Concurso Escolha da Imprensa 2026 – Abertas as inscrições

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características: – Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia. – Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS […]
A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características:
– Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia.
– Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS | VINHOS & SABORES, a decorrer na FIL, Parque das Nações, de 17 a 19 de Outubro, com atribuição dos respectivos Diplomas aos vencedores
– Divulgação pública dos resultados no site, na revista Grandes Escolhas e nas redes sociais.
Conheça o regulamento e faça a sua inscrição AQUI
Última hora: Trafaria (Com) Prova

AVISO: a realização do evento “Trafaria (Com) Prova 2026” foi suspensa na sequência do decretamento, pela Presidente da Câmara Municipal de Almada, da situação de alerta no município motivada pela falta de abastecimento de água no concelho. ******** Trafaria (com) Prova está de regresso para três dias de festa com degustação de vinhos e […]
AVISO: a realização do evento “Trafaria (Com) Prova 2026” foi suspensa na sequência do decretamento, pela Presidente da Câmara Municipal de Almada, da situação de alerta no município motivada pela falta de abastecimento de água no concelho.
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Trafaria (com) Prova está de regresso para três dias de festa com degustação de vinhos e petiscos, provas de vinho comentadas, visitas guiadas ao centro histórico e animação de rua no passeio ribeirinho da Trafaria.
10,11 e 12 de Julho – Entrada livre com opção de compra de copo de degustação por 5€
Exposição e degustação de vinhos | degustação de tapas e petiscos | espaço cultural e exposições | animação de rua | DJ
Com a presença de empresas produtoras de vinhos representativas do melhor da produção nacional e de restaurantes locais, com oferta de pequenos pratos de petiscos, de acordo com o receituário habitual da casa.
Provas comentadas e gratuitas (mediante inscrição) por críticos da revista Grandes Escolhas.
ETHOS WINES: De Homero, de Aristóteles, de Heidegger e da Beira Interior

Sendo eu Jurista de formação, as Humanidades e a Filosofia sempre fizeram parte do meu currículo e aprendizagem. Para escrever sobre o Ethos fui matar saudades e rever os meus velhos livros de liceu e de curso, e, só por isso, já valeu a pena escrever este artigo. Encontrada pela primeira vez em Homero (928 […]
Sendo eu Jurista de formação, as Humanidades e a Filosofia sempre fizeram parte do meu currículo e aprendizagem. Para escrever sobre o Ethos fui matar saudades e rever os meus velhos livros de liceu e de curso, e, só por isso, já valeu a pena escrever este artigo. Encontrada pela primeira vez em Homero (928 – 898 a.C.), a palavra do grego ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. Séculos mais tarde Martin Heidegger (1958) recupera e aprofunda os ensinamentos de Homero, defendendo que o ethos é o campo aberto da morada do homem, onde o Dasein (o ser humano) se relaciona com o Ser.
A célebre frase de Heidegger “a linguagem é a casa do Ser” completa o sentido de ethos. O homem mora habitando essa casa através do pensamento e da poesia… e não houve alguém que disse um dia que “um bom vinho é poesia engarrafada”?
Muito resumidamente, no pensamento de Heidegger, o ethos é a dimensão existencial e poética em que o ser humano habita e protege o Ser, situando-se autenticamente no mundo. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído.
Para os filósofos gregos, especialmente Aristóteles, o ethos está diretamente relacionado ao nosso modo de ser, enquanto na cultura romana, a ideia de moral vem de moralis, que significa costume. Desta maneira, ethos é o nosso carácter e moral é um conjunto de normas de convivência que regulam o nosso comportamento. A partir da ideia de ethos estabelece-se a base da ideia de ética, ou seja, a reflexão sobre o nosso modo de vida. Enquanto a moral tem uma dimensão normativa e se baseia num conjunto de regras concretas, a ética é uma avaliação ou reflexão sobre as questões morais.
Na cultura grega, o ethos individual pode ser forjado com disciplina, já que vamos formando um ethos com os nossos hábitos. Em compensação, a ideia de phatos refere-se à paixão e à emoção; por outro lado, o termo logos faz referência à ideia de razão e linguagem.
Para Aristóteles, os três elementos intervêm na comunicação, a célebre retórica aristotélica, concebida como aperfeiçoamento da tese platónica de que a simples exposição ao conhecimento seria suficiente para conquistar uma audiência. Em discordância com o seu mentor Platão, Aristóteles acreditava que a retórica seria fundamental para conquistar o público.
É, pois, deste modo, que surgem o ethos, o pathos e o logos como meios de potenciar a capacidade de persuasão de um público. O primeiro refere-se à capacidade de o atingir, com base na ética, integridade e credibilidade do orador; o segundo alude à capacidade de apelar às emoções e à criação de empatia entre o orador e a audiência; e o terceiro sugere a utilização de argumentos racionais, de evidências e do raciocínio lógico.
Assim, muito resumidamente, transmitimos ideias com o nosso modo de ser, enquanto através do pathos individual expressamos emoções, e tudo está articulado pela razão e pela linguagem.
