GRANDE PROVA BEIRA INTERIOR: Tudo o que a altitude proporciona

beira interior

Mal nos distraímos, deixamos o Douro em direcção a sul e, logo a seguir à Mêda, entramos na Beira Interior. A paisagem muda. Nessa zona específica, estamos em terrenos de planalto onde, para quem passa de carro, se torna óbvio pelo simples olhar, que “ali” parecem estar reunidas todas as condições para se fazer um […]

Mal nos distraímos, deixamos o Douro em direcção a sul e, logo a seguir à Mêda, entramos na Beira Interior. A paisagem muda. Nessa zona específica, estamos em terrenos de planalto onde, para quem passa de carro, se torna óbvio pelo simples olhar, que “ali” parecem estar reunidas todas as condições para se fazer um grande vinho: terrenos maioritariamente graníticos, que aparenta uma viticultura mais acessível, de muito menor declive, mais manobrável, por isso, mais amiga do lavrador. Em seguida, ao sair da estrada e entrando um pouco mais na paisagem longe da vista, descobrimos que ainda proliferam vinhas velhas, algumas raquíticas, seguramente todas condenadas à baixa produtividade, mas, crê-se, muito capazes de originar vinhos expressivos e com evidente classe. Depois pensamos em termos climáticos e orográficos, e entendemos tudo melhor. Afinal, estamos em altitude, onde as vinhas estão a 700 metros e não são raridades, e estamos no interior em tudo o que isso tem de específico: grandes amplitudes térmicas entre o dia e a noite, e condições óptimas para se produzirem vinhos que apostam, sobretudo, na elegância e na frescura ácida.

Porém, aqui também percebemos que não basta ter boas vinhas (ainda que velhas), uma boa paisagem, bom clima e gente com vontade de fazer bem e diferente; nesta equação tem de entrar um dado que é a verdadeira incógnita: o mercado. Ora “o mercado” e as suas leis são muito ingratos com as Beiras. Estar a sul do Douro, região que está nas bocas do mundo e nas páginas dos winewriters que proliferam por aí, e a leste do Dão, região cheia de pergaminhos, já com marcas de referência e nomes sonantes, é tudo menos fácil. É esse peso do mercado e da notoriedade que faz com que a Beira Interior tenha um patamar de preços de venda que, se por um lado podem ser interessantes para o consumidor, por outro sabemos que não puxam a região para a vanguarda dos vinhos portugueses. É uma batalha permanente, um work in progresso, como dizem os ingleses.

Ao todo, incluindo vinhos DOC e IG, a responsabilidade da produção recai sobre 81 produtores.

 

Do Douro a Castelo Branco

A região é extensa e, segundo informação da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) da Beira Interior, a vinha espraia-se por 11 654 hectares, sendo possível dividi-la em três zonas. De norte para sul temos, em acentuada proximidade do Douro, a região de Pinhel e, colada a esta, a região de Castelo Rodrigo. São zonas de altitude média elevada, 650 metros, em Pinhel, e de 600 a 750 metros, em Castelo Rodrigo, de clima seco, com invernos frios e rigorosos, onde a neve é visita habitual, enquanto no Verão as amplitudes térmicas são elevadas, com os calores diurnos a serem compensados pelas noites frias, um fenómeno que todo o enólogo aprecia pelo equilíbrio que proporciona à maturação das uvas.

Mais para sul temos a Cova da Beira, a maior das três zonas em área, com a imponente serra da Estrela a delimitá-la a norte. Menos radical, podemos dizer assim, por se apresentar mais moderada nas variações, quer de temperatura quer de precipitação. Olhando para o mapa da Beira Interior, verificamos que há largas faixas de terreno que não estão contempladas nestas três sub-regiões. Por conseguinte, não têm direito a serem DOC Beira Interior, embora possam ostentar a designação de vinho regional, aqui chamado de IG Terras da Beira. Ao todo, incluindo vinhos DOC e IG, a responsabilidade da produção recai sobre 81 produtores. A prova que fizemos incluiu brancos e tintos, uma originalidade, mas que teve o mérito de permitir aferir se há produtores que se destaquem em ambos os modelos, o que de facto aconteceu.

Nestas terras do interior, a vinha, exactamente porque está longe das luzes da ribalta, mantém um perfil que ainda é tributário de um desenho antigo. Expliquemo-nos: aqui como em todo o resto do país vinhateiro, a tradição impôs o plantio de vinha a eito, com castas misturadas e, não raramente, com uvas brancas no meio das tintas, algumas delas de uvas de mesa. A razão era aqui a mesma das outras regiões: como a vindima era feita, também ela a eito, colhiam-se algumas uvas um pouco mais verdes, que forneciam mais acidez e outras eventualmente em estado demasiado maduro, mas que contribuíam com mais açúcar, logo, com mais potencial alcoólico. Porém, havia uma outra razão, muito importante, convenhamos: como a vinha é uma empresa a céu aberto e está sujeita às agruras do clima, o produtor percebeu que umas eram mais atreitas a doenças e poderiam não se darem bem; outras, por força na chuva, na altura errada, tinham desavinhado, além de outros imponderáveis. Desta forma, ao ter as castas misturadas na vinha, havia sempre a possibilidade de “umas se darem bem e as outras não”, salvando-se, desta forma, a produção anual.

Esta é a cartada segura da Beira Interior. Assim se saiba preservar estes velhos vinhedos que, não só contribuem para a preservação genética, como são o factor identitário que marca a região. As castas estrangeiras podem estar cá, todavia não acrescentam nada, tal como a proliferação de castas do Douro, que pode ser igualmente questionada. Não há que ter atitudes radicais em relação a este tema, porque o vinho é um negócio e o produtor tem de se adaptar ao gosto do mercado e procurar produzir aquilo que possa ser mais rentável. É um verdadeiro tabuleiro de xadrez em que precisamos saber como mover as peças, quais são os peões e por onde anda o Rei para não ser “comido” sem dar por isso.

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Nota-se uma aposta em vinhos mais abertos de cor, menos marcados pela madeira e menos alcoólicos, em resposta ao mercado e ao gosto actuais

 

As castas e o clima delas

Comecemos pelo clima e vamos reforçar aqui o que acima afirmámos: a altitude, a temperatura e a variação dia/noite faz com a que a Beira beneficie da interioridade e esteja menos sujeita às doenças da vinha, por força da menor presença de humidade. Há, neste factor, uma enorme vantagem, uma vez que aqui é mais fácil produzir uvas, quer em protecção integrada quer em modo biológico, o que ajuda a uma melhor sustentabilidade ambiental, contribuindo para solos mais saudáveis.

As uvas que por cá se plantam são de tipo variado. Em primeiro lugar, destacamos aquelas variedades, como a tinta Rufete (conhecida no Dão como Tinta Pinheira) e as brancas Fonte Cal (de que a Beira é quase território único) e Síria (a Roupeiro do Alentejo). A solo ou em lote, estas castas têm a marca que, por norma, atribuímos à região: mineralidade, frescura e delicadeza de fruta. No caso da tinta Rufete, que muito sofreu na época em que só se procurava cor e extracção nos tintos, confere uma forte marca de vegetal seco que remete a fruta para segundo plano, mas funciona como cartão de identidade, gerando vinhos abertos de cor, os verdadeiros “Pinot Noir à portuguesa”.

