Quinta do Vallado com novo CEO

vallado

Joe Álvares Ribeiro assume a liderança da centenária Quinta do Vallado, na Região Demarcada do Douro. O objectivo consiste em reforçar a continuidade de um legado versado no alinhamento entre o passado e a forte aposta no futuro, com o foco nos mercados nacional e d’além fronteiras, através do compromisso associado ao vinho, à hotelaria, […]

Joe Álvares Ribeiro assume a liderança da centenária Quinta do Vallado, na Região Demarcada do Douro. O objectivo consiste em reforçar a continuidade de um legado versado no alinhamento entre o passado e a forte aposta no futuro, com o foco nos mercados nacional e d’além fronteiras, através do compromisso associado ao vinho, à hotelaria, com a Quinta do Vallado Wine Hotel, em Peso da Régua, no Baixo Corgo, e o Casa do Rio Wine Hotel, em Foz Côa, no Douro Superior, e, consequentemente, ao enoturismo de qualidade.

A nomeação de Joe Álvares Ribeiro para CEO da Quinta do Vallado advém da sua sólida experiência em diferentes áreas de gestão e do conhecimento consolidado no sector vínico, comprovados por meio da administração executiva em marketing, vendas, distribuição e enoturismo em um dos grupos de vinhos nacionais.

QUINTA NOVA DE N. SRª DO CARMO: Serenidade na mudança

Quinta Nova

Fiel às origens, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, localizada no concelho de Sabrosa, pertencente à região do Douro, assume que o tempo é de mudança de atitude. Não porque se renegue o passado, mas sobretudo porque o futuro será exigente, e quem se preparar antecipadamente, terá maiores possibilidades de sucesso. A história […]

Fiel às origens, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, localizada no concelho de Sabrosa, pertencente à região do Douro, assume que o tempo é de mudança de atitude. Não porque se renegue o passado, mas sobretudo porque o futuro será exigente, e quem se preparar antecipadamente, terá maiores possibilidades de sucesso.

A história da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo inicia-se bem lá atrás, em 1764. Em meados do século XVIII, o Douro era o Vinho do Porto e toda a dinâmica de planeamento de viticultura e vinificação fazia-se à sua volta.

Após a aquisição desta propriedade pela família Amorim, a adega, já em 2003, é ainda recuperada à imagem da tradição duriense e, mais de dois terços da capacidade é afeta à produção de Vinho do Porto, cabendo o remanescente para os vinhos DOC Douro. A atual filosofia é diametralmente diversa e assume-se, sem reservas, vocacionada para os vinhos DOC, tendo sido esse o propósito da total renovação da adega em 2024.

Mas as mudanças não ficaram por aí. Em 2025, estenderam-se à viticultura, passando para a coordenação de Pedro Prata. Já a enologia, agora liderada por António Bastos, tem como objetivo partilhar conhecimento com uma figura ímpar da enologia e do ensino, Riccardo Cotarella, o enólogo italiano ligado à família Amorim por uma relação antiga de amizade.

A colaboração de Riccardo Cotarella com as três propriedades do universo Amorim (Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, Taboadella, no Dão, e Herdade Aldeia de Cima, no Alentejo) não será de estrita consultoria, mas, sobretudo, de mútua partilha de experiências e diálogo, que tem como elo comum dois países com tradição multimilenar de sabedoria empírica no cuidado da vinha e do vinho. A admiração é mútua, reconhecendo Riccardo Cotarella em Luísa Amorim a virtude do detalhe, do saber fazer profundamente conectado com cada lugar, cada ecossistema, sobretudo no que se relaciona com viticultura de montanha.

A colaboração de Riccardo Cotarella com as três propriedades do universo Amorim será sobretudo, de mútua partilha de experiências e diálogo

 

A preponderância do cimento

A principal e mais notória mudança surge no trio de vinhos Reserva lançados, um branco e dois tintos, que ostentam não apenas um rebranding da imagem, mas também um maior cuidado com a identidade que transparece de cada uma das 41 parcelas plantadas em altitudes, exposições e perfis distintos. Aqui, busca-se uma leitura mais aprofundada, não apenas das origens, mas igualmente de uma adega de múltiplas potencialidades, onde o cimento ganha uma crescente preponderância, na busca de vinhos mais diretos, genuínos e, sobretudo, mais frescos.

Luísa Amorim, CEO da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, fala sobre o novo perfil dos Reserva: “sentimo‑nos profundamente realizados com estes três vinhos Reserva – uma gama que tem para nós um significado especial e uma importância estratégica no nosso portefólio. Estes vinhos traduzem, com grande fidelidade, a essência das parcelas da Quinta Nova e todo o trabalho de viticultura que temos desenvolvido ao longo de 26 anos.”

Em 2000, foram plantados 50 hectares de vinha traduzida em 41 parcelas, “de dimensão muito reduzida, totalizando 85 hectares, numa zona histórica e emblemática da margem direita do Douro, diria mesmo, na zona do Cima Corgo onde existiam os vinhos de feitoria, eleita no Alto Douro, para a primeira demarcação do Douro, a mais antiga do Mundo”, acrescenta. Por conseguinte, “ver, hoje, o resultado no copo, dá‑nos a certeza de que cada hora dedicada ao projeto de remodelação desta adega – construída em 1764, apenas oito anos após a primeira demarcação do Douro – é um esforço que sentimos que valeu a pena. Ao longo dos anos, sempre soubemos que o clima estava em mudança; já não é tabu para ninguém. A adaptação a esta nova realidade era uma necessidade urgente, não apenas para o presente, mas sobretudo para garantir a continuidade da qualidade e a solidez deste projeto de futuro”, esclarece Luísa Amorim.

Hoje, a capacidade de adaptação a cada vindima é uma realidade nesta propriedade duriense. “Dispomos de circuitos de produção distintos, com mesas de escolha específicas para rosés, brancos e tintos, e a possibilidade de conduzir fermentações mais longas, mais calmas e mais precisas, parcela a parcela. A instalação das 32 cubas de cimento foi determinante: permitiu‑nos afinar textura, reforçar a frescura natural das nossas uvas e preservar uma acidez viva e vibrante, resultando em vinhos aromaticamente mais puros, precisos e expressivos, com o classicismo que só o Vale do Douro consegue oferecer”, sublinha a CEO da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo.

O mote desta nova abordagem é um exercício de contemporaneidade, equilíbrio e elegância, o que de facto se confirma. Na caracterização dos anos vitícolas, 2024 e 2025 foram distintos. Contudo, em ambos foi na precocidade da vindima que esteve o click redentor, permitindo captar mais frescura, vibrância e tensão, afastando sobrematurações e concentração alcoólica. Já a nova imagem dos Quinta Nova Reserva se afirma, sobretudo, como reforço da identidade e da origem, tendo como elemento central a Capela de Nossa Senhora do Carmo, construída pelos barqueiros no Penedo do Carmo, um dos locais mais temidos da navegação no Douro.

 

Quinta Nova

“Estes vinhos traduzem a essência das parcelas da Quinta Nova e todo o trabalho de viticultura que temos desenvolvido ao longo de 26 anos”, afirma Luísa Amorim

 

A incontornável referência de brancos

Sobre o Mirabilis branco e a sua importância no contexto da afirmação dos grandes brancos durienses, provavelmente, podemos escrever um tratado. Se a memória não me trai, o Mirabilis branco, ao contrário do seu congénere tinto, tem sido lançado todos os anos desde 2011.

