Freixenet: “Més que un Cava”

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Freixenet está para o Cava como o FC Barcelona está para o futebol, sobretudo a nível de potência de marca. Ao longo de muitas décadas, a empresa catalã foi-se constituindo como um gigante a nível mundial, […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Freixenet está para o Cava como o FC Barcelona está para o futebol, sobretudo a nível de potência de marca. Ao longo de muitas décadas, a empresa catalã foi-se constituindo como um gigante a nível mundial, e nós fomos perceber porquê.
TEXTO: Mariana Lopes
FOTOS: Cortesia Freixenet
A história da Freixenet já vem desde bem antes da sua fundação, com o percurso de duas pessoas em diferentes empresas produtoras de Cava: Dolores Sala, da Casa Sala; e Pedro Ferrer, dos Ferrer “de La Freixeneda” (assim apelidados pela existência de muitos freixos na sua propriedade, que por isso tomou também esse nome). A Casa Sala teve início em 1861 e Dolores Sala, quando chegou à idade adulta, tornou-se enóloga, um feito para uma mulher no século XIX. Quando casou com Pedro Ferrer, em 1911, esse espírito moderno e trabalhador levou-a a começar, com o marido (cuja alcunha era “el Freixenet”), a produzir espumante de acordo com o método clássico (segunda fermentação em garrafa).
Poucos anos depois, em 1914, lançaram para o mercado a primeira garrafa, um “extra-doce” com a marca Freixenet, que acabou por tornar-se o nome da empresa e do grupo, que se foi expandindo ao longo do tempo. Dolores, como enóloga e administradora, e Pedro, como director de negócio e de vendas, juntamente com alguns membros da família, desenvolveram a Freixenet ao ponto de, por alturas da Guerra Civil Espanhola, em 1936, ser já a segunda maior produtora de espumante de método clássico.
Entretanto, construíram a adega e edifício principais da empresa em Sant Sadurní d’Anoia, um “pueblo” a cerca de 50 quilómetros de Barcelona, na região do Penedés. No mesmo ano do início da guerra, a Freixenet foi abalada pela morte de Pedro Ferrer e do filho mais velho do casal, Joan, mas não derrubada. Apesar de ter ficado sem o seu presidente e sem o primeiro herdeiro e, simultaneamente, ter sido colectivizada, a empresa voltou para a família em 1939 (final da guerra civil) e foi mais uma mulher com apenas 20 anos, Pilar Ferrer, quem assumiu a continuidade. Mais tarde, ficou de novo nas mãos de Dolores Sala e de um outro sócio extra-familiar.
Em 1959, José Ferrer Sala juntou-se à gestão, depois de concluir os estudos em enologia e em trade. Nessa altura, marcada por modernizações e grandes mudanças em Espanha, também a Freixenet sofreu algumas revoluções positivas, expandindo a adega e implementando novos sistemas mecanizados; e alargando a visão comercial, com os primeiros passos na internacionalização da marca.
No seguimento desta expansão entrou, em 1965, o sobrinho de José Ferrer Sala, José Luís Bonet, para a direcção comercial. Juntos formaram um duo invencível, consolidando fortes estratégias de negócio e marketing, nomeadamente a criação de dois dos produtos mais famosos da Freixenet: os Cava Carta Nevada (em 1967) e Cordón Negro (em 1974). Com o lançamento do primeiro na televisão, estava dado o passo que acabou por decidir a derradeira descolagem da Freixenet. É verdade que os atractivos spots publicitários e as campanhas muito bem construídas tiveram um papel preponderante no sucesso destas marcas, mas isso comunicava, com sucesso, produtos que começavam a criar fidelização pela excelente relação qualidade/preço, e estas duas componentes juntas foram, e são, o derradeiro segredo da explosão do negócio Freixenet.
O Carta Nevada, por exemplo, é um meio-seco com uma qualidade acima do normal nesta categoria, com notas florais e tostadas, bom volume e uma percepção de secura que muitos diriam, em prova cega, estar a beber um bruto. Também os Freixenet doces, com uma fatia importante do mercado local, revelam um incomum equilíbrio entre açúcar e acidez. Os espanhóis, segundo Cristina Blasi, relações públicas da empresa, “dão ao meio-seco o seu devido lugar à refeição”. O Cordon Negro, por sua vez, é um Cava bruto, de perfil frutado e trato fácil, bem feito, de agrado geral. De tal forma que em França, pátria do Champagne, vende mais de 8 milhões de garrafas! Estes Cava de entrada são vendidos em Portugal a 6 e 7 euros, respectivamente, e, tal como o resto da gama, importados e distribuídos pela Vinicom.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”parallax_image_grid” images=”32714,32716″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um grupo empresarial
Embora o Carta Nevada e o Cordon Negro tenham um peso grande na marca, a Freixenet vai muito além em ambição qualitativa. Logo em 1979 foi criado o primeiro Cava do que viria a ser a colecção “Cuvée de Prestige”, o D.S., em homenagem a Dolores Sala (€16). A esse cluster premium pertencem, hoje, mais oito elementos: Reserva Real (€24), Malvasia (€13), Monsatrell Xarel·lo, Elyssia Gran Cuvée (€15), Elyssia Pinot Noir (€15), Trepat (€13), Can Sala (vendido em Portugal a €70, apenas por encomenda), e Garnatxa Subirat Parent.
O Reserva Real é uma importante aposta da marca, e igualmente da Vinicom em Portugal. Nas caves em Sant Sadurní, que têm uma profundidade de 18 metros, o Reserva Real estagia no piso mais fundo. Estamos a falar de uma superfície subterrânea de 150 mil metros quadrados, com vários pisos onde, além de centenas de pupitres onde descansam os espumantes “pré-dégorgement”, se encontram também as barricas de castanho com o licor de expedição, os armazéns com as cubas de 600 mil litros para primeira fermentação, um laboratório de tecnologia de ponta, salas de prova, armazéns para remuage mecânica e uma linha de dégorgement e finalização de produto que consegue encher dois grandes camiões em seis minutos, uma das mais rápidas do mundo.
Em 1981 nasceu o Grupo Freixenet que, a partir de 1985, foi adquirindo unidades de produção e criando marcas por todo o mundo. A juntar às adegas existentes em várias regiões de Espanha, a empresa tem a Henri Abelé e Yvon Mau, em Reims e Bordéus; Gloria Ferrer, em Sonoma; Sala Vivé, no México; Katnook, na Austrália; Viento Sur, na Argentina; entre outras. E recentemente aventurou-se a fazer Prosecco, em Itália.
Sempre a crescer, a Freixenet foi, a partir de 1985, considerada líder mundial em Cava. Na década de 90, patrocinou os Jogos Olímpicos de Barcelona e foi o primeiro espumante a ir à Lua. Este efeito bola de neve continua, assim, até aos dias de hoje.
O grupo Freixenet tem, em sua propriedade e na totalidade das várias “bodegas”, 340 hectares de vinha. No entanto, serve-se de 60 milhões de quilos de uva fornecidos por de cerca de 1000 viticultores com quem tem acordos. É muita uva, o que não surpreende quando sabemos que a empresa produz 200 milhões de garrafas. Foram os primeiros a fazer Brut Nature em Espanha (ou seja, sem qualquer açúcar adicionado), e, apesar do muito elevado volume de produção, só elaboram espumante segundo o método clássico de fermentação em garrafa, o único aceite para a Denominação de Origem Cava. As leveduras utilizadas são desenvolvidas localmente, num laboratório com capacidade para 60 mil litros.
As variedades que cultivam em maior quantidade são as autóctones da região de Penedés, o berço dos Cava, e as principais utilizadas para esta DO: Macabeu, cultivada dos 350 aos 800 metros de altitude, contribui com frescura e acidez; Parellada, também na mesma cota, dá características florais e de elegância; e Xarel·lo, plantada até aos 200 metros, atribui corpo e fruta. Nos seus vinhos, a Freixenet utiliza também Chardonnay, Monastrell, Malvasia, Pinot Noir, Garnacha, Trepat, entre outras, sendo que estas duas últimas são aplicadas na produção dos Cava rosé, onde por vezes também entra o Pinot Noir.
Uma componente muito importante da filosofia da empresa é a ecologia e o respeito pelo ambiente, com elevados critérios de exigência ao nível da gestão da água e energia e controlo dos resíduos poluentes e desperdícios industriais. Um exemplo de que se pode ser grande e fazer o seu papel na preservação do mundo que nos rodeia.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”parallax_image_grid” images=”32717,32718″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Segura Viudas e Casa Sala
Relativamente perto das instalações principais, localizam-se duas outras empresas do grupo, Segura Viudas e Casa Sala, ambas de perfil mais exclusivo. Segura Viudas é “a jóia da coroa” da Freixenet. Com um edifício do século XIII e uma torre de vigilância do século XI, esta adega foi comprada pela família com o mesmo nome em 1954, que começou a produzir para outras casas e também para si própria. Mais tarde, nos anos 80, os herdeiros desinteressaram-se e venderam tudo à Freixenet, que lá produz espumantes e tranquilos diferentes do resto do seu portfólio, que pouco são associados à marca.
As vinhas têm somente 3 hectares, de uvas Macabeu em solo argilo-calcário. São parcelas com idades diferentes, umas com 19 anos e outras com cerca de 40, onde impera a produção ecológica e a técnica de confusão sexual: no lugar de pesticidas, utilizam arames embebidos em feromonas, afastando assim a espécie de borboleta macho que, de outra forma, contaminaria as uvas com doenças.
A adega, dos anos 50, tem um tecto em cortiça e alberga cubas de betão e epoxy revestidas por fora a azulejos, tronco-cónicas e barricas de madeira, de onde saem vinhos tranquilos como o Segura Viudas Xarel·lo, um branco mineral, algo terpénico e com toque de alperce, pera e vegetal, de textura untuosa e boa acidez; Creu de Lavit Xarel·lo, outro branco já com fruta mais madura, querosene, tostados, a lembrar terra, de amplitude considerável e um amargo que lhe fica bem; o Cava Torre Galimany Gran Reserva Brut Nature, das três principais variedades, muito floral, seco e fumado, com algum cacau em pó; e o Gran Reserva Heredad, a estrela de Segura Viudas, de Macabeu e Parellada, um Cava bruto muito elegante, com alguma baunilha, bastante floral, elaborado numa garrafa especial e patenteada, com pormenores de estanho.
Já a Casa Sala é a boutique. Restaurada em 1999, a icónica e histórica pequena adega da família Ferrer Sala, e respectiva casa, é a origem do Can Sala, o espumante topo da Freixenet, que obteve em 2017 a designação Cava de Paraje Calificado, uma categoria superior de Cava atribuída, até ao momento, a apenas 12 produtos. Esta indicação qualitativa exige, por exemplo, que o vinho base tenha origem numa única vinha com condições edafo-climáticas específicas, assim como um estágio mínimo de 36 meses.
