ESTIVE LÁ: A COLMEIA HERITAGE

Foi a iniciativa e o arrojo de Fernando Neves, cuja visão não se encerra nos apertados limites de uma ilha no meio do Atlântico, que levou o empresário, na viragem do século, a comprar o belo e vetusto edifício onde em jovem estudou, no centro de Ponta Delgada, e a o transformar num hotel. Nasceu […]
Foi a iniciativa e o arrojo de Fernando Neves, cuja visão não se encerra nos apertados limites de uma ilha no meio do Atlântico, que levou o empresário, na viragem do século, a comprar o belo e vetusto edifício onde em jovem estudou, no centro de Ponta Delgada, e a o transformar num hotel. Nasceu assim o Hotel do Colégio. Nesta unidade quis fazer um restaurante, que marcasse a diferença face ao panorama cinzento da restauração açoriana à época.
A Colmeia, que recusou ser um simples complemento do serviço a hóspedes, mas antes um sítio de encontros e partilhas, aberto à comunidade, um ponto de confluência de apreciadores, para a celebração dos produtos e sabores açorianos, mas sempre com uma preocupação de alargar horizontes a outras influências. Foi nessa Colmeia que, em 2005, Fernando Neves voltou a inovar, promovendo o primeiro jantar vínico, facto inédito na época, convidando, para tal, o produtor (na altura apenas duriense) Rui Roboredo Madeira. Do sucesso desse jantar resultaram duas coisas: uma amizade para a vida entre estes dois protagonistas e a afirmação da Colmeia como restaurante de referência no que toca à oferta de vinhos e à excelência no serviço.
Passados 20 anos, o restaurante reinventa-se e passa a chamar-se A Colmeia Heritage, com um conceito alargado, assente no respeito pela tradição açoriana (justamente sublinhado no nome), mas com uma aposta permanente na inovação e na procura equilibrada de novas apostas, ao introduzir técnicas exógenas, que valorizam a excelência dos produtos endógenos dos Açores. E para celebrar a renovação do espaço e a abertura a novos sabores, nada como recriar esse memorável jantar vínico, com o mesmo produtor, agora também ele com uma presença alargada à região da Beira Interior, onde faz vinhos com uma identidade muito própria.
Nesse momento, e em outras duas refeições que tivemos a oportunidade de participar, A Colmeia Heritage revelou-se um restaurante surpreendente na forma como trabalha os produtos locais, com destaque para o fabuloso atum-rabilho, presente em várias composições, o delicadíssimo lírio e outros peixes do riquíssimo mar dos Açores ou como recria uma bem conseguida versão açoriana do italiano vitello tonatto, com a designação “do mar ao prado”, na qual finas fatias de lombo de novilho são envolvidas num sápido molho de atum e alcaparras, aqui bem complementada com o vinho Beyra Pinot Noir, de Rui Madeira.
À criatividade do Chef residente, Filipe Estrela Rego, contrapõe-se as muito apreciadas opções orientais de que o restaurante também foi um precursor na ilha de São Miguel, nomeadamente no shushi e no sashimi, fazendo-se valer da frescura irrepreensível da matéria-prima e do corte preciso da preparação, pela mão do talentoso Sushiman. Tradição e modernidade estão de mãos dadas num restaurante elegante, onde o prazer da mesa e a qualidade do atendimento falam mais alto.
A Colmeia Heritage
Travessa do Colégio, 9500-610 Ponta Delgada, Açores
Almoço e jantar todos os dias, das 12h00 às 15h00 e das 18h00 às 22h00
Tel.: 296306610
FITAPRETA: Cozinha do Paço

Integrado no monumental Paço do Morgado de Oliveira, cujas vetustas fundações remontam ao século XIV, estamos no coração do empreendimento Fita Preta, em Graça do Divor, no concelho de Évora, mesmo ao lado da moderna adega que António Maçanita construiu de raiz e onde vinifica os seus vinhos alentejanos. A bem dizer, não estamos perante […]
Integrado no monumental Paço do Morgado de Oliveira, cujas vetustas fundações remontam ao século XIV, estamos no coração do empreendimento Fita Preta, em Graça do Divor, no concelho de Évora, mesmo ao lado da moderna adega que António Maçanita construiu de raiz e onde vinifica os seus vinhos alentejanos.
