Castelão: Patinho feio ou cisne maravilhoso?

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O mundo está em constante estado de mudança. Certas coisas acontecem com tal rapidez que é difícil adaptar-nos, outras ocorrem tão lentamente que não são imediatamente perceptíveis. No mundo do vinho não é diferente. Castelão já foi […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O mundo está em constante estado de mudança. Certas coisas acontecem com tal rapidez que é difícil adaptar-nos, outras ocorrem tão lentamente que não são imediatamente perceptíveis. No mundo do vinho não é diferente. Castelão já foi a casta tinta mais plantada de Portugal e é interessante observar sua transformação ao longo dos anos, analisar o que acontece actualmente e ponderar possibilidades futuras.
TEXTO DIRCEU VIANNA JUNIOR MW
FOTOS ARQUIVO
Devido sua capacidade de adaptação, a uva Castelão é encontrada desde as regiões mais frescas e húmidas do norte do país até áreas mais ensolaradas e áridas do sul. A Castelão espalhou as
suas raízes pela maioria das regiões portuguesas incluindo Trás-os-Montes, Douro, Távora-Varosa, Beira interior, Lisboa, Tejo, Alentejo e Algarve.
Encontrou condições ideais na região de Península de Setúbal onde na década de 60’s chegou a cobrir mais de90% da área plantada.
Apesar de ser extensivamente cultivada, a aceitação em termos comerciais nem sempre foi fácil. Pedro Simões, administrador da Casa Agrícola Horácio Simões, recorda quando a empresa decidiu lançar um DOC Palmela no princípio da década de 2000. Naquela época a casta era mal vista, mal compreendida e mal-amada. Lembra de suas primeiras visitas ao mercado quando havia pouco interesse e frequentemente não o permitiam nem abrir a garrafa. O tempo passou e felizmente o comportamento mudou. Hoje a casta começa gradualmente a receber mais atenção dos profissionais do sector e consumidores.
No campo, a casta possui alto poder de adaptabilidade e durabilidade. Na adega, Castelão é versátil, capaz de produzir múltiplos estilos de vinho desde espumantes, brancos, rosés e até fortificados. Os vinhos tintos podem ser leves, elegantes e fáceis de beber quando jovens ou encorpados, concentrados e com estrutura firme para envelhecer por décadas. Na opinião de Luís Simões, enólogo da Casa Agrícola Horácio Simões, a Castelão, quando bem trabalhada, pode ser uma das castas portuguesas de maior longevidade.
Documentos descrevendo terras ao redor da cidade de Lamego em 1531 são as referências mais antigas onde menções sobre Castelão podem ser encontradas. Sua subsequente popularidade deve-se ao empenho de José Maria da Fonseca, natural da freguesia de Vilar Seco do conselho de Nelas no Dão, que ao se fixar em na Península de Setúbal no início do seculo XIX decidiu plantar Castelão na sua vinha da Cova da Periquita. O vinho obteve enorme sucesso comercial e passou a ser associado a esse local de origem, tanto que o nome da vinha, Periquita, acabou por tornar-se um dos sinónimos populares da casta. Castelão é conhecida por mais de uma dezena de nomes distintos dependendo da região onde é cultivada, mas somente Periquita e João de Santarém são sinónimos oficialmente reconhecidos pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e mesmo assim, apenas em determinadas pressupostos legais.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_text_separator title=”CONTROLAR A PRODUÇÃO É ESSENCIAL”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os dados do IVV mostram que a casta ocupa 9,079 hectares sendo atualmente a terceira variedade tinta mais plantada do país, atrás de Tinta Roriz e Touriga Franca. Após anos de recessão, produtores e enólogos estão gradativamente recuperando o interesse e existem exemplos recentes de áreas cujos vinhedos estão sendo replantados.
A Castelão, que é um cruzamento natural entre Cayetana Blanca e Alfrocheiro, abrolha precocemente, tem vigor médio, porte erecto e adapta-se a diversas formas de condução, principalmente cordão bilateral e guyot. Uma desvantagem é a sensibilidade ao desavinho e a bagoinha. Os maiores desafios, de acordo com Bernardo Cabral, enólogo da Herdade Pegos Claros, estarão relacionados com a gestão de rega e o controlo da produção das vinhas novas. Um dos principais motivos de sua popularidade é sua resistência a doenças criptogâmicas, sendo pouco sensível à podridão. Para António Saramago (filho), enólogo da casa António Saramago Vinhos, a vantagem de ter uma pelicula rígida é essencial para resistir os efeitos negativos que as chuvas trazem em épocas críticas do ciclo vegetativo. Já Domingos Soares Franco afirma que é uma das castas mais resistentes ao escaldão. Apesar de ter sofrido com a vaga de calor do verão de 2018, foi a casta que melhor resistiu às temperaturas elevadas que numa estação meteorológica de Azeitão atingiram 46ºC na sombra.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”37223″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A grande atracção para muitos é sua produtividade elevada, podendo facilmente atingir rendimentos em torno de 15 toneladas por hectare. A qualidade do produto final e variável e inversamente proporcional ao rendimento, sofrendo uma queda acentuada de qualidade à medida que o volume de produção excede cerca de sete toneladas, na opinião de Bernardo Cabral. Quando o vigor não é controlado, podem resultar em vinhos com pouca cor, magros, acídulos, agressivos e demasiadamente rústicos. A produtividade, e consequente qualidade, depende do material vegetativo. Existem várias opções de clones como 5, 25 e 26 JBP e 27-33 EAN. No entanto, na opinião de Luís Simões, a pressão comercial frequentemente leva produtores a optar por clones excessivamente produtivos, o que não é compatível com vinhos de qualidade. O segredo, segundo, Luis Simões, está na preservação das vinhas velhas com maior diversidade genética e volume de produção menor.
A Castelão adaptou-se em vários cantos do país, desde solos tipo podzol na zona de Pegões, solos de areia pliocénica encontrados na sub-região de Charneca no Tejo ou argilo-calcários da região de Lisboa. Nos solos arenosos de Palmela, as videiras afundam suas raízes à procura de água, e consequentemente ajudam conferir estrutura e concentração ao vinho. Além disso, no auge do verão, em terrenos de areia a planta consegue fugir do calor excessivo que se concentra na superfície. Nos solos argilo-calcários, da zona da Arrábida, as raízes distribuem-se lateralmente
fixando-se mais perto da superfície e geram vinhos mais leves, elegantes, com mais frescor e menor teor alcoólico.
Devido à alta relação entre pele e polpa, os vinhos frequentemente possuem estrutura tânica particularmente firme, razão pela qual muitas vezes é preferível fazer lotes com outras varietais como Tinta Roriz, Moreto e Trincadeira. Luis Simões afirma que a casta se relaciona muito bem com o Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, no entanto na Casa Agrícola Horácio Simões a preferência é trabalhá-la como monovarietal. Para Domingos Soares Franco, um dos principais desafios durante a vinificação é fixar a cor. Na opinião de António Saramago (filho), é recomendável o lote com castas menos ácidas e com menos estrutura quando o objetivo é elaborar vinhos mais económicos, pois atingem equilíbrio mais cedo. Já Bernardo Cabral alerta que a mistura com outras castas pode facilmente ofuscar a tipicidade e o carácter do Castelão.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”UMA CASTA, DIFERENTES PERFIS”][vc_column_text]Luis Simões defende que Castelão responde positivamente quando vinificada em lagar (de preferência de pedra), gosta de pisa à pé e macerações longas. António Saramago concorda com as propriedades positivas da vinificação em lagar e favorece o uso de engaços quando maduros para dar mais estrutura e adicionar complexidade.
Prefere controlar fermentações para que não ultrapassem 28ºC, ao contrário de Bernardo Cabral que não teme fermentações com temperaturas mais elevadas.
Acidez natural elevada e estrutura firme torna a casta facilmente compatível com estágio em madeira, preferencialmente barricas de carvalho francesas, afirma Bernardo Cabral. Na Casa Agrícola Horácio Simões a preferência é usar madeira nova na primeira fase do envelhecimento seguida por madeiras usadas subsequentemente.
A exemplo de Baga, Sangiovese e Nebbiolo, a casta responde positivamente quando envelhecida em tonéis de madeira de grande porte. O clima ameno do Algarve, cujas amplitudes térmicas entre o dia e noite não variam radicalmente, transmite aos vinhos boa intensidade aromática. Para Ana Matias Chaves, administradora da Herdade Barranco do Vale, os vinhos mostram-se mais abertos, são mais redondos e estão prontos para beber mais cedo, mas não possuem grande capacidade de envelhecimento. Domingos Soares Franco é categórico no que diz respeito à origem dos melhores vinhos de Castelão, citando os solos arenosos que abrigam vinhedos velhos de baixo rendimento na Península de Setúbal como origem não somente dos melhores vinhos, mas também os mais longevos, sendo possível encontrar garrafas de Castelão com mais de meio século que ainda estão na sua plenitude.
Na opinião de Bernardo Cabral, a casta mostra características similares ao Sangiovese da Toscana e ao Nero d’Ávola da Sicília. Tanto António Saramago (filho) e Ana Matias Chaves fazem comparações com Pinot Noir enquanto Luís Simões descreve a com perfil similar ao Grenache. Não resta dúvida que a casta exibe diferentes perfis e é extremamente versátil. Dependendo do estilo pode ser harmonizado com pratos mais delicados, como risoto de cogumelos, frango grelhado e massas. Pode combinar com pratos de sabores moderadamente fortes como atum grelhado, sardinhas e certos tipos de queijo. Alguns vinhos são capazes de enfrentar pratos com sabores fortes como churrasco, ensopados guarnecidos com ervas aromáticas, feijoada, bem como pratos da culinária mexicana.
Para assegurar que a transformação da casta continue sendo positiva é vital proteger os vinhedos velhos. Além de favorecerem a qualidade, fazem parte do património vitícola nacional. Esse diferencial é importante e não deve ser sacrificado à favor de castas alternativas como Cabernet Sauvignon, Merlot ou Shiraz. Além de fácil gestão vitícola e resistência à doenças, a Castelão consegue reter acidez em condições mais quentes o que certamente será uma vantagem na batalha contra alterações climáticas. Com atenção voltada ao futuro, é necessário explorar a possibilidade
de instalação de rega para evitar repetição do que aconteceu na última vindima pois a tendência é que fenómenos parecidos se repitam. Novas plantações devem ser feitas em solos propícios, especialmente solos arenosos, e com material vegetativo orientado para vinhos de qualidade, não quantidade. Como a tendência actual está voltada para vinhos mais leves, elegantes e menos alcoólicos, a vinificação de vinhos para consumo imediato deveria seguir uma abordagem enológica moderna, indo ao encontro do que o consumidor deseja sem extrair taninos em excesso, mas protegendo a tipicidade da casta. Na verdade, já existe um conjunto de vinhos 100% varietais de excelente qualidade. Para que a casta atinja um patamar ainda mais alto e ganhe maior notoriedade é necessário que os produtores mostrem ainda mais convicção, lançando os seus topo de gama 100% Castelão.
A Castelão é uma variedade de grande potencial capaz de gerar vinhos de qualidade diretamente proporcional à atenção que lhe é dada.
Uma casta que tem tudo para se transformar em algo verdadeiramente especial. Basta ser bem tratada.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”EM PROVA”][vc_column_text]
Edição Nº24, Abril 2019
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A revolução silenciosa dos Verdes

