Agência portuguesa M&A assina imagem dos vinhos do baterista Kenny Aronoff

O americano Kenny Aronoff — colaborador de grandes bandas, artistas e álbuns, eleito um dos 100 melhores bateristas de sempre pela Rolling Stone — lançou em Hollywood, em Dezembro de 2022, a sua marca de vinhos californianos “Uncommon Wines”. A portuguesa M&A Creative Agency foi a escolhida para a criação do nome e da embalagem […]
O americano Kenny Aronoff — colaborador de grandes bandas, artistas e álbuns, eleito um dos 100 melhores bateristas de sempre pela Rolling Stone — lançou em Hollywood, em Dezembro de 2022, a sua marca de vinhos californianos “Uncommon Wines”. A portuguesa M&A Creative Agency foi a escolhida para a criação do nome e da embalagem da marca, tendo acompanhado a execução de todas as peças, integralmente produzidas em Portugal.

“O luxuoso medalhão, banhado a cor “ouro antigo”, incorpora a personalidade de Kenny Aronoff. Os óculos de sol, que são sua ‘assinatura’, estão no centro do design e as baquetas, que nunca deixam as suas mãos, ficam acima dos óculos. Por fim, o formato redondo da peça é nada mais do que uma réplica fiel de uma das suas baterias”, explica a M&A Creative Agency.
Este medalhão, que adorna a garrafa, foi pensado para poder ser retirado da mesma e utilizado ou como porta-chaves, ou como colar. A corrente para o porta-chaves encontra-se presa às etiquetas do gargalo. Para ser usado ao pescoço, outra versão especial da garrafa inclui o fio em prata, banhado com a mesma cor “ouro antigo”. No que diz respeito ao packaging de transporte, este foi feito com peças de pele gravadas manualmente e acessórios em metal condizentes.

Adicionalmente, o projecto tem uma componente sustentável, pois “a garrafa vai 100% limpa para a reciclagem”, como refere a M&A Creative Agency, que também descortina: “Este é o nosso primeiro de muitos projectos que se seguem do universo ‘Celebrity Wines’”. O design da “Uncommon Wines” foi já distinguido, no final de 2022, com Gold Award nos New York Product Design Awards e com Bronze nos Prémios Lusófonos, em Portugal.
Destaque do mês de Dezembro – Parcela Única
Six Senses Douro Valley abre candidaturas para destinatários de Fundo de Sustentabilidade

Desde a sua inauguração em 2015, que o hotel Six Senses Douro Valley tem vindo a apoiar projectos e associações locais que geram impacto social e ambiental positivo na região, através do seu Fundo de Sustentabilidade. Todos os anos, o Six Senses destina a este fundo 0,5% das suas receitas operacionais, 50% das vendas de […]
Desde a sua inauguração em 2015, que o hotel Six Senses Douro Valley tem vindo a apoiar projectos e associações locais que geram impacto social e ambiental positivo na região, através do seu Fundo de Sustentabilidade. Todos os anos, o Six Senses destina a este fundo 0,5% das suas receitas operacionais, 50% das vendas de água Six Senses e 100% das receitas obtidas com as vendas (dentro do hotel) da mascote de pelúcia Dourival, um Burro de Miranda.
No início de 2023, o Six Senses estará aberto a receber candidaturas de quaisquer organizações locais que, através do seu trabalho na comunidade e da acção positiva no ambiente, procurem preservar a natureza e os seus ecossistemas e contribuir para um desenvolvimento sustentável do Vale do Douro.
“Os projectos elegíveis para financiamento terão de demonstrar que estão a beneficiar a comunidade local em áreas como educação, saúde, infra-estruturas, investigação, melhoria dos hábitos de conservação da fauna e flora, para citar algumas. Além disso, o compromisso dos candidatos com pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, será visto como nota favorável”, explica o Six Senses, em comunicado.
O período de inscrições decorrerá entre 1 de Janeiro e 28 de Fevereiro de 2023. O formulário de candidatura deverá ser solicitado através do endereço de e-mail raquel.dias@sixsenses.com. Os projectos escolhidos serão anunciados em Abril de 2023, no Six Senses Douro Valley, num evento aberto ao público, e o valor do financiamento atribuído aos vencedores também será divulgado nesse momento. De forma a garantir o correcto cumprimento e execução de todos os projectos, o comité do Fundo de Sustentabilidade Six Senses Douro Valley será responsável pelo acompanhamento, avaliação e resultado destes projectos.
Symington entra nos Vinhos Verdes e “recruta” enólogo Anselmo Mendes

