Alentejo, terra de grandes tintos

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Provámos quase quarenta vinhos e os resultados confirmaram o que já sabíamos: a região gera grandes tintos e eles vêm de zonas tão distintas quanto Beja ou a serra de São Mamede. O actual Alentejo, que é […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Provámos quase quarenta vinhos e os resultados confirmaram o que já sabíamos: a região gera grandes tintos e eles vêm de zonas tão distintas quanto Beja ou a serra de São Mamede. O actual Alentejo, que é muito mais diverso do que se poderia imaginar, já pouco tributário é das castas de antigamente, mas há quem teime no regresso à tradição. Tudo isto com alterações climáticas pelo meio.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Os vinhos alentejanos continuam a ter a preferência dos consumidores nacionais. A palavra Alentejo soa, a muitos enófilos, como vinho de qualidade, encorpado, macio e fácil de beber, que se consegue consumir jovem, sem ter de esperar muito por ele. Só vantagens, em época em que tudo se faz no momento e a paciência da espera é coisa do passado. Os tintos são ainda hoje a principal produção da região. É que, dos cerca de 21.300 hectares plantados e aptos à produção de vinho com Denominação de Origem ou Indicação Geográfica (dados de 2017), cerca de 16.500 estão ocupados pelas castas tintas, com a restante área reservada a brancos.
As castas plantadas têm importância muito diversa e não são usadas da mesma forma para todos os lotes de vinho. Assim, apesar da importância crescente da Alicante Bouschet nos grandes vinhos da região (ver caixa), ela está muito longe de ser actualmente a casta mais plantada; esse lugar pertence, com grande destaque, à Aragonez e, de seguida, à Trincadeira, ou seja, as castas tradicionais da região ainda são as mais plantadas, ocupando um pouco mais de 44% da área de vinha. A própria tinta Castelão, actualmente arredada da primeira fila quando o assunto são os grandes vinhos, ainda tem uma presença muito forte, com mais de 1000 hectares plantados.
Temos assim dois tipos de Alentejo, o das marcas de referência, dos vinhos que fazem os consumidores falar, dos que são cobiçados e caros e que, há que não esquecer, dão nome e prestígio à região; e, depois temos o Alentejo dos tintos genéricos, que estão abundantemente presentes nas grandes superfícies, dos vinhos abordáveis, baratos e bem-feitos e que alegram as refeições e animam as mesas. No primeiro grupo vamos, como se imagina, incluir também a Syrah e a Touriga Nacional e, de forma mais marginal, a Cabernet Sauvignon (que ainda ultrapassa os 800ha), com uns “temperos” de Alfrocheiro e Touriga Franca.
De 2015 para 2017 a Touriga Nacional ultrapassou a Castelão em área de vinha, a Alicante Bouschet foi a que mais cresceu e a Trincadeira a que mais diminuiu de área. A Touriga Nacional, lembra Luís Cabral de Almeida, enólogo da Herdade do Peso, “como tem um ciclo longo e confere boa frescura aos vinhos pode ser um bom complemento para as castas que formam o núcleo duro, a Alicante Bouschet e a Syrah. Mas nos vinhos há vários Alicante Bouschet e não apenas um e isso ficou para mim bem claro quando tomei agora contacto com as vinhas da serra de São Mamede: feitos da mesma maneira obtiveram-se dois vinhos de Alicante completamente distintos”, disse.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32597″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Este é o novo Alentejo, aquele com que se pretende projectar a região como geradora de vinhos de referência, em Portugal e no estrangeiro. A preferência dos consumidores é clara, já que cerca de 40% do que se consome entre nós tem origem no Alentejo. No entanto, se falarmos com responsáveis de garrafeiras, verificamos que no Norte há um menor interesse nos tintos do Alentejo, exceptuando-se as marcas mais clássicas. Ivone Ribeiro (Garage Wines) diz-nos que que o que mais vende é Douro e em seguida os tintos do Dão, Alentejo muito pouco. Na Garrafeira Tio Pepe, também no Porto, a quebra tem sido significativa, uma vez que “em 1995, por exemplo, era a região que tinha mais procura mas de então para cá tem vindo a decair embora se note o interesse por especialidades, coisas originais, vinhos de talha”. “Só nesta época do Natal e por via de encomendas de empresas para prendas natalícias é que o negócio dos tintos alentejanos anima um pouco”, confirmou Luís Cândido, o proprietário. Uma situação completamente diferente da que encontramos no centro e sul do país, e sobretudo na região da Grande Lisboa, tradicionalmente um excelente mercado para os vinhos alentejanos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Há mais do que um Alentejo” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]O consumo interno absorve a grande fatia da produção mas a exportação tem-se diversificado – abrange 118 países –, apesar de estar assente sobretudo em três mercados: Angola, Brasil e Estados Unidos. Fica a pergunta: que Alentejo queremos promover, que estilo queremos privilegiar? Para Paulo Laureano, enólogo e produtor, o Alentejo precisa de se mostrar como realmente é: uma manta de retalhos (sic), uma região muito diversa mas onde as diferenças não são suficientemente explicadas aos consumidores. “Até na zona da Vidigueira, que é a que conheço melhor, há diferenças enormes, logo a começar nos solos e exposições e a zona mais perto da fronteira com Espanha tem muito pouco a ver com a zona mais a oeste, mais marcada pela influência atlântica”, especifica.
É esta ideia de diversidade que poderia eventualmente levar a uma nova reorganização das sub-regiões do Alentejo, mas a CVR diz-nos que não estão para já em cima da mesa decisões nesse campo, apesar de haver debate no âmbito do Conselho Geral, a entidade que pode mudar o estado das coisas no que respeita ao desenho das regiões com direito a Denominação de Origem (DO). O consumidor depara-se com muito mais frequência com vinhos que têm a indicação Regional Alentejano do que com vinhos DOC Alentejo. [/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32599″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” bg_color=”#e2e2e2″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”A marca do Alicante Bouschet” color=”black”][vc_column_text]Avaliando as castas que integraram os vinhos provados, ressalta uma evidência: a crescente importância da casta Alicante Bouschet nos vinhos do Alentejo. Dir-se-ia que começa a ser difícil pensar-se num grande tinto do Alentejo que não a tenha no lote. Com frequência, com a companhia da Syrah e Touriga Nacional. Esta situação é relativamente nova na região, já que há 30 anos a Alicante Bouschet apenas tinha posição predominante em duas propriedades, a Quinta do Carmo e a Herdade do Mouchão. Houve uma enorme renovação dos vinhedos e os produtores descobriram na Alicante a casta que lhes confere consistência aos vinhos, uma vez que produz quase sempre bem e pode ter expressões diferentes conforme o local onde está plantada. Quer Paulo Laureano quer Luís Cabral de Almeida, ambos enólogos na região, apontam-lhe imensas virtudes, mas reconhecem que o Alicante Bouschet da serra de São Mamede nada tem a ver com o da Vidigueira, por exemplo. Mas Luís não tem dúvidas em afirmar que “o Alicante Bouschet está para o Alentejo tal como o Malbec está para Mendoza, na Argentina”, querendo com isto salientar que pode ser a espinha dorsal dos tintos da região. Mas a procura de novas castas por parte de alguns produtores continua e recentemente a CVR Alentejo aprovou, com o acordo do IVV, o pedido de reconhecimento para certificação de 14 castas novas onde, em tintas, se incluem Cabernet Franc, Carmenère, Camarate, Monvedro, Vinhão e Marselan. Entre tintas e brancas, estamos a falar de 100 hectares destas novas variedades para a região.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Há mais do que um Alentejo” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]Durante muito tempo isto decorreu das limitações geográficas que existiam para que um vinho tivesse direito à DO, mas, e ainda segundo a CVR Alentejana, actualmente cerca de 73% da área de vinha está inserida nas oito regiões que têm direito à DO Alentejo. A realidade encarrega-se de baralhar estes dados, já que a maioria dos vinhos comercializados são Regional Alentejano.
O grande desafio para o futuro pode assentar em dois pilares: manter e mesmo acentuar a diversidade dos vinhos, conseguindo-se que eles espelhem as diversas zonas onde nascem e, em segundo lugar, perceber que as alterações climáticas nos poderão fazer regressar a variedades que, sendo antigas e fora de moda, mostraram ao longo do tempo uma boa adaptação à região, como a Tinta Grossa, a mal-amada Trincadeira, a Moreto, entre outras tintas; ou a Perrum, nos brancos.
O Alentejo, como alguém me dizia, não pode estar satisfeito por estar a servir cachorros quentes e ter uma grande fila de gente para os comprar; com o tempo, os consumidores enjoam-se de cachorros quentes e depois querem outras coisas e a região tem de estar preparada para diversificar, mudar o que for para mudar e não se dar por satisfeita. Costuma dizer-se que o Alentejo está na moda, mas, como lembra Laureano, “estar na moda é, no sector dos vinhos, um conceito muito perigoso”: “Estar permanentemente a optar por castas que geram vinhos fáceis mas sem história pode ser um caminho, mas para mim é para evitar.”
O Alentejo é um mundo, portanto, em diversidade, qualidade, preço. É líder nos vinhos de volume, como se sabe. Mas também no segmento superior do mercado, nos tintos de nicho, como ficou demonstrado na nossa prova, a região mostra dar muito boa conta de si.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32600″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]
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Vinhas da Ira
Tinto - 2014 -