Se a filosofia da origem da uva não se tem alterado, podendo somente variar as parcelas, a vinificação tem conhecido diversas experimentações ao longo de mais de uma década. Viosinho e Gouveio, em vinhas com mais de 70 anos e, algumas, centenárias, altitude, maioritariamente superior a 500 metros, solos de transição xisto/granito de Murça, Alijó e Sabrosa. Na adega é onde tudo se transforma, com a integração de diversos materiais: madeira nova de carvalho francês das florestas Tronçais, Vosges, Nevers, Jura e Allier, foudre novo de 1200 litros, barrica de segundo e terceiro ano e, claro, o cimento cru. Um tempero complexo de lote traduzido num resultado de afirmação de amplitude, complexidade, presença de fruta e um mineral salino que lhe define um estilo que, não sendo imutável, lhe define a personalidade.

 

Rosé de inspiração

O Quinta Nova Rosé 2025 continua a evidenciar a inspiração provençal, cuja vinificação ocorre com prensagem de cacho inteiro. O critério de seleção das uvas – Tinta Roriz (50%), Tinta Francisca (30%) e Touriga Franca (20%) – é rigoroso, desde a escolha das parcelas, passando pela vindima manual e seleção na mesa de escolha.

A vinificação, contudo, ganha, a cada colheita, uma abordagem diversa de modo a garantir e exponenciar a pureza aromática e a delicadeza que se exige num rosé desta dimensão. Metade do lote estagia em barricas usadas de carvalho francês, 25% evolui em cubas de cimento e os restantes 25% em depósitos de inox. Convenhamos, mudar é apenas uma das mais naturais leis da vida. Quem permanecer agarrado ao passado e ao presente, dificilmente terá um futuro.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

 

VILA GALÉ: Improváveis e prazerosos

vila galé

Quando um enólogo coloca a mão em adega alheia, é possível que nasça um vinho improvável. Foi este o desafio que Marta Maia, da alentejana Casa Santa Vitória, e Ricardo Gomes, da empresa duriense Quinta Val Moreira, ambos pertencentes ao grupo hoteleiro Vila Galé, decidiram colocar em marcha, com a finalidade de produzirem dois vinhos […]

Quando um enólogo coloca a mão em adega alheia, é possível que nasça um vinho improvável. Foi este o desafio que Marta Maia, da alentejana Casa Santa Vitória, e Ricardo Gomes, da empresa duriense Quinta Val Moreira, ambos pertencentes ao grupo hoteleiro Vila Galé, decidiram colocar em marcha, com a finalidade de produzirem dois vinhos diferentes, não só dentro da gama das adegas respectivas, mas também inesperados e apetecíveis para o mercado. Com o aval da empresa, Marta Maia trocou temporariamente o Alentejo pelo Douro, para elaborar um vinho em Val Moreira; já Ricardo Gomes fez o percurso inverso, isto é, rumou ao Alentejo para igual desafio.

Desta troca nasceram os Vinhos Improváveis, um do Douro e outro do Alentejo. São duas edições exclusivas, produzidas em quantidades limitadas, que reflectem a visão pessoal de cada enólogo fora do seu ambiente habitual, celebram a capacidade criativa de ambos e mostram ser possível haver liberdade na interpretação de cada terroir dentro da mesma casa. Cada referência dispõe de 1800 garrafas, sendo estas vendidas em caixas duplas. “Foi um desafio que nos deu muito gozo, numa reinterpretação que nunca tinha sido feita”, salientou Marta Maia. “O objectivo foi fazer dois vinhos que não tivessem nada a ver um com o outro, diferentes, mas ambos prazerosos”, sublinhou Ricardo Gomes.

Durante a festa de lançamento, que decorreu no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, foram apresentadas outras três referências do Grupo Vila Galé, o Paço do Curutelo Colheita, da região dos Vinhos Verdes, um novo reserva rosé colheita e o mais recente Touriga Nacional da Casa de Santa Vitória.

 

Tudo começou em 2023

O projecto surgiu durante a convenção do Grupo Vila Galé, em Fevereiro de 2023, quando Marta Maia e Ricardo Gomes resolveram desafiar-se e transmitir, aos seus superiores, a decisão de trocar de casa e cada um fazer um vinho na adega do outro. O nome Improváveis para a marca surgiu a posteriori, por serem vinhos um pouco fora da caixa e provenientes de duas regiões completamente diferentes.

“Eu nunca tinha trabalhado a sério no Douro, a não ser em estágio de vindima, e o Ricardo também nunca o fez a sério no Alentejo, a não ser como estagiário de vindima”, contou Marta Maia, acrescentando que ambos pretendiam criar coisas diferentes das existentes dentro das respectivas gamas, que contribuíssem “para se falar mais das duas empresas”.

Depois de colocada a sugestão, a administração incentivou-os a irem para a frente com o projecto, “com o desafio de desenvolver o processo com um custo razoável”, revelou Ricardo Gomes. O repto foi aceite, mas foi concretizado com algumas dificuldades.

 

vila galé

 

A ideia de trocar de casa e cada um fazer um vinho na adega do outro surgiu durante a convenção do Grupo Vila Galé, em Fevereiro de 2023

 

Muitos quilómetros entre vinhas

A primeira foram os muitos quilómetros que ambos tiveram de fazer, em plena vindima: Marta Maia entre o Alentejo e o Douro, e Ricardo Gomes em sentido inverso. “O que fizemos foi uma vinificação diferente da tradicional na casa um do outro”, afirmou, acrescentando que inventou pormenores que não existiam na Quinta Val Moreira, o que envolveu mais trabalho à equipa local. No Alentejo, aconteceu o mesmo. Mas à procura de quê? “De criar um vinho que fosse a imagem daquilo que é o enólogo”, respondeu a enóloga. Ou seja, o vinho que criou no Douro corresponde à sua interpretação da região.

O Val Moreira Improváveis tinto 2023 é feito a partir de uvas apanhadas em vinhas velhas, das quais “nunca se saberão as castas em concreto”, e com base “num processo de vinificação duro, porque incluiu dois dias complicados em termos de recepção de uvas durante a vindima”. Foram vinifcadas em cinco barricas usadas de 500 litros, às quais foi tirado o topo. A fermentação decorreu com uva desengaçada em três e, em duas, com engaço, de cacho inteiro, pisado a pé, processo esse que durou quatro horas por barrica. Segundo Marta Maia, “as uvas estavam muito frias, porque as guardamos durante 24 horas num contentor refrigerado antes do processamento”, o que dificultou o processo.

Após a fermentação, decorreu o estágio, realizado na mesma madeira e já com as barricas tapadas. Este processo deu origem a um vinho mais rústico e com carácter mais duriense do que os tradicionais da Quinta Val Moreira, segundo a opinião de Ricardo Gomes, que, por seu turno, esteve no Alentejo a criar um vinho improvável.

