VINHOS ITALIANOS: Como um produtor português se abre ao mundo

Vinhos italianos

Na economia e na política, há momentos de transição discreta que dizem mais sobre o futuro de um país do que grandes anúncios de investimentos estratégicos. No vinho – mundo tantas vezes ancorado na tradição, no orgulho legítimo das origens e na defesa da identidade – esses momentos são raros. Mais raros são no “velho […]

Na economia e na política, há momentos de transição discreta que dizem mais sobre o futuro de um país do que grandes anúncios de investimentos estratégicos. No vinho – mundo tantas vezes ancorado na tradição, no orgulho legítimo das origens e na defesa da identidade – esses momentos são raros. Mais raros são no “velho mundo”, onde Portugal, Espanha, França e Itália olham essencialmente para dentro e quase sempre com desconhecimento sobre o contexto vínico do “vizinho do lado”. Mas, de quando em vez, esses momentos pivot acontecem. E quando acontecem, devem ser reconhecidos pelo que realmente são: sinais de maturidade, de visão e, acima de tudo, de confiança. A decisão de um grupo como o Grupo Amorim de integrar, no seu universo, o olhar e ação de um dos mais respeitados enólogos italianos, Riccardo Cotarella é, a nosso ver, um desses momentos.

Como é sabido, Portugal sempre se distinguiu pela riqueza das suas castas e dispersão territorial da plantação da vinha, diversidade dos seus terroirs e por uma cultura vínica profundamente enraizada. Agora, com este movimento do Grupo Amorim, esperamos que o mundo vínico português recupere a capacidade de se abrir ao exterior. É verdade que Portugal nunca esteve totalmente fechado, sendo disso bom exemplo alguns enólogos estrangeiros que se radicaram no nosso país, caso de Peter Bright, e, depois, David Baverstock, ambos australianos. E também é certo que tivemos outros nomes internacionais, sonantes até, que, pontualmente, cruzaram o nosso caminho, mas sempre sem destaque maior. Veja-se o caso de Michel Rolland, o mais célebre dos flying winemakers e uma das figuras mais influentes da enologia contemporânea.

Michel Rolland teve presença global avassaladora, trabalhando com centenas de produtores em mais de duas dezenas de países. No entanto, ao contrário do que aconteceu na Argentina, em Itália ou na Califórnia, EUA, a sua marca em Portugal foi ténue, quase periférica, sem nunca se traduzir numa aposta estruturada ou num projeto com impacto sistémico. Maior influência no nosso país, mas mesmo assim sem consolidar um impacto determinante no Portugal vínico moderno, teve o enólogo Pascal Chatonnet. Com uma ligação mais concreta ao país, colaborou, desde os anos 90 do século XX, com projetos no Douro, como a Quinta do Portal, e, mais tarde, desempenhou um papel menos esporádico na Bairrada e noutras regiões através do ex-grupo IdealDrinks, ainda exercendo a sua atividade pelo nosso país. Foram e são contributos importantes, sem dúvida, mas, ainda assim, inseridos em contextos específicos e sem o peso simbólico de uma opção estratégica assumida por um grande grupo nacional.

Vinhos italianos

De fora para dentro

Pois bem, é esse movimento de fora para dentro que Luísa Amorim quer potenciar para os seus projetos localizados de norte a sul do país. Para tal, a produtora destaca a amizade de longa data da sua família com a família Cotarella, afirmando que tal não se trata de um detalhe biográfico, mas antes a base emocional e cultural de uma relação que transcende negócios ou estratégias. Para confirmar esse posicionamento, ou melhor, essa ponte entre os dois países, foi organizada uma prova de vinhos italianos, uma verdadeira imersão dedicada aos vinhos de Itália, no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa.

O local não terá sido escolhido ao acaso, explorando a ligação à academia (Riccardo Cotarella colabora como professor de Enologia na Universidade da Tuscia), com vários alunos presentes, quer das licenciaturas de Engenharia Agronómica e Engenharia Alimentar, quer do Mestrado em Engenharia de Viticultura e Enologia.

Antes da prova propriamente dita, Riccardo Cotarella destacou, numa breve palestra, a forte cultura de vinho em Portugal – revelando até uma certa surpresa sobre a importância do vinho para os portugueses –, a diversidade de castas portuguesas, e a complexidade dos nossos lotes.

