Quinta Nova premiada pelo guia “Luxury Travel Guide”

O serviço premium e a elegância dos vinhos apresentados na proposta de enoturismo da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo foram reconhecidos pelo guia de luxo inglês “Luxury Travel Guide” através da atribuição do prémio Luxury Hotel & Winery Of The Year 2018. Esta distinção surge depois de a prestigiada “Conde Nast Traveller”, revista […]

O serviço premium e a elegância dos vinhos apresentados na proposta de enoturismo da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo foram reconhecidos pelo guia de luxo inglês “Luxury Travel Guide” através da atribuição do prémio Luxury Hotel & Winery Of The Year 2018. Esta distinção surge depois de a prestigiada “Conde Nast Traveller”, revista também britânica, ter descrito a Quinta Nova como a “jóia escondida” do Douro, na edição especial do seu 20º aniversário.

O guia inglês Luxury Travel Guide reconhece os melhores em cada uma das categorias no segmento de luxo, com um alcance de mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo, e representa o auge das conquistas do setor das viagens e turismo. A atribuição destes prémios está sujeita a uma rigorosa avaliação realizada por profissionais internos, subscritores e parceiros.

“É um enorme reconhecimento para a Quinta Nova ser distinguida pelo terceiro ano consecutivo por um guia com esta relevância no setor”, assume Luísa Amorim, administradora da Quinta Nova. “Esta última atribuição é particularmente especial, uma vez que valoriza a essência da proposta da Quinta Nova, exaltando o projeto no seu âmago, ou seja, o casamento perfeito entre o mundo do vinho e do enoturismo.”

A oferta enoturística da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, na margem direita do Douro, em Covas do Douro, inclui alojamento (11 quartos), restaurante (Conceitus), loja e sala de provas, jardim e piscina panorâmicos e museu (Wine Museum Centre).

Mapa Enogastronómico do Porto e Norte já está disponível

Que ninguém se perca quando a fome e a sede apertam! Já está disponível o Mapa Enogastronómico do Porto e Norte de Portugal, que enumera de forma simples e intuitiva todos os espaços enoturísticos da região. O mapa, lançado pelo Turismo da região, acaba de lançar o contém informações sobre locais a visitar, aconselha provas […]

Que ninguém se perca quando a fome e a sede apertam! Já está disponível o Mapa Enogastronómico do Porto e Norte de Portugal, que enumera de forma simples e intuitiva todos os espaços enoturísticos da região. O mapa, lançado pelo Turismo da região, acaba de lançar o contém informações sobre locais a visitar, aconselha provas gastronómicas e dá orientações sobre regiões demarcadas de vinhos.

O documento possui 23 produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP), tem 11 pontos de visitação e 255 quintas de enoturismo. Esta ferramenta turística está disponível em duas línguas – português e espanhol. O mapa, em formato de bolso, está disponível nas lojas de turismo em toda a região Porto e Norte.

“Em 2016 a gastronomia representou 23% do fator de motivação para quem nos visita, logo a seguir ao City Breaks e Touring Cultural, o que nos mostra que é realmente um produto estratégico de extrema importância para a promoção da vinda ao território e por isso mesmo a exigir que haja respostas para quem nos procura”, adianta Melchior Moreira, presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal.

Os mercados com mais apetência para este produto são os espanhóis e franceses, os mesmos que mais procuram a região. Em 2017, no acumulado entre Janeiro e Setembro e em comparação com 2016, regista-se um aumento de 11,2% nos visitantes cuja motivação é a gastronomia e vinhos. Os mercados mantêm-se os mesmos, ou seja, Espanha e França registam o maior número de turistas, sendo de salientar o aumento de cerca de 17% da procura por parte dos espanhóis.

 

Duas visões do Douro

São das propostas mais recentes do turismo duriense. Uma aposta num turismo mais massificado, a outra assume uma filosofia de recolhimento. De um lado o turismo de passagem, do outro a estadia. Diferentes como são, coincidem num ponto fundamental: com elas, o Douro fica ainda mais apelativo!   TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga […]

São das propostas mais recentes do turismo duriense. Uma aposta num turismo mais massificado, a outra assume uma filosofia de recolhimento. De um lado o turismo de passagem, do outro a estadia. Diferentes como são, coincidem num ponto fundamental: com elas, o Douro fica ainda mais apelativo!

 

TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga

O Douro continua a marcar pontos no panorama turístico português e reafirma-se como o exemplo mais perfeito de como o enoturismo se infiltrou tanto na imagem e na oferta de Portugal que já deixou de ser um nicho. Aqui, por entre encostas talhadas à mão e um rio que espelha a paisagem que o rodeia, tudo nos fala de vinho e dos homens que regaram a terra com suor para o fazerem crescer por entre placas de xisto. Mas, ao mesmo tempo que é omnipresente, o vinho também sabe partilhar a ribalta com outros argumentos destas paragens mágicas.

De carro, comboio ou barco (e até de helicóptero, para os mais abonados), descobrir o vale do Douro é sempre um espectáculo de perder a respiração. E para isso nem precisamos de gostar de vinho – embora ajude, caros abstémios! Não espanta, por isso, que a multidão de visitantes seja cada vez mais heterogénea, interessada nos vinhos e nas vinhas que lhes dão origem, mas não só: a natureza, o património histórico, as gentes. E também as experiências. Ninguém ficará desiludido.

À medida que cresce o fluxo turístico, também a oferta se alarga e diversifica. Com propostas muitas vezes bem diferentes, mas que se complementam. Desta vez, rumámos à zona do Pinhão para conhecermos duas apostas recentes – uma ambiciosa renovação e
uma estreia absoluta. De um lado, potenciam-se as visitas e as experiências de um dia; do outro, a aposta vira-se para a estadia, num clima de sossego e exclusividade.

Para quem chega ao Pinhão pelas cénicas EN222 e EN323, há agora motivos reforçados para sair à direita mesmo antes da entrada na ponte metálica que nos leva ao centro da vila duriense. A Quinta das Carvalhas, enorme (500 hectares) propriedade icónica da Real Companhia Velha, recuperou infra-estruturas e reformulou a oferta enoturística com propostas e paisagens irrecusáveis. Para quem prossegue na EN222 junto à foz do rio Torto, a viagem é um pouco mais longa, mas vale bem a pena: alguns quilómetros mais à frente, junto à localidade de Ervedosa do Douro, inflectimos na direcção do rio e vamos encontrar a nova Vineyard Residence da Quinta da Gricha, um piscar de olho da Churchill’s a quem sonha com o silêncio e a sedução dos grandes espaços.