Esqueça tudo o que pensa que sabe sobre Vinho Verde. Ou já não é verdade, ou não é suficiente. Ao longo de mais de 100 anos, foram vários os momentos de mudança, a culminar no que hoje temos: uma região multifacetada, com vinhos que vão desde os mais despretensiosos e simples aos mais ambiciosos, de […]
Esqueça tudo o que pensa que sabe sobre Vinho Verde. Ou já não é verdade, ou não é suficiente. Ao longo de mais de 100 anos, foram vários os momentos de mudança, a culminar no que hoje temos: uma região multifacetada, com vinhos que vão desde os mais despretensiosos e simples aos mais ambiciosos, de grande qualidade e longevidade. São estes últimos que aqui mostramos e que representam um novo caminho que se abre para os Vinhos Verdes.
TEXTO Mariana Lopes FOTOS Mário Cerdeira
Não está na hora de mudar a forma como olhamos para o Vinho Verde. É, sim, tempo de ver o outro lado da moeda, não reduzindo a região apenas ao estilo que sempre conhecemos. Há um novo (antigo) Verde e, por mais que alguns esperneiem em discórdia, esta Grande Prova veio demonstrar que assim é.
Como foi escrito num editorial da Grandes Escolhas, exactamente há um ano, desde a sua fundação, em 1908, que a região dos Vinhos Verdes se viu em vários momentos de fractura. Estes pontos de agitação permitiram que esta se desenvolvesse positivamente e, mesmo quando deu um passo atrás, a região acabou sempre, mais tarde, por dar dois em frente. Refiro-me, por exemplo, ao fenómeno a que Luís Lopes chamou de “Verdes de Quinta”, lá para o final da década de 80, em que as grandes casas e solares da região prosseguiram um estilo de vinho mais seco, estruturado e sério. Mas nem o país, nem as pessoas, nem o mercado estavam preparados para esta disrupção do Vinho Verde, e o sol acabou por ser de pouca dura, com estes projectos a reverter para um perfil mais comercial. Porém, nada disto foi em vão, pois deixou no ar um bichinho que se tem vindo a apoderar, mais uma vez, de algumas empresas, num tempo em que tudo isso já é realista. E é realista porque uma parte muito importante do sector também sofreu uma grande revolução nos últimos anos, em todo o país: a viticultura. E isso não foi excepção nos Vinhos Verdes. Com novas técnicas, mais sabedoria, e a sensatez de saber ir buscar ao passado aquilo que pode fazer bem ao presente, as uvas mais nobres da região exprimem-se cada vez mais nos vinhos, dando-lhes sentido de lugar.
Seguindo esta linha de pensamento, a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) tem posto em marcha um plano de marketing, promovendo estes Verdes mais ambiciosos e diferenciadores. Não é uma campanha em detrimento dos mais correntes, dos mais jovens, com gás e doçura, que servem o seu propósito e representam a maior parte do mercado da região. Felizmente, esses vendem-se tão bem que não carecem de grandes investimentos de marketing. Aliás, Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV, conta que “Hoje exportamos mais de metade do Vinho Verde produzido e, em mercados como a Alemanha ou os EUA, mais de metade do vinho português é Vinho Verde”. Consultando os dados estatísticos da CVRVV, constatamos que, em 2018, se exportou uns atordoantes 13 milhões de euros para os EUA, e 11 milhões para a Alemanha. Se tivermos em conta os 16 maiores importadores de Vinho Verde, estamos a falar de 57 milhões.
Depois desta informação assentar, e voltando à campanha, nas peças publicitárias pode ler-se, por exemplo, “Os Vinhos Verdes estão mais ricos, descubra-os”, com imagens gastronómicas que sugerem capacidade de harmonização. O objectivo das novas acções de promoção é, segundo o presidente da Comissão, “Valorizar as castas, as sub-regiões, os vinhos que melhor afirmam esta ambição de valorização”. Relançar a Rota dos Vinhos Verdes é outra medida em curso, que quer intensificar “a ligação dos produtores aos territórios, sendo essencial para a afirmação, até comercial, dos mais pequenos”. Quanto à maneira, por vezes distorcida, como o Vinho Verde é visto pelos consumidores nacionais e internacionais, Manuel Pinheiro não está preocupado: “Sei que é uma visão que se está a desvanecer. Aliás, ela não existe em mercados novos como, por exemplo, o Japão, que valoriza os Vinhos Verdes como grandes vinhos, com uma personalidade própria”. Mas tem também consciência de que a realidade de hoje é totalmente diferente da de outrora, e explica que “Quem compara os Vinhos Verdes de hoje com os de há duas décadas, não reconhece a mesma região”. E aponta o papel da viticultura, dizendo “Estamos a reconverter entre 600 e 700 hectares de vinha por ano, a mudar a paisagem do Minho vinha a vinha, e com isso a produzir uvas muito mais interessantes, com uma estrutura de custos muito mais competitiva”. Isto leva-nos à questão dos preços, que, como desmistifica o jurista de formação, pode estar a ser interpretada de um modo falacioso: “Há uma ideia de que o Vinho Verde é um vinho barato, mas essa ideia desaparece com um simples olhar aos números Nielsen para o mercado nacional, ou aos números de exportação do Intrastat”. Não nos podemos esquecer também de um factor incontornável, sem o qual nenhuma revolução teria lugar, os enólogos. “Hoje, a vinificação está concentrada em centros bem equipados, dirigidos por enólogos que não hesitam em inovar, e as castas do Vinho Verde são a melhor testemunha desta nova parceria vinha/enologia. Mais do que o valor que se trouxe para a região, é relevante o conhecimento que se adquiriu nesta área”, valorizou Manuel Pinheiro.
Nesta prova incluíram-se 29 vinhos com um preço de venda ao público médio superior a sete euros e sem qualquer adição de gás carbónico. Não foram pedidos vinhos da sub-região Monção e Melgaço, pela sua especificidade e por representarem, em si mesmo, uma categoria diferenciada junto do consumidor, nem foram contemplados Regional Minho. Em primeira instância, o que destacou foi a qualidade generalizada, com a nota mínima de toda a prova a situar-se nos 16 valores, significando que tivemos apenas vinhos muito bons e vinhos excelentes. Em segundo lugar, a predominância de Avesso e de lotes de Alvarinho com Avesso, ou Alvarinho com Loureiro. Por último, o teor alcoólico dos vinhos, com muitos a recair nos 13% ou mais. Está na hora de arregaçar as mangas e descortinar tudo isto, com a ajuda de quem põe a mão na massa, os enólogos, os viticultores e os produtores. E como é que eles próprios vêem esta onda de ambição? Ou será que não a vêem, de todo? João Camizão, autor
dos vinhos Sem Igual, reconhece-a: “É uma pequena onda que alguns de nós já estão a ‘apanhar’ há alguns anos e que, finalmente, empresas com negócios de referência na região vão começar a ‘surfar’. Provavelmente, apenas começa agora a ter notoriedade e a ser cobiçada, pois a região dos Vinhos Verdes tem uma tipicidade tão intrínseca (até as cartas de quase todos os restaurantes têm uma secção para os Vinhos Verdes e outra para os brancos), que é como nascer num berço de ouro. Ou seja, não houve necessidade de reinventar e inovar o estilo de vinho. E esta tipicidade gera, per si, grande volume de negócio com muita exportação e preços que não são os mais baixos do país (é das regiões que mais valoriza a uva)”. E revela aquilo que acha ser a chave para o sucesso, tocando num ponto fundamental, a longevidade, e dizendo “Nos dias de hoje, muitos produtores da região ambicionam ter vinhos de grande qualidade, mesmo tendo de se desviar do perfil da casa. Portanto, há que estar preparado para investir e esperar uns anos com o vinho na adega, para aferir à longevidade e deixar a acidez vibrante ser arredondada pelo tempo. Penso que esta será condição necessária para o sucesso. Estamos numa região com grande potencial para fazer vinhos brancos de guarda, de classe mundial”. Já Gonçalo Sousa Lopes, produtor e viticultor dos vinhos Quinta do Cruzeiro, assume que “É o único caminho que o pequeno produtor-engarrafador tem de fazer, atingindo assim um nicho de clientes apreciadores e conhecedores. Existem produtores que já estão nesta linha há muto tempo, mas como a região sempre foi vista como produtora de vinhos ‘do ano’ e pouco complexos (há excepção de Monção e Melgaço), estes sempre ficaram na sombra e, para se afirmarem, tinham de se por nas pontas dos pés, ou gastar muito dinheiro para divulgarem os seus ‘vinhos sérios’”. Mostrando que há visões diferentes sobre os preços a que o Vinho Verde é vendido, defende que, desta maneira, “diferenciam-se dos grandes armazenistas que vendem Vinho Verde (muito gaseificado e doce) a preços incompreensivelmente baixos e desprestigiantes para a região”. Por sua vez, Rui Cunha, enólogo dos Covela, é implacável na sua visão e alerta “Fala-se muito de Verdes ambiciosos mas, na verdade e em geral, o que existe são vinhos com um pouco menos de gás e um pouco menos de açúcar”. Na posição de quem lida com dois perfis de Vinho Verde, João Cabral de Almeida, enólogo da Quinta da Calçada e produtor dos vinhos Camaleão, esclarece: “Os dois caminhos são interessantes e os dois têm lugar no mercado. Quando faço vinhos mais ‘sérios’ (se bem que há seriedade em ambos) estou focado naquilo que a vinha tem para oferecer e no terroir, quando faço vinhos mais ‘jovens’ estou a pensar nas sensações, na experiência imediata que estou a dar a um consumidor”.
E a questão que a seguir se coloca é inevitável. Como lá chegar? Que castas são mais propícias? O álcool e a barrica são factores fundamentais para atingir este estilo de Verde mais, digamos, complexo? As respostas variam, mas há um ponto em que todos concordam: viticultura, viticultura, viticultura. Márcio Lopes, criador e enólogo dos Pequenos Rebentos, faz a sua eleição. “O Alvarinho, que já tem provas dadas. O Loureiro é uma casta delicada, mas num bom local pode originar grandes vinhos, e o Avesso que também é complicado mas tem grande potencial. Já o Azal é uma casta excelente para contrariar as alterações climáticas. Com a viticultura mais avançada, é agora mais fácil cuidar das uvas mais sensíveis”. Não podendo deixar de pegar no tema do clima, fazemos Márcio alongar-se nele: “A ramada e o enforcado são sistemas de condução muito pertinentes para um Verde com ambição, pela resistência às alterações climáticas, porque criam maturações mais lentas e equilibradas, folhagem que protege as uvas e impede o escaldão. Devem ser hipóteses a considerar na viticultura. Temos de encontrar um meio termo entre o passado e o futuro”. Para Rui Cunha, destacam-se o Alvarinho, o Avesso e o Arinto, sem esquecer o Loureiro. “Infelizmente, o Loureiro não é uma casta que tenha o peso devido na região, porque é fantástica. Sobre o Arinto, há a vantagem de já se conhecer bem e saber-se que tem bom envelhecimento, assim como o Avesso. Esta última é a minha favorita. É difícil ‘competir’ com a fama que o Alvarinho tem, no sentido em que, lá fora, muita gente pensa que a região se reduz a esta casta”. Gonçalo Lopes elege as mesmas que os dois anteriores, mas com um extra, a Trajadura. Tal como Márcio Lopes, também dá importância às vinhas velhas e com diversas castas misturadas, admitindo que dão ainda mais complexidade aos vinhos, e aponta o terroir como factor determinante de qualidade. João Cabral de Almeida lembra, ainda, que “urge saber mais sobre castas antigas ainda desconhecidas, muitas presentes nas vinhas velhas, que se podem revelar muito interessantes”, mas acha redutor associar este perfil mais ambicioso a castas em concreto.
No que toca a madeiras e álcool, reina a palavra “equilíbrio”. Mas é Márcio Lopes que mais simplifica o caminho para chegar a um grande Verde: “O fundamental é a qualidade da uva, depois é não estragar. Acima de tudo, a boa acidez é importante. Não nos interessa que o álcool vá subindo e a acidez descendo. Quanto à necessidade de barrica, a própria uva pode dar estrutura, corpo e complexidade. Tem mais que ver com os rendimentos da vinha. Se ela produzir muito, vai ter muitos filhos para alimentar e esgotar-se a si própria, se produzir menos, consegue conferir mais às uvas. Ou seja, tem tudo mais que ver com a nascença do que com os extras. Uma região granítica e de frescura natural é uma região de futuro no mundo actual”. João Camizão também não dá valor ao álcool e afirma que este deve ser controlado, acima de tudo “com os novos sistemas de condução”. “Devemos ter a ambição de fazer grandes vinhos com álcool abaixo dos 13%, o que é difícil mas torna tudo bem mais equilibrado”. Mais do que a barrica, que considera útil mas não necessária, releva outras opções enológicas, sugerindo “Deixar a fermentação ir até ao fim, para ficarmos sem açúcar residual. Ou, por exemplo, fazer brancos de curtimenta, estágios em cubas de cimento, etc., práticas que eram muito comuns nos Vinhos Verdes. Temos a sorte de estar numa região com uma história tão rica em temos de práticas de vinificação, que será uma pena se não explorarmos estes caminhos”. Gonçalo Lopes acrescenta elementos à lista: “Existem outras técnicas, na vinificação, que se podem usar. Refiro-me à maceração pelicular a frio antes da prensagem, bâtonnage de borras totais a frio pré-fermentativa e estágio prolongado com borras finas. Associado a estas técnicas, qualquer vinho ganha sempre com o estágio em garrafa. Vinhos produzidos assim, muitas vezes não necessitam de teores alcoólicos elevados nem de ir à barrica, esta pode mesmo ser um elemento a mais”. Depois, Rui Cunha vem abrir a cortina a outra perspectiva, concordando que há qualidade na uva para que esta brilhe por si só, mas recordando “Até os grandes brancos alemães estagiam em madeira. Se me disserem ‘faz um grande branco’, provavelmente vou utilizá-la. O que não quer dizer que precisemos dela para lá chegar”.
Podemos dizer que há aqui uma estrela no meio da trama: a vinha. Quando ela se porta bem, quando se cuida bem dela e não se desvirtua o produto com excessos disto ou daquilo, é difícil que o resultado não seja um vinho ambicioso. Principalmente numa região com matéria-prima deste nível, frescura natural, e técnicos inteligentes, arrojados, que pesquisam o que já se fez e o que se pode fazer para ser cada vez melhor. Mas vamos por as coisas em pratos limpos: o facto de o Vinho Verde ser, para muita gente, mais uma cor do vinho, como o branco, o tinto ou o rosé, é uma desvantagem, acima de tudo porque não é verdade e está associado apenas ao estilo de vinho doce e com gás. Porém, isso também significa que o Vinho Verde se enraizou como uma marca forte, num fenómeno muito semelhante ao da Gillette, do Kispo, ou do Tupperware. Lá fora, muita gente conhece a palavra Vinho Verde, bem mais até do que outros nomes de regiões portuguesas. Há que pegar nela e mostrar que é marca de grandes vinhos, nunca esquecendo que todos os estilos têm o seu lugar no mercado. E as perspectivas são muito positivas. O que se vê é que os enólogos estão cada vez mais apaixonados pela uva, pela terra, trabalhando em uníssono com os viticultores. Já lá vai o tempo em que não entravam na vinha, com medo de sujar o sapato. E isso, além de bonito, é benéfico para vinhos melhores, mais puros, singulares, fiéis à sua origem. A revolução dos Vinhos Verdes não será televisionada. Será bebida, e com muito prazer.
18 €25 B
Anselmo Mendes Private
Vinho Verde Loureiro 2017
Anselmo Mendes Vinhos
Loureiro é isto: folha de louro, floral muito delicado, folhas verdes, infusão de camomila, enorme pureza. Elegante e sublime, é ainda muito jovem, adivinhando longevidade em garrafa, enorme frescura de boca e expressividade, mas tudo isto com uma primorosa leveza. Belíssimo vinho. (12%)
18 €25 B
Sem Igual Ramadas Wood
Vinho Verde Escolha branco 2017
Arrochela e Camizão
Arinto e Azal. Muito cítrico de limão maduro, casca de lima, flor de limoeiro. Com a barrica perfeitamente integrada e discreta, potenciando a fruta, tem grande percepção de frescura, ananás no final de boca, com os citrinos verdes a reinar. Vibrante, tem imensa presença e carácter. (13,5%)
17,5 €16 B
Quinta da Calçada
Vinho Verde Reserva branco 2016
Agrimota
Fermentado em barrica, que se expressa em discretas notas de baunilha, tem pêssego, alperce e geleia de fruta branca. Cremoso e bem equilibrado, mostra a complexidade conferida pelo tempo e uma acidez perfeita que lhe dá muita frescura e elegância, num corpo volumoso. (12,5%)
17,5 €15 B
Quinta de SanJoanne
Vinho Verde Escolha branco 2015
Casa de Cello
Excelente evolução com notas de pederneira, sílex, casca de citrinos, tangerina, leve kumquat. Fino e elegante na boca, é muito cítrico, tem laranja, acidez acutilante, citrinos cristalizados e flores. Um vinho pleno de personalidade. (12%)
17,5 €15 A
Quinta do Cruzeiro
Vinho Verde Reserva branco 2013
Gonçalo Sousa Lopes
Alvarinho e vinhas velhas, estágio em barrica usada. Cor acentuada, evolução saudável com bela complexidade aromática, maçã verde, resinas, aloe vera, salinidade. De belo equilíbrio de boca, complexo e muito presente, enche o palato, tem tangerina e leve mineral. Está no ponto óptimo de consumo. (13%)
17 €20 A
Casa da Senra Premium
Vinho Verde Alvarinho/Loureiro branco 2016
Abrigueiros
Estagiado em carvalho francês. Leves fumados, casca de citrinos, folha de louro, mineral delicado e toque de sílex. Cremoso apesar do álcool bem moderado, laranja e toranja, final de muito boa acidez, com notas fumadas. Complexo, mas leve. Excelente integração, sem madeira impositiva. (12%)
17 €17 B
Casal de Ventozela Prime Selection
Vinho Verde Grande Escolha branco 2017
Soc. Agr. Casal de Ventozela
Alvarinho e Avesso em partes iguais. Perfil cítrico, também alperce, folhas verdes, leve fumo, bastante delicadeza. Muito leve e preciso, tem um belo equilíbrio, cheio de graça e presença. Elegante e bem aprazível. (12,5%)
17 €15 B
Covela Edição Nacional
Vinho Verde Avesso Reserva branco 2017
Lima & Smith
Muito mineral, fósforo, grafite, conjugados com ameixa branca e damasco. Grande volume de boca, bela integração da barrica quase imperceptível, tem uma certa austeridade e seriedade sedutoras. Com tons de marmelo, é fresco e amplo, tem tudo para crescer na garrafa. (13%)
17 €18,77 B
Maria Bonita Barrica
Vinho Verde Loureiro 2017
Lua Cheia em Vinhas Velhas
Floral e elegante com a casta bem expressiva, citrinos e folhas verdes. Muito boa estrutura, é um branco delicado e firme, com muita frescura, citrinos exóticos, raspa de limão, belos amargos finais. (12%)
17 €15,99 B
Paço de Teixeiró
Vinho Verde Baião Avesso branco 2017
Montez Champalimaud
Biscoito de laranja e maçã reineta introduzem a prova. Muito elegante e delicado, é envolvente, fino e expressivo. A amplitude anda a par da boa estrutura, num branco com carácter e frescura. Bastante sedutor. (13%)
17 €17,50 B
Pequenos Rebentos Vinhas Velhas
Vinho Verde Loureiro Reserva branco 2018
Márcio Lopes
Estágio em barrica usada. De aroma levemente floral, com a casta ainda tímida. Bem mais expressivo na boca, intenso, com citrinos e leve especiaria, complementado por ervas aromáticas. Tem boa estrutura e volume, é sério, bastante jovem e promete uma bela evolução em garrafa. (12,5%)
17 €22 B
Quinta do Tamariz
Vinho Verde Cávado Grande Reserva branco 2017
Soc. Agr. Quinta de Santa Maria
Marmelo e gila, também citrinos maduros e um toque de verniz. Firme, tem um lado de fruta asiática e bela acidez, é sólido e fresco. Um vinho com muito nervo e persistência, que ainda vai crescer na garrafa. (12,5%)
BOA ESCOLHA 2019
17 €10 B
Singular
Vinho Verde branco 2017
A&D Wines
Leve evolução a conferir complexidade, fumados e alguma pimenta branca, um toque de lima e limão. Cremoso, amplo, com muita frescura e bela acidez, é firme, puro e expressivo. Conjunto bastante bonito e sedutor. (13%)
17 €25 A
Vila Nova
Vinho Verde Reserva branco 2015
Soc. Agr. Casa de Vila Nova
Fermentado em barrica. 100% Avesso. Alperce e ananás com leve fumado de fundo, toque de ervas aromáticas e infusão. Especiado na prova de boca, toque tostado e fruta madura, é untuoso e intenso no retrogosto, envolvente, a mostrar evolução muito positiva. (12,5%)
16,5 €9,50 B
Casa de Vilacetinho
Vinho Verde Avesso/Alvarinho Superior branco 2018
Soc. Agr. Casa de Vilacetinho
Maçã e tropical, pêssego e leve ananás no nariz. Excelente acidez e mineralidade, conjunto que é bem fresco, persistente, expressivo, estruturado e macio. Um vinho de excelente “drinkability”. (13,5%)
BOA ESCOLHA 2019
16,5 €7 A
Castelo Negro 150
Vinho verde Alvarinho/Avesso Colh. Selec. branco 2018
Guapos Wine Project
Nariz de citrinos verdes como lima e limão, toque floral, perfume bonito. Na boca apresenta ameixa verde, pêssego, boa estrutura ácida, é leve, fresco, com acidez cítrica final. Bem prazeroso e chamativo. (13%)
16,5 €18 A
Chapeleiro
Vinho Verde Reserva branco 2016
Carlos Gabriel Fernandes
Citrino maduro tipo limão, boa evolução, leve fumado e sílex. Óptima acidez a dar frescura, cremosidade de boca, citrinos cristalizados, gordo, cheio e com leve perfume de barrica a surgir no final. (12,5%)
16,5 €17 B
Opção B
Vinho Verde Avesso branco 2017
AB Valley Wines
Um Avesso fermentado em barrica, com notas fumadas, ananás e flores secas. Fruta cristalizada e geleia na boca, encorpado mas com óptima acidez que suporta e dá vivacidade, a barrica sempre presente, perfil sério, alguma especiaria e retorna ao fumo no final. (13%)
BOA ESCOLHA 2019
16,5 €7 A
Portal das Hortas
Vinho Verde Baião Avesso Grande Escolha branco 2018
Quinta & Casa das Hortas
Plena expressão da casta, com fruta branca tipo pêssego e maçã, também um toque tropical de ananás. Bem volumoso, tem pureza e firmeza, é elegante e sólido, com equilíbrio e persistência. (12%)
16,5 €14,50 A
Quinta das Arcas
Vinho Verde Trajadura Escolha branco 2015
Quinta das Arcas
De vinha biológica. Cor amarelada que indicia a idade. Geleia de frutos, leve tropical de ananás. Bem mais expressivo na boca, é cheio e com toque de “banana passi”. Profundo e rico, tem acidez quanto baste para manter a sua frescura. Original, é um raro vinho desta casta, nem sempre muito considerada. (12,5%)
16,5 €10 A
Quinta de Santa Cristina
Vinho Verde Reserva branco 2015
Garantia das Quintas
Evolução notória na cor. Marmelo, geleia, toranja madura no nariz. Denso e cremoso, é gordo mas não chega a ser pesado graças à boa acidez. Um vinho bastante maduro, num estilo com teor alcoólico pouco comum na região, mas que mantém um belo equilíbrio. (14%)
16 €15 A
Adega Ponte da Barca Reserva dos Sócios
Vinho Verde Loureiro branco 2017
Adega Coop. Ponte da Barca
As notas florais da casta envolvidas em nuances fumadas, geleia. Boa presença de boca, muito cheio e untuoso, algumas notas picantes no final preciso. Um Verde sereno, gordo e envolvente. (13%)
16 €7,25 A
Camaleão
Vinho Verde Loureiro/Alvarinho Escolha branco 2018
João Cabral de Almeida
Toque floral no nariz contido, leve tangerina e fruto tropical. Muito cítrico na prova de boca, com bom volume, meloso e tem boa acidez, transmitida por notas de casca e folha de árvore. Bela frescura de conjunto. (12%)
16 €8,50 A
Casa das Buganvílias
Vinho Verde Alvarinho/Loureiro Escolha branco 2018
De Figueiredo’s
Muito perfumado e tropical, folha de louro, maracujá e goiaba. Bastante puro, sumarento mas seco, exuberantemente frutado, tem também maçã ácida estilo granny smith. Conjunto alegre e bem agradável. (12,5%)
16 €7,49 A
Quinta da Raza
Vinho Verde Avesso Colh. Selec. Branco 2017
Quinta da Raza
Tom tropical de ananás, rebuçado, perfil puro e fiel à casta. Bem jovem, invoca leve doçura frutada, volumoso mas com acidez vibrante a cortar, toque floral. Alegre e muito fácil de gostar, tem boa estrutura e presença. (13%)
16 €7 A
Quinta de Azevedo
Vinho Verde Loureiro/Alvarinho Reserva branco 2018
Sogrape
Delicado e perfumado, assenta muito nas notas florais, pêssego e alguma laranja. Leve e harmonioso na prova de boca, é bonito e mostra muita fruta branca, um vinho bem equilibrado que se bebe com prazer, acompanhando pratos leves ou como aperitivo. (12%)
16 €7 A
Quinta de Linhares
Vinho Verde Avesso branco 2018
Agri-Roncão
Perfil exótico e perfumado, lado misterioso, orientado para os frutos tropicais, ananás e manga. Equilibrado e encorpado, é crispy debaixo da língua. Com boa frescura de boca e amplitude, o amargo final prolonga-o. (13%)
16 €7 A
Via Latina
Vinho Verde Grande Escolha branco 2018
Vercoope
Fruta cristalizada e casca de citrino, algum fumado, fruta branca como alperce e damasco. Belo volume de boca mas leve, traz novamente o alperce e demonstra boa estrutura ao lado de uma certa leveza. Bem agradável, afirmativo e vibrante. (11,5%)
16 €9,90 A
Zulmira
Vinho Verde Superior branco 2018
Quinta de São Bento da Batalha
Loureiro e Arinto. Muito aromático e super limonado, intenso e perfumado com flores secas de limoeiro e laranjeira. Cremoso e muito exuberante, com casca de citrinos, é bem sumarento, cheio de fruto, com leve doçura final. (12,5%)
Edição Nº27, Julho 2019
Monte da Bica: um Alentejo diferente