Mais do que termos muitas castas diferentes (em Itália existem ainda mais variedades), Riccardo Cotarella constatou que os enólogos portugueses têm uma capacidade quase intuitiva de equilibrar identidade e inovação, e, neste aspeto temos, de nos orgulhar quando alguém com o percurso de Riccardo Cotarella encontra, em Portugal, algo único e que não carece de ser corrigido, antes enaltecido. Talvez por isso, a consultoria do enólogo italiano é apresentada como uma colaboração apenas, sendo que ao seu lado estão os enólogos portugueses responsáveis pelas propriedades do Grupo Amorim, todos eles conhecedores dos seus territórios e com anos na casa – caso de António Bastos, na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo (Douro), Rodrigo Costa, na Taboadella (Dão) e António Cavalheiro, na Herdade Aldeia de Cima (Alentejo).

Em suma, a apresentação do novo consultor internacional para o Grupo Amorim é, esperemos, um sinal de que o vinho português não se fecha ao exterior. No fim, talvez seja isso que verdadeiramente importa. Não se trata de trazer um grande nome da enologia italiana para Portugal, mas de ser capaz de mostrar que o nosso país pode dar-se ao luxo de se expor, porque quem sabe o que vale, não tem receio de partilhar e até de melhorar.

Os clássicos e a elegância no copo

Na masterclass, comentada por Riccardo Cotarella, o destaque, nos brancos, foi todo para o clássico Cervaro della Sala 2024, da Tenuta Castello della Sala (Grupo Antinori), que revelou a complexidade calcária do terroir de Umbria, localizada no centro de Itália, e muita precisão mineral. Também foram provados o fresco Il Punto 2023 (Lazio), o exuberante Vintage Tunina 2023, do produtor Jermann e da região norte Friuli‑Venezia Giulia, e o intenso Quartz Sauvignon 2024 do produtor Cantina Terlan do Adige Terlano (Val d’Aosta). Nos tintos, brilhou o Gran Selezione San Lorenzo 2021, do produtor Castelo di Ama, a provar que os Chianti Classicos seguem como os mais elegantes tintos italianos, lado a lado com a potência e juventude do Tenuta Nuova 2020, do produtor Casanova di Neri, em Brunello di Montalcino, e do carismático e rústico Montevetrano 2022, da Colli di Salerno, entre outros.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)

ERVIDEIRA: Operação Invisível

Ervideira

No ano de 2010, quando o boom dos vinhos brancos ainda nem sequer tinha começado e sobre o branco de uvas tintas ainda não se ouvia falar, a Ervideira lançou o seu primeiro Invisível 2009, o vinho branco feito de Aragonez. Parecia mentira. Como se não bastasse, o lançamento foi marcado para o dia 1 […]

No ano de 2010, quando o boom dos vinhos brancos ainda nem sequer tinha começado e sobre o branco de uvas tintas ainda não se ouvia falar, a Ervideira lançou o seu primeiro Invisível 2009, o vinho branco feito de Aragonez. Parecia mentira. Como se não bastasse, o lançamento foi marcado para o dia 1 de Abril. Tal como hoje, mas há 16 anos, tornou-se uma tradição.

A surpresa do consumidor era grande e a curiosidade também. As 9000 garrafas esgotaram rapidamente e não era um vinho barato. À época, custava cerca de oito euros. O sucesso era absoluto e crescia de ano para ano. E, por muito que a produção aumentasse, a procura foi sempre superior, de maneira que em Julho todo o Invisível ficava mesmo invisível, demonstrando a apetência do mercado para absorver mais.

A curiosidade é um bom estímulo para experimentar um vinho. Uma vez. Não é suficiente para manter o nível de procura apenas com marketing adequado; o vinho tem que ter argumentos próprios, para manter o interesse do consumidor, como foi o caso. Assim, a edição de 2025 atingiu 180 000 garrafas. É o vinho mais vendido da Ervideira e não é o mais barato, custando agora 14,50 euros. Pela informação que conseguiram apurar na empresa no que toca aos vinhos tranquilos, o Invisível é o Blanc de Noirs mais vendido do mundo. Nada mau para um vinho de nicho. É um autêntico case study. 90% do Invisível é vendido no mercado nacional, 5% no Brasil e 5% em alguns países europeus.