 

 

vila galé

Com os recursos que as adegas tinham, a ideia foi inovar em termos de tipos de fermentação, para criar algo diferente

 

Vinhos elegantes e um clarete

“Na Casa de Santa Vitória, os vinhos são muito elegantes, desde que a Marta assumiu o projecto. Têm muita personalidade. E eu tentei levar isso a um extremo. O resultado foi um clarete”, conta o enólogo, explicando que a produção ocorreu com base em extracções de início de fermentação que estavam a decorrer na adega da Casa de Santa Vitória, as quais foram submetidas, posteriormente, a um estágio de um ano em barricas usadas, tal como o vinho de Marta Maia no Douro.

“Ou seja, com os recursos que as adegas tinham, porque era preciso concretizar a nossa ideia sem grandes investimentos, a ideia foi inovar em termos de fermentações, para criarmos algo diferente”, esclareceu Ricardo Gomes, que, tal como Marta Maia, manifestou contentamento em relação ao resultado. Por um lado, do Douro, saiu um vinho mais rústico e poderoso, com um carácter regional marcado, sem perder a elegância tradicional dos tintos de Val Moreira; por outro lado, mais a sul, surgiu o Santa Vitória Improváveis 2023, um clarete fresco, mas também com um toque de rusticidade e notas de fruta silvestre, que o tornam apetecível para os comeres da estação quente do ano.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

ADEGA DA HERDADE DA COMPORTA: A reinterpretação de um terroir

Comporta

À entrada da loja da Adega da Herdade da Comporta está disposto o mapa da Península de Tróia. A área traçada a negro assinala esta propriedade de exploração agrícola, localizada entre a costa atlântica, a poente, e o rio Sado, a nascente, com Pinheiro da Cruz, a sul, e a Carrasqueira, a norte, englobando o […]

À entrada da loja da Adega da Herdade da Comporta está disposto o mapa da Península de Tróia. A área traçada a negro assinala esta propriedade de exploração agrícola, localizada entre a costa atlântica, a poente, e o rio Sado, a nascente, com Pinheiro da Cruz, a sul, e a Carrasqueira, a norte, englobando o célebre Cais Palafítico da Carrasqueira, “incluindo uma parte do rio Sado”, acrescenta José Oliveira, diretor financeiro e responsável pela Adega da Herdade da Comporta referindo-se à Reserva Natural do Estuário do Sado, e sete aldeias. “Há cerca de 3000 pessoas que vivem permanentemente dentro da herdade”, sublinhou o nosso anfitrião. O total ultrapassa os 11 mil hectares. Estes estão distribuídos por arrozais a perder de vista, pinhal e floresta, formações dunares, traduzidas em nove quilómetros de linha costeira, e 35 hectares de vinha, dos quais 29 estão no concelho de Grândola e seis já fazem parte do concelho de Alcácer do Sal.

Eis o ponto de partida para as boas novas. Mas não sem antes se fazer uma pequena descrição do território vitivinícola da Adega da Herdade da Comporta. A proximidade do Atlântico, cuja distância é de seis quilómetros, e o chão de areia são fatores, desde logo, evidenciados pelo enólogo Jorge Rosa Santos. A ambos, soma os sistemas montanhosos que exercem influência na vinha: serra de Sintra, serra de Montejunto e serra da Arrábida. Além de que, “aqui, há mais horas de sol do que a norte e a sul”, dando origem a “um micro-clima na Herdade da Comporta”, segundo palavras do enólogo.

Feita a descrição do território em termos edafoclimáticos, Jorge Rosa Santos evidencia a importância da sazonalidade da Comporta, no que à produção de vinhos diz respeito, até porque “os brancos não são só para o verão” e “os tintos já não são só para o inverno”. A par com esta mudança ditada pela atualidade, os brancos da Adega da Herdade da Comporta estão a conquistar terreno e os tintos estão a enveredar por outros caminhos, contrariamente ao que vinha a ser feito até hoje. Como tal, Jorge Rosa Santos e Renata Madeira, que, em conjunto, constituem a equipa de enologia da casa, mostram, agora, “abordagens mais disruptivas” reveladoras da “criatividade própria dos enólogos”.

 Comporta
Jorge Rosa Santos e Renata Madeira

 

Portefólio vínico restruturado

Conclusão? A Adega da Herdade da Comporta avança para um novo posicionamento e restruturação do portefólio de vinhos constituído por quatro gamas: Nativo, Brisa Bay, Experimentalista/Monovarietais e Micro Terroir. Todas as uvas que ‘dão corpo’ a estas boas novas são vindimadas à mão. O objetivo desta mudança pauta pela “reinterpretação da Comporta, mantendo o classicismo e a simplicidade” locais, sublinha o enólogo. Mas para Jorge Rosa Santos, os vinhos produzidos na Adega da Herdade da Comporta pouco têm a ver com os vinhos da Península de Setúbal, região vitivinícola onde este produtor está inserido.

“São vinhos com sentido de lugar”, continua o enólogo, com o intuito de justificar essa diferença enaltecida pelo registo de álcool médio baixo, mais acidez e salinidade presente, atributos obtidos graças à antecipação da vindima das castas brancas e à apanha tardia das variedades tintas. Neste contexto, Jorge Rosa Santos salienta, uma vez mais, a importância dos solos arenosos, favoráveis ao timing de ambas as ações na vinha implantada na zona sul da propriedade.

Mas vamos por partes. A gama Nativo está disponível em branco, rosé e tinto e traduzem-se em vinhos diretos em relação às propriedades das castas selecionadas para este trio vínico. “É a porta de entrada para a Adega da Herdade da Comporta que, agora, se quer revisitada”, resume o enólogo. Já a Brisa Bay – um branco de 2024 e um rosé de 2025 – transmite uma mensagem mais descontraída e associada à época de estio e ao estilo Comporta.

A gama Experimentalista/Monovarietais é composta por edições limitadas que refletem o resultado de ensaios feitos pelos dois enólogos e tem a exploração de castas como denominador comum. Outro dos fatores é a seleção de microparcelas específicas que, nesta estreia, integra escolha da variedade branca Verdelho, da colheita de 2025, e a tinta Castelão, cuja vindima remonta a 2022 e incide “nos setores 30 e 31, mais próximos da várzea”, informa Renata Madeira. Nesta gama, encaixam ainda as novas abordagens enológicas nascidas “na onda da espontaneidade”, que, por ora, se dividem num vinho curtimenta e num palhete de 2024. No primeiro, a casta eleita é a Alvarinho, que, a meio da fermentação, passou a estar em contacto com as películas de Fernão Pires, seguindo-se o estágio, perfazendo, esta combinação, um período de dois meses. O palhete é, de acordo com Jorge Rosa Santos, inspirado na produção do Vinho Medieval de Ourém. Neste lote, entram a Castelão e a Malvasia de Colares. “É um grande vinho de verão”, garante a enóloga. E apesar da supressão da Malvasia de Colares da vinha, o palhete permanecerá no portefólio, paralelamente a outras novidades.

Microterroir é a gama que mais faz justiça às declarações de Jorge Rosa Santos, para quem a proximidade do Atlântico, os solos arenosos e a proteção da serra da Arrábida desempenham um papel fundamental na produção dos vinhos da Adega da Herdade da Comporta.

