O Senhor do Vinho é…. António Ventura

Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura […]
Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura e Enologia. Procurando sempre novas experiências e fontes de conhecimento, obteve, na Charles Sturt University (Austrália), o diploma Applied Science (Winemaking), finalizando o percurso académico com uma pós-graduação em viticultura e enologia na Universidade Católica do Porto. Nessa altura, tinha já vasta experiência de enologia em diversas casas, o que o levou, em 2000, a constituir a Provintage, empresa de consultoria enológica e estratégica. Ele próprio agricultor e viticultor, possui cerca de 100 hectares na região de Lisboa, 50 dos quais são vinha e os restantes dedicados à floresta.
António Ventura sempre apreciou trabalhar em equipas. Para além dos profissionais que consigo colaboram nas múltiplas adegas e a quem transmite diariamente os seus conhecimentos, foi presidente da Associação Portuguesa de Enologia em dois mandatos, sendo também membro efectivo, desde 1995, da Australian Society of Viticulture and Oenology.
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões vitivinícolas de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal. Na sua actual “carteira de clientes”, estão nomes tão distintos na dimensão, objectivos e perfis de vinho como Adega de S. Mamede da Ventosa, Adega da Batalha, Quinta do Gradil, Casa das Gaeiras, Paço das Cortes e Casa Romana Vini (Lisboa); Adega de Almeirim, Quinta da Atela, Quinta do Côro, Quinta dos Pegões, Quinta da Badula e Quinta de Vale de Fornos (Tejo); Adega de Cantanhede (Bairrada); Adega Camolas (Península de Setúbal); Altas Quintas, Sovibor e Herdade do Monte Branco (Alentejo). No grupo Abegoaria é consultor para as regiões de Lisboa (Vidigal Wines, com o best seller Porta 6), Tejo, Douro e Beiras.
O facto de ser, muito provavelmente, o enólogo português com mais litros de vinho sob sua directa responsabilidade não lhe tira o sono. Metódico, dotado de prodigiosa memória e sentido de organização, acompanha cada produtor como se fosse o único. E ainda arranja tempo para dar uma ajuda numa prova ou concurso onde o nome dos vinhos de Portugal possa sair valorizado. Sempre espalhando gentileza e sabedoria, a forma de estar no mundo deste grande Senhor do Vinho. L.L.
O Prémio Senhor do Vinho é patrocinado por Cork Supply.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
A Empresa de Vinhos Generosos do ano é… Real Companhia Velha

A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com […]
A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com base no espólio adquirido.
A Real Companhia Velha (RCV) é um caso paradigmático de empresa, que resulta da união de várias companhias e conserva, hoje, um carácter familiar. Os Silva Reis compraram a empresa Miguel de Souza Guedes em 1953 (e com ela a Quinta das Carvalhas) e, em 1960, a RCV. Com a aquisição da Real Vinícola, em 1963, a empresa tornou-se um gigante, mas não deixou de ser familiar. Actualmente, já há uma nova geração de Silva Reis empenhada na continuação deste legado. E o legado inclui muitos e extraordinários vinhos velhos que pudemos apreciar em 2025, tawnies que desafiam o tempo e revelam toda a apetência que o Vinho do Porto tem pelo “sono em cave”.
Pedro Silva Reis, CEO da empresa, ainda que nunca escondendo o seu gosto pelo Vinho do Porto e pela arte do blend, tem mostrado total abertura a novos rumos, nomeadamente nos DOC Douro, deixando, à nova geração, o poder de decisão sobre novos produtos e novas experiências, com base em uvas das várias quintas, sempre “abençoadas” pela mão segura de Álvaro Lopes e o “nariz” apurado do enólogo Jorge Moreira.
O portefólio dos vinhos velhos é muito completo, de que são bom exemplo os tawnies 50 e 80 anos provados, bem como os Very Old Tawny que não nos saem da memória. A conservação destes vinhos muito velhos reveste-se de grande dificuldade e um provador tem de ser formado ao longo de muitos anos. Não é assunto que se aprenda na Faculdade. E é esse saber antigo que as actuais empresas do sector têm de ser capazes de assegurar para as gerações futuras. A RCV já está a trabalhar nesse assunto. Pedro Silva Reis tem mostrado uma disponibilidade e uma abertura ao diálogo com a imprensa que é de registar: abre as portas, abre os livros, mostra os “segredos” e a conversa flui. Assim deveria ser sempre e na Real já é! J.P.M.
O Prémio Empresa de Vinhos Generosos do ano foi patrocinado por: BA Glass
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
PINHAL DA TORRE VINHOS: A identidade de um terroir do Tejo

