Quinta de Ventozelo voltou a vencer o Concurso Tomate Coração de Boi do Douro

tomate

A 11ª edição do Concurso Tomate Coração de Boi do Douro já tem um vencedor. Trata-se da Quinta de Ventozelo, que voltou a repetir o feito alcançado no ano passado. Esta conquista reforça a aposta da propriedade duriense na valorização do terroir, dos produtos locais e das tradições da região. A horta biológica de Ventozelo, espaço […]

A 11ª edição do Concurso Tomate Coração de Boi do Douro já tem um vencedor. Trata-se da Quinta de Ventozelo, que voltou a repetir o feito alcançado no ano passado. Esta conquista reforça a aposta da propriedade duriense na valorização do terroir, dos produtos locais e das tradições da região.

A horta biológica de Ventozelo, espaço que está sob a coordenação da equipa agrícola da Quinta de Ventozelo, liderada por Tiago Maia, “beneficia de condições excepcionais para o cultivo deste fruto e conta com o cuidado diário de profissionais que garantem que o tomate chega à cozinha no seu melhor momento”, declara, em comunicado, José Guedes, Chef responsável pelo restaurante Cantina, do Ventozelo Hotel & Quinta.

Por sua vez, João Gonçalves, Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), reconheceu que a certificação do TCBD “é um caminho que é preciso percorrer”, lembrando que o envolvimento desta entidade neste projeto “traduz a vontade” manifestada pelos 19 municípios de criar mais valor no Douro.

Além da Quinta de Ventozelo, o júri, presidido por Francisco Pavão, nome de referência na promoção de produtos do território do Douro e Trás-os-Montes, nomeou a Quinta de Medim (2º lugar) e a Quinta do Crasto (3º lugar). A selecção dos vencedores foi feita com base em critérios, como aroma, sabor, textura e harmonia.

 

Alentejo: Vinhas Velhas e Centenárias e certificação do Vinho de Talha

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A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) criou as designações “Vinhas Velhas” e “Vinhas Centenárias” e alargou a possibilidade de certificação do Vinho de Talha a toda a região do Alentejo. No primeiro caso, é estabelecido o um enquadramento específico para a valorização de vinhos provenientes de parcelas de vinha com características associadas à sua idade, […]

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) criou as designações “Vinhas Velhas” e “Vinhas Centenárias” e alargou a possibilidade de certificação do Vinho de Talha a toda a região do Alentejo. No primeiro caso, é estabelecido o um enquadramento específico para a valorização de vinhos provenientes de parcelas de vinha com características associadas à sua idade, aplicando-se a primeira denominação a vinhas com, no mínimo, 35 anos, enquanto a segundo é atribuída a vinhas com registo anterior a 1931.  
As novas medidas, aprovadas por unanimidade em Conselho Geral da CVRA, têm como finalidade contribuir para a preservação de um património vitivinícola geracional, reconhecendo o valor das vinhas mais antigas da região e reforçando a identidade dos Vinhos do Alentejo.
Quanto ao Vinho de Talha, a principal novidade passa pela possibilidade de certificação do Vinho de Talha produzido em qualquer uma das sub-regiões deste território vitivinícola, com o intuito de proteger esta tradição. A regulamentação, agora aprovada, resulta de um trabalho desenvolvido pela CVRA através do seus grupos técnicos e de enólogos, especialistas nesta tipologia de vinho, historiadores e outros profissionais do sector.

Segundo Luís Sequeira, Presidente da CVRA, o reconhecimento do valor das vinhas mais antigas e a definição do método de produção do Vinho de Talha, enfatiza a preservação de “um património único e a criar condições para o desenvolvimento de vinhos premium, reforçando a diferenciação, a competitividade e a criação de valor para os Vinhos do Alentejo.” 
De acordo com o comunicado, as novas medidas integram o Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, que pretende enaltecer a capacidade dos Vinhos do Alentejo para responder às tendências actuais e afirmar-se nos mercados internacionais.

