Touriga Nacional, um tesouro português

Touriga Nacional é a casta mais conhecida e celebrada de Portugal. Possui um pedigree nobre, é uma uva com carácter e desempenha papel vital nos lotes de alguns dos melhores vinhos portugueses. E, além disso, também é capaz de produzir vinhos varietais excelentes. TEXTO Dirceu Vianna Junior MW FOTOS Ricardo Palma Veiga APESAR de […]
Touriga Nacional é a casta mais conhecida e celebrada de Portugal. Possui um pedigree nobre, é uma uva com carácter e desempenha papel vital nos lotes de alguns dos melhores vinhos portugueses. E, além disso, também é capaz de produzir vinhos varietais excelentes.
TEXTO Dirceu Vianna Junior MW FOTOS Ricardo Palma Veiga
APESAR de ser uma casta portuguesa emblemática, a Touriga Nacional plantou as suas raízes em vários cantos do mundo, incluindo Priorato, Califórnia, Washington State e Virgínia. Na Nova Zelândia, Trinity Hill elabora um bom exemplar. Na África do Sul, pode ser encontrado em Allesverloren, Boplaas e De Krans. Em Barossa Valley, na Austrália, St Hallet estabeleceu os seus primeiros vinhedos de Touriga Nacional em 1976 e conseguiu resultados tão impressionantes que após a vindima um dos enólogos visitantes decidiu levar mudas para sua terra natal em Hunter Valley. Foi uma decisão certa, pois recentemente ganhou um troféu no Sydney Wine Show com um lote de Touriga Nacional e Shiraz.
Do outro lado do mundo, um dos melhores exemplos da Argentina vem da empresa Vinalba, onde o francês Hervé Joyaux Fabre uniu forças com o português Rui Reguinga. Viñalba 2013 ‘Cuvée Couture’, um lote de Malbec e Touriga Nacional, é excepcional. O aroma é convidativo, com notas de amoras, bergamotas e ervas mediterrâneas secas. Na boca conta com frutas negras maduras e sumarentas, taninos finos e um final de boca persistente. Um dos melhores exemplos de Touriga Nacional que eu já provei fora de Portugal. Ao contrário, Familia Zuccardi recentemente decidiu arrancar uma parcela de Touriga Nacional que tinha no sul de Mendoza. Sebastian Zuccardi explicou que as videiras expostas à humidade excessiva sucumbiam a doenças demasiadas vezes para serem comercialmente viáveis.
Há também plantações de Touriga Nacional nos vinhedos de altitude em Santa Catarina, Brasil, na Quinta da Neve. Anselmo Mendes, responsável pela supervisão do projeto, descreve Touriga Nacional de excelente qualidade com elegantes aromas florais que relembram o Dão e um perfil de frutas escuras semelhante ao Douro. Átila Zavarize, o enólogo residente, admira a casta apesar da sua sensibilidade ao míldio, antracnose e botrytis devido ao clima mais húmido. Segundo Átila, que actua sob orientação de Anselmo Mendes, a proposta buscar um estilo de vinho de média guarda, corpo médio, elegante com boa intensidade de fruta e aromas delicados, incluindo um leve floral.
A colheita atípica de 2003 fez com que os produtores na França levassem mais a sério a ameaça das mudanças climáticas. Por esse motivo o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INRA), apoiado pelo Conselho Interprofissional dos Vinhos de Bordéus (CIVB), iniciou uma pesquisa plantando dezenas de castas adaptáveis a um clima mais quente, incluindo Touriga Nacional. Talvez seja cedo demais para especular se a casta poderia ser usada no futuro num lote bordalês, mas isso não é de todo inconcebível. Como exemplo, uma casta já esquecida há tempo chamada Gros Verdot compôs parte do lote de Chateaux Lafite da colheita de 1868; e antes de 1850 não era incomum encontrar castas como Alicante e Bénicarlo em lotes de Bordéus. Isso demonstra que às vezes as coisas precisam de evoluir para sobreviver.