QUINTA DAS CARVALHAS
O Verão estava a chegar e não haveria melhor altura para a Quinta das Carvalhas aparecer de cara lavada para seduzir os turistas que rumavam ao Pinhão. Logo no início de Junho,
era apresentado o resultado do investimento feito na remodelação da loja, agora mais moderna, funcional e sedutora. Mas, acima de tudo, o que vinha à tona era o trabalho imenso (e dispendioso…) de embelezamento e reabilitação de caminhos, canteiros, espaços de lazer e edifícios. Hoje, a Quinta das Carvalhas é um verdadeiro jardim panorâmico, com estradas alcatroadas, miradouros arranjados, canteiros bem cuidados, muros e passeios impecáveis. E isto sem nunca deixar de ser uma quinta dedicada à agricultura.

Desde a loja, à beira-rio, até ao ponto mais alto, a casa redonda que coroa a propriedade a 550 metros de altitude, não se encontra um pedacinho de lixo pelo chão, nunca circulamos
fora de superfícies pavimentadas (a não ser que optemos por andar a pé por entre as vinhas), há uma sensação de harmonia que se entranha quase sem darmos por ela. “E isso é muito importante quando, no final, provamos os vinhos da casa!”, sentencia Álvaro Martinho, o responsável pela viticultura das Carvalhas.

É com ele que vamos partir montanha acima, à descoberta da biodiversidade deste naco privilegiado de Douro. E é sempre da região que fala o nosso anfitrião, protagonista da visita Vintage (personalizada, em veículo todo-o-terreno) que, inicialmente, foi encarada como um produto de nicho e que agora se tornou campeã de popularidade.

Diga-se que o nosso anfitrião faz bem por merecer a preferência do visitante. Álvaro é um verdadeiro David Attenborough do Douro: trepa rochas, pendura-se em raízes nas barreiras da estrada, desenha a xisto sobre o asfalto, esmaga ervas com os dedos para lhes extrair aromas, trepa rochas e muros… A dada altura, perante uma menina chinesa que acompanha a família, ensaia mesmo uns truques de magia com uma moeda, antes de atacar, em inglês, a temática das vinhas velhas com castas misturadas.

E se o que faz é, por si só, um espectáculo memorável, convém não julgar o livro apenas pela capa: o que Álvaro nos diz é que, apesar da aparente pobreza, estes solos do Douro (e mais exactamente nesta zona central, grosso modo entre a Régua e a Foz do Tua) sustentam uma incrível variedade de espécies vegetais, que, por seu turno, são a base de uma vida animal abundante. Ou seja, o que Álvaro nos diz é que este solo é especial e que reside aí a explicação para o carácter único dos vinhos que aqui nascem.

Sempre com a fita espelhada do Douro lá em baixo, passamos por vinhas, mato virgem, miradouros e antigas construções; apreciamos vistas, geometrias, cheiros e texturas; coleccionamos emoções. E, justiça seja feita, também ficamos com sede… Quando regressamos à loja, a temperatura já baixou dos inclementes 37 graus que nos esmagaram ao início da tarde, mas a água é muito bem-vinda. E a seguir, o vinho. Belo vinho.

Morada: Quinta das Carvalhas, 5085-034 Pinhão
Tel: 254 738 050 / 925 141 948
Fax: 254 730 851
(Taberna da Adega: 919 001 166)
Mail: carvalhas@realcompanhiavelha.pt
Web: www.realcompanhiavelha.pt/pages/quintas/4
O leque da oferta enoturística das Carvalhas abre com a prova de vinhos na loja (à carta), acompanhada de petiscos regionais. A loja está aberta entre as 10h e as 13h e das 14h às 19h, no Verão; das 14 às 18h durante o Outono/Inverno. Há visitas guiadas em minibus (máximo 20 pessoas) com partida do Pinhão e horários fixos (10h, 12h, 15h, 17h – de terça a domingo entre Maio e Setembro; sob marcação no resto do ano). Custam 12,5 euros por pessoa (5€ crianças entre os 4 e os 11 anos). A visita Vintage, personalizada, está disponível todos os dias mediante marcação, custa 35 euros por pessoa e inclui prova de três vinhos no final. Refeições, piqueniques e caminhadas mediante marcação.

QUINTA DA GRICHA
Se em linha recta (leia-se: no mapa) a distância entre as Carvalhas e a Gricha parece diminuta, por estrada a tarefa é mais complicada. Nada de dramatismos: falamos de alguns
quilómetros, os últimos dos quais, reconheça-se, por estrada degradada e estreita com precipícios impressionantes à espreita. Mas é também esse o trunfo da recém-estreada Vineyard Residence da Quinta da Gricha, propriedade da Churchill’s… Aqui respira-se sossego e recolhimento.

Chegamos e é toda uma vertigem de linhas e rendilhados de vinha que se estende perante o olhar. Lá ao fundo, o Douro ainda brilha na luz doce do final da tarde – e só podemos imaginar como será a vista de lá de baixo… Na verdade, a viagem mais curta e mais gratificante para chegar a este recanto é mesmo pelo rio, rumo ao ancoradouro da Quinta de S. José, uma das várias de nome sonante que aqui se arrumam (Tecedeiras, Roriz, etc…), de onde podemos ser transportados até à Gricha, nome que deriva da palavra usada para descrever uma fonte que jorra das pedras.

E ela lá está, no ponto mais alto do espaço exterior da casa, presidindo, por entre muros de pedra e relvados, ao patamar que enquadra a piscina e a horta, bem como o terreiro das laranjeiras, locais de lazer e remanso onde um livro e um copo de vinho podem ser excelente companhia. São espaços independentes, mas comunicantes, formando um todo de grande harmonia e beleza, para mais cercados por este anfiteatro de céu azul e montanhas espectaculares.

A Vineyard Residence oferece alguns programas de actividades ao ar livre e sugere pontos de interesse para visitar, mas é sem surpresa que ficamos a saber que a maioria dos hóspedes
prefere mesmo é ficar quieta, gozando esta atmosfera de recolhimento. Talvez um dia, quando forem realizadas as obras de recuperação da verdadeira mãe de água e dos túneis que estão a montante da fonte, valha a pena dar uns passos para o lado e descobrir novas maravilhas. Por enquanto, está tudo aqui.

