Prémios Grandes Escolhas “Os Melhores do Ano” regressam a 11 de Março

Prémios Grandes Escolhas

Os Prémios Grandes Escolhas “Os Melhores do Ano” estão de volta, com data marcada para 11 de Março de 2022. Pelo segundo ano consecutivo, a pandemia que nos aflige obriga a Grandes Escolhas a alterar o modelo tradicional da cerimónia de entrega  d’Os Melhores do Ano, um acontecimento relevante para todo o sector do Vinho […]

Os Prémios Grandes Escolhas “Os Melhores do Ano” estão de volta, com data marcada para 11 de Março de 2022.

Pelo segundo ano consecutivo, a pandemia que nos aflige obriga a Grandes Escolhas a alterar o modelo tradicional da cerimónia de entrega  d’Os Melhores do Ano, um acontecimento relevante para todo o sector do Vinho e da Gastronomia portuguesa. A grande incidência que os especialistas de saúde antecipam ainda decorrer nos próximos tempos, obriga a cautelas especiais para garantir a segurança de todos.

Considerando que é muito importante para o sector e para o mercado manter o anúncio e a entrega destes prestigiados prémios relativos às empresas, instituições e personalidades que mais se distinguiram durante ao no 2021, e com base na experiência bem sucedida do ano passado, em que a transmissão online teve milhares de visualizações, a Grandes Escolhas decidiu este ano adoptar um modelo misto que junta a transmissão em directo à presença de um número limitado de convidados. Desta forma, organização pensa assegurar a dignidade que os distinguidos merecem, salvaguardando a segurança. Quem será o Produtor do ano? E a Empresa? Quem levará o Troféu Viticultura? Qual será o melhor Enoturismo, e quais os Restaurantes distinguidos? E — algo sempre muito esperado — quem serão os Enólogos do ano? Que personalidades deverão ser distinguidas como Senhor do Vinho e o com o Troféu David Lopes Ramos? O sector já começou a fazer as suas apostas…

A entrega dos Prémios Grandes Escolhas “Os Melhores do Ano” será, assim, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, no dia 11 de Março de 2022 (sexta-feira), e a mesma será transmitida em streaming online numa plataforma aberta a todos interessados em assistir. Para além disso, serão convidados a estar presentes todos os premiados, os patrocinadores e representantes das empresas e instituições mais emblemáticas do sector. No final da cerimónia, será servido um cocktail com prova dos muitos dos vinhos premiados, para facilitar os contactos entre os profissionais da fileira do vinho e permitir o convívio responsável. A cerimónia decorrerá a partir das 17:00 horas e terá duração de hora e meia.

Magnum Carlos Lucas – Uma história de Dão e Douro

Magnum Carlos Lucas

Completados os 10 anos da Magnum Carlos Lucas Vinhos, com um percurso feito sobretudo no Dão, o produtor inicia agora a sua aventura no Douro, com a Quinta das Herédias. Texto: Mariana Lopes Fotos: Ricardo Palma Veiga  A empresa Magnum Carlos Lucas Vinhos foi fundada a 13 de Setembro de 2011, há 10 anos, mas […]

Completados os 10 anos da Magnum Carlos Lucas Vinhos, com um percurso feito sobretudo no Dão, o produtor inicia agora a sua aventura no Douro, com a Quinta das Herédias.

Texto: Mariana Lopes
Fotos: Ricardo Palma Veiga

 A empresa Magnum Carlos Lucas Vinhos foi fundada a 13 de Setembro de 2011, há 10 anos, mas já bem antes disso o produtor se tinha ligado à Quinta do Ribeiro Santo, em Carregal do Sal, propriedade que sempre foi o coração do projecto (apesar de a Magnum também operar no Alentejo, Douro e Vinhos Verdes). O seu pai comprou-a em 1995, replantou os vinhedos que lá estavam em solo arenoso e remodelou a casa, tendo o primeiro vinho, com o nome da quinta, sido um branco Encruzado de 2000.

No Dão, Carlos Lucas — “coimbrinha” mas desde sempre ligado à terra, formado em Enologia na sua cidade e especializado lá fora — já produz um milhão de garrafas, o que faz dele um dos maiores players da região. Na adega da Quinta do Ribeiro Santo, com 2000 metros quadrados e totalmente equipada, incluindo linha de engarrafamento e uma novíssima sala de provas, vinificam apenas os vinhos de segmento premium, os mais especiais, cerca de 400 mil litros. Falamos de coisas como o Ribeiro Santo Vinha da Neve, Excellence Grande Escolha, Automático, Envelope, E.T., Vinha de Santa Maria, entre outros. Este último vem da quinta com o mesmo nome que Carlos Lucas adquiriu em Cabanas de Viriato, dez hectares de vinhas com mais de 20 anos e, como é usual nestas propriedades antigas do Dão, uma casa senhorial apanhada já em decadência mas com grande potencial de recuperação. Mais recentemente, o produtor adquiriu uma outra, apenas a 600 metros da Quinta do Ribeiro Santo: a Quinta da Bela-Vista, com cinco hectares no total e dois de vinha dos anos 60, também com uma casa que será recuperada para ser um hotel de luxo, no futuro. A foto de capa desta edição da Grandes Escolhas foi, precisamente, tirada numa das varandas deste edifício oitocentista. Os primeiros vinhos daqui provenientes serão lançados no próximo ano, só tintos de parcela e em formato magnum. Com solo franco-arenoso profundo, a quinta (que visitámos com Carlos Lucas e o seu “braço-direito”, o enólogo bairradino Carlos Rodrigues) tem uma vinha velha de ensaio, já com 50 anos, com castas como Bastardo, Alvarelhão, Rabo de Ovelha, Cerceal, Rufete, entre outras. A estas somam-se variedaes como Tinto Cão ou Touriga Nacional, com a placa antiga que identifica a parcela ainda a dizer “Tourigo”, nome que se dava à casta no Dão. Estas três quintas perfazem, grosso-modo, os 30 hectares de vinha que a Magnum Carlos Lucas tem na região.