Vidigueira
Tinto - 2015 -

Quetzal
Tinto - 2015 -

Pousio
Tinto - 2016 -

Monte Cascas
Tinto - 2015 -

Maria Mora Enamorada
Tinto - 2014 -

Fonte Mouro
Tinto - 2015 -

Conde d’Ervideira Private Selection
Tinto - 2015 -

Comenda Grande 6 castas
Tinto - 2014 -

Adega de Borba
Tinto - 2014 -

Sericaia Tapada do Coronel
Tinto - 2015 -

Ravasqueira Vinha das Romãs
Tinto - 2015 -

Quinta do Carmo
Tinto - 2013 -

Ponte das Canas
Tinto - 2014 -

Palpite
Tinto - 2015 -

Herdade Paço do Conde Winemakers Selection
Tinto - 2015 -

Herdade Grande
Tinto - 2013 -

Herdade dos Grous
Tinto - 2015 -

Herdade do Sobroso Cellar Selection
Tinto - 2016 -

Herdade do Peso
Tinto - 2015 -

Herdade de São Miguel
Tinto - 2015 -

Herdade das Servas
Tinto - 2015 -

Herdade Monte da Cal Saturnino
Tinto - 2011 -

Encostas de Estremoz
Tinto - 2014 -

Blog ’15
Tinto - 2015 -

Adega Mayor Pai Chão
Tinto - 2014 -

Scala Coeli
Tinto - 2015 -

Santos da Casa
Tinto - 2015 -

Procura Vinhas Velhas
Tinto - 2014 -

Nunes Barata Family Collection
Tinto - 2014 -

Monte Branco
Tinto - 2015 -

Marquês de Borba
Tinto - 2015 -

Malhadinha
Tinto - 2016 -

Incógnito
Tinto - 2014 -

Herdade do Rocim Clay Aged
Tinto - 2016 -

Esporão Private Selection
Tinto - 2013 -

Dona Maria
Tinto - 2013
Edição Nº19, Novembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Horácio Simões, uma família unida à volta do vinho

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A secular Casa Agrícola Horácio Simões não é o maior produtor da Península de Setúbal, mas é certamente um dos mais antigos e mais reputados na região. Encontra-se aqui em perfeito equilíbrio uma abordagem tradicional e quase […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A secular Casa Agrícola Horácio Simões não é o maior produtor da Península de Setúbal, mas é certamente um dos mais antigos e mais reputados na região. Encontra-se aqui em perfeito equilíbrio uma abordagem tradicional e quase artesanal dos antepassados e uma sede da geração contemporânea para experimentar coisas novas.
TEXTO Valéria Zeferino
FOTOS Ricardo Palma Veiga
A adega na Quinta do Anjo é pequena e disfarçada de vivenda com uma loja e café, onde os locais gostam de ficar à sombra no pátio para tomar um copo à tarde. Ao passar na rua nem se dá pela adega, sobretudo se o portão estiver fechado.
A casa dispõe de cerca de 40 hectares de vinha própria e conta com mais 30 hectares de vinha dos parceiros, para além de alguma uva comprada na região. A produção anual é de cerca de 300 mil litros de vinhos tranquilos, Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo.
O Castelão ainda é pisado a pé ou tratado com “macacos” nos antigos lagares de pedra vinda da serra da Arábida. Uma antiga prensa vertical é a única utilizada. Para engarrafamento empregam umas maquinetas que em muitos sítios servem como peças de museu.
É claro que nem tudo se faz como dantes. Por exemplo, antigamente as vindimas só começavam depois da festa da Moita, que acabava na segunda semana de Setembro. Hoje em dia, vindima-se com base no controlo da maturação.
Manter a identidade da casa é essencial. O que se pretende é que os vinhos, mesmo sendo um pouco diferentes em função do ano, sejam reconhecidos pelo estilo da Casa Agrícola Horácio Simões. Mesmo que o rótulo não esteja lá.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Três gerações juntas
José Carvalho Simões, o bisavô dos irmãos Pedro e Luís Simões que estão agora à frente da empresa, tinha cinco filhos, mas só três queriam trabalhar na área da agricultura: Horácio, Diniz e Virgílio. Em 1910 foram criadas três casas agrícolas com os nomes de cada um. Destas três apenas uma continua até à data – Casa Agrícola Horácio Simões.
Horácio Santos Simões tem hoje 97 anos e mesmo que já há muito tenha passado tudo para o filho e netos, continua presente e atento. Nas alturas de maior agitação na adega anda a “fiscalizar” se está tudo a ser feito como deve ser. Sobe ao telhado e observa de cima, para ter uma visão melhor dos trabalhos desempenhados. As pessoas próximas dizem que “ele só não ouve o que não quer”. Sempre teve uma maneira de ser muito própria. Não tinha o hábito de explicar como se fazia, “mandava as coisas ao ar – apanha se quiseres”, – recorda Pedro.
Quando a avó faleceu, há cerca de 14 anos, o avô foi-se abaixo, perdeu o interesse pela adega e disse aos netos para tomarem conta de tudo, que se sentia velho. Para evitar ver o avô deprimido, Pedro tentava envolvê-lo nas actividades da casa. Quantas vezes, fingindo que não tinha tempo, pedia que o avô fosse a uma ou outra vinha ver se estava tudo bem, partilhava acontecimentos, pedia-lhe conselhos. E resultou.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][image_with_animation image_url=”32325″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O pai, Horácio Reis Simões, também participa vivamente nos assuntos do negócio familiar, sendo o mais antigo provador na CVR da Península de Setúbal. É uma casa onde a família, representada actualmente pelas três gerações, muitas vezes se reúne à volta da mesa.
A quarta geração também já está presente – o filho do Pedro, Francisco, de 15 anos, quer seguir as pesadas do pai. Andou a vindimar com a família há 5 ou 6 anos e actualmente está a estudar numa escola agrícola em Vendas Novas, por acaso (ou não) a mesma onde estudou o pai. Ao acabar a escola quer seguir enologia no ISA e fazer um estágio na Nova Zelândia. Pedro diz que sempre tentou incentivar o filho, despertando-lhe interesse pelo vinho sem qualquer obrigação, naturalmente. O facto de as diferentes gerações estarem muito unidas e com hábito de se juntarem às refeições também foi determinante. “Aos almoços e jantares, mais volta menos volta, estamos sempre a falar do vinho”, diz Pedro com um sorriso.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32346″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Moscatel da Revolução
As arrumações em casa são sempre bem-vindas, nem que seja para encontrar uma coisa esquecida há décadas. Para arranjar mais espaço, começaram a rearrumar os armazéns. Num deles, ao mover as barricas, descobriram um alçapão, onde deram com um esconderijo de Moscatel de cuja existência não faziam ideia.
A explicação era fácil, mas inesperada. Na altura da revolução de 25 de Abril de 1974, o avô Horácio Simões, temendo expropriação por lei ou por força, achou por bem esconder o vinho, feito no ano em que nasceu o seu neto Pedro. Mas não escondeu à toa, pretendia guardá-lo em bom estado, dividindo uma parte em barricas de castanho de 50 e 40 litros revestidas de parafina e em garrafões de vidro de 15 e 5 litros, fechados com rolhas embrulhadas em palha. No total havia cerca de 300 litros de Moscatel Roxo que passou os anos todos debaixo da terra, sem luz e com temperatura e humidade relativamente constantes.
O achado foi o objeto da reunião familiar. O avô riu-se com os olhos – lembrou-se do seu “tesouro” escondido. “Ah, é capaz de dar um belo vinagre”, – foi a reação dele. O pai também vagamente se recordava que, sim senhor, havia um vinho feito pelo avô no ano em que o Pedro nasceu, mas nunca soube do seu esconderijo.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32358″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Depois de provar perceberam que o tesouro foi autêntico e que não era desta que iriam fazer um vinagre de Moscatel Roxo. Estava em estado perfeito de saúde, nem o álcool se perdeu, nem precisava de ser refrescado, pois a frescura inicial foi preservada.
Resolveram juntar o vinho todo e engarrafá-lo, filtrando ligeiramente para não alterar muito a sua estrutura. Não fazia sentido engarrafar lotes diferentes do Moscatel estagiado em barrica e do que passou os anos todos em garrafões, pois dava quantidades diminutas.
“Vejam lá se não me estragam isto” – deixou cair o avô no final do concílio.
E não estragaram. Trataram-no com todo o respeito que um vinho de 44 anos merece. O tempo encarregou-se de conferir mais sofisticação ao licoroso, e a família assegurou a sua nobre apresentação em garrafa com rótulo feito de uma camada fina de madeira.
No total ficaram 300 garrafas de 0,5l deste belíssimo Moscatel Roxo de 1974, numa edição extremamente limitada e única, que é um testemunho silencioso dos anos conturbados da Revolução.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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O Alentejo de Susana