Ou não, porque se um copo de vinho se pode levar para todo o lado, chega uma altura em que apetece sentar à mesa. Antes, um passeio pela adega, com os seus lagares de granito esculpido, e uma boa conversa num dos grandes alpendres da casa – ainda e sempre a vista e o silêncio a comandarem as operações. A casa plana sobre as vinhas e as suas arrebatadoras geometrias, as paredes erguendo-se a meia encosta em tons de branco e cinzento, o laranja do telhado em vívido contraste com o mar de verde em volta.

Jantamos em ambiente familiar, sempre com belos vinhos por companhia, e regressamos ao alpendre para uma última dose de vertigem e silêncio, o pôr-do-sol ainda a reverberar em lampejos de luz sobre os cumes. A seguir, a escuridão instala-se e o céu acende-se de estrelas. Recolhemos aos quartos, espaçosos e confortáveis, mas despojados (não há TV nem ar condicionado – e quem for viciado em telemóveis tem de se esforçar para garantir rede…), com enormes casas de banho e duche espaçoso.

Está calor e temos de dormir de janela aberta. Tirando os grilos, não se ouve mais nada até ser de manhã e o sol voltar a iluminar esta paisagem extraordinária, agora apreciada de volta de um belo pequeno-almoço. A única má notícia é que temos de ir embora.

Morada: Quinta da Gricha, Ervedosa do Douro, 5130-108 S. João da Pesqueira
Tel: 254 422 136
Mail: quintadagricha@churchills-port.com
Web: www.churchills-port.com/quinta-da-gricha-vineyard-residence/
GPS: Latitude ºN – 41.18980; Longitude ºE – -7.47119
Os quatro quartos disponíveis custam, em média, 250 euros por noite para estadias mínimas de duas noites, com pequeno-almoço incluído. As refeições custam 45 ou 55 euros (para hóspedes e visitantes, respectivamente, incluindo a prova de 5 vinhos). As provas de vinhos ficam por 15 (Clássica, 5 vinhos) ou 40 euros (Ruby & Tawny Ports, 6 vinhos do Porto; ou The Gricha Terroir, 2 vinhos topo de gama). Há duas sugestões de tour – uma para
hóspedes, outra para visitantes, ambas envolvendo passeio de barco pelo Douro e com preços sob consulta.

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo já tem museu

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, muxseu

Chama-se Wine Museum Centre Fernanda Ramos Amorim, nasceu na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e é o mais recente museu do Douro. Com mais de 12.000 turistas anuais, o projecto enoturístico desta quinta situada na margem direita do rio, perto do Pinhão, que já contempla alojamento e restaurante, fica ainda mais completo. O […]

Chama-se Wine Museum Centre Fernanda Ramos Amorim, nasceu na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e é o mais recente museu do Douro. Com mais de 12.000 turistas anuais, o projecto enoturístico desta quinta situada na margem direita do rio, perto do Pinhão, que já contempla alojamento e restaurante, fica ainda mais completo.
O museu resulta do sonho da coleccionadora, Fernanda Amorim, de preservar a memória cultural da região do Douro, partilhando-a com todos os amantes de vinho que a visitam. O edifício foi desenhado por Arnaldo Barbosa, considerado um dos “arquitectos do Douro”, e os conteúdos estiveram a cargo da empresa de museologia MUSE, com a colaboração da Fundação Museu do Douro. O espólio reflecte a tradição secular do Douro, agora apresentada num acervo representativo do ciclo produtivo do Vinho do Porto, com peças dos séculos XIX e XX, reunidas ao longo de vários anos por Fernanda Ramos Amorim.

Quinta do Piloto inaugura alojamento

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A Quinta do Piloto, em Palmela, acaba de alargar a sua oferta enoturística com a inauguração de um alojamento local na casa da propriedade. Com capacidade para acomodar até cinco pessoas, a habitação está inserida numa antiga adega, com vista panorâmica sobre o Parque Natural da Arrábida, de um lado, e Lisboa e Vale do […]

A Quinta do Piloto, em Palmela, acaba de alargar a sua oferta enoturística com a inauguração de um alojamento local na casa da propriedade. Com capacidade para acomodar até cinco pessoas, a habitação está inserida numa antiga adega, com vista panorâmica sobre o Parque Natural da Arrábida, de um lado, e Lisboa e Vale do Tejo, do outro.
O espaço sugere o reencontro com a tradição vinícola, ideal para encontros com a família ou amigos. Com valores entre os 190 e os 200 euros, a casa acomoda até 5 hospedes distribuídos por três quartos (dois com cama de casal e um com cama individual). Inaugurado em 2015, o enoturismo da Quinta do Piloto oferece um vasto conjunto de programas, que incluem diversas provas de vinhos, visitas guiadas à quinta e uma série de actividades e eventos que decorrem ao longo do ano.

Red Frog, em Lisboa, é um dos 100 melhores bares do mundo

Red Frog bar, Lisboa

Pela primeira vez na história da lista “The World’s 50 Best Bars” há um bar português entre os melhores do mundo: o Red Frog, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa, aparece na 92ª posição na segunda metade da tabela, que divulga os classificados entre os lugares 51 e 100. Os melhores 50 serão anunciados […]

Pela primeira vez na história da lista “The World’s 50 Best Bars” há um bar português entre os melhores do mundo: o Red Frog, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa, aparece na 92ª posição na segunda metade da tabela, que divulga os classificados entre os lugares 51 e 100. Os melhores 50 serão anunciados no dia 5 de Outubro.
Para Emanuel Minez e Paulo Gomes, os proprietários do Red Frog, esta boa notícia não significa missão cumprida: “Abrimos o Red Frog com o objectivo de fazer o melhor bar em Portugal. Viajamos regularmente pelo mundo inteiro para percebermos todo o tipo de conceitos e tendências que existem lá fora, de modo a realizarmos um trabalho único a nível nacional. Estamos muito satisfeitos por entrar nesta lista, sendo que estamos a trabalhar diariamente para melhorar a nossa posição no ranking.”
O Red Frog é um bar fiel ao conceito “speakeasy”, nome dado aos estabelecimentos que vendiam álcool ilegalmente nos EUA durante os anos 20, quando vigorava a Lei Seca. Não há porta aberta para a rua (é preciso tocar à campainha) e toda a decoração remete para a época em que só se podia beber às escondidas. Fica na Rua do Salitre, 5A, e está aberto todos os dias menos ao domingo, a partir das 18h.