A bem dizer, não estamos perante um restaurante alentejano no sentido convencional do termo, já que o lugar onde se servem as refeições se divide por cinco espaços muito diferentes entre si (nós ficámos na belíssima tribuna da Capela). A cozinha que nos é proposta pelo Chef Afonso Dantas tem do Alentejo a inspiração e alguns dos produtos que servem de base às composições, mas os processos e técnicas refinadas levam a refeição pelos caminhos inesperados de um ambicioso fine dining. É verdade que do princípio ao fim temos o vinho, sempre o vinho, como elemento condutor e agregador dos vários momentos que compõem o repasto. Aqui, são as criações do Chef que procuram responder aos nem sempre fáceis desafios que os vinhos lhe apresentam.
Guiados pela mão e explicações do competente sommelier Francisco Cunha, tivemos o primeiro snack, peixe do rio sobre uma base de bolacha de grão de bico com o espumante Fita Preta. Já a Tinta Carvalha 2020 serviu de sustento ao segundo snack, ovas de lúcio perca em que o peixe marinou em borras de Alicante Bouschet e a combinação se revelou ousada. O Fina Flor Arinto non millésimé, estranhíssimo, fermentado naturalmente, extra-seco, uma aproximação à Solera bateu-se com o torricado de aviado com pasta de cogumelos. Igualmente desafiante, o Vinho da Corda dos Profetas 2021, de Porto Santo, lidou com um coscorão de borrego, tomate e ovo, uma composição feliz e cheia de sabor. Muito interessante, até pelo aproveitamento de uma matéria prima pouco valorizada, o tártaro de lagostim do rio, cenoura fermentada, tudo envolvido por uma bisque do mesmo lagostim que, claramente, ganhou ao Fita Preta rosé que o acompanhou.
Deslumbrante na apresentação e não desmerecendo no sabor, a enguia fumada com creme de pinhão e escabeche de ervas, que mediu meças com o Arinto dos Açores Canada do Monte 2021 e constitui, na minha opinião, a melhor conjugação do dia. Quem esperaria tanto mar em pleno Alentejo? Outro peixe, um belo pregado, no caso, cozido no ponto perfeito, com funcho e óleo de folhas de figueira casou com o branco Morgado de Oliveira NM, de Arinto, que passou 15 meses em carvalho e me conquistou pela excelente acidez e final longo. Mais clássica, a combinação do tinto Chão dos Eremitas Os Profetas 2020, com a pequena troncha de lombinho e cachaço de porco ibérico com puré de tupinambo que revelou um excelente apuro da técnica do Chef. Uma pré-sobremesa com base em pera fermentada e uma sobremesa de sabores cítricos com creme de mel, laranja, toranja e açafrão completaram a refeição.
Não faltam arrojo, criatividade e apuro técnico a esta Cozinha do Paço. Se são estas as propostas que o viajante espera encontrar e valoriza quando mergulha numa experiência de enoturismo no Alentejo, o tempo o dirá.
