Academia Vinhos de Portugal forma sommeliers espanhóis

Academia de Vinhos de Portugal

Promover o interesse e o conhecimento pelos vinhos portugueses em Espanha são os principais objectivos da iniciativa que a Academia Vinhos de Portugal, da ViniPortugal, vai realizar junto de sommeliers daquele país. Serão realizadas acções em 10 cidades de Espanha e pretende-se chegar aos 300 formandos. O projecto arranca no dia 15 de Janeiro, em […]

Promover o interesse e o conhecimento pelos vinhos portugueses em Espanha são os principais objectivos da iniciativa que a Academia Vinhos de Portugal, da ViniPortugal, vai realizar junto de sommeliers daquele país. Serão realizadas acções em 10 cidades de Espanha e pretende-se chegar aos 300 formandos. O projecto arranca no dia 15 de Janeiro, em Madrid.

A Academia Vinhos de Portugal enquadra-se na estratégia de reforço da educação e promoção da marca Wines of Portugal no mercado espanhol, em particular junto de sommeliers, que têm um papel fundamental no aconselhamento e na recomendação de vinhos junto de profissionais de hotelaria e restauração bem como junto dos clientes finais.

As formações serão ministradas por Sofia Salvador, Wine Educator da ViniPortugal, e Sara Peñas, Sommelier e Formadora de Vinhos nas melhores instituições de ensino espanholas. A primeira sessão, liderada por Sofia Salvador, decorrerá no dia 15 de Janeiro, na Escuela de Hostelaría de Madrid. As restantes sessões, ministradas por Sara Peñas, decorrerão em datas e locais a divulgar em breve.

Cada formação, certificada com o Nível de Iniciação da Academia Vinhos de Portugal, terá a duração de três horas e dará a conhecer a realidade dos vinhos portugueses, nomeadamente tipos de vinhos, castas, regiões, climas e solos, prova de vinhos e a sua capacidade de harmonização gastronómica.

Redescobrir o rum da Madeira

[vc_row][vc_column][vc_column_text] O enquadramento legal desenhado em 2011 abriu caminho para a era moderna do Rum Agrícola da Madeira, um produto tão antigo quanto a própria presença humana na ilha. Sim, há rum feito em Portugal. E é excelente.   TEXTO João Paulo Martins FOTOS DR IR à procura dos primeiros engenhos de açúcar na ilha […]

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O enquadramento legal desenhado em 2011 abriu caminho para a era moderna do Rum Agrícola da Madeira, um produto tão antigo quanto a própria presença humana na ilha. Sim, há rum feito em Portugal. E é excelente.

 

TEXTO João Paulo Martins FOTOS DR

IR à procura dos primeiros engenhos de açúcar na ilha da Madeira é mergulhar na história mais antiga da ilha, uma vez que o açúcar terá sido das primeiras colheitas a vingarem no território, plantadas pelos colonos portugueses. Após o fracasso de um primeiro ciclo do trigo (cereal de que sempre fomos deficitários), a cana mostrou uma óptima adaptação. E com a cana vieram os engenhos e veio também a destilação do açúcar, método através do qual se obtém o rum.

A produção é, assim, muito antiga e a área que estava reservada ao seu cultivo chegou a atingir os 6.500 hectares, números fabulosos se comparados com os actuais 155 hectares. Apesar disso contam-se 806 produtores de cana e cinco engenhos de destilação, dois deles de dimensão familiar. Desde sempre usado para a produção da poncha – bebida local à base de rum –, o rum agrícola viu o seu estatuto ser elevado à categoria que merecia em 2011, com normas e regras que permitiram obter destilados de grande categoria, já premiados em concursos de espirituosos. Temos, por exemplo, a indicação de idade, que vem no rótulo e que se estende dos 3 aos 25 anos, e passou a haver redobrados cuidados com a apresentação do produto, como se comprova no exemplo que mostramos.