Feito de Xarel·lo e Parellada vinificadas em separado, o Can Sala estagia sete anos, mas, em vez da “carica” metálica utilizada no método tradicional, fá-lo já com rolha, o que lhe atribui uma oxidação controlada e o torna extremamente singular. É o único cuja remuage e dégorgement são feitas manualmente, sendo o mais artesanal de todos os vinhos do grupo. Ali querem continuar a fazer como a história lhes conta, história essa que vive também pela prensa Coquard, de Champagne, que data de 1900 e está ainda na adega da Casa Sala, em exposição.
A Freixenet, que em 2017 tinha já uma facturação mundial de 535 milhões de euros (em Espanha, 343 milhões), com uma percentagem de exportação de 79,6%, emprega cerca de 1000 pessoas só em Sant Sadurní e 675 no estrangeiro. Apesar de continuar liderada pela família Ferrer Sala, abriu recentemente parte das quotas ao grupo alemão Henkell & Co, ficando metade com José Ferrer Sala e José Luis Bonet Ferrer, e os outros 50% com a Henkell, dois grandes do espumante que formam agora um gigante imparável.
Edição Nº19, Novembro 2018
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Catena Zapata

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma empresa que se confunde com o melhor que se faz no seu país, a Argentina. Um produtor que se mantém familiar e que colocou Mendoza no mapa. Eis Catena Zapata! Texto: Nuno de Oliveira Garcia Fotos: […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma empresa que se confunde com o melhor que se faz no seu país, a Argentina. Um produtor que se mantém familiar e que colocou Mendoza no mapa. Eis Catena Zapata!
Texto: Nuno de Oliveira Garcia
Fotos: Cortesia do produtor
É muito comum, e não apenas no denominado Novo Mundo, existirem produtores que se confundem com a região onde se encontram instalados. É o que sucede com o produtor Catena Zapata e a região de Mendoza, no interior da Argentina, junto aos Andes que a separam do Chile. É certo que, atualmente, é uma região que conta com largas dezenas de produtores, mas nenhum conseguiu elevar a marca Mendonza tão alto, e a tantos cantos do mundo, como Catena Zapata. Aliás, esse é mesmo um dos motes do produtor, que constantemente propaga a mensagem de os seus vinhos serem o equivalente aos melhores tintos de Bordéus e de Borgonha.
Fundada em 1902, deve-se, todavia, a Nicolás Catena Zapata – a terceira geração familiar aos comandos da empresa – a introdução de técnicas de vinificação modernas e de inspiração europeia. A Nicolás deve-se também a aposta na casta Malbec, geralmente numa mistura com Cabernet Sauvignon, numa altura em que ainda não era certo que seria aquela a casta mais adaptável ao clima desértico da região – viria a tornar-se a uva símbolo do país. Da mesma forma, foi pioneiro também na aposta generalizada em vinhos em altitude, o que significa, quando falamos de Mendonza, vinhas a mais 900 metros acima do nível do mar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32706″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Atualmente a diretora geral da empresa é a filha de Nicolás, Laura Catena. Já com a assistência da sua filha, a empresa continuou em busca de novos terroirs em Mendoza (sendo que é, por regra, uma região uniforme com muitos solos de aluvião), tendo encontrado no início da década de 1990 um local ideal no extremo sul da região (em Tupungato), já no limite na cultura da videira, a que foi dado o nome de Viña Adrianna (Adrianna Vineyard) e cujas uvas entram no topo de gama da marca.
Tratando-se do mais emblemático produtor do seu país, é normal que nele tenham sido formados alguns talentos, sendo o caso mais notório o de Susana Balbo. Atualmente considerada como a mais experiente enóloga da Argentina, Susana trabalhou muitos anos na adega Catena Zapata – adega mítica e precursora no seu formato de pirâmide – antes de seguir o sonho de ter um projeto seu. Em 2011, num jantar em sua casa, em Mendoza, Susana confidenciou-nos que a sua experiência na Catena Zapata lhe tinha mudado a vida. Disse-nos que foi naquela adega que aprendeu que o vinho argentino poderia concorrer lado a lado com o melhor do que se produz na Europa, e que o caminho para lá chegar era muito trabalho na adega e viticultura de precisão na vinha.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32707″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32709″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Efetivamente, o conceito de viticultura de precisão foi muito utilizado na Argentina como, de resto, no Chile e nos Estados Unidos. Uma vez que, nos anos 1980, existia muita área para plantar, e praticamente uma só casta para trabalhar, impunha-se escolher os clones e separar os solos consoante a produtividade, ao mesmo tempo que se procedia a plantações a diferentes altitudes. Para cada parcela de solo, por vezes em diferentes altitudes, passou-se a determinar qual o clone de cada casta mais adequado ao preço a que se pretendia que cada garrafa fosse vendida ao consumidor final. Depois de plantada, cada parcela de vinha passou a ser acompanhada ao pormenor durante toda a fase gestativa, estudando-se a exposição solar respetiva e tudo fazendo para que a produtividade idealizada se concretizasse.
Não espanta, por isso, que os vinhos da Argentina tenham ganho muitos adeptos, com alguma critica rendida ao estilo frutado e moderno, mas também sofisticado e complexo, de alguns dos seus tintos. É certo que existem muitos, e bons, topos de gama tintos de Mendoza, mas no topo no topo ainda podemos encontrar um tinto cujo nome não deixa dúvidas da sua proveniência. Falamos do Nicolás Catena Zapata tinto, justamente considerado como o melhor tinto da América do Sul. A edição 2011 à venda em Portugal custa 105 euros.
Edição Nº19, Novembro 2018
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Um dia de viticultura na Bacalhôa

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O maior proprietário de vinha em Portugal deu-nos uma lição de viticultura. E os mestres não podiam ser melhores: João Canhoto, o director de viticultura da casa, e o novo administrador da Bacalhôa, Frederico Falcão. TEXTO António […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O maior proprietário de vinha em Portugal deu-nos uma lição de viticultura. E os mestres não podiam ser melhores: João Canhoto, o director de viticultura da casa, e o novo administrador da Bacalhôa, Frederico Falcão.
TEXTO António Falcão
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Poucos enófilos imaginam o esforço e dedicação que estão dentro de uma garrafa de vinho. E nos vinhos de 2018 o esforço foi maior do que o normal. Primeiro pela seca de Inverno; depois pela tremenda pressão de doenças fúngicas devido à humidade cálida no final da Primavera; e finalmente por um curto período de intenso calor que, aliado a ventos quentes, ‘queimou’ muitas uvas por esse país fora. É em anos como este que a qualidade das equipas de viticultura assume todo o protagonismo e consegue transformar o que seria uma vindima sofrível numa colheita muitíssimo boa.
Um dos grandes heróis nacionais da viticultura é um quase desconhecido dos enófilos portugueses. Chama-se João Canhoto e é, desde 1990, o director de viticultura da Bacalhôa. É ainda, só por curiosidade, o empregado mais antigo: dos 66 anos de vida, 44 passou-os ao serviço desta empresa (e das suas antecessoras, claro), sempre a cuidar das vinhas. Neste momento, falamos de mais de 1.200 hectares, uma área que coloca destacadamente a Bacalhôa no topo nacional dos proprietários de vinha.
João não tem formação académica na área, mas aprendeu muito com António Avillez, engenheiro agrónomo e um homem com enorme prestígio na vitivinicultura portuguesa. O resto foi a inteligência de saber aprender, o jeito para a coisa do campo e a capacidade de gerir pessoal. A sua vida não é fácil. Com frequência vai às vinhas do Douro, Dão e Beira Interior e faz o percurso num só dia. “Levanto-me cedo e estou às 7h15 na Guarda ou Celorico da Beira, para apanhar o técnico local.” Depois vão ao Dão, a Vila Nova de Tázem. A seguir Douro, na Quinta dos Quatro Ventos. E ainda Figueira de Castelo Rodrigo. Sempre com visitas a vinhas. E finalmente o regresso, muitas vezes a chegar à zona de Azeitão, onde mora, às 21 horas ou, no Verão, bem mais tarde. E já com mais de mil quilómetros no “lombo”! Não surpreende por isso que João Canhoto faça cerca de 80.000 quilómetros por ano. Este é o custo de gerir uma vastidão de vinha e uma equipa com cerca de 60 pessoas![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32699″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Rumo ao campo
Uma equipa da Grandes Escolhas acompanhou durante um dia o trabalho de João Canhoto no campo. Fomos acompanhados pelo novo administrador da Bacalhôa, Frederico Falcão. Com formação e treino em enologia, Frederico não tem qualquer problema em seguir e complementar as explicações de João Canhoto. Pelo meio, muitas conversas sobre viticultura e a maneira de gerir plantas e pessoas.
Por questões logísticas, ficamo-nos pelas duas principais regiões onde a Bacalhôa produz vinho: Península de Setúbal e Alentejo. A primeira paragem foi exactamente na Quinta da Terrugem, ao pé de Borba. A segunda ali ao pé, na Quinta do Carmo, junto a Estremoz. As vindimas decorriam na Terrugem, à mão. Esta quinta é de viticultura difícil porque não tem rega. Mas as uvas mostravam um aspecto são e com poucos indícios de escaldão ou desidratação. Bons sinais. A passagem para a Quinta do Carmo confirma estas impressões. Aqui, quase toda a vindima é feita à máquina e não poderia ser de outra maneira, dada a vastidão de vinha que se estende até ao sopé da Serra da Ossa.
Muita uva tinta estava ainda por vindimar. Na adega, apenas alguma Trincadeira e Aragonez. Tal como no resto do país, as plantas atrasaram muito as maturações: “O grau tarda, mas está a chegar”, atira-nos João. Olhamos para vinha e vemos, mais uma vez, cachos de aspecto saudável. Plantas sadias. Então e os ataques de míldio? De oídio? João Canhoto nem hesita: “Nós conseguimos tratar qualquer vinha em dois dias, no máximo. E é assim aqui, como o é em Azeitão ou nos Loridos, ou em qualquer outra quinta da casa.” De facto, a Bacalhôa possui um vasto parque de máquinas de grande porte. Mas não serviriam para nada se os tratamentos não fossem realizados a tempo e horas. É por isso que João Canhoto tem em todas as quintas encarregados locais que monitorizam o que se passa na vinha e, ao menor indício, faz-se uma intervenção preventiva. Usufruindo do facto de ser um grande cliente, os produtos estão sempre em armazém.
