LAVRADORES DE FEITORIA: 25 anos de vida

«O Douro é vinho. Vinho e vinha. Pode ser rio, pode ser terra. Região ou vila. Mas é, sobretudo, vinho. A monocultura é assim, impregna tudo, os montes, as casas e os homens. Como em qualquer outra região do país, os Durienses participaram em toda a história de Portugal. Influenciaram‑na e por ela foram condicionados. […]
«O Douro é vinho. Vinho e vinha. Pode ser rio, pode ser terra. Região ou vila. Mas é, sobretudo, vinho. A monocultura é assim, impregna tudo, os montes, as casas e os homens. Como em qualquer outra região do país, os Durienses participaram em toda a história de Portugal. Influenciaram‑na e por ela foram condicionados. Têm as suas glórias e as suas misérias. Ajudaram a consolidar a nacionalidade e deram o seu contributo para as explorações marítimas. Estiveram presentes nas lutas dinásticas, perseguiram espanhóis, foram valentes no combate aos exércitos franceses de ocupação. Envolveram‑se nas guerras liberais e em quase todas as revoluções dos séculos XIX e XX.
Ainda há pouco tempo, no meio das dificuldades da fundação do Estado democrático, foi da Régua e dos vales do Douro que vieram gritos rebeldes em defesa das liberdades. A história dos Durienses vale a dos seus conterrâneos de qualquer região. Mas, se um Duriense fala da sua terra, o vinho será imediatamente o tema. Chamem‑lhe fino ou licoroso, generoso ou de feitoria, de embarque ou de carregação, ou simplesmente, como em todo o mundo, vinho do Porto: será esse o seu bilhete de identidade.
Os povos gostam de se identificar com algo que os distinga, uma glória do passado ou um especial traço do presente. O vinho é, no Douro, a memória de todos, o fio condutor de gerações. O vinho está presente do modo mais indelével que seja: nas consciências e nos sentimentos. Mas também reina na paisagem, naqueles formidáveis socalcos que, montanha acima, acabaram por lhe dar forma e feitio. “É o mais belo e mais doloroso monumento ao trabalho do povo português” (Jaime Cortesão). E é tema indispensável na literatura local ou sobre a região.
É evocado nos cantares e nas tradições culturais. É, finalmente, o centro da vida económica regional, tendo já sido o principal trunfo português no comércio externo. A sociedade contemporânea, com os serviços, a administração, as escolas, uma incipiente industrialização, os meios de comunicação e a televisão, é muito diferente daquela que ainda recordam os Durienses com cinquenta ou mais anos. O império do vinho parece menos marcado. O relógio das adegas e das vinhas deixou de governar os dias do Douro. O calendário das vindimas já não dita a sua lei. Os trabalhos da vinha e do vinho já não são obsessivamente os únicos que interessam e preocupam os Durienses. Isso é verdade. Mas o reino do vinho, embora menos despótico, ainda existe.
Grande parte do vinho produzido no mundo não tem origem. Ou antes, o local de nascimento é desconhecido. Ou é vago. Os lotes e as misturas, legais ou improvisados, são responsáveis pela massificação vinícola. Durante muito tempo, até meados do século vinte, esta era a situação dominante. Ora, nas últimas décadas, a evolução dos gostos e dos mercados alterou essa realidade, sendo cada vez mais numerosos os vinhos com nome de sítio. Os vinhos com origem demarcada constituem a fidalguia da espécie. E, como sempre acontece nestas coisas, há os que são mais fidalgos do que outros. Uma “região demarcada” é melhor do que uma “origem determinada”. Dentro das regiões demarcadas, há também diferenças, como na aristocracia. Há os que são “mais nobres” do que outros, ou mais antigos, ou com mais pergaminhos. Nesta classificação imaginada, o Douro vem entre os primeiros.
Com efeito, a região foi a primeira do mundo a ser demarcada, antes mesmo de se ter inventado o conceito. Desde o século XVIII que o vinho do Douro, mais propriamente o vinho do Porto, é aquele que provém de uma região bem definida. Décadas mais tarde, os franceses fizeram operação semelhante, demarcando o Bordéus, depois o Borgonha, o Champanhe e outros. Italianos e Espanhóis seguiram. E Alemães, Austríacos, Húngaros, Jugoslavos e Suíços. Hoje, Australianos, Sul‑Africanos e Americanos fazem o mesmo.
Demarcar significa dar identidade. A verdade é que um vinho, se tem personalidade, vem de um sítio. Para ter carácter, um vinho faz‑se numa região. Particulares condições naturais, o sol e a pedra, a terra e a água, ajudam a criar um produto singular, um vinho diferente. Mas isto é apenas o princípio. Nenhum vinho, tal como o conhecemos, é produto directo da natureza. Nenhum vinho que bebemos é igual ao que se bebia há dois ou três séculos, muito menos igual aos que se bebiam nos tempos da Bíblia, que de vinho tanto fala; ou dos conventos da Idade Média, que pelo vinho tanto fizeram; ou das explorações marítimas, que do vinho tantas saudades tiveram. É mesmo provável que, se nos fosse dado beber vinho feito como há um ou dois milénios, sentíssemos real repugnância em fazê‑lo.
Os vinhos que temos diante de nós são o resultado de um longo apuramento do gosto e de uma evolução ininterrupta dos métodos de fabrico e de conservação. O vinho da natureza não é o vinho dos homens. Este último é fabricado. Com sabor, gosto, lutas e mercado; com sonhos, riqueza, coragem e pobreza; com arte e ciência, com técnica e sofrimento.
No Douro, que produz um vinho complexo, um vinho mais feito e mais “fabricado” do que outros, os homens desbravaram o mato, subiram as encostas, aterraram e surribaram. Desfizeram a pedra, fabricaram terra, levantaram muros, construíram milhares de quilómetros de socalcos, serra acima e vale adentro. Quebraram a rocha, cavaram a terra, saltaram os rios, procuraram água e marcaram sítios para viver. Plantaram, enxertaram, podaram as vides, colheram as uvas, pisaram, trasfegaram, transportaram e fizeram o vinho. Conservaram, armazenaram, fizeram lotes, misturaram aguardente, envelheceram e apuraram.

