Está aberta a época do piquenique

Com a chegada do verão, o Ventozelo Hotel & Quinta, em São João da Pesqueira, apresenta uma nova oferta: os piqueniques. Confeccionados diariamente pela equipa do restaurante Cantina de Ventozelo, os piqueniques incluem uma seleção de produtos durienses, além de frutas, hortícolas e vinhos colhidos da horta da quinta. As opções são variadas: folar de […]
Com a chegada do verão, o Ventozelo Hotel & Quinta, em São João da Pesqueira, apresenta uma nova oferta: os piqueniques. Confeccionados diariamente pela equipa do restaurante Cantina de Ventozelo, os piqueniques incluem uma seleção de produtos durienses, além de frutas, hortícolas e vinhos colhidos da horta da quinta. As opções são variadas: folar de Vila Real, queijos e compota, sanduíche de rosbife com mostarda, salada de batata e pimentos, fruta da época, bolo caseiro, entre outros. A harmonização cabe ao vinho da Quinta de Ventozelo: uma monocasta branco, tinto ou rosé e outra de Vinho do Porto. Água aromatizada e café fazem parte deste alinhamento gastronómico descontraído. Depois há que escolher um dos cinco novos pontos preparados para estes repastos. Mesas, cadeirões, almofadas e mantas fazem parte da mise en scène, acompanhada de conversas prolongadas e de uma boa sesta ou de um mergulho no rio Douro.
A celebração das tradições durienses estende-se a outras experiências desenvolvidas no âmbito do programa de actividades do Ventozelo Hotel & Quinta, que dispõe de 29 opções distintas de alojamento (a partir de 180 € por noite).
O piquenique (€155, para duas pessoas) está disponível entre as 12h00 e as 18h00 e exige reserva através do email actividades@quintadeventozelo.pt.
SYMINGTON FAMILY ESTATES: 2024, a declaração de um clássico

Havia um sereno júbilo no segundo andar do prédio onde fica o Matriarca, o elegante restaurante, bar de vinhos e academia de vinhos pertencente ao grupo Symington, com localização privilegiada na Praça Carlos Alberto, no Porto. A mesa de provas preparada, as garrafas em exposição. Ao fundo, quatro membros da família, Rupert e Charles, da […]
Havia um sereno júbilo no segundo andar do prédio onde fica o Matriarca, o elegante restaurante, bar de vinhos e academia de vinhos pertencente ao grupo Symington, com localização privilegiada na Praça Carlos Alberto, no Porto. A mesa de provas preparada, as garrafas em exposição. Ao fundo, quatro membros da família, Rupert e Charles, da geração actualmente à frente da empresa, ladeados por Harry e Anthony, a geração seguinte, pacatamente a preparar-se para a sua vez. O júbilo resultava da ocasião de apresentar os Portos Vintage de 2024, ano que vai ser de festiva declaração generalizada. Um grande clássico para Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s, Quinta do Vesúvio, bem como o Graham’s The Stone Terraces, o Capela da Quinta do Vesúvio e o Quinta de Roriz. Os Symington vão lançar todas as suas pérolas, desde as marcas clássicas, cujo terroir é o lote, assim se tem descrito, às novas marcas mais focadas no lugar, a definição mais usual de terroir.
O júbilo era ainda reforçado pela raridade da ocasião, já que a última declaração clássica generalizada tinha sido a vindima de 2017. São sete anos de diferença, o que se, por um lado perturba os financeiros da empresa, por outro descansa os clientes e admiradores. Afinal, a família Symington demonstra que não há cedências quando está em jogo o desejo de qualidade irrepreensível face à exigência estabelecida nestes vinhos, que representam o pináculo do vinho português e capturam a admiração dos winelovers do mundo.
