O que é que a Beira Interior tem?

Beira Interior

“O que é que a baiana tem? / O que é que a baiana tem? / Tem torso de seda tem (Tem) / Tem brinco de ouro tem (Tem) / Colares de ouro tem (Tem) / Tem bata rendada tem (Tem)…” Todos nós temos esta canção popular brasileira no nosso universo de memórias, celebrizada pela […]

“O que é que a baiana tem? / O que é que a baiana tem? / Tem torso de seda tem (Tem) / Tem brinco de ouro tem (Tem) / Colares de ouro tem (Tem) / Tem bata rendada tem (Tem)…”

Todos nós temos esta canção popular brasileira no nosso universo de memórias, celebrizada pela artista Carmen Miranda e interpretada, pela primeira vez, no filme Banana da Terra, em 1939. Memórias sim, mas só de ver na televisão, diga-se, uma vez que não sou assim tão antigo. Além de descrever a vestimenta da mulher baiana, a canção celebra e exalta o seu charme e graça naturais, reflectindo a alegria e a vivacidade da cultura baiana. Pois, alegria, vivacidade e algum charme, e graça naturais são precisamente características que podemos encontrar nos vinhos da Beira. Então, o que é que esta região tem?

 

Sobre este território

Foquemo-nos na Beira Interior, mais precisamente. É território raiano localizado no centro de Portugal Continental, destacando-se como a nossa região vitivinícola mais alta, com as suas vinhas plantadas entre os 350 e os 750 metros de altitude. Divide-se em três sub-regiões. A saber: Pinhel, com os concelhos de Pinhel, Meda, Trancoso e Celorico da Beira, que se distinguindo pelas altitudes elevadas e clima continental; Castelo Rodrigo, situada no planalto de Figueira de Castelo Rodrigo e áreas envolventes, a qual abrange os municípios de Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida, e beneficia de amplitudes térmicas significativas; e, por último, Cova da Beira, influenciada pelo clima mediterrânico em contexto de vinhas de altitude, contemplando os municípios de Manteigas, Belmonte, Covilhã, Penamacor, Fundão e Castelo Branco.

O território vitivinícola é moldado por quatro serras – da Marofa, da Malcata, da Gardunha e parte da Estrela – em conjunto com os rios que a delimitam – Côa e Águeda, a Norte, Tejo e Zêzere, a Sul. Com um clima continental caracterizado por invernos longos e verões secos, a região beneficia de grandes amplitudes térmicas, factor determinante para a preservação da acidez das uvas, as quais, por sua vez, contribuem para o desenvolvimento dos aromas. A altitude elevada promove uma maturação gradual dos frutos, favorecendo o equilíbrio e a frescura dos vinhos. Todos estas variantes, juntamente com os solos predominantemente graníticos, embora também haja zonas de xisto e quartzito, fomentam a identidade dos vinhos produzidos na região.

Adicionalmente, a Beira Interior reúne condições favoráveis às práticas vitícolas sustentáveis. A altitude e o clima geralmente seco contribuem para uma menor pressão de doenças criptogâmicas (míldio, oídio, botrytis, etc.) na vinha, reduzindo, em muitos casos, a necessidade de intervenções fitossanitárias. Estas características, aliadas a uma gestão adequada da vinha, favorecem abordagens de produção de menor impacto ambiental.

Em suma, a Beira Interior é uma das regiões vitivinícolas portuguesas com maior área de vinha certificada em modo de produção biológica. Esta aposta em práticas vitícolas mais sustentáveis tem vindo a reforçar o posicionamento da Beira Interior entre as regiões nacioanais que apostam numa gestão firme no que aos recursos naturais diz respeito.

Porém, o vinho não se faz sozinho, não, e a Inteligência Artificial, por enquanto, também ainda não o produz. São precisas pessoas. E a Beira Interior muito tem sido construída por pessoas e projectos que, diariamente, dão expressão aos seus vinhos e são reconhecidos como embaixadores de um património vitivinícola profundamente enraizado, reflectindo uma identidade plural, desde pequenas produções artesanais a grandes estruturas cooperativas. Passando por marcas estabelecidas e novos projectos de vanguarda, todos partilham um compromisso com a excelência e a valorização do território.

Os 15 hectares de vinhas incluem a Quinta Vale Ruivo, com cerca de dez hectares de vinhas quase centenárias

 

Casas Altas, o fulgor de José Madeira Afonso

Casas Altas é o nome do projecto pessoal do médico e viticultor José Madeira Afonso, nascido em Coimbra, mas com raízes profundas em Souropires, no concelho de Pinhel, Beira Alta, onde a sua família habita há, pelo menos, oito gerações. Desde muito cedo se apaixonou pela freguesia ligada às suas origens, onde passava longos períodos na casa da avó materna. O fascínio pela vida no campo levou-o a matricular-se na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, onde concluiu o curso aos 18 anos. Posteriormente, estudou Medicina – a sua outra paixão – e licenciou-se em 1974.

Por motivos profissionais, viveu durante três anos em Bergen, na Noruega, onde descobriu os encantos do vinho, graças ao tempo que partilhou com grandes conhecedores, que estudavam e provavam o melhor que se produzia no mundo. As viagens e férias em Bordéus, na Borgonha, na Alsácia, no Mosel ou na Toscana tornaram-se naturais, frequentes e irresistíveis.

No início da década de 1990, concretizou o sonho de plantar vinhas em Souropires, construir uma adega moderna e produzir o próprio vinho – esta última acção ocorre desde 1994. Trata-se do projecto Casas Altas, ao qual se dedica actualmente, já reformado, valorizando as castas autóctones da região, nos seus 15 hectares de vinhas distribuídas por várias parcelas, incluindo a Quinta Vale Ruivo com cerca de dez hectares de vinhas quase centenárias.

As castas dominantes são Rufete, Baga, e Touriga Nacional, nas tintas; Síria, Fonte Cal e Arinto, nas brancas. Uma vez que a Borgonha e o Mosel são as regiões internacionais que ficaram na memória e no coração do ‘Doutor’, existem duas pequenas parcelas com as castas Chardonnay e Riesling. Ambas resultam em vinhos absolutamente extraordinários, deixem que vos diga – não é que sejam melhores que um Premier Cru na Borgonha ou um VDP Grossen Lage do Mosel, não, nunca vão ser, nem na Beira nem em qualquer outro lado do mundo se consegue replicar aquilo que estas duas castas produzem naquelas regiões; são produções únicas –, mas são duas expressões fantásticas da Chardonnay e da Riesling, plantadas em solos de granito e em território português, disso não tenhamos a menor dúvida.

