi aquilo que acredito: que na Niepoort o que fazemos, acima de tudo, é respeitar o sítio. E dentro do sítio, temos a nossa interpretação. Não acho que o Douro tenha de ser muito encorpado e alcoólico, nem que o Bairrada tenha de ter muita cor, muito tanino e muita acidez. A minha interpretação do Douro ou da Bairrada não é essa. Por isso, e respondendo à questão, o estilo Niepoort tem três requisitos: vinhos que respeitam o sítio; vinhos com pouca maquilhagem, que apetece beber; e vinhos equilibrados e frescos, com boa acidez. [/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Sempre tiveste um apreço muito especial pelas vinhas velhas e pelos vinhos daí resultantes. Onde é que a vinha velha faz mais diferença?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Sempre gostei de vinhas velhas, quase de forma obsessiva, ao ponto de rejeitar as vinhas mais novas apenas por serem novas. É claro que uma vinha nova num sítio bom, é melhor que uma vinha velha num sítio mau. Mas as vinhas velhas, ou vinhas tradicionais com as castas misturadas, se quisermos, fazem, na verdade, uma diferença enorme. Até no perfil da maturação.
Olhemos para uma vinha moderna, ou seja, feita por engenheiros, segundo os livros, com canópia grande, produzindo muito e uvas com álcool elevado. Se a compararmos com uma vinha tradicional, vemos que a moderna produz primeiro o álcool e depois a maturação fenólica, enquanto nas vinhas velhas acontece o contrário. Ou seja, com vinhas velhas eu consigo vinhos equilibrados com muito menos álcool. Por isso, não tenho problemas em vindimar com 11 graus, porque as uvas estão maduras. Enquanto outros têm de esperar muito tempo pela maturação das uvas e quando vindimam já estão com 16 graus.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29376″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”O teu interesse pela biodinâmica está intimamente ligado à vinha tradicional?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Sem dúvida. Os lavadores durienses de mais idade, que nos vendem as suas uvas das vinhas tradicionais, já faziam biodinâmica sem o saberem, regulavam todos os seus trabalhos pela lua, só que não o diziam, tinham vergonha disso. Se lhes perguntarmos quando vão engarrafar o vinho que fazem para consumo em casa, eles indicam o dia concreto. E se não engarrafam antes não é por falta de tempo, é por não ser um dia adequado. O que fazem com o vinho, fazem com a vinha. Por isso, na verdade, mais importante do que a idade da vinha é a forma como ela foi plantada e como é tratada. Os antigos não tiravam tudo da terra; eles devolviam à terra. Hoje, tira-se tudo da terra e depois colocamos químicos para compensar.
Se conseguirmos juntar os modernos equipamentos vitícolas e o conhecimento científico de que dispomos, ao conhecimento empírico que as pessoas mais antigas conservam, faremos vinhas e vinhos muito melhores. Não podemos é continuar a plantar as novas vinhas seguindo regras cegas que não têm em conta as alterações climáticas, a qualidade e o respeito pelo terroir.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Achas que essa tendência se vem agravando? É que, cada vez são mais as empresas portuguesas, grandes e pequenas, que assumem estar a recuperar práticas vitícolas tradicionais e sustentáveis…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Infelizmente, é mais conversa do que outra coisa. Há mais preocupação em falar disso do que em fazer. Mas reconheço que começa a haver algumas pessoas que estão a fazer viticultura orgânica e biodinâmica por paixão, por preocupação ambiental e por acreditarem que a química não é tudo.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Falas de respeito pelo terroir. O que é para ti o terroir, para além da clássica definição francesa? Por exemplo, existe um terroir Douro, ou a palavra só pode ser aplicada a determinadas vinhas ou parcelas?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]A meu ver, o terroir começa por ser o sítio. E esse sítio pode ser uma região inteira, como Chablis, por exemplo, que apesar de ter vários terroirs tem um reconhecível traço comum. Mas é muito mais do que isso.
A vinha alimenta-se da água e dos minerais que estão na terra. Isso transfere-se para a uva. Dessa uva fazemos vinhos. Se não colocarmos mais nada no vinho, nem sequer leveduras, o que vai espelhar o terroir são os desvios causados pela falta ou excesso de elementos no mosto, desvios que vão criar erros de percurso (coisa que irrita os enólogos, que logo pensam em corrigir) na fermentação. Eu quero esses erros, quero que as coisas aconteçam. E são esses erros e desvios que vão evidenciar o carácter desse vinho particular nesse ano particular. Há coisas que são super específicas de uma vinha, mas também outras que são de uma região. O importante é os vinhos dizerem claramente de onde vêm. A enologia moderna acaba por apagar essa impressão digital ao querer corrigir tudo.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”És geralmente considerado um dos grandes embaixadores do Douro e dos vinhos de Portugal no mundo. Que hipóteses temos nos mercados de exportação?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Está a acontecer aquilo que eu pensava que ia acontecer, só que levou mais tempo do que previa. Acho que, finalmente, o mundo começa a fartar-se de Cabernet e Chardonnay. O consumidor está a tornar-se um bocadinho mais sofisticado e a aborrecer-se com a simplicidade. E aí é que entra Portugal. O país passou uma fase de modernização cega, copiando aquilo que os outros faziam, estragando a sua identidade. Mas, felizmente, isso está a passar. Portugal é pequeno e não vai ganhar pela quantidade, mas sim pela qualidade e, principalmente, pela individualidade. Não copiar os outros, fazer diferente e correr o mundo a convencer os importadores da mais-valia dessa diferença, dá muito trabalho, mas é o único caminho viável. O consumidor fartou-se da banalização e nós temos as vinhas velhas, temos as castas, temos muita individualidade. Só temos que fazer bem, aproveitar a onda, e vincar a nossa diferença.
É por isso que precisamos de mais vinhos com volume, bem feitos e com alguma personalidade. Também não é preciso exagerar, não é preciso fazer vinho com 1 grama de acidez volátil só porque é diferente. Não é isso que eu defendo. Defendo os vinhos bem feitos e que mostrem o sítio de onde vieram.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Aos 54 anos já fizeste muita coisa no mundo do vinho. Olhando para trás, o que é que farias diferente? ” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Haverá muitas coisas que poderia ter feito diferente, mas estou feliz com o que foi feito. Por vezes, pequenos erros colocam-nos num caminho muito melhor do que o inicial. Gosto da grande maioria das coisas que fiz e sou um optimista por natureza. Acho que, se soubermos o que queremos, faremos sempre mais e melhor.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”E o que é que te falta fazer?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Eu disse há algum tempo que daqui a duas décadas, 50% da facturação da Niepoort seria chá. Quase toda a gente achou que eu não estava bom da cabeça. Talvez tenha exagerado com os 50%, mas continuo a acreditar que, um dia, o chá vai ser muito importante para esta empresa. Penso que o sector do vinho, a nível mundial, vai passar por muitas dificuldades, vamos ter restrições políticas cada vez maiores, em alguns países o vinho vai começar a ser tratado como uma droga ou, no mínimo, como algo negativo para a saúde e para a sociedade. Talvez não aconteça na minha geração, mas acredito que a próxima geração de produtores de vinho terá dificuldades acrescidas. [/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Procuras, portanto, produtos alternativos…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Por um lado, sim, mas, mais uma vez, tal como quando apostei no vinho do Douro numa época em que a Niepoort era Porto, não estou agora a apostar no chá por ter uma orientação estratégica estudada e planeada. Tem a ver com paixão e paixão antiga, pois sempre me interessei por chá. Há 30 anos tinha o sonho de importar chá verde para a Europa. Nessa altura ninguém sabia o que era isso. Fui à China, procurei fazer negócio, mas fui cedo demais, era um país muito fechado, difícil, estive em locais onde ninguém tinha visto um europeu. Não consegui fazer negócio e desisti.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29374″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Felizmente, a minha mulher, Nina, também gosta muito de chá e, em conjunto, resolvemos reactivar esse sonho. Trouxemos algumas plantas, que colocámos no jardim em Fornelo, Vila do Conde, onde já temos 1 hectare plantado. Em biodinâmica, claro. Fizemos já algumas experiências e vamos aprendendo, tal como aconteceu com o vinho. Neste ano de 2018 vamos fazer a nossa primeira colheita, e esperamos obter perto de 50kg. Entretanto fizemos já um chá, a partir de folhas trazidas da China, chá esse que envelhecemos em quatro barricas de vinho do Porto. Estamos muito entusiasmados e acreditamos muito neste projecto.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”A família é muito importante para ti, a Niepoort é uma empresa familiar, os teus três filhos contactam com o mundo do vinho desde que nasceram. O que esperas deles?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Não espero nada, quero que eles façam o que lhes apetecer, não pretendo influenciar. Sempre lhes disse para não pensarem que ambiciono vê-los a trabalhar na Niepoort. Eles que decidam o que querem fazer na vida e quando estiverem seguros do que querem, eu cá estarei para tentar ajudá-los a atingir esse objectivo, seja ele qual for.
Ficarei obviamente muito contente se um ou mais de entre eles decidir seguir este caminho, mas acima de tudo quero que eles sejam felizes naquilo que escolherem.

