António Saramago: 56 anos de Castelão

É o mais antigo enólogo em actividade, em Portugal. Com 56 anos de dedicação ao vinho, António Saramago é artífice da uva Castelão, bandeira da Península de Setúbal, conhecendo-a como a palma da sua mão. Agora, foca-se somente no seu próprio projecto, na terra que o viu nascer, sem planos para cessar. TEXTO Mariana Lopes […]
É o mais antigo enólogo em actividade, em Portugal. Com 56 anos de dedicação ao vinho, António Saramago é artífice da uva Castelão, bandeira da Península de Setúbal, conhecendo-a como a palma da sua mão. Agora, foca-se somente no seu próprio projecto, na terra que o viu nascer, sem planos para cessar.
TEXTO Mariana Lopes
NOTAS DE PROVA Mariana Lopes e Luís Lopes
FOTOS Ricardo Gomez
António Saramago tem 70 anos. O andar sereno e o olhar plácido não deixam esconder a bagagem que traz, nem transparecer o que lhe vai na mente. Quem o conhece, sabe que é mesmo assim, a postura não fraqueja. Mas a sua casa, em Azeitão, na Península de Setúbal, tem sempre a porta aberta. Afinal, Saramago tem muito para contar.
Foi com apenas quatorze anos que entrou para a José Maria da Fonseca (JMF), a cinco de Maio de 1962. Teve de o fazer tão cedo, pois a vida não era folgada. Sob a orientação de António Porto Soares Franco viu, ouviu, aprendeu, ajudou e executou, mostrando apetência para as coisas do vinho e capacidade de trabalho. Na altura, com o apoio António Francisco Avillez, a JMF enviou António Saramago para Bordéus quando este tinha 24 anos, para uma formação em enologia. Também um curso de francês, em Setúbal, foi incentivado pela empresa. A aposta era óbvia, e o jovem aprendiz sentia-se acarinhado. À data, Domingos e António Soares Franco (actuais proprietários e administradores da JMF), eram bastante novos, e o enólogo consultor era Manuel Vieira (pai), acabando Saramago por se estabelecer como chefe de serviço de enologia, cargo hoje comummente apelidado de enólogo residente. António Francisco Avillez, Manuel Vieira e António Porto Soares Franco são, assim, nomes que António Saramago não deixa de mencionar quando conta a sua história: “São as pessoas que mais me marcaram na profissão. Primeiro, porque gostavam de mim, depois, porque achavam que eu tinha jeito para isto. Tive sorte de ter trabalhado numa casa como aquela, que mesmo hoje continua a ser uma verdadeira escola”, confessou. Saramago acabou por sair da JMF em 2001, após uma longa estada na casa.
Curiosamente, a emancipação enológica do azeitonense ocorreu no Alentejo e não na região de origem. Nos anos 80 era já consultor da Adega do Fundão e da Granja Amareleja e, um pouco mais tarde, da Herdade de Coelheiros e Adega Cooperativa do Redondo. “Quando comecei no Alentejo, ninguém lá trabalhava com barricas novas, fui pioneiro nisso. Incentivei, na Granja Amareleja, que se começasse a usar e acabámos por adquirir dez barricas de carvalho novo de 225 litros”, contou. Foi daqui que nasceu a marca, criada por José Leal Sobrado e António Saramago, chamada Terras do Suão, que acabou por “explodir” nos restaurantes de Lisboa. É também curioso que o vinho Tapada de Coelheiros, tenha surgido em seguimento isto: Joaquim Silveira, então proprietário da Herdade de Coelheiros, costumava ir almoçar ao Gambrinus todos os fins-de-semana. Pelo sommelier do restaurante lisboeta, foi-lhe apresentado o Terras do Suão como sendo um dos melhores vinhos do Alentejo. A verdade é que, na altura, os vinhos alentejanos de elevada qualidade contavam-se pelos dedos de uma mão. Aí, Silveira abordou Saramago para que este criasse em Coelheiros um vinho que estivesse ao mesmo nível, e este aceitou o desafio. Apesar de já tratar a uva Castelão por “tu”, António sabia bem que esta, mesmo sendo a casta mais plantada no Alentejo naquela década, não era ideal naquele terroir de Arraiolos, e começou por arrancar todo o que lá havia. Plantou mais Cabernet Sauvignon (incentivado pela paixão bordalesa de Joaquim Silveira), um pouco de Trincadeira e Aragonez, e reforçou a área de Chardonnay. Por esta última opção, foi apelidado de várias coisas. Mas não era António Saramago se não mantivesse a sua posição, sem vacilar. “Coelheiros foi o projecto que mais me marcou, a seguir a José Maria da Fonseca. Foi-me dada toda a liberdade de actuação, e isso é o sonho de qualquer enólogo”, revelou Saramago.