A Pinhal da Torres Vinhos fica em terras planas, de lezíria, bem próximas do Rio Tejo e de Alpiarça, terra da Casa dos Patudos, a casa de José Relvas transformada em museu, que vale a pena visitar, e a Reserva Natural do Cavalo do Sorraia, onde se podem ver alguns exemplares daquele que era o […]
A Pinhal da Torres Vinhos fica em terras planas, de lezíria, bem próximas do Rio Tejo e de Alpiarça, terra da Casa dos Patudos, a casa de José Relvas transformada em museu, que vale a pena visitar, e a Reserva Natural do Cavalo do Sorraia, onde se podem ver alguns exemplares daquele que era o cavalo primitivo e autóctone do sul da Península Ibérica, segundo os escritos desta entidade. Paulo Saturnino Cunha, gestor do Pinhal da Torre, conta que a família produzia vinhos, na zona, há muitos anos. Lembra-se mesmo que os bisavôs que conheceu, três ao todo, tinham cada um uma adega, numa terra onde houve sempre produção de vinho a granel, como se fazia em quase todo o Portugal de outros tempos.

Volume e algumas coisas boas
O Ribatejo, hoje região vitivinícola do Tejo, era conhecido por produzir enormes quantidades de vinho, que abasteciam, principalmente, os restaurantes e as tabernas de Lisboa e as ex-colónias de África. As vinhas desenvolviam-se nos solos mais férteis e tinham produções elevadas, e as grandes casas agrícolas pretendiam obter o máximo rendimento, produzindo vinho de pouca qualidade, com o intuito de ser vendido a granel. A família de Paulo Saturnino Cunha chegou a ter 200 hectares de vinha com essa função, mas o pai “engarrafava algumas das coisas boas que produzia, para consumir em casa e dar aos amigos”, conta o nosso anfitrião. Nessa altura, a empresa familiar dedicava-se sobretudo à produção de morangos, para além das culturas de milho, tomate, entre outros produtos. Era o negócio principal. Ocupava 50 hectares de estufas e estufins na lezíria do Tejo, com uma produção média de cerca de 40 toneladas por hectare, parte exportada em fresco, em camiões, com destino a vários países europeus.
“Geadas tardias, que chegavam a dizimar toda a produção de morangos e obrigavam a esperar o nascimento de novos frutos, tornavam a actividade muito complicada”, conta o gestor. Outro problema era a mão de obra, em particular durante a colheita, época do ano em que podiam participar mais de 600 pessoas, que se tornou cada vez mais difícil de angariar na zona. Devido a este cenário, os seus antecessores chegavam a disponibilizar autocarros, para recolher pessoas em Alvaiázere e Pedrógão Grande, de modo a suprir as necessidades do negócio. Até que, em 1995, a casa suprimiu esta produção, por decisão familiar. “Nessa altura também vendíamos muito vinho a granel, e, quando se acabou com a produção de morangos, decidiu-se que iríamos apostar a sério na de vinho”, revela Paulo Saturnino Cunha, que vivia, na época, no Brasil.
Entretanto, o pai tinha tirado um curso na Estação Vitivinícola de Nelas. Influenciado talvez por isso e por ter mantido um relacionamento próximo com docentes, plantou nas suas terras clones do Dão da casta Touriga Nacional, bem como as brancas Cerceal-Branco e Bical, que “não vingaram, porque a qualidade dos vinhos a que deram origem não era muito boa”, declara, acrescentando que o primeiro engarrafamento de vinhos decorreu em 1999. No ano seguinte, foi produzido um “grande Touriga Nacional, que nunca perdeu uma prova às cegas com os melhores vinhos do mundo, incluindo os Mouton, Margaux e outros”, que os seus amigos organizavam enquanto esteve no Brasil.
Reconhecimento e notoriedade
A partir daí, os vinhos da empresa começaram a ganhar algum reconhecimento e notoriedade, sobretudo lá fora, “porque, em Portugal, tínhamos o problema de sermos da região que somos e, quando chegávamos a algum lugar para vender os nossos vinhos, os compradores mostravam-se desinteressados”, comenta Paulo Saturnino Cunha, referindo-se à reputação que a região tinha, o que não acontece hoje. Por isso, os responsáveis do Pinhal da Torre voltaram-se para o mercado externo, para onde chegou a ser vendida 93% da produção, sobretudo países como os Estados Unidos, Brasil, Inglaterra, China, Holanda, Luxemburgo e Suíça.
Foram dois os factores que levaram Paulo Saturnino Cunha a apostar no mercado externo. O primeiro foram as ‘reclamações’ que recebia dos amigos brasileiros, por não encontrarem os seus vinhos à venda, em Portugal, quando visitavam o país. O segundo foi a pandemia de Covid-19, que impediu as suas deslocações aos mercados externos para vender. A solução foi dedicar mais tempo ao nosso país a partir desse período.
“Dar mais atenção ao mercado nacional durante a pandemia, levou-nos a estarmos, hoje, presentes numa percentagem significativa dos melhores restaurantes de Portugal, do Algarve ao Norte, o que contribuiu para que tenhamos, hoje, uma disseminação muito grande no país, para onde vendemos, actualmente, 50% dos nossos vinhos”, conta o responsável pelo Pinhal da Torre, acrescentando que a distribuição é feita através de empresas de implantação regional. No exterior, o principal mercado, hoje, é o Brasil.