Família e herança
Da mesma forma, numa obra de arte, podemos encontrar um ethos, um pathos e um logos, isto é, uma personalidade, uma emoção e uma linguagem. É precisamente o que encontramos nos vinhos Ethos, da Beira Interior. A Ethos Wines é sobre vinho, mas também é sobre família, herança e sobrevivência nesta região selvagem e remota do centro de Portugal. Desde 2018, que Tiago Mendonça cultiva 12 hectares de vinha no concelho da Guarda, pertencente à região vitivinícola da Beira Interior.
Este é mais do que um projecto para Tiago Mendonça. É um verdadeiro trabalho de paixão e tradição. Tem raízes familiares profundas que o ligam a esta terra, pois os pais eram naturais da região. As férias de infância eram passadas com a família materna, na Quinta de São Lourenço, inserida no magnífico Vale do Mondego, dentro do Parque Natural da Serra da Estrela, na região da Guarda. Hoje, é frequentemente acompanhado pelo seu filho mais novo, Francisco Mendonça, que tem um gosto especial por trabalhar ao lado do pai.
As vinhas da Ethos Wines estão plantadas numa encosta voltada a nascente, com solos graníticos pobres, a uma altitude entre os 480 e os 520 metros. A vida das videiras aqui é exigente, com grandes amplitudes térmicas diurnas e níveis elevados de precipitação. Mais de 70% das vinhas têm mais de 60 anos, tendo algumas sido replantadas em 2012; e cerca de 50% está em co-plantação de castas tradicionais, a par com o decurso do trabalho de identificação das várias variedades presentes.
As castas são as tradicionais da região. Nos brancos encontramos Síria, Arinto, Tamarez, Malvasia Fina, Gouveio, Cerceal e Ferral. Nos tintos destacam-se a Rufete, a Mourisco, a Jaen, a Baga, a Trincadeira, entre outras. A viticultura está nas mãos do agrónomo Carlos Veiga, enquanto na adega, a enologia é acompanhada pela enóloga Mariana Salvador, cuja missão é interpretar as uvas de forma a reflectirem verdadeiramente a identidade da Beira Interior. A função de Mariana Salvador consiste em equilibrar o acompanhamento rigoroso da vinificação e do estágio. As leveduras são indígenas e os níveis de sulfuroso são mantidos no mínimo indispensável.
As vinhas estão certificadas em modo biológico desde 2020. A certificação biológica dos vinhos está prevista a partir da colheita de 2025. O trabalho na vinha e na adega é o que dá origem aos brancos minerais intensos e frescos, bem como aos tintos elegantes, gastronómicos e com excelente capacidade de envelhecimento.
Mas Ethos não é só vinho, também é azeite. Há mais de 20 anos que a família é proprietária de um lagar onde são produzidos alguns dos melhores azeites não só da região, mas do mundo, tal como comprovam os múltiplos e variadíssimos prémios obtidos. As azeitonas são colhidas de oliveiras com idades até 100 anos, incluindo variedades locais.
As vinhas estão plantadas numa encosta voltada a nascente, com solos graníticos pobres e mais de 70% ultrapassam os 60 anos
Acima de tudo, o projeto Ethos assenta num profundo respeito pela tradição e pelo terroir. A equipa demonstra-o e disso mesmo nos deu conta – uma determinação firme em revelar o potencial da Beira Interior, uma pequena região emergente que tem vindo a conquistar cada vez mais reconhecimento através da produção de vinhos distintivos e de azeite de classe mundial.
E Ethos é igualmente arte… por fora. O rótulo do Ethos Rufete tinto 2023 e do Ethos Vinho de Parcela tinto 2023 comprova este preâmbulo, através da assinatura de Ana Malta, artista plástica com formação académica em pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e um mestrado em Gestão de Indústrias Criativas pela Universidade Católica do Porto. Ambos os rótulos denotam a prática artística associada à estética, onde as cores e os padrões se cruzam com contrastes e a inquietante expressão visual da artista. Personalidade, emoção, linguagem. Ethos, pathos, logos. Beira Interior, Tiago Mendonça, Ethos Wines.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
SYMINGTON FAMILY ESTATES: 2024, a declaração de um clássico

Havia um sereno júbilo no segundo andar do prédio onde fica o Matriarca, o elegante restaurante, bar de vinhos e academia de vinhos pertencente ao grupo Symington, com localização privilegiada na Praça Carlos Alberto, no Porto. A mesa de provas preparada, as garrafas em exposição. Ao fundo, quatro membros da família, Rupert e Charles, da […]
Havia um sereno júbilo no segundo andar do prédio onde fica o Matriarca, o elegante restaurante, bar de vinhos e academia de vinhos pertencente ao grupo Symington, com localização privilegiada na Praça Carlos Alberto, no Porto. A mesa de provas preparada, as garrafas em exposição. Ao fundo, quatro membros da família, Rupert e Charles, da geração actualmente à frente da empresa, ladeados por Harry e Anthony, a geração seguinte, pacatamente a preparar-se para a sua vez. O júbilo resultava da ocasião de apresentar os Portos Vintage de 2024, ano que vai ser de festiva declaração generalizada. Um grande clássico para Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio, bem como o Graham’s The Stone Terraces, o Capela da Quinta do Vesúvio e o Quinta de Roriz. Os Symington vão lançar todas as suas pérolas, desde as marcas clássicas, cujo terroir é o lote, assim se tem descrito, às novas marcas mais focadas no lugar, a definição mais usual de terroir.
