Herdade do Sobroso faz parte da Small Luxury Hotels of the World

Localizada na Vidigueira, nome de uma das oito sub-regiões do Alentejo vitivinícola, a Herdade do Sobroso Wine Luxury Hotel & Villas, Turismo em Espaço Rural e produtor de vinhos, acaba de integrar na coleção global Small Luxury Hotels of the World. Trata-se de uma das insígnias internacionais de hotelaria independente de luxo, que coloca a […]
Localizada na Vidigueira, nome de uma das oito sub-regiões do Alentejo vitivinícola, a Herdade do Sobroso Wine Luxury Hotel & Villas, Turismo em Espaço Rural e produtor de vinhos, acaba de integrar na coleção global Small Luxury Hotels of the World. Trata-se de uma das insígnias internacionais de hotelaria independente de luxo, que coloca a Herdade do Sobroso no patamar restrito de hotéis boutique demarcados por “autenticidade, carácter distintivo e elevados padrões de qualidade e serviço”, de acordo com o comunicado.
Integrada numa propriedade vitivinícola de 1.600 hectares, a unidade combina um hotel boutique com villas privadas, rodeadas de vinhas e montado, paisagem acrescida pelo património natural da Serra do Mendro e pelo Lago do Alqueva. No contexto das experiências, somam-se as actividades ligadas ao vinho e a gastronomia tradicional do Alentejo, bem como as novas Vineyard Villas com piscina privativa e do Nature Retreat, com assinatura da arquitecta Maria Ginestal Machado, com o objectivo de proporcionar estadias ainda mais exclusivas.
“Fazer parte da Small Luxury Hotels of the World é um reconhecimento muito relevante para o nosso projecto e para o destino Alentejo”, declara, em comunicado, Sofia Ginestal Machado, CEO da Herdade do Sobroso.
BEST OF WINE TOURISM: O Roteiro de excelência

No âmbito da rede internacional Great Wine Capitals, a Câmara Municipal do Porto passou a promover, a nível regional, a distinção dos melhores projectos de enoturismo nas regiões do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Trata-se dos Best Of Wine Tourism, que já vão na 24ª edição, abrangendo áreas como “Alojamento”, “Arquitectura e paisagem”, “Experiências inovadoras”, […]
No âmbito da rede internacional Great Wine Capitals, a Câmara Municipal do Porto passou a promover, a nível regional, a distinção dos melhores projectos de enoturismo nas regiões do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Trata-se dos Best Of Wine Tourism, que já vão na 24ª edição, abrangendo áreas como “Alojamento”, “Arquitectura e paisagem”, “Experiências inovadoras”, “Práticas sustentáveis em Enoturismo”, “Serviços de Enoturismo”, “Arte e cultura” e “Experiências gastronómicas”. Eis o ponto de partida para um roteiro de dois dias pelas duas regiões vitivinícolas acima referidas, para dar palco a cinco dos sete reconhecidos promotores, que se destacam pela capacidade de conciliar tradição e inovação, autenticidade e criatividade, bem como sustentabilidade e qualidade, tanto nas infraestruturas e nos serviços que disponibilizam, como no impacto positivo gerado no território e nas comunidades locais.

O projecto de arquitectura da Casa do Santo Wine & Tourism cria diálogo entre a paisagem e a escala humana
Arquitectura sublime
A primeira paragem foi a Casa do Santo Wine & Tourism, localizada em Provesende, no concelho de Sabrosa, no Douro, galardoada na categoria “Arquitectura e Paisagem”. Esta distinção é mais do que um prémio, é um sinal dos tempos e, talvez, uma medida do que hoje se exige a quem constrói em territórios com história. Na mais antiga região demarcada do mundo, onde a beleza não foi desenhada num gabinete, mas lavrada pela mão do Homem ao longo de séculos, a arquitectura não pode chegar como quem impõe. É projetada por quem compreende que o lugar não é cenário, é organismo vivo.
Há edifícios que, com o devido respeito e inteligência, revelam a paisagem, funcionando como uma moldura silenciosa e a Casa do Santo Wine & Tourism impõe-se como uma espécie de manifesto que propõe um ensaio concreto sobre como habitar a paisagem sem a ferir. Afinal, um excelente projecto de arquitectura integrado não compete com a vinha, com o xisto, com a linha das encostas. Cria um diálogo harmonioso entre a paisagem e a escala humana, evitando o excesso e, ao mesmo tempo, oferece a panorâmica natural do lugar. No Douro, onde a luz muda a cada curva e o horizonte é sempre uma promessa, essa pertença é ética.
O desenho contemporâneo encontra aqui materiais que parecem ter surgido ali: a pedra confunde-se com muros antigos; a madeira envelhece com dignidade, as grandes superfícies envidraçadas enquadram a paisagem sem pudor. Lá dentro, a decoração é depurada, quase monástica e moderna, obrigando o olhar a deixar-se conquistar pelas vinhas e encostas, pelo horizonte.
Quando a arquitectura se integra, transforma-se em ponte, ligando o visitante ao território. Nesse sentido, a Casa do Santo Wine & Tourism surge como caso de estudo sobre o que o enoturismo pode ser quando assume a responsabilidade de se tornar um vector de requalificação do território. O projecto parece responder a uma pergunta tão simples quanto exigente: é possível construir sem dominar? Aqui, o visitante sente que não está numa “unidade turística”, mas num lugar em que o tempo se traduz num investimento, que nos faz sentir parte desta paisagem. Por isso, esta distinção importa. Porque um projecto bem inserido na paisagem é também um gesto de sustentabilidade, não apenas energética ou material, mas também cultural, pois preserva o património, o sentido do lugar, a identidade. Num tempo em que tantos destinos se parecem uns com os outros, a verdadeira inovação pode ser esta, a de criar sem ferir, acolher sem descaracterizar, modernizar sem apagar.
Em suma, a melhor arquitectura é aquela que perdura no tempo, como se estivesse estado sempre ali, como algo simultaneamente discreto e necessário. E quando isso acontece, não é só um edifício que vence, é o território que se afirma com dignidade e é o futuro que se constrói com memória.
O almoço na Quinta do Bomfim é o argumento exemplar de que a gastronomia está em sintonia com os vinhos
Inovação em profundidade
Da contemplação arquitectónica passei para a experiência e a mudança foi como atravessar uma porta dentro da própria região do Douro. A Vesúvio & Bomfim Experience, vencedora na categoria “Experiências Inovadoras em Enoturismo”, confirma uma tendência clara: hoje já não basta visitar, é preciso mergulhar. A distinção diz muito sobre a direcção que o enoturismo está a tomar e sobre o que o Douro pode oferecer quando se decide ir para além do óbvio.
A chegada à Quinta do Bomfim, no Pinhão, é, por si só, um primeiro gesto de imersão. Entra-se numa história longa, onde os socalcos traçam o rio, o rio desenha o tempo e a propriedade se organiza à volta dessa memória sedimentada. Mas criar experiências verdadeiramente inesquecíveis exige curadoria, ritmo, narrativa, detalhe. Exige uma hospitalidade que saiba conduzir sem apressar, explicar sem cansar, surpreender sem distrair.
É precisamente aqui que a Quinta do Bomfim se destaca. A inovação surge na forma como reconstrói a relação do visitante com a história do Vinho do Porto e com a própria ideia de “quinta do Douro”. O percurso pelas caves, pelos lagares e pelos espaços de trabalho é projectado como um relato coerente, em que passado, presente e futuro aparecem como camadas sobrepostas. Ou seja, a modernização tecnológica não apagou a tradição, apenas afinou a sua precisão, e essa perceção devolve origem ao vinho e contextualiza o que está no copo.
Quando uma experiência é verdadeiramente inovadora, consegue-se que o visitante não “consuma” o lugar, mas sinta que pertence a ele por instantes, como se o território, por um momento, o adoptasse. Na Quinta do Bomfim, essa pertença constrói-se de corpo inteiro: o passo na vinha, a textura do xisto, o vento que atravessa a encosta, o silêncio antes da prova, o aroma que chega antes do copo. A inovação manifesta-se na ligação entre cada elemento, através da interpretação do território. E quando o enoturismo interpreta bem, está a ensinar.
O almoço, que em outros contextos poderia ser apenas pausa, aqui é o argumento exemplar de que a gastronomia está em sintonia com os vinhos. Cada prato parece pensado para revelar uma textura, uma acidez, um tanino, como se a mesa fosse um laboratório de harmonias e a conversa fosse parte do terroir. Num tempo em que tantos destinos desafiam e chamam a atenção, o que distingue um lugar não é a quantidade de ofertas, mas a qualidade da experiência, e, acima de tudo, a capacidade de gerar memórias autênticas. Uma experiência imersiva é aquela que nos faz esquecer o relógio, que, dias depois, ainda nos devolve imagens, cheiros e emoções, como se o Douro permanecesse dentro de nós.
No fundo, a Vesúvio & Bomfim Experience simboliza uma viragem no enoturismo enquanto arte de contar histórias verdadeiras, e a distinção reforça a importância da experiência que persiste, como se de um grande vinho de tratasse: revela-se aos poucos, prolonga-se e deixa-nos melhores do que éramos antes de chegar. Adorei!
Na Quinta do Ventozelo sustentabilidade é responsabilidade, é a decisão de cuidar a paisagem
Sustentabilidade, uma forma de estar
Da emoção para a consciência, o périplo levou-me à Quinta do Ventozelo, localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira, premiada na categoria “Práticas Sustentáveis em Enoturismo”. Esta distinção confirma a ideia de que o Douro não existe futuro para o vinho, nem para o turismo, sem uma relação madura com a terra. Aqui, sustentabilidade é responsabilidade, é a decisão de cuidar a paisagem que confere a identidade deste território e garantir que a experiência de hoje não rouba a beleza de amanhã.
Durante a viagem, a estrada desenha curvas, como se estivesse a escrever à mão um poema sobre o Douro e, quando se entra na propriedade sente-se o acolhimento: um território amplo, mas organizado como um pequeno mundo coerente, onde cada escolha parece responder a uma pergunta: como permanecer sem esgotar? Num tempo em que o viajante procura cada vez mais significado, o enoturismo deixa de ser apenas visita e prova, para se tornar encontro com valores. E é precisamente aí que a Quinta do Ventozelo se afirma: em ancorar a hospitalidade no território, na cultura agrícola, no equilíbrio do ecossistema e no respeito pelas comunidades.
O projecto materializa a sustentabilidade em várias escalas. Há uma dimensão visível e imediata: a recuperação de edificações tradicionais, a forma como cada alojamento se encaixa na paisagem, a atenção aos materiais e à eficiência energética. Mas há também o cuidado com a biodiversidade, a gestão da água, a relação com as comunidades e as práticas agrícolas, que incidem no respeito pelo ritmo da natureza.
Um projecto sustentável não se mede apenas por técnicas e certificações, mede-se pela coerência entre o que se promete e o que se pratica. E, para ser transformadora, a sustentabilidade tem de ir além da eficiência: tem de gerar experiência. É nessa ponte entre ética e encantamento que nasce a evidência de que a paisagem é entendida como um sistema vivo e as práticas sustentáveis estruturam as experiências ao ritmo das estações. O visitante é convidado a entrar numa lógica de lugar, onde o conforto não apaga a origem e a experiência não se constrói à custa do território.
À mesa, os produtos locais ganham centralidade, como afirmação de um ecossistema que envolve vinhas, olivais, pomares e gentes. E à noite, a dimensão sensorial torna-se quase pedagógica, pois dormir na Quinta do Ventozelo “de forma celestial” não é retórica. A noite é verdadeiramente escura, o céu densamente estrelado e o silêncio tem peso. O lugar lembra, com uma simplicidade rara, que sustentabilidade é uma forma de estar.
