As estórias da Carochinha

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Estamos em terras de fronteira entre Setúbal e Alentejo. Vemos ao longe o mar, com Porto Covo a dois passos. Foi aqui, em terra agreste, anteriormente varrida pelo fogo, que César e Manuela Macedo resolveram arrancar com um projecto. Começaram por pensar em turismo rural e acabaram por plantar vinha. Agora são clientes dos armazéns chineses…
TEXTO João Paulo Martins FOTOS Ricardo Gomez
A carochinha já por aqui andava antes do casal se interessar por estas encostas; já havia a Carochinha de Baixo, do Meio e a Ponta da Carochinha. A estrada corta, assim, a dita Carochinha a meio e por isso a designação de Monte da Carochinha foi pacífica. Estamos, dizem-nos, na única vinha registada no concelho de Sines e foi, também, por não haver tradição de aqui se plantar vinha que não faltaram as vozes que desaconselhavam qualquer plantio. Aqui é terra de montado, dizia-se, e por isso o que César mais vezes ouviu foi o “não se meta nisso”, uma espécie de karma nacional sempre avesso à novidade e mudança. Filipe Sevinate Pinto, enólogo e ligado ao projecto desde o início, não teve dúvidas: “isto cheirava-me a vinho e logo percebi que se poderia fazer aqui algo diferente”. A razão estava à vista: encostas com múltiplas orientações, uma proximidade contida em relação ao mar que poderia ser muito vantajosa, solos pobres dominados pelo xisto e a possibilidade de ir além do habitual que se encontra quer em Setúbal quer no Alentejo.

Plantar a vinha não foi desejo nem objectivo inicial, “apenas pensámos em fazer um turismo rural, mas quando nos deparámos com as limitações que nos impuseram, resolvemos dar outro uso a estes 42ha que, bastava ver, não pareciam ter qualquer aptidão agrícola”. Assim sendo, encetaram um projecto de reflorestação e plantaram 3000 pés de pinheiro manso e outro tanto de sobreiros e, sem qualquer euforia, resolveram plantar vinhas de uvas brancas. Essa era a ideia inicial, uvas brancas, de castas nacionais, nomeadamente a Encruzado. Trazer para aqui a casta mais famosa do Dão não foi pacífico e Filipe diz-nos que “até dar as primeiras uvas fui muito criticado, mas achei que a casta ia de encontro ao desejo do produtor que era fazer vinhos que também pudessem evoluir bem em garrafa; além desta optámos também pelo Arinto, pela sua versatilidade”. Infelizmente, diz-nos César Macedo, o mercado ainda reage mal a vinhos brancos com dois ou mais anos, temos aqui trabalho pela frente para que se compreenda que não estamos a “vender os restos que lá têm na adega”, como já chegaram a dizer.
Os poucos anos que o projecto leva (a primeira vindima foi em 2014) permitiram concluir que estas diferentes orientações das parcelas e a proximidade do mar trazem muitas vantagens e não obrigam a tantos tratamentos. Sobre o tema fala-nos António Cláudio, responsável da viticultura: “na zona de Milfontes, por exemplo, é preciso tratar de 10 em 10 dias porque a pressão do míldio e oídio é enorme. Aqui fizemos menos de 6

tratamentos anuais mas, por outro lado, o grande problema aqui é a falta de água e enquanto não tivermos esse problema resolvido não poderemos ir além do 6,5ha de vinha que temos, dos quais 4,5ha de uva branca. Um problema sério aqui são os insectos, como traça, cicadela e ácaros e mais sério
ainda porque a indústria deixou de produzir um insecticida em virtude da cidadela não ser problema geral europeu nem mesmo em todo o território nacional e agora isso obriga-nos a mais tratamentos e maior pegada de carbono.
A opção pelo tinto foi, como nos dizem, “uma resposta à pressão do mercado, estavam sempre a perguntar quando é que saía o tinto” e foi assim que optaram pelo plantio de Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Merlot. A origem duriense de Manuela Macedo falou mais alto e não descansou enquanto não viu uma encosta transformada em vinha com socalcos, à moda do “seu” Douro; é uma área pequena (menos de um hectare) e ainda não está a produzir mas funciona muito bem na paisagem onde além dos pinheiros, que se vêem a crescer, encontramos medronheiros e algumas oliveiras que aqui foram plantadas e já deram três colheitas de azeite. Alguns focos de esteva foram propositadamente deixados para que pássaros e outros insectos pudessem medrar. Problema sério são os javalis porque não têm predadores mas um rádio “comprado nos chineses” e a tocar pendurado numa árvore faz muito efeito que eles não se aproximam!
A produção deverá atingir em 2019 os 11 000 litros de tinto e 25 000 de branco, com os vinhos a serem feitos na Herdade da Monteira em Alcácer do Sal onde, diz Filipe Sevinate Pinto, “temos todas as condições técnicas para se fazer um bom vinho e temos mesmo a adega por nossa conta, uma vez que o proprietário deixou de produzir vinho”.
Aqui, onde acaba Setúbal e começa a região vinícola do Alentejo, está a nascer um projecto original. Com todas as dificuldades que os novos projectos acarretam mas também com toda a energia de quem vê nascer vinho onde antes tal desiderato não imaginava.
Na prova que fizemos ainda abordámos a primeira edição do branco (de 2014) que cumpriu o que na altura se dizia na nota de prova: pode evoluir bem em cave. Foi mesmo isso que aconteceu, a mostrar que a Encruzado é casta que precisa de tempo para se revelar. Se tudo correr bem, em 2020 teremos um Reserva tinto ou mesmo um Grande Reserva. Provavelmente depende da duração das pilhas do rádio…
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Edição n.º32, Dezembro 2019
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Moscatel de Setúbal da JMF “Torna Viagem” vai dar volta ao Mundo