O júbilo era ainda reforçado pela raridade da ocasião, já que a última declaração clássica generalizada tinha sido a vindima de 2017. São sete anos de diferença, o que se, por um lado perturba os financeiros da empresa, por outro descansa os clientes e admiradores. Afinal, a família Symington demonstra que não há cedências quando está em jogo o desejo de qualidade irrepreensível face à exigência estabelecida nestes vinhos, que representam o pináculo do vinho português e capturam a admiração dos winelovers do mundo.
Desde 2017, muito quente e de vindima precoce, não havia, no Douro, um ano agrícola tão perfeito para fazer Porto Vintage. Se pensarmos no período de tempo entre 2018 a 2023, encontramos sempre vinhos excepcionais, tintos, brancos e mesmo vinhos do Porto. Mas foram anos com “chuvas inconstantes e ciclos de crescimento desafiantes”, segundo os responsáveis da Symington. Temos de nos lembrar de que um Vintage clássico tem como perspectiva o consumo de muitas décadas. E, por que não, um século? Já lá vamos.
Mudanças e legado
Mesmo assim, e o enólogo principal Charles Symington não deixou de o enfatizar, os vintages mais recentes podem ser apreciados logo desde o lançamento para o mercado. Há boas razões para isso, entre a qualidade das aguardentes, as plantações de novas castas com ciclo vegetativo compatível com as alterações climáticas, o envelhecimento das vinhas, que também se vão adaptando aos sítios, e a enologia, que acumula cada vez mais sabedoria sobre os ingredientes e o processo para fazer um grande vinho, abordável desde o cedo. Um exemplo dos pormenores que contam: até o transporte das uvas melhorou muito. Charles Symington ainda se lembrava dos cestos de 60-70 kg, hoje uma longínqua memória. Também todas as quintas disporem de pequenas adegas ajuda ao processamento imediato das uvas, em vez de longas jornadas em camião. Hoje, “todos os vinhos têm um estilo mais polido”.
Entre os presentes, comentava-se também que a nossa idade já não nos permitirá a todos esperar as décadas que esses grandes vinhos mereceriam. A antiga regra de beber os vinhos comprados pelos nossos pais, enquanto compramos os vinhos para os nossos filhos, nem sempre foi aplicada a tempo. Por isso, bebamos estes jovens infantes, debiquemos os outros que tivemos a lucidez de comprar há uns anos. Contudo, não nos esqueçamos dos nossos filhos, que um grande Vintage na sua idade madura é um prazer raro que temos obrigação de lhes legar.
Para desfrutar ou guardar
Vamos aos 24’s. O ano agrícola teve uma perfeição cintilante. Foi um ano “à moda antiga.” Muita chuva no Inverno, o que é logo um bom começo. A saturação dos solos em Novembro foi a mais precoce já registada e durou até fim de Março, a mais tardia já registada. Todas as fases de desenvolvimento das uvas vieram na altura normal, o que, nos últimos anos, tem sido completamente anormal. Abrolhamento em Março, floração em Maio, tudo normal. Abril seco poupou as vinhas ao míldio, Maio e Junho com chuva média, o que manteve a vinha sem problemas. Julho foi quente, mas sem extremos. Agosto teve máximas nos 31, 32 ºC, mínimas nos 19 ºC, uma boa amplitude térmica que permite a maturação das uvas e boa preservação dos ácidos, essenciais para obter vinhos elegantes, equilibrados, com muita pureza de fruta. Setembro teve máximas inferiores a 30 ºC e mínimas nos 12 ºC, e as vindimas começaram no dia 4, com Sousão, Alicante Bouschet e vinha velha. A Touriga Nacional começou a ser colhida a 16 de Setembro, uma data típica, mas há anos que não se via. Era preciso colher mais cedo. A cereja no topo do bolo, segundo Charles Symington, foi a Touriga Franca, a casta decisiva para definir um grande ano. Uvas de grande qualidade asseguraram, assim, este Vintage que espalha sorrisos entre os provadores. Algumas pingas de água já no fim da vindima não tiveram influência, e as temperaturas foram perfeitas para as fermentações: nunca foi preciso aquecer os lagares no princípio, nem arrefecer no fim. Todos os vinhos foram fermentados em lagares, com o uso da pisa a pé tradicional na Quinta do Vesúvio; nas outras há lagares robóticos.
Cada vinho tem origem em quintas específicas tradicionalmente usadas para cada marca. São todas pertencentes ao grupo ou propriedade pessoal de membros da família. As combinações de origens e castas usadas em cada vinho também são específicas, além de que procuram preservar o estilo histórico e identidade própria.
A qualidade geral dos vintages de 2024 é fantástica, é realmente um ano fabuloso, para desfrutar já em jovem ou para guardar e envelhecer muitos anos. Justifica-se comprar caixas e acompanhar a evolução destas pérolas. É também incrível a distinção e variedade dos oito vinhos provados. Cada apreciador terá o seu favorito. Vale muito a pena procurar provar todos e escolher por si próprio. Dentro da minha experiência com cada uma destas marcas, em jovem e ao longo do tempo, vejo nuances que são específicas deste ano de 2024, que vai certamente ficar para fazer história.