Afinal, hoje, o luxo verdadeiro é poder estar num lugar que se mantém inteiro é poder viver uma experiência que não termina na partida, mas fica.
Dormir no coração da natureza
Já em plena região dos Vinhos Verdes, entra-se por um verde exuberante, onde as vinhas coexistem com vegetação mais espontânea, dando ao lugar um ar de refúgio, como acontece com a Quinta do Ameal. Vencedora na categoria “Alojamento”, esta propriedade localizada no Vale do Lima, confirma uma evidência do enoturismo contemporâneo: dormir bem é habitar o território. Num destino, onde a paisagem parece sempre recém-lavada pela luz e pela água, o alojamento de excelência transforma a visita num tempo prolongado, onde o vinho se torna uma experiência completa.
É nesse contexto que o alojamento mostra o seu verdadeiro alcance, oferece vista, tempo, cuidado e, com isso, prepara o visitante para uma relação mais profunda com o lugar. E, na Quinta do Ameal, essa proposta faz-se sem ostentação. O alojamento revela uma elegância afinada. Os espaços traduzem recolhimento, com os quartos a abrirem para o verde, salas a convidar à leitura, percursos a ligar o edificado ao campo. O contacto com a natureza é permanente.
A combinação de serviços de qualidade permite uma experiência memorável, com o bem-receber sem formalismos, o foco na mediação cultural e vínica, e a capacidade de desenhar percursos, provas e momentos que respeitam o ritmo de quem chega. Ou seja, no enoturismo, a excelência não está apenas no que se oferece, mas na forma como se conduz à descoberta.
A Quinta do Ameal prepara o visitante para uma relação mais profunda com o lugar
A Quinta do Ameal distingue-se ainda por fazer do património e da paisagem parte integrante da experiência, com a arquitectura, o jardim, a vinha e o rio a protagonizarem um diálogo, que convida o visitante a entrar na narrativa. A prova de vinhos confirma essa coerência e os vinhos expressam uma ideia muito concreta de lugar, com destaque para frescura, verticalidade, nervo. Não é apenas degustação, é também tradução de um território, que permite o visitante perceber a origem.
Neste contexto, importa sublinhar que, na Quinta do Ameal, se devolve profundidade ao simples através de um passeio entre vinhas, que ensina a ler o solo e o clima, de uma prova feita com tempo e explicação, um momento de mesa que respeita a origem dos produtos, uma conversa que liga o vinho às pessoas e à história. porque o enoturismo mais marcante é aquele que nos faz sentir parte de um lugar, nem que seja por uma noite.
Os serviços de enoturismo na Quinta da Torre são desenhados com um rigor quase cirúrgico
Hospitalidade em narrativa
O périplo terminou na Quinta da Torre, em Monção, na região dos Vinhos Verdes, vencedora na categoria “Serviços de Enoturismo”, uma distinção que serve de bandeira para um aspecto decisivo, mas tantas vezes
subestimado: o serviço não é um “extra”. É a arquitectura invisível do encontro entre o visitante e o território. Num mundo onde quase tudo é replicável, a excelência no enoturismo passa igualmente pela hospitalidade, definida pela capacidade de construir um produto turístico compósito, integrado, onde visitas, provas, loja, percursos, momentos de interpretação do território e eventuais ligações à gastronomia e à cultura, se organizam como capítulos de uma mesma narrativa. Porque o visitante não procura apenas “coisas para fazer”, procura uma história para viver e um lugar para explorar e compreender.
Na Quinta da Torre, essa narrativa tem uma base natural poderosa, a paisagem vínica. O desenho bucólico é beleza e identidade. É aqui que o serviço de excelência se torna indispensável, porque ensina a observar por meio de palavras apoiadas em cultura, conhecimento e continuidade. Os serviços de enoturismo na Quinta da Torre são desenhados com um rigor quase cirúrgico: percursos claros, informação consistente, uma equipa que combina conhecimento técnico com capacidade de tradução para linguagem acessível. Fala-se de castas, solos, microclimas, vinificação, mas sem o peso académico. Essa é uma forma rara de hospitalidade, sem impressionar com jargão, mas abrindo as portas para a curiosidade.
Por isso, criar experiências inovadoras aqui não significa encher o programa de novidades artificiais. Significa desenhar momentos bem orientados, onde cada etapa – acolhimento, percurso, prova, conversa, despedida – denota intenção e qualidade. Há, ainda, uma dimensão ética nesta excelência: um serviço bem pensado valoriza o trabalho de quem produz, respeita o território e contribui para uma economia local mais justa, criando uma relação equilibrada entre o que se oferece e o que se recebe.
O fecho da visita confirma tudo isto com uma imagem que prevalece, o piquenique entre vinhas, que funciona como síntese poética da experiência sob o céu azul, com a casta Alvarinho no copo, em que o vinho deixa de ser apenas bebida, tornando-se mediação entre o ser humano e o território. Na verdade, a Quinta da Torre lembra-nos que a paisagem, por mais deslumbrante que seja, precisa de uma intervenção favorável para se tornar inesquecível. A vinha pode ser um quadro de prazer, mas o serviço exemplar combina beleza, rigor e hospitalidade, transformando o enoturismo numa vivência, a prova em compreensão, o prazer em pertença.

Epílogo: uma reportagem que foi uma aula prática
No papel, estes dois dias poderiam ser descritos como um roteiro por vencedores regionais dos Best Of Wine Tourism. Mas, como visitante, fiquei com a sensação de que cada lugar respondeu a uma pergunta fundamental: como pode o enoturismo honrar a paisagem, valorizar a comunidade e, ao mesmo tempo, tocar quem visita?
A Casa do Santo Wine & Tourism mostra que a arquitectura pode ser um ato de humildade. A Quinta do Bomfim prova que inovar é reinterpretar a memória. A Quinta do Ventozelo ensina que sustentabilidade é ética. A Quinta do Ameal demonstra que o alojamento pode ser um retiro espiritual do quotidiano. A Quinta da Torre confirma que o serviço, quando bem pensado, é hospitalidade intelectual.
No final, ficou a sensação de que esta viagem não foi apenas reportagem, nem tão somente turismo. Foi uma aula prática sobre tempo, cuidado, limite e pertença. E talvez seja essa, no fundo, a maior distinção que um destino enoturístico pode receber.

Menções honrosas
Ainda a respeito dos vencedores da 24.ª edição dos Best Of Wine Tourism, ficaram de fora deste registo a Quanta Terra, localizada em Favaios, bem como Pedro Lemos, o restaurante do chef homónimo, situado na cidade do Porto, distinguidos, respectivamente, nas categorias “Arte e cultura” e “Experiências Gastronómicas. Além desta lista, o júri atribuiu menções honrosas a projectos que se evidenciam pela consistência e contributo ao dinamismo do enoturismo regional, destacando a Quinta da Vacaria e a Quinta de São Luiz, na categoria “Alojamento”, a Adega H.O, em “Arquitectura e Paisagem”, a Quinta da Aveleda, em “Arte e Cultura”, a Quinta do Crasto, em “Experiências Gastronómicas”, a Quinta da Casa Amarela e a Marma Slow, em “Experiências Inovadoras em Enoturismo”, a Quinta do Seixo, em “Práticas Sustentáveis em Enoturismo”, e a Quinta de Santa Cristina, em “Serviços de Enoturismo”.
A Câmara Municipal do Porto sublinha que esta iniciativa integra uma estratégia mais ampla de promoção e desenvolvimento do Douro vinhateiro e da região dos Vinhos Verdes, assumindo o enoturismo como um pilar estratégico para a afirmação internacional do destino. Sobre a classificação, a autarquia reforça o posicionamento do Porto, Douro e Vinhos Verdes como destinos de excelência no panorama internacional que elevam a qualidade da oferta e consolidam a ligação entre vinho, território e cultura.
(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)
Granvinhos abre nova unidade hoteleira

Vila Nova de Gaia soma e segue! Desta vez, com a estreia da Gran Cruz Apartments, da Granvinhos, localizada no nº 120 da Rua Guilherme Gomes Fernandes, situada no centro histórico da cidade e paralela à marginal que acompanha a margem esquerda do rio Douro. Trata-se de um alojamento constituído por seis apartamentos, com tipologias […]
Vila Nova de Gaia soma e segue! Desta vez, com a estreia da Gran Cruz Apartments, da Granvinhos, localizada no nº 120 da Rua Guilherme Gomes Fernandes, situada no centro histórico da cidade e paralela à marginal que acompanha a margem esquerda do rio Douro. Trata-se de um alojamento constituído por seis apartamentos, com tipologias que vão desde os estúdios aos T2. Todos estão distribuídos por andares dos dois edifícios contíguos antigos e contemplam serviço de concierge, housekeeping e lavandaria, assim como da possibilidade de entrega matinal de pequeno-almoço.
A recuperação de ambos edifícios foi feita como manda a cartilha. Mantidos foram a fachada, com os seus respectivos elementos originais, desde as ombreiras e as soleiras aos parapeitos em granito às varandas decoradas com gradeamento em ferro. Sem descurar da cor original. No alinhamento da narrativa visual da Gran Cruz House – a primeira unidade hoteleira da Granvinhos inaugurada, em 2018, no Cais da Ribeira do Porto –, a Gran Cruz Apartments acolhe igualmente a enigmática Mulher de Negro, ícone da marca Porto Cruz desde há várias décadas, reinterpretada pela artista plástica Tamara Alves no lobby desta unidade. Já cada apartamento acolhe imagens retratadas pelo fotógrafo português João Bernardino.
Além da Gran Cruz Apartments e da Gran Cruz House, cujo restaurante, de nome Casario, é uma autêntica montra do portefólio vínico da Granvinhos e da arte de bem-fazer dos chefs Miguel Castro e Silva e José Guedes, a Granvinhos detém o Espaço Porto Cruz, no Cais de Gaia, onde a aposta no enoturismo remonta a 2012 e a restauração também conta com a referida dupla de cozinheiros. Some-se o Ventozelo Hotel & Quinta, em São João da Pesqueira, propriedade de 400 hectares, 200 dos quais estão ocupados por vinha, com 29 quartos e um restaurante, e um vasto programa de atividades que unem vinho, gastronomia, natureza e história.
Vinhos do Alentejo na BTL

De 25 de Fevereiro a 1 de Março, os Vinhos do Alentejo marcam presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, a decorrer na FIL – Parque das Nações, em Lisboa, em parceria com a ERT Alentejo e Ribatejo. Esta ação está associada à promoção e à aposta reforçada no âmbito da oferta de […]
De 25 de Fevereiro a 1 de Março, os Vinhos do Alentejo marcam presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, a decorrer na FIL – Parque das Nações, em Lisboa, em parceria com a ERT Alentejo e Ribatejo. Esta ação está associada à promoção e à aposta reforçada no âmbito da oferta de enoturismo na região, através de um programa diversificado em torno do universo de Baco. Para o efeito, foram desenhadas mais de uma dezena de provas de vinho a realizar ao longo dos quatro dias da BTL, algumas das quais contam com produtores da região. Objectivo? Mostrar quão diversa é a produção vínica em tão vasto território vitivinícola.
Afinal, o enoturismo é um dos eixos prioritários do Plano Estratégicos dos Vinhos do Alentejo 2026-2031 da Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo (CVRA). Sobre esta matéria Luís Sequeira, Presidente da CVRA, declara o seguinte: “o crescimento sustentado do enoturismo no Alentejo confirma a capacidade do território para oferecer experiências autênticas e diferenciadoras, cada vez mais valorizadas pelos visitantes, sendo a presença na BTL, em parceria com o Turismo do Alentejo e Ribatejo, uma oportunidade estratégica para reforçar o nosso posicionamento como um destino onde o vinho se afirma como porta de entrada para a cultura, a paisagem e a identidade do território.”