Partiram dia 5 de Janeiro, a bordo do Navio Escola Sagres numa viagem à volta do Mundo, 1600 litros de Moscatel de Setúbal Torna Viagem, da José Maria da Fonseca. Esta viagem, incluída no Programa de Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação Fernão de Magalhães/Elcano, terá a duração de 371 dias e irá percorrer 20 […]
Partiram dia 5 de Janeiro, a bordo do Navio Escola Sagres numa viagem à volta do Mundo, 1600 litros de Moscatel de Setúbal Torna Viagem, da José Maria da Fonseca. Esta viagem, incluída no Programa de Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação Fernão de Magalhães/Elcano, terá a duração de 371 dias e irá percorrer 20 países de cinco continentes diferentes. Esta é a oitava experiência de Torna Viagem da era moderna.
A história do Moscatel Torna Viagem remonta ao século XIX e é património histórico exclusivo da José Maria da Fonseca. Na época em que navios cruzavam os mares do Mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam uma comissão pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar na totalidade. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à Casa Mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma boa surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. Em 2000, a José Maria da Fonseca retomou com regularidade as viagens com cascos de Moscatel de Setúbal.
No passado Domingo, seguiram a bordo do Navio Escola Sagres dois cascos de 600 litros e um de 400 litros de Moscatel de Setúbal José Maria da Fonseca: um casco com Moscatel de Setúbal 1956, outro com Moscatel Roxo de Setúbal 1985 e outro com Moscatel de Setúbal 2000. Esta viagem, cujo regresso a Lisboa está previsto para o dia 10 de Janeiro de 2021, tem o intuito de avaliar qual a influência da viagem marítima no Moscatel de Setúbal. Para isso a José Maria da Fonseca irá comparar as “testemunhas”, cascos de Moscatel de Setúbal das mesmas colheitas que permaneceram na adega, com os Moscatéis que viajaram. Para Domingos Soares Franco, vice-presidente e enólogo da JMF, “cada viagem é única e irrepetível, as alterações bruscas de temperatura, o balanço do mar e a salinidade atribuem características ímpares ao vinho, mas invariavelmente ele regressa mais complexo, redondo e aveludado acentuando o carácter único e maravilhoso do nosso Moscatel de Setúbal Torna Viagem”.
As experiências Torna Viagem permanecem, depois, por longos anos nas caves da José Maria da Fonseca, antes de chegarem ao mercado.
Vinhos de Setúbal reforçam presença nos voos da TAP

No âmbito do projeto TAP Wine Experience, foi desenvolvida uma parceria entre a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, a TAP Air Portugal e quatro empresas da Região. Durante o último trimestre de 2019 e o início de 2020, a TAP apresenta aos seus passageiros uma oferta alargada de vinhos da Península de Setúbal. […]
No âmbito do projeto TAP Wine Experience, foi desenvolvida uma parceria entre a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, a TAP Air Portugal e quatro empresas da Região. Durante o último trimestre de 2019 e o início de 2020, a TAP apresenta aos seus passageiros uma oferta alargada de vinhos da Península de Setúbal. A bordo estarão disponíveis para prova os vinhos da Adega de Palmela, Casa Ermelinda Freitas, Quinta da Bacalhôa e Quinta Brejinho da Costa.
Para quem costuma viajar em classe Económica nas rotas de Angola, EUA e Brasil, poderá acompanhar as suas refeições a bordo com os vinhos da Casa Ermelinda Freitas: O Dona Ermelinda Tinto e o Dona Ermelinda Branco.
Se estiver a planear a sua próxima viagem ao Rio de Janeiro ou a São Paulo em classe Executiva, terá disponíveis três propostas da Quinta Brejinho da Costa: Quinta Brejinho da Costa Selection Rosé, Quinta Brejinho da Costa Selection Branco e Quinta Brejinho da Costa Reserva Tinto.
A Quinta da Bacalhôa apresentará na classe Executiva das rotas de Angola, Brasil e Portugal, para a Madeira e os Açores, o seu Quinta da Bacalhôa Tinto e, na classe Económica da Bélgica, Holanda e Portugal para a Madeira e os Açores, os vinhos Serras de Azeitão Tinto e Serras de Azeitão Branco.
Se voar pelas rotas da Finlândia e Suécia, poderá provar os vinhos selecionados pela Adega de Palmela que se encontram divididos entre a classe Económica e a classe Executiva: Villa Palma Reserva Tinto, Villa Palma Reserva Branco, Chafariz Dona Maria Tinto e Villa Palma Branco.
Tintos de Setúbal: Um sucesso sem segredos