Salva da extinção
De volta a Portugal, onde tudo começou, a Touriga Nacional foi classificada por Lobo e caracterizada por Fonseca já em 1790 em conexão às sub-regiões do Douro e Beiras, embora muitos sustentem que sua origem está no Dão, onde mostra alta diversidade morfológica. Quem defende essa tese cita a aldeia de Tourigo, distrito de Viseu, entre Santa Comba Dão e Tondela, onde alguns acreditam que o nome da casta se originou. Independentemente da sua origem, já era considerada progenitora dos melhores vinhos de Portugal há mais de século, conforme atestado pelo autor Villa Maior em 1870.
Durante o século XIX, a Touriga Nacional era responsável por 100% dos vinhos tintos do Dão e as plantações caíram dramaticamente para apenas 5% nos meados do século 20. O principal motivo dessa queda foi o desafio comercial devido ao baixo rendimento da planta, um fator que foi ampliado pelo uso de porta- enxertos inadequados, usados para replantar vinhedos após o ataque da filoxera. No vale do Douro, as plantações tornaram-se praticamente extintas, atingindo uma figura microscópica de apenas 0,1% dos encepamentos na década de 1970.
Antonio Graça, responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento da Sogrape e uma autoridade no que diz respeito à diversidade das castas portuguesas, explica que a casta foi salva da extinção por um grupo de profissionais locais, incluindo Luís Carneiro, Nuno Magalhães, José Eduardo Eiras e Antero Martins, actual presidente da PORVID, Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira. O grupo estava muito preocupado com o iminente desaparecimento da Touriga Nacional.
Naquela época, não era incomum videiras produzirem menos de 0,8kg e o principal objetivo era obter volume maior de produção e melhorar a viabilidade comercial. O trabalho começou na década de 1970 e durou até à década de 1990, quando pesquisadores conseguiram determinar material genético capaz de produzir, em alguns casos, cerca de 1,5 kg por planta. Com a missão cumprida, a Touriga Nacional recuperou sua área plantada, inicialmente no Cima Corgo, no Douro Superior e depois migrando para outras partes do país.
Hoje existe uma incrível riqueza de clones de Touriga Nacional. Numa vinha experimental da Quinta da Leda existem 197 clones distintos da casta, embora o interesse comercial seja focado num pequeno grupo com menos de 15 clones. Devido à seleção clonal feita no passado em busca de maior rendimento, acredito que é provável que material de altíssima qualidade tenha sido esquecido. Pelo menos o património genético foi conservado e a oportunidade de realizar uma nova seleção buscando pura e simplesmente qualidade ainda é ainda plausível.
Antonio Graça é a favor de que produtores plantem uma seleção dos melhores clones para terem uma certa diversidade e obterem melhores resultados. José Lourenço, da Quinta dos Roques, revela que o material utilizado para o vinho varietal da quinta provém de uma parcela plantada usando uma combinação de clones e acredita que, além de conferir bom caráter varietal, isso ajuda diminuir a ameaça de doenças. No entanto, existem parcelas antigas plantadas há cerca de 40 anos onde foi usada seleção massal e esse componente é destinado para a gama reserva da Quinta.
A Touriga Nacional origina melhores resultados quando é combinada com porta-enxertos de baixo rendimento e a escolha exacta dependerá das condições locais. Por exemplo, no Douro Superior os porta-enxertos Castel 196-17, Richter 110 e Paulsen 1103 parecem ser mais adequados às condições locais, segundo António Graça.
De acordo com os números mais recentes publicados pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), a Touriga Nacional é a quinta casta mais plantada em Portugal, com 13.168 ha. O Douro lidera as plantações com 4.975ha, seguido de Dão (3.985ha) e Alentejo (1.561ha).
Expressar o terroir
A Touriga Nacional tem cachos moderadamente compactos, pequenos, pesando tipicamente um pouco mais de 100 gramas, embora alguns possam atingir até 250 gramas. Os bagos apresentam uma pele espessa e a casta adapta-se a diversas condições climáticas. Prefere lugares com alta incidência solar e calor, embora o excesso possa levar à seca, resultando em queimaduras e perda prematura de folhas. A casta é vigorosa e o excesso de vigor resulta em porte prostrado que por sua vez pode sofrer com excesso de vento, resultando em danos físicos à planta. Embora na região de Lisboa, de clima fresco e atlântico, de acordo com Sandra Tavares, enóloga responsável na Quinta de Chocapalha, a casta se tenha adaptado muito bem e uma das suas vantagens é não se apresentar muito vigorosa, sendo possível atingir excelente equilíbrio e qualidade.