Uma voltinha pelo Dão

O calor começa a apertar e a frescura do Dão torna-se ainda mais apelativa. Num breve périplo por Nelas, Tondela e Mangualde, visitámos três destinos de enoturismo e perdemos o olhar por paisagens tingidas de verde. Boa cama, boa mesa, belos vinhos. E a sensação de que as coisas estão a mexer na região.   […]

O calor começa a apertar e a frescura do Dão torna-se ainda mais apelativa. Num breve périplo por Nelas, Tondela e Mangualde, visitámos três destinos de enoturismo e perdemos o olhar por paisagens tingidas de verde. Boa cama, boa mesa, belos vinhos. E a sensação de que as coisas estão a mexer na região.

 

TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga

PARA quem não está familiarizado com a região ou não liga muito a essas coisas, o enorme mapa em relevo colocado na parede da recepção das no­vas instalações da Lusovini, em Nelas, é uma aju­da preciosa. Representa a região do Dão e nele são bem evidentes os vales cavados dos três rios (Dão, Mondego e Alva) que correm por estas terras, todos alinhados num eixo Nordeste/Sudoeste. Mas também salta à vista a ver­dadeira cerca de montanhas que rodeia estas paragens de planalto: Nave, Pereiro, Estrela, Açor, Lousã, Buçaco e Caramulo, listadas no sentido dos ponteiros do relógio começando pelo Norte. Protegidos por esta fortaleza de pedra e água, há muitos segredos por descobrir.

O isolamento do interior é, como tudo, uma moeda de duas faces. Se, por um lado, garante autenticidade e ca­rácter, por outro, traz consigo alheamento e imobilismo. Os vinhos do Dão e os seus agentes enfrentam a tarefa, sempre dura, de combater a segunda metade da equação sem hipotecarem a primeira, que é uma mais-valia pre­ciosa nestes tempos de perigosa normalização. Durante muito tempo identificada como a região por excelência para fazer vinhos tranquilos de grande qualidade, o Dão deixou-se atrasar quando o vinho português começou a acelerar na sua era moderna. Mas reagiu, reorganizou fi­leiras e está a dar passos seguros no sentido de recuperar e reforçar o seu prestígio.

Quando um vinho do Dão (o Villa Oliveira Touriga Nacio­nal 2011, da Casa da Passarella) conquista o título de me­lhor vinho português no concurso anual da ViniPortugal, a região enche o peito de orgulho. Tanto mais que a região conquistou ainda outro prémio, o de melhor blend bran­co (Quinta dos Carvalhais Reserva 2012), tornando-se a única a subir por duas vezes a um pódio que só tem seis vagas… A qualidade continua lá e as consistentes apostas de mercado de alguns dos seus maiores operadores re­forçam essa certeza. O Dão está a ganhar balanço.

A vertente turística tem a sua quota-parte nesta evolução. Ainda há muito para fazer, sim, e os sinais de melhoria continuam a conviver com realidades mais arcaicas; mas os sinais são positivos e, na sequência do lançamento da Rota dos Vinhos do Dão, em 2015, a região assumiu a aposta no enoturismo como um factor de valorização. A rota, com várias dezenas de produtores, está dividida em cinco roteiros, mas as distâncias são curtas (estamos no interior de uma fortaleza, lembram-se?) e os acessos bastante razoáveis, pelo que não é difícil compor a nossa própria “expedição”. Foi o que fizemos, alinhavando um périplo por terras de Nelas, Tondela e Mangualde.

Lusovini, Nelas
Para quem entra em Nelas vindo de Viseu (e já depois de passar por Santar, um dos nomes mais icónicos da vitivini­cultura portuguesa), há uma novidade do lado direito da estrada. Onde antes encontrávamos a silhueta caduca do complexo da antiga adega cooperativa, vemos agora um edifício de linhas clássicas mas recuperado com porme­nores modernos. E vemos também os cartazes que nos convidam a entrar para nos sentarmos à mesa. O convite é irresistível e a Tasca da Adega merece bem a visita.

Mas antes de brandirmos o garfo e enchermos o copo, vamos conhecer melhor o trabalho que foi feito pela Lu­sovini na recuperação destas vetustas instalações, ago­ra transformadas num moderno centro de recepção de visitantes. Inaugurado em Setembro de 2016, o espaço abre-se em tons leves, chão em padrão de cortiça, móveis de pinho claro, uma barrica transformada em gigantesco balde de gelo – e onde, realçadas pela luz azul de fun­do, repousam as garrafas de espumante para a bebida de cortesia que é servida a todos os visitantes. Com mais de 30 graus lá fora, isto soa a paraíso.

Do lado direito da recepção, num edifício moderno, es­tão a loja (que se prolonga numa pequena esplanada ex­terior) e o restaurante; do lado esquerdo, a antiga adega. É por lá que começa a visita, depois de passarmos sob um pórtico que nos saúda em 11 línguas diferentes – e se algum dos quase 3.000 visitantes mensais não perceber o que está escrito, há sempre a linguagem universal de um sorriso. O primeiro espaço da visita (que é gratuita se não incluir prova de vinhos) exibe painéis de azulejo alusivos à faina do vinho e da vinha e daí uma porta conduz-nos à adega, com pipas de madeira, depósitos de cimento, salas com garrafas de espumante e uma divisão onde se podem organizar provas à sombra de velhos alambiques.

No andar superior podemos caminhar por cima das enor­mes cubas de cimento e debaixo de outras, novamente barricas em fundo e sempre, sempre, um ambiente de limpeza impecável, ainda mais notável quando falamos de um edifício antigo, que teve de ser milimetricamente recuperado e higienizado. É um local de trabalho – e para os visitantes tem esse apelo extra: o de mergulhar verda­deiramente numa adega e na sua vida quotidiana.

