BAGA FRIENDS: Em nome da casta rainha da Bairrada

O Dia Internacional da Baga “recorda uma vez por ano a grandeza desta casta”. Assim começa esta peça, com palavras de Luís Pato, o produtor da Bairrada mais reconhecido dentro e fora de portas, graças ao trabalho que tem vindo a realizar no âmbito dos vinhos produzidos no referido território vitivinícola, mais concretamente em relação […]
O Dia Internacional da Baga “recorda uma vez por ano a grandeza desta casta”. Assim começa esta peça, com palavras de Luís Pato, o produtor da Bairrada mais reconhecido dentro e fora de portas, graças ao trabalho que tem vindo a realizar no âmbito dos vinhos produzidos no referido território vitivinícola, mais concretamente em relação à casta tinta rainha da região. Essa data, assinalou-se no primeiro sábado de maio, motivo pelo qual os oito produtores da edição de 2026 prepararam as respectivas adegas, para se manterem abertas das 10h00 às 18h00. São eles Giz by Luís Gomes, Filipa Pato, Luís Pato, Quinta da Vacariça, Quinta das Bágeiras, Quinta de Baixo – Niepoort, Vinhos Sidónio de Sousa e Vadio Wines. Na lista de ações, constam provas de vinhos, petiscos tradicionais e variados momentos, incluindo um arraial no Centro Social, Recreativo e Cultural da Poutena, em Vilarinho do Bairro, no concelho de Anadia.
Parcela, a alma de cada vinho
Por que razão a Baga está intrinsecamente ligada à Bairrada? Será que a região possui as condições ideais para esta casta? François Chasans, produtor francês proprietário da Quinta da Vacariça, em Tamengos, no concelho de Anadia, frisa o seguinte: “no contexto climático atual, a Bairrada apresenta uma das melhores oportunidades de se tornar uma das melhores regiões do mundo. A sua razão principal é a acidez dos vinhos.” Tal atributo resulta da amplitude térmica registada na região e da proximidade ao oceano Atlântico. “Por exemplo, devido a estas condições a Bairrada apresenta uma temperatura média mais baixa 8 ºC do que a região de Bordéus.” Acresce a humidade, que impõe uma atenção redobrada face à viticultura orgânica e biodinâmica. François Chasans refere ainda a complexidade geológica heterogénea, ponto assente na diferença de estilos de cada casa vinhateira.
Mas de que forma podemos aferir o potencial da Baga, sobretudo quando é feita a partir de uvas colhidas em vinhas velhas? A resposta foi dada por Paulo de Sousa, da Vinhos Sidónio de Sousa, que, no evento da apresentação do Dia Internacional da Baga, em Lisboa, esteve representado pelo filho, Afonso de Sousa: “a vinha velha de Baga revela-se pela elegância e harmonia que proporciona no copo de quem degusta. As suas raízes profundas e os seus troncos grossos e desalinhados são testemunho de outro tempo, levando a que, no copo, estejamos perante um verdadeiro museu. Antigo, mas nunca ultrapassado pois a acidez e frescura da casta imprimem longevidade e juventude.” A plasticidade desta variedade tinta autóctone da Bairrada também foi analisada, pois dá corpo a “rosés frescos e jovens, rosés de guarda e gastronómicos, rosés base para espumante rosé de variados estilos, base para espumante tinto, vinhos tintos para se beberem jovens ou néctares longevos”, acrescenta. Apesar da agressividade dos primeiros anos, estes vinhos têm o tempo como aliado, revelando “uma grandiosidade que muito poucos conseguem alcançar”.
Daniel Niepoort, rosto da sexta geração da Niepoort, reforça a versatilidade da Baga, “porque é uma grande casta do mundo” e revela a capacidade que tem em expressar o terroir, ou seja, “traduz o local onde são plantadas e cultivadas as vinhas”. A respeito desta matéria, François Chasans engloba solo, clima, “as pessoas e os empirismos das mesmas”, características que “revelam a alma da parcela através da visão de cada vinhateiro”, realça o produtor da Quinta da Vacariça. O resultado sente-se por meio “de vinhos com características tão díspares”, continua Daniel Niepoort. Até mesmo particularidades, como as que estão associadas aos vinhos Giz, de Luís Gomes, para quem os solos de natureza calcária das vinhas centenárias e o clima atlântico da Bairrada “são cruciais na obtenção do perfil característico dos vinhos Giz, repletos de frescura, tensão e mineralidade, plenos de individualidade e carácter”. Sem descurar a “elegância” e “o perfil de fruta vermelha fresca e de grande concentração e complexidade que a Baga das vinhas velhas proporciona”, enaltece.