Naturalmente que outras variedades surgiram como companheiras de aventura destas variedades tradicionais: nas brancas, a Arinto, a Fernão Pires ou a Malvasia Fina e, nos tintos, a Touriga Nacional, a Trincadeira, a Touriga Francesa e a Tinta Roriz. Há ainda apontamentos de castas internacionais, como a ubíqua Chardonnay, além da Riesling e, nos tintos, Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot.

O painel de prova demostrou uma grande diversidade de estilos e nota-se claramente uma aposta em vinhos mais abertos de cor, menos marcados pela madeira, menos alcoólicos, correspondendo a um certo chamamento do mercado e do gosto actuais. Por último, é de salientar que em termos de preços, os vinhos apresentam uma paleta alargada de escolhas, mas, em geral, são bem amigos do consumidor.

(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)

OS BRANCOS:

 

OS TINTOS:

Ramos Pinto anuncia duplo Vintage 2024

Ramos Pinto

Ramos Pinto Porto Vintage 2024 e Quinta da Ervamoira Porto Vintage 2024 são os protagonistas da declaração da Ramos Pinto, fundada em 1880. De acordo com o comunicado, os dois generosos resultam “de um ano vitícola particularmente equilibrado no Douro, estes vinhos exprimem a identidade da casa e a singularidade das suas quintas, revelando intensidade, […]

Ramos Pinto Porto Vintage 2024 e Quinta da Ervamoira Porto Vintage 2024 são os protagonistas da declaração da Ramos Pinto, fundada em 1880. De acordo com o comunicado, os dois generosos resultam “de um ano vitícola particularmente equilibrado no Douro, estes vinhos exprimem a identidade da casa e a singularidade das suas quintas, revelando intensidade, frescura e um extraordinário potencial de envelhecimento”.

O Ramos Pinto Porto Vintage 2024 é feito a partir de um blend constituído por uma seleção de uvas das da Quinta de Ervamoira, localizada no Douro Superior, e da Quinta do Bom Retiro, na sub-região do Cima Corgo. Neste contexto, o destaque é dado às vinhas velhas, em particular à Vinha do Rio, cujo lote tem como base a Touriga Nacional e a Touriga Francesa.

Já o Quinta da Ervamoira Porto Vintage 2024 assinala dois marcos importantes na história da Ramos Pinto: os 50 anos da Quinta da Ervamoira e os 30 anos da estreia no lançamento deste Single Quinta Vintage. Quanto ao processo de vinificação, é elaborado com uvas vindimadas mais cedo e o procedimento foi feito casta a casta, com clara evidência para as Tourigas Nacional e Francesa, a Tinto Cão e a Tinta Barroca.

 

ASI Best Sommelier of the World 2026 tem lugar em Lisboa

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Entre 11 e 17 de Outubro, Lisboa recebe a 18.ª edição do ASI Best Sommelier of the World 2026. O evento conta com a presença de 72 países, é organizado pela Association de la Sommellerie Internationale (ASI) e acolhido pela Associação dos Escanções de Portugal (AEP). Segundo Tiago Paula, Presidente da AEP, esta acção “representa […]

Entre 11 e 17 de Outubro, Lisboa recebe a 18.ª edição do ASI Best Sommelier of the World 2026. O evento conta com a presença de 72 países, é organizado pela Association de la Sommellerie Internationale (ASI) e acolhido pela Associação dos Escanções de Portugal (AEP).

Segundo Tiago Paula, Presidente da AEP, esta acção “representa um momento absolutamente histórico para a profissão no nosso país” e “é uma oportunidade única de preparação e superação num contexto de excelência”. Mas mais do que uma competição – criada em 1969 e realizada de três em três anos –, trata-se de uma oportunidade de aprofundar conhecimento através dos estudos e com os pares. Afinal, “um evento desta dimensão eleva padrões, estimula o estudo contínuo e cria referências para toda uma geração de escanções”, esclarece Tiago Paula à Revista Grandes Escolhas.

Quanto ao representante de Portugal, afirma que a seleção é feita ainda no primeiro semestre deste ano, no âmbito do XX Concurso Nacional de Escanções. “Os três melhores classificados dessa edição disputarão, posteriormente, uma finalíssima de selecção mundial, juntamente com os três melhores classificados do XIX Concurso Nacional de Escanções”, informa o Presidente da AEP, acrescentando quão importante é estar à altura de todas as exigências desta competição internacional, cujo nível é “extremamente elevado”.

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Tiago Paula, Presidente da AEP

“O ASI Best Sommelier of the World é, indiscutivelmente, o mais alto título da profissão a nível global”, afirma Tiago Paula, dando como exemplos o italiano Paolo Basso, do alemão Marc Almert e do letão Raimonds Tomsons. Porém, “ser candidato nacional, semifinalista ou finalista mundial significa integrar uma elite técnica e humana que representa o expoente máximo da profissão”, sublinha.

O comité técnico que prepara cada fase eliminatória desta edição de Lisboa é restrito da ASI. Cada etapa combina provas teóricas e práticas, mas o respectivo conteúdo é mantido em sigilo até ao início da competição. O Sheraton Lisboa Hotel & Spa é palco dos quartos de final desta edição, os quais são constituídos pela prova escrita – conhecimento técnico aprofundado em matéria de vinhos do mundo, bebidas espirituosas, sake, cervejas, águas, café, chás, legislação, enologia, viticultura, harmonizações, entre outros –; pela prova organoléptica de bebidas; e pela prova práticas de serviço. Esta última, que consiste na avaliação de “técnica, elegância, comunicação e gestão de pressão, em cenários complexos de restaurante e com elevado grau de dificuldade”, e da prova organoléptica de bebidas fazem igualmente parte da meia-final, a ter lugar na referida unidade hoteleira de Lisboa.

A grande final do ASI Best Sommelier of the World 2026 decorre no palco do Coliseu dos Recreios. Com transmissão em tempo real, este momento conta ainda com um público alargado e um júri internacional composto por antigos campeões mundiais e continentais, e Masters of Wine e Master Sommeliers. “É sempre um momento de enorme intensidade. Inclui provas de serviço sob pressão, provas organolépticas às cegas, correcção de cartas de vinhos com erros propositados e desafios surpresa, que testam, não apenas conhecimento técnico, mas sobretudo raciocínio, elegância e controlo emocional”, informa o Presidente da AEP.

Paralelamente, está a ser estruturado um programa para os dois dias que antecedem o evento, com o intuito de “conhecer a diversidade e riqueza do vinho português”. Neste contexto, estão a ser desenhadas masterclasses e está prevista a visita à Adega do Marquês de Pombal, às vinhas e ao Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, famoso pela produção do generoso Vinho de Carcavelos. “Teremos também os jantares oficiais que serão realizados fora do hotel, com o objectivo de mostrar a gastronomia e a cultura portuguesas em diferentes espaços da cidade”, destaca Tiago Paula.  O evento culmina com um grande jantar de encerramento no Pavilhão Carlos Lopes. Mais ainda, a edição de 2026 tem a responsabilidade social como um dos eixos centrais. Portanto, parte da bilheteira reverte para uma instituição solidária.