A Symington Family Estates anunciou hoje a aquisição de uma propriedade na sub-região Monção e Melgaço, na região dos Vinhos Verdes. O sítio é histórico e tem o nome Casa de Rodas (na verdade, uma das mais antigas e históricas marcas de Alvarinho de Monção), incluindo uma casa senhorial do século XVII e 27,4 hectares […]
A Symington Family Estates anunciou hoje a aquisição de uma propriedade na sub-região Monção e Melgaço, na região dos Vinhos Verdes. O sítio é histórico e tem o nome Casa de Rodas (na verdade, uma das mais antigas e históricas marcas de Alvarinho de Monção), incluindo uma casa senhorial do século XVII e 27,4 hectares de vinha de plantada exclusivamente com a casta Alvarinho. Para produção da gama de “vinhos de quinta” — os primeiros serão elaborados em 2023 — apenas com uvas próprias, a Symington Family Estates contará com Anselmo Mendes na enologia e consultoria de viticultura.
Rupert Symington, CEO do grupo familiar nascido no Douro, afirma: “É com enorme satisfação que anunciamos este importante investimento na sub-região de Monção e Melgaço. […] Esta área é, há muito, reconhecida pela qualidade da sua casta Alvarinho. De facto, os vinhos brancos aqui produzidos estão entre os melhores de Portugal. Acreditamos no estabelecimento de relações de longa duração com indivíduos, peritos na enologia nas suas regiões e temos imenso orgulho em trabalhar com o Anselmo Mendes, que muito justamente se tornou num dos mais reputados enólogos de Portugal e num dos pioneiros da região do Vinho Verde”.
Nos últimos anos, a família Symington expandiu o seu negócio para novas regiões vitivinícolas e categorias de vinho, que se vêm juntar à actividade principal da empresa, a produção de vinhos do Porto e Douro. Em 2016, adquiriu uma propriedade de 42 hectares – a Quinta da Fonte Souto – nas encostas da Serra de São Mamede, no Alto Alentejo, sub-região de Portalegre. Em 2022, comprou 50% das Caves Transmontanas, prestigiado produtor duriense da marca de espumantes Vértice.
EA LIVE ÉVORA anuncia cartaz para 2023

Depois do grande sucesso da edição de 2022, o EA LIVE ÉVORA anuncia que regressa em 2023, nos dias 14, 15, 21 e 22 de Julho. O local é o mesmo de sempre, a zona exterior, com as vinhas em plano de fundo, da Adega Cartuxa, onde actuarão, desta vez, Rui Veloso Trio (convidado especial, Vitorino), […]
Depois do grande sucesso da edição de 2022, o EA LIVE ÉVORA anuncia que regressa em 2023, nos dias 14, 15, 21 e 22 de Julho. O local é o mesmo de sempre, a zona exterior, com as vinhas em plano de fundo, da Adega Cartuxa, onde actuarão, desta vez, Rui Veloso Trio (convidado especial, Vitorino), Os Quatro e Meia, Resistência e Ana Moura.
Mas no EA LIVE ÉVORA 2023 há uma novidade: para se aproveitarem as noites de verão alentejanas, o evento é prolongado com a EA LIVE PARTY, ao som dos DJ da Rádio Comercial, Ana Isabel Arroja, Nuno Luz, Rob Willow e Wilson Honrado. Estes fins de noite acontecerão no pátio principal da Adega Cartuxa.
Nomeado recentemente para os Iberian Festival Awards, nas categorias Best Small Festival, Best Brand Activation, Best Hosting & Reception, o EA LIVE ÉVORA junta diversão e conforto, com plateia ao ar livre (limitada a 1000 lugares marcados) e a oferta de um kit Lanyard + Copo e três serviços de vinhos EA à escolha.
Os bilhetes têm o custo entre €25 e €30 e estão disponíveis na BOL e noutros locais habituais. Todas as informações e o programa podem ser consultados no site do EA LIVE.
Referencial Nacional de Sustentabilidade apresentado no Fórum Anual Vinhos de Portugal

