Casa Santos Lima destaca-se nos EUA com vinho Red Blend Portugal

O vinho tinto “Blend Portugal”, produzido pela Casa Santos Lima (CSL), foi escolhido pelo blogger Mike Veseth, como o primeiro a fazer parte do TOP 10 dos melhores vinhos abaixo dos 10 dólares à venda nos Estados Unidos da América. Mike Veseth, editor do blog The Wine Economist, lançou o desafio aos seus leitores de […]

O vinho tinto “Blend Portugal”, produzido pela Casa Santos Lima (CSL), foi escolhido pelo blogger Mike Veseth, como o primeiro a fazer parte do TOP 10 dos melhores vinhos abaixo dos 10 dólares à venda nos Estados Unidos da América.

Mike Veseth, editor do blog The Wine Economist, lançou o desafio aos seus leitores de nomearem os seus vinhos preferidos com valor inferior a 10 dólares até final de Abril, momento em que irá publicar o seu TOP 10.

Wine Economist Red Blend Portugal

 

Mal iniciou este desafio, Mike Veseth avançou com a sua escolha e com o primeiro vinho tinto da lista, o Vinho Regional Lisboa “Blend Portugal”, que descreveu da seguinte forma:
“Para começar vou nomear o Blend Portugal da Casa Santos Lima, que podemos comprar na Costco [nota: cadeia de retalho americana] por $5,99 por garrafa. Durante o Verão passado, bebemos uma caixa deste vinho – ligeiramente fresco – a acompanhar churrasco e mais recentemente, já na quarentena, bebemos novamente este vinho (…)”. O ‘bebemos’ de Mike Vesh inclui a mulher, Sue, que também participa no blog. E eventualmente alguns amigos, claro. Pode ler o artigo completo neste site.

A Casa Santos Lima diz que “Blend Portugal é uma das marcas portuguesas mais vendidas nos Estados Unidos da América”. De destacar os 90 pontos atribuídos por Roger Voss, da revista Wine Enthusiast, para as colheitas de 2017 e 2018 desta marca.

O comunicado de imprensa da CSL refere ainda boas notícias: “apesar das conhecidas condicionantes da realidade atual, as exportações de vinho da Casa Santos Lima para os EUA, o seu maior mercado, têm crescido de forma considerável”.

Quinta do Gradil lança mini-série “Wine Education”

A Quinta do Gradil estreou ontem (13 de Abril) a “Wine Education”, uma mini-série sobre o mundo do vinho. Nascida em pleno estado de emergência, a produção combina a curiosidade dos apaixonados pelo vinho e uma resposta que todo o sector (consumidores e marcas) tem dado nesta conjuntura, demonstrando nas redes sociais que um copo […]

A Quinta do Gradil estreou ontem (13 de Abril) a “Wine Education”, uma mini-série sobre o mundo do vinho. Nascida em pleno estado de emergência, a produção combina a curiosidade dos apaixonados pelo vinho e uma resposta que todo o sector (consumidores e marcas) tem dado nesta conjuntura, demonstrando nas redes sociais que um copo de vinho tem sido um excelente aliado para brindar à vida.

Em exibição no Facebook, LinkedIn e Instagram desde ontem, primeiro episódio centra-se precisamente na terra, na plantação. Qual a melhor altura para fazer plantação de nova vinha? Que castas e em que zonas, mais solarengas, na várzea ou na encosta? São estas e outras questões que a Wine Education vai abordar ao longo de dez episódios. Curtos e concisos, produzidos a partir de imagens captadas pelos próprios trabalhadores.

Para Luís Vieira, administrador da Quinta do Gradil “este projecto surge como resposta ao contexto que estamos a viver. Numa altura em que tantos negócios são obrigados a parar, o nosso não pode. O vinho tem um ciclo próprio, que não pode ser interrompido ou adiado. Por isso, continuamos a cuidar das vinhas, a produzir vinho e a fazê-lo chegar aos consumidores, quer através dos nossos parceiros, que também se estão a reinventar, quer através da nossa loja online.” Para o mesmo, “é por isso que este projecto é tão simbólico. Porque este sector é resiliente e esta foi a melhor forma que tivemos de brindar os nossos consumidores e amigos com informação que eles valorizam, numa altura em que muitos têm mais tempo para saber mais sobre vinho”.  