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]De Tui para Portalegre, Susana Esteban fez do Alentejo a Aventura da sua vida. Quando o descobriu, ninguém a parou, e hoje a máquina continua a andar, com sete novos vinhos. TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]De Tui para Portalegre, Susana Esteban fez do Alentejo a Aventura da sua vida. Quando o descobriu, ninguém a parou, e hoje a máquina continua a andar, com sete novos vinhos.
TEXTO Mariana Lopes
NOTAS DE PROVA Luís Lopes
FOTOS Cortesia do produtor e DR
A história profissional de Susana Esteban fez-se de paixões imprevistas por recantos de Portugal. Licenciada em Ciências Químicas pela Universidade de Santiago de Compostela e Mestre em Viticultura e Enologia pela Universidade de La Rioja, a galega contou que tudo começou com uma viagem de mestrado ao Douro, orientada pelo seu professor de Viticultura. “Nós [alunos] não sabíamos sequer que o Douro existia, na altura”, confessa. A verdade é que depois dessa descoberta, e de acabar os estudos, Susana pediu uma bolsa para estagiar numa empresa de Vinho do Porto, tendo entrado na Sandeman com esse fim.
Imediatamente percebeu que era no Douro que queria ficar e começar a construir a sua carreira e, assim, em 1999, integrou a enologia da Quinta do Côtto. Mais tarde, de 2002 a 2007, esteve na Quinta do Crasto, onde trabalhou com a pessoa que disse ser a mais importante da sua carreira, Daniel Llose, reputado enólogo do Château Lynch-Bages e consultor no Crasto.
No final dessa fase profissional, mudou-se para Lisboa por razões pessoais, mas manteve-se ligada ao Douro com o vinho Crochet, um projecto a quatro mãos com a enóloga Sandra Tavares da Silva, que viria a alargar-se com a introdução de outro vinho, o Tricot. Entretanto, ainda em 2007, a indagar-se sobre onde iria pousar a pasta mais uma vez, Susana Esteban acabou por se decidir com base num factor aleatório: “O Alentejo estava relativamente perto”, geograficamente.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32161″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Por essa altura, a enóloga, como muitos profissionais do Douro, mantinha algum preconceito relativo ao Alentejo vitivinícola… “Achava que nunca mais iria fazer um vinho de jeito”, admite. É caso para dizer, quem a viu e quem a vê. Começou pelo Solar dos Lobos e, rapidamente, a confiança nos vinhos daquele pedaço de terra do Sul foi aumentando. Como enóloga consultora colaborou ou colabora com várias outras casas, como Perescuma, Tiago Cabaço Wines, Herdade do Barrocal, entre outros, antes de embarcar no projecto pessoal, em 2011, e também Monte da Raposinha, já depois disso. “Quando vi que se podiam fazer excelentes coisas no Alentejo, entusiasmei-me…”, explica, adiantando que quando chegou a Portalegre ficou encantada: “Tinha vinhas velhas como no Douro, mas a 700 metros de altitude!”, exclama. Iniciou-se com os vinhos Procura e Aventura, nomes que se prendem com todo este processo de criação em nome próprio, procurando as melhores vinhas e aventurando-se pelo Alentejo.
Até ao dia de hoje, Susana Esteban já adicionou ao seu portfólio o Sidecar, um vinho já com várias edições que é sempre produzido em parceria, tendo já participado produtores como Dirk Niepoort, Filipa Pato e, em jeito de novidade, Jorge Lucki, jornalista de vinhos brasileiro, na colheita de 2017 para a qual utilizaram um impressionante foudre da Alsácia, de 1961. Também nasceu, entretanto, o Sem Vergonha, um tinto feito também com Dirk Niepoort.
Já são 35.000 garrafas e o objectivo de Susana, para breve, são as 50.000, crescendo nos Sem Vergonha e nos Sidecar, mas adverte: “Não quero crescer demasiado. Há coisas que eu consigo fazer por ter esta dimensão mais ou menos pequena, coisas boas para os meus vinhos que, tendo um projecto maior, nunca conseguiria. Gosto de levar o meu tempo, há detalhes de que não abdico, e acho que isso faz toda a diferença.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº18, Outubro 2018
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Lima & Smith, Entre Douro e Minho

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O foco da empresa espalha-se por três polos: a Quinta da Covela, nos Vinhos Verdes; a Quinta da Boavista e a Quinta das Tecedeiras, ambas no Douro. O momento de apresentação dos novos 2015 foi aproveitado para […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O foco da empresa espalha-se por três polos: a Quinta da Covela, nos Vinhos Verdes; a Quinta da Boavista e a Quinta das Tecedeiras, ambas no Douro. O momento de apresentação dos novos 2015 foi aproveitado para dar conta dos projectos que a Lima & Smith tem para o futuro.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Tudo começou na Quinta da Covela (Vinho Verde), projecto fundador que trouxe a Portugal um empresário brasileiro, Marcelo Lima, depois associado com um jornalista inglês, Tony Smith, há muito a residir entre nós. Nos Verdes, entretanto, a empresa passou a tomar também conta dos vinhos da Fundação Eça de Queiroz, cuja propriedade é vizinha, e onde marca igualmente presença o Avesso, sem dúvida a grande casta da sub-região de Baião. A enologia teve uma linha de continuidade em relação à antiga Covela, uma vez que Rui Cunha continuou a ser o responsável técnico.
A entrada no Douro fez-se pela Quinta da Boavista, propriedade histórica em tempos (séc. XIX) pertença do Barão de Forrester, e que foi adquirida à Sogrape. Foi ali que nasceram, também com o apoio do enólogo francês Jean-Claude Berrouet, os emblemáticos vinhos de parcela, de que foram agora apresentadas as colheitas de 2015. Nas Tecedeiras não se tratou de uma aquisição, mas de um aluguer e é agora também Rui Cunha o responsável técnico. Ali, além de vinhos Douro, também se produz Vintage e L.B.V., e foi deste que provámos a edição mais recente.
Da Covela esteve em prova um novo branco de Avesso, fermentado e estagiado em barrica usada, com uma produção limitada a 1200 garrafas. A ideia é mostrar que o Avesso também gosta (aguenta) de barrica e será sempre feito em pequenas quantidades.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32154″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Na marca Flor das Tecedeiras, estamos perante um vinho feito apenas em inox, com uvas compradas à produção e do qual se fizeram 4000 garrafas. Parte das uvas vêm da Quinta da Boavista, de uma cota intermédia. Em termos de castas este branco incorpora Viosinho, Códega do Larinho e Arinto.
Novidade curiosa foi o varietal de Donzelinho. Aqui o projecto é fazer todos os anos um tinto varietal. Na primeira edição tivemos Touriga Nacional, depois voltámos a ter a Touriga Nacional e o Tinto Cão e agora o Donzelinho, uma das castas antigas de que a quinta dispõe. As vinhas mais velhas estão em fase de classificação cepa a cepa, por forma a assegurar, no futuro, a continuidade do field blend que agora existe. O enólogo Jean-Claude Berrouet costuma dizer, com toda a razão, que “na Donzelinho nota-se um estilo de casta antiga”, exactamente porque o padrão aromático se afasta daquilo a que estamos mais habituados. É casta difícil de trabalhar porque é muito precoce e tem de ser vindimada muito cedo, mesmo antes de abrir a adega, o que, imagina-se, pode ser muito complicado.
O tinto Reserva vem na continuidade das anteriores edições; será sempre editado anualmente. Começou no 2013 e, pelo menos até ao 17, as edições estão asseguradas. Os vinhos de parcela, os tintos mais emblemáticos da quinta, serão sempre editados em quantidades limitadas e qualidade e preço mantêm o registo elevado que apresentam desde a primeira hora. A velocidade a que têm sido vendidos sugere que existe mercado para este nicho de tintos de luxo.
Finalmente, o LBV das Tecedeiras mostrou-se muito bem, bastante rico e a confirmar que esta é uma categoria de Porto com imenso futuro.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº18, Outubro 2018
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Maturação da Uva

