CHARUTOS: Os puros, os Portos e os brandies exclusivos

O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no […]
O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no XI Habanos Day, que teve lugar no Montes Claros – Lisbon Secret Spot, em Lisboa, que reuniu cerca de 200 pessoas. Esteve presente José Ramón Saborido Loidi, Embaixador de Cuba, que relembrou aos presentes que o cultivo do tabaco começou há cinco séculos e que os puros são o verdadeiro ex-libris da ilha. Afinal, tratou-se de um evento pautado pelo savoir-faire associado aos verdadeiros Habanos. As boas-vindas foram igualmente partilhadas por Pedro Rocha e Luis Javier Bosch, respectivamente, Director-Geral e Director Comercial da Empor S.A., distribuidora exclusiva de Habanos em Portugal.
Muitos fumadores de charutos são também apreciadores de destilados. Nesta grande família encontramos “charutadores” com gostos por vezes muito específicos: para alguns nada bate um whisky de malte com um puro, outros conheci que se deliciavam com uma boa aguardente velha, fosse ela um Cognac, um Armagnac ou uma aguardente portuguesa de qualidade. Neste capítulo, temos muitas aguardentes (e, por vezes, a preços de saldo), que se batem com as melhores aguardentes estrangeiras. Menos habitual é encontrar apreciadores de puros que acompanhem o prazer do fumo com um vinho do Porto. Já em tempos organizei uma prova desse tipo, todas com o mesmo modelo de charuto.
Será que liga bem?
O evento teve três momentos distintos de prova correspondentes à Sandeman, ao Rum Diplomático e ao Ximénez-Spínola. A Grandes Escolhas esteve presente apenas no primeiro, no qual o brand ambassador da Sandeman, David Faísca, falou sobre os diversos tipos de Porto dentro das duas famílias de rubis e tawnies. Enquanto decorria a explicação sobre o Porto Sandeman, apoiada em material fotográfico projectado em ecrã, as pessoas presentes na sala entretinham-se a fumar o primeiro charuto fornecido para o efeito, um modelo da marca Trinidad. Não é fácil estar numa sala com tanta gente a fumar ao mesmo tempo, mas a verdade é que, para aqueles apreciadores e apreciadoras, isso era assunto de somenos. Todos estavam interessados em tentar acertar no quizz que ia sendo anunciado e que tinha como prémio uma garrafa de Sandeman. O perfil Tawny parece reunir mais consenso quanto à boa ligação com o charuto; os rubis são mais agressivos, mas, ainda assim, não deixam de ter adeptos. O ambiente de frutos secos, de notas de mel, figos e fruta em calda são tudo ingredientes que casam bem com o charuto que, de resto, tem da folha de tabaco um descritor, por vezes, usado na apreciação de vinhos.
O segundo momento do XI Habanos Day, a que já não assistimos, esteve em alta, com a prova dos brandies Ximenez-Spinola Cigar Club Nº 1, Nº 2 e Nº 3, produtos exclusivos e detentores de elevado valor mercado, resultantes da aposta reforçada no savoir-faire cubano, degustados no âmbito da actividade “Aliança Habanos”, durante a qual houve a oportunidade de saborear a Edição Regional de Portugal de 2017.
Para terminar em ambiente de festa, houve um concurso para ver quem conseguia manter a cinza mais longa, sem cair. É mais difícil do que parece e é seguramente bem divertido. Recordo que também os apreciadores de cachimbo têm concursos igualmente divertidos. Soubemos que o protagonista do concurso foi o Habano Edição Regional de Portugal de 2014 desfrutado na companhia do rum Diplomático Single Vintage e Diplomático Reserva Exclusiva. Luis Javier Bosch foi quem apresentou o projecto da Empor para Habanos envelhecidos, o Empor Collection, lançado em 2025 pela Empor S.A. e será desenvolvido nos próximos anos.