A viticultura é totalmente biológica, com total respeito pelo ambiente, sem fertilizantes químicos, insecticidas ou herbicidas, e – alvíssaras, alvíssaras –, desde a vindima de 2024 que a consultadoria de enologia passou a estar sob a responsabilidade de Nuno Mira do Ó.

Há pouco, acima, falámos sobre Inteligência Artificial, que, quem sabe, um dia, ainda vai fazer vinho. Todavia, há uma coisa que podemos ter a certeza: nunca o vai conseguir provar nem beber. Para o fazer, temos e teremos de ser nós! Assim fizemos aquando da visita às Casas Altas, onde analisámos as novidades ao pormenor. Trataram-se de colheitas disponíveis no mercado, algumas preciosidades, como o Chardonnay de 2004, e amostras de 2024 de Rufete e da vinha centenária do Ruivo, já sob a batuta de Nuno Mira do Ó. Deixem só que vos diga: olhos bem abertos, pois há boas novas verdadeiramente excepcionais a caminho!

 

Barroca da Malhada, uma quinta histórica

“Em 2021, diante de uma mudança de vida, e finalizando um ciclo de trabalhos ligados à agricultura no Brasil, comecei a ir atrás de um sonho antigo de ter o próprio vinhedo e produzir o próprio vinho. Desde os 20 anos de idade que sou um apaixonado por vinhos, sempre fazendo cursos e procurando degustações e harmonizações, principalmente nas viagens. Assim, em setembro de 2021, em plena pandemia, depois de procurar muito, encontrei a Quinta de Santo Isidro, conhecida também como Barroca da Malhada, uma propriedade histórica. Eu e minha irmã, Luciana Teixeira de Camargo, adquirimos juntos a propriedade, e ela também entrou como sócia no projeto.” Fernando Camargo, coproprietário, é Arquitecto, e isso nota-se quando se visita a propriedade. Tudo tem um sentido estético e uma simetria própria dentro do possível, e tudo está impecavelmente arranjado e conservado.

Com pós-graduação em economia e MBA em e-commerce, também com extensão universitária em Administração Rural, em 2018, já com várias certificações em vinho, fez um curso de Agricultura Biodinâmica no Brasil. Foi precisamente nesse curso que surgiu a ideia de convidar um dos companheiros de classe, Valdir Zanirato, para juntos desenvolverem este projecto de vinho e azeite em Portugal.

As vinhas, plantadas em solos predominantemente argilo-arenosos, são trabalhadas sob práticas de agricultura biológica e biodinâmica.

 

A Barroca da Malhada é uma quinta histórica da Beira Interior, com origens que remontam à Idade Média, outrora pertencente aos Viscondes de Tinalhas. Integralmente murada em redor, como uma espécie de clos gigante, a propriedade, localizada em Tinalhas, no concelho de Castelo Branco, Beira Baixa, tem vista privilegiada para a Serra da Gardunha. São 17,5 hectares, dos quais cinco são de vinhas e cinco são ocupados por oliveiras. Em 2023, Fábio Fernandes ingressou como o novo enólogo da casa e Joaquim Barbosa, como adegueiro e colaborador.

As vinhas estão plantadas em solos predominantemente argilo-arenosos, com partes de granito decomposto. São trabalhadas de acordo com práticas de agricultura biológica e biodinâmica. Nove variedades estão cultivadas e são colhidas manualmente: Arinto, Fernão Pires, Bical, Touriga Nacional, Trincadeira, Aragonez, Baga, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet.

A primeira vindima ocorreu em 2021. A produção limitada é de cerca de 3000 garrafas. Cada vinho é elaborado com baixa intervenção, reflectindo o respeito pelo solo, pelas vinhas e pelo tempo, num compromisso entre tradição, autenticidade e sustentabilidade. Hoje, a Barroca da Malhada está em fase de transição para a certificação bio e são produzidas quatro gamas de vinho: Barroca da Malhada (clássica), Dolia (Ânforas), BRQA (vinhos de entrada) e Edição Especial. “São vinhos intensos, estruturados, gastronómicos e muito versáteis” afirma Fernando Camargo. E tem razões para isso.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

Beira Interior: quais são os melhores vinhos?

Beira Interior

Dos 97 vinhos a concurso, foram distinguidas 33 referências na 19.ª Gala de Prémios da Beira Interior. A cerimónia decorreu no Castelo de Alfaiates, no Sabugal e contou com a presença de Vítor Proença, Presidente do Município do Sabugal, Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal, Francisco Toscano Rico, Presidente do Instituto da […]

Dos 97 vinhos a concurso, foram distinguidas 33 referências na 19.ª Gala de Prémios da Beira Interior. A cerimónia decorreu no Castelo de Alfaiates, no Sabugal e contou com a presença de Vítor Proença, Presidente do Município do Sabugal, Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal, Francisco Toscano Rico, Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, e por Rodolfo Queirós, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, entidade que promoveu esta iniciativa dinamizada por um painel de treze jurados constituído por 13 elementos e presidido pelo crítico da especialidade Aníbal Coutinho.

De acordo com o resultado, foram atribuídas 29 Medalhas de Ouro, para além dos galardões distribuídos nas categorias de Melhor Vinho da Beira Interior, Melhor Vinho no Feminino, Melhor Imagem e Melhor Imagem no Feminino.

Sgundo o comunicado, Rodolfo Queirós parabenizou os produtores “pelo trabalho sério e consistente que têm desenvolvido, ano após ano, para elevar o reconhecimento da nossa região. O concurso e as distinções atribuídas são mais uma ferramenta ao serviço dessa missão; ajudam a divulgar os vinhos da Beira Interior além-fronteiras e a reforçar a notoriedade da região, dentro e fora de Portugal”.