E problemas de escaldão? Aqui é Frederico Falcão quem responde: “Tivemos problemas, mas mais na Península de Setúbal. E mais no Moscatel e no Alicante Bouschet.” João Canhoto acrescenta: “Tivemos um dia com 50 graus e, pior ainda, com vento. Houve plantas quase a morrer. A nossa salvação foi termos deixado muita vegetação e termos usado a rega.” No final, ambos os técnicos estimam que deverá ter existido apenas uma pequena quebra. Os prognósticos não acabam aqui. O tempo corria seco e João Canhoto considera-se satisfeito: “Acho que vamos ter um bom ano de vindima.” Frederico Falcão avisa: “João, olhe que ainda não acabou…” João reconhece os imprevistos da natureza e vira-se para nós: “Pois, é verdade: numa vinha (da Peninsula de Setúbal), uma granizada destruiu 300 toneladas de uvas em duas horas.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32700″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A questão da produtividade
A Bacalhôa produz anualmente cerca de 20 milhões de garrafas de vinho. Cerca de 80% do que lá está dentro é resultante de uva própria. O problema da produtividade é por isso muito importante, porque está ligado à competitividade da empresa. Frederico Falcão sabe-o muito bem e foi, aliás, um conhecido paladino desta questão quando era presidente da ViniPortugal. “Não é possível fazer vinhos com produções de 3 ou 4 toneladas por hectare e depois colocá-los nas prateleiras do supermercado a 2,5 euros. Este negócio tem que ser rentável.” João Canhoto concorda e acrescenta que só faz controlos de produção nas uvas que vão para os vinhos de quinta ou de média/alta gama (falamos de PVP’s de 5 a 6 euros, por exemplo).
Verdade seja dita que em muitos solos e climas, com as castas portuguesas, as produções são naturalmente baixas. Isto levanta o problema dos actuais clones e da respectiva (baixa) produtividade, algo que João Canhoto gostaria de ver resolvido: “Falta encontrar clones que consigam manter boa qualidade com produções mais altas.” A conversa é franca e aberta. Várias castas tintas portuguesas são muito sensíveis ao excesso de produção e, por exemplo, com 15 toneladas de uva, dão um vinho muito mau. Diz João Canhoto, que “é o caso do Aragonês”: “Mantemos no máximo nas 7/8 toneladas. A Trincadeira, com 6/7. E outras castas, como o Alfrocheiro, o Castelão/Periquita, também trabalham mal com produções mais elevadas.” Em contraponto, castas como Syrah ou Cabernet conseguem dar bons vinhos com produções de 12 ou mais toneladas. De qualquer forma, existe sempre um diálogo entre João Canhoto e os enólogos de cada região. E depois existem históricos de produção e normalmente sabe-se que uvas vão dar o quê.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32701″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Cuidados com a natureza
Numa altura em que se fala tanto do biológico, aqui o pragmatismo impera. Nenhuma das vinhas está em regime biológico, ou sequer em produção integrada. Mas Frederico Falcão e João Canhoto consideram que existem os máximos cuidados nos produtos escolhidos e nos tratamentos. “Fazemos apenas o estritamento necessário, até porque os produtos são caros”, considera o responsável de viticultura. Frederico Falcão concorda: “Em termos de tratamento, andamos muito perto do que é preconizado na produção integrada, incluindo na existência de cadernos de campo.” Todas as quintas têm, inclusive, uma estação para lavagem das máquinas que fizeram tratamentos, onde a calda resultante é armazenada à parte, impedindo-a de ir para a natureza.
O dia chega ao fim e começamos a perceber o enorme investimento em tempo, conhecimento e dinheiro. Mas não há outro caminho a seguir. Para ser competitiva, uma empresa como a Bacalhôa tem de colocar produtos de boa relação qualidade/preço nas prateleiras das lojas e restaurantes, em Portugal e por esse mundo fora. João Canhoto e a sua equipa estão na base de todo o projecto. Sem o (bom) trabalho deles, o resto ficaria comprometido…
Edição Nº19, Novembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Afinal, afinal… vamos ter um ano de vinhos fantásticos?!

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Diz o povo vitícola que em anos de míldio o vinho é muito bom. Porque esta doença acaba por fazer uma espécie de monda natural e deixar menos cachos/uvas na videira. Ou seja, como a planta alimenta […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Diz o povo vitícola que em anos de míldio o vinho é muito bom. Porque esta doença acaba por fazer uma espécie de monda natural e deixar menos cachos/uvas na videira. Ou seja, como a planta alimenta menos ‘filhos’, os restantes têm tendência a crescer mais saudáveis, proporcionando vinhos mais concentrados nos seus aromas e sabores, assim como no corpo. Ou seja, música para os ouvidos dos enófilos.
TEXTO António Falcão e Luis Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Vamos resumir em poucas palavras o ano meteorológico. Inverno muito seco, Primavera e início de Verão muito húmidos, a encher os solos com água para os próximos meses, mas a provocar fortes ataques de doenças fúngicas, um pouco por todo o país. Ciclo da videira muito atrasado, em alguns sítios quase um mês em relação à média. Por aqui e por ali, como no Douro, algumas granizadas fizeram uma vindima precoce (e outros estragos nas videiras). Acontecimentos muito graves, sem dúvida, mas felizmente muito localizados.
Subitamente, no início de Agosto, as temperaturas amenas dão lugar a calores violentos, que apanharam de surpresa as videiras durante alguns dias. Resultam escaldões em cachos, um pouco por todo o país. Por diversas razões, em alguns sítios e/ou vinhas, este fenómeno foi importante, arruinando uma sensível percentagem de cachos. Felizmente as temperaturas voltam rapidamente ao normal do Verão, e permitem um final de maturação lento e seguro, até à vindima, que decorreu sem pressas. Junte-lhe a isso a disponibilidade de água no solo, graças às chuvas de Primavera, e as maturações ficaram com maior harmonia entre os fenóis e o álcool. Isto faz-nos pensar, de repente, na vindima de 2011…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32685″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um outro 2011?
Se olharmos para trás, para 2011, dois factores importantes aconteceram de forma muito semelhante a 2018: a enorme pressão de míldio e o escaldão nas uvas. Podemos juntar ainda um terceiro: a vindima sossegada, sem chuva, que deu tempo para tudo.
Ora, 2011 é unanimemente considerado um ano de grande qualidade, porventura o melhor deste século. Pois bem, 2018 poderá seguir um caminho semelhante, faltando confirmar a real qualidade dos vinhos. Apesar de a maior parte dos mostos já ter fermentado, é ainda cedo para avaliar a real qualidade dos vinhos resultantes.
Em termos de quantidades, este não foi um grande ano, pelas razões atrás explicadas. Se o enófilo jubila com uvas de melhor qualidade, a maioria dos viticultores quer sempre mais uva na sua vinha. Em termos globais, temos que compreender que existem muito mais viticultores a vender uva do que a produzir o seu próprio vinho. E com menos quilos a sair das vinhas, são menos euros a entrar no bolso. Mas parece inegável, considerando as muitas pessoas com quem falamos, que os viticultores com menos atenção, menos conhecimentos e menos capacidade económica foram os que mais sofreram. Alguns perderam tudo este ano, é verdade. E a esmagadora maioria é constituída por gente com pouca área de vinha e que vende as uvas a baixo preço. Em relação aos pequenos produtores, o gestor Paul Symington, do produtor com o mesmo nome e que é o maior proprietário de vinhas no Douro, diz que “é impossível ignorar a realidade da região: o Douro tem 16.890 lavradores com menos de 2ha de vinha, mas que ainda representam 23% das vinhas da região”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32687″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A importância do conhecimento
Nos maiores produtores e com maiores conhecimentos e capacidade económica, os desafios da Natureza foram atacados de forma mais rápida e eficaz, minimizando os prejuízos. Vários técnicos de viticultura e/ou produtores nos confirmaram isto. Luís Duarte, produtor no Alentejo mas ainda consultor enológico em outros projectos, dizia-nos: “Não percebo como é que tanta gente foi afectada pelo míldio: basta tratar a tempo e horas.”
José Canhoto, director de viticultura da Bacalhôa, com mais de mil hectares de vinhas em cinco regiões diferentes, confirmou-nos que os prejuízos com míldio e o escaldão foram diminutos. A Bacalhôa tem um formidável parque de máquinas pulverizadoras, tem stock próprio de produtos e as doenças eram detectadas e atacadas logo à nascença. E se houve poucos problemas com escaldão (salvo o Moscatel na Península de Setúbal), isso deveu-se ao facto de a equipa da Bacalhôa ter desfolhado pouco as videiras e regado na altura certa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Minho com sorrisos
Entre técnicos de viticultura e enólogos (com alguns produtores à mistura), a sensação era de alívio. Muito alívio. Toda a gente sofreu mais ou menos com o final de Primavera e o tórrido início do Verão, durante três ou quatro dias infernais. Mas as videiras, na sua maioria, recuperaram e acabaram por ir amadurecendo as uvas de forma muito lenta. O que é fantástico, desde que não venha de lá a temida chuva do equinócio. Afinal não veio.
Anselmo Mendes trabalha um pouco por toda a região dos Vinhos Verdes e começou por nos dizer que, “ao contrário do que se poderia supor, foi um muito bom ano para a região dos Vinhos Verdes”. Não existiram grandes problemas com as doenças fúngicas, até porque os viticultores da região “estão mais bem preparados do que quaisquer outros para lidar com este problema; por outro lado, os efeitos do escaldão foram ligeiros”.
Anselmo continua: “Dividiria a região em três grandes zonas: Monção e Melgaço, Lima e outras. Em Monção e Melgaço a pequena perda devida a míldio e escaldão até foi benéfica pois funcionou como uma ligeira monda. Foi essencial a vindima ter decorrido sem chuva.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32686″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O equilíbrio de ácidos e açúcares esteve perfeito e havia reservas de água no solo, algo que não aconteceu em 2017. Estão a nascer grandes vinhos nesta sub-região.”
Na zona do Lima, pode dizer-se que correu tudo ao jeito do Loureiro, com a casta a amadurecer sem pressas, “resultando em vinhos aromáticos, elegantes e cheios de frescura, melhores que os de 2017; não podia ter sido melhor”. Globalmente, este técnico disse-nos que no resto da região terá havido quebras de produção na ordem dos 20% (a zona de Baião, junto ao Douro, foi a mais afectada pelo míldio), mas o bom tempo durante a vindima proporcionou uva em muito bom estado sanitário. Em resumo, diz Anselmo, “a região dos Vinhos Verdes vai ficar com boas memórias de 2018”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Rumo ao interior
Domingos Alves de Sousa, produtor com várias quintas no Douro, não esconde que estava bastante apreensivo antes de começar a vindima. Porque, na verdade, só depois de as uvas chegarem à adega é que se pode ver na realidade o que o ano deu. Com a vindima quase terminada e mostos em fermentação, disse-nos que, afinal, “tudo correu muito melhor do que esperava”. Conseguiu colher uvas sãs e equilibradas. Jorge Alves, enólogo em vários produtores, como a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, traçou um cenário semelhante.