 

Nativo, Brisa Bay, Experimentalista/Monovarietais e Micro Terroir são os nomes escolhidos para as novas gamas da Adega da Herdade da Comporta

 Comporta

 

Identidade visual renovada

A acompanhar esta redefinição estratégica, a Adega da Herdade da Comporta apresenta o trabalho desenvolvido no âmbito da nova identidade firmado no património da propriedade. Em suma, no símbolo composto pelo C, de Comporta, e da cruz que o acompanha, ambos em azul. A finalidade é levar o consumidor a identificar prontamente os vinhos produzidos nesta casa.

Instalada em, outrora, estaleiros e oficinas de apoio à exploração agrícola da Herdade da Comporta, entidade privada e centenária, fundada em 1925, e com uma decoração que imprime a arquitetura local, a loja é uma montra das novas gamas, entre outros produtos, como o arroz e o pinhão da propriedade. Este espaço é contíguo à adega, em atividade desde 2022, e às salas de provas distribuídas pelo piso térreo e o primeiro andar, no âmbito das ações de enoturismo. A loja é ainda o ponto de partida para visitar o Museu do Arroz, inserido na antiga fábrica de descasque e situado a dois passos do aglomerado de edifícios que compõem o centro nevrálgico associado ao vinho.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

Vindimas 2026: De tesoura e cacho na mão

Vindimas

Vinhos Verdes “Da Vinha ao Copo” é o nome do desafio apresentado pela Quinta da Torre, em Monção. Engloba duas vindimas; uma diurna e uma noturna. A primeira começa às 9h30, com apanha das uvas, pausa para uma bucha, visita guiada à propriedade e almoço tradicional minhoto harmonizado com prova de vinhos. A segunda decorre […]

Vindimas
Quinta da Torre

Vinhos Verdes

“Da Vinha ao Copo” é o nome do desafio apresentado pela Quinta da Torre, em Monção. Engloba duas vindimas; uma diurna e uma noturna. A primeira começa às 9h30, com apanha das uvas, pausa para uma bucha, visita guiada à propriedade e almoço tradicional minhoto harmonizado com prova de vinhos. A segunda decorre das 18h30 às 23h30, seguindo-se um jantar com proposta tradicional de caldo verde e bifanas. Ambos os programas incluem o saco da experiência e a tesoura de vindima.

Data: 5 (vindima diurna) e 12 de Setembro (vindima noturna)

Preço: €100 (vindima diurna) e €75 (vindima noturna)

Reservas: +351 913 797 986 ou anselmomendes.pt

Dão

A Quinta da Taboadella, em Silvã de Cima, abre as portas, das 10h00 às 13h30, para quem quer participar no corte das uvas e a assistir à vinificação na adega antes de uma prova de vinhos. Depois da visita, os visitantes são convidados a desfrutar dos sabores dispostos no cesto de merenda, num dos vários recantos da propriedade, que dispõe de alojamento, a Casa Villae 1255, da Relais & Châteaux, e uma loja, onde pode comprar o vinho deste produtor, bem como uma mão cheia de produtos da região.

Data: Setembro (de Terça-Feira a Sábado)

Preço: €60

Reservas: online

 

Tejo

A Adega do Cartaxo propõe três programas de vindimas: o Pack Regional inclui receção dos participantes, visita à adega e prova de vinhos; o Pack Reserva, que, à experiência anterior, soma visita às vinhas, vindima manual, com corte de uvas, e almoço; e, no programa completo, estas acções são complementadas por um passeio de barco no rio Tejo. Estes programas são válidos para grupos entre dez a 18 pessoas.

Data: 7 (Pack Regional), 9 (Pack Reserva) e 11 de Setembro (programa completo)

Preço: €15 e €45 (respectivamente), aos quais acrescem €20 (programa completo)

Reservas: +351 919 912 238 ou loja@adegacartaxo.pt (com 72 horas de antecedência)

A centenária Casa Paciência, em Alpiarça, dispõe de três opções distintas, disponíveis diariamente, das 10h00 às 18h00. Na opção “Flash Vindima”, há bebida de boas-vindas, oferta do kit de vindima, passeio pelas vinhas e participação no corte de uvas, com bucha tradicional, enquanto na adega é feita uma prova de mosto da uva acabada de prensar. Na “Vindima Pé Descalço” (€35,00), além da bebida de boas-vindas, há visita guiada à adega, pisa de uvas tintas, prova de mosto e degustação de três vinhos, acompanhados por compota e um sortido regional. O “Top Vindima” contempla todas as actividades das duas propostas anteriores. As crianças são bem-vindas, com programa ajustado.

Data: até 28 de Setembro

Preço: €25 (Flash Vindima), €35 (Vindima Pé Descalço) e €50 (Top Vindima)

Reservas: +351 936 219 342

Vindimas
Quinta da Atela

 

Também em Alpiarça, a Quinta da Atela propõe, entre as 09h00 e as 11h30, o programa “Venha Vindimar Connosco”, com passeio de tractor pelas vinhas, apanha de uvas, bucha na vinha, com prova de vinho e visita à adega, seguida de pisa a pé. Inclui oferta de t-shirts e chapéu.

Data: Setembro

Preço: €24

Reservas: +351 243 247 648 ou geral@quinta da Atela.pt

A Quinta São João Batista, localizada na Reserva Natural da Biosfera do Paul do Boquilobo e pertencente à Enoport Wines, é palco de um programa, a decorrer entre as 10h30 e as 16h00, o qual inclui pisa de uvas à moda antiga, almoço harmonizado com uma selecção de vinhos, provas especiais e música com DJ.

Data: 5 de Setembro

Preço: €70

Reservas: +351 243 999 070

 

A Quinta da Alorna, em Almeirim, tem “Experiência de Vindimas”, entre as 9h00 e as 15h00. Começa na Vinha do Calhau Rolado ou outra vinha deste produtor, para apanhar os cachos, seguindo-se a visita à adega, o lanche, o acompanhamento da chegada das uvas e participação na escolha e selecção de uvas, pisa a pé (opcional) e explicação do processo de vinificação das uvas. Termina com um almoço às 13h00, na vinha.

Data: Setembro (dias de segunda a sexta-feira)

Preço: €100

Reservas: + 351 243 570 706 ou enoturismo@alorna.pt

Na Quinta do Sampayo, no Cartaxo, a escolha é feita entre três programas: “Vindima & Prova”, “Vindimar com um vinhateiro” e “Vinho até ao fim”. Todos decorrem das 9h00 às 11h00. O primeiro abrange visita à adega e cave, e culmina com uma prova de vinhos e degustação de produtos regionais; no segundo, há pequeno-almoço tradicional (mata-bicho), visita à vinha de tractor, pisa-a-pé na adega e almoço regional, seguido de visita à adega e à cave; ao terceiro soma-se a experiência de fazer o seu próprio vinho sob a orientação do enólogo da casa. As crianças podem participar nas duas últimas opções (por €40). Todos têm direito a kit de vindima.

Data: Setembro

Preço: €25, €80 e €150 (respectivamente)

 

 

Península de Setúbal

A Adega de Palmela providencia “Um Dia de Vindimas”, actividade em que os participantes são desafiados a seleccionar um dos três programas que permitem viver a vindima O programa de meio-dia, decorre entre as 09h00 e as 12h00, e inclui apanha de uvas, piquenique nas vinhas, visita guiada e pisa de uvas. À opção do dia completo, que se prolonga até às 16h00, é acrescentado um almoço regional na cave harmonizado com vinhos da Adega de Palmela. A opção com estadia inclui, ainda, uma noite de alojamento no RM The Experience, em Setúbal (duas pessoas por quarto). Independentemente da escolha, todos recebem uma garrafa de vinho da Adega de Palmela e um kit de vindima.