Conhecer bem a casta; ter grande experiência em como ela deve ser trabalhada na adega; aceder a uvas de uma vinha já com alguma idade. Estas são as premissas do versado em Castelão. António Saramago dedicou a sua vida a conhecer a uva: “É das mais difíceis do cardápio português. É muito sensível a doenças na vinha, gera muita “bagoinha” (pequenos bagos verdes que não vingam) e as suas maturações fenólicas são bastante irregulares”, explicou. Quando o enólogo iniciou a actividade, a Castelão representava 95% nas plantações da Península de Setúbal. No entanto, com o tempo os produtores e os agricultores foram preferindo uvas de trato mais fácil, como a Syrah, por exemplo, e o protagonismo da Castelão foi-se perdendo.
Podemos separar a Castelão em dois “tipos”: a de solo argilo-calcário, da zona da Arrábida, que origina vinhos mais leves, frescos e elegantes, com menos concentração e menos álcool, e a de solos arenosos, de Palmela, que dá vinhos mais estruturados e concentrados. Com o passar dos anos, a parte da Arrábida foi praticamente diluída, mas na zona de Palmela isso não se verificou tanto. Neste momento, até já se começou a replantar Castelão, também porque os jovens produtores e enólogos recuperaram o interesse na casta. “A Castelão é a nossa identidade”, afirmou António Saramago, que usa nos seus vinhos uvas dos solos de areia de Palmela. Quando interrogado sobre a razão da preferência, foi peremptório na resposta. “Para mim, não há lugar para Castelão dos dois solos. A Castelão deve ser plantada em solos arenosos. No solo argilo-calcário, a videira não tem estrutura para se aguentar, pois em vez de as raízes afundarem, acabam por se encaminhar lateralmente e a escassa profundidade, onde encontram a água pouco abaixo da superfície. Nos arenosos, as videiras afundam muito as suas raízes à procura de água, o que lhes dá mais estrutura e concentração ao vinho. Além disso, no pico do Verão, em terrenos de areia é mais fácil fixar o calor à superfície”.
Aqui há uma questão que se coloca: Numa altura onde começa a haver mercado para vinhos menos concentrados, mais leves e com menos álcool, não será possível fazer um Castelão de perfil diferente, mais na linha da elegância? Foi aqui que António Saramago nos surpreendeu com um plot twist. “Há lugar para esses vinhos de Castelão, mas acredito que eles possam surgir dos solos de areia e não dos argilo-calcários”, disse. Aliás, está nos planos do enólogo a criação de um vinho com esse perfil, das vinhas velhas em areia que explora, apenas com uma abordagem enológica diferente. “Será um dos meus últimos trabalhos”, declarou, um novo desafio nesta fase mais avançada da vida profissional.
Azeitão é a sua terra e a Península de Setúbal a sua região e, por isso, Saramago sempre quis criar vinhos ali, onde se sente em casa, com a casta da sua vida. Assim, iniciou o seu projecto pessoal em 2002, a pequena empresa familiar António Saramago Vinhos. “O objectivo foi fazer coisas boas, em pequenas quantidades”, contou. O filho António está também envolvido, trabalhando a enologia e a área comercial, bem como a esposa Ausenda. São referências como Risco (base de gama) António Saramago Reserva, António Saramago Superior, A.S. (topo de gama), JMS Moscatel de Setúbal Superior e António Saramago Moscatel de Setúbal Reserva. Também produz no Alentejo, onde se destaca a marca Dúvida. São 150 mil garrafas no total, cerca de metade em cada região. Incansável, Saramago criou agora um vinho de edição única, o Sucessão, dedicado aos seus três netos e dividido em partes iguais pelos mesmos. Em breve, entrará na Beira Interior e em Lisboa.
Não tem adega própria (alugando espaço de vinificação em Catralvos), nem vinhas próprias, mas explora em regime de arrendamento e compra uvas e vinho, utilizando a sua experiência para escolher o que há de melhor. Algumas dessas vinhas, de Palmela, são tão velhas e têm produções tão baixas que tem de pagar valores muito elevados pelas uvas, sob risco de o proprietário desistir da vinha e decidir arrancá-la. Visitámos uma delas. A paisagem é impressionante, uma planície de areia com cepas velhas imponentes e deixadas em liberdade, onde o sol mostra uma luz mais brilhante e onde o vento nos fustiga o cabelo. António Saramago coloca a sua mão sobre um dos braços de uma videira, como se fosse sua amiga: “Terei em breve 71 anos, mas enquanto estiver nas minhas plenas faculdades, vou continuar. Ao fim destes anos todos, continuo a gostar muito daquilo que faço. É paixão. E isso é uma coisa que nasceu comigo e que comigo vai morrer”.