 

É o vinho mais vendido da Ervideira e não é o mais barato

Ervideira

Um percurso Invisível

Recuando no tempo para lá do primeiro lançamento, estamos antes da vindima de 2008. A ideia foi, como sempre, de Duarte Leal da Costa, administrador da Ervideira, que trouxe, entusiasmado, vários Blanc de Noirs estrangeiros, para convencer o responsável de enologia, Nelson Rolo, a criar algo semelhante na Ervideira. O enólogo não partilhou o entusiasmo e disse que os vinhos que provou eram “uma treta”. “Então, vamos fazer um vinho que não seja uma treta”, concluiu Duarte.

E qual seria a casta escolhida para um papel tão importante? Várias foram as opções, no entanto, todas apresentavam algumas fraquezas. A Touriga Nacional era boa, mas precisavam dela para os vinhos tintos; Cabernet Sauvignon conferiu um aroma muito vegetal, enquanto os ensaios com a Trincadeira e a Moreto não tinham graça. A única casta que passou no casting com todos os requisitos foi a Aragonez.

Desde então, plantaram três vinhas novas e aumentaram a adega por três vezes para dar resposta ao aumento da produção do Invisível especialmente para a produção do Invisível. Actualmente estão a planear uma quarta alteração.

Paralelamente, o estilo também foi-se alterando um pouco ao longo dos anos, de acordo com o gosto do consumidor. Os primeiros vinhos tinham mais álcool (13-13,5%) e cerca de cinco gramas por litro de açúcar residual; agora são secos e não ultrapassam os 12,5%.

É um vinho muito exigente em termos técnicos, sobretudo a nível de frio, para não extrair a cor. Têm as vinhas em duas zonas do Alentejo: em Reguengos e na Vidigueira. Vindima-se tudo à máquina e à noite. A uva da Vidigueira vai logo para uma câmara frigorífica. Em Reguengos, como a vinha fica muito perto da adega, circulam dois tractores, a transportar rapidamente a uva até à adega, sempre de madrugada. A uva segue logo para a prensa, para minimizar o contacto com as películas.

Fazer o Invisível é como construir um puzzle, pois trata-se de um lote de Aragonez não só de várias parcelas, mas também apanhado em alturas diferentes. A vindima começa no final de Julho, ainda antes das uvas destinadas para a base de espumantes. As primeiras uvas que entram, asseguram a acidez. Nesta altura, os aromas ainda não estão desenvolvidos. Por isso, é preciso ir construindo as camadas do vinho, incluindo as uvas vindimadas mais tarde, por vezes quase com um mês de diferença. Há várias fermentações separadas e o lote final é construído a partir de múltiplos ingredientes, com cuidado especial e o objectivo bem definido, rejeitando aqueles em que ou há cor a mais ou acidez a mais, ou sabem a verde.

 

Fazer o Invisível é como construir um puzzle, pois trata-se de um lote de Aragonez

Ervideira

Invisível com bolhas

Estas são bem visíveis, já que se trata da versão espumante bruto natural, ou seja, sem adição de açúcar no licor de expedição. Aqui, à Aragonez juntou-se a Syrah e até em quantidade superior, pois não sobra muito do Invisível original. É feito por método clássico, com segunda fermentação em garrafa durante nove meses. As 12 000 garrafas produzidas do primeiro espumante esgotaram-se na empresa em cinco semanas. A segunda edição, que ainda está em cave a estagiar, já conta com 30 000 garrafas.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)

 

Dão Summer Edition e os vencedores do Dão Primores 2026

Dão Summer Edition

A estreia do Dão Summer Edition, iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), teve lugar nos dias 27 e 28 de junho, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, e contou com mais de 1.300 pessoas, entre uma vintena de produtores dos vinhos do Dão e de Lafões, especialistas e consumidores. […]

A estreia do Dão Summer Edition, iniciativa promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), teve lugar nos dias 27 e 28 de junho, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu, e contou com mais de 1.300 pessoas, entre uma vintena de produtores dos vinhos do Dão e de Lafões, especialistas e consumidores. Ao longo dos dois dias, os visitantes descobriram mais de 200 referências, participaram em provas comentadas, conversas temáticas e desfrutaram de música ao vivo, DJ, gastronomia e actividades destinadas aos mais novos.

Segundo o comunicado, Manuel Pinheiro, Presidente da CVR Dão, sublinha “o entusiasmo dos visitantes e o empenho dos produtores ultrapassaram largamente as expectativas, o que nos deixa orgulhosos e muito motivados para começar a trabalhar, desde já, na próxima edição”.

