ENOTURISMO: QUINTA DA CÔRTE

Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, […]
Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, em muitos locais, a frescura necessária para que os vinhos não se tornem apenas potentes. O resultado traduz-se numa região de maturações consistentes, mas também de nuances, onde a altitude, as encostas e a exposição solar mudam o carácter da matéria-prima.
A orografia é outro um dos grandes fatores desta sub-região. As vinhas avançam por encostas inclinadas, patamares, socalcos e pequenos vales, que desenham uma paisagem de rara dramaticidade. O homem não encontrou aqui uma terra pronta a ser cultivada. Teve de a construir, pedra sobre pedra, muro sobre muro, transformando a montanha em vinha e a dificuldade em património. A viticultura é também uma forma de arquitetura, uma maneira de organizar o impossível.
Os solos, dominados pelo xisto, dão à videira uma condição quase ascética. São solos pobres, pedregosos, fraturados, com pouca generosidade aparente. No entanto, é precisamente dessa pobreza que nasce parte da grandeza dos vinhos. A raiz é obrigada a procurar fundo, a insinuar-se nas fissuras da rocha, a vencer a secura e a escassez. A videira aprende, assim, uma lição antiga, aquilo que é fácil raramente produz profundidade.
Já o clima do Cima Corgo é marcado por uma transição progressiva. À medida que se avança para o interior do vale duriense, diminui a influência atlântica e aumentam o calor, a secura e as amplitudes térmicas. A chuva, mais moderada que no Baixo Corgo e menos escassa que no Douro Superior, coloca a sub-região do Cima Corgo num ponto intermédio particularmente interessante. Há água suficiente para evitar, em muitos anos, o sofrimento extremo da videira, mas não tanta que dilua a concentração. É uma pluviosidade de medida difícil, quase filosófica, nem excesso, nem ausência; apenas o bastante para manter viva a tensão. É nessa tensão que o Cima Corgo encontra a sua assinatura. Os microclimas multiplicam-se de encosta para encosta, consoante a exposição ao sol – uma vinha virada a sul amadurece de forma diferente de uma vinha voltada a norte. As cotas mais altas podem preservar acidez e elegância, enquanto as zonas mais baixas e quentes podem oferecer corpo, maturação e densidade.
Vinhas velhas, arquivos vivos
As castas tintas encontram aqui um dos seus palcos naturais. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e Sousão fazem parte do vocabulário essencial da região. Cada uma contribui com a sua voz. Umas trazem perfume, outras estrutura, umas dão cor, outras frescura, umas oferecem fruta madura, outras firmeza tânica. As castas brancas – Rabigato, Viosinho, Gouveio, Códega do Larinho e Malvasia Fina – ajudam a desenhar vinhos de maior tensão, sobretudo quando plantadas em altitude ou em exposições menos castigadas pelo sol.
Mas a verdadeira alma do Cima Corgo está, muitas vezes, nas vinhas velhas, onde várias castas partilham a mesma parcela como uma comunidade antiga. São arquivos vivos que guardam decisões tomadas por gerações anteriores, adaptadas ao relevo, ao clima e à experiência. Ali, a complexidade advém de uma sabedoria rural, que, muito antes da teoria, percebeu que a diversidade é uma forma de equilíbrio.
Os vinhos tintos do Cima Corgo costumam revelar uma combinação rara entre concentração e elegância, têm cor profunda, fruta madura, notas florais, especiarias, esteva, taninos firmes e uma capacidade natural para evoluir em garrafa. A sua força está na proporção. Têm músculo, mas também nervo, têm densidade, mas também ritmo, têm presença.
Nos brancos, a sub-região mostra uma faceta menos óbvia, mas cada vez mais valorizada. As vinhas de altitude, os solos de xisto e as exposições menos soalheiras e, por conseguinte, mais frescas, permitem criar vinhos com acidez firme, textura mineral e grande vocação gastronómica. São brancos que não se limitam à leveza aromática. Trazem pedra, citrino, ervas secas, fruta contida e persistência.
O Cima Corgo é igualmente território fundamental para os grandes Vinhos do Porto. A maturação das uvas, a concentração fenólica e a riqueza estrutural das castas tintas fazem desta sub-região uma origem privilegiada para vinhos intensos, profundos e longevos. Aqui, Porto e Douro DOC são duas expressões da mesma matriz.
Memórias regionais à mesa
O acervo gastronómico duriense é uma herança de gestos, de lume brando, de mãos calejadas, de panelas que guardam o tempo. À mesa sente-se o perfume da terra. O azeite contém a memória das oliveiras antigas. O pão conserva o calor do forno comunitário. Os enchidos, os presuntos, as carnes fumadas e curadas são o reflexo de invernos longos, de matanças partilhadas, de famílias reunidas em torno de um ritual onde nada se desperdiçava. A cozinha era baseada, antes de tudo, na ética de aproveitar, respeitar, prolongar.
Cabrito assado, arroz de forno, feijoada à transmontana, rancho, posta, bola de carne e peixes do rio, quando o rio ainda se dava com generosidade, transpõem uma verdade sem artifício. São sabores telúricos, comida de casa, de festa e de trabalho. Comida que sacia e reconcilia o corpo com a origem.
A doçaria, por sua vez, revela o lado íntimo deste património, com os doces de ovos, as cavacas, os folares, a aletria, o arroz-doce, as compotas de fruta madura, a amêndoa e o mel. Tudo parece nascer de uma delicadeza doméstica, de uma sabedoria feminina muitas vezes anónima, transmitida sem tratados, mas com precisão. Cada doce guarda uma festa, uma promessa, uma romaria, um domingo.
Falar do acervo gastronómico desta parte do Douro é, portanto, falar de uma biblioteca sem estantes, mas sim de salgadeiras, tachos, fornos, adegas, lagares e toalhas de linho. As páginas escrevem-se com aromas de alho, louro, vinho, fumo, azeite e canela. Os leitores somos nós, sempre que nos sentamos à mesa com disponibilidade para provar e sermos felizes.
Num tempo em que a globalização tende a uniformizar o gosto, esta cozinha permanece como ato de resistência e de partilha. O futuro gastronómico do Douro depende dessa capacidade de honrar a tradição sem a cristalizar e inovar sem romper o fio invisível que liga cada prato à paisagem humana. Porque a gastronomia, quando é verdadeira, pertence ao passado, mas é igualmente memória em movimento.
A decoração introduz uma vibração inesperada, com peças de artesãos locais e obras de arte distribuídas por vários recantos
Visão atual do vinho
Voltar ao Douro é aceitar que a paisagem nunca se repete. Há qualquer coisa de inaugural em cada chegada. Foi esse impulso, quase inevitável, que me levou à Quinta da Côrte, localizada em Valença do Douro, no concelho de Tabuaço. Integrada no portefólio do grupo Vignobles Austruy, que reúne cinco produtores em França, Portugal e Itália, esta propriedade duriense simboliza o encontro entre a visão contemporânea do vinho e uma herança profundamente enraizada na história. À frente deste projeto está Philippe Austruy, empresário francês ligado à indústria médica, mas movido por uma paixão antiga e crescente pelo universo vitivinícola.
Entre encostas austeras e luminosas, a propriedade testemunha uma história nobre marcada pelo primeiro registo de plantação de vinha em 1814. Do ponto de vista vitícola, a Quinta da Côrte apresenta uma matriz profundamente duriense, sendo ocupada por cerca de 26 hectares de vinha classificada com a Letra A, com exposição a norte, densidade média de plantação entre 3500 e 4000 pés por hectare e idade média de 40 anos. Parte significativa do património vitícola é constituída por vinhas com idades entre os 90 e os 110 anos, instaladas em socalcos tradicionais. Esta idade avançada das videiras contribui para baixos rendimentos naturais, maior profundidade radicular, maior equilíbrio vegetativo e uvas de elevada concentração, aspetos essenciais quer para vinhos tranquilos DOC Douro, quer para categorias especiais de Vinho do Porto.
Tradicionalmente ligada à produção de Vinho do Porto, a Quinta da Côrte iniciou, em 2013, uma nova etapa com a produção e engarrafamento de vinhos DOC Douro e Porto sob marca própria, após a integração no universo de Philippe Austruy. Não se tratou apenas de acrescentar um nome a um rótulo, mas de afirmar uma visão, preservar a alma da propriedade, valorizar o passado e projetá-la para o futuro, com rigor, elegância e autenticidade.
Para dar corpo a esse sonho, Philippe Austruy convidou o arquiteto e designer Pierre Yovanovitch a assumir a conceção e decoração dos interiores da casa. Desse encontro nasceu também uma amizade, fundada na sensibilidade estética e na atenção ao detalhe. A prioridade foi clara: preservar a autenticidade da Quinta da Côrte. Numa primeira fase, Pierre Yovanovitch introduziu adaptações técnicas, reabilitou e modernizou a antiga adega de Vinho do Porto, mantendo a estrutura original e o caráter que Philippe Austruy fez questão de salvaguardar. O resultado é um diálogo raro entre tradição e contemporaneidade, onde cada pedra, cada pipa e cada linha arquitetónica parecem recordar que, no Douro, inovar também é saber escutar o passado.
Luxo discreto
Na Quinta da Côrte, a casa renasceu de uma recuperação que não se limitou a devolver vida aos edifícios, reinventou-lhes a presença. Pierre Yovanovitch, trouxe ao lugar uma leitura contemporânea. O resultado é um espaço onde o Douro antigo dialoga com uma sensibilidade cosmopolita. A arquitetura preserva a memória, mas a decoração introduz uma vibração inesperada, peças de artesãos locais, obras de arte distribuídas com naturalidade pelos vários ambientes, fotografias, litografias e candeeiros de autor que permanecem acesos como pequenas vigílias de luz. Dispõe de oito quartos, quatro deles reservados a hóspedes, todos trabalhados sob a ideia de um luxo discreto, feito de detalhe e contenção. A roupa de cama em linho bordado, as almofadas e atoalhados com monogramas, as casas de banho revestidas a faiança artesanal portuguesa e a presença constante da arte compõem uma atmosfera onde nada parece excessivo.
Na casa principal, a traça original foi respeitada com uma linguagem atual. A biblioteca, a sala de estar e as lareiras constroem uma ideia de abrigo, de casa vivida, onde o conforto se sente antes de se explicar. Mas é na cozinha que pulsa o verdadeiro coração da Quinta da Côrte. A monumental chaminé revestida a azulejo concentra a atenção. À sua volta, o lume crepita a todas as horas, oferecendo calor, uma espécie de hospitalidade ancestral. Ao centro, a mesa ampla, revestida por uma criação original que reproduz a paisagem do Vale do Douro e a própria Quinta da Côrte, transforma cada refeição num prolongamento do território. Ao almoço e ao jantar, a mesa é palco da cozinha tradicional despretensiosa e profundamente ligada à região. Chegam pratos feitos com produtos locais, o azeite da Quinta da Côrte, a marmelada da casa e os legumes da horta.
Os espaços exteriores prolongam essa sensação de abrigo e serenidade. O alpendre abre-se a almoços demorados e jantares tranquilos nos dias mais quentes, enquanto a piscina, que parece estar suspensa sobre uma vista panorâmica para o vale do Douro, convida ao repouso. Sob a sombra das azinheiras, o tempo abranda e a paisagem impõe o seu próprio ritmo.
Para quem procura uma ligação mais ativa ao território, há trilhos entre vinhas, com diferentes níveis de dificuldade, capazes de desafiar os mais aventureiros e aproximar cada visitante da geografia viva que dá origem aos vinhos. A visita às duas adegas completa a imersão no universo duriense. Entre tradição e modernidade, o visitante descobre os bastidores da produção dos Vinhos do Porto e dos vinhos DOC Douro, compreendendo melhor o rigor, a sensibilidade e o conhecimento que sustentam cada colheita. Esse trabalho nasce da dedicação do responsável pela viticultura, Flávio Rodrigues, e da mestria da enóloga Alexandra Guedes, que desenha vinhos pensados para serem provados e serem sentidos.