E o vinho fez uma região, fez os solares, as quintas e os casebres. Fez os lagares e os cardenhos; as pipas e os rabelos; os ricos e os pobres. Nada de importante, no Douro, é independente do vinho. Nem as Igrejas e os mosteiros, que o vinho fez e que vinho fizeram.
Foi o vinho que fez o Douro, porque o Douro, antes do vinho, era muito pouco o que é hoje. Até as montanhas são diferentes. Não foi o Douro que fez o vinho. Foi o homem que fez o vinho. O homem, as suas técnicas e o mercado. De volta, o vinho fez o Duriense. Condicionou‑o, influenciou‑o.
A história do vinho é a história do Douro e marcou a história dos Durienses. Por isso é possível dizer, com Orlando Ribeiro, que “…foi o homem que trouxe o maior reforço à meridionalidade da região”. E, com Virgílio Taborda, que “foi a vinha, o fabrico e o comércio do vinho do Porto que fizeram o Alto Douro”. O Douro de que aqui se fala é tão só o Alto Douro. Mas quase nem é preciso dizê‑lo.
A história e o vinho confiscaram o nome e expropriaram as outras regiões que dele se podiam reclamar. Da Régua ou de Barqueiros até ao Porto, até à Foz do Douro, para ser mais preciso, também é Douro, mas, para se saber de que se trata, é necessário acrescentar “Litoral”. De Barca d’Alva até Miranda, dir‑se‑á que é o Douro “internacional” e faz fronteira entre Portugal e a Espanha há séculos. O Douro demarcado, o Douro do vinho, Alto Douro para os geógrafos, é o Douro fidalgo, o que tem morgadio. Dentro dele, poder‑se‑á falar de Baixo Corgo, de Cima Corgo e de Douro Superior, mas isso já é nomenclatura técnica. Douro é Douro, é o Alto Douro e mais nenhum.»
Nenhuma destas palavras acima são minhas, não. Tomara eu. São palavras superiores, de uma mente superior, como a de António Barreto, sociólogo português, duriense e Presidente da Assembleia Geral de Lavradores de Feitoria entre 2002 a 2020. Mas quem escreve assim sobre o Douro, com este conhecimento, com esta crueza narrativa, com sentido de lugar e profundidade emocional, tem de ser, de forma inelutável, um dos principais responsáveis, senão o principal mesmo, pelo sucesso e pelos 25 anos de duração do projecto Lavradores de Feitoria. Esta é a pequena homenagem que aqui lhe presto.
A responsabilidade que ficou para quem veio a seguir, e para os que virão no futuro, é, certamente, enorme de igual modo, mas a parte mais difícil do trabalho ficou praticamente feita, como se António Barreto, em vez de ensinar só a pescar, tivesse também ensinado os peixes a morder o anzol, tornando a pesca e o trabalho das gerações seguintes de pescadores muito mais fácil e prazeirosa. E, assim, pode dizer-se que o vinho fez o Douro, fez o duriense e fez a Lavradores de Feitoria.