Até ao momento, a ASI Best Sommelier of the World 2026 conta com o apoio da ViniPortugal, do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e das comissões vitivinícola dos Vinhos Verdes, da Bairrada e da Beira Interior, “de marcas nacionais, como a Kopke e a Sogrape, bem como das Câmaras Municipais de Lisboa e de Oeiras”. Do exterior, estão confirmados apoios, como o da Wines of Austria, da DIAM, da Champagne Castelnau, da Champagne Abelé 1757 e da Japan Sake and Shochu Makers Association.

Herdade do Sobroso faz parte da Small Luxury Hotels of the World

Herdade do Sobroso

Localizada na Vidigueira, nome de uma das oito sub-regiões do Alentejo vitivinícola, a Herdade do Sobroso Wine Luxury Hotel & Villas, Turismo em Espaço Rural e produtor de vinhos, acaba de integrar na coleção global Small Luxury Hotels of the World. Trata-se de uma das insígnias internacionais de hotelaria independente de luxo, que coloca a […]

Localizada na Vidigueira, nome de uma das oito sub-regiões do Alentejo vitivinícola, a Herdade do Sobroso Wine Luxury Hotel & Villas, Turismo em Espaço Rural e produtor de vinhos, acaba de integrar na coleção global Small Luxury Hotels of the World. Trata-se de uma das insígnias internacionais de hotelaria independente de luxo, que coloca a Herdade do Sobroso no patamar restrito de hotéis boutique demarcados por “autenticidade, carácter distintivo e elevados padrões de qualidade e serviço”, de acordo com o comunicado.

Integrada numa propriedade vitivinícola de 1.600 hectares, a unidade combina um hotel boutique com villas privadas, rodeadas de vinhas e montado, paisagem acrescida pelo património natural da Serra do Mendro e pelo Lago do Alqueva. No contexto das experiências, somam-se as actividades ligadas ao vinho e a gastronomia tradicional do Alentejo, bem como as novas Vineyard Villas com piscina privativa e do Nature Retreat, com assinatura da arquitecta Maria Ginestal Machado, com o objectivo de proporcionar estadias ainda mais exclusivas.

“Fazer parte da Small Luxury Hotels of the World é um reconhecimento muito relevante para o nosso projecto e para o destino Alentejo”, declara, em comunicado, Sofia Ginestal Machado, CEO da Herdade do Sobroso.

Feitoria Inglesa de portas abertas ao público

Feitoria

Após 236 anos de história, tempo esse em que a entrada era permitida apenas por convite, a Feitoria Inglesa abre, agora, as portas ao público. Erigida em 1790, no n.º 8 da Rua do Infante D. Henrique, no centro histórico da cidade Invicta e com vista para o rio Douro, é conhecida como um lugar […]

Após 236 anos de história, tempo esse em que a entrada era permitida apenas por convite, a Feitoria Inglesa abre, agora, as portas ao público. Erigida em 1790, no n.º 8 da Rua do Infante D. Henrique, no centro histórico da cidade Invicta e com vista para o rio Douro, é conhecida como um lugar de cerimónia, tradição e profunda ligação ao comércio global do Vinho do Porto.

Pela manhã, está disponível a visita guiada e complementada com a prova de dois vinhos do Porto Vintage selecionados a partir das reservas privadas das empresas-membros produtoras do referido fortificado e reservada a um número limitado de participantes. À tarde, as visitas são feitas a partir de recursos multimédia.

Os contextos comerciais, diplomáticos e culturais que moldaram o comércio do Vinho do Porto ao longo de gerações são partilhados durante a visita. Esta, por sua vez, convida a conhecer o Salão de Baile, as salas de jantar duplas, a garrafeira subterrânea e a biblioteca privada constituída por livros exclusivos, bem como os registos documentados sobre a ascensão de Portugal como potência comercial marítima.

De acordo com o comunicado, a visita guiada (70€) acontece às 10h00, 11h00 e 12h00, e só é feita mediante reserva; as visitas autoguiadas (14€) estão agendadas entre as 13h00 e as 18h00 (a última entrada é às 17h00). A Feitoria Inglesa encerra à quarta e à quinta-feira.

Paralelamente, o edifício continua a pertencer e a ser gerido pelas empresas-membro ligadas ao Vinho do Porto, e a ser palco de jantares formais, provas e reuniões associadas ao Vinho do Porto.

Feitoria

MÁRCIO LOPES WINEMAKER: O norte como destino

Marcio Lopes

Quando refletimos sobre um trabalho a realizar com um produtor, não podemos limitar-nos a debitar dados estatísticos sobre número de hectares, garrafas produzidas ou referências criadas. O modo de olhar terá de ser mais sensitivo, emotivo, transparecendo não apenas o vinho que se prova, mas o modo como se chegou até ali. Os millennials são, atualmente, a maior […]

Quando refletimos sobre um trabalho a realizar com um produtor, não podemos limitar-nos a debitar dados estatísticos sobre número de hectares, garrafas produzidas ou referências criadas. O modo de olhar terá de ser mais sensitivo, emotivo, transparecendo não apenas o vinho que se prova, mas o modo como se chegou até ali. Os millennials são, atualmente, a maior geração consumidora de vinho em países como os Estados Unidos. Contudo, este novo perfil de consumidor já não se satisfaz com meras degustações ou provas técnicas. Pelo contrário, procura experiências mais completas de contacto direto com o território, que abarquem uma maior plenitude sensorial e emocional. A cultura do vinho é isso mesmo, um compêndio de emoções e razões que tanto dissecam o produto, como expõem a nu quem o cria, mostrando, inclusive, as naturais fragilidades humanas.

O Caminho

Convidando Márcio Lopes a abordar o caminho percorrido desde 2010, a timidez vence-o, optando por criar uma metáfora desse percurso em capítulos, onde cada vinho conta uma história poética de revivalismo. Mas há mais para lá desta rota, ou não fosse O Caminho um vinho construído à volta da aprendizagem que se sedimentou, dos métodos de vinificação que foi apreendendo, das castas que foi estudando no decurso do ofício de enólogo. O Alvarinho, aos seus olhos, encontra-se ali na parcela certa e redunda num vinho que também espelha as pessoas especiais com quem se tem cruzado ao longo desta jornada. A primeira vindima do projeto nome próprio ocorre em 2010, com apenas 2000 garrafas de Pequenos Rebentos Alvarinho, em Melgaço, na região dos Vinhos Verdes, e 600 garrafas de Proibido, em Foz Côa, na sub-região do Douro Superior. Este início do percurso surge com uma vinha pertencente ao sogro, produtor dos vinhos D. Paterna, ainda que o espírito libertário sempre lhe insinuasse seguir um caminho de crenças solitárias.

