CAVES SÃO JOÃO: 106 anos de um ex-libris bairradino

Desde 2010, ano em que se inicia o percurso rumo ao centenário, ocorrido em 2020, as Caves São João mantêm a tradição de aliar a efeméride ao lançamento de vinhos que, de algum modo, vincam a coerência desta empresa, cuja história e percurso se confundem com a da própria região. Neste que foi o 106º […]
Desde 2010, ano em que se inicia o percurso rumo ao centenário, ocorrido em 2020, as Caves São João mantêm a tradição de aliar a efeméride ao lançamento de vinhos que, de algum modo, vincam a coerência desta empresa, cuja história e percurso se confundem com a da própria região. Neste que foi o 106º aniversário, juntaram-se, à celebração, os proprietários e administradores que, em 2022, adquiriram a quase totalidade do capital social da sociedade e, atualmente, gerem os destinos desta casa centenária. Aos rostos dos empresários Fernando Sapinho, Paulo Morgado, Nuno Ramos, Mário Mateus, Enrique Castilblanques e Mário Vigário aliamos o rosto visível da serenidade que mantém as Caves São João no alinhamento com a sua identidade, Célia Alves.
Se dúvidas havia sobre o futuro da Caves São João, as mesmas têm sido dissipadas pela consciencialização de que o negócio do vinho possui características muito especiais, nomeadamente, onde o fator tempo se constitui como vetor fundamental para a solidez de qualquer projeto. Fernando Sapinho, um dos sócios e igualmente administrador desta casa, e empresário de relevância internacional no setor imobiliário, vincou a forte perceção de que o tempo é de investimento, no sentido de incrementar a implantação das Caves São João no mercado nacional e internacional. Nestes últimos quatro anos, esta ação é visível, sobretudo, na ampliação da área de vinha da Quinta do Poço do Lobo, localizada na freguesia da Pocariça, onde atualmente se vislumbram mais de 40 hectares de vinha contínua, tornando-a a maior do concelho de Cantanhede. Se, no início, houve uma certa tentação de mudança, incluindo de imagem, hoje existe consenso e firme convicção que é a identidade clássica das Caves que lhe garantem o prestígio.
106 anos, 106 meses
Foi sob o mote “106 Anos, 106 Meses”, que as Caves São João procederam a um realinhamento da marca primordial, apresentando, como novidade, o espumante DOC Bairrada Caves São João Branc de Blancs Velha Reserva, elaborado exclusivamente com a casta Chardonnay e com uns notáveis 106 meses de estágio. A casta internacional não é estranha a esta casa. Na verdade, é a base preferencial, a par com a Pinot Noir, para a elaboração de espumantes desde 1930, à data sob a coordenação do enólogo francês Gaston Mennesson.
À semelhança do que ocorria nos primórdios, a marca Caves São João redefine o seu posicionamento e passa a ser somente reservada aos vinhos e espumantes de superior qualidade em edições únicas ou de colheitas que se destaquem em anos de qualidade absolutamente excecional. Afiançamos que a estreia deste novo posicionamento da marca foi auspiciosa, tendo dado origem a um espumante memorável, mesmo dentro da história deste tipo de vinho firmado na grandeza no âmbito do portefólio da Caves São João.
DOC Bairrada Caves São João Branc de Blancs Velha Reserva, elaborado exclusivamente com a casta Chardonnay e com 106 meses de estágio
Boas novas e um Frei João renovado
Da colheita de 2023, chega-nos a mais recente edição do espumante Quinta do Poço do Lobo Baga Bairrada, um bruto natural com uma interpretação mais exigente dos espumantes que ostentam a referida logomarca, por uma valorização de estágios cada vez mais longos. Com uma produção de 73 mil garrafas, este espumante beneficia já do aumento da área de vinha da Pocariça, onde, na última restruturação e plantação, se apostou mais nas castas locais, como Baga, Touriga Nacional, Moreto e Castelão Nacional (Camarate), nas tintas, e as brancas Arinto, Cercial da Bairrada, Maria Gomes e Bical.
