Academia Vinhos de Portugal forma sommeliers espanhóis

Academia de Vinhos de Portugal

Promover o interesse e o conhecimento pelos vinhos portugueses em Espanha são os principais objectivos da iniciativa que a Academia Vinhos de Portugal, da ViniPortugal, vai realizar junto de sommeliers daquele país. Serão realizadas acções em 10 cidades de Espanha e pretende-se chegar aos 300 formandos. O projecto arranca no dia 15 de Janeiro, em […]

Promover o interesse e o conhecimento pelos vinhos portugueses em Espanha são os principais objectivos da iniciativa que a Academia Vinhos de Portugal, da ViniPortugal, vai realizar junto de sommeliers daquele país. Serão realizadas acções em 10 cidades de Espanha e pretende-se chegar aos 300 formandos. O projecto arranca no dia 15 de Janeiro, em Madrid.

A Academia Vinhos de Portugal enquadra-se na estratégia de reforço da educação e promoção da marca Wines of Portugal no mercado espanhol, em particular junto de sommeliers, que têm um papel fundamental no aconselhamento e na recomendação de vinhos junto de profissionais de hotelaria e restauração bem como junto dos clientes finais.

As formações serão ministradas por Sofia Salvador, Wine Educator da ViniPortugal, e Sara Peñas, Sommelier e Formadora de Vinhos nas melhores instituições de ensino espanholas. A primeira sessão, liderada por Sofia Salvador, decorrerá no dia 15 de Janeiro, na Escuela de Hostelaría de Madrid. As restantes sessões, ministradas por Sara Peñas, decorrerão em datas e locais a divulgar em breve.

Cada formação, certificada com o Nível de Iniciação da Academia Vinhos de Portugal, terá a duração de três horas e dará a conhecer a realidade dos vinhos portugueses, nomeadamente tipos de vinhos, castas, regiões, climas e solos, prova de vinhos e a sua capacidade de harmonização gastronómica.

Redescobrir o rum da Madeira

[vc_row][vc_column][vc_column_text] O enquadramento legal desenhado em 2011 abriu caminho para a era moderna do Rum Agrícola da Madeira, um produto tão antigo quanto a própria presença humana na ilha. Sim, há rum feito em Portugal. E é excelente.   TEXTO João Paulo Martins FOTOS DR IR à procura dos primeiros engenhos de açúcar na ilha […]

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O enquadramento legal desenhado em 2011 abriu caminho para a era moderna do Rum Agrícola da Madeira, um produto tão antigo quanto a própria presença humana na ilha. Sim, há rum feito em Portugal. E é excelente.

 

TEXTO João Paulo Martins FOTOS DR

IR à procura dos primeiros engenhos de açúcar na ilha da Madeira é mergulhar na história mais antiga da ilha, uma vez que o açúcar terá sido das primeiras colheitas a vingarem no território, plantadas pelos colonos portugueses. Após o fracasso de um primeiro ciclo do trigo (cereal de que sempre fomos deficitários), a cana mostrou uma óptima adaptação. E com a cana vieram os engenhos e veio também a destilação do açúcar, método através do qual se obtém o rum.

A produção é, assim, muito antiga e a área que estava reservada ao seu cultivo chegou a atingir os 6.500 hectares, números fabulosos se comparados com os actuais 155 hectares. Apesar disso contam-se 806 produtores de cana e cinco engenhos de destilação, dois deles de dimensão familiar. Desde sempre usado para a produção da poncha – bebida local à base de rum –, o rum agrícola viu o seu estatuto ser elevado à categoria que merecia em 2011, com normas e regras que permitiram obter destilados de grande categoria, já premiados em concursos de espirituosos. Temos, por exemplo, a indicação de idade, que vem no rótulo e que se estende dos 3 aos 25 anos, e passou a haver redobrados cuidados com a apresentação do produto, como se comprova no exemplo que mostramos.

