Ventozelo: a jóia da Gran Cruz

Situada na margem esquerda do Douro, na freguesia de Ervedosa, sub-região de Cima Corgo, a Quinta de Ventozelo, com os seus 400 hectares de extensão, 200 dos quais de vinha, em forma de anfiteatro natural sobre o rio, é uma das mais belas propriedades da região.   TEXTO João Geirinhas NOTAS DE PROVA Luís Lopes […]

Situada na margem esquerda do Douro, na freguesia de Ervedosa, sub-região de Cima Corgo, a Quinta de Ventozelo, com os seus 400 hectares de extensão, 200 dos quais de vinha, em forma de anfiteatro natural sobre o rio, é uma das mais belas propriedades da região.

 

TEXTO João Geirinhas NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga

SE juntarmos a esta impressionante beleza natural uma história que se perde nos tempos, a dimensão invulgar dos seus limites e as condições naturais de solo e clima para proporcionarem uma viticultura de excelência, percebemos melhor a ambição dos seus actuais proprietários em torná-la uma quinta modelar, berço favorecido para a produção de grandes vinhos do Porto e Douro.

Foi um pouco desta magia do lugar que a Gran Cruz pretendeu trazer a Lisboa na apresentação à imprensa dos seus topos de gama de Ventozelo, pelas mãos de Jorge Dias, director geral do grupo, José Manuel Sousa Soares, chefe da equipa de enologia, e Miguel Castro Silva, chefe do Lumni, onde decorreu o jantar, e há muito regular colaborador da empresa. É muito gratificante ouvir falar Jorge Dias de Ventozelo e José Manuel Soares dos seus vinhos. Falam com o entusiasmo de uma criança que acedeu finalmente ao brinquedo há muito desejado, o brilho dos seus olhos não engana.

Trata-se de uma aquisição recente. Foi apenas em 2014 que a Gran Cruz adquiriu a quinta a um grupo galego com interesses diversificados, mas com forte presença nas pescas e que um dia sonhou ser um grande produtor de vinhos. Condicionalismos e contingências de vária ordem impediram esse desiderato e após anos de incertezas e muitas negociações falhadas com outros pretendentes, a líder mundial na venda de Vinho do Porto tomava posse desta propriedade e começava a partir daí uma revolução silenciosa. Não que Ventozelo estivesse ao abandono, mas perante o desafio que a Gran Cruz tinha em mão e o projecto que Jorge Dias e a sua equipa elaboraram para a propriedade, o trabalho era gigantesco. É que, apesar de dispor da maior marca de Vinho do Porto, o grupo Gran Cruz não tinha vinhas próprias, comprando toda a produção, em vinho ou em uvas, a mais de três mil viticultores e cooperativas da região. Por outro lado, a imagem da empresa estava em geral mais associada ao volume do que aos vinhos de topo de gama. Nas palavras de Gaspar Martins Pereira, na sua excelente monogra a “Ventozelo – Uma Quinta Milenar no Douro Vinhateiro”, recentemente publicada, “a compra da Quinta de Ventozelo integra-se nesse projecto global de viragem estratégica da Gran Cruz”. Investir na produção vitícola e obter matéria-prima de qualidade, a base fundamental para fazer vinhos de excelência, tanto Douro como Porto, é o objectivo mais imediato. Lançou-se por isso um extenso trabalho de requalificação das vinhas, que abrangeu cerca de 20% da área plantada, com a eliminação de castas exógenas e a sua substituição por variedades autóctones. Mas o desfio vai ainda mais além: para Jorge Dias, Ventozelo é uma oportunidade para revelar o que o Douro tem de melhor para oferecer: um projecto integrado, onde além da vinha e da produção dos vinhos, há lugar para outras culturas, como o azeite, e a exploração de um enoturismo de grande qualidade, sustentável e em plena harmonia com a natureza.

