Trafaria (Com) Prova está de volta de 4 a 6 de Julho

O Trafaria (com) Prova está de regresso para três dias de festa com degustação de vinhos e petiscos, provas de vinho comentadas, visitas guiadas ao centro histórico e animação de rua no passeio ribeirinho da Trafaria. 4,5 e 6 de Julho – Entrada livre com opção de compra de copo de degustação por 5€ Exposição […]
O Trafaria (com) Prova está de regresso para três dias de festa com degustação de vinhos e petiscos, provas de vinho comentadas, visitas guiadas ao centro histórico e animação de rua no passeio ribeirinho da Trafaria.
4,5 e 6 de Julho – Entrada livre com opção de compra de copo de degustação por 5€
Exposição e degustação de vinhos | degustação de tapas e petiscos | espaço cultural e exposições | animação de rua
Com a presença de empresas produtoras de vinhos representativas do melhor da produção nacional e de restaurantes locais, com oferta de pequenos pratos de petiscos, de acordo com o receituário habitual da casa.
Provas comentadas por críticos da revista Grandes Escolhas.
É importante salientar que durante o decorrer do festival Trafaria (Com) Prova no próximo fim de semana, a Transtejo vai reforçar as carreiras fluviais entre Belém e Trafaria com um novo horário nos dias 4 (sexta-feira) e 5 (sábado)
4 de Julho, 6.ª feira
Trafaria > Belém
22h30 / 23h30
5 de Julho, sábado
Trafaria > Belém
22h / 23h
Altas Quintas: Azeites, borregos e um vinho com mel

O evento teve como objectivo apresentar, a um público diversificado (incluindo lojistas especializados, produtores agro-alimentares, jornalistas, Horeca), os novos lançamentos de algumas das empresas da família Leitão Machado, em particular da vinícola Altas Quintas e da Herdade de Vale Feitoso. Em destaque, dois azeites, a carne de borrego da raça Churra do Campo e um […]
O evento teve como objectivo apresentar, a um público diversificado (incluindo lojistas especializados, produtores agro-alimentares, jornalistas, Horeca), os novos lançamentos de algumas das empresas da família Leitão Machado, em particular da vinícola Altas Quintas e da Herdade de Vale Feitoso. Em destaque, dois azeites, a carne de borrego da raça Churra do Campo e um inédito vinho aromatizado com mel.
José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura, convidado para abrir a sessão, referiu, em tom de lamento, aquilo que muitos não dizem, em nome do “politicamente correcto”: “às vezes, parece que temos de justificar a importância da dieta mediterrânica e referir que é património imaterial da humanidade. Às vezes, parece que temos vergonha de dizer que agricultores e caçadores não são inimigos do ambiente, antes pelo contrário, são seus cuidadores…”
Estava dado o mote para a interessantíssima palestra do Cónego José Manuel dos Santos Ferreira, apoiada pelas questões do jornalista Edgardo Pacheco (“mais acostumado a falar sobre assuntos terrenos”, como salientou), em torno do simbolismo do vinho, da oliveira, do azeite, do mel e do cordeiro, elementos centrais na cultura mediterrânica.
O valioso conjunto de telas alusivas à vida de São Jerónimo, que decoram a sacristia, serviram de tema de abertura ao Cónego, abordando a vida deste disseminador da fé cristã nos primeiros tempos do catolicismo, sem escamotear a sua personalidade “difícil, polémica e implacável”, como salientou. Passámos depois ao azeite e à oliveira, árvore austera, de vida longa, que simboliza a salvação e a prosperidade, inúmeras vezes usada como metáfora no Antigo Testamento, símbolo de paz desde há tempos imemoriais. Também o mel tem muitas referências bíblicas, apontado como fonte de energia e com propriedades curativas, ligado à suavidade e à sabedoria.
A palestra do Cónego José Manuel dos Santos Ferreira, apoiada pelas questões do jornalista Edgardo Pacheco, decorreu em torno do simbolismo do vinho, da oliveira, do azeite, do mel e do cordeiro, elementos centrais na cultura mediterrânica
Do vinho, ficámos a saber que já na tradicional refeição da Páscoa judaica, o Seder de Pessach, se consumiam quatro taças de vinho, simbolizando as quatro promessas de Deus aos israelitas. Na liturgia cristã, e na Última Ceia, Jesus deu-lhe nova essência, o cálice da bênção deixa de ser vinho e passa a ser o sangue do sacrifício, fundamental na eucaristia. Como acentuou o Cónego José Manuel dos Santos Ferreira, “não há missa sem vinho”.
Finalmente, o cordeiro. Antes do cristianismo, era símbolo da simplicidade e fragilidade da vida. Na cultura judaica, fez parte do rito sacrificial. E enquanto cordeiro pascal, tem profunda simbologia cristã. O rito do sacrifício desapareceu, mas o simbolismo não, continuando a ser consumido em muitas casas no domingo de Páscoa.
E podemos agora passar aos assuntos terrenos, nos quais, tal como Edgardo Pacheco, me sinto bem mais confortável, sobretudo para escrever sobre.
Altas Quintas e Vale Feitoso
A Herdade do Vale Feitoso, situada em Monfortinho, é uma das maiores propriedades privadas de Portugal, com 7.500 hectares de paisagens preservadas. A herdade tornou-se um extraordinário refúgio de biodiversidade, albergando uma imensidão de fauna e flora ibérica. Comprometida com a recuperação de diversas espécies animais em vias de extinção (o bisonte europeu é uma delas), tem vindo a apostar na produção de azeites, na caça sustentável (Sabor Selvagem é a marca de carne de caça da herdade) e na recuperação da ovelha Churra do Campo, raça de ovinos originária da fronteira entre a Beira Baixa e Espanha e de tal modo ameaçada, que a sua população em Portugal é inferior a mil exemplares, número, como foi salientado, inferior ao do lobo…
Vale Feitoso, em colaboração com um produtor e preparador de carne de ovelha alentejana, tem vindo a recuperar a raça e a comercializar esta carne (apenas se abatem machos, para garantir a reprodução consistente dos efectivos), cuja excelência pudemos comprovar no evento pela mão afinada do chef Vítor Sobral. A carne de borrego da raça Churra do Campo pode desde já ser adquirida nas lojas do El Corte Inglês.