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Um ‘Alentejo diferente’ parece um cliché, mas não o é. Um projeto novo que se inicia num território de transição com alguma influência atlântica. Com o Monte da Bica, o Alentejo ganha mais um perfil!
TEXTO Nuno de Oliveira Garcia FOTOS Cortesia do produtor
Quando se pensa em Alentejo pensa-se em tudo menos numa zona de transição para os vinhos da Península de Setúbal ou mesmo do Tejo. Mas a verdade é que são regiões vizinhas no que toca ao mapa vitivinícola português. Há mais de uma década, os produtores alentejanos ‘em transição’ centraram-se sobretudo em redor do Torrão, no município de Alcácer do Sal, caso da Herdade das Soberanas e Herdade do Portocarro. Hoje apresentamos um novo produtor não exatamente dessa área de transição, mas de outra, mais a norte, muito próxima de Lavre. É aqui, quase equidistante entre Montemor-o-Novo (a Sul), Pegões (a Oeste) e Coruche (a Norte), com clara influência da Reserva Natural do Estuário do Tejo e do próprio Oceano Atlântico, que fica sito o Monte da Bica. O monte tem larga tradição em cereal e cortiça (é mesmo uma zona de grande implantação de cortiça), mas também de vinha e montado. Depois de alguns anos de ocupação (ainda sequelas da revolução de Abril) e quase abandono, em 1989 o pai de João Oliveira regressaria em força ao monte. A vinha que tinha sido arrancada durante a ocupação foi plantada de novo, bem como as restantes plantações. Todavia, foi só mais tarde, quando o filho João Oliveira viu a adolescência a ficar para trás, que o projeto vínico arrancou ao seu cuidado. Privilegiou-se as castas tintas, como o Castelão – típico da região, a revelar a proximidade às terras de Setúbal –, as omnipresentes Touriga Nacional e Syrah, e ainda um pouco de Cabernet Sauvignon. Actualmente, existem 6 ha em produção, mas em 2017 foram plantados mais 2,5 ha. desta feita de Merlot e mais Cabernet Sauvignon. O solo também revela a transição de que temos vindo escrever, com uma mistura de areias e argila pouco comum mais a sul na planície alentejana.
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Em 2016, decide-se contratar André Herrera para liderar a enologia, sendo da sua responsabilidade todos os vinhos lançados. André Herrera, produtor e enólogo dos vinhos Duende, há muito que trabalha no Alentejo (onde vive, de resto), sobretudo nos anos em que integrou o projeto Fita Preta de António Maçanita. André confidenciou-se que os resultados no Monte da Bica sempre o entusiasmaram pois permitiram um perfil mais aberto e leve do que aquele que estava habituado, apesar de ter estranhado no início a cor e acidez dos mostos. É caso para dizer que, se primeiro estranhou, depois entranhou (como escrevia Pessoa), pois hoje André é perentório no sentido de que o terroir do Monte da Bica é ideal para a produção de vinhos modernos, abertos e versáteis, verdadeiros exemplares de tintos ‘joie de vivre’ tão de moda actualmente. André e João – enólogo e produtor – comungam de uma filosofia de detalhe, centrada em pequenas produções e produtos diferenciados. Pelo que vimos, e provámos, essa filosofia está plenamente presente em todos os néctares, pois estes transbordam originalidade e carácter.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”37092″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
O projeto centra-se atualmente no mercado nacional – e em especial no canal horeca – e a exportação só irá ser um desafio quando a produção aumentar o que não deverá acontecer de forma significava num futuro próximo. Provados os 5 vinhos no mercado, é caso para dizer que todos beneficiam de uma acidez vibrante e de um fruto encarnado aberto e provocador, muito saboroso e nada impositivo. A exuberância e jovialidade do projeto manifesta-se também nos rótulos e nos (muito curiosos, mas sugestivos) nomes atribuídos aos vinhos, com especial destaque para os tintos ‘As netas chegaram primeiro’ (as netas são o resultado de gomos secundários que geralmente amadurecem depois das restantes uvas, existindo mesmo uma operação conhecida por desnetamento) e ‘Afinal não arrancámos o Castelão’ (que se afigura autoexplicativo)… Mas o mais importante é mesmo provar os vinhos que estão disponíveis, essencialmente, na restauração, sendo que a distribuição está a cargo da empresa Sabe Vinho, de Inês Carrão.
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Edição Nº24, Abril 2019
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Tawny 10 Anos: Muito Porto por pouco dinheiro