A prova deste rum foi, devo confessar, uma enorme surpresa, pelo equilíbrio que mostrou, pela evolução que teve em casco, pelo carácter e grande nervo que revelou ao longo da prova. Mais um daqueles casos em que a prova cega nunca nos aproximaria da Madeira e muito provavelmente nos encaminharia para as Caraíbas. Escolhemos um topo de gama, um rum raro até pela pequena quantidade engarrafada, mas a prova que fizemos no Funchal não nos deixou dúvidas: estamos perante um grande destilado. A conhecer. O preço indicado refere-se à Garrafeira Nacional, em Lisboa, onde se encontra à venda.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_row_inner el_class=”remove-space-vinhos”][vc_column_inner width=”1/3″][vc_single_image image=”2616″ img_size=”medium” alignment=”center”][vc_raw_html]JTNDZGl2JTIwY2xhc3MlM0QlMjJnZS1kYWRvcyUyMiUzRSUwQSUwQSUzQ3NwYW4lMjBjbGFzcyUzRCUyMnBvbnR1YWNhbyUyMiUzRTE4JTNDJTJGc3BhbiUzRSUwQSUzQ3NwYW4lMjBjbGFzcyUzRCUyMnByaWNlJTIyJTNFJUUyJTgyJUFDNTQlMkM5MCUzQyUyRnNwYW4lM0UlMEElM0NzcGFuJTIwY2xhc3MlM0QlMjJpY29uJTIyJTNFJTNDaW1nJTIwd2lkdGglM0QlMjIyOCUyMiUyMHNyYyUzRCUyMiUyRndwLWNvbnRlbnQlMkZ1cGxvYWRzJTJGMjAxNyUyRjA3JTJGaWNvbi1iZWJlci5wbmclMjIlM0UlM0MlMkZzcGFuJTNFJTBBJTBBJTNDJTJGZGl2JTNF[/vc_raw_html][td_block_text_with_title custom_title=”970 Single Cask Edition” header_text_color=”#ac1e2c” el_class=”initial-title”]Rum Agrícola da Madeira
J. Faria & Filhos

Bonito na cor topázio com reflexos esverdeados, aroma pungente e intenso, com notas de frutos secos, de leve fruto tropical seco e alguma especiaria. Muito bem na boca, volumoso mas fino, com grande harmonia e uma sensação final longa e muito delicada ao fruto. (55,8%)[/td_block_text_with_title][/vc_column_inner][/vc_row_inner][/vc_column][/vc_row]

Museu do vinho do Dão… na net

Museu Virtual do Vinho

O vinho do Dão já tem um museu virtual e a iniciativa pertenceu à Lusovini – Vinhos de Portugal, dinâmica empresa que tem sede em Nelas, no coração do Dão. A liderança do projecto coube ao empresário Casimiro Gomes, CEO da Lusovini, que explicou o motivo porque decidiu embarcar neste empreendimento: “Decidimos investir num museu […]

O vinho do Dão já tem um museu virtual e a iniciativa pertenceu à Lusovini – Vinhos de Portugal, dinâmica empresa que tem sede em Nelas, no coração do Dão. A liderança do projecto coube ao empresário Casimiro Gomes, CEO da Lusovini, que explicou o motivo porque decidiu embarcar neste empreendimento: “Decidimos investir num museu virtual da região vinícola em que temos a nossa sede, o Dão, porque 70% dos nossos vinhos são vendidos no estrangeiro e, portanto, a grande maioria dos nossos clientes não tem possibilidades práticas de nos visitar”. Não há visita física, fica a visita virtual. A coordenação ficou entregue a Virgílio Loureiro, um confesso apaixonado e conhecedor da história do vinho. Este professor aposentado do Instituto Superior de Agronomia começou por dizer que o projecto foi extremamente difícil de concretizar porque “a história do vinho do Dão ainda está por fazer”. De facto, Virgílio Loureiro teve que lidar com a exiguidade de vestígios, arquivos e prévias investigações, todos eles grandes obstáculos ao empreendimento.
No entanto, o resultado é bom, bastante vivo e com conteúdos de qualidade, tanto a nível de textos como de imagens. E o coordenado já garantiu que o site irá ter actualizações, à medida que novas investigações tragam novos elementos ao acervo.

Seis grandes capítulos
O site está dividido em seis grandes temas, começando com o surgimento da vinha e do vinho, há cerca de 8.000 anos. O capitulo seguinte lida com a chegada da videira e do vinho à Península Ibérica. Só em “O vinho no Dão” se entra no século XII e nos primeiros indícios da chegada do néctar das uvas a esta região de Portugal. Os três restantes capítulos lidam com a Paisagem do Dão, as suas castas principais e um interessante sobre “O vinho à mesa aristocrática”. Sabemos assim que, desde há muitas décadas, o vinho era tratado com muito respeito pelas grandes famílias da região. E mais não digo, que há muitas outras nuances…
O site contém ainda alguns jogos, indicados para os mais pequenos.
Os conteúdos estão para já em duas línguas – português e inglês – mas num futuro próximo estarão em mandarim (chinês) e francês.
Para visitar o museu, aponte para o endereço www.museuvirtualhistoriadovinho.com/pt/