Domingos não falou da quantidade, mas adivinha-se que o Douro foi das regiões que mais sofreu: Anselmo Mendes, que conhece bem a região, disse-nos que “o Douro não sabe lidar com o míldio e o escaldão também fez muitos estragos”. Felizmente que o bom tempo e a disponibilidade de água no solo permitiram “fazer vinhos de muito boa qualidade”.
Pode ser um grande ano para o Vinho do Porto. Factor curioso no meio disto tudo: com a falta de uva, os preços do quilo para vinhos DOC Douro subiram imenso, dos 40/50 cêntimos o quilo para 80/90 cêntimos. Ou seja, este ano tinha compensado, e bem, vender uva.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32688″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mas, na realidade, e como dissemos atrás, muitos pequenos produtores ficaram com a vindima feita no final da Primavera. E Anselmo aproveita a deixa: “O Douro deveria aproveitar esta colheita para aumentar o preço médio dos seus vinhos no mercado, inaceitavelmente baixos.”
As histórias no Dão, Bairrada e Beira Interior sofreram destinos semelhantes. Os produtores de referência só se poderão queixar de alguma quebra na produção. No geral, havia uma sensação de euforia quanto à qualidade das uvas e aos mostos já fermentados.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#efefef” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”O grave problema da falta de mão-de-obra” color=”black”][vc_column_text]Os sintomas já andavam por aí há algum tempo. Mas nunca assistimos a um tal desespero como em 2018: começa a existir uma trágica falta de mão-de-obra para as vindimas. Ouvimos queixas em todas as regiões, mas o maior prejudicado é, sem dúvida, o Douro. Mesmo com jornas de 60 euros, é quase impossível arranjar pessoal para vindimar e não é possível mecanizar, como se tem feito em vinhas mais planas, mais a sul. Paul Symington, com o espírito sempre arguto, tocou na ferida: “O Douro, a mais desafiante vinha de montanha do mundo, é a última grande região vitícola do mundo a ser vindimada inteiramente à mão, em virtude da orografia incrivelmente escarpada. Esta situação (falta de mão-de-obra) não é claramente sustentável e, se uma alternativa não for encontrada, as uvas serão deixadas nas vinhas.”[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mais para sul
Lisboa, Tejo, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve não têm grandes razões de queixa. Do que ouvimos, apenas terá havido um caso mais grave, o do Moscatel, casta muito afectada pelo escaldão, especialmente os cachos da parte de cima da videira. De facto, em algumas zonas, os calores do início de Agosto chegaram a um ponto em que houve plantas a morrer. O motivo: altas temperaturas diurnas e nocturnas, com vento quente à mistura. Um cocktail explosivo. Outra casta que também sofreu bastante, em mais do que uma região, foi a tinta Alicante Bouschet. Curiosamente, não suportou nada bem o escaldão.
Susana Esteban, enóloga conhecedora do Alentejo e da sua periferia, disse-nos que este foi um bom ano, mas aconteceu um fenómeno que considera quase inédito: a maturação fenólica, responsável por aromas e sabores, esteve avançada face à maturação alcoólica. É sempre ao contrário, como diz Susana quase de forma irónica: “O normal é que, quando a maturação fenólica fica pronta, já as uvas têm 17 graus!” Ela observou este fenómeno desde a zona mais a norte do Alentejo, em Portalegre (onde faz vinhos), até à zona de Reguengos. Outros técnicos referiram este fenómeno estranho (mas bem-vindo, diga-se). Susana deixa, contudo, um aviso: “Estes extremos climáticos estão a provocar reacções pouco conhecidas ou mesmo inéditas nas videiras. Por isso penso que ainda vamos ter muitas surpresas no futuro….”
Luís Duarte vinifica muitas uvas de Estremoz e sobretudo da zona de Reguengos. E começa logo por dizer, meio a rir, que teve um ano de muita qualidade. “Vão julgar que eu estou a mentir, mas de facto não posso dizer outra coisa. Não me lembro de um ano assim. Porque, na verdade, calor a sério só houve uns três dias. A vinha sofreu algum escaldão, é verdade, mas apenas afectou algumas pontas e cabeceiras.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Do outro lado do Atlântico
Se houve região onde tudo correu bem foi nos Açores e em especial na ilha mais vitícola, o Pico. Bernardo Cabral, enólogo da Adega Cooperativa do Pico, confirmou-nos que foi um ano em grande. A vindima mais precoce e mais seca de que há memória trouxe excelentes uvas, em quantidade e qualidade. Belas notícias para o maior produtor dos Açores, em fase de renovação de toda a sua gama e a avançar para produtos que quer colocar em segmentos de preço mais altos. António Maçanita e outros produtores da ilha disseram o mesmo: este deverá ser o melhor ano de sempre nos Açores.[/vc_column_text][vc_column_text]Conclusão
É ainda prematuro falar de valores da mais que provável quebra de produção. Teremos de deixar essa análise para o próximo mês (ou mesmo para 2019), à medida que as declarações de produção comecem a ser registadas pelos serviços oficiais. Quanto à qualidade, não temos grandes dúvidas: os vinhos de 2018 serão certamente bons, provavelmente muito bons, e, claro, existirão alguns excepcionais. Falta apenas saber as proporções de cada um deles…[/vc_column_text][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32689″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row]
Pinot Noir em Portugal, uma uva imprevisível
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Considerada por muitos como a casta que origina os mais elegantes e sofisticados tintos do mundo, em particular na Borgonha, a Pinot Noir é, no entanto, uma uva muito difícil e particularmente exigente quanto ao clima, solos, […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Considerada por muitos como a casta que origina os mais elegantes e sofisticados tintos do mundo, em particular na Borgonha, a Pinot Noir é, no entanto, uma uva muito difícil e particularmente exigente quanto ao clima, solos, práticas vitícolas e enológicas. Num país como Portugal é quase imprevisível, evidenciando grande variabilidade de colheita para colheita.
TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Borgonha é um lugar mágico. É também o local ideal para ajudar desvendar os segredos e aprender sobre a magia da sua principal casta tinta, Pinot Noir. A variedade tem a capacidade de expressar as pequenas diferenças do terroir e por esse motivo é uma das castas mais interessantes e estimulantes; por outro lado, pode ser uma das mais difíceis, frustrantes e decepcionantes. O sucesso comercial vem da sua extraordinária habilidade para compor vinhos complexos e longevos, mas também macios, frutados e fácil de apreciar. Existem, porém, limitações geográficas. A casta não se adapta a climas demasiadamente frios e húmidos ou muito quentes, preferindo regiões moderadamente frias capazes de proporcionar um ciclo de crescimento que seja longo o suficiente para produzir uvas com maturação fenólica adequada juntamente com aromas e sabores interessantes.
Literatura antiga explica a possibilidade de que Pinot Noir represente uma domesticação direta de Vitis sylvestris há cerca de 2000 anos. Menções escritas referem a casta Moreillon, um dos antigos sinónimos da casta Pinot Noir, no ano de 1283. Na Idade Média, a nobreza e a igreja cultivaram Pinot Noir em terrenos favorecidos, enquanto os camponeses franceses cultivavam varietais inferiores, como Gouais Blanc, mais orientados para a quantidade.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32036″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Registos históricos do ano de 1375 mostram que o Duque Filipe II, que reinou entre 1363 e 1404, enviou 2500 litros de vinho elaborado com a casta Pinot Noir para a Bélgica antes de uma visita para ser usado em banquetes. Entre os factos históricos mais conhecidos está a preferência do Duque pela casta, declarando em julho de 1395 que apenas Pinot Noir deveria ser cultivada e, numa medida draconiana, ordenou que os produtores arrancassem os seus vinhedos de Gamay até à Páscoa seguinte.
A casta é geneticamente bastante mutável e gerou importantes variações, incluindo Pinot Blanc, Pinot Gris e Pinot Meunier. O relacionamento entre Pinot Noir e Gouais Blanc produziu descendentes famosos como Chardonnay, Aligoté, Melon e Gamay e alguns menos conhecidos como Beaunoir, Gros Bec, Romaine e Sacy. A partir do século XV, a designação Pinot Noir começou a substituir outras grafias como Pineau, Pinoz, Pynos, Pynotz, Pignotz. Fora da Borgonha, a primeira menção confiável à casta data de 1470 na região de Rheingau e em 1766 na Suíça. Depois do século XVIII surgiram menções em diversos países.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A chegada a Portugal
Em 2004 a casta obteve popularidade em várias partes do mundo, principalmente nos Estados Unidos, devido ao filme “Sideways”, cujo personagem principal defendia as qualidades da Pinot Noir enquanto criticava a Merlot. Consequentemente, houve uma queda nas vendas de Merlot e o interesse pela Pinot Noir aumentou signifitivamente. O mundo seguiu essa moda mas Portugal já estava adiantado à esse respeito. Carlos Campolargo, da empresa familiar Campolargo Vinhos, explica que o Pinot Noir já estava presente na Bairrada desde o fim do século XIX, onde chegou com o propósito de elaborar espumantes. Aponta igualmente que na década de cinquenta os serviços da Junta Nacional do Vinho haviam recomendado o plantio da casta na região, mas o sucesso foi limitado. O interesse pela reintrodução começou a germinar na Bairrada por volta de 1980. Em 1994, Carlos Campolargo plantou os seus primeiros vinhedos visando elaborar vinhos tintos.