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] As categorias especiais de Porto abrangem vários tipos de vinho. Numa delas estão incluídos os vinhos com indicação de idade, 10, 20, 30 e 40 anos. Sendo o Tawny 10 anos o primeiro degrau dessa escala, […]
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As categorias especiais de Porto abrangem vários tipos de vinho. Numa delas estão incluídos os vinhos com indicação de idade, 10, 20, 30 e 40 anos. Sendo o Tawny 10 anos o primeiro degrau dessa escala, um consumidor mais exigente poderia olhar com alguma desconfiança para a categoria. Pois não há qualquer razão para isso. Os 10 anos estão cada vez melhores e mais afinados, oferecendo muita qualidade por um preço bastante moderado.
TEXTO João Paulo Martins FOTOS Mário Cerdeira
Apesar da história e fama antiga de que muito justamente se reclama, o Vinho do Porto só muito lentamente – ao longo de dois séculos – foi criando as normas específicas para os variados tipos de vinho que se podem fazer com as mesmas uvas. Assim, e no que concerne às categorias especiais apenas em 1 de Janeiro de 1974 entraram em vigor as novas regras. Muito recentemente, portanto. No essencial, esta legislação visou tornar mais fácil a compreensão, por parte do consumidor, dos tipos diferentes de vinho generoso. Como exemplo diga-se que, antes daquela data, praticamente todas as empresas vendiam tawnies com cerca de 10 anos, mas tinham nomes fantasiosos, com frequência em inglês que, como se imagina, só eram entendidos por iniciados; o vulgar consumidor ou sabia o que estava a comprar ou comprava pelo preço.
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A partir de então a indicação de idade passou a ter de estar bem à vista no rótulo, não havendo por isso lugar para equívocos: um 10 anos deixa de se confundir com qualquer outra idade. Estamos então a falar de um vinho originalmente tinto que envelheceu em casco por um período não inferior a 10 anos. Referimos a questão da cor porque actualmente há vinhos do Porto brancos velhos com indicação de idade – 10, 20, 30 e 40 anos – mas não podem ostentar a designação tawny, uma vez que ela apenas se aplica a vinhos tintos. Por norma e prática corrente no sector, aquela indicação da idade não é matemática, ou seja, o vinho poderá ter uma média de 10 anos, entrando no lote vinhos de diferentes idades. Não é regra, mas é o que mais habitualmente acontece. Empresas várias com quem falámos dizem-nos que são os vinhos entre os 8 e 15 anos de idade que normalmente entram neste lote. Podemos falar assim num sistema a que, em Jerez, se chamaria de solera: a uma base vão-se acrescentando vinhos e o lote vai sendo engarrafado à medida das necessidades. Cria-se assim um modelo de vinho que cada casa tenta reproduzir todos os anos, procurando que o lote exprima bem o “estilo da casa”. Por esta razão, se comprarmos uma determinada marca agora ou daqui a cinco anos é bem provável que encontremos o mesmo estilo: a mesma tonalidade, a mesma concentração, o mesmo perfil de aromas e prova de boca equivalente.
Pode dizer-se que tudo começa na adega: é aí, após prova dos vinhos da última vindima, que se decide o destino a dar a cada lote: uns irão para ruby e nesse caso será preciso preservar ao máximo a cor e evitar a oxidação; outros destinar-se-ão a vintage e LBV, também esses preservados ao máximo da luz e da oxidação. Face à quantidade disponível, ainda há que decidir os que irão para casco, dirigidos a futuros tawnies com indicação de idade. Contrariamente àquilo que se poderia pensar, os tawnies mais velhos têm origem em vinhos inicialmente tão bons e tão carregados de cor como os que são seleccionados para vintage. É depois pela evolução que apresentam que se vai decidindo se continuam mais tempo em casco (que se estenderá por décadas) ou se são, entretanto, vendidos como tawny Reserva (à roda dos 6/7 anos de idade) ou como tawny 10 anos. Dados os volumes que são movimentados nestas categorias é também frequente que os produtores adquiram vinhos no mercado. Aqui as adegas cooperativas são frequentes fornecedores, bem como empresas que dispõem de grandes stocks (como a Barão de Vilar) que vendem lotes a pequenos produtores que querem ter um 10 anos no mercado, mas que não têm stock para isso.
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Esta gama de vinhos do Porto faz parte do portefólio de praticamente todos os produtores, sejam grandes casas ou produtores-engarrafadores. Pelo facto de estarmos então a falar de volumes de comercialização muitíssimo diferentes, é também normal que se encontrem nos pequenos produtores vinhos que, não raramente, têm idade superior a 10 anos. Isso não obsta a que tenham na mesma a certificação junto do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). Bento Amaral, do IVDP, confirmou à Grandes Escolhas que já há muitos anos a cor deixou de ser factor de exclusão sendo por isso normal que se encontrem vinhos que, cromaticamente, estão em campos opostos, como foi o caso, neste conjunto de vinhos provados, da Ramos Pinto (mais carregado de cor) e o Reccua (muito mais aberto). “Neste momento é sobretudo a prova que nos interessa, mais do que a cor”, disse, e assim é expectável que a Câmara de Provadores esteja atenta aos variados estilos a que se pode chegar. Ana Rosas, enóloga de Vinho do Porto na empresa Ramos Pinto confirmou também que o “seu” 10 anos vem totalmente da quinta da Ervamoira (Foz Côa) e que “como fazemos poucas trasfegas, filtrações e outras práticas que poderiam aligeirar a cor, temos sempre um 10 anos muito carregado e nem sempre é fácil ser aprovado. Fazemos cerca de 60 000 litros por ano e o nosso principal mercado é a França”. Actualmente a aprovação/reprovação de um lote pode também levar a que o vinho seja apresentado a uma câmara de recurso, a Junta Consultiva, constituída por enólogos do sector. Longe de se apresentar como “opositora” da Câmara do IVDP a Junta, segundo Bento Amaral “tem tido muito contacto e provas em conjunto com a Câmara do IVDP exactamente para aferir critérios e para que todos sigam regras idênticas”.
Voltando aos pequenos produtores, pelo facto de colocarem quantidades diminutas no mercado, é sempre possível que se encontrem verdadeiras relíquias, invariavelmente com mais idade do que o rótulo sugere. Não se estranhe assim a alta classificação que alguns destes vinhos tiveram nesta prova.
Temos provado tawnies 10 anos com alguma periodicidade, em média de 5 em 5 anos. O balanço que é possível fazer de quase 30 anos de provas (a primeira que fiz terá sido em 1991), é muito positivo porque a qualidade média é agora muito mais evidente, fruto de melhor viticultura, enologia mais competente e consumidores mais avisados. Esta gama é também comercializada sob a forma de “marca do comprador” (BOB), por regra, das grandes superfícies, não só em Portugal como noutros países, com as cadeias de supermercados inglesas, por exemplo. Gonçalo Brito, responsável no grupo Symington pelo mercado interno, confirma que estamos a consumir quase o dobro do que consumíamos há 5 anos: Portugal passou de 86.742 garrafas em 2013 para 164.273 em 2017, um crescimento notável que compensou algumas quebras no mercado externo, nomeadamente o inglês. Também segundo Brito, as vendas de 10 anos em BOB representavam 30% em 2013 mas baixaram para 21% em 2018, descida esta que tem contrapartidas financeiras muito interessantes. Esta descida acompanhou a tendência do sector como um todo já que, e segundo informações que recolhemos junto do IVDP, em 2014 os BOB de Porto 10 anos representavam 33,3% de todas as vendas e em 2018 a percentagem baixou para 29,5%. Também em valor houve um aumento. No mesmo período – 2014/2018 – as vendas passaram de 37,1 para 42,7 milhões de euros.
O mercado inglês – que costuma representar nas categorias especiais cerca de 500.000 caixas de 12 garrafas/ano -, provavelmente já sob o efeito Brexit, quebrou 18,6% em 2018, muito superior à quebra global (todos os mercados) de 2018 em relação a 2017 que foi de cerca de 4,6%. Digno ainda de registo o facto de o mercado inglês, apesar de muito volumoso, apenas consumir Porto cuja média de preço nas categorias especiais é de €7,11/garrafa, enquanto Portugal se situa nos €12,14. Nas categorias especiais, Portugal cresceu também cerca de 6,2% em 2018.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”37066″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Um Porto para todos”][vc_column_text]
O Porto Tawny é um verdadeiro todo-o-terreno. Reproduzo aqui um excerto de um texto que, há já alguns anos, João Afonso escreveu sobre o tema: “Um Porto 10 anos exige pouco: não requer momentos especiais, não precisa decantação e não exige que o consumo seja feito de imediato após a abertura, mantendo-se no mesmo patamar de qualidade por alguns meses. Mas num tema ele é teimoso e insiste: deve ser servido refrescado e em copos que permitam captar as fragâncias que dele emanam.” Neste ponto, o 10 anos não mudou e continua por isso a ser um Vinho do Porto de excelente relação qualidade/preço. E se se pensar que uma garrafa alegra entre 8 a 10 convivas, pode mesmo dizer-se que é muito barato. Talvez até demasiado barato, se atendermos aos preços dos vinhos DOC que a região produz, com uvas idênticas às usadas para vinho do Porto. Mas essas são contas de outro rosário.
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O Tawny 10 anos à mesa
Como vinho doce que é e com um teor alcoólico médio de 20%, é difícil imaginar uma refeição unicamente acompanhada de Vinho do Porto. Já estive em várias experiências destas, mas não passaram disso mesmo. O lado doce do vinho “empurra-o” naturalmente para o final da refeição e aí as escolhas são muitas, desde as tartes de ameixa, de cereja, leite creme, pão de ló, ou gelados que envolvam (por exemplo) caramelo, canela, baunilha, cacau, são escolhas acertadas. No entanto, se quisermos uma combinação mais radical, podemos sempre fazer o ensaio. “Costeletas de borrego panadas com legumes e cogumelos” é uma das receitas para o Porto 10 anos sugeridas por Hélio Loureiro no livro Receitas para o Vinho do Porto, publicado em 1999 pelo IVDP.
Como se trata de um Porto de “meia idade” e em transição entre juventude e velhice, todos os frutos vermelhos compotados, em jeito de clafoutis onde o creme também tem o seu papel, são companhias seguras para o nosso Tawny 10 anos. Por outro lado, os frutos secos, os figos, tâmaras ou os alperces secos são óptimos parceiros deste vinho. Se houver associação com queijo, sobretudo do tipo cremoso e intenso como Gorgonzola, então não há como falhar.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
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Soalheira 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

São Pedro das Águias 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Porto Reccua 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Gran Cruz 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Vallado 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Royal Oporto 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta dos Murças 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Estanho 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Pacheca 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Offley 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Messias 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Maynard’s 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Krohn 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Kopke 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Rozès Infanta Isabel 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Dalva 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Cockburn’s 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Cálem 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Barros 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Barão de Vilar 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Wine & Soul 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Warre’s OTIMA 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Vista Alegre 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Vieira de Sousa 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Sandeman 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta de la Rosa tonel 12 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta da Romaneira 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Porto Monge 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Portal 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Noval 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Dow’s 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Dona Antónia 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Croft 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Churchill’s 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Burmester 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Vasques de Carvalho 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Ramos Pinto RP 10
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta da Casa Amarela 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Poças 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Niepoort 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Graham’s 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

DR 10 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Andresen Century 10 Anos
Fortificado/ Licoroso -
DFJ Vinhos: Um colosso que sabe dançar