O almoço não terminaria sem uma mousse de chocolate exemplar, que serviu de pista de aterragem para um mimo, o Dow’s Porto Vintage de 1924, jóia trazida das caves históricas da família. Termino com a sua descrição: cor âmbar translúcida. Nariz com a fruta muito escondida, notas minerais e vegetais; tudo é encantamento e sedução, num foco tawny-não-tawny. Fumo, caramelo, especiarias, chá, tabaco. A boca complementa a perfeição. Cognac, suave calor da madeira, taninos muito resolvidos, doçura suave e cintilante, acidez a dar frescura, final infinito e cheio de nuances. Um vinho inesquecível, sem nota. É para momentos como este que compramos Porto Vintage.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
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Capela da Quinta do Vesúvio
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta do Vesúvio
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Cockburn’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta de Roriz
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Graham’s The Stone Terraces
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Graham’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Dow’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Warre’s
Fortificado/ Licoroso - 2024
QUINTA DA VACARIA: Na margem certa do Douro

A eterna discussão entre a margem esquerda e a direita de Bordéus, que apaixona enófilos por este mundo fora, e sobre qual nelas se produzem os melhores vinhos, não tem grande paralelo no Douro. Na margem esquerda do rio Garonne e do Estuário de Gironde, o solo é rico em cascalho e os vinhos são […]
A eterna discussão entre a margem esquerda e a direita de Bordéus, que apaixona enófilos por este mundo fora, e sobre qual nelas se produzem os melhores vinhos, não tem grande paralelo no Douro. Na margem esquerda do rio Garonne e do Estuário de Gironde, o solo é rico em cascalho e os vinhos são mais austeros, estruturados e potentes, com grande capacidade de guarda; são elaborados a partir da casta predominante, a Cabernet Sauvignon, logo seguida pela Merlot, sendo as principais apelações Margaux, Pauillac, Saint-Julien, Saint-Estèphe entre outras. Na Margem Direita, por seu turno, os solos são predominantemente argilo-calcários. Ali produzem-se vinhos mais macios, frutados e sedosos, talvez mais sedutores e fáceis de beber quando jovens, com a predominância das castas Merlot e Cabernet Franc. Saint-Émilion e Pomerol são, neste caso, as cabeças de cartaz.
Já a escolha entre a margem direita (Norte) e a margem esquerda (Sul) do Douro depende mais do objectivo a que nos propomos, do que propriamente por ter uma influência directa nos vinhos produzidos. Por outras palavras, a margem direita, com mais sol, é tradicionalmente mais vinícola e turística, enquanto a esquerda oferece paisagens mais rurais, históricas e íngremes. No entanto, ambas são verdadeiramente deslumbrantes.
Geralmente mais ensolarada, a margem direita, alberga muitas das quintas mais famosas da região e a zona histórica de Peso da Régua; é onde o Sol incide com mais intensidade durante o dia, factor ideal para a maturação das uvas. Além disso, é ainda marcada por afluentes importantes, como o Corgo, o Tua e o Sabor. Já a margem esquerda oferece vistas incríveis sobre a margem direita e áreas rurais muito cénicas, com declives acentuados em xisto.
À direita do rio
A Quinta da Vacaria está situada na margem direita do Rio Douro. Localizada no coração do Baixo Corgo, próximo de Peso da Régua, a propriedade estende-se na confluência dos rios Corgo e Douro e apresenta altitudes que variam entre os 50 e os 300 metros. Beneficia de um clima ameno, favorável para o desenvolvimento gradual e maturação da uva, de um solo inclinado, difícil e agreste, repleto de pedras lascadas em consequência da degradação do xisto. A parte vegetativa da videira tira partido desta rocha xistosa, já que o subsolo é permeável, permitindo que as raízes das videiras consigam encontrar, a uma grande profundidade, os nutrientes e a humidade essenciais ao vigor e à produtividade da planta. Com 42 hectares, é constituída por inúmeras parcelas de vinha. Há duas muito antigas na Vinha do Corgo e do Vale Bastardo. Ainda sobre a primeira e nas encostas suaves, estão as novas vinhas instaladas em fileiras verticais sob a técnica de “vinha ao alto”, enquanto nas encostas mais íngremes, a implantação das videiras foi feita de acordo com a técnica do chamado novo modelo de socalco. Junto à nova adega, optou-se pelo modelo de patamares estreitos de 1,5 metros, no seguimento de uma viticultura sustentável.
Planear a viticultura para o futuro é um dos objectivos traçados pela equipa desta casa, daí a necessidade de se implementar uma estratégia de reconversão do encepamento, no sentido de se seleccionar castas mais resistentes à seca e/ou às doenças resultantes das actuais condições climáticas. A viticultura sustentável regida pelas boas práticas agrícolas e em prol do ecossistema, por forma a se atingir a harmonia entre produção e território.
Quanto à enologia, esta arte está sob a responsabilidade de Jean-Hugues Gros, francês radicado no Douro desde 1999 e que dispensa apresentações, e de João Menezes. Ambos assumem o objectivo de consolidar um projecto que quer elevar o reconhecimento do Douro enquanto região vitivinícola, através das melhores práticas agrícolas e de vinificação, tendo como inspiração a diversidade deste vetusto terroir.
