Casa de Mouraz vai renascer das cinzas… com a nossa ajuda

Foi certamente a casa produtora de vinhos mais afectada pelos trágicos incêndios do Verão passado. E foi um verdadeiro pesadelo o que viveram Sara Dionísio e António Lopes Ribeiro em 15 de Outubro. O incêndio que começou na Lousã – a mais de 100 quilómetros de distância – chegou em força a Tondela. E começou […]
Foi certamente a casa produtora de vinhos mais afectada pelos trágicos incêndios do Verão passado. E foi um verdadeiro pesadelo o que viveram Sara Dionísio e António Lopes Ribeiro em 15 de Outubro. O incêndio que começou na Lousã – a mais de 100 quilómetros de distância – chegou em força a Tondela. E começou a tragédia…
Não só perderam uma parte da vinha, como quase todos os equipamentos, alguns imóveis agrícolas, e parte da produção em estágio. Adeptos há muito do modo de produção biológico e biodinâmico, Sara e António estão agora a refazer a sua exploração e precisam da ajuda de todos os enófilos. Falamos de um autêntico renascer das cinzas…
Os proprietários tencionam replantar 6 hectares de vinha, comprar novos equipamentos e fazer uma nova adega e armazém. Estes três projectos vão custar 770.000 euros mas uma parte pode vir de nós. A empresa familiar já colocou uma campanha para facilitar a nossa ajuda, que pode ser consultado neste site Internet.
A ajuda pode começar em 20 euros e pode ir até aos 5.000. Pelo meio tem várias outras opções mas não se trata de um donativo. Nenhuma contribuição sua fica sem retribuição. Considere-o um investimento… São vários os itens que vai receber em troca, incluindo vouchers para gastar em produtos da Casa de Mouraz, incluindo vinho. Com 20 anos de produção de vinhos, a Casa de Mouraz vai mesmo renascer das cinzas e você pode dar uma ajuda a esta gente boa, muito afectada por uma tragédia. Mãos à obra…
José Avillez premiado pela Academia Internacional de Gastronomia

Trata-se do “Grand prix de l’Art de la cuisine” e é considerado o prémio máximo da Academia Internacional da Gastronomia. O chefe José Avillez (do restaurante Belcanto) é o primeiro português a conseguir esta distinção, que já coube, desde 1990, a alguns dos mais conhecidos chefes do mundo. Recorde-se que o Belcanto de José Avillez […]
Trata-se do “Grand prix de l’Art de la cuisine” e é considerado o prémio máximo da Academia Internacional da Gastronomia. O chefe José Avillez (do restaurante Belcanto) é o primeiro português a conseguir esta distinção, que já coube, desde 1990, a alguns dos mais conhecidos chefes do mundo. Recorde-se que o Belcanto de José Avillez possui duas estrelas Michelin e que a terceira poderá estar agora mais próxima. Seria também a primeira vez que tal acontecia em Portugal…
Portugal esteve representado na Assembleia Geral da Academia Internacional pela Academia Portuguesa de Gastronomia, a qual se congratulou efusivamente com este prémio.
Foram ainda distinguidos Pedro Pena Bastos (Chef de l’Avenir), Gabriela Marques (Prix au Sommelier), George Mendes com o livro “My Portugal” (Prix de Literature Gastronomique) e Leonardo Pereira com o programa de televisão “Chef de Raiz” (Prix Multimedia).
Brancos com barrica

Apesar de alguns fazedores de opinião terem resolvido diabolizar os vinhos com madeira, a verdade é que o consumidor continua apreciando, comprando e voltando para comprar de novo. E há boas razões para isso. TEXTO Dirceu Vianna Junior MW FOTOS Ricardo Palma Veiga O papel do vinho nas nossas vidas é dar prazer. Princípios […]
Apesar de alguns fazedores de opinião terem resolvido diabolizar os vinhos com madeira, a verdade é que o consumidor continua apreciando, comprando e voltando para comprar de novo. E há boas razões para isso.
TEXTO Dirceu Vianna Junior MW FOTOS Ricardo Palma Veiga
O papel do vinho nas nossas vidas é dar prazer. Princípios básicos de harmonização servem para ajudar-nos a determinar o vinho adequado para servir com certo prato. Muitas vezes essa selecção é feita exclusivamente em função do prato a ser servido não levando em consideração a estação do ano e raramente o clima no momento do consumo.
