SOGRAPE: Mudança dentro da tradição

Da ligação à região e das profundas mudanças ocorridas… No ano de 1972, deu-se a criação do projeto e, com ele, foram justapostas apenas três letras que representam as iniciais das três províncias que constituem a denominação de origem da Rioja: Logronho, Álava e Navarra (LAN). Naquela época, a Rioja assumia-se como uma zona vínica […]
Da ligação à região e das profundas mudanças ocorridas…
No ano de 1972, deu-se a criação do projeto e, com ele, foram justapostas apenas três letras que representam as iniciais das três províncias que constituem a denominação de origem da Rioja: Logronho, Álava e Navarra (LAN). Naquela época, a Rioja assumia-se como uma zona vínica de luxo controlada por um monopólio de empresas históricas assumidamente voltadas, quase exclusivamente, para os escaparates nacionais, sonhando com uma internacionalização de sucesso.
A impressão digital de então a respeito da região estava, por um lado, ligada a empresas que detinham vários andares de barricas obscurecidas pelo lento passar do tempo, nas quais envelheciam o vinho. Por outro lado, perfilava-se uma longa fileira de pequenos produtores com adegas subterrâneas constituídas, grosso modo, por um enorme tonel de envelhecimento, vários depósitos de cimento e uma estreita passagem de acesso. Era o tempo em que a maioria dos engarrafadores detinha uma pequena quantidade de vinha própria, pois era mais rentável comprar vinho às cooperativas ou aos pequenos viticultores, loteando posteriormente com vinhos que poderiam provir das três sub-regiões entretanto criadas.
A LAN adotou o princípio básico de que a vinicultura começa com o cultivo da vinha, conceito inovador na altura que se traduziu num firme compromisso com as vinhas e com o sucesso do projeto.
… até às mudanças atuais
O sucesso alcançado dentro de portas não passou despercebido no nosso país, o que levou à aquisição da Bodegas LAN em 2012, pela Sogrape. Desde então, o projeto foi reformulado tendo em vista o alinhamento com as mais recentes tendências de mercado, sem nunca perder a essência da tradição da região. A cambiante mais recente da LAN passou pela alteração da rotulagem de praticamente toda a gama. Como referiu a responsável pela marca em território nacional, “o rótulo surge agora mais limpo e surpreendente nos escaparates. Tratou-se de um exercício focado em entender o consumidor e criar vínculos emocionais baseados no quotidiano geradores de satisfação e empatia entre a marca e as pessoas”.
O projeto congrega 72 hectares de vinhedos abraçados pelo rio Ebro, nos arredores de Fuenmayor, uma zona de excelência na produção de vinhos. A extensa oferta do projeto LAN totaliza cerca de quatro milhões de garrafas e é composta por várias referências, que compreendem um rosé, um branco e sete vinhos tintos, no qual se destaca o topo de gama (Culmen) bastante apreciado pelos consumidores.
Para a apresentação dos vinhos da Bodegas LAN, o local escolhido recaiu sobre o bar de vinhos By The Wine, espaço cosmopolita e descontraído na baixa da cidade do Porto. Na carta vínica, consta toda a gama de vinhos da Sogrape, incluindo as marcas das propriedades desta empresa familiar, que estão espalhadas pelo mundo.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
QUINTA DO VALLADO: Adelaide, a imagem do Douro

É um dia solarengo de outono e saímos da estação de Campanhã, na cidade ‘Invicta’. Dirigimo-nos ao Poente by Vallado, instalado num imponente edifício localizado em pleno centro da Ribeira no Porto, onde nos esperam o gestor João Alvares Ribeiro e os enólogos Francisco Ferreira e Francisco Olazabal, ‘altas patentes’ na estrutura do Vallado. Caprichosamente […]
É um dia solarengo de outono e saímos da estação de Campanhã, na cidade ‘Invicta’. Dirigimo-nos ao Poente by Vallado, instalado num imponente edifício localizado em pleno centro da Ribeira no Porto, onde nos esperam o gestor João Alvares Ribeiro e os enólogos Francisco Ferreira e Francisco Olazabal, ‘altas patentes’ na estrutura do Vallado. Caprichosamente recuperado, este novo projeto enoturístico da quinta vinhateira homónima do Douro contém a identificação um pouco por todo o piso térreo e cave, incluindo em bonitas bandeiras, com a habitual cor da casa. Está no coração turístico da cidade, tal como confirmámos, cruzando-nos, em poucos metros, com centenas de visitantes das mais variadas nacionalidades, ou não fosse a frente ribeirinha do Porto, efetivamente, hoje, uma Babilónia.
Sem mais delongas, este edifício pretende funcionar como um farol, sito defronte e concorrentemente aos armazéns das casas do Vinho do Porto do lado sul do rio Douro. Não se diga, porém, que, no Vallado, projeto iniciado em meados dos anos 90 do século passado, o enoturismo é uma vertente recente, bem pelo contrário. Com efeito, o Quinta do Vallado Wine Hotel na Régua há muito que tem as portas abertas, tempo ao longo do qual tem sido um sucesso nas suas ‘duas vidas’ – primeiro funcionou na casa antiga da propriedade, recuperada e adaptada à atualidade, operando, agora, num edifício moderno adjacente que mantém o bom gosto e a discrição.
A mesma discrição e qualidade, mas com maior exclusividade (são poucos os quartos), encontramos na maravilhosa unidade Casa do Rio, outro boutique hotel do Vallado, próximo de Foz Côa e que é já um marco no Douro Superior no que ao luxo rural diz respeito. Aliás, é mesmo caso para dizer que o projeto Vallado – liderado pelos já referido primos João Alvares Ribeiro e Francisco Ferreira, e, desde meados de 2023, também pela família Moreira da Silva que entrou no capital da sociedade –, esteve sempre particularmente atento ao enoturismo e bem consciente da existência de um grande número de visitantes seduzidos pelo Douro. De resto, as duas unidades hoteleiras mencionadas e a loja, na propriedade na Régua, contribuem já significativamente para a faturação e consolidação da marca.
Périplo vínico
Voltando à cidade do Porto, é de salientar que se tratava de um momento solene. Por um lado, com a estreia deste enoturismo na Ribeira, espaço constituído por uma loja de vinhos, pelo Wine Bar & Restaurante Poente e por duas salas de provas, uma das quais designada Sala Adelaide. Por outro lado, o motivo maior era a oportunidade de provar a décima e mais recente edição do tinto Vallado Adelaide, o pináculo produzido por esta casa na vertente DOC Douro. Sem esquecer uma coleção de cinco Portos velhos recém lançados no mercado.
Como de resto sucede com outros aspetos do Vallado, o tempo teve uma importância crucial na evolução do perfil da marca e vinho Adelaide. A esse respeito, voltemos atrás… no tempo, para recordar que os primeiros vinhos da época moderna do Vallado, já com Francisco Ferreira e Francisco Olazabal nos comandos enológicos, datam de meados dos anos 90 do século XX. Pouco depois, na entrada do milénio, foi lançado o Quinta do Vallado Reserva tinto merecedor de grande destaque pela imprensa, assim como os monocastas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Sousão, todos sucessos junto dos enófilos. Os rosés foram aparecendo, incluindo um extreme de Touriga Nacional mantido em produção, sendo que o topo passou a ser o fantástico V rosé produzido a partir de Tinto Cão; e o mesmo se diga dos brancos, que começaram mais timidamente, mas estão, atualmente, muito bem posicionados, como demonstra a referência Vallado Reserva (excelentes as últimas edições), sem esquecer o exótico Prima, outro êxito, agora feito a partir de Moscatel Galego em versão totalmente seca.