Já temos Master of Wine!

tiago macena

Tiago Macena é o primeiro português a tornar-se Master of Wine, título atribuído pelo Institute of Masters of Wine, uma das mais prestigiadas e superlativas qualificações profissionais internacionais do mundo do vinho. Para o sector vitivinícola nacional é considerado um marco importante, na medida em que reforça a presença de profissionais portugueses nos principais circuitos […]

Tiago Macena é o primeiro português a tornar-se Master of Wine, título atribuído pelo Institute of Masters of Wine, uma das mais prestigiadas e superlativas qualificações profissionais internacionais do mundo do vinho. Para o sector vitivinícola nacional é considerado um marco importante, na medida em que reforça a presença de profissionais portugueses nos principais circuitos internacionais de conhecimento, avaliação e comunicação de vinho.

Recordamos que o enólogo Tiago Macena iniciou o percurso no Institute of Masters of Wine em 2012, retomando os estudos em 2017, contando, durante parte deste processo, com a orientação brasileiro Dirceu Vianna Junior MW. Ciente do impacto que a existência de um Master of Wine português poderia ter na projeção internacional do sector, a ViniPortugal acompanhou e apoiou Tiago Macena, que, em 2023, se tornou o primeiro português a superar a componente prática do exame final.

Paralelamente, nos últimos anos, Tiago Macena tem colaborado em iniciativas da Wines of Portugal em diferentes mercados, através de provas comentadas, acções dirigidas a profissionais e actividades de formação dedicadas aos vinhos portugueses, bem como enquanto jurado do Concurso Vinhos de Portugal.

Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal, declarou em comunicado que “o conhecimento, a credibilidade e a rede internacional associados ao título podem contribuir para aumentar o reconhecimento dos nossos vinhos e para promover a diversidade das regiões, das castas e dos produtores portugueses a públicos profissionais cada vez mais qualificados”, acrescentando o seguinte: “este resultado tem também um significado importante para uma nova geração de profissionais portugueses. Demonstra que existe, em Portugal, conhecimento técnico, experiência e capacidade para alcançar os níveis de exigência mais elevados do sector internacional do vinho. Esperamos que este percurso incentive outros profissionais a procurar qualificações desta natureza”.

Licenciado em Engenharia Agronómica pelo Instituto Superior de Agronomia, com especialização em Viticultura e Enologia, Tiago Macena desenvolveu a sua carreira como enólogo e consultor, com actividade em diferentes regiões vitivinícolas portuguesas. Com o intuito de aprofundar conhecimento, apostou ainda na componente de formação, comunicação e apresentação dos vinhos portugueses em Portugal e no estrangeiro. A obtenção deste título permite a Tiago Macena integrar oficialmente o Institute of Masters of Wine e utilizar a designação Tiago Macena MW.

CONVERSAS A COPO: Maria João Vieira Pinto

O que marca uma marca de vinho? Marca a diferença, a ousadia, o não ser de ‘fórmula’, em que o perfil não muda ano após ano, apesar da muita chuva ou do sol a pique. Acha que construir uma marca de vinho é mais desafiante do que construir marcas noutros sectores? De todo. A criação, […]

O que marca uma marca de vinho?

Marca a diferença, a ousadia, o não ser de ‘fórmula’, em que o perfil não muda ano após ano, apesar da muita chuva ou do sol a pique.

Acha que construir uma marca de vinho é mais desafiante do que construir marcas noutros sectores?

De todo. A criação, lançamento e construção de uma marca é um desafio gigante, seja em que sector for. Claro que em mercados mais saturados e pulverizados, como é o dos vinhos em Portugal – com centenas de marcas em todas as regiões –, o trabalho fica redobrado. Mas uma marca é uma marca, um ecossistema onde o produto, o preço, a distribuição e comunicação se encaixam para chegar a um público e, no final, ganhar o seu espaço, a sua quota.

O vinho é talvez um dos produtos onde emoção, território e marca coexistem de forma particularmente forte. Enquanto observadora do universo do marketing, como vê hoje a construção das marcas de vinho em Portugal?