Jorge Rosa Santos, enólogo responsável pelos vinhos do Casal Santa Maria, no litoral de Colares, explica que o desejo de plantar Pinot Noir veio do Barão Bodo Von Bruemmer, que optou por esta variedade por questões de preferência pessoal no início de 2000. Carlos Lucas, da Magnum Vinhos, no Dão, decidiu plantar Pinot Noir em 2012 também por preferência pessoal e refere que a sua experiência até agora tem sido positiva, com os vinhos mostrando boa qualidade e adicionando algo diferente no portefólio. No principio pensou fazer espumante, mas como a quantidade no primeiro ano era pouca optou por fazer um tinto. O vinho estagiou em barricas antes de ser engarrafado e a primeira colheita foi lançada no mercado em 2015 com bastante sucesso.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”70″][image_with_animation image_url=”32668″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma casta imprevisível
Devido ao seu comportamento notoriamente difícil, o seu desempenho é imprevisível, demonstrando grandes variações entre colheitas e frequentemente falha. Hamilton Reis, enólogo responsável pelos vinhos de Cortes de Cima, diz que o Pinot Noir foi seleccionado para fazer parte do projecto na Costa Vicentina (Vila Nova de Milfontes) em 2008, mas os primeiros anos apresentaram tremendas dificuldades. As uvas eram heterógenas, com dificuldades de sanidade e maturação e davam origem a vinhos de baixa qualidade, sem tipicidade e, por esse motivo, não foram engarrafados. Lembra que esse período de aprendizagem foi necessário para entender a casta e suas particularidades e alterando operações de vinha, aprimorando processos de vinificação e com muita paciência foi possível obter um vinho com a elegância, profundidade e complexidade desejada. Na sua opinião, o vinho conseguiu chegar ao patamar desejado em 2014, sendo então engarrafado.
É importante considerar a aptidão da casta para terroirs específicos. Pinot Noir gosta de solos calcários, clima frio e amadurecimento lento para reter melhor o aroma, caráter e seu frescor. Carlos Campolargo concorda que solos com maior incidência de calcários mostram melhor aptidão para o Pinor Noir, especialmente parcelas em encostas suaves e bem drenadas, sobretudo as que estão viradas ao norte e para o nascente. Já Jorge Rosa Santos preza a frescura do clima que faz com que a casta se sinta confortável, gerando nessas condições vinhos elegantes e sem sobrematuração. A proximidade do mar no Casal de Santa Maria faz com que se note no vinho uma salinidade muito original e pouco usual. Por outro lado, a floração é um ponto crítico em Colares devido à humidade excessiva e orvalho, que causam algum desavinho. A tendência da uva para produzir cachos compactados deixa a planta mais suscetível a riscos de podridão e doenças fúngicas. Após o fecho do cacho podem surgir focos de botrytis. Aliado a isso, a sua pele fina exige um gerenciamento diligente para evitar humidade excessiva. Por esse motivo Hamilton Reis opta por deixar a vinha bem aberta, com desfolhas atempadas, tratamentos rigorosos e controlo de maturação apertado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32666″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]As folhas de Pinot Noir são geralmente menores do que as de Cabernet Sauvignon ou Syrah e no vinhedo o Pinot Noir é sensível ao vento, principalmente antes de a planta estar formada e forte. O abrolhamento é precoce, o que torna a planta suscetível às geadas da primavera. Problemas com vírus podem causar danos significativos à saúde da videira. A casta amadurece cedo e em condições demasiadamente quentes é suscetível ao escaldão. É preferível que o amadurecimento aconteça tardiamente, o que ajuda a conferir maior complexidade de aromas e sabores. Essa complexidade depende, em parte, do material vegetativo selecionado.
Existe uma variação enorme entre as plantas pelo facto de a casta ser geneticamente instável. Em termos de seleção clonal, o clone 115 continua a ser um dos mais plantados no mundo, juntamente com o clone 114, que está bem conceituado. Hamilton Reis trabalha com o clone 209, um clone produtivo e que dá origem à vinhos mais firmes e austeros, e com o clone 777, que, na sua opinião, confere tipicidade e boa concentração. Diogo Lopes, da Adega Mãe, concorda com o perfil varietal que o clone 777 aporta e cita também a sua capacidade de extração de cor e taninos maduros e redondos como características adicionais. Além disso aprecia a boa acidez natural do clone VCR9, que frequentemente é usado para espumantes. Para adicionar estrutura e capacidade de envelhecimento, Diogo Lopes cita o clone VCR18.
Muitos produtores, especialmente os produtores mais tradicionais da Borgonha, preferem fazer uma seleção massal a partir da sua própria população de videiras, ao invés de optar pelo uso de clones. Os principais desafios para Carlos Lucas na Quinta da Alameda incluem produzir a quantidade certa, cerca de 3500kg por hectare, e conseguir fazer um vinho de qualidade e ser fiel aos aromas e sabores da uva. Por outro lado, a grande vantagem do Pinot Noir, de acordo com Carlos Lucas, está na sua singularidade de aroma e sabor relativamente aos outros tintos produzidos na região do Dão. O vinho aparenta ter um certo carisma, o que torna possível vender por um bom preço.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Exigente na adega
Para se fazer um bom vinho é imperativo limitar a produtividade. Os baixos níveis de compostos fenólicos significam que os vinhos exibem estrutura mais sedosa, de corpo médio e com pouco tanino. Baixos níveis de antocianinas dão origem a vinhos com menos cor. O comportamento difícil continua na hora da elaboração, onde é vital evitar muita extração. Na adega é sensível a métodos de fermentação.
É uma casta altamente reflexiva do seu terroir, capaz de resultar em vinhos muito diferentes dependendo dos aspectos físicos da região produtora e métodos aplicados. Hamilton Reis trabalha com fermentações usando diferentes percentagens de engaço, temperaturas distintas, variando tempos de extracção e processos de prensagem, buscando expressar melhor a casta e o terroir. Os vinhos são geralmente envelhecidos em carvalho francês. Estilos tradicionais buscam preservar a expressão natural da fruta, mantendo a proporção de carvalho novo baixa, enquanto estilos modernos, cujos vinhos são mais encorpados, com frutas maduras, texturas sedosas e expressões em geral mais intensas, usam uma proporção de carvalho novo mais acentuada transmitindo sabores mais profundos que incluem cedro, moka, fumo, baunilha e cravo.
A casta demonstra uma variação tremendamente ampla de aromas, sabores e texturas. Vinhos provenientes de um clima excessivamente frio ou safras com deficiência de incidência solar, quando as uvas não atingem um nível de maturação adequada, podem apresentar características herbáceas, incluindo notas de alecrim, pimenta branca, beterraba e chá verde. À medida que o clima aquece, os vinhos mostram delicados aromas de frutos vermelhos como framboesas, morangos, cerejas e nuances florais como pétalas de rosa e violeta. Bons exemplos desses estilos podem ser encontrados nas vilas de Mercury, Givry e Rully, na parte sul de Borgonha. Considerando o terroir de Portugal, Diogo Lopes observa que a fruta proveniente de uma parcela plantada numa encosta em Alenquer que recebe maior exposição solar exibe mais corpo, intensidade e mais tanino em comparação com outra vinha plantada em 2011 na propriedade da Adega Mãe, que conta com um clima mais frio devido a influência atlântica e demonstra fruta mais fresca, muita elegância e maior acidez.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32674″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em clima quente, a fruta mostra-se mais intensa e exuberante, como acontece com vinhos da Nova Zelândia e Austrália. O perfil aromático tende a apresentar características e frutas mais escuras – como, por exemplo, ameixas, amoras, cerejas pretas ou frutas de compota – e muitas vezes desenvolve aromas de especiarias exóticas e ervas secas, como é o caso dos vinhos de Central Otago. Para Hamilton Reis, se e a intensidade da fruta e a sucosidade nos fazem lembrar alguns Pinot do Novo Mundo, a tensão de boca pode levar a pensar em Borgonha. Por isso acredita que o estilo do seu vinho de Cortes de Cima esteja a meio caminho entre perfis possíveis de Pinot Noir, um estilo único da Costa Atlântica do Alentejo, reforçando a capacidade diferenciada da casta para conseguir expressar o terroir.
Certos estilos são capazes de incrível longevidade. Esses vinhos, quando jovens, possuem uma coloração mais profunda e taninos firmes. Como exemplo, em Côte de Nuits existem os vinhos da vila de Nuits St. Georges e, mais ao sul, em Côte de Beaune, aparecem os vinhos da vila de Pommard. À medida que esses vinhos envelhecem desenvolvem aromas mais complexos de terra molhada, trufas, ervas secas, legumes em decomposição, couro e relva.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pinot Noir no mundo
A França lidera a lista de países com maior área plantada de Pinot Noir, com 29.738 hectares, mas a maioria das plantações é destinada à produção de espumantes. Em seguida aparece os Estados Unidos, com 16.776 hectares. A Alemanha vem em terceiro com 11.300 hectares e ali a casta é responsável pelos melhores tintos do país, especialmente em Baden, Pfalz e Ahr. É possível encontrar Pinot Noir na Itália, Espanha, Reino Unido, Áustria, Suíça, Moldávia, Roménia, Hungria, Bulgária, República Checa, Eslováquia, Croácia, Sérvia, Kosovo, Geórgia, Cazaquistão, Rússia, Ucrânia, Turquia e Israel. Em Portugal, a área plantada, de acordo com Antonio Lopes, técnico superior do Instituto da Vinha e do Vinho, é de 252 hectares.
Existem também exemplos expressivos e refinados no Novo Mundo, principalmente nas áreas costeiras que recebem correntes frias dos oceanos, como Carneros, Russian River, Sonoma, vale de Santa Maria e Santa Rita, na Califórnia. Mais ao norte do país, Oregon oferece excelentes exemplos de produtores, como Eyrie Vineyards e Beaux Frères, no vale de Willamette. Mais ao norte, no Canadá, também é possível encontrar exemplos interessantes em Ontário e na Columbia Britânica. Na América do Sul, a Argentina faz vinhos credíveis, como por exemplo Chacra, na região da Patagónia. No Chile, as brisas do oceano Pacífico resfriam os vinhedos localizados perto do mar. Existe um número elevado de produtores fazendo Pinot Noir de excelente custo e benefício. Destacam-se Morandé, Casa Marin e Errazuriz com Las Pizarras, no Vale do Aconcágua. Encontra-se Pinot Noir também no Uruguai, Brasil e Peru, mas existe ainda um caminho a percorrer para atingir a qualidade e consistência necessária.
Na Austrália, bons exemplos surgem de Yarra Valley, Tasmânia e Mornington Peninsula, uma área fresca rodeada por mar. Na Nova Zelândia é possível encontrar excelente qualidade e consistência, destacando-se Clos Henri, Fromm, Neudorf, Felton Road e Ata Rangi, entre muitos outros. A África do Sul conta com influência antártica e os produtores Hamilton Russel, Bouchard Finlayson e Newton Johnson são responsáveis pelos melhores exemplos do país.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32676″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pinot português, que futuro?
Em termos de qualidade e comparação com vinhos feitos com Pinot Noir de fora do país, Carlos Campolargo acredita que, levando em consideração avaliações da crítica e o desempenho comercial, o resultado tem sido positivo. Diogo Lopes refere que o Pinot Noir permite elaborar vinhos distintos, elegantes, fáceis de beber e observa que quando está em companhia de amigos a garrafa de Pinot Noir é frequentemente a primeira a ser esvaziada, sinal de que são vinhos muito consensuais.