As vindimas chegaram. Colhem-se uvas maduras para a produção de diferentes tipos de vinho. Cada viticultor deve escolher o seu momento óptimo de maturação e vindima. TEXTO João Afonso A Maturação Inicia-se depois de a uva tomar cor (fim do pintor) e tem duração variável. Depende muito do clima da região, ou do ano, e […]
As vindimas chegaram. Colhem-se uvas maduras para a produção de diferentes tipos de vinho. Cada viticultor deve escolher o seu momento óptimo de maturação e vindima.
TEXTO João Afonso
A Maturação
Inicia-se depois de a uva tomar cor (fim do pintor) e tem duração variável. Depende muito do clima da região, ou do ano, e do tipo de vinho que se pretende fazer ou ainda da filosofia enológica do produtor. Durante a maturação o bago aumenta de volume, aumenta a sua concentração de açúcares e perde acidez e taninos. No caso da uva tinta, a quantidade de matéria corante também aumenta durante a maturação.
A Maturação e o Vinho
A prioridade dos vários itens de maturação varia com o clima. Em regiões frias de difícil maturação, a acumulação de açúcares é determinante para decidir a vindima. Pelo contrário, em regiões quentes, um bom nível de acidez – que decai por vezes repentinamente na parte final da maturação – pode ser determinante para decidir o dia da colheita. No caso dos vinhos tintos a maturação fenólica, ou seja, a procura de taninos maduros e macios, pode condicionar o dia de vindima.
A Sobrematuração
Nas regiões mais quentes, e principalmente com a ocorrência de noites tropicais (mais de 20ºC), pode passar-se muito rapidamente da fase de maturação para a fase de sobrematuração, com as uvas a perderem rapidamente acidez e aromas e a ganharem açúcar e grau provável. É necessário estar atento!
Quando hoje se fala de vindimar as uvas com maturação fenólica perfeita, os meus ouvidos ouvem “vindimar uvas sobremaduras”. As vinhas modernas produzem primeiro o álcool e depois a maturação “fenólica”… por isso na enologia moderna esta maturação é tão importante e o enólogo tem que esperar por ela, observando a acidez a cair a pique e o álcool a subir dramaticamente. Toda a viticultura moderna parece estar fixada em produzir muito e muito grau, o que nos nossos tempos não faz sentido nenhum.
Sempre gostei de vinhas velhas, há um certo equilíbrio entre o “tirar” e o “dar”. Nestas vinhas a maturação surge primeiro e só depois o grau. É possível fazer vinhos leves com 11% Vol. com boa maturação e boa acidez.
A acidez (boa acidez, natural, equilibrada) é a coluna vertebral de qualquer vinho. Procuro vinhas que tenham uma maturação lenta e uma acidez natural boa, e procuro vindimar na altura certa uvas maduras mas ainda com boa acidez. A prova das uvas é fundamental, é ela que decide, as análises só ajudam.
IN VINO VERITAS. Viva a frescura. The incredible lightness of being…
Edição Nº18, Outubro 2018
As incríveis voltas do vinho português