Receber com alma
O enoturismo não se resume a uma visita, a uma prova ou a um percurso entre vinhas e memórias. Ganha rosto, presença e sensibilidade através de Cátia Moura, diretora de enoturismo, uma profissional de exceção que transforma cada encontro numa experiência de autenticidade e zelo.
Cátia Moura possui uma dessas qualidades raras que distinguem quem trabalha não apenas por competência, mas por verdadeira paixão. A sua dedicação sente-se na forma como acolhe, na atenção que dedica a cada visitante e na elegância discreta com que conduz cada momento. Há nela uma entrega serena, uma capacidade natural de fazer com que quem chega se sinta esperado, respeitado e envolvido pela identidade profunda da Quinta da Côrte.
Profissional rigorosa, simpática e profundamente comprometida com aquilo que faz, Cátia Moura representa o enoturismo no seu sentido mais nobre: a arte de contar um território através do vinho, da paisagem, da história e das pessoas. O seu conhecimento alia-se a uma sensibilidade humana rara, criando uma ponte harmoniosa entre a excelência da casa e a emoção de quem a visita. A Cátia Moura é, por conseguinte, guardiã de experiências, intérprete de um lugar e embaixadora de uma forma de receber onde o vinho se encontra com a alma.
Neste quadro de sentimento e de valor, a Quinta da Côrte é, por isso, mais do que uma propriedade duriense. É uma casa aberta sobre o vale, um lugar onde a viagem desacelera e ganha profundidade. Um território onde o enoturismo encontra o refúgio onde a natureza, a vinha e a hospitalidade se unem para recordar ao visitante que há geografias que não cabem nos mapas, porque continuam a crescer dentro de nós muito depois da partida.
A Quinta da Côrte não foi apenas um destino, foi uma pausa com sentido. Aqui fui feliz!
CADERNO DE VISITA
Comodidades e serviços
Línguas faladas: português, espanhol, inglês, francês
Loja de vinhos
Sala de prova: capacidade para 16 pessoas ou sala para entre 4 a 8 pessoas
Diferentes atividades e refeições: almoços ou jantares vínicos com marcação prévia e piquenique na vinha
Parque para automóveis ligeiros: capacidade para 12 carros
Parque para autocarros: junto à quinta, com capacidade para 2 autocarros
Provas comentadas (ver programas)
Wifi gratuito disponível
Visita às vinhas e à adega
Outras atividades/facilidades: Programas combinados com passeios de 4×4 ou trekkings guiados (serviços prestados por parceiros)
Eventos
Eventos corporativos: atividades com e para empresas.
Atividades team-building: atividades de enoturismo são combinadas com turismo da natureza
Programas e experiências
Visitas e Provas de Vinho
Découverte
Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019 e Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018
Preço: €34
Créative
Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte DOC Douro Grande Reserva tinto 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 10 Anos
Preço: €46
Expert
Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 20 Anos
Preço: €62
Premium
Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Vinho do Porto Vintage 2017 e Quinta da Côrte Vinho do Porto Colheita 2015
Mínimo: 4 pax
Preço: €68
Vintage
Quinta da Côrte Porto Vintage 2015, Quinta da Côrte Porto Vintage 2017, Quinta da Côrte Porto Vintage 2020 e Quinta da Côrte Porto Vintage 2021
Mínimo: 4 pax
Preço: €92
Notas e horários
Horários de visita disponíveis
11h00, 15h00 e 17h00 (verão)
11h00, 14h00 e 16h00 (inverno)
Experiências
Passeios pelas vinhas centenárias
Passeios de barco
Vindimas, pisa a pé em lagares de granito e lagaradas tradicionais
Piquenique nas vinhas ou a bordo de um veleiro
Experiência disponível entre maio e outubro, das 12h30 às 14h30, para duas pessoas. O piquenique pode ser realizado junto às vinhas ou, em opção exclusiva, a bordo de um veleiro, com transferes incluídos. O serviço inclui um cesto tradicional, com produtos regionais: vinho DOC Douro branco ou tinto, fumeiros, salada com requeijão e vinagrete, covilhetes, fruta, água, sumo natural ou refrigerante e sandes de pão de caco com rosbife e rúcula. Reserva obrigatória com 24 a 48 horas de antecedência. Alergias ou pedidos especiais devem ser comunicados no ato da reserva.
Preço: €50
Nota: as experiências estão sujeitas à época do ano, nomeadamente à vindima e ao ciclo da vinha.
Refeições
A Quinta da Côrte disponibiliza refeições leves, com base numa lista constituída por sugestões de snacks, em vários espaços da propriedade, com produtos regionais, ingredientes da horta e pomares da quinta, e a cultura vínica à mesa. Os jantares incluem um menu diário composto entrada, prato principal, com opção de peixe ou carne, e sobremesa. Impera a reserva prévia até às 17h30 do próprio dia.
Horário: das 19h30 às 20h30
Preço: €47
Nota: caso o hóspede opte por vinho a copo, é aplicada uma taxa adicional de €28 ou €34 por pessoa, incluindo 3 copos de vinho.
Privatização da casa
Pode ser privatizada para celebrações, eventos íntimos ou reuniões privadas, com uma equipa dedicada à disposição. Tudo é feito mediante consulta prévia
Reservas:
enoturismo.reservas@quintadacorte.com
Contactos:
Quinta da Côrte
5120-491 Valença do Douro
www.quintadacorte.com
Tel.: +351 964 536 200
Tecnologia para travar avanço da Flavescência Dourada