A prova deste rum foi, devo confessar, uma enorme surpresa, pelo equilíbrio que mostrou, pela evolução que teve em casco, pelo carácter e grande nervo que revelou ao longo da prova. Mais um daqueles casos em que a prova cega nunca nos aproximaria da Madeira e muito provavelmente nos encaminharia para as Caraíbas. Escolhemos um topo de gama, um rum raro até pela pequena quantidade engarrafada, mas a prova que fizemos no Funchal não nos deixou dúvidas: estamos perante um grande destilado. A conhecer. O preço indicado refere-se à Garrafeira Nacional, em Lisboa, onde se encontra à venda.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_row_inner el_class=”remove-space-vinhos”][vc_column_inner width=”1/3″][vc_single_image image=”2616″ img_size=”medium” alignment=”center”][vc_raw_html]JTNDZGl2JTIwY2xhc3MlM0QlMjJnZS1kYWRvcyUyMiUzRSUwQSUwQSUzQ3NwYW4lMjBjbGFzcyUzRCUyMnBvbnR1YWNhbyUyMiUzRTE4JTNDJTJGc3BhbiUzRSUwQSUzQ3NwYW4lMjBjbGFzcyUzRCUyMnByaWNlJTIyJTNFJUUyJTgyJUFDNTQlMkM5MCUzQyUyRnNwYW4lM0UlMEElM0NzcGFuJTIwY2xhc3MlM0QlMjJpY29uJTIyJTNFJTNDaW1nJTIwd2lkdGglM0QlMjIyOCUyMiUyMHNyYyUzRCUyMiUyRndwLWNvbnRlbnQlMkZ1cGxvYWRzJTJGMjAxNyUyRjA3JTJGaWNvbi1iZWJlci5wbmclMjIlM0UlM0MlMkZzcGFuJTNFJTBBJTBBJTNDJTJGZGl2JTNF[/vc_raw_html][td_block_text_with_title custom_title=”970 Single Cask Edition” header_text_color=”#ac1e2c” el_class=”initial-title”]Rum Agrícola da Madeira
J. Faria & Filhos

Bonito na cor topázio com reflexos esverdeados, aroma pungente e intenso, com notas de frutos secos, de leve fruto tropical seco e alguma especiaria. Muito bem na boca, volumoso mas fino, com grande harmonia e uma sensação final longa e muito delicada ao fruto. (55,8%)[/td_block_text_with_title][/vc_column_inner][/vc_row_inner][/vc_column][/vc_row]

Poseidon: o vinho da Volta

É da sabedoria popular que o vinho que sobrava das viagens dos antigos bacalhoeiros tinha um sabor distinto do original. Hoje, o duriense Poseidon vem confirmar isso mesmo: o “vinho da volta”, volta diferente. E bom, por sinal…   TEXTO Mariana Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga O Poseidon tinto 2014 é já a segunda edição […]

É da sabedoria popular que o vinho que sobrava das viagens dos antigos bacalhoeiros tinha um sabor distinto do original. Hoje, o duriense Poseidon vem confirmar isso mesmo: o “vinho da volta”, volta diferente. E bom, por sinal…

 

TEXTO Mariana Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga

O Poseidon tinto 2014 é já a segunda edição deste vinho baptizado em homenagem ao Deus grego dos mares e à memória marítima portuguesa, e o local do lançamento não poderia ter sido mais apropriado. Trata-se do navio-museu Santo André, um bacalhoeiro de arrasto lateral “aposentado” que se encontra atracado na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, e que foi construído em 1948 na Holanda, por encomenda da Empresa de Pesca de Aveiro. Foi no seu porão de seca de bacalhau, abaixo do nível da água da ria de Aveiro, que provámos a novidade.

Fruto de uma parceria entre a empresa Lua Cheia em Vinhas Velhas e o Clube de Oficiais da Marinha Mercante, o vinho Andreza Grande Reserva 2014 embarcou, em Janeiro, no bacalhoeiro Coimbra rumo aos Grandes Bancos da Terra Nova, no Canadá, e, depois de 72 dias de ondas de 13 metros e ventos de 140 km/h, voltou com outro perfil e outro nome. Com mais seis meses de estágio em terra, o novo Poseidon tem Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão e, segundo o enólogo Francisco Baptista, “o objectivo foi pegar num vinho com taninos fortes para que o tempo em alto-mar amaciasse esses mesmos taninos”. “Está mais aveludado e bem integrado com a barrica”, afirma.