Luís Patrão, da Vadio Wines, dá como exemplo o trabalho que tem vindo a desenvolver com a Baga: “no caso do Vadio Espumante Branco Perpetuum, a base vem de uma solera que integra, atualmente, cerca de 18 colheitas. A Baga entra nessas soleras, sobretudo para bases de espumante, tanto no Perpetuum, como no Finuum, onde normalmente cerca de 30% do lote é Baga.” Para o efeito, o produtor bairradino vindima as uvas “relativamente cedo”, com o intuito de obter uma matéria-prima com “boa acidez natural e pH mais baixo. Isso ajuda bastante a manter os vinhos estáveis ao longo do tempo e a controlar melhor um eventual aumento de acidez volátil, que é sempre um dos riscos quando se trabalha com soleras”.
Tempo é, portanto, um factor preponderante na feitura de um tinto feito a partir de Baga que, conforme François Chasans, “é um vinho que transmite emoção ao nível de uma grande pintura ou música, mas para exprimir o seu potencial total é preciso dois anos no mínimo em tonel e 12 anos em garrafa”.
Passado e presente na comunicação
“Historicamente, a Baga é uma casta difícil”, afirma Mário Sérgio Nuno, nome inteiramente ligado à Quinta das Bágeiras, localizada em Sangalhos, no concelho da Anadia. Segundo Luís Pato, na década de 90 do século XX, a Baga era vista como “uma casta que só criava grandes vinhos de cinco em cinco anos, esquecendo-se que criava grandes vinhos. Logo a culpa não era da casta, mas de quem a trabalhava”. Com a passagem do tempo, a casta tinta tem vindo a conquistar o consumidor, ação reforçada pelos Baga Friends, na opinião de Luís Pato, que, graças à fundação deste grupo de produtores da região, em 2012, se tornou respeitada. Para o produtor da Quinta das Bágeiras, a crescente importância da casta tem a ver com a escolha “do sítio certo, bem como o acompanhamento e o carinho certos tornam o trabalho de elevar a casta possível”. Graças a esta dedicação, o vinho feito a partir de Baga tem vindo a traduzir-se em um produto gastronómico e “com uma grande diversidade de perfis”, na opinião de Luís Pato, dando como exemplo os vinhos produzidos pelos Baga Friends: “vinhos elegantes, que sobrevivem ao tempo”, a mostrar “como são os grandes vinhos do mundo”, enfatiza o decano da produção vitivinícola da Bairrada. Mário Sérgio Nuno partilha da mesma opinião no que ao papel desempenhado pelos Baga Friends diz respeito.
Além-fronteiras, e com a mais-valia de os vinhos monovarietais serem mais facilmente comunicados, Filipa Pato acredita: “quando uma casta está profundamente ligada a um lugar, ela própria se torna a melhor intérprete desse território”. Tal acontece com a Baga da referida produtora bairradina, proprietária de 20 hectares de vinha em Óis do Bairro e em Silvã, no concelho de Anadia, divididos em 37 parcelas trabalhadas em modo biodinâmico e cujos solos são calcários e de origem jurássica. Para facilitar a informação fora de portas, a produtora dá como exemplo comparativo a italiana Nebbiolo, de Piemonte, ou a francesa Pinot Noir, em Borgonha. “Curiosamente, são também regiões onde os solos calcários desempenham um papel fundamental, permitindo às castas alcançar um equilíbrio notável entre estrutura, frescura e longevidade”, acrescenta. Apesar da identidade forte, “na adega, a Baga pede delicadeza”, daí que o casal Filipa Pato e William Wouters opte por “extrações suaves, intervenção mínima e recipientes que respeitam o vinho, como ânforas, pipas de carvalho usadas ou tonéis de grande capacidade, evitando o excesso de madeira”.