Mesmo com esse optimismo, Carlos Campolargo adverte que, quando comparamos a qualidade do Pinot Noir português com os da pátria desta casta, somos levados a pensar que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer. Caminho esse que terá uma série de obstáculos, entre os quais as alterações climáticas poderão ser um factor decisivo. Jorge Rosa Santos acredita que o Pinot Noir será uma das castas mais afectadas caso o clima continue a aquecer. Nesse caso haverá uma tendência de migração para latitudes superiores e climas mais frios ou oceânicos. Além disso, a selecção de material genético mais adaptável ao calor será essencial.
A maioria dos produtores que plantaram Pinot Noir fizeram por preferência pessoal ou buscando o grande desafio que a casta impõe, pois sabem como a casta é exigente tanto no campo quanto na adega. Esses desafios vão continuar crescendo devido aos riscos impostos pelas mudanças climáticas. Além disso resta saber se a casta realmente terá a capacidade de expressar as pequenas diferenças do terroir em Portugal como acontece na Borgonha. Não restam dúvidas de que os produtores de Pinot Noir olham para a Borgonha como fonte de inspiração e comparação. No caso de Portugal, é discutível se realmente é necessário plantar castas estrangeiras num país onde existe um número elevado de castas portuguesas com grande personalidade, capazes de adaptar-se bem às condições do terroir e produzir grandes vinhos.
Os exemplos de Pinot Noir portugueses possuem qualidade razoavelmente boa, mas num contexto mundial estão longe do nível de qualidade dos grandes Borgonhas. Além disso, a relevância comercial desses vinhos fora de Portugal será limitada, visto que países como Chile e Nova Zelândia contam com condições naturais adequadas e economias de escala superiores para produzir vinhos de boa qualidade com preços acessíveis. Para quem optou por plantar esta casta em Portugal, o desafio para o futuro será refinar a qualidade e o estilo para continuar merecendo uma pequena fatia do mercado. Quem ainda não plantou, deveria considerar variedades portuguesas mais adaptadas às condições atuais e também levar em consideração o clima do futuro antes de pensar em plantar essa casta demasiadamente imprevisível e laboriosa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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Das talhas aos potes, barro para todos os gostos

É neste nosso querido mês de novembro que as talhas são abertas um pouco por todo o Alentejo. Sucede que a talha já virou moda, e encontramos brancos e tintos, fermentados e/ou estagiados em barro, um pouco por todo o país e com vários feitios. Venha conhecê-los! TEXTO Nuno de Oliveira Garcia FOTOS Ricardo Palma […]
É neste nosso querido mês de novembro que as talhas são abertas um pouco por todo o Alentejo. Sucede que a talha já virou moda, e encontramos brancos e tintos, fermentados e/ou estagiados em barro, um pouco por todo o país e com vários feitios. Venha conhecê-los!
TEXTO Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Não há dúvidas que a talha está na moda. Até o consumidor menos atento já se deparou com vinhos que orgulhosamente exibem no rótulo um depósito de barro e indicam ter fermentado ou estagiado neste tipo de depósito. A verdade é que a talha é uma preciosidade histórica, uma vez que existe, enquanto depósito de vinho, desde a época romana, ou seja, há sensivelmente mais de dois mil anos.
Como o leitor já poderá saber, uma talha é um pote de barro com grandes dimensões, com maior ou menor porosidade de acordo com o tipo de argila de que é feito, e com a finalidade de permitir a fermentação de mostos e eventual posterior armazenagem durante um curto período. A talha apresenta-se com tamanhos e feitios diferentes, quase sempre dependendo da localidade onde era produzida, mas raramente ultrapassa os dois metros de altura e uma tonelada de peso.
Apesar de já não se encontrarem adegas em funcionamento com centenas de talhas, como acontecia ainda no século XIX, a verdade é que no Alentejo sempre se manteve a tradição de fazer vinho em talha. A crescente procura por talhas – agora sobretudo para vinificação, mas até há bem pouco tempo para efeitos apenas de decoração… – fez aumentar o valor destes depósitos, em especial as verdadeiramente antigas (já nos confrontarmos com algumas datadas do século XVIII, sendo, todavia, mais comum encontrar talhas da primeira metade do século XIX).
Em termos de vinificação e enologia, existem três características essenciais da vinificação em talha que condicionam o produto final. A primeira é o tamanho e forma da talha, que influi diretamente na vinificação do vinho, quer ao nível da mecânica, quer ao nível da temperatura. Em segundo lugar, dentro de uma talha ocorre uma forte concentração do vinho, sobretudo pela oxidação via porosa (e, por vezes, pela ausência de tampa em casos mais extremos), de tal forma que são elevadas as perdas de vinho devido a evaporação. A terceira característica principal é a utilização de pez, muito comum no Alentejo, apesar de, como veremos abaixo, existirem atualmente produtores a evitar utilizá-la.
Efetivamente, o modo clássico de fazer a impermeabilização da talha ocorria pela rebocagem do interior da talha com resina de pinheiro – denominada pez louro –, à qual se poderia adicionar, conforme a receita do pesgador e a preferência do produtor, alguns outros produtos naturais, como cera de abelha, por exemplo. Evidentemente que a pez transmite ao vinho aromas e sabores particulares, e são esses aromas que alguns produtores procuram manter e outros evitar. À semelhança das barricas novas, quantas mais colheitas passarem por uma talha pesgada (sem que seja novamente pesgada) menos o vinho final é influenciado pela pez. Tradicionalmente também, a fermentação ocorre com as massas vínicas, sendo estas mexidas com um rodo de madeira de ponta oval várias vezes por dia, incluindo durante a noite, a fim de procurar evitar que as massas à superfície obstruam a boca da talha e originem o seu rebentamento (o que era comum, diga-se).
Tradição viva
Apesar de a produção de vinhos em talha se ter mantido no Alentejo, a verdade é que eram poucas as marcas e os enólogos que apostavam neste nicho. A par da Vitifrades – Associação de Desenvolvimento Local fundada em 1998 em Vila de Frades (concelho de Vidigueira) com a intenção de promover, precisamente, o vinho de talha – e mais um ou outro produtor – como a casa Amareleza e a José de Sousa – pouco mais existia até há alguns anos. A produção era quase toda artesanal, muitas vezes feita em casa, e era consumida nas adegas e tabernas.
Mas tudo isso mudou, e hoje em dia são poucos os profissionais de enologia que não têm curiosidade em produzir vinhos utilizando este método ancestral. Por isso, alguns projetos pessoais de reputados enólogos encontram-se presentes nesta nossa seleção, caso dos vinhos de António Maçanita (Fita Preta), um dos primeiros a apostar no regresso da talha, e, mais recentemente, de Filipa Pato (Post-Quer..s). No que respeita a Maçanita, e como é seu apanágio, o vinho por si produzido tem tanto de original como de inovador – por um lado, utiliza a talha para fermentar as uvas, por outro lado, fá-lo sem recurso às massas e com controlo de temperatura. Igualmente prova do carácter inventivo que a talha também proporciona é o facto de o tinto produzido por outra enóloga conceituada, Susana Esteban (Sidecar), assentar num lote que junta castas tradicionais da serra de São Mamede com, imagine-se, Baga da Bairrada…
Outros enólogos ainda, como Hamilton Reis e Bernardo Cabral, confirmaram-nos também que há muito tempo que sentiam a vontade de produzir um vinho com utilização de barro e que acabaram mesmo por incentivar os respetivos produtores onde colaboram (Cortes de Cima e Companhia das Lezírias, respetivamente) a seguir essa via. Ambos optaram pela utilização de ânforas de barro puro e de menor dimensão, e apenas para efeito de estágio, privilegiando a natural evaporação e concentração do vinho, mas sem os aromas a pez.
Se com as primeiras colheitas de novos produtores poderíamos entender que se tratava essencialmente de experiências, atualmente – isto é, com vários vinhos já lançados no mercado – não temos dúvidas de que a experimentação conduziu à criação de novos produtos, por ora ainda de nicho, mas em franca expansão também ao nível da exportação. A tendência mundial centrada na procura de vinhos tidos por mais naturais é muito favorável à expansão do vinho de talha. Vinhos como Art.Terra Amphora (Herdade de São Miguel/Casa Relvas) e Herdade do Rocim Amphora são sucessos além-fronteiras.
De facto, alguns produtores olham para a talha como a oportunidade de fazerem um vinho cada vez mais natural, seguindo uma filosofia de outros vinhos do seu portefólio, como sucede, por exemplo, com Vasco Croft (Casal do Paço Padreiro/Aphros Wine), que não hesitou em colocar algumas das suas melhores uvas de Loureiro dentro de uma talha. A associação a um vinho natural é potenciada pelo curioso rótulo da garrafa do Phaunus Amphora, na qual se explicita que as operações de colheita, desengaço e pisa da uva são artesanais.
Método reconhecido desde 2010
Também a Herdade do Esporão não quis perder o comboio dos vinhos cada vez mais minimalistas no que respeita a enologia (a par das preocupações ambientais, pois já conta com mais de 700ha de vinhas e olivais potenciadas pelo Modo de Produção Biológico), e produz um tinto a partir da casta Moreto, uva muito presente nos lotes tradicionais de vinhos de talha, proveniente de uma vinha plantada há 50 anos na Granja Amareleja. O vinho é certificado como ‘vinho de talha’ e, por isso, segue o método clássico de fermentação em talha revestida com pez louro e conduzida por leveduras indígenas. O vinho é mantido em contacto com as massas vínicas até 26 de novembro de cada ano e a fermentação malolática ocorre na talha.
A vinificação em talha foi reconhecida como método tradicional para a elaboração de vinho pela Portaria n.º 296/2010, de 1 de junho e com direito a uso da referida Denominação de Origem (DO). De resto, encontra-se aprovado um regulamento que disciplina a utilização da designação “Vinho de Talha” a vinhos brancos, tintos, rosados ou rosés, segundo o qual, para além da obrigação de impermeabilização das talhas e desengace das uvas, impõe-se que as massas vínicas sejam mantidas dentro da talha pelo menos até 11 de novembro do ano no qual ocorre a vinificação. De resto, o mesmo regulamento é expresso no sentido de que os vinhos com a designação “Vinho de Talha” têm de apresentar as mesmas características físico-químicas previstas para os restantes DO Alentejo, bem como do ponto de vista organolético no que respeita à cor, limpidez, aroma e sabor, ainda que levando em consideração a especificidade tecnológica do vinho de talha.