 

Edição Nº17, Setembro 2018

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Honore: celebrar o Crasto com vinhos extraordinários

TEXTO Mariana Lopes FOTOS Quinta do Crasto Quatrocentos anos de Quinta do Crasto, cem na família de Leonor e Jorge Roquette. Um motivo mais do que suficiente para celebrar, e ainda mais para lançar grandes vinhos: um Douro, Honore tinto 2015, e um Porto, Honore Very Old Tawny. Em 1615, a propriedade passa a ser […]

TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Quinta do Crasto

Quatrocentos anos de Quinta do Crasto, cem na família de Leonor e Jorge Roquette. Um motivo mais do que suficiente para celebrar, e ainda mais para lançar grandes vinhos: um Douro, Honore tinto 2015, e um Porto, Honore Very Old Tawny.
Em 1615, a propriedade passa a ser conhecida pelo nome actual e, no início do século XX, Constantino de Almeida, avô de Leonor Roquette, adquire-a. “Honore et Labore” é a máxima do Crasto e o que se lê no seu logo. “Quando vi a Quinta do Crasto, em 1962, apaixonei-me, perguntei de quem era a propriedade e casei-me com a dona, no mesmo ano. Correu-me bem. Felizmente, mantenho ambas as paixões”, declarou Jorge Roquette.

O tinto Honore 2015 tem origem nas centenárias Vinha da Ponte e Vinha Maria Teresa, parcelas que são o “ex-libris” do Crasto, com 1.96 hectares e 4.7, respectivamente. “Estas vinhas são dois quebra-cabeças para a enologia e a viticultura”, contou o enólogo Manuel Lobo. De características ímpares e franca beleza natural, dão nome a dois vinhos igualmente únicos, mas agora unem-se para criar um vinho irresistível e sedutor. O lote divide-se em 71% de uvas da Maria Teresa e 29% da Ponte e, segundo Manuel Lobo, “É um vinho onde não existe intervenção enológica”. São 1615 garrafas Magnum, em jeito de homenagem aos 400 anos, vendidas juntamente com um livro escrito por Gaspar Martins Pereira sobre a Quinta do Crasto, e uma embalagem especial. O conjunto tem o valor de 1000 euros.