Eis o ponto de partida para rumar ao Alentejo, com o intuito visitar vinhas, adegas e caves, provar vinhos, participar em workshops e cursos dedicados ao vinho, deixar-se levar nas sessões de vinoterapia, fazer passeios pedestres, de bicicleta e a cavalo pelas vinhas, entre outras experiências que incitam a partir à descoberta.
ENOTURISMO: ESPAÇO PORTO CRUZ

Vila Nova de Gaia, vista desde a Ribeira do Porto, parece um vitral de telhas e pedra, onde o rio Douro repousa antes de ser mar. Não foi por acaso que as Caves do Vinho do Porto se instalaram ali e não na cidade ‘Invicta’. A história conta-se como quem segue o referido curso fluvial, […]
Vila Nova de Gaia, vista desde a Ribeira do Porto, parece um vitral de telhas e pedra, onde o rio Douro repousa antes de ser mar. Não foi por acaso que as Caves do Vinho do Porto se instalaram ali e não na cidade ‘Invicta’. A história conta-se como quem segue o referido curso fluvial, de montante para jusante, do ímpeto para a paciência. O vinho nascia e era reforçado no Douro vinhateiro, descia em rabelos, sofrendo com o sol, a corrente e a invernia, e, ao chegar à foz, precisava de um lugar que lhe oferecesse o compasso de espera destinado à maturação. Gaia oferecia essa pausa. O microclima, moldado pela proximidade do Atlântico, a neblina frequente e a orientação a norte de muitos armazéns criavam uma câmara de respiração lenta – temperaturas mais estáveis, humidade elevada, menores perdas por evaporação, luz contida.
O Porto, do outro lado, era mercantil e solar, feito de escritórios, alfândegas e cais apressados; Gaia, em contracanto, era sombra útil, tempo alongado e chão disponível para naves compridas de madeira e granito. Assim, Gaia preparava a gramática do envelhecimento – tanoeiros, ensacadores, provadores, arrais –, um léxico inteiro dedicado a vigiar a passagem do tempo dentro das aduelas.
Mas há ainda a lei, essa paisagem invisível que fixa itinerários. Em 1756, a demarcação pombalina da região do Douro inaugura um regime de controlo e qualidade sem precedentes. Ao longo do século XIX, cristaliza-se o “entreposto de Gaia”, segundo o qual o Vinho do Porto destinado à exportação devia estagiar e ser despachado a partir dali. A norma, que perdurou até 1986, funcionou como um íman institucional, atraindo capital, mão de obra e conhecimento para a encosta de Santa Marinha e arredores. Mesmo depois da revogação, quando a modernidade permitiu envelhecer e engarrafar no próprio Douro, a inércia qualificada manteve-se: quem já tinha pedra, saber e reputação não desistiu do lugar.
Também a história internacional pesou. O Tratado de Methuen, datado de 1703, afinou o eixo luso-britânico, entre tarifas, privilégios, redes. As grandes casas, muitas de raiz anglo-saxónica, assentaram os escritórios no bulício portuense, perto da letra e do câmbio, e estenderam as caves pela encosta de Gaia.
Entre estratégia e memória
A história da Granvinhos tem as suas raízes na Sociedade Manuel R. d’Assumção & Filhos, fundada em 1887, ao presente, o fio condutor é transformar tempo em valor. Em 1975, num período difícil para o setor, a francesa La Martiniquaise adquire a Manuel R. d’Assumção & Filhos e os ativos da Porto Cabral, renomeando a operação, que passa a designar-se Gran Cruz Porto. Ao decidir engarrafar a marca Porto Cruz exclusivamente em Vila Nova de Gaia, antecipou duas décadas a medida estatal de 1995, que proibiria a exportação de Vinho do Porto a granel. Centralizar em Gaia significou afirmar um compromisso com o lugar.
A estratégia iniciada por Jean Cayard, hoje prosseguida pelo filho, Jean-Pierre Cayard, fundamentou-se em investimento, construção de marca e liderança. Em 2001, a Porto Cruz ascende ao primeiro lugar no ranking das marcas de Vinho do Porto. Atualmente, ultrapassa as 10 milhões de garrafas distribuídas por mais de 50 mercados, liderando em países como França, Alemanha, Espanha e Rússia. A campanha ‘Porto Cruz, pays où le noir est couleur’, traduzida pela figura feminina em negro a contrastar com as cores de Portugal, tornou-se um ícone publicitário que se reinventa há quase 40 anos.
Em 1993, a Gran Cruz entra no Vinho da Madeira ao adquirir a Justino’s, em 2010, com a compra da Henriques & Henriques. Hoje, detém cerca de 60 por cento da comercialização do Vinho da Madeira. No Porto, cria, em 1996, a Companhia União dos Vinhos do Porto e Madeira, para marcas de comprador e, em 2007, adquire a C. da Silva, integrando a Dalva e a Presidential.
Na década seguinte, acelera no enoturismo e na produção. A Gran Cruz Turismo surge em 2010, para lançar o Espaço Porto Cruz, no Cais de Gaia, em 2011, a totalidade do capital da Vale de S. Martinho permite, em 2014, erguer em Alijó uma das mais modernas adegas e centros logísticos do país. No mesmo ano, a aquisição da Quinta de Ventozelo — uma das maiores e mais antigas do Douro — fecha o ciclo. A presença em toda a fileira, da vinha ao copo, reforço do segmento premium e uma leitura de terroir que não se esgota na garrafa.
Em 2018, a Gran Cruz House e o restaurante Casario (na Ribeira) e, em 2020, o Ventozelo Hotel & Quinta aprofundam a vocação de “mostrar o Douro numa quinta “e, sobretudo, experiências que transformam património em hospitalidade.
Diversificação e novo ciclo
Em 2022, o grupo passa a controlar a Vicente Faria Vinhos – segunda maior exportadora de Douro – e a Quinta de Santa Luzia, alargando portefólio aos Vinhos Verdes e aos Vinhos de Lisboa. No mesmo ano, adquire as Caves Borlido e a marca Albergaria (1972), com dois licores populares, amêndoa amarga e ginja, acima de um milhão de garrafas/ano.
Desde janeiro de 2023, o nome Granvinhos espelha a fusão, por incorporação, da C. da Silva e da Companhia União dos Vinhos do Porto e Madeira na Gran Cruz Porto. No mesmo ano, a entrada na região dos Vinhos Verdes celebra-se com a compra da Sociedade Agromar, SA. Deste modo, a Quinta de S. Salvador da Torre, no Vale do Lima, acrescenta dimensão agronómica a uma paisagem em mudança climática.
A aposta da empresa no enoturismo nasce de uma intuição centrada no facto do vinho se compreender melhor quando é vivido através de experiências, decisão estratégica que imperou na criação de palco urbano para contar a sua história a públicos cosmopolitas, o Espaço Porto Cruz. A jornada prossegue na Quinta de Ventozelo, onde a experiência se aprofunda, com o ritmo agrícola, a topografia extrema e a biodiversidade. A estadia, os percursos, as provas orientadas e a cozinha de proximidade convergem num ecossistema que prolonga o tempo de atenção do cliente.
As caves do Vinho do Porto
As gentes de Gaia, discretas e hospitaleiras, são o sal da narrativa das famílias centenárias que aqui se estabeleceram, da história do xisto, das encostas, do suor dos homens e das mãos das mulheres. São os armazém-mestres que sabem ler a temperatura do ar, as mãos que viram pipas, os olhos que medem a luz; são os trabalhadores da doca, os cozinheiros que escolhem os produtos ideais para a harmonização, os jovens que ensinam turistas a distinguir um Tawny de um Ruby. É neste contexto que o vinho deixa de ser apenas uma tradição e cultura, para se tornar, em simultâneo, experiência, conhecimento e hospitalidade que começa no copo e se estende à cidade.
Foi por tudo isto que escolhi deambular pelas margens do rio Douro, onde estas caves, alinhadas como se fossem um coro antigo, se impõem. Havia em mim uma fome mansa de procurar uma memória que não é só minha, a memória do Douro, das mãos que moldam a madeira, do silêncio que cabe numa pipa. Foi neste estado de disponibilidade que dei por mim diante do Espaço Porto Cruz. A fachada azul e imponente cruza linguagem e vinho, tradição e gesto contemporâneo, ponto de chegada e ponto de partida. Ali percebi que o meu passeio tinha um destino sem ter roteiro. Entrei devagar. Levei comigo a certeza de que, às vezes, é preciso deambular, para que algo em nós desperte.
Em permanente descoberta
Entrar no Espaço Porto Cruz é como partir à descoberta, com base em projeções, mapas, fotografias e pequenos rituais de prova, que conduzem o visitante por um percurso didático e sensorial. Não é um museu, embora ensine, não é um bar, embora convide, não é uma sala de aula, embora explique. É, antes, um laboratório de perceções, onde o Vinho do Porto é desmontado em notas de noz, cacau, casca de laranja, figo seco e terra quente.
Cada piso acrescenta uma ideia ao ensaio líquido, o vinho do Porto. Entra-se pelo lado do Cais de Gaia e percorrem-se quatro andares, como capítulos de uma mesma narrativa se tratasse: origem, interpretação, mesa e horizonte. No primeiro piso, o “My Porto Cruz” recebe o visitante como um prólogo interativo. É um lugar de descoberta guiada, com conteúdos sobre a região, as casas, a paisagem e a “mulher de negro”, que serve de metáfora à marca. Entre painéis e Sala Douro, percebe-se que o vinho é linguagem, memória e território, uma espécie de mapa afetivo, onde o Douro se lê tanto com os olhos como com o paladar.
O segundo piso aprofunda a conversa e muda o tom, no auditório e na sala de provas. O vinho deixa de ser abstrato e passa a argumento sensorial. É onde acontecem sessões, mostras e pedagogia do “néctar”, com copo na mão, tempo abrandado, comparação e lógica dos estilos e das idades. No terceiro piso, o restaurante DeCastro Gaia convida à degustação gastronómica e vínica. É palco de um diálogo de texturas e temperaturas, onde o Vinho do Porto pode temperar, contrastar ou, simplesmente, ser pretexto de demora à mesa. É o território da convívio.
O quarto piso é um epílogo aberto, com o Terrace Lounge 360º. A vista desfaz fronteiras, com o rio Douro, a ponte e a cidade ‘Invicta’, em frente, a acompanharem um copo ou um cocktail de Vinho do Porto. Se o rés-do-chão é mercado e iniciação, o terraço é a síntese.
Diálogo com a cozinha portuguesa
Treze anos após a inauguração, o restaurante DeCastro Gaia foi redecorado e a carta afinada, mas sempre fiel à matriz, a cozinha portuguesa tratada como matéria viva e não como vitrine. O chef Miguel Castro e Silva regressa aqui com a gramática de raiz em casas de pasto e petisco reerguido, onde a linguagem culinária reafirma a velha tese de que quando o produto lidera, a técnica acompanha e a memória encontra o caminho da preservação no futuro. A seu lado, o sub-chef José Guedes acrescenta um segundo olhar a quatro mãos. Resultado? O menu lê as preferências de quem chega sem perder a origem de quem cozinha. É este o ponto de encontro de uma tradição que interroga, contemporaneidade que escuta. O ritmo da sala está, agora, mais intimista, graças à luz intimista baixa conforto que convida a ficar por mais tempo.
Na nova carta, o percurso desenha-se em sabores que soam familiares e, ao mesmo tempo, respiram novidade: um cake de legumes com chutney de tomate e maçã abre o apetite, o choco salteado encontra no molho verde um contraponto fresco, o arroz de polvo, em registo Provençal, dialoga com os filetes de polvo, o novilho laminado recebe um molho de mostarda portuguesa que o afina, a costela mendinha aterra sobre milhos de couve e o pudim de requeijão e laranja encerra com doçura e sem gravidade.