A Península de Setúbal é uma região multifacetada, mas também um enorme sucesso comercial, assente num perfil de vinhos de que toda a gente gosta. Desde tintos com relação preço-qualidade absolutamente irresistível até ao que de melhor se produz em Portugal. Terra de Castelão, mas também das ubíquas Syrah e Touriga Nacional, e até do […]
A Península de Setúbal é uma região multifacetada, mas também um enorme sucesso comercial, assente num perfil de vinhos de que toda a gente gosta. Desde tintos com relação preço-qualidade absolutamente irresistível até ao que de melhor se produz em Portugal. Terra de Castelão, mas também das ubíquas Syrah e Touriga Nacional, e até do Alicante Bouschet cada vez mais utilizado. Uma região que é um festim para os sentidos.
TEXTO Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Gomez
Entre Almada, a sul de Lisboa, e Santiago do Cacém na fronteira com o Alentejo, é tudo área geográfica do vinho Regional Península de Setúbal. É, portanto, uma extensão significativa, ainda que não seja uma das maiores regiões nacionais. Por outro lado, e apesar do cultivo da vinha ocorrer de forma dispersa por toda a região, existem dois núcleos principais com características orográficas distintas: um a Sul e Sudoeste, zona montanhosa e recortada por vales, formada por serras (a da Arrábida, a mais conhecida) e montes (o de Palmela, em destaque); a outra, prolonga-se em extensa planície junto ao rio Sado e não muito distante do rio Tejo. Com maior precisão encontramos dois terroirs clássicos, os calcários da Serra da Arrábida e as areias de Fernando Pó, com primazia para o segundo ao nível da superfície com vinhedo.
Na região, a vinha é abundantemente plantada, sendo um dos seus principais cultivos. Basta percorrer de carro a autoestrada A2, ou as estradas N4 e N10, para se ter a sensação clara da imersão numa zona vitivinícola. Não espanta, por isso, também que as tradições de vinho sejam profundamente enraizadas – terão sido os Fenícios e os Gregos os primeiros a introduzir a vinha nas encostas da Arrábida e na zona ribeirinha do Tejo, cultivo depois impulsionado pelos Romanos e os Árabes –, com centenas de propriedades a dispor de adega e de cave, ambas, tradicionalmente, afastadas da casa principal. De resto, são muitas as pequenas vinhas no meio de outras de maior dimensão. Mesmo a mais breve passagem por Palmela, Vila Fresca de Azeitão, Pegões ou Fernando Pó, confirma a tese de que o vinho nesta região tem uma importância popular enorme.
Um clima verdadeiramente mediterrânico – muito próximo do subtropical com fracas amplitudes térmicas e influenciado pela proximidade do mar e das bacias hidrográficas do Tejo e do Sado – solos com diferentes rendimentos (desde areias pouco produtivas a calcários compactos e férteis), e a utilização de castas que permitem elevadas produções mantendo qualidade (Syrah ou Alicante Bouschet), fazem da região um paradigma recente de sucesso. Atualmente, dos 9400 hectares em produção, mais de 6200 hectares encontram-se aptos à produção de vinho certificado. Igualmente determinante para o sucesso da região tem sido a reconversão de vinhas dos últimos anos, cada vez mais se recorrendo a material vegetativo selecionado (com potencial quantitativo e qualitativo), bem como a democratização da utilização de rega da vinha devido ao clima quente e seco de verão e à baixa retenção de água de grande parte dos solos, sobretudo das areias.
Um sucesso no mercado
Também ao nível da aceitação por parte dos consumidores, a Península de Setúbal dá cartas e, com quase 15 anos a escrever sobre vinhos (inaugurei o primeiro blog de vinhos em Portugal em 2005), nunca conheci um consumidor que não gostasse dos vinhos desta região. Actualmente, e apenas quanto a vinhos certificados, a região é a que mais vende em Portugal depois do Alentejo e Minho, ficando mesmo à frente do Douro. E, note-se, trata-se de uma tendência em progressão tendo sido, em 2018, a região que mais cresceu em relação a anos anteriores. De 2005 para cá a produção de vinho tem aumentado, sendo que, no que respeita a vinho certificado, a subida é mesmo estratosférica, tendo triplicado em pouco mais de 10 anos! Com tantos aspectos favoráveis, a este respeito, pode até afigurar-se surpreendente o número relativamente pequeno de produtores com vinhos certificados e engarrafados, mas isso explica-se pelo facto de existirem fortes players na região que, perante tanto sucesso, são obrigados a comprar muita uva, caso da Casa Ermelinda Freitas, José Maria da Fonseca e Bacalhôa, para além de importantes Adegas Cooperativas, como Pegões e Palmela. Apesar desta realidade poder diminuir a versatilidade da oferta de produtos da região, a verdade é que a tem tornado rentável para os pequenos viticultores, sem impedir que novos produtores apareçam. Tal é bem visível nesta prova que contou com vinhos de projectos relativamente recentes como seja Damasceno, Herdade da Arcebispa, e Herdade da Barrosinha. Igualmente importante é realçar a presença de vinhos de perfil mais atlântico, da margem sul do rio Sado, do qual são bons exemplos José Mota Capitão e Brejinho da Costa (Resigon), prova de vitalidade e do surgimento de novos caminhos na região.
Castelão domina, Syrah cresce
Ao nível do encepamento, o domínio das castas tintas – 78% do total – é manifesto, o que se explica, em parte, pela hegemonia do Castelão (ver Caixa) ocupando cerca de 60% do encepamento total da Península de Setúbal. A par do Castelão, a Aragonez e a Syrah são largamente plantadas (a área de Syrah tem mesmo crescido significativamente nos últimos anos), sendo a omnipresente Touriga Nacional a quarta casta mais plantada. Por outro lado, a casta branca mais representativa da região – o Moscatel de Alexandria –, plantado de preferência na serra, mas também cada vez mais nas areias, é sobretudo utilizado para a produção do famoso generoso. Isso significa que o papel dos vinhos brancos, por vezes, fica relegado para segundo plano, apesar de tanto a Fernão-Pires como a Arinto (e até a Verdelho, aposta mais recente) proporcionarem vinhos de qualidade e originalidade.
Na prova realizada foi possível discernir os vinhos mais tradicionais com a utilização exclusiva, ou quase, de Castelão proveniente de solos de areia, daqueles com pendor mais moderno e até experimentalista. Na primeira vertente, resultou muito claro uma linha clássica com a casta a lembrar alguns tintos de Montepulciano e de Maremma (Toscana, em ambos os casos), sobretudo no desenho dos taninos e no perfil gastronómico evidente, por vezes quase rústico. São tintos com óptima capacidade de envelhecimento e acidez firme, disso não temos dúvidas e a nossa experiência na prova de Castelão com muitos anos em garrafa demonstra-o. Nesta toada, para além do Primo (versão sofisticada de Castelão) e do Leo d’ Honor (perfil clássico muito concentrado), apreciámos muito o vigor e carácter do Reserva da Herdade da Espirra (bela surpresa). Igualmente em destaque estiveram alguns vinhos mais conceptuais, com a utilização de várias castas a privilegiar a elegância e a complexidade que só um lote pode, colheita após colheita, proporcionar. Caso notório do Hexagon (excelente edição), mas também do Herdade da Arcebispa Grande Reserva e do Damasceno Reserva.
O conjunto da prova, resultou na confirmação da capacidade da região para produzir não apenas “best sellers” mas também tintos de muito grande nível, expressando em terroirs e estilos distintos. O sucesso nunca acontece por acaso…
A CLÁSSICA CASTELÃO
É certamente a casta tinta mais cultivada no sul de Portugal, com boa capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas. Na região da Península de Setúbal, ainda é conhecida por Periquita, nome que terá tido origem na propriedade chamada Cova da Periquita, localizada em Azeitão, onde José Maria da Fonseca a plantou por volta de 1830. Apesar de se dar bem tanto na serra como na planície, todos os enólogos que contatámos afirmaram que os melhores tintos provém dos terrenos arenosos e das vinhas velhas da região, podendo mesmo ser equacionada plantação em pé-franco. De tal forma está ligada à região que, para a produção dos vinhos tranquilos tintos DO Palmela, é obrigatória a inclusão de, pelo menos, dois terços de Castelão. São vinhos geralmente estruturados, com fruto, acidez e sabor em boca, com notas mais complexas de pinhão, bolota ou castanha. Regra geral, apresentam boa capacidade de envelhecimento num perfil clássico e tendencialmente seco (dependendo, obviamente, da enologia), originando uma curiosa nota citrina com o passar dos anos. Para mais detalhe, veja-se o artigo de MW Dirceu Vianna na edição de Abril.
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Vinhas da Marateca
Tinto - 2017 -