Beira Interior

Gala Grandes Prémios

Melhor Vinho da Beira Interior

Quinta do Cardo Homenagem a Maria Luiza Grande Reserva tinto 2022

Melhor Vinho no Feminino

Quinta dos Currais Reserva Síria 2023

Melhor Imagem

ETHOS Vinho de Parcela tinto 2023

Melhor Imagem no Feminino

Pombo Bravo Espumante Bruto branco 2020

Medalhas de Ouro

Aforista DOC Beira Interior Reserva branco 2023

Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas tinto 2023

Quinta da Biaia DOC Beira Interior Reserva branco 2020 (Produção Biológica)

Quinta do Cardo Homenagem a Maria Luiza DOC Beira Interior Grande Reserva tinto 2022 (Produção Biológica)

Souvall DOC Beira Interior branco 2024

Almeida Garrett DOC Beira Interior Reserva tinto 2018

Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva Síria branco 2023

Quinta da Paróla DOC Beira Interior tinto 2020

Pombo Bravo DOC Beira Interior Reserva Síria branco 2022

Cosmos DOC Beira Interior Reserva tinto 2020

Rubus DOC Beira Interior branco 2025

Pinhel Bodas de Diamante Edição Comemorativa 75 Anos DOC Beira Interior Velha Reserva tinto 2019

Óptima Pergunta DOC Beira Interior Private Selection tinto 2022

Folhas Caídas DOC Beira Interior Chardonnay branco 2025

D’Alcaria DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Quinta da Biaia 750 DOC Beira Interior Síria branco 2023 (Produção Biológica)

Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Boa Pergunta DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2024

Quinta dos Termos Vinha das Colmeias DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Adega 23 IG Terras da Beira Viognier branco 2022

Manuel I DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Aforista DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2023

Convento de Marialva DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas branco 2024

Vale de Ladroens DOC Beira Interior Garrafeira tinto 2022

Vilar Torpim DOC Beira Interior rosé 2023 (Produção Biológica)

Boa Pergunta DOC Beira Interior Colheita Selecionada tinto 2022

Exilado DOC Beira Interior Espumante Grande Reserva Bruto Natural branco 2017

Quinta dos Termos Talhão da Serra DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

GRANDE PROVA BEIRA INTERIOR: Tudo o que a altitude proporciona

beira interior

Mal nos distraímos, deixamos o Douro em direcção a sul e, logo a seguir à Mêda, entramos na Beira Interior. A paisagem muda. Nessa zona específica, estamos em terrenos de planalto onde, para quem passa de carro, se torna óbvio pelo simples olhar, que “ali” parecem estar reunidas todas as condições para se fazer um […]

Mal nos distraímos, deixamos o Douro em direcção a sul e, logo a seguir à Mêda, entramos na Beira Interior. A paisagem muda. Nessa zona específica, estamos em terrenos de planalto onde, para quem passa de carro, se torna óbvio pelo simples olhar, que “ali” parecem estar reunidas todas as condições para se fazer um grande vinho: terrenos maioritariamente graníticos, que aparenta uma viticultura mais acessível, de muito menor declive, mais manobrável, por isso, mais amiga do lavrador. Em seguida, ao sair da estrada e entrando um pouco mais na paisagem longe da vista, descobrimos que ainda proliferam vinhas velhas, algumas raquíticas, seguramente todas condenadas à baixa produtividade, mas, crê-se, muito capazes de originar vinhos expressivos e com evidente classe. Depois pensamos em termos climáticos e orográficos, e entendemos tudo melhor. Afinal, estamos em altitude, onde as vinhas estão a 700 metros e não são raridades, e estamos no interior em tudo o que isso tem de específico: grandes amplitudes térmicas entre o dia e a noite, e condições óptimas para se produzirem vinhos que apostam, sobretudo, na elegância e na frescura ácida.

Porém, aqui também percebemos que não basta ter boas vinhas (ainda que velhas), uma boa paisagem, bom clima e gente com vontade de fazer bem e diferente; nesta equação tem de entrar um dado que é a verdadeira incógnita: o mercado. Ora “o mercado” e as suas leis são muito ingratos com as Beiras. Estar a sul do Douro, região que está nas bocas do mundo e nas páginas dos winewriters que proliferam por aí, e a leste do Dão, região cheia de pergaminhos, já com marcas de referência e nomes sonantes, é tudo menos fácil. É esse peso do mercado e da notoriedade que faz com que a Beira Interior tenha um patamar de preços de venda que, se por um lado podem ser interessantes para o consumidor, por outro sabemos que não puxam a região para a vanguarda dos vinhos portugueses. É uma batalha permanente, um work in progresso, como dizem os ingleses.

Ao todo, incluindo vinhos DOC e IG, a responsabilidade da produção recai sobre 81 produtores.

 

Do Douro a Castelo Branco

A região é extensa e, segundo informação da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) da Beira Interior, a vinha espraia-se por 11 654 hectares, sendo possível dividi-la em três zonas. De norte para sul temos, em acentuada proximidade do Douro, a região de Pinhel e, colada a esta, a região de Castelo Rodrigo. São zonas de altitude média elevada, 650 metros, em Pinhel, e de 600 a 750 metros, em Castelo Rodrigo, de clima seco, com invernos frios e rigorosos, onde a neve é visita habitual, enquanto no Verão as amplitudes térmicas são elevadas, com os calores diurnos a serem compensados pelas noites frias, um fenómeno que todo o enólogo aprecia pelo equilíbrio que proporciona à maturação das uvas.

Mais para sul temos a Cova da Beira, a maior das três zonas em área, com a imponente serra da Estrela a delimitá-la a norte. Menos radical, podemos dizer assim, por se apresentar mais moderada nas variações, quer de temperatura quer de precipitação. Olhando para o mapa da Beira Interior, verificamos que há largas faixas de terreno que não estão contempladas nestas três sub-regiões. Por conseguinte, não têm direito a serem DOC Beira Interior, embora possam ostentar a designação de vinho regional, aqui chamado de IG Terras da Beira. Ao todo, incluindo vinhos DOC e IG, a responsabilidade da produção recai sobre 81 produtores. A prova que fizemos incluiu brancos e tintos, uma originalidade, mas que teve o mérito de permitir aferir se há produtores que se destaquem em ambos os modelos, o que de facto aconteceu.