Já o Honore Very Old Tawny é uma autêntica jóia do espólio da Quinta. Os três cascos deste Vinho do Porto lendário estavam guardados desde a época de Constantino de Almeida, que já os trouxe para o Crasto, tendo envelhecido por mais de um século. Engarrafado em 400 decanters em 2015, um por cada ano de história, inseridos numa embalagem luxuosa desenhada pela Omdesign, estes foram feitos em cristal puro, prata trabalhada à mão, madeira de nogueira totalmente maciça e alcântara cozida manualmente. Uma preciosidade de intensidade, frescura e limpeza surpreendentes, com um preço de 5500 euros. “Neste tawny velho está toda a história da Quinta do Crasto” disse Manuel Lobo. É provar para crer.

Vieira de Sousa: Um Porto do ‘outro mundo’ e outras novidades

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] Novo episódio glorioso na história do Vinho do Porto, com mais uma casa produtora a lançar um vinho perfeito – um Porto de homenagem engarrafado num espetacular decante de cristal. A par deste lançamento especial, provámos […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Novo episódio glorioso na história do Vinho do Porto, com mais uma casa produtora a lançar um vinho perfeito – um Porto de homenagem engarrafado num espetacular decante de cristal. A par deste lançamento especial, provámos as novidades DOC deste produtor 100% familiar.

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia

É disto que o Douro é feito, não hesito em pensar durante a apresentação do Vinho do Porto 90 Homenagem a António Vieira de Sousa… Encontro-me perante um produtor familiar como tantos outros no Douro, com mais de cinco gerações e muitos anos a produzir uvas e vinhos para famosas casas exportadoras de Porto. Neste caso, trata-se ainda de uma família com um património invejável – cinco propriedades, um número muito significativo de hectares plantados com vinha e um significativo stock de vinhos do Porto.

A mais nova geração da família, Luísa e Maria Eduarda Vieira de Sousa, irmãs, tomam conta do projeto. Luísa, sendo jovem, é a mais velha, enóloga de formação e vocação, e foi a primeira a ‘meter a mão na massa’. Maria Eduarda chegou um pouco depois ao projeto, é a responsável pelo marketing e vendas e calcorreia meio mundo em feiras e provas de vinhos.

Os vinhos Douro são a aposta mais recente. Nesta prova, foram os brancos que mais nos surpreenderam, quer o Alice Vieira de Sousa de 2017, entrada de gama e sem ver madeira, quer o topo Vieira de Sousa 2016, fermentado em barrica de carvalho francês. Ambos os vinhos saem das vinhas com maior altitude, na Quinta da Fonte, em Celeirós, terroir entre Sabrosa e Provesende, e são um sucesso na exportação. Quanto aos Portos, o bestseller da casa é, curiosamente, também branco, um lote de 10 Anos ligeiramente mais seco do que o habitual. Para os tintos, Luísa tem à sua disposição três quintas em lugares nobres do Cima Corgo, a saber: Ronção Pequeno (Roncão), Quinta do Fojo Velho (Vale de Mendiz) e Quinta da Água Alta (Gouvinhas). Desta última propriedade é lançado agora um Porto Vintage de quinta, que fará companhia ao Vintage Vieira de Sousa já editado em anos anteriores. Quanto aos tintos DOC, a novidade é o Reserva (o Grande Reserva só sairá no próximo ano) e mantem a linha de vinhos carnudos e intensos, assentes em alguma vinha velha e em Touriga Franca, a casta que mais tem surpreendido Luísa na adega.

O grande destaque vai, todavia, por inteiro para o Porto velho lançado em homenagem a António Vieira de Sousa, pai de Luísa e Eduarda, que comemora este ano 90 anos de idade! Homem que fez carreira na indústria, sem nunca olvidar as propriedades durienses da família, vê merecidamente ser-lhe atribuída esta homenagem familiar. Trata-se de um vinho incrível que se encontrava numa única barrica e que, pela sua qualidade, não necessitou de qualquer correção antes do engarrafamento. Um vinho com seguramente mais de 90 anos de casco, de enorme concentração, densidade e doçura mas também de notável acidez (acidez total de 8 g/l), como que a querer revelar um dos maiores segredos do Vinho do Porto assentes em evolução em madeira e que se resume numa frase: um vinho bom em jovem é melhor ainda em velho. Absolutamente fabuloso!

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27688″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]19,5 A €2200 (500ml)
António Vieira de Sousa 90 anos
Porto Very Old
Vieira de Sousa Wines & Vines

Incrível aroma, imensamente complexo e prazeroso, com notas, entre outras, de anis, nougat, caramelo salgado, toque salino também. Enorme concentração e acidez na boca, fantástica e surpreendente frescura, longo e cremoso sem ser pastoso, equilibradamente doce (lembra torrão de gema) e fino. Muito limpo e com um final de boca inesquecível. A essência do Douro! (20%)[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição nº 20, Dezembro 2018

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Do Douro ao Alentejo: As aventuras vínicas de um fundo de investimento

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Há já vários anos que nos habituámos a ouvir falar em fundos de investimento interessados em negócios do vinho. Associamos a este tipo de investimento um conceito de lucro rápido, folha Excel e balancete mensal analisado à […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Há já vários anos que nos habituámos a ouvir falar em fundos de investimento interessados em negócios do vinho. Associamos a este tipo de investimento um conceito de lucro rápido, folha Excel e balancete mensal analisado à lupa. E quando o negócio não dá, muda-se a agulha do investimento. Mas nem sempre é assim e os fundos também podem ter rosto. Como é o caso do Segur Estates. Com ele as empresas Roquevale, Encostas de Estremoz e Quinta do Sagrado ganham novo fôlego.