Regressamos ao restaurante e sentamo-nos para uma re­feição cuidada e informal. Servem-se apenas os vinhos da casa (ao preço da loja, com alteração do IVA), mas se alguém trouxer uma garrafa de fora também não há problema. Executivos de fato e gravata ou turistas de cal­ções e chinelos, todos se sentem à vontade neste espaço, explorado em parceria com a equipa do grupo Dux. O nome “Tasca da Adega” foi escolhido exactamente para dar o tom desta abertura de conceito: refeições ou petis­co, aqui toda a gente tem lugar.

Morada: Avenida da Liberdade, nº15, Areal, 3520-061 Nelas
Tel: 232 942 153 / 936 830 020
(Taberna da Adega: 919 001 166)
Mail: lusovini@lusovini.com; enoturismo@lusovini.com; tabernadaadega@lusovini.com
www.lusovini.com
GPS: 40°32’10.7 N; 7°51’17.7 W
A visita simples à adega (com bebida de cortesia – espumante) é gratuita; com prova de dois vinhos fica em três euros por pessoa, subindo para 5€ com mais um Vinho do Porto e para 7,50€ com petisco. Estas verbas são reembolsáveis em compras na loja (a partir de 30, 50 e 75 euros, respectivamente). Solicita-se marcação antecipada para grupos com mais de 15 pessoas. A taberna da Adega senta 45 pessoas e serve almoços e jantares todos os dias (jantares ao domingo apenas para grupos sob reserva). Durante a semana existe um menu executivo por 9,90 euros e o menu à carta tem um preço médio de 25 euros por pessoa. Servem-se petiscos.

Quintas de Sirlyn, Tondela
Mas se na Lusovini o ambiente se pretende despreocu­pado e informal, não há nada como a atmosfera de uma quinta familiar para nos sentirmos parte do local onde nos encontramos. Alguns quilómetros de estradas mais ou menos sinuosas por entre casas, bosques, vinhas e hortas e aproximamo-nos de Tondela. Rumamos às Quintas de Sirlyn, um nome que evoca contos de fadas por entre as brumas irlandesas, mas que, pragmaticamente, represen­ta apenas a contracção dos nomes das duas propriedades unidas nesta unidade: a Quinta das Cerejeiras e a Quinta de Linhar.

São seis hectares, 4,5 dos quais plantados com vinha, e uma casa (mais um anexo) no ponto mais elevado da sua­ve encosta que se estende a partir do IP3. Ainda não fize­mos as apresentações e já somos saudados pelo Faneco, o gato da casa que mais parece um cão, pela imediata relação de proximidade que estabelece com os forastei­ros. Augusto Teixeira e a mulher, Rosário, perceberam há algum tempo que a saída dos filhos para estudarem fora (agora estão ambos em Londres) lhes oferecia espaço dis­ponível na casa e decidiram abrir portas a quem quiser pernoitar na propriedade.

O movimento ainda não é muito, até porque Tondela não é bem o epicentro do enoturismo na região, e o que falta­rá em aprimoramento das instalações é largamente com­pensado pelo carácter genuíno da experiência. Jantamos ao fresco, no pátio da casa com vista para as vinhas, uma brisa contínua a sacudir os calores do dia. Rosário vive aqui com os filhos desde 2002, o marido só em 2009 en­cerrou uma carreira que o obrigava a viajar com regulari­dade (aliás, a família chegou a residir dois anos em meio em Sydney, na Austrália) e assentou armas e bagagens na propriedade que herdou dos pais.

Augusto, que era engenheiro na Alcatel, não se limita a tratar da vinha e dos vinhos e a gerir uma garrafeira em Tondela. Plantou árvores, organizou a quinta, promove (com a mulher) activamente os seus vinhos. E mantém vivo o “bichinho” da robótica… Garante que dentro de um ano poderá estar em condições de apresentar uma máquina de controlo remoto capaz de fazer muito do tra­balho “chato” nas vinhas, como cortar as ervas por entre as videiras.

Enquanto falamos à volta de um copo de vinho, a passa­rada recolhe-se nos arbustos que sombreiam a pequena piscina e a noite impõe a sua lei fresca e silenciosa. O olhar perde-se nas silhuetas das casas, bosques e vinhas – esta noite, os vestígios de fumo não permitem vislum­brar a horizonte de serranias que enquadra estes retalhos de Dão. Após uma noite tranquila no quarto simples mas bem arranjado, acordamos para a manhã nublada e faze­mo-nos novamente à estrada.

Morada: Avenida da Belavista, Santa Ovaia de Cima, 3460-020 Tondela
Tel: 965 130 695 / 232 848 176
Mail: geral@sirlyn.com
Web: www.sirlyn.com
GPS: 40,5501944; -8,056
A visita às vinhas com prova de um vinho custa 2,5€ por pessoa, subindo para 5€ com dois vinhos. Requer-se marcação prévia, para assegurar disponibilidade da família para receber. Pode-se pernoitar num quarto duplo (60 euros) ou numa suíte com dois quartos (80€), preços que, em qualquer dos casos englobam pequeno-almoço e prova de um vinho.

Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho, Mangualde
Este lote de experiências de Dão vai completar-se com uma visita ao Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho, encaixado nas instalações da Adega Cooperativa de Mangualde, um projecto que custou 100 mil euros (finan­ciado pelo Proder, o Programa de Desenvolvimento Rural) e foi inaugurado em 2015. Para quem não está muito por dentro deste mundo fascinante, o conselho é mesmo que se passe por aqui antes de entrar no circuito das quintas.

Uma parte das caves da adega, cuja gigantesca capaci­dade de armazenamento (7 milhões de litros) se distri­bui pelo edifício principal e por depósitos exteriores (uns antigos, de cimento, outros modernos, em inox), foi re­convertida para proporcionar um circuito didáctico que, numa linguagem extremamente acessível e directa, nos conduz pelo “bê-á-bá” da vitivinicultura.

Os visitantes, que entram por um salão onde se organizam encontros e conferências, são conduzidos pelos corredo­res da cave, por entre depósitos de cimento e vetustas paredes com mais de meio século, por onde circulam, quando é caso disso, os trabalhadores que se ocupam das tarefas normais de uma adega. Nas paredes, vários quadros temáticos abordam temas como o “Ciclo Vegeta­tivo da Vinha”, “Viticultura ou Cultivo da Vinha”, “Castas da Região”, “Doenças da Vinha”, “Vinificação de Vinhos Tintos”, “Vinificação de Brancos e Rosés” e por aí fora.