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] Quem o ouve falar até parece que não liga muito ao que já realizou até à data. Mas José Neiva Correia disfarça bem a sua paixão. A única diferença que notámos em relação a outros projectos […]
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Quem o ouve falar até parece que não liga muito ao que já realizou até à data. Mas José Neiva Correia disfarça bem a sua paixão. A única diferença que notámos em relação a outros projectos é que este técnico e gestor não tem papas na língua e sabe como poucos fazer todas as continhas aos meandros da produção de vinhos. Pelo meio vai fazendo bons vinhos que agradam a palatos de todos os continentes.
TEXTO António Falcão NOTAS DE PROVA Mariana Lopes FOTOS Ricardo Gomez
Um tractor de grande tamanho vai correndo lentamente a planície ribatejana ao pé de Vila Chã de Ourique. Na traseira, uma espécie de estrutura enganchada nos braço hidráulicos suporta dois operadores que vão colocando varas de videira prontas num braço rotativo que a seguir as enterra no solo, a espaços certos. Embora não seja uma visão muito comum, nada disto é novidade: este sistema de plantação é rápido e eficiente, mas já é usado há vários anos. O que estranha, contudo, é o solo de aluvião onde estão a plantar a vinha, do mais fértil que existe. São solos quase sempre reservados para outras culturas, como milho, arroz ou tomate. “E depois, qual é o problema? O que conta é o rendimento que vou tirar da terra, e, para mim, nenhuma outra cultura o consegue como a vinha”. As palavras vêem do proprietário, José Neiva Correia, um dos produtores de vinho mais conhecidos e respeitados em Portugal (e não só). José Neiva é o dono da DFJ Vinhos, uma empresa cujo nome vem das iniciais dos três fundadores. Acabou por ficar sozinho, comprando as participações dos dois sócios ao longo dos anos. Antes disso, este enólogo chegou a fazer, diz ele, “cerca de 10% do vinho em Portugal”. Como é isto possível? Pois bem, antes de fundar a DFJ, José Neiva começou como enólogo na Adega Cooperativa de Torres Vedras, no dia 2 de Maio de 1974, através de uma figura importante da enologia portuguesa, Octávio Pato. Torres Vedras era a segunda maior adega do país. Não tardou a estender a sua consultoria a várias outras adegas cooperativas da região (São Mamede da Ventosa, Sobral, Azueira…), todas elas de grande tamanho. Junte-se mais alguns produtores privados que vieram, entretanto, e ao longo de vários anos passaram centenas de milhões de litros de vinho pelas mãos de José Neiva Correia.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Um homem nascido na vinha e no vinho”][vc_column_text]
José Neiva Correia usufruiu logo da vantagem de ser descendente de várias gerações de vitivinicultores e agricultores, com várias propriedades a norte de Lisboa. Ou seja, nasceu e cresceu no mundo da produção de uva e de vinho. O resto foi formação (em Portugal, França e na Alemanha), experiência e a capacidade de dar bom uso aos neurónios. A sua vontade e inteligência levou-o a estender os conhecimentos muito para lá da enologia, manejando bem as questões de viticultura e da gestão. Não espanta assim que, vinte anos após a fundação da DFJ Vinhos, a empresa tenha aumentado consideravelmente a produção, que atinge neste momento as 8 milhões de garrafas, e o seu património de terra e imobiliário, com quase 200 hectares de vinha e duas adegas de grande tamanho.
Falar com ele é uma delícia. Não se importa de transmitir os seus conhecimentos e opiniões, que nem sempre são consensuais com as actuais ‘modas’ da enologia e viticultura. Mas não falha uma justificação: ou seja, tudo foi pensado antes, com fundamentos estudados e/ou científicos. Por exemplo, na vinha usa sobretudo matéria orgânica derivada da compostagem. Porque mantém a humidade, vai cedendo nutrientes à vinha e ainda ajuda a oxigenar os solos. Diz José Neiva que “os antigos sabiam disso, mas os agricultores foram privilegiando a solução mais fácil, que era comprar umas sacas de fertilizante…” As soluções naturais não terminam aqui: nos produtos fitossanitários, só usa o estritamente necessário.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”36678″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Como tem que enfrentar uma fortíssima concorrência a nível internacional, o seu maior mercado, José Neiva procura fundamentalmente obter boas produções com boa qualidade. E nesse aspecto deverá ser dos produtores de vinho mais avançados do país. Começou na cuidadosa escolha de castas, continua no manejo da vinha e termina na adega. Vamos ver alguns exemplos.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Os segredos da viticultura”][vc_column_text]
Caladoc, já ouviu falar? Certamente pouca gente ouviu. Mesmo internacionalmente. Mas é uma das duas castas tintas que José Neiva usa mais. A outra é Alicante Bouschet. Porquê? Porque são castas que conseguem produzir muito bem e com boa qualidade. “O Caladoc, por exemplo, pode ir até às 30 toneladas por hectare e dar vinhos bastante razoáveis, com estrutura e boa cor”, revela José Neiva. Quanto ao Alicante, “vende-se melhor, mas é preciso saber vinificá-la”. E por isso não espanta que a DFJ se vanglorie de ter sido pioneira em Portugal a engarrafar um varietal 100% desta casta. O comportamento das castas na vinha também é importante, como, por exemplo, amadurecer cedo e resistir às diversas doenças.
Outras castas tintas não conseguem um alto binómio quantidade/qualidade. A Tinta Roriz e a Touriga Nacional, por exemplo, com produções altas, dão uns ‘vinhecos’; e aí ficamos, no máximo, pelas 10 a 13 ton/ha”, revela o técnico.
Nos brancos, como se sabe, a questão da produção é mais pacifica, mas, ainda assim, José Neiva vai plantar uma generosa área de Marsanne, uma casta branca que, mais uma vez, dá boa qualidade com produções generosas.
José Neiva não acredita em mondas para baixar produções (e, supostamente, aumentar qualidade). Se houver necessidade, usa-se a poda. E, salvo raras excepções, não usa o arrelvamento na vinha. Isso mesmo. Isto é um negócio e sem bom vinhos, a bons preços, não há equipa comercial que faça milagres. Felizmente, o clima vem dando uma ajuda…
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”36677″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”36673″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”As mudanças climáticas e as vinhas de Lisboa”][vc_column_text]
Longe vão os tempos em que chovia do princípio ao fim da vindima, como recorda José Neiva, com graves “problemas de podridão”. Afinal, eram outros tempos, outras castas, outros conhecimentos e outra viticultura. Mas era também, aparentemente, outra meteorologia. José Neiva diz-nos que “este ciclo quente e seco tem sido benéfico para as maturações da uva e, consequentemente, para a qualidade do vinho”. A sua vinha do Casal Madeira, ao pé de Torres Vedras, está a 10 quilómetros do Atlântico. Tem cerca de 25 hectares de videiras, quase tudo Pinot Noir (será a maior vinha contígua da Península Ibérica), e é aqui que vive o proprietário da DFJ Vinhos. As outras propriedades, como a Quinta de Porto Franco, onde José Neiva nasceu, estão ligeiramente mais para o interior, mas recebem também influência atlântica, que ajuda a conseguir maturações regulares. Como a Quinta do Rocio, logo ao lado de Porto Franco, que está a ser explorada, em termos vitícolas, pela DFJ. São mais 30 hectares de vinha. Ambas as propriedades (e outras da zona) pertenceram aos famoso Visconde de Chanceleiros. “Temos aqui boas produções por hectare e com boa qualidade”.
No campo, José Neiva conta com a ajuda do feitor da casa, homem de grande experiência. Mas apoia-se tecnicamente na agrónoma Sofia Figueiredo e na sua filha Carminho, também agrónoma, que dá também uma ajuda na adega.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Enologia minimalista”][vc_column_text]
José Neiva Correia trabalha com duas adegas de grande tamanho: em Porto Franco e Fonte Bela. Ambas antigas, mas em belíssimo estado de conservação e ambas em frequente transformação para adaptações ao aumento de produção e a melhorias tecnológicas. Ou ainda a embelezamentos. “Este ano vou gastar aqui muito dinheiro”, garante José Neiva, em plena adega de Porto Franco. Gasta porque provavelmente tem poupado. Por exemplo, nas duas adegas existem muitos depósitos de cimento, como se fazia à antiga, mas estão praticamente todos em uso, incluindo para fermentações. O controlo de temperaturas faz-se com placas interiores (chamadas endógenas), que, diz José Neiva, “são mais eficazes que as cubas com camisas”. Assim poupa-se dinheiro, como se consegue poupar em muitas outras coisas, das prensas (em segunda mão, quase todas) a remontagens manuais (mais baratas e menos falíveis que as bombas). Neiva Correia é um técnico todo-o-terreno, sempre à procura de optimizar toda a operação, da vinha à adega. A casa possui lagares, mas José neiva não os usa: Acredito que o lagar só faz vinhos melhores porque são as melhores uvas que para lá vão. De resto, consigo reproduzir as operações de lagar sem precisar de os usar…”
Relativamente ao estilo de vinhos que produz, ele não hesita: “Muita gente pensa que eu faço muita manipulação no vinho. Na verdade, é exactamente o contrário, sou dos que menos mexo no vinho, faço uma enologia o mais minimalista possível – e por isso mais barata. E sou mais adepto da oxigenação do que da redução, com gases inertes”. Os tempos de oxigenação vêm da experiência, mas José Neiva acha que tudo vai mudar com aparelhos que aí vêm e indicam a quantidade de oxigénio necessária ao vinho.
Refira-se que todas as castas são vinificadas em separado e existem parcelas ou talhões que também o são.
Todos os vinhos da DFJ que temos provado ao longo dos anos mostram muita suavidade, mesmo em colheitas recentes. E quase sempre têm muita fruta e volume de boca, especialmente os tintos. José Neiva revela-nos que usa, nos tintos, “macerações pós-fermentativas longas, pelo menos um mês. A excepção é o Pinot, porque fica com taninos muito cortantes”. E porque o faz? “Ninguém gosta de vinhos delgados, às vezes confundidos com vinhos elegantes. Toda a gente gosta de vinhos com corpo, frutados, persistentes”.
Entramos no gosto do consumidor, área em que José Neiva também tem as suas ideias bem vincadas.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”36672″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Consumidor, esse desconhecido. Ou não?”][vc_column_text]
Para conseguir vender 8 milhões de garrafas todos os anos, a DFJ Vinhos tem que saber bem o que quer o consumidor, país a país. José Neiva desde cedo começou a viajar, falando com os enófilos e distribuidores. Hoje partilha essa tarefa com o seu filho Vasco e o responsável de vendas, Luís Gouveia. Que grandes ensinamentos foi trazendo desses contactos: desde logo, diz José Neiva, “o consumidor não é um especialista; ele quer um vinho que lhe saiba bem desde o início, que lhe dê prazer. E tem uma expectativa: encontrar o mesmo vinho, ou lá perto, quando compra a mesma marca meses ou anos mais tarde. Se a expectativa é gorada, ele não compra mais. Vai para a concorrência”. Isto coloca grandes desafios aos produtores e enólogos, que se vêm obrigados a oferecer, ano após ano, um vinho semelhante ao do ano anterior. Falamos, como é óbvio, de vinhos com tiragens de centenas de milhar de garrafas. O segredo… não tem segredo nenhum. Na opinião de José Neiva, “Temos que trabalhar para isso, principalmente na vinha e depois na adega”. Na adega, é aqui que entra a arte do lote, mas existem outras armas. José Neiva não o disse, mas os vinhos com maior percentagem de açúcar residual, não só ficam mais suaves, fáceis de beber, como ficam imediatamente mais semelhantes de colheita para colheita. Em alguns países, como no leste da Europa, os vinhos podem ter 30 gramas de açúcar por litro! “Em muitos países bebe-se vinho fora das refeições e os consumidores não aceitam um vinho adstringente, com taninos ou amargos, mesmo ligeiros”, salienta Luís Gouveia, o responsável pela exportação. Luis sabe do que fala, já que vendeu vinho um pouco por todo o mundo. E sabe bem que, quando o vinho não vai como os seus clientes querem, ele não se vende, ponto final.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”36669″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Não se julgue, contudo, que os especialistas desdenham este tipo de vinhos. Os resultados da DFJ em concursos internacionais e na imprensa especializada são impressionantes. Desde 2010, a empresa tem quase 2.600 prémios de todo o tipo. Só no ano passado conseguiram mais de 500 medalhas/prémios, incluindo das mais apetecidas: troféus, duplo ouro e ouro. Bem como ‘best of’, “best buy” “best portugueses wine producer” e coisas do género (a lista está no site da empresa). Isto mostra uma consistência notável na casa e seriedade na produção.
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O aluvião de que falámos no início desta reportagem está mesmo pegado à Quinta da Fonte Bela, onde se situa a sede da DFJ Vinhos. Está na região Tejo e junto a Vila Chã de Ourique.
A quinta possui um enorme pátio central cercado por edifícios muito altos. É impressionante (cerca de 8.000 metros quadrados de área coberta!), mas é ainda mais espantoso o estilo arquitectónico do exterior. Dir-se-ia que tínhamos entrado de repente numa grande quinta de um país do norte da europa. Afinal, tudo foi edificado no terminar do séc XIX por um empresário que, na altura, teria dezenas de milhares de hectares de terra nesta região junto ao rio Tejo. Com 120 anos de idade, os edifícios estão impecáveis, mas, glória seja feita a José Neiva Correia, muitos dos telhados foram reconstruídos. Verdade seja dita também que vários tinham as asnas feitas em ferro, como o da generosa destilaria, alvo de frequentes visitas de arquitectos fascinados com a arquitectura industrial. Não é à toa que lhe chamam por ali a “Catedral do Vinho”. Este seria sempre um activo muito interessante para o enoturismo, mas a gestão ainda não está convencida. É uma vez mais a questão de equilibrar esforço/investimento/rentabilidade. José Neiva Correia prefere dirigir os seus investimentos para a ampliação de instalações e para a aquisição de mais área de terra/vinha. É o vinho que lhe dá o dinheiro e a empresa está neste momento a interagir com alguns players internacionais de grande monta. “O nosso projecto é para aumentar, e sobretudo com vinha própria; dentro de 3 a 5 anos espero duplicar a produção”, diz o proprietário da DFJ Vinhos. E acrescenta: “são os nossos clientes que nos tocam para a frente”.
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A DFJ nasceu em 1998, com uma operação relativamente pequena e destinada à exportação. Vinte anos depois dá trabalho permanente a mais de 80 pessoas, sensivelmente metade delas no campo. Faz hoje 8 milhões de garrafas e gere directamente 200 hectares de vinha em produção. Principalmente na região de Lisboa e alguma coisa no Tejo. A casa tem mais de uma centena de marcas. São números reveladores do sucesso desta casa, que teima em não abrandar crescimentos. Será que José Neiva Correia está satisfeito? “Bom”, diz-nos ele com um sorriso trocista, “quando fazia 10% do vinho português, dormia uma pequena sesta todos os dias. Desde que passei a empresário, às vezes nem à noite durmo bem. Mas graças a Deus a vida tem-me corrido bastante bem…
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Edição Nº24, Abril 2019
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Lagoalva de Cima: Um Tejo diverso e pioneiro