O portefólio da Quinta do Poço do Lobo fica completo com as mais recentes edições do Quinta do Poço do Lobo Reserva branco, um Arinto da colheita de 2023, com fermentação inicial em inox, a qual termina em barricas de carvalho francês avinhadas, e um estágio em garrafa de dois anos antes de ser lançado no mercado; o Quinta do Poço do Lobo Baga e Pinot Noir rosé, da colheita de 2025, fruto de uma vindima mais precoce para melhor preservação da acidez e frescura; o Quinta do Poço do Lobo Reserva tinto, da colheita de 2021, elaborado, maioritariamente, a partir de Baga e Touriga Nacional, e acrescido por um pequeno complemento de Cabernet Sauvignon. A última boa nova, que agora entra na família, é o Quinta do Poço do Lobo Colheita Tardia 2023, um vinho singular, elaborado a partir da casta internacional responsável pelos grandes Sauternes, a Sémillon, caracterizada pelo seu apodrecimento nobre e forte concentração de açúcares.
Por fim, é na marca ícone Frei João, nascida na década de 50 do século passado, que surge a maior novidade. A garrafa que revolucionou a rotulagem com o uso cortiça surge, agora, em modelo Borgonha, com um Chardonnay estreme da colheita de 2025, dotando este nome de outra transversalidade, fiel a uma cultura aliada a grandes castas internacionais, influenciadas, claro está, pelo terroir de forte pendor atlântico.
(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)
Vem aí o Azores Food Lab

A Week Food Lab é agora Azores Food Lab e regressa ao Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, entre os dias 26 e 31 de Outubro, com a conferência “Gastronomia Atlântica, Identidade, Tradição e Turismo” agendada para 27 do referido mês. Objectivo: enaltecer a gastronomia da região sem substituir a tradição, mas através de novas […]
A Week Food Lab é agora Azores Food Lab e regressa ao Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, entre os dias 26 e 31 de Outubro, com a conferência “Gastronomia Atlântica, Identidade, Tradição e Turismo” agendada para 27 do referido mês.
Objectivo: enaltecer a gastronomia da região sem substituir a tradição, mas através de novas interpretações, por forma a acrescentar valor, daí o slogan “Elevar o que é nosso, sem perder aquilo que somos”. Como? Através de um conjunto de formações destinadas aos chefs locais e alunos da Escola de Formação Turística dos Açores, por meio e um laboratório gastronómico para experimentar, aprender e valorizar a cozinha açoriana, aproximando os saberes e produtos regionais ao conhecimento e técnicas de chefs nacionais e internacionais, bem como a todos os envolvidos na hospitalidade açoriana.
Em paralelo, o Azores Food Lab conta com a participação nacional dos chefes Angélica Salvador (In Diferente, Porto), Tiago Bonito (Éon, Palacete Severo, Porto) e chef Diogo Formiga (Encanto, Lisboa). D’além fronteiras, marcam presença os chefs Sam Lawrence (Bridges, Nova Iorque) Norman St-Pierre (Narval, Quebec). Nas formações de sala, bar e vinhos, constam Augusto Brumatti, Head Sommelier do Vila Vita Parc Resort (Algarve), Pedro Marques, Chefe de Sala do The Yeatman (Vila Nova de Gaia), e Sara Marques, Sommelier do Le Monument (Porto).
Disponíveis estão ainda acções de formação de nível básico, abertas ao público, assim como para cozinheiros e curiosos que queiram melhorar as competências culinárias.
“Qualificar pessoas é também qualificar o território. Ao apostar na formação de profissionais e estudantes nas diferentes áreas da gastronomia – da cozinha ao serviço de sala, do bar aos vinhos –, o Azores Food Lab está a reforçar competências, a criar oportunidades e a elevar a qualidade da experiência oferecida aos visitantes”, resume, em comunicado, Eládio Braga, Presidente da AVEA – Associação para a Valorização Económica dos Açores, entidade organizadora do Azores Food Lab.