Segue igualmente o método clássico o vinho de talha do produtor Amareleza Vinhos (José Piteira), incluindo esmagamento em ripanço (mesa de desengace típica da região) e fermentação em talha, neste caso de 2000 litros. De resto, são já vários os vinhos certificados como ‘vinhos de talha’ (veja-se que são a maioria na nossa escolha), homenageando o passado do vinho alentejano, com alguns deles a alcançar um nível de qualidade verdadeiramente invejável, caso do tinto Bojador. Igualmente a um nível altíssimo encontra-se o branco Puro de Talha da José de Sousa, um dos mais fiéis representantes da fermentação em talha que privilegia ainda o estágio em ânfora durante vários meses com um filme de azeite no topo para prevenir oxidações. Um verdadeiro must!
Destaque final para as médias de pontuações e do preço dos vários vinhos provados, ambas muito elevadas, a comprovar que o trabalho feito em menos de uma década nos vinhos de talha, e nos vinhos com utilização de barro, é absolutamente extraordinário, algo só possível num país que nunca perdeu os seus costumes, mesmo os mais vetustos.
Vinhos para a eternidade

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Madeira Wine Company tem passado por uma profunda renovação ao longo da última década. E enquanto os vinhos produzidos na nova adega estagiam nos cascos, a empresa foi à arca dos tesouros e apresentou no Funchal […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Madeira Wine Company tem passado por uma profunda renovação ao longo da última década. E enquanto os vinhos produzidos na nova adega estagiam nos cascos, a empresa foi à arca dos tesouros e apresentou no Funchal quatro Frasqueira. Os Miles Tinta Negra 1997, Cossart Gordon Sercial 1985, Cossart Gordon Bual 1989 e Blandy’s Malvasia 1977 reforçam o impressionante portefólio de grandes e longevos Madeira desta casa histórica.
TEXTO Luís Lopes
A empresa Madeira Wine Company nasceu de forma faseada, tendo o primeiro passo sido dado em 1913 quando dois exportadores, Welsh & Cunha e Henriques & Câmara, decidiram juntar forças e criaram a empresa então chamada Madeira Wine Association. A pouco e pouco, outros importantes exportadores foram aderindo, num total de vinte e oito, sendo de realçar a entrada da Blandy & Leacock em 1925, da Rutherford & Miles em 1951 e da Cossart Gordon em 1953. A partir de 1981 a firma recebeu o nome definitivo de Madeira Wine Company (MWC).
Desde os anos 70 que a empresa é controlada pela família Blandy, com um interregno de uma década, entre 1991 e 2011, ao longo da qual a família Symington (do vinho do Porto e Douro) obteve a maioria do capital através de uma parceria estratégica iniciada anos antes e que trouxe importantes contributos comerciais, de gestão e de produção, à MWC. Em 2011 a família Blandy recomprou a sua parte, tendo a família Symington permanecido como sócio minoritário e assegurando a distribuição dos vinhos Blandy’s e de outras marcas da empresa nos mais importantes mercados, como EUA (o primeiro mercado Madeira em valor), Reino Unido e Portugal.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Representando a sétima geração da família, o jovem Chris Blandy é o actual CEO da empresa e, com o enólogo Francisco Albuquerque, forma a dupla de principais responsáveis pelo profundo processo de renovação ocorrido ao longo da última década e que levou ao investimento de cinco milhões de euros.
O passo mais significativo foi a transferência da estrutura de administração, produção e armazenagem de vinhos, do Funchal para a nova adega e armazéns situados na Zona Franca Industrial da Madeira, no Caniçal, processo iniciado em 2014 e finalizado em 2017. Estas modernas instalações foram projectadas de forma “eco friendly”, promovendo as reduções de consumo de água, a utilização racional de electricidade (incluindo o recurso a energia solar) e integrando critérios ambientais na seleção de matérias-primas e de embalagens.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”40″][image_with_animation image_url=”32628″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nos históricos e lindíssimos armazéns do Funchal, conhecidos por Blandy’s Wine Lodge, ficou o envelhecimento em canteiro tradicional (cascos de carvalho colocados nos sotãos, beneficiando do calor natural do sol) e o enoturismo, fundamental no caso dos vinhos Madeira, quer como gerador de receita directa, quer como promotor da imagem de marca.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32635″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Investigação como factor de qualidade
A investigação é também uma aposta da MWC, nomeadamente na área de vinificação e envelhecimento, e em particular na estufagem (aquecimento dos vinhos em cubas) e canteiro. O experiente Francisco Albuquerque, em colaboração com a sua equipa de enologia e universidades da Madeira e do continente, tem promovido diversos estudos nesta área, aplicando depois as suas conclusões aos processos de produção. O primeiro destes trabalhos decorreu entre 2003 e 2007 e procurou aprofundar a cinética da estufagem do vinho, através da monitorização de diversas temperaturas de estufagem, avaliando o comportamento das moléculas aromáticas para encontrar a temperatura ideal que produza os efeitos desejados sem as tradicionais notas empireumáticas negativas (aromas queimados). Após a conclusão desse trabalho, a MWC passou da tradicional estufagem de três meses a 55ºC para quatro meses a 45ºC, com resultados muito positivos nos vinhos de entrada de gama, de 3 anos de idade, feitos com a casta Tinta Negra.
Entre 2012 e 2015 foi feito outro trabalho de investigação, desta vez comparando os efeitos da estufagem com o canteiro tradicional. Francisco Albuquerque refere a este propósito que encontrando a correcta temperatura de estufagem para cada casta o vinho estufado não perde qualidades face ao processo de canteiro. Ainda que, na MWC, os vinhos a partir de 5 anos, e nomeadamente os das castas brancas (Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia) sejam todos envelhecidos em canteiro, este estudo sugere que, no futuro, a estufagem poderá eventualmente ser alargada a esta gama sem perda de qualidade.
Desde 2017 e até 2020 decorre nova investigação, que passa pela monitorização de todos os armazéns da empresa onde o vinho envelhece em cascos ou sistema de canteiro, medindo as temperaturas e humidades quatro vezes por dia. Os vinhos são os mesmos nos vários armazéns e os cascos iguais, comparando-se a sua evolução organoléptica (aroma e sabor) e química. Ao mesmo tempo são feitas cromatografias para ver que compostos se formam e quais os que se perdem. O objectivo será determinar quais os armazéns com a melhor temperatura e humidade para envelhecer o vinho de canteiro e tentar descobrir os compostos ou moléculas responsáveis por essa evolução.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32636″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A vinha da ilha verde
A Madeira é um jardim, como diz a canção, e uma parte desse jardim é formado por vinha, plantada desde o nível do mar até aos 800 metros de altitude. Segundo os dados oficiais de 2018, a ilha possui 445 hectares de vinha apta a produzir vinhos com denominação Madeira (o vinho licoroso) ou Madeirense (vinho não fortificado). Excluem-se destas contas as plantações de uvas de mesa e a área ainda considerável de uvas híbridas de “produtor directo”, como as das variedades Jacquet e Isabela, que continuam a ser vinificadas pelos lavradores para consumo próprio.
Dos 445 hectares, mais de metade (238) são ocupados pela Tinta Negra, casta extremamente plástica, uma espécie de “pau para toda a obra”, que hoje começa finalmente a ser reabilitada após largas décadas considerada como inferior, face às mais “nobres” castas brancas regionais. Está plantada maioritariamente na zona sul da ilha, mais quente, seca e soalheira. A uva branca Verdelho estende-se por cerca de 58 hectares, sobretudo na zona norte da ilha, mais fresca e húmida. É normalmente vinificada em vinhos de estilo meio seco, mais doces portanto do que os vinhos de Sercial, mas mais secos do que os Boal e Malvasia.
Falando desta última, a Malvasia de São Jorge (diferente da Malvasia Cândida, por sinal a primeira a chegar à Madeira e de que hoje existem apenas 2 hectares) segue-se ao Verdelho em área plantada, com 35 hectares, a maioria na zona norte (freguesia de São Jorge) mas também no sul, perto do Funchal. Dá origem aos vinhos mais doces. Depois vem a uva Sercial (chamada Esgana Cão em Bucelas), que origina os vinhos mais secos de todos os Madeira e está plantada em 25 hectares, nomeadamente em Porto Moniz e Seixal, na zona norte, e Jardim da Serra, a sul. E para completar o quarteto das castas brancas mais conhecidas, temos a Boal (que também se pode escrever Bual e é chamada Malvasia Fina no continente), com 13 hectares, cultivados essencialmente na zona sul, na Calheta e Campanário, dando origem aos vinhos meio doces, apenas um pouco mais secos do que os Malvasia. Uva nobre mas de diminuta produção, é também a branca Terrantez, com apenas 4 hectares plantados, mas com tendência a crescer devido aos incentivos das empresas produtoras, e nomeadamente a MWC, junto dos viticultores.
A MWC compra uvas por toda a ilha, com contratos com mais de 300 viticultores, muitos deles com propriedades inferiores a 0,3 hectares. Os lavradores de maior potencial são acompanhados de perto pela empresa, de forma a assegurar a qualidade da matéria-prima recebida na vindima. A companhia possui ela própria três propriedades, duas na zona norte – a Quinta do Bispo, com 5 hectares de Sercial, Verdelho e Malvasia; e a Quinta do Furão, com 2 hectares de Sercial e Verdelho – e uma na zona sul, a Quinta de Santa Luzia, pertencente a um dos membros da família, Andrew Blandy, onde existe uma pequena vinha experimental de 1 hectare com as uvas Sercial, Verdelho, Terrantez, Boal e Tinta Negra.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os notáveis Frasqueira
Existem várias categorias de vinhos Madeira que, de forma simplificada, se podem dividir em duas: os vinhos de lotes, misturando várias colheitas, e os vinhos de uma só colheita. Os primeiros incluem os Madeira mais básicos, vinhos com 3 anos de idade, elaborados, regra geral, a partir de Tinta Negra, e também vinhos de complexidade e idade crescente: 5, 10, 15, 20, 30 e “mais de 40 anos”. Do outro lado estão os vinhos de uma só vindima, os Colheita e os Frasqueira. O Colheita deverá ser envelhecido em casco, de forma contínua, pelo menos durante 5 anos e até 18 anos, com data de engarrafamento no rótulo. Já o Frasqueira (também por vezes chamado Garrafeira ou Vintage), deverá passar pelo menos 20 anos contínuos em casco, ter envelhecimento exclusivo em canteiro e data de engarrafamento no rótulo.