Edição Nº23, Março 2019
Uma península com toque alentejano

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A região a que se convencionou chamar de Península de Setúbal contém, em boa parte da sua superfície, largos hectares de área da região, esta administrativa, do Alentejo. É a zona sul, a mais atlântica, que dá vinhos diferentes dos que estão a Norte e a Leste. Dois produtores da região mostram isso muito bem.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA João Paulo Martins e Mariana Lopes
Não é a região de Azeitão, Palmela e Fernando Pó, por exemplo. Nem é Reguengos, ou Borba, ou Portalegre. A zona sul da Península de Setúbal é um terroir próprio, dominado pela influência atlântica, boas amplitudes térmicas e pelos solos onde predomina a areia com subsolo de média fertilidade.
“Por aqui não há temperaturas exageradas e a proximidade do mar ameniza tudo”, diz-nos José da Mota Capitão, proprietário da Herdade do Portocarro. E acrescenta, “qui conseguimos incríveis teores de acidez”. A sua colega Jacinta Sobral está de acordo. A proprietária da Serenada nem precisava de o dizer: os seus vinhos mostram bem a influência atlântica na salinidade e na frescura.
Este terroir é tão particular que espanta como é que existam aqui poucos produtores de vinho e de pequena dimensão. Mota Capitão tem pena: “não temos produtores suficientes para fazer massa crítica; somos apenas uma meia dúzia. E alguns estão em evoluções diferentes”. Pior ainda: nenhum dos ‘pesos-pesados’ da Península de Setúbal, com milhões de litros anuais, possui vinhas nesta zona. Podem comprar aqui uva (ou vinho), mas não estão cá. E, ao contrário do que começa a acontecer mais a sul, com a entrada de produtores alentejanos à procura de acidez para os seus vinhos, por aqui não se nota esse movimento.
Jacinta Sobral e José Mota Capitão pode ter pena, mas não perdem uma noite a pensar nisso. Ambos lideram projectos com sucesso, fazem vinhos de que gostam e, melhor ainda, vendem bem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Serenada / Serras de Grândola” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][image_with_animation image_url=”34328″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][vc_column_text]O nosso primeiro destino está no concelho de Grândola Não é difícil lá chegar porque tem um pequeno hotel, muito charmoso. Tudo é pertença de Jacinta Sobral, farmacêutica de profissão em Lisboa, mas nascida e criada nestas paragens. A propriedade está na família desde pelo menos 1680, porque existe um testamento dessa data, que Jacinta exibe com orgulho. Está, aliás, parcialmente retractado nos rótulos dos seus vinhos mais caros, como o Cepas Cinquentenárias. A quinta tem 23 hectares no total e a primeira vinha nasce em 1961, pelo pai de Jacinta, que plantou apenas um hectare, com castas brancas e tintas, todas misturadas (75% tintas). Não havia grande tradição de vinha na região e Jacinta lembra-se apenas de Pinheiro da Cruz e Melides, aqui de forma muito artesanal. Em 1970 nasceu mais um pedaço de vinha, com outro hectare. A vinha abrange três tipos de solos bastante diferentes, com 7, 65 e 300 milhões de anos de idade. Existem areias, xistos e mesmo argilas. E vários outros minérios, como manganês. Um bom sinal, porque solos diferentes dão vinhos diferentes e Jacinta já reparou que isso acontece, por exemplo, no Verdelho. Poderá ter a ver com diferentes fertilidades de solo, ou quaisquer outras razões. Mas as diferenças existem.
Voltemos à história: nos primeiros anos, o pai de Jacinta fermentava tudo ao mesmo tempo e só uns bons anos depois começou a separar brancos e tintos. Jacinta ajuda no que pode, mas com mais força na vindima e nos últimos anos de vida do pai.
Em 2006, o pai morre e Jacinta faz contas com os dois irmãos, tomando conta da propriedade. Afastada do mundo do vinho, a farmacêutica fica sem saber muito bem o que fazer. Decide plantar mais vinha, mas aconselham-na a arrancar a vinha velha. Antes de tomar decisões apressadas e gastar (bom) dinheiro, Jacinta decide ampliar a sua formação vínica. Em 2007 vai para o Instituto Superior de Agronomia e tira um mestrado: “Foi a melhor coisa que fiz”, diz-nos ela com indisfarçável orgulho. “Ao fim de 2 ou 3 meses percebi que não ia arrancar coisa nenhuma”.
A área de vinha, entretanto, vai crescendo e está hoje nos 6,5 hectares. No total contém mais de 20 castas, porque Jacinta gosta de experimentar.