As questões de baixos rendimentos são exacerbadas devido a tendência para o desavinho e a bagoinha, apesar de os clones actuais ajudarem a reduzir esses fenómenos. A planta também é suscetível ao oídio. A variedade tende a brotar e florar precocemente, o pintor acontece em época média e o amadurecimento ocorre tarde, sendo no Douro uma das últimas a ser vindimada. O longo ciclo pode ser um problema em áreas como o Dão. De acordo com José Lourenço, da Quinta dos Roques, as videiras podem ser expostas à geada no início do ciclo e podem ser expostas ao risco de chuva no final do ciclo.
A variedade adapta-se bem em diferentes tipos de solos. Na opinião de José Lourenço, cuja família tem parcelas em diferentes tipos de solo, o xisto dá vinhos intensos, equilibrados e mais encorpados. Os solos graníticos parecem dar vinhos com frescor e acidez nítida, taninos finos e bem estruturados e perfil aromático mais vibrante. António Graça acredita que o solo calcário é o mais adequado nas condições áridas do Alentejo. Na região de Lisboa, a Quinta de Chocapalha encontra-se em solos argilo-calcários e o vinhedo, que dispõe de boa amplitude térmica, produz fruta com excelente cor, taninos elegantes, muito boa acidez e sem potencial alcoólico excessivo. De acordo com o enólogo Hamilton Reis, de Cortes de Cima, do Alentejo, apesar de a casta ter um carácter forte, é possível identificar sua origem. Uma das vantagens da Touriga Nacional é a capacidade de expressar o terroir. Entretanto, em regiões muito áridas ou vindimas muito quentes, é importante gerenciar o stress hídrico para evitar a desidratação de frutas e que as videiras percam folhas, o que pode fazer cessar a maturação fenólica, resultando em vinhos pouco equilibrados.
Embora traga uma série de desafios no campo, é reverenciada logo que entra na adega. Na década de 70, a Touriga Nacional representava apenas 0,1% das plantações durienses
É interessante perceber que os vinhedos do Douro foram classificados usando um sistema bastante meticuloso e preciso, mas essencialmente estabelecido e orientado para vinhos fortificados e não para os vinhos de mesa. Consequentemente, os melhores vinhedos em áreas mais quentes, classificados no topo da tabela como A e B, consistentemente produzem excelente fruta para vinhos do Porto. Mas o sistema de classificação qualitativa não funciona quando se trata de vinhos de mesa, pois as vinhas posicionadas em áreas mais frias são muitas vezes melhores fontes de uvas para vinhos tranquilos.
A decisão sobre a hora da colheita é vital, pois em regiões quentes pode rapidamente haver um excesso de maturação. Contando que a vinha esteja bem gerida e não houver falta de água à planta, vale a pena esperar que o nível potencial de álcool atinja cerca de 13,5% ou 14% para assegurar a extractibilidade adequada de antocianinas, precursores aromáticos e taninos, e ao mesmo tempo manter o equilíbrio e frescor necessários para um vinho tinto de alta qualidade.
Touriga na adega e no copo
Quando as uvas se destinam ao vinho fortificado, o segredo é encontrar a melhor extrabilidade dos polifenóis possível, mesmo que isso venha à custa de um ligeiro excesso de maturação. António Graça concorda que neste caso é tolerável um pequeno grau de desidratação dos bagos quando as peles perdem elasticidade, os níveis de açúcar aumentam, a acidez diminui. Importante é que os polifenóis estejam bem formados e sejam mais facilmente extraídos, o que é vital para esse estilo de vinhos. Embora a Touriga Nacional seja uma casta que traz uma série de desafios no campo, é reverenciada a partir do momento que entra na adega. Entre muitas qualidades, é uma casta versátil, capaz de fazer vinhos espumantes de alta qualidade e também responsável por alguns dos melhores vinhos rosés de Portugal. É reverenciada pelos produtores de vinhos do Porto e capaz de produzir vinhos tintos de excelência. Tipicamente apresenta cor profunda, aromas intensos de frutas escuras e notas de violetas, bergamota, ervas mediterrâneas secas e outras características, dependendo de sua origem. A sua estrutura é bastante firme e possui acidez equilibrada.