Em suma, o evento traduziu-se no ponto de encontro para aficionados, colecionadores e grandes apreciadores do Habano no nosso país, culminado pelo jantar de gala com a degustação de mais duas Edições Regionais para Portugal, uma das quais lançada recentemente no mercado. Os Habanos foram acompanhados por referências da Sogrape e Ximénez-Spínola Delicado. Foram entregues igualmente os prémios aos vencedores das actividades do dia, terminando, a noite, com música tradicional ao vivo, em profunda celebração da cultura cubana.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025 e actualizado a 23 de Janeiro de 2026)
Amorim com nova parceria na enologia

Os enólogos António Bastos e Eduardo Leite, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro, Rodrigo Costa, da Taboadella, no Dão, e António Cavalheiro, da Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo, vão passar a trabalhar com Riccardo Cotarella, um dos enólogos italianos mais reconhecidos e influentes no mundo, com quem a Amorim acaba […]
Os enólogos António Bastos e Eduardo Leite, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro, Rodrigo Costa, da Taboadella, no Dão, e António Cavalheiro, da Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo, vão passar a trabalhar com Riccardo Cotarella, um dos enólogos italianos mais reconhecidos e influentes no mundo, com quem a Amorim acaba de instituir uma parceria na enologia nas três propriedades vinhateiras lideradas por Luísa Amorim.
“Trabalhar com o Riccardo Cotarella é ganhar sabedoria e transmitir conhecimento com a confiança de um grande amigo. A sua atenção meticulosa à maturação fenólica, à microvinificação e à pureza varietal, aliada a uma vasta experiência em propriedades icónicas italianas e internacionais, faz deste grande enólogo um verdadeiro mestre na elevação de cada terroir à mais alta expressão de excelência”, sublinha Luísa Amorim.
Por sua vez, Riccardo Cotarella destaca: “a forma natural como estes grandes enólogos combinam dezenas de variedades nativas, preservando o equilíbrio e a identidade de cada vinho, é uma arte rara que nunca tinha presenciado no mundo.” Em relação às três propriedades, o enólogo italiano realça “a atenção ao detalhe e ao saber-fazer local”, bem como à sapiência de cada equipa a respeito à viticultura de montanha, missão executada “com um enorme respeito pela filosofia da viticultura em mosaico, que explora nano e micro parcelas de castas nativas, portuguesas”.
Sobre Luísa Amorim, importa evidenciar o percurso marcante no mundo do vinho e na aposta crescente no enoturismo, o qual pauta pela consolidação de cada projeto, pela aposta recorrente na modernização e pela valorização dos territórios – Douro, Dão e Alentejo.
Já Riccardo Cotarella, natural da região de Úmbria, em Itália, que acaba de lançar a sua autobiografia oficial, intitulada “Il Vino e la Vita. La Mia Storia”, é docente de Enologia na Universidade da Tuscia (Università degli Studi della Tuscia), Presidente da Assoenologi, a associação italiana de enólogos, e da União Internacional de Enólogos, e frequentemente referido como o “enólogo do Papa”, devido ao trabalho realizado com o Vaticano.
HERDADE DO PERÚ: Pedaço de charme na sombra da Arrábida

Quem chega esquece rapidamente ter passado nas zonas mais densamente povoadas e caóticas de Fernão Ferro e da Quinta do Conde, na ligeira subida da estrada de terra batida de acesso à Casa Grande, a principal da Herdade do Perú, património de 300 hectares com localização próxima da Serra da Arrábida. É aquela que João […]
Quem chega esquece rapidamente ter passado nas zonas mais densamente povoadas e caóticas de Fernão Ferro e da Quinta do Conde, na ligeira subida da estrada de terra batida de acesso à Casa Grande, a principal da Herdade do Perú, património de 300 hectares com localização próxima da Serra da Arrábida. É aquela que João Brito e Cunha, o proprietário, decidiu restaurar e transformar em lar há mais de oito anos. Tinha sido ali que brincara, com os seus primos, quando era criança e tinha sido ali que, aos seis/sete anos, se voltara para a avó e dissera que aquela seria sua no futuro, o que acabou por acontecer mais de 40 anos depois. Talvez por isso prefira que o considerem guardião da propriedade, “um lugar maravilhoso, que amo profundamente, ao qual dedico a minha vida”, como gosta de afirmar.