Desde a primeira edição, em 2005, ou seja, desde há 20 anos, o Adelaide tinto tem como missão ser o topo de gama da marca do Vallado
Tempo em garrafa
Terminado este pequeno périplo pelos vinhos do Vallado que, ao longo dos anos, mais nos marcaram, voltemos ao Adelaide. Desde a primeira edição, em 2005, ou seja, desde há 20 anos, tem como missão ser o topo de gama da marca, ou seja, representar o melhor tinto do produtor, não carregasse, este vinho, o nome solene de Ferreirinha, a famosa Dona Antónia Adelaide Ferreira, de quem João Alvares Ribeiro, bem como Francisco Ferreira e Francisco Olazabal, são descendentes.
Nas primeiras edições, a referência vínica Adelaide era exclusivamente produzida a partir dos melhores lotes das vinhas mais velhas da propriedade matriz, situada junto ao Peso da Régua, e estagiava em barrica nova. Com a passagem do tempo, Francisco Ferreira foi aprofundando o conhecimento relativamente às vinhas mais antigas da Quinta do Vallado, começando a desenhar e elaboração de vinhos de uma vinha só, como o Vinha da Granja e o Vinha da Coroa. Isso fez com que o tinto Adelaide viesse a ser produzido também com recurso a uma vinha velha sita no rio Torto, a qual estava arrendada inicialmente, acabando por ser adquirida. Não admira que, desde 2005, os lotes não sejam todos iguais, além de que houve colheitas cujo estágio em barrica não foi totalmente submetido a madeira nova. Atualmente, ou melhor, desde a colheita de 2011, o Adelaide vem exclusivamente dessa vinha velha sita no rio Torto, parte centenária e parte com mais de 80 anos, tendo sido, esta última, batizada de vinha do Adelaide. Tem a particularidade – pouco comum nas vinhas velhas do Douro – de ter como casta maioritária a Touriga Franca, sendo que esta aprecia o calor característico do verão no rio Torto. O resultado traduz-se em boa concentração, grande expressão frutada e, simultaneamente, um perfil fino. A composição das castas na vinha contribui para um field blend tão específico, que, em 2026, será plantada, na Quinta do Vallado, uma réplica fiel da vinha do Adelaide, ou seja, serão plantadas as mesmas castas na exata proporção e com varas provenientes da vinha original, em alta densidade e com porta-enxerto montícola, como se fazia antigamente.
A nova colheita é a de 2017, sendo, obviamente, uma opção do produtor em lançar o vinho tantos anos depois. Nem sempre assim o foi com as anteriores edições, mas, como é bem sabido, os grandes vinhos agradecem um estágio prolongado e este tinto é mesmo exclusivo, agora também nesse aspeto. O ano de 2017 foi um ano seco – com bons vintages, não esquecer –, mas sem ondas de calor significativas, o que evitou a sobrematuração na vinha. No que releva às uvas do Adelaide, mas aconteceu um pouco por toda a região, a vindima ocorreu em agosto, cerca de duas a três semanas antes do era habitual, porque o ciclo vegetativo se antecipou, o que originou uma ligeira quebra na produção.
Palavra final para a aposta cada vez mais vincada do Vallado em vinhos do Portos velhos, em especial tawnies e colheitas. Com efeito, muitas fontes nos confidenciaram que Francisco Ferreira é um autêntico garimpeiro no Douro no que a este tipo de vinhos diz respeito, identificando e adquirindo lotes de vinhos velhos um pouco por onde eles possam existir. É algo que tem vindo a fazer há década e meia e os resultados são bem visíveis, com o Vallado a apresentar uma gama de Portos com dimensão e qualidade, para fazer frente às principais casas da região. É caso para dizer que o Vallado vai de vento em popa!
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
KOPKE: O mais bem guardado segredo

O prelúdio da revelação trouxe-nos três Grandes Reservas da São Luiz, a marca que a Kopke tem vindo a valorizar, sobretudo, prestando especial atenção ao património de vinhas velhas ali plantadas, algumas anteriores a 1930, e no caso dos brancos, noutra sub-região. Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva tinto 2019 e Quinta […]
O prelúdio da revelação trouxe-nos três Grandes Reservas da São Luiz, a marca que a Kopke tem vindo a valorizar, sobretudo, prestando especial atenção ao património de vinhas velhas ali plantadas, algumas anteriores a 1930, e no caso dos brancos, noutra sub-região. Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva tinto 2019 e Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva tinto 2021 são os dois tintos que tiram partido do património vitícola da propriedade situada no Cima Corgo. Já o branco São Luiz Winemaker’s Collection Reserva Folgazão e Rabigato 2021 resulta de um trabalho que tem sido desenvolvido no Baixo Corgo, dada a inexistência de uvas brancas na Quinta de São Luiz. Aqui, é feita uma escolha apurada de castas brancas oriundas de produtores selecionados e, mais recentemente, da Quinta do Bairro, onde, em 2015, o Kopke Group iniciou um projeto piloto de reconversão de encepamento de tintas para brancas.
A imagem de marca da Quinta de São Luiz reflete a tradição da propriedade de caiar os muros na época da Páscoa, criando um desenho de linhas brancas, que sublinha os patamares, a horografia, prestando homenagem aos DOC Douro da Kopke. O São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva tinto 2019 nasce da parcela de vinha homónima e centenária, com produções muito reduzidas, daí que esta colheita esteja limitada a apenas 1.252 garrafas. O ano proporcionou menos intensidade e concentração, o que se traduziu numa melhor perceção da frescura, elegância e até uma certa delicadeza. Nesta vinha, os procedimentos são manuais e minuciosos. A fermentação alcoólica ocorreu sem esmagamento dos bagos, usando 20 por cento do engaço, passado, depois, para barricas de 225 litros, onde fez a fermentação maloláctica. O estágio foi expressivo, traduzindo-se em dois anos em barrica e outros dois em garrafa, para dar corpo a um vinho revelador do conhecimento de que existe uma micro parcela capaz de grandes feitos.
Pequenas parcelas, grandes vinhos
A espinha dorsal do São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva tinto 2021 tem origem em pequenas parcelas com mais de 50 anos, exposição maioritariamente a norte, em cotas baixas (80 metros de altitude) e mais elevadas (400 metros de altitude). O ano de 2021 revelou alguma atipicidade, com um inverno bastante frio e uma primavera instável, com ocorrência de trovoadas e granizos. A vindima em São Luiz iniciou-se em agosto com temperaturas moderadas, tendo a maturação abrandado em setembro, devido à ocorrência de precipitação. Em vinhas velhas de baixíssima produção, todos os detalhes contam, pelo que a escolha do momento correto da vindima é fundamental para o resultado pretendido. A produção de apenas 2.400 garrafas resulta do facto de se realizar uma segunda triagem de uvas para a elaboração dos lotes finais. O vinho foi submetido a um estágio de 16 meses em barrica, tempo esse que lhe conferiu carácter, bem definido pela maior imposição da Sousão, casta que predomina nestas parcelas de vinhas velhas.