Alguns produtores são de opinião de que, por si só, pode às vezes ser uma casta unidimensional. A componente floral, se em excesso, pode eventualmente tornar os vinhos monocromáticos e com falta de dimensão. Hamilton Reis alerta que precisa haver cuidado pois um vinho facilmente se deixa dominar pela presença da Touriga Nacional. No entanto, encontrado o ponto de equilíbrio entre os demais componentes, a sua participação é marcante, dando profundidade, intensidade e um senso geral de nobreza ao vinho. A Touriga atua bem em lotes com várias castas, especialmente Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinto Cão, Trincadeira, Tinta Barroca, Jaen e Alfrocheiro.
Em termos de vinificação, os seus bagos pequenos permitem uma extração completa e abundante. Mas recomenda-se uma vinificação delicada, para proteger os compostos aromáticos e evitar uma extração excessiva de taninos, um problema frequentemente encontrado em vinhos tintos portugueses.
Hamilton Reis afirma que os depósitos de aço inoxidável ajudam elaborar vinhos mais suaves, de taninos menos vivos, enquanto que a vinificação em lagar parece promover vinhos com maior dimensão e profundidade. Sandra Tavares explica que o facto de haver maior exposição com o oxigénio e maior contacto entre película e mosto confere ao vinho mais amplitude. Hamilton Reis adverte sobre o apetite da Touriga Nacional para desenvolver acidez volátil e a facilidade de a temida Brett (responsável pelos aromas animais, a couro) se poder instalar, exigindo assim uma vigilância constante. José Lourenço opta por fazer a fermentação maloláctica em aço inoxidável para manter a elegância e o frescor. No entanto, para vinhos que exigem uma acidez untuosa ou taninos menos adstringentes, a malolácita pode ser conduzida na barrica, afirma.
Em termos de harmonização, a Touriga Nacional, sendo uma casta que produz vinhos expressivos e firmemente estruturados, requer pratos igualmente ricos e com carácter para ajudar a complementar a sua abundante fruta e taninos opulentos.
Vários tipos de carnes vermelhas, tanto grelhadas como assadas, funcionariam bem. Além disso, cordeiro assado, costelas de porco, pato, a maioria dos tipos de linguiças e feijoada também cai bem com Touriga Nacional. Carne rica em especiarias frequentemente utilizada na cozinha asiática também pode ser uma boa combinação. No entanto, é preciso haver cuidado com alimentos excessivamente apimentados, pois o excesso magnifica a sensação dos taninos e esconde as delicadas nuances de violetas, bergamota e atraentes notas de ervas. No final da refeição, queijos maduros podem ser um excelente acompanhamento para Touriga Nacional.
A Touriga Nacional envelhece muito bem em barricas de carvalho, principalmente francês. Após o seu período de afinamento tem excelente potencial de envelhecimento na garrafa, embora às vezes tenda a “fechar-se” após alguns anos, da mesma forma que acontece com um bom Pinot Noir da Borgonha, apenas para ressurgir anos depois com perfil mais maduro, sofisticado e complexo.
Na lista de castas portuguesas publicada pelo Instituto da Vinha e do Vinho não há sinónimos oficiais para Touriga Nacional, embora em certas regiões se refiram nomes como Preto Mortágua, Tourigo, Touriga, Touriga Fina, Azal Espanhol e Carabuñera na Espanha. Seria sensato unificar a terminologia e seguir o conselho do Instituto da Vinha e do Vinho. Touriga Nacional é um tesouro nacional e deve ser tratado com orgulho e respeito. Já é suficientemente árduo para as pessoas não habituadas a falar português tentar dominar a diversidade de castas que Portugal tem para oferecer. Não é necessário adicionar sinónimos para complicar a vida do consumidor internacional ainda mais. Vamos concordar que a casta mais nobre de Portugal se chama Touriga Nacional?