Desde 2017, muito quente e de vindima precoce, não havia, no Douro, um ano agrícola tão perfeito para fazer Porto Vintage. Se pensarmos no período de tempo entre 2018 a 2023, encontramos sempre vinhos excepcionais, tintos, brancos e mesmo vinhos do Porto. Mas foram anos com “chuvas inconstantes e ciclos de crescimento desafiantes”, segundo os responsáveis da Symington. Temos de nos lembrar de que um Vintage clássico tem como perspectiva o consumo de muitas décadas. E, por que não, um século? Já lá vamos.
Mudanças e legado
Mesmo assim, e o enólogo principal Charles Symington não deixou de o enfatizar, os vintages mais recentes podem ser apreciados logo desde o lançamento para o mercado. Há boas razões para isso, entre a qualidade das aguardentes, as plantações de novas castas com ciclo vegetativo compatível com as alterações climáticas, o envelhecimento das vinhas, que também se vão adaptando aos sítios, e a enologia, que acumula cada vez mais sabedoria sobre os ingredientes e o processo para fazer um grande vinho, abordável desde o cedo. Um exemplo dos pormenores que contam: até o transporte das uvas melhorou muito. Charles Symington ainda se lembrava dos cestos de 60-70 kg, hoje uma longínqua memória. Também todas as quintas disporem de pequenas adegas ajuda ao processamento imediato das uvas, em vez de longas jornadas em camião. Hoje, “todos os vinhos têm um estilo mais polido”.
Entre os presentes, comentava-se também que a nossa idade já não nos permitirá a todos esperar as décadas que esses grandes vinhos mereceriam. A antiga regra de beber os vinhos comprados pelos nossos pais, enquanto compramos os vinhos para os nossos filhos, nem sempre foi aplicada a tempo. Por isso, bebamos estes jovens infantes, debiquemos os outros que tivemos a lucidez de comprar há uns anos. Contudo, não nos esqueçamos dos nossos filhos, que um grande Vintage na sua idade madura é um prazer raro que temos obrigação de lhes legar.
Para desfrutar ou guardar
Vamos aos 24’s. O ano agrícola teve uma perfeição cintilante. Foi um ano “à moda antiga.” Muita chuva no Inverno, o que é logo um bom começo. A saturação dos solos em Novembro foi a mais precoce já registada e durou até fim de Março, a mais tardia já registada. Todas as fases de desenvolvimento das uvas vieram na altura normal, o que, nos últimos anos, tem sido completamente anormal. Abrolhamento em Março, floração em Maio, tudo normal. Abril seco poupou as vinhas ao míldio, Maio e Junho com chuva média, o que manteve a vinha sem problemas. Julho foi quente, mas sem extremos. Agosto teve máximas nos 31, 32 ºC, mínimas nos 19 ºC, uma boa amplitude térmica que permite a maturação das uvas e boa preservação dos ácidos, essenciais para obter vinhos elegantes, equilibrados, com muita pureza de fruta. Setembro teve máximas inferiores a 30 ºC e mínimas nos 12 ºC, e as vindimas começaram no dia 4, com Sousão, Alicante Bouschet e vinha velha. A Touriga Nacional começou a ser colhida a 16 de Setembro, uma data típica, mas há anos que não se via. Era preciso colher mais cedo. A cereja no topo do bolo, segundo Charles Symington, foi a Touriga Franca, a casta decisiva para definir um grande ano. Uvas de grande qualidade asseguraram, assim, este Vintage que espalha sorrisos entre os provadores. Algumas pingas de água já no fim da vindima não tiveram influência, e as temperaturas foram perfeitas para as fermentações: nunca foi preciso aquecer os lagares no princípio, nem arrefecer no fim. Todos os vinhos foram fermentados em lagares, com o uso da pisa a pé tradicional na Quinta do Vesúvio; nas outras há lagares robóticos.
Cada vinho tem origem em quintas específicas tradicionalmente usadas para cada marca. São todas pertencentes ao grupo ou propriedade pessoal de membros da família. As combinações de origens e castas usadas em cada vinho também são específicas, além de que procuram preservar o estilo histórico e identidade própria.