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o INESC TEC e o INIAV apresentaram os resultados do projecto VineShield-DT, na Casa dos Vinhos Verdes, no Porto. O objectivo consiste em mudar a forma como são vigiadas e protegidas as vinhas da Flavescência Dourada, uma das maiores e mais persistentes ameaças da viticultura […]
A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o INESC TEC e o INIAV apresentaram os resultados do projecto VineShield-DT, na Casa dos Vinhos Verdes, no Porto. O objectivo consiste em mudar a forma como são vigiadas e protegidas as vinhas da Flavescência Dourada, uma das maiores e mais persistentes ameaças da viticultura no país.
Este projecto contempla ainda um modelo preditivo com a capacidade de antecipar a disseminação da doença, que se está a espalhar pelo território, e o rumo do seu insecto vector, o Scaphoideus titanus, por forma a implementar a rede de armadilhas inteligentes que, aos poucos, vai substituir a inspecção manual por detecção em tempo real. Para o efeito, foram instaladas, durante a fase piloto, 15 armadilhas no terreno, com a finalidade de testar e afinar o sistema antes de qualquer alargamento futuro da rede.
“O desenvolvimento deste projecto com as entidades parceiras e a implementação de uma plataforma digital e do digital twin da vinha, permite a criação de uma rede de cerca de mil armadilhas inteligentes que se está a implementar em benefício da Região dos Vinhos Verdes, da vinha e do vinho em Portugal e de maior sustentabilidade do negócio do vinho para os produtores”, destaca Dora Simões, Presidente da CVRVV.
A apresentação do projecto, coordenada por Alexander Cornejo, Director de Sustentabilidade, I&D Inovação e Academia dos Vinhos Verdes da CVRVV, contou com a presença do investigador Lino Oliveira, da equipa do INESC TEC – liderada pelo investigador Filipe Neves dos Santos -, que explicou a plataforma digital que transforma os dados recolhidos no terreno em mapas de risco e alertas.
O VineShield-DT faz parte da iniciativa DigitalTwins4SmartTerritories (DT4ST), promovida pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
PROVAM: Três décadas de história de Monção e Melgaço