A primeira vindima de Márcio Lopes é feita ainda durante os tempos da faculdade, ao lado do primeiro mestre, Anselmo Mendes, na antiga adega. À data, já figura de proa da enologia nacional, Anselmo Mendes recomenda Márcio Lopes como enólogo residente num agrupamento de produtores de Viana do Castelo, onde veio a permanecer até 2007. No ano seguinte, ruma à Austrália, para abrir horizontes sobre vinhos do mundo. No regresso, vai trabalhar para o Ribatejo, onde permanece apenas por nove meses. O destino estava-lhe traçado a norte…

Márcio Lopes insiste em preservar a vinha de enforcado, sistema de condução ancestral existente na região dos Vinhos Verdes

 

Os Primeiros Rebentos

A necessidade leva Márcio Lopes a fazer-se à vida na venda e distribuição de vinho. Começou do zero. Pegou nas parcas economias, comprou 20 caixas de vinho a um amigo produtor e lançou-se nas vendas. Nesse dia, apenas lhe restava pecúlio para colocar uns litros de combustível no automóvel; no seguinte, já tinha as primeiras caixas vendidas. Adquiriu mais duas dezenas de caixas e, ao final do mês, a vida já lhe sorria de outro modo.

Durante uns tempos, as vendas foram correndo de feição, mas o chamamento da terra seduzia-o. Em 2010, após uma longa conversa com a mulher, Cláudia Codesso, em que contabiliza todos os receios, alia a distribuição com a produção e cria os primeiros vinhos em Melgaço e no Douro. Às 2600 garrafas produzidas no primeiro ano somaram-se muitas mais, resultando num incremento traduzido em 15 mil em 2015. Contudo, o negócio ainda não era viável, nem lhe permitia viver somente dele. O crescimento mostrava-se indispensável. Por conseguinte, em 2017, duplica a produção para 70 mil garrafas. O drama existencial, não obstante o risco assumido, era tremendo. A hipótese do fracasso nas vendas e a incapacidade de não poder honrar os compromissos assolava Márcio Lopes. Talvez por isso tenha evitado, durante muitos anos, colaboradores, preferindo assumir a solo todos os desígnios da atividade.

Entretanto, em 2015, surge no horizonte a Vinha Velha do Pombal, localizada em Foz Côa, nas cercanias de outras parcelas onde já adquiria uva. O que lhe era oferecido era extremamente convidativo. A 500 metros de altitude, com exposição nascente e norte, os quatro hectares possuíam um riquíssimo património de vinha velha e uma multiplicidade de castas que garantiam a originalidade do que dali pudesse brotar. Foi a resiliência quem o orientou num processo de paciência, perante a reticência da proprietária duriense de lhe vender a vinha.

A venda concretizou-se, mas as incertezas continuavam a pairar. A falta de mão-de-obra já era uma doença que corroía a região. Márcio Lopes acumulava a viticultura com enologia, a responsabilidade comercial e a gestão da empresa. A vinha trazia-lhe exigência acrescida de dali querer retirar algo sublime e diferente. Desde a compra, respeitando o padrão do que deseja produzir, ainda só conseguiu lançar duas colheitas, estando, presentemente, a lançar a terceira, num horizonte de uma década volvida após a aquisição. Um critério que, segundo explicou, leva-o a estar há mais de dois meses a tentar elaborar o lote ideal, para definir o próximo Garrafeira.

 

A raiz do Princípio do Mundo 

Nos Vinhos Verdes, a obra nasce, igualmente, a partir da preservação revivalista de práticas ancestrais, onde as Vinhas de Ramada e as Vinhas de Enforcado são parte relevante de um património cultural que Márcio Lopes insiste em preservar, evitando que caiam no esquecimento do tempo e desapareçam. A Vinha de Enforcado, localizada em Telões, Amarante, de onde são colhidas as uvas para produzir o Pequenos Rebentos Selvagem, é um sistema de condução de vinha que remontará à Idade Média e que vingou no norte de Portugal, particularmente na atual região dos Vinhos Verdes. Eram práticas das famílias mais humildes, consistindo no cultivo das videiras nos limites das parcelas agrícolas, deixando o interior destas para o cultivo dos cereais, hortícolas ou culturas forrageiras, estas últimas destinadas à alimentação do gado. Neste sistema, as videiras trepam por postes vivos, as árvores cujos ramos sustentam a planta, que cresce, em muitos casos, ao longo de 10 a 12 metros.

A explosão demográfica ocorrida nos anos 50 do século passado levou a uma expansão deste sistema de condução de vinha. Salazar proibia o crescimento da vinha nas melhores terras aráveis, levando a que a capacidade e o engenho dos agricultores optasse pela vinha trepadeira a crescer, envolvendo as árvores. Hoje, são raras estas vinhas, às quais Rogério de Castro apelida de “Viticultura de vento”, sistema que, expondo a videira a um maior arejamento, torna menor a necessidade de tratamentos fitossanitários, poupando em mão de obra e produtos. Porém, este sistema de condução de vinha gera muitos desequilíbrios de maturação. A expertise de alcançar o equilíbrio dentro dos desequilíbrios – uvas com 6% a 7% de teor alcoólico provável e níveis de acidez alucinantes – tem de se iniciar dentro da vinha, com a finalidade de evitar correções posteriores, porque a Azal é uma casta de ciclo longo, mostra-se fundamental realizar uma desfolha substancial na altura da floração e, em início ou meados de julho, há que proceder a uma monda expressiva, para adiantar a maturação das uvas, de modo que o seu perfeito estado para a vindima ocorra antes do equinócio e das primeiras chuvas, trágicas para uma casta que, a acrescer, produz cachos muito compactos e, por isso, mais sensíveis à podridão. O Selvagem também revolucionou os procedimentos de adega no modo como se trabalha a casta, porque antes de trabalharem a desfolha, o surgimento de alguma podridão nos cachos obrigava ao desengace bago a bago. Hoje, tal já não é necessário. A fermentação é feita em ânforas de barro cru que, por força da libertação de cálcio, precipitam o tartárico e reduzem o excesso de acidez. O caráter redutivo da Azal é igualmente suprimido pelo estágio em barricas de carvalho português de maior porosidade. Não se pense, no entanto, que este procedimento foi encontrado no primeiro embate com a casta e a vinha. Foi da tentativa/erro, ação através da qual se encontraram soluções e, a montante, muito vinho se perdeu.