Pelo menos, três anos em cave
Os vinhos são produzidos na Quinta de São João, na Quinta do Alqueve e em Águas Vivas, propriedades que perfazem um total de 40 hectares, dos quais 30 estão ocupados por vinha. A produção média é de cinco toneladas de uva por hectare, em resposta à obsessão de Paulo Saturnino Cunha por produzir vinhos com qualidade. É isso que o leva, e ao enólogo consultor da empresa, Mário Andrade, a guardar os vinhos em cave, pelo menos, três anos antes de os comercializar. É esse o tempo mínimo que as referências Antagonista e Protagonista, as de topo do portefólio da empresa, estão em madeira, nova e/ou usada, “que está presente, sem marcar o vinho, o que também tem a ver com o estilo do Mário Andrade”, informa o gestor.
Quanto a castas, são cerca de 20, com evidência para Verdelho, Arinto, Alvarinho, Fernão Pires e Malvasia Fina, que foi plantada o ano passado, nas brancas. Entre as tintas, refere Tinto Cão, Tinta Francisca, Sousão, Touriga Nacional, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Ramisco e Baga. Ou seja, há uma grande panóplia de variedades para uma área não muito grande de vinha, com o intuito de disponibilizar uma oferta diferenciada.
“Um vinho, como nós o encaramos aqui, no Pinhal da Torre, não é um produto industrial”, defende, a propósito, Mário Andrade, acrescentando que é, sim exemplo de diferenciação, diversidade, “de uma conceptualização estética que implica ‘agarrar’ num solo, num clima, num sítio e interpretar isso de forma a ser reconhecido nos aromas e gostos do vinho que deitamos no copo e, de preferência, proporcionar prazer a quem o bebe”. E salienta que não é preciso fazer muito para isso acontecer.
Produzir uva pensando no vinho
Basta que a instalação da vinha tenha sido bem feita, adequada à produção de vinho e que “a sua nutrição obedeça a critérios enológicos, e não agrícolas”, que “não servem quando o objectivo do maneio da vinha é produzir uvas para vinho”. Para Mário Andrade, é necessário ir ainda mais ao pormenor, quando a finalidade é um vinho branco ou um vinho tinto, ou quando as castas são diferentes. “Se tenho um Aragonês e uma Trincadeira, estamos perante situações completamente diferentes, que implicam nutrir o solo para as condições mais adequadas à produção do vinho que queremos produzir, naquele terroir, a partir de cada uma das castas lá plantadas.” Depois é necessária alguma estratégia durante o ciclo vegetativo, para fornecer ar e luz à vinha e aos cachos. “Isto não significa luz directa nem correntes de ar, mas sim na medida certa conforme o ano”, explica o enólogo, acrescentando que é necessário ir adequando isso a cada ano vitícola.
Na produção de uva, o Pinhal da Torre segue um Plano Anual de Viticultura Biológica e Fertilização Sustentável, sem esquecer que as uvas têm de ser produzidas de forma a originar vinhos. “Para mim o papel da enologia começa no campo e acaba no copo do consumidor”, argumenta Mário Andrade. “Como a perfeição não existe e há contingências, vai-se tentando adaptar o caminho, tentando fazer o melhor possível”, assevera. Para o efeito, é importante que haja um bom planeamento na adega, de modo a “que as uvas sigam o seu processo natural na adega. Apenas é necessário fazer algum acompanhamento, provando os mostos durante a fermentação, para ver se fazemos mais ou menos maceração, de forma mais intensa ou menos, definir a altura de desencubar, juntar mosto de prensa ou separar e seguir isso naturalmente”, esclarece o enólogo.
“Apostarmos na produção de vinhos de qualidade numa região que não é fácil, como a do Tejo, e na criação de uma oferta variada e diferenciada em termos de preço e perfis de vinho, tem sido fundamental para nós e sente-se na forma como as pessoas reagem quando os provam”, diz, por seu turno, Paulo Saturnino Cunha. O gestor defende que ainda mantém o envolvimento, dedicação e esforço no negócio, “para não ser mais um. Quem prova os nossos vinhos, mesmo em provas comparativas, pode verificar isso”, continua o gestor, realçando o desempenho de Mário Andrade, cujo trabalho se afirma numa linha condutora, “uma identidade, que também se deve a usarmos apenas as nossas uvas para produzir os nossos vinhos”. O resultado desta acção traduz-se em, por vezes, em apenas três a quatro mil garrafas. “Apostamos na qualidade e não abrimos mão disso”, remata.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Conheça o TOP 30 dos Prémios Grandes Escolhas

Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: João Paulo Martins, José Miguel Dentinho, Luís Antunes, Luís Lopes, Miguel Ferreira, Nuno de Oliveira Garcia, Paulo Pimenta, Rui Caroço dos Santos, Sérgio Lopes e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, […]
Portugal é um país produtor de vinhos de excelência. E se alguém pode afirmá-lo com conhecimento de causa são os provadores da Grandes Escolhas: João Paulo Martins, José Miguel Dentinho, Luís Antunes, Luís Lopes, Miguel Ferreira, Nuno de Oliveira Garcia, Paulo Pimenta, Rui Caroço dos Santos, Sérgio Lopes e Valéria Zeferino. Ninguém, no nosso país, avalia tantos vinhos e tão diversos quanto esta equipa, que conjuga experiência e juventude, irreverência e sensatez, e tem, como denominador comum, o rigor, a isenção e o sentido de responsabilidade.
Quase 5.000 notas de prova, individuais e colectivas, foram sendo compiladas ao longo do ano, e a conclusão foi a esperada: os vinhos portugueses mostram uma qualidade média elevada, vincado carácter regional e, em muitos casos, aliam uma notável expressão de terroir à excelência qualitativa.
Identificar e premiar os vinhos que mais se destacaram em cada região, ou categoria, não foi, por isso, tarefa fácil. E seleccionar o nosso Top 30 foi mais árduo ainda. Para levar a cabo esta missão, de forma rigorosa e, tanto quanto possível, justa, estabelecemos critérios. Desde logo, não considerámos vinhos já premiados em anos anteriores. Depois, deixámos de fora os vinhos produzidos em quantidade inferior a 1.000 garrafas. E, adicionalmente, para ser elegível perante o exclusivo “clube” Top 30, o vinho em questão deverá ter sido provado e aprovado como merecedor por, pelo menos, três dos 10 provadores. Tal como habitualmente, optamos ainda por escolher o melhor entre os seus pares, nas categorias espumante, branco, rosé, tinto e fortificado.
Mas a excelência dos vinhos nacionais não se esgota nestes 30 exemplos. Muitos outros igualmente merecedores poderão ser encontrados nas páginas seguintes, agrupados por região e categoria. São todos eles vinhos de primeira grandeza, vinhos de sonho que espelham o Melhor de Portugal.
Nota: A ordem das imagens é aleatória e nada tem a ver com a pontuação dos vinhos. Consulte a nota de prova de cada referência clicando em cima das imagens das garrafas.
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Casa da Passarella Vindima
Tinto - 2014 -

Urtiga
Tinto - 2019 -

Legado
Tinto - 2020 -

Quadraginta
Tinto - 2017 -

Vinha do Tojal Homenagem a Dona Sophia
Tinto - 2016 -

Anselmo Mendes A Torre
Branco - 2019 -

Casal Santa Maria
Tinto - 2011 -

Herdade do Sobroso Arché
Tinto - 2022 -

Quinta das Bágeiras
Branco - 2021 -

Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal
Tinto - 2015
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António Maçanita Os Paulistas Chão dos Eremitas Vinhas Velhas
Tinto - 2021 -

S. Leonardo
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta da Rede Reserva da Família
Branco - 2019 -

Chryseia
Tinto - 2023 -

Bacalhôa 1931 Vinhas Velhas
Branco - 2022 -

Quinta do Crasto Vinha da Ponte
Tinto - 2019 -

Aeternus
Tinto - 2022 -

QM Patriam Nº2
Branco - -

Quinta do Noval Nacional
Fortificado/ Licoroso - 2023 -

Pequenos Rebentos Viagem ao Princípio do Mundo
Branco - 2021
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Guru Vinha da Calçada
Branco - 2022 -

Justino’s
Fortificado/ Licoroso - -

Pêra-Manca
Tinto - 2019 -

Kopke 80 anos
Fortificado/ Licoroso - -

Vallado
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Vale Meão
Tinto - 2022 -

Poeira Ímpar
Tinto - 2019 -

Costa Boal
Tinto - 2017 -

Julian Reynolds
Tinto - 2017 -

Esporão Private Selection
Tinto - 2019
A empresa do ano é…. Sociedade dos Vinhos Borges