O início do projecto
O nome Lavradores de Feitoria tem a sua origem remota nos vinhos de feitoria da época Pombalina, uma suposta selecção dos melhores vinhos da região do Douro, que, a posteriori, o Marquês de Pombal destinava aos apreciadores mais exigentes do nosso país e do mundo, como forma de promover a ‘sua’ recém demarcada região do Douro.
Nascida no ano 2000, a Lavradores de Feitoria resulta inicialmente da união de 15 lavradores do Douro, proprietários de 19 quintas, sob um modelo de gestão e produção unificado, como forma de obter sinergias e ganhos de escala em todas as etapas da produção de vinho. Mas esta era, sobretudo, uma ideia e uma visão para o futuro – actualmente, é constituída por 51 accionistas, 15 dos quais possuem 20 propriedades na região.
A aquisição pela Lavradores de Feitoria, em 2008, da Quinta do Medronheiro, em Sabrosa, mesmo ao lado do Palácio de Mateus, com fundos exclusivamente próprios, marcou o início da produção de uva própria. Este feito culminou em 2021, com a conclusão da nova adega, transportando definitivamente o projecto para um patamar evolutivo e de qualidade superiores.
Paulo Ruão, comanda os destinos da enologia da Lavradores desde 2005. Conhecedor profundo de cada vinha, cada parcela, cada exposição, cada altitude e de cada lavrador, faz os vinhos, privilegiando sempre a frescura, a elegância e o equilíbrio, com o cunho do carácter único e vincado da região do Douro.
Boal, Códega, Gouveio, Malvasia, Sauvignon Blanc e Viosinho são as castas brancas, enquanto nas tintas, algumas de vinhas com mais de 80 anos, podemos encontrar Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Francesa, Touriga Nacional e Alvarelhão.
Foi, em particular, o Alvarelhão que fomos provar. Proveniente de uma pequena parcela de 0,6 hectares de uma vinha plantada em 1920, na vizinha Casa de Mateus, esta casta nativa, ancestral e rara, impõe grandes desafios na viticultura, mas recompensa largamente pela sua extraordinária finesse. E é claro que não nos ficámos só pelo Alvarelhão. Afinal, são quase cinco horas de viagem de Lisboa até Sabrosa e a Lavradores de Feitoria tem sempre algo mais para mostrar.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Lavradores de Feitoria Colheita Tardia
Colheita Tardia/ Late Harvest - 2022 -

Três Bagos Grande Escolha
Tinto - 2019 -

Vinha do Sobreiro
Tinto - 2019 -

Meruge
Tinto - 2021 -

Vinhas do Palácio
Tinto - 2023 -

Três Bagos
Tinto - 2022 -

Meruge
Branco - 2022 -

Três Bagos
Branco - 2019 -

Três Bagos
Branco - 2024 -

Três Bagos
Branco - 2024
Administração executiva da Lavradores de Feitoria com novo nome