A qualidade geral dos vintages de 2024 é fantástica, é realmente um ano fabuloso, para desfrutar já em jovem ou para guardar e envelhecer muitos anos. Justifica-se comprar caixas e acompanhar a evolução destas pérolas. É também incrível a distinção e variedade dos oito vinhos provados. Cada apreciador terá o seu favorito. Vale muito a pena procurar provar todos e escolher por si próprio. Dentro da minha experiência com cada uma destas marcas, em jovem e ao longo do tempo, vejo nuances que são específicas deste ano de 2024, que vai certamente ficar para fazer história.
O almoço não terminaria sem uma mousse de chocolate exemplar, que serviu de pista de aterragem para um mimo, o Dow’s Porto Vintage de 1924, jóia trazida das caves históricas da família. Termino com a sua descrição: cor âmbar translúcida. Nariz com a fruta muito escondida, notas minerais e vegetais; tudo é encantamento e sedução, num foco tawny-não-tawny. Fumo, caramelo, especiarias, chá, tabaco. A boca complementa a perfeição. Cognac, suave calor da madeira, taninos muito resolvidos, doçura suave e cintilante, acidez a dar frescura, final infinito e cheio de nuances. Um vinho inesquecível, sem nota. É para momentos como este que compramos Porto Vintage.
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
-

Capela da Quinta do Vesúvio
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta do Vesúvio
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Cockburn’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta de Roriz
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Graham’s The Stone Terraces
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Graham’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Dow’s
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Warre’s
Fortificado/ Licoroso - 2024
Picowines passa a ser “A Cooperativa”

Com a renovação da identidade visual, a Picowines assume a designação institucional Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, passando a chamar-se A Cooperativa. O objectivo desta mudança consiste em reforçar a origem da marca, ou seja, o colectivo de produtores da uva da Ilha do Pico. “Não mudámos quem somos, apenas a forma como nos […]
Com a renovação da identidade visual, a Picowines assume a designação institucional Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, passando a chamar-se A Cooperativa. O objectivo desta mudança consiste em reforçar a origem da marca, ou seja, o colectivo de produtores da uva da Ilha do Pico. “Não mudámos quem somos, apenas a forma como nos apresentamos, porque aquilo que torna esta marca única nunca foi apenas o vinho, foram a ilha, as pessoas e, sobretudo, a comunidade, e gerações de produtores que transformaram um território num legado”, declara, em comunicado, Losménio Goulart, administrador d’A Cooperativa.
Este novo capítulo advém da necessidade de criar uma marca-mãe e, ao mesmo tempo, de reforçar a valorização do território através da ligação com o turismo, com provas e visitas. Afinal, são mais de 75 anos de um trabalho firmado na história, na cultura e na comunidade da Ilha do Pico. “Esta nova fase não representa uma ruptura com o passado, antes uma evolução natural de uma organização que continua profundamente ligada às suas raízes”, sustenta em comunicado.
QUINTA DA VACARIA: Na margem certa do Douro

A eterna discussão entre a margem esquerda e a direita de Bordéus, que apaixona enófilos por este mundo fora, e sobre qual nelas se produzem os melhores vinhos, não tem grande paralelo no Douro. Na margem esquerda do rio Garonne e do Estuário de Gironde, o solo é rico em cascalho e os vinhos são […]
A eterna discussão entre a margem esquerda e a direita de Bordéus, que apaixona enófilos por este mundo fora, e sobre qual nelas se produzem os melhores vinhos, não tem grande paralelo no Douro. Na margem esquerda do rio Garonne e do Estuário de Gironde, o solo é rico em cascalho e os vinhos são mais austeros, estruturados e potentes, com grande capacidade de guarda; são elaborados a partir da casta predominante, a Cabernet Sauvignon, logo seguida pela Merlot, sendo as principais apelações Margaux, Pauillac, Saint-Julien, Saint-Estèphe entre outras. Na Margem Direita, por seu turno, os solos são predominantemente argilo-calcários. Ali produzem-se vinhos mais macios, frutados e sedosos, talvez mais sedutores e fáceis de beber quando jovens, com a predominância das castas Merlot e Cabernet Franc. Saint-Émilion e Pomerol são, neste caso, as cabeças de cartaz.