As vinhas foram plantadas por João Brito e Cunha, mas os jardins, ao estilo Versalhes, foram uma iniciativa dos avós. Obedecem aos planos facultados por Gérald Van der Kemp, curador francês, que angariou milhões, no início do século passado, para preservar e restaurar o Palácio de Versalhes e dedicou quase 30 anos a devolver o edifício e os jardins à antiga glória, rastreando obras de arte perdidas e supervisionando reparações, replantações e restauros de pinturas de valor inestimável, após décadas de abandono. “O meu avô era muito amigo dele, que o presenteou, e à minha avó, com um plano dos jardins, que antes não eram assim”, conta o proprietário.
300 anos de história
No dia da escritura, a casa estava completamente vazia, mas João Brito e Cunha decidiu celebrar o acto no seu interior, antes de iniciar a sua restauração, não só para a tornar habitável, mas também para receber casamentos e eventos, o principal negócio da Herdade do Perú. É, hoje, um entroncamento de memórias, com marcas de um passado cuidadosamente reposto e preservado, que se sente nas paredes, nos móveis, nos quadros e nos objectos.
A história da Herdade do Perú começou há cerca de 300 anos, quando António Cremer, intendente e administrador das Fábricas da Pólvora do Reino de Portugal, e sua mulher, Catarina Van Zeller, apaixonados pelo lugar, ali construíram uma das mansões da família, aquela que é hoje a Casa Grande da propriedade. Muito tempo depois, no início do século XX, passou para as mãos da família de João Brito e Cunha, quando os ascendentes a compraram, depois de conquistados pela beleza do edifício, em visita à propriedade cercana de amigos.
Quando cheguei estava, à minha espera, Marta Mendes Esteves, enóloga residente da casa, e os enólogos consultores, Jorge Rosa Santos e Rui Lopes, ambos com cartas dadas em várias empresas de vinhos de Norte a Sul do país. Nesse dia, em que as vindimas iam a meio, com as uvas brancas já colhidas e as tintas a aguardar a apanha, a enóloga contou-me que a Herdade do Perú produz vinhos de forma orgânica e sustentável, com respeito pela natureza, a partir de 12 hectares de vinha. As cerca de 30 ovelhas ali apascentadas contribuem para isso, pois vão para a vinha mal acaba a vindima e ajudam na limpeza dos terrenos, eliminando as infestantes e contribuindo, em simultâneo, para a fertilização dos solos. Quando o ciclo das plantas recomeça, vão para o montado de sobro, que ocupa a maior parte da propriedade.
Casamentos e eventos
O principal negócio da empresa é a organização de casamentos e o turismo rural, com alojamento que dá também suporte aos casamentos, segundo explica João Brito e Cunha. Este ano foram quase 50, dos quais 70% de estrangeiros, sobretudo norte-americanos, mas também de franceses, portugueses e de outras origens, já que a casa está anunciada em vários sites internacionais da especialidade. Há vários espaços para este tipo de eventos, que nasceram a partir dos seus edifícios mais antigos. Um deles é a Casa Grande, mas também existe a nova casa, Bons Ares, e a de Sant’Anna, que fica numa parte mais retirada da propriedade e serve, entre outros, para ocasiões com menor número de pessoas, como as festas de aniversário.
Durante a visita que fizemos por toda a propriedade e outros espaços, Marta Mendes Esteves contou que a última foi a escolhida como lar pelo treinador alemão do Benfica, Roger Schmidt, enquanto esteve no clube. No interior, senti-me como se estivesse em casa, em parte devido à elegância discreta e inspiradora de conforto da decoração dos espaços, em parte por sentir que faria algo muito parecido se construísse uma casa. “Por vezes recebemos famílias dos Estados Unidos para passar férias ou quem queira fazer um fim de semana”, conta a enóloga, salientando que os quartos de todas as casas podem ser alugados. Outra das celebridades que já pernoitou ali foi Madonna. Fotos feitas para a revista Vogue comprovam esta estadia.