Antes da refeição, no entanto, houve lugar a uma prova dos dois azeites agora lançados, orientada por Edgardo Pacheco. A Herdade de Vale Feitoso tem mais de 200 hectares de oliveiras centenárias, um património que Edgardo, profundo conhecedor da matéria, considera único: “Quando fui pela primeira vez a Vale Feitoso nem queria acreditar na dimensão do olival velho e na profusão de variedades de azeitona, dezenas delas, muitas completamente desconhecidas”, disse. Hoje, está a ser feito, com o Instituto Politécnico de Bragança, um trabalho de investigação e identificação destas variedades. Quanto aos azeites agora lançados, elaborados em lagar próprio, são provenientes de zonas distintas deste olival centenário e de azeitonas colhidas em momentos diferentes. Ambos da safra de 2024, o azeite Altas Quintas é mais suave e frutado, enquanto o Vale Feitoso, oriundo de azeitonas mais verdes e de uma parcela chamada Lavajo, é mais herbáceo, amargo e picante. Já à venda nas lojas especializadas, o primeiro custa €18 (500ml) e o segundo €20.
Também o mel tem muitas referências bíblicas, apontado como fonte de energia e com propriedades curativas, ligado à suavidade e à sabedoria.
Finalmente, o Melitvs. O rótulo lê-se Melitus e o conteúdo da garrafa inspira-se nos vinhos aromatizados com mel que eram comuns na antiga civilização romana. Trata-se do novo produto Altas Quintas, marca consagrada entre os vinhos do Alentejo, nascida na vindima de 2004. Propriedade da família Leitão Machado desde 2023, a Altas Quintas tem a sua vinha e adega nas encostas da serra de São Mamede, Portalegre, onde tira partido de um terroir influenciado pela altitude para produzir vinhos que conjugam qualidade e carácter. Atributos que não faltam ao Melitvs, que combina a frescura habitual dos brancos Altas Quintas com o mel biológico de Vale Feitoso, e que saiu das mãos dos enólogos António Ventura, Tiago Correia e Diogo Vieira. Da colheita de 2024, foi feito com as castas Fernão Pires e Verdelho e estagiou depois numa ânfora de barro. O resultado é surpreendente, revelando um vinho delicado e intenso ao mesmo tempo, com o mel a dar leve doçura compensada por excelente acidez. Prazer, originalidade e história numa garrafa que custa uns módicos €14 (500ml).
Azeite, mel, borrego, vinho. Mais mediterrânico do que isto, é difícil. Como disse, no final do evento, Ricardo Leitão Machado, “somos o que comemos”. Assim seja.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2025)
A Baga nas suas oito quintas…

Com o Rio Mondego a Sul, o Rio Vouga a Norte, o Oceano Atlântico a Este, e as Serras do Caramulo e do Buçaco a Oeste, a Bairrada, região vitivinícola demarcada em 1979, tem hoje características únicas. Com uma predominância de solos argilosos, um clima temperado pelo Oceano Atlântico e o cultivo de castas autóctones […]
Com o Rio Mondego a Sul, o Rio Vouga a Norte, o Oceano Atlântico a Este, e as Serras do Caramulo e do Buçaco a Oeste, a Bairrada, região vitivinícola demarcada em 1979, tem hoje características únicas. Com uma predominância de solos argilosos, um clima temperado pelo Oceano Atlântico e o cultivo de castas autóctones como a Baga, o rio Cértima é a veia da região, que vai da ponta Sul até à maior lagoa natural da Península Ibérica, a Pateira de Fermentelos.
A Baga é a casta tinta, autóctone e predominante, que marca a identidade da região da Bairrada. Plantada em solos argilosos, com uma excelente exposição solar, produz em grande quantidade, cachos pequenos e com uma maturação tardia.
Destaca-se por produzir vinhos ricos em taninos, de elevada acidez, intensos na cor e com uma concentração elevada de aromas, que suportam bem o envelhecimento. É uma casta que dá destaque à região, com a produção de uma diversidade de vinhos, desde base de espumante, a vinhos rosé e, naturalmente, vinhos tintos.
A partilha do sentimento de admiração e paixão pela casta Baga e região da Bairrada, assim como as preocupações quanto ao seu futuro, levaram a que, em 2012, um grupo de produtores unisse forças e criasse os “Baga Friends”. O grupo, hoje constituído pelos oito produtores acima mencionados, mantém-se unido com o propósito de promover e reforçar a visibilidade da casta Baga para o mercado nacional e internacional e de contribuir para o prestígio dos vinhos produzidos na região. É um grupo heterogéneo que se complementa, onde cada um dos produtores cria vinhos diversificados, seguindo diferentes caminhos enológicos, procurando novas versões – mais clássicas ou modernas – mas mantendo sempre a ligação à autenticidade da região, à casta e à expressão da qualidade e seu potencial.
O Dia Internacional da Baga foi criado pelos Baga Friends aquando da celebração dos seus dez anos de existência, em 2022, e celebra-se, todos os anos, no primeiro sábado de Maio.
A Baga é a casta tinta, autóctone e predominante, que marca a identidade da região da Bairrada.
Variações sobre uma casta
Começámos os “trabalhos” cedo, pelo meio da manhã. O Patrão do Vadio, Luís de seu nome, tinha trazido uma novidade: o Finuum, que era nada mais, nada menos, que o vinho branco base do seu belíssimo Espumante Perpetuum, feito a partir de uma Solera iniciada em 2007. Este Finnum é produzido, pois, com algum vinho da colheita de 2021 e envelhecimento parcial biológico com véu-de-flor e estágio em solera. A semelhança com os Finos de Jerez é notória, mas menos intensa, e com os aromas e sabores transmitidos pelo véu de flor menos marcados, mais elegante e mais equilibrado. Será sempre óptima companhia para um saboroso prato de “Jamón de bellota”!