A vinha está rodeada por floresta, de tal forma que faz pensar, a espaços, nas vinhas do Dão.[/vc_column_text][vc_gallery type=”image_grid” images=”34331,34329,34330″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][vc_column_text]NASCE UMA ADEGA
Em 2008 Jacinta resolveu fazer uma adega (a adega original está em terrenos que ficaram para o irmão). Não vai ganhar prémios de arquitectura, mas está bem equipada para a função de fazer bom vinho. “Já está a ficar pequena”, lamenta Jacinta. “Por causa do estágio”. Pois… a enóloga gosta de vinhos com estágio e, como não tem pressa de vender, as garrafas ocupam muito espaço. Na adega repousam vinhos da sua marca, Serras de Grândola, de 2013 para a frente, brancos sobretudo. Arinto e Verdelho envelhecem muito bem. “Ainda não sei como será o Gouveio…”, diz-nos Jacinta.
A adega está cheia de cubas de pequena capacidade (de 150 a 1.000 litros), herdadas. Mas são ideais para fazer pequenas quantidades e, claro, muitas experiências. “Vou enchendo e só depois faço os lotes”, diz-nos Jacinta. A maior cuba, de 6.000 litros, pouco é usada. Para os tintos existem duas cubas de 2.500 litros. Ou seja, dá tudo um trabalhão, mas a proprietária aprende e diverte-se. Para as cubas que não têm frio, Jacinta usa placas endógenas.
Os vinhos são secos, austeros, sem artifícios. Podem mesmo ser considerados algo difíceis para o consumidor menos enófilo, habituado à actual doçura residual. Mas são muito gastronómicos, porque muito frescos, cheios de carácter. Mas, depois de provar várias colheitas antigas, agradecem o estágio.
Jacinta faz algum vinho de base, em bag-in-box, para consumo local e alguns clientes fiéis. Mas, diz Jacinta Sobral com um sorriso de orelha a orelha: “cada vez faço menos vinho de base e cada vez faço mais vinhos especiais, os que gosto de fazer”.[/vc_column_text][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
A sua herdade do Portocarro fica no concelho de Alcácer do Sal, freguesia do Torrão. Foi adquirida por Pepe há bem mais de uma década, depois de cursar Agronomia em Lisboa, onde vivia. Desde cedo que mostrou sentido e gosto para a agricultura, cultivando arroz nas lezírias sadinas da herdade. A vinha nasceu em 2002, com a assistência técnica de Paulo Laureano, que aqui esteve até 2012. Actualmente é António Rosado que dá a assistência técnica, tanto na vinha como na adega. Os dois complementam-se na vontade de experimentar e fazer melhor. Nestes anos já acumularam um invejável manancial de conhecimentos e é um gosto falar com eles sobre vinha e vinho. Pepe já tem vinhos da casta Boal (famosa na Madeira) e Galego Dourado (de Carcavelos) e possivelmente o vinho mais famoso da casa, o Anima, é feito com a casta italiana Sangiovese. Na altura era único no país (e se calhar ainda é), mas era muito bom e vendeu – e continua a vender – muito bem. A propósito, aparecer uma versão Sangiovese em branco, de nome Manda Chuva.
PRIVILÉGIO PARA A MATÉRIA-PRIMA
A vinha está um brinco, plantada sobretudo em encosta suave. É aqui que Pepe e António passam muito tempo, não só porque gostam da viticultura e querem as melhores uvas, mas também porque têm muitas castas diferentes para cuidar. E só assim a equipa consegue conhecer os “humores” de cada uma, do Cabernet à Touriga Franca, do Galego Dourado ao Sercial. No total são 18 hectares, com várias exposições e altitudes diferentes. O terroir é a menina dos olhos de Pepe: “esta é uma região abençoada para a vinha”.