Escritos e ilustrados num estilo extremamente eficaz e linear (“Trabalhamos muito com o parque escolar da re­gião”, explica o presidente da Adega Cooperativa, An­tónio Mendes), os quadros são a introdução perfeita ao mundo dos vinhos para não iniciados. E o último, inti­tulado “A Prova”, pode mesmo servir de guia a quem acha que já sabe tudo, porque nos guia pela “Roda dos Aromas”, “Terminologia da Prova” e “Palete de Tonali­dades”…

De quadro em quadro, passamos por um corredor históri­co com fotos dos anos 40, decorado com uma linha de vi­deiras; apreciamos a antiga destilaria, com os alambiques e a caldeira; respiramos o peso dos grandes depósitos de cimento (25.000 litros), neste andar e no superior; viaja­mos no tempo levados pelas alfaias de outrora. À saída, encontramos a loja, espaçosa e de ambiente rústico, cuja localização – bem à beira da estrada N234, que liga Man­gualde a Nelas – garante um fluxo constante de clientes habituais, visitantes organizados e passantes ocasionais.

Apesar de ter perdido algum movimento desde que as entradas passaram a ser pagas, o Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho recebe, ainda assim, mais de um milhar de visitas anuais. E merece ter muitas mais.

Adega Cooperativa de Mangualde
Morada: Zona Industrial do Salgueiro, 3530-259 Mangualde
Tel: 232 623 845 / 964 768 754
Mail: enoturismo@acmang.com
Web: www.acmang.com/enoturismo
GPS: 40°36’10.0”N; 7°47’17.0”W
Existem cinco programas definidos de visita, com preços que vão dos dois aos nove euros por visitante (mínimo: 9 pessoas), sempre com oferta de uma garrafa de vinho ou brinde; e também a possibilidade de desenhar um programa à medida, mediante consulta prévia. É possível fazer as reservas on-line. Só o programa mais simples não carece de marcação antecipada – há visitas às 10h15, 11h30, 15h e 16h30 de segunda a sexta-feira. A loja está aberta aos dias de semana das 8h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h, aos sábados das 9h às 13h.

Bacalhôa: Um universo de arte e vinho

E paixão, acrescente-se. A Bacalhôa Vinhos de Portugal é a maior empresa de enoturismo em Portugal. Cinco destinos em quatro pólos diferentes, mas sempre com uma filosofia comum – fazer a ponte entre os vinhos e a arte. Modernidade e património histórico, num universo que nos leva pelo mundo ao sabor dos néctares de Portugal. […]

E paixão, acrescente-se. A Bacalhôa Vinhos de Portugal é a maior empresa de enoturismo em Portugal. Cinco destinos em quatro pólos diferentes, mas sempre com uma filosofia comum – fazer a ponte entre os vinhos e a arte. Modernidade e património histórico, num universo que nos leva pelo mundo ao sabor dos néctares de Portugal. E tudo isto a preços muito simpáticos. Imperdível.

 

TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga

QUANDO foi publicamente divulgado, no ano passado, que as caves do Vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia, tinham recebido mais de um milhão de visitantes em 2015, até os mais distraídos nestas coisas do enoturismo começaram a per­ceber a dimensão que o fenómeno já tem em Portugal. A verdadeira explosão de popularidade do país, em geral, e das cidades de Lisboa e Porto, em particular, nos roteiros turísticos, aliada à crescente notoriedade dos vinhos por­tugueses, alimenta esta indústria e abre perspectivas para um futuro ainda mais ambicioso. Mas se calhar há muito boa gente que não sabe o nome da empresa que mais aposta – e factura – neste terreno. Chama-se Bacalhôa Vi­nhos de Portugal e só à sua conta registou perto de meio milhão de visitantes em 2016.

O crescimento de 27 por cento no número de enoturis­tas de 2015 para 2016 é um número impressionante. Mas está longe de ser o único desta empresa que está presen­te em sete regiões vitícolas portuguesas, com 40 quintas, 1200 hectares de vinha própria, 40 castas diferentes, qua­tro centros vínicos e outros tantos núcleos de enoturismo (ou cinco, mas lá iremos), largas dezenas de referências no mercado e muitos milhões de garrafas produzidas anualmente. Mas os números são só a face mais visível do mundo Bacalhôa. Porque o lema da empresa – “Arte, Vi­nho, Paixão” – resume muito do que é o enoturismo hoje: um cruzamento de experiências e propostas que colocam o sector no cerne da sedução portuguesa.

A Bacalhôa é um gigante do enoturismo (ou do turismo, pura e simplesmente) nacional, mas continua a crescer e a enriquecer a sua oferta. A apresentação recente da nova “face” do Palácio da Bacalhôa, em Azeitão; a constante renovação das colecções artísticas e das propostas vínicas da empresa; a aposta que está a ser preparada nas insta­lações da Quinta do Carmo, em Estremoz. Tudo sinais de que ainda vamos ouvir falar muito desta empresa no que ao enoturismo diz respeito.

A “fúria” coleccionista de Joe Berardo, o homem forte da Bacalhôa, a sua constante preocupação com o detalhe e a vontade de fazer sempre mais e diferente permitem à empresa apresentar propostas interessantes e inovado­ras. Um museu instalado numas caves de espumante em plena laboração. Um jardim oriental com uma loja de quali­dade. Um palácio monumento nacional com vinhas dentro de portas. Sobreiros e instalações artísticas em mármore no coração do Alentejo. Uma sede de empresa em que os escritórios e as estufas de Moscatel dividem o espaço com exposições de arte. Adegas, salas de provas, espaços para eventos e vinhas belíssimas em diversos pontos do país. A Bacalhôa tem muito – e bom – para oferecer. Embarque­mos então numa viagem por este universo enoturístico.

Aliança Underground Museu
O pólo mais a norte deste roteiro é um espaço verdadei­ramente surpreendente. Para começar, porque está estru­turado como se de uma rede de Metro se tratasse, com túneis e “estações”; depois porque concilia num espaço mágico e sedutor a arte e a geologia, o vinho e a etnogra­fia, a azulejaria e a paleontologia; e, finalmente, porque consegue oferecer uma experiência intimista num local onde se trabalha. Por vezes à luz de castiçais recuperados de um hotel de luxo desactivado na Linha do Estoril, é certo, mas sempre um local de trabalho.