Tiago Silva, o jovem capitão do navio Coimbra, contou uma estória engraçada: “Na primeira viagem, a pesca começou por correr muito mal. Durante muitos dias não havia peixe e decidimos optar pelo último recurso, oferecer uma garrafa ao Deus Poseidon. Provámos o vinho e deitámos um pouco ao mar. O que é certo é que a situação mudou totalmente de figura e a pesca passou a correr tão bem que voltámos mais cedo do que o costume!”. E continuou, relatando pelo meio de risos: “Na segunda viagem, não estivemos com meias medidas. A primeira coisa que fizemos foi oferecer a garrafa ao Poseidon e, além de não termos tido qualquer problema com a pesca, voltámos mais cedo outra vez…”

Não fosse já a história especial, cada garrafa de Poseidon tinto 2014 traz anexado um certificado assinado pelo Clube de Oficiais da Marinha Mercante. Há quem diga que encostar o ouvido à garrafa permite ouvir o mar… Será verdade? Provavelmente não, mas o vinho vale muito a pena.

Museu do vinho do Dão… na net

Museu Virtual do Vinho

O vinho do Dão já tem um museu virtual e a iniciativa pertenceu à Lusovini – Vinhos de Portugal, dinâmica empresa que tem sede em Nelas, no coração do Dão. A liderança do projecto coube ao empresário Casimiro Gomes, CEO da Lusovini, que explicou o motivo porque decidiu embarcar neste empreendimento: “Decidimos investir num museu […]

O vinho do Dão já tem um museu virtual e a iniciativa pertenceu à Lusovini – Vinhos de Portugal, dinâmica empresa que tem sede em Nelas, no coração do Dão. A liderança do projecto coube ao empresário Casimiro Gomes, CEO da Lusovini, que explicou o motivo porque decidiu embarcar neste empreendimento: “Decidimos investir num museu virtual da região vinícola em que temos a nossa sede, o Dão, porque 70% dos nossos vinhos são vendidos no estrangeiro e, portanto, a grande maioria dos nossos clientes não tem possibilidades práticas de nos visitar”. Não há visita física, fica a visita virtual. A coordenação ficou entregue a Virgílio Loureiro, um confesso apaixonado e conhecedor da história do vinho. Este professor aposentado do Instituto Superior de Agronomia começou por dizer que o projecto foi extremamente difícil de concretizar porque “a história do vinho do Dão ainda está por fazer”. De facto, Virgílio Loureiro teve que lidar com a exiguidade de vestígios, arquivos e prévias investigações, todos eles grandes obstáculos ao empreendimento.
No entanto, o resultado é bom, bastante vivo e com conteúdos de qualidade, tanto a nível de textos como de imagens. E o coordenado já garantiu que o site irá ter actualizações, à medida que novas investigações tragam novos elementos ao acervo.

Seis grandes capítulos
O site está dividido em seis grandes temas, começando com o surgimento da vinha e do vinho, há cerca de 8.000 anos. O capitulo seguinte lida com a chegada da videira e do vinho à Península Ibérica. Só em “O vinho no Dão” se entra no século XII e nos primeiros indícios da chegada do néctar das uvas a esta região de Portugal. Os três restantes capítulos lidam com a Paisagem do Dão, as suas castas principais e um interessante sobre “O vinho à mesa aristocrática”. Sabemos assim que, desde há muitas décadas, o vinho era tratado com muito respeito pelas grandes famílias da região. E mais não digo, que há muitas outras nuances…
O site contém ainda alguns jogos, indicados para os mais pequenos.
Os conteúdos estão para já em duas línguas – português e inglês – mas num futuro próximo estarão em mandarim (chinês) e francês.
Para visitar o museu, aponte para o endereço www.museuvirtualhistoriadovinho.com/pt/

