Monte d’Oiro: Pioneiro da moderna Lisboa

Quinta do monte d'oiro lisboa

Apesar da história destes vinhos não ser tão antiga assim, estes já têm idade suficiente para terem conhecido modas e tendências do sector, algumas hoje arrumadas na prateleira. Quando Bento dos Santos se iniciou nesta aventura estávamos na era Parker, o que quer dizer que se usava e abusava de madeira nova nos vinhos, na […]

Apesar da história destes vinhos não ser tão antiga assim, estes já têm idade suficiente para terem conhecido modas e tendências do sector, algumas hoje arrumadas na prateleira. Quando Bento dos Santos se iniciou nesta aventura estávamos na era Parker, o que quer dizer que se usava e abusava de madeira nova nos vinhos, na altura uma virtude muito celebrada. Na região de Lisboa, então ainda à procura do melhor rumo para os novos tempos, não havia, por exemplo, vinhos da casta Syrah e foi um verdadeiro sarilho, dizem-nos, conseguir aprová-los na CVR.

Quem fala de Syrah pode falar de Viognier, outra variedade à época inexistente na região. Olhando agora à distância de quase 30 anos tudo nos parece inacreditável. Mas foi assim, primeiro estranhou-se e depois entranhou-se e, hoje, aquelas castas são meninas bonitas em toda a região. No Monte d’Oiro houve, desde sempre, mais opções e outras castas acabaram por marcar presença, como são os casos da Arinto, Marsanne, Touriga Nacional e Tinta Roriz, por exemplo. A região, não muito afastada da costa atlântica, ondulada por natureza e ventosa por desígnio, tem excelentes condições para a produção de vinho, mas há que escolher bem as parcelas em função da orientação solar, da drenagem dos solos e da constituição dos mesmos.

Não se estranha assim que a mesma casta tenha comportamentos diferentes, dependendo do local onde está plantada, da produtividade por hectare e depois, já na adega, da forma como é trabalhada. A quinta tem certificação biológica e os vinhos têm-se revelado com muito boa consistência de qualidade. Dos tempos da dupla passagem em madeira nova só sobra a memória; hoje procura-se o equilíbrio entre madeira nova e usada por forma a garantir a elegância do produto final, algo válido quer para brancos quer para tintos. Mas, é de toda a justiça dizê-lo, dos tempos em que não havia certificação e em que o conhecimento da quinta não era “ao centímetro” como é hoje, ainda nos chegam grandes vinhos. Tivemos oportunidade de provar (e neste caso, beber…) dois tintos Quinta do Monte d’Oiro Reserva (1999 e 2008) e dois Têmpera (Tinta Roriz) de 2001 e 2012. Notável evolução, perfeito balanço e muito prazer na prova passados estes anos. É essa também a virtude do vinho, sempre pronto a surpreender-nos.

No portefólio da quinta temos agora dois vinhos rosé, um deles de mais pretensão – o Reserva – com estágio em barrica usada e 9 meses em garrafa antes de ser comercializado. O Reserva tinto é sempre um vinho que incorpora cerca de 4% de Viognier em co-fermentação, uma prática importada do Rhône e que muita confusão, acreditamos, terá feito a quem aprovava os vinhos nos anos 90. Os brancos também estão distribuídos por duas categorias com o Reserva a ser parcialmente (60%) fermentado em madeira, ente barricas novas e usadas. É desta forma que ele adquire o equilíbrio que agora nos revela. Também os tintos têm dois patamares, com o Reserva a mostrar que já encontrou o seu modelo, agora muito mais focado na elegância do que na potência. Depois continuam os vinhos varietais que são selecções parcelares – Arinto, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Petit Verdot, Parcela 24 e ex-eaquo.

A melhor surpresa estava reservada para um Arinto de 2019 que teve estágio de 28 meses em barrica única. Este branco demonstra que a casta tem uma enorme plasticidade e que se mostra muito bem na região que lhe esteve na origem, Lisboa. Pena mesmo é serem tão poucas garrafas, uma vez que está claramente vocacionado para ser um sucesso. O que se espera é que sirva de incentivo para futuras edições, com o mesmo perfil.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2023)

 

Soalheiro: Experimentar, aprender, evoluir

Soalheiro

Para uns, clássico, para outros, moderno. É assim o produtor Soalheiro, a causar, desde que os irmãos António Luís e Maria João Cerdeira pegaram no projecto familiar, fundado pelos pais em 1982, diferentes interpretações e emoções nos consumidores de Alvarinho de Monção e Melgaço (e não só). Tudo depende dos vinhos nos quais se coloca […]

Para uns, clássico, para outros, moderno. É assim o produtor Soalheiro, a causar, desde que os irmãos António Luís e Maria João Cerdeira pegaram no projecto familiar, fundado pelos pais em 1982, diferentes interpretações e emoções nos consumidores de Alvarinho de Monção e Melgaço (e não só). Tudo depende dos vinhos nos quais se coloca o foco: por um lado, os Soalheiro “Clássico”, Reserva, Allo, Primeiras Vinhas ou Germinar; por outro, referências como Terramatter ou Nature, e até mesmo o Granit que, segundo Luís Cerdeira foi, na verdade, um dos primeiros sintomas da veia experimental e curiosa da equipa técnica da casa. “Tanto podemos considerar que somos o novo do Velho Mundo, ou o velho do Novo Mundo”, afirma o produtor.

Mas é agora que esta componente vem ao de cima com mais força, com o Soalheiro a apresentar ao público e à imprensa uma gama de vinhos feitos, na sua adega, com processos de vinificação que não ‘«são tão familiares, alguns deles produzidos, inclusive, em parceria com outros enólogos. Uma parte destes vinhos está já no mercado, e a outra vai (pelo menos por agora) ficar retida como instrumento de estudo e consumo não comercial.

