Do Douro ao Alentejo: As aventuras vínicas de um fundo de investimento

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Há já vários anos que nos habituámos a ouvir falar em fundos de investimento interessados em negócios do vinho. Associamos a este tipo de investimento um conceito de lucro rápido, folha Excel e balancete mensal analisado à […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Há já vários anos que nos habituámos a ouvir falar em fundos de investimento interessados em negócios do vinho. Associamos a este tipo de investimento um conceito de lucro rápido, folha Excel e balancete mensal analisado à lupa. E quando o negócio não dá, muda-se a agulha do investimento. Mas nem sempre é assim e os fundos também podem ter rosto. Como é o caso do Segur Estates. Com ele as empresas Roquevale, Encostas de Estremoz e Quinta do Sagrado ganham novo fôlego.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Corria o ano de 2016 quando se soube que a Quinta do Sagrado (Douro) tinha vendido a maioria do capital a um fundo de investimento, conservando José Maria Cálem uma parte do capital. Depois veio a público em 2017 que a Roquevale tinha mudado de mãos (53% do capital, mas com opção de compra do restante) e logo de seguida as Encostas de Estremoz (100% do capital, incluindo instalações, casas, etc) – duas empresas de dimensão considerável no Alentejo – tinham sido vendidas ao mesmo fundo de investimento. Foi motivo mais do que suficiente para visitarmos as propriedades alentejanas e falarmos com as pessoas. São muitas e têm uma carteira de projectos que merecem ser conhecidos.
Tudo começou com a compra de vinhas na zona de Redondo em 2015, parte pertencente ao produtor Joaquim Madeira e a restante adquirida a Vitor Matos, conhecido negociante na área do vinho. De então para cá têm-se sucedido os investimentos e, ficámos a saber, dentro de um mês haverá um novo negócio a associar a estes “e é de grande dimensão, com volumes anuais de 10 milhões de euros”, diz-nos o gestor do fundo, João Barbosa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27566″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Corria o ano de 2016 quando se soube que a Quinta do Sagrado (Douro) tinha vendido a maioria do capital a um fundo de investimento, conservando José Maria Cálem uma parte do capital. Depois veio a público em 2017 que a Roquevale tinha mudado de mãos (53% do capital, mas com opção de compra do restante) e logo de seguida as Encostas de Estremoz (100% do capital, incluindo instalações, casas, etc) – duas empresas de dimensão considerável no Alentejo – tinham sido vendidas ao mesmo fundo de investimento. Foi motivo mais do que suficiente para visitarmos as propriedades alentejanas e falarmos com as pessoas. São muitas e têm uma carteira de projectos que merecem ser conhecidos.
Tudo começou com a compra de vinhas na zona de Redondo em 2015, parte pertencente ao produtor Joaquim Madeira e a restante adquirida a Vitor Matos, conhecido negociante na área do vinho. De então para cá têm-se sucedido os investimentos e, ficámos a saber, dentro de um mês haverá um novo negócio a associar a estes “e é de grande dimensão, com volumes anuais de 10 milhões de euros”, diz-nos o gestor do fundo, João Barbosa.
Por norma um fundo representa um conjunto de investidores. Esses investidores colocam o seu dinheiro em determinados negócios, cuja gestão é entregue a pessoas que procuram rentabilizar os investimentos realizados. Neste caso trata-se de um fundo familiar – da família Ségur – radicada no Brasil e que “descobriu” Portugal como local de investimento através de João Barbosa, sem ligação anterior ao vinho mas que no Brasil já estava ligado à família Ségur.
O nome Ségur, para quem conhece vinhos de Bordéus, surge rapidamente associado ao Chateau Calon-Ségur. Tem razão de ser, mas a ligação é tão antiga quanto o seu corte, ou seja, já passaram 200 anos desde que a família vendeu as propriedades em Bordéus. Os actuais descendentes – Louis Ségur é o rosto deste fundo familiar – já não têm negócios relacionados com o vinho. Isto, claro, até terem chegado ao Alentejo e ao Douro. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27569″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pode naturalmente ficar no ar a questão de saber como se convence a investir em Portugal uma pessoa que vive no Brasil e cuja ligação familiar ao vinho se esfumou há dois séculos. Pedro Paixão, director comercial do grupo, revelou-nos que houve um trabalho de “explicação” das vantagens do investimento aqui, dado o bom momento que os vinhos portugueses atravessam, em termos de imagem, nos mercados externos. Mas João Barbosa confirmou que o investimento em Portugal não se tratou de qualquer tipo de “saudosismo vínico”. É puro negócio e foi no vinho como poderia ser noutro ramo de actividade. Os investimentos feitos até agora chegaram já aos 9 milhões de euros com capitais próprios, mas decorrem negociações com investidores para aumentar a aposta até aos 50 milhões, o que mostra que há intenção de alargar os negócios. Mas, confirmou-nos, “não deixa de ser um negócio de ‘turnover, em que existe a preocupação clara de remunerar o investidor”: “A vantagem de este fundo ser familiar é que aqui falamos de prazos mais alargados, mais conservador se comparado com outros fundos de investimento. Aqui falamos de 10 anos e não 4 ou 5, como acontece mais frequentemente.”