É do exterior da Quinta de São Luiz, e mesmo da sub-região, que chegam as uvas de Folgazão e Rabigato que compõem o Winemaker’s Collection. Não possuindo uvas brancas na propriedade, Ricardo Macedo, o enólogo dos vinhos tranquilos do Kopke Group, tem um apurado processo de seleção no Baixo Corgo das uvas destas duas castas, que melhor preenchem o perfil desejado de tensão, frescura e mineralidade. A gama Winemaker’s Collection dá asas ao experimentalismo das equipas de viticultura e enologia, privilegiando a possibilidade de testar diversas castas e o seu desempenho em diversos micro terroirs, de modo a encontrar as melhores expressões. Daqui, resultam sempre edições limitadas e assinadas pelo ‘winemaker’, que, no caso, se traduziu em 3.970 garrafas.
Um Porto esculpido com devoção
Se havia casa que podia beneficiar da aprovação pelo Conselho Interprofissional do Instituto do Vinho do Douro e do Porto da menção tradicional DOP Porto com indicação de idade 80 anos, era, sem margem para dúvidas, a Kopke, nascida em 1638, bem antes do Douro se tornar numa região demarcada e regulamentada. Os quase 390 anos da marca conferem-lhe um estatuto especial que um inédito Tawny materializa numa criação demorada (foram três meses de afinação e aperfeiçoamento diário do lote) através da arte de blending e da inclusão, no mesmo, de vinhos de 1900, 1941 e 1947. Tal só é possível, porque existe um espólio que é património vivo e indelével de vinhos do Porto de várias idades, que acompanharam a história e os feitos da humanidade.
Com um longo e meticuloso envelhecimento nas caves da Kopke em cascos sem idade, agora despertados para criar um vinho quase místico, profundamente complexo e emotivo, este Kopke 80 anos é uma perícia de gerações a homenagear, desde os que o vinificaram, passando pelos que o guardaram. até à mais recente equipa de enologia que assumiu a responsabilidade de o acordar, esculpindo algo que merece a nossa mais intensa devoção. Absolutamente perfeito.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
CHARUTOS: Os puros, os Portos e os brandies exclusivos

O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no […]
O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no XI Habanos Day, que teve lugar no Montes Claros – Lisbon Secret Spot, em Lisboa, que reuniu cerca de 200 pessoas. Esteve presente José Ramón Saborido Loidi, Embaixador de Cuba, que relembrou aos presentes que o cultivo do tabaco começou há cinco séculos e que os puros são o verdadeiro ex-libris da ilha. Afinal, tratou-se de um evento pautado pelo savoir-faire associado aos verdadeiros Habanos. As boas-vindas foram igualmente partilhadas por Pedro Rocha e Luis Javier Bosch, respectivamente, Director-Geral e Director Comercial da Empor S.A., distribuidora exclusiva de Habanos em Portugal.
Muitos fumadores de charutos são também apreciadores de destilados. Nesta grande família encontramos “charutadores” com gostos por vezes muito específicos: para alguns nada bate um whisky de malte com um puro, outros conheci que se deliciavam com uma boa aguardente velha, fosse ela um Cognac, um Armagnac ou uma aguardente portuguesa de qualidade. Neste capítulo, temos muitas aguardentes (e, por vezes, a preços de saldo), que se batem com as melhores aguardentes estrangeiras. Menos habitual é encontrar apreciadores de puros que acompanhem o prazer do fumo com um vinho do Porto. Já em tempos organizei uma prova desse tipo, todas com o mesmo modelo de charuto.
Será que liga bem?
O evento teve três momentos distintos de prova correspondentes à Sandeman, ao Rum Diplomático e ao Ximénez-Spínola. A Grandes Escolhas esteve presente apenas no primeiro, no qual o brand ambassador da Sandeman, David Faísca, falou sobre os diversos tipos de Porto dentro das duas famílias de rubis e tawnies. Enquanto decorria a explicação sobre o Porto Sandeman, apoiada em material fotográfico projectado em ecrã, as pessoas presentes na sala entretinham-se a fumar o primeiro charuto fornecido para o efeito, um modelo da marca Trinidad. Não é fácil estar numa sala com tanta gente a fumar ao mesmo tempo, mas a verdade é que, para aqueles apreciadores e apreciadoras, isso era assunto de somenos. Todos estavam interessados em tentar acertar no quizz que ia sendo anunciado e que tinha como prémio uma garrafa de Sandeman. O perfil Tawny parece reunir mais consenso quanto à boa ligação com o charuto; os rubis são mais agressivos, mas, ainda assim, não deixam de ter adeptos. O ambiente de frutos secos, de notas de mel, figos e fruta em calda são tudo ingredientes que casam bem com o charuto que, de resto, tem da folha de tabaco um descritor, por vezes, usado na apreciação de vinhos.
O segundo momento do XI Habanos Day, a que já não assistimos, esteve em alta, com a prova dos brandies Ximenez-Spinola Cigar Club Nº 1, Nº 2 e Nº 3, produtos exclusivos e detentores de elevado valor mercado, resultantes da aposta reforçada no savoir-faire cubano, degustados no âmbito da actividade “Aliança Habanos”, durante a qual houve a oportunidade de saborear a Edição Regional de Portugal de 2017.
Para terminar em ambiente de festa, houve um concurso para ver quem conseguia manter a cinza mais longa, sem cair. É mais difícil do que parece e é seguramente bem divertido. Recordo que também os apreciadores de cachimbo têm concursos igualmente divertidos. Soubemos que o protagonista do concurso foi o Habano Edição Regional de Portugal de 2014 desfrutado na companhia do rum Diplomático Single Vintage e Diplomático Reserva Exclusiva. Luis Javier Bosch foi quem apresentou o projecto da Empor para Habanos envelhecidos, o Empor Collection, lançado em 2025 pela Empor S.A. e será desenvolvido nos próximos anos.
Em suma, o evento traduziu-se no ponto de encontro para aficionados, colecionadores e grandes apreciadores do Habano no nosso país, culminado pelo jantar de gala com a degustação de mais duas Edições Regionais para Portugal, uma das quais lançada recentemente no mercado. Os Habanos foram acompanhados por referências da Sogrape e Ximénez-Spínola Delicado. Foram entregues igualmente os prémios aos vencedores das actividades do dia, terminando, a noite, com música tradicional ao vivo, em profunda celebração da cultura cubana.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025 e actualizado a 23 de Janeiro de 2026)
HERDADE DO PERÚ: Pedaço de charme na sombra da Arrábida

Quem chega esquece rapidamente ter passado nas zonas mais densamente povoadas e caóticas de Fernão Ferro e da Quinta do Conde, na ligeira subida da estrada de terra batida de acesso à Casa Grande, a principal da Herdade do Perú, património de 300 hectares com localização próxima da Serra da Arrábida. É aquela que João […]
Quem chega esquece rapidamente ter passado nas zonas mais densamente povoadas e caóticas de Fernão Ferro e da Quinta do Conde, na ligeira subida da estrada de terra batida de acesso à Casa Grande, a principal da Herdade do Perú, património de 300 hectares com localização próxima da Serra da Arrábida. É aquela que João Brito e Cunha, o proprietário, decidiu restaurar e transformar em lar há mais de oito anos. Tinha sido ali que brincara, com os seus primos, quando era criança e tinha sido ali que, aos seis/sete anos, se voltara para a avó e dissera que aquela seria sua no futuro, o que acabou por acontecer mais de 40 anos depois. Talvez por isso prefira que o considerem guardião da propriedade, “um lugar maravilhoso, que amo profundamente, ao qual dedico a minha vida”, como gosta de afirmar.