Cozinha do Paço
FitaPreta Vinhos, Nossa Senhora da Graça do Divor, 7000-016 Évora
Almoço e jantar, de terça-feira a sábado das 12h00 às 14h00 e às 19h00
Tel.: 915880095; adega@fitapreta.com
Menus de degustação de 135€ (5 vinhos, 6 momentos) a 255€ (9 momentos, 7 vinhos)
Canastra do Fidalgo: Entre a ria e o mar

Os antigos “palheiros” de madeira construídos pelos pescadores, posteriormente transformados em casas de veraneio, pintadas às riscas, são o mais conhecido cartão de visita da Costa Nova do Prado, atraindo muitos milhares de visitantes. Na época balnear, as praias, de extensos areais, juntam uma multidão. A partir de setembro, a fauna muda, deixando mais espaço […]
Os antigos “palheiros” de madeira construídos pelos pescadores, posteriormente transformados em casas de veraneio, pintadas às riscas, são o mais conhecido cartão de visita da Costa Nova do Prado, atraindo muitos milhares de visitantes. Na época balnear, as praias, de extensos areais, juntam uma multidão. A partir de setembro, a fauna muda, deixando mais espaço aos surfistas e àqueles que buscam as delícias que a ria e o mar têm para oferecer.
Bons restaurantes não faltam na Costa Nova (curiosamente, na Barra, mesmo ali ao lado, ainda não houve um que conseguisse ganhar notoriedade). O mais antigo, a Marisqueira da Costa Nova, fundada em 1940, pode considerar-se a mãe (ou pai) de todos os outros. Dali, saíram profissionais de cozinha e de sala que depois impulsionaram restaurantes, como o Praia do Tubarão ou o Dóri, nomes seguros na lista de “imperdíveis” da Costa, lista essa que, nos últimos anos, tem vindo a ser liderada pela Canastra do Fidalgo, sobretudo desde a aquisição do espaço, em 2018, pelo casal Leandro Mota e Joana Martins.
De uma geração diferente dos outros empresários locais, que aprenderam fazendo, Leandro e Joana conheceram-se na escola de hotelaria, onde ele concluiu a formação em Cozinha e ela em Gestão Hoteleira. O percurso académico influenciou a forma cuidada como a cozinha e o serviço são trabalhados na Canastra do Fidalgo, apoiando-se numa equipa jovem que conta, ainda, com Leonardo Costa (nos fogões) e João Candeias (na sala), e que fez deste espaço um verdadeiro hino à arte de bem comer e bem servir.
A ementa assenta na matéria prima local, entre enguias, ostras, ameijoas e berbigão, da ria, os robalos, pregados, rodovalhos, bacalhau, etc., tudo do mar, transformados em pratos – ensopados, massadas, grelhados, frituras… – que honram o receituário regional, aqui moldada com um toque contemporâneo. A carta de vinhos, vasta e coerente, busca igualmente a proximidade, com destaque para a Bairrada. E o ambiente, entre sala e a esplanada, protegida do vento norte e aquecida no inverno, alia-se à comida saborosa e genuína e ao serviço de excelência. Tudo isto torna a Canastra do Fidalgo um restaurante de visita tão obrigatória quanto as casinhas às riscas.
Canastra do Fidalgo
Av. José Estevão, 240 – Costa Nova do Prado
Fecha às segundas e domingo ao jantar.
Tel: 234394859 – geral@canastradofidalgo.pt
Nunes Real Marisqueira: O prazer de bem mariscar

Situada entre o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, a escassos quilómetros do centro de Lisboa, a Nunes Real Marisqueira tem, como trave-mestra do seu prestígio, os produtos do mar. A entrada de ar discreto dificilmente desperta a imaginação para o que se vai encontrar naquele espaço amplo, cheio de cores fortes, a […]
Situada entre o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, a escassos quilómetros do centro de Lisboa, a Nunes Real Marisqueira tem, como trave-mestra do seu prestígio, os produtos do mar. A entrada de ar discreto dificilmente desperta a imaginação para o que se vai encontrar naquele espaço amplo, cheio de cores fortes, a fazer lembrar um lugar de festa.
A primeira coisa que se vê, pois é impossível não reparar nela, é a banca de mariscos e a cozinha, onde vários profissionais se afadigam, de mãos na massa, a cozinhar para os comensais do dia. Mais à frente, há vários ambientes à escolha, desde o bar e das mesas altas, que sugerem um convívio mais descontraído, ao conforto das mesas redondas envolvidas por sofás altos de veludo, a realçar um ambiente mais íntimo, para refeições entre amigos, por exemplo.