Duas verticais de luxo

Para conhecer verdadeiramente a evolução do projecto Magnum, nada melhor do que uma (ou duas) prova vertical. Começámos com sete colheitas do Ribeiro Santo Vinha da Neve Encruzado branco. A Vinha da Neve é uma parcela de 1 hectare localizada em frente à casa de Carlos Lucas, virada para a Serra da Estrela, e é por isso que se chama assim. Segundo Carlos, é uma vinha tardia com muito granito, “o que confere o lado bem salino que se sente no vinho”. Originando entre 2500 e 3000 garrafas, este 100% Encruzado começa a fermentação em inox e acaba-a em barrica nova, aí estagiando durante um ano. Ultimamente, a opção tem sido reduzir a tosta das barricas utilizadas. A vertical iniciou com o 2018 (prova no final da reportagem), agora no mercado, notando-se um claro fio-condutor que atravessa a gama, com variações normais de ano para ano, um perfil muito definido. No 2017 (18 pontos) não se nota propriamente, no nariz, mais um ano de envelhecimento do que a nova colheita, o que é sempre bom indicador. Sente-se bastante o lado vegetal mas já traz outras coisas como grafite. Sério na boca, com enorme volume. O 2016 (18) mostra-se bem mineral no nariz, mas na mesma linha dos outros, muito cremoso, sílex, final altamente salino. Já o 2015 (18,5), vinho em que se nota mais a mudança de cor, apresenta-se fechado no nariz, mas apimentado, com espargo branco, pedra molhada, levíssima líchia. Explode na boca, amplitude enorme, nervo e complexidade. O 2014 (18) é um vinho de notas evolutivas mais intensas, frutos secos, fruta branca madura, sempre com rasgo vegetal. A evolução não causa estragos na boca, continua tenso, fresco, complexo. Por sua vez, o 2012 (17,5) embrulha-se um pouco no nariz, guardando tudo para a boca que tem acidez vegetal elevada, amplitude e uma boa secura de conjunto. Por fim, o 2011 (18,5) tem um nariz fantástico e inebriante de sílex, pólvora, verdes frescos, flor margaça, hortelã, ainda a denotar a madeira. Enorme cremosidade, frescura e finesse neste vinho, muito vivo e nervoso, a dar um kick de acidez incrível.

Magnum Carlos Lucas
Carlos Rodrigues à esquerda, trabalha há vários anos com Carlos Lucas, no Dão.

Depois, foi a vez do desfile de Ribeiro Santo Excellence Grande Escolha tinto, um Blend de barricas com “um pouco de tudo”, indica Carlos Lucas, sobretudo Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Tinto Cão. As cerca de 2000 garrafas são numeradas, sendo que a partir do 2013 foram vinhos lançados sempre 5 anos após a colheita. Este tinto faz maceração prolongada em inox e fermenta com leveduras indígenas. Fica depois em barricas novas de carvalho francês, de 225 litros, durante 14 meses. Começámos mais uma vez no mais recente, o 2016, agora no mercado. Depois, o 2014 (18) mostrou-se mais contido no nariz, com fruta silvestre igualmente pura e pimenta. Rústico, balsâmico, adstringência positiva, quase a lembrar um estilo bairradino. Secura final sempre boa. O 2013 (18,5) marca a mudança de rótulo e a introdução da garrafa areada “mate”. Tem bagas vermelhas, verniz, nota vegetal, pimenta branca. Super elegante, com óptima densidade e envolvimento, muito rico e sumarento. O 2012 (18) é bem expressivo nas notas de bosque, frutos silvestres e mentolados, eucalipto e musgo. Puro e naturalmente fresco, harmonioso, taninos super sedosos. O 2011 (18,5) é de nariz fino, violáceo, vegetal, com pimenta branca, levíssima pirazina. Na boca é que se releva grandioso, elegância, classe, finura, complexidade, polimento. Ainda rústico, para ficar. Já o 2010 (17,5) tem muita expressão de fruta, cereja madura, laivo vegetal, barrica perceptível mas bem integrada. Boca viva, taninos agitados mas elegantes, enorme amplitude e prolongamento. Muito chão de bosque é o apanágio do 2008 (18) levemente iodado, profundo, especiado. Fino e elegante na boca. Conjunto bem harmonioso, vivo. Para finalizar, o 2005 (17,5), que ainda tinha o designativo “Escolha”, apresentou-se profundo no nariz de bagas maceradas, notas terrosas, cogumelo, exótico na sugestão encerada, sândalo. Sedoso mas muito presente e elegante.

Onde o xisto encontra o granito

No início de 2019, a Magnum Carlos Lucas adquiriu a Quinta das Herédias, em Tabuaço, no Cima Corgo do Douro, mas em 2018 a poda já foi feita por esta empresa. Desta quinta fazia parte o Mosteiro de São Pedro das Águias, do século XII, onde os monges de Cister desenvolveram a viticultura. Este edifício faz ainda companhia à Quinta das Herédias, bem como um eremitério do século XI. Não estamos na paisagem duriense mais óbvia: o rio Tabuaço, o maior afluente do rio Douro, está entre a quinta e São João da Pesqueira, e os solos aqui são completamente mistos, de granito e xisto. Escarpas rochosas impressionantes rodeiam a propriedade, num Douro “limpo”, onde não há vislumbre da paisagem urbana menos atractiva. Estas escarpas altíssimas descem até ao rio Távora, e de manhã estão escondidas por um nevoeiro místico, que levanta quando o sol decide marcar presença. A casa, com vários andares e já parcialmente remodelada, encontra-se a 315 metros de altitude, com 10 quartos que serão preparados para receber clientes e amigos, num ambiente intimista. Já a vinha, que totaliza 30 hectares, vai dos 120 aos 400 metros. Quatro desses hectares são de vinhas velhas centenárias (com muitas castas, entre as quais Malvasia Preta, Tinta Francisca, Tinta Pomar, Rufete…) e 20% do encepamento é branco. Em 2020, a Magnum plantou ali quatro hectares com Viosinho, Rabigato e Gouveio. Também há Malvasia Fina, e as tintas Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Tinta Amarela, Sousão, e outras. Uma das características mais singulares é de facto o solo de transição, com o granito e o xisto a conviver.

Magnum Carlos Lucas
Cave de barricas do Ribeiro Santo.

“A minha intenção é fazer aqui quantidade aliada a qualidade, construir marca. Este ano já comprámos muitas uvas”, explica Carlos Lucas, que tem de alugar a adega cooperativa de Tabuaço, Caves Vale do Rodo, para vinificar, pois não é permitido construir na quinta uma adega de cariz industrial. A ideia, a médio prazo, é fazer uma instalação a 10 quilómetros dali. Na quinta existe uma pequena adega antiga com três lagares — dois lagares e uma lagareta, se quisermos ser mais precisos — e duas prensas tradicionais. Quanto visitámos as Herédias, os dois maiores lagares estavam cheios de garrafas, um com o Vintage 2019 e outro com o topo de gama, que se chamará Quinta das Herédias + Cento e Trinta Anos, que será lançado mais tarde. “Estou muito contente com este projecto, era o meu sonho ter algo assim no Douro, uma quinta com uma adega antiga e lagares”, confessa Carlos. Além da vinha, o laranjal é uma presença forte na quinta, bem como a floresta e o olival, que se estende por uns impressionantes 35 hectares contínuos de oliveiras centenárias, uma área nada comum no Douro, e a uma cota baixa, pouco mais de 100 metros de altitude. Daqui já fazem azeite, extraído a frio.

Magnum Carlos Lucas
Carlos Lucas, Paulo Mota e Bernardo Santos na Quinta das Herédias.