Espreite as notas de provas que aqui lhe deixamos, para acicatar a curiosidade…
Luís Pato Vinha Pan tinto 2021 – rubi aberto, no nariz uma expressão típica da Baga, com elegância e sedosidade, fruta vermelha, como framboesa e morango selvagem, em combinação com mentol e caruma, apontamento de aneto; estrutura flexível, denso, nada pesado, com a sua frescura intrínseca, longo e sedoso. (18,5);
Giz Vinha das Cavaleiras tinto 2021 – Baga das vinhas velhas, resultou num vinho impressionante, muito bonito e complexo, com fruta vermelha, abrunhos, caruma, resina e folha de louro, uma nota cítrica e noz-moscada; densidade fluida, tanino bem presente e certamente polido, textura aveludada (18,5);
Quinta das Bágeiras Garrafeira tinto 2021 – fiel a si próprio, com fruta austera, balsâmico e resinoso, com algum musgo, não propriamente encorpado, mas denso; Baga no seu estilo clássico, com grande estrutura e acidez a manter a frescura (18,5);
Sidónio de Sousa Baga Especial Cuvée Espumante rosé 2022 – interessante no nariz, com notas de menta e morango e mais fruta vermelha, muito vivo e suculento, ligeiramente amargo que lhe confere certa garra, com final saboroso (17);
Niepoort Água Viva Baga Espumante Bruto 2020 – cor de rosa muito leve, aroma delicado e bonito, muito bem traçado, com profundidade e complexidade delicada a revelar caroço de cereja, brioche, amêndoa torrada e apontamento vegetal; bolha finíssima, muita cremosidade e frescura (17,5);
Vadio Baga Espumante rosé 2023 – proveniente de uma zona mais húmida, de barro, fermenta em barrica usada, 18 meses de estágio sobre borras; rosa salmão, fruta quase madura a lembrar morango fresco, menta, manjericão, uma nota de gengibre também, fresco, mas cremoso, com bolha bastante fina, delicado no trato, com apontamento mineral e de framboesa (17);
Filipa Pato Post-Quercus Baga tinto 2024, com fermentação e estágio em ânforas; aromático, cativa imediatamente pela fruta nítida, notas de framboesa, morango selvagem e um floral delicado; fino e guloso, apetece beber sem parar (18).
Quinta da Vacariça Baga tinto 2016 – cheira a Baga, pouco corpo e muita estrutura, pouca fruta e muito tanino, denso e directo, carácter vincado, cheio de vida, a chamar à mesa (17).
(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)
Estão abertas as candidaturas para as Bolsas Barca-Velha Golden Vines® MW 2026

A Casa Ferreirinha, produtora histórica do Douro e marca do portefólio Sogrape, anuncia, em parceria com a Fundação Gérard Basset, a abertura das candidaturas para as Bolsas Barca-Velha Golden Vines® MW 2026, acção que se prolonga até à à meia-noite de 14 de junho de 2026. Esta iniciativa, que “simboliza o compromisso com a excelência […]
A Casa Ferreirinha, produtora histórica do Douro e marca do portefólio Sogrape, anuncia, em parceria com a Fundação Gérard Basset, a abertura das candidaturas para as Bolsas Barca-Velha Golden Vines® MW 2026, acção que se prolonga até à à meia-noite de 14 de junho de 2026. Esta iniciativa, que “simboliza o compromisso com a excelência e o futuro do conhecimento no sector do vinho”, segundo o comunicado, destina-se a apoiar candidatos ao título atribuído pelo The Institute of Masters of Wine.
Cada vencedor receberá o financiamento de 35.000 libras (GBP), apoio destinado a suportar os custos do curso de Master of Wine e de um programa de estágio personalizado. Este é, por sua vez, elaborado “com o apoio de um painel internacional de mentores e desenvolvido junto de algumas das mais reputadas propriedades de vinho e bebidas espirituosas a nível global”. A somar este financiamento, cada bolseiro é convidado a visitar as propriedades da Sogrape no Porto, no Douro e noutras regiões vitivinícolas do país, na companhia da respectiva equipa técnica.
Richard Bampfield MW, Nina Basset FIH, da Fundação Gérard Basset, António Graça, Director de Investigação e Desenvolvimento da Sogrape, Joana Pais, Directora de Marcas Prestige da Sogrape, Jancis Robinson OBE MW e Neil Tully MW, em representação do The Institute of Masters of Wine constituem o painel de jurados responsável pela selecção dos vencedores.