Outra das actividades da herdade é o gado bovino Black Angus, rebanho destinado a produzir reprodutores. “Estamos a ver como corre e se faz sentido continuar, ou não”, revela a nossa cicerone. Há também cavalos de raça Lusitano, comprados ainda jovens e formados pelo cavaleiro João Barbosa, sobretudo na disciplina olímpica de dressage ou ensino de competição. Depois de treinados, são vendidos por preços que começam nos 70 mil euros.

As primeiras vinhas
João Brito e Cunha afirma ter plantado as primeiras vinhas incentivado pelo amigo Nicholas von Bruemmer, neto do barão suíço von Bruemmer, do Casal de Santa Maria, em Colares. “Foi isso que fiz, primeiro, à volta da casa e, depois, noutras localizações, até aos 12 hectares actuais”. Metade da área de vinha está plantada com as variedades brancas Arinto, Verdelho, Alvarinho, Antão Vaz e Sercial, e inclui uma parcela muito pequena, à frente das cavalariças, de Moscatel de Setúbal. “Nas tintas, temos o Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira e Castelão”, informa Marta Mendes Esteves, acrescentando que a vinha só começou a ser plantada depois de João Brito e Cunha ter comprado a Herdade do Perú, em 2017.
Os locais de plantação foram seleccionados após análises de solo, não só para escolher os melhores, mas também por razões de ordem estética, já que os primeiros talhões foram plantados ao lado do jardim da Casa Grande. “A presença da vinha dá um destaque na paisagem que as pessoas que cá vêm gostam muito”, salienta a enóloga, dizendo que é nela que está o segredo da qualidade dos vinhos da empresa, daí que haja um grande foco no campo, para garantir que a uva esteja sã e com as características desejadas quando entra na adega.
Rui Lopes diz, por seu turno, que ele e Jorge Rosa Santos acreditam muito na uva, no terroir, mas que também é necessário intervir na adega para que expresse essa característica nos vinhos que origina. “A Serra da Arrábida faz barreira em relação à influência Atlântica e não permite que esta se expresse de forma marcada, dando-nos mais maturação, mais sabor”, explica, acrescentando que “só quem não anda na vinha e não prova as uvas a Sul e a Norte, não verifica que as mais saborosas são as primeiras e as outras têm mais acidez” e que, “se calhar, o lote ideal terá de incluir as duas localizações”. Face a esta conclusão, salienta que ainda há muito por fazer na Herdade do Perú, no sentido de conhecer melhor as vinhas e o terroir. O trabalho feito até agora permitiu fazer o esqueleto, mas é preciso, vindima a vindima, confirmar os dados e ir fazendo ajustes. “Mas vai sempre ser difícil estarmos completamente satisfeitos”, adianta o enólogo.

Vinhos com terroir e sabor
Na vindima, o rancho está na vinha a partir das sete da manhã. Quando a uva branca chega à adega, há decantação durante 48 horas, “o que é muito importante, para não afectar a parte aromática durante a fermentação”, que decorre em cubas a temperatura controlada, explica Marta Mendes Esteves. A forma como são produzidos os tintos tem a ver, acima de tudo, com as variedades de uva e o destino que lhes é dado. “Como sabemos que as castas Cabernet Sauvignon e Merlot se destinam sobretudo à produção de Private Collection, extraímos um pouco mais por ser um vinho de longevidade”, explica a enóloga, acrescentando: “os tintos Herdade do Perú Colheita são vinhos mais fáceis, com pouco tempo em barrica, e temos de controlar mais as remontagens para não haver tanta extracção.”
