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Raposinha em grande forma

By 5 Fevereiro, 2019 Sem comentários

Com 12 anos de colheitas, a equipa do Monte da Raposinha vai ‘fazendo a mão’ à vinha e aos procedimentos enológicos. Estas afinações permanentes só podem trazer boas coisas aos novos vinhos que, entretanto, vão sendo lançados.

TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Luís Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga

Poucos são os produtores de vinho no Alentejo que se situam nestas franjas da região. De facto, a meio quilómetro da parede da barragem de Montargil, o Monte da Raposinha está geograficamente a poucos quilómetros do Ribatejo. Mas não é só a localização; também em termos de solos, a herdade está mais próxima do típico solo ribatejano do que do alentejano, com muito calhau rolado. Quase faz pensar, aliás, em alguns pontos de Bordéus…
Este é apenas um pormenor, mas que condiciona, claro, a vinha e os vinhos. Quem trata das vinhas (cerca de 15 hectares) e gere o projecto é João Nuno Ataíde; a sua mulher, Paula Bragança, é quem cuida da enologia. É evidente que ambos têm ajuda e, na enologia, a técnica (e produtora) Susana Esteban está atenta a tudo o que se faz na adega.
João Nuno e Paula foram os anfitriões de mais um lançamento de novos vinhos pela empresa alentejana. O pai de João Nuno, Nuno Ataíde, e Susana Esteban juntaram-se ao grupo na altura do almoço, em parte confeccionado pelo próprio João Nuno, incluindo um magnífico arroz de javali. O intuito do evento foi apresentar os novos vinhos da casa, em todos os segmentos, a saber: Nós, Monte da Raposinha, Athayde e o topo de gama, Furtiva Lágrima, que só sai em anos que a qualidade o justifique. Para se ficar com uma ideia, as tiragens vão de 30.000 garrafas (Nós tinto) às 1.850 (Furtiva Lágrima); e com preços de 5,50 euros até 45.

Como nos tem vindo habituando, notámos muita consistência qualitativa em toda a gama. “Um dos grandes segredos”, disse-nos João Nuno, “vai para a altura da vindima. Tentamos apanhar cedo para controlar o grau alcoólico.” Paula Bragança acrescenta: “Aqui é muito fácil algumas uvas entrarem rapidamente em sobrematuração.” Ao mesmo tempo, a equipa procura pouca extracção das uvas na adega. O resultado está aí: vinhos frescos que privilegiam a elegância à força bruta, tintos com taninos presentes, mas suaves. Nos néctares com estágio em madeira, há quase uma obsessão em não deixar que a madeira marque muito o vinho.
Ano após ano, o Monte da Raposinha continua na senda de produzir belos vinhos, sempre com muita seriedade nos processos. Mas coisas que aqui também não faltam são o entusiasmo e a classe.

Em prova
  • Monte da Raposinha
    Regional Alentejano, Tinto, 2016

    16.0
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Nós
    Regional Alentejano, Branco, 2017

    16.0
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Monte da Raposinha
    Regional Alentejano, Rosé, 2017

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Athayde
    Regional Alentejano, Grande Escolha, Tinto, 2015

    17.0
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Athayde
    Regional Alentejano, Reserva, Branco, 2017

    17.0
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Nós
    Regional Alentejano, Tinto, 2016

    15.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Monte da Raposinha
    Regional Alentejano, Branco, 2017

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Furtiva Lágrima
    Regional Alentejano, Tinto, 2015

    18.0
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor

Edição Nº19, Novembro 2018

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