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Muito – e bem – se tem falado do desempenho dos vinhos portugueses nos mercados internacionais. Exportações a subir, prémios em concursos, elogios na imprensa da especialidade, cada vez mais exposição e prestígio. Grandes mercados, grandes palcos. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Muito – e bem – se tem falado do desempenho dos vinhos portugueses nos mercados internacionais. Exportações a subir, prémios em concursos, elogios na imprensa da especialidade, cada vez mais exposição e prestígio. Grandes mercados, grandes palcos. São boas notícias, mas não contam tudo. Do outro lado da escala há todo um mundo de pequenos negócios para destinos pouco falados. E muitos deles dão belas histórias para contar.
TEXTOS Luís Francisco
FOTOS Ricardo Palma Veiga e DR
Aconteceu há uns seis anos, em Dusseldorf. No último dia da Prowein, a maior feira de vinhos do mundo, o enólogo e produtor português Anselmo Mendes precisava mesmo de sair mais cedo, para apanhar o avião de regresso a Portugal. Deixou um frappé com algumas garrafas no gelo, copos e folhetos com os contactos. Alguns dias depois, chegou um mail: um importador tailandês tinha passado pelo stand, provou os vinhos, fotografou os que queria e fez uma encomenda de 2000 garrafas… “Isto da exportação envolve sempre muita transpiração, mas este caiu do céu”, ri-se Anselmo, que continua a trabalhar com o despachado tailandês. “Só nos conhecemos pessoalmente passados dois anos!”
Estas e outras histórias ajudam a explicar a presença de vinhos portugueses em mercados tão pouco previsíveis como o Burkina Faso, Aruba, Belize, Bolívia, Cazaquistão, Congo, Fidji, Gabão, Jordânia, Malawi, Mongólia, Panamá, Seychelles, Vietname ou Zimbabwe. Entre muitos outros – mais exactamente, 140. Isso mesmo: em 2017, indicam os dados coligidos pelo Instituto do Vinho e da Vinha, Portugal exportou vinho para 140 países. Em 2016 foram 132. Dos 50 países europeus, por exemplo, só quatro (Mónaco, Montenegro, Macedónia e San Marino) não são mencionados nos documentos oficiais.
Um olhar mais atento aos números disponibilizados pelo IVV mostra que, destes 140 mercados, 39 valeram mais de um milhão de euros, 13 ficaram entre os 500 mil e o milhão, 30 renderam entre 100 mil e 500 mil. E depois há mais 58 cujo volume de negócios não chegou aos seis dígitos. Como bem descreve José Luís Oliveira e Silva, da Casa Santos Lima, “não são estes mercados que pagam as contas ao fim do mês, mas respeitamos todos por igual”. E, muitas vezes, é a presença, por residual que seja, num país que abre as portas de outros.
Que o diga o próprio líder do grande exportador lisboeta, que passou a vender em Creta (Grécia) porque o importador provou os vinhos da Casa Santos Lima em… Curaçau. E o homem que lhes abriu as portas do mercado australiano passou a conhecê-los após uma prova em Londres. Mas o melhor mesmo é “dar corda às pernas” (nas palavras de Paulo Lima, da Enoport) e visitar os países onde há mercado potencial. José Luís Oliveira e Silva vende para a Indonésia depois de a empresa ter estado numa feira em Jacarta e lembra o caso de Guadalupe, um mercado pequeno, mas que visita “regularmente”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32124″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]As pessoas
O vinho é um produto que se afirma num registo muito emocional e isso traz as pessoas – e não tanto os números – para a primeira linha das decisões. “O cliente da Casa da Passarella que mais cresceu em 2017 e mais vai crescer em 2018 é norueguês. Porquê? Porque tem a mãe a viver em Caminha. Ele trabalha com vinhos espanhóis e italianos, mas um dia veio visitar a mãe e pediu um copo de vinho num restaurante do Porto. O empregado serviu-lhe um nosso e ele, já em Caminha, numa garrafeira, viu o Descoberta e quis levar para o almoço com a mãe. E também para casa, na Noruega, onde, passados uns dias, serviu os nossos vinhos no aniversário de um amigo.” Sucesso total: a história contada por Paulo Nunes, enólogo da Casa da Passarella, começa com pessoas e termina nos números: “Vendemos 75.000 euros a este cliente em 2017 e o objectivo para 2018 é de 200.000.”
Saber receber e saber promover o seu produto são virtudes essenciais. Mas às vezes é preciso ter a sensibilidade para perceber que o melhor é não pressionar. Bernardo Cabral, enólogo e administrador da Companhia das Lezírias, lembra uma ocasião em que não vender foi a melhor forma de vender: “Recentemente, quando esteve cá um grupo de importadores japoneses trazido pela ViniPortugal, nós fomos anfitriões da última visita. Os homens estavam estoirados. Um deles disse-me mesmo: ‘Está a ser a visita mais dura da minha vida…’ Estava esmagado pela sucessão de provas, refeições pesadas, jantares tardios, poucas horas de sono. E eu sei bem o que isso é, pelo que me mostrei solidário e nem tentei vender-lhe nada.” Moral da história: a psicologia invertida deu frutos e, mal chegou ao Japão, o estafado japonês fez de imediato uma encomenda de 10.000 garrafas. “Costuma demorar uns bons dois anos até se criar uma relação destas”, frisa Bernardo Cabral.
Num jantar em Lisboa, foram aconselhados a um cliente vinhos da Herdade do Sobroso. O cliente em questão importava para as Filipinas e não tardou a chegar ao produtor alentejano um mail intitulado “Sobroso in Phillipines”, com a foto de um cavalheiro sorridente empunhando uma garrafa da casa. Junto vinha a pergunta: “Já têm importador para as Filipinas?” Não tinham. Mas agora têm. “Já seguiram duas paletes e em Novembro vou lá conhecê-lo pessoalmente”, revela Sofia Ginestal Machado, administradora da Herdade do Sobroso.
A Quinta de Lagoalva exporta para a Estónia e a explicação para a presença num mercado tão pouco falado é simples, como conta o enólogo Diogo Campilho: “Foi um tipo que veio cá de férias e adorou os vinhos e a forma como foi recebido. Nem sequer era alguém ligado ao mundo dos vinhos, mas agora já está. E, para além dos nossos, já importa para a Estónia vinhos de outro produtor português.” Na Quinta da Badula, recorda Élia Vitorino, a história foi semelhante: “Num programa de vindima aberta tivemos cá uma pessoa que é proprietária de um hotel na Namíbia.” E assim se abriu mais um mercado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Mateus, o grande embaixador” color=”custom” accent_color=”#888888″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Corria o ano de 1974 e uma revolução num pequeno país europeu acabava de depor uma das ditaduras mais longas da história. No mundo ocidental, os primeiros tempos depois do 25 de Abril acordaram fantasmas de deriva comunista. E se Portugal se transformasse numa nova Cuba? E se, de repente, Portugal e os seus produtos ficassem fora do alcance? Como é que vamos viver sem Mateus rosé?
É uma forma propositadamente irónica de olhar para a situação, mas factos são factos. “Nesse ano”, recorda Miguel Pessanha, administrador da Sogrape e responsável pela enologia do rosé mais vendido do mundo, “os EUA importaram 1,7 milhões de caixas [12 garrafas cada], o dobro do normal, para não enfrentarem quebras de stock…” E talvez esta seja a forma mais evidente de constatar a importância das pequenas garrafinhas ovais no mercado mundial.
Com exportações a rondar actualmente as 20/25 milhões de garrafas por ano (“e a crescer nos últimos dois anos a um ritmo de 2,5% ao ano”), o Mateus rosé continua a ser o grande embaixador do vinho português extra-fronteiras. Vende-se em 125 mercados por todo o planeta, incluindo paragens tão pouco previsíveis como Suazilândia, Maurícias, República Democrática do Congo, Seychelles, Ruanda, Serra Leoa, Burkina Faso ou Antígua e Barbudas. E se fizer um safari na África do Sul, é bem provável que lhe sirvam Mateus.
Criado em 1942, o Mateus não demorou uma década a ser descoberto em Inglaterra, saltando daí para o mundo. Não espanta, por isso, que Miguel Pessanha o encontre bastas vezes nas suas deslocações ao estrangeiro. Em Espanha, perante os elogios que ouvia numa mesa ao lado, apresentou-se e pagou o vinho a um casal espanhol. E durante a sua lua-de-mel, passada em Barbados, o único vinho português à venda era, claro, Mateus rosé. Europa, Américas, Ásia, África, Oceania. Então e na Antárctida, não há Mateus? “Não sabemos, mas talvez na bagagem de algum visitante ou cientista…”
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32097″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”32100,32101,32102″ bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mundo português
E se é verdade que às vezes um bom parceiro de negócio sai de onde menos se espera – “Há um tipo que fabrica filtros para aquários gigantes que nos compra aos contentores para a China”, revela Duarte Leal da Costa, da Ervideira –, também há que reconhecer que a presença de portugueses em qualquer canto do mundo que se preze também pode dar uma ajuda. Ainda que às vezes com umas voltas pelo meio…