Vinhos recomendados
• Passadouro (Douro Touriga Nacional tinto 2014)
Quinta do Passadouro
18,5 valores
PVP € 20
• Quinta da Pellada (Dão Touriga Nacional tinto 2011)
Quinta da Pellada
18 valores
PVP € 57
• Villa Oliveira (Dão Touriga Nacional tinto 2011)
O Abrigo da Passarella
18 valores
PVP € 35
• Casa de Santar Vinha dos Amores (Dão Touriga Nacional tinto 2011)
Soc. Agrícola de Santar
17,5 valores
PVP € 24,90
• Cortes de Cima (Reg. Alentejano Touriga Nacional tinto 2014)
Cortes de Cima
17,5 valores
PVP € 27
• CH by Chocapalha (Reg. Lisboa Touriga Nacional tinto 2013)
Casa Agrícola das Mimosas
17 valores
PVP € 28
• Fonte do Ouro (Dão Touriga Nacional Reserva Especial tinto 2015)
Soc. Agrícola Boas Quintas
17 valores
PVP € 18,90
• Quinta dos Carvalhais (Dão Touriga Nacional tinto 2015)
Sogrape
17 valores
PVP € 14
• Quinta dos Roques (Dão Touriga Nacional tinto 2015)
Quinta dos Roques
17 valores
PVP € 25
• Quinta do Noval (Douro Touriga Nacional tinto 2015)
Quinta do Noval
17 valores
PVP € 40
• Touriga Nacional da Peceguina (Reg. Alentejano Touriga Nacional tinto 2015)
Herdade da Malhadinha Nova
17 valores
PVP € 25
• Adega Mayor (Reg. AlentejanoTouriga Nacional tinto 2015)
Adega Mayor
16,5 valores
PVP € 12,80
Será o fim do selo “à cavaleiro” no Vinho do Porto?

A partir de hoje torna-se efectivo o Decreto-Lei publicado ontem no Diário da República, que torna facultativa a colocação do selo de garantia, vulgarmente conhecido por selo “à cavaleiro”, no topo das garrafas de Vinho do Porto. Isto respeita à forma de colocação e não à existência do selo de Denominação de Origem (DO) Porto, sendo […]
A partir de hoje torna-se efectivo o Decreto-Lei publicado ontem no Diário da República, que torna facultativa a colocação do selo de garantia, vulgarmente conhecido por selo “à cavaleiro”, no topo das garrafas de Vinho do Porto. Isto respeita à forma de colocação e não à existência do selo de Denominação de Origem (DO) Porto, sendo este ainda obrigatório para comercialização do produto.
Esta alteração ao Estatuto das denominações de origem e indicação geográfica da Região Demarcada do Douro foi proposta pelo IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto) e plasmada no Decreto-Lei, onde consta: “(…)as inovações verificadas no domínio da segurança dos selos de garantia e a evolução dos meios de comunicação e promoção tornam esta exigência particular em relação ao modo de aposição dos selos de garantia na denominação de origem «Porto» injustificada, sendo pois conveniente mantê-lo apenas como forma facultativa de aposição, deixando a decisão ao engarrafador”.
A DO Porto foi a última em Portugal a resistir a esta mudança, aplaudida pelos produtores. A colocação do selo “à cavaleiro” representa custos operacionais elevados e em nada impede a falsificação das garrafas, cuja genuinidade é protegida por outros elementos.
Saiba aqui como identificar produtos fraudulentos e os cuidados a ter no momento da compra.
Cinema francês: onde o vinho é estrela

O grande peso do vinho nos filmes franceses pode parecer óbvio, mas o que impressiona são os números que revelam uma presença quase obrigatória, como revela o site Vitisphere. Foued Cheriet, professor catedrático do Montpellier SupAgro (Instituto Superior de Estudos Agronómicos de Montpellier) viu, em 2015 e 2016, 47 sucessos da bilheteira francesa lançados entre […]
O grande peso do vinho nos filmes franceses pode parecer óbvio, mas o que impressiona são os números que revelam uma presença quase obrigatória, como revela o site Vitisphere. Foued Cheriet, professor catedrático do Montpellier SupAgro (Instituto Superior de Estudos Agronómicos de Montpellier) viu, em 2015 e 2016, 47 sucessos da bilheteira francesa lançados entre 1970 e 2014.