Já a escolha entre a margem direita (Norte) e a margem esquerda (Sul) do Douro depende mais do objectivo a que nos propomos, do que propriamente por ter uma influência directa nos vinhos produzidos. Por outras palavras, a margem direita, com mais sol, é tradicionalmente mais vinícola e turística, enquanto a esquerda oferece paisagens mais rurais, históricas e íngremes. No entanto, ambas são verdadeiramente deslumbrantes.
Geralmente mais ensolarada, a margem direita, alberga muitas das quintas mais famosas da região e a zona histórica de Peso da Régua; é onde o Sol incide com mais intensidade durante o dia, factor ideal para a maturação das uvas. Além disso, é ainda marcada por afluentes importantes, como o Corgo, o Tua e o Sabor. Já a margem esquerda oferece vistas incríveis sobre a margem direita e áreas rurais muito cénicas, com declives acentuados em xisto.
À direita do rio
A Quinta da Vacaria está situada na margem direita do Rio Douro. Localizada no coração do Baixo Corgo, próximo de Peso da Régua, a propriedade estende-se na confluência dos rios Corgo e Douro e apresenta altitudes que variam entre os 50 e os 300 metros. Beneficia de um clima ameno, favorável para o desenvolvimento gradual e maturação da uva, de um solo inclinado, difícil e agreste, repleto de pedras lascadas em consequência da degradação do xisto. A parte vegetativa da videira tira partido desta rocha xistosa, já que o subsolo é permeável, permitindo que as raízes das videiras consigam encontrar, a uma grande profundidade, os nutrientes e a humidade essenciais ao vigor e à produtividade da planta. Com 42 hectares, é constituída por inúmeras parcelas de vinha. Há duas muito antigas na Vinha do Corgo e do Vale Bastardo. Ainda sobre a primeira e nas encostas suaves, estão as novas vinhas instaladas em fileiras verticais sob a técnica de “vinha ao alto”, enquanto nas encostas mais íngremes, a implantação das videiras foi feita de acordo com a técnica do chamado novo modelo de socalco. Junto à nova adega, optou-se pelo modelo de patamares estreitos de 1,5 metros, no seguimento de uma viticultura sustentável.
Planear a viticultura para o futuro é um dos objectivos traçados pela equipa desta casa, daí a necessidade de se implementar uma estratégia de reconversão do encepamento, no sentido de se seleccionar castas mais resistentes à seca e/ou às doenças resultantes das actuais condições climáticas. A viticultura sustentável regida pelas boas práticas agrícolas e em prol do ecossistema, por forma a se atingir a harmonia entre produção e território.
Quanto à enologia, esta arte está sob a responsabilidade de Jean-Hugues Gros, francês radicado no Douro desde 1999 e que dispensa apresentações, e de João Menezes. Ambos assumem o objectivo de consolidar um projecto que quer elevar o reconhecimento do Douro enquanto região vitivinícola, através das melhores práticas agrícolas e de vinificação, tendo como inspiração a diversidade deste vetusto terroir.
Mais de 400 anos de história
A Quinta da Vacaria colocou no mercado os primeiros tintos da colheita de 2022, com destaque para o Reserva tinto, com 18 mil garrafas e grandes formatos até 27 litros, e o Touriga Nacional, com 2500 garrafas e formatos de até aos cinco litros. Num ano vitivinícola marcado por temperaturas elevadas no Douro, a colheita de 2022 resultou em vinhos de “maior concentração de fruta”, mantendo “elegância, frescura e equilíbrio”, explica Miguel Esteves, gestor de negócio da Quinta da Vacaria. “São tintos que revelam intensidade com precisão e tensão, refletindo uma leitura contemporânea da região”, acrescenta. As restantes referências da colheita 2022, deverão chegar ao mercado em breve, reforçando o portefólio da Quinta da Vacaria no segmento premium, assente na “autenticidade, tipicidade e expressão fiel do Douro”.