Para informações detalhadas sobre o processo e o acesso ao formulário de candidatura, consulte: https://gerardbassetfoundation.org/scholarships/the-barca-velha-golden-vines-mw-scholarships-in-wine
Na foto, estão as vencedoras da edição de 2025 – Svitlana Karamshuk, ucraniana residente no Reino Unido, e a Leila Killoran, de origem iraniana e também radicada no Reino Unido –, e Fernando da Cunha Guedes, Presidente e CEO da Sogrape.
Comissão Vitivinícola do Algarve reforça enoturismo

A 2ª edição da Feira de Enoturismo, decorrida no passado dia 27 de Abril, e a iniciativa Road to Wine 2026, que tiveram lugar a 25 e 26 do mesmo mês, ambas organizadas pela Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), com o apoio do Município de Lagoa, foram determinantes para posicionar o Algarve no centro das […]
A 2ª edição da Feira de Enoturismo, decorrida no passado dia 27 de Abril, e a iniciativa Road to Wine 2026, que tiveram lugar a 25 e 26 do mesmo mês, ambas organizadas pela Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), com o apoio do Município de Lagoa, foram determinantes para posicionar o Algarve no centro das atenções de produtores, operadores turísticos, restauração, hotelaria e público em geral.
Para além das provas vínicas, o certame foi palco de partilha de informação sobre experiências e demais actividades desenhadas no âmbito da oferta turística ligada ao vinho. Já o Road to Wine conduziu profissionais numa viagem pelo território, por forma a dar a conhecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na região no âmbito da cultura da vinha e do vinho, bem como mostrar diferentes projectos de enoturismo.
De acordo com o comunicado da CVA, “a crescente adesão de profissionais e público confirma o dinamismo do sector e o interesse crescente pelo enoturismo, consolidando estas iniciativas como plataforma-chave para a promoção da região e para a criação de novas oportunidades de negócio”.
PICOWINES: Em jeito de comemoração

Tempo houve em que a vinha era a monocultura da Ilha do Puco. Aqui estamos em terras vulcânicas, pois a Ilha do Pico é a mais recente das ilhas, com “apenas” 300.000 anos, onde a humidade é muita, a influência do mar uma certeza e o crescimento da vinha uma incerteza. Ainda assim, e segundo […]
Tempo houve em que a vinha era a monocultura da Ilha do Puco. Aqui estamos em terras vulcânicas, pois a Ilha do Pico é a mais recente das ilhas, com “apenas” 300.000 anos, onde a humidade é muita, a influência do mar uma certeza e o crescimento da vinha uma incerteza. Ainda assim, e segundo nos informa o enólogo Bernardo Cabral que orientou esta apresentação, a produção chegou a atingir, em tempos pré-filoxéricos, os nove milhões de litros. Com a filoxera, a produção baixou para os residuais 28.000 litros. Resultado? Vinhas abandonadas, currais a ficarem cobertos de mata, mudança de profissão. Na altura, ganhou a baleia e assim foi durante quase todo o século XX.
O reconhecimento por parte da Unesco, em 2004, ajudou e subsidiou o renascimento das vinhas, que ocupam, hoje, nos Açores – com a ilha do Pico à cabeça – o dobro da área de vinha da Madeira. O renascimento do vinho do Pico, agora assente mais em vinhos secos e já não tanto em generosos, levou a que a procura das castas tradicionais aumentasse o suficiente, para se terem pago, este ano, a Arinto e a Verdelho a quatro euros o quilo e a Terrantez do Pico a cinco euros o quilo.
Aqui a vinha vai até à beira-mar, muito fustigada pelo vento, o que ajuda a secar as folhas da videira e obriga a que os muros dos currais sejam suficientemente abertos (apenas pedra sobre pedra), para que o vento possa circular. A produção tem sido diminuta e só em 2025 o Pico voltou a ter uma produção equivalente à de 2019, ajudando a repor os stocks. Os dois vinhos apresentados têm perfis diferenciados. O Arcos Vulcânicos é um Verdelho que tem origem na zona conhecida como Arcos de Santa Luzia (não muito longe da Madalena, a principal cidade da ilha), onde o solo vulcânico de pedra preta é ainda muito evidente; já o licoroso, que é uma edição limitada e comemorativa, com 25 anos de casco, apresenta uma secura interessante (apenas 41 gramas de açúcar por litro) e é tributário da fama antiga dos licorosos do Pico, agora com uma excelente apresentação.