“O Clássico Aguça o Engenho” foi o nome dado a esta viagem e aprendizagem, descrita assim pela equipa do Soalheiro: “A busca constante de conhecimento, e de vinhos que exprimam a riqueza que o território nos oferece, permanecerá, e é com esse conhecimento e engenho que os clássicos se fortalecem e se tornam intemporais”. Luís Cerdeira, que além de proprietário é responsável de enologia (apoiado pela enóloga residente Asun Carballo), explica a máxima, e recorda que “muitas coisas mudaram ao longo destes 40 anos, mas o nosso espírito criativo, curioso e exigente continuará sempre alimentar a nossa atitude, a sustentar a qualidade e consistência do que aqui criamos e a inspirar o projecto Soalheiro a valorizar o território”. Segundo Maria João Cerdeira, isto passa por dar ainda mais importância aos solos. “Este trabalho de valorização dos solos é recente e ainda há muito a fazer, mas foi também para isso que fundámos o Clube de Viticultores do Soalheiro, em 2004, para que houvesse maior partilha de conhecimento e recursos, porque só assim é que evoluímos”, desenvolve a responsável de viticultura. Actualmente, o Clube de Viticultores integra cerca de 150 famílias.

Além da colheita mais recente do Soalheiro que a casa apelida de “Clássico”, o Alvarinho de entrada de gama e um dos rótulos mais importantes (talvez o mais importante) para o negócio do produtor, na prova foram apresentados outros 10 vinhos. Dos que estão disponíveis no mercado, provou-se o Mosto Flor 2021 — “um Alvarinho feito a partir das gotas que escorrem das uvas antes da primeira prensagem”, ou seja, cujo mosto é obtido apenas a partir da pressão originada nas uvas quando estas são introduzidas na prensa, fermentando depois em inox — o Ag.hora Alvarinho 2021 — produzido em parceria com o enólogo georgiano Gio, inspirado no estilo de vinificação tradicional da Geórgia, fermentando em Terracota com leveduras espontâneas, onde faz maceração pelicular e volta para estagiar após prensa — o Pet Nat Alvarinho 2022 — excelente exemplar da categoria com rótulo igualmente bem-conseguido, uma nuvem branca em céu azul celeste, que transmite tranquilidade, leveza e expressividade — o Alvorone 2020 — Alvarinho criado em parceria com a Vinhos APRT3 “ao estilo Amarone, com as uvas desidratadas para concentrarem os açúcares e os ácidos, prensadas cerca de um mês depois”, antes de fermentarem e estagiarem um ano em barricas novas e mais 6 meses em inox — o Revirado 2020, já provado na edição de Abril — Alvarinho de solo granítico de encostas montanhosas a 400m de altitude, fermentado e muitas vezes “revirado” em barricas rotativas — e o Pé Franco 2020 — um Alvarinho que provém de vinhas não-enxertadas, plantadas há 10 anos em solo arenoso, fermentado com as películas e estagiado em barrica.

No que toca às experiências que por agora ficam apenas na “Cave de Inovação” do Soalheiro, falamos do Solo Limoso — um Alvarinho que nasce numa vinha “junto às margens graníticas e escavadas do rio Minho, em solo com grande percentagem de limo”, que fermentou em foudre e cuba de inox, e estagiou em barrica e ovo de inox — o Pet Nat Loureiro e o Pet Nat Alvarelhão — o primeiro com uvas de Valença e o segundo de uma vinha velha — e o De[Feito] — “blend feito das tinajas e terracotas de Loureiro e Alvarinho, estagiado mais de um ano em inox com as borras”, um vinho assumidamente “marado”, mas mostrado na mesma pois, segundo Luís Cerdeira, “inovar significa fazer novo, arriscar, e nem sempre corre bem!”…

(Artigo publicado na edição de Maio de 2023)

 

Sugestão: Os (outros) licorosos de Portugal

licorosos

Se estivéssemos a fazer um script para um filme sobre este tema, poderia ser mais ou menos assim: Cena 1: Um grupo de amigos a fazer uma prova de vinhos. Eu também estava presente. Coisa caseira, sem pretensões, apenas para desfrutar o vinho e, como dizem em Angola, estar junto. A certa altura, e após […]

Se estivéssemos a fazer um script para um filme sobre este tema, poderia ser mais ou menos assim:

Cena 1:
Um grupo de amigos a fazer uma prova de vinhos. Eu também estava presente. Coisa caseira, sem pretensões, apenas para desfrutar o vinho e, como dizem em Angola, estar junto. A certa altura, e após alguns vinhos terem sido degustados em prova cega, eu trouxe para a mesa um vinho já decantado. Retinto, percebia-se que era um generoso. De imediato começou o jogo: Porto Vintage ou LBV? Logo aí houve alguma controvérsia porque não era evidente se seria de um tipo, ou de outro. Pelo perfil logo se puseram de lado quer os Madeira quer os Moscatéis; era claramente um vinho retinto engarrafado novo. O segundo momento foi tentar perceber quem seria a casa produtora: seriam empresas inglesas de vinho do Porto, seria um perfil mais tradicional português? Se sim, qual poderia ser a empresa? Novamente várias opiniões, tudo algo baralhado. Resultado da prova: não era um vinho do Porto, era um licoroso de Borba!

Cena 2:
Almoço no Porto, no restaurante Gaveto. Convidador: Dirk Niepoort. À mesa estaríamos uns 8 ou 10, quase todos ligados ao vinho do Porto e vários da própria empresa. Para a sobremesa, Dirk serve o vinho às cegas: logo ali a primeira discussão foi se seria Niepoort ou de outra firma. Um dos presentes, o senhor Nogueira – “cheirista” encartado da Niepoort e já então acabado de se reformar, vaticinou: este seguramente não é o estilo Niepoort! A conversa continuou, a cada cabeça sua sentença. Resultado: era um licoroso da África do Sul, apelidado de Cape Fortified. Vinho notável, a todos os títulos, se a memória não me falha.

Cena 3:
Tenho em minha casa para jantar Dirk Niepoort e David Guimaraens, então acabados de chegar a Lisboa após uma passeata de mota pelo país, uma versão Easy Ryder do séc. XXI. A certa altura do serão servi um vinho bem carregado na cor, rústico de perfil, mas impressionante no conjunto. Ambos entraram em modo de dúvida, sobre que tipo de Porto seria e de quem, ou seja, a conversa do costume nestas coisas das provas cegas. Às tantas um deles, que não recordo quem, disse: espera, este é capaz de ser o licoroso do Mouchão que provámos ontem quando estivemos na herdade! Era mesmo!