O facto de estarmos a falar com pessoas sem ligação anterior (profissional ou familiar) ao vinho torna a conversa menos emocional, mas também mais objectiva. João Barbosa não deixa dúvidas: “Temos a vantagem de ser portugueses e de não vir do sector dos vinhos nem de famílias ligadas ao vinho. Isso dá-nos uma independência que é importante e trazemos conhecimento e prática de outras áreas na resolução de problemas; tivemos a sorte de encontrar neste sector dos vinhos as pessoas certas que o conhecem e que nos ajudam no projecto.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27570″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Uma equipa grande” title_align=”separator_align_left”][vc_column_text]Quando fomos recebidos no Alentejo percebemos que há uma enorme equipa a trabalhar nestes projectos. São 52 pessoas, entre as que já estavam ligadas e ficaram – como é caso das equipas de enologia, de campo e serviços – e as que chegaram de fora, vindas de outros negócios. Falar com gente que vem de outras áreas obriga a permanente consulta ao dicionário: metade dos termos são em inglês e para evitar o downsizing fazendo um outsourcing acompanhado de um refreshing é sempre bom fazer uma “consulting” ao dicionário para poder “acompanhing” a conversa!
Falando de enologia, o novo grupo empresarial vai contar com o enólogo do Sagrado – João Pires –, que se mantém; Joana Roquevale, que irá continuar ligada à casa que tão bem conhece, acompanhada por Margarida Barrancos Vieira, enóloga das Encostas de Estremoz e que irá colaborar com Joana; Frederico Vilar Gomes, que irá supervisionar a enologia das várias propriedades; e Frederico Rosa Santos, que fará a ligação da enologia com a produção, supervisionando toda a relação com fornecedores. Como consultant winemaker estará o bem conhecido e experiente Peter Bright, com a função de desenhar novos vinhos, criar marcas que possam funcionar como especialidades, como projectos originais, ainda que em pequena escala.
A escala, essa, existe claramente na Roquevale, uma marca muito forte nas grandes superfícies e que foi também uma das bandeiras do importador brasileiro (Adega Alentejana), mas que foi perdendo o seu lugar nesse importante mercado. A Roquevale vai conhecer mudanças: o vinho bag-in-box vai deixar de ser Regional, está a haver uma renovação da imagem dos vinhos – projecto este extensível às marcas todas – e os resultados aparecem, com os vinhos, que incorporam uvas de várias propriedades compradas, a serem reposicionados num preço de prateleira superior, como foi o caso do Terras de Xisto. A adega irá servir como polo engarrafador e pretende-se levar por diante um projecto de vinhos de talha, contando aqui com a experiência de Joana Roquevale. Os vinhos Encostas de Estremoz serão engarrafados na Roquevale e o pavilhão industrial existente será também usado para armazenamento dos vinhos do Douro, engarrafados na região e de seguida transportados para aqui.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”image_grid” images=”27572,27571,27573″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Objectivos ambiciosos” title_align=”separator_align_left”][vc_column_text]Há muito que as Encostas de Estremoz estavam em processo de venda. O projecto era familiar, tinha boa dimensão (52ha), mas era difícil de gerir e já não havia mais espaço para suprimentos. A venda acabou por incluir a totalidade do capital e todas as instalações, quer de adega quer sociais. Os vinhos premium do grupo sairão debaixo do “chapéu” Encostas de Estremoz e os vinhos-base associados ao nome Roquevale. Em seis meses foi possível relançar as marcas da Encostas de Estremoz e as vendas subiram 35% e na Roquevale há já contratos fechados que irão mais do que duplicar a facturação de 2017.