As vinhas foram plantadas por João Brito e Cunha, mas os jardins, ao estilo Versalhes, foram uma iniciativa dos avós. Obedecem aos planos facultados por Gérald Van der Kemp, curador francês, que angariou milhões, no início do século passado, para preservar e restaurar o Palácio de Versalhes e dedicou quase 30 anos a devolver o edifício e os jardins à antiga glória, rastreando obras de arte perdidas e supervisionando reparações, replantações e restauros de pinturas de valor inestimável, após décadas de abandono. “O meu avô era muito amigo dele, que o presenteou, e à minha avó, com um plano dos jardins, que antes não eram assim”, conta o proprietário.
300 anos de história
No dia da escritura, a casa estava completamente vazia, mas João Brito e Cunha decidiu celebrar o acto no seu interior, antes de iniciar a sua restauração, não só para a tornar habitável, mas também para receber casamentos e eventos, o principal negócio da Herdade do Perú. É, hoje, um entroncamento de memórias, com marcas de um passado cuidadosamente reposto e preservado, que se sente nas paredes, nos móveis, nos quadros e nos objectos.
A história da Herdade do Perú começou há cerca de 300 anos, quando António Cremer, intendente e administrador das Fábricas da Pólvora do Reino de Portugal, e sua mulher, Catarina Van Zeller, apaixonados pelo lugar, ali construíram uma das mansões da família, aquela que é hoje a Casa Grande da propriedade. Muito tempo depois, no início do século XX, passou para as mãos da família de João Brito e Cunha, quando os ascendentes a compraram, depois de conquistados pela beleza do edifício, em visita à propriedade cercana de amigos.
Quando cheguei estava, à minha espera, Marta Mendes Esteves, enóloga residente da casa, e os enólogos consultores, Jorge Rosa Santos e Rui Lopes, ambos com cartas dadas em várias empresas de vinhos de Norte a Sul do país. Nesse dia, em que as vindimas iam a meio, com as uvas brancas já colhidas e as tintas a aguardar a apanha, a enóloga contou-me que a Herdade do Perú produz vinhos de forma orgânica e sustentável, com respeito pela natureza, a partir de 12 hectares de vinha. As cerca de 30 ovelhas ali apascentadas contribuem para isso, pois vão para a vinha mal acaba a vindima e ajudam na limpeza dos terrenos, eliminando as infestantes e contribuindo, em simultâneo, para a fertilização dos solos. Quando o ciclo das plantas recomeça, vão para o montado de sobro, que ocupa a maior parte da propriedade.
Casamentos e eventos
O principal negócio da empresa é a organização de casamentos e o turismo rural, com alojamento que dá também suporte aos casamentos, segundo explica João Brito e Cunha. Este ano foram quase 50, dos quais 70% de estrangeiros, sobretudo norte-americanos, mas também de franceses, portugueses e de outras origens, já que a casa está anunciada em vários sites internacionais da especialidade. Há vários espaços para este tipo de eventos, que nasceram a partir dos seus edifícios mais antigos. Um deles é a Casa Grande, mas também existe a nova casa, Bons Ares, e a de Sant’Anna, que fica numa parte mais retirada da propriedade e serve, entre outros, para ocasiões com menor número de pessoas, como as festas de aniversário.
Durante a visita que fizemos por toda a propriedade e outros espaços, Marta Mendes Esteves contou que a última foi a escolhida como lar pelo treinador alemão do Benfica, Roger Schmidt, enquanto esteve no clube. No interior, senti-me como se estivesse em casa, em parte devido à elegância discreta e inspiradora de conforto da decoração dos espaços, em parte por sentir que faria algo muito parecido se construísse uma casa. “Por vezes recebemos famílias dos Estados Unidos para passar férias ou quem queira fazer um fim de semana”, conta a enóloga, salientando que os quartos de todas as casas podem ser alugados. Outra das celebridades que já pernoitou ali foi Madonna. Fotos feitas para a revista Vogue comprovam esta estadia.
Outra das actividades da herdade é o gado bovino Black Angus, rebanho destinado a produzir reprodutores. “Estamos a ver como corre e se faz sentido continuar, ou não”, revela a nossa cicerone. Há também cavalos de raça Lusitano, comprados ainda jovens e formados pelo cavaleiro João Barbosa, sobretudo na disciplina olímpica de dressage ou ensino de competição. Depois de treinados, são vendidos por preços que começam nos 70 mil euros.

As primeiras vinhas
João Brito e Cunha afirma ter plantado as primeiras vinhas incentivado pelo amigo Nicholas von Bruemmer, neto do barão suíço von Bruemmer, do Casal de Santa Maria, em Colares. “Foi isso que fiz, primeiro, à volta da casa e, depois, noutras localizações, até aos 12 hectares actuais”. Metade da área de vinha está plantada com as variedades brancas Arinto, Verdelho, Alvarinho, Antão Vaz e Sercial, e inclui uma parcela muito pequena, à frente das cavalariças, de Moscatel de Setúbal. “Nas tintas, temos o Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira e Castelão”, informa Marta Mendes Esteves, acrescentando que a vinha só começou a ser plantada depois de João Brito e Cunha ter comprado a Herdade do Perú, em 2017.
Os locais de plantação foram seleccionados após análises de solo, não só para escolher os melhores, mas também por razões de ordem estética, já que os primeiros talhões foram plantados ao lado do jardim da Casa Grande. “A presença da vinha dá um destaque na paisagem que as pessoas que cá vêm gostam muito”, salienta a enóloga, dizendo que é nela que está o segredo da qualidade dos vinhos da empresa, daí que haja um grande foco no campo, para garantir que a uva esteja sã e com as características desejadas quando entra na adega.
Rui Lopes diz, por seu turno, que ele e Jorge Rosa Santos acreditam muito na uva, no terroir, mas que também é necessário intervir na adega para que expresse essa característica nos vinhos que origina. “A Serra da Arrábida faz barreira em relação à influência Atlântica e não permite que esta se expresse de forma marcada, dando-nos mais maturação, mais sabor”, explica, acrescentando que “só quem não anda na vinha e não prova as uvas a Sul e a Norte, não verifica que as mais saborosas são as primeiras e as outras têm mais acidez” e que, “se calhar, o lote ideal terá de incluir as duas localizações”. Face a esta conclusão, salienta que ainda há muito por fazer na Herdade do Perú, no sentido de conhecer melhor as vinhas e o terroir. O trabalho feito até agora permitiu fazer o esqueleto, mas é preciso, vindima a vindima, confirmar os dados e ir fazendo ajustes. “Mas vai sempre ser difícil estarmos completamente satisfeitos”, adianta o enólogo.