As uvas vão para a adega, ali ao lado, transformada de um antigo barracão. Mas o que está lá dentro, incluindo um conjunto de dispendiosos balseiros da Seguin Moreau, é material de alta qualidade. Tanto servem para fermentações como para estágio, e todos os vinhos passam por aqui. Os resultados compensam, mas os balseiros dão muito trabalho a higienizar. Tudo é fermentado casta a casta. Lotes, só à posteriori. E não há linha de engarrafamento. Mas, ainda assim, a adega está a ficar pequena…
“O nosso maior lote é de 50 mil litros (Autocarro 27). Os outros têm entre 2.500 e 10.000 litros”, diz-nos António Rosado. Ou seja, pequenas tiragens de vinhos com um perfil especial. “O estilo da casa é sobretudo a frescura, elegância, vegetal”, afirma o proprietário. E manter teores alcoólicos moderados. Em primeiro lugar porque Pepe e António não gostam de fruta exuberante. E depois porque não precisam de forçar nada: graças às maiores amplitudes térmicas na altura antes da vindima, as plantas não param de trabalhar e as maturações fenólicas costumam andar à frente das alcoólicas. No final ambos reconhecem que não fazem os vinhos mais consensuais do mercado: quem goste de vinhos muito encorpados, alcoólicos, de fruta exuberante, tosta e finais adocicados pode procurar em outro lado. A frescura e elegância (e os taninos, nos tintos) são características de vinhos longevos e é por isso que aqui não há pressas em lançar os vinhos para o mercado. O mercado agradece, incluindo o estrangeiro: “Exportamos metade e, melhor ainda, vendemos lá fora os vinhos mais caros do que cá”, revela Pepe. A casa vai de vento em popa, batendo recordes todos os anos. Mas Pepe não está satisfeito…[/vc_column_text][vc_gallery type=”image_grid” images=”34334,34335,34336″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][vc_column_text]À PROCURA DE VINHAS
Ali ao pé, em Melides, em terras de xisto, Pepe entrou num projecto chamado Pego da Moura, em sociedade com Manuel Ricciardi, proprietário de parte das vinhas. O restante vem de parcelas locais, algumas com muitas décadas e outras ainda em pé franco. Fizeram-se alguns acordos com os proprietários locais e daí já nasceu um Boal e um Castelão (2015), da marca Pego da Moura Impossible Vineyads. No meio da sociedade entrou ainda um artista plástico inglês, que também já tem vinhas plantadas com varas retiradas das plantas velhas da região. O provámos é extraordinário e estamos em crer que o futuro ainda trará ainda melhores novidades.[/vc_column_text][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº 22, Fevereiro 2019
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Casa Ermelinda Freitas vence duas estrelas no concurso ProdExpo

A Casa Ermelinda Freitas ganhou, com os seus vinhos CEF Merlot Reserva e Vinha do Fava Touriga Nacional, duas ProdExpo Stars atribuídas ao vinho mais pontuado em cada categoria, no mais famoso concurso de vinhos da Rússia, o ProdExpo 2019. Na mesma competição, o produtor obteve um total de 18 medalhas (2 ProdExpo Stars, 12 […]
A Casa Ermelinda Freitas ganhou, com os seus vinhos CEF Merlot Reserva e Vinha do Fava Touriga Nacional, duas ProdExpo Stars atribuídas ao vinho mais pontuado em cada categoria, no mais famoso concurso de vinhos da Rússia, o ProdExpo 2019.
Na mesma competição, o produtor obteve um total de 18 medalhas (2 ProdExpo Stars, 12 medalhas de ouro, 4 de prata).
Desde 1999 a Casa Ermelinda Freitas, já obteve mais de 1000 prémios a nível nacional e internacional.
Casa Museu José Maria da Fonseca actualiza enoturismo

Fechado o ano de 2018, com um total de 42 mil visitantes, a José Maria da Fonseca divulga as novas ofertas de enoturismo da sua Casa Museu, em Vila Nogueira de Azeitão. A aposta é na organização de eventos premium e nas experiências exclusivas. A JMF vai disponibilizar vários espaços, como a Cave da Bassaqueira, […]
Fechado o ano de 2018, com um total de 42 mil visitantes, a José Maria da Fonseca divulga as novas ofertas de enoturismo da sua Casa Museu, em Vila Nogueira de Azeitão. A aposta é na organização de eventos premium e nas experiências exclusivas. A JMF vai disponibilizar vários espaços, como a Cave da Bassaqueira, a Adega dos Teares Novos, ou a Loja do Vinho, para eventos de empresas, com refeições personalizadas e harmonizadas com vinho. Dentro das experiências únicas, os visitantes podem agora vivenciar “Um dia com a nossa Família”, um programa que inclui uma visita guiada à Casa Museu, prova de vinhos e um almoço ou jantar com a presença de um dos membros da família activos na empresa, cujos vinhos são seleccionados por um dos enólogos da casa. Quanto às provas de vinhos, há duas modalidades: as Premium, a começar nos €5 por pessoa, e as Especiais, até €50.
As reservas podem ser feitas em enoturismo@jmfonseca.pt ou 212198940.
Os números do leilão da José Maria da Fonseca

Domingos e António Soares Franco Decorreu na Casa Museu da JMF e, como habitual, gerou entusiasmo e expectativa. O quarto leilão do século XXI, da José Maria da Fonseca, foi um sucesso ao superar as previsões, rendendo um valor total de 67 mil euros. O protagonista da cena foi o Moscatel Roxo de Setúbal Superior […]
Domingos e António Soares Franco
Decorreu na Casa Museu da JMF e, como habitual, gerou entusiasmo e expectativa. O quarto leilão do século XXI, da José Maria da Fonseca, foi um sucesso ao superar as previsões, rendendo um valor total de 67 mil euros. O protagonista da cena foi o Moscatel Roxo de Setúbal Superior 1918, em homenagem aos 100 anos de Fernando Soares Franco, representante da quinta geração da empresa (a sexta e a sétima são as actuais), mas a estrela da noite foi o Apothéose Bastardinho, o último a ser leiloado, licitado por 4500 euros. É que este Bastardinho de Azeitão tem mais de 80 anos e originou apenas 40 garrafas! Dele será lançada uma garrafa por ano. Mas todos os 35 lotes leiloados, de 126 garrafas no total, causaram azáfama entre os licitadores, com muitos a não demonstrar qualquer hesitação em levantar a raquete. Tanto que, um leilão que poderia ter demorado bem mais tempo, durou apenas cerca de meia hora.