A fidelidade ao produto e a coragem de o reler são, definitivamente, as premissas do DeCastro Gaia. Treze, aqui, não é superstição, é método e mestria. E quando o ruído passa, o que permanece é o sabor e a memória do encontro. Como é fácil ser feliz no Espaço Porto Cruz!
CADERNO DE VISITA
Comodidades e Serviços
Línguas faladas: português, inglês, francês, espanhol
Loja de vinhos: interior 40pax
Restaurante: para 60 lugares sentados
wine bar no roof top
Roof top: 60 lugares sentados
Esplanada de rua: 40 lugares
Sala de prova sentados: 20
Sala de Reuniões: sim (sob consulta) 30pax
Diferentes atividades e refeições (sob consulta): sim
Provas comentadas (ver programas)
Wifi gratuito disponível: sim
Visita às vinhas no Douro (sob consulta) – Quinta de Ventozelo
Visita à Adega no Douro (sob consulta)
Passeio e prova nos barcos, no Rio Douro (sob consulta)
Eventos
Eventos corporativos: sob consulta
Atividades team building: habitualmente selecionam workshops de cocktails
Experiências
Prova Porto Cruz
Porto Cruz White, Porto Cruz Special Reserve e Porto Cruz LBV 2004.
Preço: 10€
Prova Origens dos Sabores
Porto Cruz White, Porto Cruz Pink, Porto Cruz Tawny e Porto Cruz Ruby
Inclui: harmonização com quatro chocolates artesanais.
Preço: 15€
Prova Tawny Style
Porto Cruz Tawny, Dalva Tawny Reserve Pure, Porto Cruz 10 Anos, Porto Cruz 20 Anos e Dalva Porto Colheita 1995.
Preço: 30€
Prova Porto Vintage
Porto Cruz LBV 2004, Porto Cruz Vintage 2005, Porto Cruz Vintage 2011 e Dalva Porto Vintage 2017.
Inclui: copo surpresa para o cliente adivinhar o vinho.
Preço: 35€
Prova Porto Descoberta
Dalva Porto Dry White, Porto Cruz Lágrima, Porto Cruz Pink, Porto Cruz 10 Anos e Porto Cruz Vintage 2005.
Inclui: harmonização com cinco queijos, biscoitos artesanais, azeitonas, fruta e amêndoas.
Preço: 35€
Prova Heritage
Dalva Porto Colheita White 2007, Dalva Porto Colheita White 2011, Dalva Porto Dry White 20 Anos e Dalva Porto Dry White 40 Anos.
Preço: 40€
Prova Premium
Dalva Porto Dry White 40 Anos, Dalva Porto Colheita White 2007, Dalva Porto Colheita 1985, Porto Cruz Tawny 20 Anos, Dalva Porto Colheita Tawny 1995, Porto Cruz LBV 2004 e Porto Cruz Vintage 2011.
Preço: 70€
Prova Encantos de Ventozaelo (DOC Douro)
Quinta de Ventozelo DOC Douro Viosinho, rosé e Touriga Nacional, e azeite Virgem Extra Quinta de Ventozelo.
Inclui: harmonizada com pão rústico e azeitonas temperadas.
Preço: 22€
Prova Douro e Mar (DOC DOURO)
Dalva DOC Douro branco e conserva de sardinha em azeite e limão, Dalva DOC Douro rosé e conserva de ventresca de atum em azeite, e Dalva DOC Douro Reserva Tinto e paté de cavala picante.
Preço: 50€ (duas pessoas)
Menu Tradições
1 cálice de Porto Cruz Special Reserve, nata e café.
Preço: 8€
Prova Kids
Prova de três sumos com três chocolates.
Preço: 8€
Workshop de Cocktails |25€
Reserva mínima de quatrp pessoas e mediante disponibilidade.
Preço: 25€
Nota: quanto ao número mínimo e máximo de pessoas (por programa), aconselha consulta prévia
Horário de Funcionamento
Loja
Inverno: de 1 novembro a 31 de março, de terça-feira a domingo, das 11h00 às 19h00
Verão: de 1 de abril a 31 de outubro, de terça-feira a sábado, das 11h00 às 20h00, e ao domingo, das 11h00 às 19h00
Restaurante DeCastro Gaia
De terça-feira a sábado, das 12h30 às 23h00, e ao domingo, das 12h30 às 19h00
Terrace Loungue 360º
De terça-feira a sábado, das 12h30 às 00h00, e ao domingo, das 12h30 às 19h00
Reservas
CONTACTOS
Espaço Porto Cruz
Largo Miguel Bombarda, 23
4400-222 Vila Nova de Gaia
Tlf. +351 220 925 401
Loja on-line: www.granvinho.pt
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
Viagem ao Centro de Portugal

O ruído à volta da atual crise do setor vitivinícola é demasiado sonoro, obrigando-nos a repensar fórmulas e estratégias que permitam, de algum modo, ultrapassar este período que desejamos que seja apenas um ciclo e não um declínio estrutural e definitivo de um negócio que emprega milhares de pessoas e faz parte da nossa cultura. […]
O ruído à volta da atual crise do setor vitivinícola é demasiado sonoro, obrigando-nos a repensar fórmulas e estratégias que permitam, de algum modo, ultrapassar este período que desejamos que seja apenas um ciclo e não um declínio estrutural e definitivo de um negócio que emprega milhares de pessoas e faz parte da nossa cultura. O último ano tem sido bastante conturbado, sucedendo-se manifestações de preocupação transversais a agricultores, produtores, distribuidores e retalhistas. Os dados oficiais são inequívocos a transmitir-nos uma diminuição do consumo nacional, com uma discrepância que se agrava entre o consumo e a oferta. Os relatórios internacionais mais recentes não auguram um futuro auspicioso, sinalizando que o consumo mundial cai todos os anos.
Contudo, o vinho com mais de 4000 anos de história entre nós, pelo peso cultural e económico que detém, é demasiado importante para que nos resignemos perante um declínio acentuado. Sensível a esta crise e com o intuito de contribuir para a busca de respostas e alternativas, a Grandes Escolhas trouxe a Portugal duas dezenas de profissionais do setor, entre importadores de média dimensão, de mercados e produtos de nicho, detentores de clubes de vinhos exclusivos, operadores turísticos dos mercados premium e super premium, e jornalistas da área de vinhos e gastronomia que, durante três dias, diagnosticaram o território das Beiras, com passagens pelas regiões vitivinícolas da Beira Interior, Dão e Bairrada.
Despertar da Beira Interior
A viagem a partir de Lisboa faz-nos entrar na Beira Baixa pelo sul. O Tejo surge-nos à direita, atravessando a Serra das Talhadas, onde, através do majestoso desfiladeiro rochoso das Portas do Ródão, o rio se estreita. A A23 traça-nos o caminho e, ao longe, num reflexo dourado, surge a Adega 23, arrojado projeto que tem o vinho como pretexto, mas um propósito muito mais amplo. Em 2024, integrado na exposição intitulada “O que faz falta”, destinada a celebrar os 50 anos do 25 de Abril na arquitetura, o projeto de Sarnadas do Ródão é distinguido como uma das 50 obras mais relevantes das últimas cinco décadas da democracia portuguesa. Manuela Carmona, reputada médica oftalmologista, tem as suas raízes neste local.
Com a Serra de São Mamede como linha do horizonte, Manuela Carmona criou de raiz uma adega, onde a história, a cultura e a arte são um forte complemento à produção vitivinícola de vinhos e espumantes. O projeto de arquitetura é delineado pelo Atelier RUA, para o qual os arquitetos conjugaram a cortiça, que reveste todo o edifício de nuances douradas. Localizado na cota mais elevada da propriedade de 12 hectares, é o elemento que mais se destaca a quem circula na A23, a autoestrada que contribui com o nome à vontade materializada de Manuela Carmona investir na sua região berço.
O interior do edifício foi, igualmente, desenhado com o cuidado de quem compreendeu que, além do vinho, há toda uma outra possibilidade de rentabilização de espaço e conceito. Da varanda panorâmica, olhamos o Alto Alentejo, as Talhadas e a Serra da Estrela. As áreas sociais do edifício acolhem exposições, eventos culturais e sociais, provas vínicas em almoços e jantares, e não é alheio ao sucesso da loja que, atualmente, já corresponde a uma fatia importante da faturação. Em vinhas de solos xistosos e quartzo, estendeu-se um compromisso entre as castas mais tradicionais – Rufete, Síria e Fonte Cal – e as nacionais Alicante Bouschet e Arinto, bem como as internacionais Syrah e Viognier. A produção ronda cerca de 30 mil garrafas, centrando-se a venda, sobretudo, na restauração de Lisboa e nalguns pontos exclusivos no país. Sendo um projeto ainda muito recente – a primeira vindima ocorre apenas em 2017 – as vendas de vinho decorrentes do enoturismo e atividades da adega ainda representam apenas 5% do total de faturação. No entanto, José Hipólito, enólogo da Adega 23, está consciente que o futuro passa pelas virtudes do turismo à porta de casa, centrado num edifício que foi criado para bem receber.
Regressados à estrada, rumamos ao norte, até Belmonte, onde, nas franjas da Serra da Estrela, encontramos a Quinta dos Termos. Foi a partir das parcelas do pai e das vinhas plantadas na década de 1940, que João Carvalho, empresário têxtil de sucesso e professor universitário, fez crescer um dos mais notáveis projetos da Beira Interior. A propriedade nos Termos conta já com mais de 60 hectares, possuindo, no total, nas Beiras, 130 hectares, a que somou, mais recentemente, uma propriedade no Douro, a Quinta do Pocinho.
Na Quinta dos Termos, localizada a uma altitude média de 500 metros, apostou-se na diversidade e experimentação. A par das nacionais Touriga Nacional, Trincadeira, Rufete, Jaen, Tinta Roriz, Marufo, Tinto Cão, Alfrocheiro e Baga, foram plantadas a Syrah, a Petit Verdot e a Sangiovese. Nas brancas, entre as locais, constam a Fonte Cal e a Síria, fazem-se experimentações, com bons resultados, com Arinto, Verdelho e Riesling. A vertente do turismo é levada muito a sério. Num universo de produção de cerca de 800 mil garrafas, o turismo ainda só corresponde a 5% da faturação total desta propriedade. A região está a dar os primeiros passos nesta vertente e a Quinta dos Termos quer fazer parte desse mercado cada vez mais significativo. Ao longo do ano, são as visitas com prova e os eventos organizados com jantares que conferem a dinâmica na propriedade, com notória repercussão nas vendas.
São já mais de 10 mil visitantes que, por ano, se deslocam a este produtor modelo da Cova da Beira, com maior incidência no verão, mas a encurtar distâncias nos meses ditos de época baixa, destacando-se um turismo sénior a partir de setembro e outubro. O investimento em infra-estruturas é constante e, a par com a adega, os espaços dedicados a albergar grupos têm crescido. O facto de a Quinta dos Termos ser, pela expressividade das vendas, a marca mais reconhecida da Beira Interior, potencia a curiosidade e as visitas, não se ignorando o fator natureza e sustentabilidade, selo que a propriedade de João Carvalho ostenta com orgulho de ser a primeira adega em Portugal a garantir a certificação em sustentabilidade. As vendas na, ainda, pequena loja da quinta, representam 150 mil euros de faturação anual, com tendência a um crescimento. O mercado externo somente agora começa a ter alguma tração nas vendas, sobretudo Brasil e China. A estratégia tem sido, até recentemente, de forte implementação no mercado nacional. No fundo, são cerca de 1500 os espaços de restauração onde a marca está presente no território nacional. Para o futuro, a equação pode passar por novas valências na área turística, não estando, por ora, prevista a criação de unidade de alojamento.