Nestas terras do interior, a vinha, exactamente porque está longe das luzes da ribalta, mantém um perfil que ainda é tributário de um desenho antigo. Expliquemo-nos: aqui como em todo o resto do país vinhateiro, a tradição impôs o plantio de vinha a eito, com castas misturadas e, não raramente, com uvas brancas no meio das tintas, algumas delas de uvas de mesa. A razão era aqui a mesma das outras regiões: como a vindima era feita, também ela a eito, colhiam-se algumas uvas um pouco mais verdes, que forneciam mais acidez e outras eventualmente em estado demasiado maduro, mas que contribuíam com mais açúcar, logo, com mais potencial alcoólico. Porém, havia uma outra razão, muito importante, convenhamos: como a vinha é uma empresa a céu aberto e está sujeita às agruras do clima, o produtor percebeu que umas eram mais atreitas a doenças e poderiam não se darem bem; outras, por força na chuva, na altura errada, tinham desavinhado, além de outros imponderáveis. Desta forma, ao ter as castas misturadas na vinha, havia sempre a possibilidade de “umas se darem bem e as outras não”, salvando-se, desta forma, a produção anual.

Esta é a cartada segura da Beira Interior. Assim se saiba preservar estes velhos vinhedos que, não só contribuem para a preservação genética, como são o factor identitário que marca a região. As castas estrangeiras podem estar cá, todavia não acrescentam nada, tal como a proliferação de castas do Douro, que pode ser igualmente questionada. Não há que ter atitudes radicais em relação a este tema, porque o vinho é um negócio e o produtor tem de se adaptar ao gosto do mercado e procurar produzir aquilo que possa ser mais rentável. É um verdadeiro tabuleiro de xadrez em que precisamos saber como mover as peças, quais são os peões e por onde anda o Rei para não ser “comido” sem dar por isso.

beira interior

 

Nota-se uma aposta em vinhos mais abertos de cor, menos marcados pela madeira e menos alcoólicos, em resposta ao mercado e ao gosto actuais

 

As castas e o clima delas

Comecemos pelo clima e vamos reforçar aqui o que acima afirmámos: a altitude, a temperatura e a variação dia/noite faz com a que a Beira beneficie da interioridade e esteja menos sujeita às doenças da vinha, por força da menor presença de humidade. Há, neste factor, uma enorme vantagem, uma vez que aqui é mais fácil produzir uvas, quer em protecção integrada quer em modo biológico, o que ajuda a uma melhor sustentabilidade ambiental, contribuindo para solos mais saudáveis.

As uvas que por cá se plantam são de tipo variado. Em primeiro lugar, destacamos aquelas variedades, como a tinta Rufete (conhecida no Dão como Tinta Pinheira) e as brancas Fonte Cal (de que a Beira é quase território único) e Síria (a Roupeiro do Alentejo). A solo ou em lote, estas castas têm a marca que, por norma, atribuímos à região: mineralidade, frescura e delicadeza de fruta. No caso da tinta Rufete, que muito sofreu na época em que só se procurava cor e extracção nos tintos, confere uma forte marca de vegetal seco que remete a fruta para segundo plano, mas funciona como cartão de identidade, gerando vinhos abertos de cor, os verdadeiros “Pinot Noir à portuguesa”.

Naturalmente que outras variedades surgiram como companheiras de aventura destas variedades tradicionais: nas brancas, a Arinto, a Fernão Pires ou a Malvasia Fina e, nos tintos, a Touriga Nacional, a Trincadeira, a Touriga Francesa e a Tinta Roriz. Há ainda apontamentos de castas internacionais, como a ubíqua Chardonnay, além da Riesling e, nos tintos, Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot.

O painel de prova demostrou uma grande diversidade de estilos e nota-se claramente uma aposta em vinhos mais abertos de cor, menos marcados pela madeira, menos alcoólicos, correspondendo a um certo chamamento do mercado e do gosto actuais. Por último, é de salientar que em termos de preços, os vinhos apresentam uma paleta alargada de escolhas, mas, em geral, são bem amigos do consumidor.

(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)

OS BRANCOS:

 

OS TINTOS:

Enoturismo: Quinta dos Termos

Quinta dos Termos

O terroir da Beira Interior é um mosaico de riqueza e diversidade. Aqui, solos graníticos convivem com afloramentos xistoso que oferecem as suas particularidades ao néctar dos deuses que nasce das videiras. O clima desafiador, de pluviosidade “errática” e invernos rigorosos, testa a resistência das vinhas mas também as recompensa com um caráter único e […]

O terroir da Beira Interior é um mosaico de riqueza e diversidade. Aqui, solos graníticos convivem com afloramentos xistoso que oferecem as suas particularidades ao néctar dos deuses que nasce das videiras. O clima desafiador, de pluviosidade “errática” e invernos rigorosos, testa a resistência das vinhas mas também as recompensa com um caráter único e autêntico, conferindo-lhes uma acidez viva e aromas intensos. A vinha, moldada pela mão do homem, vive em simbiose com o ambiente. Os solos, ricos em minerais, transmitem aos vinhos a sua mineralidade e complexidade.
Entre as castas tintas que desabrocham neste terroir, destaca-se a Rufete, variedade que traz consigo elegância e robustez em perfeita harmonia. Nas castas brancas, a Síria e a Fonte Cal exibem um esplendor que reflete um equilíbrio quase poético no seu desenvolvimento vegetativo. É neste balanço delicado entre solos, temperatura e clima que os vinhos da Beira Interior encontram sua identidade singular.

A condução da vinha, muitas vezes em socalcos, é testemunho de um saber ancestral. A poda, a vindima e a vinificação são processos que se repetem há séculos, transmitindo, de geração em geração, o conhecimento e a paixão pela terra. As mãos que a trabalham carregam a sabedoria ancestral de gerações. É um conhecimento passado de pais para filhos, num ciclo contínuo de aprendizagem e respeito pela natureza. Cada garrafa de vinho é uma sinfonia de tradição e inovação, um testemunho do esforço humano e da generosidade da terra. É terra abençoada que pertence a uma região que olha para o futuro preservando as suas tradições e investindo em novas tecnologias. Os produtores locais, apaixonados pelo seu trabalho, procuram elaborar vinhos de alta qualidade, que reflitam a identidade da região e sejam apreciados em todo o mundo. Assim, a Beira Interior não é apenas uma região vitivinícola, é um símbolo de resistência e beleza, onde cada cálice de vinho conta uma história de dedicação, paixão e amor pela terra.