Villa Palma
Tinto - 2015 -

Herdade da Gâmbia
Tinto - 2016 -

Cascalheira
Tinto - 2017 -

ASF
Tinto - 2016 -

Serras de Grândola Edição Especial
Tinto - 2015 -

Sacrifício
Tinto - 2017 -

Lobo Mau
Tinto - 2013 -

Herdade da Barrosinha
Tinto - 2012 -

Foral de Palmela
Tinto - 2015 -

Filipe Palhoça
Tinto - 2016 -

Casa da Atalaia
Tinto - 2013 -

Xavier Santana
Tinto - 2015 -

Quinta do Monte Alegre
Tinto - 2015 -

Malo Platinum Vinhas Velhas
Tinto - 2015 -

Herdade da Espirra
Tinto - 2015 -

Família Horácio Simões Segredos
Tinto - 2015 -

Damasceno
Tinto - 2015 -

Brejinho da Costa
Tinto - 2014 -

Bacalhôa
Tinto - 2016 -

Adega de Pegões
Tinto - 2016 -

Herdade da Arcebispa
Tinto - 2016 -

Cavalo Maluco
Tinto - 2013 -

Primo
Tinto - 2015 -

Hexagon
Tinto - 2014 -

Leo d’Honor
Tinto - 2013
Edição Nº26, Junho 2019
Vinalda distribui vinhos António Saramago

Em Julho, António Saramago, o mais antigo enólogo em actividade no país, junta os seus vinhos ao portefólio da Vinalda, inaugurando assim a presença da distribuidora nacional na região da Península de Setúbal, com as marcas António Saramago, A.S., J.M.S., Risco e também Dúvida (da região de Portalegre, Alentejo). António Saramago é uma das referências […]
Em Julho, António Saramago, o mais antigo enólogo em actividade no país, junta os seus vinhos ao portefólio da Vinalda, inaugurando assim a presença da distribuidora nacional na região da Península de Setúbal, com as marcas António Saramago, A.S., J.M.S., Risco e também Dúvida (da região de Portalegre, Alentejo).
António Saramago é uma das referências da enologia portuguesa contemporânea, com quase 60 anos de carreira. Sempre considerou que “os grandes vinhos começam na vinha” e a sua versatilidade permitiu-lhe criar vinhos produzidos em regiões tão distintas como a Bairrada, Beira Interior, Ribatejo, Península de Setúbal e Alentejo.