Foram mais de 90 horas de cinema popular francês a tentar identificar onde as garrafas e os copos eram figurantes, e o resultado tem tanto de surpreendente como de espectável: em 92% da amostra, há pelo menos uma cena com vinho presente e, em média, aparece a cada 20 minutos. Isto traduz-se em 5,2 vezes por filme, especificamente 3,5 para vinhos tintos e 1,7 para champagnes. Em dois terços destes casos, o aparecimento representa um investimento comercial, com uma marca visível ou citada. Curiosamente, a lei EVIN, aprovada em França em 1991 e visando a censura de publicidade a bebidas alcoólicas, não se aplicou ao product placement nas longas-metragens.
Mas o estudo foi mais além, analisando os termos dessas comparências. Se já existiam clichês, então nos filmes franceses estão ainda mais exacerbados. Foued Cheriet explicou: “Vinho tinto para refeições comuns, familiares ou profissionais; rosé na praia, nas férias e no Sul; champagne para luxo, sedução e restaurantes; tinto para homens e branco para mulheres”. Estes estereótipos, apesar de maioritariamente obsoletos, são compreensíveis dado o extenso período de pesquisa.
No futuro, outras indústrias cinematográficas, como Hollywood, irão ser alvo do mesmo estudo. Estamos curiosos por saber o resultado…
Chineses vão beber mais espumante

Na maior parte dos mercados ocidentais, o espumante representa cerca de 10% do consumo de vinho. Na China é de apenas 1%! Mas a situação está a mudar, diz um relatório da Wine Intelligence – Sparkling Wine in the Chinese Market – acabado de publicar. A empresa de estudos de mercado indica que uma nova […]
Na maior parte dos mercados ocidentais, o espumante representa cerca de 10% do consumo de vinho. Na China é de apenas 1%! Mas a situação está a mudar, diz um relatório da Wine Intelligence – Sparkling Wine in the Chinese Market – acabado de publicar. A empresa de estudos de mercado indica que uma nova geração de consumidores – especialmente os jovens com formação superior – estão a explorar outros caminhos no consumo de vinho, indo além do tradicional vinho tinto. Ao mesmo tempo, a chegada ao mercado chinês de um conjunto de espumantes de baixo preço permitiu a muitos consumidores provarem este tipo de vinho, o que antes lhes seria economicamente inacessível.
O espumante, recorde-se, não tem na China a conotação de bebida festiva e de brinde como existe no mundo ocidental.
O relatório indica ainda qual o tipo de perfil de espumante que deverá ter o maior potencial no mercado chinês: “doce, mas não demasiado, só o suficiente para equilibrar a acidez do espumante; ligeiramente gasoso (como um frisante) e bastante frutado.
O estudo custa 1.800 euros e pode ser encomendado através do site da Wine Intelligence.
Adega da Herdade do Freixo ganha prémio de arquitectura

Concebida pelo atelier de Frederico Valsassina Arquitectos, a adega da Herdade do Freixo acaba de conquistar o primeiro prémio da ArchDaily, na categoria de Industrial Architecture. O site ArchDaily (www.archdaily.com) considera-se o “mais visitado do mundo da arquitectura”. O prémio está integrado nos prémios “2018 Building of the Year Awards” e resulta da votação dos […]
Concebida pelo atelier de Frederico Valsassina Arquitectos, a adega da Herdade do Freixo acaba de conquistar o primeiro prémio da ArchDaily, na categoria de Industrial Architecture. O site ArchDaily (www.archdaily.com) considera-se o “mais visitado do mundo da arquitectura”. O prémio está integrado nos prémios “2018 Building of the Year Awards” e resulta da votação dos leitores do site, com quase 100.000 votos depositados.