A Quinta do Sagrado será uma aposta forte dos novos proprietários, em particular a marca VT, agora rebaptizada Sagrado VT. Além desta, passará a existir o Sagrado Grande Reserva e como topo de gama, apontando para um nível muito alto, o Quinta do Sagrado. Tradicionalmente havia cerca de 15 fornecedores de uva, que se irão manter, e a quinta, além de Douro, também produz Vinho do Porto em várias categorias. Cerca de 70% da produção do Sagrado destina-se à exportação e tem havido já um evidente crescimento dos números: “Quando pegámos no projecto a marca fazia 200.000€/ano e fechámos 2017 com 700.000€ de facturação”, diz Pedro Paixão.
A Segur Estates tem um objectivo claro: adquirir projectos que tenham potencial evidente de crescimento e de aumento de valor. Tornou-se evidente que as casas agora ligadas a este fundo familiar estavam num beco sem saída, já sem músculo financeiro para poderem recuperar o prestígio e posicionamento no mercado. Nova forma de gestão, mais folga financeira e projectos bem desenhados podem fazer renascer marcas e criar espaço para que outras surjam com impacto quer nos canais da distribuição moderna (super e hipermercados) quer no canal Horeca. O sucesso que os projectos da Segur Estates estão a ter em tão pouco tempo atrai necessariamente a atenção de investidores estrangeiros. João Barbosa fecha o ciclo: “Até onde iremos é difícil de dizer, mas a ambição existe!”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27576″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#dddddd” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Marcas com história”][vc_column_text]As três casas agora agrupada sob o “chapéu” Segur Estates representam marcas e propriedades com história nas respectivas regiões. Provámos alguns vinhos mais antigos destas marcas, que traçam o percurso de cada uma. O Tinto da Talha, da Roquevale, lançado em 1989, foi de facto feito em talha até 1995. Com a marca a crescer teve de se alterar o método de produção, tendo-se conservado o nome. O Tinto da Talha Grande Escolha de 2003 está claramente evoluído mas ainda em boa forma, o 2004 mais fino e elegante, e o 2008 muito sério e bem estruturado.
Na marca Encostas de Estremoz a Touriga Nacional sempre teve um peso muito forte, funcionando como elemento distintivo e identitário. Estas vinhas situam-se em Sousel, a 20 km de Estremoz, onde dominam solos argilo-calcários. Da prova de Encostas de Estremoz Reserva, são de destacar o 2003 (perfumado, com o floral da Touriga ainda bem evidente), o 2007 (ainda com fruta bonita e elegante) e o 2011 (balsâmico, mentolado, com muita vida pela frente).
Do Alentejo para o Douro e para a Quinta do Sagrado, localizada perto do Pinhão. Da marca mais conhecida da casa, o VT, provámos vários vinhos, destacando o 2004 (a primeira colheita da marca, muito rico na fruta, sem sinais de cansaço), o 2007 (mentolado, com taninos finos e feito para durar) e o Sagrado VT Grande Reserva 2008, elegante, delicado e com classe.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição nº14, Junho 2018
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Amphora Wine Day foi sucesso no Rocim

Texto: Mariana Lopes Fotos: cortesia Rocim Dia de São Martinho é dia de abertura das talhas no Alentejo. A 11 de Novembro, celebra-se o momento mais esperado da milenar tradição vivitinícola alentejana, da prática que faz parte do dia-a-dia da população, sobretudo nas zonas mais rurais, a produção do vinho de talha. Até esta altura, […]
Texto: Mariana Lopes
Fotos: cortesia Rocim
Dia de São Martinho é dia de abertura das talhas no Alentejo. A 11 de Novembro, celebra-se o momento mais esperado da milenar tradição vivitinícola alentejana, da prática que faz parte do dia-a-dia da população, sobretudo nas zonas mais rurais, a produção do vinho de talha. Até esta altura, as massas vínicas aguardam pacientemente dentro da ânfora.
Foi para marcar o acontecimento que Catarina Vieira e Pedro Ribeiro organizaram, na Herdade do Rocim, situada entre Vidigueira e Cuba, no Baixo Alentejo, uma autêntica festa do vinho de talha, uma espécie de “open day” onde 23 produtores de todo o país (e até do estrangeiro) e o próprio Rocim partilharam os seus vinhos, vinhos esses que em algum momento do processo de vinificação estiveram dentro de uma ânfora. Porque isto do vinho de talha não é de todo linear, e tem mais diversidade do que se pensa. Quer seja de talhas portuguesas, espanholas, italianas ou de qualquer outra nacionalidade, mais tradicionais ou mais modernas, vinhos só com fermentação no recipiente de barro, só com estágio ou com ambos, em contacto mais ou menos tempo com as películas e engaços, as possibilidades são imensas. Todos os produtores presentes no Amphora Wine Day atestaram esta diversidade, vindos de várias regiões, com alguns estreantes na matéria.

