POÇAS: Da história se faz o vinho

Poças

Em tempos idos, quando os barcos Rabelo, carregados de pipas com vinho, desciam o rio que empresta o nome à região, o sável, abundante, subia o Douro, para ali desovar. A necessidade de se alimentar fez do tanoeiro pescador e cozinheiro. Já depois de amanhado e limpo, dispunha o peixe migratório, proveniente do mar, numa […]

Em tempos idos, quando os barcos Rabelo, carregados de pipas com vinho, desciam o rio que empresta o nome à região, o sável, abundante, subia o Douro, para ali desovar. A necessidade de se alimentar fez do tanoeiro pescador e cozinheiro. Já depois de amanhado e limpo, dispunha o peixe migratório, proveniente do mar, numa grelha de arames antecipadamente atravessada no interior de uma barrica de carvalho sem fundo e suspensa em quatro pés, para deixar o ar entrar e onde colocava o serrim, para defumar o sável.

Inspirada nesta história, a Poças tem vindo a desenvolver um trabalho muito interessante no tocante à recuperação da tradição de fumar o sável em barricas de Vinho do Porto. “Antigamente, o processo era muito mais moroso porque o rio era completamente diferente, não havia barragens e, por isso, faziam várias viagens. Era uma altura de muita dificuldade e aproveitavam exatamente esse momento, já que estavam no barco, para tentar a sua sorte e ir pescar, e assim que apanhavam esses peixes para comer, era também uma forma de os preservar, para poder levar para casa no final da viagem e alimentar as suas famílias. Atualmente a receita mudou um pouco. Nós fizemos a nossa interpretação e, hoje, vamos ver o resultado”, conta o enólogo André Barbosa. Trata-se do “Sável à Poças”, que, para além da importância histórica, também assume uma excecional importância social e económica pela variedade e relevo das atividades que lhe estão ligadas.

Poças

Vinhos Fora da Série

Da preparação do sável, nasce o rosé Fora da Série Cold Smoke 2025, como nos explica o enólogo: “Cold Smoke pretende expressar uma fumagem a frio, ou seja, depois de uma muito leve prensagem das uvas, o líquido resultante vai para umas cubas isotérmicas, onde faz uma estabilização a frio por mais de 11 dias, o que ajuda a concentrar aromas. Após esse período, ainda com uma temperatura muito baixa (cerca de 5 ºC, entra nas barricas de carvalho francês, acácia e cerejeira, onde a temperatura sobe gradualmente até ao ponto de ser inoculado para fermentação. Este processo faz com que o mosto receba os aromas da tosta ainda a frio (cold smoke), que é muito semelhante à fumagem do sável a frio, sem brasa. Desta forma, os aromas ficam mais concentrados no mosto, mais delicados e bem integrados. Fermenta e estagia nessas barricas por seis meses.”

A utilização de barricas de carvalho francês, feitas a partir de cerejeira e acácia, complexificou ainda mais o conjunto deste rosé, uma das estrelas do almoço. Agora, faz parte dos mais de 20 exemplares da gama Fora da série, uma espécie de “jardim da criatividade do enólogo”, que tem carta branca para lançar vinhos diferenciados, edições especiais, experiências, por vezes, únicas e, noutros casos, que vieram para ficar, como, pensamos, virá a ser o caso deste rosé ou do Vinho da Roga, entre outros, entretanto repetidos.

A gama Fora da Série está assente em três pilares: alterações climáticas, sustentabilidade e o cliente final. André Barbosa explica: “por um lado, as alterações do clima, a falta de água, a incerteza que hoje temos (parece que nem temos estações do ano), afetam a maturação das uvas e, por consequência, o perfil dos vinhos; por outro lado, é muito importante sermos uma empresa mais sustentável e, finalmente, o consumidor que, hoje, procura vinhos mais versáteis (para diferentes tipos de harmonização), com menos teor alcoólico, mais complexos e com personalidade.  A gama Fora da Série tenta abranger todos estes temas”.

Valorizar o produto local

O que mais impressiona no trabalho de André Barbosa é a mesma consistência que aplica nos Colheita, nos Reserva e nos Grande Reserva da casa, bem como na criação de vinhos diferenciadores, expressões de grande personalidade da referida gama Fora da Série. No total, são produzidas entre 1.5 a 1.8 milhões de garrafas de vinhos do Porto e DOC Douro num universo constituído por três propriedades vinhateiras, uma em cada uma das sub-regiões do Douro. Trata-se da Quinta das Quartas, localizada no Baixo Corgo, que passou a integrar o património da Poças em 1932 e onde se encontra localizado o centro de vinificação, bem como o primeiro armazém de envelhecimento; da Quinta de Vale de Cavalos, em Numão, no Douro Superior, adquirida em 1987; e da Quinta de Santa Bárbara, em Ervedosa do Douro, no Cima Corgo, adquirida nos anos 90 do século XX.