Data: 9, 16, 23 e 30 de Setembro

Preço: €45, €90 e €135 (respectivamente)

Reservas: enoturismo@acpalmela.pt

Vindimas
Venâncio Costa Lima

Já a Venâncio da Costa Lima, na Quinta do Anjo, propõe o desafio “Acontece na Vindima”. As boas-vindas são dadas com mata-bicho, seguindo-se a faina na vindima e a bucha na vinha. Pisa a pé no lagar, visita guiada à adega e almoço na Adega Velha também fazem parte deste programa de cariz regional.

Data: 19 de Setembro

Reservas: +351 917 764 685 ou enoturismo.vcl@gmail.com

A Fernão Pó Adega convida a reservar um “Dia de Vindima com o Enólogo”, com a visita à vinha e a apanha manual da uva, a visita à adega e pisa a pé no lagar, além de uma prova de vinhos seguida de almoço regional. A experiência contempla um kit de vindima.

Data: 19 de Setembro

Preços: €45 (adultos), €40 (13-17 anos), €25 (5-12 anos)
Reservas: + 351 212 334 398 ou enoturismo@fernaopo.pt

 

Na Casa Ermelinda Freitas, em Fernando Pó, está a decorrer a actividade “Brincar com as Castas”, ponto de partida para descobrir diferentes variedades da região e participar numa prova comentadas de vinhos brancos, tintos e Moscatel de Setúbal. Acresce a visita à vinha pedagógica e à adega.

Data: Setembro (de segunda a sexta-feira)

Preço: €10 (adultos), €10 (13-17 anos)

Reservas: +351 915 290 729

 

Alentejo 

A Adega José de Sousa, da José Maria da Fonseca, localizada no coração de Reguengos de Monsaraz, promove programas com ou sem almoço. Todos incluem visita guiada à Adega Nova e à Adega dos Potes, participação nas actividades de vindima em curso, prova de três vinhos e degustação de produtos regionais. A experiência termina com almoço de petiscos alentejanos. Oferece-se t-shirt e chapéu.

Data: até 15 de Setembro

Preço: €28 (sem almoço) e €60 (com almoço)

Reservas: +351 918 269 569 ou josedesousa@jmfonseca.pt

A Casa de Santa Vitória, na Herdade da Malhada, concelho de Beja, convida a começar o dia com uma bebida de boas-vindas. O programa prossegue com um passeio pelas vinhas, com participação na apanha manual da uva, a visita à adega e à cave de barricas, e uma prova de vinhos acompanhada por petiscos regionais. Termina com um almoço harmonizado com os vinhos da casa, no restaurante Alentejo Vineyards. A oferta contempla uma garrafa de vinho Santa Vitória Seleção e um kit de vindima.

Data: até 10 de Setembro

Preço: €65

Reservas: loja@santavitoria.pt

 

A Quinta de Valbom, casa da Cartuxa, está de portas abertas a quem quer experienciar a escolha da uva e a tradicional pisa a pé, conhecer a adega, bem como fazer uma prova de seis vinhos premium e de dois azeites produzidos pela Fundação Eugénio de Almeida acompanhadas por uma selecção de produtos regionais, no âmbito do “programa Vindimas”. Está disponível, ainda, o Programa Vindimas Premium, que inclui uma refeição harmonizada na Enoteca Cartuxa. O kit de vindima está prometido.

Data: de 5 de Setembro a 4 de Outubro

Preço: €200 e €275 (respectivamente)

Reservas: +351 266 748 383 ou enoturismo.cartuxa@fea.pt

 

A Fita Preta, em Arraiolos, aguarda por quem queira viver os bastidores da produção de vinho durante a campanha das vindimas. Ao longo de cerca de quatro horas, pode acompanhar o trabalho desenvolvido na adega, colaborar na selecção de uvas, em remontagens, provas e análises laboratoriais de mostos. A experiência termina com um almoço com a equipa da Fita Preta. Para quem anseia por mais acção, há a possibilidade de vindimar na vinha e até uma “Kids’ Experience”, com actividades desenhadas para os mais novos.

Data: até 18 de Setembro

Preço: €150 (experiência principal + €35 para a apanha manual da uva) e €50 (Kids’ Experience)

Reservas: +351 918 266 993 ou enoturismo@fitapreta.com

Para quem prefere ir ao cerne das tradições mais antigas, a Gerações da Talha convida a “Mexer das Talhas”, com visita guiada à adega, participação na missão de mexer das talhas, prova de quatro vinhos de talha harmonizada com petiscos regionais.

Data: Setembro

Preço: €45

Reservas: +351 967 566 930 ou enoturismo.geracoes@gmail.com

A tradição vínica alentejana vive-se na Herdade das Servas, com a “Pisa a Pé” nos lagares de mármore. O programa inclui visita à vinha, à adega e à cave de barricas, uma prova comentada de quatro vinhos harmonizada com produtos alentejanos, terminando com a oferta de uma garrafa de vinho.

Data: Setembro

Preço: €55 (adulto)

Reservas: +351 268 333 949 ou enoturismo@herdadedasservas.com

 

A Adega Vila Santa, em Extremoz, propriedade da João Portugal Ramos, convida a apanhar a uva lado a lado com os trabalhadores da vinha, bem como saborear a bucha, experimentar a pisa da uva em lagares de mármore (mediante disponibilidade), visitar a adega e as caves e saborear um almoço regional na companhia de vinhos Marquês de Borba.

Data: até 26 de Setembro

Preço: €110

Reservas: enoturismo@jportugalramos.com

 

A Mainova, em Arraiolos, abre as portas da herdade para mais uma edição da “Moinante Experience”, com participação nas actividades do dia, prova de vinhos, refeição e outros momentos que celebram a campanha da vindima.

Data: 5 de Setembro

Preço: €120

Reservas: +351 910 732 526 ou enoturismo@mainova.pt

Reservas: enoturismo@plansel.com // 266 898 920

 

Vindimas
Quinta do Quetzal

Na Quinta do Quetzal, as vindimas podem ser vividas através de duas experiências. A primeira combina a participação na vindima com uma visita à adega e um piquenique preparado pelo Chef João Mourato, harmonizado com os vinhos da propriedade. A segunda está contemplada pela bucha alentejana e um almoço vínico.

Data: Setembro

Preço: €70 e €100 (respectivamente)

Reservas: reservas@quintadoquetzal.com

 

A Herdade do Sobroso, na Vidigueira, dispõe de um conjunto de Wine Tours, com visita à vinha e à adega, e prova comentada de vinhos acompanhada por queijos da região. Destaque para o Wine Tour combinado com almoço tradicional, com um almoço tipicamente alentejano, sob o conceito farm-to-table, e harmonizado com vinhos da herdade.