Mas porque ninguém consegue estar em todo o lado ao mesmo tempo, Carlos Lucas é assistido por Bernardo Santos, jovem enólogo de 24 anos que ocupa o seu tempo entre a adega do Dão e o Douro. Durante o início da pandemia, Bernardo esteve, inclusive, confinado na Quinta das Herédias, bastante tempo ainda sem televisão ou internet, a fazer sobretudo intervenções intensivas e necessárias nas vinhas, como retanchas ou rearamações. Porém, é Paulo Mota, enólogo residente em Vila Real, que representa “os olhos” de Carlos Lucas no Douro. Já tinham trabalhado juntos, e com a aquisição da Quinta das Herédias, regressou à empresa. Bernardo explica que tiveram “de fazer um grande trabalho de recuperação, o local estava altamente abandonado e escondido por vegetação, com algum património destruído. As vinhas velhas eram autênticos diamantes em bruto à espera de ser lapidados”. Aqui, Carlos Lucas pretende uma evolução de negócio sustentada. “Estamos a fazer uma marca com pés e cabeça, tentando não cometer erros e sem facilitar nos pormenores. Pegámos em marcas que já existiam e criámos referências novas. Quero também fazer histórico e, no futuro, aparecer com grandes vinhos”, declara, fazendo também referência à marca que já tinha nesta região e que mantém, Baton. O conceito de vinhos é, por agora, muita qualidade situada numa gama média e um ou dois super-premium, que Carlos consideram serem o grande potencial nas Herédias. A produção total ronda as 100 mil garrafas, daquela que é a nova paixão de Carlos Lucas, que se mostra totalmente feliz quando chega à quinta e brinca com o seu Cão de Gado Transmontano, um “bebé gigante” que está ainda a aprender a guardar a propriedade. O projecto está a dar os primeiros passos, mas já mostra, com os vinhos que entram agora no mercado, o que é capaz de fazer.

(Artigo publicado na edição de Novembro de 2021)

Magnum Carlos Lucas
O Baton é o Cão de Gado Transmontano que guarda as Herédias.

 

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Grande Prova – Quando Verde não é uma cor

Grande Prova Verdes

O Vinho Verde não é uma categoria de vinhos. Se antigamente o consumidor ainda tinha desculpa para fazer esta confusão, por falta de conhecimento ou de vinhos com grande impacto, hoje é imperdoável. O Vinho Verde é uma denominação de origem que coincide geograficamente com a região do Minho. E é, sem dúvida, uma grande […]

O Vinho Verde não é uma categoria de vinhos. Se antigamente o consumidor ainda tinha desculpa para fazer esta confusão, por falta de conhecimento ou de vinhos com grande impacto, hoje é imperdoável. O Vinho Verde é uma denominação de origem que coincide geograficamente com a região do Minho. E é, sem dúvida, uma grande região para vinhos brancos no nosso país.

Texto: Valéria Zeferino
Fotos: Ricardo Palma Veiga

A região dos Vinhos Verdes tem o seu perfil diferenciador marcado pelas condições climáticas vincadas e pelas castas pouco ou nada utilizadas noutras regiões do país (com excepção de Arinto). O enorme sucesso de marcas de volume como Casal Garcia, Gazela ou Gatão não podem justificar generalização, impedindo ver o potencial qualitativo e a diversidade da região. Pensar que todos os vinhos daquela zona são simples, levemente doces e gaseificados, é uma visão redutora. Os vinhos com carácter mais sério e ambicioso, sem comprometer o perfil marcadamente fresco da região, representam hoje, segundo o Presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro, cerca de 20% da produção em termos quantitativos, mas elevam o padrão e a percepção da qualidade e de valor do Vinho Verde, como a expressão do seu território.

Marcos históricos

 A menção mais antiga ao Vinho Verde data de 1606, num documento passado pela Câmara do Porto. Vinho Verde foi uma das primeiras regiões a ser demarcada em 1908 e desde 1929 tem os seus contornos actuais. É uma das maiores regiões de Portugal em termos de área de produção, a seguir ao Douro e Alentejo, ocupando mais de 24 mil hectares (dados estatísticos do IVV a 31 de Julho de 2020). Em termos de produção é a quarta maior região a seguir ao Douro, Alentejo e Lisboa, produzindo 816 396 hl na campanha 2019/2020 o que corresponde a 13% de produção nacional.

Nos últimos quatro anos (sem contar com 2020) a presença no mercado nacional estava a crescer continuamente, atingindo em 2019 quase 21,5 milhões de litros o que corresponde a uma quota do mercado de quase 18%. É a segunda maior em volume a seguir ao Alentejo (com 37,6% do mercado) e em valor fica no terceiro lugar após Alentejo e Douro, ocupando 15,5% do mercado nacional, segundo a Nielsen.

O preço médio também foi crescendo nos últimos 4 anos e em 2019 ficou nos 4,86 euros por litro, ultrapassando regiões como Beiras, Beira Atlântico, Lisboa, Tejo e Península de Setúbal.

96,6% dos vinhos da região são vendidos como DOC e nesta vertente o Vinho Verde lidera no mercado nacional. Mais de 70% é vendido na distribuição, mas também tem uma presença interessante na restauração.

Ao contrário da realidade histórica, na região produz-se muito mais brancos do que tintos.  Segundo os dados estatísticos da CVRVV, em 2020, de vinhos tranquilos (DOC Vinho Verde + Regional Minho) foram produzidos quase 62,5 milhões de litros de vinho branco e apenas um pouco mais de 4 milhões de litros de vinho tinto. Nota-se uma tendência forte na produção de rosés que estão a crescer exponencialmente. Só nos últimos 10 anos o volume de produção aumentou de 1 milhão para mais de 7 milhões de litros.

Os vinhos monovarietais (DOC + Regional) de Loureiro representam uma quantidade significativa de mais de 3 750 000 de litros e de Alvarinho quase 3 150 000 de litros.

Em termos de exportação, os Vinhos Verdes estão presentes em mais de 100 países, dos quais os principais mercados são Estados Unidos, Alemanha, Brasil, Fança, Reino Unido, Polónia e Canadá. Nos últimos 5 anos a exportação subiu em volume e em valor, atingindo 31.173.338 litros e 73.805.245 euros.

Grande Prova VerdeDinâmica da região

 A região do Vinho Verde não só mudou drasticamente nos últimos anos, como está em constante mudança. É uma das regiões mais dinâmicas do país. Para isto existem vários factores, partilhados por Manuel Pinheiro. O principal é a viticultura que melhorou imenso. As formas antigas de condução, quando a vinha era alta, apoiada em tutores (árvores ou postes) e dispersa pelas bordaduras dos campos com outras culturas como o milho, a batata e a forragem para o gado, já não são praticadas. Ainda se podem encontrar vinhas de enforcado com videiras a trepar até 3-6 metros de altura, ou ramadas e latadas – que hoje representam um autêntico museu ao ar aberto. A vinha está a ser restruturada e reconvertida até 500 ha por ano, permitindo ter a matéria prima de óptima qualidade, mesmo em condições desafiantes. As castas mais utilizadas na reconversão são Loureiro, Alvarinho, Arinto e Avesso e entre castas tintas aposta-se mais no Vinhão. Outro factor decisivo tem sido a geração de novos enólogos e produtores que trouxeram uma grande ambição e conhecimento a nível de enologia.

Terceiro factor – atenção ao mercado e antecipação das tendências por parte dos produtores atentes ao feedback dos seus clientes nacionais e internacionais. Assim, em paralelo com vinhos de lote, começaram a produzir com bastante sucesso os vinhos monovarietais que mostram o carácter das castas da região. Os rosés do Vinho Verde são outro objectivo alcançado. A procura é tanta que neste momento não há vinho que chegue para a satisfazer. Segundo Manuel Pinheiro, a maior parte de vinhos produzidos na região, são brancos, representando 86-87%, mas os rosados em 2020 cresceram 32%.