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Em Alpiarça, estende-se uma propriedade que junta algumas das mais fortes dimensões do mundo rural português: cortiça, cavalo lusitano, azeite e vinho. A Lagoalva, primeira casa portuguesa a fazer monovarietais de Syrah e Alfrocheiro, é coisa séria.
TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS Lagoalva
O que é que a margem Sul do rio Tejo tem? Uma propriedade de 800 hectares, rica em história, na freguesia de Santo Eustáquio de Alpiarça e a 2 quilómetros da mesma vila. É a Quinta da Lagoalva de Cima que, na verdade, detém um total de 7 mil hectares espalhados por diferentes locais. Com uma beleza natural muito sua, o terroir caracteriza-se, essencialmente, por grandes extensões planas de terrenos de regadio, muito férteis, onde o Tejo desempenha um papel preponderante e onde crescem várias culturas agrícolas. Também a floresta é parte importante do cenário. A casa mãe, uma bonita construção setecentista, pinta o cenário de amarelo torrado e transporta aquele local para o século XVIII: foi nesse século que a Lagoalva obteve uma comenda da Ordem de Santiago, sendo tutelada por um dos membros da família da Casa Lavre. Assim, a 9 de Dezembro de 1776, foram feitos vários investimentos na propriedade, já a preparar a terra para o que lá havia de ser erguido. Para minimizar os efeitos da subida do nível das águas do rio, mandou-se abrir uma vala que obrigasse o Tejo a seguir o seu leito natural, e um dique em estacada. Depois, reduziram-se os terrenos maninhos e espargais a cultura agrícola e edificaram-se paredes na herdade, de onde nasceu o palácio da Lagoalva, as suas casas e a sua capela.
Mais tarde, em 1834, a Quinta da Lagoalva é comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1º Conde da Póvoa. Em 1842, todos os bens passam para Maria Luísa Noronha de Sampayo que, ao casar-se com Domingos António Maria Pedro de Souza e Holstein, 2º Duque de Palmela, acaba por reverter as posses para a Casa Palmela, de onde são descendentes os actuais proprietários. Deste modo, a Quinta da Lagoalva e os terrenos anexos pertencem à Sociedade Agrícola da Quinta da Lagoalva de Cima, encabeçada pelos irmãos Manuel e Miguel Campilho.
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Já desde o século XIX que a Lagoalva é produtora de vinho. “A ligação da nossa família a Itália motivou o surgimento do vinho, do azeite e do bicho da seda”, elucidou Manuel Campilho, que vive na Quinta há 44 anos. Sempre em grande, a Lagoalva levou, em 1888, 600 cascos de vinho para a Exibição Portuguesa da Indústria. Porém, o primeiro vinho engarrafado, com o nome Lima, data de 1989. Em 1992, a enologia passou para João Portugal Ramos que, em 2002, a passou para Rui Reguinga. Foram os primeiros, em Portugal, a fazer monovarietal de Alfrocheiro, tendo o primeiro sido em 1999, e também de Syrah, em 1994 (embora só a colheita de 97 tivesse sido apresentada como tal). Hoje é Diogo Campilho, filho de Manuel, que está à frente desta faceta da empresa. Diogo é enólogo e ao seu lado trabalha, desde 2007, o também enólogo Pedro Pinhão, numa dupla cúmplice e inseparável.
Dos 50 hectares de vinha, 35 encontram-se em plena produção, assentes em três tipos de solos: 100% arenosos (onde estão variedades tintas), argilo-arenosos (a “casa” do Alfrocheiro) e de aluvião (brancas). Neles estão plantadas as castas Sauvignon Blanc, Alvarinho, Arinto, Fernão Pires, Verdelho e Chardonnay; e as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Cabernet Sauvignon, Syrah, Tannat e Castelão. “Iremos plantar, em breve, Petit Verdot, no sentido de dar mais estrutura aos vinhos tintos”, contou Diogo.
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O enólogo, que passou uma temporada na Austrália a fazer vinho, trouxe inspirações do Novo Mundo para a vinha e para a adega, onde coabitam várias opções enológicas mais modernas e outras tradicionais. Tudo isto se traduz no perfil dos vinhos, juntamente com a especificidade daquele terroir. Diogo explicou a filosofia: “Os nossos vinhos têm muito que ver com o nosso modo de estar e com o nosso público alvo, que é a faixa-etária dos 20 aos 40 anos”. São quase 30 as referências presentes no portfólio, entre brancos, tintos, espumantes, colheita tardia e licorosos, perfazendo uma produção anual de 350 mil garrafas, que se traduzem em 850 mil euros. “O objectivo para 2019 são mais 100 mil”, descortinou Diogo Campilho.
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Onze foram as novas colheitas que a Grandes Escolhas provou na Quinta da Lagoalva, antes de três impressionantes provas verticais. O espumante branco, com 80% de Arinto e 20% de Alfrocheiro, a mostrar-se jovem, revelou bela acidez e frescura. O espumante rosé, por sua vez, é feito apenas com Alfrocheiro, num perfil suave, mas encorpado, também com boa acidez. A “espumantização” é feita na Lagoalva. O Lagoalva Sauvignon Blanc é expressivo com ananás e leves amargos vegetais, de uvas vindimadas durante a noite “para preservar os aromas”, e vinificadas em inox, por oposição ao Lagoalva Barrel Selection, também de Sauvignon Blanc mas em carvalho francês. A versão tinta do Barrel Selection tem, na sua composição, Syrah e Touriga nacional, numa bela combinação de fruta com barrica. O Lagoalva rosé é também ele de Syrah e Touriga Nacional em inox, e o tinto divide-se, em partes iguais, em Castelão e Touriga Nacional, com maloláctica e estágio de seis meses em barricas de carvalho francês e americano. Já o Lagoalva Talhão 1, inclui Alvarinho, Arinto, Fernão Pires, Sauvignon Blanc e Verelho, com fermentação em cubas de inox. O Reserva branco e o Reserva tinto têm em comum a alta aptidão para a mesa, sendo o primeiro feito de Arinto e Chardonnay, fermentados e estagiados em barrica, e o segundo de Alfrocheiro, Touriga Nacional e Syrah, com estágio de 10 meses em carvalho francês.
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O Lagoalva de Cima Alfrocheiro Grande Escolha 2016 é o mais recente de uma linhagem de quinze edições. Nascido de uma vinha de inícios da década de 70, plantada com um clone vindo da casa José Maria da Fonseca, é o vinho bandeira da Lagoalva e sempre foi. Pedro Pinhão esclareceu que “Mesmo sendo uma casta difícil na vinha, num bom ano tem uma relação produtividade/qualidade fantástica”. A “tiragem” é de 5000 garrafas, de um vinho vinificado em lagar com pisa mecânica e estagiado em barricas francesas, novas e usadas. Do Lagoalva de Cima Syrah Grande Escolha foram feitas oito edições, que culminam na de 2016, também fermentado em lagar com pisa mecânica e com estágio no mesmo tipo de barricas do Alfrocheiro.
A estória do vinho Dona Isabel Juliana é engraçada e prende-se com a avó de Diogo Campilho, que a conta com ternura. Em 2009, Diogo e Pedro decidiram criar este tinto e, no Natal do mesmo ano, foi apresentado a Isabel Juliana. Emocionada, a avó agradeceu ao neto, dizendo-lhe: “Obrigada, o vinho é muito bom, mas se não te importares dá-me um copo de rosé” – era o seu tipo de vinho favorito. O Dona Isabel Juliana tinto 2015 tem Alfrocheiro e Touriga Nacional no lote, com maloláctica e estágio de 14 meses em barricas novas e usadas. Fazem-se entre 2500 e 3 mil garrafas deste belíssimo vinho.
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Durante a nossa visita tivemos oportunidade de fazer uma prova vertical das três marcas mais emblemáticas da casa: Lagoalva de Cima Syrah, Lagoalva de Cima Alfrocheiro, e Dona Isabel Juliana. A Syrah colocou a Lagoalva “no mapa” dos grandes representantes nacionais desta casta, desde a sua estreia em 1994. Para além do vinho que está no mercado (2016) provámos as colheitas de 1997 (algo cansado de nariz, melhor na boca), 2000 (excelente fruto, tudo no sítio, em grande forma), 2005 (maduro e compotado – ano quente – mas prazeroso), 2008 (fechado, austero, especiado, ainda jovem, um portento), 2010 (leve e aberto, madeira muito presente), 2012 (todo fruta e elegância, muito bom) e 2015 (expressivo, afinado e apimentado, belo vinho). A Alfrocheiro é uva bastante acarinhada na casa, e essa atenção é patente nos vinhos provados. No mercado está o Alfrocheiro 2016 (que apresentamos à parte), mas apreciámos as colheitas de 1999 (elegante, perfumado, ainda com leve floral), 2003 (bastante frutado, jovem ainda, a acidez a mantê-lo bem vivo), 2005 (cremoso, cheio de especiaria e mirtilos, em grande forma), 2008 (sisudo – tal como o Syrah do mesmo ano – groselha e leve vegetal de grande qualidade, muita vida pela frente), 2009 (denso, rico e texturado) e 2011 (a complexidade e profundidade do ano perfeito, eucalipto, finura, garra e longevidade).
Finalmente, o Dona Isabel Juliana, o topo de gama da casa, lote de castas que varia, mas onde a Alfrocheiro tem estado sempre presente, acompanhada, consoante o ano, de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tannat ou Alicante Bouschet. Provados o 2009 (enorme surpresa, vigoroso e austero, complexo, grande), 2012 (gordo e sumarento, cheio de sabor e presença), 2013 (o mais fino de todos, muito expressivo e elegante, mineral) e 2015 (contido, com acidez muito precisa, taninos poderosos, sólido e longo).
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“Temos e fazemos aqui a excelência do mundo rural português: cavalos lusitanos, vinho, azeite e cortiça”, diz Diogo Campilho, com orgulho. A estes juntam-se milho, trigo, floresta, cevada, ervilha, gado… e mais alguns. Vinte são os cavalos, todos em competição e o azeite gera cerca de 5 mil garrafas, de olival tradicional. A agricultura, a floresta e a pecuária formam um negócio de 4,5 milhões de euros. Também a consultoria e o equipamento agrícola são actividades económicas da Lagoalva, a gerar cerca de 3 milhões de euros. Por aqui se vê a dimensão de uma empresa com tradição secular na região do Tejo, diversa e pioneira, onde se junta um legado de gerações ao know-how moderno de quem não fica parado no tempo.
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Lagoalva de Cima
Tinto - 2016 -