A tendência natural de um consumidor seria beber vinhos tintos, principalmente os mais encorpados, durante o inverno. Talvez essa seja uma explicação do facto de países Nórdicos preferirem vinhos mais robustos, estilo ‘ripasso’ italiano, cujo teor alcoólico pode servir para ajudar aquecer os dias de frio intenso do inverno. Vinhos brancos oferecem a proposta de refrescar os dias mais quentes de verão. Entretanto, quando as circunstâncias pedem um vinho branco em tempos mais frios, a solução seria buscar estilos mais encorpados, mais densos e, por que não, amadeirados.
Para muitas pessoas uma recomendação como essa pode ser considerada ultrapassada visto que sommeliers de vários cantos do mundo estão na onda de falar sobre vinhos naturais, vinhos vulcânicos e vinhos laranja.
Para esse pequeno, mas às vezes influente grupo de pessoas, o estilo deve ser seco, sem madeira e ter acidez suficiente para tirar pelo menos uma camada de esmalte de seus dentes. Jornalistas parecem não cansar de escrever sobre as propriedades malignas da madeira. Apesar disso, o consumidor continua comprando, apreciando e retornando para adquirir vinhos com características de carvalho. Em degustações que conduzi nas últimas semanas para centenas de consumidores tanto na Europa como América do Sul, onde foram apresentados lado a lado vinhos sem influência da madeira em comparação com vinhos envelhecidos em barrica, a preferência foi clara e arrasadora em favor de vinhos amadeirados. Essas pessoas, incluindo desde iniciantes até profissionais da indústria, demonstraram preferir os atributos que o envelhecimento em carvalho confere ao vinho tanto em relação à textura quando aos aromas, sabores e maior complexidade.
O que consumidores não gostam é do uso indiscriminado e excessivo da madeira, muito vezes escondendo outros atributos positivos que o vinho tem a oferecer. Quem já degustou vinhos brancos da Austrália ou Califórnia da década de 90 lembra-se bem disso. Quem não teve essa oportunidade, é fácil imaginar um vinho dourado escuro com aromas intensos incluindo notas de baunilha, coco e especiarias doces. O primeiro copo era um ataque nos seus sentidos, o segundo copo era cansativo devido aos aromas intensos e uni-dimensionais; chegar ao terceiro era quase impossível.
As diferentes madeiras
O uso da madeira não é nada de novo no mundo do vinho. Os romanos já usavam barris de madeira para medir, armazenar e transportar vinhos, mas apenas nos últimos 50 anos os avanços tecnológicos, juntamente com conhecimento científico, nos permitiram entender com mais eficiência os atributos positivos que o carvalho pode transmitir ao vinho.
Além de ter peso leve, em comparação com outros materiais, ser maleável, relativamente impermeável e reciclável, a madeira pode ceder ao vinho aromas e sabores de baunilha, cedro, café, avelã e várias outras notas de especiarias dependendo da origem da madeira, nível de tosta, tempo de envelhecimento, tamanho e idade da barrica. Por exemplo, os carvalhos de origem francesa das florestas de Allier e Nevers são madeiras que possuem em sua composição grãos apertados e adicionam ao vinho notas suaves de baunilha; já o carvalho da floresta de Vosges é um carvalho branco, também de grão apertado, e bastante aromático, onde muitas vezes se sentem notas de avelã.
O carvalho de origem americana é composto de componentes voláteis mais intensos e confere ao vinho aromas e sabores mais óbvios de coco e baunilha. Por isso necessita cuidado por parte do enólogo para evitar que acabe marcando demais o vinho.
Críticos e sommeliers parecem não favorecer a madeira americana. Mas, no entanto, esse tipo de madeira é usado em grandes vinhos franceses desde Cru Classe de Bordéus até excelentes brancos da borgonha como Domaine de Maltroye in Chassagne-Montrachet, mesmo que em pequena proporção. Em Portugal, David Baverstock é responsável pela elaboração do conhecido Esporão Reserva Branco. O vinho é composto de 30% Roupeiro, 30% Arinto, 30% Antão Vaz e 10% Semillon. A maior parte (60%) do vinho é vinificado em inox, ajudando manter a frescura. Cerca de 40% do lote passa por madeira e desse, grande parte (70%) é fermentado e envelhecido em madeira Americana nova por seis meses. Esse vinho demonstra que madeira Americana, quando bem julgada, pode melhorar a qualidade e conferir ao vinho complexidade, sem se lhe sobrepor.