Entretanto, a Quinta do Gradil decidiu doar um euro por cada garrafa vendida na loja online à Câmara Municipal do Cadaval, para ajudar na compra de equipamentos de primeira necessidade para o Hospital Campanha montado para dar resposta à pandemia de Covid-19. Este contributo soma-se a outros donativos, feitos aos hospitais de Leiria e Évora onde o Grupo Parras (que integra a Quinta do Gradil) tem unidades.

Restaurante Faz Figura entrega cozido à portuguesa (e não só)

O restaurante Faz Figura, localizado em Santa Apolónia, juntou-se à onda de reinvenção e lançou o serviço de take-away e entregas ao domicílio. Este serviço está disponível de terça-feira a sábado, com um menu completo à escolha e uma grande selecção de vinhos – pela qual o espaço é reconhecido, com os seus famosos dispensadores […]

O restaurante Faz Figura, localizado em Santa Apolónia, juntou-se à onda de reinvenção e lançou o serviço de take-away e entregas ao domicílio. Este serviço está disponível de terça-feira a sábado, com um menu completo à escolha e uma grande selecção de vinhos – pela qual o espaço é reconhecido, com os seus famosos dispensadores de vinho a copo – a preço de garrafeira, das 12h às 15h e das 19h às 22h. Aos domingos, o Faz Figura mantém a tradição portuguesa e faz cozido à portuguesa que entrega em casa, das 12h às 15h.

O Faz Figura lançou também dois vouchers que podem ser adquiridos via online e entregues por e-mail. Um bom presente para oferecer nesta época, ou por qualquer outra razão, sem sair de casa, para ser usufruído com o os novos serviços ou mais tarde, quando o restaurante voltar à normal actividade. E para quem utilizar o serviço de take-away, um desconto de 10%.

AdegaMãe tem novo site e loja online

O lançamento do novo website da AdegaMãe significou, tendo em conta a situação actual e as limitações do novo coronavírus, criar as vendas online. Com entregas directas aos consumidores, a empresa pretende assim contornar os conhecidos constrangimentos causados pela Covid-19. Nesta venda online, gama Dory tem uma campanha de 10% de desconto. Estes vinhos, segundo […]

O lançamento do novo website da AdegaMãe significou, tendo em conta a situação actual e as limitações do novo coronavírus, criar as vendas online. Com entregas directas aos consumidores, a empresa pretende assim contornar os conhecidos constrangimentos causados pela Covid-19.

Nesta venda online, gama Dory tem uma campanha de 10% de desconto. Estes vinhos, segundo a AdegaMãe, “evocam a força, coragem e resiliência dos antigos pescadores; agora evocam-se precisamente esses valores, demonstrados pelos portugueses neste momento tão desafiante”.

Os vinhos estão disponíveis aqui.

Okah Restaurant & Rooftop recebe Paulo Laureano para jantar vínico

Dia 12 de Março, quinta-feira, será dia de jantar vínico no ŌKAH Restaurant & Rooftop, com uma vista privilegiada sobre Lisboa e o rio Tejo. A experiência, que terá início às 20h00, contará com os vinhos do enólogo e produtor Paulo Laureano, harmonizados com as propostas criativas do chef Luís Barradas. A refeição começará com […]

Paulo Laureano.

Dia 12 de Março, quinta-feira, será dia de jantar vínico no ŌKAH Restaurant & Rooftop, com uma vista privilegiada sobre Lisboa e o rio Tejo. A experiência, que terá início às 20h00, contará com os vinhos do enólogo e produtor Paulo Laureano, harmonizados com as propostas criativas do chef Luís Barradas.

