EA LIVE ÉVORA anuncia cartaz para 2023

Depois do grande sucesso da edição de 2022, o EA LIVE ÉVORA anuncia que regressa em 2023, nos dias 14, 15, 21 e 22 de Julho. O local é o mesmo de sempre, a zona exterior, com as vinhas em plano de fundo, da Adega Cartuxa, onde actuarão, desta vez, Rui Veloso Trio (convidado especial, Vitorino), […]
Depois do grande sucesso da edição de 2022, o EA LIVE ÉVORA anuncia que regressa em 2023, nos dias 14, 15, 21 e 22 de Julho. O local é o mesmo de sempre, a zona exterior, com as vinhas em plano de fundo, da Adega Cartuxa, onde actuarão, desta vez, Rui Veloso Trio (convidado especial, Vitorino), Os Quatro e Meia, Resistência e Ana Moura.
Mas no EA LIVE ÉVORA 2023 há uma novidade: para se aproveitarem as noites de verão alentejanas, o evento é prolongado com a EA LIVE PARTY, ao som dos DJ da Rádio Comercial, Ana Isabel Arroja, Nuno Luz, Rob Willow e Wilson Honrado. Estes fins de noite acontecerão no pátio principal da Adega Cartuxa.
Nomeado recentemente para os Iberian Festival Awards, nas categorias Best Small Festival, Best Brand Activation, Best Hosting & Reception, o EA LIVE ÉVORA junta diversão e conforto, com plateia ao ar livre (limitada a 1000 lugares marcados) e a oferta de um kit Lanyard + Copo e três serviços de vinhos EA à escolha.
Os bilhetes têm o custo entre €25 e €30 e estão disponíveis na BOL e noutros locais habituais. Todas as informações e o programa podem ser consultados no site do EA LIVE.
Referencial Nacional de Sustentabilidade apresentado no Fórum Anual Vinhos de Portugal

A ViniPortugal — entidade responsável pelo desenvolvimento e execução de estratégias e planos de promoção dos Vinhos de Portugal em mercados internacionais — realizou no dia 23 de Novembro, em Fátima, o Fórum Anual Vinhos de Portugal 2022. O evento, que reuniu várias entidades do sector, apresentou o balanço de performance do vinho português no […]
A ViniPortugal — entidade responsável pelo desenvolvimento e execução de estratégias e planos de promoção dos Vinhos de Portugal em mercados internacionais — realizou no dia 23 de Novembro, em Fátima, o Fórum Anual Vinhos de Portugal 2022. O evento, que reuniu várias entidades do sector, apresentou o balanço de performance do vinho português no mercado nacional e internacional, divulgou, como já é habitual, os Planos de Marketing e Promoção para 2023 e revelou a grande novidade deste ano, o Referencial Nacional de Sustentabilidade. Houve ainda tempo atribuir os prémios “Distinção CNOIV” e “Inovação CNOIV” de 2022.
Nesta edição do Fórum Anual Vinhos de Portugal, o destaque foi para a apresentação do Referencial Nacional de Sustentabilidade, uma resposta às crescentes exigências dos mercados internacionais, com metas abrangentes ao nível nacional, credíveis, simples, mas simultaneamente acessíveis a todas as organizações do sector vitivinícola nacional responsáveis e orientadas para a sustentabilidade, ou seja, aquelas que estão focadas na criação de valor económico, cultural, social e ambiental. Esta certificação será composta por 86 indicadores no total, que podem variar entre aplicáveis, não aplicáveis, indicadores KO e não KO. Segundo Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal, “este Referencial é extremamente importante para o sector, pois a certificação em sustentabilidade está a deixar de ser uma questão de posicionamento distintivo, passando a ser uma questão de acesso aos mercados. Acredito que muito em breve alguns mercados, principalmente os nórdicos, mas não só, passarão a exigir Certificação em Sustentabilidade. É por isso essencial que Portugal tenha um Referencial único, nacional, promovido pela ViniPortugal pelos vários mercados mundiais, de forma a permitir que os nossos vinhos não fiquem de fora dos vários mercados onde querem competir”.