Paralelamente, foram divulgados, em cerimónia reservada, os galardoados do concurso Dão Primores 2026.

 

Lista dos premiados

Ouro • Grande Vinho do Dão

Branco: Água d’Assobio (Encruzado)

Tinto: Adega Coop. de Penalva do Castelo (Alfrocheiro)

 

Ouro • Vinho Varietal

Água d’Assobio (Encruzado)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Malvasia-fina)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Encruzado)

João Cabral Almeida Vinhos (Encruzado)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Touriga Nacional)

Adega Coop. de Penalva do Castelo (Tinta Roriz)

Casa Agr. St. Amaro de Passarela (Alfrocheiro)

João Cabral Almeida Vinhos (Touriga Nacional)

 

Ouro • Vinho Tinto de Lote

Adega Coop. de Mangualde

João Manuel Reis Caseiro Alves Pereira

Paço de Santar Vinhos do Dão

Adega Coop. de Mangualde

Água d’Assobio

Spagre – Sociedade Agrícola

 

Ouro • Vinho Branco de Lote

Adega Coop. de Mangualde

Adega Coop. de Penalva do Castelo

Empreendimentos Turísticos Montebelo – Soc. de Turismo e Recreio

Paço de Santar Vinhos do Dão

 

Prata • Vinho Tinto de Lote

Adega Coop. de Silgueiros

Adega Coop. de Silgueiros

Adega Coop. de Silgueiros

Sociedade Agr. de Santar

Altano e Graham’s no Millennium Estoril Open

Estoril Open

Entre 18 e 26 de Julho de 2026, a Symington Family Estates volta a marcar presença no Millennium Estoril Open, a ter lugar no Clube de Ténis do Estoril, com as marcas Graham’s e Altano. Para o efeito, haverá o Graham’s Cocktail Bar, onde o serviço contempla uma seleção de cocktails preparados com Graham’s Blend […]

Entre 18 e 26 de Julho de 2026, a Symington Family Estates volta a marcar presença no Millennium Estoril Open, a ter lugar no Clube de Ténis do Estoril, com as marcas Graham’s e Altano. Para o efeito, haverá o Graham’s Cocktail Bar, onde o serviço contempla uma seleção de cocktails preparados com Graham’s Blend Series – Porto Branco Blend Nº5 e Porto Ruby Blend Nº12. Com um carácter igualmente privado, o Wine Bar do evento contará com uma seleção alargada de vinhos da Symington Family Estates, incluindo vinhos do Porto e vinhos DOC Douro e Alentejo.

Já a Altano estará em duas zonas acessíveis ao público em geral: uma área dedicada a passatempos e jogos para todas as idades, com o intuito de desafiar os visitantes a pôr à prova as aptidões desportivas; e o Altano Cup, nome atribuído ao lounge, que convida degustar a oferta vínica da marca num ambiente descontraído.

João Zilhão, Managing Partner do Millennium Estoril Open, destaca, em comunicado, a importância desta parceria: “a Symington Family Estates é, há vários anos, o fornecedor oficial de vinhos do Millennium Estoril Open e um dos pilares do sucesso do evento. A presença das emblemáticas marcas da família, os famosos cocktails com os Portos da Graham’s, os vinhos de referência servidos durante todas as refeições do VIP Slice Restaurant, bem como o Graham’s Bar, já um dos ex-libris do torneio, contribuem de forma decisiva para elevar a experiência proporcionada a todos os convidados e parceiros.”

Estoril Open

Beira Interior: quais são os melhores vinhos?

Beira Interior

Dos 97 vinhos a concurso, foram distinguidas 33 referências na 19.ª Gala de Prémios da Beira Interior. A cerimónia decorreu no Castelo de Alfaiates, no Sabugal e contou com a presença de Vítor Proença, Presidente do Município do Sabugal, Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal, Francisco Toscano Rico, Presidente do Instituto da […]

Dos 97 vinhos a concurso, foram distinguidas 33 referências na 19.ª Gala de Prémios da Beira Interior. A cerimónia decorreu no Castelo de Alfaiates, no Sabugal e contou com a presença de Vítor Proença, Presidente do Município do Sabugal, Rui Ventura, Presidente do Turismo do Centro de Portugal, Francisco Toscano Rico, Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, e por Rodolfo Queirós, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, entidade que promoveu esta iniciativa dinamizada por um painel de treze jurados constituído por 13 elementos e presidido pelo crítico da especialidade Aníbal Coutinho.