A refeição começará com Vieira, Tupinambour e Cogumelos Shimeji. Seguir-se-á o prato de peixe, um Carolino de Lingueirão com Algas do Sado, que fará par com um Verdelho 2018. Para os amantes de carne, será servido Borrego acompanhado de Beringela, Pão Pita e Hortelã, harmonizado com um Alfrocheiro 2016. Lombelo e Pastinaca com Legumes do Poial serão conjugados com um Dolium Tinto 2014. Para terminar, o chef Luís Barradas apresentará um Pudim Abade de Priscos, que Paulo Laureano complementará com um Tinta Grossa 2015.

O jantar tem o valor de €45 por pessoa e as reservas podem ser feitas através do e-mail reservas@okah.pt ou do contacto telefónico 914 110 791.

O espaço do novo edifício do Cais da Rocha Conde de Óbidos, em Alcântara, marca pela sua gastronomia única, com uma filosofia que integra diversas influências da cozinha de Portugal e do Mundo, e que neste jantar irá inspirar-se no vinho.

Chef Luís Barradas.

Taylor’s em Lisboa promove prova de vinho do Porto com chocolate

A Taylor’s Port em Lisboa, morada de uma das mais antigas e prestigiadas casas de vinho do Porto na capital, promove, no dia 13 de Março, uma prova harmonizada de vinho do Porto e chocolates, em associação com a marca portuguesa Annobon. A experiência convida a conhecer e provar quatro estilos diferentes de vinho do […]

A Taylor’s Port em Lisboa, morada de uma das mais antigas e prestigiadas casas de vinho do Porto na capital, promove, no dia 13 de Março, uma prova harmonizada de vinho do Porto e chocolates, em associação com a marca portuguesa Annobon. A experiência convida a conhecer e provar quatro estilos diferentes de vinho do Porto, em duetos perfeitos com chocolates e trufas, cuja combinação realça o melhor de cada um.

A prova comentada irá permitir distinguir os aromas, texturas e sabores tanto dos vinhos como dos chocolates, identificando características como a complexidade, volume de boca e acidez.

Os vinhos em prova convidam a descobrir o universo da casa Taylor’s, com mais de três séculos de história, atravessando diferentes estilos de vinho do Porto: Taylor’s Chip Dry, Taylor’s LBV, Taylor’s Quinta de Vargellas Vintage 2012 e Taylor’s Tawny 10 Anos.

Esta experiência de prova (€25) tem início marcado para as 19h00, com duração aproximada de uma hora, e requer reserva antecipada, sendo que a participação estará limitada a 20 pessoas.

Com uma localização privilegiada no bairro histórico de Alfama, vizinha do Chafariz d’El Rei, a Taylor’s Port em Lisboa pretende ser uma janela aberta para a história e tradição do vinho do Porto, disponibilizando uma das mais amplas colecções de vinhos da marca, para prova ou venda.

Morada:
Rua Cais de Santarém 6-8, 1100-104 Lisboa

Contactos para reservas:
Telf.: 218 863 105
E-mail: ana.sofia@taylor.pt

Horário:
Todos os dias, das 11h00 às 19h30.

Vinhos Com Sentido: um evento internacional no Pestana Palace

De 28 a 30 de Março, no Hotel Pestana Palace, em Lisboa, decorre o evento “Vinhos com Sentido”, organizado por Alejandro Chávarro (na foto), sommelier, formador e conhecedor de vinhos com saber adquirido, entre outros locais, na cave de vinhos do restaurante Astrance (2* Michelin), em Paris, que geriu durante anos, antes de se mudar […]