A adega da Herdade do Freixo tem uma arquitectura muito particular, sendo construída em profundidade: só uma pequena parte está visível do exterior. Um gigantesco buraco com mais de 40 metros de fundo foi alojar a parte subterrânea, que é acedida através de uma rampa em espiral. A concepção vertical permite ainda que as uvas cheguem à zona de vinificação por gravidade, preservando melhor a sua integridade. Ao mesmo tempo, a estabilidade térmica é muito melhorada, já que a terra por cima serve de isolamento aos calores, por vezes violentos, do norte alentejano. A adega fica ao pé da vila do Redondo e foi inaugurada em 2016. Os vinhos que daqui saíram já congregaram excelentes críticas por parte dos especialistas.
Se desejar visitar esta obra arquitectónica, a adega pode ser visitada de terça a sábado, às 11:30 e às 15:30. O preço por pessoa é de 6,50 euros. As marcações podem ser feitas pelo tel. 266 094 830.
Esporão lança o livro “Colheitas e Artistas 1985 – 2015”

O livro reúne 30 colheitas, 32 Artistas e 90 obras originais que ilustram os rótulos da colecção do Esporão. Desde o seu primeiro vinho, de 1985, que o Esporão mantém a tradição de enriquecer e personalizar os rótulos de cada colheita, unindo a cultura universal do vinho e da arte. Até 2015, o Esporão contou […]
O livro reúne 30 colheitas, 32 Artistas e 90 obras originais que ilustram os rótulos da colecção do Esporão. Desde o seu primeiro vinho, de 1985, que o Esporão mantém a tradição de enriquecer e personalizar os rótulos de cada colheita, unindo a cultura universal do vinho e da arte. Até 2015, o Esporão contou com 29 artistas portugueses, 2 angolanos e 1 brasileiro. O livro do Esporão “Colheitas e Artistas 1985 – 2015” resulta de uma compilação única das colheitas e o seu enquadramento histórico.
Entre os artistas plásticos contam-se Manuel Cargaleiro, Dórdio Gomes, João Hogan, Júlio Resende, Júlio Pomar, José de Guimarães, Artur Bual, Mestre Isabelino, Luís Pinto Coelho, Armando Alves, Pedro Proença, Julião Sarmento, Graça Morais, Guilherme Parente, Pedro Calapez, Costa Pinheiro, Gilberto e Gabriel Colaço, Pedro Cabrita Reis, José Manuel Rodrigues, José Pedro Croft, Joana Vasconcelos, Rui Sanches, Lourdes de Castro, Felipe Oliveira Baptista, Alberto Carneiro, João Queiroz e Pedro A.H. Paixão. Colaboraram ainda os artistas plásticos angolanos António Ole e Binelde Hyrcan, o brasileiro Rubens Gerschman e Ana Jotta para uma edição especial do 1.º Prémio da Confraria do Alentejo.
A tradição tem continuado e, a este grupo de 32 artistas, seguiu-se Duarte Belo e será anunciada uma nova colaboração ainda este ano.
O livro estará à venda nas livrarias Ler Devagar e Ferin, em Lisboa; na Livraria do Mercado, em Óbidos, bem como no Enoturismo da Herdade do Esporão, com um preço aproximado de €50.
Região do Tejo está a crescer em vendas

Os Vinhos da Região do Tejo registaram um crescimento de 10,9% no seu volume de vendas entre Janeiro e Setembro de 2017, face ao mesmo período de 2016. Estes resultados estão acima do valor estimado pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) para o ano de 2017. Este crescimento, estima a CVR, tem vindo […]
Os Vinhos da Região do Tejo registaram um crescimento de 10,9% no seu volume de vendas entre Janeiro e Setembro de 2017, face ao mesmo período de 2016. Estes resultados estão acima do valor estimado pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) para o ano de 2017. Este crescimento, estima a CVR, tem vindo a ser acompanhado pelo aumento do número de vinhos certificados, um bom sinal.
Segundo dados da empresa de estudos de mercado Nielsen, e em relação ao mercado Nacional, registaram-se valores de vendas acima dos registados em 2016 (Distribuição + Restauração) que, cresceram 14,3% em volume e 17,7% em valor.