A José Maria da Fonseca, que detém um património único de Moscatéis de Setúbal, colocou também em praça diversas colheitas antigas de Moscatel e de aguardente.
Não perca, na Grandes Escolhas de Dezembro, a reportagem completa sobre o evento.
O gigante que dança ao som do consumidor

Edição nº11, Março 2018 Península de Setúbal A Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões não é meramente mais uma cooperativa produtora de vinhos do panorama nacional. Primeiro pela sua história, única no país. Depois, pelo número de associados. E finalmente pelo enorme sucesso que tem vindo a registar nas últimas décadas… TEXTO António Falcão […]
Edição nº11, Março 2018
Península de Setúbal
A Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões não é meramente mais uma cooperativa produtora de vinhos do panorama nacional. Primeiro pela sua história, única no país. Depois, pelo número de associados. E finalmente pelo enorme sucesso que tem vindo a registar nas últimas décadas…
TEXTO António Falcão
FOTOS Ricardo Palma Veiga
A história da Adega de Pegões começa com José Rovisco Pais, rico proprietário rural e dono da Cervejaria Trindade (em Lisboa). Este benemérito doou em testamento o seu património na zona de Pegões aos Hospitais Civis de Lisboa. Falamos de cerca de sete mil hectares! Nos anos 50, grande parte da área foi dividida em parcelas e foram convidadas cerca de 250 famílias para as irem ocupar e explorar.
Chamaram-lhes colonos porque vieram de várias regiões do país e foi certamente o maior projecto de colonização interna até hoje realizado em Portugal. Condições necessárias eram sobretudo três: ser uma família, serem católicos e serem trabalhadores honestos. Em todas as parcelas (com cerca de 16 hectares) se fez uma casa e o único pagamento anual a fazer pelos colonos era realizado em géneros. Dez por cento da produção da parcela ia para o Estado, incluindo uvas. De facto, cada parcela tinha plantados, pelo menos, quatro hectares de vinha.
No final dos anos 50 foi constituída uma associação para vinificar as uvas dos colonos. Nasceu assim a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Já no final dos anos 80, o estado passou a propriedade das parcelas para os próprios colonos. Mas a adega ficou com imóveis, incluindo alguma terra, duas barragens e armazéns. Mas nem um pé de vinha…
Concentração e pragmatismo
Pelo meio, alguns colonos/proprietários foram comprando a área de outros. Houve assim uma concentração e não espanta que actualmente existam apenas 92 associados, um número ímpar – pela sua exiguidade – no cenário cooperativo português. O facto de a adega pagar bem (entre 40 a 70 cêntimos o quilo de uva) e a tempo e horas não faz mal nenhum… Muitos associados são profissionais na criação de uva e alguns deles têm técnicos próprios de viticultura. Vinhas bem-feitas, bem tratadas, clones seleccionados, proprietários jovens e conhecedores.
Tal não estranha, considerando que a média de área de vinha por proprietário é muito alta, havendo três associados que possuem mais de uma centena de hectares cada um! E metade dos associados é responsável por 90% das uvas. No total, a área ronda os 1.200 hectares de vinha. Com estas condições, não faltam candidatos a querer entrar, mas a adega não aceita mais desde 2000. “Ser sócio de Pegões é um privilégio, mas estamos a crescer por via interna, quer por reestruturação de vinhas, quer por aumento de área por parte dos nossos associados”, refere o director-geral da empresa, Jaime Quendera. A estratégia funciona porque a produção duplicou na última década.
Jaime Quendera entrou em Pegões com João Portugal Ramos – em 1994 – e por cá ficou depois de este enólogo ter saído, quatro anos mais tarde. Conhece por isso todos os cantos à casa. A direcção acabou a nomeá-lo director-geral, funções que acumula com a responsabilidade da produção/enologia. E ainda a área comercial, marketing e, porque não, relações públicas. A direcção, já agora, é a mesma desde há cerca de 24 anos! Ou melhor, só mudou um dos directores, mas apenas por substituição de um pai por um filho.
Uma parte da vida de Jaime é passada no estrangeiro, a promover os vinhos da adega, às vezes durante 15 dias seguidos. Tinha acontecido exactamente isso há alguns dias antes da nossa visita, com uma longa viagem ao mercado russo. Ou, há algum tempo, à China.