Lagoalva de Cima
Tinto - 2016 -

Lagoalva Barrel Selection
Tinto - 2015 -

Lagoalva
Tinto - 2016 -

Lagoalva
Tinto - 2017 -

Lagoalva Barrel Selection
Branco - 2017 -

Lagoalva
Branco - 2017 -

Lagoalva
Rosé - 2018 -

Lagoalva
Branco - 2018 -

Quinta da Lagoalva
Espumante - -

Quinta da Lagoalva
Espumante -
Salvar o vinho e, já agora, o Planeta! – versão completa
Foram dois dias intensos, no passado mês de Março. O evento Climate Change Leadership, que começou com a conferência Solutions for the Wine Industry e culminou com o Porto Summit, e com a comunicação de Al Gore, deu um banho de realidade ao sector e expôs importantes e urgentes soluções de combate às alterações climáticas. […]
Foram dois dias intensos, no passado mês de Março. O evento Climate Change Leadership, que começou com a conferência Solutions for the Wine Industry e culminou com o Porto Summit, e com a comunicação de Al Gore, deu um banho de realidade ao sector e expôs importantes e urgentes soluções de combate às alterações climáticas. Esta é a versão completa da reportagem do evento.
TEXTO Mariana Lopes • FOTOS cortesia da organização
Na cerimónia de abertura, o anfitrião Adrian Bridge foi claro nas palavras: “Quando me pediram para patrocinar este evento, eu disse que só o faria se não nos focássemos no problema das alterações climáticas, mas sim nas soluções”. E assim aconteceu. O evento organizado pela Taylor’s, de 5 a 7 de Março, teve cerca de 50 oradores de peso provenientes de 38 países, de especialistas nas questões ambientais a produtores de vinho e gestores de negócios com práticas sustentáveis, investigadores e activistas. Todos eles com um objectivo em comum, a busca constante pela reversão dos efeitos da acção imprudente do Homem no planeta. Consequentemente, a indústria do vinho sofreu bastante e ainda sofre com estes problemas, ao ponto de não ser certa a sobrevivência de algumas reconhecidas regiões, vitivinícolas e não só, do mundo. Conseguiremos nós imaginar um Douro sem vinhas? Ou uma Índia inabitável durante o Verão? Apesar de caricatos, estes são dois cenários possíveis, até prováveis se nada ou pouco for feito, ainda neste século. As alterações climáticas não são apenas uma teoria, mas uma realidade com factos irrefutáveis que a sustentam. Já não é tempo de aceitar esses factos, esse tempo era ontem. Hoje é o tempo de consolidar as práticas e de aprender mais e mais com o exemplo do vizinho que está um passo à frente. E muito se aprendeu no Climate Change Leadership. “Fico feliz por ver que muitas empresas estão já a tomar medidas”, afirmou Adrian Bridge, “a indústria do vinho deverá ter uma posição de liderança, pois é um negócio onde se pensa muito nas gerações futuras”. Aqui ficam os momentos-chave do evento.
Sessão 1: Respostas de empresas de vinho às alterações climáticas
A conferência começou em grande com Miguel Torres a tomar o púlpito. O presidente da espanhola Torres foi irrepreensível na sua comunicação, começando por apresentar uma ilustração onde se vê a evolução do estado da Terra, desde o período Pleistoceno (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás), com menos 5 graus de temperatura média, até ao século XXII, com mais cinco graus de temperatura média. Na imagem, via-se a quantidade de gelo, área desértica, área de bosque, oceano com vida e oceano desértico. A diferença é abismal e, com mais cinco graus, é esperada quase uma quantidade nula de gelo na Terra e uma grande parte desertificada, tanto em terra como no oceano. A ilustração sobre o estado actual é o que mais impressiona: já estamos a meio caminho deste último cenário, e a velocidade a que isto ocorre é exponencial. Em 20 mil anos, a temperatura média aumentou em seis graus celsius mas, nos últimos 50 anos, subiu um grau em Portugal e bem mais na região Árctica. No que toca às emissões de Dióxido de Carbono, estas cresceram muito desde 1990 até 2012.
Posto isto, Torres esclareceu que a assimilação deste gás é muito maior no oceano do que na atmosfera, pois o CO2 dá-se melhor em temperaturas mais baixas. Depois, outros slides se seguiram com respostas à pergunta “porque é que as temperaturas mudam?”, com a criação de gado em confinamento a representar uma das grandes causas, principalmente o bovino, devido à pegada carbónica da indústria e à quantidade de água que gasta. Miguel Torres destacou também a acção Torres&Earth, implementada em 2007 pela sua empresa, que aplicou quase 16 milhões de euros na investigação, investimento em energias renováveis e optimização das terras. Algumas das suas medidas incluem a preservação das espécies autóctones, reflorestação, recolha e tratamento de águas pluviais e da montanha, recuperação de variedades de uva ancestrais, redução do consumo eléctrico, substituição da frota a diesel por soluções híbridas, plantação de vinhas em altitude e adaptação das adegas para modelos auto-sustentáveis. Tudo isto teve já um impacto directo nas emissões de CO2, que diminuíram 26,8% por garrafa, sendo o objectivo chegar aos 30% em 2020. E aqui coloca-se uma questão fracturante: qual é o papel da agricultura orgânica? Embora tenha valores e características bastante positivas, o efeito não é linear, como demonstrou Miguel num quadro comparativo, ao qual chamou “O Paradoxo da Viticultura Orgânica”. Os dados da CIRCE – Centro de Investigação de Fontes e Consumo de Energia, revelam que as emissões de CO2 são mais elevadas no método orgânico do que no tradicional, com uma média de 1020 quilogramas emitidos por ano pelo primeiro e 770 pelo segundo. Estas conclusões não surpreendem visto que, com menos tratamentos tradicionais, as idas à vinha são bastante mais frequentes, e isso implica mais combustível para maquinaria, mais fertilizantes e respectivo transporte, mais fitossanitários (como o sulfato de cobre, que permanece no solo durante muitos anos), entre outros. “Vamos fazer do vinho um símbolo da mitigação das alterações climáticas, “descarbonizando” as empresas”, foi o desafio lançado por Miguel Torres a todos os presentes.
Seguiu-se Cristina Mariani-May, CEO da Banfi, empresa produtora de vinho em Itália e nos EUA, que apelou à protecção da terra e dos recursos, falando do que a sua família tem feito em Montalcino: dos 2830 hectares, 850 são de vinha e os restantes de floresta e outras culturas que a empresa protege de modo a que se assegure a biodiversidade da região. “A Banfi está muito empenhada na pesquisa e no estudo das variedades e dos clones” afirmou Cristina, revelando que por eles foram já editados vários livros sobre a investigação feita “em casa”, para que outros possam seguir o exemplo.
Já Margareth Henriquez, presidente da Moët Hennessy Estate & Wines e da The House of Krug, contou que nas suas propriedades alteraram todo o sistema de irrigação, cortando em 50% a utilização de água. Para conseguir a proeza, estas empresas mudaram a orientação das vinhas, uma medida que, em vez de corrigir, previne. Estas e outras acções sustentáveis, como a adopção de packaging mais consciente, valeram ao grupo a distinção Butterfly Mark.
Sessão 2: Respostas da vinha pelo mundo fora
Aqui foi a vez de Kimberly Nicholas, investigadora americana, partilhar a sua “Visão para uma indústria de vinho compatível com mais 1,5ºC até 2035”. Kimberly reforçou que tem de haver uma estratégia de adaptação ao clima, partindo do pressuposto que mais de 80% da produção mundial de vinho usa menos de 1% da diversidade de uvas disponível. “É necessário usar mais a diversidade para aumentar a resiliência”, afirmou, revelando que apenas doze variedades constituem a maior parte do vinho produzido em todo o mundo, sendo estas Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Sauvignon Blanc, Riesling, Moscatel de Alexandria, Gewurztraminer,
Viognier, Pinot Blanc, e Pinot Gris. O que Kimberly pretendeu transmitir foi que há todo um leque de castas diferentes, pelo mundo, com maior capacidade adaptativa a temperaturas mais altas e a grandes oscilações, numa lógica em que distintos períodos de maturação são compatíveis com condições meteorológicas específicas. As variedades autóctones, algumas até caídas em desuso, podem ser a resposta na respectiva região.
A investigadora revelou, também, as quatro principais causas globais de poluição, começando nos veículos motorizados, passando pela energia do lar, o consumo secundário e acabando na mais poluidora, as viagens aéreas. Para estes problemas há soluções que, segundo Kimberly, passam por usar transportes alternativos ao combustível e o carro eléctrico, as energias renováveis nas casas, uma dieta mais “verde” e “voar muito menos”. Quanto a esta última parte, Nicholas sugeriu, às empresas de vinho, a substituição do transporte comercial aéreo pela via marítima e ferroviária, com níveis menores de combustível fóssil.
Também António Graça, director de investigação da Sogrape, teve lugar nesta sessão, tocando num ponto fulcral: com as alterações climáticas, vêm acontecimentos que ameaçam a definição de terroir, principalmente no que toca a identidade. Tal como Kimberly, sublinhou que “é preciso definir as áreas, no mundo, com condições ideais para produzir cada casta”. Para encarar o desafio climatérico, António Graça revelou que o principal aliado é a vinha, se houver um bom estudo dos genótipos e da sua integração resiliente nos diferentes terroirs. Quanto ao que a Sogrape tem implementado nas últimas duas décadas, o investigador referiu uma agricultura livre de herbicidas, aproveitamento da água pluvial (68% da água usada no grupo), a produção integrada e certificada e a monitorização dos efeitos de fenómenos como a seca na qualidade das uvas. “Tem de ser um esforço colectivo, não só porque quem fica sozinho desaparece, mas também porque puxa os outros para baixo”, concluiu.
A fechar a segunda sessão, o chileno Gerard Casaubon, director de investigação da Concha Y Toro, apresentou os números milionários do plano estratégico da empresa até 2020: cinco milhões de dólares de investimento, metade desses com destino à investigação e desenvolvimento. Números grandes, que se adequam aos mais de 10 mil hectares que a Concha Y Toro tem no Chile. Mas o destaque da exposição de Casaubon vai para a plataforma digital criada pelo grupo: um local online com previsão dos acontecimentos climáticos naquele país, por região/área. A plataforma é muito útil, pois está ao dispor de todas as empresas que a queiram usar, ajudando-as a decidir, por exemplo, onde adquirir/plantar a próxima vinha.
Sessão 3: Expectativas do consumidor e marketing sensível
Este momento teve um formato diferente, uma conversa aberta e apelativa entre Paul Willgloss, director de Food Technology da retalhista Marks & Spencer, e António Amorim, presidente da corticeira Amorim. Moderada pelo co-fundador da Wine Intelligence, Richard Halstead, e num estilo mais informal, baseou-se a adaptação das marcas às novas exigências de produção ambientalmente sustentáveis, e o modo como essas adaptações são percebidas e assimiladas pelo consumidor. “As regras do consumo de plástico também se aplicam às rolhas de plástico nos vinhos!”, afirmou António Amorim, antes de dizer que, em 10 anos, a Amorim reciclou mais de 500 milhões de rolhas e plantou cerca de 800 mil árvores. Um ponto importante tocado por Paul Willgloss foi a comum assumpção de que se perde muito dinheiro com as medidas sustentáveis: “A ideia de que se tem de pagar um preço mais alto por aquilo que é sustentável, não faz sentido nenhum. Não podemos transformar a sustentabilidade em nicho, é preciso saber fazer as coisas.”, disse. O exemplo que deu foi irrefutável, contando que, nas suas lojas, o saco reutilizável custa cinco libras, o que é um preço alto para um simples saco, mas o consumidor, com essas cinco libras, está também a comprar um serviço ilimitado: a substituição gratuita desse mesmo saco, sempre que achar pertinente, sendo o antigo reconvertido. Este modelo gera lucro e ajuda o ambiente, em simultâneo. “A sustentabilidade não é inimiga da rentabilidade”, concordou António Amorim. Depois, falou da importância dos millennials (pessoas nascidas entre o início da década de 80 e o início dos 2000), referindo que “estão sedentos de informação e querem saber sobre vinho, consumi-lo cada vez mais, e trazem uma atitude mais sustentável porque já nasceram num mundo onde esta conversa já estava a ser tida. Os millennials querem associar-se a marcas com melhores valores e isso não deve ser ignorado”. E fez a ponte para o vinho orgânico: “Não se pode ter um vinho orgânico com uma cápsula de plástico ou um ‘plastic stopper’! Há-que ser transparente e não ser biológico só porque é uma moda”. Paul Willgloss concluiu, advertindo que os retalhistas têm a missão de tornar tudo isto interessante para o consumidor, de inspirar e de o ajudar a fazer melhores escolhas.
Sessão 4: Adegas do futuro
Aqui, o exclusivo foi de Roger Boulton, cientista e professor de Enologia e Engenharia Química na Universidade da Califórnia Davis, que apresentou uma tese sobre adegas “carbono zero”. Boulton trouxe o exemplo do projeto da sua nova adega auto-sustentável LEED Platinum para mostrar como o design destas novas adegas é importante para melhorar a eficiência energética do processo de produção. Para o cientista americano, a indústria vitivinícola deve caminhar a passos largos para um modelo de emissões negativas de carbono, focando a sua investigação no aperfeiçoamento da rede energética, da rede de água e da captura e armazenamento de CO2. Algumas medidas concretas, defendidas neste último tópico, são o apoio a esquemas de comércio internacional de carbono, a projectos de investigação, à escala mundial, focados na captação de CO2 por via da fermentação, bem como a reportação dos números das emissões a um programa internacional fiável de medição dos poluentes da fermentação, como a Carbon Trust ou a Global Reporting Initiative.
Sessão 5: Desenvolvimentos da vinha
Na quinta sessão, falaram Alejandro Fuentes Espinoza, Gilles Descôtes e José Vouillamoz, que se focaram nas abordagens, a médio e longo prazo, que optimizam a prática agrícola nas vinhas: porta-enxertos, mitigação de pragas e doenças, selecção de variedades de uva e de planta, entre outras. O destaque vai para Descôtes, da casa francesa Bollinger, que declarou usar zero herbicidas desde 2016, recorrendo apenas a fertilizante orgânico e a métodos naturais como o da confusão sexual. Analisou, também, a relação entre o aumento médio da temperatura em 1,2 graus, entre 1961 e 2017, com a antecipação média das colheitas em 18 dias, um fenómeno que afecta muitos produtores. Chamou, ainda, atenção para a necessidade de optimização dos solos e da recuperação de técnicas antigas de cultivo menos impactantes no meio ambiente.
Sessão 6: Relatório da ADVICLIM
O ADVICLIM é um projecto europeu para o desenvolvimento de estratégias de adaptação e mitigação das alterações climáticas, de aplicação nas vinhas. A sua missão é ajudar os produtores na prossecução de práticas sustentáveis, desde a medição dos seus impactos à simulação de diferentes cenários de cultivo. Carlos Miranda, Chriss Foss e Jöel Rochard, três indivíduos associados ao projecto, vindos de entidades diferentes, contribuíram para a sessão. Este último, relevou que os estudos climáticos globais não são suficientes, terão de ser também feitos à escala local, para que se possa actuar com eficácia. Já Carlos Miranda sublinhou a importância das variedades de uva autóctones e da possibilidade de novas castas, bem como de novas localizações para as vinhas, tudo em prol da adaptabilidade. Deu o exemplo da plantação em altitude, para que se aproveite a frescura das cotas mais altas.
Sessão 7: Gestão de recursos hídricos
A questão da água e da irrigação das vinhas “daria outro almoço”, como se costuma dizer. Há quem defenda que não se deve regar de todo, e há quem diga que regar somente quando necessário não é a fonte do problema.
Linda Johnson-Bell, escritora e investigadora do Instituto do Vinho e das Alterações Climáticas de Oxford, foi peremptória neste assunto, dizendo que a agricultura de sequeiro deve ser assumida como paradigma mundial e que “se não formos nós a assumi-lo, a natureza fá-lo-á por nós”. Entre outros argumentos, afirmou que a irrigação provoca a salinização dos solos e aumenta os custos associados ao uso de água, revelando que 80% da produção vitivinícola global ainda é irrigada. Mais para a frente, Linda foi arrojada nas suas palavras, afirmando categoricamente que “a irrigação destrói o conceito de terroir”, “resulta em vinhos com elevado grau alcoólico” e que “os locais onde a vinha tem de ser regada não são aptos para a produção de vinho”. Se a coisa é assim tão linear? Temos dúvidas. Se se deve reduzir ao máximo a utilização de água e regar apenas com a quantidade mínima necessária, em regime deficitário, e somente enquanto e onde a vinha pedir? Absolutamente. Claro que a gestão da rega de uma vinha não dispensa o conhecimento e estudo profundo do balanço hídrico do terroir em questão, para que a eficiência seja escrutinada ao máximo.
Já André Roux foi mais ponderado do que Linda, discursando na qualidade de director de Sustentabilidade no Departamento de Agricultura da região de Western Cape, e coordenador do projecto FruitLook. Assente numa tecnologia de satélite, o FruitLook permite uma monitorização semanal do crescimento das culturas, do uso real de água nas plantações e a sua eficiência. Entre 2011 e 2016, o FruitLook passou de 4.300 para 21.554 hectares de área abrangida e permitiu poupar entre 10% a 30% de água aos produtores que utilizaram esta tecnologia pioneira.
Sessão 8: Questões energéticas
Dois grandes produtores mundiais de cariz familiar, Gramona e Jackson Family Wines, expuseram o seu compromisso ambiental e as iniciativas tomadas por cada um. Jaume Gramona, CEO da empresa desde 1995, colocou ênfase na arquitectura bioclimática e no seu novo conceito de cobertura de adega, captadora de energia. Referiu ainda a utilização de energia geotérmica, que permite climatizar as adegas com a temperatura do sub-solo; o fabrico próprio de um composto natural para fertilização; instalação de painéis fotovoltaicos responsáveis por 15,9% do consumo energético da empresa; entre outros. Isto gera uma dependência em 59% de energias renováveis, que se reflecte numa poupança de 41% no consumo energético.
Katie Jackson trouxe a máxima que rege a filosofia da empresa e do pai, o fundador: “Tomem conta da terra e a terra tomará conta de nós”. A JFW tem vinhas na Califórnia, em Itália, França, África do Sul e Austrália, sabendo bem o que significa lidar com períodos prolongados de seca extrema. Desde 2008 que a Jackson já diminuiu o consumo de água em 41%, e já ultrapassou a sua meta para 2020 de emissão de gases de efeito de estufa, estando já numa redução de 33%.
Reforçando, como referiu Katie, que “Medidas de sustentabilidade ambiental nem sempre se traduzem num aumento dos custos para as empresas”, a JFW já poupou mais de um milhão de dólares depois de implementar vários modelos de redução de CO2, como o do uso de garrafas mais leves, a remoção de resíduos de aterro, a intensificação do uso de energias renováveis, e o aproveitamento dos seus 60% de terra disponíveis para plantar outras espécies autóctones.
Sessão 9: Sustentabilidade, biodiversidade e gestão de solos
O moderador desta sessão, João Barroso, faz parte de um projecto muito especial: o primeiro programa de sustentabilidade de uma região portuguesa, o Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo. Desde que foi implementado, em 2015, este projecto viu aumentar o número de associados de 94 para 326, representando 46% da área dos vinhos do Alentejo e 60% do volume de produção. Impulsionado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, o PSVA tem como principais objectivos a monitorização do consumo de água, utilização de embalagens, rótulos e outros produtos certificados pelo FSC, monitorização do consumo energético, instalação de caixas-ninho ou poleiros para aves de rapina e morcegos, criação de um grupo dedicado a desenvolver e ajudar a implementação de práticas sustentáveis, prevenção de erosão dos solos, uso de compostos naturais como fertilizantes e a formação profissional. Também premeia os produtores exemplares nestes campos, com selos do programa. Em www.sustentabilidade.vinhosdoalentejo.pt, é possível encontrar toda a informação.
Gérard Bertrand, CEO da Gérard Bertrand Wines, confessou que a prática biodinâmica mudou a sua vida porque “porque não só eliminámos o uso de produtos químicos, como isso se traduziu na qualidade dos nossos vinhos e no reforço da mensagem de preservação da biodiversidade que queremos passar”. O produtor, que tem 200 hectares, neste sistema, no sul de França, expressou ainda uma indignação pertinente: “Temos registadas 7000 variedades de uva e o consumidor conhece menos de dez. Há que despertar a consciência do público e sensibilizá-lo para esta diversidade”.
A chilena Olga Barbosa, fundadora da Wine Climate Change, fez uma muito boa apresentação sobre biodiversidade, baseada na ideia de que a solução não está em mudar as vinhas, mas sim em conservar a natureza circundante, que confere protecção aos vinhedos. Partindo do princípio de que a consciencialização e transferência de conhecimento é essencial, criou uma iniciativa muito engraçada: junto dos produtores, fazem exercícios nos quais se colocam no ponto de vista de cada espécie presente nas respectivas propriedades. Segundo Olga, “isso cria perspectiva junto das equipas de trabalhadores e faz com que compreendam porque fazemos o que fazemos”.
O cientista sul-africano Heinrich Schloms alertou para o facto de a região de Western Cape estar a ser atingida por secas recordes nos últimos anos. “Estamos a começar a ficar sem água”, advertiu. “Escolher o local e a exposição correcta para plantar a vinha pode ser a decisão mais importante de todo o processo. Aspectos como a altitude, a inclinação, a radiação solar, a curvatura da vinha, a duração dos dias, distância em relação aos cursos de água têm de ser considerados nessa escolha”.
Sessão 10: Packaging e transporte
Voltando ao produto nacional, Tiago Moreira da Silva apresentou, em nome da BA Vidros, os benefícios dos suportes em vidro. “Os recipientes de vidro são feitos somente a partir de três matérias diferentes: areia, calcário e carbonato de sódio. É um elemento 100% reciclável e que pode ser usado na produção de novas garrafas sem qualquer desperdício”, demonstrou. Na verdade, 74% do vidro é reciclado na União Europeia. A BA tem, também, metas para 2030, como aumentar a dependência de energias renováveis pelo menos em 70% e reduzir a utilização de água em 75%.
Depois, Pierre Corvisier, director de New Services da JF Hillebrand Group, empresa líder global na distribuição e transporte de bebidas, apontou o transporte marítimo como o mais eficiente e sustentável, libertando apenas 3% dos gases de efeito de estufa. Em contrapartida, o terrestre e o aéreo são muito mais poluentes.
Vicente Sanchez-Migallón, fundador e director técnico da World Bulk Wine Exhibiton, sublinhou as vantagens no transporte de vinho a granel, exemplificando que “Enquanto o armazenamento de garrafas por contentor se situa entre 12 a 13 mil exemplares, um flexitank (contentor específico de armazenamento de líquidos) pode transportar o equivalente a 32 mil garrafas sem necessidade de aumentar o espaço de armazenamento”.
Estes números mostram que por cada viagem é possível transportar mais litros de vinho a granel do que vinho engarrafado e que isso representa uma considerável vantagem climática, de redução de custos e eficiência logística, originando uma redução da pegada de carbono de 40%.
A directora executiva do Food Packaging Forum, Jane Muncke, fez uma apresentação convincente sobre os perigos do plástico nos pacotes de comida e a contaminação cruzada. Que o plástico polui, mata espécies animais e intoxica o oceano, já sabemos, mas pouca é a importância que damos à contaminação dos alimentos por esse material e respectivos compostos químicos. Jane advertiu: “Para além de muitas partículas tóxicas migrarem para a comida, é real o risco que representa o plástico conseguir absorver propriedades tóxicas do meio exterior. Ao mesmo tempo que os nutrientes da comida e das bebidas são absorvidos pelo plástico, há uma constante migração de elementos do exterior para a embalagem e, consequentemente, para os alimentos. O risco aumenta com a exposição do plástico a temperaturas elevadas, com períodos longos de retenção em embalagem, com o tamanho da embalagem e com o tipo de alimentos que elas contêm”. Um exemplo do dia a dia é o aquecimento de comida em “tupperwares” plásticos no microondas. Assim, defendeu que o plástico não é viável como embalagem e alertou para o facto de a reciclagem não ser solução, pois muitos desses plásticos, precisamente por causa dessas partículas, não podem ser reciclados. A solução é evitar o seu uso.
Sessão 11: Eficiência e economia – apelo à acção
“Para o infinito e mais além”, foi a referência à personagem do filme Toy Story, Buzz Lightyear, que Mike Veseth usou para chamar a atenção do público. “O sector do vinho parece compreender que algo tem de ser feito, mas isso não basta”, afirmou o moderador da sessão, “temos de ir mais além”.
A relação entre a sustentabilidade e os lucros da actividade económica representa um desafio para as empresas e é aqui que Stephen Rannekleiv entra, a representar o banco holandês Rabobank. Esta instituição foca-se em “ajudar a gerar e promover oportunidades valiosas para os clientes e para a indústria”, em projectos de cariz sustentável. Ajudam, portanto, negócios inovadores, e nascidos da emergência ambiental, a chegar ao mercado.
Também Robert Swaak, da PwC, demonstrou como as alterações climáticas impactam a indústria do vinho, economicamente e não só: “As projecções climáticas para Portugal incluem um cada vez maior aquecimento e seca durante o período de desenvolvimento das uvas, resultando em modificações na fenologia, crescimento, características do vinho e tipologia; o sector do vinho terá de avaliar os potenciais efeitos da seca e fazer planos de contingência; a aptidão de certas regiões vitivinícolas pode desaparecer; e os custos de mão de obra para a vinha podem aumentar, pois com as condições adversas de trabalho nos vinhedos causará escassez desse recurso”. Na verdade, este é já um problema em várias regiões portuguesas.
Antes do início do Porto Summit, Adrian Bridge prestou algumas declarações, confessando a excedência das suas expectativas. “O mais importante foi termos tomado conhecimento da quantidade impressionante de trabalhos que já estão a ser feitos na indústria do vinho, trabalho esse que temos de continuar a desenvolver e fazer chegar aos nossos consumidores”, disse.
Porto Summit 2019
“Quando as gerações futuras perguntarem o que é que fizemos para ajudar a combater o clima, vamos ser capazes de olhá-las nos olhos e dizer que não ficámos de braços cruzados e que fizemos a nossa parte para assegurar o futuro deste planeta”, introduziu o administrador da Taylor’s.
O Porto Summit 2019 começou com uma comunicação capaz de deixar os presentes com lágrimas nos olhos. Afroz Shah, jovem advogado indiano e Champion of the Earth 2016 pela ONU, demonstrou o seu compromisso com o oceano. A Date with the Ocean, foi o nome da apresentação. Afroz revisitou, humildemente, o processo de limpeza da praia de Versova, em Bombaim, de onde retirou, com a ajuda de milhares de voluntários, mais de 5 milhões de toneladas de lixo do areal em 86 semanas, acção que se estende agora a muitas outras praias. Para mostrar o quão natural deveria ser esta preocupação com o meio ambiente, Shah perguntou à plateia “Quantos de vocês é que receberam prémios por limparem as vossas casas?” e frisou que o jogo de atribuição de culpas em que entrámos deixa-nos estagnados, repetindo, com pesar “It’s me, it’s me, it’s me”. “Ninguém quer viver num planeta que seja incompatível com a vida humana”, lembrou. Explicando a frase “a date with de ocean” (um encontro com o oceano), disse que “quando estamos num encontro com alguém, estamos no nosso melhor e por vezes juramos cuidar até que a morte nos separe”, contando que foi esse o laço que decidiu criar com o mar. Uma apresentação muito inspiradora.
A comunicação que se seguiu foi da primeira cadeia de fast food “climate positive”, a sueca Max Burgers. Kaj Törok, CRO da multinacional, inteirou a audiência, dizendo que em 2008 “percebemos que éramos parte do problema das alterações climáticas e assumimos que tínhamos que fazer parte da solução”. Num plano onde a pegada ecológica foi medida “desde a terra do agricultor até à mão dos consumidores”, foram implementadas medidas como a inclusão da informação da pegada de carbono em cada menu vendido, “para que os clientes pudessem basear as suas escolhas também nesses dados”, a utilização de embalagens 90% renováveis e o estabelecimento de metas concretas para inverter a pegada. Desta maneira, a Max Burgers gerou um saldo negativo para a sua pegada carbónica, que se fixou agora nos -110%, para a qual ajudou a plantação de 1,5 milhões de árvores em África. Kaj “vendeu”, ainda, o seu burguer (sem “ham”) mais ecológico nas emissões, o CrispyNoChicken, que não tem carne mas é um sucesso de vendas da cadeia, pelo seu “delicioso sabor”.
Ester Asin, da World Wide Fund for Nature (WWF), mostrou factos impossíveis de ignorar: “Os últimos cinco anos foram os anos mais quentes do planeta, sendo que onze dos anos que apresentaram recordes de temperatura ocorreram desde 2001!”.
Numa entrada divertida, em que se via, num vídeo, João Matos Fernandes a entrar na conferência num carro eléctrico e automatizado, o Ministro do Ambiente português fez uma análise do papel de Portugal na vanguarda da economia verde. Sociedade descarbonizada, valorização do território e promoção de uma economia circular foram os pilares que salientou para concretizar um plano ambicioso em termos energéticos. O ano de 2050 será aquele em que o país quer assumir o compromisso de zero carbono, dependendo em 80% de energia limpa (solar e eólica). O sector dos transportes, da agricultura, da construção e a mudança de hábitos alimentares estão na base desta transição ecológica e sustentável.
O momento mais aguardado, por muitos, do evento, chegou a encerrar o ciclo de conferências. Era Al Gore, o político ecologista norte-americano mais famoso do globo. Vice-presidente dos EUA, entre 93 e 2001, e senador do Tennessee de 85 a 93, Al Gore começou por lançar um alerta, “Estamos perante uma emergência global”. Sem piedade, acusou os combustíveis fósseis de serem “de longe” a maior fonte de poluição humana. As explicações pareceram óbvias: “Quando quadruplicamos a população da Terra e equipamos essa quantidade de gente com tecnologia poderosa, é óbvio que a relação do ser humano com o ecossistema irá mudar” e “Durante 150 anos, assumimos que os sistemas naturais da terra tinham uma capacidade de renovação sem limites. Falso!” e gritou esta última palavra. Não há dúvidas de que o Prémio Nobel da Paz 2007 tem o dom da palavra e, ao longo da sua vida, escolheu utilizá-lo para sensibilizar o ser humano para os problemas ambientais. “Perdemos um campo de futebol de árvores a cada minuto”, e aos poucos foi deixando todos de boa aberta, exaltando-se de quando em quando. Foi ele que deu a verdade mais dolorosa para o sector do vinho, afirmando que “Continuando assim, algumas regiões de vinho do mundo podem deixar de o ser, ainda a meio do século, como o Douro, por exemplo”. Uma realidade difícil de imaginar. Muito mais foi dito e demonstrado em relação aos efeitos adversos da acção do homem no Planeta, mas Al Gore, vegan há oito anos, mudou o tom do discurso antes de terminar, confessando achar que ainda há esperança e que essa passa, em grande parte, pela aposta em energias renováveis. “A liderança assumida em Portugal é um exemplo para todo o mundo”, referindo-se, por exemplo, ao facto de Portugal ser o terceiro país da EU que mais usa energia renovável, apenas atrás da Suécia e da Áustria. A produção de energia eléctrica renovável do país ultrapassou, pela primeira vez em Março do ano passado, as necessidades de consumo. Falando do The Porto Protocol, o compromisso criado por Adrian Bridge e assinado por várias empresas que as vincula aos princípios e medidas estabelecidas nestas conferências, Al Gore brincou, antes de terminar, e disse ser uma plataforma liderada por “um louco instável” que “fornece ferramentas extraordinárias para uma cooperação internacional séria, informada e comprometida com as gerações futuras”.
E se o leitor não tiver uma empresa onde aplicar todas estas resoluções e estiver aqui simplesmente porque gosta de um bom copo de vinho e de boas leituras, faça o que estiver ao alcance, reduza o consumo de plástico e de água, recicle, reutilize, plante uma árvore, conheça o que come, vá a pé… repita. Repita. E repita. O futuro do Planeta depende disso.
Prova Comentada – Vinhos de Luxo, para descobrir Portugal