 

 

sugestão licorosos

Eram dezenas as destilarias no Bombarral e a grande quantidade de aguardente produzida destinava-se ao Porto e, também, aos licorosos locais.

 

 

 

Vamos casar mosto com aguardente?

As três cenas ajudam-nos a perceber que o universo dos licorosos pode ser desafiante. Podemos encontrar um de dois perfis que, ainda mais, ajudam a confundir com o “universo” Porto; um perfil engarrafado mais jovem e que lembra, de facto, um Vintage ou LBV, e um outro tipo, mais longamente envelhecido em casco e que pode fazer-nos pensar se não estaremos perante um Porto Tawny ou, em alguns casos, um Madeira.
Há razões que ajudam a perceber porque é que nos podemos enganar; em primeiro lugar, as castas: o tal licoroso de Borba era feito de Aragonez e o licoroso da África do Sul era elaborado com castas do Douro, para lá levadas em tempos idos. Se a este “factor casta” juntarmos a forma como são feitos, ou seja, interrupção da fermentação por adição de aguardente vínica, igual à que se usa para vinho do Porto, percebemos melhor que todos estamos desculpados por termos sido iludidos com o licoroso.

Alguns dos vinhos aqui provados entram na designação Abafado: tratam-se de licorosos em que, cumprindo o que a legislação determina, se interrompe a fermentação no início da mesma, por adição de aguardente; se o mosto não chegar mesmo a fermentar, então estamos perante uma Jeropiga.
Algumas casas – como a Companhia Agrícola do Sanguinhal ou o Mouchão têm já uma história secular na produção de vinhos licorosos. No Mouchão a tradição remonta ao início do séc. XX (1901) e, no caso do Sanguinhal há que lembrar que a firma de Abel Pereira da Fonseca, ainda nos finais do séc. XIX, tinha uma empresa de vinho do Porto; e a partir do momento em que adquiriu as 3 quintas na zona do Bombarral – Sanguinhal, Cerejeiras e S. Francisco – dedicou-se a produzir vinhos licorosos. Estávamos então na segunda década do séc. XX. Além desta grande empresa, outras como os Patuleia e Vinhos Bernardino eram destiladores de aguardente. Eram dezenas as destilarias na região e enorme a quantidade de vinhos que ali eram “queimados”; a aguardente destinava-se sobretudo a beneficiar o Vinho do Porto. Era assim tentador fazer algo semelhante nos vinhos da região. Na Companhia Agrícola do Sanguinhal a tradição manteve-se até hoje e as reservas mais antigas que são usadas na preparação dos lotes têm, segundo o actual proprietário, mais de 80 anos.

Já no caso das adegas cooperativas estamos em crer que o desejo dos sócios de terem um vinho de sobremesa, não para imitar nem substituir o vinho do Porto, mas que pudesse ser a expressão das virtudes da região, levou à proliferação deste tipo de vinho um pouco por todo o país, incluindo Tejo e Algarve, onde os licorosos chegaram a ter alguma projecção.
Enquanto consumidores que somos, não devemos perder de vista o que, de original, se vai fazendo aqui e ali. Nota final: estes, como outros vinhos do mesmo tipo, devem ser consumidos frescos. E se tem a sua garrafa há muito tempo em casa (há que a conservar ao alto), não hesite em decantar primeiro porque pode ter criado depósito no fundo da garrafa. Boas provas!

 

(Artigo publicado na edição de Maio de 2023)

Costa Boal Family Estates: Família com nome de casta

costa boal

A história da Costa Boal mostra como uma abordagem clássica aos vinhos e à vinha, herdada por gerações anteriores, pode ser combinada com a modernização do negócio e das técnicas, para produzir vinhos de qualidade excepcional. António Boal iniciou a actividade vitivinícola no Douro, no planalto de Alijó, onde a sua família já trabalhava vinhas […]

A história da Costa Boal mostra como uma abordagem clássica aos vinhos e à vinha, herdada por gerações anteriores, pode ser combinada com a modernização do negócio e das técnicas, para produzir vinhos de qualidade excepcional.
António Boal iniciou a actividade vitivinícola no Douro, no planalto de Alijó, onde a sua família já trabalhava vinhas para empresas exportadoras desde 1857. No entanto, foi na cidade de Mirandela, na região de Trás-os-Montes, onde cresceu e constituiu família, que decidiu comprar um terreno em 2011, que incluía uma vinha bastante antiga. Boal tinha a intenção de replantar a vinha, mas foi aconselhado por um amigo a experimentar as uvas da vinha velha em barricas novas, o que levou, para sua surpresa, à produção do seu primeiro vinho, lançado em 2013, o Flor do Tua Grande Reserva 2011. Nascia assim um (novo) projecto familiar com DNA verdadeiramente transmontano, Costa Boal Family Estates, que, desde então, tem surpreendido pela qualidade crescente dos seus vinhos — hoje com assinatura enológica de Paulo Nunes — num portfólio variado em perfis, regiões e castas.

Entretanto, com a aquisição de mais vinhas, a Costa Boal produziu, em 2014, um Porto Vintage e o primeiro Palácio dos Távoras, marca para os vinhos D.O.C. Trás-os-Montes, a par de Flor do Tua e Quinta dos Távoras. Nesta região, o produtor tem 14 hectares de vinha com 67 anos, e um hectare de vinha centenária, em Sendim, mesmo junto à fronteira com Espanha. O enólogo consultor Paulo Nunes, actualmente um dos mais expressivos da cena vínica nacional, confessa que foram as vinhas velhas da Costa Boal que o convenceram a aceitar o convite para liderar a equipa de enologia residente. A adega, por sua vez, é mesmo na zona urbana de Mirandela, uma unidade descomplicada e pragmática que serve perfeitamente o seu propósito: fazer vinho de qualidade.
Já no Douro, a Costa Boal detém cerca de 40 hectares, entre Alijó, Murça e Vila Nova de Foz Côa. É também em Alijó, a 400m de altitude, que se encontra a adega antiga da família, com mais de 150 anos de idade, um edifício muito bonito erguido em lâminas de xisto. Esta adega mantém os tradicionais lagares de granito, nos quais ainda se faz pisa a pé das uvas com destino aos melhores vinhos da casa, e “esconde” vinhos do Porto antiquíssimos, relíquias mantidas pela família em nobre descanso.