Franceses vão testar túnel protector sobre a vinha

Viti-Tunnel

Está farto de fazer tratamentos contra doenças da vinha provocadas por excesso de humidade? Pois bem, pode haver uma solução para isto, cortesia de uma empresa francesa start-up, a Mo.Del. O produto chama-se Viti-Tunnel e no fundo é uma espécie de estufa que vai cobrir uma – ou parte – de linha de vinha. O […]

Está farto de fazer tratamentos contra doenças da vinha provocadas por excesso de humidade? Pois bem, pode haver uma solução para isto, cortesia de uma empresa francesa start-up, a Mo.Del. O produto chama-se Viti-Tunnel e no fundo é uma espécie de estufa que vai cobrir uma – ou parte – de linha de vinha. O bom da questão é que esta espécie de manga só será esticada quando há o perigo de elementos naturais – como a chuva – provocarem doenças na videira. Falamos de doenças provocadas por fungos (míldio, oídio) mas também de outras, como o ‘black-rot e a escoriose, ligadas à excessiva humidade. Este ano (e em 2019) vão ser dez os produtores a testar o produto, todos de Bordéus (cada um pagou 10.000 euros). Estes testes vão ser seguidos de perto e de forma cientifica pelo Instituto Francês da Vinha e do Vinho.

O sistema de esticar/encolher a manga (estilo telescópio) funcionará a energia solar e de forma automática, reagindo a sensores de humidade. Cada túnel irá, para já, proteger entre 50 e 100 metros de vinha. O modo de ancoragem não foi revelado mas parece que o revestimento irá ser puxado por cabos suspensos em postes.

O promotor da iniciativa, Patrick Delmarre, estima que “no melhor dos cenários, o Viti-tunnel deverá permitir uma redução de 80 % nos tratamentos”. Mas, mesmo se forem necessários, a estrutura da manga permitirá fazer pulverizações anti-fúngicas nesse espaço. As vantagens podem não acabar por aqui: o sistema poderá proteger ainda contra geadas ou gelo, embora tal esteja ainda sujeito a testes. O preço de uma destas soluções não foi divulgado, mas só deverá ser rentável para vinhas que dão origem a vinhos topos-de-gama. (AF)

8 ‘Ouros’ lusos no International Wine Challenge

Prémios lusos no concurso International Wine Challenge 2018

Das mais de 1.600 medalhas atribuídas pelo concurso International Wine Challenge, Portugal trouxe 153. Foi na 35ª edição de um dos concursos mais prestigiados do mundo, que se celebrou recentemente em Inglaterra. Esta foi a 1ª edição de 2018 e foi ainda a primeira vez que o concurso revelou a pontuação de cada um dos […]

Das mais de 1.600 medalhas atribuídas pelo concurso International Wine Challenge, Portugal trouxe 153. Foi na 35ª edição de um dos concursos mais prestigiados do mundo, que se celebrou recentemente em Inglaterra. Esta foi a 1ª edição de 2018 e foi ainda a primeira vez que o concurso revelou a pontuação de cada um dos vinhos, que vai ser anexada aos respectivos selos. Para levar medalha de Ouro, um vinho terá que conseguir entre 95 e 100 pontos. A Prata cai nos vinhos com classificação entre 90 e 94 valores e o Bronze entre 85 e 89.

logotipo International Wine Challenge

Das 100 medalhas de Ouro, 8 vieram para Portugal, correspondendo a 2 brancos, 2 tintos e 4 Vinhos do Porto. As maiores pontuações – 96 pontos – foram para um branco alentejano e para dois Vinhos do Porto. De resto os vinhos portugueses conseguiram 40 medalhas de Prata (de um total de 710), 56 de Bronze (de 815) e 49 Commended (de 829). Refira-se ainda que só dois vinhos no total conseguiram 97 pontos: um tinto australiano e um branco alemão.
Os resultados podem ser pesquisados no site do concurso.