Para o futuro está previso o lançamento de um espumante feito a partir de Castelão, um vinho de curtimenta e uma nova marca, Casa dos Netos, destinada a ser consumida nos casamentos, em resposta aos desafios dirigidos à equipa de enologia por parte dos filhos de João Brito e Cunha, que impõe, sempre, a necessidade da casa apenas apresentar, ao mercado, produtos de qualidade. Além de serem servidas nos eventos que decorrem na Herdade do Perú, as 30 mil garrafas produzidas anualmente são comercializadas através de pequenos distribuidores em Leiria, Lisboa, Porto e na Península de Setúbal.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
Pêra-Manca em branco e tinto

A Fundação Eugénio de Almeida colocou os primeiros vinhos no mercado em 1986, quando lançou a marca Cartuxa, em versão tinto e branco. Quatro anos depois surgiam os primeiros vinhos da marca Pêra-Manca: o branco, vendido em garrafa renana e o tinto. Desde então, estes vinhos têm tido muitas edições, mais frequentes nos brancos e […]
A Fundação Eugénio de Almeida colocou os primeiros vinhos no mercado em 1986, quando lançou a marca Cartuxa, em versão tinto e branco. Quatro anos depois surgiam os primeiros vinhos da marca Pêra-Manca: o branco, vendido em garrafa renana e o tinto. Desde então, estes vinhos têm tido muitas edições, mais frequentes nos brancos e mais espaçadas no tinto.
Recentemente, a ocasião para o lançamento de uma nova edição do tinto foi motivo suficiente para se provarem outros vinhos da Fundação. O momento teve lugar em Évora, num ambiente que os franceses chamariam de “petit comité”, com um pequeno número de convivas à volta da mesa.
Se Pêra-Manca é a marca mais emblemática da Fundação Eugénio de Almeida, Cartuxa é o nome de um conjunto de vinhos notáveis, que têm enorme aceitação no mercado. Nas várias versões, de brancos a tintos e Reservas, estamos a falar de cerca de 900 000 garrafas por ano. O Cartuxa Reserva tinto, que também provámos, é um vinho com edição anual, mas tal só aconteceu após 2005. Até então, só em alguns anos se comercializava o Reserva. Começaram com 35000 garrafas, mas, actualmente, e fruto da boa aceitação do público, produzem-se 75000 garrafas de Reserva tinto; em 2021 essa quantidade será elevada para 90000.
É um tinto que integra Alicante Bouschet, Aragonez e Cabernet Sauvignon. A percentagem de Cabernet Sauvignon já foi mais elevada, mas agora situa-se nos cinco por cento. Apresenta uma imagem renovada, com uma nova cor de rótulo, que permite facilmente distinguir os dois tintos Cartuxa: o “normal” e o Reserva.
As castas do Pêra-Manca tinto são a Trincadeira e a Aragonez, variando a percentagem conforme a qualidade da colheita. As parcelas têm, por norma, cerca de 30 anos
Fidelidades em branco e tinto
O Pêra-Manca branco é tradicionalmente feito de Arinto e Antão Vaz, combinação que identifica muitos dos brancos do Alentejo, com o Arinto a ser maioritário, isto é, a dominar 65 por cento do lote. A primeira edição, como todas as primeiras edições, funcionou como uma espécie de teste, uma vez que não se adivinhava qual seria a evolução do vinho em garrafa e em cave. Não foi há muitos anos que provei essa primeira edição. A surpresa foi enorme: pela saúde que apresentava, pelas notas terpénicas, pela acidez que conservava tão bem o branco. É um vinho com edição anual e dele fazem-se agora cerca de 100 000 garrafas, quantidade que será aumentada com a colheita de 2024. Atendendo ao preço, pode dizer-se que estamos perante um enorme sucesso de vendas, um grande reconhecimento por parte dos consumidores. No lote, todo o Antão Vaz fermenta em barrica, parcialmente nova, e cerca de 30% por cento do Arinto também estagia em madeira após a fermentação. Este 2023 é um enorme branco alentejano.