No Fórum, foi também apresentado o desempenho do vinho português no mercado nacional de Portugal Continental. Segundo os dados apresentados pelo IVV (Instituto da Vinha e do Vinho), de Janeiro a Setembro de 2022, a venda de vinhos tranquilos no mercado português cresceu 12% em volume (204 milhões de litros) e cresceu 41,5% em valor (817 milhões de euros), com o preço médio a subir 26,4%, quando comparado com o mesmo período em 2021. Estes são excelentes resultados se tivermos em conta a conjuntura económica mundial e o aumento dos custos de matéria prima e distribuição.
Quanto às exportações, Portugal bateu o recorde de 677 milhões de euros em Valor das Exportações Mundiais, quando comparado com o período homólogo de 2021 e encontra-se entre os 10 principais exportadores de vinho a nível mundial. De Janeiro a Setembro de 2022, comparando com o mesmo período de 2021, Portugal caiu 0,6% em volume de exportações (242 milhões de litros), mas cresceu 0,97% em valor, para os 677 milhões de euros, tendo o preço médio igualmente aumentado 1,57%, atingindo os 2,80€/l.
“É de salientar, que nos últimos três anos, os vinhos portugueses têm apresentado sempre um crescimento em valor nas exportações, mesmo quando vemos alguns dos principais mercados a diminuir a sua capacidade de resposta face às adversidades a que o sector tem estado sujeito nos últimos anos. No entanto, ainda temos muito trabalho pela frente. Apesar de os resultados alcançados este ano, até Setembro, serem positivos, o impacto da guerra na Ucrânia e o consequente aumento dos custos de contexto, está a refletir-se nos nossos objectivos. Para atingir a meta de 1.000 milhões que definimos, teríamos de crescer 6,24% em 2023. No entanto, estamos confiantes na performance dos nossos vinhos e temos um orçamento de 8,3 milhões de euros para investir na promoção dos nossos vinhos em 2023”, afirma Frederico Falcão. Quanto aos 5 maiores mercados de destino do vinho português até Setembro, temos os EUA (83 milhões de euros), França (81 milhões), Reino Unido (55 milhões), Brasil (50 milhões) e Canadá (43 milhões), sendo que as cinco geografias somadas representam 38,5% do volume total exportado e 46% do valor total exportado.
Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada elege espumante Cá da Bairrada branco 2010 como grande vencedor

A Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) organizou o Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada depois de um ano de interregno, em 2020, e de em 2021 ter dedicado esta competição apenas a espumantes. A edição de 2022 realizou-se na segunda-feira, dia 5 de Dezembro, com revelação e entrega de prémios dois dias depois, no Aliança […]
A Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) organizou o Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada depois de um ano de interregno, em 2020, e de em 2021 ter dedicado esta competição apenas a espumantes. A edição de 2022 realizou-se na segunda-feira, dia 5 de Dezembro, com revelação e entrega de prémios dois dias depois, no Aliança Underground Museum, em Anadia.
O espumante Cá da Bairrada Bruto branco 2010, das Caves da Montanha, foi o grande vencedor deste concurso, tendo sido o mais bem pontuado entre as 90 amostras provadas por uma dúzia de jurados, sobretudo sommeliers e enólogos. A CVB distinguiu, ainda, os melhores vinhos em cinco categorias: espumante, espumante Baga Bairrada, vinho branco, vinho tinto e vinho da sub-região Terras de Sicó.
O espumante Cá da Bairrada Bruto branco 2010 arrecadou, naturalmente, também o prémio de melhor espumante. Já a Messias ganhou nos vinhos brancos com o seu Bairrada Clássico de 2017. Nos tintos, o melhor foi o São Domingos Grande Reserva 2017, das Caves São Domingos. De regresso aos espumantes, o melhor espumante Baga Bairrada foi o Primavera Baga Bairrada Grande Reserva Extra Bruto branco 2017, das Caves Primavera.