Mais de 400 anos de história
A Quinta da Vacaria colocou no mercado os primeiros tintos da colheita de 2022, com destaque para o Reserva tinto, com 18 mil garrafas e grandes formatos até 27 litros, e o Touriga Nacional, com 2500 garrafas e formatos de até aos cinco litros. Num ano vitivinícola marcado por temperaturas elevadas no Douro, a colheita de 2022 resultou em vinhos de “maior concentração de fruta”, mantendo “elegância, frescura e equilíbrio”, explica Miguel Esteves, gestor de negócio da Quinta da Vacaria. “São tintos que revelam intensidade com precisão e tensão, refletindo uma leitura contemporânea da região”, acrescenta. As restantes referências da colheita 2022, deverão chegar ao mercado em breve, reforçando o portefólio da Quinta da Vacaria no segmento premium, assente na “autenticidade, tipicidade e expressão fiel do Douro”.
Sobre a história da Quinta da Vacaria, aquela tem sido contada a partir de 1616, ano em que foi incorporada no património da Companhia de Jesus, por intermédio de D. Frei Luís Álvares de Távora, que mandou erigir uma casa com cinco salas, no piso superior, e três lagares e duas adegas, no térreo. Cerca de 150 anos depois, por volta de 1760, a memória descritiva da propriedade revela a existência de vinhas, oliveiras, montes, ribeiras, azenhas, uma casa e adega, lagares de vinho e azeite, cardanho para os trabalhadores e, próximo deste, uma capela da invocação de Nossa Senhora do Bom Sucesso, com retábulo dourado. O património edificado era complementado por um armazém de sal e casas de recolha dos barqueiros.
Volvidos mais de quatro séculos desde o início da história contada sobre a propriedade, decorre a abertura da unidade hoteleira Torel Quinta da Vacaria, em 2024, marco importante nesta narrativa, tornando este um local de referência, não apenas para a produção de vinhos, mas também para a hospitalidade e o turismo de excelência na região do Douro, com a mais-valia de o restaurante de fine dining, o Schistó, ao comando do Chef Vítor Matos, ter sido distinguido com uma estrela Michelin na edição 2026 do Guia Michelin Portugal.
Em suma, a Quinta da Vacaria é mais do que uma propriedade, é um símbolo de permanência no coração da mais antiga região demarcada do mundo. A qualidade excepcional e o reconhecimento no universo vitivinícola não acontecem da noite para o dia, exigem séculos de aprimoramento. Afinal, “produzir vinho é relativamente simples, só os primeiros 200 anos são difíceis” foi a frase mais célebre da Baronesa Philippine de Rothschild. Pois na Vacaria já lá moram mais de 400 anos!
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
POÇAS: Da história se faz o vinho

Em tempos idos, quando os barcos Rabelo, carregados de pipas com vinho, desciam o rio que empresta o nome à região, o sável, abundante, subia o Douro, para ali desovar. A necessidade de se alimentar fez do tanoeiro pescador e cozinheiro. Já depois de amanhado e limpo, dispunha o peixe migratório, proveniente do mar, numa […]
Em tempos idos, quando os barcos Rabelo, carregados de pipas com vinho, desciam o rio que empresta o nome à região, o sável, abundante, subia o Douro, para ali desovar. A necessidade de se alimentar fez do tanoeiro pescador e cozinheiro. Já depois de amanhado e limpo, dispunha o peixe migratório, proveniente do mar, numa grelha de arames antecipadamente atravessada no interior de uma barrica de carvalho sem fundo e suspensa em quatro pés, para deixar o ar entrar e onde colocava o serrim, para defumar o sável.
Inspirada nesta história, a Poças tem vindo a desenvolver um trabalho muito interessante no tocante à recuperação da tradição de fumar o sável em barricas de Vinho do Porto. “Antigamente, o processo era muito mais moroso porque o rio era completamente diferente, não havia barragens e, por isso, faziam várias viagens. Era uma altura de muita dificuldade e aproveitavam exatamente esse momento, já que estavam no barco, para tentar a sua sorte e ir pescar, e assim que apanhavam esses peixes para comer, era também uma forma de os preservar, para poder levar para casa no final da viagem e alimentar as suas famílias. Atualmente a receita mudou um pouco. Nós fizemos a nossa interpretação e, hoje, vamos ver o resultado”, conta o enólogo André Barbosa. Trata-se do “Sável à Poças”, que, para além da importância histórica, também assume uma excecional importância social e económica pela variedade e relevo das atividades que lhe estão ligadas.
Vinhos Fora da Série
Da preparação do sável, nasce o rosé Fora da Série Cold Smoke 2025, como nos explica o enólogo: “Cold Smoke pretende expressar uma fumagem a frio, ou seja, depois de uma muito leve prensagem das uvas, o líquido resultante vai para umas cubas isotérmicas, onde faz uma estabilização a frio por mais de 11 dias, o que ajuda a concentrar aromas. Após esse período, ainda com uma temperatura muito baixa (cerca de 5 ºC, entra nas barricas de carvalho francês, acácia e cerejeira, onde a temperatura sobe gradualmente até ao ponto de ser inoculado para fermentação. Este processo faz com que o mosto receba os aromas da tosta ainda a frio (cold smoke), que é muito semelhante à fumagem do sável a frio, sem brasa. Desta forma, os aromas ficam mais concentrados no mosto, mais delicados e bem integrados. Fermenta e estagia nessas barricas por seis meses.”