O significado da Família

Basta passar algumas horas com António Boal para perceber que a família é o pilar mais fundamental da sua empresa. A proximidade, o comprometimento e o forte sentido de propósito da Costa Boal são valores nutridos num núcleo familiar onde se insere António, a companheira Raquel e a filha Carolina, ambas envolvidas no projecto, acompanhados pelos três cães Serra da Estrela, Flor, Tua e Côa.
Carolina Boal, apenas com 17 anos, já integra um curso de enologia e viticultura e não se vê a fazer outra coisa. A energia que emana, e a obstinação e disciplina que mostra, asseguram que será o futuro da Costa Boal. Desde muito pequena que afirma querer ser produtora de vinho. Quando tinha 5 anos, já era difícil tirá-la de uma vinha recém-plantada, e por isso essa parcela de Baga recebeu o nome de Parcela CB, as suas iniciais. O pai, claramente orgulhoso, olha para Carolina como se esta fosse todo o seu mundo, e é esta dinâmica que dá ao projecto uma identidade muito própria e o alicerça.

 

António Boal tem 43 anos. Nasceu em 1979, em Cabeda, Alijó, numa rua que hoje se chama Rua Bernardino Boal, membro da sua família e um dos fundadores da Casa do Douro. Esteve sempre ligado ao vinho e à terra, por influência do pai, e começou a sua formação na Escola Agrícola do Rodo, no Peso da Régua, antes de ingressar em Engenharia Alimentar, em Mirandela. Acabou por se apaixonar por (e em) Mirandela, onde se casou, e por isso resolveu comprar ali um terreno com vinha em 2011, ano de fundação do projecto Costa Boal Family Estates. “O meu pai dizia-me muitas vezes que, para mandar, é preciso saber fazer, e hoje dou-lhe toda a razão”, confessa. “Graças a ele sei fazer tudo na vinha, menos uma tarefa, que é enxertar”. António Boal criou os vinhos Costa Boal Homenagem em honra do pai. Recentemente, ganhou um novo hobby, que o faz feliz: andar de bicicleta pelos montes.

 

A expansão

A mais recente novidade da empresa, a nível de negócio, foi a expansão para uma região totalmente diferente da de origem: em 2021, a Costa Boal deu um pulo para Estremoz, no coração do Alentejo vitivinícola, como parte da sua estratégia de crescimento. Em Estremoz — a sub-região que não o é, infelizmente e incompreensivelmente — a empresa encontrou uma propriedade ideal para fazer vinhos de qualidade superior e com carácter, desafio em relação ao qual Paulo Nunes esteve à altura, como seria de esperar. A Herdade dos Cardeais agrega 10 hectares de vinha com 25 anos a uma adega, e já deu origem às marcas Monte dos Cardeais e Quinta dos Cardeais, que vieram ampliar o segmento premium do portefólio da Costa Boal.

costa boal
António Costa Boal e o enólogo Paulo Nunes.

Rendido às três regiões, António Boal criou, com Paulo Nunes, o tinto 3 Flores, que junta Alicante Bouschet de Trás-os-Montes, Tinto Cão do Douro e Cabernet Sauvignon do Alentejo. Poderíamos pensar que é mistura a mais — um pouco como aqueles restaurantes que oferecem, por exemplo, cozinha indiana e pizzas, ou sushi e pratos mexicanos, mas aqui o resultado foi um vinho ambicioso e complexo, muito interessante. Igualmente surpreendente é o Costa Boal Douro Moscatel Galego Branco que, na colheita de 2022, mostra um lado mais premium da casta, com imensa elegância e precisão, mantendo o perfil aromático característico.

Da mesma região, os Costa Boal Homenagem, branco e tinto, destacam-se pela estrutura e complexidade, e sobretudo pela capacidade de guarda e evolução positiva em garrafa. Já os Quinta dos Cardeais Grande Reserva branco e tinto mostram um lado fresco e envolvente de Estremoz, ambos com muita elegância e carácter. Uma prova vertical de Palácio dos Távoras Gold Edition tinto mostrou, à mesa, que Trás-os-Montes é uma região a pedir para ser explorada e valorizada: o 2015, já com 8 anos, apresenta charuto, musgo, caruma, muita especiaria, incenso exótico e resina de pinheiro. Elegantíssimo, mas cheio de vida, tem corpo suave mas pleno de carácter. Os taninos são sedosos e fruta de luxo, a acabar em especiaria longa e mentolados subtis (19 pontos). O 2016 sugere muita folha de tabaco, fruta negra, pimenta branca, agulha de pinheiro, balsâmicos e levíssimo toque de Earl Grey. Tem muito sabor e excelente prolongamento, textura e presença (18,5). Por último, o 2017 revela fruta intensa, a conferir imensa energia aromática, vegetal bem presente, especiarias vivas, todo ele expressivo e a pedir para ser guardado (18).

 

(Artigo publicado na edição de Maio de 2023)

 

Grande Prova: O expoente do Alvarinho

PROVA ALVARINHO

Alvarinho é uma variedade ibérica. 70% das plantações mundiais da casta encontram-se em Espanha, predominantemente na Galiza, onde responde pelo nome Albariño, e mais de 20% ficam em Portugal. Tem alguma presença nos Estados Unidos (California, Oregon e Washington), Uruguai, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Desde 2019 é uma das variedades autorizadas na […]

Alvarinho é uma variedade ibérica. 70% das plantações mundiais da casta encontram-se em Espanha, predominantemente na Galiza, onde responde pelo nome Albariño, e mais de 20% ficam em Portugal. Tem alguma presença nos Estados Unidos (California, Oregon e Washington), Uruguai, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Desde 2019 é uma das variedades autorizadas na região de Bordeaux graças à sua capacidade de adaptação às diferentes condições climáticas, boa capacidade de retenção de acidez e perfil aromático de qualidade.
Em Portugal, é a 5ª casta branca mais plantada, correspondendo a 2% da área de vinha nacional (IVV). Embora comece a ganhar popularidade noutras regiões, desde o Douro ao Algarve, a sua maior expressão continua a ser na região do Minho, onde é a 3ª casta branca, representando mais de 15% da área plantada da região, a esmagadora maioria em Monção e Melgaço. O fim do uso exclusivo do Alvarinho no rótulo pela sub-região de Monção e Melgaço levou à criação de um selo próprio de certificação dentro da denominação de origem Vinho Verde. É caso único em Portugal.