A Sociedade dos Vinhos Borges foi criada em 1884 pelos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do Banco Borges & Irmão, para a comercialização de vinho Verde e do Porto em Portugal, e para exportação. Mais tarde, no início do século XX, após a entrada de Artur Lello no capital da empresa e na sua […]
A Sociedade dos Vinhos Borges foi criada em 1884 pelos irmãos António e Francisco Borges, fundadores do Banco Borges & Irmão, para a comercialização de vinho Verde e do Porto em Portugal, e para exportação. Mais tarde, no início do século XX, após a entrada de Artur Lello no capital da empresa e na sua gestão, também foi impulsionado o negócio de produção de vinhos com a compra da Quinta da Soalheira, no Douro, em 1904. Segundo Gil Frias, Presidente da Comissão Executiva do grupo José Maria Vieira (JMV) e administrador responsável pela Borges, os anos mais prósperos decorreram desde o final da Segunda Guerra Mundial até ao período da revolução do 25 de Abril de 1974, quando a empresa passou para o Estado português, em conjunto com o banco Borges & Irmão, quando toda a banca foi nacionalizada. Só voltou para as mãos de privados em 1988, quando integrou o Grupo BPI.
A José Maria Vieira foi, desde os anos 70 até aos 90 do século XX, distribuidora da Borges de Coimbra para Norte de Portugal, quando o Grupo BPI decidiu alienar os seus activos não financeiros, incluindo a Sociedade dos Vinhos Borges. Constituído por sete empresas ligadas à produção de café e vinho, e distribuição, a “JMV viu aí uma oportunidade de entrar na produção de vinho, para verticalizar o negócio, da vinha quase ao copo do consumidor, estender a distribuição a todo o país e incorporar a carteira de clientes de exportação da Borges”, explica Gil Frias. A seguir, foi feito um “trabalho de reconstrução da empresa, da base ao telhado”.
Um dos pilares que sustenta o negócio é a produção. Inclui uma viticultura assente numa capacidade produtiva de cerca de 330 hectares e um sector de transformação, estágio e engarrafamento baseado em “adegas equipadas com a melhor tecnologia, para produzirmos vinhos como queremos”, salienta Gil Frias. Recentemente foi feito o remapeamento da vinha, com o intuito de colocar as melhores castas nas melhores parcelas e construída uma nova adega em Sabrosa, na região duriense, “melhor equipada tecnologicamente, a nível logístico, na recepção de uva, na forma de trabalhar e na capacidade em inox, mais adequada aos tipos de vinho que queremos fazer, o que nos permitiu ter um salto qualitativo muito grande em termos de vinhos do Douro”, acrescenta Gil Frias. Um investimento já recompensado pela qualidade dos vinhos que vão chegando ao mercado e pelo sucesso junto dos consumidores. J.M.D.
O prémio Empresa do ano é patrocinado por: Domino Portugal
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
A Adega Cooperativa do Ano é….. CARMIM

Fundada em 1971, a CARMIM é uma cooperativa gerida de forma altamente profissionalizada em todas as suas vertentes, da viticultura à enologia, da área comercial ao marketing. Sem nunca perder de vista que na base de tudo estão as pessoas e, em particular, os seus associados que, dia a dia, trabalham as vinhas de Reguengos. […]
Fundada em 1971, a CARMIM é uma cooperativa gerida de forma altamente profissionalizada em todas as suas vertentes, da viticultura à enologia, da área comercial ao marketing. Sem nunca perder de vista que na base de tudo estão as pessoas e, em particular, os seus associados que, dia a dia, trabalham as vinhas de Reguengos. Foram estes atributos, aos quais se adicionam uma oferta de vinhos bastante consistente, encimada pelo excelente Garrafeira dos Sócios, que justificaram a escolha para o Troféu da categoria Cooperativa relativo ao ano de 2024.
Acontece que, no final de 2025, a CARMIM apresentou ao mercado o projecto Raízes. Materializado em vinhos, claro, é bem mais do que isso. As palavras do Director-Geral João Caldeira, que fez a apresentação pública ao lado do presidente Miguel Feijão, dizem praticamente tudo: “Queremos acabar com o preconceito ligado ao vinho de cooperativa. Queremos mostrar que quem controla e conhece 3.000 hectares de vinha tem tudo para poder criar vinhos especiais e diferenciadores, que marquem presença nos mais conceituados restaurantes e garrafeiras”. Com a linha Raízes, a CARMIM posiciona-se assim num segmento de mercado que, tradicionalmente, uma adega cooperativa não se atreve a ambicionar. Não se trata apenas de preço. O que torna este projecto pioneiro é, sobretudo, o perfil dos vinhos e o storytelling que o acompanha, orientados para um nicho muito específico de consumidores.
Para alcançar a exclusividade e singularidade pretendidas, os enólogos Rui Veladas e Tiago Garcia buscaram as vinhas velhas, as castas históricas, e uma vinificação bastante respeitadora do terroir. Visitaram e avaliaram muitas das vinhas mais antigas dos associados para, no final, seleccionarem uma parcela plantada em 1979, por Leonel Franco, sócio nº4 da CARMIM. Sem rega, em solo granítico franco-arenoso, esta vinha teve acompanhamento diferenciado ao longo de todo o ciclo vegetativo. Na vindima de 2024 foi produzido um branco, um rosé e um tinto. O branco, de Arinto e Roupeiro, e o rosé, de Tinta Caiada, já estão no mercado, e impressionaram muito, pelo carácter, elegância e frescura. O tinto, feito de Trincadeira e Carignan, só deverá aparecer no final deste ano, mas a prova em ante-estreia mostra que segue o mesmo rumo de finesse e ainda com mais brilho. A linha Raízes é assim um grito de revolta contra as ideias feitas e ilustra uma certeza: se trabalhar com esse propósito, nada impede uma cooperativa de criar vinhos aspiracionais, raros e diferenciadores. L.L.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
AMORIM CORK E CAVES SÃO JOÃO: Recorking, a garantia de um legado vínico