A utilização de barricas de carvalho francês, feitas a partir de cerejeira e acácia, complexificou ainda mais o conjunto deste rosé, uma das estrelas do almoço. Agora, faz parte dos mais de 20 exemplares da gama Fora da série, uma espécie de “jardim da criatividade do enólogo”, que tem carta branca para lançar vinhos diferenciados, edições especiais, experiências, por vezes, únicas e, noutros casos, que vieram para ficar, como, pensamos, virá a ser o caso deste rosé ou do Vinho da Roga, entre outros, entretanto repetidos.
A gama Fora da Série está assente em três pilares: alterações climáticas, sustentabilidade e o cliente final. André Barbosa explica: “por um lado, as alterações do clima, a falta de água, a incerteza que hoje temos (parece que nem temos estações do ano), afetam a maturação das uvas e, por consequência, o perfil dos vinhos; por outro lado, é muito importante sermos uma empresa mais sustentável e, finalmente, o consumidor que, hoje, procura vinhos mais versáteis (para diferentes tipos de harmonização), com menos teor alcoólico, mais complexos e com personalidade. A gama Fora da Série tenta abranger todos estes temas”.
Valorizar o produto local
O que mais impressiona no trabalho de André Barbosa é a mesma consistência que aplica nos Colheita, nos Reserva e nos Grande Reserva da casa, bem como na criação de vinhos diferenciadores, expressões de grande personalidade da referida gama Fora da Série. No total, são produzidas entre 1.5 a 1.8 milhões de garrafas de vinhos do Porto e DOC Douro num universo constituído por três propriedades vinhateiras, uma em cada uma das sub-regiões do Douro. Trata-se da Quinta das Quartas, localizada no Baixo Corgo, que passou a integrar o património da Poças em 1932 e onde se encontra localizado o centro de vinificação, bem como o primeiro armazém de envelhecimento; da Quinta de Vale de Cavalos, em Numão, no Douro Superior, adquirida em 1987; e da Quinta de Santa Bárbara, em Ervedosa do Douro, no Cima Corgo, adquirida nos anos 90 do século XX.
“Vale de Cavalos é onde temos maior altitude e solos de transição de xisto para granito; Santa Bárbara é a zona mais quente, com vinha velha, onde vou buscar concentração e estrutura; a Quinta das Quartas tem mostrado um perfil muito elegante e equilibrado, sempre com uma frescura incrível onde vou buscar o ingrediente secreto para equilibrar alguns lotes. Esta diversidade, esta multiplicidade de terroirs permite-nos ter o portefólio que temos atualmente, incluindo os Fora da Série. O projeto vive muito da interpretação de vários locais do Douro”, remata André Barbosa.
Em curso está a implementação da vertente de enoturismo na Quinta das Quartas, com o objetivo de levar as pessoas ao Douro. “Esta abertura ao turismo na Quinta das Quartas também passa por valorizar mais os produtos da própria região, ou seja, olhar para o território e não apenas para o vinho. O Douro produz azeite – que já deu um salto enorme, mas também tem amêndoas, tem laranjas, tem figos. Enfim, transmitir um pouco dessa história e achamos que será mais fácil fazê-lo lá, pois quem vai ao Douro, também já vai mais com essa abertura”, salienta Pedro Pintão, presidente do Conselho de Administração da Poças e um dos quatro primos à frente desta empresa secular e familiar, que já se faz representar pela quarta geração.
À mesa tivemos oportunidade de provar um desses exemplos, o azeite de bordadura Fora da Série, feito a partir de azeitona apanhada no olival tradicional que rodeia a vinha. Foram ainda apresentadas as novas colheitas do Poças Reserva branco 2025 e do Poças Branco da Ribeira 2024, que, juntamente com o rosé, acompanharam na perfeição o delicioso menu preparado pelo chef Pedro Braga, do restaurante Mito, no Porto. A refeição fechou em grande com o Poças Vintage 2024, um Vinho do Porto de grande nível, para celebrar os 100 anos do lagar da Quinta das Quartas. Que bela experiência!
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
DUORUM: Tributo à “família” de vinhos

Foi com a vindima de 2025 que se inaugurou a nova adega da empresa, situada em Foz Côa. Até então, as uvas eram vinificadas em adega alugada, em Ervedosa. São muitas as vantagens: maior proximidade em relação à Quinta de Castelo Melhor, o epicentro do projeto, mais disponibilidade de mão-de-obra, que não está sujeita a […]
Foi com a vindima de 2025 que se inaugurou a nova adega da empresa, situada em Foz Côa. Até então, as uvas eram vinificadas em adega alugada, em Ervedosa. São muitas as vantagens: maior proximidade em relação à Quinta de Castelo Melhor, o epicentro do projeto, mais disponibilidade de mão-de-obra, que não está sujeita a deslocações, com a poupança que daí advém, e painéis solares e ETAR de última geração, com a reciclagem monitorizada por TV. Nesta adega recebem ainda as uvas que compram para a marca Tons de Duorum.
Com espaço para crescer se necessário e com boas vias de acesso, a adega é funcional, cumprindo todos os requisitos, à excepção do engarrafamento, assunto sempre melindroso para João Portugal Ramos, que não entende a proibição de se fazer os engarrafamentos em Estremoz, onde a empresa tem todas as condições para efectuar esta tarefa. São as regras da Denominação de Origem. O enoturismo, a desenvolver, será na Quinta de Castelo Melhor, com apiário e onde as preocupações ambientais são uma constante, ou não houvesse o registo de um grande aumento das espécies locais, “mais do dobro do que quando começámos”, relembra João Portugal Ramos. A actividade turística poderá incluir mesmo alguns quartos bem perto do rio Douro, junto à antiga linha de comboio.