A ViniPortugal — entidade responsável pelo desenvolvimento e execução de estratégias e planos de promoção dos Vinhos de Portugal em mercados internacionais — realizou no dia 23 de Novembro, em Fátima, o Fórum Anual Vinhos de Portugal 2022. O evento, que reuniu várias entidades do sector, apresentou o balanço de performance do vinho português no […]
A ViniPortugal — entidade responsável pelo desenvolvimento e execução de estratégias e planos de promoção dos Vinhos de Portugal em mercados internacionais — realizou no dia 23 de Novembro, em Fátima, o Fórum Anual Vinhos de Portugal 2022. O evento, que reuniu várias entidades do sector, apresentou o balanço de performance do vinho português no mercado nacional e internacional, divulgou, como já é habitual, os Planos de Marketing e Promoção para 2023 e revelou a grande novidade deste ano, o Referencial Nacional de Sustentabilidade. Houve ainda tempo atribuir os prémios “Distinção CNOIV” e “Inovação CNOIV” de 2022.
Nesta edição do Fórum Anual Vinhos de Portugal, o destaque foi para a apresentação do Referencial Nacional de Sustentabilidade, uma resposta às crescentes exigências dos mercados internacionais, com metas abrangentes ao nível nacional, credíveis, simples, mas simultaneamente acessíveis a todas as organizações do sector vitivinícola nacional responsáveis e orientadas para a sustentabilidade, ou seja, aquelas que estão focadas na criação de valor económico, cultural, social e ambiental. Esta certificação será composta por 86 indicadores no total, que podem variar entre aplicáveis, não aplicáveis, indicadores KO e não KO. Segundo Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal, “este Referencial é extremamente importante para o sector, pois a certificação em sustentabilidade está a deixar de ser uma questão de posicionamento distintivo, passando a ser uma questão de acesso aos mercados. Acredito que muito em breve alguns mercados, principalmente os nórdicos, mas não só, passarão a exigir Certificação em Sustentabilidade. É por isso essencial que Portugal tenha um Referencial único, nacional, promovido pela ViniPortugal pelos vários mercados mundiais, de forma a permitir que os nossos vinhos não fiquem de fora dos vários mercados onde querem competir”.
No Fórum, foi também apresentado o desempenho do vinho português no mercado nacional de Portugal Continental. Segundo os dados apresentados pelo IVV (Instituto da Vinha e do Vinho), de Janeiro a Setembro de 2022, a venda de vinhos tranquilos no mercado português cresceu 12% em volume (204 milhões de litros) e cresceu 41,5% em valor (817 milhões de euros), com o preço médio a subir 26,4%, quando comparado com o mesmo período em 2021. Estes são excelentes resultados se tivermos em conta a conjuntura económica mundial e o aumento dos custos de matéria prima e distribuição.
Quanto às exportações, Portugal bateu o recorde de 677 milhões de euros em Valor das Exportações Mundiais, quando comparado com o período homólogo de 2021 e encontra-se entre os 10 principais exportadores de vinho a nível mundial. De Janeiro a Setembro de 2022, comparando com o mesmo período de 2021, Portugal caiu 0,6% em volume de exportações (242 milhões de litros), mas cresceu 0,97% em valor, para os 677 milhões de euros, tendo o preço médio igualmente aumentado 1,57%, atingindo os 2,80€/l.
“É de salientar, que nos últimos três anos, os vinhos portugueses têm apresentado sempre um crescimento em valor nas exportações, mesmo quando vemos alguns dos principais mercados a diminuir a sua capacidade de resposta face às adversidades a que o sector tem estado sujeito nos últimos anos. No entanto, ainda temos muito trabalho pela frente. Apesar de os resultados alcançados este ano, até Setembro, serem positivos, o impacto da guerra na Ucrânia e o consequente aumento dos custos de contexto, está a refletir-se nos nossos objectivos. Para atingir a meta de 1.000 milhões que definimos, teríamos de crescer 6,24% em 2023. No entanto, estamos confiantes na performance dos nossos vinhos e temos um orçamento de 8,3 milhões de euros para investir na promoção dos nossos vinhos em 2023”, afirma Frederico Falcão. Quanto aos 5 maiores mercados de destino do vinho português até Setembro, temos os EUA (83 milhões de euros), França (81 milhões), Reino Unido (55 milhões), Brasil (50 milhões) e Canadá (43 milhões), sendo que as cinco geografias somadas representam 38,5% do volume total exportado e 46% do valor total exportado.
Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada elege espumante Cá da Bairrada branco 2010 como grande vencedor

A Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) organizou o Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada depois de um ano de interregno, em 2020, e de em 2021 ter dedicado esta competição apenas a espumantes. A edição de 2022 realizou-se na segunda-feira, dia 5 de Dezembro, com revelação e entrega de prémios dois dias depois, no Aliança […]
A Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) organizou o Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada depois de um ano de interregno, em 2020, e de em 2021 ter dedicado esta competição apenas a espumantes. A edição de 2022 realizou-se na segunda-feira, dia 5 de Dezembro, com revelação e entrega de prémios dois dias depois, no Aliança Underground Museum, em Anadia.
O espumante Cá da Bairrada Bruto branco 2010, das Caves da Montanha, foi o grande vencedor deste concurso, tendo sido o mais bem pontuado entre as 90 amostras provadas por uma dúzia de jurados, sobretudo sommeliers e enólogos. A CVB distinguiu, ainda, os melhores vinhos em cinco categorias: espumante, espumante Baga Bairrada, vinho branco, vinho tinto e vinho da sub-região Terras de Sicó.
O espumante Cá da Bairrada Bruto branco 2010 arrecadou, naturalmente, também o prémio de melhor espumante. Já a Messias ganhou nos vinhos brancos com o seu Bairrada Clássico de 2017. Nos tintos, o melhor foi o São Domingos Grande Reserva 2017, das Caves São Domingos. De regresso aos espumantes, o melhor espumante Baga Bairrada foi o Primavera Baga Bairrada Grande Reserva Extra Bruto branco 2017, das Caves Primavera.

Este ano, a CVB decidiu ainda distinguir o melhor vinho da sub-região Terras de Sicó, galardão que foi para o Baforeira Reserva tinto 2020, de Maria Teresa Proença Simões da Silva Resende. Segundo a organização, esta foi uma forma de reconhecer a acentuada qualidade dos vinhos produzidos nesta sub-região com certificação Indicação Geográfica Protegida Beira Atlântico (Regional Beira Atlântico).
No que toca a medalhas de Ouro, foram atribuídas 27: 15 para espumantes, 4 para vinhos brancos e oito para tintos.
Na edição de 2022, o Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada reuniu 90 amostras — todas DO Bairrada ou IG Beira Atlântico — 46 de vinhos tranquilos e 44 de espumantes. Para as avaliar, estiveram presentes 9 sommeliers, numa parceria com a Associação Escanções de Portugal, e três enólogos da região. A chefiar o Concurso, esteve, mais uma vez, Luís Ramos Lopes, director da revista Grandes Escolhas e conceituado jornalista e crítico de vinhos com mais de 30 anos de experiência no sector.
Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada 2022
O GRANDE VENCEDOR
Cá da Bairrada Espumante Bruto branco 2010
OS MELHORES (por categoria)
Espumante
Cá da Bairrada Espumante Bruto branco 2010
Espumante Baga Bairrada
Primavera Espumante Baga Bairrada Grande Reserva Extra Bruto branco 2017
Vinho Branco
Messias Bairrada Clássico branco 2017
Vinho Tinto
São Domingos Grande Reserva tinto 2017
Vinho da Sub-Região Terras de Sicó
Baforeira Reserva tinto 2020
MEDALHAS DE OURO
Espumantes (15)
Marquês de Marialva Espumante Cuvée Primitivo Bruto Natural branco 2014
Quinta da Laboeira Espumante Reserva Bruto Natural branco 2019 (Baga)
Aliança Espumante Grande Reserva Bruto branco 2017
Grande Aplauso Espumante Bruto Natural branco 2015
Casa do Canto Espumante Grande Reserva Bruto branco 2016
Casa de Sarmento Espumante Bruto branco 2020
Montanha Real Espumante Grande Reserva Bruto branco 2015
Cá da Bairrada Espumante Bruto branco 2010
UNUM Espumante Super Reserva Bruto Natural branco 2011
Luiz Costa Espumante Pinot Noir Chardonnay Bruto Natural branco 2016
Quinta do Poço do Lobo Espumante Baga Pinot Noir Bruto Natural rosé 2017
Borga Espumante Bruto branco 2007
Monte Formigão Espumante Reserva Bruto branco 2019
Quinta da Lagoa Velha Espumante Touriga Nacional Bruto rosé 2019
Quinta dos Abibes Espumante Arinto & Baga Reserva Extra Bruto branco 2020
Vinhos Brancos (4)
António Marinha Legado Grande Reserva branco 2021
Encosta da Criveira Reserva Especial branco 2021
Prior Lucas Habemus.W branco 2020
Messias Bairrada Clássico branco 2017
Vinhos Tintos (8)
António Marinha Grande Reserva tinto 2015
Quinta D´Aguieira tinto 2017
Casa de Sarmento Baga tinto 2018
São Domingos Grande Reserva tinto 2017
Rabarrabos tinto 2020
Diga? tinto 2008
Baforeira Reserva tinto 2020
Trabuca Bairrada Clássico Baga tinto 2017
Enoturismo: um sector “sem lei”, a caminho de se organizar