Já não é novidade que as Caves São João, centenária empresa vitivinícola da Bairrada, possui um impressionante espólio de vinhos antigos, religiosamente guardados nas caves subterrâneas. São cerca de 400 mil vinhos divididos entre as referências Caves São João, Frei João, Porta dos Cavaleiros e Quinta do Poço do Lobo. Sabe-se, também, que o elo […]
Já não é novidade que as Caves São João, centenária empresa vitivinícola da Bairrada, possui um impressionante espólio de vinhos antigos, religiosamente guardados nas caves subterrâneas. São cerca de 400 mil vinhos divididos entre as referências Caves São João, Frei João, Porta dos Cavaleiros e Quinta do Poço do Lobo. Sabe-se, também, que o elo mais fraco destes vinhos únicos é o vedante, a rolha natural que, nalguns casos, preserva aquelas colheitas há mais de 50 anos. No entanto, a rolha de cortiça natural NDtech possui um limitado tempo de vida, isto é, a partir dos 30 anos, vai perdendo a elasticidade.
Com o intuito de garantir as boas condições deste acervo histórico para o futuro, as Caves São João iniciaram um processo longo e minucioso de rearrolhamento dos vinhos, firmando uma parceria com a Amorim Cork, a maior e, provavelmente, mais inovadora empresa de rolhas naturais no mundo. Para Célia Alves, gerente das caves bairradinas, esta é uma das mais importantes operações levadas a cabo pela empresa nos últimos anos e terá como missão, face à fragilidade dos vedantes naturais para além de três décadas, conservar e qualificar aqueles vinhos para o porvir, num processo de valorização de um património vínico, histórico e cultural único no âmbito dos vinhos tranquilos portugueses. Esta operação teve o simbolismo de ser iniciada com um vinho absolutamente notável, o Frei João Reserva tinto, da colheita de mítica de 1963, em versão magnum.
Pela integridade dos vinhos
Joaquim Sá, representante da Amorim Cork na África do Sul, deu-nos conta, na qualidade de especialista de recorking, como surgiu este processo que, ao longo dos anos, gerou conhecimento e técnica, de modo a assegurar a precisão no rearrolhamento, bem como a redução do risco a favor da integridade dos vinhos. O desafio inicial chegou-lhe através do mais reputado produtor sul-africano, Danie de Wet (De Wetshof Wine Estate), que pretendia fazer o recorking de uma garrafa de Grand Constance, de 1821. Um desafio temível perante um vinho tão antigo! Joaquim Sá aceitou o desafio, mas não sem antes analisar os processos de rearrolhamento bastante desenvolvidos que a Graham’s realiza, de 15 em 15 anos, nos seus Vintage e que a José Maria da Fonseca aplica nos vinhos centenários. A vertente prática acabou por ser realizada a convite da leiloeira sul-africana Niederberg, que pretendia evitar problemas de integridade dos vinhos antes de os levar a leilão.
No decurso do recorking de 100 simbólicas garrafas nas caves da Caves São João, verificámos a meticulosa operação por trás do processo, que começa com uma prévia avaliação dos vinhos, no sentido de aferir a sua real qualidade, integridade e, sobretudo, o potencial de valorização futura. Posteriormente, segue-se a medição do gargalo interno da garrafa e o desenvolvimento da rolha natural adequada. No dia anterior ao recorking, as garrafas são colocadas na vertical, para provocar o assentamento de eventual depósito, iniciando-se a operação pela limpeza da garrafa e o desarrolhamento manual com o máximo cuidado.
Uma vez aberta a garrafa, há que se proceder à imediata proteção através de gás Argon (o mesmo que é utilizado nos dispositivos do género Coravin), à limpeza do interior do gargalo, sendo a integridade e a qualidade do vinho atestadas apenas pelo chefe de cave, segue-se o atesto, feito com o mesmo vinho, até ao nível correto, adicionando-se um pouco de sulfuroso, para reforçar a preservação. Por fim, coloca-se a nova rolha definitiva. É neste final do processo que entra a mais recente tecnologia da Amorim Cork: a rolha Mdtech de elevada performance sujeita a controlo individual, através de cromatografia gasosa, de modo a despistar qualquer presença de TCA (Tricloroanisol), na qual é colocado o chip “Corkified”. Este é dotado de um código individual referente a cada garrafa, permitindo uma total rastreabilidade e atualização, inclusive remoto, dos dados constantes do chip.
Luís Botelho, diretor comercial da Amorim Cork, enaltece o recorking como área especializada da empresa ao longo dos anos, constituindo um recurso muito importante ao serviço dos produtores, no que à preservação e garantia de maior longevidade aos vinhos diz respeito. Como grandes embaixadores da rolha natural, fazia todo o sentido desenvolver a clínica de rearrolhamento. O que executaram nas Caves São João é já o fruto do aprimorado processo de investigação e desenvolvimento de técnicas inovadoras ali aplicado a vinhos antigos, com mais de quatro ou cinco décadas de vida. O segredo é mesmo a soma das diversas tecnologias desenvolvidas e, agora colocadas ao serviço do produtor, reforçando a fiabilidade, a rastreabilidade e a integridade de cada um dos preciosos vinhos objeto de recorking.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
BARBEITO: O luxo de sempre