Escolhemos uma mesa para dois, porque era para isso que lá estávamos, para estar e conversar um com o outro em dia de aniversário de casamento. Pelo meio fomos apreciando algo que gosto muito, Anchovas do Mar Cantábrico com pão de cristal, saboreadas bem devagar, ou não tivesse todo o tempo do mundo, para além de um viciante Casco de sapateira recheado e de algumas ostras, às quais nunca resistimos; Amêijoas à Bolhão Pato, um par de Gambas reais grelhadas, por sugestão do chefe de sala e que estavam deliciosas, e Gamba branca do Algarve, porque estou viciado nelas desde jovem. Compro-as sempre que vou a Olhão, mas nem ali nem noutros sítios da costa algarvia ou andaluza as encontro tão grandes, como as que a Nunes Real Marisqueira dispõe, sempre no ponto certo de cozedura, para seduzirem e “obrigarem”, quem lá vai, a voltar. Para companhia, foi escolhido o Alvarinho Ipiranga de 2023, do enólogo António Braga, um grande parceiro de quase tudo o que veio para a mesa, com a excepção das ostras. Uma noite boa e feliz.
Serviço refinado
O que diferencia esta casa de outras marisqueiras, para além da frescura do marisco, que Miguel Nunes selecciona com cuidado junto dos fornecedores, é o serviço “refinado, eficaz e atencioso” e a oferta variada de pratos de peixe, incluindo, por exemplo, os Filetes de peixe-galo com açorda de ovas ou o Robalo ao sal. Para quem gosta de petiscar, como eu, sugiro as Puntilhitas (lulinhas fritas), os Chocos à algarvia e, para terminar, o Pica-pau de lombo.
Nunes Real Marisqueira
Rua Bartolomeu Dias, nº 172 E 1400-031 Lisboa
Aberto todos os dias, das 12h30 às 00h00
Tel.: 213 019 899
hello@nunesmarisqueira.pt
Cais da Ferradosa: E o Douro aqui tão perto…

Não será fácil lá chegar, tantas são as curvas e a montanha russa de subidas e descidas que a orografia do Douro nos impõe. Mas também isso, afinal, faz parte do encanto do lugar. A ansiedade, uma certa fadiga e um estômago com fome são condicionantes que nos ajudam a apreciar melhor, depois de chegados […]
Não será fácil lá chegar, tantas são as curvas e a montanha russa de subidas e descidas que a orografia do Douro nos impõe. Mas também isso, afinal, faz parte do encanto do lugar. A ansiedade, uma certa fadiga e um estômago com fome são condicionantes que nos ajudam a apreciar melhor, depois de chegados e relaxados, a tranquilidade e incrível beleza do lugar. Fica este restaurante na antiga estação de caminho de ferro de Ferradosa, mesmo à beira do Rio Douro majestoso em instalações recuperadas pelo Município de São João da Pesqueira.
A esplanada sobranceira ao curso de água, onde deslisa vagarosamente um barco turístico e o comboio que passa, de quando em vez, na margem oposta, compõem o postal. À frente do projecto está a figura de Fernando Gomes, com grande experiência na restauração, ou não estivesse ele também ligado, por relações familiares, a outro grande ícone da gastronomia do Douro, como o é a Toca da Raposa, em Ervedosa. Na cozinha, a esposa, Sandra Carvalho, afina os temperos e apruma os sabores.