Sobre a história da Quinta da Vacaria, aquela tem sido contada a partir de 1616, ano em que foi incorporada no património da Companhia de Jesus, por intermédio de D. Frei Luís Álvares de Távora, que mandou erigir uma casa com cinco salas, no piso superior, e três lagares e duas adegas, no térreo. Cerca de 150 anos depois, por volta de 1760, a memória descritiva da propriedade revela a existência de vinhas, oliveiras, montes, ribeiras, azenhas, uma casa e adega, lagares de vinho e azeite, cardanho para os trabalhadores e, próximo deste, uma capela da invocação de Nossa Senhora do Bom Sucesso, com retábulo dourado. O património edificado era complementado por um armazém de sal e casas de recolha dos barqueiros.
Volvidos mais de quatro séculos desde o início da história contada sobre a propriedade, decorre a abertura da unidade hoteleira Torel Quinta da Vacaria, em 2024, marco importante nesta narrativa, tornando este um local de referência, não apenas para a produção de vinhos, mas também para a hospitalidade e o turismo de excelência na região do Douro, com a mais-valia de o restaurante de fine dining, o Schistó, ao comando do Chef Vítor Matos, ter sido distinguido com uma estrela Michelin na edição 2026 do Guia Michelin Portugal.
Em suma, a Quinta da Vacaria é mais do que uma propriedade, é um símbolo de permanência no coração da mais antiga região demarcada do mundo. A qualidade excepcional e o reconhecimento no universo vitivinícola não acontecem da noite para o dia, exigem séculos de aprimoramento. Afinal, “produzir vinho é relativamente simples, só os primeiros 200 anos são difíceis” foi a frase mais célebre da Baronesa Philippine de Rothschild. Pois na Vacaria já lá moram mais de 400 anos!
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)
Rodolfo Tristão preside o Top 100 Sommeliers Portugal

Fundado pela comunidade online de escanções Sommelier Edit em 2023, no Reino Unido, a iniciativa Top 100 Sommeliers chegou este ano ao nosso país, onde adoptou a designação Top 100 Sommeliers Portugal, que recentemente anunciou a eleição de Rodolfo Tristão para Presidente. O desempenho deste papel centra-se não apenas na organização estratégica, mas também no […]
Fundado pela comunidade online de escanções Sommelier Edit em 2023, no Reino Unido, a iniciativa Top 100 Sommeliers chegou este ano ao nosso país, onde adoptou a designação Top 100 Sommeliers Portugal, que recentemente anunciou a eleição de Rodolfo Tristão para Presidente. O desempenho deste papel centra-se não apenas na organização estratégica, mas também no apoio na selecção e “desenvolvimento dos principais sommeliers de Portugal”, bem como nas relações com o comércio mundial do vinho”.
“Hoje, o escanção afirma-se cada vez mais como uma peça essencial no restaurante. A crescente valorização desta profissão reflecte a importância do serviço de vinhos e do aconselhamento na experiência do cliente à mesa. Com esta iniciativa, pretende-se reforçar o reconhecimento dos escanções, aumentar a sua presença e dar maior visibilidade à riqueza e à relevância desta profissão”, explica Rodolfo Tristão à Revista Grandes Escolhas.
Por cá, o Top 100 Sommeliers Portugal é organizado em parceria com a Taylor’s Port e tem como objectivo criar um ranking de escanções do país. A inscrição é feita através do link https://sommelieredit.com/pt/top-100-sommeliers/nomeacoes/.