O concerto de Ano Novo realizado pela Orquestra Filarmónica de Viena, todas as manhãs do dia 1 de Janeiro, tem lugar no cenário incomparável da Sala Dourada do Wiener Musikverein. Assistir pessoalmente deverá ser, certamente, uma experiência tão inesquecível, quanto difícil para lá poder chegar. Não é um processo simples, pois grande parte dos lugares […]
O concerto de Ano Novo realizado pela Orquestra Filarmónica de Viena, todas as manhãs do dia 1 de Janeiro, tem lugar no cenário incomparável da Sala Dourada do Wiener Musikverein. Assistir pessoalmente deverá ser, certamente, uma experiência tão inesquecível, quanto difícil para lá poder chegar. Não é um processo simples, pois grande parte dos lugares estão reservados à realeza, à aristocracia e às elites europeias, passando de geração em geração, por sucessão dinástica e apenas uma parte está destinada ao público. O problema é que os bilhetes não se podem comprar na bilheteira ou na Internet ou, pelo menos, não directamente. É preciso ter sorte e ser um dos escolhidos pelo sorteio especialmente realizado para o efeito em Março, para o qual uma pessoa tem de se inscrever previamente, para poder assistir ao concerto ao vivo.
Perdoe-me o leitor a comparação ousada, mas assim é, também, salvas as devidas distâncias e proporções, com o Madeira Wine Experience, que já teve edições no Palácio de Seteais ou na histórica Casa dos Penedos, sempre na lindíssima Vila de Sintra.
Generosa exclusividade
O Madeira Wine Experience (MWE) é uma prova exclusivamente dedicada ao Vinho Madeira, criada por Paulo Cruz, também ele mentor do Porto Extravaganza – para muitos, a grande escola de Vinho do Porto em Portugal –, e pelo seu sócio e amigo, Paulo Henrique Bento. A ideia nasceu no Bar do Binho, localizado na Praça da República, em pleno Centro Histórico de Sintra, do qual Paulo Cruz é proprietário. Foi fundado pelo bisavô e tem permanecido na família desde 1927. Conta com uma colecção imensa de vinhos generosos, desde alguns do século XVIII até outros mais recentes. É lá que Mr. Cruz se dedica, diariamente, a educar, ensinar e dar a provar os melhores vinhos fortificados do mundo.
À semelhança do Extravaganza, o MWE é um evento muito exclusivo, intimista e dedicado. Os habitués são já uma espécie de família dos vinhos. Registam as datas no calendário de um ano para o outro, não falham uma edição e ficam sempre pasmados a cada nova revelação. Assim foi com a edição de 2025. O leitor sente-se, por favor.
Na primeira parte da prova tivemos Ricardo Diogo, da Vinhos Barbeito, e o precioso ajudante, Sérgio Marques, a ensinarem-nos a fazer o blend do estratosférico Vinho Madeira, com o rótulo Barbeito O Americano Malvasia 50 Anos. Ensinar como?! Perguntarão. Tínhamos seis provetas de vidro à nossa frente, cada uma com cada um dos vinhos utilizados para compor o lote final do Barbeito O Americano, a saber: Malvasia de 2005 (casco 58, meio doce, 25% do lote), Malvasia de 2009 (casco 303, meio seco, 12% do lote), Malvasia 40+ Anos (tanque 99ª MEF, 18% do lote), Malvasia 30+ Anos (garrafão 92 FV/RR, 22% do lote), Malvasia 100+ Anos (garrafão 6 LV/Reitor, 17% do lote – “o vinho-chave do lote”, segundo Ricardo Diogo), Malvasia 2012 (casco 158, 6% do lote).
À medida que fomos provando, fomos ouvindo a(s) história(s) de cada um dos vinhos, para sentirmos os diferentes níveis de aromas, as texturas, a acidez, os açúcares, a intensidade e a concentração, e colocando, na exacta medida, a percentagem indicada de cada um dentro duma nova proveta de vidro até completarmos os 100% do lote.
Feito o blend, provamos, lado a lado, com o verdadeiro Barbeito O Americano Malvasia 50 Anos. O momento traduziu-se numa experiência única e fascinante, onde pudemos verificar um vinho acabado de lotear, mas ainda por finalizar, e o mesmo vinho, devidamente finalizado, colado e filtrado, e já com um ano de afinamento em garrafa. As semelhanças eram evidentes, mas, como é óbvio, faltava a perfeição só atingida com o tempo em garrafa.