Data: Setembro

Preço: €35 a €180 (Wine Tours e provas); €75 a €95 (Wine Tour combinado com almoço tradicional)

Reservas: + 351 284 456 116 ou reservas@herdadedosobroso.pt

CHURCHILL’S: Um Vintage 24 e algo mais

Churchill's

A Churchill Graham é uma jovem empresa de vinho do Porto, “a última casa britânica independente.” Fundada em 1981 pelo jovem Johnny Graham (29 anos), ainda hoje à frente da empresa, foi, na altura, uma pedrada no charco, já que nos 50 anos anteriores não tinha sido criada nenhuma nova empresa com a mesma missão […]

A Churchill Graham é uma jovem empresa de vinho do Porto, “a última casa britânica independente.” Fundada em 1981 pelo jovem Johnny Graham (29 anos), ainda hoje à frente da empresa, foi, na altura, uma pedrada no charco, já que nos 50 anos anteriores não tinha sido criada nenhuma nova empresa com a mesma missão e, uma vez que o nome Graham era já uma importante marca de vinho do Porto, foi buscar o nome da sua esposa, Caroline Churchill.

Apesar de jovem, Johnny Graham trabalhava há vários anos no sector. Portanto, conhecia bem o vale do Douro e os seus vários terroirs e actores. O estilo dos vintages Churchill’s era sempre bastante especial: fresco e ligeiramente mais seco do que a norma, usando um pouco menos de aguardente, mas com uma estrutura férrea de taninos, que não fazia qualquer concessão à projectada longevidade dos vinhos. Os Churchill’s eram Portos Vintages clássicos nesse sentido. As uvas provinham de uma série de quintas localizadas na sub-região do Cima Corgo, incluindo a Água Alta, Manuela e Fojo, propriedade do lendário Jorge Borges de Sousa, e a vinificação era feita em lagar, com pisa a pé, e fermentados com leveduras autóctones. As vinhas viradas a Sul e expostas ao Sol asseguravam as maturações perfeitas.

Churchill's
Johnny Graham e Ricardo Pinto Nunes

A compra da Quinta da Gricha

O primeiro Vintage foi o de 1982, ainda hoje em grande forma, ao qual se seguiram 1985, 1991, 1994 e 1997. Em 1999 a Churchill’s começou a enfrentar algumas dúvidas no acesso às suas uvas de sempre, em particular porque os netos de Jorge Borges de Sousa iniciaram, eles próprios, a fazer vinhos em seu nome. Face a este cenário, a Churchill’s comprou a Quinta da Gricha, na margem Sul do rio Douro, situada logo abaixo de Ervedosa.

As encostas voltadas a Norte eram preciosas para assegurar maturações lentas e boa acidez natural das uvas. Os vinhos tinham, agora, uma elegância adicional logo desde muito novos. Já com uvas da Quinta da Gricha, numa parcela que chega a alcançar, como em 2024, um terço do total, os vintages da Churchill’s tornam-se mais polidos e frescos. Para além do blend de vários micro-terroirs, como é tradição no Vintage clássico, a Churchill’s faz quase todos os anos o seu single-quinta com origem na Gricha. Depois de 1999, só não fez nas colheitas de 2002, 2010 e 2014. Curiosamente, 2014 teve o seu vintage Churchill’s. Eis os restantes anos: 2000, 2003, 2007, 2011, 2014, 2016, 2017, 2020, 2024.

Churchill's

Os Portos e os DOC Douro

A Churchill’s não fazia só Vintage. A pouco e pouco, e com apoio em vinhos comprados às quintas dos seus fornecedores, foi construindo um portefólio completo de Vinho do Porto, incluindo o best-seller Churchill’s Crusted Port, um famoso Dry White Port envelhecido, e também LBVs, e Tawnies com 10, 20, 30 e 40 anos. Além dos Portos, a Churchill’s passou, em 1999, a fazer experiências com vinhos DOC Douro.  A primeira vindima comercializada foi a de 2003, com enologia liderada, desde 2007, por Ricardo Pinto Nunes. A entrada de gama é o Meio Queijo (nome de uma das parcelas da Quinta da Gricha). Já o icónico Grafite tem varietais e reservas, e o topo de gama é a Quinta da Gricha.

Em princípios de Junho, na Feitoria Inglesa, foi provada uma parte significativa da gama de vinhos, incluindo os novos vintages de 2024, um ano que se apresenta extraordinário, muito definido e puro, com uma promessa de prazer imediato e a longo prazo. Johnny Graham apresentou, em grande forma, os vinhos, após alguns anos em que a saúde lhe limitou a actividade. Foi um prazer rever um dos grandes construtores do Douro moderno, bem como a sua equipa, onde hoje se integra a filha Zoe, que partilha com ele a liderança da empresa, e o carismático Ricardo Pinto Nunes “Caxuxo”, o verdadeiro hub dos enólogos do Douro. Churchill’s a todo o vapor, com vinhos incríveis, que muito recomendo.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

 

Bágeiras como nunca se viu

bageiras

Mário Sérgio e Frederico Nuno, pai e filho, são a face mais visível da Quinta das Bágeiras, empresa familiar nascida na vindima de 1989. Como em tantas outras casas de viticultores da Bairrrada, até aí os vinhos produzidos nas Bágeiras eram vendidos a granel para as caves da região, actividade iniciada pelos avós de Mário […]

Mário Sérgio e Frederico Nuno, pai e filho, são a face mais visível da Quinta das Bágeiras, empresa familiar nascida na vindima de 1989. Como em tantas outras casas de viticultores da Bairrrada, até aí os vinhos produzidos nas Bágeiras eram vendidos a granel para as caves da região, actividade iniciada pelos avós de Mário Sérgio e continuada por seus pais.

Quando resolveu seguir o árduo caminho de vitivinicultor-engarrafador, Mário Sérgio contou com o apoio total da família, que colocou propriedades e adega nas suas mãos, na certeza de que aquele rapaz, de apenas 23 anos, sabia exactamente onde queria chegar e como. O onde, estava claro para o jovem produtor: possuir uma marca de vinho reconhecida que, através da criação de valor, permitisse às actuais e futuras gerações viver da agricultura com o mínimo de conforto. O como, nunca foi, para si, em discussão: preservar, melhorar e acrescentar o património (vinhas, adegas, conhecimentos, processos) deixado por seus antepassados, de forma a produzir vinhos clássicos, ancorados na mais pura tradição bairradina, vinhos que se assumissem como diferenciadores num mundo que, em 1989 e nas duas décadas seguintes, se deixava encantar pela tecnologia e pela inovação.

Bageiras

Quase 37 anos passados, Mário Sérgio Alves Nuno mostra ter acertado no percurso escolhido. A Quinta das Bágeiras tornou-se uma referência absoluta entre os vinhos da Bairrada e de Portugal. E processos de vinificação que, nos anos 90, eram considerados retrógrados, completamente ultrapassados (“fundamentalistas do engaço” assim foram num jornal classificados o produtor e seu enólogo de então, Rui Moura Alves), hoje são valorizados enquanto expressão de um terroir, onde o factor humano é tão importante quanto o clima, o solo e as castas.

Assim, os vinhos da Quinta das Bágeiras continuam assentes nas uvas tradicionais (Baga, Maria Gomes, Bical, Cercial…) e na vinificação “à antiga”, mantendo-se lagares, engaço, prensa vertical e tonéis velhos nos tintos; e decantadores abertos de cimento, fermentação e estágio em tonel, nos brancos. Os Garrafeira, brancos e tintos, são obtidos de vinhas centenárias, não aramadas. Na linha Pai Abel, a concessão à “modernidade” começa das vinhas, com “apenas” vinte e alguns anos de idade e continua na adega, onde os tonéis são substituídos por barricas borgonhesas muito usadas.