De 28 a 30 de Março, no Hotel Pestana Palace, em Lisboa, decorre o evento “Vinhos com Sentido”, organizado por Alejandro Chávarro (na foto), sommelier, formador e conhecedor de vinhos com saber adquirido, entre outros locais, na cave de vinhos do restaurante Astrance (2* Michelin), em Paris, que geriu durante anos, antes de se mudar para o nosso país. Nesses três dias de Encontro Internacional sobre Solos & Viticultura e masterclasses, irão debater-se os temas mais prementes da viticultura no mundo, haverá lugar a provas de vinhos e champagnes exclusivos, debates e palestras, encontros com produtores, e almoços especiais concebidos por prestigiados chefs – como o de domingo 29, que conta com uma equipa de excepção: Pascal Barbot (Astrance, 2* Michelin), Vincent Farges (Epur, 1* Michelin), André Lança Cordeiro (Essencial, Lisboa), Vasco Coelho Santos (Euskalduna, Porto) e Pedro Inglês Marques (Pestana Palace) irão preparar uma refeição memorável.

Ao longo dos três dias de evento, discutir-se-á a fertilidade de solos e outras problemáticas actuais, pela voz de Dominique Massenot, consultor especializado em fertilidade de solos, agronomia e viticultura biodinâmica; será promovido um encontro com mais de 15 produtores de vinho e de champagne, pioneiros nas suas regiões e com larga experiência na matéria, tendo ainda a possibilidade de conhecer e provar vinhos das regiões do Loire, da Alsácia, da Borgonha, de Itália e de Espanha.

“Um dos objectivos do “Vinhos com Sentido” é poder proporcionar a vários públicos – dos simples enófilos, a sommeliers ou profissionais da hotelaria e da restauração – o acesso a produtores e patrimónios que dificilmente encontramos em Portugal de forma tão concentrada”, explica Alejandro Chávarro, criador da iniciativa e fundador da empresa “Vinhos Livres”, especializada na importação de vinhos estrangeiros.

Os bilhetes podem ser adquiridos no site oficial: eventos.vinhoslivres.com, sendo possível comprar vários tipos de ingresso (para os três dias ou para um único dia). Quem optar pelo dia 28, “Raízes 2020”, dedicado à partilha e procura de soluções para a viticultura biodinâmica, terá acesso a 3 horas de palestra/debate de manhã, almoço, e novas 3 horas de palestra/debate à tarde, pelo valor de 95€. Caso escolha o dia 29, que inclui a masterclass de Champagne e o almoço com os cinco chefs de renome, o preço é de 195€ (com valores diferentes em caso de profissionais ou estudantes de hotelaria). Por fim, caso opte pelo dia 30, em que terão lugar as masterclasses dos vinhos do Loire, Alsácia, Hungria, Itália e Espanha, e a masterclass da Borgonha, com provas comentadas pelos próprios produtores e almoço incluído, o valor é outro ainda. Há 50 lugares para cada dia, e toda a informação pode ser consultada em eventos.vinhoslivres.com.

Foto: Thomas Padilla

Romana Vini: Boutique vínica no Tejo e em Lisboa

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Romana Vini é o nome da empresa que produz vinhos a partir de uvas de duas quintas próximas entre si. Quis o destino que ficassem em duas regiões vitivinícolas diferentes: Lisboa e Tejo. Só uma tem adega, mas as duas compartilham o compromisso do proprietário de fazer apenas vinhos de excepção.

TEXTO António Falcão           NOTAS DE PROVA Nuno de Oliveira Garcia            FOTOS Ricardo Gomez