Vinhos com terroir e sabor
Na vindima, o rancho está na vinha a partir das sete da manhã. Quando a uva branca chega à adega, há decantação durante 48 horas, “o que é muito importante, para não afectar a parte aromática durante a fermentação”, que decorre em cubas a temperatura controlada, explica Marta Mendes Esteves. A forma como são produzidos os tintos tem a ver, acima de tudo, com as variedades de uva e o destino que lhes é dado. “Como sabemos que as castas Cabernet Sauvignon e Merlot se destinam sobretudo à produção de Private Collection, extraímos um pouco mais por ser um vinho de longevidade”, explica a enóloga, acrescentando: “os tintos Herdade do Perú Colheita são vinhos mais fáceis, com pouco tempo em barrica, e temos de controlar mais as remontagens para não haver tanta extracção.”
Para o futuro está previso o lançamento de um espumante feito a partir de Castelão, um vinho de curtimenta e uma nova marca, Casa dos Netos, destinada a ser consumida nos casamentos, em resposta aos desafios dirigidos à equipa de enologia por parte dos filhos de João Brito e Cunha, que impõe, sempre, a necessidade da casa apenas apresentar, ao mercado, produtos de qualidade. Além de serem servidas nos eventos que decorrem na Herdade do Perú, as 30 mil garrafas produzidas anualmente são comercializadas através de pequenos distribuidores em Leiria, Lisboa, Porto e na Península de Setúbal.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
Pêra-Manca em branco e tinto

A Fundação Eugénio de Almeida colocou os primeiros vinhos no mercado em 1986, quando lançou a marca Cartuxa, em versão tinto e branco. Quatro anos depois surgiam os primeiros vinhos da marca Pêra-Manca: o branco, vendido em garrafa renana e o tinto. Desde então, estes vinhos têm tido muitas edições, mais frequentes nos brancos e […]
A Fundação Eugénio de Almeida colocou os primeiros vinhos no mercado em 1986, quando lançou a marca Cartuxa, em versão tinto e branco. Quatro anos depois surgiam os primeiros vinhos da marca Pêra-Manca: o branco, vendido em garrafa renana e o tinto. Desde então, estes vinhos têm tido muitas edições, mais frequentes nos brancos e mais espaçadas no tinto.
Recentemente, a ocasião para o lançamento de uma nova edição do tinto foi motivo suficiente para se provarem outros vinhos da Fundação. O momento teve lugar em Évora, num ambiente que os franceses chamariam de “petit comité”, com um pequeno número de convivas à volta da mesa.
Se Pêra-Manca é a marca mais emblemática da Fundação Eugénio de Almeida, Cartuxa é o nome de um conjunto de vinhos notáveis, que têm enorme aceitação no mercado. Nas várias versões, de brancos a tintos e Reservas, estamos a falar de cerca de 900 000 garrafas por ano. O Cartuxa Reserva tinto, que também provámos, é um vinho com edição anual, mas tal só aconteceu após 2005. Até então, só em alguns anos se comercializava o Reserva. Começaram com 35000 garrafas, mas, actualmente, e fruto da boa aceitação do público, produzem-se 75000 garrafas de Reserva tinto; em 2021 essa quantidade será elevada para 90000.
É um tinto que integra Alicante Bouschet, Aragonez e Cabernet Sauvignon. A percentagem de Cabernet Sauvignon já foi mais elevada, mas agora situa-se nos cinco por cento. Apresenta uma imagem renovada, com uma nova cor de rótulo, que permite facilmente distinguir os dois tintos Cartuxa: o “normal” e o Reserva.
As castas do Pêra-Manca tinto são a Trincadeira e a Aragonez, variando a percentagem conforme a qualidade da colheita. As parcelas têm, por norma, cerca de 30 anos
Fidelidades em branco e tinto
O Pêra-Manca branco é tradicionalmente feito de Arinto e Antão Vaz, combinação que identifica muitos dos brancos do Alentejo, com o Arinto a ser maioritário, isto é, a dominar 65 por cento do lote. A primeira edição, como todas as primeiras edições, funcionou como uma espécie de teste, uma vez que não se adivinhava qual seria a evolução do vinho em garrafa e em cave. Não foi há muitos anos que provei essa primeira edição. A surpresa foi enorme: pela saúde que apresentava, pelas notas terpénicas, pela acidez que conservava tão bem o branco. É um vinho com edição anual e dele fazem-se agora cerca de 100 000 garrafas, quantidade que será aumentada com a colheita de 2024. Atendendo ao preço, pode dizer-se que estamos perante um enorme sucesso de vendas, um grande reconhecimento por parte dos consumidores. No lote, todo o Antão Vaz fermenta em barrica, parcialmente nova, e cerca de 30% por cento do Arinto também estagia em madeira após a fermentação. Este 2023 é um enorme branco alentejano.
O tinto também alinha pelo mesmo padrão de fidelidade e as castas usadas são apenas a Trincadeira e a Aragonez, variando a percentagem conforme a qualidade da colheita. As parcelas têm, por norma, cerca de 30 anos. Ao chegar à adega, e após escolha, as uvas são desengaçadas e os mostos são fermentados em balseiros. O estágio decorre, depois, em tonéis, maioritariamente usados, mas todos os anos há alguns novos, renovando-se, assim, o parque de madeiras. São 18 meses de estágio na madeira, a que se segue um estágio em garrafa.
Como se trata de vinhas velhas, a replantação das cepas que vão morrendo é sempre uma preocupação. Pedro Baptista, administrador e responsável pela enologia da Fundação Eugénio de Almeida, salientou que fazem questão de apenas usar material clonal retirado das vinhas antigas, fazendo-se uma selecção própria, casta a casta. Pode parecer óbvio que assim se proceda, mas não é assunto pacífico. Há limitações legais ao uso de material não certificado, invocando sempre razões sanitárias. Sem essa certificação as varas poderão conter vírus que irão propagar-se na vinha, nomeadamente vírus do enrolamento e nó curto. Sabendo-se que não há maneira de erradicar essas doenças, a forma mais eficaz é exactamente a utilização de material isento de vírus e a queima das cepas infectadas. Mas Pedro Baptista reconhece que a exclusiva utilização de material certificado “padroniza a produção” e acaba por retirar originalidade a muitos vinhos.
O Pêra-Manca vai agora seguir o seu caminho, com sucesso garantido junto de consumidores fiéis, nomeadamente brasileiros, que entram numa garrafeira em Lisboa e fazem a pergunta fatal (cena que já presenciei): tem Pêra-Manca? Se a resposta for positiva, temos brasileiros felizes. Fiz questão de indagar se esse brasileiro, com quem acabei por trocar umas palavras, achava o preço caro. ‘Caro? Oi cara, isto no Brásil (é melhor levar o acento…) custaria quatro vezes mais!’ Palavras para quê?
