A Adega Cooperativa do Ano é….. CARMIM

CARMIM

Fundada em 1971, a CARMIM é uma cooperativa gerida de forma altamente profissionalizada em todas as suas vertentes, da viticultura à enologia, da área comercial ao marketing. Sem nunca perder de vista que na base de tudo estão as pessoas e, em particular, os seus associados que, dia a dia, trabalham as vinhas de Reguengos. […]

Fundada em 1971, a CARMIM é uma cooperativa gerida de forma altamente profissionalizada em todas as suas vertentes, da viticultura à enologia, da área comercial ao marketing. Sem nunca perder de vista que na base de tudo estão as pessoas e, em particular, os seus associados que, dia a dia, trabalham as vinhas de Reguengos. Foram estes atributos, aos quais se adicionam uma oferta de vinhos bastante consistente, encimada pelo excelente Garrafeira dos Sócios, que justificaram a escolha para o Troféu da categoria Cooperativa relativo ao ano de 2024.

Acontece que, no final de 2025, a CARMIM apresentou ao mercado o projecto Raízes. Materializado em vinhos, claro, é bem mais do que isso. As palavras do Director-Geral João Caldeira, que fez a apresentação pública ao lado do presidente Miguel Feijão, dizem praticamente tudo: “Queremos acabar com o preconceito ligado ao vinho de cooperativa. Queremos mostrar que quem controla e conhece 3.000 hectares de vinha tem tudo para poder criar vinhos especiais e diferenciadores, que marquem presença nos mais conceituados restaurantes e garrafeiras”. Com a linha Raízes, a CARMIM posiciona-se assim num segmento de mercado que, tradicionalmente, uma adega cooperativa não se atreve a ambicionar. Não se trata apenas de preço. O que torna este projecto pioneiro é, sobretudo, o perfil dos vinhos e o storytelling que o acompanha, orientados para um nicho muito específico de consumidores.

Para alcançar a exclusividade e singularidade pretendidas, os enólogos Rui Veladas e Tiago Garcia buscaram as vinhas velhas, as castas históricas, e uma vinificação bastante respeitadora do terroir. Visitaram e avaliaram muitas das vinhas mais antigas dos associados para, no final, seleccionarem uma parcela plantada em 1979, por Leonel Franco, sócio nº4 da CARMIM. Sem rega, em solo granítico franco-arenoso, esta vinha teve acompanhamento diferenciado ao longo de todo o ciclo vegetativo. Na vindima de 2024 foi produzido um branco, um rosé e um tinto. O branco, de Arinto e Roupeiro, e o rosé, de Tinta Caiada, já estão no mercado, e impressionaram muito, pelo carácter, elegância e frescura. O tinto, feito de Trincadeira e Carignan, só deverá aparecer no final deste ano, mas a prova em ante-estreia mostra que segue o mesmo rumo de finesse e ainda com mais brilho. A linha Raízes é assim um grito de revolta contra as ideias feitas e ilustra uma certeza: se trabalhar com esse propósito, nada impede uma cooperativa de criar vinhos aspiracionais, raros e diferenciadores. L.L.

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

Adega de Borba sopra 65 velas

Foi a 30 de Abril de 1955 que o Alentejo viu um grupo de viticultores fundar a primeira adega cooperativa da região, a Adega Cooperativa de Borba. São vários os marcos cronológicos assinaláveis: Em 2012, um marco importante: a conclusão da nova adega, 14 hectares de terreno que incluem dois polos, um centro de vinificação […]

Foi a 30 de Abril de 1955 que o Alentejo viu um grupo de viticultores fundar a primeira adega cooperativa da região, a Adega Cooperativa de Borba.

São vários os marcos cronológicos assinaláveis:

Em 2012, um marco importante: a conclusão da nova adega, 14 hectares de terreno que incluem dois polos, um centro de vinificação de tintos e um armazém de produto acabado.

Em 2014, deu-se um investimento em equipamentos modernos, para a criação de vinhos topo de gama: mesa de selecção de uvas com escolha por tecnologia óptica, vinificação de pequenos lotes e aumento do espaço para estágio dos vinhos em tonéis.

Em 2019, a Adega de Borba fez um investimento avultado em painéis fotovoltaicos, o que a permite assegurar a sua própria energia durante grande parte do anos. “A preocupação ambiental tem merecido a nossa especial atenção, o que nos tornou pioneiros no Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo”, diz a empresa. Também nesse ano, em Fevereiro, inaugurou o Restaurante Adega de Borba.

Seis décadas depois, a Adega conta com cerca de 270 viticultores, e produz 1,2 milhões de caixas de 9 litros, com vinhos que provêm de 2300 hectares de vinha, em que estão plantadas 70% de castas tintas e o restante de brancas. Dos quadros da Adega, fazem parte 70 colaboradores que, tal como os 270 viticultores associados, têm as famílias envolvidas directa ou indirectamente no negócio. De relembrar que as adegas cooperativas têm, em Portugal, um papel social e económico muito importante nas zonas onde se encontram, precisamente por grande parte da população dessas zonas estar, em quase todos os casos, dependente dessas instituições.

Dentro das suas marcas, destaca-se o vinho Adega de Borba; Adega de Borba Reserva “Rótulo de Cortiça”, uma marca com mais de 50 anos; Montes Claros, que remonta a 1945; Convento da Vila, com boa relação preço/qualidade; a gama de monovarietais com o nome Senses; e Quintas de Borba, uma homenagem às pequenas quintas tradicionais da região de Borba.

Mariana Lopes