Medalhas de Ouro para Portugal
Brancos (pontuação, produtor)
Nostalgia 10 Barricas Vinho Verde 2015 (95, Lua Cheia Em Vinhas Velhas)
Monte da Ravasqueira Res. da Família Alentejo 2016 (96, Sociedade Agrí. Dom Diniz)
Tintos
Colleja Douro 2015 (95, Lua Cheia Em Vinhas Velhas)
Quinta Vale D’Aldeia Douro Grande Reserva 2014 (95, Quinta Vale d’ Aldeia)
Vinho do Porto
Quinta do Pego Porto Vintage 2015 (95, Quinta do Pégo)
Bulas Porto Vintage 2014 (96, Bulas Family Estates)
Tesco Finest Porto Vintage 1997 (96, Symington Family Estates)
Maynard’s LBV 1992 (95, Barão de Vilar)

Quinta da Pellada: as muitas faces de uma vinha

Se as vinhas recebessem medalhas pelos vinhos que produzem, a Quinta da Pellada seria talvez a vinha mais medalhada da região do Dão. Foi Álvaro Castro quem a tornou um ícone. Ou terá sido o contrário?   TEXTO João Afonso FOTOS Ricardo Palma Veiga POR trás de um vinho está sempre uma vinha. E a […]

Se as vinhas recebessem medalhas pelos vinhos que produzem, a Quinta da Pellada seria talvez a vinha mais medalhada da região do Dão. Foi Álvaro Castro quem a tornou um ícone. Ou terá sido o contrário?

 

TEXTO João Afonso FOTOS Ricardo Palma Veiga

POR trás de um vinho está sempre uma vinha. E a pergunta que surge é se uma vinha, por si só, é condição suficiente para fazer um grande vinho.

“Não tive qualquer mérito” – foi a resposta de Álvaro Castro à suposição. E assim nos invade um certo e insondável pragmatismo da mãe-Natureza que, quando reúne condições óptimas de expressão, fá-lo em modo decorrente e magnífico. E por sempre desconhecermos, objectiva e concretamente, as razões de como o faz, ainda mais nos interrogamos, gratos por tal dádiva.

Este engenheiro civil que nunca chegou a desempenhar funções relacionadas com a formação tomou conta das terras da família em Pinhanços ainda muito novo, com pouco mais de 20 anos de idade. Em 1989, com 37 anos, e no início do despertar do “novo Dão”, decide deixar de vender a uva das vinhas plantadas pelo seu pai e lançar-se na procura do vinho de seu gosto. Entrou no momento certo e com o pé direito.

Nesta época Portugal tinha acabado de despertar para a questão varietal, assunto nunca abordado até então, num país onde a enorme quantidade de castas e respectivas sinonímias (mais de um nome para a mesma casta) representavam quase sempre um labirinto pesado e inabordável, em termos sistemáticos, para a maioria dos viticultores nacionais.

A coqueluche de então era a Touriga Nacional, que Álvaro Castro soube explorar como ninguém. E aqui sim, teve o enorme mérito de fazer com que a vinha deixada pelo seu pai desempenhasse um papel brilhante, não só na produção de excelente vinho como também na satisfação dos enófilos consumidores das novas tendências.

A vinha mais representativa deste produtor é a vinha velha da Pellada, de onde Álvaro “cozinhou” de modo assertivo e inteligente os primeiros vinhos e as primeiras marcas. Havia e há também a Quinta de Saes, sempre num segundo plano (ainda que o primeiro Saes branco tenha sido, de facto, o primeiro Primus, porque foi feito com uva da vinha velha da
Pellada) e mais tarde, já com Álvaro Castro perfeitamente estabelecido como um dos principais produtores de vinho do Dão, a aquisição da Quinta do Outeiro, ao antigo proprietário da Casa Passarella, Manuel Santos Lima.

Um verdadeiro mestre a criar marcas fortes, Álvaro Castro é por isto mesmo, e sem realmente o buscar, um dos produtores mais mediáticos de Portugal. De momento possui 26 referências de vinho, e 8 vêm da Quinta da Pellada, um verdadeiro tesouro, herança de família, para o qual soube construir a chave com que o abrir.