Trouxe mais dois vinhos, o Grande Vadio tinto 2017, que invoca a expressão máxima da Baga na Bairrada, definida pela elegância, frescura e capacidade de envelhecimento. Provém de vinhas de encosta, onde a exposição potencia melhores maturações e a Baga melhor se revela. Cada parcela é vinificada em pequenos depósitos, com remontagens manuais. Após a prensagem, os vinhos novos são transferidos de imediato para barricas usadas de 500 l onde ocorre a fermentação malolática e o estágio mínimo de 12 meses. O engarrafamento é mais precoce que o Vadio, a fim de manter uma maior definição de fruta e textura no tanino. No aroma revelou grande definição na fruta, onde se destacaram os frutos silvestres e notas balsâmicas típicas da Baga. O palato evidenciou grande harmonia e elegância, dominado por taninos delicados e acidez equilibrada. Já o Vadio tinto 2005, por sua vez, respeitando o estilo mais clássico da região da Bairrada, foi fermentado em pequenos lagares e envelheceu durante 18 meses em carvalho usado, e mais 18 meses em garrafa. Anualmente, 10% da produção do Vadio é guardada para um relançamento de uma edição 10 anos, com o objectivo de, segundo Luís Patrão, “poder demonstrar o potencial de envelhecimento dos vinhos produzidos a partir da casta Baga”, coisa que, passados 20 anos sobre este 2005, foi ampla e distintamente demonstrada.
“A Baga é intérprete de um terroir, tal como são o Nebbiolo em Barolo, ou o Pinot Noir na Borgonha. É também vector de promoção, afirmando um património cultural na defesa do bem comum”, diz François Chasans, da Quinta da Vacariça. François é caviste em Paris e, em 1998, provou um vinho da Bairrada que o levou a querer fazer vinho na região, no país de onde é proveniente a sua esposa. A Quinta da Vacariça tem cerca de 3 ha, com alguma zona de vinha velha e outras de plantação recente: 2 ha de vinha em Tamengos 100% Baga, 0,3 ha de vinha de 90 anos com variedade de castas autóctones brancas e tintas e 0,8 ha em Ventosa do Bairro. Francês da região da Normandia, François explora o seu terroir como se houvesse ouro dentro… “Para mim, é claro que o vinho se faz na vinha. Na adega, não uso nenhum produto, mesmo se autorizado em biodinâmica, com excepção de uma dose mínima de sulfitos. A vindima é manual em caixas perfuradas de 18kgs, o enchimento dos lagares e dos tonéis é feito por gravidade, as pigéages e remontagens são curtas e fraccionadas, e os estágios são de dois anos em foudre de carvalho. O engarrafamento é feito sem filtração, e o vinho estagia em garrafa durante 10 anos antes de ser comercializado. Também uso ovos de betão e ânforas de argila. Neste momento, estou a fazer ensaios para um vinho branco sem sulfitos e para um vinho laranja.” O produtor trouxe dois tintos, o Tonel 23 de 2011, e o 2015, que sairá para o mercado nunca antes de 2034 (!!!). Vinhos fantásticos. E “é disto que o meu povo gosta!”, já dizia o saudoso Jorge Perestrelo, nunca pensando, no entanto, que esta sua emblemática expressão pudesse ser aplicada a um vinho. Mas pode. Mesmo.
O Dia Internacional da Baga foi criado pelos Baga Friends aquando da celebração dos seus dez anos de existência, em 2022, e celebra-se, todos os anos, no primeiro sábado de Maio
Paulo Sousa, neto de Sidónio Sousa, que se iniciou na produção de vinho por volta de 1930, dedica-se a 100% à marca de vinhos que todos conhecemos, criada pelo seu pai em 1990, também Sidónio de seu nome. Hoje, são 12 hectares de vinhas próprias, em expansão, plantadas em solo argilo-calcário, em Ancas, na Bairrada. Provámos o espumante Special Cuvée 2022, feito de Baga, que se apresentou jovem e fresco, numa cor levemente rosada, frutado e com notas frutos secos, na prova teve uma bolha muito fina que se desfez graciosamente, dando muito prazer a beber. Dois tintos, ambos 100% Baga, o Reserva 2017 que apresentou boa acidez, típica da região, grande estrutura, taninos de qualidade, encorpado mas macio, e o Garrafeira 2017, um vinho superlativo em toda a sua extensão, dominado por notas de frutos silvestres e de floresta, extremamente elegantes, com taninos firmes e assertivos mas sem nenhuma aresta, um verdadeiro luxo e muita classe. Vinhas centenárias, repletas de castas autóctones, onde predominam a Baga e a Maria Gomes, plantadas em solos pedregosos e pobres, a matéria-prima é escassa, mas extremamente preciosa. Os solos de natureza calcária, que permitem a elaboração de vinhos únicos e inconfundíveis, ajudam à retenção da acidez natural e, transmitindo frescura e mineralidade, contribuem para a autenticidade, singularidade e complexidade do produto final.
Novos e antigos
E isto pode muito bem ser a definição dos vinhos Giz, de Luís Gomes, o mais recente membro dos Baga Friends. Um projeto empreendedor, que tem como foco principal a recuperação de vinhas antigas e tradicionais (salvando-as do desenraizamento) e a produção de vinhos autênticos em solos de natureza calcária, lembrando giz. Trouxe uma novidade, o seu mais recente espumante, belíssimo por sinal, o Giz Cuvée de Noirs 2018 Late Release, feito de Baga, com 60 meses de estágio, e dois tintos já nossos conhecidos, o Giz Vinhas Velhas 2021 e o Giz Vinha das Cavaleiras 2020, ambos de Baga, ambos de cheios de carácter e sentido de terroir.