Prova Alvarinho

Casta e região

As primeiras referências de Alvarinho relacionadas com a zona de Monção e Melgaço surgem em 1790, mas até à fama de hoje ainda havia muito caminho a percorrer. A investigação do engenheiro agrónomo Amândio Galhano nos anos 40 do século XX foi o primeiro passo à descoberta das qualidades da casta.
O primeiro rótulo de vinho Alvarinho foi da Casa de Rodas nos anos 20 do século passado. Esta propriedade histórica no concelho de Monção foi recentemente adquirida pela Symington Family Estates com o intuito de produzir vinhos da quinta.

Nos anos 40, já com expressão comercial, surgiu a marca Cepa Velha e no final dos anos 50 a marca Deu-la-Deu. Em 1976 chegou uma especialidade ao mercado – Alvarinho do Palácio da Brejoeira, também em Monção. Em 1982 Luís Cerdeira inicia a sua actividade em Melgaço com a marca Soalheiro e Anselmo Mendes em 1997, hoje duas referências incontornáveis na sub-região.

A sub-região de Monção e Melgaço representa um vale rodeado por montanhas, quer do lado de Espanha pela serra da Galiza, quer de Portugal pela serra de Gerês e Cabreira. Estas barreiras montanhosas oferecem a protecção dos ventos atlânticos e do Norte. É precisamente o que o Alvarinho gosta – estar perto do mar, mas não demasiado exposto. A amplitude térmica existente durante a maturação, caracterizada por dias quentes e noites frias contribui para a melhor síntese dos aromas e retenção da frescura.

Os solos são maioritariamente de origem granítica, mas variam ao longo do vale desde os solos de aluvião, mais profundos e mais pesados em Monção até os mais arenosos na encosta, havendo também zonas de calhau rolado, zonas com mais argila e uma faixa de xisto entre Monção e Melgaço. Anselmo Mendes considera a diversidade de solos um dos factores mais importantes no carácter do vinho.

Com cachos e bagos pequenos e uma película espessa, o Alvarinho produz pouco, na ordem dos 65 hl/ha. Muita película e pouca polpa resultam em rendimento mais baixo na prensagem em comparação com outras castas. Isto reflecte na regulamentação própria para o Alvarinho: de 100 kg de uvas só pode ser obtido 65 litros de mosto. Isto é menos 10 litros do que para outras castas na região pelo mesmo peso de uvas, o que encarece a produção. Já 1 kg de uva de Alvarinho também é mais caro, a oscilar à volta de 1 euro por quilo (sem contar com Colares e as ilhas, é a uva mais cara do país), enquanto as outras castas brancas regionais custam cerca de 35-45 cêntimos por quilo.

A película grossa do Alvarinho contém muitos precursores aromáticos e polifenóis (o índice de polifenóis totais é mais alto do que em muitas castas tintas), daí a estrutura e algum final amargo no vinho. “É por isto que a casta é boa para curtimenta e ganha mais cor com o estágio” – explica Anselmo Mendes.
Os aromas do Alvarinho podem variar desde marmelo e pêssego, notas de fruta citrina doce, fruta tropical (maracujá e por vezes, líchia). Notas florais de laranjeira e violeta e de frutos secos (avelã, noz) também são comuns, podendo desenvolver nuances de mel com evolução. Mas o seu perfil e composição aromática variam muito em função da zona de plantação e da abordagem enológica.
É comum associar a casta aos aromas tropicais, mas isto tem mais a ver com a tecnologia de produção. “O ADN da casta não é este”, – defende Anselmo Mendes que praticamente “respira Alvarinho” desde 1987, quando começou a trabalhar a casta em casa dos seus pais.

É preciso perceber de onde vêm os aromas. Se fermentar em inox a temperaturas muito baixas, o vinho é mais propenso a ganhar a tal tropicalidade exuberante. Se fermentar com temperaturas mais altas, revelam-se mais os aromas varietais e citrinos e o estágio em madeira confere outra dimensão e complexidade.

Uva multifacetada

Nem todas as castas conseguem brilhar no palco sozinhas. Os vinhos monovarietais por vezes são limitativos, mas claramente, não é o caso do Alvarinho. É como um actor com grande capacidade de representação, capaz de interpretar papeis mais diversos e corresponder a abordagens enológicas por vezes contraditórias.
Alvarinho e barrica é uma parceria relativamente recente. Anselmo Mendes começou a fazer ensaios de fermentação em madeira com as uvas da família nos finais do século passado. O primeiro Alvarinho “comercial” em barrica nasceu na Provam, sob marca Vinhas Antigas de 1995.

Márcio Lopes, que em 2010 começou o seu projecto Pequenos Rebentos, prefere barricas usadas de 225 e 500 litros, com mais de 8 anos e também usa balseiros de castanho porque “tiram o que está a mais, o carácter mais directo da casta”. E experimenta abordagens, como a curtimenta e estágio com flor. Luís Seabra no seu projecto Granito Cru prefere madeiras de maior capacidade, usa toneis de 3.000, 2.000 e 1.000 litros.

Entretanto, o estágio em barricas novas não parece que seja uma boa solução para o Alvarinho. “Uma casta de perfil aromático intenso com madeira nova fica desorganizada” – resume Miguel Queimado, enólogo e produtor da Vale dos Ares. Relativamente à fermentação também há abordagens diferentes, mas normalmente para obter vinhos mais complexos e sérios, a temperatura de fermentação anda pelos 20˚C.