Aqui, contudo, construiu-se algo de diferente. O Cais da Ferradosa é a montra de uma cozinha com raízes claramente regionais, mas com um toque de elegância, e até de sofisticação, que contrasta com a rusticidade do velho edifício. Como não poderia deixar de ser, a presença do rio vai para além das vistas e manifesta-se na ementa, com uma oferta tentadora de peixe em escabeche ou na sápida sopa, que nos aquece a alma. No tempo deles, os espargos silvestres encontram a companhia ideal dos ovos húmidos e fofos. As alheiras, servidas em bolinhas crocantes e estaladiças, aguçam-nos o apetite e preparam-nos para o conforto de uma refeição, que apela a memórias esquecidas, como é caso dos milhos transmontanos, suculentos e substanciais, que provámos a seguir. O lombo de bacalhau, previamente confitado e colocado sobre um guisado de feijocas, eleva-nos a um patamar superior.
Outras opções possíveis, dependendo da época do ano ou da disponibilidade dos ingredientes, podem levar-nos para o pernil de porco fumado, o rabo de boi, o cabrito estufado ou a posta de vitela. Tudo isto com uma apresentação cuidada, mas em que o sabor não se deixou ofuscar pela tentação de só parecer bonito. As sobremesas seguem o mesmo padrão, clássicas e intemporais. Os vinhos do Douro e do Porto fazem valer os seus créditos, com uma oferta abrangente, que vai além do óbvio e, no final não salga a conta, como infelizmente tanto se vê por aí.
Cais da Ferradosa, EN 222-3 Ferradosa; 5130 – São João da Pesqueira
Não encerra. Só serve almoços das 12:00 às 16:00 horas
Tel: 254 402 899; info@caisdaferradosa.pt
Sanleti: Um poiso de petiscos na Praia da Rocha

O meu Algarve não é o meu poiso de férias, como acontece com muitos outros portugueses. É a minha terra, aquela onde brinquei, joguei ao berlinde e aos jogos de apanhada, fiz amizades eternas, estudei e aprendi, andei pelos campos, apanhando aqui e ali uma romã, uma nêspera, uma laranja, e fui à pesca, à […]
O meu Algarve não é o meu poiso de férias, como acontece com muitos outros portugueses. É a minha terra, aquela onde brinquei, joguei ao berlinde e aos jogos de apanhada, fiz amizades eternas, estudei e aprendi, andei pelos campos, apanhando aqui e ali uma romã, uma nêspera, uma laranja, e fui à pesca, à ameijoa e ao berbigão, num dos sítios para onde gosto mais de olhar: a Ria Formosa. É um Algarve de muitos algarves, parecidos, mas todos ainda um pouco diferentes uns dos outros, apesar da muralha de casario, um pouco desordenado, que separa a linha de costa do resto, parecer querer uniformizar a paisagem.
Sítio de comer
Uma das coisas que gosto é conseguir encontrar sempre sítios de comer onde me sinto bem e sou bem tratado. São vários por toda a região e um deles, na zona de Portimão, é o Sanleti Tapas & Vinhos, sobretudo porque tem uma oferta diversificada de petiscos, que vai variando ao longo do ano, uma carta bem composta de vinhos algarvios e, à noite boa música ao vivo, calma, tocada e cantada por bons interpretes. Ao longo do tempo, fui conhecendo melhor o seu proprietário, Rui Silva, moço da região que estudou e deu os primeiros passos na profissão pelo norte, mas não resistiu a voltar.
Estabeleceu o seu Sanleti em Ferragudo, perto da margem esquerda do rio Arade, e mudou-se mais recentemente para a zona da Praia da Rocha, para um espaço maior com vista para a marina de Portimão, que continua a ser essencialmente uma casa de petiscos, cuja oferta vai variando ao longo do ano. Já lá comi Peixinhos da horta, Moxama de atum, Bolinhas de alheira com chouriço e outros, mas desta vez optamos pela Tiborna de Cavala com tomate, manga e pimentos vermelhos aos cubos, em pão tostado, que repito quase sempre, mais uma Tirinhas de polvo salteadas com puré de pimentos e Brás do Sanleti, com bacalhau, batata, camarão e ovo. Tudo saboroso e agradável, como habitual, desta vez apreciado na companhia de um Lagoa Reserva single vineyard, da casta Crato Branco, um vinho branco de aroma fresco, com notas de alperce, pêssego e fruta branca e o volume e frescura apropriados para o repasto.