Uma novidade e um desafio
Um dos momentos altos da tarde-noite, foi o lançamento mundial do Barbeito Pai António Verdelho 50 Anos, o vinho de homenagem de Ricardo Diogo a seu pai, um homem que não gostava de Vinho Madeira, mas, pasme-se, a quem a mulher, mãe de Ricardo, graciosamente, nunca parou de perguntar, ao longo do casamento, se a desejava acompanhar sempre que tomava um Vinho Madeira.
Após o ligeiro coffee break, para conversarmos e darmos algum lastro ao estômago, que neste tipo de provas as cuspideiras ficam sempre vazias, bem como tempo à equipa para substituir copos e preparar tudo para a segunda parte, Ricardo Diogo e o Sérgio Marques sentaram-se, como os demais de nós, para uma prova de 11 vinhos Madeira. Tudo às cegas. A prova foi conduzida por Paulo Henrique Bento, com Mr. Cruz na presidência. A saber: Barbeito Malvasia Lote Especial 30 Anos (engarrafado em 2006), Barbeito Vó Vera Malvasia 30 Anos (engarrafado em 2016), Companhia Vinícola da Madeira Verdelho 1934, Leacock Boal Solera 1851, Justino’s Boal 1934, Blandy´s Bual 1954, Quinta da Consolação Malvasia Roxa 1907, Padre Vale Malvasia Seca 1902, Borges Boal 1875, Barbeito Malvasia 1875 (engarrafado na década de 1970), e Barbeito Malvasia 1875 (engarrafado em 2020). Destaque para o Blandy’s Bual de 1954, um dos melhores anos de sempre na Madeira e destaque maior para o grandioso trio de 1875, monumentais, complexos, profundos, vivos, vibrantes e longos; são vinhos para a eternidade.
A ideia deste artigo não é irritar o leitor ou fazer-lhe pirraça ao falar de vinhos únicos e de uma prova tão exclusiva, mas a própria natureza dos vinhos assim o exige, pois muitas das garrafas provadas eram exemplares únicos e a generalidade dos vinhos provados não está sequer à venda. Aquilo que os leitores interessados podem fazer, se me é permitida a sugestão, é fixar o nome das marcas em prova, porque algumas das casas têm outras colheitas memoráveis, mais recentes. Quanto a poder fazer parte de uma destas edições, é apenas uma questão de fazer uma visita ao Bar do Binho, em Sintra, falar com Paulo Cruz e aguardar em lista de espera. É muito difícil, mas não há outra maneira.
Porém, o verdadeiro mote deste artigo, que tanto gosto me deu a escrever, é divulgar o trabalho único e incomparável que Paulo Cruz e Paulo Henrique Bento fazem há vários anos, no que toca à divulgação e promoção dos vinhos fortificados de Portugal, especialmente numa fase tão difícil como a que os vinhos generosos estão a atravessar, porque, como se diz à boca cheia, no final de cada edição de Extravaganza ou Madeira Wine Experience, “se estes dois gajos não fazem, mais ninguém faz!” Talvez não seja inteiramente assim, mas que anda lá muito perto, disso não tenhamos a menor dúvida.
(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)





