Este ano, a CVB decidiu ainda distinguir o melhor vinho da sub-região Terras de Sicó, galardão que foi para o Baforeira Reserva tinto 2020, de Maria Teresa Proença Simões da Silva Resende. Segundo a organização, esta foi uma forma de reconhecer a acentuada qualidade dos vinhos produzidos nesta sub-região com certificação Indicação Geográfica Protegida Beira Atlântico (Regional Beira Atlântico).
No que toca a medalhas de Ouro, foram atribuídas 27: 15 para espumantes, 4 para vinhos brancos e oito para tintos.
Na edição de 2022, o Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada reuniu 90 amostras — todas DO Bairrada ou IG Beira Atlântico — 46 de vinhos tranquilos e 44 de espumantes. Para as avaliar, estiveram presentes 9 sommeliers, numa parceria com a Associação Escanções de Portugal, e três enólogos da região. A chefiar o Concurso, esteve, mais uma vez, Luís Ramos Lopes, director da revista Grandes Escolhas e conceituado jornalista e crítico de vinhos com mais de 30 anos de experiência no sector.
Concurso de Vinhos e Espumantes Bairrada 2022
O GRANDE VENCEDOR
Cá da Bairrada Espumante Bruto branco 2010
OS MELHORES (por categoria)
Espumante
Cá da Bairrada Espumante Bruto branco 2010
Espumante Baga Bairrada
Primavera Espumante Baga Bairrada Grande Reserva Extra Bruto branco 2017
Vinho Branco
Messias Bairrada Clássico branco 2017
Vinho Tinto
São Domingos Grande Reserva tinto 2017
Vinho da Sub-Região Terras de Sicó
Baforeira Reserva tinto 2020
MEDALHAS DE OURO
Espumantes (15)
Marquês de Marialva Espumante Cuvée Primitivo Bruto Natural branco 2014
Quinta da Laboeira Espumante Reserva Bruto Natural branco 2019 (Baga)
Aliança Espumante Grande Reserva Bruto branco 2017
Grande Aplauso Espumante Bruto Natural branco 2015
Casa do Canto Espumante Grande Reserva Bruto branco 2016
Casa de Sarmento Espumante Bruto branco 2020
Montanha Real Espumante Grande Reserva Bruto branco 2015
Cá da Bairrada Espumante Bruto branco 2010
UNUM Espumante Super Reserva Bruto Natural branco 2011
Luiz Costa Espumante Pinot Noir Chardonnay Bruto Natural branco 2016
Quinta do Poço do Lobo Espumante Baga Pinot Noir Bruto Natural rosé 2017
Borga Espumante Bruto branco 2007
Monte Formigão Espumante Reserva Bruto branco 2019
Quinta da Lagoa Velha Espumante Touriga Nacional Bruto rosé 2019
Quinta dos Abibes Espumante Arinto & Baga Reserva Extra Bruto branco 2020
Vinhos Brancos (4)
António Marinha Legado Grande Reserva branco 2021
Encosta da Criveira Reserva Especial branco 2021
Prior Lucas Habemus.W branco 2020
Messias Bairrada Clássico branco 2017
Vinhos Tintos (8)
António Marinha Grande Reserva tinto 2015
Quinta D´Aguieira tinto 2017
Casa de Sarmento Baga tinto 2018
São Domingos Grande Reserva tinto 2017
Rabarrabos tinto 2020
Diga? tinto 2008
Baforeira Reserva tinto 2020
Trabuca Bairrada Clássico Baga tinto 2017
Enoturismo: um sector “sem lei”, a caminho de se organizar

A falta de definição e de enquadramento legal e fiscal, levaram a APENO (Associação Portuguesa de Enoturismo), em parceria com a Abreu Advogados, a promover o primeiro debate público, no passado dia 29 de Novembro, sobre o enoturismo. O resultado, segundo a APENO, “foi satisfatório e histórico para uma actividade com cada vez mais adeptos […]
A falta de definição e de enquadramento legal e fiscal, levaram a APENO (Associação Portuguesa de Enoturismo), em parceria com a Abreu Advogados, a promover o primeiro debate público, no passado dia 29 de Novembro, sobre o enoturismo. O resultado, segundo a APENO, “foi satisfatório e histórico para uma actividade com cada vez mais adeptos no país”.