O projecto mais recente promovido pela CVRVV consiste no desenvolvimento de uma estratégia de sustentabilidade que integrará os viticultores e produtores da região. Neste âmbito foi feito um acordo com a Agro.ges para efectuar um estudo de diagnóstico, com base no qual a CVRVV irá fazer acções de formação e apoio aos produtores para melhorarem a sua eficiência no uso de recursos.

Solos e climas

 A região do Vinho Verde situa-se no Noroeste de Portugal, o que se chamava antigamente entre Douro e Minho. A Oeste é naturalmente delimitada pelo oceano Atlântico, a Este confina com contrafortes de um maciço montanhoso constituído pelas Serras da Peneda, Gerês, Cabreira, Alvão, Marão, Montemuro entre outras. O rio Minho marca a sua fronteira Norte e o rio Douro a fronteira Sul. O seu relevo forma um anfiteatro exposto ao mar, recortado pelos vales e rios. Os ventos marítimos acabam por não encontrar grandes obstáculos, penetrando pelos vales orientados de Este para Oeste.

Tirando algumas excepções, quase todo o solo da região é formado pela agregação dos granitos. Em algumas partes o granito mistura-se com xisto e também há zonas de algum aluvião. Tem 9 sub-regiões, sendo Monção e Melgaço, a Nordeste a fazer fronteira com Espanha, a mais protegida da influência atlântica pelas cadeias montanhosas, com maior renome nacional e internacional, onde a casta Alvarinho goza (meritoriamente) um grande protagonismo. A sul de Monção e Melgaço fica a sub-região do Lima, dispondo-se na bacia hidrográfica do rio Lima, e está associada à casta Loureiro. A sub-região Cávado, Ave e Sousa esticam-se à volta dos rios com os mesmos nomes. A sub-região de Paiva ocupa a margem sul do rio Douro. Na parte interior fica a mais montanhosa sub-região de Basto. Mais a Sul continua a sub-região de Amarante, atravessada pelo rio Tâmega (afluente do Douro). Mais perto do Douro localiza-se a sub-região Baião – a terra da casta Avesso.

As alterações climáticas são uma realidade e já se sente o seu efeito na região. Antigamente, as geadas eram frequentes, agora acontecem cada vez menos, mas o excesso de insolação é outro problema. Com as alterações climáticas diminui a acidez e o grau sobe. O excesso de álcool não é positivo para os vinhos da região, que se têm afirmado como vinhos com uma frescura intrínseca e teor alcoólico moderado.

Nos Vinhos Verdes chove mais do que em Bordeux, mas a água é distribuída de maneira diferente. A chuva está concentrada nos meses de Outubro até Maio, chovendo muito pouco em Julho, Agosto e Setembro. As raízes normalmente não ultrapassam os 50-60 cm e nos solos bem porosos e nas encostas, a água vai logo para baixo, deixando as plantas em stress. Em certas zonas até a rega faz sentido, desde que seja feita com cuidado. Encostas franco-arenosas bem drenadas portam-se bem em anos mais chuvosos, mas quando chove pouco, é um problema. E ao contrário, nos anos muito secos o melhor resultado surge nos solos com maior capacidade de retenção de água.

Grande Prova VerdeCastas brancas de valor e personalidade

A casta mais plantada na região é Loureiro. Segundo dados estatísticos da CVRVV, lidera o top 15 de castas, ocupando mais de 4.000 ha. Foi conhecida como Loureira e mencionada pela primeira vez em 1790 em Melgaço e Vila Nova de Cerveira e só em 1875 na Ribeira do Lima, onde mais tarde encontrou a sua zona de eleição. No “Portugal Vinícola” de Cincinato da Costa, de 1900, também é chamada de Dourada e na altura já era cultivada nos concelhos de Arcos de Valdevez, Vila Nova da Cerveira, Ponte do Lima, Ponte da Barca, Melgaço, Monção, Caminha, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

Para além de produtividade elevada, é regular, dá muito rendimento em mosto. Gosta de solos profundos e de média fertilidade. Muito sensível ao sol e à seca, fica melhor mais perto da costa. Por isto adaptou-se bem ao vale do Lima. Sente-se bem em toda zona litoral da região.

É uma casta com elevada presença de compostos terpénicos livres (voláteis e facilmente perceptíveis) responsáveis pelos aromas florais. Os aromas característicos do Loureiro são acácia, flor de laranjeira, tília. Apresenta também aromas citrinos (lima, limão, laranja) e de folha de louro. Pode ter notas de maçã, pêssego e algum fruto tropical. De acordo com alguns estudos, apresenta a sua expressão máxima aromática depois da fermentação, mas também oferece nobreza de evolução. Anselmo Mendes considera que o Loureiro é muito mais aromático do que o Alvarinho e tem uma pureza de acidez a lembrar Riesling.

Segue-se Alvarinho, no segundo lugar, com 2.345 ha plantados. Casta ibérica por excelência, chamada de Albariño do outro lado da fronteira. Era praticamente exclusiva da sub-região Monção e Melgaço, ou seja, podia ser plantada noutras zonas da região, mas um rótulo não podia ostentar ao mesmo tempo o nome da casta Alvarinho e a denominação de origem Vinho Verde. Situação esta que muda definitivamente a partir da colheita deste ano de 2021 – o Vinho Verde Alvarinho pode ser produzido em qualquer parte da região.

Dá muito menos rendimento em mosto do que as outras castas. 65l de mosto de 100 kg de uvas (as outras castas, geralmente, dão 75l de mosto). É menos exuberante do que Loureiro, mas tem uma complexidade aromática extremamente interessante. Os seus aromas podem variar desde marmelo e pêssego, notas de fruta citrina (laranja, tangerina, toranja), fruta tropical (maracujá e por vezes, líchia). Notas florais de laranjeira de frutos secos (avelã, noz) também são comuns, podendo desenvolver nuances de mel com evolução. A sua composição aromática e perfil varia muito com a zona de plantação e abordagem enológica.

Tem uma boa acidez e bastante corpo, originando vinhos de grande longevidade. Anselmo Mendes vê o Alvarinho como uma casta que pode ser austera, mais redonda do que Loureiro.

O Arinto ocupa um pouco menos de 2.250 ha. É uma casta autóctone portuguesa, espalhada e apreciada em várias zonas do país, sendo a terceira mais plantada a nível nacional.

É popular também na região de Vinhos Verdes onde é conhecida como Pedernã, embora tenha muito menos protagonismo a nível varietal do que outras castas da região. Está bem presente em todas as sub-regiões com excepção de Monção e Melgaço, onde reina o Alvarinho.

Produz vinhos marcadamente citrinos, com notas de fruta branca (maçã e pêra) e ainda algumas notas florais a lembrar lantanas. Por vezes, pode desenvolver nuances de maracujá.

Para Anselmo Mendes é uma casta de outro mundo. Fica bem nas sub-regiões de Basto e Baião. Faz óptima parceria com Avesso, pois a acidez do Arinto é menos dura.