A Beira não se faz sem a gastronomia de conforto e, após a travessia da Serra da Estrela para as suas franjas, a norte, fomos ao encontro, noite dentro, da pequena povoação de Galegos, situada nas cercanias da forte, fria, fiel formosa e, à mesa, farta cidade da Guarda. Aqui, encontrámos poiso no Restaurante Colmeia, conduzido desde 1983 por Max Gonçalves e pela sua mulher, Teresa. A justa fama de ser uma das melhores casas de bem comer da região serve-se à mesa, na extrema competência de confeção de pratos serranos, com o polvo, o cabritinho e os nacos a marcarem presença assídua, complementados por uma doçaria muito competente. De louvar, a carta de vinhos preenchida, sobretudo, por referências certificadas da Beira Interior, também com destaque para os mais pequenos e recentes projetos da região. Lugar incontornável numa viagem pelas Beiras.
A pernoita teve lugar na cidade-falcão, Pinhel. Recentemente inaugurado em pleno centro histórico da localidade, o Brasão Dourado, um solar do século XVIII, que emprestou a sua imponência ao alojamento local, dispõe de 21 quartos, incluindo três suítes. Catarina Dourado, a proprietária, tem neste projeto a materialização do sonho de criança. O edifício foi adquirido pelos seus pais, um ourives e uma professora, o qual foi objeto de vultuosas obras de remodelação. Tendo aberto portas este ano, este alojamento vem colmatar uma necessidade de há muitos anos em Pinhel, uma vez que se trata de uma unidade hoteleira com maior capacidade de alojamento do concelho.
O Dão nobre
O segundo dia leva-nos até um Dão, onde o enoturismo é já uma realidade robusta, beneficiando de uma história que cruza o vinho com solares imponentes e famílias ancestrais. Com berço na Bairrada e quatro décadas de presença no Dão, Casimiro Gomes tem, em Nelas, o quartel-general da Lusovini, empresa que, após conquistar mercados sólidos em países de expressão portuguesa, sobretudo Angola e Brasil, expandiu influência e vendas por mercados europeu, norte-americano e asiático. Com um investimento superior a cinco milhões, ali nasceu, há quase uma década, um centro logístico, adega, cave de espumante e armazém para stock das linhas premium. Com ele também surgiu o restaurante, atualmente, uma das melhores referências regionais, o Taberna da Adega.
Vocacionada para a internacionalização, que representa cerca de 80% de todo o volume de produção, na Lusovini avalia-se muito seriamente o enoturismo. Atualmente, representa cerca de 25% de todo o volume de faturação. Aquando da abertura do restaurante, em 2016, não havia sequer a expetativa de um resultado tão positivo. A grande maioria dos clientes são provenientes de fora da região e é a diversidade de serviços que o torna tão apelativo. Dispondo de salas para reuniões, zona de receção com condições para trabalho remoto, criaram-se as mais-valias que cativam e atraem clientes de negócios e lazer. A articulação e as dinâmicas existentes com as unidades hoteleiras da região, resultantes de parcerias informais, mostram efeitos positivos para todas as partes. Com cozinha à vista, é a confeção dos pratos regionais que cria fidelidade.
Casimiro Gomes lamenta que Nelas ainda não estimule o registo de um maior número de dormidas. O fator distância deixou de ter relevância. As acessibilidades de hoje permitem que Lisboa, Porto e Coimbra fiquem cada vez mais perto. Nelas possui espaço para atrair mais unidades hoteleiras, até porque, não havendo ainda especulação de preços, torna-se mais atrativa que o litoral. Contudo, ainda se falha na criação de roteiros consistentes e variados, que estimulem a pernoitar mais. Casimiro Gomes, deixou ainda uma referência à hotelaria de luxo já existente na região. E foi rumo a ela que viajámos neste segundo dia de périplo pelas Beiras.
A vila de Santar, com cerca de 1000 habitantes, mesmo no contexto do Dão, é um mundo à parte. As ruas debitam tradição, herança e, ali, vários foram os momentos marcantes da nobreza e da monarquia nacional que transformaram a história de Portugal. Numa antiga residência real, pertencente a D. Miguel Rafael de Bragança, irmão de D. Duarte Pio, ergue-se o Valverde Santar Hotel & Spa, unidade hoteleira de cinco estrelas cercada por jardins frondosos e vinhedos antigos. O interior transporta-nos para um passado longínquo da realeza, com toda a formalidade desenhada nas amplas salas iluminadas pelos lustres dourados, pinturas a óleo originais, poltronas antigas e madeiras esculpidas. Os quartos e suítes renderam-se à modernidade e oferecem o máximo conforto. É um dos mais belos hotéis portugueses, oferecendo um Spa de última geração, instalado na antiga adega, e o acesso a uma impressionante biblioteca. Localizado a 90 minutos do Porto, este hotel é, acima de tudo, procurado por turistas estrangeiros, possuindo uma taxa de ocupação muito elevada durante todo o ano, igualmente graças aos programas especiais desenhados para as datas festivas e à possibilidade de ser reservado na sua totalidade, a preços que se iniciam nos €7.500 por noite.
A cerca de cinco quilómetros de Viseu está a Quinta de São Francisco, propriedade familiar adquirida em 1996, que deu lugar à marca Chão de São Francisco. O centro nevrálgico é o solar beirão, erguido no século XVIII, testemunho de um legado da fidalguia da época, ali albergando a capela de Nossa Senhora dos Escravos, esta erigida antes da construção do solar (1660). Onde outrora existiam avelaneiras, hoje deitamos a vista sobre oito hectares de vinha ocupada pelas castas preferidas do proprietário: Touriga Nacional, Tinta Roriz e, por uma tradição infelizmente quase abandonada na região, a Baga. A pretensão inicial foi a produção de vinhos com a indelével marca do Dão, possuindo a adega a capacidade de vinificar e armazenar cerca de 100 mil litros de vinho. Atualmente, selecionam a melhor uva e produzem 35 mil litros para produção própria e engarrafamento. A restante uva é cedida.

O enoturismo da Quinta de São Francisco, com componente de alojamento, surge mais tarde e teve por inspiração o encanto dos jardins e das diversas fontes da propriedade, criando um ambiente intimista com todos os recantos e mesas de pedra. A proximidade de Viseu e a os programas taylor made têm vindo a contribuir para a procura por parte de uma camada eclética de turismo, cujo tour prévio nos embala pela história de fidalguia da quinta. Aquele termina com uma prova obrigatoriamente acompanhada por queijos e enchidos regionais. O alojamento abriu portas há cerca de dois anos e tem sido uma mais-valia em diversos aspetos. Não apenas convida a permanecer na região por mais tempo, como também tem sido um fator de captação de novos clientes para a exportação. Não sendo o outono e o inverno ainda um barómetro do que aí vem, a verdade é que o enoturismo representa uma fatia substancial das vendas e a tendência prevê o crescimento das experiências, com o foco na ‘prova’ do território, num ambiente afável e familiar.
Já a saída de Viseu se faz debaixo de uma chuva copiosa. O último destino do dia e da região leva-nos até Penalva do Castelo, onde nos espera um coberto cinzento e húmido. À chegada encontramos a imponência da Casa da Ínsua, conjunto arquitétonico que alberga um hotel de cinco estrelas, vocacionado para o segmento de luxo, proporcionando uma multiplicidade de experiências que abrangem a componente histórica.
O atual Parador Casa da Ínsua nasce da reabilitação do solar erigido no século XVIII, por Luis Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, Capitão-General de Mato Grosso, Brasil. A preservação da traça original da imponente fachada e do interior finamente decorado com azulejaria barroca, tetos trabalhados, lareiras belamente esculpidas e armas indígenas brasileiras, cria um ambiente de viagem no tempo, para uma época de glória lusitana, permitindo aos hóspedes uma revisitação de domínio e riqueza da nobreza portuguesa. Com quartos personalizados com a história da casa e jardins de inspiração francesa, repletos de árvores exóticas trazidas pelo primordial proprietário, o espaço dispõe ainda os vinhos de produção própria e o Queijo Serra da Estrela DOP ali produzidos diariamente por artesãs que seguem à risca toda uma arte secular.
O Dão, com esta amostra de locais visitados, revela que está uns passos à frente no modo como coloca o enoturismo na vanguarda de um negócio que, cada vez mais, está muito para além do ato de comercializar um líquido engarrafado.
Uma Bairrada a dois tempos
O terceiro dia deste roteiro leva-nos à elevação que separa a região granítica do Dão da Bairrada, da argila e do calcário, a Serra do Buçaco. No ponto mais alto, marcado por uma cruz de Cristo, nos aguardava uma representação da dinâmica associação Rota da Bairrada. Daquele promontório, em dias de céu limpo, é-nos permitido ter uma vista desafogada das cercanias da cidade de Coimbra, da Serra da Boa Viagem, que encobre a Figueira da Foz, da Ria de Aveiro, da Serra do Caramulo e do Atlântico, que nos ilumina o horizonte. A meio caminho da descida até ao sopé da Serra, embrenhamo-nos entre muros. Falamos na Mata do Buçaco, onde, desde o século XVII, reside uma mancha florestal plantada pela Ordem dos Carmelitas, que confere um ambiente luxuriante, albergando diversas fontes, caminhos pedonais e uma das mais completas Vias Sacras do mundo cristão. Vencido o manto verde, surge-nos, o Palace Hotel do Buçaco, edifício neo manuelino projetado pelo cenógrafo Luigi Manini e construído entre 1888 e 1907, para servir de Paço de caça ao rei D. Carlos. Porém, conta-se que, se ali alguma vez pernoitou, não terá sido para caçar. Com a queda da Monarquia, o palácio real dá lugar ao hotel, encontrando-se, desde 1917, nas mãos da família Alexandre de Almeida.
O conceito de hotel, com salas faustosas, frescos de caça e azulejaria, entre outros elementos, evocativa dos Descobrimentos, insere-se mais num conceito de revisitação histórica do que propriamente no conforto associado à hotelaria contemporânea, facto bem explícito no site. Se procura uma experiência de fausto real, em que os 60 quartos e as quatro suítes mantêm o mobiliário original, os cortinados de veludo e uma natural decadência, fruto da passagem do tempo, encontram aqui a verdadeira cápsula do tempo. Quem desejar o conforto de design e a mais alta tecnologia, aconselham-se outras paragens. A maior surpresa estava reservada para o restaurante do palácio, centrado na prática de uma cozinha contemporânea de inspiração francesa, com menus de degustação constituídos por sete momentos, harmonizados com os raros e míticos vinhos do Buçaco, guardados a sete chaves na cave do edifício, podendo ali ser encontradas colheitas, se a memória não me falha, desde 1929. Peças de elevada raridade!

Descendo a serra, sem a perder de vista, rumámos a Aguim, aldeia do concelho de Anadia, onde encontramos o projeto que o professor universitário Francisco Batel Marques ergueu dos escombros a partir de 2003, a Quinta dos Abibes. No início, esperavam-no 10 hectares de abandono. A pouco e pouco, e vencendo as dificuldades burocráticas, ergueu uma propriedade modelo, com a plantação de castas portuguesas Baga, Touriga Nacional e Arinto, e as internacionais Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc. Entretanto, introduziu a Bical e a Syrah. O enoturismo faz-se sobretudo através das visitas às vinhas e à adega, de provas e jantares vínicos no salão do edifício principal, com vista para os vinhedos e a Serra do Buçaco.