De acordo com o resultado, foram atribuídas 29 Medalhas de Ouro, para além dos galardões distribuídos nas categorias de Melhor Vinho da Beira Interior, Melhor Vinho no Feminino, Melhor Imagem e Melhor Imagem no Feminino.

Sgundo o comunicado, Rodolfo Queirós parabenizou os produtores “pelo trabalho sério e consistente que têm desenvolvido, ano após ano, para elevar o reconhecimento da nossa região. O concurso e as distinções atribuídas são mais uma ferramenta ao serviço dessa missão; ajudam a divulgar os vinhos da Beira Interior além-fronteiras e a reforçar a notoriedade da região, dentro e fora de Portugal”.

Beira Interior

Gala Grandes Prémios

Melhor Vinho da Beira Interior

Quinta do Cardo Homenagem a Maria Luiza Grande Reserva tinto 2022

Melhor Vinho no Feminino

Quinta dos Currais Reserva Síria 2023

Melhor Imagem

ETHOS Vinho de Parcela tinto 2023

Melhor Imagem no Feminino

Pombo Bravo Espumante Bruto branco 2020

Medalhas de Ouro

Aforista DOC Beira Interior Reserva branco 2023

Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas tinto 2023

Quinta da Biaia DOC Beira Interior Reserva branco 2020 (Produção Biológica)

Quinta do Cardo Homenagem a Maria Luiza DOC Beira Interior Grande Reserva tinto 2022 (Produção Biológica)

Souvall DOC Beira Interior branco 2024

Almeida Garrett DOC Beira Interior Reserva tinto 2018

Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva Síria branco 2023

Quinta da Paróla DOC Beira Interior tinto 2020

Pombo Bravo DOC Beira Interior Reserva Síria branco 2022

Cosmos DOC Beira Interior Reserva tinto 2020

Rubus DOC Beira Interior branco 2025

Pinhel Bodas de Diamante Edição Comemorativa 75 Anos DOC Beira Interior Velha Reserva tinto 2019

Óptima Pergunta DOC Beira Interior Private Selection tinto 2022

Folhas Caídas DOC Beira Interior Chardonnay branco 2025

D’Alcaria DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Quinta da Biaia 750 DOC Beira Interior Síria branco 2023 (Produção Biológica)

Quinta dos Currais DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Boa Pergunta DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2024

Quinta dos Termos Vinha das Colmeias DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Adega 23 IG Terras da Beira Viognier branco 2022

Manuel I DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Aforista DOC Beira Interior Colheita Selecionada branco 2023

Convento de Marialva DOC Beira Interior Reserva tinto 2023

Beyra DOC Beira Interior Vinhas Velhas branco 2024

Vale de Ladroens DOC Beira Interior Garrafeira tinto 2022

Vilar Torpim DOC Beira Interior rosé 2023 (Produção Biológica)

Boa Pergunta DOC Beira Interior Colheita Selecionada tinto 2022

Exilado DOC Beira Interior Espumante Grande Reserva Bruto Natural branco 2017

Quinta dos Termos Talhão da Serra DOC Beira Interior Reserva tinto 2022

Concurso Escolha da Imprensa 2026 – Abertas as inscrições

Concurso escolha da imprensa

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características: – Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia. – Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS […]

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características:

– Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia.
– Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS | VINHOS & SABORES, a decorrer na FIL, Parque das Nações, de 17 a 19 de Outubro, com atribuição dos respectivos Diplomas aos vencedores
– Divulgação pública dos resultados no site, na revista Grandes Escolhas e nas redes sociais.

Conheça o regulamento e faça a sua inscrição  AQUI

Em memória de Jim Reader

Jim Reader

Jim era uma figura muito querida no sector do vinho do Porto, consensual e respeitada, quer no Douro, quer em Vila Nova de Gaia, pela sua afabilidade e paixão que nutria pelo país adoptivo e os seus vinhos. Nascido em 1951, Jim cresceu em North Yorkshire, Reino Unido. Formou-se na University of East Anglia, onde […]

Jim era uma figura muito querida no sector do vinho do Porto, consensual e respeitada, quer no Douro, quer em Vila Nova de Gaia, pela sua afabilidade e paixão que nutria pelo país adoptivo e os seus vinhos.