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga

Corria o ano de 2016 quando se soube que a Quinta do Sagrado (Douro) tinha vendido a maioria do capital a um fundo de investimento, conservando José Maria Cálem uma parte do capital. Depois veio a público em 2017 que a Roquevale tinha mudado de mãos (53% do capital, mas com opção de compra do restante) e logo de seguida as Encostas de Estremoz (100% do capital, incluindo instalações, casas, etc) – duas empresas de dimensão considerável no Alentejo – tinham sido vendidas ao mesmo fundo de investimento. Foi motivo mais do que suficiente para visitarmos as propriedades alentejanas e falarmos com as pessoas. São muitas e têm uma carteira de projectos que merecem ser conhecidos.
Tudo começou com a compra de vinhas na zona de Redondo em 2015, parte pertencente ao produtor Joaquim Madeira e a restante adquirida a Vitor Matos, conhecido negociante na área do vinho. De então para cá têm-se sucedido os investimentos e, ficámos a saber, dentro de um mês haverá um novo negócio a associar a estes “e é de grande dimensão, com volumes anuais de 10 milhões de euros”, diz-nos o gestor do fundo, João Barbosa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27566″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Corria o ano de 2016 quando se soube que a Quinta do Sagrado (Douro) tinha vendido a maioria do capital a um fundo de investimento, conservando José Maria Cálem uma parte do capital. Depois veio a público em 2017 que a Roquevale tinha mudado de mãos (53% do capital, mas com opção de compra do restante) e logo de seguida as Encostas de Estremoz (100% do capital, incluindo instalações, casas, etc) – duas empresas de dimensão considerável no Alentejo – tinham sido vendidas ao mesmo fundo de investimento. Foi motivo mais do que suficiente para visitarmos as propriedades alentejanas e falarmos com as pessoas. São muitas e têm uma carteira de projectos que merecem ser conhecidos.
Tudo começou com a compra de vinhas na zona de Redondo em 2015, parte pertencente ao produtor Joaquim Madeira e a restante adquirida a Vitor Matos, conhecido negociante na área do vinho. De então para cá têm-se sucedido os investimentos e, ficámos a saber, dentro de um mês haverá um novo negócio a associar a estes “e é de grande dimensão, com volumes anuais de 10 milhões de euros”, diz-nos o gestor do fundo, João Barbosa.
Por norma um fundo representa um conjunto de investidores. Esses investidores colocam o seu dinheiro em determinados negócios, cuja gestão é entregue a pessoas que procuram rentabilizar os investimentos realizados. Neste caso trata-se de um fundo familiar – da família Ségur – radicada no Brasil e que “descobriu” Portugal como local de investimento através de João Barbosa, sem ligação anterior ao vinho mas que no Brasil já estava ligado à família Ségur.
O nome Ségur, para quem conhece vinhos de Bordéus, surge rapidamente associado ao Chateau Calon-Ségur. Tem razão de ser, mas a ligação é tão antiga quanto o seu corte, ou seja, já passaram 200 anos desde que a família vendeu as propriedades em Bordéus. Os actuais descendentes – Louis Ségur é o rosto deste fundo familiar – já não têm negócios relacionados com o vinho. Isto, claro, até terem chegado ao Alentejo e ao Douro. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27569″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pode naturalmente ficar no ar a questão de saber como se convence a investir em Portugal uma pessoa que vive no Brasil e cuja ligação familiar ao vinho se esfumou há dois séculos. Pedro Paixão, director comercial do grupo, revelou-nos que houve um trabalho de “explicação” das vantagens do investimento aqui, dado o bom momento que os vinhos portugueses atravessam, em termos de imagem, nos mercados externos. Mas João Barbosa confirmou que o investimento em Portugal não se tratou de qualquer tipo de “saudosismo vínico”. É puro negócio e foi no vinho como poderia ser noutro ramo de actividade. Os investimentos feitos até agora chegaram já aos 9 milhões de euros com capitais próprios, mas decorrem negociações com investidores para aumentar a aposta até aos 50 milhões, o que mostra que há intenção de alargar os negócios. Mas, confirmou-nos, “não deixa de ser um negócio de ‘turnover, em que existe a preocupação clara de remunerar o investidor”: “A vantagem de este fundo ser familiar é que aqui falamos de prazos mais alargados, mais conservador se comparado com outros fundos de investimento. Aqui falamos de 10 anos e não 4 ou 5, como acontece mais frequentemente.”
O facto de estarmos a falar com pessoas sem ligação anterior (profissional ou familiar) ao vinho torna a conversa menos emocional, mas também mais objectiva. João Barbosa não deixa dúvidas: “Temos a vantagem de ser portugueses e de não vir do sector dos vinhos nem de famílias ligadas ao vinho. Isso dá-nos uma independência que é importante e trazemos conhecimento e prática de outras áreas na resolução de problemas; tivemos a sorte de encontrar neste sector dos vinhos as pessoas certas que o conhecem e que nos ajudam no projecto.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27570″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Uma equipa grande” title_align=”separator_align_left”][vc_column_text]Quando fomos recebidos no Alentejo percebemos que há uma enorme equipa a trabalhar nestes projectos. São 52 pessoas, entre as que já estavam ligadas e ficaram – como é caso das equipas de enologia, de campo e serviços – e as que chegaram de fora, vindas de outros negócios. Falar com gente que vem de outras áreas obriga a permanente consulta ao dicionário: metade dos termos são em inglês e para evitar o downsizing fazendo um outsourcing acompanhado de um refreshing é sempre bom fazer uma “consulting” ao dicionário para poder “acompanhing” a conversa!