A falta de definição e de enquadramento legal e fiscal, levaram a APENO (Associação Portuguesa de Enoturismo), em parceria com a Abreu Advogados, a promover o primeiro debate público, no passado dia 29 de Novembro, sobre o enoturismo. O resultado, segundo a APENO, “foi satisfatório e histórico para uma actividade com cada vez mais adeptos […]
A falta de definição e de enquadramento legal e fiscal, levaram a APENO (Associação Portuguesa de Enoturismo), em parceria com a Abreu Advogados, a promover o primeiro debate público, no passado dia 29 de Novembro, sobre o enoturismo. O resultado, segundo a APENO, “foi satisfatório e histórico para uma actividade com cada vez mais adeptos no país”.
Nas instalações da Abreu Advogados, junto à zona ribeirinha lisboeta, em Alfama, teve lugar um dia histórico para o enoturismo português. Neste debate público, pioneiro a nível nacional — com presença de muitos dos associados da APENO — juntaram-se no mesmo palco personalidades de referência, com uma palavra a dizer sobre um sector em construção. Todos atestaram que o enoturismo é de importância estratégica para a economia nacional e que a sua organização é urgente.
No painel moderado pela jornalista Margarida Vaqueiro Lopes, editora da revista Exame, estiveram António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (que durante este evento soube que assumiria o cargo de secretário-adjunto de António Costa); António Abrantes, secretário-geral da Confederação do Turismo de Portugal; Luís Sá Souto, vice-presidente da APENO; e Alexandre Mestre, co-responsável pelo setor agro-alimentar da Abreu Advogados. Maria João de Almeida, presidente da APENO, começou por convidar todos os presentes a “pensar o mundo do enoturismo”, naquele que é para si “o primeiro passo para a organização do sector”.
Por sua vez, Luís Sá Souto, vice-presidente da APENO, falou da importância de haver uma definição clara e objectiva do enoturismo e das lacunas ao nível do enquadramento fiscal. “Queremos quantificar a atividade para que esta possa ser trabalhada em melhores condições, de forma a dar expressão ao sector. Queremos ter números e estatísticas, que não há, para que os profissionais do sector tomem decisões. Queremos definir uma forma exacta de as empresas enoturísticas faturarem da mesma maneira, considerando a classificação de actividade económica para o enoturismo”.
António Mendonça Mendes respondeu a estas questões, afirmando ser prematuro definir um enquadramento fiscal, tendo em conta que o enoturismo “ainda é um sub-setor do turismo que está em construção e a organizar-se”, embora tenha reconhecido que o enoturismo tem “uma grande importância estratégica para o país”. O agora ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afirmou ainda que é “seguramente necessário começar a sistematizar esta actividade, eventualmente junto do Instituto Nacional de Estatística (INE), uma vez que há um conjunto de realidades dentro do enoturismo que já têm um conjunto de medidas específicas, a nível de enquadramento fiscal, como a área da cultura, do vinho e da hotelaria”. “Neste momento, há que avaliar se a transversalidade que cose toda esta realidade do enoturismo consegue ser isolada para efeitos de tratamento fiscal e se faz sentido ter uma diferenciação positiva ou não em relação a outros sectores”, resumiu o governante.
Pela voz do secretário-geral da Confederação do Turismo de Portugal, António Abrantes, a conclusão foi a de que não serão precisos estudos académicos para se dizer que “o enoturismo é uma actividade turística que integra a cadeia do valor do turismo. Só que tem uma particularidade que não está presente em muitas outras, é uma realidade compósita, da qual o vinho e a vinha são uma componente, e que integra ainda elementos de alojamento e restauração”.
Já Alexandre Mestre, usou da palavra para falar de uma “incerteza jurídica muito grande em torno do enoturismo”. Com uma série de perguntas retóricas que puseram a nu a indefinição do sector, o co-responsável pelo setor agro-alimentar da Abreu Advogados perguntou mesmo: “como é que alguém pode ser elegível para um fundo europeu no sector, se não há uma definição clara do enoturismo, se há uma ausência de enquadramento legal?”. Para si, esta é uma actividade para a qual não existe ainda “um regime jurídico e em que se fica sem saber quais as normas a aplicar”.
António Mendonça Mendes concluiu que se deve começar pelos números para que se perceba se o enoturismo pode ou não viver sozinho em território fiscal, “que justifique uma autonomização do setor”. Dos números que a APENO aferiu por estimativa, tendo em conta que não há números públicos reportados pelas entidades competentes, “o sector pode valer 750 milhões de euros para a economia portuguesa”, defendeu Luís Souto. “Não será uma verba suficiente para autonomizar o enoturismo?”.
Cientes de que o debate foi o primeiro passo dado para a criação de uma CAE, “a APENO já tem um dossiê preparado, com uma proposta, que será apresentado em breve ao INE”.