O tinto também alinha pelo mesmo padrão de fidelidade e as castas usadas são apenas a Trincadeira e a Aragonez, variando a percentagem conforme a qualidade da colheita. As parcelas têm, por norma, cerca de 30 anos. Ao chegar à adega, e após escolha, as uvas são desengaçadas e os mostos são fermentados em balseiros. O estágio decorre, depois, em tonéis, maioritariamente usados, mas todos os anos há alguns novos, renovando-se, assim, o parque de madeiras. São 18 meses de estágio na madeira, a que se segue um estágio em garrafa.
Como se trata de vinhas velhas, a replantação das cepas que vão morrendo é sempre uma preocupação. Pedro Baptista, administrador e responsável pela enologia da Fundação Eugénio de Almeida, salientou que fazem questão de apenas usar material clonal retirado das vinhas antigas, fazendo-se uma selecção própria, casta a casta. Pode parecer óbvio que assim se proceda, mas não é assunto pacífico. Há limitações legais ao uso de material não certificado, invocando sempre razões sanitárias. Sem essa certificação as varas poderão conter vírus que irão propagar-se na vinha, nomeadamente vírus do enrolamento e nó curto. Sabendo-se que não há maneira de erradicar essas doenças, a forma mais eficaz é exactamente a utilização de material isento de vírus e a queima das cepas infectadas. Mas Pedro Baptista reconhece que a exclusiva utilização de material certificado “padroniza a produção” e acaba por retirar originalidade a muitos vinhos.
O Pêra-Manca vai agora seguir o seu caminho, com sucesso garantido junto de consumidores fiéis, nomeadamente brasileiros, que entram numa garrafeira em Lisboa e fazem a pergunta fatal (cena que já presenciei): tem Pêra-Manca? Se a resposta for positiva, temos brasileiros felizes. Fiz questão de indagar se esse brasileiro, com quem acabei por trocar umas palavras, achava o preço caro. ‘Caro? Oi cara, isto no Brásil (é melhor levar o acento…) custaria quatro vezes mais!’ Palavras para quê?
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
Casa Relvas pioneira com selo PSA no azeite

A Casa Relvas, no Alentejo, é pioneira na certificação da sustentabilidade do azeite através da obtenção da certificação do Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), pela OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, entidade fundada em 2013. Este reconhecimento assinala a preocupação da empresa no que diz respeito à valorização ambiental, social e […]
A Casa Relvas, no Alentejo, é pioneira na certificação da sustentabilidade do azeite através da obtenção da certificação do Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), pela OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, entidade fundada em 2013. Este reconhecimento assinala a preocupação da empresa no que diz respeito à valorização ambiental, social e económica do sector olivícola nacional, acção que contribui para firmar o posicionamento do país como exemplo internacional de boas práticas nesta vertente agrícola.
“Esta certificação representa um passo natural num percurso que a Casa Relvas tem vindo a construir há vários anos e o seu compromisso com a sustentabilidade. Mais do que um reconhecimento externo, o selo PSA valida uma forma de estar no sector, assente na responsabilidade, na melhoria contínua e no respeito pelos recursos naturais, pelas pessoas e pelo território”, declara António Relvas, Co-CEO da Casa Relvas. Este marco surge na sequência de um projecto iniciado em 2022, ano em que este produtor foi a primeira das dez maiores empresas produtoras de vinho do Alentejo a receber a Certificação de Produção Sustentável, desta feita da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.
O PSA é um sistema de certificação independente desenvolvido no sentido de dar resposta à crescente exigência dos mercados internacionais em matéria de sustentabilidade, rastreabilidade e responsabilidade social e ambiental. Todo este trabalho assenta num referencial constituído por 98 critérios distribuídos por 26 capítulos, com o intuito de avaliar as questões inerentes à sustentabilidade no âmbito da produção de azeite.