Falando de enologia, o novo grupo empresarial vai contar com o enólogo do Sagrado – João Pires –, que se mantém; Joana Roquevale, que irá continuar ligada à casa que tão bem conhece, acompanhada por Margarida Barrancos Vieira, enóloga das Encostas de Estremoz e que irá colaborar com Joana; Frederico Vilar Gomes, que irá supervisionar a enologia das várias propriedades; e Frederico Rosa Santos, que fará a ligação da enologia com a produção, supervisionando toda a relação com fornecedores. Como consultant winemaker estará o bem conhecido e experiente Peter Bright, com a função de desenhar novos vinhos, criar marcas que possam funcionar como especialidades, como projectos originais, ainda que em pequena escala.
A escala, essa, existe claramente na Roquevale, uma marca muito forte nas grandes superfícies e que foi também uma das bandeiras do importador brasileiro (Adega Alentejana), mas que foi perdendo o seu lugar nesse importante mercado. A Roquevale vai conhecer mudanças: o vinho bag-in-box vai deixar de ser Regional, está a haver uma renovação da imagem dos vinhos – projecto este extensível às marcas todas – e os resultados aparecem, com os vinhos, que incorporam uvas de várias propriedades compradas, a serem reposicionados num preço de prateleira superior, como foi o caso do Terras de Xisto. A adega irá servir como polo engarrafador e pretende-se levar por diante um projecto de vinhos de talha, contando aqui com a experiência de Joana Roquevale. Os vinhos Encostas de Estremoz serão engarrafados na Roquevale e o pavilhão industrial existente será também usado para armazenamento dos vinhos do Douro, engarrafados na região e de seguida transportados para aqui.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”image_grid” images=”27572,27571,27573″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Objectivos ambiciosos” title_align=”separator_align_left”][vc_column_text]Há muito que as Encostas de Estremoz estavam em processo de venda. O projecto era familiar, tinha boa dimensão (52ha), mas era difícil de gerir e já não havia mais espaço para suprimentos. A venda acabou por incluir a totalidade do capital e todas as instalações, quer de adega quer sociais. Os vinhos premium do grupo sairão debaixo do “chapéu” Encostas de Estremoz e os vinhos-base associados ao nome Roquevale. Em seis meses foi possível relançar as marcas da Encostas de Estremoz e as vendas subiram 35% e na Roquevale há já contratos fechados que irão mais do que duplicar a facturação de 2017.
A Quinta do Sagrado será uma aposta forte dos novos proprietários, em particular a marca VT, agora rebaptizada Sagrado VT. Além desta, passará a existir o Sagrado Grande Reserva e como topo de gama, apontando para um nível muito alto, o Quinta do Sagrado. Tradicionalmente havia cerca de 15 fornecedores de uva, que se irão manter, e a quinta, além de Douro, também produz Vinho do Porto em várias categorias. Cerca de 70% da produção do Sagrado destina-se à exportação e tem havido já um evidente crescimento dos números: “Quando pegámos no projecto a marca fazia 200.000€/ano e fechámos 2017 com 700.000€ de facturação”, diz Pedro Paixão.
A Segur Estates tem um objectivo claro: adquirir projectos que tenham potencial evidente de crescimento e de aumento de valor. Tornou-se evidente que as casas agora ligadas a este fundo familiar estavam num beco sem saída, já sem músculo financeiro para poderem recuperar o prestígio e posicionamento no mercado. Nova forma de gestão, mais folga financeira e projectos bem desenhados podem fazer renascer marcas e criar espaço para que outras surjam com impacto quer nos canais da distribuição moderna (super e hipermercados) quer no canal Horeca. O sucesso que os projectos da Segur Estates estão a ter em tão pouco tempo atrai necessariamente a atenção de investidores estrangeiros. João Barbosa fecha o ciclo: “Até onde iremos é difícil de dizer, mas a ambição existe!”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27576″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#dddddd” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Marcas com história”][vc_column_text]As três casas agora agrupada sob o “chapéu” Segur Estates representam marcas e propriedades com história nas respectivas regiões. Provámos alguns vinhos mais antigos destas marcas, que traçam o percurso de cada uma. O Tinto da Talha, da Roquevale, lançado em 1989, foi de facto feito em talha até 1995. Com a marca a crescer teve de se alterar o método de produção, tendo-se conservado o nome. O Tinto da Talha Grande Escolha de 2003 está claramente evoluído mas ainda em boa forma, o 2004 mais fino e elegante, e o 2008 muito sério e bem estruturado.
Na marca Encostas de Estremoz a Touriga Nacional sempre teve um peso muito forte, funcionando como elemento distintivo e identitário. Estas vinhas situam-se em Sousel, a 20 km de Estremoz, onde dominam solos argilo-calcários. Da prova de Encostas de Estremoz Reserva, são de destacar o 2003 (perfumado, com o floral da Touriga ainda bem evidente), o 2007 (ainda com fruta bonita e elegante) e o 2011 (balsâmico, mentolado, com muita vida pela frente).
Do Alentejo para o Douro e para a Quinta do Sagrado, localizada perto do Pinhão. Da marca mais conhecida da casa, o VT, provámos vários vinhos, destacando o 2004 (a primeira colheita da marca, muito rico na fruta, sem sinais de cansaço), o 2007 (mentolado, com taninos finos e feito para durar) e o Sagrado VT Grande Reserva 2008, elegante, delicado e com classe.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição nº14, Junho 2018