Não se pense, porém, que nada mudou nas Bágeiras nas últimas décadas. Desde logo, porque Mário Sérgio é um produtor aberto ao mundo, e sobretudo às regiões francesas de Champanhe, Bordéus e Borgonha, que visita com frequência e onde recolhe inspiração e conhecimento que posteriormente aplica nos espumantes e vinhos tranquilos da Bairrada. E depois, porque uma nova geração, protagonizada por Frederico Nuno, está a deixar a sua marca nos vinhos da casa.

Frederico Nuno cresceu por entre vinhas, pilhas de espumante, tonéis e alambiques. Após a licenciatura em enologia na Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro e estágios em produtores de dimensões e conceitos muito diversos (Lusovini, Susana Esteban, Sogrape, Anselmo Mendes ou Barão de Vilar), assumiu o seu papel na empresa familiar a partir da vindima de 2022. Com o pai, forma uma dupla que alia experiência e irreverência, e se complementa perfeitamente, gerindo bem os habituais conflitos inter-geracionais. Frederico Nuno é, também ele, intransigente defensor dos princípios e processos que fazem a identidade da casa, como trabalhar exclusivamente com uva própria (a Quinta das Bágeiras é membro fundador dos Vignerons de Portugal) ou vinificar os tintos com engaço no lagar. Mas promoveu, por exemplo, a introdução de controlo de temperatura nos lagares de tintos e novas formas de trabalhar o vinho base, e multiplicar as leveduras nos espumantes, entre outros ajustes que vieram trazer mais elegância e afinamento às clássicas referências Bágeiras, sem prejudicar a sua vincada identidade. E quando, por via das “inovações”, o resultado sai fora do estilo da casa, entra em cena a linha Fogueira.

Bageiras

Revolução na tradição

Desde há muito que, em cada vindima, Mário Sérgio reserva tempo e espaço para materializar inspirações recolhidas noutras paragens, experimentando vinificações ou estágios diferentes do habitual nas Bágeiras. Nos casos em que o resultado o entusiasma verdadeiramente, ao ponto de lamentar não ter onde “encaixar” o vinho no portefólio, nasce um Fogueira. Até ao momento, só tinha acontecido três vezes, com um branco, um rosé e um tinto.

O branco, que agora surge no mercado com a marca Fogueira, é uma autêntica revolução no estilo Bágeiras. Desde logo, pela casta principal, Chardonnay, que representa 50% num lote onde se incluem Cercial (40%) e Bical. E depois, pela utilização, em estreia absoluta na casa, de barricas novas.

“Sou verdadeiramente apaixonado pelos Chardonnay de Champanhe e Borgonha”, revelou Mário Sérgio na apresentação no novo Fogueira branco 2023. “Plantámos, pela primeira vez, Chardonnay em 2002 e temos utilizado apenas em alguns espumantes, e em muito pequena quantidade. Esta foi a primeira vez que nos atrevemos a colocar esta variedade num branco tranquilo.”

Se Mário Sérgio é “responsável” pela escolha da uva, Frederico Nuno é o “culpado” pelas barricas novas. O jovem enólogo fez uma vindima em Monção e Melgaço com Anselmo Mendes. Com o “Senhor Alvarinho” aprendeu muito sobre o trabalho de barricas novas em vinhos brancos – volumes, tipos de madeira, origens, tostas. Foi, aliás, Anselmo Mendes que o orientou na escolha da barrica certa para o novo vinho pretendido.

Bageiras

“O estilo da Quinta das Bágeiras não contempla madeira nova, mas isso não significa que eu e meu pai não apreciemos vinhos com barrica nova, brancos ou tintos. E este é o nosso primeiro a utilizar este tipo de madeira, já que no Pai Abel usamos só barricas muito usadas, e no Garrafeira só tonéis antigos.  Aqui fizemos fermentação e estágio em barricas novas de 500 litros”, diz Frederico Nuno. “São bem mais de 2000 euros cada barrica e, para este efeito, só servem dois anos…”, completa Mário Sérgio. E acrescenta: “Mas é dinheiro muito bem gasto. Só faz sentido investir em madeira nova se for de grande qualidade.” O estágio na barrica, após a fermentação, não incluiu bâtonnage, para evitar a incorporação de oxigénio, preocupação que Frederico Nuno trouxe da aprendizagem com Anselmo Mendes. O vinho foi passado a limpo no mês de Janeiro seguinte à vindima, voltando de imediato à barrica.

O Fogueira 2023 é um vinho absolutamente extraordinário, para mim, talvez o melhor branco de sempre da Quinta das Bágeiras. Dotado de notável elegância e frescura, evidencia toda a nobreza e cremosidade da casta dominante conjugada com a firmeza da Cercial, num conjunto moldado pelo forte carácter atlântico da Bairrada. “Esta é, sobretudo, uma região de brancos”, salienta Mário Sérgio, “é mais fácil fazer todos os anos um grande branco do que um grande tinto. O clima marítimo, os solos de argila e calcário, a vibrante acidez que se manifesta em todas as castas, tudo aponta para brancos de topo.”

Aquando da apresentação do Fogueira à imprensa, que teve lugar no restaurante Pedro Lemos, no Porto – “há largos anos, o Pedro ajudou-me com uma grande encomenda, e nunca me esqueci disso, além de que adoro a cozinha dele”, diz Mário Sérgio – já era público o importante prémio alcançado por este vinho, considerado o melhor blend branco no Concurso Vinhos de Portugal. Mas prémios e classificações não vão condicionar o futuro deste branco “revolucionário” no portefólio Bágeiras. À pergunta sobre se o modelo seria para repetir, dado que os três Fogueira anteriores, todos de castas e técnicas distintas, só ocorreram uma vez, Frederico Nuno não poderia ser mais sincero: “não faço ideia. Logo se vê.”

(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)

MALTA: PATRIMÓNIO VINHATEIRO, HISTÓRICO E GASTRONÓMICO

Malta

Malta é um pequeno arquipélago situado no coração do Mar Mediterrâneo constituído por três ilhas habitadas: Malta (a maior e principal), Gozo e Comino. Apesar do seu tamanho reduzido, o país possui uma densidade histórica impressionante, tendo sido influenciado e ocupado por fenícios, romanos, árabes, normandos e, mais tarde, pelos Cavaleiros da Ordem de São […]

Malta é um pequeno arquipélago situado no coração do Mar Mediterrâneo constituído por três ilhas habitadas: Malta (a maior e principal), Gozo e Comino. Apesar do seu tamanho reduzido, o país possui uma densidade histórica impressionante, tendo sido influenciado e ocupado por fenícios, romanos, árabes, normandos e, mais tarde, pelos Cavaleiros da Ordem de São João. Trata-se, portanto, de um verdadeiro ponto de encontro de civilizações, que depois de muitos séculos, se converteu numa mistura cultural que se reflete na arquitetura, na gastronomia, nas tradições… e, claro, na produção vitivinícola, que ocupa um lugar cheio de dignidade e identidade.