“Vale de Cavalos é onde temos maior altitude e solos de transição de xisto para granito; Santa Bárbara é a zona mais quente, com vinha velha, onde vou buscar concentração e estrutura; a Quinta das Quartas tem mostrado um perfil muito elegante e equilibrado, sempre com uma frescura incrível onde vou buscar o ingrediente secreto para equilibrar alguns lotes. Esta diversidade, esta multiplicidade de terroirs permite-nos ter o portefólio que temos atualmente, incluindo os Fora da Série. O projeto vive muito da interpretação de vários locais do Douro”, remata André Barbosa.

Em curso está a implementação da vertente de enoturismo na Quinta das Quartas, com o objetivo de levar as pessoas ao Douro. “Esta abertura ao turismo na Quinta das Quartas também passa por valorizar mais os produtos da própria região, ou seja, olhar para o território e não apenas para o vinho. O Douro produz azeite – que já deu um salto enorme, mas também tem amêndoas, tem laranjas, tem figos. Enfim, transmitir um pouco dessa história e achamos que será mais fácil fazê-lo lá, pois quem vai ao Douro, também já vai mais com essa abertura”, salienta Pedro Pintão, presidente do Conselho de Administração da Poças e um dos quatro primos à frente desta empresa secular e familiar, que já se faz representar pela quarta geração.

À mesa tivemos oportunidade de provar um desses exemplos, o azeite de bordadura Fora da Série, feito a partir de azeitona apanhada no olival tradicional que rodeia a vinha. Foram ainda apresentadas as novas colheitas do Poças Reserva branco 2025 e do Poças Branco da Ribeira 2024, que, juntamente com o rosé, acompanharam na perfeição o delicioso menu preparado pelo chef Pedro Braga, do restaurante Mito, no Porto. A refeição fechou em grande com o Poças Vintage 2024, um Vinho do Porto de grande nível, para celebrar os 100 anos do lagar da Quinta das Quartas. Que bela experiência!

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

Produtores de vinho criam “Portuguese Wine Discovery”, à conquista do Oriente

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Sob o lema “juntos somos mais fortes”, três produtores portugueses de diferentes regiões e com vasta experiência na exportação — Herdade do Rocim (Alentejo), Casa Cadaval (Tejo) e Poças (Douro) — criaram a Portuguese Wine Discovery (PWD), para se aproximarem dos consumidores asiáticos.

Esta “plataforma” terá sede permanente em Hong Kong, e acompanhará todo o mercado asiático com o apoio comercial de Gonçalo Frey-Ramos, “radicado no Oriente há mais de uma década e com um conhecimento profundo do sector e dos hábitos de consumo da região”, garante o grupo.

A Portuguese Wine Discovery é mais uma etapa da estratégia de consolidação das marcas, reforçando o investimento neste que é um mercado de grande potencial para os vinhos portugueses.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

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Poças lança decanters com Vinho do Porto

Tawny 10 e 20 anos da Poças em decanters

A casa Poças acabou de lançar dois Porto Tawny 10 e 20 anos em formato decanter. A Poças garante que este formato é usado pela primeira vez pelo sector do Vinho do Porto. A iniciativa, diz Pedro Pintão, director de marketing e comunicação da Poças, tem sobretudo a ver com os compradores estrangeiros: “O crescimento […]

A casa Poças acabou de lançar dois Porto Tawny 10 e 20 anos em formato decanter. A Poças garante que este formato é usado pela primeira vez pelo sector do Vinho do Porto. A iniciativa, diz Pedro Pintão, director de marketing e comunicação da Poças, tem sobretudo a ver com os compradores estrangeiros: “O crescimento do turismo em Portugal e no Porto veio intensificar as vendas de Vinho do Porto no segmento de oferta. É um ícone nacional que muitos estrangeiros gostam de levar como recordação”.
De facto, o Vinho do Porto é uma prenda clássica nos turistas que nos visitam, mas também é popular em Portugal, para ofertas a amigos e clientes. Ao invés de usar garrafas especiais, como a do seu Poças Porto Muito Velho 1918, os dois tawnies usam dois decanters diferentes, “com design arrojado e uso de tecnologia inovadora no fabrico do vidro”. Depois de consumido o vinho, o decanter pode ser usado para a sua função usual ou albergar outro vinho.
Pedro Pintão acrescenta: “É um modo de valorizarmos o Vinho do Porto que produzimos há várias gerações e que tem granjeado prestígio e reconhecimento para a empresa”.