É incontável o actual número de marcas de vinhos portugueses, em todas as regiões, e que só é um bom reflexo de um mercado dinâmico. Mas, a verdade é que o espaço é curto para tantas. A exportação é uma das vias para a sobrevivência ou, claro, a construção de marca. E têm sido várias as que têm feito um bom caminho, sendo que nunca bastará ter uma marca forte. É preciso presença na distribuição e no HoReCa, assim como comunicação contínua e alinhada. Olhando para os últimos anos, acho mesmo que as marcas portuguesas, neste sector, têm vindo a fazer um belo trabalho.

Um vinho precisa sobretudo de ser bom… ou de contar uma boa história?

É como tudo, lá está. Já não basta que o hotel seja bom, mas que tenha uma narrativa, já não chega que o restaurante seja de topo, se, no final, não resultar numa experiência… Isto é o que o mercado tem vindo a dizer, sendo que, no final, vale o que vale. Em relação à pergunta, um vinho deveria ser – antes de tudo – bom. Mas há muitos exemplos no mercado que têm vindo a afirmar-se e a crescer em pouco tempo, a contar histórias reais ou não. Uma boa história vende. E, nos vinhos, há sempre belas histórias para contar, basta saber procurá-las e saber partilhá-las. Ou seja, um bom vinho vende per si, desde que a crítica o diga. Mas uma história, às vezes, ajuda a vender mais depressa o produto.

Marca presença em lançamentos e provas vínicas. Recorda-se de algum vinho ou de momento vínico que a tenha marcado particularmente? E porquê?

Por acaso recordo um momento, bem simples, mas que mantenho na memória, porque me permitiu perceber o vinho em causa e o seu potencial. Há uns anos, numa apresentação do Invisivel (o branco de uvas tintas), da Ervideira, casou-se o vinho a diferentes temperaturas – desde gelado ao seu estado normal – com diferentes pratos, entre sushi, peixe mais temperado e carne. Ao mostrar a plasticidade do vinho, este momento simples, mas prático, fez-me entendê-lo muito melhor do que, por vezes, algumas longas dissertações sobre acidez e leveduras.

Se pudesse deixar um conselho às marcas de vinho portuguesas sobre comunicação e relevância futuras, qual seria?

É tão difícil dar conselhos, quando se está de fora. O Dirk [Niepoort] costuma dizer que não se deve ter medo de arriscar. Eu sublinho e acredito, mesmo, que quando se quer ser uma marca no vinho não há erros, há aprendizagens. É essencial sair do conforto, acreditar que é na diferença que se ganha e que fazer mais do mesmo ou igual aos outros é só uma estratégia a curto prazo. Depois, comunicação contínua, para vários públicos, e formação desses mesmos públicos.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

 

O VINHO PORTUGUÊS CHEGA AO CINEMA NO CURTAS VILA DO CONDE

O vinho português ganha uma nova forma de ser contado através do cinema. Gerações, a primeira curta-metragem portuguesa inteiramente dedicada ao universo do vinho, estreia a 18 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Filmada em Melgaço, a obra leva ao grande ecrã a história das pessoas, do território e […]

O vinho português ganha uma nova forma de ser contado através do cinema. Gerações, a primeira curta-metragem portuguesa inteiramente dedicada ao universo do vinho, estreia a 18 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Filmada em Melgaço, a obra leva ao grande ecrã a história das pessoas, do território e do conhecimento que estão na origem de cada vinho.

Realizada por Manuel Sá, Gerações acompanha, ao longo de um ano, o ciclo de criação de um vinho através do quotidiano dos enólogos Luís e Manuel Cerdeira, pai e filho. Entre a vinha e a adega, a curta revela como o conhecimento é transmitido entre gerações e como tradição e inovação convivem na construção da identidade de um vinho.

A estreia integra a programação da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, reforçando o compromisso do festival com obras que exploram novas perspetivas sobre a realidade e promovem o diálogo entre o cinema e diferentes dimensões da cultura contemporânea. Ao receber Gerações, o festival abre espaço ao vinho enquanto tema cinematográfico, revelando uma dimensão cultural e humana ainda pouco explorada no grande ecrã.