Nascido em 1951, Jim cresceu em North Yorkshire, Reino Unido. Formou-se na University of East Anglia, onde cursou microbiologia e, mais tarde, obteve o doutoramento na Strathclyde University. Chegou a Portugal em 1980 pela mão da Allied Breweries, então proprietários da Casa Cockburn’s – líder de mercado no Reino Unido. Começou como responsável de Controlo de Qualidade, ascendendo ao cargo de Director de Produção e depois ao cargo de Director Geral da Cockburn’s, até à compra desta pela família Symington em 2006, altura em que se reformou.

Jim foi consultor do produtor de vinho do Porto, C. da Silva, além de continuar na influente Câmara de Provadores do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto que assegura os padrões de qualidade de todos os vinhos do Porto. Integrava também a Chancelaria da Confraria do Vinho do Porto, sendo igualmente membro activo da Feitoria Inglesa onde mais recentemente tinha a função de auditor independente. Em Julho de 2025, foi uma das 40 personalidades e organizações homenageadas pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, em reconhecimento do contributo prestado a esta importante instituição de ensino ao longo de quatro décadas.

Conhecido pelo seu sentido de humor apurado, consta que em certa ocasião, enquanto discutia com outro produtor uma possível declaração de Porto Vintage, tomando conhecimento que outras casas iriam declarar, terá dito após uma curta pausa: “sinto que os nossos vinhos melhoram à medida que a nossa conversa avança”!

A equipa da Grandes Escolhas deixa as condolências a toda a família. Até sempre Jim Reader…

ETHOS WINES: De Homero, de Aristóteles, de Heidegger e da Beira Interior

Ethos Wines

Sendo eu Jurista de formação, as Humanidades e a Filosofia sempre fizeram parte do meu currículo e aprendizagem. Para escrever sobre o Ethos fui matar saudades e rever os meus velhos livros de liceu e de curso, e, só por isso, já valeu a pena escrever este artigo. Encontrada pela primeira vez em Homero (928 […]

Sendo eu Jurista de formação, as Humanidades e a Filosofia sempre fizeram parte do meu currículo e aprendizagem. Para escrever sobre o Ethos fui matar saudades e rever os meus velhos livros de liceu e de curso, e, só por isso, já valeu a pena escrever este artigo. Encontrada pela primeira vez em Homero (928 – 898 a.C.), a palavra do grego ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. Séculos mais tarde Martin Heidegger (1958) recupera e aprofunda os ensinamentos de Homero, defendendo que o ethos é o campo aberto da morada do homem, onde o Dasein (o ser humano) se relaciona com o Ser.

A célebre frase de Heidegger “a linguagem é a casa do Ser” completa o sentido de ethos. O homem mora habitando essa casa através do pensamento e da poesia… e não houve alguém que disse um dia que “um bom vinho é poesia engarrafada”?

Muito resumidamente, no pensamento de Heidegger, o ethos é a dimensão existencial e poética em que o ser humano habita e protege o Ser, situando-se autenticamente no mundo. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído.

Para os filósofos gregos, especialmente Aristóteles, o ethos está diretamente relacionado ao nosso modo de ser, enquanto na cultura romana, a ideia de moral vem de moralis, que significa costume. Desta maneira, ethos é o nosso carácter e moral é um conjunto de normas de convivência que regulam o nosso comportamento. A partir da ideia de ethos estabelece-se a base da ideia de ética, ou seja, a reflexão sobre o nosso modo de vida. Enquanto a moral tem uma dimensão normativa e se baseia num conjunto de regras concretas, a ética é uma avaliação ou reflexão sobre as questões morais.

Na cultura grega, o ethos individual pode ser forjado com disciplina, já que vamos formando um ethos com os nossos hábitos. Em compensação, a ideia de phatos refere-se à paixão e à emoção; por outro lado, o termo logos faz referência à ideia de razão e linguagem.

Para Aristóteles, os três elementos intervêm na comunicação, a célebre retórica aristotélica, concebida como aperfeiçoamento da tese platónica de que a simples exposição ao conhecimento seria suficiente para conquistar uma audiência. Em discordância com o seu mentor Platão, Aristóteles acreditava que a retórica seria fundamental para conquistar o público.

É, pois, deste modo, que surgem o ethos, o pathos e o logos como meios de potenciar a capacidade de persuasão de um público. O primeiro refere-se à capacidade de o atingir, com base na ética, integridade e credibilidade do orador; o segundo alude à capacidade de apelar às emoções e à criação de empatia entre o orador e a audiência; e o terceiro sugere a utilização de argumentos racionais, de evidências e do raciocínio lógico.