Uma das maiores vantagens da Bairrada para ‘turistar’ são as boas acessibilidades e a proximidade entre locais a visitar. Entre Aveiro e Coimbra, por auto estrada, não demoramos mais de 40 minutos, a cumprir os limites de velocidade. Pelo meio, temos o coração da Bairrada, o espumante, o leitão e outras virtudes merecedoras de visita e/ou pernoita. É o caso do Curia Palace Hotel, igualmente integrado no grupo Alexandre de Almeida. A aldeia da Curia era, durante quase todo o século XX, um local de termalismo sério, onde milhares de utentes permaneciam durante longos períodos, selecionando, consoante a bolsa, uma das muitas pensões ali existentes ou no exclusivo Curia Palace. Construído de raiz para hotel e a funcionar desde 1926, é o epíteto dos loucos anos 20 do século XX, do luxo e vanguardismo associados a uma sociedade que convivia de perto com as influências estrangeiras e as replicava localmente. Alvo de obras profundas de remodelação, esta unidade mantém a patine de outrora, tendo sido palco, nos últimos dois anos, do Millésime, a festa do espumante nacional por excelência, recriando os primórdios festivos do hotel, na região que o viu nascer há 135 anos.
A escassos 500 metros, está o edifício da Rota da Bairrada, sede da associação homónina criada para coordenar, inicialmente, os produtores de vinho da região, mas logo alargada a unidades de alojamento, restauração, hotelaria e assadores de leitão. Se há um trabalho modelo em prol do território, é aqui que é realizado. Contando com quase uma centena de associados, dos quais 45 são produtores vitivinícolas, a associação tem pautado a atividade na coordenação de eventos dentro de portas e de cariz nacional, representando o território no exterior. O que aqui é realizado é verificável pelas estatísticas do aumento dos visitantes a toda a região que abarca, não apenas as principais capitais de distrito, Aveiro e Coimbra, mas o coração de uma região, onde é o espumante e o leitão quem mais ordenam.
Por falar em espumante, ao entardecer tomámos o caminho em direção às Caves São Domingos, empresa da pequena aldeia de Ferreiros, fundada pelo industrial de madeiras Elpídio Martins Semedo, em 1937. Com uma estrutura societária familiar, hoje é uma das líderes na produção de espumantes, exclusivamente elaborados pelo Método Clássico desde os seus primórdios. Logo nos anos 30 do século passado, foi aberto, a golpes de picareta, um rendilhado de galerias subterrâneas onde, ainda hoje, estagiam cerca de três milhões de garrafas. É nos subterrâneos que se vivem os momentos mágicos das visitas, que, a par com as provas, são os principais fatores de atração e, claro, o espumante que, ali, conta com 16 referências. A vertente de produção e comercialização sempre foi o foco primordial. Todavia, é com o sangue novo de Duarte Amorim, que se olha para um futuro focado no investimento, sobretudo na criação de uma sala de provas com vista para uma vinha pedagógica, onde estão plantadas mais de cinco dezenas de castas diferentes.
Para o final desta viagem, guardámos as Caves São João, a, outrora, empresa familiar que, é ela mesmo, repositório de toda a história da região da Bairrada dos últimos 100 anos. Aqui, e para falarmos de enoturismo sem componente alojamento, percebemos que há um conceito a que os britânicos chamam de heritage. Mais do que património e vinhos, bebe-se a história de uma Bairrada moderna, nascida com a indústria dos espumantes em 1890, pela mão de Tavares da Silva, o técnico, e de Justino Sampaio Alegre, o visionário industrial. Aliado a um espólio valioso de vinhos antigos, provavelmente o maior do país em vinhos tranquilos, com cerca de 400 mil garrafas armazenadas, pratica-se o bom gosto que transforma a visita, as provas e os jantares, em experiências inolvidáveis, como o foi para a vintena de estrangeiros que a puderam vivenciar. Célia Alves, atual gerente da empresa, coloca uma tónica especial nesta vertente, a qual já não pode ser dissociada da mera venda de vinhos.

Nas Caves São João, vende-se hoje uma imersão no território, na história e nos sabores e aromas de uma região que vai tomando o turismo como um filão ao alcance de todos. Se os visitantes ali encontraram território bairradino, também encontraram memórias e laços com Champagne, através dos espumantes produzidos como nos primórdios da região, com as castas Pinot Noir e Chardonnay, nos Cabernet Sauvignon dos anos 90 do século XX, uva plantada, pela primeira vez, na Quinta do Poço do Lobo, no início dos anos 1980, no colheita tardia reconheceram Bordéus, nas aguardentes vínicas dos anos 60, reconheceram Cognac. Foi esta experiência sensorial que os sensibilizou para a qualidade dos grandes vinhos portugueses, ávidos de serem parte importante das nossas exportações.
Em jeito de conclusão, muitas ilações e lições podem ser retiradas desta viagem, durante a qual o vosso cronista foi auscultando cada um dos importadores, operadores turísticos e jornalistas. Possuímos singularidade, identidade, gentes que valorizam o território. Necessitamos, talvez, de perceber que o nosso mercado de enoturismo deve procurar um segmento premium e, para isso, temos de oferecer condições e, acima de tudo, ter uma boa capacidade de comunicação… em inglês.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
ENOTURISMO: QUANTA TERRA no planalto de Alijó, um Douro quase infinito

No coração do Douro, Alijó ergue-se no território do Cima Corgo, a sub-região que se estende entre a suavidade do Baixo Corgo e a vastidão agreste do Douro Superior. É uma paisagem de contrastes intensos, com vales que se afundam em profundidade vertiginosa, encostas que desafiam o olhar e o corpo, solos duros que obrigam […]
No coração do Douro, Alijó ergue-se no território do Cima Corgo, a sub-região que se estende entre a suavidade do Baixo Corgo e a vastidão agreste do Douro Superior. É uma paisagem de contrastes intensos, com vales que se afundam em profundidade vertiginosa, encostas que desafiam o olhar e o corpo, solos duros que obrigam a videira a conquistar centímetro a centímetro o direito de existir. Aqui, entre vilas de memória antiga, como Sabrosa e Alijó, o relevo exige persistência. Mas é dessa exigência que nasce o caráter singular dos vinhos, moldados pela paciência das gentes que aprenderam, ao longo dos séculos, a transformar a rudeza da terra em poesia líquida.
O planalto de Alijó distingue-se pela sua morfologia singular. Os solos, dominados por xisto, mas com presenças graníticas e manchas argilosas, em altitude, são austeros, pobres à primeira vista, mas é dessa contenção mineral que a videira extrai caráter e resistência. O clima, de verões quentes e secos, e invernos frios, molda a vinha num exercício de resiliência. A pluviosidade, irregular e muitas vezes escassa, obriga a planta a mergulhar fundo, em busca da água escondida nas fraturas da rocha.
Os homens e as mulheres de Alijó também são o verdadeiro património do planalto. Ao longo de gerações, aprenderam a ler a paisagem como quem lê um livro antigo. Conhecem os ventos, distinguem o cheiro da terra húmida, sabem o tempo certo de podar e o instante em que a uva pede colheita. A tradição vitivinícola é uma herança coletiva, feita de gestos que não se cristalizaram no passado. Ao lado das práticas ancestrais, surgem as adegas, equipadas com tecnologia adequada, numa convivência que não nega a tradição, mas a renova, projetando-a para o futuro. Coexistem lagares de pedra e cubas de inox, fermentações conduzidas por pés descalços e máquinas silenciosas. A tecnologia entra, mas não apaga os gestos herdados, como se o futuro fosse uma extensão natural da memória.
Os costumes locais – as festas, as romarias, a partilha à mesa – continuam a marcar o calendário. O pão partilhado, sobretudo o de Favaios, os cânticos das vindimas, tudo ressoa como parte de uma mesma sinfonia rural. O vinho não é apenas produto económico, é elemento social, cultural, espiritual. Aparece nas celebrações religiosas, nos encontros familiares, nos brindes que selam acordos e nos cânticos que ecoam nas vindimas.
Trata-se de um Douro que raramente se mostra nos roteiros turísticos e nas fotografias de postal. É um Douro escondido, feito de silêncios e memórias, onde o tempo parece correr mais devagar e as histórias se guardam como vinho em tonéis antigos, esperando o momento certo para serem reveladas. Este território esconde-se nas lendas de ribeiras encantadas, onde se dizia que à meia-noite surgiam figuras de brumas, guardiãs da vinha.
Escolhi perder-me neste Douro discreto, não apenas para percorrer-lhe os caminhos, mas para escutar a sua alma e provar os vinhos que aqui nascem e neste quadro, quase bucólico, fui visitar a Quanta Terra, espaço de enoturismo localizado na freguesia de Favaios, no concelho de Alijó.
As destilarias de aguardente
No vasto xadrez desta região, onde cada peça tem uma função na construção do vinho do Porto, as destilarias de aguardente surgiram no início do século XX, como um capítulo absolutamente determinante. Estávamos em plena fase de reorganização e controlo do setor vinícola, e tinham como principal objetivo assegurar a produção estável e de qualidade da aguardente vínica necessária à fortificação dos vinhos. Afinal, sem aguardente, o Vinho do Porto não poderia existir na forma que o mundo conhece.
Foram erguidas, ao longo do vale do Douro, sete destilarias, numeradas de forma simples, da nº 1 à nº 7. A missão consistia em transformar vinhos de menor expressão num destilado límpido e vigoroso, o chamado “espírito vínico” que, mais tarde, seria transportado para as caves de Vila Nova de Gaia, para ser integrado no processo de vinificação do Vinho do Porto. A centralização desta tarefa nas mãos de destilarias oficiais garantia que a aguardente usada fosse homogénea, controlada e compatível com a exigência do comércio internacional, de modo a evitar adulterações e práticas irregulares.
A criação destas unidades inscreve-se na linha de ação das instituições que moldaram a vida do Douro, desde a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no século XVIII, até à Casa do Douro e ao Instituto do Vinho do Porto, já no século XX. Eram estruturas industriais, que representavam a autoridade reguladora sobre a mais íntima das matérias-primas, o álcool que preserva e eleva o vinho.
Com a passagem do tempo, o avanço tecnológico, a liberalização dos mercados e a crescente capacidade das casas exportadoras em gerir os próprios recursos tornaram estas destilarias menos centrais. Muitas foram encerrando ou reconvertendo funções.
Jorge Alves e Celso Pereira
A número sete
No mapa secreto do Douro, a Destilaria nº 7 ocupa um lugar singular no início do século XX. Erguida em 1934, fruto da doação da família do capitão Teodorico Teixeira Pimentel dos terrenos onde foi construída, esta destilaria carrega quase mais de 90 anos de história enquanto centro de atividade fabril. Em 1936, já armazenava quase um quarto de milhão de litros de vinho para destilação. Ao longo dos anos, as instalações foram ampliadas, modernizadas e adaptadas: da lenha ao petróleo, das 360 às mais de mil pipas, do trabalho manual à destilação contínua. A destilaria era, à época, motor económico e símbolo de progresso local. Até que, em 1983, o fogo dos alambiques se apagou e o silêncio tomou conta das paredes.
Abandonada nos anos 1990, a Destilaria nº 7 parecia condenada ao esquecimento. Mas, em 2016, dois enólogos visionários, Celso Pereira e Jorge Alves, reconheceram o potencial deste espaço, para a elaboração, estágio e promoção do vinho do Douro, e palco de experiências inesquecíveis, um lugar onde a memória industrial se transformaria em gesto cultural. Durante as obras de recuperação, houve um achado inesperado que mudou tudo. Ao abrirem as cubas originais de 1951, ambos descobriram os padrões marmóreos do revestimento ainda intactos, património raro, que determinou a interrupção da reconstrução, para garantir a sua preservação.
A destilaria deixou de ser apenas um edifício recuperado. É um lugar onde se pode ver, tocar e imaginar o trabalho que sustentou o Douro durante décadas, projetado pelo arquiteto Carlos Santelmo e que rapidamente se reposiciona, para se tornar um espaço de vinhos com arte. Nascem, assim, a Quanta Terra.