A barrica é mais-valia
O nível de tosta é extremamente importante e, por exemplo, os técnicos da tonelaria Taransaud recomendam tosta leve para vinhos mais delicados. A tosta alta pode transmitir características marcantes e exige cuidado pois pode facilmente se sobrepor à fruta e dominar o vinho. ‘Tosta média’ é recomendável para transmitir ao vinho mais complexidade e conferir harmonia. Um dos brancos amadeirados mais impressionantes de Portugal no momento, é feito a partir da casta Arinto. O bairradino Encontro 1, colheita 2013, criação de Osvaldo Amado, fermentou e estagiou em barricas de Carvalho Francês da floresta de Allier de tosta média fraca por nove meses.
Quando bem julgado, o carvalho contribui para melhorar o perfil aromático, textura, sabor e complexidade do vinho. Não restam dúvidas de que vinhos com madeira excessiva são vinhos de um estilo ultrapassado. A tendência de vários grupos buscarem vinhos mais frescos, leves e sem madeira existe e continua ganhando espaço em várias partes do mundo. Frescura e autenticidade são atributos positivos que devem ser preservados. No entanto, vinhos com fermentação e estágio em madeira, de um modo geral, são vinhos mais complexos. Para confirmar isso basta procurar um bom vinho branco francês da Borgonha de uma vila como Meursault, Puligny-Montrachet e Corton ou de Bordeaux, como um bom Pessac Leognan, por exemplo. São vinhos clássicos de grande personalidade e complexidade. Um vinho português digno de ser comparado com qualquer outro branco de alto nível em âmbito mundial é o Quinta dos Carvalhais Branco Especial. De acordo com a enóloga responsável, Beatriz Cabral de Almeida, o vinho é composto de 40% de Encruzado, 30% de Gouveio, 12% de Semillon e 18% de castas mistas do campo. A fermentação ocorreu em cubas de inox e o vinho envelheceu em barricas usadas de carvalho Francês, 57% da floresta de Allier e 43% da floresta de Vosges. O vinho é composto por componentes das colheitas de 2005 (24%), 2006 (48%) e 2009 (28%) e tem em média 10 anos de estágio em madeira.
Não restam dúvidas de que os vinhos brancos portugueses, de uma forma geral, evoluíram muito nos últimos anos e o uso apropriado da madeira contribuiu para esse desenvolvimento. Fazedores de opinião podem apontar para vinhos naturais, vinhos vulcânicos e vinhos laranja, mas a verdade é esta: o que o consumidor mais aprecia num vinho é, simplesmente, harmonia. Tendências vêm e vão como um pêndulo. Vinhos que conseguem manter autenticidade da fruta e, ao mesmo tempo, beneficiar-se do impacto positivo que a madeira pode oferecer em termos de textura sedosa e elegante complexidade, jamais sairão de moda.
Vinhos recomendados
• Quinta dos Carvalhais Branco Especial (Dão branco)
Sogrape
19 valores
PVP € 33
• Encontro 1 (Bairrada branco 2013)
Quinta do Encontro
18,5 valores
PVP € 25
• Andreza (Douro Grande Reserva branco 2014)
Lua Cheia em Vinhas Velhas
18 valores
PVP € 15
• Guru (Douro branco 2016)
Wine & Soul
18 valores
PVP € 24
• Quinta de Soalheiro (Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho Reserva branco 2015)
Vinusoalleirus
18 valores
PVP € 22
• Berço (Douro branco 2012)
Alves de Sousa
17,5 valores
PVP € 28,50
• Campolargo ‘Barrica’(Bairrada Arinto branco 2016)
Manuel dos Santos Campolargo
17,5 valores
PVP € 12
• Esporão(Alentejo Reserva branco 2016)
Esporão
17,5 valores
PVP € 15
• Grainha(Douro Reserva branco 2016)
Quinta Nova N. S. do Carmo
17,5 valores
PVP € 14,50
• Herdade dos Grous(Regional Alentejano Reserva branco 2016)
Herdade dos Grous
17 valores
PVP € 55
• Quinta do Cardo Vinha Lomedo(Beira Interior Síria branco 2014)
Agrocardo
17 valores
PVP € 19,90
Sabores tradicionais em destaque no Continente

Alheira de Mirandela, Queijo da Serra da Estrela, Farinheira do Fundão, Queijo de Azeitão e Morcela da Guarda são apenas algumas opções que pode encontrar em mais uma feira de Queijos, Enchidos e Vinhos da cadeia de supermercados Continente. No total são centenas de produtos de origem portuguesa, de quase todas as regiões do país. […]
Alheira de Mirandela, Queijo da Serra da Estrela, Farinheira do Fundão, Queijo de Azeitão e Morcela da Guarda são apenas algumas opções que pode encontrar em mais uma feira de Queijos, Enchidos e Vinhos da cadeia de supermercados Continente. No total são centenas de produtos de origem portuguesa, de quase todas as regiões do país. A feira decorre até 25 de Fevereiro e inclui ainda uma selecção de mais de 200 vinhos, em todas as faixas de preços. Destaque ainda para uma secção de acessórios para o vinho. Pode consultar o portefólio (e comprar online) no site do Continente.