O Top 100 Sommeliers já reúne outras edições em outros países, como Espanha (2024, 2025 e 2026) e Nova Zelândia (2025 e 2026), além de Portugal e Austrália (2026), com previsão para rumar a outras latitudes em 2027.
ISA: inovação tecnológica e sustentável

Com o intuito de dar resposta aos novos desafios da agricultura, da floresta, do ambiente e da sustentabilidade, num contexto em que a alimentação volta a ser tema de debate e de preocupação na Europa, o Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, implementou uma reforma curricular, quer nas licenciaturas, quer nos mestrados, liderada pela […]
Com o intuito de dar resposta aos novos desafios da agricultura, da floresta, do ambiente e da sustentabilidade, num contexto em que a alimentação volta a ser tema de debate e de preocupação na Europa, o Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, implementou uma reforma curricular, quer nas licenciaturas, quer nos mestrados, liderada pela presidente do Conselho Científico, Teresa Ferreira, e implementada pelo Conselho da Gestão do ISA.
Uma das apostas recai na tecnologia. A inteligência artificial, os drones, os sensores ambientais e os robôs agrícolas fazem parte do dia-a-dia dos estudantes na cadeira de Sistemas Inteligentes e Robótica, transversal a várias licenciaturas. Esta actividade permite antecipar pragas, otimizar a rega e melhorar a gestão dos recursos naturais em prol da biodiversidade. Está associada ao AgriTechEdu, hub de aprendizagem iniciado em 2024, com o objectivo de, por um lado, prover o ISA com tecnologia de ponta e, por outro, fomentar as competências digitais e tecnológicas nas Ciências Agrárias.
O AgriTechEdu está, por sua vez, integrado no Living Lab da Tapada da Ajuda, o primeiro integrado numa instituição de ensino superior portuguesa e ligado à Rede Europeia de Living Labs, para que empresas, investigadores e estudantes possam testar tecnologias verdes e digitais em contexto real. “A formação tecnológica estende-se também à sociedade através do Open Campus do ISA, iniciativa lançada em 2023”, segundo o comunicado.
Esta acção conjunta contribui para a consolidação da empregabilidade dos estudantes formados próxima dos 100%. “Há empresas como a Corticeira Amorim ou a The Navigator Company que procuram ativamente engenheiros florestais de excelência, como os que aqui são formados”, informa, através de comunicado, Madalena Lordelo, Vice-Presidente do Conselho de Gestão e do ISA, que tem a alumnISA, a associação de antigos alunos do ISA, colo elo de ligação entre a escola e o mundo empresarial.
Em suma, o ISA assume-se como o epicentro da formação de profissionais com capacidade de resposta face a alguns dos temas mais prementes do século XIX; produção de alimentos, gestão de florestas, preservação e protecção da biodiversidade, e utilização de tecnologias que favoreçam os recursos naturais.
Granvinhos inaugura a Adega do Cedro

Em Peso da Régua, região do Douro, a Granvinhos abre oficialmente as portas daquela que chama de ‘adega do futuro’. Trata-se da Adega do Cedro, erguida da Quinta do Cedro, cujo investimento total ascendeu a 27 milhões de euros, dos quais cerca de 19% teve a comparticipação do Plano de Recuperação e Resiliência. Com a […]
Em Peso da Régua, região do Douro, a Granvinhos abre oficialmente as portas daquela que chama de ‘adega do futuro’. Trata-se da Adega do Cedro, erguida da Quinta do Cedro, cujo investimento total ascendeu a 27 milhões de euros, dos quais cerca de 19% teve a comparticipação do Plano de Recuperação e Resiliência.