É por isso um dos técnicos mais polivalentes, conhecendo como poucos os gostos dos consumidores, nacionais e internacionais. Esse conhecimento levou-o a um pragmatismo impressionante na altura de saber o que fazer às uvas. Esse pragmatismo, arriscamos, tem sido uma grande mais-valia no sucesso da Adega de Pegões. De facto, Jaime não esconde, nem nunca o fez, que afina os vinhos à medida do gosto dos consumidores. E, já agora, ao gosto de muitos críticos e provadores de vinhos, que têm outorgado centenas de prémios, alguns de monta, aos vinhos da casa. A empresa conseguiu em 2017, aliás, o 27º lugar no World Ranking of Wines & Spirits, uma listagem que usa os resultados dos principais concursos de vinhos do mundo para ordenar as empresas com maior sucesso.
Terroir ajuda a produzir boas uvas
Não se julgue, contudo, que estamos a falar de vinhos ‘industrializados’. A matéria-prima que chega à adega é de boa qualidade, também cortesia da profissionalização da viticultura e do terroir desta região, localizado entre o estuário de dois grandes rios – Tejo e Sado. De tal maneira que Jaime Quendera não hesita em referir que o ano passado – extremamente seco – foi dos melhores de sempre: “Algumas videiras têm as raízes quase dentro de água”, graceja o enólogo. Produzir é, por isso, fácil: o ano passado, Pegões recebeu quase 12 mil toneladas de uva e o seu director geral não hesita em considerá-la a “maior empresa da região em produção”.
Nas castas, predominam a tinta Castelão e a branca Fernão Pires, mas a adega recebe de tudo um pouco.
Adega bem equipada
A adega está primorosamente equipada, melhor provavelmente do que muitas outras mais pequenas. A mais recente adição foi uma unidade de termovinificação Delta Extractys (da Bucher Vaslin) de última geração, destinada a vinhos tintos de grandes tiragens. O sistema trata 30 toneladas/hora de uva, mas é um processo caro e gasta muita energia (600 Kilowatts). As uvas são aquecidas a 60 graus e a 2,5 bares de pressão, o que rebenta as peliculas. O resultado fica depois em maceração durante 2 a 3 horas, para extracção de compostos fenólicos e aromas. A pelicula é depois retirada e o vinho tinto vai a fermentar, sem película. “Os vinhos que daqui saem ficam mais macios e gulosos. Mas também já experimentei usar este sistema para vinhos de topo e ficam bem à mesma”, garante Jaime. O Delta Extractys permite ainda amaciar os vinhos oriundos de uvas com pouca maturação, sobreprodução ou com problemas de sanidade.
A área total coberta da adega é enorme, rondando os 35 mil metros quadrados. A parte superior está ocupada, desde há alguns anos, por painéis solares fotovoltaicos, que geram uma parte da energia consumida na empresa, cerca de 40%.
Com a produção a crescer ano após ano, é preciso ampliar. “Estamos sempre em obras”, graceja Jaime. E também por causa das certificações, exigidas por grandes clientes estrangeiros. Tudo está hoje debaixo de tecto; “não há nada à chuva”. A adega consegue vinificar e estagiar 17 milhões de litros, mas este ano ficou completamente cheia. Por isso, vai receber mais 4 milhões de litros de capacidade. Desses, quase metade vai para a fermentação… Tudo está em inox, tudo está automatizado. “É volume, é barato, mas é bem feito”, garante o gestor. “E, como sempre, vendemos tudo, não chega… Temos que crescer”, remata Jaime.
Milhares de barricas
O crescimento também passa pelo estágio. O parque de barricas é enorme, com mais de 3.000 barricas. Por aqui há de tudo, de todas as marcas, incluindo de preço elevado. “Compramos 400 a 500 barricas por ano”, diz-nos Jaime. Cerca de um milhar está numa cave especial, apenas dedicada aos moscatéis da casa: todos passam pela madeira, mesmo os de preço mais modesto. Jaime não hesita: “Não é um estágio barato, mas obtém melhores resultados.” Num canto desta cave, um conjunto de barricas contém o ‘tesouro’ da casa: 5.000 litros de Moscatel de 1998.
As restantes barricas estão em duas outras caves. É lá que repousam os melhores tintos (e alguns brancos). Os espumantes também são uma das forças da casa, mas mais para exportação e têm uma cave própria.
85% do que sai daqui é vinho engarrafado. Mas o portefólio da casa não é vasto e é de propósito. Jaime não quer dispersar-se por dezenas de marcas diferentes, como acontece em algumas outras empresas. É verdade que Pegões engarrafa marcas exclusivas para grandes cadeias comerciais. Mas o grosso da produção passa pela marca Adega de Pegões, nas suas variadas versões. Desde o colheita (preço de prateleira abaixo dos 2 euros num grande hipermercado) até aos Colheita Seleccionada (abaixo dos 3 euros) e aos varietais (5 a 6 euros). O vinho não-Moscatel mais caro da casa, o Grande Reserva tinto 2013, custa €15. Mas é uma ínfima percentagem da produção local. Tal como o é o Moscatel Roxo, a €50 a garrafa. Ainda assim, o Grande Reserva esgotou num ano (cerca de 9.000 garrafas).