A “tempestade perfeita”, mas em bom

Portugal está na moda e os seus vinhos também. Milhões de visitantes cheios de “sede”; portugueses cada vez mais interessados; restaurantes e bares atentos à onda. Tudo isto conjugado e fica assim explicado o aparente paradoxo de, em contraciclo com o resto da Europa, o consumo de vinho estar a aumentar entre nós. Bebe-se mais […]
Portugal está na moda e os seus vinhos também. Milhões de visitantes cheios de “sede”; portugueses cada vez mais interessados; restaurantes e bares atentos à onda. Tudo isto conjugado e fica assim explicado o aparente paradoxo de, em contraciclo com o resto da Europa, o consumo de vinho estar a aumentar entre nós. Bebe-se mais e bebe-se melhor.
TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga
FINAIS da segunda década do século XXI. O consumo de vinho desce um pouco por toda a Europa produtora de vinho. Toda? Não! Num cantinho da península sudoeste do continente, um punhado de irredutíveis lusitanos continua de copo na mão a desafiar a lógica. Bom, valha a verdade que não estão sozinhos… Mais de 20 milhões de visitantes em 2017 deram o seu contributo para esta curiosidade estatística: Portugal é o país do mundo com maior consumo de vinho per capita!
Se dividirmos os 54 litros anuais que em 2015 as estatísticas “serviram” a cada um dos portugueses com mais de 15 anos, isso representa um copo diário por cabeça. Não parece muito, mas é. As médias são sempre enganadoras. Porque há muita gente que não consome bebidas alcoólicas (as estatísticas apontam para quase metade da população) ou bebe apenas ocasionalmente. Assim, os outros teriam de ficar com a sua quota-parte…
Dados revelados recentemente pela Nielsen mostram que, pela primeira vez nos últimos dez anos, o crescimento do mercado do vinho na restauração é superior ao da distribuição. Na verdade, foi o dobro, nos primeiros três trimestres de 2017: oito por cento, contra quatro no comércio.
E, no entanto, os números existem. Bebe-se mais em Portugal (per capita, convém salientar) do que em qualquer outro país de mundo, incluindo o insuspeito Vaticano, estrela da tabela em muitos anos anteriores. E bebe-se mais do que no passado recente: registavam-se valores de mais de 60 litros per capita no final do século XX, mas depois a tendência foi sempre descendente, até se aproximar nos 40 litros no início desta década.
Mistério? Não. As explicações estão à vista de todos: primeiro, a vaga de notoriedade dos vinhos portugueses; segundo, o boom no turismo; terceiro, e conjugando os dois anteriores, a crescente popularidade do vinho entre os consumidores, que agora podem frequentar wine bars, beneficiar de serviço a copo em cada vez mais locais, desfrutar de um serviço cada vez mais atento nos restaurantes e ancorar as suas escolhas num número crescente de fontes de informação. Beber vinho está na moda.
Dados revelados recentemente pela Nielsen, a empresa de estudos de mercado que trabalha, entre outros, com o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), mostram que, pela primeira vez nos últimos dez anos, o crescimento do mercado do vinho na restauração é superior ao da distribuição. Na verdade, foi o dobro, nos primeiros três trimestres de 2017: oito por cento, contra quatro no comércio. E isso representa outra inversão nas tendências recentes: em 2001, indicam os números da Nielsen, o comércio retalhista representava 67 por cento do mercado de vinho, enquanto a restauração movimentava os restantes 33 por cento; pouco mais de década e meia depois, em 2017, essas percentagens passam, respectivamente, a 82 e 18 por cento. Ou seja, a restauração estava há muito a perder importância. Agora, os restaurantes são o sub-grupo mais dinâmico do mercado, com um crescimento de 12 por cento face a 2016.