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Quinta Vale D. Maria

Martim Guedes, Francisca Van Zeller, António Guedes e Cristiano Van Zeller   Edição nº12, Abril 2018 Douro 20 anos intensos TEXTO Luís Lopes São duas décadas de história de um dos nomes mais representativos do “novo Douro”. Com a integração na Aveleda, realizada há menos de um ano, a Quinta Vale D. Maria ganhou impulso […]

Martim Guedes, Francisca Van Zeller, António Guedes e Cristiano Van Zeller

 

Edição nº12, Abril 2018

Douro

20 anos intensos

TEXTO Luís Lopes

São duas décadas de história de um dos nomes mais representativos do “novo Douro”. Com a integração na Aveleda, realizada há menos de um ano, a Quinta Vale D. Maria ganhou impulso para ir ainda mais longe nos seus ambiciosos objectivos.

Relembrar o passado, através de vinte colheitas de Quinta Vale D. Maria, e mostrar as novidades das últimas vindimas, foi o propósito do encontro promovido no Douro pelas famílias Van Zeller e Guedes (Aveleda). Um evento em que ficou bem patente a cumplicidade familiar (afinal de contas, são primos…) e o empenho em tornar esta quinta, suas marcas e vinhos, em sólidas referências internacionais.

Cristiano van Zeller sabe muito de Douro, dos seus vinhos e de como os comunicar. Afinal de contas, para além de membro da família proprietária da Noval, ajudou a conceber e implementar, entre outros, dois grandes projectos vínicos durienses, a Quinta do Crasto e a Quinta do Vallado. A estas duas empresas, Cristiano juntaria mais tarde a sua Quinta Vale D. Maria para, em conjunto com a Niepoort e a Quinta do Vale Meão, fundarem a associação Douro Boys, que tanto contribuiu para a afirmação mundial da região.

A Quinta Vale D. Maria, no entanto, foi sempre o “seu” projecto. Seu e da sua mulher Joana, a cuja família adquiriram em 1996 esta propriedade com 45 hectares de vinha, localizada no vale do rio Torto. Com origens que remontam ao século XVIII, a quinta tem uma grande diversidade de vinhas, algumas plantadas há pouco mais de uma dúzia de anos, outras praticamente centenárias. A diversidade é imensa, contribuindo para ela sobretudo as vinhas antigas, com dezenas de castas misturadas, e as diferentes exposições solares a que cada parcela está submetida. Não surpreende, por isso, que os vinhos de vinha e os vinhos de parcela assumam um papel de relevo nos topos de gama da casa.

As vinhas que dão nome aos vinhos

Em propriedades como a Quinta Vale D. Maria, cada parcela tem a sua própria identidade, que transmite naturalmente aos vinhos que origina. Nem todas essas identidades são positivas, como é óbvio, e por isso as vinhas/parcelas de excelência foram sendo identificadas logo a partir da primeira colheita de 1996, e vindima após vindima esse conhecimento foi sendo aprofundado e confirmado. Com o tempo, Cristiano van Zeller, com o apoio da enóloga Joana Pinhão (que ali fez o primeiro estágio em 2007) e da sua filha Joana van Zeller, decidiu engarrafar separadamente as uvas de duas vinhas muito distintas na idade e composição de castas: a Vinha do Rio e a Vinha da Francisca.

A Vinha do Rio é a vinha mais antiga da propriedade, e também, como o nome indica, a mais próxima do rio Torto, a cerca de 160 metros de altitude. Foi a primeira a ver os seus vinhos engarrafados à parte, na vindima de 2009. São quase 30 as castas ali misturadas, predominando, no entanto, a Tinta Barroca, com cerca de 48% do total.

Já a Vinha da Francisca, com 4,5 hectares, exposta a sul, foi plantada em 2004, para assinalar o 18º aniversário de Francisca van Zeller. Vinha mais jovem, portanto, plantada com cerca de 50% de Sousão, mais Touriga Nacional, Touriga Franca e ainda algumas castas antigas menos “comuns”, como Tinta Francisca e Rufete.

Nem todos os vinhos de topo produzidos na Quinta Vale D. Maria são oriundos de vinhas da propriedade. O conhecimento que Cristiano e a sua equipa possuem da região leva-os a descobrir noutras zonas do Douro autênticos tesouros. É o caso das uvas que deram origem ao Vale D. Maria Vinha de Martim e que vêm de uma vinha situada em Martim, Murça. É uma vinha muito especial que a empresa explora desde a colheita de 2015. Virada a norte, plantada a 450 metros de altitude, esta vinha com mais de 80 anos tem muitas castas brancas misturadas, predominando Rabigato, Viosinho, Gouveio e Códega do Larinho.

Outra marca assente em uvas durienses de diferentes terroirs e que passou a integrar desde 2014 o portefólio da empresa é o Vale D. Maria VVV Valleys, branco e tinto. Os três “V” simbolizam três vales, os vales dos rios Pinhão, Torto e Douro, onde 15 gerações da família Van Zeller trabalharam ao longo de séculos. No caso do VVV Valleys tinto de 2015, por exemplo, juntam-se uvas de vinhas velhas da Quinta Vale D. Maria e mais duas parcelas maioritariamente plantadas com Touriga Franca.