Os números do negócio
A empresa facturou mais de 18 milhões de euros no ano passado e cerca de 35% desse volume provém da exportação. E, segundo Jaime Quendera, já produz um terço do vinho da Península de Setúbal. Ou seja, “uma em cada três garrafas que saem desta região é vendida por esta casa”: “E estamos a falar de vinhos certificados!”, quase grita Jaime.
Ou seja, em termos de volume, Pegões estará em primeiro lugar na região. Em termos de facturação não é assim e esse passo implicaria vender mais caro, coisa nada fácil nos tempos que correm. Para escoar estes volumes, o preço é fundamental. E aqui falamos em cêntimos, porque não há poder de compra para comportar aumentos que se iriam repercutir no preço final ao consumidor. Jaime sabe isto muito bem e por isso é tão difícil criar novas mais-valias, aumentando o preço dos produtos: “Não falamos de vender 20 ou 30 mil garrafas; aqui falamos em milhões!” A exportação poderia ser uma solução para aumentar valor, mas Jaime dispara logo: “Lá fora não temos apenas uma dúzia de empresas concorrentes, temos o mundo todo!”
Embelezar o exterior, finalmente
As contínuas obras têm impedido a adega de melhorar o seu aspecto exterior, o calcanhar de Aquiles da casa. Mas já estão planeadas. O aspecto industrial vai continuar, mas tudo vai ficar mais limpo e arrumado.
Está também pronta a nova loja do vinho, que contém todo o portefólio da casa. Espaçosa e bem decorada, possui parque de estacionamento próprio, pertinho da entrada, e tem acesso separado da adega. Mas será pela entrada principal que os visitantes terão de entrar para visitar o pequeno, mas interessante, museu que explica a história desta cooperativa. Há por isso muito para descobrir em Pegões.
O mais impressionante é que muito do investimento é feito com capital próprio. Ou seja, sem recurso à banca. E alguns investimentos nem recorrem a fundos comunitários, porque não há tempo para fazer projectos e esperar decisões… “Isto tem que gerar riqueza por si só”, diz Jaime Quendera: “Não podemos estar à espera…”
Tejo e Península de Setúbal ganham quota no mercado nacional

No primeiro trimestre deste ano, face ao período homólogo do ano passado, e segundo dados avançados pelas respectivas CVRs, tanto a região do Tejo como da Península de Setúbal ganharam quota de mercado nacional (números apenas do continente). Os dados vêm da consultora Nielsen e indicam, por exemplo, que a Península de Setúbal conseguiu alcançar […]
No primeiro trimestre deste ano, face ao período homólogo do ano passado, e segundo dados avançados pelas respectivas CVRs, tanto a região do Tejo como da Península de Setúbal ganharam quota de mercado nacional (números apenas do continente). Os dados vêm da consultora Nielsen e indicam, por exemplo, que a Península de Setúbal conseguiu alcançar a segunda posição entre os vinhos certificados mais consumidos no mercado nacional, com uma quota de mercado de 6,4%. O Alentejo continua a dominar em termos de regiões, tanto em litros como em valor (17 e 25%, respectivamente) mas os vinhos sem denominação de origem, chamados ‘vinhos de mesa’, continuam a ser os campeões em litros (mais de metade do mercado) e valor (cerca de 40%).
Os produtores da Península de Setúbal têm ainda outros motivos para júbilo: os vinhos da região registaram no primeiro trimestre deste ano um crescimento de 3% nas exportações para países terceiros, com destaque para o Brasil e os E.U.A. que aumentaram em 55% e 45%.
Quanto ao Tejo, os números registam um aumento substancial no total de vendas, em litros e em valor, quer na Distribuição, quer na Restauração. Em valores, isto significa um aumento de 26% no total de vendas em litros (Distribuição + Restauração) e cerca de 20% em valor.
Refira-se que o relatório trimestral da Nielsen indica uma tendência negativa do mercado nacional, com -0,4% no total de vendas em litros (Distribuição + Restauração). No entanto, em termos de valor, o mercado subiu 2,6%, indicando que se consumiram menos vinhos certificados nos primeiros três meses de 2018, mas o valor unitário era mais elevado.
A duas regiões mais afectadas foram a da Beira Atlântico (Bairrada) e do Alentejo, que perderam, nesse trimestre (e mais uma vez face ao mesmo trimestre de 2017), cerca de 17,7% e 4,4%, respectivamente. Em termos de facturação, ambas as regiões mostraram números muito menos negativos: A Beira Atlântica, por exemplo, cresceu, e o Alentejo desceu muito ligeiramente.