Os vinhos que foram agora apresentados reflectem já este compromisso. Tanto os brancos, já conhecidos, como o Viosinho 2014 num lote feito em parceria com Miguel Castro Silva ou o Branco de Ventozelo 2014, revelam-se frescos e gastronómicos, qualidades que foram potenciadas pelas harmonizações com as criações do chefe. Mas o foco estava voltado para as novidades da noite: o Essência de Ventozelo Douro 2014 e o Quinta de Ventozelo Porto Vintage 2015. José Manuel Soares apresentou-os como exemplo do caminho que quer pros- seguir. É aqui que reside a beleza da coisa. Apesar do enorme salto qualitativo que estes vinhos revelam, eles são ainda um ponto de partida. Para quem participou no jantar, a certeza é que, no Ventozelo, o melhor está ainda para vir.

Symington vai ter nova adega na Quinta do Ataíde

Quinta do Ataíde

A Symington Family Estates não para de investir. A mais recente decisão desta família do Douro (e não só…) vai para a construção de uma nova adega dedicada aos vinhos DOC Douro, que ficará localizada na Quinta do Ataíde, uma das propriedades da família no Vale da Vilariça, no Douro Superior, concelho de Vila Flor. […]

A Symington Family Estates não para de investir. A mais recente decisão desta família do Douro (e não só…) vai para a construção de uma nova adega dedicada aos vinhos DOC Douro, que ficará localizada na Quinta do Ataíde, uma das propriedades da família no Vale da Vilariça, no Douro Superior, concelho de Vila Flor. A construção arranca ainda este ano, devendo estar concluída em 2020, e será o local eleito para a vinificação dos vinhos do Douro da empresa.
O custo da operação irá rondar os quatro milhões de euros.
A nova adega deverá ter capacidade de cerca de dois milhões de garrafas, mas com possibilidade de expansão. A razão da escolha da Quinta do Ataíde está associada ao facto de ser uma propriedade da família com enorme importância na produção de vinhos do Douro de qualidade superior e por estar perto da Quinta do Vesúvio e de outras vinhas de família, onde são produzidos vinhos do Douro.
Este investimento permitirá à Symington reforçar o seu posicionamento na oferta de vinhos DOC Douro. Actualmente, a empresa comercializa as marcas Altano, Quinta do Ataíde, Quinta do Vesúvio e os vinhos Prats & Symington (em parceria com Bruno Prats), que têm vindo a ser sucessivamente distinguidos com prémios nacionais e internacionais.

Douro bate recordes em 2017

As vendas de vinhos da região demarcada do Douro e do Porto em 2017 ascenderam a 556 milhões de euros, correspondentes a 13,7 milhões de caixas de 12 garrafas. Os números anunciados em comunicado pelo IVDP – Instituto dos Vinhos Do Douro e do Porto representam um crescimento de 3,6 por cento no volume de […]

As vendas de vinhos da região demarcada do Douro e do Porto em 2017 ascenderam a 556 milhões de euros, correspondentes a 13,7 milhões de caixas de 12 garrafas. Os números anunciados em comunicado pelo IVDP – Instituto dos Vinhos Do Douro e do Porto representam um crescimento de 3,6 por cento no volume de negócios e 2,2 por cento em quantidade face a 2016.

Do total das vendas, a fatia maior cabe ao Vinho do Porto (380,3 milhões de euros), enquanto os DOC Douro batiam um recorde com 157,3 milhões de euros. Moscatel (10,8 milhões de euros) e Regional Duriense (6,5 milhões de euros) completam o cenário. Destaque para o desempenho dos vinhos DOC, que geraram uma receita 10,7 por cento maior do que em 2016, com uma subida de 11,8% em quantidade.

Mantendo a tendência dos últimos anos, o Vinho do Porto vendeu-se menos, mas por preços mais altos, com as categorias especiais a reforçarem o seu protagonismo: representaram em 2017 42,7% do valor total e 22,4% da quantidade, mais dois recordes. Por mercados, Portugal destronou a França do primeiro lugar e tornou-se o principal destino de Vinho do Porto no mundo.