«O Curtas Vila do Conde procura dar visibilidade a filmes que desafiam o olhar do público sobre temas que fazem parte da nossa identidade. Gerações é um exemplo dessa capacidade do cinema para revelar universos que conhecemos, mas raramente vemos desta forma, dando protagonismo às pessoas e às histórias que existem por detrás do vinho português”, afirma Nuno Rodrigues, diretor artístico do festival.

A estreia de Gerações acontece no dia 18 de Julho, às 19h00, no Teatro Municipal de Vila do Conde, integrada na programação da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.

Projecto 260g recebeu o Red Dot: Best of the Best 2026

projecto 260g

O projecto 260g, responsável pelo desenvolvimento da garrafa de vinho mais leve do mundo, foi distinguido com o Red Dot: Best of the Best 2026 na categoria Sustainable Design, graças à capacidade de conciliar inovação, sustentabilidade e excelência em design. Ou seja, o resultado traduziu-se numa garrafa de vinho de 75 centilitros com apenas 260 […]

O projecto 260g, responsável pelo desenvolvimento da garrafa de vinho mais leve do mundo, foi distinguido com o Red Dot: Best of the Best 2026 na categoria Sustainable Design, graças à capacidade de conciliar inovação, sustentabilidade e excelência em design. Ou seja, o resultado traduziu-se numa garrafa de vinho de 75 centilitros com apenas 260 gramas, a qual foi feita a partir de 80% de vidro reciclado, já com o objectivo de “reduzir substancialmente o consumo de matérias-primas, aumentar a eficiência do transporte, permitindo transportar mais 115 garrafas por palete, e diminuir a pegada carbónica ao longo de toda a cadeia de valor”, de acordo com o comunicado. Com esta garrafa é possível “reduzir em cerca de 40% as emissões de dióxido de carbono associadas à embalagem”, sem desvirtuar os padrões de qualidade, a resistência do produto final e o desempenho definido pela indústria.

projecto 260g
Vítor Martins (Santos Barosa), Renato Bispo (LiDA) e Aitor Peña (Vidrala)

Quanto ao prémio maior atribuído pelo Red Dot Design Award, neste caso, premiou a ideia materializada pelo LiDA – Laboratório de Investigação em Design e Artes, da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR) da nova Universidade de Leiria e Oeste (Politécnico de Leiria), em colaboração com a Vidrala – Santos Barosa.

“Este reconhecimento demonstra o potencial transformador da investigação em design quando desenvolvida em estreita colaboração com a indústria. O projecto 260g evidencia que os desafios da sustentabilidade exigem conhecimento interdisciplinar, experimentação e confiança entre parceiros, permitindo desenvolver soluções que conciliam excelência técnica, inovação e impacto ambiental positivo”, declara Renato Bispo, Director do LiDA, por comunicado.

VINHOS ITALIANOS: Como um produtor português se abre ao mundo

Vinhos italianos

Na economia e na política, há momentos de transição discreta que dizem mais sobre o futuro de um país do que grandes anúncios de investimentos estratégicos. No vinho – mundo tantas vezes ancorado na tradição, no orgulho legítimo das origens e na defesa da identidade – esses momentos são raros. Mais raros são no “velho […]

Na economia e na política, há momentos de transição discreta que dizem mais sobre o futuro de um país do que grandes anúncios de investimentos estratégicos. No vinho – mundo tantas vezes ancorado na tradição, no orgulho legítimo das origens e na defesa da identidade – esses momentos são raros. Mais raros são no “velho mundo”, onde Portugal, Espanha, França e Itália olham essencialmente para dentro e quase sempre com desconhecimento sobre o contexto vínico do “vizinho do lado”. Mas, de quando em vez, esses momentos pivot acontecem. E quando acontecem, devem ser reconhecidos pelo que realmente são: sinais de maturidade, de visão e, acima de tudo, de confiança. A decisão de um grupo como o Grupo Amorim de integrar, no seu universo, o olhar e ação de um dos mais respeitados enólogos italianos, Riccardo Cotarella é, a nosso ver, um desses momentos.

