Aí está, o Barca-Velha 2011

Luís Lopes A 20ª colheita do mais emblemático vinho do Douro foi hoje oficialmente apresentada e vai chegar ao mercado no início de outubro. O Barca-Velha aparece apenas algumas vezes por década (2000, 2004 e 2008 foram as colheitas anteriores), mas há muito que os apreciadores apostavam que, dada a excelência da vindima, 2011 não […]

Luís Lopes

A 20ª colheita do mais emblemático vinho do Douro foi hoje oficialmente apresentada e vai chegar ao mercado no início de outubro. O Barca-Velha aparece apenas algumas vezes por década (2000, 2004 e 2008 foram as colheitas anteriores), mas há muito que os apreciadores apostavam que, dada a excelência da vindima, 2011 não falharia. E assim aconteceu.

Luis Sottomayor, que lidera a enologia da casa Ferreirinha desde 2007, fez questão de confirmar isso mesmo: “Quando este vinho nasceu, percebemos logo que seria destinado a Barca-Velha”, disse durante a apresentação, que teve lugar na Quinta da Granja, contígua à Quinta da Leda. Mas ainda assim, foi preciso ultrapassar com distinção o grande teste do tempo. Nas barricas, primeiro, e depois na garrafa, foi sendo acompanhado e avaliado ao longo de nove anos, até Luis Sottomayor e a sua equipa tomarem a decisão final, uma espécie de Habemus Papam vínico: temos Barca-Velha!

Elaborado com 45% de Touriga Franca, 35% de Touriga Nacional, 10% de Tinto Cão, e de 10% de Tinta Roriz, uvas do Douro Superior recolhidas em diversas parcelas e diferentes altitudes na Quinta da Leda, o vinho passou cerca de 18 meses em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado em maio de 2013. Luis Sottomayor definiu-o como “um leão dominador, um vinho que diz ‘estou aqui’, cheio de garra e valentia”. Curiosa analogia na boca do fervoroso adepto de um clube mais associado a outro animal, mas que Luis graciosamente reformulou para “um leão com alma de dragão”…

O Barca-Velha de 2011 é de facto um vinho impressionante, de enorme profundidade e complexidade, que faz inteira justiça ao fabuloso histórico da marca criada em 1952, à extraordinária vindima que o originou, e ao Douro enquanto região de excelência. O preço a que chegará ao mercado é uma incógnita, já que as variações são muitas entre as lojas especializadas, sobretudo nos primeiros meses de lançamento, mas se tivermos em conta que o 2008 está “tabelado” a €685, o 2011 deverá ser daí para cima. Como se fizeram 30 mil garrafas, quem quiser ter uma ideia do valor movimentado pelo Barca-Velha é só fazer as contas…

“Extra! Extra!”, 2011 é ano de Barca Velha

A ser lançado em Maio de 2020, o próximo e icónico Barca Velha ostentará 2011 no rótulo. Oito anos depois desta colheita, a vigésima edição da marca assinada pela Casa Ferreirinha, da Sogrape, é finalmente anunciada, um momento sempre muito aguardado por consumidores e mercados nacionais e internacionais. “O ano de 2011 foi extraordinário, dos […]

A ser lançado em Maio de 2020, o próximo e icónico Barca Velha ostentará 2011 no rótulo. Oito anos depois desta colheita, a vigésima edição da marca assinada pela Casa Ferreirinha, da Sogrape, é finalmente anunciada, um momento sempre muito aguardado por consumidores e mercados nacionais e internacionais.

“O ano de 2011 foi extraordinário, dos melhores de sempre no Douro, intenso e de grande qualidade, pelo que da nossa parte foi só uma questão de paciência até podermos confirmar o potencial que a vindima deixou antever”, descortinou o enólogo Luís Sottomayor (na foto).

Declarado apenas em anos considerados pela Casa Ferreirinha como excepcionais, o tinto Barca Velha é, desde a sua criação em 1952, elaborado com uvas seleccionadas de diferentes altitudes no Douro Superior. A Quinta da Leda, com 160 hectares de vinha, dá hoje origem à maior parte dos vinhos que integram o lote composto pelas castas tradicionais da região.

Próximo ‘Reserva Especial’ é de 2009

Luís Sottomayor, Reserva Especial 2009

É sempre um evento o lançamento do Casa Ferreirinha Reserva Especial. E desta vez não foi diferente… O Palácio da Ajuda, em Lisboa, serviu de cenário para o lançamento deste vinho ‘aristocrático’, da colheita de 2009. Reza a história que o Reserva Especial é um tinto que não chega ao supremo patamar de qualidade para […]

É sempre um evento o lançamento do Casa Ferreirinha Reserva Especial. E desta vez não foi diferente… O Palácio da Ajuda, em Lisboa, serviu de cenário para o lançamento deste vinho ‘aristocrático’, da colheita de 2009. Reza a história que o Reserva Especial é um tinto que não chega ao supremo patamar de qualidade para ser considerado Barca Velha, o seu irmão com maior notoriedade. Mas ambos partilham, pelo menos, a mesma característica: só são lançados quando o estágio em garrafa os ‘amacia’, um prazo que pode levar anos. Não espanta assim que esta colheita seja de 2009 e só agora chegue ao mercado, oito anos depois da vindima. Poderia ter sido Barca Velha? A questão não tem resposta, a não ser na mente da equipa de enologia, liderada por Luís Sottomayor. São eles que decidem quais as colheitas que vão para Barca Velha e os que vão para Reserva Especial. O resto são discussões…

Para os registos fica que é a 17ª edição deste vinho, que começou em 1960. As uvas vêm das cotas mais altas da Quinta da Leda, no Douro Superior, e são aí vinificadas na adega especial. A composição do lote inclui Touriga Franca (45%), Touriga Nacional (30%), Tinta Roriz (15%) e Tinto Cão (10%). Fizeram-se 18.000 garrafas, que deverão ser vendidas no retalho – a partir de Novembro – a um preço de 175 euros.

Diz quem lá esteve e provou que o Reserva Especial 2009 já se bebe muito bem e é um grande vinho. Veja a nossa avaliação na edição de Dezembro da VINHO Grandes Escolhas… (texto de António Falcão)