Poças abre programa do centenário com concerto gratuito dos Capitão Fausto

    A Poças, uma das poucas empresas de Vinho do Porto totalmente portuguesas e que se mantém na posse da mesma família desde a fundação, comemora este ano o seu centenário. E o primeiro acto de um vasto programa de iniciativas culturais é um concerto dos Capitão Fausto, em Lisboa, no próximo dia 10 […]

 

 

A Poças, uma das poucas empresas de Vinho do Porto totalmente portuguesas e que se mantém na posse da mesma família desde a fundação, comemora este ano o seu centenário. E o primeiro acto de um vasto programa de iniciativas culturais é um concerto dos Capitão Fausto, em Lisboa, no próximo dia 10 de Maio.

A música é a primeira arte a ir para o palco e o artista seleccionado é Tomás Wallenstein, a voz de uma bandas mais influentes da atualidade: os Capitão Fausto. O grupo vai brindar 100 fãs com um concerto gratuito no próximo dia 10, no Cine-Teatro Capitólio, em Lisboa. O concerto começa às 21h e tem entrada gratuita, mas requer inscrição obrigatória no site oficial do aniversário da Poças – www.100.pocas.pt.

O programa do centenário da Poças junta arte e família, dois pilares da filosofia da empresa, e estende-se à música, literatura, teatro e arte pública. Em cada uma destas áreas a marca vai associar-se a pessoas e projetos em que o talento artístico se revela em várias gerações da família, como se de uma herança se tratasse. 

 

Jantar vínico inaugura celebrações dos 100 anos da Poças

Familia Poças

Pedro Lemos, do Porto e Alexandre Baumard, de Bordéus, vão preparar, a quatro mãos, o jantar que assinala o início das comemorações do centenário da casa Poças, produtora de vinhos do Porto e Douro. O dueto gastronómico está marcado para o dia 17 de Janeiro, pelas 20h30, no restaurante Pedro Lemos (no Porto), e propõe […]

Pedro Lemos, do Porto e Alexandre Baumard, de Bordéus, vão preparar, a quatro mãos, o jantar que assinala o início das comemorações do centenário da casa Poças, produtora de vinhos do Porto e Douro.
O dueto gastronómico está marcado para o dia 17 de Janeiro, pelas 20h30, no restaurante Pedro Lemos (no Porto), e propõe criar um diálogo entre dois autores de uma cozinha criativa e alicerçada na tradição gastronómica de Portugal e França. Artífices de sabores, ambos aprenderam com grandes chefes e o seu trabalho do dia 17 vai ser complementado com bons vinhos do Porto/Douro e de Bordéus e de duas famílias produtoras de vinho: a Poças e a Boüard.

Alexandre Baumard
O chefe Alexandre Baumard (foto de Frederic Guy)

O encontro vale ainda pelo lugar, o de Pedro Lemos, na velha Foz do Douro, zona histórica e emblemática da cidade, mas também pela memória e história do projecto convidado, o restaurante Logis de la Cadène, fundado em 1848 na encantadora vila medieval de Saint-Emilion, localizada no coração da região vinhateira de Bordéus, e actualmente propriedade da família de Hubert de Boüard.
Enólogo e produtor de casas afamadas de Bordéus – Châteaux Angélus e La Fleur de Boüard  – Hubert de Boüard é consultor da Poças para os vinhos DOC Douro desde 2014. Desta parceria e troca de experiências nasceu a ideia de um momento celebrativo conjunto dos 100 anos da casa Poças, envolvendo lugares e pessoas das duas regiões capazes de oferecer prazeres à mesa com finesse, criatividade e modernidade.
O jantar tem o preço de 110 euros por pessoa e as reservas podem ser efectuadas para o número 220 115 986.

Os 100 anos da Poças
O programa da celebração do centenário da Poças anuncia um ano pleno de iniciativas, estando previsto o lançamento de um Vinho do Porto com quase 100 anos, feito pelo próprio fundador da Poças, Manoel Domingues Poças Júnior, e de um DOC Douro Touriga Nacional. Será também editado o livro “100 anos, 100 objetos”, o qual nasceu da necessidade de organizar e catalogar informação dispersa sobre a história da empresa. Este trabalho tornou-se mais premente com a recuperação de armazéns da Poças, actualmente em curso, e durante a qual foram encontrados diversos objectos históricos. “Este livro vai contar a história da empresa, mas também a história do Vinho do Porto”, adianta Pedro Poças Pintão, director comercial da Poças e um dos elementos da quarta geração à frente da gestão da empresa.

Em 2018, a empresa vai também concluir as obras que permitirão alargar e melhorar a experiência de enoturismo nas suas instalações na zona histórica de Vila Nova de Gaia.

A Poças nasceu em 1918, pela mão de Manoel Domingues Poças Júnior, bisavô de quatro membros da atual administração da empresa e avô dos restantes dois. É uma das poucas empresas de Vinho do Porto que nasceu portuguesa e se mantém na posse da mesma família, sendo uma referência histórica nos vinhos dos Porto, mas também com percurso consolidado na produção de vinhos DOC Douro, gama que produz desde o início dos anos 90. A empresa possui três quintas no Douro e exporta cerca de 90% da sua produção.