Assim, muito resumidamente, transmitimos ideias com o nosso modo de ser, enquanto através do pathos individual expressamos emoções, e tudo está articulado pela razão e pela linguagem.

Família e herança

Da mesma forma, numa obra de arte, podemos encontrar um ethos, um pathos e um logos, isto é, uma personalidade, uma emoção e uma linguagem. É precisamente o que encontramos nos vinhos Ethos, da Beira Interior. A Ethos Wines é sobre vinho, mas também é sobre família, herança e sobrevivência nesta região selvagem e remota do centro de Portugal. Desde 2018, que Tiago Mendonça cultiva 12 hectares de vinha no concelho da Guarda, pertencente à região vitivinícola da Beira Interior.

Este é mais do que um projecto para Tiago Mendonça. É um verdadeiro trabalho de paixão e tradição. Tem raízes familiares profundas que o ligam a esta terra, pois os pais eram naturais da região. As férias de infância eram passadas com a família materna, na Quinta de São Lourenço, inserida no magnífico Vale do Mondego, dentro do Parque Natural da Serra da Estrela, na região da Guarda. Hoje, é frequentemente acompanhado pelo seu filho mais novo, Francisco Mendonça, que tem um gosto especial por trabalhar ao lado do pai.

As vinhas da Ethos Wines estão plantadas numa encosta voltada a nascente, com solos graníticos pobres, a uma altitude entre os 480 e os 520 metros. A vida das videiras aqui é exigente, com grandes amplitudes térmicas diurnas e níveis elevados de precipitação. Mais de 70% das vinhas têm mais de 60 anos, tendo algumas sido replantadas em 2012; e cerca de 50% está em co-plantação de castas tradicionais, a par com o decurso do trabalho de identificação das várias variedades presentes.

As castas são as tradicionais da região. Nos brancos encontramos Síria, Arinto, Tamarez, Malvasia Fina, Gouveio, Cerceal e Ferral. Nos tintos destacam-se a Rufete, a Mourisco, a Jaen, a Baga, a Trincadeira, entre outras. A viticultura está nas mãos do agrónomo Carlos Veiga, enquanto na adega, a enologia é acompanhada pela enóloga Mariana Salvador, cuja missão é interpretar as uvas de forma a reflectirem verdadeiramente a identidade da Beira Interior. A função de Mariana Salvador consiste em equilibrar o acompanhamento rigoroso da vinificação e do estágio. As leveduras são indígenas e os níveis de sulfuroso são mantidos no mínimo indispensável.

As vinhas estão certificadas em modo biológico desde 2020. A certificação biológica dos vinhos está prevista a partir da colheita de 2025. O trabalho na vinha e na adega é o que dá origem aos brancos minerais intensos e frescos, bem como aos tintos elegantes, gastronómicos e com excelente capacidade de envelhecimento.

Mas Ethos não é só vinho, também é azeite. Há mais de 20 anos que a família é proprietária de um lagar onde são produzidos alguns dos melhores azeites não só da região, mas do mundo, tal como comprovam os múltiplos e variadíssimos prémios obtidos. As azeitonas são colhidas de oliveiras com idades até 100 anos, incluindo variedades locais.

Ethos Wines

As vinhas estão plantadas numa encosta voltada a nascente, com solos graníticos pobres e mais de 70% ultrapassam os 60 anos

 

Acima de tudo, o projeto Ethos assenta num profundo respeito pela tradição e pelo terroir. A equipa demonstra-o e disso mesmo nos deu conta – uma determinação firme em revelar o potencial da Beira Interior, uma pequena região emergente que tem vindo a conquistar cada vez mais reconhecimento através da produção de vinhos distintivos e de azeite de classe mundial.

E Ethos é igualmente arte… por fora. O rótulo do Ethos Rufete tinto 2023 e do Ethos Vinho de Parcela tinto 2023 comprova este preâmbulo, através da assinatura de Ana Malta, artista plástica com formação académica em pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e um mestrado em Gestão de Indústrias Criativas pela Universidade Católica do Porto. Ambos os rótulos denotam a prática artística associada à estética, onde as cores e os padrões se cruzam com contrastes e a inquietante expressão visual da artista. Personalidade, emoção, linguagem. Ethos, pathos, logos. Beira Interior, Tiago Mendonça, Ethos Wines.

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)