Nas exportações, as coisas também estão a correr bem: em 2017, as vendas nos seis mercados estratégicos de exportação cresceram 19,8%, e entre 2014 e 2017 o crescimento global nestes 6 mercados foi de 57%. A exportação ocupa neste momento 33% das vendas da região Tejo. Em 2017 o destaque vai para o Brasil, onde as vendas cresceram 82%, seguido da Polónia (23,8%), Alemanha (13,7%), EUA (7,2%) e China (5,09%).
Muitas iniciativas
Para este ano, a CVR Tejo efectuará novas acções de promoção, como a participação dos vinhos da região em vários concursos internacionais, dos quais se destacam o International Wine Challenge (IWC) e o Decanter World Wine Awards, ambos no Reino Unido; o MundusVini e o Berliner Wein Trophy, na Alemanha; e o Enoexpo Wine Competition na Polónia.
Nas feiras internacionais mais importantes, confirma-se a presença dos Vinhos do Tejo na INTERWINE, na China; na ENOEXPO, na Polónia; e na PROWEIN, na Alemanha. Para além das feiras estão previstos Roadshows na China, na Polónia e no Brasil, onde a “Caravana Vinhos do Tejo” passará por diversas cidades brasileiras. Ainda um especial destaque para as Grandes Provas Anuais Vinhos do Tejo, que vão decorrer no Brasil, Reino Unido, Polónia e Alemanha. Além destas acções, estão também previstas para 2018 provas de vinho com jornalistas e bloggers, cursos de vinhos, master classes e visitas de jornalistas e importadores estrangeiros à região do Tejo.
Em Portugal é de realçar a participação em eventos como o Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo (CVET), o Concurso Vinhos de Portugal, a Gala Vinhos do Tejo e o Tejo Gourmet, promoção do Dia dos Namorados, roadshow pelas praias de norte a sul, Mercado de Vinhos do Campo Pequeno, bem como a participação em diversas feiras.
Curso de gastronomia e de vinhos, a 24 de Fevereiro e 3 de Março

Para além da edição desta revista e dos eventos – como a maior feira nacional sobre vinho e gastronomia – uma das actividades nascentes da VINHO Grandes Escolhas tem a ver com formação. O primeiro curso já se realizou em Janeiro, com grande sucesso. Tratou-se de um curso de Nível 1 – Introdução aos vinhos […]
Para além da edição desta revista e dos eventos – como a maior feira nacional sobre vinho e gastronomia – uma das actividades nascentes da VINHO Grandes Escolhas tem a ver com formação. O primeiro curso já se realizou em Janeiro, com grande sucesso. Tratou-se de um curso de Nível 1 – Introdução aos vinhos portugueses e foi ministrado por Luís Lopes, director da VINHO Grandes Escolhas. Participaram 22 formandos, esgotando a capacidade da sala. A próxima edição irá ocorrer a 3 de Março, com o mesmo formato, e a formação estará a cargo de João Paulo Martins, formador e crítico de vinhos com mais de três décadas de experiência. Os participantes vão receber formação durante 4 horas, com provas de vinhos, e no final receberão documentação detalhada.
Curso de Gastronomia a 24 de Fevereiro
Jornalista, crítico gastronómico, autor e grande especialista em temas gastronómicos, Fortunato da Câmara vai ministrar um curso para “para apreciadores curiosos”. O curso terá uma duração de 3 horas e vai incluir uma série de temas raramente disponíveis para o público não especializado. Falamos, por exemplo, da “percepção do gosto em termos neurofisiológicos e a formação da “personalidade” alimentar desde a infância”. Ou ainda “a identificação dos pratos num menu de restaurante e a expectativa de quem os escolhe”. Pelo meio vai ainda aprender (e provar, claro) muitas outras coisas e no final receberá documentação.
Ambos os cursos requerem reserva para o tel: 211 397 433 ou para micheliepeste@grandesescolhas.com. Os preços são de €50 por pessoa, mas baixam para €45 para assinantes da VINHO Grandes Escolhas. Estão ainda disponíveis vouchers de oferta.