A Trajadura ocupa uma área com quase 980 ha. Não é das mais exigentes em termos de viticultura. Por um lado, tolera humidade no ar e no solo, por outro suporta, insolação. Adapta-se bem a qualquer tipo de poda e é bastante produtiva e regular. É utilizada sobretudo para lotes e o seu principal ponto fraco é a baixa acidez que pode levar ao desequilíbrio.

O enólogo e produtor António Sousa não vê a Trajadura numa vertente monovarietal. Se o Azal chega ao Verão com uma frescura fantástica, a Trajadura fica muito plana. Até pode ter aromas frescos, mas não tem frescura na boca. Falta-lhe alma, mas serve para “cortar” alguns Alvarinhos ou Loureiros demasiado intensos.

O Azal é plantado em quase 890 ha. É uma casta antiga mencionada desde 1790. Exclusiva da região Vinho Verde, e mesmo na região restringe-se a sub-regiões do interior, como Basto, Amarante, Baião e Sousa. É de ciclo longo, por isto precisa de solos secos e boa exposição, caso contrário não amadurece bem e fica excessivamente ácida. Anselmo Mendes aponta que é uma casta difícil na viticultura, “rebenta por todo o lado, obrigando fazer muita intervenção em verde”. Menos vista em vinhos varietais, antigamente só se usava em lotes, mas agora já se pode encontrá-la vinificada em estreme. Não tem um aroma muito intenso, mas transmite grande frescura com notas citrinas (limão) e de maçã verde.

Outra casta típica e exclusiva da região dos Vinhos Verdes é o Avesso. Presente em Amarante, Baião, Paiva e Sousa, com predominância na sub-região de Baião. Conhecida localmente como Borral, Bornal ou Borraçal branco, mas não tem sinonímias oficiais. Ocupa só 465 ha, mas é uma casta em ascensão. De viticultura difícil e de gostos contraditórios. Por um lado, tolera ambiente húmido, mas é muito sensível ao míldio, oídio e podridão cinzenta. Por outro, precisa de calor, mas facilmente apanha escaldão. António Sousa conhece viticultores que perderam 90% de produção desta casta por causa de escaldão. O sucesso e equilíbrio depende muito do sítio onde é plantada – precisa de zonas bem ventiladas, exposição a sul e alguma inclinação, terrenos secos e bem drenados. Virado para o Douro é onde se dá melhor, ali goza já um clima mais continental. Sensível a oxidação, não é uma casta intensamente aromática, fornecendo aromas de laranja, pêssego, notas amendoadas e leves florais. Precisa de algum tempo após a vinificação para potenciar os seus aromas.

É uma casta desafiante. Anselmo Mendes refere que o Avesso demonstra uma acidez quase metálica quando pouco maduro. Para António Sousa, Avesso transmite aos vinhos mais estrutura e por vezes, um toque amanteigado.

Algumas castas estrangeiras também estão presentes na região. Chardonnay e Sauvignon Blanc, por exemplo, já fazem parte dos top 15, mas são permitidas apenas para a produção de vinhos regionais.

Lotes e perfis

 Como atrás se disse, embora os varietais de Loureiro e Alvarinho, sobretudo, tenham vindo a crescer, a região dos Vinhos Verdes é feita de blends, misturas de vinhos de diferentes castas, com o objectivo de tirar o máximo partido de cada uma. A nossa Grande Prova deste mês assenta precisamente nesses blends. E estes são os principais:

Alvarinho e Trajadura – O seu casamento com Alvarinho é por conveniência, não é por amor. Quando não amadurece bem, tem muita acidez. Fernando Moura, para o Muralhas de Monção, por exemplo, usa o lote de 85% Alvarinho e 15% Trajadura. Como não é a casta mais aromática (maçã, pêra), neutraliza aromas do Alvarinho e não convém que ultrapasse 20% do lote, a menos que se procure outro estilo.

Alvarinho e Loureiro em proporções variadas, uma parceria de sucesso que alia a personalidade de duas grandes castas.

Alvarinho, Loureiro e Avesso, onde o Alvarinho confere corpo, solidez e estrutura, o Loureiro intensidade aromática e acidez e o Avesso acidez e mineralidade. A união de performance aromática das três castas traz complexidade.

O sucesso de um blend não se deve apenas à presença de Alvarinho. É como Cristiano Ronaldo, não precisa de jogar sempre para a equipa ganhar. O lote de Casa Grande Sant’Ana é de Azal, Avesso, Arinto e Alvarinho. No Singular, 45% do lote são vinhas velhas em conjunto com outras castas como Malvasia Fina, Avesso, Arinto, onde o Alvarinho está em minoria com apenas 8%. No San Joanne Terroir Mineral, o Alvarinho não entra de todo, tendo só Avesso e Loureiro e o Sem Igual é uma belíssima parceria de Azal e Arinto que resultou num vinho com muita personalidade.

A abordagem enológica varia em função da casta. A temperatura de fermentação é outro factor que pode influenciar o perfil do vinho. Para obter aromas imediatos, opta-se para conduzir fermentação alcoólica a baixas temperaturas (12-14ºC). Para potenciar aromas da casta e mais duradouros, as temperaturas preferem-se mais altas. O gás carbónico ainda é visto como um atributo de caracterização dos vinhos da região, mas há produtores que diminuem ou recusam a sua presença no vinho. Por outro lado, os vinhos são cada vez mais secos, sobretudo no mercado nacional. As operações como bâtonnage na cuba, fermentação ou eventualmente estágio em barricas também são feitas quando se procura um determinado perfil. Porque uma região não se resume apenas a um perfil de vinho. E na região dos Verdes, de enorme diversidade e potencial, os vinhos têm todas as cores, aromas e sabores.

Grande Prova Verde

(Artigo publicado na edição de Abril de 2021)

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FAIR’N GREEN é uma certificação de sustentabilidade e a José Maria da Fonseca é a primeira empresa de vinho portuguesa a recebê-la para um dos seus produtos. Esta certificação começou com um projecto para produtores de vinho alemães, em 2013, mas já certificou quase 100 empresas em 7 países.

A primeira referência da José Maria da Fonseca a integrar a certificação FAIR’N GREEN é um dos seus vinhos mais emblemáticos, o Periquita Reserva, cuja produção anual é de cerca de um milhão de litros.

António Soares Franco, presidente da empresa produtora, afirma: “A sustentabilidade faz parte do DNA da José Maria da Fonseca há várias décadas. Por ser uma empresa de sete gerações, vemos a sustentabilidade como a única forma de as próximas gerações da família terem uma empresa viável e gerida com responsabilidade nas áreas de meio ambiente, social e económica. Com base na nossa filosofia, era lógico expandirmos para uma certificação de sustentabilidade holística, que nos ajuda a melhorar sistematicamente ao longo do tempo”.