Várias vinhas numa vinha
A Quinta da Pellada é constituída por várias parcelas de vinhas que somam um total de 26 hectares. A vinha velha, plantada pelo seu pai nos idos anos 50, encontra-se a nascente de uma casa solarenga usada para os maiores eventos da empresa. É a partir dela que a história deste produtor se faz.

Está situada num pequeno promontório a noroeste da linha obliqua do sopé da serra da Estrela (com orientação NE/SW). Pela manhã, do solheiro promontório da Quinta da Pellada, com a palma da mão a dar sombra e conforto aos olhos, podemos admirar o imponente, escuro e sombreado maciço montanhoso da serra da Estrela.

Levemente elevado, a uma cota máxima de 545 metros de altitude, este cabeço/promontório, de forma larga e aplanada, tem leve inclinação/exposição a Sudoeste. Do pequeno alto podemos sentir as excelentes condições de drenagem natural que aqui existem. E não falo apenas da água, pois estamos numa zona de elevada pluviosidade (entre 1000 e 1400 l/m2/ano), mas também do frio intenso invernal e primaveril. Do alto da serra, em noites calmas, desce a assassina geada que pode aniquilar muita florescência na fase inicial do ciclo vegetativo. Como bem elucida Álvaro Castro, “o frio é como a água, temos de lhe dar saída para não causar estragos”.

O solo é de granito muito antigo, erodido em areia. Solo rico em sílica com pH ácido que dificulta a alimentação da videira controlando e ajustando (juntamente com a poda) a produção de uva por cepa a um nível baixo, que permite a excelência na qualidade.

Neste solo está um dos grandes trunfos da vinha velha da Pellada. Bem drenado, pouco fértil e com um complemento argiloso que faz a diferença durante a estação quente e seca. A orografia e características do subsolo desta fantástica parcela permitem à sua vinha velha, mesmo nos anos mais difíceis (como este de 2017), uma maturação lenta e continuada das uvas.

Neste contexto, Álvaro Castro opta por ser o menos interventivo possível e adopta desde há alguns anos práticas antigas, tais como as do pastoreio. “A melhor maneira de termos um solo fresco e húmido durante o Verão, é mantê-lo alimentado sem intervenções técnicas ou mecânicas, e as ovelhas através da suave compressão da camada mais superficial de solo e através do seu regime alimentar, ajudam muito a fertilizar, a controlar o coberto vegetal e a guardar alguma frescura para a estação seca.”

Por último o pote das castas: “Nesta vinha, acho que tenho um excelente exemplo do que é o Dão em termos de castas ou de field blend, como agora se usa dizer” – comenta Álvaro.

E este é talvez o grande segredo desta vinha. O material usado não vem de clones selecionados, com a feição produtiva direccionada que lhe conhecemos, mas sim de uma selecção massal feita na região desde há séculos e onde a diversidade varietal toma outro e mais complexo potencial aromático e gustativo.

As diferentes Pelladas
Depois de 24 vindimas e de muita observação e avaliação, os 8,5 hectares de vinha velha desmultiplicaram-se em 5 parcelas de que resultam desde a colheita de 2013, quatro vinhos de micro-parcelas: o branco Primus e os tintos Quinta da Pellada “Alto”, “Casa” e “49” (aos quais em breve se juntará o “Fundo”); mais o lote tradicional de tinto da Quinta da Pellada (saído das parcelas do Alto, Casa e Fundo com mais 25% de Touriga Nacional e Jaen).

As parcelas foram separadas a partir da colecção varietal e das características de solo de cada uma. Na de branco, no canto noroeste do pequeno plateau rectangular que é a vinha velha da Pellada, dominam as castas Encruzado e Bical, seguidas de Cerceal, Verdelho, Malvasia Fina, Terrantez, Fernão Pires e outras mais. Daqui sai o vinho Quinta da Pellada Primus, um branco topo de gama feito por duas vindimas, a primeira para as castas mais precoces (Bical, Fernão Pires e Malvasia) e a segunda para as outras.