As vinhas velhas da região minhota são alvo da busca exploratória de Márcio Lopes. Trabalhando com cerca de 50 viticultores e em mais de 200 parcelas, o conhecimento sobre o acervo vitivinícola torna-se extenso. O Pequenos Rebentos Vinhas Velhas surge de uma dessas vinhas, pouco atraentes para o agricultor devido à baixa produção, mas extremamente atrativas para Márcio Lopes. Plantada em 1989, somente com a casta Loureiro, ia ser arrancada pelo proprietário, que nela via pouco rendimento. O enólogo tomou conta desta vinha, com sistema de condução em bardo, plantada em solos bastante compactos de argila. Dali idealizou a produção de um vinho exigente. A dimensão da matéria-prima imperava rigor e qualidade. Daí ter-se promovido, no processo de vinificação, um trabalho de barrica cuidado, por meio da seleção de exemplares de grão extremamente fino, com três e quatro anos de uso. Uma receita que resultou de modo gratificante num vinho feito a partir de uvas vindimadas numa vinha sem grande reconhecimento, nem atratividade, em termos de localização (entre Braga e Famalicão), mas que, em termos individuais, se veio a mostrar diferenciada. Isto, não obstante a produção ridícula. Se, num ano simpático, Márcio Lopes retira dali 2500 quilos de uva, 2025 trouxe-lhe somente uma colheita de 1.000 quilos, que se traduzirá em 600 garrafas da referência.

Ainda acerca da região dos Vinhos Verdes, a Márcio Lopes muito dizem as castas tradicionais do verde tinto: Alvarelhão, Cainho Tinto, Boçal e, sobretudo, Bastardo. Não sendo a aposta segura e convincente para os produtores da região, a Bastardo é uma uva com grande significado para o enólogo, que ainda a procurou na Ribeira Sacra, onde produziu o Telegrafo, cuja primeira edição, de 2017, ficou limitada a 350 garrafas. A segunda edição é da colheita de 2023. Ou seja, Márcio Lopes valoriza a exploração das variedades mais antigas da região, tendo apostado e valorizado o trabalho realizado pelos especialistas em ampelografia, Teresa Mota e Pedro Malheiro, em parceria com a PORVID (Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira). O exercício coerente desta constante busca das práticas e castas ancestrais tem-se mostrado essencial, no sentido de minorar o risco de desaparecerem por força da uniformização dos territórios em detrimento da tradição.

Já o Pequenos Rebentos Touché é oriundo de apenas uma ramada de vinha em Melgaço, com uma produção que ronda os 2.000 e os 2.500 quilos por meio hectare. A maioria das vinhas que arrenda estão longe do radar dos grandes operadores, isto é, ao procurar parcelas com características muito específicas, encontra matéria-prima que lhe permite contrariar tabus associados à dureza e rusticidade das uvas tintas dos Vinhos Verdes, criando, neste caso, um tinto de intensa delicadeza, fino e muito elegante, revelando consistência desde a sua primeira edição.

Por sua vez, a inspiração cinéfila do Viagem ao Princípio do Mundo transcende a metáfora da obra do realizador Manoel de Oliveira. Há nele um regresso às origens, à Alvarinho e à exponenciação das suas virtudes, num registo interpretativo muito pessoal e íntimo dos vinhos que se escondem no nariz, para se afirmarem na boca, vincando o experimentalismo no uso de barricas de Jerez, com o vinho a evoluir por baixo de um “véu” de flor.

O Douro é o berço 

O ano de 2025 também se revelou um prenúncio de morte, com o inesperado fim da Centenária, a vinha localizada na Mêda, localizada na sub-região do Douro Superior, a qual dava origem ao branco de altitude Permitido Centenária. Não obstante os esforços, as perdas foram irreparáveis, obrigando a um trabalho de recuperação que está em curso. Era uma vinha singular, com mais de 15 castas plantadas, no final do século XIX, a 800 metros de altitude, em solo extremo de granito. Fica-nos a colheita de 2022, agora provada e que antecede as derradeiras colheitas de 2023 e 2024. Para além disso, permanece apenas a memória, a mesma memória de infância que transportou Márcio Lopes para o Douro-berço.

No início, e sempre com a vertente financeira presente, Márcio Lopes encontrava a opção mais razoável no Douro Superior, onde o preço de arrendamento ou aquisição de vinha é, ainda hoje, mais atrativa. O património genético está nas vinhas de Vale Mendiz e de Foz Côa, onde ainda há áreas significativas da casta da sua eleição, a Bastardo, não escondendo a paixão por vinhas onde estão clones antigos de Tinta Roriz, com menor expressão de cor.

No Douro, Márcio Lopes projeta o futuro da região e procura já criar vinhos que o antecipem. A respeito do Proibido Déjà Vu, o enólogo antevê-o com as castas tradicionais Touriga Nacional, a conferir-lhe a componente aromática, a Tinta Roriz, o esqueleto do vinho, o Alvarelhão, que lhe aporta a frescura, e a Tinta da Barca, com a amplitude. A interpretação é, uma vez mais, evitar correções posteriores à vindima, usando as castas mais propensas à resistência ao fenómeno incontornável do aquecimento global.

Nas criações, não há imutabilidade, mesmo nos vinhos que, aparentemente, possuem o caráter mais clássico (duriense). O Proibido Grande Reserva espelha essa evolução de perfil, colheita após colheita, mostrando-se, hoje, mais aberto na cor e com uma perceção de madeira mais ténue, o que também implicou uma adaptação por parte das câmaras de provadores e entidades certificadoras. Aqui, estamos na presença de um vinho elaborado a partir de uvas colhidas num conjunto de vinhas velhas do Douro Superior, com idades entre os 40 e 80 anos, e castas muito variadas, como Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, entre diversas videiras de variedades não identificadas.

A maturidade do projeto determina, em 2019, que Mário Lopes desça do Douro Superior para a sub-região do Cima Corgo, onde o processo contemplativo e explorador o leva ao Proibido Vale do Rio Pinhão, numa vinha a que chama “parque de diversões” para entusiastas do vinho. Gastão Taveira, o proprietário, abriu-lhe as portas para este paraíso de diversas e distintas parcelas de terraços pré-filoxéricos, com exposições norte e sul, e altitudes baixas, entre os 150 e 200 metros. É aqui que encontra uma Tinta Roriz distinta para deslumbrar.

Ao assinar o Proibido Garrafeira, vinho de opulência clássica duriense, com um estágio de sete anos em garrafa, encontra o seu oposto no Proibido Vinha Velha do Pombal, um tratado de elegância e leveza, enraizado numa vinha de antologia. Com exposição nascente, beneficia das brisas serenas e das temperaturas moderadas, onde quase não entram os tratamentos, mostrando a fruta no estado mais puro, numa parcela onde rareia a água e a vinha é obrigada a um trabalho de esforço e profundidade na busca de nutrição. Plantada em 1957, produziu umas diabólicas 666 garrafas. Estamos perante um perfil raro no Douro, exalando uma outra história tão própria, que obriga Márcio Lopes a possuir várias referências, cada uma delas muito singular e, por isso mesmo, a merecer um capítulo distinto.

(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)

PARQUE TERRA NOSTRA: O princípio do belo

TERRA NOSTRA

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à […]

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à ponte, logo após a entrada. Sabia que se trata de uma planta altamente resistente aos fungos? Do lado oposto, os tanques contíguos de água férreas ficam mais bonitos no estio, época em que os nenúfares preenchem de cor este curso hídrico.