Por sua vez, Keith Ulrich, fundador e presidente do conselho da associação FAIR’N GREEN, declara: “Damos as boas-vindas ao nosso primeiro membro português. Somos uma rede crescente de produtores de vinho inovadores e dinâmicos que não quer somente esperar pelas decisões políticas para dar os próximos passos, mas que quer ajudar a transformar a viticultura, de forma a que esta se torne mais sustentável a partir de dentro. A beleza de trabalhar com todos os tipos de empresas em várias regiões e países é que podemos realmente criar novos conhecimentos: as pequenas empresas costumam ser altamente inovadoras, as grandes empresas podem trazer inovações em escala. Acreditamos firmemente que a nossa abordagem orientada para consultoria trará os melhores efeitos no longo prazo. Estamos empenhados em contribuir para a mudança no mundo real, não apenas em validar pontos de uma checklist”.

No âmbito das suas políticas e práticas sustentáveis, a José Maria da Fonseca instalou recentemente um sistema solar fotovoltaico para autoconsumo, na Quinta da Bassaqueira, em Vila Nogueira de Azeitão, que, segundo a própria, irá permitir uma poupança energética de 38%. Implementado e gerido pela ENGIE Hemera, “este sistema irá também evitar a emissão de 250 toneladas de CO² por ano, que equivalem a 55 hectares de floresta ou à retirada de 139 carros da estrada por ano”. 

Esporão elege Rui Falcão como responsável de Comunicação e RP

Esporão Rui Falcão

O Departamento de Comunicação e Relações Públicas do Esporão passa agora a ser liderado por Rui Falcão.  Com mais de duas décadas de experiência no sector vínico, Rui Falcão é autor de oito livros dedicados ao vinho, incluindo uma obra sobre a totalidade das regiões portuguesas, dividida em onze edições. Antigo colaborador de várias publicações […]

O Departamento de Comunicação e Relações Públicas do Esporão passa agora a ser liderado por Rui Falcão. 

Com mais de duas décadas de experiência no sector vínico, Rui Falcão é autor de oito livros dedicados ao vinho, incluindo uma obra sobre a totalidade das regiões portuguesas, dividida em onze edições. Antigo colaborador de várias publicações nacionais e internacionais, Rui Falcão é o fundador do evento MUST – Fermenting Ideas, uma conferência internacional que congrega líderes de opinião, media e produtores oriundos de diversos países, num fórum de debate e análise sobre os desafios de curto e médio prazo que se colocam ao mundo do vinho.

Rui Falcão comenta “é com grande satisfação que abraço o desafio de reforçar a equipa do Esporão, passando a assumir a responsabilidade pelo novo departamento de Comunicação e Relações Públicas. A minha vasta experiência no mundo dos vinhos, ao longo de mais de duas décadas, vai contribuir para fortalecer a comunicação do Esporão na área dos vinhos, azeite, cerveja artesanal e enoturismo da Herdade do Esporão, Quinta dos Murças e Quinta do Ameal”.

Editorial: Do que eu não gosto

Editorial da revista nº57, Janeiro 2022 LUÍS LOPES Um recente trabalho de Ricardo Felner no Expresso identificou-me, de certo modo, como “inimigo” dos chamados vinhos “naturais”. Sinceramente, não sou inimigo de nada nem de ninguém. Mas existem, é verdade, comportamentos no sector do vinho que me incomodam. Com 60 anos feitos, 33 dos quais a […]

Editorial da revista nº57, Janeiro 2022

LUÍS LOPES

Um recente trabalho de Ricardo Felner no Expresso identificou-me, de certo modo, como “inimigo” dos chamados vinhos “naturais”. Sinceramente, não sou inimigo de nada nem de ninguém. Mas existem, é verdade, comportamentos no sector do vinho que me incomodam. Com 60 anos feitos, 33 dos quais a escrever sobre vinhos, acho que posso abrir o livro e deixar claro aquilo de que não gosto. Então aí vai.

Não gosto de colocar tudo no mesmo saco: orgânico, biodinâmico, leveduras indígenas, sustentabilidade, filtração, sulfuroso, “natural”. São produtos, práticas e conceitos diferentes e, alguns, até antagónicos. Só o Esporão, por exemplo, tem mais área de vinha orgânica do que todos os “naturais” juntos. Luis Pato faz alguns vinhos e espumantes sem adição de sulfuroso mas não é orgânico. A Casa de Mouraz é mesmo biodinâmica mas protege os seus vinhos com sulfuroso. Mário Sérgio Nuno, da Quinta das Bágeiras, nunca colocou uma levedura nos lagares ou nos toneis de fermentação. E o gigante espanhol Miguel Torres é referência mundial em produção sustentável e protecção ambiental e há muito que abandonou o modelo orgânico.

Não gosto de rótulos, a não ser nas garrafas. “Natural” por oposição a “tecnológico” é ver o mundo a preto e branco. O vinho, é tudo menos isso, é uma paleta infinita de cores, um universo de diversidade, estilos e conceitos, distintas formas de trabalhar e de transformar o fruto da videira numa bebida apaixonante.

Não gosto do primado da diferença sobre a qualidade. É fantástico quando conseguimos associar, num copo, qualidade e diferença. Mas prefiro qualidade sem diferença, do que diferença sem qualidade.

Não gosto de confundir gosto e qualidade. Gosto discute-se, qualidade não. A qualidade é imediatamente reconhecível, mesmo por quem não é especialista ou conhecedor. Se um vinho cheira mal, não há quem me convença de que cheira bem. Uma couve podre é uma couve podre, um guisado queimado é um guisado queimado. Não há volta a dar.

Não gosto de catequismos. Não sou crente, mas respeito todas as crenças. Desde que não insistam em catequizar-me. Quando um sommelier me disser, condescendente, que não aprecio um vinho que cheira e sabe mal apenas porque não estou acostumado a ele, irei responder como Susana Esteban o fez, nas mesmas circunstâncias: “pois não, estou habituado a beber vinhos bons”.

Não gosto da demonização da ciência. Rejeitar a enologia é como rejeitar a medicina. É verdade que alguns o fazem. Mas eu não queria estar na pele deles quando tiverem uma apendicite aguda.

Não gosto do elitismo. O vinho não pode ser algo apenas ao alcance de um grupo de iluminados que se acham superiores. Enquanto produto, o vinho é, e deve continuar a ser, democrático, acessível a todas as bolsas. Para poder ter preços acessíveis tem de ser feito em volumes grandes. Uma vez que estabilizar dois milhões de litros não é o mesmo que cuidar de duas barricas, existem para o efeito produtos enológicos, legalmente autorizados e fiscalizados. Bebo muitas vezes vinhos de €2,49? Raramente. Tal como raramente vou ao McDonald’s. Mas prefiro, de longe, comer um hambúrguer de carne fresca do que um robalo de mar com 15 dias de frigorífico.

Não gosto da publicidade enganosa, das aldrabices, da mentira. Exemplos? Quando se impinge a turvação de um vinho como valorizadora, apenas porque não se esperou o tempo suficiente antes de engarrafar. Quando um produtor “orgânico” apanha com um ataque de míldio e utiliza o que for preciso para salvar as uvas. Quando se inundam as redes sociais de fotos das galinhas e ovelhas nos 2 hectares de vinha biodinâmica e se compram 200 toneladas de uva aos vizinhos que até glifosato usam. Quando se afirma que o espumante é “natural” porque não levou sulfuroso, mas depois leva 7 gramas de açúcar no licor de expedição. Quando dizem “fazer” vinho e não sabem podar uma videira, quando se assumem “vignerons” e não têm vinha. Em boa verdade, há muito mais coisas de que não gosto, mas acho que já chega.