Quem olha de fora para o edifício das Caves Aliança, em Sangalhos, não imagina o que o espera no subsolo. Ac­tualmente, há nove colecções distintas que nos transpor­tam ao longo da história do planeta. Dos vetustos fósseis de trilobites, os artrópodes marinhos que dominavam a vida na Terra há mais de 500 milhões de anos, às escul­turas contemporâneas do Zimbabwe. Das pedras semi­-preciosas e outras amostras minerais de beleza cativante aos azulejos, aqui representados por obras cujo horizonte temporal se estende por cinco séculos. Da sedutora arte africana aos vestígios arqueológicos. Obras em estanho. Cerâmica das Caldas.

Mas também vinho. E aguardentes – estas repousam no lo­cal mais fundo das caves, uma enorme nave onde se empi­lham centenas de barricas, num cenário de Indiana Jones. Os vinhos, esses espreitam por todo o lado. Em pilhas nos corredores (como no chamado túnel do espumante), nas pipas que ocupam uma boa parte do espaço da Estação Central, na sala de provas e na loja, à saída. E tudo isto pontuado por recantos intimistas (salas pequenas onde se podem organizar reuniões ou jantares), cenários inespera­dos (como o Pink Room, onde já se celebraram casamentos sob a luz filtrada por cristais cor-de-rosa), grandes espaços (com capacidade para sentar algumas dezenas de pessoas, várias dezenas ou até centenas) e, sempre, muitos porme­nores de decoração verdadeiramente surpreendentes.

Pela (necessariamente sumária) descrição facilmente sepercebe que a visita ao Aliança Underground Museu, apresentado como o único museu subterrâneo português, não deixa ninguém indiferente. Uma equipa de acolhi­mento motivada e conhecedora enquadra a experiência e ja se tornou piada da casa apostar quantas pessoas se mostrarão surpreendidas no final quando lhes comunicam a distância percorrida ao longo das galerias…

À saída aparece sempre um espumante a jeito para brin­dar (há provas mais alargadas no menu) e, com a loja mes­mo ao lado e alguns preços bem apetecíveis, é quase im­possível não levar para casa um bocadinho deste mundo de Alice no País das Maravilhas.

Bacalhôa Buddha Eden
Se os 70.000 visitantes anuais do Aliança Underground Museu são muito respeitáveis, o que dizer dos 300.000 que em 2016 rumaram ao Bacalhôa Buddha Eden, o maior jardim oriental da Europa? Instalado na Quinta dos Loridos, no Bombarral, foi criado em protesto contra a destruição dos Budas Gigantes de Bamyan, no Afega­nistão, arrasados pelo fanatismo religioso dos taliban. Começou a receber visitantes em 2005, foi crescendo e variando a sua paisagem e hoje é um complexo de mais de 35 hectares onde se conjugam paisagem e criações humanas numa atmosfera única.

A maciça cabeça da estátua do Buda gigante que encima uma das arborizadas colunas do complexo é visível desde longe e dá o mote para o que podemos esperar assim que franqueamos as portas de entrada. Dá o mote, mas não nos prepara para a espantosa variedade de per­pectivas e pormenores que nos enchem de imediato o horizonte visual. Mais de seis mil toneladas de mármore e granito foram utilizadas para dar corpo a uma multidão de esculturas espalhadas por entre a vegetação e à volta do lago central, onde pontuam um pagode e, por estes dias de Primavera, uma família alargada de gansos.

Mas há mais, muito mais. Uma falange de 600 soldados de terracota pintados à mão, emulando o exército des­coberto na província de Shaanxi, junto ao túmulo de Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China. Esculturas em pedra do povo Shona, do Zimbabwe, retratam pessoas e animais numa moldura composta por um milhar de pal­meiras. Mais acima, um bosque de bambu pontuado por peças de arte moderna pertencentes à colecção Berardo (e que são regularmente substituídas, proporcionando sempre um olhar diferente a quem regressa ao local). Bu­das dourados em repouso junto à escadaria em mármore, peça central do complexo.

Enquanto as carpas asiáticas se bamboleiam pelas águas do lago, há toda uma vida que decorre nas colinas em redor – e ainda com mais intensidade numa zona de bos­que propositadamente deixada em estado quase natural. Os planos de água dão o toque de frescura tão necessá­rio nos meses de maior calor, as árvores formam sombras acolhedoras, o murmúrio das cascatas serve de fundo às vocalizações da passarada. De vez em quando, lá passa o pequeno comboio das visitas, o único veículo que circula no jardim.

Paz e tranquilidade. Mesmo com centenas de visitantes todos os dias, há sempre aqui um cantinho para cada um. Para meditar ou namorar, ler ou dormitar, respirar fundo e recarregar baterias. E se a passagem pelos painéis junto à vinha (onde se conta a história do vinho) lhe abriu o ape­tite, uma passagem pela moderna e muito bem organiza­da loja do grupo Bacalhôa permite resolver o problema. Opções não faltam.

A Quinta dos Loridos é, também, um sítio excelente para eventos. Há espaços que albergam desde 80 a 250 pes­soas e um extraordinário terreiro interior com relvado que permite organizar quase tudo, seja um arraial típico ou um espectáculo musical. Para carteiras mais fornecidas existe ainda a possibilidade de alugar o solar para passar uns dias entre os vinhos e a Natureza, com vista para o Oriente. Se não dispuser no momento de uns milhares de euros, fica o conselho: abra uma garrafa de vinho e sente­-se à sombra. A vida não tem de ser cara para valer a pena.

Quinta do Carmo
O Buddha Eden foi a primeira infra-estrutura turística do grupo Bacalhôa a abrir portas de forma estruturada e com entradas pagas. Encerrada a ronda a norte de Lisboa, ini­ciamos a voltinha sul com uma visita ao membro mais novo do grupo. Nos arredores de Estremoz, as vinhas à beira da estrada conduzem-nos o olhar para a esbelta silhueta branca da Quinta do Carmo, onde se situa o centro de vinificação do grupo para os vinhos alentejanos (3,5 milhões de garrafas por ano) e onde, em breve, uma bela surpresa aguardará os visitantes.