Corria o ano de 1992 quando dez viticultores das freguesias de Barbeita e Messegães, em Monção, (Fernando Ferreira, Fernando Costa, Manuel Gil Batista, José Silva, Américo Barbosa, José Manuel Costa, Cândido Costa, Sofia Rodrigues, Cândido Rodrigues e João Sousa), tomaram uma decisão que mudaria para sempre o destino da Alvarinho nesta sub-região. Não era uma […]
Corria o ano de 1992 quando dez viticultores das freguesias de Barbeita e Messegães, em Monção, (Fernando Ferreira, Fernando Costa, Manuel Gil Batista, José Silva, Américo Barbosa, José Manuel Costa, Cândido Costa, Sofia Rodrigues, Cândido Rodrigues e João Sousa), tomaram uma decisão que mudaria para sempre o destino da Alvarinho nesta sub-região. Não era uma decisão fácil. O minifúndio sempre foi a marca da paisagem minhota, parcelas de meio hectare, vinhas de família, uma tradição de autossuficiência que tanto preservava a identidade, como limitava a ambição. Mas aqueles dez homens e mulheres viram mais longe. Quiseram juntar o que tinham de melhor: terra, conhecimento e vontade coletiva. Assim nasceu a PROVAM – Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção.
A escolha do local não foi acidental. Barbeita ocupa uma posição privilegiada num microclima único, protegido por um anfiteatro de montanhas que mitiga a influência atlântica e cria as condições necessárias para que a uva Alvarinho atinja uma maturação lenta, aromática e com uma acidez que a distingue de qualquer outra casta portuguesa. Os verões são mais quentes e secos do que no restante território dos Vinhos Verdes, os solos são graníticos, pobres e bem drenados e as raízes das videiras descem fundo à procura de água e minerais. É desta integração que nasce a complexidade inconfundível dos vinhos desta casa.
A fundação oficial de 1992 foi apenas o primeiro passo. Em 1993, sob a orientação técnica dos enólogos Anselmo Mendes e Luís Euclides, foi o ano da primeira vindima da PROVAM, lançando as bases do Portal do Fidalgo, um nome que rapidamente se tornaria sinónimo do que de melhor se fazia na região. A designação não era uma afetação, mas uma declaração de intenções: tratar esta casta como se de um fidalgo se tratasse.
Desde o início, a equipa estabeleceu uma prática que seria determinante para o prestígio futuro da casa: guardar stock de cada colheita do Portal do Fidalgo. Este arquivo líquido, como alguns o chamam, permitiu estudar a evolução da Alvarinho ao longo das décadas seguintes, provando de forma inequívoca que esta casta, ao contrário do que o senso comum afirmava, tem um potencial de envelhecimento extraordinário, colocando-a ao lado dos grandes brancos do mundo.
Uma rede de 200 guardiões
Trinta e três anos depois, a PROVAM não é apenas a história dos seus fundadores. É o sustento e a razão de ser de aproximadamente 200 viticultores da sub-região de Monção e Melgaço, que, juntos, cultivam cerca de 160 hectares de vinha. Os dez sócios originais representam, hoje, cerca de um quarto da produção total, o restante provém de uma rede de micro-produtores e, muitos deles, fornecem a adega há mais de 20 anos.
Esta estrutura é, ao mesmo tempo, a maior força e o maior desafio da empresa. Por um lado, garante uma diversidade impossível de replicar numa exploração de propriedade única: parcelas em diferentes exposições, diferentes altitudes, diferentes idades de vinha. Por outro lado, exige uma logística e uma disciplina enológica rigorosas, para garantir que toda essa diversidade se converta em consistência de qualidade nas marcas comercializadas. Produzir cerca de meio milhão de garrafas por ano a partir de centenas de parcelas diferentes, mantendo o caráter e a identidade de cada linha, é um exercício que poucos conseguem dominar.
E domina-o a PROVAM, porque investiu, ao longo dos anos, tanto em infraestrutura, como em relações humanas.
A adega em Barbeita foi crescendo à medida que a ambição crescia. De instalações modestas passou a uma unidade moderna com capacidade para 830 mil litros, linha de engarrafamento capaz de processar 12 000 garrafas por dia, adegas climatizadas para espumantes e uma cave de barricas dedicada ao envelhecimento dos vinhos de grande qualidade. Só entre 2023 e 2025, sob a direção de Élio Lara, o mais recente enólogo da casa, foram investidos cerca de 300 mil euros em melhorias técnicas e de capacidade produtiva.
A relação com os viticultores vai além do contrato de fornecimento. A PROVAM paga habitualmente um preço superior à média regional pela uva Alvarinho, num mercado que movimenta 25 milhões de euros anuais e investe no acompanhamento técnico das vinhas. Esta política não é apenas ética, mas estratégica. Vinhas bem tratadas, com viticultores motivados e economicamente sustentados, produzem melhores uvas. E o envelhecimento progressivo de muitas dessas vinhas, algumas já com mais de 30 anos, está a transformar-se numa vantagem competitiva crescente.
A madeira e as rolhas
Há casas que constroem a sua reputação na continuidade, a PROVAM construiu a sua também na ousadia calculada. Em 1995, quando a adega tinha pouco mais de dois anos de vida, os seus enólogos iniciaram os primeiros ensaios de estágio da Alvarinho em barricas de carvalho francês. Era uma ideia heterodoxa para a época. A Alvarinho de Monção e Melgaço dava origem a vinhos de expressão fresca, aromática e de consumo jovem, nos quais a madeira, argumentavam os mais conservadores, mataria precisamente o que o tornava especial.
A PROVAM não aceitou esse argumento. Em 1996, lançou o Vinha Antiga, tornando-se uma das primeiras casas da sub-região a explorar a fermentação e o estágio em barrica para a Alvarinho. O objetivo não era sobrepor a madeira à casta, mas antes dar-lhe uma estrutura e uma untuosidade adicionais que permitissem ao vinho envelhecer com graça durante anos ou décadas. Os resultados deram-lhes razão. O Vinha Antiga tornou-se uma referência de culto entre os apreciadores mais sérios da Alvarinho e abriu portas a uma conversa mais ampla sobre o potencial de guarda desta casta. Uma conversa que hoje, 30 anos depois, é aceite como um dado adquirido.
O mesmo espírito pioneiro guiou a decisão, em 2000, de investir na espumantização da Alvarinho. Quando a PROVAM lançou o Côto de Mamoelas, o primeiro espumante de Alvarinho pelo método clássico da casa, o mercado ainda olhava com ceticismo para a ideia. Bolhas num Alvarinho? A acidez natural da casta, que tantos vinhos brancos estáticos tornava frescos e vibrantes, era precisamente o ativo mais valioso para a segunda fermentação em garrafa. A PROVAM reconheceu-o antes da maioria.
Hoje, o espumante não é apenas uma linha de produto, mas sim uma convicção estratégica. A cave de espumantes em Barbeita, construída em 2002 e progressivamente ampliada, tem capacidade para acolher volumes significativos. Na adega, foi criada uma sala intimista dedicada a provas exclusivas. Em 2026, após décadas de paciência e investimento, a PROVAM pode afirmar com plena confiança que foi uma das fundadoras de uma categoria que, hoje, é símbolo de distinção: o espumante de Alvarinho de Monção e Melgaço.
De Anselmo Mendes e Élio Lara
Uma casa com 33 anos de história também é uma história de pessoas. A PROVAM foi moldada por uma sucessão de enólogos que, cada um à sua maneira, deixaram marca na identidade dos seus vinhos. Anselmo Mendes, que acompanhou os primeiros anos da empresa juntamente com Luís Euclides, estabeleceu os alicerces técnicos e a ambição qualitativa que definiria os anos subsequentes. A passagem de José Domingues, entre 2003 e 2013, correspondeu a um período de consolidação e refinamento. Abel Codesso marcou uma fase de experimentação e aprofundamento da linguagem da madeira, até 2024.
A chegada de Élio Lara ao leme enológico, em 2025, coincide com o momento de maior investimento e renovação da história da casa. Sob a sua direção técnica, a PROVAM expandiu a capacidade produtiva de 600 para 830 mil litros, modernizou a linha de engarrafamento e introduziu novas abordagens na receção da uva e na vinificação em inox, que visam preservar, ao máximo, a frescura e os aromas primários que são a assinatura da região. É uma filosofia de intervenção mínima: deixar que a uva e o território falem sem interferências desnecessárias.
O portefólio que Élio Lara herda e continua a desenvolver é, simultaneamente, uma tradição e um laboratório. O Contradição, um dos vinhos mais intrigantes da casa, é uma reflexão sobre o que acontece quando se desafia a leitura convencional da Alvarinho. A linha Exemplar representa o padrão de qualidade que a adega pretende para os seus vinhos de topo. Em 2025, o vinho Exemplar foi distinguido com o Prémio de Design na categoria de Vinho de Curtimenta na segunda edição dos “Mutante Awards”, uma validação que vai além da qualidade intrínseca do vinho e reconhece a coerência entre produto, identidade e comunicação.
A adega como centro de experiências
Há uma transformação discreta, mas profunda a acontecer em Barbeita, e ela vai muito além da adega. A PROVAM tem vindo a afirmar-se como um dos operadores de enoturismo mais inovadores do Minho, transformando a sua unidade de produção num centro de experiências culturais e sensoriais que combina vinho, gastronomia, artesanato e tradição local de formas que poucos esperariam encontrar numa adega de dimensão média.
A oferta estruturada de visitas e provas cobre um espectro amplo de interesses e conhecimentos: desde a Prova Terroir, que introduz o visitante à génese da marca, através do Portal do Fidalgo e do Varanda do Conde, à Prova Fidalga, uma experiência completa com seis vinhos e petiscos regionais pensada para os conhecedores mais exigentes. A cave de espumantes ganhou, nos últimos anos, uma sala dedicada a provas mais íntimas e exclusivas, um espaço onde a segunda fermentação em garrafa é não apenas explicada, mas vivida, num ambiente que faz jus à importância do espumante na identidade da casa.
Mas é no chamado turismo criativo que a PROVAM mais surpreende. A ideia de cruzar vinho com outras expressões culturais e artesanais da região não é apenas uma estratégia de diferenciação: é uma declaração de valores. O workshop “Bordado e Vinho”, onde os participantes aprendem a arte do bordado tradicional minhoto enquanto degustam espumantes da casa, combina duas expressões identitárias do território de uma forma que nenhum catálogo turístico poderia inventar. O workshop “Roscas”, dedicado à doçaria ancestral de Monção harmonizada com os vinhos da casa, é outra proposta onde a gastronomia e o vinho se encontram não como categorias separadas, mas como expressões do mesmo saber local.
Para os próximos meses, a agenda continua a expandir-se com propostas que reforçam esta abordagem de colocar o vinho no centro de uma experiência mais ampla, onde gastronomia, cultura e território se articulam de forma natural e autêntica.
200 viticultores da sub-região de Monção e Melgaço cultivam cerca de 160 hectares de vinha
O mercado e os ventos da geopolítica
A PROVAM opera numa sub-região que vive um dos momentos mais interessantes da história comercial. A Alvarinho de Monção e Melgaço é, atualmente, uma das uvas mais valorizadas de Portugal e o conjunto dos produtores da sub-região movimenta uma faturação anual próxima dos 25 milhões de euros. A exportação representa uma fatia crescente desse valor em mercados, como os Estados Unidos, França, Reino Unido, Polónia e Alemanha, que absorvem parcelas cada vez maiores da produção regional.
Mas o contexto geopolítico dos últimos anos trouxe turbulência. A ameaça de tarifas aduaneiras elevadas por parte dos Estados Unidos, num cenário que chegou a contemplar a possibilidade de sobretaxas que tornariam inviável a exportação para o principal mercado externo dos vinhos verdes, e as complexidades burocráticas resultantes do Brexit obrigaram produtores, como a PROVAM, a repensar a geografia das suas exportações. A resposta tem sido a diversificação. Brasil, Coreia do Sul, Hungria, Austrália são destinos cada vez mais presentes nas estratégias comerciais da casa.
A valorização das certificações de Denominação de Origem e da distinção específica de Monção e Melgaço, que desde 2017 conta com um selo de garantia exclusivo que certifica a origem integral das uvas nesta sub-região, é vista como o principal argumento de resiliência. Num mercado global saturado de vinhos brancos, a especificidade geográfica e a impossibilidade de replicação do “terroir” são os ativos mais sólidos de que uma casa como a PROVAM dispõe. Um consumidor no Porto, em Paris ou em Seul que compra um Portal do Fidalgo não está apenas a comprar um vinho branco, está a comprar um lugar, uma tradição, uma promessa de autenticidade que não tem equivalente.
A sustentabilidade como modo de vida
Para uma empresa que depende de 200 pequenos produtores e de um território com características únicas e frágeis, a sustentabilidade não é uma tendência de marketing: é uma condição de sobrevivência. A PROVAM compreendeu-o desde cedo e a forma como estrutura a sua relação com os viticultores da rede é, em si mesma, um modelo de sustentabilidade social que vai muito além do que qualquer certificação pode certificar.
Garantir um preço justo pela uva, acima da média regional, é a forma mais direta de combater o abandono rural e a litoralização, que ameaça tantas regiões do interior português. As vinhas velhas que a PROVAM tanto valoriza existem, porque há famílias que as cultivaram por gerações e continuarão a existir apenas enquanto essa atividade for economicamente viável para essas famílias. Quando a adega investe no acompanhamento técnico das vinhas dos seus fornecedores, não está apenas a melhorar a qualidade da matéria-prima, mas a transferir conhecimento que perpetua um modo de vida e preserva um sistema agrícola com décadas de adaptação ao território.
Do ponto de vista ambiental, as vinhas velhas apresentam vantagens significativas: o seu sistema radicular profundo torna-as mais resilientes à seca, exige menos intervenções de irrigação e reduz a necessidade de tratamentos fitossanitários. Numa região onde as alterações climáticas estão já a fazer-se sentir em colheitas mais precoces e em verões mais quentes, preservar este capital vivo é uma aposta de longo prazo. A PROVAM afirma um “compromisso contínuo com a sustentabilidade, cuidando do território, das pessoas e do futuro” e os factos da sua operação sustentam essa afirmação.
Quando o copo confirma a promessa
Ao longo de três décadas, os vinhos da PROVAM acumularam um historial crítico que valida, prova a prova, a consistência do projeto. O Portal do Fidalgo é frequentador assíduo dos pódios de competições internacionais. Os diferentes vinhos produzidos pela empresa têm sido bem pontuados nas revistas, nacionais e estrangeiras, especializadas. O que se traduz numa validação particularmente significativa para um espumante de Alvarinho que está a construir a sua própria categoria.
Estes reconhecimentos funcionam como amplificadores da reputação em mercados externos onde a PROVAM ainda está a construir presença. Para um comprador em Nova Iorque, Berlim ou Seul que ainda não conhece a sub-região de Monção e Melgaço, uma medalha num concurso de referência ou uma pontuação elevada numa publicação especializada serve como prova de confiança e garantia de qualidade. É a tradução do terroir para uma linguagem universal.
Mas o prémio que, em 2025, mais revelou a evolução da casa foi talvez o menos esperado: o Prémio de Design na categoria de Vinho de Curtimenta para o Exemplar 2020, distinguido na segunda edição dos Mutante Awards. Num setor onde o design é frequentemente tratado como um exercício decorativo, a PROVAM escolheu encará-lo como o que realmente é: a extensão visual de uma identidade, o primeiro capítulo da história que um vinho conta antes de ser aberto. Este reconhecimento não premiou apenas um rótulo bonito, mas uma coerência entre produto, território e comunicação que a casa tem vindo a construir pacientemente ao longo de 33 anos.
Um futuro por escrever
Em 2026, quando se olha para o percurso da PROVAM desde aquelas primeiras reuniões entre dez amigos de Barbeita e Messegães, o que mais impressiona não é a dimensão do que foi construído – embora 830 mil litros de capacidade, 200 viticultores associados e presença em dezenas de mercados internacionais não seja pouco. O que impressiona é a coerência do percurso.
Esta é uma casa que nunca se esqueceu de onde veio. Que construiu o futuro sem demolir o passado. Que ousou na madeira e nas bolhas quando os outros hesitavam, mas nunca abandonou a mineralidade granítica e a acidez cítrica que são a alma da Alvarinho de Monção e Melgaço. Que renovou a imagem sem trair a essência. Que transformou a adega num centro cultural sem perder o foco na qualidade do que está na garrafa.
Os desafios que se avizinham são reais. O envelhecimento da rede de viticultores e a dificuldade em atrair novas gerações para uma atividade exigente e fisicamente árdua. A volatilidade geopolítica que torna os mercados de exportação cada vez mais imprevisíveis. A pressão crescente das alterações climáticas sobre um território que deve a sua singularidade precisamente ao seu microclima específico. A necessidade de crescer em escala sem perder a identidade que justifica o posicionamento alicerçado na qualidade.
Mas a PROVAM chega a este momento com ativos que poucos concorrentes têm em igual medida: um arquivo de colheitas que documenta 30 anos de evolução do Alvarinho no seu terroir de origem, uma rede de duzentos viticultores com profundo conhecimento das suas parcelas, uma cave de espumantes construída com paciência e convicção quando ninguém apostava nessa categoria, uma nova geração de vinhos, de comunicação e de experiências de enoturismo, que mostram que a capacidade de reinvenção está intacta. O que emerge destas páginas é o retrato de uma empresa “demasiado grande para ser pequena e demasiado pequena para ser grande”. No final, o vinho continua a ser uma forma de contar histórias. E na PROVAM, essas histórias continuam a escrever-se com tempo, com identidade e, sobretudo, com alma.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
Weingut Dr. Hermann na Sogrape Distribuição