Brancos que falam com o tempo

Brancos falam tempo

Nos anos mais recentes o gosto pelo vinho branco tem sofrido algumas mutações. Hoje há muito mais consumidores interessados em provar coisas diferentes que possam ir além dos aromas e sabores frutados e sem segredos. Recuperou-se assim, agora com mais saber, uma prática que vinha de longe. São os vinhos brancos com longo estágio ou […]

Nos anos mais recentes o gosto pelo vinho branco tem sofrido algumas mutações. Hoje há muito mais consumidores interessados em provar coisas diferentes que possam ir além dos aromas e sabores frutados e sem segredos. Recuperou-se assim, agora com mais saber, uma prática que vinha de longe. São os vinhos brancos com longo estágio ou de lote de várias colheitas.

 

Texto: João Paulo Martins

Fotos: Ricardo Palma Veiga e Adega Mãe         

A ideia para este trabalho nasceu de uma constatação: há cada vez mais produtores a lançarem no mercado, num segmento de gama alta, vinhos brancos que aqui há alguns anos não encontrariam apreciadores. São vinhos que reúnem uma de várias características: têm já muitos anos de garrafa mas só agora foram colocados à disposição do público; são de uma só colheita mas o estágio foi sobretudo feito em barrica durante vários anos e só então engarrafados; correspondem a um lote de vinhos de várias colheitas, em proporções diversas. Têm em comum o facto de serem vinhos fora de moda mas, ao invés de vinhos oxidados e mortos (que tantas vezes encontramos nas provas dos vinhos velhos), aqui temos brancos que, em virtude do muito acompanhados que foram, se mostram em muito boa forma, com invulgar complexidade e personalidade.

Recuar no tempo

A tradição portuguesa do consumo de vinhos brancos nunca os colocou no mesmo patamar dos tintos; sempre se quedaram num nível de menor apreço. Também por esta razão os vinhos brancos foram sempre parentes pobres a que poucos davam atenção. Os vinhos muitas das vezes não evoluíam bem, oxidavam num instante e perdiam interesse e procura por parte dos consumidores. Havia excepções em várias regiões, mas era sobretudo no Dão e na Bairrada que os brancos mais perduravam no tempo. Empresas da Bairrada que negociavam com vinhos do Dão – como é o caso das Caves S. João – tinham no seu portefólio brancos que resistiam muito bem e se mostravam com muita saúde durante muito anos. Também a Vinícola do Vale do Dão, propriedade da Sogrape, engarrafava vinhos brancos que adquiria em adegas cooperativas locais. A marca emblemática era Dão Pipas e são brancos que mostram que a região tinha muitas virtudes e capacidades para gerar vinho longevos. Esse Dão Pipas, marca que se manteve até aos anos 90, serviu um pouco de inspiração para um branco criado na Quinta dos Carvalhais e que, pode dizer-se, foi no Dão o vinho fundador destas novas tendências. Criado pelo enólogo Manuel Vieira, o Colheita Seleccionada ganhou foros de “estrela” pelo apreço que o importador belga mostrou em relação a este branco, tendo sido exportado e esgotado com grande sucesso. As barricas onde fermentava o Encruzado eram depois de novo atestadas para não ficarem em vazio e assim, lembra Manuel Vieira, “íamos juntando 30 a 40 barricas por ano; a certa altura já havia barricas a mais e resolvi fazer um lote e dei a provar à administração. A reacção foi tão entusiástica que logo se decidiu avançar com a produção periódica”. Na reorganização do portefólio dos Carvalhais houve necessidade de criar um branco Reserva – mais fresco e com mais madeira nova – e assim o Colheita Seleccionada deixou de se produzir. Como ainda assim havia muitas barricas nasceu a ideia do Branco Especial, neste caso, lote de várias colheitas.

Também na Quinta da Gaivosa se iniciou na colheita de 2001 produção de um vinho branco com as uvas recolhidas nas vinhas velhas de onde era costume fazer vinho do Porto branco e onde existia maioritariamente a Malvasia Fina. Inicialmente com o apoio enológico de Anselmo Mendes, era um vinho com uma confecção bem diferente dos outros brancos: dois dias de maceração pelicular, fermentação em bica aberta com híper-oxigenação em meias barricas, parcialmente novas. O resultado era um branco inicialmente castanho, quase com cor de café, como nos disse Tiago Alves de Sousa, mas com o tempo de estágio na barrica muitos polifenóis depositam-se e o vinho perde a cor acastanhada. De início o vinho mostrou-se muito austero (mais alcoólico do que nas versões mais recentes) mas exactamente por já ter a questão da oxidação resolvida, são vinhos que ainda hoje dão boa prova. Mas Tiago não tem dúvida que as actuais edições, com menos álcool e mais frescura, irão ainda mais longe, seguramente para lá dos 20 anos após o lançamento. À época foi uma novidade no Douro e depois do 2001 foram feitas edições anualmente até 2006. A partir daí teve edições mais espaçadas: 2008 (ano a partir do qual se vindimou mais cedo e a graduação baixou), 11, 12 e agora, a mais recente, 2015.

Nem sempre vinhos deste perfil que hoje falamos, resultam de uma ideia prévia ou um projecto arquitectado para atingir este fim; não raramente, o acaso tem aqui um papel importante, a lembrar-nos que nem sempre controlamos ou entendemos tudo o que se passa durante a evolução de um vinho. Celso Pereira, enólogo no Douro, conta-nos que o Quanta Terra branco 2012 nasceu torto mas acabou por se revelar uma grande e positiva surpresa. Naquele ano duas barricas de branco foram consideradas não aptas para entrarem no Grande Reserva e só passados alguns anos é que se percebeu que o vinho tinha evoluído muito bem e foi então comercializado. Só a partir de 2015 (que irá ser a próxima colheita comercializada mas pela qual ainda teremos de esperar uns anos) é que se começou a deixar intencionalmente vinho em estágio. O que aconteceu com Celso Pereira acontece com frequência nas adegas quando é preciso seleccionar barricas para um determinado lote. O que fazer ao que fica é a pergunta difícil de responder, mas os brancos actuais estão a sugerir vários caminhos.

Brancos falam tempo
O longo estágio em barrica faz parte da identidade do Quinta de Carvalhais Branco Especial.

Requisitos e exigências

Quando há a intenção de fazer um branco de longa guarda em barrica há que estar a tento às características as uvas. A acidez elevada é um requisito que ajuda muito: castas com acidez moderada ou baixa não podem ser usadas porque originam vinhos que não evoluem bem. Mas só a acidez não basta, é preciso, salienta Manuel Vieira, que os vinhos tenham gordura, volume de boca. Temos então de ter, como primeiro requisito, vinhos estruturados, de boa acidez. Para os vinhos que estagiem na madeira coloca-se sempre a questão da oxidação e por isso o atesto das barricas é fundamental. Há uma ligeira oxidação, controlada, mas essa oxidação é fundamental para que os vinhos resistam depois ao tempo; “os vinhos no futuro ficam inoxidáveis, já oxidaram tudo o que tinham de oxidar”, lembra Manuel Vieira. As meias barricas têm uma capacidade oxidativa maior e são mais manuseáveis e, por isso, funcionam muito bem para estes vinhos, algo que Tiago Alves de Sousa também subscreve. Se estivermos a falar de estágios em barricas já usadas os atestos podem ser mensais porque a barrica usada “bebe” muito menos que a barrica nova. E, para evitar uso excessivo de sulfuroso, é mesmo melhor ter as barricas atestadas.