Franceses vão testar túnel protector sobre a vinha

Viti-Tunnel

Está farto de fazer tratamentos contra doenças da vinha provocadas por excesso de humidade? Pois bem, pode haver uma solução para isto, cortesia de uma empresa francesa start-up, a Mo.Del. O produto chama-se Viti-Tunnel e no fundo é uma espécie de estufa que vai cobrir uma – ou parte – de linha de vinha. O […]

Está farto de fazer tratamentos contra doenças da vinha provocadas por excesso de humidade? Pois bem, pode haver uma solução para isto, cortesia de uma empresa francesa start-up, a Mo.Del. O produto chama-se Viti-Tunnel e no fundo é uma espécie de estufa que vai cobrir uma – ou parte – de linha de vinha. O bom da questão é que esta espécie de manga só será esticada quando há o perigo de elementos naturais – como a chuva – provocarem doenças na videira. Falamos de doenças provocadas por fungos (míldio, oídio) mas também de outras, como o ‘black-rot e a escoriose, ligadas à excessiva humidade. Este ano (e em 2019) vão ser dez os produtores a testar o produto, todos de Bordéus (cada um pagou 10.000 euros). Estes testes vão ser seguidos de perto e de forma cientifica pelo Instituto Francês da Vinha e do Vinho.

O sistema de esticar/encolher a manga (estilo telescópio) funcionará a energia solar e de forma automática, reagindo a sensores de humidade. Cada túnel irá, para já, proteger entre 50 e 100 metros de vinha. O modo de ancoragem não foi revelado mas parece que o revestimento irá ser puxado por cabos suspensos em postes.

O promotor da iniciativa, Patrick Delmarre, estima que “no melhor dos cenários, o Viti-tunnel deverá permitir uma redução de 80 % nos tratamentos”. Mas, mesmo se forem necessários, a estrutura da manga permitirá fazer pulverizações anti-fúngicas nesse espaço. As vantagens podem não acabar por aqui: o sistema poderá proteger ainda contra geadas ou gelo, embora tal esteja ainda sujeito a testes. O preço de uma destas soluções não foi divulgado, mas só deverá ser rentável para vinhas que dão origem a vinhos topos-de-gama. (AF)

Quinta da Pellada: as muitas faces de uma vinha

Se as vinhas recebessem medalhas pelos vinhos que produzem, a Quinta da Pellada seria talvez a vinha mais medalhada da região do Dão. Foi Álvaro Castro quem a tornou um ícone. Ou terá sido o contrário?   TEXTO João Afonso FOTOS Ricardo Palma Veiga POR trás de um vinho está sempre uma vinha. E a […]

Se as vinhas recebessem medalhas pelos vinhos que produzem, a Quinta da Pellada seria talvez a vinha mais medalhada da região do Dão. Foi Álvaro Castro quem a tornou um ícone. Ou terá sido o contrário?

 

TEXTO João Afonso FOTOS Ricardo Palma Veiga

POR trás de um vinho está sempre uma vinha. E a pergunta que surge é se uma vinha, por si só, é condição suficiente para fazer um grande vinho.

“Não tive qualquer mérito” – foi a resposta de Álvaro Castro à suposição. E assim nos invade um certo e insondável pragmatismo da mãe-Natureza que, quando reúne condições óptimas de expressão, fá-lo em modo decorrente e magnífico. E por sempre desconhecermos, objectiva e concretamente, as razões de como o faz, ainda mais nos interrogamos, gratos por tal dádiva.

Este engenheiro civil que nunca chegou a desempenhar funções relacionadas com a formação tomou conta das terras da família em Pinhanços ainda muito novo, com pouco mais de 20 anos de idade. Em 1989, com 37 anos, e no início do despertar do “novo Dão”, decide deixar de vender a uva das vinhas plantadas pelo seu pai e lançar-se na procura do vinho de seu gosto. Entrou no momento certo e com o pé direito.

Nesta época Portugal tinha acabado de despertar para a questão varietal, assunto nunca abordado até então, num país onde a enorme quantidade de castas e respectivas sinonímias (mais de um nome para a mesma casta) representavam quase sempre um labirinto pesado e inabordável, em termos sistemáticos, para a maioria dos viticultores nacionais.

A coqueluche de então era a Touriga Nacional, que Álvaro Castro soube explorar como ninguém. E aqui sim, teve o enorme mérito de fazer com que a vinha deixada pelo seu pai desempenhasse um papel brilhante, não só na produção de excelente vinho como também na satisfação dos enófilos consumidores das novas tendências.