A Academia Grandes Escolhas propõe-lhe a participação numa prova de vinhos muito especial. Seleccionámos 14 grandes vinhos produzidos por alguns dos mais prestigiados produtores e enólogos portugueses e convidamo-lo a vir prová-los connosco. Será uma prova orientada pelo critico de vinhos João Paulo Martins que o vai ajudar a descobrir as subtilezas dos aromas e […]
A Academia Grandes Escolhas propõe-lhe a participação numa prova de vinhos muito especial.
Seleccionámos 14 grandes vinhos produzidos por alguns dos mais prestigiados produtores e enólogos portugueses e convidamo-lo a vir prová-los connosco. Será uma prova orientada pelo critico de vinhos João Paulo Martins que o vai ajudar a descobrir as subtilezas dos aromas e sabores que se escondem atrás de cada grande vinho.
Dia 19 de Junho, das 18:30 às 20:30h, viaje connosco pelo melhor que Portugal tem a oferecer!
Uma prova de vinhos raros e pouco acessíveis, uma oportunidade imperdível para apreciadores com pouca ou muita experiência.
VINHOS EM PROVA:
VINHOS BRANCOS
Douro – Guru branco 2017
Bairrada – V.V Niepoort Bical/Maria Gomes branco 2016
Monção e Melgaço – Soalheiro Vinho Verde Alvarinho Reserva branco 2016
Dão – Villa Oliveira Encruzado branco 2015
Sem DO – Adega Mãe 221 Alvarinho branco 2015
Távora-Varosa – Murganheira Espumante Chardonnay Bruto 2010
VINHOS TINTOS
Douro – Quinta do Vallado Field Blend Reserva tinto 2015
Trás-os-Montes – Palácio dos Távoras Vinhas Velhas Alicante Bouschet tinto 2015
Tejo – 1836 Companhia das Lezirias Grande Reserva Alicante Bouschet tinto 2015
Lisboa – Quinta de Pancas Grande Reserva tinto 2013
Dão – Casa de Santar Vinha dos Amores Touriga Nacional tinto 2013
Península de Setúbal – Quinta da Bacalhôa Cabernet Sauvignon tinto 2015
Beira Atlântico – Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria tinto 2015
Alentejo/Portalegre – Terrenus Vinhas Velhas Reserva tinto 2013






