Portugueses gastam mais por garrafa
Outro fenómeno está a acontecer: Vende-se mais vinho e a um preço mais alto no chamado “on-trade” (retalhistas), com uma subida de 3,22 euros para 3,33 euros/média por garrafa e as pessoas a optarem cada vez mais por vinhos um pouco mais valorizados; vende-se mais vinho a um preço ligeiramente menor no “off-trade” (canal Horeca), com a média por garrafa a passar de 8,68 para 8,51 euros. Porque muitos responsáveis pelos restaurantes e cafés estão a apostar numa política de preços mais atractiva, que fomenta o consumo de vinho às refeições.
“Prefiro vender mais a menor preço. Assim as pessoas não se encolhem de pedir a bebida e pedem vinho. E os que já pediam acabam por beber um vinho melhor.” Sara Almeida, gerente da Casa Aleixo, um clássico restaurante do Porto, resume uma ideia muito ouvida por estes dias: quando não se exagera na margem de lucro dos vinhos engarrafados, essa opção acaba por compensar financeiramente devido ao aumento do volume de vendas. “O consumo de vinho tem vindo a subir na nossa casa, penso que devido à política de não carregar no preço”, corrobora José Pinto, proprietário do icónico lisboeta Os Courenses, onde a clientela é maioritariamente portuguesa.
Por outras paragens, e com outra freguesia, a verdade é que o discurso não muda muito. Manuel Janeiro, proprietário do algarvio Veneza, enumera os factores que explicam a subida do consumo de vinho no seu estabelecimento: “O turismo, a qualidade dos nossos vinhos e os preços acessíveis.” Aqui, não há percentagens sobre o preço das garrafas. Cobram-se dez euros pelo serviço, seja num vinho de seis euros (que passa a custar 16), seja num de 30 (que fica pelos 40)… O resultado é um consumo bem mais acentuado de vinhos de gamas mais altas.
Sabia que…
Em 2017, não só a mítica barreira dos 750 milhões de euros em exportações foi ultrapassada como se previa que o total das vendas para o exterior superasse os 800 milhões.
No lisboeta Solar dos Presuntos, Pedro Cardoso, o proprietário, não tem notado um aumento do consumo de vinho. E era difícil… “Sempre vendemos muito vinho e continua a ser assim. É quase impossível vender mais do que isto.” Já no Porto, Maria Luísa, proprietária do restaurante Antunes, tem notado “a diferença desde que começou esta vaga do turismo” e destaca o facto de a clientela estrangeira apontar para mais alto na tabela de preços. “O português bebe mais o vinho corrente; os turistas vão para preços mais razoáveis, não os mais caros, mas a outro nível.”
Os frequentadores dos restaurantes bebem mais e estão muito mais informados. Nomeadamente os portugueses: “Começam a perceber cada vez mais de vinho, bebem melhor e mais caro.” Quanto aos estrangeiros, “conhecem menos, não arriscam em
marcas menos conhecidas”, relata Pedro Cardoso. Mas… “Quem os viu e quem os vê! Há 30 anos, havia quem pedisse gelo para pôr no vinho. Agora extasiam-se com vinhos de 20/30 euros que nos seus países custam o triplo.”
“Nota-se a evolução, em termos de vinho e de gastronomia. Mesmo os estrangeiros, em muitos casos, sabem o que procuram, o que mostra que tem havido um bom trabalho de divulgação dos produtores lá fora”, acentua Sara Almeida. Quanto a Manuel Janeiro, depois de salientar que “há muita gente mais informada” sobre o que quer na mesa, ressalva, no entanto, que no Veneza muitos ainda pedem aconselhamento. “Talvez porque temos 1.500 referências na carta de vinhos…” Pois.
Novos padrões de consumo
O universo do vinho tem sofrido uma autêntica revolução em Portugal nas últimas duas/três décadas, olhando para o campo da produção. Mas os últimos anos têm sido ainda mais intensos no outro extremo da cadeia: o consumo. E grande parte do cenário actual fica marcado pelo turismo. Subitamente, o mundo descobriu Portugal e apaixonou-se. Pelo país e pela sua mesa: gastronomia e vinhos são um dos factores de agrado mais citados por quem nos visita. Simultaneamente, a imprensa especializada norte-americana começou a dar destaque aos vinhos portugueses, intensificando, claro, a curiosidade de quem nos visita.