Filipe Caetano assume a administração executiva do projecto duriense Lavradores de Feitoria e passa a ter a responsabilidade nas áreas comercial e marketing. Os mais de 25 anos de experiência em marketing e vendas, bem como a formação na área de vinhos, pesaram nesta decisão no âmbito deste colectivo constituído por 15 lavradores com vindimas […]
Filipe Caetano assume a administração executiva do projecto duriense Lavradores de Feitoria e passa a ter a responsabilidade nas áreas comercial e marketing. Os mais de 25 anos de experiência em marketing e vendas, bem como a formação na área de vinhos, pesaram nesta decisão no âmbito deste colectivo constituído por 15 lavradores com vindimas espalhadas pelas três sub-regiões do Douro.
“Quero contribuir, com a minha energia e experiência, para consolidar o posicionamento da Lavradores de Feitoria, reforçar a sua presença nos mercados nacionais e internacionais, e continuar a afirmar a força de um modelo assente na colaboração entre produtores, neste modelo de Douro Colectivo, refletindo a nossa intenção de justiça, de continuidade e impacto positivo e duradouro”, afirma Filipe Caetano em comunicado.
Passemos ao currículo de Filipe Caetano, onde constam as missões de Director-Geral na Vicentino Wines, de Administrador e Director de Marketing na Fladgate Partnership, Director de Marketing no Esporão e na Primedrinks, Area Manager na Rémy-Cointreau, na América Latina e nas Caraíbas, bem como o trabalho desenvolvido na Bols, no Intermarché e na Sonae, a experiência internacional (Miami, São Paulo, Paris, Reims) ou o nível 3 do Wine Set.
Olga Martins deixa Lavradores de Feitoria para dedicar-se a 100% aos vinhos Poeira

Depois de 23 anos dedicada à Lavradores de Feitoria, empresa produtora de vinhos do Douro, Olga Martins decidiu deixar a empresa de vinhos que viu nascer, para assumir, a 100%, o seu projecto familiar de vinhos, o Poeira. Há muito que o marido, o enólogo Jorge Moreira, a desafiava a assumir a gestão e promoção […]
Depois de 23 anos dedicada à Lavradores de Feitoria, empresa produtora de vinhos do Douro, Olga Martins decidiu deixar a empresa de vinhos que viu nascer, para assumir, a 100%, o seu projecto familiar de vinhos, o Poeira.
Há muito que o marido, o enólogo Jorge Moreira, a desafiava a assumir a gestão e promoção dos vinhos Poeira. Mas a decisão de deixar a Lavradores de Feitoria não foi fácil. A um ano de celebrar meio século de vida e com a empresa em velocidade de cruzeiro, Olga Martins sentiu que era chegada de hora mudar, apesar de a sua ligação à Lavradores de Feitoria se manter como accionista da empresa. “O meu lema de vida é dar sempre o meu melhor em tudo o que faço, respeitando todos os que se cruzam no meu caminho”, conta a gestora, acrescentando que “foi assim durante estes anos na Lavradores de Feitoria, em que aprendi muito sobretudo com o Fernando Albuquerque e o Dirk Niepoort, a quem estarei sempre grata”. Agora, sentiu que estava na hora de encerrar este ciclo e, por isso, não aceitou o convite para continuar, nas últimas eleições da empresa.
O projecto de vinhos Poeira nasceu, no Douro, em 2001. Nesse ano, Jorge Moreira decidiu fazer um interregno na sua carreira como enólogo da Real Companhia Velha, para criar vinhos com o seu cunho pessoal. Olga Martins esteve sempre ligada ao projecto, de forma mais discreta, tendo mesmo um vinho da sua autoria: o She by Poeira.
Lavradores de Feitoria: Casa nova, vinhos novos

Fundada em 2000 por 15 viticultores durienses, a Lavradores de Feitoria é um projecto inovador a diversos níveis. Agrupando 20 propriedades, dispersas pelas três sub-regiões do Douro, num total de mais de 600 hectares de vinha, conta desde 2021 com uma nova sede e adega e, desde abril do ano passado, com um centro de […]
Fundada em 2000 por 15 viticultores durienses, a Lavradores de Feitoria é um projecto inovador a diversos níveis. Agrupando 20 propriedades, dispersas pelas três sub-regiões do Douro, num total de mais de 600 hectares de vinha, conta desde 2021 com uma nova sede e adega e, desde abril do ano passado, com um centro de enoturismo. No meio de tanta novidade cabem, claro, novos vinhos e colheitas.
Texto: Luís Lopes Fotos: Lavradores de Feitoria
O associativismo no sector do vinho é fenómeno raro e, quando acontece, normalmente não dura muito. O projecto Lavradores de Feitoria merece, por isso, forte aplauso, pela longevidade (quase 23 anos!), dimensão (são hoje 53 accionistas, dos quais 16 proprietários de quintas), conceito (lógica de sustentabilidade social, económica e ambiental) e solidez, reforçada pela aquisição da quinta do Medronheiro, em Sabrosa, e a construção da nova sede e adega no local.