Gala Vinhos do Tejo – E o vencedor é…

Os Melhores Vinhos do Tejo e do Tejo Gourmet desfilaram na Gala Vinhos do Tejo, evento anualmente promovido pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e organizado pela Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo (CNST). Na edição deste ano, que teve lugar no Instituto de Valências Variadas, em Almeirim, foram anunciados e entregues […]
Os Melhores Vinhos do Tejo e do Tejo Gourmet desfilaram na Gala Vinhos do Tejo, evento anualmente promovido pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e organizado pela Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo (CNST). Na edição deste ano, que teve lugar no Instituto de Valências Variadas, em Almeirim, foram anunciados e entregues os prémios do 16.º Concurso Vinhos do Tejo, com 50 referências laureadas com Medalha de Ouro, bem como da 12.ª edição do Tejo Gourmet – Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo, entre outras distinções.
Sem mais delongas, a Adega de Almeirim destacou-se com o Varandas Fernão Pires branco 2024 eleito o Melhor Branco (Medalha de Excelência) e o Melhor Fernão Pires do Concurso Vinhos do Tejo 2026. E não só! Arrecadou o galardão de Empresa de Excelência dos Vinhos do Tejo e viu os seus enólogos, António Ventura e Romeu Gonçalves, receberem o título Enólogo(s) do Ano.
Nos tintos, o Casal da Coelheira Private Collection Alicante Bouschet tinto 2023, do Casal da Coelheira, situado no Tramagal, em Abrantes, foi o Melhor Tinto (Medalha de Excelência). Já nos monovarietais feitos a partir de Castelão, o Casal das Freiras x Niepoort Castelão tinto 2023, da Quinta do Casal das Freiras, em Tomar, foi o mais pontuado pelo painel de jurados.
A Fiuza Wines foi eleita, pelo segundo ano consecutivo, e pela terceira vez (2023, 2025 e 2026), na categoria de Prémio Dinamismo, enquanto o Prémio Carreira foi dado a José Saldanha, Presidente da Adega de Benfica do Ribatejo.
No cartaz do Tejo Gourmet, couberam o restaurante NUMA (Melhor Cozinha de Autor e O Melhor Restaurante), em Portimão; Amassa (Melhor Internacional), em Santarém; Aveiramariscos (Melhor Restaurante Tradicional), em Aveiras de Cima; e Tasquinha do Lagar (Melhor Casa de Petiscos), na Marmeleira, em Rio Maior. No universo vínico, ganhou o De’gustar (Melhor Carta de Vinhos da Região), em Torres Vedras; o Nobre Vinhos e Tal (Melhor Carta Fora da Região), na Guarda; e o Oxalis (Melhor Harmonização), do Hotel Casa Velha do Palheiro Relais & Chateaux, no Funchal, Madeira.
Iron Maiden brinda aos fãs com Douro no copo

Depois do sucesso internacional da primeira edição, os Iron Maiden apresentaram a nova colheita do seu vinho produzido no Douro. Marcada pelo regresso de Eddie the Head, a icónica mascote da banda britânica, esta referência vínica tem como nome Eddie’s Blend tinto 2024 e foi recentemente lançada com uma nova imagem de edição limitada. A […]
Depois do sucesso internacional da primeira edição, os Iron Maiden apresentaram a nova colheita do seu vinho produzido no Douro. Marcada pelo regresso de Eddie the Head, a icónica mascote da banda britânica, esta referência vínica tem como nome Eddie’s Blend tinto 2024 e foi recentemente lançada com uma nova imagem de edição limitada.
A criação do rótulo assinala a digressão mundial de 2026 da banda de heavy metal comemorativa dos seus 50 anos, tratando-se de uma espécie de poster que pode ser guardado pelos fãs – e não só –, como recordação. Já a produção do vinho foi feita, uma vez mais, em parceria com a The Wine Collection (antiga Barão de Vilar). As castas seleccionadas foram as tradicionais da região, como a Touriga Nacional e a Tinta Roriz.
Esta nova colheita dá continuidade à colaboração iniciada em 2024, com o lançamento do Iron Maiden Darkest Red 2021, vinho- estreia da banda produzido, em Portugal, pela The Wine Collection, sendo esta parceria apoiada pela distribuidora britânica Ehrmanns Wines. Já o Eddie’s Blend tinto 2024 está disponível na loja oficial da banda (https://merch.ironmaiden.com/) e nos mercados internacionais, nomeadamente Suécia, Canadá, Finlândia, Áustria, Inglaterra e Brasil. Em Portugal, está disponível nas grandes superfícies Continente, Auchan e Apolónia, bem como nas principais garrafeiras.