A vinha mais representativa deste produtor é a vinha velha da Pellada, de onde Álvaro “cozinhou” de modo assertivo e inteligente os primeiros vinhos e as primeiras marcas. Havia e há também a Quinta de Saes, sempre num segundo plano (ainda que o primeiro Saes branco tenha sido, de facto, o primeiro Primus, porque foi feito com uva da vinha velha da
Pellada) e mais tarde, já com Álvaro Castro perfeitamente estabelecido como um dos principais produtores de vinho do Dão, a aquisição da Quinta do Outeiro, ao antigo proprietário da Casa Passarella, Manuel Santos Lima.

Um verdadeiro mestre a criar marcas fortes, Álvaro Castro é por isto mesmo, e sem realmente o buscar, um dos produtores mais mediáticos de Portugal. De momento possui 26 referências de vinho, e 8 vêm da Quinta da Pellada, um verdadeiro tesouro, herança de família, para o qual soube construir a chave com que o abrir.

Várias vinhas numa vinha
A Quinta da Pellada é constituída por várias parcelas de vinhas que somam um total de 26 hectares. A vinha velha, plantada pelo seu pai nos idos anos 50, encontra-se a nascente de uma casa solarenga usada para os maiores eventos da empresa. É a partir dela que a história deste produtor se faz.

Está situada num pequeno promontório a noroeste da linha obliqua do sopé da serra da Estrela (com orientação NE/SW). Pela manhã, do solheiro promontório da Quinta da Pellada, com a palma da mão a dar sombra e conforto aos olhos, podemos admirar o imponente, escuro e sombreado maciço montanhoso da serra da Estrela.

Levemente elevado, a uma cota máxima de 545 metros de altitude, este cabeço/promontório, de forma larga e aplanada, tem leve inclinação/exposição a Sudoeste. Do pequeno alto podemos sentir as excelentes condições de drenagem natural que aqui existem. E não falo apenas da água, pois estamos numa zona de elevada pluviosidade (entre 1000 e 1400 l/m2/ano), mas também do frio intenso invernal e primaveril. Do alto da serra, em noites calmas, desce a assassina geada que pode aniquilar muita florescência na fase inicial do ciclo vegetativo. Como bem elucida Álvaro Castro, “o frio é como a água, temos de lhe dar saída para não causar estragos”.

O solo é de granito muito antigo, erodido em areia. Solo rico em sílica com pH ácido que dificulta a alimentação da videira controlando e ajustando (juntamente com a poda) a produção de uva por cepa a um nível baixo, que permite a excelência na qualidade.

Neste solo está um dos grandes trunfos da vinha velha da Pellada. Bem drenado, pouco fértil e com um complemento argiloso que faz a diferença durante a estação quente e seca. A orografia e características do subsolo desta fantástica parcela permitem à sua vinha velha, mesmo nos anos mais difíceis (como este de 2017), uma maturação lenta e continuada das uvas.

Neste contexto, Álvaro Castro opta por ser o menos interventivo possível e adopta desde há alguns anos práticas antigas, tais como as do pastoreio. “A melhor maneira de termos um solo fresco e húmido durante o Verão, é mantê-lo alimentado sem intervenções técnicas ou mecânicas, e as ovelhas através da suave compressão da camada mais superficial de solo e através do seu regime alimentar, ajudam muito a fertilizar, a controlar o coberto vegetal e a guardar alguma frescura para a estação seca.”

Por último o pote das castas: “Nesta vinha, acho que tenho um excelente exemplo do que é o Dão em termos de castas ou de field blend, como agora se usa dizer” – comenta Álvaro.

E este é talvez o grande segredo desta vinha. O material usado não vem de clones selecionados, com a feição produtiva direccionada que lhe conhecemos, mas sim de uma selecção massal feita na região desde há séculos e onde a diversidade varietal toma outro e mais complexo potencial aromático e gustativo.

As diferentes Pelladas
Depois de 24 vindimas e de muita observação e avaliação, os 8,5 hectares de vinha velha desmultiplicaram-se em 5 parcelas de que resultam desde a colheita de 2013, quatro vinhos de micro-parcelas: o branco Primus e os tintos Quinta da Pellada “Alto”, “Casa” e “49” (aos quais em breve se juntará o “Fundo”); mais o lote tradicional de tinto da Quinta da Pellada (saído das parcelas do Alto, Casa e Fundo com mais 25% de Touriga Nacional e Jaen).