No caso dos vinhos que juntam colheitas de anos diferentes, a arte do lote ganha toda a importância. É preciso fazer vários ensaios e, como lembra Manuel Vieira, “fazer o teste à mesa; levávamos o vinho para o restaurante e provávamos com a comida; se não funcionava fazíamos novo lote e foi assim que, passo a passo, chegámos ao lote final”. Neste tipo de vinhos pode ter mais peso o gosto pessoal do produtor ou do enólogo. Porquê? Porque é preciso dosear as percentagens de cada ano e, sobretudo, decidir que quantidade de vinho mais novo deverá levar o lote final. Assim, se levar uma percentagem significativa do vinho mais novo poderá não apresentar aquele carácter resinoso e oxidativo que associamos com estes vinhos; ao invés, com pouca percentagem de vinho novo o lote ganha um perfil mais austero e evoluído. São assim possíveis várias nuances. No caso do Branco Especial de Carvalhais, a actual edição no mercado (5000 garrafas), que já é da responsabilidade da enóloga Beatriz Cabral de Almeida, inclui 13 lotes de oito colheitas diferentes, começando em 2004 e acabando em 2018. O trabalho é ainda mais minucioso porque a adega dispõe de cerca de 100 barricas até à colheita de 2015. Além do Encruzado também por lá existe Sémillon e Gouveio. Agora procura-se fazer o Branco Especial com menos graduação, vindimando mais cedo e decidindo à partida o que vai ou não vai para estágio prolongado.

Brancos falam tempo
O Alves de Sousa Pessoal nasceu em 2001.

De Norte a Sul

Este tipo de vinho não é específico de uma região. Pelos exemplares que aqui mostramos até pode parecer que é um privilégio do Douro e Dão, mas de facto o número de amostras é maior nessas regiões do que noutras porque por ali houve mais produtores que se abalançaram nesta aventura. Vendo bem, até foi em Setúbal, com a marca Pasmados, que tudo começou e, como nos disse Domingos Soares Franco, da casa José Maria da Fonseca, “durante muitos anos sempre me criticaram por insistir neste modelo, mas agora dão-me razão, agora há mercado e consumidores para isto. Fermentou metade do mosto – Viosinho, Viognier e Arinto – em barrica e o resto em inox”. Também em Monção e Melgaço estão reunidas as condições para este modelo. Na Quinta do Regueiro juntaram-se vinhos de 2007 até 2010 para este primeiro lote e a próxima edição sairá este ano. A pequena quantidade produzida – 1900 garrafas – não chegou para os pedidos. Na região de Lisboa, a Adega Mãe lançou um branco de idade com Viosinho, Alvarinho e Arinto, castas que Diogo Lopes verificou que mantinham a acidez durante mais tempo, factor tido por fundamental. No Dão, é a casta Encruzado aquela que melhor se adapta a este conceito e os três produtores que aqui apresento foi nela que apostaram. Mas o vinho dos Caminhos Cruzados é o resultado de uma só colheita, neste caso de barricas que não entraram no Teixuga, a marca emblemática da casa. No Douro apresento aqui três vinhos de uma só colheita e outros três de lote de várias colheitas. Pisa a pé das uvas brancas, longas macerações peliculares, oxigenação intensa são algumas das técnicas usadas. Os resultados mostram-se muito bons e, sabemos entretanto, vários outros produtores estão a trabalhar neste modelo. É a vitória dos vinhos brancos!

Brancos falam tempo
Adega Mãe

E à mesa, como é?

Estes vinhos, digamos, difíceis, são muito desafiantes à mesa porque podem ligar muito bem com pratos inesperados, com culinárias diferentes. E o desafio estende-se a vários produtos – peixes, carnes, queijos – e a formas diferentes de confecção. Assim sendo, não adianta muito ter opiniões definitivas sobre os sins e os nãos na ligação com a comida. Por experiência própria já liguei, com um tremendo e inesperado sucesso, o Branco Especial de Carvalhais com uma sopa de peixe picante (tem mesmo a referência caseira de “estupidamente picante…”) mas Tiago Alves de Sousa leva o seu Alves de Sousa Pessoal para zonas menos óbvias como polvo à lagareiro, embora reconheça que “com foie-gras é a ligação preferida”, mas também sugeriu risotto de cogumelos. A ideia é ligar o vinho com pratos de sabores intensos para que assim exista um bom equilíbrio. Cremos que mesmo com cabrito assado ou peixes no forno estes vinhos podem tornar-se um enorme sucesso.

E, regressando às origens, ao tal Colheita Seleccionada da Quinta dos Carvalhais, lembro-me de um jantar num restaurante 3 estrelas Michelin – Oud Sluis – de Sergio Herman, algures na fronteira Holanda/Bélgica em que o vinho do Dão fazia parte do menu degustação e, não por acaso, dizia o importador que desde Janeiro (estávamos em Março) já tinha vendido 200 garrafas daquele vinho.

Estes vinhos têm uma relação inesperada com a música. Aqui os acordes não são Sol e Dó, aquela ligação simples que toda a gente entoa e que é fácil de entrar no ouvido; aqui temos acordes mais ásperos, com quintas diminutas e sétimas aumentadas. Tudo parece estranho até encontrarmos a fórmula de soarem bem. E, quem não gosta de desafios???

(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2021)

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Vinhos Vicentino passam a ser distribuídos pela Portfolio

Vinhos Vicentino Portfolio

A distribuidora Portfolio Vinhos é agora a representante, no mercado português, dos vinhos Vicentino. Esta é uma marca com origem no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, estando os 60 hectares de vinha muito próximos do oceano Atlântico e bastante influenciados por este. Para Diogo Melo e Castro, Director-Geral da Portfolio, “é uma […]

A distribuidora Portfolio Vinhos é agora a representante, no mercado português, dos vinhos Vicentino. Esta é uma marca com origem no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, estando os 60 hectares de vinha muito próximos do oceano Atlântico e bastante influenciados por este.

Vinhos Vicentino Portfolio
Vinha do projecto Vicentino.

Para Diogo Melo e Castro, Director-Geral da Portfolio, “é uma honra e uma enorme motivação para a Portfolio Vinhos poder contar com uma marca tão ímpar como a Vicentino, no seu acervo de marcas”. Já o Director-Geral dos vinhos Vicentino, Filipe Caetano, refere: “A parceria com a Portfolio Vinhos permite-nos encarar com grande optimismo o desígnio de tornar os vinhos Vicentino num baluarte de uma região extraordinária e generosa, que lhes confere uma fortíssima identidade”.