Quanto às quatro parcelas de tinto, na do “Alto” (localizada na parte superior e mais a Leste do retângulo e de solo menos argiloso e mais arenoso) dominam as castas Jaen, Alvarelhão, Tinta Pinheira, Tinta Carvalha, Bastardo, e outras com reduzida expressão como a Touriga Nacional, o Português Azul e o Negro Mouro; na parcela “Casa”, junto ao solar, de solos mais compactos com alguma argila e forte presença de quartzos, dominam as castas Alfrocheiro, Touriga Nacional e Jaen, acompanhadas pelo Tinto Cão, Tinta Amarela e Tinta Pinheira; e na parcela “49”, de solos graníticos mais heterógenos, com mais línguas de areias e argila, recolhem-se e fermentam-se em separado as castas Alfrocheiro e Touriga Nacional, sendo o resto das uvas conduzidas para outros vinhos.

Os varietais e os outros
A Touriga Nacional já foi o centro das atenções de Álvaro Castro. O produtor dá atenção agora a outras variedades menos cotadas, como a Jaen, a casta mais presente nas vinhas de todo o Dão num total de cerca de 2.760 hectares, e o Alvarelhão, com uns singelos 23 hectares de área total regional, que anunciam o pouco interesse geral dado a esta variedade.

Estes tintos são feitos a partir da vinha velha depois de vindima cirúrgica destas castas. Videiras velhas, pouco produtivas e de excelente saúde, são as eleitas para a produção
destes exemplares varietais. O fantástico Jaen prova que a casta, além de excelente em vinho de lote, consegue brilhar “a solo” como as melhores, quando bem cuidada, claro está. Quanto ao Alvarelhão, talvez o lote seja o melhor encaixe, ainda que não existam suficientes dados, ou suficientes vinhos estremes, para se ser conclusivo.

Adjacente ao bloco rectangular da vinha velha e em direcção à montanha, uma suave encosta de exposição Sul contém mais nove parcelas de vinha responsáveis por mais dois vinhos emblemáticos da Quinta da Pellada. São eles o talhão de Touriga Nacional da Entrada que dá origem ao conhecido Carrocel, e o talhão 12, que produz um soberbo e elegantíssimo Quinta da Pellada Baga. Neste caso mais um mérito para Álvaro Castro, dos raros produtores regionais a defender uma variedade originária do Dão, que ocupa o 2ºlugar nas tintas mais plantadas (2.332 hectares), que é corresponsável pelo prestígio do Dão antigo e que continua a ser desprezada pela região não só a nível vitícola como também institucional (não surge entre as castas recomendadas para DOC Dão).

Estes vinhos não foram incluídos na prova que aqui relatamos por não pertencerem à vinha velha que constitui o embrião do projecto de Álvaro Castro e que serviu de rampa ao produtor para ele subir ao podium dos vignerons nacionais. Esta vinha e muitas outras espalhadas por Portugal constituem um repositório genético importantíssimo para o presente e futuro do país vinhateiro.

O único Perrum do mundo?

Vidigueira Perrum 2016

Chama-se Vidigueira Perrum branco 2016 – Ato IV A Inspiração – e é um novo vinho branco da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito. Este vinho usa apenas a casta Perrum. Embora não seja rara no Alentejo, esta casta vem sempre associada em lote (muitas vezes com Antão Vaz) mas, ao que sabemos, nunca até agora foi […]

Chama-se Vidigueira Perrum branco 2016 – Ato IV A Inspiração – e é um novo vinho branco da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito. Este vinho usa apenas a casta Perrum. Embora não seja rara no Alentejo, esta casta vem sempre associada em lote (muitas vezes com Antão Vaz) mas, ao que sabemos, nunca até agora foi lançada em estilo monovarietal. Luis Leão, enólogo da casa, diz que a casta dá vinhos “com uma componente ácida elevada, muito frescos (…)”.
O vinho já está no retalho e deverá custar 4,99 euros.