O património da Romana Vini começa na Quinta do Porto Nogueira, que data da primeira metade do século XVIII e esteve sempre na posse da mesma família. Sem herdeiros, por volta de 1980, o último proprietário ofereceu a quinta à Academia das Ciências de Lisboa. Em 2002 é vendida aos actuais proprietários, António Barreira e sua mulher. O nome da empresa vem da ponte romana sobre o rio Arnóia, quase encostada à adega. O conjunto de edifícios é importante e é atravessado pela estrada que sai para sul de Alguber, a escassos 250 metros desta aldeia.
A outra propriedade chama-se Quinta da Escusa e uma parte dela já pertencia aos avós e aos pais dos actuais proprietários, que aí exerceram a agricultura e a viticultura ao longo de décadas. A área é sobretudo agrícola, vinha e muita floresta, mas existe ainda uma pequena adega na aldeia de Quintas.
Quis a sorte que a Quinta do Porto Nogueira ficasse na região de Lisboa (sub-região de Óbidos), no concelho do Cadaval, cerca de 60 Km a norte de Lisboa, em linha recta. É aqui que está a sede da exploração e onde chegam todas as uvas da casa. Incluindo as que vêm da Quinta da Escusa, que fica a 10/15 minutos de carro, mas está na região do Tejo e no concelho de Rio Maior. O produtor tem uma licença para vinificar tudo na mesma adega, um procedimento normal nestes casos.
Quem gere a Romana Vini é António Barreira, consultor de gestão e habituado a tudo o que é empresarial. E é sobretudo alguém que sabe fazer contas. Antes de se lançar nesta aventura, António estudou a sua lição e vai optar, desde o início, por uma estratégia arriscada: criar marcas premium baseadas em vinhos de muito alta qualidade. E é exactamente aqui que esta empresa produtora se destaca face a muitas outras deste país.

António Barreira (proprietário), Manuel Botelho (viticultura), António Ventura (enologia) e Filipe Catarino (residente em viticultura e enologia).

Dois terroirs a caminho do biológico

A vinha da Quinta do Porto Nogueira, com os edifícios da casa em segundo plano. Ao fundo, a povoação de Alguber.

A pergunta seguinte que António Barreira se colocou foi esta: como se fazem vinhos de ‘muito alta’ qualidade? Essa é fácil, bastando saber perguntar a quem sabe. E um dos que mais sabe neste país é sem dúvida António Ventura, um dos enólogos mais experientes deste país e que cada vez mais, na nossa opinião, está à vontade a fazer pequenos volumes, como é este o caso. Na viticultura está Manuel Botelho Moreira, um técnico da região já com bastante experiência e que faz uma perninha no ensino universitário, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. No dia-a-dia da vinha e adega pontua Filipe Tomé Catarino, que faz o interface com os dois consultores. António Barreira vai-se informando, chegando à conclusão de que os “grandes vinhos são feitos de pequenos pormenores”.
E tudo começou na vinha, com a escolha dos melhores terroirs para cada uma das castas. Depois, tudo é feito para ter as videiras saudáveis e conseguir as melhores uvas possíveis. As práticas agrícolas para isso apontam: pouca mobilização do solo, não se usam herbicidas nem fertilizantes, apenas estrume natural. Manuel Botelho diz-nos ainda que “estamos também a reduzir os fungicidas e queremos, no futuro, deixar de os usar”. As vinhas estão em modo de produção integrada, mas há a intenção de as passar, em breve, para o modo biológico.
A empresa, já agora, tem tomado medidas para potenciar a biodiversidade e ser o mais sustentável possível. Por exemplo, diz-nos António Barreira, “toda a energia consumida na nossa adega é produzida em Porto Nogueira a partir de energia solar e conseguimos auto-suficiência energética”. As áreas de floresta que rodeiam a vinha, em ambas as quintas, estão certificadas pelas normas FSC – Forest Stewardship Council. A terceira cultura da casa, já agora, é a Pêra Rocha. Esta fruta, a vinha e a floresta são, portanto, os 3 pilares onde assenta a agricultura da casa.
No total estamos a falar de 27 hectares de vinha: 17 em Porto Nogueira, com terrenos argilosos, e 10 na Escusa, que possui solos mais arenosos. O encepamento é variado, mas a viticultura privilegiou as castas tintas na Escusa, onde o clima mais quente permite melhores maturações para os tintos. Quase toda a vinha é recente e, à excepção de uma pequenina parcela de vinha velha, as plantas mais antigas são de 2012. As mais recentes nem sequer estão em produção.