Em 2002, cria a António Saramago Vinhos, com a esposa Ausenda e os filhos Nuno e António, concretizando o sonho antigo de produzir os seus próprios vinhos, tendo o primeiro vinho sido lançado em 2003.
“A Vinalda faz parte do meu caminho”, conta António Saramago salientando que, com esta aliança, “procuramos um parceiro capaz de fazer com que a marca António Saramago seja mais conhecida e tenha mais visibilidade no País”.
José Espírito Santo, Diretor-Geral da Vinalda, afirmou estar “entusiasmado por distribuir os vinhos de António Saramago, um nome incontornável da enologia nacional, que produz vinhos de excelência, numa região que, há muito, a Vinalda queria representar”.
Casa Ermelinda Freitas eleita produtor europeu por sommeliers ingleses

A Casa Ermelinda Freitas foi eleita produtor europeu do ano 2019 nos Sommelier Wine Awards (SWA) que se realizam todos os anos em Inglaterra. É a primeira vez que esta distinção é atribuída a um produtor de vinhos tranquilos português, sendo que o mesmo prémio já tinha sido atribuído a um produtor de vinhos da […]
A Casa Ermelinda Freitas foi eleita produtor europeu do ano 2019 nos Sommelier Wine Awards (SWA) que se realizam todos os anos em Inglaterra. É a primeira vez que esta distinção é atribuída a um produtor de vinhos tranquilos português, sendo que o mesmo prémio já tinha sido atribuído a um produtor de vinhos da Madeira.
Um bom ano para a empresa da Península de Setúbal, que até à data já conquistou 158 prémios, entre os quais 9 Medalhas de Grande Ouro, 88 Medalhas de Ouro e 48 Medalhas de Prata.
Com os pezinhos na areia