É a “tempestade perfeita”, mas em bom, para os vinhos portugueses. O mercado interno dispara (e os dados da Nielsen não incluem, por exemplo, os negócios feitos em lojas de produtores), as exportações batem recordes. Mas deixemos os mercados externos para outras análises e vamos então olhar mais de perto para a frente interna. E aí dominam os vinhos do Alentejo, com 35,7 por cento do mercado na distribuição e 30,3% na restauração. Nos restaurantes e similares, o Minho (+10%, para uma quota de mercado de 16,7%) e o Douro (+24%, para uma quota de 8,0%) estão a crescer muito, mas os vinhos do Tejo (+48%, para 2,6%) são os que mais sobem nas preferências dos clientes. Lisboa (+26%), Península de Setúbal (+18%), Douro (+15%) e Dão (+14%) são as regiões que mais crescem no retalho.
Com a economia a crescer, o desemprego em baixa e a confiança dos cidadãos em alta (85%, apenas dois pontos percentuais abaixo da média europeia), os portugueses estão mais disponíveis para gastarem dinheiro no lazer e tempos livres.
No terreno, na relação com os clientes, as tendências são mais palpáveis. Para começar, a localização de um restaurante pode potenciar vinhos da região em que está inserido. No Veneza, “vende-se muito vinho do Algarve”; na Casa Aleixo, “principalmente Douro e Vinhos Verdes – estes últimos são os preferidos dos japoneses”. Para quem visita um país de vinhos, há sempre a curiosidade de provar o produto da terra, claro. Mas, como realça, Pedro Cardoso, o gosto pessoal e a aposta do dono do estabelecimento também são relevantes. “Como gosto muito do Douro, esses são os vinhos que mais vendo no Solar dos Presuntos.” Nos Courenses, Douro e Alentejo são líderes, naturalmente, mas José Pinto destaca ainda outra região: “O Dão está a aparecer com coisas diferentes e boas.”
Outra nota unânime é o peso crescente dos brancos no total de vendas. “A nota mais forte dos últimos tempos é mesmo o vender-se cada vez mais branco”, relata Pedro Cardoso. “Estão cada vez melhores…”, justifica Manuel Janeiro. Quanto ao Vinho do Porto, “é mais estrangeiros do que portugueses”, sintetiza Sara Almeida.
Com a economia a crescer, o desemprego em baixa e a confiança dos cidadãos em alta (85%, apenas dois pontos percentuais abaixo da média europeia), os portugueses estão mais disponíveis para gastarem dinheiro no lazer e tempos livres. Aliando esse factor ao poder de compra dos milhões de visitantes que por cá passam, entre outras coisas, para beber um copo, então o sector do vinho tem todos os motivos para encarar o futuro próximo do mercado interno com confiança. E não há grandes segredos para ganhar esta batalha: “O crescimento passa por continuar a criar a apetência ao vinho como produto nacional de grande qualidade e com uma boa relação qualidade/preço, ganhando consumidores a outras categorias”, sintetiza Manuel Carvalho Martins, New Business Development Manager da Nielsen.
Números
45
Quase metade (45%) das vendas de vinho nas grandes superfícies comerciais em 2017 aconteceu no âmbito de promoções. Esta percentagem mais do que duplicou em dez anos (era de 21% em 2008)
42,5
A garrafa (42,5%) foi a embalagem mais popular nos primeiros nove meses deste ano, seguida do bag-in-box (39,6%), “outras” (14,2%) e garrafão (3,6%). Nos últimos quatro anos, o bag-in-box estabilizou e a garrafa ganhou terreno.
61,7
Quase dois terços (61,7%) do vinho vendido em Portugal este ano tem denominação de origem. O resto do mercado pertence aos vinhos de mesa (38%) e estrangeiros (0,3%).