Faltou-me apenas a tarte de amêndoa da mãe do Rui, incontornável, mas apenas porque me esqueci de reservar, já que a concorrência é grande pela sobremesa e é apenas ela que a sabe fazer. Mas fica para a próxima.
Sanleti Tapas & Vinhos
Morada: R. Bartolomeu Dias, Loja A, Praia da Rocha, 8500-806 Portimão
Tel.: 963 405 776
Site: sanleti.wixsite.com
Intemporal: A aposta pessoal de Miguel Laffan

A casa que estava em ruínas desde os anos 60 do século passado foi, entretanto, recuperada com um projecto da arquitecta Paula Arez e a concessão entregue ao grupo multinacional Wellow Network que aqui se estreia no negócio da restauração. Mas foi Miguel Laffan que se apaixonou pelo espaço e imaginou fazer dele a sua […]
A casa que estava em ruínas desde os anos 60 do século passado foi, entretanto, recuperada com um projecto da arquitecta Paula Arez e a concessão entregue ao grupo multinacional Wellow Network que aqui se estreia no negócio da restauração. Mas foi Miguel Laffan que se apaixonou pelo espaço e imaginou fazer dele a sua casa e com isso regressar à “linha” para uma aposta muito, mesmo muito pessoal. No piso térreo, uma cozinha de apoio e 4 lugares ao balcão do chefe. No piso superior, frente a uma generosa janela que nos traz até à mesa o mar de Oeiras em todo o seu esplendor, 12 a 14 lugares apenas.
Espaço intimista, pois, próprio para uma contemplação demorada às cores, aromas e sabores de uma cozinha muito personalizada, com bastante bagagem acumulada e extremamente segura de si. Como o nome indica, o conceito foi construído em torno do tempo. A carta varia em função das quatro estações (nós provamos o menu Primavera) em que se procura tirar o máximo partido da frescura dos produtos sazonais, enquanto se cruzam memórias numa combinação de sabores de raiz portuguesa perfumada com um toque cítrico de inspiração oriental que tanto seduziu o chefe. Miguel Laffan aposta forte, não esconde que o objectivo deste seu fine dining é mesmo conquistar a ambicionada estrela Michelin que já foi sua quando esteve no L’And and Vineyards em Montemor-o-Novo. Não tenho dúvidas que o conseguirá tal é o rigor e a precisão que coloca na criação de cada prato.
No caso do menu Primavera, este é dividido em cinco partes: Prelúdio, com 3 snacks, onde destaco os “ovos rotos” com barriga de atum (!) e uma Gyosa de lagostim, Passagem, 2 momentos, onde o destaque vai o “Maladrinho” de arroz de carabineiro, o Permanência, onde o pão de massa mãe e manteiga de botarga acompanham toda a refeição, Demora, onde os 4 momentos passam por criações inspiradas em torno de lulas em tandoori, goraz em caldeirada, espargos e cogumelos morilles com molho béarnaise e finalmente o cordeiro com legumes de Primavera. O menu termina com Eternidade com os 2 momentos que compõem a sobremesa, da responsabilidade da chefe de pastelaria Letícia Silva, um em torno dos morangos com gengibre e limão e outro ananás dos Açores, lima e o vinho de Carcavelos. O serviço de vinhos, da responsabilidade do sommelier Luis Feiteirinha, revelou-se competente e atento com propostas entre o seguro e o desafio que valorizaram o conjunto da refeição.
Intemporal
Menu Primavera: €120, com harmonizações vínicas (6 vinhos) Intemporal a €45 e Experience a €90 por pessoa.