Na base de tudo isto está um enorme capital de confiança gerada entre todos os intervenientes e que a administração da Lavradores de Feitoria, cujo rosto mais visível é a CEO Olga Martins, procura retribuir. Um exemplo, é o valor base de remuneração das uvas aos produtores associados, sempre acima da média praticada na região, garantindo que cobre o custo de produção, numa lógica de “fairtrade”. A Lavradores de Feitoria tem um sistema de pagamentos assente em três patamares – base, superior e extra (que chega a valer mais do dobro do valor base), como forma de valorizar a qualidade das uvas e, por conseguinte, dos vinhos. O pagamento aos fornecedores 30 dias após a emissão da factura é igualmente um ponto de honra da casa.
Mas falemos de vinhas, adegas e vinhos. E aqui é incontornável o nome de Paulo Ruão, director de enologia da Lavradores de Feitoria desde a vindima de 2005. Para construir uma gama de vinhos segmentada e criteriosa, que abarca lotes, monocastas e vinhos de quinta, a partir de 20 propriedades e 600 hectares, é preciso estar familiarizado com cada um destes terroirs e suas particularidades. Paulo conhece bem as quintas dos sócios da empresa. Para além do acompanhamento periódico anual, visita cada uma das vinhas duas vezes antes da vindima, para fazer controle de maturação e escolher as parcelas que pretende, podendo estas variar de ano para ano.
Quando a empresa nasceu, em 2000, a coisa era muito mais simples: cada quinta fazia o seu vinho e a sua marca. Rapidamente se verificou, porém, a insustentabilidade enológica e comercial do modelo. Hoje, estas propriedades dispersas pelo Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, com uvas de castas bastantes diversas, cepas de todas as idades, plantadas a múltiplas altitudes, com diferentes exposições, numa enorme heterogeneidade de solos, originam apenas duas linhas de vinhos, identificadas como “vinhos de lote”, onde estão as marcas Lavradores de Feitoria e Três Bagos, e “vinhos de vinha”, onde se inserem os clássicos Meruge, branco e tinto, Quinta da Costa das Aguaneiras e, a grande novidade de 2022, Vinha do Sobreiro.
Depois da fase “naif” inicial, a vinificação comum passou a estar concentrada numa adega montada na zona industrial de Paços, em Sabrosa. A ambição de Olga Martins e Paulo Ruão, porém, era outra. Numa empresa assente em quintas e vinhas, fazia sentido ter “uma adega no meio das videiras”. O sonho levou tempo a concretizar. Primeiro, em 2008, foi preciso adquirir, com capitais próprios, a Quinta do Medronheiro. Com 8 hectares de área total, entre os 540 e 580 metros de altitude e exposição sul, 6,5 hectares são de vinha, exclusivamente uvas brancas, Viosinho, Gouveio e Boal, em modo de produção biológica. Depois, houve que ganhar músculo financeiro para construir a adega, inaugurada somente 13 anos depois, em 2021.

O projecto, da autoria do arquitecto Belém Lima, assenta numa estrutura e paredes exteriores em betão armado pré-fabricado, com um padrão texturado onde impera a cor do xisto. Os painéis isolados e de grande eficiência térmica, associados à produção de energia através de painéis fotovoltaicos e ao tratamento de águas, avolumam a vertente de sustentabilidade da empresa. A adega possui todo o equipamento moderno expectável numa instalação destas. Porém, a pisa a pés em lagar de granito, que Paulo Ruão exige para alguns vinhos de topo, continua a ser feita nas quintas dos produtores accionistas. Para além da parte produtiva, o edifício comporta ainda os escritórios da empresa e a área dedicada ao enoturismo, inaugurado em abril de 2022. Também aqui, a Lavradores de Feitoria procura fazer diferente, privilegiando as visitas personalizadas, a cargo de Eduardo Ferreira, exímio contador da história do Douro e das estórias dos vinhos e das gentes…
(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2023)
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Quinta da Costa das Aguaneiras
- 2018 -