Best Of Wine Tourism 2027: conhece os vencedores?

Casa da Companhia, Quinta das Carvalhas, Quinta da Aveleda, restaurante Cooperativa, Festa do Tomate Coração de Boi do Douro, Soalheiro e Quinta da Vacaria são os vencedores regionais dos prémios Best Of Wine Tourism 2027, respectivamente, nas categorias Alojamento, Arquitetura e Paisagem, Arte & Cultura, Experiências Gastronómicas, Experiências, Práticas Sustentáveis em Enoturismo e Serviços de […]
Casa da Companhia, Quinta das Carvalhas, Quinta da Aveleda, restaurante Cooperativa, Festa do Tomate Coração de Boi do Douro, Soalheiro e Quinta da Vacaria são os vencedores regionais dos prémios Best Of Wine Tourism 2027, respectivamente, nas categorias Alojamento, Arquitetura e Paisagem, Arte & Cultura, Experiências Gastronómicas, Experiências, Práticas Sustentáveis em Enoturismo e Serviços de Enoturismo.
Porém, não há nada melhor que elaborar um roteiro pelas regiões do Douro e dos Vinhos Verdes, e pela Invicta, território que tem a Câmara Municipal do Porto como representante no âmbito do Best Of Wine Tourism, desta feita, da edição de 2027, iniciativa promovida no contexto da rede internacional Great Wine Capitals. Comecemos pela Casa da Companhia, boutique hotel instalado num edifício do século XVI, localizado na Rua das Flores, Porto, seguindo-se a Quinta da Aveleda, em Penafiel, reconhecida pela valorização e dinamização do panorama cultural, através de exposições ou de acolhimento de eventos culturais. Depois de uma paragem no restaurante Cooperativa, também em Penafiel, dinamizador da gastronomia e os vinhos da região dos Vinhos Verdes, a viagem prossegue em direção à Soalheiro, em Melgaço, enaltecida pela criação de projetos que envolvem a comunidade e as atividades da região, bem como pelas boas práticas ambientais.
Já no Douro, retomemos o itinerário no Torel Quinta da Vacaria, no concelho de Peso da Régua, destacado, de acordo com o comunicado, pela “qualidade da oferta e pela capacidade de proporcionar aos visitantes experiências envolventes, memoráveis e enriquecedoras, que revelam o melhor da cultura vínica local”. Há, ainda, a Quinta das Carvalhas, no Pinhão, onde a arquitectura enaltece as envolventes paisagísticas.
Por fim, a Festa do Tomate Coração de Boi do Douro trata-se do evento anual centrado na associação da cultura vínica com a gastronomia ligada ao produto de referência deste certame, que também dá palco à oferta tradicional.
“Como membro fundador das Great Wine Capitals, em representação das regiões do Douro e dos Vinhos Verdes, o Porto assume o papel de agente agregador e dinamizador do enoturismo nestes territórios. Fazemo-lo porque acreditamos na qualidade da oferta, dos operadores e das experiências, mas também no seu enorme potencial para gerar desenvolvimento económico e valorizar o território através da gastronomia e dos vinhos”, esclarece, em comunicado, Hugo Beirão Rodrigues, vereador responsável pelos pelouros da Economia, Mobilidade e Turismo.
A próxima fase do concurso terá um júri internacional, constituído por representantes das Great Wine Capitals, cuja missão consiste em eleger um vencedor global entre os premiados de cada cidade e região. Todos os vencedores regionais ficam igualmente nomeados para o People’s Choice Awards, sendo, aqui, público convidado a votar.
QUINTA DA LAGOALVA: Vinhos de Verão em alta

As apresentações de novos vinhos vão ajudando a descobrir uma Lisboa antiga, que se renova por dentro. Antigos palácios e palacetes, outrora decadentes e, acima de tudo, escondidos pela teia de vielas que rendilham as encostas da cidade vão, pouco a pouco, sendo descobertos pelos tecelões do Portugal is so nice e ‘ressuscitados’ em hotéis […]
As apresentações de novos vinhos vão ajudando a descobrir uma Lisboa antiga, que se renova por dentro. Antigos palácios e palacetes, outrora decadentes e, acima de tudo, escondidos pela teia de vielas que rendilham as encostas da cidade vão, pouco a pouco, sendo descobertos pelos tecelões do Portugal is so nice e ‘ressuscitados’ em hotéis chiques, com rooftops sensacionais a oferecer a vista para as colinas e com pequenos jardins, onde bares e cadeirões proporcionam a vida glamourosa das férias.