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
CHARUTOS: Os puros, o Porto e os brandies exclusivos

O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no […]
O consumo de charutos interessa a muitos e desagrada a outros tantos. Por isso, um bom fumador sabe que não deve partilhar o seu prazer em ambientes onde nem todos os presentes aceitam aqueles aromas. Tudo melhora quando se juntam muitos, na mesma sala, e todos têm o puro nas mãos. Foi o caso no XI Habanos Day, que teve lugar no Montes Claros – Lisbon Secret Spot, em Lisboa, que reuniu cerca de 200 pessoas. Esteve presente José Ramón Saborido Loidi, Embaixador de Cuba, que relembrou aos presentes que o cultivo do tabaco começou há cinco séculos e que os puros são o verdadeiro ex-libris da ilha. Afinal, tratou-se de um evento pautado pelo savoir-faire associado aos verdadeiros Habanos. As boas-vindas foram igualmente partilhadas por Pedro Rocha e Luis Javier Bosch, respectivamente, Director-Geral e Director Comercial da Empor, distribuidora exclusiva de Habanos em Portugal.
Muitos fumadores de charutos são também apreciadores de destilados. Nesta grande família encontramos “charutadores” com gostos por vezes muito específicos: para alguns nada bate um whisky de malte com um puro, outros conheci que se deliciavam com uma boa aguardente velha, fosse ela um Cognac, um Armagnac ou uma aguardente portuguesa de qualidade. Neste capítulo, temos muitas aguardentes (e, por vezes, a preços de saldo), que se batem com as melhores aguardentes estrangeiras. Menos habitual é encontrar apreciadores de puros que acompanhem o prazer do fumo com um vinho do Porto. Já em tempos organizei uma prova desse tipo, todas com o mesmo modelo de charuto.
Será que liga bem?
A jornada começou com uma retrospectiva dos momentos mais marcantes dos dez eventos anteriores, enquanto os presentes desfrutavam da Edição Regional de 2020. Esta foi harmonizada com uma seleção excepcional de vinhos do Porto Sandeman Tawny 10 Anos, 20 Anos e 30 Anos, e Sandeman Vintage 2018 e 2020. A prova dos charutos com a casa Sandeman desenrolou-se em três momentos. A Grandes Escolhas foi convidada a estar presente e apenas participámos no primeiro desses três momentos, precisamente no que tratava do Porto Sandeman e da ligação do Vinho do Porto com o charuto. Para o efeito, esteve presente o brand ambassador da Sandeman, David Faísca, que explicou os diversos tipos de Porto dentro das duas famílias de rubis e tawnies.
Enquanto decorria a explicação sobre o Porto Sandeman, apoiada em material fotográfico projectado em ecrã, as 120 pessoas presentes na sala entretinham-se a fumar o primeiro charuto fornecido para o efeito, um modelo da marca Trinidad. Não é fácil estar numa sala com tanta gente a fumar ao mesmo tempo, mas a verdade é que, para aqueles apreciadores e apreciadoras, isso era assunto de somenos. Todos estavam interessados em tentar acertar no quizz que ia sendo anunciado e que tinha como prémio uma garrafa de Sandeman. O perfil Tawny parece reunir mais consenso quanto à boa ligação com o charuto; os rubis são mais agressivos, mas, ainda assim, não deixam de ter adeptos. O ambiente de frutos secos, de notas de mel, figos e fruta em calda são tudo ingredientes que casam bem com o charuto que, de resto, tem da folha de tabaco um descritor, por vezes, usado na apreciação de vinhos.
O segundo momento do XI Habanos Day, a que já não assistimos, esteve em alta, com a prova dos brandies Ximenez-Spinola Cigar Club Nº 1, Nº 2 e Nº 3, produtos exclusivos e detentores de elevado valor mercado, resultantes da aposta reforçada no savoir-faire cubano, degustados no âmbito da actividade “Aliança Habanos”, durante a qual houve a oportunidade de saborear a Edição Regional de Portugal de 2017.
Para terminar em ambiente de festa, houve um concurso para ver quem conseguia manter a cinza mais longa, sem cair. É mais difícil do que parece e é seguramente bem divertido. Recordo que também os apreciadores de cachimbo têm concursos igualmente divertidos. Soubemos que o protagonista do concurso foi o Habano Edição Regional de Portugal de 2014 desfrutado na companhia do rum Diplomático Single Vintage e Diplomático Reserva Exclusiva. Luis Javier Bosch foi quem apresentou o projecto da Empor para Habanos envelhecidos, o Empor Collection, lançado em 2025 pela Empor e será desenvolvido nos próximos anos.
Em suma, o evento traduziu-se no ponto de encontro para aficionados, colecionadores e grandes apreciadores do Habano no nosso país, culminado pelo jantar de gala com a degustação de mais duas Edições Regionais para Portugal, uma das quais lançada recentemente no mercado. Os Habanos foram acompanhados por referências da Sogrape e Ximénez-Spínola Delicado. Foram entregues igualmente os prémios aos vencedores das actividades do dia, terminando, a noite, com música tradicional ao vivo, em profunda celebração da cultura cubana.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025 e editado a 23 de Janeiro de 2026)
ENOTURISMO: ESPAÇO PORTO CRUZ

Vila Nova de Gaia, vista desde a Ribeira do Porto, parece um vitral de telhas e pedra, onde o rio Douro repousa antes de ser mar. Não foi por acaso que as Caves do Vinho do Porto se instalaram ali e não na cidade ‘Invicta’. A história conta-se como quem segue o referido curso fluvial, […]
Vila Nova de Gaia, vista desde a Ribeira do Porto, parece um vitral de telhas e pedra, onde o rio Douro repousa antes de ser mar. Não foi por acaso que as Caves do Vinho do Porto se instalaram ali e não na cidade ‘Invicta’. A história conta-se como quem segue o referido curso fluvial, de montante para jusante, do ímpeto para a paciência. O vinho nascia e era reforçado no Douro vinhateiro, descia em rabelos, sofrendo com o sol, a corrente e a invernia, e, ao chegar à foz, precisava de um lugar que lhe oferecesse o compasso de espera destinado à maturação. Gaia oferecia essa pausa. O microclima, moldado pela proximidade do Atlântico, a neblina frequente e a orientação a norte de muitos armazéns criavam uma câmara de respiração lenta – temperaturas mais estáveis, humidade elevada, menores perdas por evaporação, luz contida.
O Porto, do outro lado, era mercantil e solar, feito de escritórios, alfândegas e cais apressados; Gaia, em contracanto, era sombra útil, tempo alongado e chão disponível para naves compridas de madeira e granito. Assim, Gaia preparava a gramática do envelhecimento – tanoeiros, ensacadores, provadores, arrais –, um léxico inteiro dedicado a vigiar a passagem do tempo dentro das aduelas.
Mas há ainda a lei, essa paisagem invisível que fixa itinerários. Em 1756, a demarcação pombalina da região do Douro inaugura um regime de controlo e qualidade sem precedentes. Ao longo do século XIX, cristaliza-se o “entreposto de Gaia”, segundo o qual o Vinho do Porto destinado à exportação devia estagiar e ser despachado a partir dali. A norma, que perdurou até 1986, funcionou como um íman institucional, atraindo capital, mão de obra e conhecimento para a encosta de Santa Marinha e arredores. Mesmo depois da revogação, quando a modernidade permitiu envelhecer e engarrafar no próprio Douro, a inércia qualificada manteve-se: quem já tinha pedra, saber e reputação não desistiu do lugar.