Mudanças no perfil
É na marca Duorum Colheita que mais se aposta. Esta já representa cerca de 200 000 garrafas, enquanto a Tons anda pelas 600 000. A finalidade é ir invertendo gradualmente estes números, com o intuito de crescer no Colheita. O tinto Reserva representa cerca de 15 000 garrafas e o topo de gama O. Leucura fica-se pelas 3000. O portefólio inclui igualmente as marcas Altitude, Vinha dos Muros e Vinha das Abelhas. Mas o filho, João Maria Ramos não quer alargar mais, porque “na distribuição é muito complicado estar sempre a inovar, não se consegue criar marca dessa forma”.
Aos comandos da enologia, João Perry Vidal reconhece que muito mudou desde o início do projecto – cresceram em importância algumas castas, como a Alicante Bouschet e a Sousão, e mudou-se um pouco o perfil dos tintos, apontando para vindimas mais antecipadas (alguma já mecânica), mais maceração pré-fermentativa, por forma a obter mais elegância e menos álcool. Reconhece que “nos Reserva e nos vinhos especiais poderá haver mais maceração, para maior extracção de taninos”.
Por outro lado, “ainda não nasceu o nosso grande branco, mas estamos a trabalhar no assunto. Aqui na zona há boas vinhas velhas e muita gente quer nos fornecer uvas”. Entretanto, foi descartado a Viosinho que, por aqui, não dava grande resultado, tal como a Verdelho. As duas variedades são adquiridas agora na sub-região do Cima Corgo. Códega do Larinho? “Também temos”, diz-nos, “mas ainda não nos convenceu totalmente. A aposta é sobretudo em Arinto, Rabigato e Gouveio. Depois há as castas de tempero”, acrescenta.
O tinto O. Leucura é muito atractivo para consumidores brasileiros, que o adquirem na loja do aeroporto
Boas novas no portefólio
Dos vinhos provados de novo e, dos que foram revisitados, há notas a tomar. Nas novidades há que dizer que sobre o Reserva tinto se fizeram 14 666 garrafas. É um tinto que tem origem em uvas de vinhas velhas, algumas com 50 anos; após a fermentação e 18 dias de cuvaison, estagia em barrica (70% nova).
O ex-libris da empresa, O. Leucura, apenas foi editado em anos especiais – 2008, 2011, 2012, 2015 e agora 2017. Segundo o produtor, há três colheitas em cave à espera de decisão, sendo que há a vontade de repetir este intervalo de espera entre a colheita e o lançamento, tal como se fez nesta edição. Comparando com as anteriores, percebe-se que o objectivo é fazer um tinto com uvas colhidas mais cedo, menos macerado na fermentação, mais elegante e fino, seguindo as tendências do gosto. Curiosamente é um tinto bem aceite, sobretudo no mercado interno e por consumidores brasileiros, que o adquirem na loja do aeroporto.
No próximo ano, em jeito de comemoração dos 20 anos do projecto, tenciona lançar um Porto Colheita 2007, entrando, deste modo, no “universo tawny” de que estavam arredados até agora.
Já ao almoço revisitaram-se vários vinhos: Duorum 2012 em magnum, Vinho dos Muros brancos 2023 e 2024. No final, o Porto Vintage 2011 (para mim um dos grandes vintages dessa declaração clássica) foi servido em magnum e mostrou-se perfeito na concentração e no perfil denso, muito especiado, com anos e anos pela frente.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
Feira dos Vinhos & Sabores dos Altos – Quais foram os vinhos e azeites premiados?

Estão apurados os galardoados do Concurso de Vinhos dos Altos e do Concurso de Azeites da Feira dos Vinhos & Sabores dos Altos, iniciativa da Câmara Municipal de Alijó. O evento que teve lugar nos dias 19 e 21 de junho, no Parque da Vila de Alijó, no Alto Douro Vinhateiro, recebeu cerca de 5000 […]
Estão apurados os galardoados do Concurso de Vinhos dos Altos e do Concurso de Azeites da Feira dos Vinhos & Sabores dos Altos, iniciativa da Câmara Municipal de Alijó. O evento que teve lugar nos dias 19 e 21 de junho, no Parque da Vila de Alijó, no Alto Douro Vinhateiro, recebeu cerca de 5000 visitantes, reuniu cinco dezenas de produtores e teve novidades.