Foi num ambiente assim, no Hotel The One Palácio da Anunciada, na rua das Portas de Santo Antão, que a Quinta da Lagoalva de Cima apresentou algumas das suas novidades para o Verão de 2026. Pedro Pinhão, administrador com o pelouro da enologia, trouxe parte da sua equipa, para alguns momentos descontraídos, acompanhados por finger food saborosa para os presentes debicarem ao longo de uma tarde agradável, onde o calor do sol era modulado por uma brisa suave e por sombras da tarde que, lentamente, cobriam o jardim.
Segundo Pedro Pinhão, os vinhos de 2025 são mais elegantes e frescos do que os correspondentes a 2024. Já há anos que os Lagoalvas, em especial nas suas gamas de entrada, mostram uma saudável contenção alcoólica. Muitos vinhos estão nos 12% ou apresentam um teor alcoólico bastante menor, o que os torna uma opção sensata para o a época de veraneio, quando queremos vinhos refrescantes que não castiguem pelo peso a opção por um segundo copo.

Bolhas e nova edição de Alfrocheiro
As novidades no campo das bolhas também são muito relevantes. O Pét Nat é muito limpo. É o que eu chamo de Pét Nat de enólogo, pois não deixa que os ‘aromas-off’ tomem conta do vinho. Simples, vivo, refrescante, mas sempre muito focado, é o que se espera de uma boa companhia à mesa ou para desfrutar em modo cocktail.
Mas a grande surpresa veio do espumante Lagoalva Reserva, com quatro quintos de Arinto e o um quinto de Alfrocheiro. Nada distingue no rótulo este novo lançamento dos anteriores, embora a marca ‘L-081241’ na garrafa o permita distinguir. Este é todo da colheita de 2023 e é sensacional. Consegue o raro milagre de equilibrar uma fruta cítrica jovem com suaves tostados do estágio em garrafa, a puxar para o estilo do Norte de França. Ainda por cima, com um preço muito comedido. Recomendo-o sem hesitar!
Finalmente, destaque para a nova edição do Alfrocheiro de 2024 de produção biológica. Alfrocheiro é sempre uma casta rara, com incidências no Dão e no Alentejo. No entanto, esta vinha já adulta vai alimentando o tinto topo de gama da casa em modo lote, entra no espumante o qual mencionei acima, aparece em lote com Syrah e ainda em modo estreme neste Grande Reserva, que agora é biológico. A beleza desta casta tinta é esta leveza e alegria.
(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)
KOPKE GROUP: 2024, a doce subtileza de um ano Clássico

Os novos Vintage, com a chancela Kopke e Burmester, foram apresentados na Kopke Wine House, localizada na ribeira de Vila Nova de Gaia, paredes meias com a Calém, igualmente detida pelo grupo de Juan Carlos Escotet, a Kopke Group. Como anfitriões, tivemos Carlos Alves, diretor de enologia e viticultura, e Márcio Nóbrega, responsável pela viticultura, […]
Os novos Vintage, com a chancela Kopke e Burmester, foram apresentados na Kopke Wine House, localizada na ribeira de Vila Nova de Gaia, paredes meias com a Calém, igualmente detida pelo grupo de Juan Carlos Escotet, a Kopke Group. Como anfitriões, tivemos Carlos Alves, diretor de enologia e viticultura, e Márcio Nóbrega, responsável pela viticultura, sob o olhar atento de Carla Tiago, enóloga dos vinhos do Porto.
A excecionalidade de 2024 resultou, e muito, da especificidade do ano vitícola, clássico em todos os sentidos no território duriense. O inverno caracterizou-se pela pluviosidade abundante; a primavera manteve a presença de algumas chuvas, mas foi o período que mediou entre o início de agosto e a vindima que determinou a singularidade deste ciclo – noites mais frescas que o habitual e uma maturação de puro equilíbrio. A partir de março de 2026, as declarações de um ano Vintage começaram a surgir, revelando, ao mercado, que, após um longo hiato, os grandes clássicos estavam de volta e, por maioria de razão, 2024 havia produzido a exemplaridade deste século.