“Recentemente”, recorda Hélder Cunha, da Casca Wines, “num jantar vínico em Shangai, conheci uns chineses de Taiwan. Um deles disse-me que se conseguisse estar no sábado seguinte em Taiwan me apresentava um amigo proprietário de restaurantes e que procurava vinhos com o perfil dos nossos. Lá fui. E o tal amigo era um português! Um verdadeiro embaixador do vinho português, devo acrescentar!”
O importador da Enoport para a Namíbia também é português, explica Paulo Lima, da empresa com sede em Rio Maior, que passou os últimos dois anos e meio sediado em Luanda e conhece bem os meandros dos mercados africanos. “Quando chego a um país, contrato um taxista e peço-lhe para me levar às garrafeiras e a partir daí sigo as pistas que surgem. As burocracias podem ser terríveis e entrar num país com amostras às vezes é difícil, mas tudo se resolve.” Para bom entendedor…
Já agora, quem pode aproveitar canais abertos por outros produtos só tem a ganhar com isso. A Adega Mãe sabe que o bacalhau (Riberalves) é um cartão de visita global e o facto de a empresa ser uma das maiores do mundo (adquire entre 8 a 10% da pesca mundial desta espécie) neste ramo joga a favor dos seus vinhos. O produtor lisboeta exporta cerca de 60 por cento da sua produção de um milhão de garrafas e está presente em 30 países, incluindo, por exemplo, Bermudas, Laos ou Ruanda, explica Pedro Azevedo, director comercial e de operações.
Mas o negócio mais “sui generis” da casa nem aconteceu nesses países menos “vínicos”, digamos assim. Foi na China, de onde chegou uma encomenda de vinhos varietais. A Adega Mãe produz 12 varietais, cujos rótulos ostentam em destaque a letra inicial da casta que está na garrafa. E foi esse o argumento vencedor para a viagem rumo ao oriente: a maior cadeia de televisão chinesa, a CCTV, viu naqueles rótulos um excelente pormenor de decoração, replicando a sua sigla com garrafas de vinho. Ou seja, CCTV tanto se pode ler China Central Television como Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Viosinho (ou Viognier). Cortesia do concelho de Torres Vedras, não têm de quê.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Entrevista Mário Neves” color=”custom” accent_color=”#888888″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
“Hoje o que se compra em todo o mundo é estilo”
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_column_text]Começou em 1978 e foi director internacional da Aliança, agora no grupo Bacalhôa Vinhos de Portugal, durante 40 anos. Ao cabo de décadas a vender vinhos nos mercados internacionais, Mário Neves está quase a reformar-se, mas diz que se retira com a mágoa de ver que o vinho português não consegue afirmar marcas e estilos a nível global. Histórias tem muitas e até está a pensar escrever um livro de memórias.
Quantos países já visitou?
São tantos, perdi-lhes a conta! Mas sei que fiz quatro voltas ao mundo completas. Se estava na Ásia ou na Austrália, regressava à Europa pela América. Viajei por toda a Ásia, Américas do Norte, Central e Sul, África menos. Uma das primeiras viagens que fiz, na Aliança, foi visitar todas as ilhas das Caraíbas. Nessa altura, finais da década de 70, princípios de 80, havia um mercado muito forte para os rosés portugueses (Mateus, o nosso Casal Mendes, o Lancer’s e vários outros), que tinham grande fama nos EUA – éramos o segundo exportador mundial para os EUA, a seguir à França. Chegou a haver 70 marcas de rosé português no mercado norte-americano, hoje encontra-se uma garrafa ou outra nos supermercados…[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32112″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É por isso que eu sou céptico quando se diz que a situação do vinho português está melhor do que nunca, nessa altura havia marcas reconhecidas à escala global e vejo muito menos isso nos dias que correm. Precisamos de criar marcas fortes, seja pelas regiões, seja pelas variedades de uvas. Exportamos mais do que no passado, mas continuamos a ter uma posição frágil face aos nossos concorrentes.
Onde foi mais fácil e mais difícil vender o seu vinho?
Nessas décadas de 70, 80 e 90, era fácil vender rosés, nomeadamente nas Caraíbas. É preciso estar atento às oportunidades. Mas às vezes também é preciso ter sorte. Tenho muitos episódios curiosos e até gostaria de escrever um livro sobre essas memórias de trabalho… Por exemplo, uma vez no Brasil, não sei se estava em Florianópolis ou Porto Alegre, decidi fazer uma visita à Argentina, onde não havia qualquer vinho português no mercado, tirando um ou outro Porto. Percebi que não havia rosé à venda na Argentina e começámos logo a exportar rosé para lá. Acabei por vender 20 contentores nesse ano para a Argentina. Infelizmente, esse mercado acabou, devido à oscilação da moeda do país.
África é muitas vezes falada quando se lembram episódios curiosos…
Certo dia, um nigeriano que vivia em Maiorca contactou-me para importar rosé português para África. O curioso é que ele, para além de importador de produtos alimentares e também importador de produtos químicos, ainda tinha uma terceira actividade: era agente de jogadores de futebol. Chegou a ter um excelente jogador no Boavista [o ponta-de-lança Ricky]… Comprou-me dois contentores de vinho para a Nigéria – tinha de ser pagamento imediato e ele pagou os cerca de 30.000 dólares em notas. E só duas é que eram falsas!
Qual é a importância do chamado “mercado da saudade” nas nossas exportações?
Portugal exportou em 2017, de vinhos tranquilos (sem Porto), cerca de 375 milhões de euros. Uma percentagem significativa vai para os portugueses que vivem lá fora, o que significa que ainda temos muito a fazer para nos afirmarmos nos mercados internacionais. Somos um país difícil de perceber para os estrangeiros…
Costumo dizer que o meu negócio não é vender vinhos; hoje o que se compra em todo o mundo é estilo. E os vinhos portugueses não têm um estilo, salvo raras excepções – talvez a mais notável seja a dos Verdes: seja qual for a marca, o consumidor sabe o que vai beber. A nível de castas, a Baga consegue isso: podem não ser os melhores vinhos, mas são os mais autênticos. Faltam-nos castas que sejam reconhecidas em todo o mundo. O Alvarinho, sim, mas muito a reboque de Espanha e do seu Albariño… A Touriga Nacional tem boa imagem, mas faltam mais marcas para lhe dar visibilidade – isto tem de ser um trabalho conjunto, ninguém pense que vai ter sucesso sozinho.
Em Portugal, só as regiões garantem escala?
Sim, mas veja-se: o Alentejo faz 100 milhões de litros, mas a grande diferença é que no Alentejo usam-se 60 variedades de uva e, por comparação, um caso de sucesso recente, Rueda faz 100 milhões de litros só com uma variedade, o Verdejo. Ou seja, a região garante um estilo e constrói uma marca. Alentejo e Douro são regiões em que é muito difícil construir marca, porque não há um estilo definido, não são regiões homogéneas.
Como vê os esforços para recuperar algumas castas tradicionais?
Se calhar precisávamos era de um trabalho ainda maior ao nível da selecção clonal. É precisa mais investigação na área da viticultura. Por exemplo, os Açores têm um clima semelhante ao da Nova Zelândia, que não existia nos mercados internacionais há 30 anos e agora exporta 1000 milhões de dólares só com uma uva [Sauvignon Blanc]. Mas por causa da maneira como se fazia o vinho antigamente não era possível afirmar o vinho dos Açores. Agora, com um trabalho fundamentalmente de viticultura, a região está a aparecer no topo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32118″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A vaga de popularidade de Portugal de alguma forma ajudou no seu trabalho?
Nos vinhos… ando nisto há 40 anos, estou prestes a reformar-me e não estou feliz. Veja-se o que se passa nos supermercados: dezenas de marcas a surgirem quase todos os dias, o nível de preços é terrivelmente baixo. Não estamos a acrescentar valor no vinho que produzimos…
Como é que se vende então o vinho português?
De muitas maneiras. E também é preciso ter sorte. Em Londres, há uns 12/15 anos, apareceu-me um indiano que, após 15 minutos de conversa, comprou-me um contentor de vinho. E até brincou comigo: “Você nem acredita que eu lhe vou comprar tanto vinho!” E era isso mesmo, fiquei completamente espantado com a facilidade do negócio.
Também já vendi vinhos a pessoas que conheci às duas da manhã… Aconteceu em Verona, com o comprador da maior cadeia de lojas da Áustria; e em Bordéus, no final da Vinexpo, no jantar da Confraria de Bordéus, quando me apareceu um cavalheiro que se apresentou como comprador de uma das maiores cadeias de supermercados da Bélgica… já tínhamos os dois bebido de mais nessa noite, mas começou aí uma boa relação comercial, que durou vários anos.
O verdadeiro vendedor nunca dorme, portanto.
(Risos) É isso, quem dormir pode perder grandes oportunidades![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº18, Outubro de 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
2018, um ano de muitos desafios na vinha