Mostrar mundo
A empresa Quanta Terra nasceu em 1999 pelas mãos do enólogo Celso Pereira, que convida Jorge Alves para fazer parte desta “empreitada”. Ambos se conheceram na Caves Transmontanas, produtora do reputado espumante Vértice, onde enólogo e enólogo estagiário, respetivamente, depressa perceberam que o amor pelo Douro e pelos vinhos os unia de forma profunda.
Naquela época, Celso Pereira liderava um processo de investigação, com o objetivo de desenvolver o referido espumante. Foi necessário realizar estudos sobre a região, em colaboração com a empresa norte-americana Schramsberg, a primeira produtora de espumantes de Napa Valley, na Califórnia. Estes ensaios eram efetuados com base na análise das variações de temperatura e pluviosidade, bem como das características dos solos e castas mais propícias para a produção de vinhos base para espumante. Era essencial encontrar acidez e frescura, o que levou Celso Pereira a concentrar-se no planalto de Alijó, zona situada entre os 500 e os 700 metros de altitude, a qual se enaltece pela humidade relativa mais elevada, temperaturas moderadas e solos graníticos, condições já conhecidas pela excelência dos vinhos brancos produzidos na região.
Aproveitando todo esse saber, Celso Pereira e Jorge Alves decidiram criar a Quanta Terra, nome inspirado no mapa do Barão de Forrester – Joseph James Forrester – sobre o rio Douro e os afluentes deste curso natural de água. O estudo do potencial dos vinhos tranquilos de altitude, realizado através de microvinificações de castas e exposições várias, teve como objeto cinco quintas da região durante dois anos, no sentido de perceberem que castas se adequavam melhor aos vinhos que viriam a ser produzidos pela Quanta Terra. Os primeiros anos foram dedicados aos vinhos tintos, recorrendo à produção proveniente da Quinta do Tralhão, no Vale do Tua.
Memória, risco e revelação
Os vinhos produzidos a partir das castas Touriga Nacional, Roriz, Barroca e Touriga Franca da Quinta do Tralhão, no Vale do Tua, eram vinhos robustos e serenos, com a gravidade que só os solos profundos e o tempo podem conceder. Mais do que expressão imediata, eram promessa. Representavam o Douro clássico, mas vistos pela lente da altitude, com uma contenção filosófica que já anunciava outro caminho.
Em 2007, chegaram os brancos feitos a partir de uvas vindimadas no planalto de Alijó. A frescura tornou-se protagonista, a acidez ganhou voz, a verticalidade mostrou que o Douro podia ser também claridade e leveza, como se a altitude tivesse dado ao Douro um novo fôlego.
O percurso ganhou uma nova dimensão em 2018, com o lançamento do Phenomena, um rosé 100% Pinot Noir. No coração de uma região dominada por castas tradicionais, a escolha revelou-se desafiadora, demonstrando que a tradição pode conviver com a ousadia. Phenomena não foi apenas um vinho, mas um manifesto, prova de que o Douro não é um território fechado sobre si mesmo, mas uma terra aberta à reinvenção.
Cada vinho resulta de uma visão sobre o território, um Douro que, apesar de antigo, não está esgotado, bem como de uma nova abordagem enológica, em que cada garrafa não é apenas o que se bebe, mas também o que se pensa. Assim se desenha a identidade da Quanta Terra: nos tintos, a gravidade; nos brancos, a claridade; no Phenomena, a audácia.
Já no terreno, a Quanta Terra recolhe uvas de vários lavradores que, em altitude, fornecem as brancas, vindimadas em solos graníticos e a baixa altitude, com cerca de 400 metros, e as uvas tintas colhidas em solos xistosos.
Os mentores e os seus percursos
No Douro, o nome de Celso Pereira ergue-se como arquiteto de vinhos e intérprete de terroirs. Formado em Engenharia Agronómica e com vasta experiência de Bordéus à Califórnia, passando pela Austrália, trouxe, ao Douro, uma atitude cosmopolita e um rigor técnico que transformaram o impossível em realidade: provar que a região também podia gerar espumantes de classe mundial. Ao comando do projeto Vértice, desde 1989, tornou-se referência maior dos espumantes portugueses.
O amigo e sócio Jorge Alves, enólogo transmontano nascido em Mirandela, revela a ligação à terra, mas foi através da ciência que começou a decifrar a linguagem das vinhas. Formou-se em Engenharia Agronómica pelo Instituto Politécnico de Bragança e prosseguiu estudos em Enologia, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), num tempo em que o Douro se reinventava, procurando afirmar-se para além dos generosos vinhos do Porto. A primeira grande experiência profissional deu-se nas Caves Transmontanas, no início dos anos 1990, onde trabalhou lado a lado com Celso Pereira. Foi aí que consolidou a prática técnica e a disciplina, descobrindo ainda a dimensão criativa da enologia, arte de equilibrar ciência e sensibilidade.
A partir dos anos 2000, Jorge Alves passou a colaborar com casas de referência no Douro, como a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e a Quinta do Tedo, deixando a sua marca em vinhos hoje reconhecidos pela autenticidade. Em 2008, iniciou a ligação à Quinta da Gaivosa, da família Alves de Sousa, onde contribuiu para a afinação de tintos de enorme longevidade, e passou pela Quinta do Vale Meão.
Entretanto, em 1999, Celso Pereira e Jorge Alves fundaram a Quanta Terra, uma casa que assenta na ideia de que o vinho nasce do território, mas a qualidade depende do homem. Tintos longevos, brancos de altitude, espumantes de assinatura e edições especiais confirmaram essa filosofia. O primeiro vinho, lançado nesse mesmo ano, foi já o anúncio de uma filosofia partilhada: o Douro poderia ser interpretado no plural.
A interpretação do vinho como gesto de mediação entre solo e copo, entre tradição e risco determinou a criação do enoturismo Quanta Terra, em 2022, instalado na antiga destilaria nº 7.
Aqui, o vinho não se esgota na garrafa, prolonga-se em experiência, cultura e partilha. E até já tem quem lhe garanta a continuidade deste projeto, com a entrada de cena nova geração. Tiago Areias, filho de Celso Pereira, e Pedro Alves, filho de Jorge Alves, estão na linha da frente, para prosseguirem com o legado dos pais. Tiago Areias, licenciado em Gestão, assume a comunicação e a ligação da marca ao universo artístico; e Pedro Alves, formado em Enologia, tem contribuído para repensar perfis e roupagens dos vinhos, imprimindo uma clarividência fresca e atual. Embora as grandes decisões continuem a ser tomadas pelos fundadores, os filhos têm voz ativa no processo, num modelo de gestão familiar, que valoriza a partilha de responsabilidades e a definição clara de funções.
Vinho, arte e turismo
Traçado pelo arquiteto Carlos Santelmo para funcionar, inicialmente, como adega de vinificação, o projeto Quanta Terra acabou por ganhar uma dimensão inesperada. No mesmo período, os responsáveis da casa conheceram, através do curador André Quiroga, a artista Joana Vasconcelos. Numa visita ao espaço, a artista plástica deixou-se conquistar e propôs de imediato uma exposição com várias das suas obras de referência. O encontro transformou-se num ponto de viragem, em que a adega se tornou um espaço de encontro entre cultura, arte e vinho.
Ou seja, o edifício que acolhe a Quanta Terra, adquirido em 2020, abriu portas em março de 2022, com a primeira exposição. Este foi o marco de uma parceria estratégica com a artista Joana Vasconcelos, a qual deu origem à criação e comercialização de três produtos exclusivos: um Espumante JVC, um vinho tinto JVC e uma serigrafia assinada pela artista plástica.
Desde então, o espaço Quanta Terra tem vindo a afirmar-se como palco de sinergias entre vinho e arte contemporânea. As exposições são regulares e resultam de parcerias com galerias, trazendo obras de criadores, como Hélio Bray, Paulo Neves, Vhils, entre outros nomes de referência do mundo das artes.
Foi neste cenário que me imbui de espírito aventureiro, como que a desbravar terreno, cheguei a Favaios numa manhã que parecia suspensa no ar. A estrada que me trouxe até aqui serpenteava como uma fita solta, ladeada de vinhas distribuídas por socalcos. Ao fundo, a antiga destilaria nº 7 surgia discreta. Este edifício, outrora guardião de aromas de aguardentes e trabalho árduo, foi recuperado com respeito e ousadia, transformando-se num espaço onde o vinho se torna experiência plural.
Na visita, encontramos Diana Felizardo, responsável pelo enoturismo da Quanta Terra. O visitante que chega encontra um serviço organizado e o testemunho raro de profissionalismo aliado a uma alegria contagiante, como se cada explicação, cada detalhe da história do vinho, fosse partilhado com a mesma intensidade de quem narra a própria vida.
Licenciada em enologia, Diana Felizardo conhece os vinhos da Quanta Terra com a intimidade de quem os estudou e provou, mas também com a humildade de quem sabe que cada garrafa guarda uma verdade renovada. Dedica-se com afinco a transmitir esse saber, transmitido com uma clareza que desarma, sem nunca perder a leveza do sorriso que a acompanha.
A visita à Quanta Terra é, por conseguinte, um exercício de memória e de identidade, onde o Douro se revela não através da paisagem imediata, mas pelo fio narrativo de quem o conhece e o vive. No primeiro andar, conta-se a história da Destilaria 7, espaço que pulsava com a produção de aguardente vínica, peça essencial no equilíbrio dos vinhos generosos. Entre fotografias antigas e detalhes preservados, a narrativa ganha corpo e aproxima o visitante de uma memória coletiva. Descendo ao segundo andar, abre-se uma janela para o Douro. Aqui, a região é apresentada através dos seus contrastes de geografia, clima e castas, traduzindo a complexidade de um território que é, ao mesmo tempo, dureza e beleza, suor e celebração. O visitante percebe que não se fala apenas de vinhos, mas de uma cultura que moldou homens e mulheres, de um rio que foi via e metáfora, de uma paisagem que se tornou património da humanidade.
É então que se desce ao espaço térreo, onde as cubas originais de 1951, guardiãs silenciosas de um passado, permanecem intactas. O revestimento, com os padrões marmóreos originais, surpreende pelo contraste entre austeridade e elegância. Em cada um dos quatro espaços guarda um vinho especial da casa Quanta Terra. Nesta fase, os visitantes são convidados a deterem-se nesse detalhe, enquanto o espaço, impregnado de autenticidade, parece suspender o tempo, devolvendo ao presente a densidade do que foi no passado.
A visita culmina na prova de vinhos, momento em que a teoria se torna experiência. Nos copos alinhados, cada vinho é apresentado como uma extensão do discurso que o antecedeu, síntese da história, da geografia e da memória do lugar. A prova é conduzida com leveza e paixão, transformando cada comentário técnico numa ponte para a emoção. A loja estende a experiência em casa, a qual se completa com a visita à exposição de arte patente na casa Quanta Terra.
No fim, o visitante compreende que fez uma travessia pela história, pelo território e pela cultura do Douro, onde a contemporaneidade da arte e a intemporalidade do vinho se afirma na tradição e, ao mesmo tempo, num território vivo, capaz de reinventar-se sem trair a essência. Tal como o vinho precisa de tempo para amadurecer, também o visitante, aqui, precisa de tempo para sentir. E é nesse ritmo mais lento, mais humano, que o enoturismo se revela na sua plenitude, sem esquecer a arte de hospitalidade, enquanto poesia feita de vinhos e encontros. Uma experiência a ter, para ver, ouvir e sentir.