Três Bagos
Tinto - 2016 -

Meruge
Tinto - 2018 -

Vinha do Sobreiro
Tinto - 2016 -

Três Bagos
Tinto - 2019 -

Lavradores de Feitoria
Tinto - 2021 -

Lavradores de Feitoria
Rosé - 2021 -

Meruge
Branco - 2020 -

Três Bagos
Branco - 2021 -

Três Bagos
Branco - 2021 -

Lavradores de Feitoria
Branco - 2021
Lavradores tornam-se adultos

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Com a maioridade vem a responsabilidade. Na Lavradores de Feitoria, após 18 anos de trabalho, chegou a hora de grandes decisões e investimentos, centrados agora na nova adega. Razões bastantes para festejar e celebrar a difícil arte de agradar a tantos lavradores diferentes.
TEXTO João Paulo Martins
Jornalistas eram vários, escritores e apreciadores de vinho outros tantos, todos no Clube de Jornalistas para tomar conhecimento das novidades da empresa dirigida por Olga Martins, CEO, e Paulo Ruão, enólogo. Ao evento também não faltou António Barreto, que integra o Conselho Fiscal da empresa. Nem todos os que estiveram ligados ao arranque da Lavradores fazem agora parte do projecto, como Jorge Dias (Gran Cruz), mas um deles, Dirk Niepoort, continua, ao menos, sentimentalmente ligado, já que foi também ele que participou no take-off da empresa e ajudou a desenhar um dos vinhos emblemáticos do portefólio, o Meruge. Fenando Albuquerque (Palácio de Mateus) foi também figura preponderante no arranque e ainda se mantém ligado, fornecendo uvas das duas quintas, nomeadamente as que integram o branco Três Bagos Sauvignon Blanc, provenientes das vinhas que circundam o palácio, em Vila Real.
Com arte, saber, paciência e autoridade, Olga tem de gerir 17 sensibilidades e outros tantos temperamentos, tantos são os lavradores que, nas 20 quintas e 600 hectares de vinha de que dispõem, contribuem para os vinhos da casa. A paciência e a autoridade, segundo Olga, explicam-se facilmente: todos querem vender as uvas à empresa o mais caras possível e todos querem depois ter dividendos cada vez mais altos. A juntar a esta equação de resolução difícil acresce a gestão das vontades de quase todos em ter no portefólio vinhos com o nome das suas próprias quintas. Tudo isto numa região e num país em que a palavra associação e o verbo negociar são de difícil conjugação. Há assim muito mérito no equilíbrio que se tem conseguido e nos resultados obtidos mas foi “o caminho das pedras”, disse Olga, com os ânimos a serenarem quando os bons resultados apareceram de imediato e tudo isto apesar dos reveses que há uns anos quase levaram à perda do mercado norueguês – pelo volume que representa, é o mais importante para a Lavradores.
O sucesso da Lavradores, com um modelo organizativo inédito no Douro, criou na região um interesse junto de outros produtores. “Temos uma lista de espera e vamos mesmo ter de admitir mais produtores e quintas, porque estamos a ficar apertados em termos de fornecimento de uvas”, diz Olga. A empresa não faz Vinho do Porto e muitos destes lavradores têm de cumprir o benefício, o que, segundo Paulo Ruão, em anos como 2018 levou a que alguns produtores colhessem primeiro para aquele fim e só depois tenham entregue à Lavradores; isto fez com que “tenham entrado uvas com 17º de álcool provável, o que torna depois o trabalho muito difícil”, disse.
Para comemorar a maioridade a Lavradores apresentou um tinto especial, feito de Tinto Cão e apenas comercializado em magnum (700 garrafas), com a particularidade de ser uma garrafa especialmente leve para o formato magnum, algo de novo no mercado português. Trata-se de um tinto feito de uvas da Quinta de Pias, em lagar, com engaço (em que permaneceu dois dias), sendo depois transferido para barrica nova, onde ficou durante 18 meses sobre borras. No momento provou-se também de novo o Tinto Cão de 2006, de que já existem poucas garrafas – mostrou uma óptima saúde e capacidade para enfrentar o futuro.
E, como que em jeito de celebrar a maioridade, vai arrancar a construção da nova adega, também na zona de Sabrosa. Quem sabe, para o ano, temos adega nova…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº20, Dezembro de 2018
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