Madeira Wine Company com novo CEO

Carlos Filipe Fernandes assume oficialmente o cargo de Chief Executive Officer (CEO) da Madeira Wine Company, depois de desempenhar funções como Chief Operating Officer (COO). De acordo com o comunicado, teve um papel fundamental na otimização dos processos de produção e na implementação de melhorias contínuas e excelência técnica em toda a organização durante o […]
Carlos Filipe Fernandes assume oficialmente o cargo de Chief Executive Officer (CEO) da Madeira Wine Company, depois de desempenhar funções como Chief Operating Officer (COO). De acordo com o comunicado, teve um papel fundamental na otimização dos processos de produção e na implementação de melhorias contínuas e excelência técnica em toda a organização durante o seu percurso na empresa.
Face a esta nova fase, Carlos Filipe Fernandes afirma: “Juntamente com a nossa equipa, continuaremos a aperfeiçoar cada etapa da produção, honrando este legado e mantendo os elevados padrões de qualidade pelos quais os nossos vinhos são reconhecidos internacionalmente.”
A respeito de Chris Blandy, que, ao longo de 14 anos, assegurou a liderança executiva, permanece no cargo de Presidente do Conselho de Administração da Madeira Wine Company. Nesta nova função, dará seguimento à visão estratégica de longo prazo e assegurará o compromisso geracional da família Blandy com o Vinho Madeira.
CHARUTOS: Os puros, o Porto e os brandies exclusivos

O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no […]
O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no XI Habanos Day, que teve lugar no Montes Claros – Lisbon Secret Spot, em Lisboa, que reuniu cerca de 200 pessoas. Esteve presente José Ramón Saborido Loidi, Embaixador de Cuba, que relembrou aos presentes que o cultivo do tabaco começou há cinco séculos e que os puros são o verdadeiro ex-libris da ilha. Afinal, tratou-se de um evento pautado pelo savoir-faire associado aos verdadeiros Habanos. As boas-vindas foram igualmente partilhadas por Pedro Rocha e Luis Javier Bosch, respectivamente, Director-Geral e Director Comercial da Empor, distribuidora exclusiva de Habanos em Portugal.
Muitos fumadores de charutos são também apreciadores de destilados. Nesta grande família encontramos “charutadores” com gostos por vezes muito específicos: para alguns nada bate um whisky de malte com um puro, outros conheci que se deliciavam com uma boa aguardente velha, fosse ela um Cognac, um Armagnac ou uma aguardente portuguesa de qualidade. Neste capítulo, temos muitas aguardentes (e, por vezes, a preços de saldo), que se batem com as melhores aguardentes estrangeiras. Menos habitual é encontrar apreciadores de puros que acompanhem o prazer do fumo com um vinho do Porto. Já em tempos organizei uma prova desse tipo, todas com o mesmo modelo de charuto.
Será que liga bem?
A jornada começou com uma retrospectiva dos momentos mais marcantes dos dez eventos anteriores, enquanto os presentes desfrutavam da Edição Regional de 2020. Esta foi harmonizada com uma seleção excepcional de vinhos do Porto Sandeman Tawny 10 Anos, 20 Anos e 30 Anos, e Sandeman Vintage 2018 e 2020. A prova dos charutos com a casa Sandeman desenrolou-se em três momentos. A Grandes Escolhas foi convidada a estar presente e apenas participámos no primeiro desses três momentos, precisamente no que tratava do Porto Sandeman e da ligação do Vinho do Porto com o charuto. Para o efeito, esteve presente o brand ambassador da Sandeman, David Faísca, que explicou os diversos tipos de Porto dentro das duas famílias de rubis e tawnies.
Enquanto decorria a explicação sobre o Porto Sandeman, apoiada em material fotográfico projectado em ecrã, as 120 pessoas presentes na sala entretinham-se a fumar o primeiro charuto fornecido para o efeito, um modelo da marca Trinidad. Não é fácil estar numa sala com tanta gente a fumar ao mesmo tempo, mas a verdade é que, para aqueles apreciadores e apreciadoras, isso era assunto de somenos. Todos estavam interessados em tentar acertar no quizz que ia sendo anunciado e que tinha como prémio uma garrafa de Sandeman. O perfil Tawny parece reunir mais consenso quanto à boa ligação com o charuto; os rubis são mais agressivos, mas, ainda assim, não deixam de ter adeptos. O ambiente de frutos secos, de notas de mel, figos e fruta em calda são tudo ingredientes que casam bem com o charuto que, de resto, tem da folha de tabaco um descritor, por vezes, usado na apreciação de vinhos.