É o caso do projecto XXVI Talhas, de Vila Alva, uma pequena freguesia do concelho de Cuba, que embora assente numa antiga tradição familiar, nasceu como marca em 2018 e já tem um branco e um tinto muito interessantes (Branco do Tareco e Tinto do Tareco), de castas antigas do Alentejo. Já a Lusovini esteve no evento com o seu recém-lançado Tapada do Coronel Vinho de Talha, da Serra de S. Mamede, em Portalegre, e até com um vinho de talha do Dão que ainda não está no mercado. Também Joana Santiago deu a provar o vinho Santiago na Ânfora do Rocim, uma colaboração bem-sucedida entre os dois produtores com Alvarinho da região de Monção e Melgaço e ânfora do anfitrião da festança. Dos Vinhos Verdes veio Márcio Lopes com o seu Selvagem, um branco original de antigas vinhas de enforcado e de grande nível. Titan do Douro foi também um nome novo, um vinho de Luís Leocádio. Entre outras novidades estiveram também casas mais experientes no assunto, como Esporão, José de Sousa, Casa Relvas, Adega Cooperativa da Vidigueira, Amareleza, etc. De fora do país vieram Rocco di Carpeneto, de Itália, Sebastien David e Stéphane Yerle, de França, Zorah Wines, da Arménia, e Rendé Masdéu, de Espanha.
Após a prova livre de todos estes vinhos e mais alguns, cerca de uma hora antes do encerramento, deu-se o ponto alto do dia, a abertura das talhas do Rocim, dos vinhos brancos e tintos. Com o cante alentejano em plano de fundo, o público assistiu com entusiasmo enquanto o adegueiro introduziu a torneira de madeira no orifício um pouco acima da base da primeira talha, momentos antes do líquido cristalino começar a verter para uma pequena selha de barro vermelho. À porta da adega, contabilizaram-se mais de 1000 entradas, bem acima das cerca de 850 esperadas, um sucesso que fez justiça à irrepreensível organização.

Vinhos da Symington no Alentejo têm a marca Quinta da Fonte Souto

Os primeiros vinhos da primeira incursão da Symington Family Estates fora do Douro sairão para o mercado no início do Verão de 2019, sob a chancela Quinta da Fonte Souto, exactamente o nome da propriedade na serra de S. Mamede, Portalegre, adquirida pela empresa no início de 2017. Os primeiros vinhos da marca serão exactamente […]
Os primeiros vinhos da primeira incursão da Symington Family Estates fora do Douro sairão para o mercado no início do Verão de 2019, sob a chancela Quinta da Fonte Souto, exactamente o nome da propriedade na serra de S. Mamede, Portalegre, adquirida pela empresa no início de 2017. Os primeiros vinhos da marca serão exactamente os dessa colheita de 2017.
A Symington faz, entretanto, um balanço muito positivo da campanha de 2018: “O Alicante Bouschet e Syrah, de duas vinhas maduras de baixas produções, produziram vinhos excecionais, assim como uma pequena parcela de excelente Touriga Nacional. Este apresenta uma acidez muito equilibrada, consequência direta da cota elevada das vinhas. Os vinhos de Fonte Souto de 2018 têm uma intensa concentração com frescura natural e elegância — resultado de maturações muito equilibradas”, pode ler-se em comunicado.
A Quinta da Fonte Souto está situada em cotas que vão dos 490 aos 550 metros de altitude e as noites frescas “foram determinantes no ciclo final das maturações na vinha”: “Ao longo do mês de Setembro, e já em Outubro, as pronunciadas amplitudes térmicas, fruto das cotas elevadas, resultaram em condições perfeitas para o desenvolvimento das vinhas.”
Depois de um ano precoce como 2017, a campanha de 2018 afirmou-se pelo “ciclo de maturação gradual e longo”. Ambas as colheitas foram vinificadas na adega da propriedade, que beneficiou de profundas modificações após a aquisição, pela equipa de enologia dirigida por Charles Symington e que conta com o enólogo residente José Daniel Soares.