As parcelas foram separadas a partir da colecção varietal e das características de solo de cada uma. Na de branco, no canto noroeste do pequeno plateau rectangular que é a vinha velha da Pellada, dominam as castas Encruzado e Bical, seguidas de Cerceal, Verdelho, Malvasia Fina, Terrantez, Fernão Pires e outras mais. Daqui sai o vinho Quinta da Pellada Primus, um branco topo de gama feito por duas vindimas, a primeira para as castas mais precoces (Bical, Fernão Pires e Malvasia) e a segunda para as outras.

Quanto às quatro parcelas de tinto, na do “Alto” (localizada na parte superior e mais a Leste do retângulo e de solo menos argiloso e mais arenoso) dominam as castas Jaen, Alvarelhão, Tinta Pinheira, Tinta Carvalha, Bastardo, e outras com reduzida expressão como a Touriga Nacional, o Português Azul e o Negro Mouro; na parcela “Casa”, junto ao solar, de solos mais compactos com alguma argila e forte presença de quartzos, dominam as castas Alfrocheiro, Touriga Nacional e Jaen, acompanhadas pelo Tinto Cão, Tinta Amarela e Tinta Pinheira; e na parcela “49”, de solos graníticos mais heterógenos, com mais línguas de areias e argila, recolhem-se e fermentam-se em separado as castas Alfrocheiro e Touriga Nacional, sendo o resto das uvas conduzidas para outros vinhos.

Os varietais e os outros
A Touriga Nacional já foi o centro das atenções de Álvaro Castro. O produtor dá atenção agora a outras variedades menos cotadas, como a Jaen, a casta mais presente nas vinhas de todo o Dão num total de cerca de 2.760 hectares, e o Alvarelhão, com uns singelos 23 hectares de área total regional, que anunciam o pouco interesse geral dado a esta variedade.

Estes tintos são feitos a partir da vinha velha depois de vindima cirúrgica destas castas. Videiras velhas, pouco produtivas e de excelente saúde, são as eleitas para a produção
destes exemplares varietais. O fantástico Jaen prova que a casta, além de excelente em vinho de lote, consegue brilhar “a solo” como as melhores, quando bem cuidada, claro está. Quanto ao Alvarelhão, talvez o lote seja o melhor encaixe, ainda que não existam suficientes dados, ou suficientes vinhos estremes, para se ser conclusivo.

Adjacente ao bloco rectangular da vinha velha e em direcção à montanha, uma suave encosta de exposição Sul contém mais nove parcelas de vinha responsáveis por mais dois vinhos emblemáticos da Quinta da Pellada. São eles o talhão de Touriga Nacional da Entrada que dá origem ao conhecido Carrocel, e o talhão 12, que produz um soberbo e elegantíssimo Quinta da Pellada Baga. Neste caso mais um mérito para Álvaro Castro, dos raros produtores regionais a defender uma variedade originária do Dão, que ocupa o 2ºlugar nas tintas mais plantadas (2.332 hectares), que é corresponsável pelo prestígio do Dão antigo e que continua a ser desprezada pela região não só a nível vitícola como também institucional (não surge entre as castas recomendadas para DOC Dão).

Estes vinhos não foram incluídos na prova que aqui relatamos por não pertencerem à vinha velha que constitui o embrião do projecto de Álvaro Castro e que serviu de rampa ao produtor para ele subir ao podium dos vignerons nacionais. Esta vinha e muitas outras espalhadas por Portugal constituem um repositório genético importantíssimo para o presente e futuro do país vinhateiro.

Adega da Vidigueira inaugura Casa das Talhas

Adega da Vidigueira inaugura Casa das Talhas

A Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito (ACVCA) criou, nas suas instalações, um espaço próprio para alojar sete talhas. Em 2017 já aí foram vinificadas cerca de 4 toneladas de uva, que deram origem a 4 vinhos de talha. A inauguração oficial contou com a presença de José Miguel Almeida, presidente do Conselho de […]

A Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito (ACVCA) criou, nas suas instalações, um espaço próprio para alojar sete talhas. Em 2017 já aí foram vinificadas cerca de 4 toneladas de uva, que deram origem a 4 vinhos de talha. A inauguração oficial contou com a presença de José Miguel Almeida, presidente do Conselho de Administração, que afirmou na altura: “a nossa adega está a dar cada vez mais ênfase a esta arte milenar e ao processo de vinificação tão utilizado nesta região do Alentejo. É desta forma que conseguimos honrar a herança que nos foi deixada pelos romanos, ao mesmo tempo que conseguimos preservar as vinhas centenárias e mais antigas da região (…)”.