Nas instalações da Abreu Advogados, junto à zona ribeirinha lisboeta, em Alfama, teve lugar um dia histórico para o enoturismo português. Neste debate público, pioneiro a nível nacional — com presença de muitos dos associados da APENO — juntaram-se no mesmo palco personalidades de referência, com uma palavra a dizer sobre um sector em construção. Todos atestaram que o enoturismo é de importância estratégica para a economia nacional e que a sua organização é urgente.
No painel moderado pela jornalista Margarida Vaqueiro Lopes, editora da revista Exame, estiveram António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (que durante este evento soube que assumiria o cargo de secretário-adjunto de António Costa); António Abrantes, secretário-geral da Confederação do Turismo de Portugal; Luís Sá Souto, vice-presidente da APENO; e Alexandre Mestre, co-responsável pelo setor agro-alimentar da Abreu Advogados. Maria João de Almeida, presidente da APENO, começou por convidar todos os presentes a “pensar o mundo do enoturismo”, naquele que é para si “o primeiro passo para a organização do sector”.
Por sua vez, Luís Sá Souto, vice-presidente da APENO, falou da importância de haver uma definição clara e objectiva do enoturismo e das lacunas ao nível do enquadramento fiscal. “Queremos quantificar a atividade para que esta possa ser trabalhada em melhores condições, de forma a dar expressão ao sector. Queremos ter números e estatísticas, que não há, para que os profissionais do sector tomem decisões. Queremos definir uma forma exacta de as empresas enoturísticas faturarem da mesma maneira, considerando a classificação de actividade económica para o enoturismo”.
António Mendonça Mendes respondeu a estas questões, afirmando ser prematuro definir um enquadramento fiscal, tendo em conta que o enoturismo “ainda é um sub-setor do turismo que está em construção e a organizar-se”, embora tenha reconhecido que o enoturismo tem “uma grande importância estratégica para o país”. O agora ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afirmou ainda que é “seguramente necessário começar a sistematizar esta actividade, eventualmente junto do Instituto Nacional de Estatística (INE), uma vez que há um conjunto de realidades dentro do enoturismo que já têm um conjunto de medidas específicas, a nível de enquadramento fiscal, como a área da cultura, do vinho e da hotelaria”. “Neste momento, há que avaliar se a transversalidade que cose toda esta realidade do enoturismo consegue ser isolada para efeitos de tratamento fiscal e se faz sentido ter uma diferenciação positiva ou não em relação a outros sectores”, resumiu o governante.
Pela voz do secretário-geral da Confederação do Turismo de Portugal, António Abrantes, a conclusão foi a de que não serão precisos estudos académicos para se dizer que “o enoturismo é uma actividade turística que integra a cadeia do valor do turismo. Só que tem uma particularidade que não está presente em muitas outras, é uma realidade compósita, da qual o vinho e a vinha são uma componente, e que integra ainda elementos de alojamento e restauração”.
Já Alexandre Mestre, usou da palavra para falar de uma “incerteza jurídica muito grande em torno do enoturismo”. Com uma série de perguntas retóricas que puseram a nu a indefinição do sector, o co-responsável pelo setor agro-alimentar da Abreu Advogados perguntou mesmo: “como é que alguém pode ser elegível para um fundo europeu no sector, se não há uma definição clara do enoturismo, se há uma ausência de enquadramento legal?”. Para si, esta é uma actividade para a qual não existe ainda “um regime jurídico e em que se fica sem saber quais as normas a aplicar”.
António Mendonça Mendes concluiu que se deve começar pelos números para que se perceba se o enoturismo pode ou não viver sozinho em território fiscal, “que justifique uma autonomização do setor”. Dos números que a APENO aferiu por estimativa, tendo em conta que não há números públicos reportados pelas entidades competentes, “o sector pode valer 750 milhões de euros para a economia portuguesa”, defendeu Luís Souto. “Não será uma verba suficiente para autonomizar o enoturismo?”.
Cientes de que o debate foi o primeiro passo dado para a criação de uma CAE, “a APENO já tem um dossiê preparado, com uma proposta, que será apresentado em breve ao INE”.