Sem mais delongas, eis o momento de contemplação do tanque de água termal, pois a visita a este jardim centenário ficou refém do cronómetro. Caso contrário, teria ido a banhos em dia de chuva intermitente, proeza justificada pela temperatura da água, que oscila entre os 37 e 40º C. Avancemos! Pedro André Silva, o guia, chama a atenção para as majestosas araucárias, árvores que conferem o misticismo bucólico a este cenário, a par com o carvalho-roble plantado na década de 1780, além dos tulipeiros, com a floração a dar o ar da sua graça entre maio e julho. Ao fundo, está o Botania Hall, o alojamento complementar do Terra Nostra Garden Hotel, originalmente chamada de Yankee Hall e, mais tarde, de Casa do Parque.

Rumo às bromeliáceas, o percurso leva-nos parque adentro, com passagem próxima dos lagos situados numa cota mais baixa em relação à referida villa. Afinal, as Bromélias são uma das cinco coleções deste jardim secular. Nativas do sul da América, estas plantas estão numa pequena clareira recriada numa pequena elevação de terra, já que a irrigação não se faz através do solo, mas sim por meio das folhas, que retêm o orvalho. Desta mostra, faz parte o ananaseiro, que dá origem a um dos frutos mais famosos do arquipélago. Ao lado, o jardim de flora endémica e nativa dos Açores, que fazem parte da região da Macaronésia, representativo de uma exposição ancestral. Dois passos adiante, está a coleção de cycadales, constituída por 88 espécies exóticas. A origem remonta ao período Jurássico e não há como deixar de conquistar pela dupla de “fósseis vivos”, assim denominados, por não evoluírem há milhões de anos. Memorável é também a coleção de camélias, a qual fundamenta o título “Internactional Camellia Garden of Excellence” atribuído ao Parque Terra Nostra. As flores grandes, que vão do branco ao vermelho, passando por diferentes tons rosa, emprestam cor a este enorme jardim, onde uma ínfima parte do solo da alameda ladeada por 47 ginkgos preserva as folhas douradas destes gigantes da natureza.

O mirante, designado de O Açucareiro, devido à forma que ostenta, é outro dos lugares a constar na viagem. Dali são visíveis as esculturas zoomórficas esculpidas pelas mãos de Fernando Costa, o jardineiro chefe, com a destreza de um mestre. Sem, esquecer as grutas, onde o canal de água serpenteante remete para os passeios de outrora, em pequenas embarcações ao estilo britânico, o Vale dos Fetos, com duas centenas de espécies diferentes, duas das quais endémicas, ou o lago de águas vulcânicas, próximo da reta final da visita.

Muito ficou por explorar nesta viagem pelo Parque Terra Nostra, habitat de mais de 1.800 exemplares botânicos específicos distribuídos por 12,5 hectares, resultante de um trabalho iniciado há mais de 200 anos e firmado na preservação deste que é o mais belo refúgio da ilha de São Miguel, nos Açores.

TERRA NOSTRA

Parque Terra Nostra

Largo Marquês da Praia e Monforte, 9675-061 Furna, São Miguel, Açores

E-mail: terra.nostra@bensaude.pt

Tel.: 296 549 090

Bilhete geral: €17

Nota: Visitas histórias e botânicas são feitas por um valor adicional

 

BEST OF WINE TOURISM: O Roteiro de excelência

Enoturismo

No âmbito da rede internacional Great Wine Capitals, a Câmara Municipal do Porto passou a promover, a nível regional, a distinção dos melhores projectos de enoturismo nas regiões do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Trata-se dos Best Of Wine Tourism, que já vão na 24ª edição, abrangendo áreas como “Alojamento”, “Arquitectura e paisagem”, “Experiências inovadoras”, […]

No âmbito da rede internacional Great Wine Capitals, a Câmara Municipal do Porto passou a promover, a nível regional, a distinção dos melhores projectos de enoturismo nas regiões do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Trata-se dos Best Of Wine Tourism, que já vão na 24ª edição, abrangendo áreas como “Alojamento”, “Arquitectura e paisagem”, “Experiências inovadoras”, “Práticas sustentáveis em Enoturismo”, “Serviços de Enoturismo”, “Arte e cultura” e “Experiências gastronómicas”. Eis o ponto de partida para um roteiro de dois dias pelas duas regiões vitivinícolas acima referidas, para dar palco a cinco dos sete reconhecidos promotores, que se destacam pela capacidade de conciliar tradição e inovação, autenticidade e criatividade, bem como sustentabilidade e qualidade, tanto nas infraestruturas e nos serviços que disponibilizam, como no impacto positivo gerado no território e nas comunidades locais.

Enoturismo
Enoturismo Casa do Santo

 

O projecto de arquitectura da Casa do Santo Wine & Tourism cria diálogo entre a paisagem e a escala humana

 

Arquitectura sublime

A primeira paragem foi a Casa do Santo Wine & Tourism, localizada em Provesende, no concelho de Sabrosa, no Douro, galardoada na categoria “Arquitectura e Paisagem”. Esta distinção é mais do que um prémio, é um sinal dos tempos e, talvez, uma medida do que hoje se exige a quem constrói em territórios com história. Na mais antiga região demarcada do mundo, onde a beleza não foi desenhada num gabinete, mas lavrada pela mão do Homem ao longo de séculos, a arquitectura não pode chegar como quem impõe. É projetada por quem compreende que o lugar não é cenário, é organismo vivo.

Há edifícios que, com o devido respeito e inteligência, revelam a paisagem, funcionando como uma moldura silenciosa e a Casa do Santo Wine & Tourism impõe-se como uma espécie de manifesto que propõe um ensaio concreto sobre como habitar a paisagem sem a ferir. Afinal, um excelente projecto de arquitectura integrado não compete com a vinha, com o xisto, com a linha das encostas. Cria um diálogo harmonioso entre a paisagem e a escala humana, evitando o excesso e, ao mesmo tempo, oferece a panorâmica natural do lugar. No Douro, onde a luz muda a cada curva e o horizonte é sempre uma promessa, essa pertença é ética.

O desenho contemporâneo encontra aqui materiais que parecem ter surgido ali: a pedra confunde-se com muros antigos; a madeira envelhece com dignidade, as grandes superfícies envidraçadas enquadram a paisagem sem pudor. Lá dentro, a decoração é depurada, quase monástica e moderna, obrigando o olhar a deixar-se conquistar pelas vinhas e encostas, pelo horizonte.

Quando a arquitectura se integra, transforma-se em ponte, ligando o visitante ao território. Nesse sentido, a Casa do Santo Wine & Tourism surge como caso de estudo sobre o que o enoturismo pode ser quando assume a responsabilidade de se tornar um vector de requalificação do território. O projecto parece responder a uma pergunta tão simples quanto exigente: é possível construir sem dominar? Aqui, o visitante sente que não está numa “unidade turística”, mas num lugar em que o tempo se traduz num investimento, que nos faz sentir parte desta paisagem. Por isso, esta distinção importa. Porque um projecto bem inserido na paisagem é também um gesto de sustentabilidade, não apenas energética ou material, mas também cultural, pois preserva o património, o sentido do lugar, a identidade. Num tempo em que tantos destinos se parecem uns com os outros, a verdadeira inovação pode ser esta, a de criar sem ferir, acolher sem descaracterizar, modernizar sem apagar.