A Sogrape Distribuição reforça a oferta de referências internacionais de topo com a distribuição, em Portugal, dos vinhos da Weingut Dr. Hermann, a histórica casa alemã e uma das mais prestigiadas produtoras de Riesling no Mosel, em Erden, no noroeste da Alemanha. Com esta nova ‘aquisição’, integrada no segmento dos vinhos premium, a empresa portuguesa […]
A Sogrape Distribuição reforça a oferta de referências internacionais de topo com a distribuição, em Portugal, dos vinhos da Weingut Dr. Hermann, a histórica casa alemã e uma das mais prestigiadas produtoras de Riesling no Mosel, em Erden, no noroeste da Alemanha. Com esta nova ‘aquisição’, integrada no segmento dos vinhos premium, a empresa portuguesa do sector do vinho passa a disponibilizar uma selecção de Rieslings que traduzem diferentes expressões do Mosel, desde um Riesling seco e mineral a um Grosses Gewächs de uma das vinhas mais emblemáticas da região, complementados por um Kabinett e um Auslese provenientes das históricas vinhas do Ürziger Würzgarten.
“Estes vinhos trazem uma combinação rara de elegância, frescura e capacidade gastronómica, reforçando o nosso compromisso de disponibilizar aos clientes e consumidores portugueses algumas das mais relevantes referências internacionais do universo do vinho”, declara, em comunicado, Gonçalo Sousa Machado, CEO da Sogrape Distribuição.
Christian Hermann, proprietário e enólogo da Weingut Dr. Hermann, afirma o seguinte: “partilhamos uma paixão pela qualidade, pela autenticidade e pela expressão do terroir, o que torna esta colaboração uma escolha natural.”
Uma década de Casa do Barroso celebrada com espumante