Vinhos Mapa na Empor Wine & Spirits, 28 de Fevereiro

Pedro Garcias, jornalista e crítico de vinhos no jornal Público, em conjunto com a sua mulher, deu início há mais de 10 anos ao seu projecto vínico a que chamou MAPA. Fica em Muxagata, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, Douro Superior. Os vinhos foram ganhando fama mas nem sempre são fáceis de […]

Pedro Garcias, jornalista e crítico de vinhos no jornal Público, em conjunto com a sua mulher, deu início há mais de 10 anos ao seu projecto vínico a que chamou MAPA. Fica em Muxagata, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, Douro Superior.
Os vinhos foram ganhando fama mas nem sempre são fáceis de encontrar. Pois bem, poderá degustar o portefólio Mapa numa prova especial, comentada pelo próprio Pedro Garcias, na garrafeira Empor Spirits & Wine, na Rua Castilho, 201 D, em Lisboa.
Por lá irão passar vinhos brancos e tintos, aos quais se junta agora um Porto Vintage e azeites da mesma marca. Diz Eugénia Vasconcelos, gestora do espaço, que são “vinhos de altitude, minerais, frescos, secos e envolventes, altamente gastronómicos. Vinhos que quando se provam não se esquecem e nunca mais se desiste deles….”A prova vai decorrer dia 28 de Fevereiro, quarta- feira, às 18:30.
O custo da prova é de €20 por pessoa mas contém a oferta de um copo Riedel e um vale de 10 euros para compras dos produtos em prova, válido por uma semana. Os lugares são limitados e por isso as inscrições são obrigatórias, pelo e-mail garrafeira@emporspirits.com
ou telefone 21 603 78 24.

O “Château” de Azeitão

Os recentes lançamentos dos Quinta da Bacalhôa e Palácio da Bacalhôa de 2014 mantêm o elevadíssimo padrão de qualidade das colheitas anteriores e reafirmam o seu estatuto de referências absolutas entre os “lotes bordaleses” produzidos em Portugal.   TEXTO Luís Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga O primeiro tinto Quinta da Bacalhôa, oriundo de uma vinha […]

Os recentes lançamentos dos Quinta da Bacalhôa e Palácio da Bacalhôa de 2014 mantêm o elevadíssimo padrão de qualidade das colheitas anteriores e reafirmam o seu estatuto de referências absolutas entre os “lotes bordaleses” produzidos em Portugal.

 

TEXTO Luís Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga

O primeiro tinto Quinta da Bacalhôa, oriundo de uma vinha de Cabernet e Merlot plantada em 1974 nesta história propriedade de Azeitão, nasceu na vindima de 1979. Essa primeira produção foi vendida, basicamente, entre amigos de António Francisco Avillez, criador e mentor da então chamada João Pires/J. P. Vinhos. Foi com a colheita seguinte, de 1980, que o Quinta da Bacalhôa começou a ganhar um prestígio que se solidificaria nos anos vindouros.

A quinta, propriamente dita, não é uma propriedade qualquer. Classificada como monumento nacional em 1910, é considerada a mais bela quinta da primeira metade do século XV ainda existente em Portugal e pertence à Fundação Berardo. Integrando um magnífico palácio, a Quinta da Bacalhôa é uma antiga propriedade da Casa Real Portuguesa, tendo pertencido ao príncipe João, filho do Rei D. João I. Dessa época, chegaram até aos nossos dias os edifícios, os muros com torreões de cúpulas aos gomos e também o grande tanque situado no jardim.

A propriedade passou mais tarde para os herdeiros de D. Afonso de Albuquerque e em 1936 o Palácio da Bacalhôa foi comprado e restaurado pela norte-americana Orlena Scoville, cujo neto Thomas resolveu em 1970 dar-lhe o “toque” bordalês através da plantação de uma vinha com as castas daquela região francesa. Para atingir esse objectivo, o vizinho visionário António Francisco Avillez constituiu o parceiro ideal. As uvas eram produzidas pelos Scoville, com acompanhamento da J.P. Vinhos (hoje Bacalhôa Vinhos), e vendidas a esta empresa, onde o enólogo australiano Peter Bright se encarregava de as transformar no mais emblemático “lote bordalês” feito em Portugal.

O Quinta da Bacalhôa era um vinho completamente revolucionário no panorama nacional. Desde o início que o vinho utilizava barricas novas (primeiro, uma mistura de barricas de castanho e carvalho português e francês; a partir de meados dos anos 80, exclusivamente carvalho francês importado e transformado em barricas na tanoaria da empresa) o que era bastante invulgar para a época. Mais invulgar ainda era a forma de comercialização, exclusivamente em primor e em leilão. Lembro-me bem de assistir a alguns desses leilões e registar o afã com que distribuidores, lojas de vinhos e restaurantes se “combatiam” para levar o maior número de caixas possível do famoso Bacalhôa.