Com o propósito de contextualizar e comparar com as edições de 2011, 2016 e 2017 da Kopke e Burmester, decorreu uma prova que veio a adjuvar e reforçar a singeleza desta dupla de Vintage. Para Carlos Alves, em termos climáticos, 2024 teve algumas semelhanças com 2021, ainda que 2024 tenham vingado noites amplamente mais frescas e um verão mais comedido. Se falarmos de prova, o diretor de enologia da Kopke elege o polémico ano de 2015, que o setor decidiu não considerar ano vintage, provavelmente pela menor estrutura – mas muito elevada elegância – dos vinhos. Por curiosidade, na Kopke, tendencialmente, aliam-se os anos vintage ao comportamento de excelência da Touriga Francesa. E 2024 cumpriu essa premissa, cumprindo esta casta tinta a sua missão definidora dos lotes dos vinhos aptos à designação vintage.
A excecionalidade de 2024 resultou, e muito, da especificidade do ano vitícola, clássico em todos os sentidos no território duriense

O universo territorial do grupo
As quintas da Kopke constam nas três sub-regiões do Douro: a Quinta do Bairro, no Baixo Corgo, com 25 hectares e cada vez mais vocacionada para as castas brancas; a Quinta da Boavista e a Quinta de São Luiz, no Cima Corgo; e a Quinta do Arnozelo, no Douro Superior. No conjunto, são 250 hectares de vinha, ainda insuficientes para as necessidades de vinificação, motivo pelo qual existem protocolos duradouros de fornecimento de uva com cerca de 300 viticultores.
A Quinta do Arnozelo é a propriedade com maior área, possuindo 95 hectares de vinha, cabendo a restante paisagem ao amendoal, ao olival e às laranjeiras. É daqui que nascem os vinhos Burmester. Plantada nos anos 90 do século XX, tem como encepamento dominante a Touriga Francesa e a Touriga Nacional. Entretanto, na reconversão realizada em 2010, a Alicante Bouschet passa a conquistar maior área à custa da diminuição da Tinta Roriz. A Sousão também tem vindo a ganhar maior destaque e, numa perspetiva experimental, têm-se plantado variedades brancas, preferencialmente nas cotas altas, onde a temperatura é mais baixa.
Não obstante a exposição maioritariamente a este e norte, com declives menos pronunciados, as elevadas temperaturas são uma constante no verão, fator que se reflete no perfil dos vinhos do Porto e nos tranquilos. A vinificação é feita a partir de uva colhida parcela a parcela, definindo-se a vindima de acordo com o destino da uva, ou seja, se é para Porto ou vinhos DOC. O rigor é comprovado pelo registo exaustivo das datas, pela natureza dos trabalhos, pelo rendimento de cada parcela, pelo rumo das uvas e pela monitorização de quem executa cada ação. Esta compilação de dados permite não apenas criar um histórico detalhado de cada parcela, mas também definir os procedimentos de colheitas futuras de um modo mais exato.
Os 250 hectares de vinha são insuficientes, motivo pelo qual existem protocolos duradouros de fornecimento de uva com cerca de 300 viticultores
Por seu turno, os vinhos do Porto com a chancela Kopke, são oriundos da Quinta de São Luiz, situada no Cima Corgo, resultante da junção de cinco quintas, que, no seu tudo, favorecem da exposição maioritariamente virada a norte. Amplamente recortada, quase totalmente ocupada com vinha e dada a sua centralidade, e bons acessos, esta propriedade é o epicentro do desenvolvimento de vários estudos, alguns deles de âmbito internacional, designadamente referentes ao solo e à condução das plantas. O campo experimental foi delineado em 2016, privilegiando o estudo de castas semi extintas ou com atual pouca expressividade no Douro, designadamente as que foram descobertas e catalogadas nas vinhas velhas.