A Casa do Barroso, projecto criado em 2016, assinala o 10º aniversário de atividade e colaboração com o enólogo Márcio Lopes, com o lançamento do primeiro espumante, o Casa do Barroso Espumante Reserva 2024, feito a partir da casta Alvarinho. Com esta estreia, este projecto situado no lugar de Cunhas, na União de Freguesias de […]
A Casa do Barroso, projecto criado em 2016, assinala o 10º aniversário de atividade e colaboração com o enólogo Márcio Lopes, com o lançamento do primeiro espumante, o Casa do Barroso Espumante Reserva 2024, feito a partir da casta Alvarinho. Com esta estreia, este projecto situado no lugar de Cunhas, na União de Freguesias de Gondiães e Vilar de Cunhas Cabeceiras de Basto, quer afirmar a identidade da sub-região de Basto, localizada no extremo oriental da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, bem como enaltecer a importância da referida variedade. “O que mais me entusiasmou neste projeto foi a oportunidade de explorar uma interpretação diferente do Alvarinho. Em Basto encontramos condições muito particulares, que se traduzem em vinhos de grande frescura, precisão e capacidade de evolução”, justifica Márcio Lopes em comunicado.
O projecto Casa do Barroso nasce a partir da vontade da família Barroso em reabilitar integralmente esta propriedade datada de 1730, reestruturar vinhas – hoje, com 6,2 hectares distribuídos por diferentes zonas do concelho de Cabeceiras de Basto. À frente está Jorge Barroso. Enfermeiro de formação, concilia desenvolvimento desta casa com a profissão de Enfermeiro no Hospital de Santo António, no Porto, e revela-se o elo entre o pai, Agostinho Barroso, o patriarca da família que, aos 89 anos, continua a acompanhar a evolução desta ligação à terra, e os filhos, Afonso e João Barroso, os representantes da continuidade da história desta casa para o futuro.
PROVA BICAL: Entre Dão e Bairrada