Desde então sucederam-se 36 colheitas de Quinta da Bacalhôa, a maior parte das quais já sob orientação da enóloga Filipa Tomaz da Costa, que sucedeu a Peter Bright. Para além da sua qualidade intrínseca, o Quinta da Bacalhôa é um vinho com notável capacidade de envelhecimento, como diversas provas verticais feitas nos últimos anos têm confirmado. Essas qualidades são exponenciadas no Palácio da Bacalhôa, o topo de gama da casa, que nasceu na vindima de 2000, e foi produzido nas colheitas de 2001, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2009, 2013 e 2014.

Enquanto o Quinta da Bacalhôa é feito quase exclusivamente com Cabernet Sauvignon (o 2014 tem 90%) com um pouco de Merlot, o Palácio da Bacalhôa tem as castas bordalesas mais distribuídas, com predominância de Cabernet (cerca de 60%) complementado com Merlot e deixando ainda espaço para 3 ou 4% de Petit Verdot. Um e outro são do melhor que se faz entre nós neste perfil de vinho e constituem um belíssimo exemplo de “lote bordalês” em qualquer parte do mundo.

França anuncia criação de quatro novas castas

Chamam-se Floreal, Voltis, Artaban e Vidoc – e são as quatro novas castas criadas em França, ao cabo de 18 anos de investigação. Segundo o Instituto Nacional de Investigação Agrícola (INRA, na sigla francesa), as novas variedades, duas brancas e duas tintas, são resistentes a duas das principais doenças da vinha: o míldio e o […]

Chamam-se Floreal, Voltis, Artaban e Vidoc – e são as quatro novas castas criadas em França, ao cabo de 18 anos de investigação. Segundo o Instituto Nacional de Investigação Agrícola (INRA, na sigla francesa), as novas variedades, duas brancas e duas tintas, são resistentes a duas das principais doenças da vinha: o míldio e o oídio.

Por dispensarem muitos dos actuais tratamentos, estas novas castas “trazem consigo a promessa de uma revolução verde na vinha”, afirmou Christophe Schneider, investigador-chefe do INRA Grand Est-Colmar, citado pelo site French Tribune. A França é o maior utilizador europeu de pesticidas e a vitivinicultura é o sector que mais recorre a estes produtos.

As novas variedades serão plantadas em cerca de seis hectares já este ano e há planos para alargar a mais outros 100 na campanha de 2019. Segundo os investigadores, a Floreal é uma casta branca com “notas a frutos exóticos”, a Voltis pertence à “família dos brancos sedosos”, Vidoc é um tinto “robusto” e Artaban dá origem a vinhos “leves e frutados”.  

Taylor’s lança Single Harvest 1968

Proveniente das suas extensas reservas de vinhos do Porto envelhecidos em madeira, e pelo quinto ano consecutivo, a Taylor’s lança um Vinho do Porto de uma colheita com 50 anos. O Taylor’s Single Harvest 1968 é uma edição limitada produzida a partir de uvas desse mesmo ano e envelhecida em cascos de madeira que a […]

Proveniente das suas extensas reservas de vinhos do Porto envelhecidos em madeira, e pelo quinto ano consecutivo, a Taylor’s lança um Vinho do Porto de uma colheita com 50 anos. O Taylor’s Single Harvest 1968 é uma edição limitada produzida a partir de uvas desse mesmo ano e envelhecida em cascos de madeira que a Taylor’s preservou nas suas caves e que, 50 anos depois, fica disponível ao público.

Para Adrian Bridge, director-geral da Taylor’s, “um 50º aniversário é sempre uma ocasião memorável”: “Os vinhos do Porto Taylor’s Single Harvest oferecem a oportunidade única de celebrar essa efeméride com um extraordinário vinho de 50 anos, que se encontra em perfeitas condições de elegância, complexidade e vivacidade.

O Taylor’s Single Harvest 1968, que recebeu 98 pontos na avaliação da revista norte-americana “Wine Spectator”, está disponível nas melhores garrafeiras do país a partir de Fevereiro, com o PVP recomendado de €290.