O segundo momento do XI Habanos Day, a que já não assistimos, esteve em alta, com a prova dos brandies Ximenez-Spinola Cigar Club Nº 1, Nº 2 e Nº 3, produtos exclusivos e detentores de elevado valor mercado, resultantes da aposta reforçada no savoir-faire cubano, degustados no âmbito da actividade “Aliança Habanos”, durante a qual houve a oportunidade de saborear a Edição Regional de Portugal de 2017.
Para terminar em ambiente de festa, houve um concurso para ver quem conseguia manter a cinza mais longa, sem cair. É mais difícil do que parece e é seguramente bem divertido. Recordo que também os apreciadores de cachimbo têm concursos igualmente divertidos. Soubemos que o protagonista do concurso foi o Habano Edição Regional de Portugal de 2014 desfrutado na companhia do rum Diplomático Single Vintage e Diplomático Reserva Exclusiva. Luis Javier Bosch foi quem apresentou o projecto da Empor para Habanos envelhecidos, o Empor Collection, lançado em 2025 pela Empor e será desenvolvido nos próximos anos.
Em suma, o evento traduziu-se no ponto de encontro para aficionados, colecionadores e grandes apreciadores do Habano no nosso país, culminado pelo jantar de gala com a degustação de mais duas Edições Regionais para Portugal, uma das quais lançada recentemente no mercado. Os Habanos foram acompanhados por referências da Sogrape e Ximénez-Spínola Delicado. Foram entregues igualmente os prémios aos vencedores das actividades do dia, terminando, a noite, com música tradicional ao vivo, em profunda celebração da cultura cubana.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025 e editado a 23 de Janeiro de 2026)
Vinhos de Portugal na Wine Paris 2026

Está reforçada a aposta da presença dos Vinhos de Portugal na edição de 2026 da Wine Paris, feira internacional dedicadas ao sector das bebidas a decorrer de 9 a 11 de Fevereiro, no Parc des Expositions, Porte de Versailles, em Paris, França. O expositor, o terceiro maior de um país estrangeiro presente no certame, estará […]
Está reforçada a aposta da presença dos Vinhos de Portugal na edição de 2026 da Wine Paris, feira internacional dedicadas ao sector das bebidas a decorrer de 9 a 11 de Fevereiro, no Parc des Expositions, Porte de Versailles, em Paris, França. O expositor, o terceiro maior de um país estrangeiro presente no certame, estará no Hall 4, com uma área de 2.540 m², e contará com a participação de mais de 300 produtores portugueses.
“A Wine Paris tornou-se, ao longo das últimas edições, num dos principais pontos de encontro para os profissionais da indústria do vinho. Estar presente neste evento é, por isso, estratégico para os Vinhos de Portugal. A nossa participação tem vindo a crescer de forma consistente, com um aumento superior a 150% nos últimos três anos, reflectindo o interesse crescente dos mercados internacionais pela diversidade e qualidade dos vinhos portugueses”, declara Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal.
Em destaque está a sessão “Hidden Gems of Portugal”, agendado para o dia 10 de Fevereiro, às 12h00, e conduzido pelo Master of Wine Dirceu Vianna Junior. Esta acção propõe uma viagem por castas raras portuguesas, que habitualmente estão fora dos grandes circuitos comerciais, por forma a mostrar que a diversidade de castas autóctones é um atributo de diferenciação no mercado global.
No programa, consta, ainda, um Free Tasting, com a prova de 50 vinhos produzidos em várias regiões do país. Esta iniciativa será realizada no âmbito do enoturismo, enquanto vertente de valor para o sector, enquanto ferramenta de promoção, bem como uma mais-valia no contexto da valorização económica, cultural e territorial dos vinhos nacionais.


