Em suma, a melhor arquitectura é aquela que perdura no tempo, como se estivesse estado sempre ali, como algo simultaneamente discreto e necessário. E quando isso acontece, não é só um edifício que vence, é o território que se afirma com dignidade e é o futuro que se constrói com memória.

 

O almoço na Quinta do Bomfim é o argumento exemplar de que a gastronomia está em sintonia com os vinhos

 

Inovação em profundidade

Da contemplação arquitectónica passei para a experiência e a mudança foi como atravessar uma porta dentro da própria região do Douro. A Vesúvio & Bomfim Experience, vencedora na categoria “Experiências Inovadoras em Enoturismo”, confirma uma tendência clara: hoje já não basta visitar, é preciso mergulhar. A distinção diz muito sobre a direcção que o enoturismo está a tomar e sobre o que o Douro pode oferecer quando se decide ir para além do óbvio.

A chegada à Quinta do Bomfim, no Pinhão, é, por si só, um primeiro gesto de imersão. Entra-se numa história longa, onde os socalcos traçam o rio, o rio desenha o tempo e a propriedade se organiza à volta dessa memória sedimentada. Mas criar experiências verdadeiramente inesquecíveis exige curadoria, ritmo, narrativa, detalhe. Exige uma hospitalidade que saiba conduzir sem apressar, explicar sem cansar, surpreender sem distrair.

É precisamente aqui que a Quinta do Bomfim se destaca. A inovação surge na forma como reconstrói a relação do visitante com a história do Vinho do Porto e com a própria ideia de “quinta do Douro”. O percurso pelas caves, pelos lagares e pelos espaços de trabalho é projectado como um relato coerente, em que passado, presente e futuro aparecem como camadas sobrepostas. Ou seja, a modernização tecnológica não apagou a tradição, apenas afinou a sua precisão, e essa perceção devolve origem ao vinho e contextualiza o que está no copo.

Quando uma experiência é verdadeiramente inovadora, consegue-se que o visitante não “consuma” o lugar, mas sinta que pertence a ele por instantes, como se o território, por um momento, o adoptasse. Na Quinta do Bomfim, essa pertença constrói-se de corpo inteiro: o passo na vinha, a textura do xisto, o vento que atravessa a encosta, o silêncio antes da prova, o aroma que chega antes do copo. A inovação manifesta-se na ligação entre cada elemento, através da interpretação do território. E quando o enoturismo interpreta bem, está a ensinar.

O almoço, que em outros contextos poderia ser apenas pausa, aqui é o argumento exemplar de que a gastronomia está em sintonia com os vinhos. Cada prato parece pensado para revelar uma textura, uma acidez, um tanino, como se a mesa fosse um laboratório de harmonias e a conversa fosse parte do terroir. Num tempo em que tantos destinos desafiam e chamam a atenção, o que distingue um lugar não é a quantidade de ofertas, mas a qualidade da experiência, e, acima de tudo, a capacidade de gerar memórias autênticas. Uma experiência imersiva é aquela que nos faz esquecer o relógio, que, dias depois, ainda nos devolve imagens, cheiros e emoções, como se o Douro permanecesse dentro de nós.

No fundo, a Vesúvio & Bomfim Experience simboliza uma viragem no enoturismo enquanto arte de contar histórias verdadeiras, e a distinção reforça a importância da experiência que persiste, como se de um grande vinho de tratasse: revela-se aos poucos, prolonga-se e deixa-nos melhores do que éramos antes de chegar. Adorei!

 

Na Quinta do Ventozelo sustentabilidade é responsabilidade, é a decisão de cuidar a paisagem

 

Sustentabilidade, uma forma de estar

Da emoção para a consciência, o périplo levou-me à Quinta do Ventozelo, localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira, premiada na categoria “Práticas Sustentáveis em Enoturismo”. Esta distinção confirma a ideia de que o Douro não existe futuro para o vinho, nem para o turismo, sem uma relação madura com a terra. Aqui, sustentabilidade é responsabilidade, é a decisão de cuidar a paisagem que confere a identidade deste território e garantir que a experiência de hoje não rouba a beleza de amanhã.

Durante a viagem, a estrada desenha curvas, como se estivesse a escrever à mão um poema sobre o Douro e, quando se entra na propriedade sente-se o acolhimento: um território amplo, mas organizado como um pequeno mundo coerente, onde cada escolha parece responder a uma pergunta: como permanecer sem esgotar? Num tempo em que o viajante procura cada vez mais significado, o enoturismo deixa de ser apenas visita e prova, para se tornar encontro com valores. E é precisamente aí que a Quinta do Ventozelo se afirma: em ancorar a hospitalidade no território, na cultura agrícola, no equilíbrio do ecossistema e no respeito pelas comunidades.

O projecto materializa a sustentabilidade em várias escalas. Há uma dimensão visível e imediata: a recuperação de edificações tradicionais, a forma como cada alojamento se encaixa na paisagem, a atenção aos materiais e à eficiência energética. Mas há também o cuidado com a biodiversidade, a gestão da água, a relação com as comunidades e as práticas agrícolas, que incidem no respeito pelo ritmo da natureza.

Um projecto sustentável não se mede apenas por técnicas e certificações, mede-se pela coerência entre o que se promete e o que se pratica. E, para ser transformadora, a sustentabilidade tem de ir além da eficiência: tem de gerar experiência. É nessa ponte entre ética e encantamento que nasce a evidência de que a paisagem é entendida como um sistema vivo e as práticas sustentáveis estruturam as experiências ao ritmo das estações. O visitante é convidado a entrar numa lógica de lugar, onde o conforto não apaga a origem e a experiência não se constrói à custa do território.

À mesa, os produtos locais ganham centralidade, como afirmação de um ecossistema que envolve vinhas, olivais, pomares e gentes. E à noite, a dimensão sensorial torna-se quase pedagógica, pois dormir na Quinta do Ventozelo “de forma celestial” não é retórica. A noite é verdadeiramente escura, o céu densamente estrelado e o silêncio tem peso. O lugar lembra, com uma simplicidade rara, que sustentabilidade é uma forma de estar.

Afinal, hoje, o luxo verdadeiro é poder estar num lugar que se mantém inteiro é poder viver uma experiência que não termina na partida, mas fica.

Dormir no coração da natureza

Já em plena região dos Vinhos Verdes, entra-se por um verde exuberante, onde as vinhas coexistem com vegetação mais espontânea, dando ao lugar um ar de refúgio, como acontece com a Quinta do Ameal. Vencedora na categoria “Alojamento”, esta propriedade localizada no Vale do Lima, confirma uma evidência do enoturismo contemporâneo: dormir bem é habitar o território. Num destino, onde a paisagem parece sempre recém-lavada pela luz e pela água, o alojamento de excelência transforma a visita num tempo prolongado, onde o vinho se torna uma experiência completa.