Quinta dos Termos

Saberes e os sabores da terra…

Na Beira Interior, a gastronomia é mais do que sustento, é uma ode ao território, onde cada prato carrega o peso da tradição e o sabor da terra. É aqui, entre montanhas imponentes e vales férteis, que o vinho e a culinária se encontram em perfeita harmonia, compondo um cenário que seduz o paladar e aquece a alma.

No coração desta região, o pão de centeio emerge como símbolo de resiliência e partilha. Assado em fornos de lenha, com casca firme e interior macio, é o companheiro fiel das refeições que celebram a autenticidade. As carnes, ricas e intensas, ganham também protagonismo na mesa beirã. O cabrito, assado em forno de lenha, temperado com ervas aromáticas e paciência, é uma experiência que dialoga com os tintos robustos da região, cheios de corpo e história. O borrego, cozinhado em caldeiradas ou grelhado de forma simples, encontra, nos seus vinhos elegantes, um parceiro ideal, onde taninos macios elevam o sabor natural da carne.O porco, com a sua versatilidade, marca presença em pratos como o bucho recheado ou os enchidos fumados, ricos em especiarias e tradição. Acompanhados por um copo de vinho encorpado, com notas de frutos maduros e especiarias, geram uma sinfonia gastronómica que enraíza o comensal no território.

E se a carne é o coração da região, os queijos são a sua alma. O Serra da Estrela, com a sua textura amanteigada e sabor inconfundível, é exaltado ao lado de um vinho branco fresco e mineral, cuja acidez equilibra a sua intensidade e prolonga o prazer de cada fatia. Os queijos de cabra e de mistura, com sabores ora suaves ora pungentes, são companhias perfeitas para os rosés, que lhes conferem leveza e brilho.

Sentar-se à mesa nesta região é viver uma experiência sensorial onde o vinho e a gastronomia se fundem, criando memórias que ultrapassam o momento. É sentir o pulsar da Beira Interior em cada garfada, em cada gole, numa dança perfeita de sabores que evocam as serras, as gentes e o legado de um território que encanta pelo paladar.
É uma cozinha de identidade, onde os saberes antigos encontram espaço na mesa moderna sem perder o sabor da tradição. É poesia que se mastiga e guarda na memória, um convite para retornar sempre. Foi neste quadro bucólico e cheio de mistério que decidi visitar a Beira Interior. E “mergulhei” num território de paisagens deslumbrantes, cultura enraizada e, acima de tudo, de vinhos que falam a língua da terra.

Nesta região de altitude, o vinho é mais do que um produto, é um testemunho vivo da relação entre o homem e a natureza, aprimorado por séculos de história e tradição. Quis viver essa história fazendo parte dela, e sentir as tradições usufruindo delas em toda a sua plenitude.

 

 

A visita à quinta permite provar os seus vinhos e entender o processo artesanal e inovador que os torna únicos.

 

Uma Quinta… geracional

Se há um motivo para escolher a Beira Interior como destino, é o encontro entre autenticidade e sabor. Numa tarde solarenga, dirigi-me à Quinta dos Termos, onde cada vinho é uma celebração da terra, do tempo e do talento. É o local perfeito para quem deseja, mais do que uma degustação, uma experiência inesquecível de qualidade e diversidade, com a alma que apenas as boas histórias podem proporcionar.

A Quinta dos Termos fica em Carvalhal Formoso, Belmonte, e é detida pela João Carvalho Family Estates, empresa de base familiar, produtora de vinhos na região da Beira Interior e no Douro. Possui ainda a Herdade do Lousial, Castelo Branco, na região da Beira Interior, e a Quinta do Pocinho, no Douro Superior.
A história iniciou-se em 1945, quando Alexandre Carvalho adquiriu a Quinta dos Termos. Ciente do seu potencial para a cultura da vinha, em meados da década de cinquenta decide reestruturar grande parte da área vitícola, preservando, ao mesmo tempo, algumas parcelas de vinhas velhas. Toda a produção era vendida nas tabernas da região.

Após um período de aluguer da propriedade, a gestão da Quinta dos Termos regressa novamente para a família em 1993, para as mãos de João Carvalho, filho de Alexandre Carvalho, que resolve dar corpo ao projeto de viticultura atual. Aliando a sua gestão às atividades de empresário têxtil e professor universitário, adquire novas parcelas de vinha e inicia novas plantações, aumentando a sua área até cerca de 60 hectares. Em conjunto com a sua esposa, Lurdes Carvalho, estuda e recupera muitas das castas históricas da Beira Interior, bem adaptadas aos solos graníticos pobres e ao clima agreste da região, para, desta forma, praticar uma viticultura sustentável.

Em meados da década de 2010, o negócio familiar é reforçado com a entrada da 3ª geração, Pedro Carvalho e Miguel Carvalho, que, juntamente com a 2ª, tem trabalhado no desenvolvimento de novos projetos, com forte componente experimentalista. Desta forma, em 2015 o grupo adquire a Herdade do Lousial, em Castelo Branco e, mais tarde, em 2019, faz a sua primeira incursão fora da Beira Interior, ao adquirir a histórica Quinta do Pocinho, em Vila Nova de Foz Côa, na região do Douro Superior. Neste período é ainda potenciado o enoturismo na Quinta dos Termos.

Os valores do grupo da Quinta dos Termos baseiam-se na valorização das castas autóctones e tradicionais de cada local, com um modo de produção orientado pelos princípios da sustentabilidade e da biodiversidade, com vista à criação de valor a longo-prazo para todos os agentes envolvidos, realça João Carvalho, atual proprietário. Atualmente, conta com cerca de 60 hectares de vinhas plantadas em solos graníticos, a uma altitude média de 500 metros. Nela cultivam-se 18 castas tintas, Touriga Nacional, Trincadeira, Rufete, Jaen, Tinta Roriz, Marufo, Tinto Cão, Alfrocheiro, Baga, Syrah, Petit Verdot, Sangiovese, e seis brancas, Fonte Cal, Síria, Arinto, Verdelho e Riesling, cujas uvas são trabalhadas pelo enólogo consultor, Virgílio Loureiro, e a enóloga residente, Ángela Marín. A adega segue técnicas tradicionais e da tecnologia moderna, e a vinha está certificada no modo de produção integrada, um contributo da empresa para a sustentabilidade.
A família Carvalho, movida por uma paixão inigualável pela terra e pelo vinho, iniciou este projeto com profunda reverência pela natureza e um desejo ardente de criar algo que transcendesse gerações. Cada membro trouxe consigo o seu talento e o compromisso único de transformar este sonho em realidade.