O famoso “Mário Sérgio das Bágeiras” não veio desta vez. Veio o seu filho Frederico, e muito bem, diga-se de passagem, pela garantia de continuidade do projecto e do conceito deste produtor, orgulhoso vigneron, que nos vinhos não utiliza outras uvas que não as das suas vinhas, cuidadas com esmero ao longo do ano. Trouxe três vinhos: o já clássico espumante rosé de Baga, engarrafado no ano seguinte à vindima, que neste caso foi 2022, e sendo um Bruto Natural não teve qualquer adição de açúcar no licor de expedição; uma novidade, o Pai Abel rosé 2022, sempre de louvar quando os vinhos rosés são pensados, e feitos, como um “vinho à séria”, perfeitos para acompanhar uma refeição do princípio ao fim, como, por exemplo, uma Alheira do Fiolhoso com grelos salteados; e o já icónico Bágeiras Garrafeira tinto, na sua edição de 2020.
Filipa Pato também trouxe três vinhos, o Roleta Russa rosé 2023, a sua primeira experiência em vinho tranquilo rosé com a casta Baga, ligeira maceração pelicular, envelhecido seis meses em cascos de 500 e 600 litros, apresentou uma cor rosa com laivos alaranjados, aromas cítricos e alguma fruta vermelha, estrutura fina, taninos suaves, e uma alma profundamente mineral dos solos de calcário da era Jurássica. Complexo e refrescante, outro excelente rosé, outro “vinho à séria”, para acompanhar uma refeição de cozinha asiática ou umas tradicionais sardinhas grelhadas. Sem medos. Também veio um tinto, o Post Quercus Baga Bio 2023, sem madeira, feito em ânforas de barro. Um tinto com taninos muito macios, que expressa a pureza da fruta da casta Baga. E um vinho muito singular, o Espírito de Baga, um vinho fortificado, à moda dos vinhos do Porto Vintage, intenso e estruturado, mas sedoso, fresco e muito vivo, graças à acidez natural da casta e da região, e que deu imenso prazer a beber. “Na Bairrada, a Baga é a casta que melhor respeita o local e o Homem que a molda”, diz Filipa Pato
Já Luís Pato, por sua vez, trouxe alguma artilharia pesada, porque, como diz um nosso amigo comum brasileiro, “Festa é coisa séria!”. Vinha Pan e Vinha Barrosa, ambos de 2015, Vinha Pan 2020, e o espumante Vinha Pan 2015. “Não uso herbicidas e pesticidas nas vinhas, e reduzi o uso de produtos à base de cobre, substituindo-o pelo ozono. Alguns vinhos são produzidos sem o uso de sulfitos, sem colagem ou filtragem, e são elaborados exclusivamente com leveduras indígenas, tanto tintos, como brancos, e agora também na produção de espumantes. Os vinhos tintos da casta Baga não ultrapassam um total de sulfitos de 40mg/l …Bem abaixo dos 80mg/L dos vinhos biológicos”, acentua o decano dos Baga Friends. Os tintos apresentaram-se em grande forma, ricos, complexos, joviais até, mas muito sérios e de grande classe, tal como o espumante, feito de Baga, sem sulfuroso nem adição de açúcar, complexo, profundo, com leve oxidativo, grande estrutura e finesse.
Por último, a Quinta de Baixo, do universo Niepoort, brindou-nos com três edições do seu magnífico Poeirinho Garrafeira: 2012, 2015 e 2018. “Fala se muito no terroir: a Bairrada é muito especial, com qualidades únicas. Mas ainda mais especial é a brilhante combinação da Bairrada com a excêntrica e genial casta chamada Baga”, disse um dia Dirk Niepoort, e não podíamos estar mais de acordo.
E não podia faltar a Cuvée Baga Friends como é óbvio, na sua edição 2015, sempre em formato magnum, e onde cada um destes produtores contribui com uma barrica de um vinho seu para compor o lote final. Querem o coração e a alma da Bairrada num copo? Pois aqui está!
E assim demos por finalizados os “trabalhos matinais” e, finalmente, pudemos dedicar-nos aquilo que as gentes do vinho gostam verdadeiramente: sentar à mesa, boas e longas conversas, com boa comida e boas garrafas de vinho! Voilá!
Não seria justo se não escrevesse umas palavras para o local onde decorreu esta prova e almoço: o Parra Wine Bistro, na Rua da Esperança, em Lisboa. As paredes são um misto de tijoleira romana à vista e blocos de mármore rosa de um antigo talho que ali funcionou em tempos, tudo preservado. Frigoríficos repletos de (boas) garrafas de vinho, assegurando as diversas temperaturas de serviço, copos de qualidade, hall of fame das garrafas vazias ali bebidas em redor das paredes, tudo a contribuir para um grande ambiente vínico. E a comida, claro, criações do Chef residente num misto de produtos tradicionais portugueses com influências do mundo, num claro reflexo do ambiente cosmopolita da cidade de Lisboa hoje em dia. Arrisco mesmo dizer, sem nenhum receio, que o Tártaro de vaca com gema de ovo curada e filete de anchova, em pão croissant, um dos ex-libris do Parra Wine Bistro, será presentemente uma das melhores iguarias que se pode comer na cidade. E que bem que combinou com Baga! Brindemos, Pois!
(Artigo publicado na edição de Maio de 2025)
VINIPORTUGAL LEVA VINHOS NACIONAIS À COREIA DO SUL

A ViniPortugal vai organizar uma Prova de Vinhos de Portugal na cidade de Seul, na Coreia do Sul, no próximo dia 25 de Junho. Esta iniciativa insere-se na estratégia de reforço da notoriedade internacional da marca Vinhos de Portugal, com o objectivo de promover a excelência e a diversidade dos vinhos portugueses junto dos profissionais […]
A ViniPortugal vai organizar uma Prova de Vinhos de Portugal na cidade de Seul, na Coreia do Sul, no próximo dia 25 de Junho. Esta iniciativa insere-se na estratégia de reforço da notoriedade internacional da marca Vinhos de Portugal, com o objectivo de promover a excelência e a diversidade dos vinhos portugueses junto dos profissionais do sector e dos consumidores sul-coreanos.