O sol de Primavera já por aí anda há uns tempos e o apelo da praia intensifica-se. Por isso, fomos dar uma volta com os pezinhos na areia – não à beira-mar, mas pelas vinhas da Península de Setúbal. Um roteiro por terras acolhedoras, com vinhos excelentes e… muita bicharada! TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo […]
O sol de Primavera já por aí anda há uns tempos e o apelo da praia intensifica-se. Por isso, fomos dar uma volta com os pezinhos na areia – não à beira-mar, mas pelas vinhas da Península de Setúbal. Um roteiro por terras acolhedoras, com vinhos excelentes e… muita bicharada!
TEXTO Luís Francisco
FOTOS Ricardo Gomez
Das margens do estuário do Sado às planuras de fronteira com o Alentejo, das zonas urbanas da cintura de Lisboa aos espaços abertos da costa atlântica, a Península de Setúbal é rica e multifacetada. Na geografia, na paisagem, na tradição – há quem garanta que foi por aqui, há cerca de 4000 anos, que foram plantadas as primeiras vinhas da Península Ibérica. É também aqui que encontramos a segunda região demarcada mais antiga do país, depois da do Vinho do Porto: em 1907, o Moscatel de Setúbal viu o seu estatuto único reconhecido.
Hoje, com 9500 hectares de vinha, a região vitivinícola da Península de Setúbal produz mais de meio milhão de hectolitros de vinho (em 2017/18: 525 milhões), cerca de oito por cento do total nacional. E se o Moscatel de Setúbal continua a ser a maior bandeira de excelência, é impossível fechar os olhos a uma realidade que se afirma: com boas produções e enologia cada vez mais cuidada, os vinhos da região conquistam os mercados internos e externos com a sua notável relação preço/qualidade. Grandes campeões de vendas (Bacalhôa, José Maria da Fonseca, Casa Ermelinda Freitas, Cooperativa Agrícola de Pegões) e muitos produtores de menores dimensões povoam uma região onde imperam os terrenos de areia.
Palmela é o concelho português com mais área de vinha e é quase impossível andar na estrada sem ver as tabuletas que indicam “adega”, um pouco por todo o lado. Mas, desta vez, fugimos do epicentro do sector e formos procurar experiências enoturísticas por outras paragens em redor. Começamos por Setúbal, nas margens da ribeira de Marateca; passamos por Azeitão, fomos até Canha e depois terminamos no Poceirão. Três produtores, quatro propostas para umas horas ou dias bem passados, por entre belos vinhos, boa comida, paisagens que nos fazem esquecer a proximidade dos grandes centros urbanos, gente que sabe receber e muita bicharada. Sim, promete-se interacção com criaturas peludas e penudas. Venham daí, que o sol já vai alto e a jornada promete.
A Gâmbia é um país africano, pois, mas é também uma localidade do distrito de Setúbal e uma herdade que lhe foi buscar o nome. Saímos da EN10 poucos quilómetros a leste da capital de distrito e num instante esquecemos os prédios, os semáforos e os mares de gente. Enormes sobreiros, casas térreas brancas debruadas a azul, ao longe o brilho ofuscante dos planos de água. A maré cheia transforma a foz da ribeira de Marateca num espelho imenso (algumas horas depois, é apenas um canal de água rodeado de planícies de lodo), percebem-se a estrutura rectilínea das salinas e o pontilhado das aves em constante movimento.
A Herdade de Gâmbia tem 650 hectares, 30 dos quais de vinha, de onde saem uvas para os vinhos da casa (a cargo da Sociedade Agrícola Boas Quintas e do enólogo Nuno Cancela de Abreu) e para vender a outros produtores da região. A cortiça, o pinhal e alguma pecuária completam a actividade agrícola da herdade, mas o turismo está a ganhar cada vez maior importância. O espaço Lugar dos Pernilongos (nome de uma ave aquática, já agora), que junta zona de refeições, forno a lenha, terreiro de areia e um telheiro cheio de brinquedos, salta à vista logo à entrada, mas a sua essência está alguns metros mais à frente, nos terrenos e construções contíguos ao núcleo central da herdade: a quinta pedagógica.
Num instante estamos “à conversa” com a Pamela, que se deita no chão de barriga para o ar, à espera de festas. A Pamela é uma porca vietnamita, que aqui chegou depois de anos a viver fechada num apartamento. Com ela estão a Flor de Sal (uma ovelha gorducha), o Ernesto, a Emília e a Papoila (família de cabras anãs), a burra Alfarroba e o seu marido Malaquias. E há coelhos, galinhas, patos e gansos, porcos e cavalos, uma pavoa e uma tartaruga. E um cão, já agora.
Como a miudagem tem muito com que se entreter (incluindo aprender a fazer pão, ou conhecer os segredos da lã, por exemplo), os pais podem aproveitar para se aventurar nos trilhos da herdade, para caminhadas ou sessões de observação de aves. Isto, claro, com a promessa de belos vinhos para provar no regresso. Mesa posta no jardim, com vista para a ribeira, a passarada a chilrear por ali, um sol que desmente o calendário e faz esquecer o Inverno. Uma vinha estende-se até à linha de arvoredo que separa os terrenos agrícolas da zona de influência da maré e há um cavalo que espreita para lá das sebes.
À saída, mediante marcação prévia, podemos sentar-nos no telheiro para desfrutar uma refeição no campo. E é obrigatório passar pela loja para levar os vinhos da casa connosco. Mas leva-se sempre muito mais do que isso quando voltamos à estrada.
HERDADE DE GÂMBIA
Rua da Liberdade, 2910-219 Setúbal
Tel: 265 938 050 / 964 179006 (Lugar dos Pernilongos)
Mail: herdadegambia@gmail.com / lugardospernilongos@gmail.com
Web: www.herdadegambia.com
GPS: 38.553150, -8.760399
Para além das actividades da quinta pedagógica, a herdade oferece a possibilidade de passeios pedestres (com ou sem guia) e observação de aves. O passeio pelos observatórios (há três, nas margens da ribeira da Marateca) custa apenas um euro por pessoa, sem guia – a presença deste será orçamentada em função das circunstâncias. Solicita-se marcação antecipada. Há seis programas de provas de vinhos (mínimo: 4 pessoas), variando entre os 5,5 euros por pessoa (3 vinhos, sem canapés) e os 12,2 euros (cinco vinhos, incluindo Reserva e Moscatel, com canapés). Refeições para grupos mediante consulta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Originalidade (máx. 2): 2
Atendimento (máx. 2): 2
Disponibilidade (máx. 2): 2
Prova de vinhos (máx. 3): 2,5
Venda directa (máx. 3): 2
Arquitectura (máx. 3): 2,5
Ligação à cultura (máx. 3): 2,6
Ambiente/Paisagem (máx. 2): 2
AVALIAÇÃO GLOBAL: 17,5
Num instante mudamos de mundo. A atmosfera bucólica da Herdade de Gâmbia cede o passo ao ritmo aristocrático de Azeitão e, passando ao largo da casa do treinador José Mourinho, eis-nos perante as primeiras vinhas da Quinta de Catralvos, sede da Malo Wines. São 22 hectares exclusivamente de castas brancas (ou quase, porque há uma parcela de Moscatel Roxo), em terrenos planos ou levemente ondulados em redor da adega.
Entramos na loja e vemos muitos vinhos tintos. Como é que… Bom, a explicação é simples: as vinhas tintas ficam noutro espaço da empresa, que é propriedade do médico Paulo Malo. Lá iremos, ao Monte da Charca, em Canha. Mas, por agora, vamos conhecer as instalações deste produtor que faz à volta de 500 mil garrafas por ano, mas cuja adega presta serviços a mais de uma dezena de clientes externos, responsáveis por outro meio milhão de garrafas.
A adega, naturalmente, é ampla, com uma capacidade instalada de 1,2 milhões de litros, termicamente isolada por um prado que cresce na cobertura e com os seus espaços mais “nobres” ocupados por barricas onde estagiam tintos e envelhecem moscatéis. No edifício contíguo, junto à loja, o enorme salão para eventos, com capacidade para até 500 pessoas, e o espaço do restaurante (tem chef residente, mas não está aberto ao público, recebendo apenas eventos e refeições de grupos mediante marcação).
Nas traseiras, o módulo dos quartos, cinco ao todo, com uma sala comum. O regime aponta para uma lógica de self-service, com o pequeno-almoço a ser deixado à porta. Aqui predominam os visitantes estrangeiros, na sua maior parte verdadeiros enoturistas, que visitam a região com o foco nos seus vinhos. É diferente a algumas dezenas de quilómetros dali, numa zona onde três regiões – Península de Setúbal, Tejo e Alentejo – se encontram. Dirigimo-nos a Canha, rumo ao Monte da Charca, um local mais procurado por famílias.