É nesse contexto que o alojamento mostra o seu verdadeiro alcance, oferece vista, tempo, cuidado e, com isso, prepara o visitante para uma relação mais profunda com o lugar. E, na Quinta do Ameal, essa proposta faz-se sem ostentação. O alojamento revela uma elegância afinada. Os espaços traduzem recolhimento, com os quartos a abrirem para o verde, salas a convidar à leitura, percursos a ligar o edificado ao campo. O contacto com a natureza é permanente.

A combinação de serviços de qualidade permite uma experiência memorável, com o bem-receber sem formalismos, o foco na mediação cultural e vínica, e a capacidade de desenhar percursos, provas e momentos que respeitam o ritmo de quem chega. Ou seja, no enoturismo, a excelência não está apenas no que se oferece, mas na forma como se conduz à descoberta.

 

A Quinta do Ameal prepara o visitante para uma relação mais profunda com o lugar

A Quinta do Ameal distingue-se ainda por fazer do património e da paisagem parte integrante da experiência, com a arquitectura, o jardim, a vinha e o rio a protagonizarem um diálogo, que convida o visitante a entrar na narrativa. A prova de vinhos confirma essa coerência e os vinhos expressam uma ideia muito concreta de lugar, com destaque para frescura, verticalidade, nervo. Não é apenas degustação, é também tradução de um território, que permite o visitante perceber a origem.

Neste contexto, importa sublinhar que, na Quinta do Ameal, se devolve profundidade ao simples através de um passeio entre vinhas, que ensina a ler o solo e o clima, de uma prova feita com tempo e explicação, um momento de mesa que respeita a origem dos produtos, uma conversa que liga o vinho às pessoas e à história. porque o enoturismo mais marcante é aquele que nos faz sentir parte de um lugar, nem que seja por uma noite.

 

Os serviços de enoturismo na Quinta da Torre são desenhados com um rigor quase cirúrgico

 

Hospitalidade em narrativa

O périplo terminou na Quinta da Torre, em Monção, na região dos Vinhos Verdes, vencedora na categoria “Serviços de Enoturismo”, uma distinção que serve de bandeira para um aspecto decisivo, mas tantas vezes

subestimado: o serviço não é um “extra”. É a arquitectura invisível do encontro entre o visitante e o território. Num mundo onde quase tudo é replicável, a excelência no enoturismo passa igualmente pela hospitalidade, definida pela capacidade de construir um produto turístico compósito, integrado, onde visitas, provas, loja, percursos, momentos de interpretação do território e eventuais ligações à gastronomia e à cultura, se organizam como capítulos de uma mesma narrativa. Porque o visitante não procura apenas “coisas para fazer”, procura uma história para viver e um lugar para explorar e compreender.

Na Quinta da Torre, essa narrativa tem uma base natural poderosa, a paisagem vínica. O desenho bucólico é beleza e identidade. É aqui que o serviço de excelência se torna indispensável, porque ensina a observar por meio de palavras apoiadas em cultura, conhecimento e continuidade. Os serviços de enoturismo na Quinta da Torre são desenhados com um rigor quase cirúrgico: percursos claros, informação consistente, uma equipa que combina conhecimento técnico com capacidade de tradução para linguagem acessível. Fala-se de castas, solos, microclimas, vinificação, mas sem o peso académico. Essa é uma forma rara de hospitalidade, sem impressionar com jargão, mas abrindo as portas para a curiosidade.

Por isso, criar experiências inovadoras aqui não significa encher o programa de novidades artificiais. Significa desenhar momentos bem orientados, onde cada etapa – acolhimento, percurso, prova, conversa, despedida – denota intenção e qualidade. Há, ainda, uma dimensão ética nesta excelência: um serviço bem pensado valoriza o trabalho de quem produz, respeita o território e contribui para uma economia local mais justa, criando uma relação equilibrada entre o que se oferece e o que se recebe.

O fecho da visita confirma tudo isto com uma imagem que prevalece, o piquenique entre vinhas, que funciona como síntese poética da experiência sob o céu azul, com a casta Alvarinho no copo, em que o vinho deixa de ser apenas bebida, tornando-se mediação entre o ser humano e o território. Na verdade, a Quinta da Torre lembra-nos que a paisagem, por mais deslumbrante que seja, precisa de uma intervenção favorável para se tornar inesquecível. A vinha pode ser um quadro de prazer, mas o serviço exemplar combina beleza, rigor e hospitalidade, transformando o enoturismo numa vivência, a prova em compreensão, o prazer em pertença.

Enoturismo
Quanta Terra, no Douro

Epílogo: uma reportagem que foi uma aula prática

No papel, estes dois dias poderiam ser descritos como um roteiro por vencedores regionais dos Best Of Wine Tourism. Mas, como visitante, fiquei com a sensação de que cada lugar respondeu a uma pergunta fundamental: como pode o enoturismo honrar a paisagem, valorizar a comunidade e, ao mesmo tempo, tocar quem visita?

A Casa do Santo Wine & Tourism mostra que a arquitectura pode ser um ato de humildade. A Quinta do Bomfim prova que inovar é reinterpretar a memória. A Quinta do Ventozelo ensina que sustentabilidade é ética. A Quinta do Ameal demonstra que o alojamento pode ser um retiro espiritual do quotidiano. A Quinta da Torre confirma que o serviço, quando bem pensado, é hospitalidade intelectual.

No final, ficou a sensação de que esta viagem não foi apenas reportagem, nem tão somente turismo. Foi uma aula prática sobre tempo, cuidado, limite e pertença. E talvez seja essa, no fundo, a maior distinção que um destino enoturístico pode receber.

Enoturismo
Restaurante Pedro Lemos, no Porto

Menções honrosas

Ainda a respeito dos vencedores da 24.ª edição dos Best Of Wine Tourism, ficaram de fora deste registo a Quanta Terra, localizada em Favaios, bem como Pedro Lemos, o restaurante do chef homónimo, situado na cidade do Porto, distinguidos, respectivamente, nas categorias “Arte e cultura” e “Experiências Gastronómicas. Além desta lista, o júri atribuiu menções honrosas a projectos que se evidenciam pela consistência e contributo ao dinamismo do enoturismo regional, destacando a Quinta da Vacaria e a Quinta de São Luiz, na categoria “Alojamento”, a Adega H.O, em “Arquitectura e Paisagem”, a Quinta da Aveleda, em “Arte e Cultura”, a Quinta do Crasto, em “Experiências Gastronómicas”, a Quinta da Casa Amarela e a Marma Slow, em “Experiências Inovadoras em Enoturismo”, a Quinta do Seixo, em “Práticas Sustentáveis em Enoturismo”, e a Quinta de Santa Cristina, em “Serviços de Enoturismo”.

A Câmara Municipal do Porto sublinha que esta iniciativa integra uma estratégia mais ampla de promoção e desenvolvimento do Douro vinhateiro e da região dos Vinhos Verdes, assumindo o enoturismo como um pilar estratégico para a afirmação internacional do destino. Sobre a classificação, a autarquia reforça o posicionamento do Porto, Douro e Vinhos Verdes como destinos de excelência no panorama internacional que elevam a qualidade da oferta e consolidam a ligação entre vinho, território e cultura.

 

(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2026)