Na prova, que é dirigida a produtores com e sem distribuição no mercado, prevê-se a participação de cerca de 150 profissionais e 100 consumidores. A iniciativa inclui reuniões programadas entre 10 produtores portugueses e 10 importadores locais, que são oportunidades para fomentar novos negócios e parcerias.
Um dos momentos altos deste evento será o Seminário Técnico conduzido por Sofia Salvador, Wine Educator da ViniPortugal, destinado a 40 profissionais. O seminário visa aprofundar o conhecimento sobre a oferta vitivinícola nacional, promovendo o reconhecimento das regiões, castas e perfis que caracterizam os vinhos portugueses.
A Prova Vinhos de Portugal em Seul é mais uma das iniciativas da ViniPortugal para consolidar a presença dos vinhos portugueses em mercados internacionais estratégicos, como a Coreia do Sul, onde o consumo de vinho tem vindo a crescer de forma sustentada nos últimos anos.
Segundo Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal, “a organização destas provas internacionais reforça o nosso compromisso com a promoção dos vinhos portugueses em mercados com elevado potencial de crescimento”.
Segundo o responsável “a Coreia do Sul tem demonstrado uma crescente abertura à descoberta de novas origens e perfis de vinho, e este evento será determinante para consolidar a presença da marca Vinhos de Portugal junto de profissionais e consumidores sul-coreanos.”
20 anos de Quinta Nova Vinha Centenária

Recordo-me bem, corria o início de verão de 2007, de chegar pela primeira vez à Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. A propriedade, que até dois anos antes fazia parte do portefólio da J.W. Burmester, era uma típica quinta do Douro produtora de Vinho do Porto. Totalmente típica não…, pois a sua dimensão numa […]
Recordo-me bem, corria o início de verão de 2007, de chegar pela primeira vez à Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. A propriedade, que até dois anos antes fazia parte do portefólio da J.W. Burmester, era uma típica quinta do Douro produtora de Vinho do Porto. Totalmente típica não…, pois a sua dimensão numa das melhores zonas no Cima Corgo – 120 hectares ao longo de 1,5 km de rio – era bem superior ao habitual na região. À frente da quinta estreava-se Luísa Amorim e, já nesse tempo, bastavam pouco minutos de conversa para concluir que muita coisa iria mudar na propriedade. E mudou!
A propriedade combina agora uma imaculada adega topo de gama e uma unidade de turismo de luxo com 11 quartos
Referenciada desde a primeira demarcação pombalina, em 1756, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo foi propriedade da Casa Real Portuguesa até 1725, e tornou-se uma “quinta nova” pela junção de duas quintas (o que explica a sua dimensão). Durante os séculos XVIII e XIX, viveram na quinta várias famílias portuguesas que mantiveram vivas a produção de uva e vinho, fruta e azeite. Mais recentemente, já no século XX, produzia exclusivamente uvas para Vinho do Porto. Quase vinte anos volvidos da primeira vez que lá fomos, basta olhar de cima, na estrada que serpenteia e circunda a propriedade, para notar que muito mudou na Quinta Nova. Desde logo, no que respeita ao edificado, principescamente restaurado, e albergando um dos melhores hotéis da região do Douro, inserido na prestigiada insígnia Relais & Châteaux. A propriedade, que era exclusivamente agrícola e vitícola até chegar às mãos de Luísa, combina agora uma imaculada adega topo de gama e uma unidade de turismo de luxo com 11 quartos (para a qual há um projeto de expansão, mas que, por enquanto, está no segredo dos Deuses) e um restaurante. Antes de chegarmos à casa senhorial que alberga o hotel, encontramos um conjunto de edifícios tradicionais com largas portas de madeira por onde, no passado, passavam as pipas de Vinho do Porto para os carros de bois. Hoje, esse espaço acolhe um wine bar lindíssimo, com os melhores copos disponíveis no mercado. Foi aí que tivemos a oportunidade de percorrer a prova vertical dos dois topos de gama batizados de Vinha Centenária.
Mas voltemos alguns anos atrás, regressando a 2007. Foi nesse início de verão que provei vários lotes dos primeiros vinhos DOC desta quinta, na altura quase todos da colheita de 2005. Provei-os numa adega bem diferente e mais modesta que a atual. Logo no início, após a separação da quinta da marca Burmester, quem começou na enologia foi Rui Cunha, apesar do pouco tempo disponível que as suas consultadorias lhe permitiam. Nesse ano de 2007, foi já Francisco Montenegro, enólogo da quinta até 2010, quem nos deu a provar o Grande Reserva 2005, um tinto magnífico com Touriga Nacional e alguma vinha velha, um vinho que, provado agora em vertical, continua em grande forma. Entretanto a área de vinha aumentou e, atualmente, já após replantações, a quinta tem uma mancha única de 85 hectares de vinha, toda ela tinta. Hoje, a produção ascende a 650 mil garrafas, grande parte centrada na gama premium, num posicionamento propositalmente alto e ambicioso, diz-nos Luísa Amorim.
Mudança e evolução são uma constante nos projetos chefiados por Luísa Amorim. Mas uma coisa mantém-se, ainda que se ajustando à passagem do tempo: os icónicos Vinha Centenária
As vinhas antigas
Aos comandos da enologia desde a colheita de 2011 e até março de 2025, tem estado Jorge Alves, que tem contado com a preciosa ajuda de Duarte Costa e Sónia Pereira. Como acima dissemos, muito, muito mesmo, mudou nesta magnifica propriedade da margem direita do Douro. Dir-se-ia até que mudança e evolução são uma constante nos projetos chefiados por Luísa Amorim. Mas uma coisa mantém-se, ainda que se ajustando à passagem do tempo: os icónicos Vinha Centenária.