Anselmo Mendes e Márcio Lopes fazem bâtonnage com borras totais, obtendo assim mais complexidade e estrutura a longo prazo. No início o vinho até pode parecer mais reduzido e vegetal, mas passado um ano em barrica, ganha complexidade, fica limpo e fino de aromas.

Luís Seabra fermenta com leveduras indígenas, mas sem bâtonnage. Acha que os seus vinhos já têm muito volume. Depois da fermentação não adiciona sulfuroso propositadamente para permitir a fermentação maloláctica (é assim que se fazia Alvarinhos na Galiza antigamente). Não se preocupa com eventual descida de acidez, em contrapartida o vinho fica mais estável e, se vindimar na altura certa, tem acidez suficiente, diz. Engarrafa sempre passado dois Invernos para estabilizar naturalmente. Desta forma “o vinho nasce já mais velho, mas isto também o protege futuramente”. Miguel Queimado também engarrafa com um ano em barrica e mais dois em garrafa.

É pena que a pressão comercial force alguns produtores, por vezes conta vontade, a lançarem Alvarinho ambiciosos na Primavera seguinte à vindima. Os vinhos chegam ao mercado ainda com algum sulfuroso sensível, a cobrir a expressão de fruta e levam mais alguns meses até equilibrar tudo. Porque numa coisa produtores e consumidores estão de acordo: é com o tempo em garrafa que o Alvarinho de Monção e Melgaço melhor se diferencia da “concorrência” e mostra tudo o que vale.

 

(Artigo publicado na edição de Maio de 2023)

Andreza: Douro de referência, a preço sensato

Andreza douro

Lara Dias, a presidente da Saven, abriu as portas de sua casa, ali bem perto de Aveiro, para a apresentação das novas colheitas Andreza, espelhando, no seio do ambiente familiar, parte do que é o legado de seu pai, Manuel Dias. Empresário dinâmico e criativo, Manuel Dias fundou a Saven no ano de 1988, em […]

Lara Dias, a presidente da Saven, abriu as portas de sua casa, ali bem perto de Aveiro, para a apresentação das novas colheitas Andreza, espelhando, no seio do ambiente familiar, parte do que é o legado de seu pai, Manuel Dias. Empresário dinâmico e criativo, Manuel Dias fundou a Saven no ano de 1988, em Ílhavo, e dedicou-se a exportar para todo o mundo, com enorme sucesso, produtos alimentares portugueses, entre eles o vinho. Como acontece com frequência, o salto da distribuição para a produção ocorreu quase sem se dar por isso. E Manuel Dias encontrou no enólogo Francisco Baptista o parceiro ideal para, em 2009, numa empresa conjunta, a Lua Cheia-Saven, dedicar-se ao vinho enquanto produtor, assentando nas regiões do Douro e dos Vinhos Verdes. Para alcançar o seu sonho transpôs integralmente todos os degraus do processo: compra de uvas a lavradores, construção de adega, aquisição de propriedades, plantação de vinha. Manuel Dias, infelizmente, faleceu demasiado cedo, em 2019, mas deixou importante obra feita. Hoje, a Lua Cheia-Saven possui no Douro, em Vale de Mendiz (por muitos considerado o “filé mignon” da região) a magnífica Quinta do Bronze. São 13 hectares de vinha aos quais se juntam, através de parcerias com diversos viticultores, mais cerca de 100 hectares. A vinificação é feita em adega própria, situada em Alijó, de onde saem marcas como Lua Cheia, Andreza ou Quinta do Bronze. Na região dos Vinhos Verdes, a Lua Cheia-Saven detém 5 hectares de vinha em Melgaço, uma adega em Monção e faz a gestão de mais 20 hectares de vinhedos através de parcerias locais, tendo como marcas principais Maria Bonita, Maria Papoila ou Nostalgia.
Os vinhos agora apresentados por Lara Dias e Francisco Baptista levam ainda mais longe a ambição do fundador, Manuel Dias. Posicionada acima da gama Lua Cheia e abaixo dos “vinhos de vinha” da Quinta do Bronze, a linha Andreza Reserva mostra a região do Douro em todas as suas múltiplas nuances. O Andreza Reserva branco 2021 tem origem em uvas cultivadas nas zonas altas (500 a 600 metros) de Martim e Porrais, localidades do concelho de Murça de onde saem boa parte dos brancos mais ambiciosos do Douro. As castas são as tão tradicionais Viosinho, Gouveio e Rabigato. O mosto das duas últimas variedades fermenta em inox com agitação regular das borras finas. Já o Viosinho vai para barrica usada de carvalho francês, também com bâtonnage após a fermentação. Depois de um ano de estágio, é elaborado o lote final.

Andreza Douro
A Quinta do Bronze, em Vale de Mendiz, é importante activo da empresa.