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O ano agrícola começou com a seca do final de 2017, início de 2018, continuou com um final de Primavera e início de Verão com muita humidade e, logo a seguir, um curto período de calor infernal. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O ano agrícola começou com a seca do final de 2017, início de 2018, continuou com um final de Primavera e início de Verão com muita humidade e, logo a seguir, um curto período de calor infernal. No fundo, extremos climáticos que puxaram pelas capacidades das videiras e pelo conhecimento de viticultura dos seus proprietários. Para não falarmos de capacidade económica para tratar das vinhas…
TEXTO António Falcão
Muita coisa radical aconteceu neste ano agrícola de 2017/2018. Em primeiro lugar, a seca extrema que já vinha de 2017 e que deixava muita gente em pânico já no início do ano. Algumas barragens mostraram os seus fundos como há décadas não se viam; poços e furos secaram; e lençóis freáticos mostraram níveis assustadoramente baixos. O medo subsistiu quase todo o Inverno, um dos mais secos de que há memória. Só no final da estação, já em Março, começou a chover. E, diga-se de passagem, com fartura e em todo o país.
Segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no território português, o mês de Março está aquase todo pintado de cor-de-rosa, a cor que significa 400% em relação à média (quatro vezes mais!) em termos de pluviosidade! Abril continuou com chuva acima da média. Passou-se quase subitamente da seca extrema para um quase dilúvio. Era raro termos um dia sem chuva neste período. Este fenómeno estendeu-se a praticamente todo o território nacional, com uma regularidade impressionante. Em Maio a chuva abrandou um pouco, mas a precipitação acima da média continuou em Junho.
Ou seja, o Portugal vitícola esteve durante meses sujeito às condições ideais para o ataque das doenças fúngicas, como o míldio e o oídio. A pressão foi tremenda, como há muito não se via nas vinhas portuguesas. Alguns produtos químicos esgotaram. E um famoso técnico do Dão começou mesmo a duvidar da eficácia dos químicos para combater estas doenças. Porque os testou, lado a lado.
A pressão foi tão grande que um atraso de um dia nos tratamentos poderia significar prejuízos de monta. Isso pressupunha que o viticultor saberia quando e como fazer o tratamento. E depois que o conseguisse fazer em tempo útil. E ainda que tivesse dinheiro ou capacidade financeira para os fazer: os tratamentos são caros em mão-de-obra, máquinas e produtos. Se a vinha é de um produtor que engarrafa e tem marca própria, e ganha dinheiro com isso, o problema é resolúvel. Para um viticultor que vende a uva a preços ‘muito à pele’, o custo dos tratamentos não se justifica. É tão simples como isso. E vários produtores por esse país fora ficaram com a vindima já feita…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32054″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Do ‘Inverno’ para o ‘Inferno’
Mas continuemos com notícias menos boas. Primeiro, com o excesso de precipitação e temperaturas mais amenas do que o normal, todo o ciclo da videira se atrasou: nuns sítios duas semanas, noutros três, em alguns um mês inteiro. E depois outro fenómeno: durante a luta titânica contra as doenças fúngicas, que durou largas semanas, alguns viticultores optam por desfolhar as videiras, expondo os cachos ao vento para assim secarem mais depressa, atrasando ou mitigando o ataque dos fungos, esses bichos avessos à secura. Infelizmente, o período de chuva terminou quase abruptamente na primeira semana de Agosto, para dar lugar a um inferno de calor, mais uma vez por todo o país. Com temperaturas a bater recordes históricos em várias zonas, muitos cachos expostos ficaram ‘escaldados’ ou desidratados. Vimos por esse país fora cachos completamente em passa, muito antes de estarem maduros.
Os estragos ocorreram em quase todo o país, mas a pressão foi bem mais intensa nas regiões atlânticas, as mais frescas e menos habituadas a calores extremos. E foi sobretudo crítica nas vinhas em terras de areia (com maior reflexo dos raios solares) e videiras com os cachos mais baixos, mais perto da fonte de calor do solo. Na região de Lisboa, por exemplo, os prejuízos foram consideráveis, como nos confirmou Bernardo Gouvêa, o presidente da CVR de Lisboa. Na Península de Setúbal, ocorreram grandes estragos no Moscatel e, em menor volume, no Castelão. A 7 de Agosto, a Associação de Viticultores do Concelho de Palmela estimava prejuízos de 30 a 35%. Nos solos mais secos e pobres, salvou-se quem tinha rega e a usou. A água foi aqui determinante.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mais atrasos na maturação
Como se isto já não fosse maldade suficiente, o calor extremo obrigou as videiras a ‘parar’, fechando os estomas. O que provocou mais atrasos nas maturações. Note-se que o facto de as maturações estarem atrasadas não é, por si só, preocupante. Só passa a ser mau quando provoca uvas desequilibradas (bagos verdes e maduros no mesmo cacho, por exemplo) e sobretudo quando a vindima é apanhada pelas chuvas de Setembro e Outubro. Coisa que, felizmente, não se verificou até ao fecho desta reportagem (finais de Setembro).
De facto, o resto de Verão foi quase todo quente e seco. O mês de Agosto, por exemplo, teve temperaturas máximas muito acima da média de 1971-2000 (entre 2,5 graus e 3,5 graus!) e Setembro não andou longe. Mesmo as mínimas foram acima da média: ou seja, faltaram noites frescas durante a maior parte do Verão. Estas noites são bem-vindas para a manutenção de bons teores de ácidos na uva, que asseguram vinhos frescos, gastronómicos e com capacidade para durarem vários anos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32055″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um ano para profissionais
Pelo que se disse atrás, parece que 2018 foi um ano vitícola muito fraco. E na verdade não foi. Porque felizmente existem cada vez mais e melhores profissionais nas vinhas. Todos os anos dizemos isto, mas a verdade é que, quanto mais duras forem as ameaças à vinha, mais importante se torna a aplicação dos bons conhecimentos e da capacidade de resposta das empresas.
Todos os profissionais por nós visitados/consultados nos confirmaram os perigos que a Natureza lhes lançou este ano agrícola. A diferença esteve fundamentalmente na atempada detecção das ameaças e na rapidez com que foram resolvidas. Quem tem meios para saber, decidir e reagir, sofreu muito menos. Por exemplo, vimos várias vinhas com graves prejuízos de míldio e outras, ali perto, com quase nada. O mesmo aconteceu com o escaldão do início de Agosto. A sorte também fez parte desta equação, mas está na proporção inversa das capacidades de conhecimento e de intervenção.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um grande ano nos Açores
A maior excepção a este panorama ocorreu nos Açores, com um ano extraordinariamente seco, batendo recordes de há mais de um século. Isso mesmo nos disse Paulo Machado, ex-presidente da CVR dos Açores e produtor na ilha mais vitícola dos Açores, o Pico. A vindima das castas brancas – Verdelho, Terrantez e Arinto, por exemplo – estava terminada antes de Setembro, coisa nunca vista. Os enólogos António Maçanita e Bernardo Cabral, que controlam vastas áreas de vinha no Pico, confirmam isto. Excelentes uvas, com excelentes vinhos em perspectiva.
No continente, quando escrevemos este artigo, só uma parte das castas brancas tinha sido vindimada e vinificada, especialmente nas regiões mais quentes do país, como o Douro Superior e o sul. As uvas tintas estão muito atrasadas e só no fecho desta edição começavam a chegar às adegas. É por isso muito prematuro falar de qualidade e quantidade, seja nos brancos, seja nos tintos. Deixaremos isso para a próxima edição, quando deverão existir já muitas uvas colhidas e vários mostos fermentados.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº18, Outubro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
A enigmática casta Verdelho