Como é sabido, Portugal sempre se distinguiu pela riqueza das suas castas e dispersão territorial da plantação da vinha, diversidade dos seus terroirs e por uma cultura vínica profundamente enraizada. Agora, com este movimento do Grupo Amorim, esperamos que o mundo vínico português recupere a capacidade de se abrir ao exterior. É verdade que Portugal nunca esteve totalmente fechado, sendo disso bom exemplo alguns enólogos estrangeiros que se radicaram no nosso país, caso de Peter Bright, e, depois, David Baverstock, ambos australianos. E também é certo que tivemos outros nomes internacionais, sonantes até, que, pontualmente, cruzaram o nosso caminho, mas sempre sem destaque maior. Veja-se o caso de Michel Rolland, o mais célebre dos flying winemakers e uma das figuras mais influentes da enologia contemporânea.

Michel Rolland teve presença global avassaladora, trabalhando com centenas de produtores em mais de duas dezenas de países. No entanto, ao contrário do que aconteceu na Argentina, em Itália ou na Califórnia, EUA, a sua marca em Portugal foi ténue, quase periférica, sem nunca se traduzir numa aposta estruturada ou num projeto com impacto sistémico. Maior influência no nosso país, mas mesmo assim sem consolidar um impacto determinante no Portugal vínico moderno, teve o enólogo Pascal Chatonnet. Com uma ligação mais concreta ao país, colaborou, desde os anos 90 do século XX, com projetos no Douro, como a Quinta do Portal, e, mais tarde, desempenhou um papel menos esporádico na Bairrada e noutras regiões através do ex-grupo IdealDrinks, ainda exercendo a sua atividade pelo nosso país. Foram e são contributos importantes, sem dúvida, mas, ainda assim, inseridos em contextos específicos e sem o peso simbólico de uma opção estratégica assumida por um grande grupo nacional.

Vinhos italianos

De fora para dentro

Pois bem, é esse movimento de fora para dentro que Luísa Amorim quer potenciar para os seus projetos localizados de norte a sul do país. Para tal, a produtora destaca a amizade de longa data da sua família com a família Cotarella, afirmando que tal não se trata de um detalhe biográfico, mas antes a base emocional e cultural de uma relação que transcende negócios ou estratégias. Para confirmar esse posicionamento, ou melhor, essa ponte entre os dois países, foi organizada uma prova de vinhos italianos, uma verdadeira imersão dedicada aos vinhos de Itália, no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa.

O local não terá sido escolhido ao acaso, explorando a ligação à academia (Riccardo Cotarella colabora como professor de Enologia na Universidade da Tuscia), com vários alunos presentes, quer das licenciaturas de Engenharia Agronómica e Engenharia Alimentar, quer do Mestrado em Engenharia de Viticultura e Enologia.

Antes da prova propriamente dita, Riccardo Cotarella destacou, numa breve palestra, a forte cultura de vinho em Portugal – revelando até uma certa surpresa sobre a importância do vinho para os portugueses –, a diversidade de castas portuguesas, e a complexidade dos nossos lotes.

Mais do que termos muitas castas diferentes (em Itália existem ainda mais variedades), Riccardo Cotarella constatou que os enólogos portugueses têm uma capacidade quase intuitiva de equilibrar identidade e inovação, e, neste aspeto temos, de nos orgulhar quando alguém com o percurso de Riccardo Cotarella encontra, em Portugal, algo único e que não carece de ser corrigido, antes enaltecido. Talvez por isso, a consultoria do enólogo italiano é apresentada como uma colaboração apenas, sendo que ao seu lado estão os enólogos portugueses responsáveis pelas propriedades do Grupo Amorim, todos eles conhecedores dos seus territórios e com anos na casa – caso de António Bastos, na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo (Douro), Rodrigo Costa, na Taboadella (Dão) e António Cavalheiro, na Herdade Aldeia de Cima (Alentejo).