Destaque do mês de Outubro – Crónica #328
Messias celebra 96 anos com 5 lançamentos especiais

A caminho da celebração do centenário da sua fundação, que ocorrerá em 2026, a Messias juntou à mesa três das cinco gerações que completam a história da empresa com origem na Bairrada, fundada por Messias Baptista, lançando nesse momento cinco produtos muito especiais. Estas novidades vêm juntar-se a um vasto portefólio, que abarca vinhos tranquilos, […]
A caminho da celebração do centenário da sua fundação, que ocorrerá em 2026, a Messias juntou à mesa três das cinco gerações que completam a história da empresa com origem na Bairrada, fundada por Messias Baptista, lançando nesse momento cinco produtos muito especiais. Estas novidades vêm juntar-se a um vasto portefólio, que abarca vinhos tranquilos, espumantes, vinhos do Porto e aguardentes, oriundos de três regiões vitivinícolas: Bairrada, Dão e Douro.
Da Bairrada, região onde a empresa deu os primeiros passos, surgem os vinhos tranquilos Messias Clássico branco 2017, um lote composto pelas castas Bical e Cercial; e Messias Garrafeira tinto 1998, um vinho 100% Baga que homenageia a capacidade de guarda tão singular na região. Na categoria dos espumantes, o Messias Sur Lie é a grande novidade, com um pequeno “twist”: elaborado a partir de Chardonnay, pelo método clássico (faz a 2ª fermentação em garrafa), é colocado à disposição do consumidor sem ter sido feito o degorgement, dando oportunidade ao consumidor de estagiar e fazer evoluir este espumante em sua casa, ainda com as borras consequentes das leveduras, até decidir abri-lo. Seguindo uma tradição da empresa, e agora com novo design, é também lançada a Aguardente Vínica Velhíssima “Avô”. Finamente destilada, foi preservada durante anos em cascos, onde envelheceu nobremente.
A partir de cinco castas tradicionais no Douro – Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão – nasce ainda o Messias 50 Anos, um Porto Tawny que estagiou por 5 décadas nos armazéns da Messias, em Vila Nova de Gaia. Um Tawny que, segundo o produtor, “retrata com sumptuosidade e delicadeza a história do vinho do Porto e a identidade de uma família”.
Jorge Moreira: 20 anos em La Rosa, e a somar

TEXTO Mariana Lopes Jorge entra como enólogo na Quinta de La Rosa em 2002, num ano menos bom para o Douro, sobretudo por causa da chuva do início de Setembro. Até aqui, a propriedade localizada junto ao Pinhão tinha David Baverstock como consultor, que, muitas vezes à distância, orientava por chamada telefónica o irmão da […]
TEXTO Mariana Lopes
Jorge entra como enólogo na Quinta de La Rosa em 2002, num ano menos bom para o Douro, sobretudo por causa da chuva do início de Setembro. Até aqui, a propriedade localizada junto ao Pinhão tinha David Baverstock como consultor, que, muitas vezes à distância, orientava por chamada telefónica o irmão da proprietária Sophia Bergqvist, Phillip, no processo de vinificação. Na verdade, foi Dirk Niepoort que alertou Sophia para a necessidade de um enólogo presente a 100% no projecto, e ele próprio se incumbiu de encontrar alguém “suited for the job”. Não demorou muito, e logo no dia seguinte o telefone voltou a tocar, com o nome de um jovem promissor. Jorge Moreira.
Na sua primeira vindima em La Rosa — a tal fatídica de 2002 — Jorge teve pouca sorte, mas já na altura mostrava a fibra que hoje lhe reconhecemos: no final do dia, os trabalhadores da vinha desertaram sem mais preocupações, mas o enólogo, numa imagem quase dantesca e por saber da urgência de colher as uvas, por causa da chuva, “apareceu com as caixas aos ombros e o sumo das uvas a escorrer-lhe pelas costas”, conta Sophia Bergqvist. E nesse momento, todos em La Rosa souberam que “aquele” era para ficar. Assim foi, durante pelo menos, 20 anos.