Com efeito, se algo não mudou foram as vinhas mais antigas da propriedade que, sendo um património invulgar, foi preservado pelos cuidados da viticóloga Ana Mota, que conhece a propriedade e as vinhas como ninguém. Algumas dessas vinhas remontam da primeira plantação monovarietal na região do Douro, que resultou de um estudo realizado entre 1979 e 1981, em conjunto com o Ministério da Agricultura. À época, foram selecionadas três parcelas em patamares com as melhores exposições solares para a plantação de três grandes castas tradicionais, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. É, pois, desta iniciativa pioneira que nascem as duas referências ícones, primeiro denominadas de Grande Reserva e, desde a colheita de 2018, de Vinha Centenária. A primeira colheita foi em 2005 a partir de Touriga Nacional. A versão com base em Tinta Roriz surgiu em 2008. Existem outros topos de gama da propriedade – caso do Aeternus (homenagem familiar ao empresário Américo Amorim) e do Mirabilis – mas são os Vinha Centenária que continuam a ser o retrato do terroir que os viu nascer e acomodam, em si, a história da modernização do Douro e todo o passado da Quinta Nova.
Sucintamente, o Vinha Centenária Ref P29/P21 provém, como o nome indica, da Parcela 29 plantada com Touriga Nacional entre os 170 e os 205 metros de altitude, e da centenária Parcela 21. Já o Vinha Centenária Ref P28/P21 resulta da Parcela 28 plantada com Tinta Roriz entre os 205 e os 210 metros, e novamente a vinha centenária Parcela 21. As parcelas 29 e 28 são muito pequenas – 1,65 e 1,96 hectares, respetivamente – e a vinha velha, em co-plantação com Donzelinho Tinto, não ultrapassa os 3,5 hectares. Com produções médias entre 2500 e 2700kg por hectares não admira que no mercado não sejam lançadas mais do que 5000 garrafas de cada vinho. As uvas sempre foram 100% desengaçadas para ambos os vinhos, estagiando numa média de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Nota final para a enorme qualidade de ambos os vinhos na edição de 2021, comprovando a qualidade do ano (mais fresco que o habitual) e uma enologia cada vez mais de precisão e contenção.
Nota: O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico
Vertical: Quinta Nova Grande Reserva/Vinha Centenária Ref.ª P29/P21
18,5 A
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2005
Muito fruto negro e encarnado, sente-se o ano quente com notas de compota, profundo, floral maduro e tabaco doce. Cremoso em boca, alcaçuz, tanino vivo, firme, madeira harmoniosa. Dá grande prova, mas tem ainda alguns anos pela frente. (14%)
19 B
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2007
Aroma jovem e intenso, com muito brilho na cor. Revela no nariz muito fruto, negro e azul, barrica de qualidade, tudo ainda a evoluir bem. Muito intenso em boca, fruta em camadas, leve chocolate sedutor, termina capitoso e muito jovem. (15%)
18,5 A
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2008
Aroma plenamente silvestre com notas a floresta e chão de bosque, fruto azul, turfa. Sente-se a frescura do não em boca, floral aberto, fruto encarnado, mas já bastante redondo e sedutor, talvez no seu ponto ótimo para ser bebido. (14,5%)
19 A
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2012
Muito bem no aroma, latente, sério, ameixa fresca, urze, grande integração e equilíbrio. A prova de boca segue o mesmo perfil, saboroso e redondo, muito especiado e complexo. Ótima fase de consumo, está agora no seu melhor! (14%)
18,5 B
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2013
A cor e o aroma denotam juventude. Fechado e misterioso no nariz, levemente químico, abre para notas balsâmico e alcaçuz. Muito tanino em boca, intenso e espigado, cheio de garra, meio-corpo em boca, mas com alguma frescura e muitos anos pela frente. (14%)
18,5 A
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2015
Aroma jovem, com a barrica a sentir-se na frente, secundada por fruto maduro em camadas, floral aberto, grafite, e chocolate preto. Muito bem em boca, largo e lácteo, com muito sabor, longo. Vai continuar a evoluir, mas a dar já grande prova. (14%)
18,5 B
Quinta Nova Grande Reserva tinto 2017
Aroma fantástico, com muita fruta encarnada, barrica impecável, especiados vários, e perceção de frescura. Muito intenso em boca, tanino maduro robusto, granulado e longo, é um vinho de porte aristocrático com futuro pela frente. (14%)
18,5 B
Quinta Nova Vinha Centenária Ref.ª P29/P21 tinto 2018
Aroma muito bonito, com fruto azul (mirtilo e amora), perceção frescura, profundo e balsâmico. Muito sabor em boca, revela-se jovem e com garra, ligeiramente menos concentrado, com a Touriga Nacional a marcar o conjunto magnífico. (14,5%)
19 B
Quinta Nova Vinha Centenária Ref.ª P29/P21 tinto 2019
Muito bem no aroma, todo jovem e profundo, químico (tinta-da-china), fruto negro, leve grafite. Prova de boca com muito sabor e potência, intenso com notas de alcaçuz e alcatrão, termina já longo, apesar de ter muito para crescer. (14,5%)
18,5 B
Quinta Nova Vinha Centenária Ref.ª P29/P21 tinto 2020
Fechado aromaticamente nesta fase, abre para notas latentes de fruta e barrica, algumas notas de chá e bergamota. Prova de boca em linha, diálogo entre a fruta e a barrica, tudo num perfil jovem e enérgico. (14,5%)
(Artigo publicado na edição de Maio de 2025)
VINIPORTUGAL PROMOVE VINHOS DE PORTUGAL NO JAPÃO

Nos dias 21 e 22 de Junho, a ViniPortugal marcará presença no Pavilhão de Portugal na Expo Osaka 2025, com a representação de sete produtores de diferentes regiões vitivinícolas, nomeadamente: José Maria da Fonseca, Mainova, Quinta São Sebastião, Niepoort, Quinta Vale d’Aldeia, Sociedade dos Vinhos Borges e Soito Wines. Nestes dois dias de evento, cada […]
Nos dias 21 e 22 de Junho, a ViniPortugal marcará presença no Pavilhão de Portugal na Expo Osaka 2025, com a representação de sete produtores de diferentes regiões vitivinícolas, nomeadamente: José Maria da Fonseca, Mainova, Quinta São Sebastião, Niepoort, Quinta Vale d’Aldeia, Sociedade dos Vinhos Borges e Soito Wines.