A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico dispõe de um elevado stock de vinhos velhos que irão assegurar outros lançamentos no futuro. Ainda não há qualquer decisão sobre uma nova edição. E o portefólio dos vinhos brancos secos, que não foram agora objecto de prova, são em quantidade interessante.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Quinta das Fiandeiras com projeto de olivoturismo em 2027

O Quinta das Fiandeiras Azeite Virgem Extra Premium, feito a partir das variedades Cobrançosa e Verdeal, assinala a estreia da marca no mercado e abre caminho para a criação de uma unidade turística centrada na cultura do azeite, na propriedade homónima de 54 hectares localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da […]
O Quinta das Fiandeiras Azeite Virgem Extra Premium, feito a partir das variedades Cobrançosa e Verdeal, assinala a estreia da marca no mercado e abre caminho para a criação de uma unidade turística centrada na cultura do azeite, na propriedade homónima de 54 hectares localizada em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira. Segundo o comunicado, o projecto de olivoturismo, com abertura prevista para 2027, irá incluir 13 quartos no edifício principal e outros dois na Cabana do Rio, um restaurante com ementa inspirada na cozinha duriense e uma varanda panorâmica sobre o curso de água que empresta o nome da região. Provas de azeite no antigo lagar, percursos pedestres, passeios de barco, piscina e piqueniques na propriedade constituem a oferta turística. Paralelamente, é assegurada a sustentabilidade através da irrigação gota-a-gota, de práticas inerentes à agricultura biológica, da implementação de painéis solares e de iluminação LED, e utilização de produtos ecológicos.
Quanto ao azeite, segundo o comunicado, este “traduz o resultado de uma herança natural e única, aliada ao cuidado e respeito por cada etapa da produção”, nas palavras de Álvaro Veiga, fundador do projecto Quinta das Fiandeiras, propriedade pertencente à Fábrica Douro, empresa liderada pelo próprio, com o apoio da mulher, Elisabete Veiga.
Sobre a Quinta das Fiandeiras, nome atribuído à propriedade em tributo à tradição secular ligada à fiação e à tecelagem do linho naquele lugar, é constituída por cerca de 10 hectares de vinha e 20 hectares de olival centenário, com mais de 20 variedades de azeitona e onde oliveiras ultrapassam os 300 anos. Nos planos, consta a plantação de mais três hectares de olival, bem como a preservação de parte da vinha velha a par com “um processo de requalificação que valoriza o património agrícola existente”.
Quinta do Noval declara Porto Vintage 2024 x 3

Quinta do Passadouro Vintage Port 2024 constituem o trio associado ao anúncio de declaração de vinhos do Porto excepcionais. Christian Seely, Administrador da Quinta do Noval, afirma em comunicado: “os vinhos mostram grande pureza de fruto, estrutura e profundidade aromática. São precisos, refinados e muito equilibrados, com uma notável combinação de elegância e intensidade. São […]
Quinta do Passadouro Vintage Port 2024 constituem o trio associado ao anúncio de declaração de vinhos do Porto excepcionais. Christian Seely, Administrador da Quinta do Noval, afirma em comunicado: “os vinhos mostram grande pureza de fruto, estrutura e profundidade aromática. São precisos, refinados e muito equilibrados, com uma notável combinação de elegância e intensidade. São Portos Vintage já muito expressivos na juventude, mas com a estrutura, a profundidade e o equilíbrio necessários para uma longa e promissora evolução em garrafa”.
Segundo o comunicado, as condições climáticas registadas ao longo do Inverno e durante o Verão contribuíram para a “maturação lenta e homogénea das uvas”. Graças a este cenário somado às noites frescas de Setembro, foi possível preservar “a frescura, a pureza aromática e o equilíbrio”. Christian Seely salientou ainda a qualidade excepcional “de várias vinhas de Touriga Nacional, Touriga Francesa e Sousão”, bem como da Vinha Nacional e de diversos talhões de vinhas velhas constituídos por castas distintas.