Se, para o branco, Francisco Baptista selecionou uvas de uma zona muito concreta, para o Andreza Reserva tinto a opção do enólogo foi outra: traduzir toda a diversidade do Douro, ao nível de climas, solos, altitudes e orientações solares. Assim, a matéria-prima que está na base do Andreza Reserva tinto 2020 tem origem nas três sub-regiões durienses. Segundo Francisco Baptista, o objectivo “é ir buscar a frescura ácida do Baixo Corgo, o equilíbrio e complexidade do Cima Corgo e a fruta madura do Douro Superior”. As diferentes origens possuem outra vantagem: permitem-lhe manter a consistência de qualidade e perfil da marca colheita após colheita. São uvas de vinhas antigas, com várias castas misturadas, mas também de parcelas estremes mais jovens. No lote, encontramos sobretudo Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz e, em menor percentagem, Alicante Bouschet, Tinto Cão e Sousão. A fermentação decorre em inox, seguindo-se um estágio de cerca de 12 meses em barrica usada.
Já o Andreza Altitude parte de um conceito distinto, estreado na vindima de 2017 e agora recuperado na de 2019. Tal como o nome indica, é feito a partir de uvas de zonas altas, sempre a cotas superiores a 450 metros. No caso, são parcelas selecionadas no concelho de Alijó, assentes em dois solos distintos, xisto e granito. Para Francisco Baptista, “só assim é possível conseguir o perfil que pretende para este tinto, assente numa mistura de elegância, frescura e expressão de fruta”. São vinhas de idade avançada e com castas misturadas, a que se juntou uma parcela estreme de Tinto Cão para reforçar o equilíbrio ácido. Fermentação clássica em inox, maceração pós fermentativa de três semanas (o enólogo segue o modelo “bordalês” de macerações prolongadas), seguindo depois o vinho para estágio de mais de um ano em barrica nova e usada.
No topo da linha Andreza está Grande Reserva tinto, tendo sido apresentada a colheita de 2015. Tal como no Reserva, também aqui as uvas têm origem nas três sub-regiões do Douro. Predominam as vinhas de maior idade e de baixa produção e diversas parcelas com muitas castas plantadas em “field blend”. “É uma forma de obter sólida estrutura, acidez muito equilibrada e também taninos gordos e maduros”, refere Francisco Baptista. “Um Grande Reserva do Douro tem de ser longevo, crescer largos anos em garrafa”, acrescenta. Assim, no lote encontramos, entre muitas outras variedades, uma boa parte de Touriga Franca, Touriga Nacional e Sousão. As uvas são vinificadas em cuba inox, com maceração prolongada após a fermentação. Longo é também o processo de estágio: o 2015 esteve quase 24 meses em barrica nova e depois largos anos em garrafa até o enólogo o dar como pronto para entrar no mercado.
No seu conjunto, esta linha Andreza apresenta fortíssimos argumentos: superior qualidade, vincado carácter Douro e preço sensato. Talvez, mesmo, demasiado sensato para um nível tão elevado…

(Legenda da foto *Francisco Baptista e Lara Dias são sócios no projecto Lua Cheia – Saven)

 

(Artigo publicado na edição de Abril de 2023)

Melhores vinhos do Douro Superior já são conhecidos

Concurso Vinhos Douro Superior

No âmbito da décima edição do Festival do Vinho do Douro Superior que, como habitualmente, aconteceu em Vila Nova de Foz Côa (de 26 a 28 de Maio de 2023), mais de 200 vinhos desta sub-região duriense foram submetidos a concurso. Em prova cega, um júri de 25 especialistas do sector — incluindo jornalistas e […]

No âmbito da décima edição do Festival do Vinho do Douro Superior que, como habitualmente, aconteceu em Vila Nova de Foz Côa (de 26 a 28 de Maio de 2023), mais de 200 vinhos desta sub-região duriense foram submetidos a concurso.

Em prova cega, um júri de 25 especialistas do sector — incluindo jornalistas e outros “wine writers”, sommeliers, compradores profissionais, entre outros — orientado por Luís Lopes, director editorial da Grandes Escolhas, elegeu os Melhores Vinhos nas categorias Branco, Tinto e Vinho do Porto e atribuiu medalhas de Ouro e de Prata. O Melhor Vinho Branco foi o Terras do Grifo Vinhas Velhas 2018, da Rozès; o Melhor Tinto coube ao Avô Escrivão Grande Reserva 2019, da Vinilourenço; e o Melhor Vinho do Porto foi o Quinta de Ervamoira Vintage 2020, da Ramos Pinto.

Esta foi a edição do Concurso de Vinhos do Douro Superior com mais vinhos inscritos de sempre, um record que toma ainda mais relevância porque, ao contrário do que é habitual neste tipo de concursos, para nesta competição os produtores inscrevem sobretudo os seus vinhos topo de gama. Tratando-se do Douro Superior, o conjunto integra alguns dos melhores e mais conceituados vinhos do país.

O Festival do Vinho do Douro Superior é um evento organizado pelo Município de Vila Nova de Foz Côa e produzido pela Grandes Escolhas.

Conheça todos os vinhos premiados na décima edição do Concurso de Vinhos do Douro Superior:

CATEGORIA “VINHO BRANCO”

Melhor Vinho
Terras do Grifo Vinhas Velhas 2018, Rozès

Medalha de Ouro
Crasto Superior 2021; Quinta do Crasto
Dona Berta Curtimenta Reserva 2020; H. & F. Verdelho – Dona Berta
Kaputt; Barão de Vilar
Quinta Vale d’Aldeia Grande Reserva 2020; Quinta Vale d’Aldeia
Soulmate Grande Reserva 2018; Cortes do Tua Wines
Vineadouro Special Edition 2021; Vineadouro

Medalha de Prata
Altitude by Duorum 2022; Duorum Vinhos
Colinas do Douro Reserva 2021; Colinas do Douro
Couquinho 1º Ensaio 2020; Quinta do Couquinho
Duvalley Reserva 2021; Sociedade Agrícola Castro de Pena Alba
Pai Horácio Grande Reserva 2021; Vinilourenço
Quinta da Bulfata 2020; Quinta da Bulfata
Quinta da Pedra Escrita 2021; Rui Roboredo Madeira Vinhos
Quinta da Silveira Reserva 2018; Sociedade Agrícola Vale da Vilariça
Quinta da Terrincha Reserva 2020; Quinta da Terrincha
Rebelo Afonso Reserva 2021; Casa Rebelo Afonso
Restrito Reserva 2021; Restrito
Souza Dias Moscatel do Douro 2006; Caves da Quinta do Pocinho
Valle do Nídeo 2022; Miguel Abrantes

CATEGORIA “VINHO TINTO”

Melhor Vinho
Avô Escrivão Grande Reserva 2019; Vinilourenço

Medalha de Ouro
Casa Ferreirinha Quinta da Leda 2019; Sogrape Vinhos
Castello D’Alba Limited Edition 2020; Rui Roboredo Madeira Vinhos
Cortes do Reguengo Premium 2018; Vinaze – Quinta do Reguengo
Cortes do Tua Reserva 2020; Cortes do Tua Wines
Crasto Superior Syrah 2020; Quinta do Crasto
Duas Quintas Reserva 2015; Adriano Ramos Pinto
Duorum Reserva 2019; Duorum Vinhos
Grandes Quintas Reserva 201; Casa D’Arrochella
Quinta da Touriga Chã 2020; Jorge Rosas
Quinta do Vesúvio 2020; Symington Family Estates
Selores Premium 2018; Viniselores
Vales Dona Amélia 2018; Gerações de Xisto