O contraste com Catralvos é ainda mais evidente na atmosfera campestre (chega-se lá por estrada de terra batida, com a surpresa de passarmos por um enorme parque de painéis solares) e na composição das vinhas, que só contemplam castas tintas. Não há adega, porque as uvas são colhidas à noite e seguem para Azeitão. O Monte da Charca é uma verdadeira unidade de alojamento rural, com os quartos rodeados de vinha e bicharada, silêncio total e um céu que explode em estrelas. Quando a Grandes Escolhas lá esteve, estavam em fase adiantada obras de remodelação, que prometiam transformar o local num destino de eleição.
Então vejamos: piscina coberta e spa, piscina exterior e barragem com uma ilha, planos para criar um alojamento num barco e outro numa camioneta vintage, restaurante, muito espaço e um verdadeiro zoo nos cercados ali à volta. Uma família de gamos, outra de avestruzes, javalis, um lama, cavalos, burros, um rebanho com mais de 300 ovelhas… a lista poderia continuar, mas não podemos esquecer os cães. Vários, grandes e pequenos, à solta pelos relvados, sempre prontos para saudar quem chega.
Com 55 hectares de vinha ali à volta, boas estradas de terra batida e caminhos bem desenhados, passear a pé ou de bicicleta é quase obrigatório. Passamos pelos cercados e percebemos que muitos dos animais apreciam o contacto com os humanos – um gamo que encosta a cabeça à grade para ser coçado, as avestruzes que se aproximam curiosas e… gulosas, burros que gostam de festas. Já os javalis procuram esconder-se e o lama, bom, esse mira-nos com ar desconfiado. Uma ponte de madeira permite-nos chegar à ilha, só para descobrirmos que uma parte das ovelhas se adiantou e já ocupa as melhores sombras…
Resta dizer que a gama de tintos feitos com as uvas do Monte da Charca é extraordinária e que, quanto mais não fosse, vale a pena a visita só para ficar sentado a ouvir o silêncio com um copo na mão.
QUINTA DE CATRALVOS
EN379, 2925-708 Azeitão
Tel: 212 197 610
Mail: geral@quintadecatralvos.com
Web: www.quintadecatralvos.pt
As provas de vinhos (que podem incluir visitas à adega e às vinhas) custam entre seis euros por pessoa (grupos com mais de 50 pessoas, três vinhos) e 12,5 euros (entre duas e nove pessoas, três vinhos com queijo ou torta de Azeitão). A experiência vínica, em que os visitantes vestem o papel de enólogo, fica a 28,5 euros por pessoa (grupos entre 10 e 50 pessoas). O preço dos quartos varia entre os 68 e os 98 euros por noite.
Originalidade (máx. 2): 2
Atendimento (máx. 2): 2
Disponibilidade (máx. 2): 2
Prova de vinhos (máx. 3): 2,5
Venda directa (máx. 3): 2
Arquitectura (máx. 3): 2,5
Ligação à cultura (máx. 3): 2,5
Ambiente/Paisagem (máx. 2): 2
AVALIAÇÃO GLOBAL: 17,5
MONTE DA CHARCA
Olho De Bode De Cima, 2985-708 Canha
Tel: 212 197 610
Mail: geral@quintadecatralvos.com
Web: www.quintadecatralvos.pt
O preço dos quartos oscila entre os 75 e os 150 euros por noite. Os programas enoturísticos são centralizados na Quinta de Catralvos, mas é sempre possível realizá-los no Monte da Charca, mediante marcação.
Originalidade (máx. 2): 2
Atendimento (máx. 2): 2
Disponibilidade (máx. 2): 2
Prova de vinhos (máx. 3): 2,5
Venda directa (máx. 3): *
Arquitectura (máx. 3): 3
Ligação à cultura (máx. 3): 2,5
Ambiente/Paisagem (máx. 2): 2
AVALIAÇÃO GLOBAL: 18*
(*nota ponderada; a filosofia do local não contempla a existência de loja)
As mulheres, por estas bandas, têm muito que se lhe diga. Estamos na Quinta da Invejosa, sede do produtor Filipe Palhoça, e em frente, do outro lado da estrada, está a Quinta da Teimosa… O comentário é feito, em tom de brincadeira, enquanto contemplamos a paisagem que rodeia as instalações da Filipe Palhoça Vinhos, no Poceirão. E se a vista é bonita daqui, da enorme varanda no primeiro andar, também é muito interessante lá de baixo, contemplando o edifício.
Cinzento e amarelo, com uma fachada central mais escura, feita com painéis de cortiça. A descrição até pode soar estranha, mas há toda uma elegância que ressalta deste visual que nos remete para as antigas civilizações mediterrânicas, sensação reforçada pela colunata lateral. As obras ainda decorriam quando a Grandes Escolhas visitou a quinta, mas já se podia ter uma noção bem segura do resultado final. É o investimento mais recente de uma casa que começou a apostar no enoturismo há menos de dois anos.
A Quinta da Invejosa tem 18 hectares de vinha (ao todo, a empresa possui 95 hectares de vinhedos), em solos planos de areia, uma adega com capacidade para 1,2 milhões de litros, loja moderna e decorada num misto de tradição e modernidade, salão para eventos e provas. Em breve, terá também uma esplanada exterior com vista para a vinha pedagógica (onde estão plantadas as duas dezenas de castas trabalhadas pela empresa) e um quintal interior onde se planeia promover a interacção com animais domésticos.
As obras de remodelação cortaram o ímpeto inicial da procura enoturística, mas agora não há desculpa para falhar a visita a este local. O cuidado nos detalhes é evidente (o balcão tem uma zona rebaixada, para facilitar o acesso a quem se desloque em cadeira de rodas – e isto é só um exemplo), há peças muito interessantes para apreciar – como o alambique e caldeira que se alinham numa parede interior da loja – e o leque de experiências pode incluir uma refeição ou prova de vinhos na nave de barricas.
Na cave, para além das barricas, há também um pequeno espaço onde estão expostas algumas garrafas que contam a história da casa. O primeiro vinho engarrafado (S. Filipe, um tinto de Castelão) data de 1995 e desde aí a gama alargou-se para três marcas: S. Filipe, Quinta da Invejosa e Filipe Palhoça. Há também Moscatel, claro, e aguardente. Escolha-se um destes néctares e passe-se o olhar em redor, pelas planuras onde as vinhas começam a despontar, pelas linhas de arvoredo ao longe, o casario disperso. A haver aqui espaço para a inveja, será certamente de quem passa na estrada e não pode parar para saborear a vida…
QUINTA DA INVEJOSA
EN5, km 24,8, 2965-213 Poceirão
Tel: 265 995 886
Mail: geral@filipepalhoca.pt
Web: www.filipepalhoca.pt
GPS: N 38º37’18’’ | O 8º43’30’’
Há duas visitas guiadas por dia – 10h e 15h30 no Verão (Abril a Outubro); 10h30 e 15h no Inverno (Novembro a Março). Aos domingos, solicita-se marcação antecipada e um mínimo de oito participantes. Os preços variam conforme a prova de vinhos escolhida e vão desde os quatro euros por pessoa (três vinhos) até aos 14 euros (cinco vinhos e produtos regionais, mínimo quatro participantes). Há também uma prova de espumantes com harmonizações (10 euros, mínimo quatro pessoas). Refeições para grupos mediante consulta. A loja está aberta de segunda a sábado, entre as 9 e as 13h e das 14h às 18h.
Originalidade (máx. 2): 1,5
Atendimento (máx. 2): 2
Disponibilidade (máx. 2): 2
Prova de vinhos (máx. 3): 2
Venda directa (máx. 3): 2,5
Arquitectura (máx. 3): 3
Ligação à cultura (máx. 3): 2
Ambiente/Paisagem (máx. 2): 2
AVALIAÇÃO GLOBAL: 17
ESTAÇÃO DE SERVIÇO
Nem sempre é fácil navegar no dédalo de estradas que cruzam na enorme planície de aluvião que caracteriza esta zona da península de Setúbal e a maioria dos restaurantes alinham pela filosofia de estabelecimento de estrada. Mas há alternativas muito interessantes para “reabastecimento” dos visitantes. Aqui ficam três sugestões, desde os grelhados da Casa das Tortas de Azeitão aos petiscos da Pérola da Mourisca, passando pelo estilo wine bar e sala de chá do Mar Até Cá.
CASA DAS TORTAS DE AZEITÃO – São Lourenço (Vila Nogueira de Azeitão), Praça da República, 37A | 969 146 996
MAR ATÉ CÁ – Rua 5 de Outubro, Cajados | 962 465 120
PÉROLA DA MOURISCA – Rua Baía do Sado, 9, Setúbal | 265 793 689
Edição nº24, Abril 2019
Concurso da Península de Setúbal distinguiu melhores vinhos