Academia Vinhos de Portugal forma sommeliers espanhóis

Promover o interesse e o conhecimento pelos vinhos portugueses em Espanha são os principais objectivos da iniciativa que a Academia Vinhos de Portugal, da ViniPortugal, vai realizar junto de sommeliers daquele país. Serão realizadas acções em 10 cidades de Espanha e pretende-se chegar aos 300 formandos. O projecto arranca no dia 15 de Janeiro, em […]
Promover o interesse e o conhecimento pelos vinhos portugueses em Espanha são os principais objectivos da iniciativa que a Academia Vinhos de Portugal, da ViniPortugal, vai realizar junto de sommeliers daquele país. Serão realizadas acções em 10 cidades de Espanha e pretende-se chegar aos 300 formandos. O projecto arranca no dia 15 de Janeiro, em Madrid.
A Academia Vinhos de Portugal enquadra-se na estratégia de reforço da educação e promoção da marca Wines of Portugal no mercado espanhol, em particular junto de sommeliers, que têm um papel fundamental no aconselhamento e na recomendação de vinhos junto de profissionais de hotelaria e restauração bem como junto dos clientes finais.
As formações serão ministradas por Sofia Salvador, Wine Educator da ViniPortugal, e Sara Peñas, Sommelier e Formadora de Vinhos nas melhores instituições de ensino espanholas. A primeira sessão, liderada por Sofia Salvador, decorrerá no dia 15 de Janeiro, na Escuela de Hostelaría de Madrid. As restantes sessões, ministradas por Sara Peñas, decorrerão em datas e locais a divulgar em breve.
Cada formação, certificada com o Nível de Iniciação da Academia Vinhos de Portugal, terá a duração de três horas e dará a conhecer a realidade dos vinhos portugueses, nomeadamente tipos de vinhos, castas, regiões, climas e solos, prova de vinhos e a sua capacidade de harmonização gastronómica.
Redescobrir o rum da Madeira

[vc_row][vc_column][vc_column_text] O enquadramento legal desenhado em 2011 abriu caminho para a era moderna do Rum Agrícola da Madeira, um produto tão antigo quanto a própria presença humana na ilha. Sim, há rum feito em Portugal. E é excelente. TEXTO João Paulo Martins FOTOS DR IR à procura dos primeiros engenhos de açúcar na ilha […]
[vc_row][vc_column][vc_column_text]
O enquadramento legal desenhado em 2011 abriu caminho para a era moderna do Rum Agrícola da Madeira, um produto tão antigo quanto a própria presença humana na ilha. Sim, há rum feito em Portugal. E é excelente.
TEXTO João Paulo Martins FOTOS DR
IR à procura dos primeiros engenhos de açúcar na ilha da Madeira é mergulhar na história mais antiga da ilha, uma vez que o açúcar terá sido das primeiras colheitas a vingarem no território, plantadas pelos colonos portugueses. Após o fracasso de um primeiro ciclo do trigo (cereal de que sempre fomos deficitários), a cana mostrou uma óptima adaptação. E com a cana vieram os engenhos e veio também a destilação do açúcar, método através do qual se obtém o rum.
A produção é, assim, muito antiga e a área que estava reservada ao seu cultivo chegou a atingir os 6.500 hectares, números fabulosos se comparados com os actuais 155 hectares. Apesar disso contam-se 806 produtores de cana e cinco engenhos de destilação, dois deles de dimensão familiar. Desde sempre usado para a produção da poncha – bebida local à base de rum –, o rum agrícola viu o seu estatuto ser elevado à categoria que merecia em 2011, com normas e regras que permitiram obter destilados de grande categoria, já premiados em concursos de espirituosos. Temos, por exemplo, a indicação de idade, que vem no rótulo e que se estende dos 3 aos 25 anos, e passou a haver redobrados cuidados com a apresentação do produto, como se comprova no exemplo que mostramos.