Com a finalidade de processar 8000 toneladas de uva e a função de produção de vinhos do Porto e Douro, reúne “um conjunto de inovações tecnológicas que permitem maximizar o potencial qualitativo das uvas provenientes de cerca de 800 viticultores, distribuídos por oito concelhos da Região Demarcada do Douro, que nos confiam a sua produção”, nas palavras de Jorge Dias, Director-Geral do grupo. Dentro das acções inovadores desta unidade industrial, destacam-se a automatização e o desenvolvimento de processos, que, ao mesmo tempo, incrementam a segurança e minimizam a dependência de mão de obra; a reutilização de 50% das águas residuais; a instalação de uma central de energia fotovoltaica; e a implementação equipamentos que contribuem para a redução até 40% das necessidades energéticas da adega. O objectivo é reforçar o compromisso com a sustentabilidade no âmbito do sector vitivinícola nacional. Paralelamente à funcionalidade, este edifício de grande dimensão, cujo projecto é projeto assinado pelo arquiteto Alexandre Burmester, cumpre os critérios de enquadramento paisagístico.
Recorde-se que o grupo Granvinhos integra no universo dos vinhos do Porto, do Douro, Verdes, de Lisboa e da Madeira, a par com o enoturismo, o qual converge com o grupo francês La Martiniquaise Bardinet, detido pela família Cayard.
POÇAS: Da história se faz o vinho

Em tempos idos, quando os barcos Rabelo, carregados de pipas com vinho, desciam o rio que empresta o nome à região, o sável, abundante, subia o Douro, para ali desovar. A necessidade de se alimentar fez do tanoeiro pescador e cozinheiro. Já depois de amanhado e limpo, dispunha o peixe migratório, proveniente do mar, numa […]
Em tempos idos, quando os barcos Rabelo, carregados de pipas com vinho, desciam o rio que empresta o nome à região, o sável, abundante, subia o Douro, para ali desovar. A necessidade de se alimentar fez do tanoeiro pescador e cozinheiro. Já depois de amanhado e limpo, dispunha o peixe migratório, proveniente do mar, numa grelha de arames antecipadamente atravessada no interior de uma barrica de carvalho sem fundo e suspensa em quatro pés, para deixar o ar entrar e onde colocava o serrim, para defumar o sável.
Inspirada nesta história, a Poças tem vindo a desenvolver um trabalho muito interessante no tocante à recuperação da tradição de fumar o sável em barricas de Vinho do Porto. “Antigamente, o processo era muito mais moroso porque o rio era completamente diferente, não havia barragens e, por isso, faziam várias viagens. Era uma altura de muita dificuldade e aproveitavam exatamente esse momento, já que estavam no barco, para tentar a sua sorte e ir pescar, e assim que apanhavam esses peixes para comer, era também uma forma de os preservar, para poder levar para casa no final da viagem e alimentar as suas famílias. Atualmente a receita mudou um pouco. Nós fizemos a nossa interpretação e, hoje, vamos ver o resultado”, conta o enólogo André Barbosa. Trata-se do “Sável à Poças”, que, para além da importância histórica, também assume uma excecional importância social e económica pela variedade e relevo das atividades que lhe estão ligadas.
Vinhos Fora da Série
Da preparação do sável, nasce o rosé Fora da Série Cold Smoke 2025, como nos explica o enólogo: “Cold Smoke pretende expressar uma fumagem a frio, ou seja, depois de uma muito leve prensagem das uvas, o líquido resultante vai para umas cubas isotérmicas, onde faz uma estabilização a frio por mais de 11 dias, o que ajuda a concentrar aromas. Após esse período, ainda com uma temperatura muito baixa (cerca de 5 ºC, entra nas barricas de carvalho francês, acácia e cerejeira, onde a temperatura sobe gradualmente até ao ponto de ser inoculado para fermentação. Este processo faz com que o mosto receba os aromas da tosta ainda a frio (cold smoke), que é muito semelhante à fumagem do sável a frio, sem brasa. Desta forma, os aromas ficam mais concentrados no mosto, mais delicados e bem integrados. Fermenta e estagia nessas barricas por seis meses.”