Frasqueira é, portanto, a mais nobre e prestigiada categoria de Vinho Madeira e foi neste segmento que a MWC apostou para lançar recentemente no mercado quatro novos vinhos, o Miles Tinta Negra 1997 (não vendido no continente, apenas na ilha e na exportação), os Cossart Gordon Sercial 1985 e Bual 1989, e o Blandy’s Malvasia 1977.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32637″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]São vinhos engarrafados em muito pequenas quantidades (das 645 garrafas de 75cl do Malvasia às 787 do Bual, para além de algumas dezenas de meias garrafas, magnum e double magnum), que expressam da melhor forma o solo vulcânico e o clima subtropical de influência fortemente atlântica desta ilha. Vinhos de carácter vincado, de aromas e sabores intensos e marcantes, praticamente eternos na sua longevidade. Quando se sabe que em 2019 serão celebrados os 600 anos da chegada dos portugueses à ilha da Madeira, estes quatro Frasqueira são uma espécie de comemoração antecipada. Não sei se durarão outros 600 anos, mas como, até à data, não há registo de um Madeira se ter estragado, quem sabe onde chegarão?[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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Quinta do Côtto Grande Escolha, o renascer de um clássico

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Quinta da Marinha foi o local escolhido para a prova vertical deste tinto que já foi uma referência do Douro e que hoje procura recuperar o tempo perdido, regressando ao convívio dos consumidores. O produtor, o […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Quinta da Marinha foi o local escolhido para a prova vertical deste tinto que já foi uma referência do Douro e que hoje procura recuperar o tempo perdido, regressando ao convívio dos consumidores. O produtor, o enólogo e o distribuidor estão agora apostados no renascimento destes tintos do Baixo Corgo, quase na fronteira com a região dos Vinhos Verdes.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
O anfitrião da prova foi Miguel Champalimaud, que herdou do pai o nome e, agora, a responsabilidade da condução do negócio da Quinta do Côtto e do Paço de Teixeiró, propriedade vizinha do Douro e onde se produzem Verdes muito personalizados. A Quinta do Côtto começou por ser conhecida nos anos 60 e 70, quando editava uns tintos com indicação de casta, algo raro para a época.
Havia no mercado um tinto de Sousão e outro de Bastardo. Este último não seria seguramente o mesmo Bastardo que conhecemos hoje na região, porque, ao contrário dos actuais, era um tinto carregadíssimo na cor. Além dos tintos, a quinta também produzia brancos, um deles elaborado com a casta Avesso, a mesma que conhecemos na vizinha zona de Baião, já na região dos Vinhos Verdes. Há poucos anos tive oportunidade de provar um destes brancos de Avesso, de 1979, com uma impressionante cor citrina e uma saúde invejável para a idade, um branco que se bebia com muito prazer.
Numa época, anos 70 e 80, em que os vinhos do Douro de referência se contavam por muito poucos, a Quinta do Côtto era já uma marca prestigiada. Não é assim de admirar que o crítico inglês Charles Metcalfe, no seu The Wines of Spain & Portugal (1988) a tenha incluído nas duas únicas referências que fez aos vinhos do Baixo Corgo, ao lado dos da Quinta da Pacheca e salientando, no Côtto, a aposta nas castas portuguesas e regionais, ao contrário da Pacheca, onde se estavam a dar os primeiros passos nas castas brancas internacionais. O Quinta do Côtto surgia assim aos olhos de Metcalfe como “one of Portugal’s rising stars”, sobretudo o Grande Escolha, referenciado como usando madeira nova para o estágio, algo também inovador para a época.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32611″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nos anos 80, os vinhos Quinta do Côtto granjearam justificada fama. Não eram os únicos vinhos durienses, uma vez que além dos vinhos da Ferreira (Planalto em branco, Barca Velha, Reserva Especial, Vinha Grande e, a partir da colheita de 1984, o Esteva, todos tintos), existiam outras marcas com algum prestígio, como os vinhos da Real Vinícola e Real Companhia Velha e os Vinhos Borges (marca Lello).
O Quinta do Côtto beneficiou de três factores que contribuíram para a sua fama: a qualidade do vinho, a irreverência do proprietário (uma voz bem sonora contra o estado das coisas na região e as instituições que lhe estavam associadas) e, por último, uma boa imprensa, apesar da timidez do jornalismo vinícola de então e que permaneceu até finais dos anos 80. Relembro as crónicas de José Salvador no semanário “Expresso”, quando apelidava de “três reis magos” o trio maravilha – Barca Velha, Reserva Especial e Quinta do Côtto Grande Escolha – e quando, no seu O Livro dos Vinhos (1989), reservou um texto de boa dimensão para dar a conhecer Miguel Champalimaud, iconoclasta e defensor dos vinhos dos chamados “produtores-engarrafadores”, bradando bem alto contra tudo e contra todos. Mesmo uns anos mais à frente, também Richard Mayson no seu “Portugal’s Wines & Winemakers” (1992) salienta o carácter irreverente do produtor mas não deixa de afirmar de forma bem categórica o seu apreço pelo Grande Escolha: “The wine deserves acclaim!”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Vinhos com política pelo meio” color=”black”][vc_column_text]Não foi a primeira vez que fiz uma prova vertical deste vinho, mas a última já foi há seguramente duas décadas. Na altura em casa de Miguel Champalimaud, na Quinta da Marinha, num jantar muito animado e para o qual convidou muitos dos seus amigos que tinham estado bem activos nos anos da brasa, a seguir ao 25 de Abril. Nem é preciso falar da animação que foi. As “hostilidades” começaram com a prova vertical, a apropriada hora de final de tarde, a que se seguiu o jantar confeccionado pelas “senhoras da casa”, capitaneadas pela mulher de Miguel. O que já não recordo é a sequência dos vinhos e sobretudo, se estariam todas as colheitas, algo que agora aconteceu e que segundo Miguel (filho) é provável que não se repita porque, de várias colheitas, já não há vinhos.
O tema do jantar não poderia deixar de fora as aventuras de vários dos presentes, sobretudo aquando do período mais quente da turbulência que varreu o país nos anos da revolução. É caso para dizer que os vinhos aí provados foram bem saboreados. Memórias vínicas e políticas de mãos dadas.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]UMA PROVA HISTÓRICA
A história do Grande Escolha liga-se também à vida atribulada que a marca teve no mercado interno: muito presente nas prateleiras e na restauração nos anos 90, a marca perdeu terreno porque a oferta de vinhos da região foi maciça nessa década e o consumidor passou a dispor de imensa oferta; depois, o facto de ter optado pelo vedante de rosca em vez da tradicional cortiça e de no ano 2000 ter decidido fazer apenas Grande Escolha em quantidade que se veio a mostrar desajustada para o mercado a que se destinava, tudo foi contribuindo para a perda de popularidade e o afastamento em relação ao consumidor.
É esse “terreno perdido” que a nova equipa, que além de Miguel Champalimaud inclui o enólogo Lourenço Charters Monteiro – desde 2015 ligado ao projecto –, procura conquistar de novo. O topo de gama continua a chamar-se Grande Escolha, embora tal designativo seja actualmente utilizado por imensos produtores, o que lhe fez perder algum impacto. A nova imagem também teve isso em conta e destaca agora o nome da quinta, deixando em segundo plano o designativo de qualidade.
Até aos anos 90 a madeira usada foi o carvalho nacional, uma tendência de resto seguida por vários produtores e enólogos, mas que no final da década deu lugar ao uso de madeira francesa, considerada mais fina e dando melhores resultados.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32612″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Por opção, abandonou-se a produção de vinho branco e desde 2001 que também deixou de se fazer Vinho do Porto. Em termos de vinha, temos neste momento 77 hectares na Quinta do Côtto e 8ha no Paço de Teixeiró. Do Quinta do Côtto fazem-se cerca de 70.000 garrafas e do Grande Escolha, em 2015, encheram-se 1600 garrafas, muito longe dos montantes atingidos em 1995, com mais de 60.000 garrafas de Grande Escolha lançadas no mercado.
A prova foi bem interessante porque os vinhos se mostraram em muito boa forma, com a natural variação que o tempo incute em cada garrafa, e com a particularidade de Miguel Champalimaud ter conseguido reunir todas as colheitas produzidas, sem excepção.
O primeiro Grande Escolha, de 1980 (7981 garrafas) foi feito em auto-vinificadores, chamados cubas argelinas, sem sistema de frio; ainda deu boa prova mas está claramente em terreno descendente. O 1982 foi, à época, um caso muito falado porque sempre apresentou um perfil duro, difícil e sem qualquer preocupação de agradar a quem gosta dos tintos novos; evoluiu com nobreza, não perdeu a rudeza mas ganhou mesmo alguns mentolados que lhe assentam muito bem; o 1985 foi na altura considerado um caso muito sério, com muita qualidade e elegância (26.750 garrafas); o tempo não o molestou e agora as leves notas licoradas dão-lhe muita classe, sem que se perca a energia Muito, muito bom! Os vinhos das colheitas de 1987, 1990 e 1994 mostraram-se num patamar elevado, aqui e ali com alguns pontos menos conseguidos, como um leve toque de couro no 1987, alguma falta de concentração no 1990 e mesmo uma acidez volátil um pouco mais elevada no 1994, a mostrar-se um pouco mais evoluído do que se poderia esperar. O 1995 revela também alguma evolução mas dá excelente prova e o 2000 (o ano em que toda a produção foi considerada apta a Grande Escolha) mostra-nos agora um esqueleto um pouco débil, resultando depois com um tanino algo agressivo; seguramente não justificará mais guarda. O 2001 e 2007 mostraram-se muito bem, aqui com perfeito equilíbrio entre estrutura, barrica e fruta. Dois bons exemplares do que se pretende com este topo de gama que, em 2007, reduziu a produção para uns razoáveis 5500 exemplares. O tinto da colheita de 2009, já com Touriga Nacional e algum Tinto Cão, mostrou-se em muito boa forma, concentrado mas elegante, a dar muito prazer a beber. A colheita de 2011 trouxe aquele que será, para mim, o melhor vinho da prova (18 pontos), ainda jovem e poderoso, negro na fruta, floral e com um belo equilíbrio de conjunto, com óptima frescura de boca. O 2012 vem um pouco na continuação do 2011, com taninos redondos, com bom desenho de boca, fino e bem equilibrado. Deixo em baixo a nota de prova completa do novo vinho agora apresentado, 2015, e que teve origem em duas parcelas de vinhas velhas, estagiou em madeira de carvalho francês de 2º ano e português de terceira utilização.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32618″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]As marcas de prestígio não percorrem sempre um caminho seguro e linear; têm altos e baixos e vão-se adaptando às mudanças, quer da técnica quer do gosto. Foi o que aconteceu com o Quinta do Côtto Grande Escolha, um clássico pela qualidade e antiguidade e que quer voltar a ser referência da região.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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