Rua Vista Alegre, 2770-046 Paço d’Arcos
Horário (de terça a sábado): Almoços 12:30 às 15:00 e das 19:30 às 23:00
E-mail: reservas@intemporalrestaurante.pt
Telefone: 968 432 288
Restaurante Gastronómico: Requinte com vista deslumbrante!

A cozinha é de imaginação, evidenciando qualidade, diversidade e a frescura dos produtos locais. Tudo pensado ao mais ínfimo pormenor, com elevado requinte e sofisticação e um serviço exemplar, para proporcionar um momento de degustação inesquecível. Aberto desde 2010, ano em que foi inaugurado o The Yeatman Hotel, o Restaurante Gastronómico é um destino de […]
A cozinha é de imaginação, evidenciando qualidade, diversidade e a frescura dos produtos locais. Tudo pensado ao mais ínfimo pormenor, com elevado requinte e sofisticação e um serviço exemplar, para proporcionar um momento de degustação inesquecível.
Aberto desde 2010, ano em que foi inaugurado o The Yeatman Hotel, o Restaurante Gastronómico é um destino de eleição para apreciadores de vinho e amantes da gastronomia de excelência. Liderado pelo chef Ricardo Costa desde o início, tem hoje duas estrelas Michelin e um conceito inspirado na gastronomia nacional, onde os ingredientes locais ocupam o lugar de destaque e os pratos tradicionais são recriados à luz dos novos tempos. Ao menu de degustação sazonal, composto por cerca de 12 momentos a 260€ por pessoa, pode ser adicionado um de três suplementos vínicos – The Prime Selection 260€, The Yeatman Selection 130€, The Non-alcoholic Selection 100€, selecionados por Elisabete Fernandes, diretora de vinhos do Yeatman, por forma a garantir um pairing memorável. O serviço é discreto, mas exemplar, profissional, de enorme simpatia. A atenção ao detalhe está presente em cada momento, seja na decoração, na louça, no requinte e sofisticação. Enfim, classe à mesa numa experiência de fine dining inesquecível.
À chegada somos convidados a apreciar um conjunto de snacks enquanto desfrutamos da vista maravilhosa à nossa frente. De entre as várias propostas, o Frango no churrasco, um homenagem ao célebre franguinho da Guia, foi talvez a mais surpreendente. O pairing com espumante Quinta das Bágeiras Rosé Baga Bairrada 2018 não poderia ser mais acertado. Antes de rumarmos ao interior do restaurante, tempo de visitar a cozinha, espaço onde uma equipa coesa e muito talentosa nos foi preparando os momentos que se seguiram. A refeição foi sempre em crescendo, passando pelo choco, o salmonete, o tamboril e o espetacular bacalhau com grelos, grão-de-bico e mão de vitela, pratos repletos de sabor e umami acompanhados por uma seleção de vinhos certeira, com destaque maior para o Quinta de San Joanne 2003. Antes do grande final, de salientar o pão caseiro The Yeatman, de massa mãe, com azeite e manteiga caseira. Não é fácil fazer do simples tão bom. E tão bem!
Para o final, o momento Leitão The Yeatman, cujo sabor à moda da bairrada “se inspirou nos melhores assadores, Ricardo, do restaurante Mugasa, e o Sr. Vidal, da casa Vidal”, salientou, nesse dia, Ricardo Costa. A sobremesa Farturas, que remete de imediato para as festas populares, era crocante, de textura equilibrada e viciante, e fechou com chave de ouro a degustação, acompanhada por um Porto 50 anos. Que maravilha!
Restaurante Gastronómico
The Yeatman
Rua do Choupelo, 4400-088, Vila Nova de Gaia
Tel.: +351 220 133 100
Reservas: https://www.the-yeatman-hotel.com/pt/gastronomia/restaurante/
Email: reception@theyeatman.com
Aberto de terça-feira a Sábado ao jantar