Quatro novidades e mais histórias das Servas

Ricardo Constantino, André Lourenço Marques, Luis Serrano Mira e Carlos Serrano Mira Edição nº11, Março 2018 Lançamento O começo da nova aventura da família Serrano Mira data de 1998, mas há mais história para trás e estes produtores reclamam para si uma tradição que vem de 13 gerações ligadas ao vinho. Mas, mesmo com esse […]
Ricardo Constantino, André Lourenço Marques, Luis Serrano Mira e Carlos Serrano Mira
Edição nº11, Março 2018
Lançamento
O começo da nova aventura da família Serrano Mira data de 1998, mas há mais história para trás e estes produtores reclamam para si uma tradição que vem de 13 gerações ligadas ao vinho. Mas, mesmo com esse passado, é com um pé no futuro que pretendem estar. Voltaram a Lisboa para trazer quatro novos vinhos, dois em estreia absoluta.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Cortesia do produtor
Para os leitores da Grandes Escolhas, ouvir falar da Herdade das Servas, e dos novos vinhos que vão colocando no mercado, já se tornou um hábito. Um hábito bom que também nos diz que a família Serrano Mira quer mostrar o que de novo vai produzindo e tem a preocupação de o fazer periodicamente. Entre muitos outros métodos, este é um, bem útil para que o nome Servas continue a fazer parte do quotidiano dos consumidores. Este momento foi agora o escolhido para anunciar que as Servas vão apoiar a edição de um livro onde se irá contar a história da família, recuando até 1667. É essa herança de 13 gerações que querem assumir e a nova inscrição nas garrafas quer dizer isso mesmo: Family Winegrowing Legacy. O momento escolhido foi apenas usado para mostrar quatro novidades.
A Herdade das Servas fica no concelho de Estremoz e ocupa uma área de 350 hectares, com as vinhas espalhadas por oito parcelas, muitas delas plantadas recentemente mas também com algumas a mostrarem a bonita idade de 70 anos. Solos variados, ligeiras diferenças de altitude das parcelas e o clima específico de Estremoz explicam a diversidade dos vinhos produzidos. Os trabalhos de viticultura e enologia, a cargo de Ricardo Constantino e os irmãos Carlos e Luís Mira, abrangem as 11 castas tintas e as 9 brancas plantadas na sua propriedade.
Os novos vinhos agora apresentados incluem a nova edição do branco Reserva, do tinto Vinhas Velhas e, em estreia, dois vinhos licorosos: um branco de Colheita Tardia e um Licoroso tinto. Ambos respondem a novas tendências do consumo. Os licorosos tintos sempre foram produtos escondidos e muito pouco divulgados, tradicionalmente ligados a algumas adegas cooperativas. No entanto, mesmo no Alentejo, havia tradição antiga (caso do Mouchão) de fazer este tipo de vinho, inspirado no Vinho do Porto. Nos anos mais recentes surgiram vários licorosos alentejanos no mercado e há assim campo para a divulgação deste tipo de vinho. São normalmente uma grande surpresa em prova cega. Os colheita tardia são vinhos que estão a interessar produtores um pouco por todo o país e temos vindo a conhecer novas marcas todos os anos. Ambos, embora feitos em quantidades muito pequenas, podem ser produtos bem interessantes e que valorizam o portefólio.

O Reserva branco estagia 9 meses em barrica mas só 50% corresponde a barrica nova. Tem Arinto (50%), com Verdelho e Alvarinho em partes iguais. O vinhas velhas tinto vai na quarta edição, vem de vinha velha com mais de 50 anos implantada em terrenos pedregosos, de baixa produção. Inclui Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional e Petit Verdot, por ordem de importância no lote. O estágio prolongou-se por 18 meses em carvalho francês e americano, mas, dizem-nos, no futuro será apenas francês.
O licoroso tinto resulta de um conjunto de três castas, o Alicante Bouschet em 60% e depois Trincadeira e Aragonez em partes iguais. São várias as colheitas que entram no lote e por isso não tem data de colheita. Estagiou 24 meses em barricas usadas e mais um ano em inox. É comercializado em meias-garrafas e terá edição anual daqui em diante.
A outra novidade, o colheita tardia, resulta de uvas da castas Sémillon, parcialmente atacadas de botrytis (podridão nobre), a que se juntaram outras apenas desidratadas pelo longo tempo que passaram na vinha. Foram vindimadas ao mesmo tempo. A parcela, plantada em 2007, tem apenas 2ha e é uma vinha não regada. A vindima foi em Outubro. Fermentou e estagiou em inox durante 18 meses. É comercializado em meias-garrafas.