A utilização de barricas de carvalho francês, feitas a partir de cerejeira e acácia, complexificou ainda mais o conjunto deste rosé, uma das estrelas do almoço. Agora, faz parte dos mais de 20 exemplares da gama Fora da série, uma espécie de “jardim da criatividade do enólogo”, que tem carta branca para lançar vinhos diferenciados, edições especiais, experiências, por vezes, únicas e, noutros casos, que vieram para ficar, como, pensamos, virá a ser o caso deste rosé ou do Vinho da Roga, entre outros, entretanto repetidos.
A gama Fora da Série está assente em três pilares: alterações climáticas, sustentabilidade e o cliente final. André Barbosa explica: “por um lado, as alterações do clima, a falta de água, a incerteza que hoje temos (parece que nem temos estações do ano), afetam a maturação das uvas e, por consequência, o perfil dos vinhos; por outro lado, é muito importante sermos uma empresa mais sustentável e, finalmente, o consumidor que, hoje, procura vinhos mais versáteis (para diferentes tipos de harmonização), com menos teor alcoólico, mais complexos e com personalidade. A gama Fora da Série tenta abranger todos estes temas”.
Valorizar o produto local
O que mais impressiona no trabalho de André Barbosa é a mesma consistência que aplica nos Colheita, nos Reserva e nos Grande Reserva da casa, bem como na criação de vinhos diferenciadores, expressões de grande personalidade da referida gama Fora da Série. No total, são produzidas entre 1.5 a 1.8 milhões de garrafas de vinhos do Porto e DOC Douro num universo constituído por três propriedades vinhateiras, uma em cada uma das sub-regiões do Douro. Trata-se da Quinta das Quartas, localizada no Baixo Corgo, que passou a integrar o património da Poças em 1932 e onde se encontra localizado o centro de vinificação, bem como o primeiro armazém de envelhecimento; da Quinta de Vale de Cavalos, em Numão, no Douro Superior, adquirida em 1987; e da Quinta de Santa Bárbara, em Ervedosa do Douro, no Cima Corgo, adquirida nos anos 90 do século XX.
“Vale de Cavalos é onde temos maior altitude e solos de transição de xisto para granito; Santa Bárbara é a zona mais quente, com vinha velha, onde vou buscar concentração e estrutura; a Quinta das Quartas tem mostrado um perfil muito elegante e equilibrado, sempre com uma frescura incrível onde vou buscar o ingrediente secreto para equilibrar alguns lotes. Esta diversidade, esta multiplicidade de terroirs permite-nos ter o portefólio que temos atualmente, incluindo os Fora da Série. O projeto vive muito da interpretação de vários locais do Douro”, remata André Barbosa.
Em curso está a implementação da vertente de enoturismo na Quinta das Quartas, com o objetivo de levar as pessoas ao Douro. “Esta abertura ao turismo na Quinta das Quartas também passa por valorizar mais os produtos da própria região, ou seja, olhar para o território e não apenas para o vinho. O Douro produz azeite – que já deu um salto enorme, mas também tem amêndoas, tem laranjas, tem figos. Enfim, transmitir um pouco dessa história e achamos que será mais fácil fazê-lo lá, pois quem vai ao Douro, também já vai mais com essa abertura”, salienta Pedro Pintão, presidente do Conselho de Administração da Poças e um dos quatro primos à frente desta empresa secular e familiar, que já se faz representar pela quarta geração.
À mesa tivemos oportunidade de provar um desses exemplos, o azeite de bordadura Fora da Série, feito a partir de azeitona apanhada no olival tradicional que rodeia a vinha. Foram ainda apresentadas as novas colheitas do Poças Reserva branco 2025 e do Poças Branco da Ribeira 2024, que, juntamente com o rosé, acompanharam na perfeição o delicioso menu preparado pelo chef Pedro Braga, do restaurante Mito, no Porto. A refeição fechou em grande com o Poças Vintage 2024, um Vinho do Porto de grande nível, para celebrar os 100 anos do lagar da Quinta das Quartas. Que bela experiência!
(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)





