Nestes dois dias de evento, cada produtor apresentará quatro referências de vinho, numa acção exclusiva que terá lugar na varanda exterior do Pavilhão de Portugal, que oferece uma vista panorâmica sobre o recinto da Expo. A iniciativa prevê atrair entre 80 a 100 visitantes por dia, entre profissionais do sector, curiosos e amantes de vinho, num contacto directo e sensorial com o que de melhor se produz em Portugal.
Já no dia 23 de Junho, a ViniPortugal organiza a Grande Prova Vinhos de Portugal em Tóquio, um evento profissional que reunirá cerca de 200 profissionais do sector e 100 consumidores num espaço de prova e networking.
A manhã será reservada a reuniões B2B entre produtores portugueses e importadores japoneses, promovendo novas oportunidades de exportação e entrada no mercado. O evento inclui ainda um Seminário Harmonizado conduzido pela prestigiada Sommelier Kazumi Inose, dirigido a 40 profissionais locais, impulsionando o conhecimento sobre os vinhos portugueses no Japão.
Para Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal, “A presença dos vinhos portugueses na Expo Osaka 2025 e a realização da Grande Prova em Tóquio são passos decisivos no reforço da marca Vinhos de Portugal neste mercado exigente e sofisticado. O Japão valoriza produtos com identidade, história e qualidade, características que definem os nossos vinhos. Estas acções representam uma oportunidade única para aproximar os produtores portugueses dos consumidores e profissionais japoneses, criando pontes duradouras para o futuro.”
Em 2024, o Japão representou mais de 7,9 milhões de euros em exportações de vinhos portugueses, o que correspondeu a 2 milhões de litros. Dada a sua relevância para os vinhos portugueses, este tipo de acções é fundamental ser explorada no mercado japonês dando a conhecer a qualidade e a diversidade do vinho nacional.
Já são conhecidos os vencedores do Concurso da Feira Vinhos & Sabores dos Altos em Alijó

Os três vinhos galardoados com o melhor vinho foram Vala da Barca 2022 de Maçanita Vinhos entre os vinhos brancos, Costureiro Garrafeira 2019 nos tintos e o Porto Vale da Tábua 50 Anos entre os vinhos fortificados. De um total de 92 vinhos em prova, o Júri de 10 elementos, composto por jornalistas especializados e […]
Os três vinhos galardoados com o melhor vinho foram Vala da Barca 2022 de Maçanita Vinhos entre os vinhos brancos, Costureiro Garrafeira 2019 nos tintos e o Porto Vale da Tábua 50 Anos entre os vinhos fortificados.
De um total de 92 vinhos em prova, o Júri de 10 elementos, composto por jornalistas especializados e representantes do comércio de retalho, sommeliers e restaurantes, apreciou brancos, tintos e vinhos fortificados, dividindo-se estes entre Moscatel do Douro e Portos.
Sendo este concurso parte integrante da feira Vinhos & Sabores dos Altos, organizada pelo Município de Alijó e com produção da Grandes Escolhas, em rigor da verdade nem todos os vinhos concorrentes traduzem com rigor a sua origem “nos altos”, referindo-se esta expressão aos que são produzidos no planalto de Alijó, uma vez que os limites do concelho vão muito para além do referido planalto e chegam às margens do Douro e Tua. De igual modo também foram admitidos na feira e no concurso outros “altos”, provenientes dos municípios vizinhos de Carrazeda de Ansíães, Murça e Vila Flor.
Apurados os resultados, foram atribuídos um total 26 medalhas entre ouro e prata, para além da eleição do melhor vinho em cada categoria.
Segue a lista de todos os vinhos premiados.