Como acontece com tantas outras castas portuguesas, esta variedade viveu durante muito tempo misturada nas vinhas, onde ajudava ao field blend das vindimas feitas a eito. Por essa razão, é muito difícil procurar vinhos varietais nas duas regiões em que está mais presente. No Dão, por exemplo, encontrar vinhos brancos varietais é uma dificuldade generalizada, […]
Como acontece com tantas outras castas portuguesas, esta variedade viveu durante muito tempo misturada nas vinhas, onde ajudava ao field blend das vindimas feitas a eito. Por essa razão, é muito difícil procurar vinhos varietais nas duas regiões em que está mais presente. No Dão, por exemplo, encontrar vinhos brancos varietais é uma dificuldade generalizada, a que também não escapa a Encruzado, a tal variedade que só despertou da letargia nos anos 90 do século XX.
A Bical será filha da Malvasia Fina e de pai desconhecido. Esta é a linhagem que se conhece e é admitida como mais válida actualmente. Vem o tema a propósito porque, numa pesquisa no Google, somos informados que o “pai desconhecido” afinal seria a casta Esgana Cão (Sercial). Esta existe em Bucelas e na Madeira, segundo António Graça, investigador e cientista ligado à genética, nada nos conhecimentos actuais nos pode levar a pensar que Esgana Cão seja “pai” da Bical, variedade que encontrou na Bairrada um local excelente para se desenvolver, devido ao facto de ser uma casta precoce (e, por consequência, vindimada mais cedo do que outras) permite aos produtores colhê-la antes da chuva do equinócio, o verdadeiro trauma das gentes bairradinas.
O facto de ser precoce, só por si, não era, outrora, garantia segura. Do ponto de vista vitícola, era uma casta mal-amada na Bairrada, uma vez que era muito atreita ao desavinho e ao oídio, produzia mal e pouco (Ver As Castas do Vinho, João Afonso, 2023). Esta combinação de factores, que poderemos apelidar de “trágica”, só se alterou pela selecção clonal, controle das doenças da vinha e melhorias da viticultura. Foi assim que passou de mal-amada a uma variedade que Luís Lopes, enólogo do Dão (Domínio do Açor, Quinta das Marias) e na Bairrada, não hesitou em considerar “uma das melhores castas portuguesas”.
O que é que a Bical tem?
Dou aqui a palavra aos enólogos com quem debati este assunto. Luís Lopes reconhece-lhe a facilidade de cultivo, porém exigente no tipo de solo onde está implantada, porque “em solos secos perde muita acidez”. Terá sido este factor que levou os enólogos da Quinta dos Carvalhais, localizada no Dão, a optarem pelo arranque das vinhas de Bical. Manuel Vieira, em tempos enólogo nesta propriedade vitivinícola, explica: “só fizemos uma colheita com Bical, mas, em virtude da falta de acidez, tivemos de lhe juntar Loureiro, casta dos [Vinhos]Verdes que, no Dão, produzia muito. Saiu assim unicamente uma edição de Bical/Loureiro na colheita de 2000. Depois decidimo-nos pelo arranque”.
Do ponto de vista produtivo e na adega é casta que requer muita atenção do enólogo, pois “tão depressa fica o vinho reduzido, como pode oxidar rapidamente”, lembra Luís Lopes, que enaltece diferenças na variedade conforme a região: mais salinidade no Dão e mais notas de talco, que derivam do calcário, na Bairrada. Já Francisco Antunes, enólogo do Grupo Bacalhôa, que estudou a casta Bical no seu trabalho de fim de curso de enologia, elogia a casta, embora reconheça o quão é trabalhosa na vinha: “requer muita atenção e tratamentos adequados, mas, nas vinhas velhas, apesar da baixa produção, origina vinhos espectaculares. Parece pouco exuberante nos aromas, mas é casta que cresce imenso em garrafa e, por isso, pode considerar-se geradora de um vinho de guarda. As Caves Aliança tiveram uma colecção de vinhos debaixo do “chapéu” Galeria (a partir de 1989), que eram vinhos varietais e já, então, existia um branco de Bical”, recorda.
A fermentação, ainda segundo Francisco Antunes, pode decorrer em barrica. Contudo, a bâtonnage tem de ser muito moderada, para não resultar num branco muito pesado. Assim, no Bacalhôa 1931 faz-se a fermentação em quatro momentos: inox, barrica nova, barrica de um ano e barrica de dois anos; depois faz-se o lote nas percentagens determinadas pela prova. Normalmente, fica ainda um ano em garrafa antes da comercialização. É, portanto, uma casta que requer tempo e paciência. Ainda assim, como nos recordou, “tempo não se compra em enologia”. Luís Lopes, que trabalha a variedade nas duas regiões, recorda: “no Açor, temos solos com muito limo, que nos conservam bem a acidez do mosto e, na Bairrada, o calcário e a frescura do clima ajudam também à manutenção do ambiente de vivacidade no vinho”. Já Jorge Moreira, enólogo e um dos três fundadores do projecto M.O.B., acredita que é da combinação e proporção ajustada entre a Bical e a Encruzado que se conseguem os melhores resultados. Na empresa, o branco topo-de-gama é o Gauvé que, precisamente, é feito de 70% de Bical com 30% de Encruzado. Na zona onde estão as suas vinhas (Serra da Estrela), consegue-se excelente acidez. No entanto, “é preciso muito cuidado para não perder a estrutura de boca e a densidade que lhe são próprias”, adverte.
Da prova que fizemos, há algumas notas gerais que merecem destaque: olhando os 15 vinhos como um todo, verifica-se que há claramente uma preocupação com a diminuição da graduação, com nove amostras abaixo dos 13% de álcool e apenas uma com 13,5%. Apesar da maioria apresentar rolhas técnicas, houve, ainda assim, problema de rolha numa das referências.
O leque dos preços é variado, todavia isso também indica ao consumidor que muitos destes vinhos são abordáveis, sobretudo se adquiridos fora da restauração. Ficou igualmente claro que, tal como referimos no texto, o vinho ganha com o tempo em garrafa – nenhuma amostra de 2025 e duas de 2024, enquanto as restantes eram anteriores e mostraram que o tempo lhes fez bem. E mesmo ao Quinta dos Roques, já com 11 anos de idade, o tempo moldou-o, mas não o toldou.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Adega de Penalva
Branco - 2023 -