A importância dos pormenores

As instruções que Manuel Botelho recebe vão no sentido de “fazer as melhores uvas possíveis”. podas estão, logo no início, adaptadas ao perfil dos vinhos, e não existem restrições a nível de produção por hectare, gastos de mão-de-obra ou quaisquer outras. O pináculo desta estratégia chega na altura da vindima, onde há escolha de cachos no campo e depois na adega. Mas não acaba aqui: uma mesa de inox permite ainda a escolha de bagos. Não entra assim um bago de uva com defeito na adega. Um único. É por isso que António Ventura nos diz que “aqui tudo é fácil para o enólogo, com esta qualidade da uva”. Neste sentido, Ventura tem ainda o encargo de deixar que os vinhos reflictam o terroir onde nasceram as uvas. António Barreira não hesita neste aspecto: “quero que os nossos vinhos sejam verdadeiros”. Outra exigência do proprietário é que os vinhos consigam suportar o teste do tempo: “Trabalhamos também para vinhos longevos”, afirma, mas que quer ainda, ao longo das futuras vindimas, “consistência e comparabilidade“. Ou seja, fidelizar os seus consumidores mais assíduos, ano após ano.

Vista aérea da vinha da Quinta da Escusa.

A Romana Vini só usa as uvas próprias e nem todo o vinho vai para as marcas da casa: qualquer branco ou tinto que não seja de topo é vendido a terceiros. O resto do processo na adega é o normal e, como se calcula, não faltam equipamentos de qualidade. Incluindo o parque de barricas, das melhores marcas e proveniências.
As produção começou em 2015, com apenas 21 mil garrafas. Têm vindo a aumentar anualmente e para 2020 o objectivo é chegar às 45 mil garrafas. António Barreira espera conseguir atingir a velocidade de cruzeiro em 2022/2023, com 75 mil garrafas. E não quer mais. Nessa altura espera vender 60% no mercado de exportação, que já se iniciou na Alemanha, Bélgica, Canadá, Japão, França e EUA.
Na distribuição nacional, António Barreira trilhou também um caminho pouco usado: prefere trabalhar directamente na Grande Lisboa e na região Oeste, usando distribuidores apenas no resto do país. “se entregássemos toda a produção num distribuidor seríamos apenas mais um; assim conseguimos explicar os nossos vinhos aos compradores”, garante o gestor.

Estratégia arriscada, mas bem calculada

O portefólio da casa está também definido, sendo igual para as duas quintas. De um lado os vinhos de lote, do colheita ao Grande Reserva ou Grande Escolha. Por outro, um conjunto de monovarietais, “produzidos e engarrafados apenas em anos de uvas excepcionais”. Pelo meio, alguma coisa especial, como um espumante, que já existe e tem o nome de Berbereta (nome dado à borboleta em tempos que já lá vão) ou, quem sabe, um colheita tardia.
O leitor já calculou que, com estas exigências, os preços não podem ser baratos. É uma consequência da estratégia seguida e dos custos assumidos. Diga-se em abono da verdade que há muito vinho a ser vendido mais caro e não tem a qualidade e consistência da gama da Romana Vini. Os vinhos são sérios, bem feitos, distintos, e um sinal disto é que os prémios já começaram a chover, um pouco por todo o mundo.

Em força para o enoturismo

Para o futuro mais próximo, a empresa pretende fazer uma aposta muito forte no enoturismo. As instalações estão praticamente prontas e incluem vários quartos para hospedes. Uma visita rápida deixou-nos água na boca, com excelentes instalações e primorosa decoração, a cargo da mulher de António Barreira.
Fica assim completo o ciclo do vinho: vinha, adega, vinhos e agora o enoturismo. Só falta mesmo o mais importante, o estabelecimento da marca como um ponto de referência entre os enófilos com maior poder de compra. Os primeiros passos nesta estratégia já foram dados, com o lançamento de vinhos bem-apresentados e com inegável qualidade. O resto vai levar mais tempo, mas António Barreira já o sabe e não está muito preocupado. Todos os negócios têm os seus timings e este não é diferente: só precisa um pouco mais de tempo…

Instalações em Porto Nogueira, a anunciarem um ambicioso projecto enoturístico.

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Edição n.º32, Dezembro 2019

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