Também a história internacional pesou. O Tratado de Methuen, datado de 1703, afinou o eixo luso-britânico, entre tarifas, privilégios, redes. As grandes casas, muitas de raiz anglo-saxónica, assentaram os escritórios no bulício portuense, perto da letra e do câmbio, e estenderam as caves pela encosta de Gaia.
Entre estratégia e memória
A história da Granvinhos tem as suas raízes na Sociedade Manuel R. d’Assumção & Filhos, fundada em 1887, ao presente, o fio condutor é transformar tempo em valor. Em 1975, num período difícil para o setor, a francesa La Martiniquaise adquire a Manuel R. d’Assumção & Filhos e os ativos da Porto Cabral, renomeando a operação, que passa a designar-se Gran Cruz Porto. Ao decidir engarrafar a marca Porto Cruz exclusivamente em Vila Nova de Gaia, antecipou duas décadas a medida estatal de 1995, que proibiria a exportação de Vinho do Porto a granel. Centralizar em Gaia significou afirmar um compromisso com o lugar.
A estratégia iniciada por Jean Cayard, hoje prosseguida pelo filho, Jean-Pierre Cayard, fundamentou-se em investimento, construção de marca e liderança. Em 2001, a Porto Cruz ascende ao primeiro lugar no ranking das marcas de Vinho do Porto. Atualmente, ultrapassa as 10 milhões de garrafas distribuídas por mais de 50 mercados, liderando em países como França, Alemanha, Espanha e Rússia. A campanha ‘Porto Cruz, pays où le noir est couleur’, traduzida pela figura feminina em negro a contrastar com as cores de Portugal, tornou-se um ícone publicitário que se reinventa há quase 40 anos.
Em 1993, a Gran Cruz entra no Vinho da Madeira ao adquirir a Justino’s, em 2010, com a compra da Henriques & Henriques. Hoje, detém cerca de 60 por cento da comercialização do Vinho da Madeira. No Porto, cria, em 1996, a Companhia União dos Vinhos do Porto e Madeira, para marcas de comprador e, em 2007, adquire a C. da Silva, integrando a Dalva e a Presidential.
Na década seguinte, acelera no enoturismo e na produção. A Gran Cruz Turismo surge em 2010, para lançar o Espaço Porto Cruz, no Cais de Gaia, em 2011, a totalidade do capital da Vale de S. Martinho permite, em 2014, erguer em Alijó uma das mais modernas adegas e centros logísticos do país. No mesmo ano, a aquisição da Quinta de Ventozelo — uma das maiores e mais antigas do Douro — fecha o ciclo. A presença em toda a fileira, da vinha ao copo, reforço do segmento premium e uma leitura de terroir que não se esgota na garrafa.
Em 2018, a Gran Cruz House e o restaurante Casario (na Ribeira) e, em 2020, o Ventozelo Hotel & Quinta aprofundam a vocação de “mostrar o Douro numa quinta “e, sobretudo, experiências que transformam património em hospitalidade.
Diversificação e novo ciclo
Em 2022, o grupo passa a controlar a Vicente Faria Vinhos – segunda maior exportadora de Douro – e a Quinta de Santa Luzia, alargando portefólio aos Vinhos Verdes e aos Vinhos de Lisboa. No mesmo ano, adquire as Caves Borlido e a marca Albergaria (1972), com dois licores populares, amêndoa amarga e ginja, acima de um milhão de garrafas/ano.
Desde janeiro de 2023, o nome Granvinhos espelha a fusão, por incorporação, da C. da Silva e da Companhia União dos Vinhos do Porto e Madeira na Gran Cruz Porto. No mesmo ano, a entrada na região dos Vinhos Verdes celebra-se com a compra da Sociedade Agromar, SA. Deste modo, a Quinta de S. Salvador da Torre, no Vale do Lima, acrescenta dimensão agronómica a uma paisagem em mudança climática.
A aposta da empresa no enoturismo nasce de uma intuição centrada no facto do vinho se compreender melhor quando é vivido através de experiências, decisão estratégica que imperou na criação de palco urbano para contar a sua história a públicos cosmopolitas, o Espaço Porto Cruz. A jornada prossegue na Quinta de Ventozelo, onde a experiência se aprofunda, com o ritmo agrícola, a topografia extrema e a biodiversidade. A estadia, os percursos, as provas orientadas e a cozinha de proximidade convergem num ecossistema que prolonga o tempo de atenção do cliente.
As caves do Vinho do Porto
As gentes de Gaia, discretas e hospitaleiras, são o sal da narrativa das famílias centenárias que aqui se estabeleceram, da história do xisto, das encostas, do suor dos homens e das mãos das mulheres. São os armazém-mestres que sabem ler a temperatura do ar, as mãos que viram pipas, os olhos que medem a luz; são os trabalhadores da doca, os cozinheiros que escolhem os produtos ideais para a harmonização, os jovens que ensinam turistas a distinguir um Tawny de um Ruby. É neste contexto que o vinho deixa de ser apenas uma tradição e cultura, para se tornar, em simultâneo, experiência, conhecimento e hospitalidade que começa no copo e se estende à cidade.
Foi por tudo isto que escolhi deambular pelas margens do rio Douro, onde estas caves, alinhadas como se fossem um coro antigo, se impõem. Havia em mim uma fome mansa de procurar uma memória que não é só minha, a memória do Douro, das mãos que moldam a madeira, do silêncio que cabe numa pipa. Foi neste estado de disponibilidade que dei por mim diante do Espaço Porto Cruz. A fachada azul e imponente cruza linguagem e vinho, tradição e gesto contemporâneo, ponto de chegada e ponto de partida. Ali percebi que o meu passeio tinha um destino sem ter roteiro. Entrei devagar. Levei comigo a certeza de que, às vezes, é preciso deambular, para que algo em nós desperte.
Em permanente descoberta
Entrar no Espaço Porto Cruz é como partir à descoberta, com base em projeções, mapas, fotografias e pequenos rituais de prova, que conduzem o visitante por um percurso didático e sensorial. Não é um museu, embora ensine, não é um bar, embora convide, não é uma sala de aula, embora explique. É, antes, um laboratório de perceções, onde o Vinho do Porto é desmontado em notas de noz, cacau, casca de laranja, figo seco e terra quente.
Cada piso acrescenta uma ideia ao ensaio líquido, o vinho do Porto. Entra-se pelo lado do Cais de Gaia e percorrem-se quatro andares, como capítulos de uma mesma narrativa se tratasse: origem, interpretação, mesa e horizonte. No primeiro piso, o “My Porto Cruz” recebe o visitante como um prólogo interativo. É um lugar de descoberta guiada, com conteúdos sobre a região, as casas, a paisagem e a “mulher de negro”, que serve de metáfora à marca. Entre painéis e Sala Douro, percebe-se que o vinho é linguagem, memória e território, uma espécie de mapa afetivo, onde o Douro se lê tanto com os olhos como com o paladar.