MIGUEL LOURO WINES: “Arigato” pela vida

De nome e apelido, Miguel Louro é o homónimo do seu pai, produtor de vinhos, bem conhecido no Alentejo. Miguel (filho) nasceu em Lisboa, mas com dois ou três anos mudou, com a família, para Estremoz. Foi lá que desenvolveu um enorme gosto pelo campo. Tendo crescido no meio dos vinhedos, desde cedo se habituou […]
De nome e apelido, Miguel Louro é o homónimo do seu pai, produtor de vinhos, bem conhecido no Alentejo. Miguel (filho) nasceu em Lisboa, mas com dois ou três anos mudou, com a família, para Estremoz. Foi lá que desenvolveu um enorme gosto pelo campo. Tendo crescido no meio dos vinhedos, desde cedo se habituou aos ritmos da vinha e à presença constante do vinho na sua vida. O produtor recorda que ir a Lisboa era um castigo, pois foi “pouco amigo de confusão” e nunca se sentiu atraído pelas grandes cidades. Em contrapartida, sempre gostou de caça, pesca e vinhas. Em miúdo, queria ser taberneiro. “Gosto de vinho, provas, sensações e emoções”, explica. Não foi esse o seu destino: ficou na origem, na produção de vinhos, onde provas, sensações e emoções também não faltam.
Em 2011 plantou a primeira vinha, com um hectare de Touriga Franca e quatro hectares de sete castas brancas (Arinto, Alvarinho, Verdelho, Verdelho da Madeira, Gouveio, Roupeiro e Rabigato), coisa que, confessa, hoje já não teria feito. “Naquela altura achei que sabia tudo, agora não sinto isto”, admite o produtor com humildade. Mas foi uma aprendizagem importante. Das sete variedades que selecionou, plantaria, agora, apenas duas: Arinto e Rabigato. Não é por acaso que são protagonistas de um dos vinhos mais recentes e ambiciosos, e que, claramente, estiveram na origem do nome “Arigato”.
As vinhas ficam em Estremoz e, em termos de solo, variam entre xisto, nas encostas, onde estão plantadas a Gouveio, a Rabigato e a Alvarinho, e solos mais pesados, com bastante argila, no vale, onde estão a Arinto e a Verdelho. O primeiro vinho foi lançado em 2013. “Naquela altura, os típicos vinhos brancos do Alentejo eram fruta tropical, pouco ácidos e chatos”, recorda Miguel Louro. Os vinhos do jovem produtor eram tudo menos “chatos” e “tropicais”: tinham fruta contida e acidez bem pronunciada. Alguns distribuidores até mostraram o seu desagrado. “Fui apelidado de ‘água com ácido’”, recorda Miguel com um sorriso, “mas continuei na minha”. Até hoje mantém a sua convicção, mas já não choca ninguém; é, aliás, um estilo bastante apreciado na restauração e entre enófilos esclarecidos.
A partir de 2024, começou a usar uva tinta de uma vinha nova, com oito hectares, onde tem três castas – Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira. Miguel Louro está a pensar reenxertar uma parte desta vinha com Rabigato e Arinto.
Entre Portugal e a Alemanha
Em paralelo, desenvolveu outro ramo da sua vida profissional. Depois do Instituto Superior de Agronomia, em 2013, Miguel foi fazer o estágio profissional na Alemanha e, em 2016, foi convidado pela mesma empresa para desempenhar as funções de enólogo da casa onde tinha estagiado, a S.A. Prüm. Alguns anos mais tarde, em 2020, iniciou a sua colaboração com a empresa familiar Willems Willems, localizada na parte sul de Mosel, na sub-região do Saar. “Sou Director-Geral, mas faço tudo: viticultura, enologia e vendas”, explica. Têm oito hectares de vinha, distribuídos por 32 parcelas, todas com a casta rainha daquela zona, a Riesling.
Mesmo a viver entre dois países – Alemanha e Portugal –, consegue gerir as duas vindimas, graças à diferença entre elas de seis a oito semanas. Somando as duas propriedades, 80% do vinho que Miguel Louro faz é branco.
Do Apelido, Primeiro Nome e Alcunha ao Arigato
A produção total da Miguel Louro Wines ronda entre as 20 e as 25 mil garrafas, das quais 50% são de branco e 50% são de tinto. A gama sempre esteve cheia de significados. Começa no Apelido – vinhos de blend, jovens e descomplicados. O Primeiro Nome tem mais identidade do produtor, sendo também de lote, mas com algum estágio e complexidade. Já o nome Alcunha é reservado para os vinhos monovarietais de colheitas especiais e carácter vincado.