Medalha de Prata
Arribas do Côa Reserva 2018; Sotero Ferreira – Arribas do Côa
DA Dina Aguiar Grande Reserva 2018; Adão e Filhos
Fonte Videira Reserva 2020; Casa Agricola Quinta dos Lagares
Gravuras do Côa Grande Reserva 2019; Mateus & Sequeira Vinhos
Iter 2019; Duplo PR – Serviços de Enologia
Mix Grape Reserva 2019; Terraloga, Sociedade Agrícola
Montes Ermos Grande Reserva 2020; Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta
Muxagat Vinhas Velhas 2017; Muxagat
Palato do Côa Grande Reserva 2017; 5 Bagos
Quinta da Silveira Grande Escolha 2017; Sociedade Agrícola Vale da Vilariça
Quinta da Terrincha 2019; Quinta da Terrincha
Quinta das Mós Grande Reserva 2020; Mikael Monteiro Cabral
Quinta do Arnozelo Grande Reserva 2018; Sogevinus Fine Wines
Quinta do Couquinho Touriga Nacional Reserva 2020; Quinta do Couquinho
Quinta dos Romanos Reserva 2010; Maria Lucinda Todo Bom Damião Cardoso
Rasga Reserva 2019; Artur Rodrigues
Remisi’us Grande Reserva 2020; Valley & Co.
Roquette & Cazes 2019; Roquette & Cazes
Salgados Reserva 2021; Mário Salgado e Maria de Lurdes Salgado
Sebarigos Reserva 2019; Caves da Quinta do Pocinho
Vale da Teja Reserva 2019; Adega Cooperativa do Vale da Teja
Vale de Pios tinto 2017; Quinta Vale de Pios
Vale Marianes Reserva 2018; Rui Saraiva Caldeira
Vallado Douro Superior 2020; Quinta do Vallado
Vineadouro Vinhas Antigas 2019; Vineadouro

CATEGORIA “VINHO DO PORTO”

Melhor Vinho
Quinta de Ervamoira Vintage 2020; Adriano Ramos Pinto

Medalha de Ouro
Amável Costa Tawny 30 anos; Amável Costa
Burmester Tawny Porto Tordiz 40 anos; Sogevinus Fine Wines

Medalha de Prata
Burmester Tawny Porto 20 anos; Sogevinus Fine Wines
Cockburn’s Quinta dos Canais Vintage 2013; Symington Family Estates
Duorum LBV 2019; Duorum Vinhos
Palmer Vintage 2020; Barão de Vilar
Quinta do Grifo Vintage 2017; Rozès

Alvarinho: Symington e Anselmo Mendes criam empresa conjunta

Symington Anselmo Mendes

“É com enorme gosto e entusiasmo que as famílias Mendes e Symington anunciam a decisão de aprofundarem a cooperação que têm mantido ao longo dos anos e de trabalharem ainda mais estreitamente em conjunto na construção de marcas de Vinho Verde premium com prestígio e qualidade que possam afirmar, ainda mais, o enorme potencial que […]

“É com enorme gosto e entusiasmo que as famílias Mendes e Symington anunciam a decisão de aprofundarem a cooperação que têm mantido ao longo dos anos e de trabalharem ainda mais estreitamente em conjunto na construção de marcas de Vinho Verde premium com prestígio e qualidade que possam afirmar, ainda mais, o enorme potencial que ambas as famílias reconhecem nesta incontornável região vitivinícola de Portugal.

Assim, na sequência da aquisição por parte da Symington Family Estates da histórica propriedade da Casa de Rodas, na prestigiada sub-região de Vinho Verde DOC de Monção e Melgaço, no final do passado ano, as famílias Mendes e Symington decidiram criar uma nova empresa, em partes iguais, com o objetivo de comercializar os vinhos que serão produzidos nesta propriedade. O projeto conjunto incluirá também a aquisição, por parte desta nova empresa, da marca Contacto que tem conhecido um assinalável sucesso tanto em Portugal como no estrangeiro e cujo desenvolvimento ambas as partes acreditam ser possível, em conjunto, potenciar.

Anselmo Mendes (ao centro na foto) afirmou que ‘Monção e Melgaço tornou-se nos últimos anos numa singular região produtora de vinhos brancos de classe mundial. Como oriundo de Monção tenho imenso orgulho em fazer parte daquele sucesso. Esta parceria da minha família com a família Symington deixa-me duplamente satisfeito, pois juntos iremos criar valor acrescentado nas nossas marcas e ainda contribuir para o maior reconhecimento dos vinhos Monção-Melgaço. Ambos partilhamos o gosto pelas vinhas próprias e escolhemos com sabedoria os melhores terroirs. A minha família possui três quintas em Monção-Melgaço num total de 60 hectares, plantadas com a casta Alvarinho, sendo a Quinta da Torre o maior espaço vinhateiro da Região.’.

Rupert Symington afirmou sentir-se muito entusiasmado com este novo projeto nos Vinhos Verdes e que ‘a formalização desta cooperação entre as famílias Mendes e Symington é motivo de enorme orgulho para a nossa família e demonstra bem a importância que a Symington Family Estates dá ao estabelecimento de relações estáveis com famílias que partilham os mesmos valores que nós. Acreditamos muito no futuro dos Vinhos Verdes e iremos dedicar muito do nosso trabalho na sua promoção e valorização”.

Sobre a marca Contacto, Rupert acrescentou que ‘é um excelente exemplo de uma marca de excelência do Vinho Verde produzida inteiramente com a casta Alvarinho. Tem uma boa distribuição em Portugal, bem como noutros mercados internacionais. Acreditamos no enorme potencial do Vinho Verde premium em alguns mercados de exportação, e planeamos utilizar a nossa rede de distribuição internacional para expandir as vendas daquele que consideramos ser o mais famoso vinho branco de qualidade de Portugal.'”.