Lendas e mistérios…

A história deste lugar mágico começa com a visão audaciosa de transformar as terras da região num santuário de vinhas e vinhos excecionais. A visita à quinta permite provar vinhos de excelência e entender o processo artesanal e inovador que os torna únicos. Cada visita é uma oportunidade de explorar a essência da Quinta dos Termos, seja passeando por vinhas banhadas pelo sol ou ouvindo as histórias de quem faz do vinho uma forma de arte.

A dedicação da família em cada etapa do processo de produção, desde a escolha das castas até o envelhecimento dos vinhos, reflete um respeito profundo pelo terroir. Cada garrafa produzida na Quinta dos Termos não é apenas um vinho, é uma obra de arte líquida, uma expressão tangível da paixão e da tradição que a família defende incondicionalmente.
Foi neste quadro romântico e apaixonante que nasceu o enoturismo da Quinta dos Termos. É um local que transcende a mera visitação e se transforma numa verdadeira experiência de descoberta e contemplação. O atendimento é, aqui, uma arte refinada, onde cada visitante é recebido com uma hospitalidade calorosa e profissional, que faz com que todos se sintam parte da família. O cuidado nos detalhes, a atenção às necessidades individuais e o desejo genuíno de proporcionar uma experiência memorável são traços marcantes deste lugar. Cada encontro, cada conversa, revela uma paixão contagiante pelo vinho e pela terra que o produz.

As paisagens que cercam a Quinta dos Termos são um espetáculo à parte, de vinhas que se estendem por colinas suaves, pontilhadas por oliveiras centenárias e moldadas pela luz dourada do sol. É um cenário que convida à contemplação, onde cada vista, cada brisa, parece sussurrar histórias antigas e segredos guardados pela terra, lendas e mistérios ainda por contar.
A experiência enoturística vai, portanto, muito para além do vinho. É sobre a conexão humana, o respeito pela natureza e a celebração de um legado vinícola que atravessa gerações. E decorre num lugar onde o vinho é, mais do que uma bebida, é uma expressão de cultura, tradição e paixão, que reflete a alma destas terras magníficas.
Visitar este produtor e a sua adega é embarcar numa viagem filosófica e sensorial, onde cada momento é uma ode ao prazer de viver e ao esplendor da criação humana em sintonia com a natureza.

O queijo Serra da Estrela, os enchidos artesanais e o pão de centeio fresco, são algumas das iguarias que acompanham os vinhos desta casa.

Quinta dos Termos

 

Uma imersão nas experiências de turismo

A Quinta dos Termos oferece uma experiência de enoturismo que transcende o simples ato de provar vinhos. Este é um lugar onde a qualidade, a tradição e a autenticidade se unem, proporcionando uma imersão sensorial e cultural prazerosa para os amantes de vinho e da gastronomia. Começa no coração da propriedade, com a visita às vinhas. Estendendo-se entre os 400 e os 600 metros de altitude, as da Quinta dos Termos são cuidadas com rigor, respeitando o equilíbrio que confere às uvas o caráter único da região. Durante o passeio, os visitantes aprendem informações sobre castas autóctones como a Rufete, Síria e Fonte Cal, além das práticas sustentáveis que garantem vinhos de alta qualidade. É uma oportunidade para sentirem a conexão entre o solo, o clima e as vinhas, e compreender como contribuem para os sabores inconfundíveis dos vinhos da Quinta.

Seguindo para a adega, os visitantes têm a oportunidade para desvendar os segredos da vinificação. Na empresa, a tradição e a tecnologia coexistem harmoniosamente, num processo que combina práticas artesanais com inovação, realça Pedro Carvalho, responsável pelo Enoturismo da Quinta dos Termos. Durante o percurso explicam-se cada etapa, desde a fermentação até ao envelhecimento em barricas de carvalho, enquanto os aromas dos vinhos em maturação criam um ambiente irresistível, inebriante, que impele naturalmente a ficar.

O ponto alto da visita é a prova de vinhos, momento que celebra a essência da Quinta dos Termos. Em cada copo, encontra-se o reflexo do terroir da Beira Interior, com tintos robustos e aromáticos, brancos frescos e minerais, e rosés delicados, mas marcantes. Os vinhos são apresentados com paixão e conhecimento, através de histórias que revelam a ligação da quinta com a terra e a cultura local e regional.

Para tornar a experiência ainda mais completa, as provas podem ser harmonizadas com a gastronomia local. O queijo Serra da Estrela, os enchidos artesanais e o pão de centeio fresco são apenas algumas das iguarias que acompanham os vinhos, criando combinações que exaltam os sabores e reforçam a ligação entre o vinho e a tradição gastronómica da Beira Interior.
Na Quinta dos Termos, o enoturismo é muito mais do que uma visita, é uma viagem pelos sentidos e pelas histórias da região, salienta Pedro Carvalho, com um brilho nos olhos de quem adora o que faz. É o lugar onde o vinho se torna ponte entre o passado e o presente, onde a hospitalidade a beirã se traduz em momentos inesquecíveis. Para quem busca qualidade, autenticidade e uma experiência profundamente ligada ao território, a Quinta dos Termos é um destino obrigatório.

Nota: O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

 

 

 

 

 

CADERNO DE VISITA                                                                                                                                Quinta dos Termos

 COMODIDADES

– Línguas faladas: inglês, francês, espanhol

– Loja de vinhos

– Sala de provas com capacidade para 40 pessoas (provas de vinhos e refeições sob consulta)

– Esplanada – 50 pessoas

– Sala de eventos – 200 pessoas

– Diferentes atividades e refeições (sob consulta)

– Parque para automóveis ligeiros e três autocarros

– Provas comentadas (ver programas)

– Refeições (ver programas)

– Wifi gratuito disponível

– Visita às vinhas

– Visita à adega

EVENTOS

Eventos corporativos – sob consulta

Atividades team building – sob consulta

PROGRAMAS

Programa 1

Visita guiada à adega e degustação de três vinhos.