Comprar vinho no produtor

As visitas a quintas são a melhor forma de ficarmos a conhecer o ambiente e as caras que estão por trás dos vinhos que apreciamos, ajudando-nos a contextualizá-los quando os bebemos. E podem ser igualmente uma boa oportunidade para fazer compras…   TEXTO João Gonzalez Casa Nova FOTOS Ricardo Palma Veiga TODOS os meses a […]

As visitas a quintas são a melhor forma de ficarmos a conhecer o ambiente e as caras que estão por trás dos vinhos que apreciamos, ajudando-nos a contextualizá-los quando os bebemos. E podem ser igualmente uma boa oportunidade para fazer compras…

 

TEXTO João Gonzalez Casa Nova FOTOS Ricardo Palma Veiga

TODOS os meses a Grandes Escolhas leva-nos a conhecer várias quintas numa espécie de enoturismo jornalístico. Mas o enoturismo é muito menos selectivo do que aparenta, especialmente pelo aspecto luxuoso de algumas quintas e herdades. Na verdade, qualquer pessoa pode visitar as quintas e será recebido sempre com a mesma atenção e dedicação, não sendo um pré-requisito reconhecer as castas só de olhar para as folhas, ou saber o nome dos processos de fermentação. Em alguns produtores cobram-se visitas, mas anda quase sempre abaixo dos 10 euros, já com provas incluídas e com um recital de enologia, história e estórias de cada propriedade específica.

A minha primeira visita a um produtor ocorreu no Alentejo, na região de Estremoz. Na verdade, a visita começou 60 km, quando comecei a ver vinhas e mais vinhas, umas atrás das outras, numa imensidão interminável de hectares com vinha que ia alternando com o típico prado e chaparral alentejano. Estremoz vai-se aproximando e as adegas sucedem-se, uma concentração de produtores que me fez invejar os amantes de vinho da região. Toneladas de uvas a começar a ganhar cor, a escassos meses da vindima e várias as oportunidades para parar e entrar num produtor, à portuguesa, sem aviso.

Mas eu tento ser pouco português, aparecendo apenas com marcação e com a certeza que serei recebido num bom momento. Assim, com a devida antecedência combinei com um produtor, explicando que seria o meu batismo. Entramos e a simpatia foi enorme, foi-nos explicado tudo o que questionamos e muito mais. Os diferentes passos, as escolhas tomadas ao longo do processo, a estratégia comercial para o futuro e os vinhos em geral. Falámos da minha garrafeira e fiquei convencido que este seria o local ideal para a “abastecer” com um vinho tinto de topo da vindima de 2011 que já tinha bebido em diferentes contextos. Surpreendeu-me a atenção do produtor, que me ofereceu a garrafa em questão como lembrança desta minha estreia num enoturismo, algo que me comoveu.

Um vinho deve dizer tanto sobre o produtor como sobre nós próprios

Passado uns tempos, visitei um micro-produtor duriense que conheci num evento organizado por um blogue e que me tinha cativado pelo seu conceito. Esta é uma das magias do mundo do vinho. Micro-produtores, com processos altamente artesanais, conseguem ser tão cativantes quanto produtores de média ou grande dimensão, produzindo com grande qualidade e, por vezes, com preços bem dentro da minha carteira.

Depois desta visita ao Douro fiquei mais esclarecido quanto ao que quero fazer relativamente à minha garrafeira particular. Não vou apenas procurar um bom vinho, com bom preço. Vou também procurar projectos que me cativem pela sua energia, pelo seu dinamismo ou pelo conceito. Um vinho guardado deve dizer tanto sobre o produtor como sobre nós próprios. Quando sirvo um vinho com 5, 8, 10 anos a um convidado quero poder contar a estória do vinho, valorizando assim a experiência. Vou, assim, dedicar mais tempo a descobrir pequenos projectos cativantes que façam do vinho da minha garrafeira o centro das atenções e que me permitam sorrir de cada vez que abro uma garrafa. Vou provavelmente ter menos produtores do que esperava inicialmente, ou menos vinhos mainstream, mas mais vinhos do mesmo produtor e potencial para provas verticais, dentro de uns anos.