A nova filosofia implementada na Kopke é diametralmente distinta da tendência vigente de afunilamento das opções de castas para a vinificação. De modo a promover uma crescente diversidade, o grupo aposta em experiências centradas em microvinificações, para melhor compreender o potencial das castas a incluir em lotes futuros, promovendo a diversidade ao invés de uma quase uniformização do perfil dos vinhos. Carlos Alves insiste na necessidade de preservação de um património genético de diversidade de castas ainda existente no Douro. Na verdade, muitas destas variedades foram esquecidas e rejeitadas em estudos vitícolas realizados nos anos 80, cujo foco estava apenas em cinco castas, o que causou, em muitos casos, no quase desaparecimento de muitas variedades ancestrais, as quais estão, agora, em processo de recuperação.
As próprias alterações climáticas absolutamente inegáveis obrigam a repensar o encepamento, precavendo o futuro no que à produção de Vinho do Porto diz respeito, dando maior relevância às castas que aportam acidez aos vinhos, tão necessária numa região onde imperam variedades com rápida degradação dos ácidos por força das temperaturas cada vez mais elevadas.
O ano Vintage da Burmester e da Kopke
Os vinhos do Porto Burmester exibem uma marca identitária muito própria, que não é alheia à sua origem no Douro Superior. Se até há alguns anos imperava a trilogia Touriga Nacional, Touriga Francesa e Tinta Roriz, entretanto, passou a entrar na equação a, cada vez mais plantada no Douro, Alicante Bouschet, a conferir-lhe mais corpo e concentração. De um modo geral, os Burmester caracterizam-se pelas intensas notas florais e muita concentração de cor, com fruta já bastante compotada.
O grupo aposta em experiências centradas em microvinificações, para promover a diversidade ao invés de uma quase uniformização do perfil dos vinhos
No Kopke Vintage 2024, há toda uma outra singularidade, decorrente de dois fatores essenciais: a maior frescura da sub-região do Cima Corgo, aliada às características do ano vitícola, e a presença de vinha velha em 75% do lote. O perfil é mais profundo, ainda em contenção aromática, mas com uma exibição de perfeição espantosa, resultante dos múltiplos cuidados inerentes a uma vindima feita por etapas na vinha velha, de modo a colher cada uva no seu mais completo e equilibrado estado de maturação.
Há uma unanimidade perfeitamente justificável na declaração de 2024. Os vinhos, tão jovens e cheios de vida, são notáveis no presente e auguram um enobrecimento em garrafa que lhe perspetiva provas de sonho.
(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)
Cave Tirsense inicia expansão internacional

A empresa portuguesa de representação, importação e distribuição de vinhos Cave Tirsense dá os primeiros passos na expansão internacional, com a representação exclusiva de Champagne Camille Bonville em Portugal. Sediada em Avize, no coração da sub-região de Champagne Côte des Blancs, onde os solos de giz definem o território, esta casa centra as atenções na […]
A empresa portuguesa de representação, importação e distribuição de vinhos Cave Tirsense dá os primeiros passos na expansão internacional, com a representação exclusiva de Champagne Camille Bonville em Portugal. Sediada em Avize, no coração da sub-região de Champagne Côte des Blancs, onde os solos de giz definem o território, esta casa centra as atenções na casta branca Chardonnay. A gama apresentada em
Por cá, a gama apresentada reúne três cuvées: um Millésime Grand Cru Blanc de Blancs 2021, outro 100% Chardonnay, submetido a um estágio prolongado sobre borras finas; um Grand Cru Blanc de Blancs, igualmente elaborado com Chardonnay de Avize; e um rosé, com de Chardonnay e uma pequena porção de Pinot Noir.
“Desde o início, quisemos trabalhar com produtores de pequena escala, ligados ao lugar e com uma identidade própria. Em Camille Bonville reconhecemos essa mesma visão. É um passo importante para a Cave Tirsense e o início de um caminho que queremos construir com consistência, produtor a produtor”, afirma José Andrade Sousa, fundador da Cave Tirsense.
Em consequência desta boa nova, a empresa anuncia em comunicado que “assegurará a apresentação da casa, a formação das equipas, o acompanhamento comercial e a construção da marca em Portugal, ligando o produtor à restauração, ao retalho especializado e ao consumidor final”.




