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A origem da Verdelho continua a ser um enigma, apesar de estudos recentes terem contribuído imensamente para o nosso conhecimento dessa abstrusa casta. Estudos genéticos já nos possibilitam rejeitar comparações entre Verdelho e Chenin Blanc, Godello, Verdicchio […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A origem da Verdelho continua a ser um enigma, apesar de estudos recentes terem contribuído imensamente para o nosso conhecimento dessa abstrusa casta. Estudos genéticos já nos possibilitam rejeitar comparações entre Verdelho e Chenin Blanc, Godello, Verdicchio Bianco e Verdello que é plantado na região de Umbria, na Itália. Entretanto, devido à existência de múltiplos sinónimos e homónimos, dentro e fora de Portugal, e a um passado inadequadamente catalogado, a origem da variedade permanece um mistério. Por esse motivo, profissionais e publicações continuam a fazer confusão entre castas, principalmente Verdelho, Verdejo e Gouveio.
TEXTO Dirceu Viana Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]No passado acreditava-se que o Verdelho havia sido levado do continente para as ilhas de Portugal. Vinhedos velhos foram encontrados nos arquipélagos da Madeira, dos Açores, das Ilhas Canárias e no Vale do Loire, mas, entretanto, não foram identificadas vinhas antigas do continente português contradizendo essa hipótese.
Segundo Jorge Böhm, viveirista e autor, existem registos sugerindo que no início do século XV, quando os portugueses descobriram as ilhas atlânticas, o rei Afonso V solicitou ao seu tio Henrique, o Navegador, que trouxesse as melhores castas das ilhas gregas (Creta). Essas castas foram plantadas na ilha da Madeira. Com o passar do tempo essas castas migraram para as ilhas dos Açores. Autores açorianos, entretanto, escrevem que o Verdelho poderia ter sido importado para os Açores a partir do século XV do Chipre, da Sicília ou possivelmente da ilha da Madeira pelo Frei Pedro Gigante. De facto, um dos registos mais antigos referente à casta Verdelho cultivada nos Açores menciona plantações na lha Terceira e foi escrito por Gaspar Frutuoso em algum momento entre os anos de 1522 e 1591.
Entretanto, através de análise de DNA até agora não foi possível estabelecer ligação genética entre o Verdelho e qualquer casta proveniente da ilha de Creta, Chipre ou Sicília, embora exista a possibilidade da proximidade com alguma variedade das ilhas Canárias, tese defendida por muitos espanhóis.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32036″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Documentos encontrados na ilha da Madeira, mostram que mudas de Verdelho foram enviadas da ilha no ano de 1768. Alberto Vieira, académico e pesquisador da história da Madeira, afirma que em 1783 o Verdelho foi autorizado como uma das castas a serem plantadas na região de Porto Santo. Dados históricos explicam que a casta era amplamente cultivada na Madeira antes de a filoxera atacar a ilha em 1872 e na época constituía cerca de dois terços das plantações. Da mesma forma, o autor Girão estabelece que por volta de 1820 o Verdelho também era a casta mais utilizada nos Açores.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32045″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A ausência de qualquer referência à casta Verdelho antes do século XVIII na Madeira demonstra um intervalo de aproximadamente 200 anos entre a primeira citação do Verdelho nos Açores e os registos da Madeira. Tal referência convida a especulações que a casta poderia ter existido nas ilhas dos Açores antes de ter sido cultivada na ilha da Madeira.
Microssatélites de DNA de cloroplasto são utilizados para definir a direcção dos cruzamentos parentais e através dessa técnica foi possível identificar a casta Savagnin como um dos progenitores da casta Verdelho. Utilizando a mesma técnica, ficou estabelecido que Verdelho é possivelmente um dos progenitores da casta Arinto dos Açores e que, juntamente com a casta Bastardo, sejam os progenitores da Terrantez do Pico. Esse facto reforça o conceito de que o Verdelho poderia ter existido nos Açores há muito tempo para ter gerado descendentes. Além disso, os perfis dos microssatélites provam cientificamente que Verdelho é uma casta diferente da espanhola Verdejo e da portuguesa Gouveio, que, no continente, em muitos casos ainda continua sendo confundida com o Verdelho.
De acordo com dados mais recentes do Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) existem 624 hectares de Verdelho plantados no território nacional, incluindo Madeira, Açores (Biscoitos, Pico e Graciosa), Douro, Dão, Beira Interior, Bairrada, Alentejo, Tejo e Setúbal.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Domingos Soares Franco, vice-presidente e enólogo chefe do grupo José Maria da Fonseca, acredita que também haja plantações no Minho. Frederico Falcão, CEO do grupo Bacalhoa, supõe que as plantações de Verdelho no continente sejam escassas e sugere que grande parte da área é constituída por Gouveio, possivelmente devido a confusão que ocorria na hora da encomenda do material genético aos viveiristas. Domingos Soares Franco concorda e acredita que na Península de Setúbal, por exemplo, além dos dois hectares que possui a sua empresa, existe apenas um hectare de Verdelho autêntico cultivado por um produtor vizinho. David Baverstock, que já havia observado o comportamento da casta Verdelho na Austrália, confirma que essa confusão realmente ocorreu na década de 90 quando buscava plantas para estabelecer vinhedos no Alentejo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32035″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Verdelho ou Gouveio?
Jorge Böhm indica que Verdelho de Portugal continental era a variedade Gouveio (ou o Godello espanhol). Diz ele que há cerca de 20 anos, quando houve um projecto governamental de eliminação da expressão homónima, o Verdelho continental passou a ser chamado Gouveio, que era o antigo sinónimo regional do Verdelho. De acordo com dados mais recentes do Instituto da Vinha e do Vinho, existem 1.067 hectares de Gouveio plantados no país.
Gouveio é uma excelente variedade, confirma David Baverstock, enólogo chefe da Herdade do Esporão, capaz de revelar aromas tropicais exuberantes e por isso é apreciada por consumidores. Apesar de haver ligações genéticas com Verdejo, as duas castas são completamente distintas. O francês Pierre Odart, experiente ampelógrafo e responsável por introduzir Verdelho ao Vale do Loire, já havia escrito um artigo em meados do século XIX esclarecendo as diferenças entre Verdelho e Gouveio.
Essa casta, proveniente de um cruzamento entre Castellana Blanca e Savagnin, continua a ser utilizada na região de Trás-os-Montes e Douro, apesar de sua importância parecer ter diminuído ao longo dos anos. Frederico Falcão, CEO da empresa Bacalhoa, que possui a Quinta D’Aguiar em Figueira de Castelo Rodrigo, Beira Interior, onde existem plantações de Gouveio, explica que a casta é resistente a doenças, sendo capaz de atingir produções a rondar entre 10 a 12 toneladas por hectare. O Gouveio é conhecido por apresentar aromas de frutas cítricas, maçã fresca e frutas de caroço. Confere acidez nítida, refrescante, e o nível de açúcar no mosto é equilibrado. Frequentemente aparece na composição dos vinhos do Porto brancos. Numa pequena zona do Douro e na sub-região de Távora-Varosa aparece como base para espumantes. Um excelente exemplo de Gouveio como varietal aparece num vinho espumante feito pela Caves Transmontanas chamado Vértice Gouveio 2007.
Do outro lado da fronteira, Rafael Palacios, renomado enólogo espanhol, trabalha com Godello em Valdeorras desde 2004. O que o atraiu foi a excepcional intensidade da fruta, combinada com sabores elegantes e profundos, textura sedosa juntamente com frescura e salinidade. Palacios acredita que essa casta pode ser vista como uma alternativa para a Chardonnay, capaz de fazer vinhos frescos e refrescantes ou optar por estagiar em madeira, o que confere ao vinho mais corpo, densidade e complexidade. Os vinhos são versáteis e capazes de envelhecer na garrafa por mais de duas décadas, segundo ele. Um dos lançamentos actuais que merecem atenção é Bodegas Rafael Palacios “As Sortes” 2016.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Verdelho ou Verdejo?
Verdejo é uma casta bem-conceituada e praticamente sinónimo da DO Rueda, para a qual é especialmente adequada graças à sua alta altitude, geologia e clima continental, com diferenças marcantes de temperatura entre a noite e o dia. Verdejo é uma das castas brancas mais plantada na Espanha, representando uma parte significativa dos vinhedos de Castilla y León, Castilla La Mancha e Extremadura. Certos livros apontam Castilla y León, no centro-norte da Espanha, como a região nativa dessa casta, no entanto outros livros sugerem que a uva teve origem no norte de África e foi trazida por cristãos que viviam sob o domínio hispano-muçulmano em torno do século XI. Domingos Soares Franco refere que até há pouco mais de uma década Verdelho e Verdejo eram consideradas a mesma casta no território português. Somente através de análise genética foi possível provar que essa presunção estava incorrecta. De acordo com dados recentes do Instituto da Vinha e do Vinho, existem apenas 33,55 hectares de Verdejo plantados no país.
O Verdejo é uma casta que na primeira fase do ciclo vegetativo tem características ampelográficas similares ao Verdelho, sendo difícil encontrar diferenças até à altura da floração.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32039″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Após esse estágio, a casta Verdejo, que demonstra vigor entre médio e alto, distingue-se através de bagos ovóides e cachos maiores do que o Verdelho resultando num nível de produção superior. Verdejo apresenta sensibilidade ao desavinho, principalmente quando as condições na altura da maturação não forem muito favoráveis. Em termos de sensibilidade a doenças, é muito susceptível ao míldio, que tem tendência para atacar o cacho após o vingamento, e é sensível ao oídio. De acordo com Domingos Soares Franco, nas condições da Península de Setúbal é uma casta precoce com maturação semelhante à do Fernão Pires, ainda que Frederico Falcão adiante que nos vinhedos da Bacalhoa a colheita acontece tarde. O mosto tem acidez consideravelmente inferior ao Verdelho, na ordem dos 4,5 a 5 g/l, a casta é mais sensível à oxidação e lenta para clarificar durante a decantação estática.
Por outro lado, o Verdelho brota a médio prazo e por isso é susceptível à geada da Primavera. Amadurece cedo. Exibe bagos ovais de tamanho médio, pele grossa e cachos relativamente pequenos com peso médio e moderadamente compactos. O rendimento é regular e não excessivo. Verdelho prefere um solo mais profundo com certo grau de humidade. Por esta razão, adapta-se bem ao clima marítimo e é mais resistente a doenças, embora seja susceptível ao oídio. Outro grande problema, de acordo com Jorge Böhm, como viveirista, é conseguir encontrar material genético sem vírus. Na adega, o mosto exibe uma acidez elevada na ordem dos 6,5 a 7 g/l. A casta é resistente à oxidação e clarifica durante a decantação estática com mais facilidade do que o Verdejo.
Os vinhos portugueses degustados aqui apresentaram dois perfis distintos e essas diferenças parecem não ser apenas frutos da diversidade edafoclimática, mas aparentam ser vinhos de castas completamente diferentes, como se estivéssemos comparando um Chardonnay com Aligoté. Um grupo apresentou vinhos com estrutura linear, acidez acentuada e um perfil mineral com distinta salinidade. No geral apresentaram um estilo de vinho mais discreto e distintamente gastronómico. Outros vinhos, porém, demonstraram aromas mais exuberantes com abundância de frutas tropicais e florais. São vinhos agradáveis, fáceis de entender e podem ser facilmente apreciados por quem deseja beber um bom copo de vinho sem acompanhar um prato, pois a acidez é notavelmente mais baixa. Essa análise impõe serias dúvidas de que os vinhos cujas notas de degustação transmitem exuberância e aparentam menor acidez sejam realmente Verdelho.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32043″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O futuro
Está claro que a confusão que historicamente existiu entre estas castas ainda persiste e que os dados oficiais possivelmente são bastante imprecisos. É possível que alguns produtores não estejam atentos e que outros prefiram ignorar o tópico por conveniência. Com o aumento do interesse do público em relação a temas ligados à rastreabilidade, responsabilidade social e autenticidade, agora seria um bom momento para esclarecer essa dúvida de uma vez por todas. O tema pode não ser grave o suficiente para gerar manchetes negativas no cenário mundial, como escândalos recentes envolvendo vinhos de Brunello di Montalcino ou a fraude na região do Vale do Rhône e Chateauneuf du Pape. Mas penso ser consensual que tal coisa não deveria continuar, especialmente em Portugal, uma nação séria e íntegra que se orgulha da qualidade, diversidade e autenticidade de seus vinhos.
Não é sequer uma questão de que uma destas castas seja melhor que a outra. São simplesmente diferentes. Em vez de ignorar esse tema enigmático e nebuloso, seria uma oportunidade para clarificar e demonstrar ainda mais a diversidade que Portugal tem para oferecer. Por esse motivo, as informações devem ser mais pronta e rigorosamente compartilhadas pelos viveiristas, os responsáveis do governo e das Comissões Vitivinícolas Regionais precisam de agir e os produtores aceitar responsabilidade, para que os consumidores possam ter confiança no produto que estão comprando.
Tenho a certeza de que muitos profissionais da indústria, Masters of Wine, jornalistas internacionais e sommeliers apreciariam a oportunidade de provar um genuíno Gouveio, comparar com um Verdejo e contrastar com um autêntico Verdelho. Não há dúvida de que todas essas castas são capazes de fazer grandes vinhos. Assim sendo, iriam adicionar ainda mais à história que Portugal tem para contar sobre a multiplicidade e abundância das suas valiosas castas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][heading]Em Prova[/heading][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
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Edição Nº 18, Outubro 2018
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