Em suma, a apresentação do novo consultor internacional para o Grupo Amorim é, esperemos, um sinal de que o vinho português não se fecha ao exterior. No fim, talvez seja isso que verdadeiramente importa. Não se trata de trazer um grande nome da enologia italiana para Portugal, mas de ser capaz de mostrar que o nosso país pode dar-se ao luxo de se expor, porque quem sabe o que vale, não tem receio de partilhar e até de melhorar.

Os clássicos e a elegância no copo

Na masterclass, comentada por Riccardo Cotarella, o destaque, nos brancos, foi todo para o clássico Cervaro della Sala 2024, da Tenuta Castello della Sala (Grupo Antinori), que revelou a complexidade calcária do terroir de Umbria, localizada no centro de Itália, e muita precisão mineral. Também foram provados o fresco Il Punto 2023 (Lazio), o exuberante Vintage Tunina 2023, do produtor Jermann e da região norte Friuli‑Venezia Giulia, e o intenso Quartz Sauvignon 2024 do produtor Cantina Terlan do Adige Terlano (Val d’Aosta). Nos tintos, brilhou o Gran Selezione San Lorenzo 2021, do produtor Castelo di Ama, a provar que os Chianti Classicos seguem como os mais elegantes tintos italianos, lado a lado com a potência e juventude do Tenuta Nuova 2020, do produtor Casanova di Neri, em Brunello di Montalcino, e do carismático e rústico Montevetrano 2022, da Colli di Salerno, entre outros.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)

Dão Summer Edition e os vencedores do Dão Primores 2026

Dão Summer Edition

A estreia do Dão Summer Edition, iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), teve lugar nos dias 27 e 28 de junho, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, e contou com mais de 1.300 pessoas, entre uma vintena de produtores dos vinhos do Dão e de Lafões, especialistas e consumidores. […]

A estreia do Dão Summer Edition, iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), teve lugar nos dias 27 e 28 de junho, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, e contou com mais de 1.300 pessoas, entre uma vintena de produtores dos vinhos do Dão e de Lafões, especialistas e consumidores. Ao longo dos dois dias, os visitantes descobriram mais de 200 referências, participaram em provas comentadas, conversas temáticas e desfrutaram de música ao vivo, DJ, gastronomia e actividades destinadas aos mais novos.

Segundo o comunicado, Manuel Pinheiro, Presidente da CVR Dão, sublinha “o entusiasmo dos visitantes e o empenho dos produtores ultrapassaram largamente as expectativas, o que nos deixa orgulhosos e muito motivados para começar a trabalhar, desde já, na próxima edição”.

Paralelamente, foram divulgados, em cerimónia reservada, os galardoados do concurso Dão Primores 2026.

 

Lista dos premiados

Ouro • Grande Vinho do Dão

Branco: Água d’Assobio (Encruzado)

Tinto: Adega Coop. de Penalva do Castelo (Alfrocheiro)

 

Ouro • Vinho Varietal

Água d’Assobio (Encruzado)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Malvasia-fina)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Encruzado)

João Cabral Almeida Vinhos (Encruzado)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Touriga Nacional)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Tinta Roriz)

Casa Agr. St. Amaro de Passarela (Alfrocheiro)

João Cabral Almeida Vinhos (Touriga Nacional)

 

Ouro • Vinho Tinto de Lote

Adega Coop. de Mangualde

João Manuel Reis Caseiro Alves Pereira

Paço de Santar Vinhos do Dão

Adega Coop. de Mangualde

Água d’Assobio

Spagre – Sociedade Agrícola

 

Ouro • Vinho Branco de Lote

Adega Coop. de Mangualde

Adega Coop. de Penalva do Castelo

Empreendimentos Turísticos Montebelo – Soc. de Turismo e Recreio

Paço de Santar Vinhos do Dão

 

Prata • Vinho Tinto de Lote

Adega Coop. de Silgueiros

Adega Coop. de Silgueiros

Adega Coop. de Silgueiros

Sociedade Agr. de Santar