Para além destas, a empresa tem no mercado outras marcas em diferentes segmentos de preço, desde o entrada de gama Rufus (com excelente relação qualidade-preço) ao raro (e caro!) CV, no patamar superior da excelência, passando pela linha Van Zellers e VZ.

A história que o vinho conta

A história de uma marca conta-se através dos vinhos. Infelizmente, nem sempre os vinhos resistem ao tempo ou, mais frequentemente ainda, nem sempre os produtores conservam em sua posse os vinhos de cada colheita.  Não foi o caso da família Van Zeller, que manteve esse património vivo que são os vinhos, ao longo de 20 vindimas.

Todos os Quinta Vale D. Maria foram e são pisados a pé nos lagares de granito da propriedade, indo depois o vinho para barricas de carvalho francês. Com o tempo, as barricas 100% novas foram partilhando o espaço com barricas de segundo ano, até chegar ao actual modelo de 60% nova, 40% usada.  A complexidade das vinhas velhas e das dezenas de castas que as compõem estão bem patentes nestes vinhos, bem como o perfil próprio de cada ano de colheita:

1996– Foi ano de grande produção e pouca concentração (o vinho tem 12% de álcool), corpo médio, mas revela-se ainda hoje muito leve, muito fresco, bonito e elegante. 17

1997– Complexo de aroma, alguns fumados, frutos secos, especiarias, envolvente e fresco no longo final. 17,5

1998– Sente-se um ano de baixa produção, com volume, complexidade, taninos sólidos, sempre com frescura e equilíbrio. O tanino presente revela que o vinho ainda tem muito para dar. Está super equilibrado, com muito sabor e final fantástico. 18

1999– Tem concentração e profundidade aromática, mas alguma “brett” e as suas notas menos limpas de couro molhado prejudicam-no. Na boca está sólido e cheio, ainda que com taninos um pouco secos. 16,5

2000– Maduro, profundo, sumarento, nota de ameixa e muitas especiarias num estilo vibrante, longo, profundo. Excelente equilíbrio entre álcool e acidez. 17,5

2001– Sente-se a partir daqui um salto enológico face às colheitas anteriores. Os vinhos são mais polidos e afinados, sem perderem autenticidade. Tem grande presença aromática, muito profundo, muito complexo, cacau, especiaria. Sabor rico, ainda jovem, com taninos perfeitos, pleno de brilho e presença. Excelente evolução. 18

2002– Nota-se uma evolução evidente no aroma, mas ainda com fruto bonito. Cremoso na boca, com corpo médio (sente-se a vindima chuvosa) mas muito boa acidez, um tom vegetal no final apimentado. 16,5

2003– Ano de calor evidente, patente no fruto bem maduro, uva passa, ameixa. No entanto, as vinhas velhas aguentaram a acidez, e mantiveram o vinho fresco e vivo, graças também aos taninos poderosos. Final longo e fumado. 17

2004– Sério, austero, firme, com muito boa presença, apontamentos de esteva e ervas do campo, tabaco, balsâmicos. Taninos muito sólidos, sabor cheio mas sempre com um fino traço de frescura. Impositivo. 18

2005– Encorpado, envolvente, com taninos firmes mas sedosos, um estilo potente e harmonioso ao mesmo tempo. Sério e maduro, mas fresco. 17,5

2006– Apontamentos fumados no primeiro impacto aromático, balsâmicos, especiarias. Bastante frescura assente numa acidez vincada, conjunto muito equilibrado e harmonioso. 17,5

2007– Espantoso nariz, com uma frescura de fruta surpreendente para a idade. Enorme equilíbrio de boca, com corpo, sólida estrutura de taninos, cheio de sabor e complexidade, muita vibração, final interminável. Grande vinho. 18,5

2008– O aroma assenta no fruto bem maduro e nas especiarias. Perfeita harmonia na boca, com taninos sedosos, num conjunto muito cremoso, muito bonito, em excelente forma. 18

2009– Morno e maduro, ameixa e compotas de bagas silvestres. Profundo, encorpado, sólido, envolvente, sensação de fruta madura e doce no final longo. 17

2010– Muito bonito e elegante, de aroma fino, com fruto expressivo e puro.  A boca de corpo médio deixa os taninos um pouco a descoberto, mas o conjunto é elegante, perfumado, muito apelativo. 17,5

2011– O ano de 2011 está bem patente. O vinho tem tudo, concentração mas frescura, profundidade mas austeridade. Está ainda super jovem, fechado, com enorme estrutura de taninos, solidez de cimento, tudo ainda a precisar de tempo. Um monumento. 18,5

2012– Grande nariz, excelente fruto, enorme equilíbrio, leves amargos, bastante frescura, muita firmeza, muita elegância, equilíbrio total, um belíssimo vinho. 18

2013– Sério, ainda bastante jovem, com taninos ainda muito evidentes, fruto bem fresco no aroma. Encorpado, vigoroso mas elegante, potente mas domado. 17,5

2014 – Mostra o carácter do ano no estilo mais leve, com fruto muito bonito e delicado. Corpo médio, mas mais do que suficiente para envolver bem os taninos, a fruta é muito expressiva, um tom de frescura e elegância atravessa todo o vinho. 17,5

Apesar de a empresa produzir várias marcas, o tinto Quinta Vale D. Maria é a grande bandeira da casa, o vinho mais significativo, quer no impacto no mercado quer, acredito, no espaço que ocupa no coração da família Van Zeller e, agora, no da família Guedes. A prova de 20 colheitas desta marca revela um percurso de grande consistência qualitativa, assente no respeito pelo carácter de cada parcela de vinha e no conhecimento do seu contributo para o lote final. São vinhos sentidos, vinhos de terroir, cada um deles contando uma estória e contribuindo individualmente para fazer a história de uma grande marca duriense.