Mas falemos, primeiro, das duas competições. De acordo com o resultado obtido no Concurso de Vinhos dos Altos, que teve lugar na Casa dos Noura, em Alijó, e foi presidido por Valéria Zeferino, diretora da Revista Grandes Escolhas, a distinção de “Melhor Vinho” foi atribuída a três referências: FozTua Reserva 2023 (Foz do Tua), Lacrau Garrafeira 2019 (Secret Spot Wines) e Costa Boal Porto Tawny 30 anos (Costa Boal Family Estates), respectivamente, nas categorias de Branco, Tinto e Fortificado. Este trio de referências está incluído na lista dos 30 galardoados, com os Espumantes a destacarem-se apenas com uma medalha de Prata, os vinhos Brancos a dividirem-se entre cinco Ouros e cinco Pratas, em ex aequo com os Tintos, os Rosés com um Ouro e duas Pratas, enquanto os Fortificados arrecadaram três Ouros. As 97 referências vínicas inscritas foram aferidas em prova cega por um conjunto de 17 jurados, entre jornalistas, importadores, distribuidores, representantes de garrafeiras e consultores. (consultar lista no final)
Já o Concurso de Azeites 2026 decorreu no Centro Interpretativo D’Olival ao Azeite D’Ouro, em Castedo, e foi presidido por Francisco Pavão, presidente da APPITAD – Associação de Agricultores de Portugal e especialista em azeites. Dos 14 azeites avaliados em prova cega, os dez elementos do júri medalharam o Quinta de Rio Pequeno Azeite Virgem Extra com a insígnia de “Melhor Azeite”. As restantes sete distinções dividem-se em duas distinções de Ouro, quatro de Prata e uma Menção Honrosa. (consultar lista no final)
Às duas competições, somaram-se três provas de vinhos comentadas: a prova focada nos brancos foi conduzida por Sérgio Lopes, crítico de vinhos da Revista Grandes Escolhas, enquanto os vinhos tintos e os fortificados foram concretizadas por Valéria Zeferino. No contexto dos “Azeites do Concelho de Alijó”, a prova contou com a oratória de Francisco Pavão.
No capítulo das novidades, cabem o Wine Bar Experience e o Buyers Lounge. O Wine Bar Experience esteve nas mãos da dupla de bartenders Pedro Margarido e Nazar Vershynin, da Piratas de Rio, empresa especializada na feitura de bebidas e cocktails. Ambos criaram uma carta constituída por cinco cocktails protagonizados por vinhos, moscatéis e espumantes produzidos neste território vitivinícola. O Buyers Lounge foi o espaço reservado a reuniões e encontros agendados, respectivamente, entre os produtores e cinco compradores internacionais da Eslovénia, Espanha, Letónia, Noruega e Reino Unidos, assim como com oito profissionais nacionais.
Concurso de Vinhos dos Altos 2026
Melhores Vinhos
Branco
FozTua Reserva 2023 (Foz do Tua)
Tinto
Lacrau Garrafeira 2019 (Secret Spot Wines)
Fortificado
Costa Boal Porto Tawny 30 anos (Costa Boal Family Estates)
Espumantes
Medalha de Prata
Uivo Cronológico Ancestral 2018, Folias de Baco
Brancos
Medalha de Ouro
Águia Moura Gouveio Grande Reserva 2021 (Casa Agr. Águia de Moura)
Lacrau Superior 2023 (Secret Spot Wines)
Olgas 2023 (Maçanita Vinhos)
Venera 2023 (Quinta dos Loivos)
Viós 2024 (Newton’s Dynamic GPU)
Medalha de Prata
Circa 2021 (Faustino Meireles Moreira)
Grimalde 2025 (José Carlos Sousa Pimentel)
Guru 2024 (Wine & Soul)
Quinta Sanradela Velha Grande Reserva 2022 (Sabor de Pétalas Wine)
Vale do Tábua Reserva 2022 (Vale do Tábua)
Rosés
Medalha de Ouro
Venera Reserva 2023 (Quinta dos Loivos)
Medalha de Prata
Costa Boal Homenagem 2024 (Costa Boal Family Estates)
Quinta Sanradela Velha 2023 (Sabor de Pétalas Wine)
Tintos
Medalha de Ouro
Circa Reserva 2018 (Faustino Meireles Moreira)
Fragulho Reserva 2022 (Casa dos Lagares)
Quinta da Pedra Alta 2022 (Quinta da Pedra Alta)
Submerso Touriga Nacional 17 2024 (Submerso Vinhos)
Vale do Tábua D’Outrora Grande Escolha 2020 (Vale do Tábua)
Medalha de Prata
Costa Boal Superior 2022 (Costa Boal Family Estates)
Herança 2017 (D’Origem)
Lugar da Corredoura Touriga Nacional Reserva 2022 (Casa do Piàska)
Quinta do Jalloto 2024 (Faustino Meireles Moreira)
Rio Pequeno Field Blend Reserva 2020 (Quinta de Rio Pequeno)
Fortificados
Medalha de Ouro
Adega de Favaios Moscatel do Douro 2007 (Adega de Favaios)
Secret Spot Moscatel do Douro 20 anos (Secret Spot Wines)
Tapada de Favaios Moscatel do Douro (Vinhos de Favaios)
2º Concurso de Azeites
Melhor Azeite
Quinta de Rio Pequeno (Quinta de Rio Pequeno)
Medalha de Ouro
Cartageno’s (Cartageno’s – Serviços & Produtos)
Pintas (Wine & Soul)
Medalha de Prata
Águia Moura (Casa Agr. Águia Moura)
Fragulho (Casa dos Lagares)
Porca de Murça Biológico (Coop Agr. dos Olivicultores de Murça)
Uivo (Folias de Baco)
Menção Honrosa
Porca de Murça DOP (Coop Agr. dos Olivicultores de Murça)




