| Categoria Vinho BRANCO |
| Melhor Vinho | Vale da Barca 2022 | Maçanita Vinhos |
| Medalha de Ouro | Casttêdo Valley Oaked Reserva 2022 | Casttêdo Valley – Maria Luísa Seixas Pinto Marantes |
| Pormenor Reserva 2023 | Pormenor Vinhos | |
| Quinta de Martim 2019 | Casa Agrícola Águia de Moura | |
| Quinta do Noval Reserva 2023 | Quinta do Noval | |
| Soulmate Alvarinho Grande Reserva 2021 | Cortes do Tua Wines | |
| Medalha de Prata | Amarrotado 2023 | Amarrotado Wines |
| Costa Boal Chardonnay 2022 | Costa Boal Family Estates | |
| Família Silva Branco 2023 | Branco Wines Family | |
| Lugar da Corredoura 2021 | Casa do Piàska | |
| Má Vida 2022 | Carlos Rua | |
| Categoria Vinho TINTO | ||
| Melhor Vinho | Costureiro Garrafeira 2019 | Foz do Tua |
| Medalha de Ouro | Bardino 2021 | João M. Soares Pires |
| Costa Boal Homenagem Grande Reserva 2015 | Costa Boal Family Estates | |
| Pedigree 2019 | Branco Wines Family | |
| Pintas Character 2022 | Wine and Soul | |
| Submerso 2023 | Submerso Vinhos | |
| Medalha de Prata | Fonte da Perdiz Grande Reserva 2020 | Adega Cooperativa de Alijó |
| Lugar da Corredoura Touriga Nacional Reserva 2022 | Casa do Piàska | |
| Pandemic Wine 2020 | Carlos Rua | |
| Quinta de Santa Eugénia Grande Reserva 2020 | Soc. Agr. Quinta de Santa Eugénia | |
| Tactus 2020 | Vinhos de Favaios | |
| Categoria Vinhos Fortificados | ||
| Melhor Vinho | Vale do Tábua Porto 50 anos | Vale do Tábua |
| Medalha de Ouro | Adega de Favaios Moscatel Colheita 2000 | Adega de Favaios |
| Fragulho Tawny 10 anos | Casa dos Lagares | |
| Alijó Moscatel Reserva | Adega Cooperativa de Alijó | |
QUINTA DA MOSCADINHA: A Liturgia da Sidra

Situada na pequena vila da Camacha, famosa pelas suas tradições e folclore, esta quinta do século XIX recebe o seu nome actual em 2019, a partir do licor de ervas Moscadinha, receita familiar com origem no lado Norte da Ilha. Nos tempos antigos, este licor era muito utilizado pelas gentes da terra, pois acreditava-se ter […]
Situada na pequena vila da Camacha, famosa pelas suas tradições e folclore, esta quinta do século XIX recebe o seu nome actual em 2019, a partir do licor de ervas Moscadinha, receita familiar com origem no lado Norte da Ilha. Nos tempos antigos, este licor era muito utilizado pelas gentes da terra, pois acreditava-se ter propriedades medicinais por ser feito com mel de cana, sacarina, infusão de várias plantas locais e especiarias em rum agrícola.
Cinco séculos de sidra
A história da Sidra da Madeira remonta há cinco séculos, com as primeiras maçãs a serem introduzidas pelos colonizadores no século XV. A partir de então, as maçãs, pêros e pêras começaram a ser cultivados na ilha para alimentar a população e abastecer a indústria conserveira da época e, no século seguinte, decorreu a expansão de pomares por diversos pontos geográficos da ilha. A sidra era conhecida como a “bebida dos pobres”, que se fazia para consumir em casa, já que a produção das uvas era destinada, na sua totalidade, para as empresas produtoras e exportadoras do afamado Vinho Madeira.
A Universidade da Madeira está a fazer a classificação e identificação rigorosa das variedades locais de maçãs/pêros, mas o saber empírico de quem trabalha o campo diariamente aponta para mais de 100 tipos diferentes, dos quais mais de 30 já fazem parte do catálogo nacional de variedades. As diferenças morfológicas e/ou químicas devem-se aos diferentes tipos de solo encontrados na ilha, conferindo às maçãs/pêros locais duas características excepcionais para a produção de sidra: a acidez (que confere estrutura e longevidade) e a doçura (que contribui para um teor alcoólico mais elevado).
Na Quinta da Moscadinha produz-se sidra de forma artesanal e diferenciada da maioria das que existem no mercado, através de um processo muito semelhante ao do vinho. Em vez da uva existem maçãs/pêros, mas existe a fermentação e o envelhecimento em barricas de vinho Madeira. Original, no mínimo, certo?!
A história da Sidra da Madeira começa há cinco séculos, quando as primeiras maçãs foram introduzidas pelos colonizadores no século XV.
Nos últimos dois anos, a Moscadinha de Márcio Nóbrega passou de uma produção de duas mil garrafas para 35 mil.
Vinho, só de uvas
No entanto a história das sidras em Portugal nem sempre foi tranquila. Fora de Portugal, a sidra é um vinho de maçã, ou um “vinho de pêros”, mas, no nosso País, o vinho só se pode fazer de uva. A razão remonta ao Estado Novo. Entre 1950 e 1960 foi proibido fazer sidra entre nós. É que alguns agricultores começaram a usar maçãs para juntar ao vinho e dar volume ou a deitar as vinhas abaixo para a plantação de pomares. Para proteger o sector do vinho e o próprio vinho em si, António Salazar promove uma lei que proíbe a produção de sidra e começa a pagar aos agricultores para abater as árvores e plantar novas vinhas. Por Decreto, a bem da Nação, “Vinho só se pode fazer a partir de uvas Vitis vinifera”.
E assim se inicia o período de expansão do vinhedo português e o declínio da sidra. No entanto, a sidra sobreviveu e, mais recentemente, em virtude das suas especificidades tão únicas, a Sidra da Madeira foi qualificada como IG (Indicação Geográfica) pela Comunidade Europeia. Em breve prevê-se a sua evolução para outros patamares. É, de resto, a primeira Sidra IG Nacional, com características muito diversas e próprias.
Tranquilas ou fortificadas, as sidras possuem uma variedade de cores que podem ir do amarelo pálido ao caramelo brilhante, com laivos laranja. Têm aromas de maçãs verdes a maduras, marmelo e até citrinos, e baixas concentrações de açúcar residual devido a fermentações quase completas, que realçam a sua acidez e as características mais ou menos taninosas e adstringentes das múltiplas variedades de maçãs e pêros que as podem compor.
Reconhecimento internacional
Nos últimos dois anos, a Moscadinha de Márcio Nóbrega passou de uma produção de duas mil garrafas para 35 mil, e foi reconhecida internacionalmente com 14 medalhas e, inclusivamente, premiada no Cider World Awards 2024, o maior concurso mundial de Sidras, que decorreu na Alemanha, entre 180 produtores de 17 países. E é por tudo isto, juntamente com a história secular desta bebida, que remonta às civilizações do Antigo Egipto e da Grécia Clássica, que a Sidra da Madeira é, certamente, uma das mais entusiasmantes (re)descobertas dos próximos anos! Parabéns, Márcio! Brindemos!
(Artigo publicado na edição de Maio de 2025)


