Alentejo escolheu os Melhores do Ano

Poliphonia Reserva branco 2016, Valcatrina by Santos Lima rosé 2016 e Vinhas da Ira tinto 2011 foram os vinhos distinguidos pela Confraria dos Enófilos do Alentejo com o prémio Excelência, no decorrer da quinta edição do Concurso Melhores Vinhos do Alentejo, organizada em colaboração com a CVR da região. O júri, composto enólogos, escanções e […]
Poliphonia Reserva branco 2016, Valcatrina by Santos Lima rosé 2016 e Vinhas da Ira tinto 2011 foram os vinhos distinguidos pela Confraria dos Enófilos do Alentejo com o prémio Excelência, no decorrer da quinta edição do Concurso Melhores Vinhos do Alentejo, organizada em colaboração com a CVR da região.
O júri, composto enólogos, escanções e jornalistas da especialidade, analisou 132 vinhos, divididos por três categorias: branco, rosé e tinto. No final foram outorgadas 18 medalhas de Ouro (dez tintos, sete brancos e um rosé) e 9 de Prata (todos tintos). O Concurso foi dirigido aos vinhos produzidos no Alentejo, certificados como Denominação de Origem Controlada Alentejo (DOC) ou Indicação Geográfica Alentejano (IG).
Pode ver de seguida todas as principais medalhas:
PRÉMIOS DE EXCELÊNCIA
Poliphonia Reserva Branco 2016, Granacer
Valcatrina by Santos Lima Rosado 2016, Casa Santos Lima
Vinhas da Ira Tinto 2011, H. Uva
MEDALHA DE OURO – BRANCOS
Poliphonia Reserva 2016, Granacer
Esporão Private Selection Garrafeira 2015, Esporão
Guadalupe Winemaker’s Selection 2016, Quinta do Quetzal
Monte da Capela Premium 2016 Antão Vaz e Arinto, Monte da Capela
Tiago Cabaço Vinhas Velhas de Estremoz 2016, Tiago Mateus Cabaço e Cabaço
EA/Biológico 2016, Fundação Eugénio de Almeida
Conventual Reserva Branco 2016, Adega de Portalegre Winery
MEDALHA DE OURO – ROSÉS
Valcatrina by Santos Lima 2016, Casa Santos Lima
MEDALHA DE OURO – TINTOS
Vinhas da Ira 2011, H. Uva
Monte da Caçada 2015 Alicante Bouschet, Casa Santos Lima
Esporão 2013 Aragonez, Esporão
Nunes Barata Grande Reserva 2013, Nunes Barata Vinhos
Quetzal Reserva 2013, Quinta do Quetzal
Herdade dos Grous Moon Harvested 2015, Monte do Trevo
Herdade do Peso Reserva 2014, Sogrape Vinhos
Reguengos Reserva dos Sócios Reserva 2014, CARMIM
AR Reserva 2014, Adega Cooperativa de Redondo
Poliphonia Signature 2013, Granacer
Alentejo cresce nas exportações

Os primeiros seis meses deste ano trouxeram boas notícias aos vinhos do Alentejo. Dados divulgados pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) apontam para um crescimento das exportações que atinge os 28 por cento em valor e 17 por cento em quantidade, face a igual período de 2016. O preço médio por litro subiu nove por […]
Os primeiros seis meses deste ano trouxeram boas notícias aos vinhos do Alentejo. Dados divulgados pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) apontam para um crescimento das exportações que atinge os 28 por cento em valor e 17 por cento em quantidade, face a igual período de 2016. O preço médio por litro subiu nove por cento.
Brasil, Angola, EUA, Suíça e França são os principais mercados externos – no seu conjunto, estes cinco países representam mais de metade (57%) do valor exportado e da quantidade (55%). Os vinhos DOC Alentejo e Regional Alentejano chegam a 112 mercados internacionais e a quantidade exportada duplicou nos últimos dez anos. Francisco Mateus, presidente da CVRA, assume que o objectivo é “fechar 2017 como o melhor ano na exportação”.
Os vinhos alentejanos cresceram mais do que a média nacional em termos de valorização no mercado externo. No primeiro semestre de 2017, os vinhos portugueses venderam-se a 2,75 euros por litro, uma variação de +4% face ao ano anterior; os néctares alentejanos saíram para o mercado a um preço médio de 3,08 euros, mais 9% do que em 2016. Dados que indiciam uma “maior percepção da qualidade por parte dos importadores e consumidores internacionais”, comenta Francisco Mateus.