A prova deste rum foi, devo confessar, uma enorme surpresa, pelo equilíbrio que mostrou, pela evolução que teve em casco, pelo carácter e grande nervo que revelou ao longo da prova. Mais um daqueles casos em que a prova cega nunca nos aproximaria da Madeira e muito provavelmente nos encaminharia para as Caraíbas. Escolhemos um topo de gama, um rum raro até pela pequena quantidade engarrafada, mas a prova que fizemos no Funchal não nos deixou dúvidas: estamos perante um grande destilado. A conhecer. O preço indicado refere-se à Garrafeira Nacional, em Lisboa, onde se encontra à venda.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_row_inner el_class=”remove-space-vinhos”][vc_column_inner width=”1/3″][vc_single_image image=”2616″ img_size=”medium” alignment=”center”][vc_raw_html]JTNDZGl2JTIwY2xhc3MlM0QlMjJnZS1kYWRvcyUyMiUzRSUwQSUwQSUzQ3NwYW4lMjBjbGFzcyUzRCUyMnBvbnR1YWNhbyUyMiUzRTE4JTNDJTJGc3BhbiUzRSUwQSUzQ3NwYW4lMjBjbGFzcyUzRCUyMnByaWNlJTIyJTNFJUUyJTgyJUFDNTQlMkM5MCUzQyUyRnNwYW4lM0UlMEElM0NzcGFuJTIwY2xhc3MlM0QlMjJpY29uJTIyJTNFJTNDaW1nJTIwd2lkdGglM0QlMjIyOCUyMiUyMHNyYyUzRCUyMiUyRndwLWNvbnRlbnQlMkZ1cGxvYWRzJTJGMjAxNyUyRjA3JTJGaWNvbi1iZWJlci5wbmclMjIlM0UlM0MlMkZzcGFuJTNFJTBBJTBBJTNDJTJGZGl2JTNF[/vc_raw_html][td_block_text_with_title custom_title=”970 Single Cask Edition” header_text_color=”#ac1e2c” el_class=”initial-title”]Rum Agrícola da Madeira
J. Faria & Filhos
Bonito na cor topázio com reflexos esverdeados, aroma pungente e intenso, com notas de frutos secos, de leve fruto tropical seco e alguma especiaria. Muito bem na boca, volumoso mas fino, com grande harmonia e uma sensação final longa e muito delicada ao fruto. (55,8%)[/td_block_text_with_title][/vc_column_inner][/vc_row_inner][/vc_column][/vc_row]
Museu do vinho do Dão… na net

O vinho do Dão já tem um museu virtual e a iniciativa pertenceu à Lusovini – Vinhos de Portugal, dinâmica empresa que tem sede em Nelas, no coração do Dão. A liderança do projecto coube ao empresário Casimiro Gomes, CEO da Lusovini, que explicou o motivo porque decidiu embarcar neste empreendimento: “Decidimos investir num museu […]
O vinho do Dão já tem um museu virtual e a iniciativa pertenceu à Lusovini – Vinhos de Portugal, dinâmica empresa que tem sede em Nelas, no coração do Dão. A liderança do projecto coube ao empresário Casimiro Gomes, CEO da Lusovini, que explicou o motivo porque decidiu embarcar neste empreendimento: “Decidimos investir num museu virtual da região vinícola em que temos a nossa sede, o Dão, porque 70% dos nossos vinhos são vendidos no estrangeiro e, portanto, a grande maioria dos nossos clientes não tem possibilidades práticas de nos visitar”. Não há visita física, fica a visita virtual. A coordenação ficou entregue a Virgílio Loureiro, um confesso apaixonado e conhecedor da história do vinho. Este professor aposentado do Instituto Superior de Agronomia começou por dizer que o projecto foi extremamente difícil de concretizar porque “a história do vinho do Dão ainda está por fazer”. De facto, Virgílio Loureiro teve que lidar com a exiguidade de vestígios, arquivos e prévias investigações, todos eles grandes obstáculos ao empreendimento.
No entanto, o resultado é bom, bastante vivo e com conteúdos de qualidade, tanto a nível de textos como de imagens. E o coordenado já garantiu que o site irá ter actualizações, à medida que novas investigações tragam novos elementos ao acervo.

Seis grandes capítulos
O site está dividido em seis grandes temas, começando com o surgimento da vinha e do vinho, há cerca de 8.000 anos. O capitulo seguinte lida com a chegada da videira e do vinho à Península Ibérica. Só em “O vinho no Dão” se entra no século XII e nos primeiros indícios da chegada do néctar das uvas a esta região de Portugal. Os três restantes capítulos lidam com a Paisagem do Dão, as suas castas principais e um interessante sobre “O vinho à mesa aristocrática”. Sabemos assim que, desde há muitas décadas, o vinho era tratado com muito respeito pelas grandes famílias da região. E mais não digo, que há muitas outras nuances…
O site contém ainda alguns jogos, indicados para os mais pequenos.
Os conteúdos estão para já em duas línguas – português e inglês – mas num futuro próximo estarão em mandarim (chinês) e francês.
Para visitar o museu, aponte para o endereço www.museuvirtualhistoriadovinho.com/pt/