Mas vamos por partes, até porque, nesta viagem, o tempo desdobra-se em camadas neste território privilegiado do Mediterrâneo, onde a vinha e o vinho malteses fazem parte de uma narrativa única.

 

Castas nativas e um terroir singular

Fenícios e romanos foram os primeiros a introduzir o cultivo da videira no arquipélago, enquanto os Cavaleiros de São João consolidaram a produção de vinho durante a sua presença na ilha de Malta. E apenas a partir do final do século XX, a indústria vitivinícola começou a modernizar-se, focando-se mais na qualidade do que na quantidade.

Nas vinhas, compostas por parcelas de dimensões exíguas, as castas nativas e raras são fortemente preservadas. São elas a Girgentina (branca), que potencia a produção de vinhos leves, frescos e com notas cítricas, e a Ġellewża (tinta), que dá origem a vinhos frutados, suaves e de corpo médio. A tendência atual na ilha de Malta consiste em combinar estas variedades locais com as internacionais, como Syrah, Merlot e Chardonnay, para produzir vinhos equilibrados, sem desvirtuar a identidade mediterrânica.

As especificidades estendem-se à viticultura de Malta. Os solos são predominantemente calcários e argilosos, formados por antigas rochas marinhas, o que os torna altamente alcalinos, conferindo, aos vinhos, um perfil mineral diferenciador; enquanto a forte exposição solar e a baixa pluviosidade dá lugar a um clima quente, seco e ventoso. Se, por um lado, estas condições climáticas são aliadas dos produtores de Malta na fase da maturação das uvas, por outro, condicionam o rendimento por videira. No entanto, o resultado não podia ser maior: os vinhos são aromáticos, concentrados, apresentam boa estrutura e revelam personalidade. E são a companhia perfeita para a ftira – pão crocante, a base que une a combinação de ingredientes locais, como tomate, azeitonas, alcaparras, atum e anchovas -, recentemente reconhecida como Património Cultural Imaterial pela UNESCO, bem como para o fenek moqli (coelho refogado) e para os pastizzi, pastéis de massa folhada recheados com ricota ou ervilhas, além da enorme variedade de frutos do mar frescos.

Malta
Ta’Betta Wine Estates

Valletta e as adegas centenárias

A chamada produção de boutique faz com que grande parte dos vinhos de Malta seja conduzida, raramente, para o mercado exterior. Serve esta realidade para promover a experiência cultural aliado ao turismo enológico e, ao mesmo tempo, fomentar a crescente importância do enoturismo. Há pretexto maior para efetuar um roteiro vitivinícola?

Valletta é o ponto de partida. A capital de Malta surge entre a pedra dourada e o Mar Mediterrâneo. Fundada no século XVI pelos Cavaleiros de São João, conserva o estilo barroco entre ruas estreitas e praças que se abrem para o porto, com destaque para a Concatedral de São João, onde estão expostas duas obras-primas de Caravaggio. Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1980, acolhe os Jardins Upper Barrakka, com vista para o Grande Porto e as Três Cidades.

Para lá de Valletta, está a adega familiar mais antiga, a Delicata Winery. Fundada em 1907, enaltece o seu trabalho com produtores locais, contribuido para o reconhecimento do vinho maltês além-fronteiras. A segunda paragem faz-se na Marsovin Winery. Fundada em 1919, esta casa é tida como uma das grandes referências do vinho maltês. As suas vinhas e castas autóctones definem o vinho que ‘nasce’ diretamente do solo.

 

Pré-história e vitícola contemporânea

O percurso continua pelo património pré-histórico: os Templos de Tarxien, com relevos de animais e espirais nos altares, Hagar Qim, aberto para o mar e famoso pelas suas esculturas de Vénus, e Mnajdra, o templo com mais de 5.000 anos. A viagem prossegue pelo pelos templos de Ta Hagrat, que ostentam uma visão mais íntima das primeiras comunidades humanas de Malta, em Mgarr. Muito perto dali, em Zebbiegħ, os templos de Skorba conservam vestígios de antigas cabanas neolíticas.

Ainda há tempo para visitar a Meridiana Wine Estate, que dá a conhecer uma leitura contemporânea da produção de vinho em Malta. A adega tem promovido, desde os anos 90 do século XX, uma produção mais premium, precisa e cuidada, com uma identidade distintivamente mediterrânica.

Sob a cidade de Paola, está o Hipogeu de Hal Saflieni. Classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, é descrito como um complexo subterrâneo escavado na rocha, constituído por três níveis e que se estende por câmaras, corredores e salas, cuja função continua envolta em mistério.

 

Malta
fenek moqli

 

No sul da ilha de Malta

Mdina, a antiga capital de Malta, conhecida como “A Cidade do Silêncio” e clasificada de Património da Humanidade pela UNESCO, é um dos tesouros mais bem preservados do mundo. Fundada pelos fenícios por volta do ano 700 a.C. e, posteriormente, fortificada pelos romanos e pelos árabes, testemunhou a passagem de diversas civilizações. Exemplos a explorar? A Catedral de São Paulo, um ícone barroco, e o Palácio Vilhena, onde está instalado o Museu Nacional de História Natural. Das muralhas, a vista alcança a paisagem maltesa e o mar Mediterrâneo.

Na lista de produtores de referência, localizados no lado sul da ilha de Malta, constam duas adegas: a Ta’Betta Wine Estates e a Markus Divinus. A primeira, situada em Girgenti, nos limites de Siġġiewi, foi criada em 2002 e aposta grandemente na produção de vinhos com grande potencial de envelhecimento, bem como no enoturismo. A segunda, com localização próxima dos Dingli Cliffs, é considerada uma adega boutique, cuja produção anual é de cerca de 6.000 garrafas, abrindo caminho para a exclusividade e na presença em hotéis de luxo e restauração de topo.

Malta

Gozo e a cultura enológica

Mais verdejante e tranquila, a ilha de Gozo denota uma envolvente paisagística dominada por colinas suaves e pela ruralidade. É uma verdadeira viagem no tempo, onde os Templos de Ggantija, datados de cerca do ano 3600 a.C., constituem um dos conjuntos megalíticos mais antigos do mundo.

Neste cenário encontra-se a Ta’ Mena Estate, uma propriedade familiar com uma abordagem baseada na ligação entre a produção e o território, oferecendo uma experiência de enoturismo profundamente enraizada na paisagem de Gozo. Há ainda a Tal-Massar Winery, uma adega familiar que recupera tradições antigas e produz vinhos de topo, incluindo licorosos elaborados através do método de ‘appassimento’.

De um modo geral, além das provas de vinho personalizadas e visitas a caves e adegas, no arquipélago de Malta, o enoturismo tem evoluído para a criação de wine libraries e de experiências gastronómicas ligadas à cultura local.

Para fechar em grande, fica a nota do evento anual destinado aos amantes do vinho, o Malta International Wine Festival, que decorre, em junho, nos Jardins Argotti, em Floriana. Um cenário histórico que, durante vários dias, oferece uma seleção de vinhos locais e internacionais, harmonizados com propostas gastronómicas e acompanhados por música ao vivo. Uma oportunidade perfeita para descobrir a diversidade, a qualidade e a hospitalidade associadas ao vinho maltês.

(Mais informação em: Wineries & Vineyards)