“Graças ao Jorge, nós crescemos muito. É um homem espectacular”, afirma uma Sophia emocionada, durante o jantar de homenagem ao trabalho do enólogo, que organizou na quinta. “Foi um caminho de altos e baixos, e o Jorge esteve sempre lá. Não só no vinho, mas em tudo. Eu podia ir ter com ele por todas as razões, quer fosse um problema com a lancha ou com a piscina”, confessa a produtora. Este carinho, no entanto, é mutuo, e Jorge Moreira não o esconde: “Há 20 anos vim ter com a Sophia, e perguntei-lhe se um menino da cidade poderia vir fazer vinho para aqui. E assim foi. Nunca tivemos um problema um com o outro, descobrimos tudo isto que nos rodeia e construímos muita coisa nova, juntos. Hoje, estamos iguais [ri-se], a construir coisas novas, adegas, vinhas, vinhos… Agradeço a esta família o carinho incondicional e a amizade que me deram ao longo de todos estes anos”, declara.
Jorge Moreira, além de ser um dos enólogos de topo em Portugal — com cartas dadas tanto em La Rosa como no seu projecto pessoal Poeira, e também na Real Companhia Velha — é, acima de tudo, uma pessoa que não pede desculpa por ser quem é, nem pelo que faz bem. Pelo contrário, celebra-o, e isso, de certa forma, é refrescante. Em situações profissionais, por vezes apresenta uma “carapaça mais dura”, mas desengane-se quem pensa que é isso que o define. Um vinho pode demorar 20 anos a mostrar-se completamente. E um homem, também.
Amphora Wine Day bate recordes na quarta edição

Com cinco dezenas de produtores e mil e quinhentos visitantes, a quarta edição, de 2022, do Amphora Wine Day, evento anual organizado pela Herdade do Rocim, em Cuba, foi a mais concorrida de sempre. Sábado, 12 de novembro foi um dia dedicado por inteiro ao vinho de talha (o qual, já agora, ambiciona ser património […]
Com cinco dezenas de produtores e mil e quinhentos visitantes, a quarta edição, de 2022, do Amphora Wine Day, evento anual organizado pela Herdade do Rocim, em Cuba, foi a mais concorrida de sempre. Sábado, 12 de novembro foi um dia dedicado por inteiro ao vinho de talha (o qual, já agora, ambiciona ser património imaterial da Humanidade pela UNESCO) assinalando uma tradição com mais de 2 mil anos. O Amphora Wine Day contou, este ano, com mais produtores, entre nacionais e estrangeiros, e com um programa alargado que teve como grande novidade as “Amphora Wine Talks”, lideradas pelo especialista de vinhos e director da Grandes Escolhas, Luís Lopes. Embora seja ainda um vinho de nicho (representa só 0,1 por cento da produção de vinho alentejano – a CVR regional estima uma produção anual de 180 mil litros), a tendência tem sido de crescimento, principalmente em países como Japão, Norte da Europa e Brasil.
“Acredito que os vinhos de talha ainda têm muito para crescer! Para a Herdade do Rocim, os vinhos de talha foram um momento de viragem para a marca. Começamos a engarrafar em 2012, embora na Herdade sempre fizesse vinho de talha não era para venda. Hoje, somos 23 produtores certificados e muitos mais que o fazem sem estarem certificados, Acredito, por isso, que estamos só a começar e que este vinho ainda tem muito mercado para conquistar”, adianta Pedro Ribeiro, enólogo e administrador da Herdade do Rocim.
Quando o projecto Amphora Wine Day nasceu, em 2018, os seus organizadores tinham em mente “apenas” assinalar a tradição do vinho de talha, abrir as portas aos interessados e celebrar o momento da abertura das ânforas. A dado momento do processo, resolveram lançar o desafio a vários produtores locais para se juntarem no evento. O resultado excedeu em muito as expectativas. “Admito que não pensava, nessa altura, e com uma pandemia pelo meio, que o Amphora Wine Day passasse a ter esta projecção e receptividade”, diz Pedro Ribeiro. “Com este crescimento aumenta a responsabilidade e a quinta edição já está a ser preparada sendo certo que não vai desiludir”, promete.