Ricardo Oliveira - José Miguel Almeida - Renato Ramalho
A direcção reeleita: Ricardo Oliveira, José Miguel Almeida e Renato Ramalho.

José Miguel Almeida (e a sua equipa de gestão), refira-se ainda, foi reconduzido no seu cargo em eleição realizada durante a Assembleia Geral da ACVCA, em meados de Dezembro. A sua lista conseguiu 91% dos votos, indicando a satisfação inequívoca dos associados com a gestão destes últimos anos.

Adega Quinta do Casal Branco comemorou 200 anos

Adega Casal Branco faz 200 anos

A Quinta do Casal Branco, em Almeirim, celebrou, no dia 7 de Dezembro, 200 anos de produção vitivinícola e reuniu 200 convidados para um jantar comemorativo no interior da sua adega de 1817, precedido de um concerto pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigida pelo maestro búlgaro Nicolay Lalov, na Sala dos Lagares. […]

A Quinta do Casal Branco, em Almeirim, celebrou, no dia 7 de Dezembro, 200 anos de produção vitivinícola e reuniu 200 convidados para um jantar comemorativo no interior da sua adega de 1817, precedido de um concerto pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, dirigida pelo maestro búlgaro Nicolay Lalov, na Sala dos Lagares. Construída no séc. XIX, aquela que foi a primeira adega industrial a vapor da região e que hoje produz anualmente 900 mil litros de vinho, foi palco para a apresentação das novas colheitas “Especial 200 Anos”, vinificadas pelos enólogos Joana Silva Lopes e Manuel Lobo de Vasconcellos: são eles o Falcoaria Fernão Pires 2016 Vinhas Velhas, o Falcoaria Clássico tinto 2014, Falcoaria Grande Reserva tinto 2015 e o Falcoaria Colheita Tardia 2014. Às celebrações da família Lobo de Vasconcellos, associou-se nesta data a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo que, na cerimónia do seu XXXVIII Capítulo, procedeu à entronização de novos confrades.
A Quinta do Casal Branco, gerida por José Lobo de Vasconcellos, mantém-se desde 1775 na mesma família, através das várias gerações Braamcamp Sobral e Lobo de Vasconcellos, com longa experiência agrícola e especial dedicação à arte de fazer vinho. Situada na margem esquerda do rio Tejo, a propriedade com cerca de 1.100 hectares possui vinhas implantadas em solos franco-arenosos, num total de 119 hectares, destacando-se as castas das vinhas centenárias (Fernão Pires, Castelão, Trincadeira e Touriga Nacional) e as recentemente introduzidas Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet. A vinificação é realizada na adega do séc. XIX, totalmente remodelada em 2004. A marca Casal Branco está, hoje, presente em 28 mercados externos (destacando-se Reino Unido, Estados Unidos, Hong Kong, Angola e Brasil), correspondentes a 91% do volume anual de vendas que, actualmente, se traduz num milhão de garrafas.

Paulo Amorim condecorado por França

Paulo Amorim

O empresário Paulo Amorim foi agraciado pelo Governo Francês com a Comenda de Chevalier dans l`Ordre du Mérite Agricole. O actual Administrador Executivo da casa de Vinho do Porto Christie`s, recorde-se, já tinha sido distinguido em 2006 com a Comenda de Grande Oficial da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial, por “serviços relevantes prestados à […]

O empresário Paulo Amorim foi agraciado pelo Governo Francês com a Comenda de Chevalier dans l`Ordre du Mérite Agricole. O actual Administrador Executivo da casa de Vinho do Porto Christie`s, recorde-se, já tinha sido distinguido em 2006 com a Comenda de Grande Oficial da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial, por “serviços relevantes prestados à Pátria”.
Paulo Amorim trabalha no sector do vinho desde 1981 e para além de Presidente da Direcção da ANCEVE – Associação Nacional dos Comerciantes e Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas e fundador e dirigente da ViniPortugal, foi um dos principais responsáveis pelo Estudo Porter, bem como fundador e Presidente do G7 – Grupo dos Sete, tendo ainda sido director de C. da Silva (Vinhos) e da Quinta da Aveleda, bem como Administrador Executivo (e CEO) da Vinalda e da Global Wines.
A família de Paulo Amorim acompanhou-o na ocasião da imposição formal da distinção atribuída pelo Governo de França.