Individual e grupos

Duração: 1h

Preço: 10€

Programa 2

Visita guiada à adega e degustação de cinco vinhos com lanche (pão, queijos, presuntos e enchidos)

Grupos mínimos de 10 pessoas

Duração: 1h30

Preço: 15€

Programa 3

Visita guiada à adega e degustação de cinco vinhos com almoço ou jantar vínico (entrada, prato de carne, sobremesa e café)

Grupos entre 20-50 pessoas

Duração: 2h30h

Preço: 45,00€

CONTACTOS

Quinta dos Termos

Carvalhal Formoso

6250-161 Belmonte

Responsável pelo enoturismo – Pedro Carvalho

Email geral – info@quintadostermos.pt

Tel.: +351 275 471 070

www.quintadostermos.pt

Facebook @quintadostermos

Instagram @quintadostermos

 

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2025)

 

 

 

 

 

 

Leya edita livro sobre gastronomia e vinhos das aldeias históricas de Portugal

aldeias históricas vinhos receitas

Há, no mercado, um novo livro sobre as tradições gastronómicas e as receitas das 12 aldeias históricas de Portugal, onde são divulgados quais os vinhos que melhor se harmonizam com estes pratos. A obra “Receitas que Contam Histórias – Carta Gastronómica e Vinhos das Aldeias Históricas de Portugal”, editada pela Leya, foi lançada recentemente na […]

Há, no mercado, um novo livro sobre as tradições gastronómicas e as receitas das 12 aldeias históricas de Portugal, onde são divulgados quais os vinhos que melhor se harmonizam com estes pratos.

A obra “Receitas que Contam Histórias – Carta Gastronómica e Vinhos das Aldeias Históricas de Portugal”, editada pela Leya, foi lançada recentemente na Livraria Buchholz, em Lisboa, com apresentação do chef João Rodrigues e de Olga Cavaleiro, que foi a responsável pelo trabalho de investigação realizado e pela escrita do livro. Tem 420 páginas e o seu conteúdo tem, como base, uma pesquisa que decorreu durante três meses junto dos residentes de 12 Aldeias Históricas de Portugal, realizada para recolher informações sobre os produtos, práticas culinárias e tradições que deram origem às receitas únicas do legado gastronómico das Aldeias Históricas de Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso.

Depois de identificadas as receitas, foram desenvolvidas, com o apoio da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra e da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, sessões formativas para os agentes do sector da hotelaria e restauração do território das Aldeias Históricas de Portugal sobre a forma de as harmonizar com os vinhos da região. O processo levou à selecção de 13 restaurantes capacitados para produzir os menus Receitas que Contam Histórias com a Chancela Aldeias Históricas de Portugal.

Imprensa premiou os melhores vinhos no evento Beira Interior Vinhos & Sabores

Beira Interior Escolha Imprensa

A feira Beira Interior Vinhos & Sabores 2023 — uma iniciativa do Município de Pinhel e da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior — teve lugar, como habitualmente, no Centro Logístico de Pinhel, de 17 a 19 de Novembro. Além do salão com 50 expositores, que deram a provar os seus vinhos e outros produtos, […]

A feira Beira Interior Vinhos & Sabores 2023 — uma iniciativa do Município de Pinhel e da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior — teve lugar, como habitualmente, no Centro Logístico de Pinhel, de 17 a 19 de Novembro.

Além do salão com 50 expositores, que deram a provar os seus vinhos e outros produtos, foram várias as actividades paralelas que compuseram o evento, desde provas de vinho comentadas por especialistas a showcooking com chefs de cozinha, passando por um seminário sobre comercialização de vinhos da Beira Interior e pelo Concurso de Vinhos Escolha da Imprensa, que teve apoio à produção da Grandes Escolhas.

Beira Interior Escolha Imprensa

Na edição deste ano do concurso, com um júri composto por jornalistas, críticos de vinho e outros “wine writers”, foram atribuídos dois Grandes Prémios Escolha da Imprensa, ao branco Quinta do Cardo Vinha do Lomedo Biológico Síria 2021, da Agrocardo, e ao tinto Pinhel 75ª Vindima Reserva Especial 2018, da Adega Cooperativa de Pinhel. Foram, ainda, entregues 19 Prémios Escolha da Imprensa, a oito brancos, dez tintos e um rosé. Veja a lista completa dos vencedores, em baixo.

BRANCOS

Grande Prémio Escolha da Imprensa
Quinta do Cardo Vinha do Lomedo Biológico Síria 2021 – Agrocardo

Prémio Escolha da Imprensa
Aforista Reserva 2021 – Agrodaze, Vinhos e Agropecuária
Alvinho Colheita Selecionada 2021 – Lúcia e Américo Ferraz
Bal da Madre Biológico 2022 – Miss Vitis Wines
Ethos Natureza da Serra  2021 – Aromas do Mondego Quintas de S. Lourenço
Quinta da Ribeira da Pega Síria 2021 – Casa Agricola Metello Nápoles
Marquês D’Almeida Grande Reserva 2021 – CARM
Quinta da Caldeirinha Biológico Síria e Chardonnay 2022 – Quinta da Caldeirinha
Quinta dos Currais Colheita Selecionada Fonte Cal e Arinto 2021 – Quinta dos Currais

TINTOS

Grande Prémio Escolha da Imprensa
Pinhel 75ª Vindima Reserva Especial 2018 – Adega Cooperativa de Pinhel

Prémio Escolha da Imprensa
Beyra Grande Reserva 2021 – Rui Roboredo Madeira, Vinhos
Casas Altas Rufete 2020 – José Madeira Afonso
D. Manuel I  Reserva do Enólogo 2017 – Adega Cooperativa de Pinhel
Duplo Sentido Parcelas da Estação Touriga Nacional e Tinta Barroca 2018 – Vinumnostrum
Entrevinhas Grande Reserva 2017 – Sociedade Agro Pecuária Baraças Irmãos Unidos
Monte Barbo Reserva 2016 – Monte Barbo
Óptima Pergunta Private Selection 2017 – Cooperativa Agrícola Beira Serra
Quinta da Biaia Biológico Reserva 2018 – QDB – Quintadabiaia
Quinta dos Termos Reserva Vinha das Colmeias Alfrocheiro 2020 – Quinta dos Termos
Sapientia Grande Reserva 2021 – Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo

ROSÉS

Prémio Escolha da Imprensa
Avelanez Seleção Touriga Nacional 2021 – João Carlos Matias Ferreira

Titan of Douro vai ter vinho do Porto e ganha nova distribuição a norte

Titan of Douro

Luís Leocádio, produtor e enólogo dos vinhos Titan of Douro, acaba de anunciar que irá ampliar, muito em breve, o seu portefólio com uma linha de vinho do Porto e uma nova marca para a região da Beira Interior. “Estas novidades são fundamentais para impulsionar a oferta de produto para um nicho de mercado específico, […]

Luís Leocádio, produtor e enólogo dos vinhos Titan of Douro, acaba de anunciar que irá ampliar, muito em breve, o seu portefólio com uma linha de vinho do Porto e uma nova marca para a região da Beira Interior.

“Estas novidades são fundamentais para impulsionar a oferta de produto para um nicho de mercado específico, que revê na marca factores de diferenciação, tais como elegância, frescura e sofisticação”, refere o Luís Leocádio.

A acompanhar este anúncio, o produtor revelou, ainda, que a empresa M. Cunha Vinhos passou a distribuir os vinhos Titan of Douro, deste o primeiro dia de Agosto, no norte e centro de Portugal, em regime de exclusividade.

Titan of Douro
Titan of Douro é um nome inspirado no fiel amigo da família, um Dogo Argentino.

“A parceria com a M. Cunha Vinhos permite-nos encarar com grande optimismo o futuro da marca Titan junto do mercado tradicional. Para uma empresa como a nossa, onde o lado humano e de proximidade revela grande importância, a identificação com o ambiente corporativo, independente do grau hierárquico na M. Cunha vinhos, a sua estrutura altamente profissionalizada e o know-how de desenvolver marca junto de um mercado cada vez mais exigente no serviço prestado, gerou de imediato uma grande empatia, acreditando que assim será possível ter uma melhor colaboração, alinhamento de metas e produtividade”, explica Luís Leocádio.

Aforista Reserva Branco 2021 eleito Melhor Vinho da Beira Interior

Concurso Vinhos Beira Interior

A entrega de prémios do 16º Concurso de Vinhos da Beira Interior realizou-se no passado sábado, em Marialva, onde o vinho Aforista Reserva branco 2021 recebeu o prémio de “Melhor Vinho” da região. Além deste galardão, o júri do concurso, que aconteceu nos dias 19 e 20 de Junho, na Guarda, atribuiu várias distinções, incluindo […]

A entrega de prémios do 16º Concurso de Vinhos da Beira Interior realizou-se no passado sábado, em Marialva, onde o vinho Aforista Reserva branco 2021 recebeu o prémio de “Melhor Vinho” da região. Além deste galardão, o júri do concurso, que aconteceu nos dias 19 e 20 de Junho, na Guarda, atribuiu várias distinções, incluindo os prémios “Melhor Vinho no Feminino”, “Melhor Imagem” e “Melhor Imagem no Feminino”. Ao todo, 92 vinhos, de 34 produtores da região, estiveram a concurso, resultando em 17 medalhas de Ouro e 11 medalhas de Prata.

O presidente da CVR (Comissão Vitivinícola Regional) da Beira Interior, Rodolfo Queirós, destacou a importância deste tipo de eventos para a promoção da Rota dos Vinhos da Beira Interior, salientando que a escolha da aldeia histórica de Marialva contribui para a valorização de todo o território. Já o presidente do Município de Mêda, João Mourato, expressou satisfação pelo facto da gala de entrega de prémios ter ocorrido pela primeira vez no seu concelho, realçando a produtiva parceria entre a CVR da Beira Interior e o Município de Mêda.

A cerimónia foi presidida pela Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, com raízes no concelho de Mêda, que sublinhou a importância do sector vitivinícola na coesão territorial, na atracção de investimentos e na fixação de pessoas. A Ministra enalteceu, ainda, o papel desempenhado pela CVR da Beira Interior como elo de ligação entre os 20 concelhos que compõem a região.

16º Concurso de Vinhos da Beira Interior

MEDALHAS DE OURO

Adega 23 IG Terras da Beira branco 2020
Aforista DOC Beira Interior Reserva branco 2021
Beyra DOC Beira Interior Grande Reserva tinto 2021
Marquês D’Almeida DOC Beira Interior Reserva tinto 2018
Quinta Vale do Ruivo DOC Beira Interior branco 2020
Torre de Pinhel – 75º Vindima DOC Beira Interior Reserva Especial tinto 2018
Alvinho DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2021
Aforista DOC Beira Interior branco 2021
Convento de Marialva DOC Beira Interior Reserva tinto 2021
Quinta do Cardo DOC Beira Interior Grande Reserva Biológico Síria branco 2021
Souvall DOC Beira Interior Reserva branco 2022
Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas branco 2022
Pombo Bravo DOC Beira Interior Reserva Touriga Nacional e Tinta Roriz rosado 2021
1808 Portugal – Field Blend DOC Beira Interior Biológico tinto 2018
Torre de Pinhel IG Terras da Beira tinto 2020
Quinta dos Currais DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2021
Beyra DOC Beira Interior Reserva Tinta Roriz e Jaen tinto 2021

MEDALHAS DE PRATA

Quinta da Arrancada DOC Beira Interior Reserva Branco 2022
Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva tinto 2019
doispontocinco DOC Beira Interior tinto 2018
Folhas Caídas DOC Beira Interior Chardonnay Branco 2022
Quinta das Senhoras – Dona Maria de Deus DOC Beira Interior Grande Reserva tinto 2019
Portas D’El Rei DOC Beira Interior Colheita Selecionada tinto 2020
Quinta da Arrancada DOC Beira Interior Grande Reserva tinto 2020
Quinta dos Termos DOC Beira Interior Reserva Talhão da Serra tinto 2020
Quinta dos Currais DOC Beira Interior Síria Branco 2021
Entrevinhas DOC Beira Interior Touriga Nacional tinto 2021
Quinta da Arrancada – Açor DOC Beira Interior Reserva tinto 2020