COMODIDADES E SERVIÇOS
– Línguas faladas: português, inglês, francês
– Loja de vinhos
– Serviço de refeições: apenas através de um programa de experiências com o chef Óscar Geadas
– Lugares de prova sentados: 12
– Sala de eventos (sob consulta)
– Sala de Reuniões (sob consulta)
– Diferentes atividades e refeições (sob consulta)
– Parque para automóveis ligeiros
– Parque para autocarros: é possível estacionar nas imediações
– Provas comentadas (ver programas)
– Wifi gratuito disponível
– Sem visita às vinhas e à adega
EVENTOS
Eventos corporativos: sob consulta
PROGRAMAS
Prova de 1 Vinho
Ideal para apreciadores de arte, que desejam explorar a exposição e para quem procura uma introdução ao universo do vinho ou uma experiência mais breve. Inclui:
Visita guiada
Prova de um vinho à escolha, mediante disponibilidade
Duração: 30-45 minutos
Capacidade: 1 – 12 pessoas
Preço: 20€
Prova de Icónicos
Direcionada para quem tem algum conhecimento sobre vinhos ou deseja explorar mais a fundo o universo dos grandes vinhos do Douro. Inclui:
Visita guiada
Prova de quatro vinhos
– Terra a Terra Reserva (branco e tinto)
– Quanta Terra Grande Reserva (branco e tinto)
Duração: 1h15
Capacidade: 1 – 12 pessoas
Preço: 40€
Prova do Planalto
Trata-se de uma experiência exclusiva, destinada a quem tem conhecimento intermédio sobre vinhos durienses e que deseja explorar um Douro distinto, o Douro do Planalto de Alijó. Todos os vinhos em prova são elaborados a partir de uvas cultivadas em solos graníticos, localizados acima dos 600 metros de altitude. Inclui:
Visita guiada
Prova de quatro vinhos:
– Quanta Terra Golden Edition (branco)
– Quanta Terra Phenomena Pinot Noir (rosé)
– Quanta Terra Wild (rosé)
– Quanta Terra Cota 600 (tinto)
Duração: 1h15
Capacidade: 1 – 12 pessoas
Preço: 55€
Prova de Assinatura
Experiência desenhada para verdadeiros conhecedores de vinho, que queiram explorar a amplitude do que a Região Demarcada do Douro pode oferecer, desde vinhos clássicos a criações ousadas e inovadoras. Inclui:
Visita guiada
Prova de cinco vinhos:
– Quanta Terra Branco Golden Edition (branco)
– Quanta Terra Phenomena Pinot Noir (rosé)
– Quanta Terra Wild (rosé)
– Quanta Terra Manifesto (tinto)
– Quanta Terra Inteiro (tinto)
Duração: 1h45
Capacidade: 1 – 12 pessoas
Preço: 75€
Prova com o enólogo
Experiência exclusiva, concebida para conhecedores exigentes que desejam conhecer o universo dos vinhos Quanta Terra através de uma prova guiada pelos próprios fundadores, Celso Pereira ou Jorge Alves. Inclui:
Visita guiada
Prova de sete vinhos:
– Quanta Terra Grande Reserva (branco e tinto)
– Quanta Terra Golden Edition (branco)
– Quanta Terra Phenomena Pinot Noir (rosé)
– Quanta Terra Wild (rosé)
– Quanta Terra Manifesto (tinto)
– Quanta Terra Inteiro (tinto)
Duração: 1h45
Capacidade: 1 – 12 pessoas
Preço: 200€
Prova com o enólogo Série Arte & Vinho: Joana Vasconcelos
Uma oportunidade única para conhecer o conceito e a visão existente por detrás do cruzamento entre arte e vinho, feita através de uma prova guiada por Celso Pereira ou Jorge Alves, os fundadores da Quanta Terra x Joana Vasconcelos. Inclui:
Visita Guiada
Prova de dois vinhos
– Joana Vasconcelos by Quanta Terra Espumante Pinot Noir 2018
– Joana Vasconcelos by Quanta Terra tinto 2017
Duração: 1h15
Capacidade: 6 pessoas
Preço: 800€ (por grupo)
Quanta Terra – Geadas Michelin Experience
Momento gastronómico que cruza a excelência da Quanta Terra com o talento do chef Óscar Geadas e o escanção António Geadas, proprietários do restaurante G, que, desde 2018, tem vindo a conquistar uma Estrela Michelin. Com a génese culinária no restaurante da família, em Bragança, os irmãos Geadas são, hoje, uma referência da alta cozinha. Esta parceria exclusiva proporciona, desde 2024, momentos inesquecíveis, em que o vinho e a gastronomia se unem em perfeita harmonia. Inclui:
Visita Guiada
Welcome Drink
Almoço com harmonização de vinhos
Preço: sob consulta
Experiências personalizadas
A Quanta Terra oferece a possibilidade de personalizar provas e eventos particulares ou corporativos, serviço que lhe permite definir cada detalhe da experiência, desde a seleção dos vinhos em prova ao serviço de catering, com a possibilidade de reservar o espaço para eventos privados, garantindo um ambiente único e memorável.
Preço: sob consulta
Notas
Preços com IVA incluído à taxa em vigor
Preços por pessoa, salvo indicação em contrário
Grupos Superiores a 12 pessoas – preço sob consulta
Visitas em dias de fecho apenas mediante reserva
Horário de funcionamento
De outubro a março
De terça-feira a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
De abril a setembro
De quarta-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Reservas
+ 351 935 907 557
Quanta Terra
Rua Casa do Douro
Lugar do Olho Marinho
5070-262 Favaios
Tel.: +351 259 046 359
Setúbal celebra o enoturismo e o São Martinho

A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal apresenta um vasto programa de actividades, onde o vinho, a gastronomia e a cultura ganham protagonismo, no âmbito do Dia Mundial de Enoturismo, que, este ano, se comemora a 9 de Novembro. E nem o Dia de São Martinho escapa aos festejos tradicionais. Comece-se a festa com […]
A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal apresenta um vasto programa de actividades, onde o vinho, a gastronomia e a cultura ganham protagonismo, no âmbito do Dia Mundial de Enoturismo, que, este ano, se comemora a 9 de Novembro. E nem o Dia de São Martinho escapa aos festejos tradicionais. Comece-se a festa com as “Adegas de Portas Abertas”, com a José Maria da Fonseca (8/11, às 11h30), a Bacalhôa (8/11, às 11h30), a Filipe Palhoça Vinhos (15/11, às 10h30), Adega de Palmela (15/11, às 16h00), Casa Ermelinda Freitas (16/11, às 10h30), Herdade da Comporta (22/11, às 16h30), Venâncio da Costa Lima (22/11, às 10h30), Quinta de Catralvos (29/11, às 11h00), Herdade Canal Caveira (29/11, às 11h00 e às 15h00). O programa (6,50€) inclui visitas guiadas com provas de um vinho, recebendo uma oferta de uma garrafa de vinho.
Mas as experiências não ficam por aqui. A 31 de Outubro, às 19h00, há “Halloween na Adega” (18€/adulto e 10€/criança, dos três aos 17 anos; 50€ para famílias de 2 adultos + 2 crianças) da Casa Museu José Maria da Fonseca, em Vila Nogueira de Azeitão. As crianças têm direito a prova de sumos, enquanto os adultos são convidados a degustar três vinhos. A harmonização é feita com produtos regionais, e complementada com a oferta de um “Kit Halloween”, com os mais novos a serem igualmente contemplados, além de um desconto de 10% na loja da adega no dia da atividade (Te.: 212 198 940). Na mesma data, mas a partir das 22h00, a ASL Tomé, no Pinhal Novo, é palco de “Stand Up Comedy na Adega” (7,50€), que promete uma noite descontraída e divertida (WhatsApp: 932 329 259).
Com um carácter mais sério, é dado início ao “Curso de Iniciação à Prova de Vinhos” (90€), na Humus Farm, em Fernando Pó, a 1 de Novembro, sessão que culmina com um almoço de convívio, incluindo certificado de participação (reservas: info@humusfarm.com). Com o Dia de São Martinho a aproximar-se a passos largos, é dado início ao “S. Martinho n’Adega” (38€/adulto e 19 €/criança, dos cinco aos nove anos) da Venâncio da Costa Lima, na Quinta do Anjo, a 8 de Novembro, às 16h00, com visita guiada à adega e degustação regional com um desfile de iguarias, em que não irão faltar as castanhas assadas e, claro, Água Pé e Moscatel de Setúbal, com a possibilidade de agendar sessões para grupos entre 4 e 7 de Novembro (Tel.: 212 888 020 ou 917 764 685).
No Dia Mundial do Enoturismo, há “Magusto na Quinta de Catralvos” (17,50€/adulto e 5,50€/criança, dos sete aos 12 anos), em Azeitão, entre as 12h00 e as 19h00, com entrada livre, venda de vinhos e petiscos. No mesmo dia, das 13h00 às 18h00, a Casa Ermelinda Freitas, em Fernando Pó, promove o “São Martinho Solidário”. Parte do valor da entrada reverte para a aquisição de uma ambulância para os Bombeiros Voluntários de Águas de Moura (Tel.: 915 290 729). A Herdade da Comporta, na Comporta, abre as portas para o “Comporta Open Day”, com visitas guiadas gratuitas às 15h00 (inglês) e 17h00 (português). Inclui a oferta de um voucher de 10% de desconto em compras na loja da adega no mesmo dia. Às 16h00 do mesmo dia, a Adega de Palmela realiza o “Magusto na Adega” (35€/adulto e 17,50€/criança, dos cinco aos nove anos), com visita guiada, fado na Cave de Barricas e prova do primeiro vinho da colheita 2025, e do vinho Abafado, acompanhado por castanhas assadas e produtos regionais (Tel.: enoturismo@acpalmela.pt).
De 9 a 11 de Novembro, decorre o “São Martinho na Casa Museu” José Maria da Fonseca (27€/adulto e 8€/criança, dos três aos 17 anos; 63€ para famílias de 2 adultos + 2 crianças), com visitas guiadas, prova especial de sumos, para os mais novos, e degustação de dois vinhos, para adultos, acompanhadas por produtos regionais. A oferta é complementada com um “Kit Crianças”, uma caixa de lápis e desenhos, e o “Kit São Martinho”, com castanhas e uma garrafa de vinho tinto, além do desconto de 10% na loja da adega no dia da atividade (Tel.: 212 198 940). “Vai à Adega e Prova o Vinho” é o desafio lançado pela ASL Tomé, para o dia 11 de Novembro, das 14h00 às 18h00, com oferta de uma prova de vinho novo e venda de Água-Pé, bifanas e entremeadas. A entrada é livre.
De 21 a 23 de Novembro, Palmela recebe o Festival do Moscatel, no Largo e Capela de S. João, que contará com Mercado do Moscatel de Setúbal, provas comentadas e showcookings, bem como provas e vendas de vinhos. A entrada é livre e as provas são feitas mediante aquisição de copo oficial do evento (E-mail: info@rotavinhospsetubal.com).
O circuito por adegas acontece a 29 de Novembro, sob o tema “By Road – Rota das Vinhas do Pó” (50€/adulto, 22€/criança, dos quatro aos 12 anos). Começa pelas 10h00 e inclui as visitas à Filipe Palhoça Vinhos, no Poceirão, com prova de Moscatel de Setúbal, à Fernão Pó, com degustação vínica e de tábua de queijo e compotas, e visita à Casa Ermelinda Freitas, com almoço típico e visita ao núcleo museológico (E-mail: info@rotavinhospsetubal.com). À parte, há “Fado na Adega” da Filipe Palhoça Vinhos
Ainda no mesmo dia, 29 de novembro, às 19h30, a casa Filipe Palhoça Vinhos, em Poceirão, encerra o mês com o evento “Fado na Adega” (55€), com um desfile de pratos ao jantar, que promete boa comida e bons vinhos (Tel.: 265 995 886).















