Produtores do Douro unem-se em circuito enoturístico

A iniciativa conjunta de 16 produtores de vinho da Região Demarcada do Douro, todos com quintas no circuito central do rio, entre o Peso da Régua e o Pinhão, permitiu criar a primeira Rota Privada de Enoturismo do Douro. É o passo decisivo de uma relação de cooperação que já unia estas casas. A primeira […]

A iniciativa conjunta de 16 produtores de vinho da Região Demarcada do Douro, todos com quintas no circuito central do rio, entre o Peso da Régua e o Pinhão, permitiu criar a primeira Rota Privada de Enoturismo do Douro. É o passo decisivo de uma relação de cooperação que já unia estas casas.

A primeira materialização desta iniciativa traduziu-se na edição do guia de bolso “All Around Douro – in the heart of the Unesco wine region”, em inglês, onde o turista encontra uma breve apresentação das quintas que integram o projecto, horários das visitas e de provas de vinhos, serviços de restaurante ou alojamento disponíveis, bem como informação sobre acessos, seja por estrada, comboio, barco ou helicóptero. A publicação é gratuita e está disponível nas quintas do Douro, museus, postos de turismo, hotéis, garrafeiras e restaurantes selecionados, especialmente do Porto e região norte, mas também com divulgação por outras zonas do país.

Os produtores envolvidos na Rota Privada de Enoturismo do Douro são: Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta dos Murças, Quinta da Marka, Quinta Nova N.S. Carmo, Quinta de la Rosa, Quinta do Bomfim, Quinta da Roêda, Quinta das Carvalhas, Quinta do Seixo, Quinta do Panascal, Quinta do Pôpa, Quinta do Tedo, Quinta Maria Izabel, Quinta da Casa Amarela, Quinta de Tourais.

 

Poças: Simbolicamente falando…

Após um interregno de três anos, o tinto Símbolo voltou a reinar na Poças Júnior como o seu topo de gama, e com novas vestes. No lançamento que o teve como estrela, ficámos também a conhecer mais quatro novos vinhos da empresa.   TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS João Ferrand AS […]

Após um interregno de três anos, o tinto Símbolo voltou a reinar na Poças Júnior como o seu topo de gama, e com novas vestes. No lançamento que o teve como estrela, ficámos também a conhecer mais quatro novos vinhos da empresa.

 

TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS João Ferrand

AS três parcelas de vinhas velhas (com predomínio de Touriga Franca) da Quinta de Santa Bárbara, no Cima Corgo do Douro, já não originavam Símbolo desde 2011, inclusive. Em 2014, o primeiro ano sob consultoria do enólogo de Bordéus Hubert de Boüard, a Poças Júnior decidiu que era tempo de o trazer de volta.

Apesar de ter sido um ano de viticultura menos fácil (confirma Jorge Pintão, enólogo da casa), o francês viu nas uvas o potencial necessário para o topo de gama. “Foi nos pequenos detalhes que investimos. Fizemos uma enologia de pormenor, quer ao nível da selecção das uvas, quer da vinificação, da guarda e envelhecimento”, comentou Jorge Pintão. Pedro Pintão, director comercial, explicou que o vinho provém de parcelas em altitudes e exposições solares diferentes, e adiantou: “As cotas são relativamente baixas, mas procurou- se a acidez das zonas mais altas dessa vinha.” Assim, surgiram as cinco mil garrafas de um vinho elegante e polido, mas complexo e longevo, também com uma nova imagem, um rótulo simples mas futurista, a marcar bem o início de uma nova era.

Volvidos dezoito meses de estágio em barrica e um ano em garrafa, o Símbolo tinto 2014 apresentou-se ao mundo no restaurante Antiqvvm, do estrelado Chef Vítor Matos, no Porto, e trouxe consigo mais quatro novidades: Poças Reserva tinto 2015, Poças Porto Colheita 2003, Poças LBV 2012 e Poças Vintage 2015.

O Poças Reserva tinto 2015 foi posicionado em segundo lugar na hierarquia, mas não fica de todo atrás do “cabeça de lista”. Também de vinhas velhas da Quinta de Santa Bárbara, este vinho tem Touriga Nacional da Quinta Vale de Cavalos (Douro Superior) e estagiou doze meses em barricas e seis em garrafa. São 10.000 garrafas de um vinho com um grande potencial de envelhecimento.

Apesar de produzir vinhos Douro desde 1990, três anos após Jorge Pintão ter assumido a liderança da equipa de enologia, a grande tradição da Poças Júnior está nos Vinhos do Porto. Da gama mais clássica da casa, o Poças Porto Colheita 2003 é já o segundo colheita lançado este ano, a seguir ao 2007, tendo envelhecido em pipa de carvalho. Já o encorpado e maduro Poças LBV 2012 estagiou cinco anos. O Poças Vintage 2015, fruto de um ano de excepção, foi super-controlado e provado durante o estágio de dois anos em balseiro. É um Vintage muito aromático, poderoso e que adivinha um futuro promissor na garrafa.