O segundo piso aprofunda a conversa e muda o tom, no auditório e na sala de provas. O vinho deixa de ser abstrato e passa a argumento sensorial. É onde acontecem sessões, mostras e pedagogia do “néctar”, com copo na mão, tempo abrandado, comparação e lógica dos estilos e das idades. No terceiro piso, o restaurante DeCastro Gaia convida à degustação gastronómica e vínica. É palco de um diálogo de texturas e temperaturas, onde o Vinho do Porto pode temperar, contrastar ou, simplesmente, ser pretexto de demora à mesa. É o território da convívio.
O quarto piso é um epílogo aberto, com o Terrace Lounge 360º. A vista desfaz fronteiras, com o rio Douro, a ponte e a cidade ‘Invicta’, em frente, a acompanharem um copo ou um cocktail de Vinho do Porto. Se o rés-do-chão é mercado e iniciação, o terraço é a síntese.
Diálogo com a cozinha portuguesa
Treze anos após a inauguração, o restaurante DeCastro Gaia foi redecorado e a carta afinada, mas sempre fiel à matriz, a cozinha portuguesa tratada como matéria viva e não como vitrine. O chef Miguel Castro e Silva regressa aqui com a gramática de raiz em casas de pasto e petisco reerguido, onde a linguagem culinária reafirma a velha tese de que quando o produto lidera, a técnica acompanha e a memória encontra o caminho da preservação no futuro. A seu lado, o sub-chef José Guedes acrescenta um segundo olhar a quatro mãos. Resultado? O menu lê as preferências de quem chega sem perder a origem de quem cozinha. É este o ponto de encontro de uma tradição que interroga, contemporaneidade que escuta. O ritmo da sala está, agora, mais intimista, graças à luz intimista baixa conforto que convida a ficar por mais tempo.
Na nova carta, o percurso desenha-se em sabores que soam familiares e, ao mesmo tempo, respiram novidade: um cake de legumes com chutney de tomate e maçã abre o apetite, o choco salteado encontra no molho verde um contraponto fresco, o arroz de polvo, em registo Provençal, dialoga com os filetes de polvo, o novilho laminado recebe um molho de mostarda portuguesa que o afina, a costela mendinha aterra sobre milhos de couve e o pudim de requeijão e laranja encerra com doçura e sem gravidade.
A fidelidade ao produto e a coragem de o reler são, definitivamente, as premissas do DeCastro Gaia. Treze, aqui, não é superstição, é método e mestria. E quando o ruído passa, o que permanece é o sabor e a memória do encontro. Como é fácil ser feliz no Espaço Porto Cruz!
CADERNO DE VISITA
Comodidades e Serviços
Línguas faladas: português, inglês, francês, espanhol
Loja de vinhos: interior 40pax
Restaurante: para 60 lugares sentados
wine bar no roof top
Roof top: 60 lugares sentados
Esplanada de rua: 40 lugares
Sala de prova sentados: 20
Sala de Reuniões: sim (sob consulta) 30pax
Diferentes atividades e refeições (sob consulta): sim
Provas comentadas (ver programas)
Wifi gratuito disponível: sim
Visita às vinhas no Douro (sob consulta) – Quinta de Ventozelo
Visita à Adega no Douro (sob consulta)
Passeio e prova nos barcos, no Rio Douro (sob consulta)
Eventos
Eventos corporativos: sob consulta
Atividades team building: habitualmente selecionam workshops de cocktails
Experiências
Prova Porto Cruz
Porto Cruz White, Porto Cruz Special Reserve e Porto Cruz LBV 2004.
Preço: 10€
Prova Origens dos Sabores
Porto Cruz White, Porto Cruz Pink, Porto Cruz Tawny e Porto Cruz Ruby
Inclui: harmonização com quatro chocolates artesanais.
Preço: 15€
Prova Tawny Style
Porto Cruz Tawny, Dalva Tawny Reserve Pure, Porto Cruz 10 Anos, Porto Cruz 20 Anos e Dalva Porto Colheita 1995.
Preço: 30€
Prova Porto Vintage
Porto Cruz LBV 2004, Porto Cruz Vintage 2005, Porto Cruz Vintage 2011 e Dalva Porto Vintage 2017.
Inclui: copo surpresa para o cliente adivinhar o vinho.
Preço: 35€
Prova Porto Descoberta
Dalva Porto Dry White, Porto Cruz Lágrima, Porto Cruz Pink, Porto Cruz 10 Anos e Porto Cruz Vintage 2005.
Inclui: harmonização com cinco queijos, biscoitos artesanais, azeitonas, fruta e amêndoas.
Preço: 35€
Prova Heritage
Dalva Porto Colheita White 2007, Dalva Porto Colheita White 2011, Dalva Porto Dry White 20 Anos e Dalva Porto Dry White 40 Anos.
Preço: 40€
Prova Premium
Dalva Porto Dry White 40 Anos, Dalva Porto Colheita White 2007, Dalva Porto Colheita 1985, Porto Cruz Tawny 20 Anos, Dalva Porto Colheita Tawny 1995, Porto Cruz LBV 2004 e Porto Cruz Vintage 2011.
Preço: 70€
Prova Encantos de Ventozaelo (DOC Douro)
Quinta de Ventozelo DOC Douro Viosinho, rosé e Touriga Nacional, e azeite Virgem Extra Quinta de Ventozelo.
Inclui: harmonizada com pão rústico e azeitonas temperadas.
Preço: 22€
Prova Douro e Mar (DOC DOURO)
Dalva DOC Douro branco e conserva de sardinha em azeite e limão, Dalva DOC Douro rosé e conserva de ventresca de atum em azeite, e Dalva DOC Douro Reserva Tinto e paté de cavala picante.
Preço: 50€ (duas pessoas)
Menu Tradições
1 cálice de Porto Cruz Special Reserve, nata e café.
Preço: 8€
Prova Kids
Prova de três sumos com três chocolates.
Preço: 8€
Workshop de Cocktails |25€
Reserva mínima de quatrp pessoas e mediante disponibilidade.
Preço: 25€
Nota: quanto ao número mínimo e máximo de pessoas (por programa), aconselha consulta prévia
Horário de Funcionamento
Loja
Inverno: de 1 novembro a 31 de março, de terça-feira a domingo, das 11h00 às 19h00
Verão: de 1 de abril a 31 de outubro, de terça-feira a sábado, das 11h00 às 20h00, e ao domingo, das 11h00 às 19h00
Restaurante DeCastro Gaia
De terça-feira a sábado, das 12h30 às 23h00, e ao domingo, das 12h30 às 19h00
Terrace Loungue 360º
De terça-feira a sábado, das 12h30 às 00h00, e ao domingo, das 12h30 às 19h00
Reservas
CONTACTOS
Espaço Porto Cruz
Largo Miguel Bombarda, 23
4400-222 Vila Nova de Gaia
Tlf. +351 220 925 401
Loja on-line: www.granvinho.pt
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)













