Terras Madre de Água
Branco - 2023 -

Desuso Borrado das Moscas
Branco - 2023 -

Alva Magna
Branco - 2024 -

Quinta dos Roques
Branco - 2015 -

M.O.B.
Branco - 2023 -

Código
Branco - 2024 -

Domínio do Açor Vinha Celta
Branco - 2022 -

Marquês de Marialva
Branco - 2023 -

Quinta dos Abibes
Branco - 2019
250 anos da Casa de Champagne Louis Roederer

A Casa de Champagne Louis Roederer, cujo grupo integra a duriense Ramos Pinto, assinalou o 250º aniversário com uma cerimónia no Centre des Congrès de Reims, em Reims, no nordeste de França. Por ocasião desta celebração, Frédéric Rouzaud, Presidente e Diretor-Geral da Louis Roederer, prestou homenagem, de acordo com o comunicado, à união desta casa […]
A Casa de Champagne Louis Roederer, cujo grupo integra a duriense Ramos Pinto, assinalou o 250º aniversário com uma cerimónia no Centre des Congrès de Reims, em Reims, no nordeste de França. Por ocasião desta celebração, Frédéric Rouzaud, Presidente e Diretor-Geral da Louis Roederer, prestou homenagem, de acordo com o comunicado, à união desta casa familiar: “na Louis Roederer, criar um grande vinho sempre significou amar a terra que lhe dá origem, os gestos que o moldam, as mulheres e os homens que lhe dedicam o seu talento e aqueles com quem o partilhamos. A forma mais fiel de honrar a nossa história é continuar a criar, juntos.”
Esta comemoração integrou a apresentação de dois projetos artísticos: a Casa de Família, igualmente conhecida como Hotel Particulier foi recriada através de uma instalação da artista Bianca Bondi; e uma obra colectiva da autoria do artista Lee Shulman ‘construída’ a partir de fotografias pessoais cedidas por colaboradores, viticultores, artesãos, parceiros e amigos da casa. Acresce o lançamento exclusivo do Cristal 2018 e a nova expressão da Louis Roederer, Cristal Late Release, da colheita de 2008.
No alinhamento de tão distinta exclusividade, consta, na agenda deste ano da Casa de Champagne Louis Roederer, o 150º aniversário do Champagne Cristal, a lendária cuvée criada, em 1876, a pedido do Czar Alexandre II.
Por ocasião dos festejos do 15º aniversário da Fundação Louis Roederer, foi apresentada, no passado dia 23 de Maio, na praça em frente à Catedral de Reims, uma performance de dança desenhada pelo coreógrafo Dimitri Chamblas para e com os habitantes da cidade.
“Os Melhores Vinhos do Dão” atribuem 42 medalhas

Mas antes dos medalhados, há que dar a conhecer o grande vencedor da 17.ª edição do concurso “Os Melhores Vinhos do Dão”, o Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023, da dega Cooperativa de Silgueiros. O anúncio foi feito no decorrer da cerimónia de entrega de prémios promovidos pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão […]
Mas antes dos medalhados, há que dar a conhecer o grande vencedor da 17.ª edição do concurso “Os Melhores Vinhos do Dão”, o Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023, da dega Cooperativa de Silgueiros. O anúncio foi feito no decorrer da cerimónia de entrega de prémios promovidos pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), que teve lugar no Museu do Vinho e das Artes, em Santar.
Destaque ainda para as cinco medalhas de Platina, reservadas aos vinhos de excelência absoluta em cada categoria. Entre os vinhos distinguidos com Grande Ouro, constam oito referências vínicas, enquanto as medalhas de Ouro foram distribuídas por 28. O galardão de Prata ficou limitado a um vinho. As 176 referências a concurso, que se traduzem na participação de 41 agentes económicos do Dão, foram avaliadas por um painel de especialistas constituído por jornalistas do sector, sommeliers, produtores e enólogos.
Manuel Pinheiro, presidente da CVR Dão, evidencia “a adesão recorde registada nesta edição”, ação que reflecte “o forte compromisso dos agentes económicos com a valorização coletiva da marca Dão e com a afirmação da região nos diferentes mercados”
Lista dos vencedores
Melhor Vinho a Concurso
Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023 (Adega Coop. de Silgueiros)
Platina
Cabriz Espumante Bruto branco 2020 (Global Wines)
Casa da Passarella Abanico Reserva branco 2024 (Casa da Passarella)
Raríssimo by Osvaldo Amado Encruzado branco (Casa dos Amados)
Villa Oliveira tinto 2017 (Casa da Passarella)
Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023 (Adega Coop. de Silgueiros)
Grande Ouro
Cabriz Edição Especial tinto 2018 (Global Wines)
Casa da Passarella Abanico Reserva tinto 2023 (Casa da Passarella)
Castelo de Azurara Grande Reserva tinto 2017 (Adega Coop. de Mangualde)
Caminhos Cruzados tinto 2020 (Caminhos Cruzados)
Tazem tinto 2022 (Adega Coop. de Vila Nova de Tazem)
Morgado de Silgueiros Reserva tinto 2023 (Adega Coop. de Silgueiros)
Sequoia 37 Grande Reserva Encruzado branco 2024 (Soc. Agr. Quinta de Santo António)
Castelo de Azurara Grande Reserva Alfrocheiro tinto 2020 (Adega Coop. de Mangualde)
Ouro
Quinta Dona Sancha Vinha da Avarenta branco 2024 (Quinta Dona Sancha)
Ribeiro Santo Vinha da Neve branco 2024 (Magnum Wines)
Caminhos Cruzados branco 2024 (Caminhos Cruzados)
Quinta do Cerrado Reserva branco 2024 (União Comercial da Beira)
Taverna da Aldeia branco 2025 (Casa Santos Lima)
Adega da Corga Reserva branco 2024 (Virgínia Marques Barbosa Formoso)
Adega de Penalva Reserva tinto 2020 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)
Janela XVI Reserva tinto 2020 (Soc. Agr. Quinta de Santo António)
Casa de Santar Reserva tinto 2021 (Global Wines)
Quinta dos Carvalhais Reserva tinto 2020 (Sogrape Vinhos)
Tesouro da Sé tinto 2021 (UDACA – União das Adegas Cooperativas do Dão)
Quinta de Lemos Dona Santana tinto 2017 (Quinta de Lemos)
Dom Daganel Grande Reserva tinto 2021 (Adega Coop. de Silgueiros)
Tesouro da Sé Reserva Encruzado branco 2023 (UDACA – União das Adegas Cooperativas do Dão)
Adega de Penalva Branco Cerceal branco 2023 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)
Terra by Osvaldo Amado Reserva Encruzado branco 2024 (Casa dos Amados)
Quinta do Covão Reserva Encruzado branco 2024 (Soc. Agr. da Quinta do Covão)
Adega de Penalva Cerceal branco 2022 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)
Adega de Penalva Encruzado branco 2024 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)
Fonte do Ouro Reserva Especial Encruzado branco 2024 (Soc. Agr. Boas Quintas)
Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado branco 2022 (Global Wines)
Quinta de Lemos Dona Santana Encruzado branco 2024 (Quinta de Lemos)
Casa da Passarella O Enólogo Encruzado branco 2024 (Casa da Passarella)
Quinta Dona Sancha Cerceal branco 2023 (Quinta Dona Sancha)
Adega da Corga Reserva Touriga Nacional tinto 2022 (Virgínia Marques Barbosa Formoso)
Tesouro da Sé Reserva Touriga Nacional tinto 2021 (UDACA – União das Adegas Cooperativas do Dão)
Castelo de Azurara Grande Reserva Jaen tinto 2023 (Adega Coop. de Mangualde)
Ribeiro Santo Branco Cerceal branco 2020 (Magnum Wines)
Prata
Casa da Passarella Fugitivo rosado 2025 (Casa da Passarella)

