Aqui o enoturismo ainda é residual. Mas os enormes blo­cos de mármore (a pedra símbolo da região) que se em­pilham entre os sobreiros (outro ícone destas paragens) em breve poderão contar outra história. Estas torres desi­guais em pedra serão pintadas e decoradas (uma ou outra já exibe cores vibrantes) e funcionarão como elemento­-surpresa de um destino turístico bem mais “institucional” do que é regra no grupo Bacalhôa. Onde se lê “institu­cional”, não se leia, por favor, “desinteressante”. Longe disso. A Quinta do Carmo é um edifício senhorial muito bonito, com uma vista extraordinária para a serra d’Ossa (653 metros de altitude) e um enquadramento cuidado de jardins e espaços verdes. Mas é também uma enorme proriedade agrícola de quase mil hectares, 350 dos quais ocupados com montado e 150 com vinha.

A magia do silêncio (especialmente notável na ruína que se mira no espelho de água da represa e onde, comenta­-se à boca pequena, ficaria mesmo bem um restaurante…) está por todo o lado, neste Alentejo imenso e harmonio­so. Ao fundo da propriedade, a ribeira de Tera marca a di­visão entre as bacias hidrográficas do Tejo e do Guadiana. Sobreiros gigantescos esticam os braços em direcção ao céu, enquadrando lençóis de vinha – e já se faz vinho por estas paragens desde, pelo menos, os finais do século XIX.

A casa principal da quinta tem tudo para funcionar como complexo residencial – espaço, autenticidade, mobiliário e arquitectura, uma vista extraordinária – e existem planos para instalar aqui um conjunto de suítes. Mas a prioridade é mesmo terminar a decoração das instalações em pedra que prometem dar à Quinta do Carmo uma identidade única. Criada essa imagem de marca, e apostando no tra­balho nas redes sociais (área em que se sente particular­mente confortável), o grupo Bacalhôa apostará então na divulgação de um destino enoturístico que fica mesmo na rota dos espanhóis que apontam a Lisboa por estrada.

Ao ritmo das palavras e dos projectos, eis-nos já no in­terior da adega, onde se trabalha com meios modernos em grandes volumes, mas também se encontram quatro talhas reservadas a um exercício de microvinificação. Por­que, lá está, o vinho é uma arte e uma paixão.

Palácio e Sede da Bacalhôa
De Estremoz a Azeitão, a estrada é boa e a ligação faz-se bem a tempo de começar a pensar no almoço… que está prometido para o Palácio da Bacalhôa. Mas antes ainda há tempo para uma visita à sede do grupo, também ali às portas de Azeitão, na Quinta da Bassaqueira, onde 300 hectares de vinha (quase metade de Moscatel, uma das castas-bandeira da Península de Setúbal) rodeiam o edi­fício hexagonal que alberga os escritórios e a plataforma logística de expedição, mas também – e como não po­dia deixar de ser – exposições de arte e surpresas a cada passo.

Comecemos pelo exterior, onde oliveiras milenares vin­das do Alqueva nos saúdam e conduzem ao jardim japo­nês, espaço para obras de arte moderna e uma pequena árvore Kaki (um diospireiro), neta da única sobrevivente da bomba atómica lançada sobre Nagasaqui em 1945. O jardim, onde os inesperados ramos azuis de uma árvore artisticamente intervencionada (a “árvore do amor”) relu­zem por entre bambus, é de visita livre e conduz à sala de provas e à loja.

No interior do edifício, somos levados num circuito que passa sucessivamente por uma exposição de arte e etno­grafia africana (Out of Africa), uma homenagem à Rainha Ginga (a mesma do romance de José Eduardo Agualusa) onde encontramos cerca de 700 peças de 15 países; uma amostra da maior colecção privada de azulejos em Portu­gal (do século XVI até à actualidade); e o espaço What a Wonderful World, composto por mobiliário, decoração, esculturas e cerâmicas dos loucos anos 1920, uma festival de sentidos em Art Nouveau e Art Deco. Pelo meio, o vislumbre de uma das estufas de Moscatel, com centenas de barricas, e duas extravagantes portas indianas em ma­deira esculpida, separando as alas museológicas.

Azeitão constitui o quarto pólo turístico da Bacalhôa, mas este é um polo com dois epicentros: a sede e, ali a menos de dois quilómetros, o Palácio, monumento nacional. A constante e intensiva pesquisa levada a cabo pela equipa própria da empresa permitiu recuar em séculos a defini­ção das origens do edifício e a história da propriedade. Aqui encontram-se vestígios romanos, o primeiro azulejo datado em Portugal (na casa do lago, um retiro romântico sobre um espelho de água e contíguo ao jardim onde os buxos desenham arabescos de verde por entre muros seculares), vinhas e todo um ambiente de harmonia que nem vale a pena tentar descrever por palavras.

Recentemente remodelada e enriquecida, a visita ao Palácio permite ver e ouvir muito do que foi a história de Portugal nos últimos séculos (vários reis da dinastia de Avis foram proprietários do edifício e da quinta), mas também conhecer episódios mais ou menos pícaros da vida nos tempos da realeza, descobrir uma arquitectura moldada pelas influências trazidas das constantes viagens portuguesas pelo mundo e também apreciar obras de arte contemporânea.

É numa varanda panorâmica, pairando sobre séculos de história e histórias, que encerramos a viagem pelo universo turístico da Bacalhôa Vinhos. Mesmo sem contemplar ain­da a vertente alojamento, o grupo oferece um panorama variado e riquíssimo de propostas turísticas em cinco locais distintos, distribuídos por quatro regiões vinícolas. Mais do que apenas Portugal, é o mundo que se encontra aqui.

Preços muito acessíveis
Há poucos limites para o que se pode fazer e organizar nas instalações dos destinos enoturísticos da Bacalhôa Vinhos. Existe um leque vasto de opções, com preços sob consulta, e a multiplicidade de espaços disponíveis, bem como a abertura da equipa a novas ideias, são verdadeiros desafios à imaginação. Dos programas mais exclusivos às visitas mais simples, há sempre nestes cinco destinos uma resposta para todas bolsas, com preços muito acessíveis na base da pirâmide.

• Palácio da Bacalhôa (visita guiada): 4 euros
• Museu Sede (visita guiada + prova): 3 euros
• Palácio + Museu (visita guiada + prova): 6 euros
• Bacalhôa Buddha Eden (visita livre): 4 euros
• Bacalhôa Buddha Eden (bilhete do comboio): 3 euros
• Aliança Underground Museu (visita guiada + prova): 3 euros
• Quinta do Carmo (visita guiada + prova): 5 euros