A esta família de vinhos juntaram-se agora dois Arigato apresentados em primeira mão. São lotes únicos de edições limitadas com muita personalidade. Miguel explica: “se eu faço um blend e gosto, engarrafo, mesmo que sejam apenas 300 garrafas”. É a vantagem de ser um pequeno produtor. Como o nome remete para o japonês, o símbolo no rótulo também foi inspirado na cultura nipónica. Representa “casa”, conceito que tem muito significado para o produtor.
O Arigato branco 2022 combina a acidez do Arinto com a austeridade e a frescura do Rabigato. Antes da fermentação, foi realizada uma maceração pelicular a frio durante 24 horas; depois, as castas tiveram tratamentos distintos: o Arinto fermentou em barricas de carvalho francês de 500 litros e o Rabigato em barricas de carvalho nacional de 300 litros. O estágio decorreu durante nove meses sobre borras totais, sem bâtonnage. “É o meu perfil. Se tivesse que fazer só um vinho, seria este”, declara Miguel Louro. Foram produzidas 924 garrafas.
O Arigato tinto de colheita 2020 é um 100% Trincadeira. “Acho que comecei a entender esta casta”, partilha o produtor. A maceração pré-fermentativa ocorreu em lagar com pisa a pé. Ao completar o primeiro terço da fermentação, o mosto foi transferido para barricas de 225 litros de carvalho francês de terceiro uso, onde também fez a fermentação maloláctica. “Depois do primeiro ano do estágio, provei o vinho e achei que precisava mais. Ficou 42 meses em barrica, sobre borras totais”, explicou. Depois de engarrafado em 2024, passou mais um ano e meio em garrafa até o produtor sentir que o vinho estava pronto para entrar no mercado. Foram produzidas 504 garrafas.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
Quanta Terra apresenta nova exposição de arte contemporânea no Douro

A quinta edição desta iniciativa cultural, a segunda consecutiva com a curadoria da Galeria Contagiarte, reforça o compromisso de Celso Pereira e Jorge Alves, enólogos cofundadores da Quanta Terra: dinamizar e facilitar o acesso à arte e cultura no interior do país. E apenas um ano depois de ter sido criado, em 2023, este projeto […]
A quinta edição desta iniciativa cultural, a segunda consecutiva com a curadoria da Galeria Contagiarte, reforça o compromisso de Celso Pereira e Jorge Alves, enólogos cofundadores da Quanta Terra: dinamizar e facilitar o acesso à arte e cultura no interior do país. E apenas um ano depois de ter sido criado, em 2023, este projeto já valeu à adega o título de “Best of Wine Tourism”, o mais alto reconhecimento a nível mundial. Desde então, mais de 5 mil visitantes já passaram por Favaios, Alijó.
A partir deste mês, e até 31 de Dezembro, o Espaço Quanta Terra volta a transformar-se numa galeria de arte contemporânea, recebendo obras inéditas de quatro artistas portugueses que se distribuem por espaços inesperados da adega, entre salas de barricas, cubas centenárias ou salas de prova. Com algumas das obras concebidas especialmente para estes lugares, procurando uma relação direta com a arquitetura e a atmosfera do espaço, o objetivo é criar uma experiência imersiva, sensorial e um diálogo perfeito entre vinho e arte.
Vanessa Teodoro, Ana + Betânia, Mário Ferreira e Pant. são os artistas convidados para a quinta edição desta iniciativa cultural, numa mostra coletiva intitulada “A Pele da Terra”. Em comum, partilham a abordagem: a exploração da arte enquanto matéria viva, construída em camadas, volumes e gestos tridimensionais. “Tal e qual o Douro”, afirmam Celso Pereira e Jorge Alves, “cuja identidade visual e cultural nasce da sobreposição de socalcos, texturas e cores em permanente transformação ao longo das estações”.
A exposição “A Pele da Terra”, que inclui uma visita à adega, a todas as obras da exposição (temporária e permanente) e uma prova de vinhos, pode ser visitada de quarta a domingo, entre as 9h30 e as 18h00, e nos restantes dias sob pedido. Para mais informações ou reservas, por favor usar este link: https://quantaterradouro.com/formulario-reservas/