O Pavilhão de Exposições da Tapada da Ajuda, em Lisboa, foi o cenário para a cerimónia de entrega de prémios do XIX Concurso de Vinhos da Península de Setúbal. No concurso participaram 201 vinhos, de 33 produtores. Apurados os resultados, emergiram 60 medalhas – 20 de Ouro e 40 de Prata. Destaque para os vinhos […]
O Pavilhão de Exposições da Tapada da Ajuda, em Lisboa, foi o cenário para a cerimónia de entrega de prémios do XIX Concurso de Vinhos da Península de Setúbal. No concurso participaram 201 vinhos, de 33 produtores. Apurados os resultados, emergiram 60 medalhas – 20 de Ouro e 40 de Prata. Destaque para os vinhos mais pontuados do concurso (‘Os Melhores’), o José Maria da Fonseca 20 anos, que recebeu duas distinções Melhor Vinho a Concurso e Melhor Vinho Generoso. A Casa Ermelinda Freitas arrecadou a medalha de Melhor Vinho Tinto com o seu Merlot Reserva 2016. O Melhor Vinho Branco foi atribuído ao Encostas da Arrábida Reserva 2017, da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Finalmente, o prémio de Melhor Vinho Rosado foi para o Bacalhôa Roxo – 2017, da Bacalhôa Vinhos de Portugal.
A lista completa pode ser consultada na página respectiva do site da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS). O júri foi composto por um diversificado leque de jurados, profissionais ligados ao mundo dos vinhos e à sua análise sensorial em particular, que envolveu docentes de enologia, técnicos especialistas em análise sensorial das várias regiões vitivinícolas, enólogos, escanções, jornalistas especializados e membros do painel de prova da ASAE.

Segundo Henrique Soares, Presidente da CVRPS, “a XIX edição consagra mais um forte ciclo de crescimento da região (a dois dígitos em 2017 e 2018), mas também de desenvolvimento e consolidação de novos projectos, saldando-se o ano de 2018 como aquele em que o volume de vinhos certificados teve origem no maior número de produtores de sempre: 60, em projectos que se estendem desde o Montijo a Sines.”
Entretanto, as vendas de vinhos da Península de Setúbal continuam a crescer no mercado nacional e nas exportações. Em Portugal, segundo os últimos dados da consultora Nielsen, a Península de Setúbal mantém-se como a terceira região vitivinícola de preferência dos portugueses.






